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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1806-9347</issn>
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				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472019v39n80-07</article-id>
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					<subject>Articles</subject>
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				<article-title>Batuques negros, ouvidos brancos: colonialismo e homogeneização de práticas socioculturais do sul de Moçambique (1890-1940)</article-title>
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					<trans-title>Black Drums, White Ears: Colonialism and Homogenization of Social and Cultural Practices in Southern Mozambique (1890-1940)</trans-title>
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						<surname>Pereira</surname>
						<given-names>Matheus Serva</given-names>
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					<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>
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					<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Centro de Pesquisa em História Social Aplicada (Cecult), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Campinas, SP, Brasil. matheusservapereira@gmail.com</institution>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>No artigo analiso como as práticas designadas genericamente como batuques passaram por um processo de homogeneização e de escrutinização por parte de diferentes agentes da ação colonial portuguesa. Por um lado, insistiu-se em unificar danças e músicas na categoria genérica de batuque; por outro, a necessidade de compreender os povos dominados acabou por produzir respostas coloniais que transitaram entre um destrinchar desse termo em busca de uma apuração mais fidedigna daquilo que se presenciava e uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. Ao mesmo tempo, promoveu-se uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. Esse processo foi concebido pelos agentes coloniais portugueses como forma de apropriação dessas danças, canções e músicas feitas pelos nativos do sul de Moçambique para positivação de um discurso nacionalista português.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In this article, I analyse how practices referred to generically in the historical documentation as ‘batuque’ (drums) underwent a process of homogenization and scrutinization by diverse Portuguese colonial agents. On one hand, the co­lonial agents insisted on unifying everything they saw as dance and music under the generic category of ‘batuque.’ On the other hand, the need for a better understanding of the subordinate Africans ended up producing colonial responses that shifted between a dissection of the term in search of a more accurate apprehension of what was being observed and an incorporation of these practices into the colonial enterprise. This process was conceived by the colonial agents as a way of appropriating the dances, songs and music made by the natives of southern Mozambique into the ultramarine Portuguese nationalist discourse.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>colonialismo</kwd>
				<kwd>homogeneização</kwd>
				<kwd>“batuques”</kwd>
				<kwd>sul de Moçambique</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>colonialism</kwd>
				<kwd>homogenization</kwd>
				<kwd>‘batuques’</kwd>
				<kwd>Southern Mozambique</kwd>
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					<funding-source>Fapesp</funding-source>
					<award-id>2018/05617-0</award-id>
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				<funding-statement>Bolsista Fapesp processo 2018/05617-0.</funding-statement>
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		<p>As pressões desenvolvidas pela empreitada colonial portuguesa no sul de Moçambique, iniciadas, sobretudo, após a derrocada do reino de Gaza, na década de 1890, promoveram um intenso empurrar das populações nativas africanas no intuito de as inserirem em lógicas da venda de sua força de trabalho nos mecanismos de exploração criados pelo regime colonial. Como consequência, ocasionaram fortes pressões migratórias para o meio urbano da capital colonial, a cidade de Lourenço Marques, atualmente Maputo, e para as minas da África do Sul. Segundo o Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, em 1904 os mineiros de origem moçambicana correspondiam a 60,2% da mão de obra das minas e, em 1906, 65,4% (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Centro de Estudos Africanos, 1998</xref>, p. 35). Pesquisas que dedicaram suas análises às relações de trabalho implementadas pelo colonialismo português no sul de Moçambique defendem que, desde o início do século XX, consolidou-se um sistema migratório e de fornecimento de trabalhadores moçambicanos para setores que demandavam mão de obra na cidade de Lourenço Marques, mas, sobretudo, para suprir as altas demandas por braços para a exploração das minas sul-africanas (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Harries, 1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Penvenne, 1995</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Penvenne, 2015</xref>).</p>
		<p>O esforço em superar as dificuldades encontradas por Portugal no objetivo de compelir as populações nativas para o mercado de trabalho, inserindo-as num sistema econômico monetário, promoveu, dentre outras coisas, a formulação de legislações que estabelecessem a delimitação do corpo populacional do mundo colonial em determinadas categorias. Essas, baseadas na região de origem e em categorizações raciais, definiram legalmente os grupos populacionais que compunham o corpo habitacional dos territórios coloniais portugueses na África. Esse conjunto de disposições legais, formuladas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, estabeleceram juridicamente a existência de duas categorias que definiriam formalmente o lugar das populações negras/africanas nos quadros do colonialismo português até a década de 1960: os assimilados e os indígenas. Os assimilados foram descritos em diferentes códigos implementadas pelas políticas coloniais como os africanos que haviam abandonado os “usos e costumes da sua raça”, adotando hábitos do chamado mundo civilizado. Os indígenas, que compunham a esmagadora maioria da população, seriam os africanos que continuavam praticando e vivendo a partir dos “usos e costumes da sua raça”. O pensar a construção da definição de indígena como aquele não propenso ao trabalho e, consequentemente, um indivíduo naturalmente ocioso, esteve relacionado à produção das legislações que conceberam o trabalho como ferramenta civilizacional (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Zamparoni, 2007</xref>).</p>
		<p>O estabelecimento da obrigação moral do trabalho para aqueles definidos como indígenas - por meio do Código do Trabalho Indígena, de 1899, ao qual se seguiram outros semelhantes em 1906, 1911, 1914, 1926 e 1928, e do Estatuto Político, Civil e Criminal dos Indígenas de Guiné, Angola e Moçambique, de 1929 - teve como objetivo último promover o surgimento de uma força de trabalho negra subproletarizada e sub-remunerada, que tivesse como características principais a abundância, o baixo custo e a disciplina. Em geral, a construção de mecanismos que empurrassem os africanos, sobretudo os indígenas, para o mercado de trabalho capitalista desenvolvido com o advento do colonialismo, fosse por meio do trabalho forçado ou da venda voluntária de sua força de trabalho, andou lado a lado com a própria produção dessa categoria indígena e de suas supostas características socioculturais. A memória justificativa da colonização portuguesa na África foi construída exatamente tendo como base as medidas legislativas que tentaram regular a produtividade do trabalhador nativo dentro de uma ideia de exploração digna e propensa para se conduzir essa mão de obra rumo à civilização (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerónimo, 2009</xref>).</p>
		<p>De maneira geral, a bibliografia sobre a construção desse arcabouço jurídico-governamental colonizador português, assim como as investigações sobre as dinâmicas estabelecidas entre as práticas colonizadoras e as variadas lógicas socioculturais das populações nativas africanas, têm interpretado os contatos constituídos com base na existência de um paradoxo no projeto das missões europeias colonialistas de civilizar e evangelizar. Como explica a pesquisadora Patrícia Ferraz de Matos, por um lado, no paradoxo colonial “defendia-se a necessidade de proteger os ‘usos e costumes’ dos nativos; por outro, defendia-se a necessidade de conduzir os nativos a um processo assimilatório (onde naturalmente parte desses ‘usos’ se esvaneceria)” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Matos, 2006</xref>, p. 253).<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
		</p>
		<p>O fenômeno de construção da ideia de cultura popular, com “usos e costumes” específicos que deveriam ser tipificados e que corresponderiam a um folclore, que, por sua vez, simbolizaria o amálgama cultural de determinado povo e, consequentemente, de uma nação unificada, promovedora da homogeneização e padronização de variadas práticas culturais, é um processo que se pode perceber como recorrente em diferentes partes do mundo a partir da segunda metade do século XIX. Para Portugal, trabalhos como os de Vera Marques Alves - sobre a atuação do Secretariado da Propaganda Nacional e os usos nacionalistas, feitos pelas ciências sociais, da cultura popular (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alves, 2013</xref>) - e de Marcos Cardão - sobre as relações entre projetos políticos ideológicos nacionalistas-colonialistas e o que o autor chama de “cultura de massas” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Cardão, 2014</xref>) - demonstram como o Estado Novo português (1933-1974) esforçou-se em desenvolver projetos de homogeneização de práticas culturais, afunilando-as para o desígnio de folclore e direcionando-as para determinado fim político-ideológico, também no seu território metropolitano.</p>
		<p>Para o caso das populações do sul de Moçambique, as perspectivas das visões predominantes em círculos metropolitanos portugueses das relações que deveriam ser estabelecidas com as populações nativas colonizadas, durante o período analisado, passaram por um processo de tipificação que promoveu o fabrico de nativos dentro de uma ordem social e cultural que deveria ser, paradoxalmente, preservada e combatida. Como resultado desse método, o aprisionamento daqueles africanos tipificados numa forma de ser que os entendia como imutáveis, consequentemente os limitou, ao menos no esforço analítico dos homens do Império, a um determinado destino (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Pereira; Nascimento, 2017</xref>). No entanto, a própria perspectiva de um paradoxo colonial foi sendo construída, vivenciada e usada de diversas maneiras e em variados níveis, na medida em que as múltiplas categorias de intercâmbio empregadas naquele contexto encontraram-se obrigadas a interagir dentro das instituições reguladoras da vida social implementadas pela expansão colonial. As constantes renovações das condições jurídicas que abarcavam o espaço colonial, sobretudo quando relacionadas às políticas que visavam estabelecer um controle mais rígido sobre as populações nativas, demonstram como um enfoque de análise no esforço legislativo colonizador português não necessariamente nos ajuda a compreender as disputas cotidianas que inferiram no exercício do poder colonial. Subvertendo o olhar desses processos, percebendo diferentes clivagens desse contexto, enxergando-o como um local de disputas e potencialmente conflitivo, buscando aproximá-lo das realidades existentes no campo do território cotidiano dos tratos coloniais com as populações nativas do sul moçambicano, sobretudo daqueles classificados juridicamente como indígenas, pretendo elaborar uma análise que vá para além da constatação da existência do paradoxo colonial.</p>
		<p>Nesse sentido, no artigo pretendo analisar de que maneira as práticas designadas genericamente nas fontes como “batuques” passaram, ao mesmo tempo, por um processo de homogeneização e de escrutinização por parte de diferentes agentes da ação colonial portuguesa. Esse não é, necessariamente, um fenômeno perceptível somente nas palavras desses sujeitos sociais. Variadas pesquisas vêm demonstrando como os membros que compunham o Grêmio Africano de Lourenço Marques ou o Instituto Negrófilo, duas das mais importantes agremiações da primeira metade do século XX, compostas por importantes membros das elites africanas letradas e que buscaram interferir no cenário colonial português por meio da imprensa que controlavam, posicionaram-se contrariamente à realização de “batuques” no espaço urbano de Lourenço Marques e/ou à sua incorporação ritualística em celebrações da presença portuguesa no território moçambicano. Predominantemente, a atuação desses homens foi contrária à própria noção de proteção do que imaginavam ser os “usos e costumes” locais, defendendo seu expurgo em prol de uma suposta assimilação completa e igualitária ao mundo civilizacional europeu de todos aqueles que se encontravam sob o guarda-chuva da categoria de africano/colonizado (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Pereira, 2016</xref>).</p>
		<p>O que me interessa é analisar como os agentes coloniais que promoveram a empreitada colonizadora portuguesa do Sul de Moçambique e nela atuaram lidaram com regras normativas preexistentes das populações nativas. Os ditos batuques são significativos desse processo. Por um lado, os agentes coloniais insistiram em unificar dentro da categoria genérica de batuque tudo aquilo que viam como dança e música; por outro, a necessidade de uma melhor compreensão daqueles que estavam sendo dominados acabou por produzir respostas coloniais que transitaram entre um destrinchar desse termo em busca de uma apuração mais fidedigna daquilo que se presenciava e uma incorporação dessas práticas na empresa colonial. O objetivo último parece ter sido o de apropriá-las em prol da positivação de um discurso nacionalista português.</p>
		<sec>
			<title>BATUQUES NEGROS, OUVIDOS BRANCOS </title>
			<p>Publicados com o título de <italic>As Explorações Portuguesas em Lourenço Marques. Relatórios da Comissão de Limitação da Fronteira de Lourenço Marques</italic>, os relatórios apresentados por Alfredo Freire de Andrade e José António Matheus Serrano correspondiam a suas anotações e apontamentos a respeito da expedição que realizaram no sul de Moçambique, entre junho e agosto de 1891 (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>). Os engenheiros-militares responsáveis pela Comissão tinham como objetivo prioritário a construção de marcos fronteiriços entre Moçambique e o Transvaal - atual África do Sul. Cumpridos os trabalhos de demarcação territorial, a comitiva portuguesa continuou percorrendo o território, passando pelos distritos de Lourenço Marques, Gaza e Inhambane, ocupados, majoritariamente, pelos grupos shangana, tonga e chopi. Nesse momento, a ênfase da expedição recaiu sobre a necessidade de reconhecer a região que se pretendia dominar, tanto física como socioculturalmente, assim como a possibilidade de estabelecer alianças com as populações locais.</p>
			<p>O estabelecimento dessas fronteiras foi um passo importante para o reconhecimento da legitimidade da dominação portuguesa sobre a região frente aos desejos de outros países europeus e suas pretensões colonialistas. A influência inglesa em Lourenço Marques era considerada fator de risco às possibilidades de possessão portuguesa. O processo de delimitação dessas fronteiras no último quartel do século XIX foi marcado por conflitos entre as metrópoles colonizadoras que disputavam as regiões que cada qual deveria controlar na África. Para o caso português, os exemplos do Mapa Cor de Rosa, que representou as pretensões lusitanas de controlar territórios africanos da costa Atlântica angolana até a costa do Índico moçambicano, e da resposta inglesa, por meio de um Ultimatum, em 1890, que pôs fim a esse desejo de Portugal, são emblemáticos. Ambos podem ser entendidos como alguns dos principais elementos indicativos da extrema importância e responsabilidade da missão comandada por Freire de Andrade e Matheus Serrano no processo de consolidação da ocupação portuguesa no atual território sul-moçambicano. Infelizmente, a maioria dos trabalhos sobre esse contexto possuem um viés de análise centrado nas questões das relações internacionais entre Portugal e Inglaterra e/ou da política interna portuguesa, deixando de lado questões relacionadas aos contextos africanos (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos, 1993-1994</xref>).</p>
			<p>Os ingleses não eram os únicos que ameaçavam os anseios coloniais lusitanos. As sublevações dos poderes locais à administração portuguesa também puseram em sérios riscos a empresa colonial portuguesa nessa região. No sul de Moçambique, o Reino de Gaza, fundado pelos ngunis no início do século XIX por meio de movimentos migratórios que subjugaram outros povos da região, especialmente os chopi, tinham em Gungunhana sua grande liderança. Empossado em 1884, Gungunhana teve de enfrentar transformações que acabaram levando-o à deposição e prisão por tropas portuguesas, em 1895 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Santos, 2010</xref>).</p>
			<p>A insistência de Freire de Andrade e Matheus Serrano em estabelecer uma aproximação mais contundente com Gungunhana e, ao mesmo tempo, mapear e constituir contatos com as demais chefias locais insatisfeitas com o cenário político criado pelo reino de Gaza, revelam o interesse português pela região, assim como um imbricado jogo de poder. Por um lado, esse cenário desenhava-se como ideal para os militares portugueses conseguirem estabelecer parcerias com grupos insatisfeitos; por outro, as resistências ao poderio português eram grandes, tendo alguns régulos negado auxílio às caravanas da expedição ou repudiado vassalagem a Portugal (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 70 e 134).</p>
			<p>Os documentos elaborados pela Comissão apresentam a necessidade imperiosa de se estabelecerem parcerias para sobreviver às intempéries, a visão racista dos produtores desse <italic>corpus</italic> documental e o crescimento da curiosidade europeia por práticas desses Outros africanos. Esses são descritos e fotografados quase como mais um elemento na paisagem. Trabalhadores que acompanhavam a expedição, carregando os equipamentos pelos rios, construindo botes e arriscando suas vidas, em sua grande maioria homens, raramente foram nomeados. Em poucos momentos a máquina fotográfica dos expedicionários portugueses foi utilizada para capturar eventos como o da noite em que “todos os swasis [que trabalhavam como carregadores para os bôeres] dança[ram] no acampamento” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 26).</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>“Suaris [Suazis?] dançando”. </title>
					</caption>
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					<attrib>Fonte: [Álbum fotográfico nº 10]. Comissão de Delimitação de Fronteira de Lourenço Marques 1890-91. Arquivo Científico Tropical. Digital Repository (ACT/DR). Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5613">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5613</ext-link>. Acesso em: 23 abr. 2018.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>A importância das fontes fotográficas na História da África é algo consolidado. O amadurecimento de um arcabouço teórico-metodológico para se trabalhar com essas imagens caminhou juntamente com a constatação da carga ideológica do ato de fotografar. É possível perceber uma ênfase na ideia da fotografia como uma escolha baseada na decisão do seu autor, que, por seu turno, está impregnado pela sua própria cultura. Uma parcela significativa da bibliografia considera com certo ceticismo a capacidade de as fotografias produzidas em contextos coloniais demonstrarem questões para além daquelas relacionadas à cultura e, especialmente, ao racismo dos produtores dessas imagens, especialmente para a primeira metade do século XX, quando o ato de fotografar estava concentrado em mãos europeias (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Killingray; Roberts, 1989</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Geary, 1990</xref>). Mais recentemente, investigações têm buscado sanar a lacuna existente no uso das fotografias como fontes e objetos de análise para os contextos coloniais portugueses. Trabalhos que utilizam um vasto corpo imagético de fontes produzidas ao longo do período colonial português, como os publicados na obra organizada por Filipa Lowndes Vicente, indicam uma pluralidade de abordagens que intentam ir além de uma análise das culturas dos produtores dessas fontes, buscando interpretações sobre aqueles que foram fotografados (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vicente, 2014</xref>).</p>
			<p>O acervo imagético da Comissão é composto por dois álbuns fotográficos, num total de 86 imagens. Registrar os marcos de delimitação territorial, os cursos dos rios, a fauna e a flora, os acampamentos e as dificuldades enfrentadas durante a expedição ou as ruas da cidade de Inhambane, ponto final da expedição, era uma forma de legitimar e autenticar o poder português na região. Por isso mesmo, do total de imagens, 53% delas (ou 62) são referentes a esses aspectos.<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> Justamente nessas imagens, confrontadas com as descrições que as acompanham, torna-se possível refletir sobre os modos de vida dessas populações nativas, as formas de relação que estabeleciam entre si e como pensavam a sua relação com os europeus. O encontro da Comissão com Gungunhana, por exemplo, foi bastante tumultuado. Desconfiando do mediador/intérprete, os chefes expedicionários portugueses afirmaram estar surpresos e indignados com a maneira subserviente empregada pelo representante português junto à corte de Gungunhana, quando ele dirigia a palavra ao poderoso líder de Gaza (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 139-145). Para corroborar a realização desse encontro e promover um diálogo maior entre as duas partes, foram realizadas fotografias de Gungunhana e de algumas de suas esposas.<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>
			</p>
			<p>O fato de deixar-se fotografar tinha mais significados do que o simples posar para uma máquina. Noutra ocasião, o régulo de Mapanda, por exemplo, “resistiu [...] a deixar-se fotografar” pelos portugueses, com receio de desagradar Gungunhana (como afirmou António <xref ref-type="bibr" rid="B10">Ennes no jornal <italic>O Brado Africano</italic>, em 1915</xref>). Porém, correndo o risco de represálias, o régulo Novéle não pareceu importar-se em estar em contato com a comissão portuguesa. Quase ao final da expedição, Freire de Andrade estacionou sua caravana por alguns dias nas terras de Novéle, localizadas na região de Malasche, próxima da cidade de Inhambane. Tributário do régulo Massibi, que havia negado auxílio à campanha portuguesa, Novéle tentou estabelecer uma relação positiva com o expedicionário português (Andrade; Serrano, 1894, p. 70-71). Não à toa essa é a população mais fotografada pela expedição, com sete imagens. Freire de Andrade acabou por elaborar algumas descrições de costumes locais, como a crença no gagáo - prática referente à adivinhação - e o hábito de usar o cabelo “rapado em parte, [...] deixando-o quase sempre crescer em linhas longitudinais, geralmente paralelas” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 70-71).<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>
			</p>
			<p>A demonstração de insatisfação de Novéle com as guerras causadas por Gungunhana, assim como sua aproximação da comitiva de Freire de Andrade, demonstram como o régulo compreendia que a presença portuguesa na região poderia ser útil para seu objetivo político de retomar sua independência perdida com a submissão ao Reino de Gaza. Como forma de pressionar a adoção por parte dos portugueses de medidas a seu favor, ao mesmo tempo que narrou e engrandeceu os feitos de sua gente, “quase todas as noites” enviou homens e mulheres para cantar e dançar no acampamento da Comissão. Apesar de adjetivar aquilo que via como composto por um som monótono, as apresentações feitas pela “gente de guerra” teriam obrigado Freire de Andrade a esconder o medo que sentiu. O engenheiro-militar, que nos anos subsequentes iria se tornar uma das figuras mais emblemáticas da campanha de ocupação portuguesa naquelas paragens, temeu os guerreiros que chegaram quase a tocá-lo, com o avançar de suas zagaias em punho, a fingirem atacar “os inimigos ausentes” (Andrade; Serrano, 1894, p. 72). No final de sua estada em Malasche, a ação de propaganda feita por Novéle parece ter surtido efeito. O líder da Comissão ficou convencido de que ali existia “gente guerreira e boa”. Para reforçar o seu posicionamento de parceria com o governo português, Novéle abasteceu os expedicionários com mantimentos, prometeu fornecer pessoal e o acompanhou com “mais de quatrocentos pretos [...] durante hora e meia de caminho [..], com a música cafre” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 75).</p>
			<p>As duas fotografias feitas dessa espécie de cortejo revelam que os sons daquilo que Freire de Andrade chamou genericamente como “música cafre” foi produzido por um grande tambor e xilofones chamados por aqueles que o tocavam como timbila (no singular, mbila). Esse instrumento musical foi usado por orquestras financiadas por régulos que funcionavam, principalmente, como importante demarcador de pertencimento cultural empregado nas apresentações do ngodo (no plural, migodo), “a set of songs and instrumental pieces arranged into a composition” [um conjunto de canções e instrumentos organizados em uma composição] (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vail; White, 1991</xref>, p. 112). Nesse sentido, apesar de o relatório apontar em momentos específicos uma origem regional das populações com que estabeleceram contatos, as fotografias produzidas nos permitem ir além e indicar um possível pertencimento étnico do régulo Novéle. É plausível imaginar que ele se considerava chopi, um grupo que vendeu por alto preço a sua independência ao reino de Gaza (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Harries, 1981</xref>).</p>
			<p>Disponíveis no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), as duas fotografias resultantes desse encontro apresentam a legenda “Batuque em Malashe”. As imagens feitas pela Comissão não foram publicadas com o seu relatório. Apenas em 2013, quando o IICT as disponibilizou <italic>on-line</italic>, foi possível ter acesso às imagens produzidas pela expedição. Apesar do esforço louvável de digitalização de um vasto corpo documental, majoritariamente produzido por órgãos científicos coloniais portugueses, as fotografias do acervo ainda carecem de investigações. O próprio instituto reconhece essa necessidade, informando não possuir a identificação da autoria das fotografias, apenas o nome dos chefes que assinavam as expedições produtoras dessa documentação. Sendo assim, só foi possível descobrir o contexto da elaboração das imagens presentes nos álbuns intitulados pelo IICT como da “Comissão de Delimitação de Fronteira de Lourenço Marques 1890-91” a partir do seu título, dos autores atribuídos às imagens e do seu cotejamento com as descrições elaboradas nos relatórios de Freire de Andrade e Matheus Serrano. Essa pode ser uma justificativa para as legendas das imagens descreverem tais fotografias como “Batuque em Malashe”, apesar de, no relatório, nunca terem sido nomeadas dessa maneira.</p>
			<p>O descompasso entre o termo usado na legenda e aquele que aparece no relatório que contextualiza a produção da imagem abre pistas para uma reflexão sobre a utilização do termo “batuque” como definidor das danças e músicas apresentadas por aquelas pessoas delimitadas como indígenas no contexto colonial português do final do século XIX e início do século XX. O processo de nomeação daquilo que se via produziu linhas distintas. Por um lado, unificou tudo que era visto e ouvido advindo dos corpos, das cordas vocais e dos instrumentos musicais na designação genérica de batuque. A generalização das músicas e das danças é semelhante àquela promovida no processo de racialização das relações sociais gerado pelo colonialismo. Ao mesmo tempo, definiu-se essa forma de agir dançante e musical como algo depreciativo, que representava e perpassava a natureza daqueles indivíduos. Por outro lado, a curiosidade dos círculos metropolitanos por aquilo que se considerava exótico nas colônias, somada à necessidade de estabelecer um processo colonial racionalizado que aperfeiçoasse as formas de dominação, produziu descrições pretensamente aguçadas, que buscaram destrinchar as práticas locais sumariamente incorporadas ao linguajar português pelo emprego da palavra batuque.</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figuras 2 e 3</label>
					<caption>
						<title>“Batuque em Malasche”.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-1806-93472019v39n80-07-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: [Álbum fotográfico nº 10]. Comissão de Delimitação de Fronteira de Lourenço Marques 1890-91. ACT-DR. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5644">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5644</ext-link> e <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5645">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5645</ext-link>. Acesso em: 23 abr. 2018.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>É nesse vai e vem de homogeneização racializante das práticas culturais locais, mesclada a um processo de incorporação e diferenciação ao projeto colonial português em Moçambique, que os estudos etnográficos portugueses classificaram a música como “o divertimento que mais impressiona o Negro”, pois um “batuque domina e excita todos os indígenas” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 9). O autor dessas palavras continua sua descrição depreciando os praticantes dessas formas de bailar e cantar. Para ele, seria corriqueiro que “homens e mulheres de qualquer idade, e até crianças” abandonassem tudo e fossem para “o mato fora em direção ao lugar” onde estariam ocorrendo os batuques. As “danças estranhas” seriam “quase sempre [...] acompanhadas de cantares pornográficos”. Os “batuques” acabariam, “em regra geral, numa embriaguez coletiva” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 9).</p>
			<p>Unificando uma diversificada gama de sons e danças, independentemente da região em que estivessem, dos grupos populacionais com os quais tiveram contato e das práticas musicais e dançantes das pessoas que buscaram descrever, o emprego do termo batuque foi disseminado pelos portugueses. Essa palavra era também associada com uma suposta essência africana e à predileção local por “dizeres e [...] trejeitos obscenos” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lima, 1943</xref>, p. 52). A adjetivação empregada por aqueles que se dedicaram a analisar as formas de expressão locais tendeu em distanciá-las do perímetro urbano, lendo-as por um prisma da erotização dos passos de dança e, geralmente, depreciando as habilidades musicais dos praticantes.</p>
			<p>Essa forma de enxergar aquelas práticas circulou não apenas em meios intelectuais e acadêmicos metropolitanos. As visões depreciativas sobre o que era convencionalmente chamado de batuques foram expressas também em livros e jornais publicados em Lourenço Marques. Como afirma José dos Santos Rufino, importante figura do meio periódico laurentino do início do século XX, “o fim do batuque [...] não é como pode parecer - dançar: é beber”. Sua música, para os ouvidos do português Rufino, era classificada como “simples ruídos”, e a “letra [...] quase sempre sem significado” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Rufino, 1929</xref>, p. VI). João Albasini, um dos mais importantes representantes de uma pequena elite letrada africana, escreveu em jornais de Lourenço Marques sobre o cotidiano e as políticas coloniais. Muitos de seus artigos adotaram interpretações semelhantes às de Rufino. Uma de suas principais reclamações era a da presença de práticas culturais interpretadas fora do lugar, dentro do mundo urbano. Em 1914, Albasini afirmou que nas cantinas e dependências existentes na Munhuana, subúrbio de Lourenço Marques descrito por ele como a terra “dos vícios e dos batuques”,<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> bastava o “ligeiro esforço de abrir os olhos” para ver que “dançava-se rebolados batuques salientando o posterior, desconjuntando os quadris nuns movimentos eróticos ‘de fazer babar um morto’”.<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O NOME E AS COISAS: UMA PALAVRA PARA MUITAS PRÁTICAS</title>
			<p>Efetivamente, o que era chamado de batuque por aqueles que não praticavam essas formas de expressão poderia ser muitas coisas. Apesar de designá-lo de forma genérica como “música cafre”, aquilo que Freire de Andrade presenciou foi uma orquestra chopi. Para além disso, parece-me que nas noites em que esteve acampado nas terras de Novéle, o engenheiro-militar foi agraciado com duas formas diferentes de apresentação. A primeira delas correspondia a uma representação dos feitos de guerra, no qual, com suas armas em punho, guerreiros demonstravam sua bravura. A segunda correspondia a um ngodo. A diversidade englobada no termo batuque não era de todo desconhecida pelos sentidos daqueles de fora dessas práticas. Com olhos e ouvidos treinados numa perspectiva eurocêntrica, aqueles que se dedicaram a produzir materiais capazes de traduzir a pluralidade local para o linguajar português provavelmente foram os primeiros a indicar sinais das dificuldades encontradas nesse processo.</p>
			<p>Como explica Patrick Harries, uma parte importante do processo de modernização na África implementado pela conquista imperial dizia respeito à classificação de detalhes em unidades homogeneizadoras da diversidade, as quais buscaram racionalizar aquele mundo nas estruturas do pensamento europeu. Baseados nessa forma de ver o mundo, linguistas, etnógrafos e tantos outros classificaram os africanos em diferentes grupos étnicos que refletiam, por vezes, mais uma produção do discurso europeu dos séculos XIX e XX do que um reflexo das realidades locais (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Harries, 1988</xref>). Dessas tentativas de ampliação e acúmulo de informações referentes a aspectos socioculturais das sociedades africanas sul-moçambicanas, agentes da colonização esforçaram-se em conseguir aproximar-se de descrições que fossem capazes de auxiliar o futuro da empreitada colonizadora. A produção bibliográfica realizada por esses homens sobre o cotidiano da dominação é, recorrentemente, justificada como necessidade para uma maior eficiência do Estado colonial. Nesse sentido, existiria, pelo menos enquanto objetivo enunciado, uma função prática nesse acúmulo de conhecimento sobre músicas e danças, pois buscava-se fornecer interpretações auxiliares no exercício cotidiano administrativo. No entanto, a ciência ocidental como um todo e, mais especificamente, os parâmetros científicos predominantes em Portugal no início do século XX forneceram ferramentas que unificavam em desígnios iguais aspectos diferentes, revelando um largo desconhecimento do que existia e uma quase inoperante capacidade em abarcar a diversidade. Ao mesmo tempo, revela-se uma soberba que anuviava a porosidade em que se assentou a empresa colonial portuguesa na região.</p>
			<p>O administrador colonial António Augusto Pereira Cabral, que exerceu os cargos de Secretário Civil do governo do distrito de Inhambane entre 1908 e 1914, e o de Secretário dos Negócios Indígenas em Lourenço Marques entre 1915 e 1925, ao compilar um livro sobre as “raças, usos e costumes dos indígenas da província de Moçambique” salientou a hipótese de que a palavra batuque seria “derivada do português batucar, martelar, dar pancadas repetidas”, sendo esse o motivo para o seu emprego feito pelos “europeus [a] qualquer dança a que os indígenas se entregam para se divertirem”. Porém, como o objetivo do seu livro era o de aperfeiçoar as ferramentas utilizadas pelos futuros funcionários coloniais no trato com as populações locais, o autor advertiu que o emprego do termo era “pouco correto [...] por ser vocábulo inteiramente estranho” às línguas nativas. Além disso, o autor não deixou de destacar que cada dança e/ou música possuía seus próprios nomes, variando entre os grupos populacionais, e nem todas constituíam “divertimento”, podendo ser “um preceito ritualista” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cabral, 1925</xref>, p. 40).<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>
			</p>
			<p>A dificuldade em nomear aquilo que era visto e ouvido coadunava-se com o contexto de efetivação da dominação portuguesa no Sul de Moçambique. A partir do último quartel do século XIX, pulularam exercícios de traduções que buscaram familiarizar diferentes aspectos das línguas locais aos ouvidos e às escritas das gramáticas europeias. O pioneirismo desse aprendizado promovido por homens que estiveram naquele terreno, como o missionário e etnógrafo Henri Junod,<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> esteve acompanhado pela formação de instâncias capazes de incentivar os instrumentos intelectuais garantidores da presença portuguesa no ultramar, como o desempenhado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, fundada em 1875 (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Guimarães, 1984</xref>). Em 1895, por exemplo, com o objetivo de auxiliar as “tropas expedicionárias a Lourenço Marques” que guerreariam contra o reino de Gaza, foi publicado pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em parceria com o Ministério da Guerra, um “guia de conversação em português, inglês e landim”, com algumas “noções de gramática landim” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Raposo, 1895</xref>).</p>
			<p>Ao longo de toda a primeira metade do século XX foi possível localizar outros exemplos como o desse guia, muitos deles voltados para setores específicos que se relacionavam com as populações nativas. O enfermeiro do Corpo de Saúde de Moçambique, Guidione de Vasconcelos Matsinhe, por exemplo, publicou um livro com frases relacionadas ao ambiente das consultas e tratamentos médicos ocidentais. Seu objetivo era o de auxiliar os profissionais da saúde que trabalhavam com as populações do Sul de Moçambique falantes das línguas ronga, shangana e xitsua (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Matsinhe, 1946</xref>). Outro que fez algo próximo disso foi o padre António Lourenço Farinha, missionário português que publicou o livro <italic>Elementos de Gramática Landim (shironga). Dialeto indígena de Lourenço Marques</italic>. O autor, na parte final de seu livro, dedicou espaço a uma série de pequenas frases exemplificadoras de diálogos possíveis entre falantes da língua portuguesa e nativos. Ironicamente, esses diálogos imaginados não voltaram muita atenção para o exercício da conversão das almas africanas ao catolicismo. As frases, na sua maioria referentes a imperativos voltados para tarefas domésticas, estavam relacionadas ao dia a dia da exploração da mão de obra local (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Farinha, 1946</xref>).</p>
			<p>Os dicionários também foram importantes ferramentas no processo de colonização e exploração da mão de obra local.<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> Incapaz de definir com a mesma precisão apresentada pelas formas locais de nomeação daquilo que se praticava, aqueles que se dedicaram a traduzir a multiplicidade das danças e músicas nativas para o ambiente familiar do linguajar do colonizador português terminaram por condensar a complexidade daquelas práticas em poucos termos do léxico da língua portuguesa. No <italic>Dicionário português-cafre-tetense</italic> produzido pelo padre Victor José <xref ref-type="bibr" rid="B9">Courtois, de 1900</xref>, o autor buscou traduzir para a forma escrita a oralidade de povos da região do vale do rio Zambeze, no centro de Moçambique. Nele, as palavras dança, música e batuque aparecem correlacionadas com uma grande variedade de termos empregados para designar aquelas formas. A palavra batuque, em português, por exemplo, poderia ser traduzida como “t’unga; - de dançar, ng’oma; mbondo; chiwere; nkuwiri; tsengua; chinkufu; murumbi; kuendje; - de guerra, mbiriwiri; chindzete; dzache” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Courtois, 1900</xref>, p. 71). “Ng’oma” e “t’unga” aparecem não apenas como traduções de “batuque”. A primeira poderia também ser empregada como os verbos “dançar” e “batucar”. A segunda, de acordo com o dicionário, poderia ter o significado de “dança” ou “música”, num sentido mais abrangente (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Courtois, 1900</xref>, p. 132 e 324).</p>
			<p>Essas semelhanças, encontradas aqui ou acolá, inclusive no que diz respeito a palavras usadas por práticas culturais de matrizes africanas no Brasil, podem ser explicadas pela disseminação do tronco linguístico bantu por, praticamente, toda a região que hoje corresponde ao Estado Nacional moçambicano. No entanto, isso não quer dizer que sejam exatamente a mesma coisa. Em contextos específicos, essas palavras e os fenômenos que elas descrevem ganharam significados distintos (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Slenes, 1992</xref>).</p>
			<p>Para as regiões dos distritos do Sul de Moçambique (Gaza, Lourenço Marques e Inhambane) os <italic>Dicionários shironga-português e português-shironga. Precedidos de uns breves elementos de gramática do dialeto Shironga, falado pelos indígenas de Lourenço Marques</italic>, coordenados por E. Torre do Vale e publicados em 1906, são dos mais completos para o período analisado. O autor dedicou sua obra à “necessidade de se produzir um dicionário onde os portugueses pudessem aprender o dialeto indígena, e outro onde os indígenas pudessem aprender a nossa língua” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Valle, 1906</xref>). Diferentemente de António Augusto Pereira Cabral, que pressupõe que o termo batuque havia sido empregado pelos europeus quase que pela ausência de um termo específico nas línguas nativas para o ato de bater em algo, o dicionário de Torre do Vale apresenta a existência do verbo gongondya, que significaria “bater à porta; bater num tambor; bater repetidas vezes”. Segundo o seu dicionário, a palavra portuguesa batuque poderia ser traduzida como “nkino” ou “nthlango”, sendo a primeira referente a “dança; batuque” e a segunda a “dança; brinquedo; divertimento; espetáculo; jogo”. Ambas as palavras - nkino e nthlango -, além de “ngoma”, também foram empregadas pelo autor como sinônimos de dança. Ngoma, por sua vez, seria algo maior do que dança, pois poderia ser considerado como termo referente a “tambor” ou “ritual da circuncisão”. Junto dessas palavras do universo dos chamados batuques, indicava-se que o leitor que deveria procurar os significados das palavras “Bunanga; Mutimba; Shindekandeka; Shiwombelo; Mutshongolo; Gila; Sabela; Nhlawo”. Essas, por sua vez, ampliavam o mundo que insistentemente o léxico português demarcava de maneira restrita por meio da expressão batuque. Afinal, Bunanga seria uma dança específica referenciada como uma “fanfarra de cornos”. Shindekandeka seria uma dança praticada apenas por mulheres. Mutshongolo é apresentada como uma “dança indígena, importada do norte”, ao passo que Gila e Sabela formariam importantes práticas referentes às lógicas de poder nativas, sendo a primeira apresentada para descrever “proezas guerreiras”, e a segunda, utilizada “quando se coroa um régulo” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Valle, 1906</xref>, p. 59, 68, 110, 115, 117, 120, 125, 141, 149, 196 e 215).</p>
			<p>A dificuldade em transcrever essas realidades múltiplas, acrescida de características específicas da dominação colonial, muitas vezes promoveu um processo de folclorização das práticas socioculturais nativas. Fernando de Castro Pires de Lima, médico e destacado etnógrafo português, esforçou-se em aglutinar a pluralidade existente numa categoria genérica denominada como “folclore moçambicano”. Para isso usou como base apenas os relatos de funcionários da Companhia de Moçambique, localizada na Zambézia, centro de Moçambique, e observações que pôde fazer por conta dos “indígenas” trazidos pela Companhia para a Exposição Ultramarina, ocorrida no Porto, em 1934. Segundo Lima, era “preciso estudar muito a sério os hábitos e os costumes do Negro para que o Branco o possa melhor compreender” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 6). Nunca tendo pisado em solo moçambicano, produziu uma descrição dos instrumentos mais comuns naquele território:</p>
			<disp-quote>
				<p>Um instrumento musical muito usado é <italic>Mbira</italic>, que é uma espécie de caixa aberta dum lado, tendo fixas num tampo umas varinhas de ferro de vários tamanhos e seguras por arames. Também usam o <italic>Chindongane</italic>, que é formado por uma varinha de bambu encurvada por meio de um fio de latão, ligado às extremidades; a <italic>Nhanga</italic>, construída por pequenos segmentos de cana de vários tamanhos, que são soprados alternadamente; a <italic>Maranja</italic>, que é uma flauta de cana; o <italic>Dindua</italic>, que é formado por um arco maior que o <italic>Chindogare</italic>, retesado também por um fio de latão em que está presa uma cabaça e que serve de caixa de ressonância. Ainda possuem a <italic>Mpuita</italic>, que é um instrumento composto de um cilindro de folha ou ferro, e o <italic>Ntuco</italic>, que é feito de um corno, no qual fazem um orifício perto da ponta. No entanto, o grande instrumento é a <italic>Marimba</italic>. Compõe-se a marimba de pequenos pedaços de madeira de vários tamanhos, ligados entre si por cordas de couro. Por baixo de cada pedaço de madeira são ligadas pequenas cabaças unidas com cera. As cabaças são de vários tamanhos, a fim de corresponderem a uma escala musical. Estas cabaças são furadas e o orifício coberto por uma película resistente, quase sempre extraída dos intestinos de qualquer animal, sendo a mais usada a película da asa do morcego. As cabaças e os pedaços de madeira são colocados numa armação também de madeira, o que permite facilmente o seu transporte. Para tocar as Marimbas têm duas baquetas de madeira com cabeças de borracha virgem. A Marimba mais vulgar tem dez pedaços de madeira, que correspondem a dez notas e a dez escalas, maiores ou menores. O compasso e o ritmo são bem marcados e tocam, além de música indígena, músicas europeias. Os régulos de categoria têm nas suas povoações orquestras de Marimbas compostas de quatro, seis, oito ou dez Marimbeiros. Não quer isto dizer que não haja também orquestras de doze, dezoito ou vinte Marimbas, tendo um chefe, ou, se quisermos, um regente de orquestra. (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 10)</p>
			</disp-quote>
			<p>Formas semelhantes desses instrumentos foram descritas por outros autores. Porém, foram usados diferentes nomes para designá-los. Parece-me plausível supor que esses eram instrumentos disseminados por toda a região do atual Moçambique, assim como por alguns de seus territórios vizinhos, e que ganhavam nomes distintos para cada grupo populacional que os utilizava. O que Fernando de Lima descreveu pelo nome de ntuco, por exemplo, é muito parecido com o que Henri Junod designou como xipalapala, que seria “a trompa oficial das convocações [...] com que se reúnem os súditos na capital” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Junod, 2009</xref>, p. 334). Semelhantemente, Eduardo do Couto Lupi, militar que atuou na repressão aos sultanatos resistentes à presença portuguesa no norte de Moçambique, afirmou que os macuas possuíam algo análogo, chamado de “palapata, corno de antílope, com um furo lateral que serve de corneta” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Lupi, 1907</xref>, p. 108).</p>
			<p>Para o caso das danças, também se empregavam nomes variados, apesar de possuírem características, tanto performáticas como em seus significados, bastante parecidas. Uma das que mais mexeu com os sentidos daqueles que a presenciavam era a que veio a ser designada pelos portugueses de maneira genérica e, ao mesmo tempo, homogeneizante, como “danças de guerra”. Talvez pelo caráter intimidador que exibiam, sendo apresentadas em contextos específicos, aqueles contemporâneos do processo de colonização que dedicaram suas narrativas ou estudos às danças nativas voltaram sua atenção com frequência para elas. Novamente, Henri Junod pode servir como exemplo. Ele descreveu a kugila ou kugiya, que seria corriqueiramente feita pelos povos localizados ao sul do rio Save, como um “simulacro de atos de valentia praticados pelos soldados que mataram inimigos nos campos de batalha” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Junod, 2009</xref>, p. 364). Outros, como António Cabral, afirmam que essas seriam designadas como msongola ou gila e originárias dos zulus sul-africanos. Sendo consideradas danças importantes para demonstrar o poderio dos régulos, “os indígenas vest[ia]m-se a capricho” e se apresentavam para “qualquer chefe indígena ou de alguma autoridade”; os homens interpretavam os combates usando suas armas em punhos, e as mulheres participavam cantando as façanhas encenadas (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cabral, 1925</xref>, p. 40).<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>
			</p>
			<p>Todas essas formas supostamente típicas daquelas populações que eram conhecidas na época como os <italic>barongas</italic> não são muito distintas das feitas pelos carregadores das caravanas bôeres durante a expedição portuguesa de 1891 ou pela gente do régulo Novéle, pertencentes ao grupo chopi. Conforme afirma António Cabral, as danças chopi recebiam o nome de lifolo. Acompanhados pela timbila, os praticantes enfeitavam-se da mesma maneira que na msongola, cantando e dançando “batendo os escudos no chão” e realizando “uma série de saltos e gestos simulando combater um inimigo” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cabral, 1925</xref>, p. 41).<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>É importante deixar claro que o objetivo aqui não foi o de analisar cada expressão musical e dançante realizada pelos variados grupos populacionais existentes naquele período de consolidação da presença colonial portuguesa no sul de Moçambique, muito menos a complexidade e importância de distintas cerimônias nas quais elas eram empregadas, como em guerras, casamentos, nascimentos e falecimentos. Analisar os diferentes tipos de danças e de instrumentos musicais empregados nessas práticas, como os variadíssimos tambores existentes ao longo de todo o território moçambicano, os diversificados tamanhos da timbila tocados pelos chopi e tantos outros instrumentos, também não é o cerne da minha questão.</p>
			<p>Em outras oportunidades chamei a atenção para o processo de espetacularização dessas práticas com sua incorporação às manifestações de celebração do império português. Esse foi um processo concomitante à homogeneização das formas de dançar e cantar nativas que não foi completamente controlado pelo poderio colonial, servindo como momento propício para a realização de reivindicações ou como um demonstrativo de que esse controle não era tão efetivo como pretendia ser (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Pereira, 2016</xref>). O exercício de apropriação concebido por forças coloniais, inclusive por meio da consolidação das formas de nomear aquilo que se via, não foi capaz de inibir respostas daqueles que cantavam e dançavam em contraposição aos artifícios racistas de expurgo de suas práticas.</p>
			<p>No contexto de dominação colonial do sul de Moçambique, entre 1890 e 1940, uma audiência composta majoritariamente por europeus/brancos, mas também pela pequena elite letrada africana, buscou classificar e descrever de determinada maneira, com base nas classificações de seus ouvidos e olhos treinados dentro de um corpo sensorial específico de apreciação performática, as danças e músicas de grupos como os chopi ou os shangana. Essa maneira específica de esmiuçar os corpos e sons das populações africanas do sul de Moçambique, promovida pelos sentidos eurocentrados daqueles que se esforçaram em descrever suas práticas dançantes e musicais, interpretou de forma pejorativa e racista tais formas de expressão e comunicação. Os intérpretes portugueses do mundo africano do sul de Moçambique, ainda que percebessem a diversidade e a complexidade locais, insistiram em caracterizar de forma depreciativa os sons e movimentos corpóreos africanos. De forma semelhante ao que se fez a respeito da multiplicidade de identidades, experiências e formas organizacionais político-sociais dos africanos dentro de denominações jurídicas aglutinadoras da heterogeneidade nos desígnios reducionistas de assimilados ou indígenas, existiu um esforço português de homogeneização de variadas práticas musicais e dançantes do sul de Moçambique que convergiu para uma deno­minação específica. No exercício da empresa colonial, a pluralidade dessas ­práticas passou por um processo de tentativa de apagamento que se pode perceber pelo emprego homogeneizante e genérico do termo batuque para as descrever e pelo peso depreciativo que o léxico trazia consigo naquele contexto.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ALVES, Vera Marques. Arte popular e nação no Estado Novo: a política folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional. Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais, 2013.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Vera Marques.</given-names>
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					<source>Arte popular e nação no Estado Novo: a política folclorista do Secretariado de Propaganda Nacional</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa de Ciências Sociais</publisher-name>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ANDRADE, Alfredo Freire de; SERRANO, José António Matheus. Explorações Portuguesas em Lourenço Marques: Relatórios da Comissão de Limitação da Fronteira de Lourenço Marques. Lisboa: Imprensa Nacional, 1894.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>ANDRADE</surname>
							<given-names>Alfredo Freire de</given-names>
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							<surname>SERRANO</surname>
							<given-names>José António Matheus</given-names>
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					</person-group>
					<source>Explorações Portuguesas em Lourenço Marques: Relatórios da Comissão de Limitação da Fronteira de Lourenço Marques</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
					<year>1894</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>CABRAL, António Augusto P. Raças, usos e costumes dos indígenas do Distrito de Inhambane. Lourenço Marques: Imprensa Nacional, 1910.</mixed-citation>
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							<surname>CABRAL</surname>
							<given-names>António Augusto P.</given-names>
						</name>
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					<source>Raças, usos e costumes dos indígenas do Distrito de Inhambane</source>
					<publisher-loc>Lourenço Marques</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
					<year>1910</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>CABRAL, António Augusto P. Raças, usos e costumes dos indígenas da província de Moçambique. Lourenço Marques: Imprensa Nacional, 1925.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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				<mixed-citation>SANTOS, Maria Emília M. Ultimatum, espaços coloniais e formações políticas africanas. África. Revista do CEA - USP, São Paulo, v. 16-17, n. 1, 1993-1994.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>Maria Emília M.</given-names>
						</name>
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					<article-title>Ultimatum, espaços coloniais e formações políticas africanas</article-title>
					<source>África. Revista do CEA - USP</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>16-17</volume>
					<issue>1</issue>
					<year>1994</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B36">
				<mixed-citation>SLENES, Robert W. “Malungu, ngoma vem!”: África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP, n. 12, p. 48-67, 1992.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>SLENES</surname>
							<given-names>Robert W.</given-names>
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					<article-title>“Malungu, ngoma vem!”: África coberta e descoberta do Brasil</article-title>
					<source>Revista USP</source>
					<issue>12</issue>
					<fpage>48</fpage>
					<lpage>67</lpage>
					<year>1992</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B37">
				<mixed-citation>VAIL, Leroy; WHITE, Landeg. The Development of Forms. The Chopi Migodo. In: VAIL, Leroy; WHITE, Landeg. Power and the Praise Poem: Southern African Voices in History. Virginia: University Press of Virginia, 1991. </mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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					<chapter-title>The Development of Forms. The Chopi Migodo</chapter-title>
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					<source>Power and the Praise Poem: Southern African Voices in History</source>
					<publisher-loc>Virginia</publisher-loc>
					<publisher-name>University Press of Virginia</publisher-name>
					<year>1991</year>
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			<ref id="B38">
				<mixed-citation>VALLE, E. Torre. Dicionários shironga-português e português-shironga: precedidos de uns breves elementos de gramática do dialeto Shironga, falado pelos indígenas de Lourenço Marques. Lourenço Marques: Imprensa Nacional, 1906.</mixed-citation>
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							<surname>VALLE</surname>
							<given-names>E. Torre.</given-names>
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					<source>Dicionários shironga-português e português-shironga: precedidos de uns breves elementos de gramática do dialeto Shironga, falado pelos indígenas de Lourenço Marques</source>
					<publisher-loc>Lourenço Marques</publisher-loc>
					<publisher-name>Imprensa Nacional</publisher-name>
					<year>1906</year>
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			<ref id="B39">
				<mixed-citation>VICENTE, Filipa Lowndes (org.). O império da visão: fotografia no contexto colonial português (1860-1960). Lisboa: Ed. 70, 2014.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>VICENTE</surname>
							<given-names>Filipa Lowndes</given-names>
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					<source>O império da visão: fotografia no contexto colonial português (1860-1960)</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>Ed. 70</publisher-name>
					<year>2014</year>
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			<ref id="B40">
				<mixed-citation>ZAMPARONI, Valdemir. De escravo a cozinheiro: colonialismo &amp; racismo em Moçambique. Salvador: EDUFBA/Ceao, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
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							<surname>ZAMPARONI</surname>
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					<source>De escravo a cozinheiro: colonialismo &amp; racismo em Moçambique</source>
					<publisher-loc>Salvador</publisher-loc>
					<publisher-name>EDUFBA/Ceao</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Nessa perspectiva, ver: <xref ref-type="bibr" rid="B24">MACAGNO, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">COOPER, 2005</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Os álbuns completos estão disponíveis em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC141">http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC141</ext-link> e <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC148">http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC148</ext-link>. Acesso em: 13 set. 2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Desconheço pesquisadores que tenham atribuído autoria a essa fotografia de Gungunhana ou dado mais informações sobre essas imagens, usando-as, na maioria das vezes, de forma ilustrativa. As fotografias estão disponíveis em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5177">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5177</ext-link>; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5179">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5179</ext-link>; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5176">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5176</ext-link>; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5180">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5180</ext-link>. Acesso em: 13 set. 2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>A fotografia dos “Rapazes de Malashe” está disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5170">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5170</ext-link>. Acesso em: 13 set. 2018.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p><italic>O Africano</italic>, Lourenço Marques, 6 jul. 1918. World Newspaper Archive (WNA).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p><italic>O Africano</italic>, Lourenço Marques, 13 maio 1914. WNA.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Segundo Rui Mateus Pereira, a obra e a atuação de “Pereira Cabral ajuda-nos a compreender, na sua essência, o empenho das autoridades dessa nova era colonial em codificar os usos e costumes” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">PEREIRA, 2001</xref>, p. 137).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Henri Junod dedicou boa parte de sua vida acadêmica à construção de livros capazes de traduzir a oralidade nativa dos grupos que estudou em elementos gramaticais. Ver: ­<xref ref-type="bibr" rid="B7">CHATELAIN; JUNOD, 1909</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Esse é um processo que ocorre desde a construção das redes de comércio de escravos e produtos no Mundo Atlântico. Porém, no contexto dos impérios europeus na África, no século XIX, ganha novo significado. Sobre a importância da definição de uma língua escrita que fosse comum à maioria das populações nativas da região geográfica aqui analisada e os diferentes processos de colonização, ver: <xref ref-type="bibr" rid="B14">HARRIES, 2007</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>O autor também descreve essa dança em <xref ref-type="bibr" rid="B3">CABRAL, 1910</xref>, p. 28-36.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>O autor ainda afirma ter presenciado a shivunvuri, na região de Tete, centro de Moçambique. Segundo ele, essa seria “uma imitação do chigombela”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Investigador visitante no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-Lisboa). Bolsista Fapesp processo 2018/05617-0.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Black Drums, White Ears: Colonialism and the Homogenization of Social and Cultural Practices in Southern Mozambique (1890-1940)</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-6757-6088</contrib-id>
					<name>
						<surname>Pereira</surname>
						<given-names>Matheus Serva</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>*</sup></xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<aff id="aff2">
					<label>*</label>
					<institution content-type="original">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Centro de Pesquisa em História Social Aplicada (Cecult), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Campinas, SP, Brasil. matheusservapereira@gmail.com</institution>
				</aff>
			</contrib-group>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>In this article, I analyse how practices referred to generically in the historical documentation as ‘batuque’ (drums) underwent a process of homogenization and scrutinization by diverse Portuguese colonial agents. On one hand, the co­lonial agents insisted on unifying everything they saw as dance and music under the generic category of ‘batuque.’ On the other hand, the need for a better understanding of the subordinate Africans ended up producing colonial responses that shifted between a dissection of the term in search of a more accurate apprehension of what was being observed and an incorporation of these practices into the colonial enterprise. This process was conceived by the colonial agents as a way of appropriating the dances, songs and music made by the natives of southern Mozambique into the ultramarine Portuguese nationalist discourse.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>colonialism</kwd>
				<kwd>homogenization</kwd>
				<kwd>‘batuques’</kwd>
				<kwd>Southern Mozambique</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>The policies of the Portuguese colonial enterprise in southern Mozambique, initiated especially after the defeat of the Gaza Kingdom in the 1890s, produced intense migratory pressures on the native African populations with the aim of incorporating them into the labour market and the mechanisms of exploitation created by the colonial regime. As a consequence, there was an intense migration to the urban spaces of the colonial capital, the city of Lourenço Marques, present-day Maputo, and to the mines of South Africa. According to the Centro de Estudos Africanos of the Universidade Eduardo Mondlane, in 1904 miners of Mozambican origin corresponded to 60.2% of the mine labour force, rising to 65.4% in 1906 (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Centro de Estudos Africanos, 1998</xref>, p. 35). Researchers who have focused on analysing the labour relations implemented by Portuguese colonialism in southern Mozambique argue that from the beginning of the twentieth century a system took shape that involved the migration of Mozambican workers to supply sectors requiring labour in the city of Lourenço Marques, but above all to meet the high demand for manual labourers in the South African mines (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Harries, 1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Penvenne, 1995</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">Penvenne, 2015</xref>).</p>
			<p>Among other effects, the attempt to resolve the problems faced by Portugal in its attempts to compel native populations to join the labour market, incorporating them into a monetary economic system, led to the formulation of legislation that divided the population of the colonial world into specific categories. These laws, based on region of origin and racial categorizations, legally defined the demographic groupings that comprised the populations living in Portugal’s African colonies. This set of legal provisions, formulated between the end of the nineteenth century and the first decades of the twentieth, juridically established the existence of two categories that would formally define the place of black/African populations within the frameworks of Portuguese colonialism until the 1960s: the assimilated (“assimilados”) and the indigenous (“indígenas”). Assimilated peoples were described in diverse codes implemented under colonial rule as Africans who had abandoned the “uses and customs of their race,” adopting the habits of the so-called civilized world. Indigenous peoples, who made up the vast majority of the population, were Africans who continued to practice and live on the basis of the “uses and customs of their race.” The idea of defining the indigenous person as someone disinclined to work and, consequently, naturally idle was closely associated with the production of laws that conceived work as a civilizing instrument (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Zamparoni, 2007</xref>).</p>
			<p>Establishing the moral obligation to work for those people defined as indigenous - enforced through the Indigenous Labour Code of 1899, followed by similar legislation in 1906, 1911, 1914, 1926 and 1928, and the Political, Civil and Criminal Statute of the Indigenous Peoples of Guinea, Angola and Mozambique, decreed in 1929 - had the ultimate aim of enabling the emergence of a subproletarian and underpaid black labour force, primarily characterized by its abundance, low cost and discipline. Generally speaking, the construction of mechanisms designed to push Africans, especially indigenous peoples, into the capitalist labour market that had developed with the advent of colonialism, whether through forced labour or through the voluntary sale of their labour force, ran in parallel with the production of this indigenous category itself and its supposed sociocultural characteristics. One of the justifications of the Portuguese colonization in Africa was constructed precisely on the basis of legislative measures that attempted to regulate the productivity of native workers with an idea of dignified work capable of guiding this population towards civilization (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Jerónimo, 2009</xref>).</p>
			<p>In general, the bibliography on the construction of this Portuguese colonial juridical-governmental framework, as well as the investigations into the dynamics established between its colonizing practices and the diverse sociocultural logics of African native populations, has interpreted the contacts on the basis of a paradox in the European colonial project. As Patrícia Ferraz de Matos explains, in the colonial paradox “it was argued that the ‘uses and customs’ of the natives needed to be protected; on the other hand, it was also argued that the natives had to be guided towards a process of assimilation (in which some of these ‘uses’ would naturally vanish)” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Matos, 2006</xref>, p. 253).<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>2</sup></xref>
			</p>
			<p>The construction of the idea of popular culture - with specific ‘uses and customs’ requiring classification and comprising a folklore that, in turn, symbolized the cultural amalgam of a specific people and thus of a unified nation, promoting the homogenization and standardization of diverse cultural practices - is a recurrent phenomenon observable in various parts of the world from the second half of the nineteenth century. In the case of Portugal, works like those by Vera Marques Alves - concerning the work of the Secretariado da Propaganda Nacional and the nationalist uses made of popular culture by the social sciences (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Alves, 2013</xref>) - and by Marcos Cardão - concerning the relations between nationalist-colonialist political ideological projects and what the author calls ‘mass culture’ (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Cardão, 2014</xref>) - demonstrate how the Portuguese New State (1933-1974) strove to develop projects to homogenize cultural practices, funnelling them into the pigeonhole of folklore and directing them towards a specific political-ideological aim.</p>
			<p>In the case of the populations of southern Mozambique, the views prevailing in Portuguese metropolitan circles concerning the relations that needed to be established with the colonized native populations, during the period analysed, underwent a process of classification that situated natives within a social and cultural order that had to be paradoxically conserved and combatted simultaneously. As a result of this method, the imprisoning of these classified Africans in a form of being that took them to be immutable consequently limited them - at least in the analytic endeavour of the men of Empire - to a particular destiny (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Pereira; Nascimento, 2017</xref>). However, the idea of a colonial paradox was being constructed, lived and used in diverse ways and at various levels, insofar as the multiple shifting categories employed in this context were compelled to interact within the institutions regulating social life implemented by colonial expansion. The constant alterations to the legal conditions that encompassed colonial space, especially with respect to those policies intended to establish tighter control of native populations, demonstrate how focusing our analysis on the legislative endeavours of the Portuguese colony does not necessarily help us understand the everyday disputes that influenced the exercise of colonial power. By subverting the narrow focus on these processes, perceiving the different rifts that opened up within this context, envisaging it as a site of disputes and potentially conflictual, and seeking to compare it to the realities existing in the everyday world of the colonial interactions with the native populations of southern Mozambique, especially those legally classified as indigenous, my aim here is to elaborate an analysis that goes beyond observing the existence of the colonial paradox.</p>
			<p>Pursuing this approach, in the present article I seek to analyse how the practices designated generically in the sources as ‘batuques’ underwent a simultaneous process of homogenization and scrutinization by diverse agents of Portuguese colonization. This phenomenon is not necessarily perceptible only in the words of these social subjects. Various studies have shown how member of the Grêmio Africano de Lourenço Marques or the Instituto Negrófilo, two of the most important associations of the first half of the twentieth century, composed of important members of the literate African elites who sought to influence Portuguese colonial rule through the press under their control, opposed the performance of ‘batuques’ in the urban space of Lourenço Marques and/or their ritualistic incorporation in celebrations of the Portuguese presence in Mozambican territory. The work of these men was predominantly contrary to the very notion of protecting what they imagined to be local ‘uses and customs,’ advocating their expurgation in favour of a supposed complete and egalitarian assimilation into the European civilization world of all those peoples who found themselves subsumed under the umbrella category of African/colonized (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Pereira, 2016</xref>).</p>
			<p>My interest here is in analysing how the colonial agents actively involved in the Portuguese colonization of southern Mozambique dealt with the pre-existing normative rules of the native populations. The so-called batuques formed a significant part of this process. On one hand, the colonial agents insisted on unifying everything they saw as dance and music under the general rubric of batuque. But at the same time, the need for a better understanding of the dominated peoples would produce colonial responses that shifted between a dissection of this term in search of a more accurate apprehension of what was being observed and an incorporation of these practices into the colonial enterprise. The ultimate objective seems to have been to appropriate them in favour of promoting a Portuguese nationalist discourse.</p>
			<sec>
				<title>BLACK DRUMS, WHITE EARS</title>
				<p>Published under the title <italic>As Explorações Portuguesas em Lourenço Marques. Relatórios da Comissão de Limitação da Fronteira de Lourenço Marques</italic>, the reports presented by Alfredo Freire de Andrade and José António Matheus Serrano contained their annotations and observations on the expedition they undertook in southern Mozambique between June and August 1891 (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>). The military engineers responsible for the Commission were given the primary objective of constructing landmarks on the border between Mozambique and the Transvaal - present-day South Africa. After completing this territorial demarcation work, the Portuguese commission continued to explore the territory, passing through the districts of Lourenço Marques, Gaza and Inhambane, mostly occupied by Shangana, Tonga and Chopi groups. At that moment, the expedition’s emphasis was on the need to learn about the region to be controlled, both physically and socioculturally, as well as the possibility of forming alliances with local populations.</p>
				<p>The establishment of these borders was an important step in recognizing the legitimacy of Portuguese rule over the region against the wishes of other European countries and their colonialist aims. The British influence in Lourenço Marques was considered a risk factor for the possibilities of enforcing Portugal’s claims. The process of delimiting these borders in the final quarter of the nineteenth century was marked by conflicts between the colonizing metropolises as they vied for the regions each would control in Africa. In the Portuguese case, the examples of the Mapa Cor de Rosa (Pink Map), which represented Portugal’s ambitions to control African territories from Angola’s Atlantic coast to Mozambique’s Indian coast, and the British response via an Ultimatum, issued in 1890, which put an end to Portugal’s claims, are emblematic. Both can be taken to constitute some of the main indications of the huge importance and responsibility of the mission commanded by Freire de Andrade and Matheus Serrano in the process of consolidating Portuguese occupation in the present-day territory of southern Mozambique. Unfortunately, the majority of the works on this context possess an analytic approach centred on the issues surrounding the international relations between Portugal and Britain and/or on Portuguese internal policy, leaving out questions related to the African contexts (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos, 1993-1994</xref>).</p>
				<p>The British were not the only ones threatening Portugal’s colonial aspirations. The uprisings of local powers against the Portuguese administration also posed serious risks to the Portuguese colonial enterprise in the region. In southern Mozambique, the Gaza Kingdom, founded by the Nguni at the beginning of the nineteenth century through migrations that subjugated other peoples from the region, especially the Chopi, was led by the imposing figure of Gungunhana. Enthroned in 1884, Gungunhana had to face transformations that ended up with his overthrowing and imprisonment by Portuguese troops in 1895 (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Santos, 2010</xref>).</p>
				<p>Freire de Andrade and Matheus Serrano’s insistence on forging a closer relationship with Gungunhana while, at the same time, mapping and establishing contacts with other local chiefs unhappy with the political scenario created by the Gaza Kingdom, reveal the Portuguese interest in the region, as well as the development of an elaborate power game. On one hand, this scenario appeared as ideal for the Portuguese military to successfully establish partnerships with dissatisfied groups; on the other, the resistance to Portuguese power was large with some chiefs (named as régulos by the Portuguese’s) refusing assistance to the expedition’s caravans or rejecting vassalage to Portugal (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, pp. 70 and 134).</p>
				<p>The documents elaborated by the Commission reveal the urgent need to establish partnerships in order to weather the storms, as well as the racist vision of the producers of this documentary corpus, and the growing European curiosity in the African culture. However, the Africans are described and photographed almost as one more feature of the landscape. Workers who accompanied the expedition, carrying equipment by river, building boats and risking their lives, the vast majority of them men, were rarely named. On rare occasions the photographic equipment of the Portuguese expedition members was used to capture events such as the night on which “all the Swazis [who worked as porters for the Boers] dance[d] in the encampment” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 26).</p>
				<p>
					<fig id="f3">
						<label>Figure 1</label>
						<caption>
							<title>“Suaris [Swazis?] dancing”</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-1806-93472019v39n80-07-gf3.jpg"/>
						<attrib>Source: [Photographic album no. 10]. Comissão de Delimitação de Fronteira de Lourenço Marques 1890-91. Arquivo Científico Tropical. Digital Repository (ACT/DR). Available at: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5613">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5613</ext-link>. Consulted: 23 April 2018.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>The importance of photographic sources in the History of Africa is well-established. A theoretical-methodological framework to work with these images has matured alongside a growing awareness of the ideological significance of the act of photography. An emphasis can be perceived on photography as a choice informed by the decisions of its author, who, in turn, is impregnated by his or her own culture. A substantial portion of the bibliography is fairly sceptical of the capacity of photographs taken in colonial contexts to tells us much about issues beyond those related to the culture and, especially, the racism of the producers of these images themselves, particularly in the first half of the twentieth century when the practice of photography remained concentrated in European hands (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Killingray; Roberts, 1989</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">Geary, 1990</xref>). More recently, investigations have sought to fill the lacuna existing in the use of photographs as sources and objects of analysis relating to Portuguese colonial contexts. Works that use a vast corpus of source images produced over the Portuguese colonial period, like those published in the work edited by Filipa Lowndes Vicente, suggest a wide range of approaches that look to go beyond an analysis of the cultures responsible for producing these sources, seeking interpretations too of those who were photographed (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Vicente, 2014</xref>).</p>
				<p>The Commission’s picture archive is composed of two photograph albums, totalling 86 images. Documenting the territorial border demarcations, the course of the rivers, the fauna and flora, the encampments and the problems encountered during the expedition or the roads in the city of Inhambane, the expedition’s final destination, was a form of legitimizing and authenticating Portuguese power in the region. For this reason, 72% of the images (or 62) refer to these aspects.<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>3</sup></xref> It is precisely in these images, compared with the descriptions that accompany them, that it becomes possible to reflect on the ways of life of these native populations, the relations established among themselves and how they conceived their relations with the Europeans. The Commission’s meeting with Gungunhana, for example, was extremely tumultuous. Suspicious of the mediator/interpreter, the Portuguese expedition leaders claimed to be surprised and outraged by the subservient manner employed by the Portuguese representatives at Gungunhana’s court when he addressed to the powerful leader of Gaza (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, pp. 139-145). To prove that the meeting had taken place and to promote greater dialogue between the two parties, photographs were taken of Gungunhana and some of his wives.<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>4</sup></xref>
				</p>
				<p>Allowing oneself to be photographed meant more than simply posing in front of a camera. Another time, the chief of Mapanda “resisted [...] letting himself be photographed” by the Portuguese due to his worry about displeasing Gungunhana (as António <xref ref-type="bibr" rid="B10">Ennes stated in the newspaper <italic>O Brado Africano</italic>, in 1915</xref>). Running the risk of reprisals, however, the chief Novéle did not seem to mind being in contact with the Portuguese commission. Almost at the end of the expedition, Freire de Andrade rested his caravan for a few days on Novéle’s land, located in the Malasche region, close to the city of Inhambane. A tributary of the Massibi chief who had refused to assist the Portuguese campaign, Novéle tried to establish a positive relationship with the Portuguese expedition leader (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, pp. 70-71). Not by chance this is the population most often photographed by the expedition, with seven images. Freire de Andrade also produced some descriptions of local customs, such as the belief in the gagáo - a practice referring to divination - and wearing their hair “partly shaven [...] almost always letting it grow in longitudinal and usually parallel lines” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, pp. 70-71).<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>5</sup></xref>
				</p>
				<p>Novéle’s display of dissatisfaction with the wars caused by Gungunhana, combined with his rapprochement with Freire de Andrade’s commission, showed how the chief understood that the Portuguese presence in the region could be useful to his own political objective of regaining the independence lost following submission to the Gaza Kingdom. As a way of persuading the Portuguese to adopt measures in their favour, as well as narrating and inflating the feats of his people, he sent men and women to sing and dance in the Commission’s camp “almost every night.” Despite describing them as a monotonous drone, these presentations by the ‘warrior people’ forced Freire de Andrade to conceal his own fear. The military engineer, who in subsequent years would become one of the most emblematic figures of the Portuguese campaign of occupation in southern Mozambique, was frightened by the warriors who almost touched him as they advanced clutching their assegais, pretending to attack “their absent enemies” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 72). At the end of his stay in Malasche, the propaganda campaign launched by Novéle seems to have had an effect. The Commission’s leader became convinced that the region was home to “a fine warlike people.” To reinforce his partnership with the Portuguese government, Novéle provided the expedition members with food, promised to supply personnel and accompanied the expedition with “more than four hundred Negroes [...] for an hour and a half’s walk [..] with Kaffir music” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Andrade; Serrano, 1894</xref>, p. 75).</p>
				<p>The two photographs taken of this procession reveal that the sounds of what Freire de Andrade generically called ‘Kaffir music’ were produced by a large drum and xylophones called timbila (singular: mbila) by the players themselves. The latter musical instrument was used by orchestras funded by chiefs that primarily functioned as an important marker of cultural belonging employed in the ngodo (plural: migodo) performances, “a set of songs and instrumental pieces arranged into a composition” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Vail; White, 1991</xref>, p. 112). In this sense, despite the report indicating at specific moments a regional origin to the populations with which they established contact, the photographs allow us to go further and indicate a potential ethnic belonging of the chief Novéle. It is plausible to imagine that he considered himself Chopi, a group that sold its independent to the Gaza Kingdom for a high price (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Harries, 1981</xref>).</p>
				<p>Available at the Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), the two photographs to emerge from this encounter are captioned “Batuque em Malashe.” The images taken by the Commission were not published with its report. Only in 2013, when the IICT made them available online, was it possible to access the images produced by the expedition. Despite the laudable efforts made to digitalize such a huge body of documents, most of them produced by colonial Portuguese scientific bodies, the photographs from the collection still need to be investigated. The institute itself recognizes this necessity, informing users that it lacks any precise identification of the authors of the photographs, only possessing the name of the leaders of the expeditions responsible for producing the documentation. This may explain why the captions to these photographs describe them as “Batuque in Malashe,” despite not having been named as such in the report.</p>
				<p>The mismatch between the term used in the caption and the one that appears in the report contextualizing the production of the image opens the way for a reflection on the term ‘batuque,’ used to define the dances and music presented by peoples categorized as indigenous in the Portuguese colony at the end of the nineteenth century and the beginning of the twentieth. The process of naming what was seen had two distinct effects. On one hand, it unified everything that was seen and heard issuing from the bodies, vocal chords and musical instruments under the generic designation of batuque. This homogenization of music and dance is similar to the homogenization central to the process of racialization of social relations generated by colonialism. At the same time, this form of dancing and music was defined pejoratively and taken to represent and pervade the nature of the individuals involved. On the other hand, the curiosity of metropolitan circles in what was considered exotic in the colonies, combined with the need to establish a rationalized colonial process that could enhance the forms of domination, produced supposedly precise descriptions, which sought to disentangle the local practices summarily incorporated into the Portuguese language through use of the term batuque.</p>
				<p>The racializing homogenization of local cultural practices, combined with a process of incorporating and differentiating the Portuguese colonial project in Mozambique, Portuguese ethnographic studies classified music as “the amusement that most impressed the Negro,” since a “batuque dominates and excites all the indigenous” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 9). The author of these words continues his deprecatory description of the practitioners of these forms of dancing and singing. It was, he writes, commonplace for “men and women of any age, even children” to abandon everything and venture “deep into the forest towards the site” where the batuques were happening. The “strange dances” were “almost always [...] accompanied by pornographic songs.” The “batuques” ended up “usually in a collective drunkenness” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 9).</p>
				<p>
					<fig id="f4">
						<label>Figures 2 and 3</label>
						<caption>
							<title>“Batuque in Malasche.”</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-1806-93472019v39n80-07-gf4.jpg"/>
						<attrib>Source: [Photographic album no. 10]. Comissão de Delimitação de Fronteira de Lourenço Marques 1890-91. ACT-DR. Available at: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5644">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5644</ext-link> and <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5645">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5645</ext-link>. Consulted: 23 April 2018.</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Unifying a diverse range of songs and dances, irrespective of the region from which they originated, of the population groups with whom they had contact and the musical and dance practices of the people they sought to describe, use of the term batuque was widely disseminated by the Portuguese. The word was also associated with a supposed African essence and the local predilection for “obscene sayings and [...] grimaces” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Lima, 1943</xref>, p. 52). The labels used by those who focused on analysing local forms of expression tended to distance them from the urban periphery, reading the dance steps through a prism of eroticization and generally disparaging the musical talent of the performers.</p>
				<p>This view of these practices circulated not only in metropolitan intellectual and academic spheres. Deprecatory opinions of what were conventionally called batuques were also expressed in books and newspapers published in Lourenço Marques. As José dos Santos Rufino, an important figure in the city’s journalistic world at the beginning of the twentieth century, affirmed: “the purpose of batuque [...] is not what it may seem - to dance: it is to drink.” To the ears of the Portuguese Rufino, their music was classified as “simple noise” and the “lyrics [...] almost always meaningless” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Rufino, 1929</xref>, p. VI). Others, as João Albasini, one of the most important representatives of a small literate African elite, wrote in Lourenço Marques newspapers on everyday life and colonial policies. Many of his articles adopted interpretations similar to those of Rufino. One of his main complaints was the presence of cultural practices performed out of place, when made in urban spaces. In 1914, Albasini wrote that in the canteens and facilities of Munhuana, a suburb of Lourenço Marques described by him as the land “of vices and batuques,”<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>6</sup></xref> it was enough to make the “slight effort of opening one’s eyes” to see that “wild batuques were danced that emphasized the posterior, wriggling the hips in erotic movements ‘capable of making a dead man drool.’”<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>7</sup></xref>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>THE NAME AND THE THINGS: ONE WORD FOR MANY PRACTICES</title>
				<p>In fact, what was called batuque by those unversed in these forms of expression might mean many things. Despite using the generic term ‘Kaffir music,’ what Freire de Andrade witnessed was a Chopi orchestra. Furthermore, it seems to me that during the evenings when he was camped on Novéle’s land, the military engineer was honoured with two different kinds of performance. The first was a representation of war exploits in which, holding their weapons, warriors demonstrated their ferocity. The second corresponded to a ngodo. The diversity encompassed by the term batuque did not pass entirely unperceived by those unfamiliar with these practices. With eyes and ears trained in a Eurocentric perspective, those who worked to produce materials capable of translating the local cultural diversity into the Portuguese language were probably the first to highlight the difficulties inherent to this process.</p>
				<p>As Patrick Harries explains, an important aspect of the modernization process in Africa implemented by European imperial conquest was the classification of details into units that homogenized diversity, seeking to rationalize this world into the structures of European thought. Based on this form of seeing the world, linguists, ethnographers and many others classified the Africans into different ethnic groups that were sometimes more a reproduction of the European discourse of the nineteenth and twentieth centuries rather than a reflection of local realities (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Harries, 1988</xref>). From these attempts to expand and accumulate information referring to sociocultural aspects of the African societies of southern Mozambique, agents of colonization strove to provide descriptions that could assist future colonization. The literature produced by these men on the everyday life of domination is recurrently explained as a necessity for greater efficiency of the colonial State. In this sense, there existed - at least as a stated objective - a practical function in this accumulation of knowledge on music and dance since it sought to generate interpretations capable of supplementing the day-to-day administration of the local populations. However, western science as a whole and, more specifically the scientific parameters prevailing in Portugal at the start of the twentieth century, provided tools that unified diverse aspects under identical rubrics, revealing a widespread ignorance of what existed and an almost inoperative capacity to encompass diversity. At the same time, it revealed an arrogant presumption that announced the porosity of the foundations to the Portuguese colonial enterprise in the region.</p>
				<p>The colonial administrator António Augusto Pereira Cabral - who held the post of Civil Secretary of the government of Inhambane district between 1908 and 1914, and the Secretary of Indigenous Affairs in Lourenço Marques between 1915 and 1925 - on compiling a book on the “races, uses and customs of the indigenous peoples from the province of Mozambique” emphasized the hypothesis that the word batuque was “derived from the Portuguese <italic>batucar</italic>, to hammer, to beat repeatedly,” explaining why it was used by “Europeans [for] any dance in which the indigenous people immerse themselves to have fun.” However, since his book’s objective was to improve the tools used by future colonial employees in their interactions with local populations, the author warned that employment of the term was “inaccurate [...] since it is a word entirely alien” to the native languages. Furthermore, the author was also careful to emphasize that each dance and/or music possessed its own name, varying among the different populations, and not all of them constituted ‘fun,’ some of them being “a ritualistic precept” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cabral, 1925</xref>, p. 40).<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>8</sup></xref>
				</p>
				<p>The difficulty in naming what was seen and heard was symptomatic of the context in which Portuguese rule was being implemented in southern Mozambique. The final quarter of the nineteenth century abounded in exercises in translation that sought to make different aspects of the local languages more familiar to the ears and writing of European grammars. The pioneerism of this learning undertaken by men engaged in this field, like the missionary and ethnographer Henri Junod,<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>9</sup></xref> was accompanied by the creation of bodies capable of fomenting the intellectual instruments that could ensure the continuation of Portugal’s overseas presence, such as the work performed by the Sociedade de Geografia de Lisboa, founded in 1875 (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Guimarães, 1984</xref>). In 1895, for example, with the objective of assisting the “expeditionary forces in Lourenço Marques” who had fought against the Gaza Kingdom, the Sociedade de Geografia de Lisboa, in partnership with the Ministry of War, published a “conversation guide in Portuguese, English and Landim” with some “notions of Landim grammar” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Raposo, 1895</xref>).</p>
				<p>Other examples similar to this guide can be found throughout the first half of the twentieth century, many of them focused on specific sectors in interaction with the native populations. The nurse of the Mozambique Health Corps, Guidione de Vasconcelos Matsinhe, for example, published a book with phrases related to the environment of western medical consultations and treatments. His aim was to assist the professional health workers who worked with the populations of southern Mozambique speaking the Ronga, Shangana and Xitsua languages (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Matsinhe, 1946</xref>). Another author who produced something similar was the priest António Lourenço Farinha, a Portuguese missionary who published the book <italic>Elementos de Gramática Landim (shironga). Dialeto indígena de Lourenço Marques</italic>. In the final part of the work, Farinha devotes space to a series of small phrases exemplifying possible dialogues between speakers of the Portuguese and native languages. Ironically, these imagined dialogues paid little attention to the topic of converting African souls to Catholicism. The phrases, most of them imperatives associated with domestic chores, dwelt on the day-to-day exploitation of the local labour force (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Farinha, 1946</xref>).</p>
				<p>Dictionaries were also important tools in the process of colonizing and exploiting the local workforce.<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>10</sup></xref> Incapable of defining practices with the same precision afforded by local forms of naming, the authors who worked to translate the huge diversity of native dances and music into the familiar environment of the language of the Portuguese colonizer ended up condensing the complexity of these practices into just a few terms from the Portuguese lexicon. In the <italic>Dicionário português-cafre-tetense</italic> published in 1900, its author, the priest Victor José Courtois, sought to translate into written form the orality of peoples from the Zambeze river valley region in the centre of Mozambique. In it, the words for dances, music and batuque appear correlated with a wide variety of terms employed to designate these forms. For instance, the word batuque, in Portuguese, could be translated as “t’unga; - of dancing, ng’oma; mbondo; chiwere; nkuwiri; tsengua; chinkufu; murumbi; kuendje; - of war, mbiriwiri; chindzete; dza- che” (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Courtois, 1900</xref>, p. 71). Ng’oma and t’unga do not appear merely as translations for batuque. The former could also be employed like the verbs ‘dance’ and ‘hammer’ (<italic>batucar</italic>). The latter, according to the dictionary, could have the meaning of ‘dance’ or ‘music’ in a more comprehensive sense (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Courtois, 1900</xref>, pp. 132 and 324).</p>
				<p>These similarities, encountered here and there, including in relation to words used by cultural practices with African roots in Brazil, can be explained by the dissemination of the Bantu language family throughout virtually the entire region that today corresponds to the nation state of Mozambique. However, this does not mean that they were exactly the same thing. In specific contexts, these words and the phenomena they described took on distinct meanings (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Slenes, 1992</xref>).</p>
				<p>For the regions of southern Mozambique (Gaza, Lourenço Marques and Inhambane) the <italic>Dicionários shironga-português e português-shironga. Precedidos de uns breves elementos de gramática do dialeto Shironga, falado pelos indígenas de Lourenço Marques</italic>, coordinated by E. Torre do Vale and published in 1906, are among the most complete for the period analysed. The author dedicated his work to the “need to produce a dictionary in which the Portuguese can learn the indigenous dialect, and another in which the indigenous people can learn our language” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Valle, 1906</xref>). Unlike António Augusto Pereira Cabral, who presumes that the term batuque had been employed by Europeans due to the virtual absence of a specific term in the native languages for the act of beating something, Torre do Vale’s dictionary records the existence of the verb gongondya, signifying to “beat the door; beat on a drum; beat repeatedly.” According to his dictionary, the Portuguese word batuque could be translated as ‘nkino’ or ‘nthlango,’ the former referring to “dance; batuque” and the latter to “dance; toy; amusement; spectacle; game.” Both words - nkino and nthlango - as well as ‘ngoma’ were also employed by the author as synonyms of dance. Ngoma, for its part, was something more than a dance, since it could be considered as a term for ‘drum’ or ‘circumcision ritual.’ Along with these words from the universe of the so-called batuques, the reader was advised to seek out the meanings of the words “Bunanga; Mutimba; Shindekan-deka; Shiwombelo; Mutshongolo; Gila; Sabela; Nhlawo.” These, in turn, amplified the world that the Portuguese lexicon insistently demarcated in narrow fashion through the expression batuque. After all, Bunanga was a specific dance referred to as a “fanfare of horns.” Shindekandeka was a dance practiced by women only. Mutshongolo is presented as an “indigenous dance, imported from the north,” while Gila and Sabela formed important practices relating to the native logics of power, the former being presented to re-enact “war exploits” and the latter used “when a chief is crowned” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Valle, 1906</xref>, pp. 59, 68, 110, 115, 117, 120, 125, 141, 149, 196 and 215).</p>
				<p>The difficulty of transcribing these multiple realities, combined with the specific characteristics of colonial domination, very often stimulated a process of folklorization of native sociocultural practices. Fernando de Castro Pires de Lima, a physician and prominent Portuguese ethnographer, endeavoured to combine the existing diversity in a generic category of ‘Mozambican folklore.’ To achieve this aim, he took as a base only the accounts of employees of the Companhia de Moçambique, located in Zambezia, central Mozambique, and the observations he himself was able to make with the ‘indigenous people’ brought by the company to the Overseas Exhibition held in Porto in 1934. According to Lima, it was “necessary to study very seriously the habits and customs of the Negro so that Whites can understand him better” (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 6). Without ever having set foot on Mozambican soil, he produced a description of the most common instruments in the territory:</p>
				<disp-quote>
					<p>One frequently used musical instrument is the <italic>Mbira</italic>, which is a kind of a box open on one side with iron tines of various sizes attached to a lid and secured by wires. They also use the <italic>Chindongane</italic>, which is formed from a bamboo rod bent by a brass wire tied to its ends; the <italic>Nhanga</italic>, constructed from small sections of cane of various sizes, which are blown in alternation; the <italic>Maranja</italic>, which is a cane flute; the <italic>Dindua</italic>, which is formed by a larger bow than the <italic>Chindogare</italic>, also held taut by a brass wire on which a gourd is tied that functions as an amplifier. They also possess the <italic>Mpuita</italic>, which is an instrument composed of a cylinder of sheet metal or iron, and the <italic>Ntuco</italic>, made from a horn in which a hole is drilled close to the tip. However the main instrument is the <italic>Marimba</italic>. The marimba is composed of small bars of wood of various sizes, connected to each other by leather straps. Below each wooden bar are small interconnecting gourds fastened with wax. The gourds are of various sizes corresponding to a musical scale. These gourds are perforated and the hole covered with a resistant film, almost always taken from the intestines of an animal, the most commonly used being the membrane of a bat wing. The gourds and pieces of wood are placed in a frame also made of wood, which allows it to be transported easily. The Marimba is played using two wooden mallets with virgin rubber tips. The commonest Marimba has ten wooden bars, which correspond to ten notes and ten scales, major or minor. The pace and rhythm are clearly defined and, as well as indigenous music, they play European music. The top chiefs have Marimba orchestras in their settlements composed of four, six, eight or ten Marimbaists. This does not mean that orchestras of twelve, eighteen or twenty Marimbas do not exist, with a leader, or, we could say, an orchestral conductor. (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Lima, 1934</xref>, p. 10)</p>
				</disp-quote>
				<p>Similar forms of these instruments were described by other authors. However, different names were used to designate them. It seems plausible to suppose that these were instruments disseminated throughout the region of present-day Mozambique, as well as some of its territorial neighbours, and that they acquired distinct names among each of the populations that used them. What Fernando de Lima described by the term ntuco, for example, is very similar to what Henri Junod called a xipalapala, which was “the official trumpet for the convocations [...] with which subjects were assembled in the capital” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Junod, 2009</xref>, p. 334). Similarly, Eduardo do Couto Lupi, a military officer who acted in the suppression of the sultanates resisting the Portuguese presence in northern Mozambique, claimed that the Macuas possessed something analogous, called a “palapata, an antelope horn with a lateral perforation that functioned as a cornet” (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Lupi, 1907</xref>, p. 108).</p>
				<p>In the case of the dances, a variety of names was also used, despite the fact they possessed very similar characteristics in terms of both performance and meaning. One dance that had a pronounced sensory effect on those who saw it was what the Portuguese came to call in a generic and simultaneously homogenizing fashion ‘war dances.’ Perhaps due to their intimidating display of force, presented in specific contexts, the writers contemporary to the process of colonization who focused their narratives or studies on native dance frequently concentrated their attention on these forms. Henri Junod again provides a good example. He described the kugila or kugiya, which was frequently performed by the peoples located to the south of the Save river, as a “simulacrum of acts of bravery practiced by the soldiers who killed enemies on the battlefields” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Junod, 2009</xref>, p. 364). Others like António Cabral claimed that these were called msongola or gila and originated from the South African Zulus. Considered important in terms of demonstrating the power of the chiefs, “the indigenous peoples dress[ed] extravagantly” and presented the dances to “any indigenous chief or authority figure”; the men interpreted the battles brandishing their weapons, while the women participated by singing about the enacted feats (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cabral, 1925</xref>, p. 40).<xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>11</sup></xref>
				</p>
				<p>All these forms supposedly typical to these populations known at the time as the barongas are not very different from those performed by the porters of the Boer caravans during the 1891 Portuguese expedition or by the people of the chief Novéle from the Chopi group. As António Cabral states, the Chopi dances were called lifolo. Accompanied by the timbila, the practitioners decorated themselves as in the msongola, singing and dancing “beating their shields on the ground” and performing “a series of leaps and gestures simulating combat with an enemy” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cabral, 1925</xref>, p. 41).<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>12</sup></xref>
				</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>FINAL CONSIDERATIONS</title>
				<p>It is important to emphasize that my objective here has not been to analyse each musical expression and dance performed by the various population groups existing during the period that the Portuguese colonial presence was becoming consolidated in southern Mozambique, much less the complexity and importance of the distinct ceremonies in which they were employed. Analysing the different types of dances and musical instruments employed in these practices, such as the huge variety of drums existing across Mozambique’s territory, the diverse sizes of timbila played by the Chopi and many other instruments, has likewise not been at the core of my present inquiry.</p>
				<p>In other occasion, I have called attention to the spectacularization of these practices through their incorporation into celebrating the Portuguese empire. This process was concomitant with the homogenization of native forms of songs and dances - a process not entirely controlled by the colonial power, serving as an ideal moment to make demands or as a demonstration that this control was not as effective as it presumed to be (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Pereira, 2016</xref>). The exercise of appropriation conceived by colonial forces, including via the consolidation of forms of naming what was seen, was unable to inhibit the responses of those who sang and danced in clear opposition to the racist contrivances used to expurgate their practices.</p>
				<p>In the context of the colonial domination of southern Mozambique between 1890 and 1940, an audience composed mostly of Europeans/whites, but also the small literate African elite, worked hard to classify and describe the dances and music of groups like the Chopi or the Shangana, basing their classifications of these performatics on ears and eyes trained in a specific sensory corpus. This specific manner of analysing in detail the bodies and sounds of the southern African populations of Mozambique, promoted by Eurocentric senses of those that strove to describe their dance and musical practices, interpreted these forms of expression and communication in a pejorative and racist form. Although they perceived local diversity and complexity, the Portuguese interpreters of the southern African world of Mozambique insisted on characterizing African sounds and body movements in a deprecatory way. Just as the multiplicity of African socio-political identities, experiences and organizational forms were reduced to juridical denominations that obliterated the heterogeneity of the so-called assimilated or indigenous peoples, the Portuguese colonists strove to homogenize the variety of musical and dance practices of southern Mozambique by converging on a specific denomination. In the exercise of the colonial enterprise, the plurality of these practices underwent a process of attempted erasure, perceptible in the homogenizing and generic use of the term batuque to describe them and through the deprecatory connotation that the lexicon carried in that context.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn14">
					<label>2</label>
					<p>Along these lines, see <xref ref-type="bibr" rid="B24">MACAGNO, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">COOPER, 2005</xref>.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn15">
					<label>3</label>
					<p>The complete albums are available at <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC141">http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC141</ext-link> and <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC148">http://actd.iict.pt/collection/actd:AHUC148</ext-link>. Consulted 13 September 2018.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn16">
					<label>4</label>
					<p>I am unaware of any researchers who have attributed authorship to these photographs of Gungunhana or provided more information on these images, which are used in most cases in illustrative form. The photos are available at <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5177">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5177</ext-link>; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5179">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5179</ext-link>; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5176">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5176</ext-link>; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5180">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5180</ext-link>. Consulted 13 September 2018.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn17">
					<label>5</label>
					<p>The photographs of the ‘Boys of Malashe’ is available at <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5170">http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD5170</ext-link>. Consulted 13 September 2018.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn18">
					<label>6</label>
					<p><italic>O Africano</italic>, Lourenço Marques, 6 July 1918. World Newspaper Archive (WNA).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn19">
					<label>7</label>
					<p><italic>O Africano</italic>, Lourenço Marques, 13 May 1914. WNA.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn20">
					<label>8</label>
					<p>According to Rui Mateus Pereira, the work and actions of “Pereira Cabral essentially help us comprehend the endeavour of the authorities of this new colonial era to codify uses and customs” (<xref ref-type="bibr" rid="B31">PEREIRA, 2001</xref>, p. 137).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn21">
					<label>9</label>
					<p>Henri Junod dedicated much of his academic life to writing books that translated the native orality of groups that he studied into grammatical elements. See <xref ref-type="bibr" rid="B7">CHATELAIN; ­JUNOD, 1909</xref>.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn22">
					<label>10</label>
					<p>This is a process that had occurred since the construction of the networks of slave and commodity trading in the Atlantic world. However, in the context of the European empires in Africa in the nineteenth century, it acquired a new meaning. On the importance of the definition of a written language common to the majority of the native populations of the geographic region analyzed here and the different processes of colonization, see <xref ref-type="bibr" rid="B14">HARRIES, 2007</xref>.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn23">
					<label>11</label>
					<p>The author also describes this dance in <xref ref-type="bibr" rid="B3">CABRAL, 1910</xref>, pp. 28-36.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn24">
					<label>12</label>
					<p>Cabral likewise claims to have witnessed the shivunvuri, in the Tete region, central Mozambique. According to the author, the latter was “an imitation of the chigombela.”</p>
				</fn>
				<fn fn-type="financial-disclosure" id="fn13">
					<label>1</label>
					<p>Visiting fellow at Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-Lisboa). The research on which this article is based received funding from FAPESP (Process 2018/05617-0).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn25">
					<label>25</label>
					<p>English version: David Rodgers</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>