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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
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				<article-title>Mata, Iacy Maia. <italic>Conspirações da raça de cor</italic>: escravidão, liberdade e tensões raciais em Santiago de Cuba (1864-1881)</article-title>
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					<trans-title>Mata, Iacy Maia. Conspirações da raça de cor: escravidão, liberdade e tensões raciais em Santiago de Cuba (1864-1881)</trans-title>
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					<institution content-type="original">Emory College of Arts and Sciences. Atlanta, GA, USA. adriana.chira@emory.edu</institution>
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					<label>1</label>
					<p>Ph.D., University of Michigan. Assistant Professor of Atlantic World History, Emory College of Arts and Sciences (USA).</p>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
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		<p>O complicado relacionamento entre as pessoas de cor e os movimentos nacionalistas latino-americanos esteve no centro de um vasto conjunto de pesquisas historiográficas. Algumas das questões que os estudiosos enfrentaram foram estas: o que levou as pessoas de cor a participar nesses movimentos? Como os modelaram? E por que endossaram ideologias nacionalistas que celebravam a harmonia racial e que as elites brancas viriam a usar como meio para silenciar as reivindicações baseadas na raça? As pessoas de cor foram sendo cooptadas pelas elites brancas, ou conseguiram dar forma ao teor geral dos movimentos e das ideologias nacionalistas? Historiadores cubanos envolveram-se nessas discussões, muito embora Cuba tenha discrepado cronologicamente em comparação com outras colônias espanholas nas Américas, alcançando sua independência apenas em 1898. O paradoxo que faz de Cuba um tema particularmente interessante de pesquisa é por que o maior produtor de açúcar para o mercado global poderia abrigar um ideal nacionalista de fraternidade racial, no momento em que o racismo científico tornava-se o lastro ideológico para os segundos impérios europeus na Ásia e na África, e para as chamadas leis Jim Crow no sul dos Estados Unidos. Realizando rica pesquisa em arquivos cubanos e espanhóis e tecendo uma bela narrativa que coloca na frente e no centro as vozes e as ações das próprias pessoas de cor, Iacy Maia Mata oferece, em sua monografia, novas abordagens sobre essas questões.</p>
		<p>Estudos anteriores sobre fraternidade racial em Cuba centraram o foco sobretudo na experiência militar durante a prolongada Guerra de Independência contra a Espanha (1868-1898). Estudiosos e intelectuais já desde José Martí argumentaram que o <italic>esprit de corps</italic> militar que se desenvolveu entre os rebeldes pró-independência através das linhas de segregação oficiais serviu como catalisador de ideologias radicais de inclusão nacional e racial. Mata, porém, sustenta que há indícios nos arquivos de uma cultura política popular em Santiago que parece ter preexistido à campanha militar de 1868. Introduzindo um novo recorte cronológico para a emergência de ideologias de igualdade racial em Cuba, Iacy Mata não está apenas oferecendo o relato mais completo. Ela também está sugerindo que a população de cor de Santiago havia considerado a igualdade antes mesmo de as elites liberais de pequenos proprietários na província vizinha de Puerto Príncipe terem iniciado a guerra de independência.</p>
		<p>O objetivo de Iacy Mata é traçar as origens da cultura política popular de Santiago e explicar como, entre meados dos anos 1860 e o início da década de 1880, a população de cor local superou as divisões de <italic>status</italic> e criou laços e solidariedades que alcançaram sua expressão completa na ideia de uma <italic>raza de color</italic> unificada. A autora argumenta que essa visão particular de uma comunidade política centrada na raça estava alinhada com a causa nacionalista de uma Cuba livre. Como ela coloca adequada e incisivamente, as pessoas de cor de Santiago passaram, no começo da década de 1860, da condição de <italic>la clase de color</italic>, um rótulo oficial nelas fixado pelas autoridades coloniais espanholas, para a de <italic>la raza de color</italic>, termo que intelectuais e líderes políticos e militares de cor começaram a usar para se autoidentificar no início da década de 1880.</p>
		<p>Ao longo da maior parte de sua existência colonial, Santiago de Cuba, província situada na extremidade leste da ilha, foi uma zona de fronteira colonial, ator marginal na política imperial e local de pouco investimento da agricultura de <italic>plantation</italic> em larga escala. Os refugiados da Revolução Haitiana que migraram para essa região por volta de 1803 ali introduziram plantações de café, muitas das quais faliram no começo da década de 1840. Até o final dos anos 1850, as principais fontes de renda locais eram a criação de gado, a plantação de café e tabaco e a mineração de cobre (que as autoridades concederam a uma companhia inglesa). Como resultado da localização de Santiago nas margens do domínio açucareiro, a pequena propriedade permaneceu ali muito mais comum do que na parte centro-oeste de Cuba. Além do mais, Santiago também se destacou entre as demais províncias cubanas pelo peso demográfico relativamente maior da população de cor. No começo dos anos 1860, muitos deles eram pequenos proprietários e alguns possuíam um pequeno número de escravos. Era essa população que começou a se mobilizar politicamente no início daquela década, argumenta a autora, em resposta aos acontecimentos econômicos locais e aos movimentos internacionais antiescravagistas.</p>
		<p>Nos primeiros anos da década de 1860, o açúcar começou a deitar raízes mais profundas em Santiago e a produção de café voltou a se expandir ali. Como consequência, as plantações começaram a invadir áreas onde os pequenos proprietários ou arrendatários cultivavam tabaco, deixando a população de cor insatisfeita. Ademais, em meados da década, teriam chegado a Santiago notícias e rumores sobre a emancipação dos escravos no sul dos Estados Unidos. A população local também teria consciência, havia bastante tempo, dos protestos britânicos contra a escravidão e o comércio de escravos para o Império Espanhol (em razão da proximidade da Jamaica), bem como da reputação do Haiti como república construída a partir de uma bem-sucedida revolução de escravos. Fazendo uma leitura cuidadosa de registros criminais e judiciais, Iacy Mata recupera como essas notícias impactaram a vida cotidiana entre os escravos e a população de cor livre e o que fizeram com elas. Quer fosse a exibição sutil e irônica de uma bandeira haitiana, trazendo inscrita a palavra Esperança, quer fosse o uso de um vocabulário pró-republicano, antiescravidão e antidiscriminação, sustenta a autora, as conversas de natureza política se espalharam pela cidade e pelas áreas rurais antes de 1868.</p>
		<p>As conversas políticas locais culminaram em uma série de conspirações que transpirou entre 1864 e 1868 na província de Santiago e em áreas adjacentes. Iacy Mata interpreta a evidência dessas conspirações cuidadosamente, identificando os objetivos e as alianças dos participantes que emergiam entre escravos, população de cor livre e brancos. Os <italic>desiderata</italic> incluíam uma república independente, o fim da escravidão e a igualdade de direitos no que diz respeito ao <italic>status</italic> de raça. Nos dois capítulos finais, a autora coloca em discussão que essas metas políticas receberiam maior articulação durante a Guerra de Independência, quando as pessoas de cor tentariam radicalizar a agenda principal da liderança branca liberal para incluir a igualdade política e a abolição imediata.</p>
		<p>A monografia baseia-se em extensa pesquisa nos arquivos imperiais espanhóis (Arquivo Histórico Nacional, Arquivo Geral das Índias), bem como em fontes dos Arquivos Nacionais Cubanos e do Arquivo Histórico Provincial de Santiago de Cuba. Esses diferentes repositórios forneceram a Iacy Mata fontes que lhe permitiram deslocar-se entre diferentes percepções dos mesmos eventos ou processos: elite/subalterno, centro imperial (Madri)/elite política centrada no açúcar (Havana)/zona de fronteira cubana (Santiago). Adicionalmente, o trabalho de Iacy Mata mostra como o estudo de uma área de fronteira do Caribe pode ser importante para se entender o radicalismo político na região. Por muito tempo, os historiadores permaneceram focando as áreas produtoras de açúcar como os principais espaços onde a mudança social se deu. Embora seu trabalho tenha nos munido de ferramentas e abordagens analíticas indispensáveis, Iacy Mata sugere que é importante olhar para além dessas áreas se quisermos compreender a cultura política local.</p>
		<p>A monografia também abre importantes caminhos para novas pesquisas. A unidade discursiva do termo <italic>raza de color</italic> esconde as complexas políticas e as fraturas existentes entre as pessoas de cor em Santiago que sobreviveram nos anos 1880 e moldariam a política clientelista nos primórdios da Cuba republicana. Seria fundamental considerar que as origens e os desdobramentos posteriores dessas fraturas estariam em Santiago. Em segundo lugar, o estudo de Iacy Mata alude à presença de aliados brancos liberais em Santiago, que, ocasionalmente, ajudaram os combatentes pela liberdade ou participaram de conspirações antiescravidão. A historiadora cubana Olga Portuondo Zúñiga explorou a história do liberalismo na parte ocidental da ilha, revelando um vibrante campo de ideias liberais que se mostravam, às vezes, contraditórias ou contraditórias em si mesmas. Puerto Príncipe e Bayamo foram terrenos particularmente férteis para o pensamento liberal, mas Santiago não esteve alheia a ele antes da Guerra de Independência (ver, por exemplo, o governo de Manuel Lorenzo nos anos 1830). Algumas dessas ideologias liberais podem também ter escoado através de redes que alcançaram ex-colônias latino-americanas depois da década de 1820 e a República Dominicana durante a Guerra da Restauração nos anos 1860. Estudar os ideais políticos da população de cor de Santiago em relação a essas outras correntes políticas, tanto internas quanto externas à ilha, parece ser um terreno especialmente importante para futuras pesquisas.</p>
		<p>O trabalho de Iacy Mata é uma bela ilustração de como as ferramentas da história social e política podem capturar a dinâmica dos movimentos políticos populares. Assim sendo, eu o recomendo vivamente para os estudiosos interessados em sociedades escravistas e pós-escravistas e nos papéis que as pessoas de cor desempenharam no interior delas.</p>
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			<title>NOTA</title>
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				<p>Tradução: Sergio Lamarão</p>
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				<article-title>Mata, Iacy Maia. Conspirações da raça de cor: escravidão, liberdade e tensões raciais em Santiago de Cuba (1864-1881)</article-title>
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					<label>1</label>
					<p>Ph.D., University of Michigan. Assistant Professor of Atlantic World History, Emory College of Arts and Sciences (USA).</p>
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			<p>The complicated relationship between people of color and Latin American nationalist movements has been at the center of a large body of historiographic research. Some of the questions that scholars have tackled have been: what made people of color participate in these movements? How did they shape them? And why did they endorse nationalist ideologies that touted racial harmony and that white elites would come to use as a means to silence race-based claims? Were people of color being co-opted by white elites, or did they succeed in shaping the general tenor of nationalist movements and ideologies? Historians of Cuba have engaged in these conversations, even though Cuba was a chronological outlier relative to the other Spanish colonies in the Americas, gaining its independence only in 1898. The paradox that makes Cuba a particularly interesting topic of research is why the largest sugar producer for the global market could become home to a nationalist ideal of racial confraternity at a time when scientific racism had become the ideological ballast for European second empires in Asia and Africa, and for US South Jim Crow laws. Drawing on rich research from Cuban and Spanish archives and weaving a beautiful narrative that places front and center the voices and actions of people of color themselves, Iacy Maia Mata's monograph offers new insights into these questions.</p>
			<p>Earlier studies of racial confraternity in Cuba focused particularly on the military experience during the protracted War of Independence against Spain (1868-1898). Scholars and intellectuals as far back as José Martí argued that the military <italic>esprit de corps</italic> that developed among pro-independence insurgents across official color lines served as a catalyst for radical ideologies of national and racial inclusion. But Mata argues that there are archival traces of a popular political culture in Santiago that appears to have pre-existed the 1868 military effort. By introducing a new chronological threshold for the emergence of ideologies of racial equality within Cuba, Mata is not just setting the record straight. She is also suggesting that Santiago's people of color had considered equality before the small landholding liberal elites in the neighboring province of Puerto Principe initiated the Independence War.</p>
			<p>Mata's goal is to trace the origins of Santiago's popular political culture and to explain how, between the mid-1860s and the early 1880s, the local population of color overcame status divisions and created bonds and solidarities that reached their full expression in the idea of a unified <italic>raza de color</italic>. This particular vision of a race-centered political community was aligned with the nationalist cause of a free Cuba, Mata argues. As she aptly and pithily puts it, Santiago's people of color shifted from being in the early 1860s <italic>la clase de color</italic>, an official label that the Spanish colonial authorities affixed onto them, to being <italic>la raza de color</italic>, a term that intellectuals, and political and military leaders of color started to use to self-identify in the early 1880s.</p>
			<p>Throughout most of its colonial existence, Santiago de Cuba, a province located on the eastern side of the island, had been a colonial borderland - a marginal player in imperial politics and the site of little investment in large-scale plantation agriculture. Refugees from the Haitian Revolution who migrated to this region around 1803 started coffee plantations, many of which went bust by the early 1840s. Until the late 1850s, the main sources of local revenue were livestock production, some coffee and tobacco cultivation, and copper mining (which authorities had conceded to an English company). As a result of Santiago's location on the outskirts of sugar's domain, small landholding remained much more common here than on the west-central part of the island. Furthermore, Santiago also stood out among other Cuban provinces for the relatively larger demographic weight of the people of color. At the beginning of the 1860s, many of them were small landowners, and some of them were small slaveholders. It was this population that began to mobilize politically toward the beginnings of the 1860s, the author argues, in response to local economic developments and international anti-slavery movements.</p>
			<p>By the early 1860s, sugar started to take deeper roots and coffee production picked up again in Santiago. As a result, plantations began to encroach upon areas where small landholders or land renters cultivated tobacco, leaving the population of color discontent. Furthermore, by the mid-1860s, Santiago would have received news and rumors about emancipation in the US South. The local population would have also long been aware of British agitation against slavery and the slave trade to the Spanish Empire (because of the proximity of Jamaica) and of Haiti's reputation as a republic built out of a successful slave revolution. Through careful reading of criminal and judicial records, Mata retrieves how this news impacted everyday life among slaves and free people of color and what they did with it: whether it was the subtle and ironic parade of a Haitian flag inscribed with the word Hope or the use of pro-republican anti-slavery and anti-discrimination vocabulary, Mata argues, political talk was widespread in the city and in the rural areas before 1868.</p>
			<p>Vernacular political talk culminated in a series of conspiracies that transpired between 1864 and 1868 in the province of Santiago and in adjacent areas. Mata reads the evidence for these conspiracies carefully, tracing the participants' objectives and the alliances that emerged between slaves, free people of color, and whites. The <italic>desiderata</italic> included an independent republic, the end of slavery, and equality of rights regardless of race status. In the two final chapters, Mata argues that these political goals would receive further articulation during the War of Independence, as people of color would try to radicalize the white liberal leadership's main agenda to include political equality and immediate abolition.</p>
			<p>The monograph is based on extensive research in Spanish imperial archives (Archivo Histórico Nacional, Archivo General de Indias), as well as on sources from the Cuban National Archives and Santiago's provincial archive (the Archivo Histórico Provincial de Santiago de Cuba). These different repositories provide Mata with sources that enable her to shift between different perceptions of the same events or processes: elite/subaltern, imperial center (Madrid)/sugar-centered political elite (Havana)/Cuban borderland (Santiago). Moreover, Mata's work shows how important the study of a Caribbean borderland can be for understanding political radicalism in the region. For too long, historians have remained fixated on sugar-producing areas as the main crucibles for social change. While this work has provided us with indispensable analytic tools and insights, Mata suggests that it is important to look beyond those areas if we are to understand local political culture.</p>
			<p>The monograph also opens up important avenues for new research. The discursive unity of the term <italic>raza de color</italic> conceals the complex politics and the fractures among people of color in Santiago that survived into the 1880s and would shape the clientelar politics of early republican Cuba. It would be important to consider what the origins and later outcomes of these fractures would be in Santiago. Secondly, Mata's study alludes to the presence of white liberal allies in Santiago who occasionally aided freedom litigants or participated in anti-slavery conspiracies. Cuban historian Olga Portuondo Zúñiga has explored the history of liberalism on the eastern part of the island, showing a vibrant field of liberal ideas that were at times contradictory or self-contradictory. Puerto Príncipe and Bayamo had been especially fertile grounds for liberal thinking, but Santiago had not been alien to it before the War of Independence (see, for instance, Manuel Lorenzo's governorship in the 1830s). Some of these liberal ideologies might have also trickled in through networks reaching out of former Latin American colonies after the 1820s and out of the Dominican Republic during the Restoration War in the 1860s. Studying the political ideals of Santiago's population of color in relation to these other political currents, both internal and external to the island, appears to be an especially important ground for future research.</p>
			<p>Mata's work is a beautiful illustration of how the tools of social and political history can capture the dynamics of popular political movements. As such, it is highly recommended for scholars interested in slave and post-slave societies and in the roles that people of color played within them.</p>
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