<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rbh</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">0102-0188</issn>
			<issn pub-type="epub">1806-9347</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472019v39n81-05</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00006</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossiê: Rios e Sociedades</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>O papel da escrita na construção de causas públicas: uma análise do acervo de documentos produzidos por grupos de atingidos pela Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Pará</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>The Role of Writing in the Construction of Public Causes: An Analysis of the Documents Produced by Groups of People Affected by the Tucuruí Hydroelectric Dam, Pará State</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5774-5220</contrib-id>
					<name>
						<surname>Acselrad</surname>
						<given-names>Henri</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				</contrib-group>
				<aff id="aff1">
					<label>*</label>
					<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPPUR), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. hacsel@uol.com.br</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
					<institution content-type="orgdiv1">Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Rio de Janeiro</named-content>
					 <named-content content-type="state">RJ</named-content>
					</addr-line>
					<country country="BR">Brazil</country>
					<email>hacsel@uol.com.br</email>
				</aff>
			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>18</day>
				<month>07</month>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<volume>39</volume>
			<issue>81</issue>
			<fpage>93</fpage>
			<lpage>116</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>26</day>
					<month>06</month>
					<year>2018</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>18</day>
					<month>03</month>
					<year>2019</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente texto discute o processo de produção dos artefatos impressos elaborados por diferentes entes associativos formados ao longo do conflito que opôs os atingidos pela barragem de Tucuruí e a Eletronorte, empresa estatal responsável pela construção da obra. Com base em um acervo de documentos impressos produzidos pelo movimento de atingidos, são aqui analisadas as situações de escrita, os atos de escrita e os usos sociais da escrita, bem como seu papel na veiculação de denúncias de situações percebidas, pelos atingidos, como injustas.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The present text discusses the processes involved in the production of printed artefacts by different associations that formed during the conflict between people affected by the Tucuruí Hydroelectric Dam and Eletronorte, the state company responsible for the dam’s construction and operation. Based on a collection of printed documents produced by the movement of people affected by the dam, the article analyses the writing situations, writing acts and the social uses of writing, as well as the role of these documents in conveying denunciations of situations perceived as unjust by the affected people.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>atos de escrita</kwd>
				<kwd>atingidos por barragens</kwd>
				<kwd>rio Tocantins</kwd>
				<kwd>Hidrelétrica de Tucuruí</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>writing acts</kwd>
				<kwd>movements of people affected by dams</kwd>
				<kwd>Tocantins River</kwd>
				<kwd>Tucuruí Hydroelectric Dam</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="1"/>
				<table-count count="0"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="32"/>
				<page-count count="24"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>
			<fig id="f1">
				<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-81-93-gf1.jpg"/>
				<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B4">PRELAZIA..., s. d.</xref>, documento avulso.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>
				</attrib>
			</fig>
		</p>
		<p>O presente texto toma um conjunto de impressos de movimentos sociais como objeto de interesse. Ele visa uma compreensão crítica acerca das formas materiais, textuais e gráficas nas quais a percepção da experiência de construção de uma grande barragem manifesta-se na perspectiva de grupos sociais por ela atingidos. Para tanto, descreve-se o processo de elaboração de enunciados escritos e das formas gráficas de veiculação de seus conteúdos na denúncia de situações que são percebidas, pelos atingidos, como injustas. Buscou-se, a partir de entrevistas com ativistas e análise do material impresso, caracterizar as situações de escrita, os atos de escrita, os usos sociais da escrita e os cenários em que tais atos se realizaram no caso do movimento de atingidos pela usina hidrelétrica de Tucuruí (PA).</p>
		<p>A construção da barragem de Tucuruí, no sul do estado do Pará, na Amazônia Oriental brasileira, inundou, entre 1984 e 1985, 2.600 quilômetros quadrados de floresta das margens do rio Tocantins, incluindo parte da reserva dos índios Parakanã e alguns núcleos urbanos, deslocando compulsoriamente de suas áreas de moradia e de trabalho cerca de 10 mil famílias. Dedicada, em sua maioria, às atividades extrativas, parte dessa população foi relocada em loteamentos implantados longe das margens do reservatório. Lançados bruscamente no trabalho agrícola em áreas cuja paisagem natural desconheciam, os relocados não puderam estabilizar-se economicamente, o que favoreceu a reconcentração fundiária e o desmatamento. Com a inundação da floresta, que não foi desmatada a tempo em 90% da área, dada a urgência do Governo autoritário de então em inaugurar a obra, instaurou-se um processo de decomposição da matéria orgânica vegetal, de proliferação de macrófitas aquáticas e de emanação de gás sulfídrico. Vários empreendimentos siderúrgicos, inscritos na lógica do Programa Grande Carajás, foram implantados na região, alimentando a demanda por madeira para a fabricação de carvão vegetal e acentuando a desorganização da pequena produção local de alimentos.</p>
		<p>Inúmeras mobilizações sociais eclodiram a partir de 1980, reivindicando a efetivação das compensações pelo deslocamento compulsório, em um conturbado processo de pressão e negociação que se prolongou ao longo de muitos anos, antes e depois de 1984, ano do fechamento das comportas e do enchimento do reservatório. Esse processo articulou-se com a demanda por medidas de saneamento das condições de existência das populações locais, afligidas por uma praga de mosquitos incontrolada e crescente desde 1987. Os moradores dessas áreas viram-se ameaçados, por um lado, pela acentuada proliferação de insetos em sua área inicial de relocação e, por outro lado, por grileiros que pretendiam a posse das novas áreas, para onde a Eletronorte (ELN) - empresa estatal responsável pela construção e operação da usina - removera, pela segunda vez, as famílias expropriadas que haviam sido instaladas na área atingida pela praga de Mansonia, inseto cujas larvas desenvolvem-se parasitando raízes de plantas em meio anóxico (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Silva, 1997</xref>).</p>
		<p>Seis meses após o fechamento da barragem, as populações ribeirinhas residentes a jusante da barragem também passaram a se queixar de alterações na qualidade da água e no comportamento dos peixes, do aumento da incidência de enfermidades intestinais e dermatológicas e da queda da produtividade na extração do cacau nativo e do açaí das margens do rio (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Silva, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">Ata..., 29 mar. 1987</xref>).</p>
		<p>O enchimento do reservatório de Tucuruí deu-se em 206 dias, com início em setembro de 1984 e conclusão em março de 1985. A primeira etapa do enchimento levou as águas represadas do Tocantins à altura de 35 metros acima do nível do mar - a chamada cota 35 metros. A conclusão do processo de enchimento levou a profundidade máxima do reservatório ao nível de 75 metros, e a profundidade média a 17,3 metros. As margens do reservatório variam ao longo do tempo, posto que o nível mínimo normal de operação é hoje de 58 metros, e o máximo normal é de 72 metros acima do nível do mar. Milhares de famílias rurais e urbanas tiveram suas condições de existência alteradas, tanto pelas medidas preparatórias do enchimento do reservatório, como pela subsequente inundação de seus espaços tradicionais de trabalho, seu deslocamento compulsório para novas áreas, e pelos efeitos da mudança na dinâmica hidrológica do rio Tocantins.<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>
		</p>
		<p>As atividades de levantamento e cadastramento da população, que antecederam o enchimento do reservatório, deram início a uma multiplicidade de movimentos populacionais microlocalizados. Tais deslocamentos configuraram processos de migração sociocultural compulsória, dada a transferência de populações ribeirinhas para áreas secas de beira de estrada, de grupos camponeses que compartilhavam dos mesmos recursos naturais em moldes comunais para lotes rigidamente delimitados pelas fronteiras da propriedade privada. Os grupos sociais atingidos foram inseridos em novas trajetórias espaciais e sociais: caboclos ribeirinhos do Tocantins foram transformados em “colonos”, beiradeiros de ilhas e margens foram transformados em agricultores de terras áridas. A construção da barragem alterou, assim, as próprias trajetórias correntes preexistentes de deslocamento de camponeses em busca do que chamam de “melhoria”, ao perseguirem “uma rede de vizinhança, uma rede de parentesco ou a abertura de uma estrada ou a safra da castanha, ou um emprego numa fazenda, ou o emprego numa construtora ou, mais diretamente, uma terra livre” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Magalhães, 2002</xref>, p. 265-266).</p>
		<p>No ano de 1979 foram iniciadas ações por parte da Eletronorte no sentido de remover populações residentes às margens do rio Tocantins, alegando a perspectiva próxima de enchimento do reservatório para fins de geração de energia. Começaram, então, as primeiras mobilizações de moradores que se encontravam instalados em áreas que, segundo a Eletronorte, seriam encobertas pelas águas do Tocantins após o barramento do rio. Os grupos atingidos reclamavam então mais informação sobre os procedimentos de que seriam objeto por conta da construção da barragem e protestavam contra a proibição de continuarem plantando culturas permanentes. Surgiram então os primeiros panfletos, artesanalmente impressos e redigidos em nome dos lavradores da Transamazônica, trecho Marabá-Altamira, entre os quilômetros 95 e 110, afirmando: “não estamos satisfeitos da maneira que a Eletronorte nos está tratando. Estamos revoltados e não aceitamos mais a insegurança em que vivemos. A Eletronorte está nos tratando de uma maneira errada e desumana” (Documento “Eletronorte”, 9 jan. 1980).</p>
		<p>Um ano depois, comunidades de vazanteiros vivendo às margens do Tocantins, no município de Itupiranga, também protestavam contra as ações tidas por arbitrárias de que foram objeto, alegando, em particular, o desconhecimento, por parte da Eletronorte, das práticas específicas da vazante, com sua consequente recusa a indenizar as culturas temporárias:</p>
		<disp-quote>
			<p>É de lamentar que a ELN [Eletronorte] ignore nossa situação de vazanteiros e exija culturas permanentes e casas, quando todos nós sabemos que na vazante não se pode realizar tais trabalhos pois de seis em seis meses a enchente aduba a terra e devora tudo o que ficou plantado e construído. Será que os técnicos e pesquisadores não conhecem esta lei que acontece aqui no Norte e aqui no grande Tocantins? (Documento dos Vazanteiros de Itupiranga à Eletronorte, 2 nov. 1981)</p>
		</disp-quote>
		<p>Ao longo dos anos que se seguiram, inúmeros manifestos circularam, assinados por grupos situados em diferentes localidades da área atingida, que foram se juntando à primeira manifestação impressa dos lavradores da Transamazônica, multiplicando as denúncias e reivindicações e convergindo para a formação de um movimento unificado de expropriados.<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>
		</p>
		<sec>
			<title>A MOBILIZAÇÃO SOCIAL E OS ATOS DE ESCRITA</title>
			<p>O material impresso produzido por agentes envolvidos na constituição e na dinamização de movimentos sociais é um dos veículos através dos quais se produz uma linguagem comum aos diferentes atores, auxiliando a construção de suas identidades coletivas. Esse material integra um repertório mais amplo de ações coletivas (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Tilly, 1986</xref>, p. 541), constituindo um meio de formatação e amplificação da retórica dos grupos mobilizados em torno a suas causas. É parte, portanto, da caixa de ferramentas que contém esquemas de interpretação particularmente requeridos em momentos de instabilidade, em que eventos inesperados, como o da construção de barragens, abalam os modos anteriores de vida e de compreensão das situações, demandando a invenção de novos modos de ver, dizer, fazer e pensar. São essas ferramentas que ajudam a ativar, nos atores, suas capacidades de manejar as gramáticas da ação e de formular “mapas” que lhes permitem localizar, identificar e definir as situações que lhes são impostas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Cefai, 2007</xref>, p. 482 e 487). As mensagens neles contidas podem ser assim transportadas em direção aos distintos destinatários a quem pretendem mobilizar ou de quem buscam apoio, assim como a autoridades públicas às quais pretendem expor e justificar reivindicações.</p>
			<p>Cada tipo de impresso buscará uma eficácia particular, sejam eles atas, cartas, relatórios, boletins, manifestos ou cordéis. Todos os fenômenos de formatação, traçado, paginação e configuração tipográfica, assim como os recursos de impressão, são partes do processo a que se pode chamar de uma “resistência gráfica” (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Artières; Rodak, 2008</xref>) por meio da qual os enunciados performáticos mediados pela escrita veiculam os significados desejados pelo movimento de atingidos. Entre os atingidos pela barragem, esses impressos vieram juntar-se aos canais tradicionais de circulação de informação e ideias difundidos em áreas rurais como o cordel e os cânticos. No caso de Tucuruí, sua elaboração originou-se em reuniões, assembleias e encontros, onde desenvolveu-se uma dinâmica de comunicação interna às comunidades em torno aos impactos da usina. A interação crescente no interior de cada grupo de atingidos, assim como entre diferentes grupos distribuídos em uma área de grande extensão, levou à intensificação dos fluxos de comunicação que, anteriormente, eram, nas áreas atingidas, restritos aos momentos das festas populares, procissões e cultos religiosos. Frente aos agentes do poder público, o material assinado por membros de classes populares no campo representou uma inflexão algo surpreendente nas trajetórias correntes trilhadas pela palavra impressa na região. Essa palavra, quando tinha por alvo as camadas populares, percorria, costumeiramente, trajetórias verticais, “de cima para baixo”, desde autoridades governamentais ou empresariais. No caso da construção de barragens, em particular, sabe-se que uma informação seletiva é correntemente distribuída, nas áreas afetadas, de forma controlada, segundo os estritos ditames das políticas de comunicação adotadas pelas empresas do setor elétrico (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Locatelli, 2014</xref>). Por meio da redação e divulgação de textos impressos, os atingidos adentram um mundo social mediado pelo texto, integrando uma produção de sentido composta por múltiplos meios - que, ao lado de interações orais e mobilizações públicas coletivas, contam também com manifestos textuais emanados de diferentes entidades associativas.</p>
			<p>Isto posto, aquilo que podemos chamar de uma “razão gráfica” presente nos materiais impressos não remete apenas a uma técnica de comunicação, mas a todo um sistema cognitivo e sociopolítico. A escrita integra, ademais, uma relação social fundada na distribuição desigual daquilo que <xref ref-type="bibr" rid="B11">Coton e Proteau (2012</xref>) chamam de um “capital escritural”, ou seja, de tipos de saber e de competências redacionais que tendem a autorizar o exercício de determinado poder. Por essa razão, com a multiplicação dos impressos originados nos movimentos de atingidos, podemos considerar que se teria quebrado, a partir de então, na área atingida, a espécie de monopólio preexistente sobre esse tipo de competência detido pelas mídias regionais controladas por elites locais.</p>
			<p>A partir da chegada dos primeiros agentes da construção da barragem, verificou-se, em diversas vilas e povoados da área que seria supostamente afetada pela barragem, um processo de crescente produção de informativos, relatórios de assembleias, cartas à Eletronorte, documentos de denúncia e reivindicação, notas de esclarecimento por famílias atingidas, atas de reunião entre a empresa e os expropriados, boletins de lutas, relatórios de reunião de comissões para avaliação de lutas, registros de encontros de lavradores, agentes pastorais e advogados.</p>
			<p>Tais atos de escrita, protagonizados por uma diversidade de sujeitos coletivos em formação, faziam passar a linguagem da relação de imediatez e proximidade, própria ao ato oral de caráter interativo, a uma relação de comunicação que se pode dar, por seu suporte material relativamente durável, de forma defasada no tempo e no espaço (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Faure, 2011</xref>). As peças resultantes de tais atos são, assim, portadoras de relatos, palavras de ordem, reivindicações, exortações, denúncias e protestos. Certos <italic>slogans</italic> apresentam, ao mesmo tempo, enunciados e ações, ao preconizarem alguma operação que, segundo os movimentos de atingidos, deveria ser efetuada, em atenção a eles, por responsáveis do setor elétrico e de governos. Dispostos em suportes impressos, esses enunciados exibem a força gráfica do caráter duradouro de suas inscrições (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Fraenkel, 2007</xref>, p. 103).</p>
			<p>Os atos de escrita pressupõem o enunciado de mensagens e a fabricação de um artefato específico validado por mecanismos de autentificação. As abordagens empíricas dos atos de escrita costumam destacar neles, tal como em demais atos de linguagem, a presença de uma performatividade. Tal como os atos orais e os <italic>graffitis</italic>, os atos de escrita apresentam também uma dimensão espetacular, não fora, como no caso que nos interessa, decorrente do fato de eles terem se efetuado em uma região com baixo índice de literacidade e por parte de sujeitos que não faziam uso costumeiro da expressão escrita, menos ainda na produção de textos destinados a apresentação e circulação num espaço público.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> Esse ato excepcional de inscrição tornava-se, assim, uma espécie de “golpe pela escrita” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Fraenkel, 2010</xref>, p. 34) desfechado na concepção daqueles para quem a usina estava se implantando num vazio social e histórico,<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> “na selva distante dos grandes centros civilizados” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Eletronorte, 1989</xref>, p. 15). Ao representar a área de implantação da barragem como selvagem e desabitada, respaldados nas condições jurídico-políticas de exceção que prevaleciam então no país, os promotores da obra mostravam-se alheios à possibilidade de se defrontarem com mobilizações coletivas importantes, e, com maior razão, com aquelas cujos pleitos estivessem documentados por meio da palavra escrita.</p>
			<p>O impresso é, por certo, uma fonte de ideias e imagens, mas é também o suporte de um sistema de relações (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Davis, 1979</xref>, p. 311) No caso dos grupos camponeses, ribeirinhos e pescadores - que constituíram a maior parte das famílias atingidas pela barragem de Tucuruí<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> -, a produção e circulação sistemática de material impresso resultou na instauração de novas relações entre o mundo da cultura escrita e o daqueles sujeitos que, vinculados predominantemente à tradição oral, tinham com a escrita um contato mais limitado e circunstancial, seja por falta de habilitação, seja por com ela desenvolverem um exercício apenas ocasional. Tais relações se constituíram em função da produção tanto de peças escritas destinadas ao próprio grupo de atingidos, como daquelas que eram dirigidas ao público letrado das vilas e cidades da região afetada, bem como especificamente aos representantes do setor elétrico e dos poderes públicos, de maneira geral. Tais diferentes destinatários correspondem à descrição das fases correntemente identificadas na evolução das disputas ao longo do tempo (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Felstiner; Abel; Sarat, 1980</xref>): na primeira, o prejuízo é nomeado, identificado e constituído como tal - uma experiência percebida como de agravo, em comum por determinada comunidade; numa segunda fase, a responsabilidade pelo prejuízo se imputa a outro ator contra o qual se dirige uma acusação; por último, a acusação é posta ao conhecimento de outras pessoas, além dos causadores do problema, a quem se demanda reparação. As experiências percebidas como fonte de agravos se cristalizam quando se fortalecem ao ponto de inscrever-se em formas de mobilização ao longo do tempo.</p>
			<p>No caso de Tucuruí, os conteúdos e formas dos textos refletiram inicialmente a memória ativista sobre a experiência de movimentos precedentes. Os depoimentos registram, em particular a influência da memória dos atingidos pela barragem de Itaparica:</p>
			<disp-quote>
				<p>O conteúdo dos impressos refletiu a experiência do movimento dos atingidos pela barragem de Itaparica - única referência que se tinha naquele momento, trazida por uma assessora da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura]; única experiência com barragens, de como se lidar com uma empresa estatal, com um governo com quem se negocia. Foi a única referência que o movimento teve. A luta era muito emergencial. Uma questão que não foi objeto inicial de questionamento e só depois teve problema é a reivindicação terra por terra na margem do lago, vinda de Itaparica. A gente assumiu isso na luta de Tucuruí, mas depois se viu que isso não se aplicava à Amazônia. Para os agricultores do Nordeste ter casa na margem do lago é ter acesso à água. Mas para os agricultores da Amazônia em Tucuruí isso não se aplicava. Percebeu-se que em Tucuruí isso não se viabilizava - o lago tinha muita matéria orgânica apodrecendo, criou muitos insetos e situação insalubre - ninguém conseguia ficar na margem do lago. Ninguém tinha essa referência antes - qual a razão de ficar na margem do lago ou não ficar, porque não tínhamos nenhuma experiência. Depois a experiência prática mostrou que a realidade era diferente por causa do surto de insetos e carapanãs que não dava conta das pessoas viverem etc. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Silva, 2018</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Sobre a transformação de um “caso” em uma “causa”, ou seja, da transformação de conflitos particulares em causas coletivas e politizadas, Boltanski afirma que</p>
			<disp-quote>
				<p>no curso de um caso, a aposta principal da disputa em que se encontram envolvidos os diferentes protagonistas é precisamente o seu caráter individual ou coletivo, singular ou geral. Os autores das denúncias buscam revelar suas ‘facetas ocultas’ e fazer ver, com isso, que o caso concerne, ‘na realidade’, a bastante mais gente do que pudéramos imaginar à primeira vista; assim, ele é transformado em uma causa coletiva. (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Boltanski, 2000</xref>, p. 25)</p>
			</disp-quote>
			<p>A causa de Tucuruí envolve uma multidão de protagonistas, de pessoas, entidades, provas e sentimentos. A demanda de indivíduos singulares ou grupos é apresentada como relativa a um bem comum válido para todos - a transformação de um caso em uma causa.</p>
			<disp-quote>
				<p>Um número muito grande de cartas foi encaminhado à Eletronorte diretamente pela população, pelo Bispo de Cametá, pelos padres, questionando o que iria acontecer - sobre os processos de indenização. Era uma escrita muito individual. Era uma ação de pessoas, da Igreja, de organizações. Não era uma comunicação que representava o coletivo. Passou a ser um documento de comunicação com a Eletronorte quando o movimento passou a se manifestar e falar enquanto grupo e coletivo e não como cada pessoa ou segmento social separado. Só passou a ser uma comunicação de movimento a partir do final de 1981, quando o movimento de atingidos foi organizado. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Silva, 2018</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>As causas costumam ser elaboradas, construídas, estabelecidas, provadas e, por mais solidamente instaladas que pareçam, sempre podem ser objeto de contestação (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Boltanski, 2000</xref>, p. 25-26).</p>
			<disp-quote>
				<p>A ELN [Eletronorte] sempre usou a grande mídia - os grandes jornais do Pará. Tinha matéria paga nos jornais e na TV liberal e outros canais - e mesmo com isso ela tinha o jornalzinho dela que distribuía em vários momentos na área atingida desmentido aquilo que o movimento e a Prelazia diziam. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Silva, 2018</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>A constituição da causa dos atingidos e os debates a ela associados mostram que a construção da barragem configurou um momento de inflexão na história do rio Tocantins. É provável que nunca antes daquele momento se tenha escrito tanto sobre o rio, entre documentos, relatórios, panfletos e artigos de imprensa. O que pretendemos sugerir, tal como se desenvolverá na próxima seção, é que houve então uma inflexão também na própria história dessa escrita envolvendo o rio Tocantins, pois um novo autor aparecia - os atingidos pela barragem, responsáveis pelos documentos de que ora tratamos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A REMISSÕES AO TOCANTINS E À VIDA RIBEIRINHA</title>
			<p>As preocupações com as ameaças à vida ribeirinha já haviam aparecido bem antes do enchimento da barragem, como o indicam os versos deste caderno de cânticos da Prelazia de Cametá:</p>
			<verse-group>
				<verse-line><italic>Eu vivo e tou preocupado / Com os projetos que estão por aí</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>A minha preocupação / É com a barragem de Tucuruí</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Coitados dos pobres das ilhas / Eu não sei como é que vai ficar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Com a disparada das águas / Não sei pra onde vão morar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Os nossos peixinhos do dia / Camarão e mapará</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>A nossa frutinha gostosa / Tudo isso vai se acabar</italic></verse-line>
				<attrib>(A crise da barragem. In: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Prelazia..., s. d.</xref>, p. 3)</attrib>
			</verse-group>
			<p>O barramento do rio significa, pois, a desestruturação de modos de vida: “Os lavradores e pescadores da margem do Rio Tocantins estão levando uma luta contra as consequências da Barragem que alterará todo o sistema de vida da população ribeirinha” (Raimundo Nonato de Azevedo, pres. do STR Tucuruí, Carta ao Congresso do STR, 26 ago. 1984), e “A Barragem não vai trazer consequências ruins apenas para nós, mas para todo o povo da região, quando fechar a Barragem o Rio Tocantins seca, fica sem condições de viajar. Além de que a água salgada vai entrar no nosso rio” (Comissão dos desapropriados pela barragem, “Companheiros, vamos dar uma parada para pensar”, s. d.).</p>
			<p>Pouco antes do enchimento do reservatório, em carta ao presidente da Eletronorte e ao governador do estado do Pará, os expropriados de Repartimento denunciavam o descaso de funcionários da empresa: “Eles fazem gozação com nossa situação, dizendo: ‘Quem souber nadar não morre afogado!’” (Documento dos Moradores da Vila do Repartimento, 22 fev. 1984).</p>
			<p>A permanência às margens do rio tornou-se, então, meio de pressão para o alcance das reivindicações não atendidas e das promessas não cumpridas:</p>
			<disp-quote>
				<p>Esgotados os prazos previstos pela própria Eletronorte para pagar seus débitos para com a população de Jacundá. Esclarecemos que vamos ficar nas margens do Tocantins, na antiga Jacundá, nos ajudando mutuamente até que a Eletronorte cumpra todas as suas obrigações para com a população de Jacundá. (Expropriados de Jacundá, “Manifesto ao público”, fev. 1984)</p>
			</disp-quote>
			<p>À beira da rede fluvial amazônica, com a barragem e os deslocamentos compulsórios, o abastecimento de água tornou-se um problema:</p>
			<disp-quote>
				<p>Os expropriados com direito à relocação reivindicam poços artesianos para evitar o consumo da água do lago e, consequentemente, doenças que essa provocará. (Documento de denúncias e reivindicação dos expropriados dos três municípios - Tucuruí, Jacundá e Itupiranga atingidos pela construção da barragem de Tucuruí, 14 dez. 1983)</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Com o processo de relocação das famílias do velho Repartimento para o Novo a necessidade de água e luz se agrava, mesmo porque o acordo não vem sendo cumprido, ou seja, caminhões de distribuição de água não passam diariamente. (V Documento de Denúncias e reivindicações dos desapropriados pelas Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A., 21 mar. 1984)</p>
			</disp-quote>
			<p>A empresa, por sua vez, retrucará, que “A tendência da empresa é não abrir poços pois as informações técnicas disponíveis dão conta de que a qualidade da água está dentro das condições aceitáveis” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Ata..., 11 out. 1984</xref>).</p>
			<p>A situação específica dos vazanteiros, cujas atividades são estreitamente articuladas à dinâmica hidrológica sazonal do Tocantins era, nos termos dos documentos assinados em seu nome, ignorada pelos consultores e técnicos do setor elétrico:</p>
			<disp-quote>
				<p>Temos que fazer saber que no período da vazante só existe produção agrícola neste chão molhado; em outro lugar não se pode trabalhar por causa da seca. Centenas de vazanteiros trabalham seis meses por ano na época da seca para tirar o sustento no ano todo, fazendo reserva de feijão e milho. Com a irrisória indenização oferecida pela Eletronorte, nós não conseguimos carregar os trens para a terra firme no final da temporada da vazante (início da enchente). Com nossa vazante vivemos e com vossa ridícula indenização vamos para o brejo. (Documento dos Vazanteiros de Itupiranga à Eletronorte, 2 nov. 1981)</p>
			</disp-quote>
			<p>No entorno do reservatório, após o deslocamento compulsório dos moradores, Dona Maria Nazaré, remanejada do Remansão para o loteamento Rio Moju relatava:</p>
			<disp-quote>
				<p>aqui tudo quanto é difícil, é coisa que nunca me dei bem, a terra não é boa... aqui trabalha a morrer e nada tem... a água falta; é morrer puxando água do poço... lá tinha muita água, era beira de brejo, beira do Tocantins, açaizal, muito peixe, tudo em quanto. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Nazaré, 1984</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>Após o enchimento do reservatório, nas margens do rio situadas abaixo da barragem, a população ribeirinha solicitava esclarecimento “quanto à qualidade da água, o repovoamento de peixes, as cheias” e exigiam “a construção da escada para peixes e das eclusas” (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Silva, 1983</xref>).</p>
			<p>É que a jusante da barragem, os problemas se multiplicavam:</p>
			<disp-quote>
				<p>Com o represamento da água, a população vem sentido a mudança da água, referente a cor e qualidade. Percebe-se um forte limo na água. Isto fez aumentar o problema de doenças, principalmente, diarreias, que não se consegue combater com remédios caseiros. Os peixes estão desaparecendo do rio e, quando aparecem, são de pouca durabilidade, logo depois de pescados apodrecem. Os pescadores e moradores das ilhas são forçados a sair em busca de outra atividade e não encontram terra para trabalhar. (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Ata..., 29 mar. 1987</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>As soluções apresentadas, por sua vez, não eliminavam os problemas. Quanto às dificuldades de acesso à água, em reunião interna ao setor elétrico, afirmou o chefe do Setor de Patrimônio Imobiliário da Eletronorte: “Partimos para a perfuração de poços semiartesianos em cada lote e a cada seca esse poço deixa de dar água e tem que se aprofundar mais dois, três, quatro, cinco metros, uma novela que parece não ter fim” (Caso de Tucuruí - Eletronorte, s. d., s. l.).</p>
			<p>E completava outro dirigente da Eletronorte: “as populações de jusante são bem mais problemáticas que as populações a montante. Elas são em maior número, são mais espertas. No caso do Tocantins, estão aí desde o século XVII, com raízes indígenas muito grandes e com toda uma parte de religiosidade e envolvimento com a natureza” (Caso de Tucuruí - Eletronorte, s. d., s. l.).</p>
			<p>Foram tais polêmicas, instauradas em torno aos impactos sociais e ambientais da barragem, que justificaram a produção de um volume considerável de peças gráficas por parte do movimento dos atingidos. São as condições dessa produção que discutiremos a seguir, procurando caracterizar as cenas da escrita, os atos e os sujeitos coletivos dessa escrita.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A PRODUÇÃO DA ESCRITA</title>
			<p>O caráter coletivo da formulação e fabricação dos impressos associados às mobilizações sugere que as cenas de escrita podem ser interpretadas como semelhantes a situações de trabalho, com atribuições distribuídas e interativas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Fraenkel, 2007</xref>, p. 103):</p>
			<disp-quote>
				<p>A produção dos impressos era mesmo um processo coletivo de trabalho e de elaboração. Antes da reunião agendada com a Eletronorte, se tinha uma reunião da comissão de atingidos com a assessoria. Se discutia a pauta, a justificativa de cada reivindicação e se produzia o documento. Tinha-se o tempo de fazer um debate, registrar o debate e a partir dali fazer um documento-guia a ser levado para a reunião com a ELN. No caso dos outros documentos também - após a reunião, tinha-se outra reunião de avaliação e a formulação de um informativo dizendo à população tudo que foi acordado ou em que não houve acordo, e chamando para uma nova assembleia e mobilizando. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Silva, 2018</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim descreveu o cordelista Goiano esse processo de formulação coletiva de demandas por parte dos atingidos pela barragem de Tucuruí:</p>
			<verse-group>
				<verse-line><italic>Depois da liturgia / Cantamos para animar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>A Aida no quadro / Começava a copiar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>O resultado dos grupos / pra gente pegar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Terminou de copiar / todos os resultados</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>D. José fotografava / com bastante cuidado</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>E chamaram os companheiros / para serem apresentados</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>O companheiro Zelito / o relatório mandou ler</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Quem tivesse destaque / podia logo dizer</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>E durante a leitura / vi destaque aparecer</italic></verse-line>
				<attrib>(Goiano, “Assembleia de Trabalhadores”, Cordel do Goiano, Anilzinho 5º, s. d., s. l.)<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>
				</attrib>
			</verse-group>
			<p>Produzidos por uma diversidade de mentes e mãos, os impressos resultavam, assim, de um encadeamento de atos de escrita, composto por fontes de enunciação distintas e concomitantes, por diferentes textos e atos vinculados entre si. A partir das anotações de uma reunião ou de um debate, chegava-se a um texto final, tal como prossegue, em sua descrição, o Cordel do Goiano:</p>
			<verse-group>
				<verse-line><italic>Logo o companheiro Dilton / levantou uma preocupação</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Para fazer documento / com todos da região</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>E mandar as entidades / para conhecer a questão</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Foi tirada a comissão / para o documento elaborar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Depois a discussão / pode logo iniciar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>E foi o Manoel Maria / que começou a falar</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Depois o Manoel Maria / uma leitura veio fazer</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Sobre a nota de protesto / bem claro pode ler</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Assinado pelo companheiro / que mandaram escrever</italic></verse-line>
				<attrib>(Goiano, “Assembleia de Trabalhadores”, Cordel do Goiano, Anilzinho 5º, s. d., s. l.)<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>
				</attrib>
			</verse-group>
			<p>Os documentos impressos interpelam, assim, os destinatários - ministros de Estado, governadores, dirigentes da Eletronorte, o público em geral ou a comunidade de atingidos - em nome de sujeitos que assumem a condição coletiva de um “nós” identitário social - lavradores, colonos, moradores - e situado espacialmente, tal como “Nós, vazanteiros de Itupiranga”, “Nós, lavradores da Transamazônica” ou “Nós, colonos e moradores das áreas que serão inundadas pelo reservatório de Tucuruí”. Em certos casos, acrescenta-se referência à condição formal de sujeitos de direitos na qualidade de “brasileiros com título de eleitor” que “levam a público a indiferença com que a Eletronorte” os estava tratando. Aos poucos, essa autoapresentação localizada foi sendo substituída por termos que designavam formas organizativas como “A Comissão de Expropriados...” ou “Os expropriados, através de sua comissão representativa”, refletindo a articulação crescente entre os atingidos de distintas áreas com sindicatos de trabalhadores rurais, assessorias e agentes pastorais. A assinatura aposta nos documentos tem o poder de transformar o suporte sobre o qual ela está inscrita. Ela muda, assim, a qualidade do documento, tornando-o atribuído, dotado de um autor que o valida. A adjunção de diversas assinaturas - como é o caso de inúmeros documentos do movimento de atingidos que reúnem assinaturas de entidades e de indivíduos - confere ao ato escrito força e validade particulares.</p>
			<p>O objeto impresso se distingue da enunciação oral por se ligar a seus autores através de uma assinatura que permite aos signatários entrar em cena. As assinaturas ligam, assim, o conteúdo do impresso aos corpos dos sujeitos na condição de atos que avalizam o enunciado ali expresso, atestando sua autenticidade. Considerando-se a ausência do corpo do sujeito dos enunciados no percurso espacial de circulação dos impressos, a assinatura neles aposta tem o efeito de uma atestação quase-jurídica de seu conteúdo. As assinaturas de entidades associadas a lugares - como Vazanteiros de Itupiranga, Moradores de Nova Jacundá, Lavradores da Transamazônica, Comissão de Moradores de Repartimento e Mojú, por exemplo, situam espacialmente o sentimento de injustiça em lugares determinados da região atingida.</p>
			<p>Além disso, o ato escrito mimetiza o ato oral ao criar um objeto falante, com a diferença de que seu enunciado não é efêmero, mas dura na medida da duração do artefato material que lhe dá suporte. As expressões “pelo presente...” ou “através deste documento”, expostas ou supostas implicitamente nos textos, pretendem fazer durar no tempo as mensagens que estariam contidas em atos orais quando efetuados em condições passageiras de comunicação face a face com seus destinatários. O ato gráfico mostra-se assim como um recurso de primeira importância, não só para o registro com vistas à constituição de uma memória, mas também para a ação:</p>
			<disp-quote>
				<p>Grande parte dos impressos era produzida com o objetivo de mobilizar os expropriados. Era feita uma discussão sobre o conteúdo - tanto com a equipe de assessoria como com a comissão de negociação. Era então decidido quais questões e informações continha cada matéria. A tarefa de produzir o documento, fazer a parte gráfica, desenhos, era da assessoria. Muitos informativos eram feitos através do jornalzinho das Comunidades Cristãs produzidos pela Prelazia de Cametá - que circulava em todas as comunidades de base da Igreja Católica e tinha uma assinatura baratinha que as pessoas faziam e que continha temáticas que poderiam ser interessantes para as comunidades. Esse jornalzinho muitas vezes abordou a questão da barragem tanto acima quanto abaixo da usina. Os relatórios de assembleias e atas de reunião, de comissão de avaliação das lutas e encontro de Lavradores eram relatos de reunião anotados não só como objetivo de guardar a memória daquelas negociações e processos, mas também informar a população sobre o que vinha acontecendo, aquilo que foi acordado e em que não houve acordo - os passos da luta. Era uma atividade regular de trabalho fazer os registros. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Silva, 2018</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>O caráter performático dos impressos contendo denúncias e reivindicações se manifesta, por um lado, no momento de sua leitura para fins de aprovação pelo coletivo que o sustenta, quando a coesão dos sujeitos presentes se constitui; por outro lado, a <italic>performance</italic> se realiza também nos momentos de entrega de tais documentos a seus destinatários, autoridades das quais tais coletivos pretendem obter informações, respostas explicativas e ações que satisfaçam suas reivindicações. Tais atos escritos - entendidos como “atos sociais de linguagem” (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Reinach, 1989</xref>, p. 60) - se caracterizam por serem necessariamente, ao fim do processo de mobilização e discussão, exteriorizados sob a forma de demandas direcionadas a destinatários dotados do poder de atendê-las. Como não resultam de atos escritos na esfera privada, basta a estes atos sociais de linguagem - como é o caso de demandas coletivas - serem de algum modo exteriorizados para que “alguma coisa mude no mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Fraenkel, 2006</xref>, p. 10). É preciso considerar que o lugar por onde circula o impresso, assim como as condições de ação dos destinatários do discurso nele contido, são, assim, transformados (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Fraenkel, 2007</xref>, p. 106) e a força performática dos impressos baseia-se na própria dispersão dos escritos:</p>
			<disp-quote>
				<p>O processo de circulação do material impresso era feito diretamente mão a mão - corpo a corpo - pelas pessoas. A comunicação não ia pelos correios. Tinham pontos onde as pessoas sabiam que receberiam documentos e esclarecimentos. As paróquias nas localidades serviam como ponto de apoio, depois os sindicatos junto com as paróquias. Depois algumas pessoas que tinham vinculação com o movimento - certas pessoas que tinham pontos fixos - o Bucho de Bode de Repartimento - uma pessoa que servia na Igreja, mas tinha uma bodegazinha. Lá se deixavam as coisas. Belém, que era um vereador do PMDB da época, era da comissão e também distribuía esse material. O Juarez com a Bete que tinham uma farmácia. E a própria Comissão levava e entregava o material, seja andando nas ruas ou indo na casa das pessoas que moravam nas vilas, como o Manelito que era delegado sindical - porque muitos membros da comissão moravam em lotes rurais na Transamazônica. Essas publicações tinham por público alvo os atingidos, mas eram enviadas para organismos internacionais como a Cebemo, entidade de apoio financeiro ao projeto na Holanda, O Ceres, da Igreja Católica no Rio, a Fase, a CPT, a CNBB, depois a Comissão Pró-Índio, a Contag, deputado Ademir Andrade, deputado Fabio Feldmann - as instituições e pessoas que apoiavam o movimento. Apesar da área ser extensa, o material chegava em todo mundo. Ele chegava porque ele era levado pelas pessoas ligadas ao movimento, que, por onde passavam, encontravam um atingido, entregavam e explicavam como estava a situação. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Silva, 2018</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>Os signos visíveis, apostos no suporte escrito, perfazem, assim, o ato reivindicatório, que será consumado ao ser entregue em mãos tidas como autorizadas a recebê-lo. A esse propósito, a frequente ausência de respostas concretas por parte dos destinatários de tais demandas - como o demonstra o caráter reiterado dos pleitos dirigidos a dirigentes da Eletronorte e autoridades públicas - fará, por certo, que tais documentos sejam levados a transportar seus enunciados por um largo período de tempo, gerando efeitos e reações variáveis ao sabor das distintas conjunturas.<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> Por essa razão, a força contida no artefato impresso está associada ao fato de ele poder durar o tempo necessário para ser recebido e reconhecido formalmente por seus destinatários. Longe de se limitar, portanto, a um instante isolado no tempo, o momento presente dos atos de escrita pressupõe uma retomada de eventos e situações passadas, visando o futuro que seus autores pretendem alcançar:</p>
			<disp-quote>
				<p>Temos de levar mais uma vez ao público a indiferença com que a Eletronorte vem nos tratando. Tudo foi ignorado como sempre. De 9.1.1980 pra cá nada aconteceu em benefício nosso. As coisas ficam sempre pior. Uma única coisa aconteceu: nossa revolta foi aumentando a cada dia que passa.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>(Denúncia e reivindicação da população dos vazanteiros de Itupiranga, Tauiri e moradores da localidade da Rainha e Morajuba Direita, atingidos pelo projeto da Usina Hidrelétrica de Tucuruí - Reservatório. Documento III, jun. 1982)</p>
			</disp-quote>
			<p>Como o ato da escrita se caracteriza pela ausência dos signos não verbais como os que costumam estar normalmente presentes em complemento à linguagem oral, e não podendo ser suplementados por outros meios expressivos - à exceção, por certo, no caso presente, dos cordéis e dos cânticos -, coloca-se para os redatores dos manifestos o desafio de fazer da linguagem escrita o suporte de todos os elementos significantes. São, assim, certamente levados em consideração o destinatário e sua capacidade de se localizar no universo evocado, buscando-se clarificar, em consequência, apropriadamente o que se tem a dizer. Por essa razão, as atividades cognitivas requeridas pela escrita necessitam uma forte contextualização, uma série de cálculos referenciais capazes de antecipar razoavelmente a recepção ulterior dos enunciados (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Faure, 2011</xref>). Dada, portanto, a impossibilidade de os leitores supostos desses impressos virem a solicitar alguma clarificação no momento de sua leitura ou, no caso conflituoso de que tratamos, o fato de os promotores do projeto hidrelétrico alegarem insuficiência de informação de modo a poder postergar sua resposta -, os redatores são levados a prever e antecipar os efeitos de seus enunciados, buscando recontextualizá-los, de modo a se adiantarem às objeções possíveis e às eventuais demandas de informações complementares (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Deauvieau; Terrail, 2007</xref>, p. 303). Um documento de 1984, por exemplo, se inicia com um histórico da luta, afirmando que “as famílias atingidas pela barragem de Tucuruí vão perdendo suas terras, casas, costumes e tradições a partir de 1975 quando a Eletronorte, através de suas empreiteiras inicia o cadastramento familiar na área do reservatório” (Histórico da Luta, Tucuruí, out. 1984). Um documento datado de maio de 1982, assinado por delegacias sindicais e “comissões representativas”, começa remetendo ao “Documento I, datado de 12 dez. 1981, entregue à Eletronorte, em que foram feitas diversas denúncias às quais juntam-se as seguintes: ...” (Denúncias e reivindicações da população de Repartimento e adjacências, atingida pelo projeto do reservatório da usina hidrelétrica de Tucuruí - documento II, 1982). Outro documento de denúncias, datado de junho de 1982, assinado pela Comissão dos Atingidos pela Eletronorte, se inicia retomando os títulos, as datas e os termos de documentos anteriores de 1980 e 1981. A reconstituição de momentos e contextos anteriores das lutas permite, assim, compor dramas de formatos narrativos graças aos quais se pode costurar o fio das histórias e dar provas de capacidade de mostrar e demonstrar a legitimidade das causas.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>No mito grego da invenção da escrita pelos deuses, o deus Theuth jactou-se de que a escrita seria um recurso salvador para a memória e o saber. O rei Thamus o contestou, alegando que a escrita poderia, ao contrário, levar a que os homens se descuidassem da memória, pois eles poderiam passar a confiar excessivamente nos textos escritos, ao invés de gravar as recordações vivas em suas próprias almas (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Jaeger, 1957</xref>, p. 996). Se os documentos escritos aqui discutidos fizeram parte, no passado, das lutas então em curso, eles perduraram ao longo do tempo, como parte das disputas em torno da representação daquelas lutas e, ao mesmo tempo, como meio de discussão e ativação de recordações vivas a seu respeito.</p>
			<p>Os arquivos de impressos produzidos pelo movimento de atingidos pela barragem de Tucuruí exprimem o conjunto de ações voltadas para a manutenção e ordenação de acervos documentais, na perspectiva de se tornar perene tudo o que possa vir a testemunhar graficamente as experiências dos grupos sociais afetados pelo barramento do rio Tocantins. Nesses acervos encontra-se registrado o conhecimento que o movimento de atingidos, as entidades de assessoria e indivíduos acionaram ao longo do conflito, tornando esse conhecimento acessível sob a forma de um repositório do passado que se quer expressivo da natureza daquelas experiências (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Cunha, 2004</xref>). Se os atos de escrita reunidos nesses acervos foram atos políticos por definição, também o foram, por certo, as inciativas de reunião e preservação desses documentos ao longo do tempo, como parte das disputas em torno da representação daquelas lutas.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B32">Wolf (2016</xref>) assinala como a relativa falta de familiaridade do escritor popular com o universo da escrita tem por corolário certo primado do coração e do corpo. A presença do corpo sensível se afirma, de fato, no ato de escrita, por meio do <italic>script</italic> popular que descreve a instabilização de seu ambiente material e cultural.</p>
			<verse-group>
				<verse-line><italic>O companheiro, porque / estás tão triste</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Mas o que foi / que te aconteceu</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>A malária chegou / lá em casa</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>E minha cabeça / quase enlouqueceu</italic></verse-line>
				<attrib>(“O Companheiro/Jardineira”, Folha de canto avulsa. Encontro de lavradores, 1985, s. l.)</attrib>
			</verse-group>
			<p>Além disso, a falta de intimidade com a escrita em nada impede a politização do discurso dos atingidos:</p>
			<verse-group>
				<verse-line><italic>Estou fazendo estes versos / porque eu sempre gostei</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>De falar nas injustiças / em lugar que não tem lei</italic></verse-line>
				<verse-line><italic>Mas não posso me desculpar / porque eu nunca estudei</italic></verse-line>
				<attrib>(Helena, “História de um Povo”, Acampamento de Atingidos de Tucuruí, Paróquia Luterana, 1987)</attrib>
			</verse-group>
			<p>Aristóteles estabelecia uma oposição entre a voz animal - que permite assinalar o prazer e a dor - e a voz do <italic>logos</italic> humano, que permite manifestar e pôr em discussão o justo e o injusto (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rancière, 2017</xref>, p. 169). Conforme sustenta Rancière, os injustiçados que tomam a palavra evocam as dramaturgias da política, dado que nela os seres tidos por mudos tomam a palavra. E a tomam não somente para dizer seu sofrimento, mas para afirmar sua capacidade de falar - e de falar sobre justiça. Para fazer ouvir a justeza de suas reivindicações, devem, primeiramente, fazer ouvir sua voz. O dissenso político assume, assim, a forma de uma palavra coletivamente tomada por aqueles que pretendem dar provas de que falam (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Rancière, 2017</xref>, p. 170). A forma impressa dos manifestos, cartas, boletins e cordéis dos atingidos pela barragem de Tucuruí exprime não só a tomada da palavra, mas, mais especificamente, a tomada da palavra escrita. Ante a violência que, para eles, representa o barramento do Tocantins e a expropriação da base ecossistêmica de suas existências, pretendem dar prova material e duradoura de sua capacidade de falar e escrever seu sentimento de injustiça.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>FONTES PRIMÁRIAS y REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ATA da reunião entre a Eletronorte, Engevix e Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região Tocantina, Cametá, 29 mar. 1987.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>ATA da reunião entre a Eletronorte, Engevix e Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região Tocantina</source>
					<publisher-loc>Cametá</publisher-loc>
					<day>29</day>
					<month>03</month>
					<year>1987</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>ATA da reunião realizada entre a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - Eletronorte e a Comissão Representativa dos Colonos Expropriados da Área de Influência do Reservatório da UHE-Tucuruí, 11 out. 1984.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>ATA da reunião realizada entre a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - Eletronorte e a Comissão Representativa dos Colonos Expropriados da Área de Influência do Reservatório da UHE</source>
					<publisher-loc>Tucuruí</publisher-loc>
					<day>11</day>
					<month>10</month>
					<year>1984</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>NAZARÉ, Maria. Entrevista. In: CRUZ NETO, Raimundo Gomes da. <italic>Expropriados contra Eletronorte</italic>. Marabá: Cepasp, 13 nov. 1984.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>NAZARÉ</surname>
							<given-names>Maria</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Entrevista</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CRUZ</surname>
							<given-names>Raimundo Gomes da</given-names>
							<suffix>NETO</suffix>
						</name>
					</person-group>
					<source>Expropriados contra Eletronorte</source>
					<publisher-loc>Marabá</publisher-loc>
					<publisher-name>Cepasp</publisher-name>
					<day>13</day>
					<month>11</month>
					<year>1984</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>PRELAZIA de Cametá do Tocantins. <italic>A comunidade canta</italic>. Cametá, [s. d.].</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>PRELAZIA de Cametá do Tocantins</collab>
					</person-group>
					<source>A comunidade canta</source>
					<publisher-loc>Cametá</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>SILVA, Aida da. [Ex-assessora dos atingidos pela barragem de Tucuruí]. Entrevista concedida a Henri Acselrad em Belém, 24 abr. 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Aida da</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Ex-assessora dos atingidos pela barragem de Tucuruí</source>
					<comment>Entrevista concedida a Henri Acselrad</comment>
					<publisher-loc>Belém</publisher-loc>
					<day>24</day>
					<month>04</month>
					<year>2018</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>SILVA, Aida Maria F. da. Movimentos sociais na microrregião da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, 1983.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Aida Maria F. da</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Movimentos sociais na microrregião da Usina Hidrelétrica de Tucuruí</source>
					<year>1983</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>ARTIÈRES, Philippe; RODAK, Pawet. Écriture et soulèvement: Résistances graphiques pendant l’état de guerre en Pologne (13 décembre 1981-13 décembre 1985). <italic>Genèses</italic>, n. 70, p. 120-139, 2008.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ARTIÈRES</surname>
							<given-names>Philippe</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>RODAK</surname>
							<given-names>Pawet</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Écriture et soulèvement: Résistances graphiques pendant l’état de guerre en Pologne (13 décembre 1981-13 décembre 1985)</article-title>
					<source>Genèses</source>
					<issue>70</issue>
					<fpage>120</fpage>
					<lpage>139</lpage>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>BOLTANSKI, Luc. <italic>El Amor y La justicia como competencias</italic>: tres ensayos de sociologia de la acción. Buenos Aires: Amorrotu, 2000.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOLTANSKI</surname>
							<given-names>Luc</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>El Amor y La justicia como competencias</italic>: tres ensayos de sociologia de la acción</source>
					<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
					<publisher-name>Amorrotu</publisher-name>
					<year>2000</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<mixed-citation>CEFAI, Daniel. <italic>Pourquoi se mobilise-t-on?</italic> Les théories de l’action collective. Paris: La Découverte - MAUSS, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CEFAI</surname>
							<given-names>Daniel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Pourquoi se mobilise-t-on?</italic> Les théories de l’action collective</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>La Découverte - MAUSS</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<mixed-citation>COMERFORD, John Cunha. <italic>Fazendo a luta</italic>: sociabilidade, falas e rituais na construção de organizações camponesas. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COMERFORD</surname>
							<given-names>John Cunha</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Fazendo a luta</italic>: sociabilidade, falas e rituais na construção de organizações camponesas</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Relume Dumará</publisher-name>
					<year>1999</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<mixed-citation>COTON, Christel; PROTEAU, Laurence. Introduction: La Division sociale du travail d’écriture. In: COTON, Christel; PROTEAU, Laurence. <italic>Les Paradoxes de l’écriture</italic>. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2012.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COTON</surname>
							<given-names>Christel</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PROTEAU</surname>
							<given-names>Laurence</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Introduction: La Division sociale du travail d’écriture</chapter-title>
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COTON</surname>
							<given-names>Christel</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PROTEAU</surname>
							<given-names>Laurence</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Les Paradoxes de l’écriture</source>
					<publisher-loc>Rennes</publisher-loc>
					<publisher-name>Presses Universitaires de Rennes</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<mixed-citation>CUNHA, Olívia Maria G. Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo. <italic>Mana</italic>, v. 10, n. 2, out. 2004. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 20 jun. 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CUNHA</surname>
							<given-names>Olívia Maria G.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo</article-title>
					<source>Mana</source>
					<volume>10</volume>
					<issue>2</issue>
					<month>10</month>
					<year>2004</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2018-06-20">Acesso em: 20 jun. 2018</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<mixed-citation>DAVIS, Natalie Z. <italic>Les cultures du peuple</italic>: rituels, savoirs et résistances au 16e. siècle. Paris: Aubier Montaigne, 1979.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DAVIS</surname>
							<given-names>Natalie Z.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Les cultures du peuple</italic>: rituels, savoirs et résistances au 16e. siècle</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Aubier Montaigne</publisher-name>
					<year>1979</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<mixed-citation>DEAUVIEAU, Jérôme; TERRAIL, Jean-Pierre. <italic>Les Sociologues: L’école et la transmission des savoirs</italic>. Paris: La Dispute, 2007.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DEAUVIEAU</surname>
							<given-names>Jérôme</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>TERRAIL</surname>
							<given-names>Jean-Pierre</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Les Sociologues: L’école et la transmission des savoirs</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>La Dispute</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<mixed-citation>DUPUY, Jean-Pierre. Temps du projet et temps de l’histoire. In: BOYER, Robert; CHAVANCE, Bernard; GODARD, Olivier (org.). <italic>Les figures de l’irreversibilité en économie</italic>. Paris: Ed. de l’École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1991. p. 97-136.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DUPUY</surname>
							<given-names>Jean-Pierre</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Temps du projet et temps de l’histoire</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>BOYER</surname>
							<given-names>Robert</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>CHAVANCE</surname>
							<given-names>Bernard</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GODARD</surname>
							<given-names>Olivier</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Les figures de l’irreversibilité en économie</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Ed. de l’École des Hautes Études en Sciences Sociales</publisher-name>
					<year>1991</year>
					<fpage>97</fpage>
					<lpage>136</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<mixed-citation>ELETRONORTE. <italic>Usina Hidrelétrica Tucuruí</italic>: memória técnica. Brasília: Diretoria Técnica, Departamento de Projetos, 1989.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>ELETRONORTE</collab>
					</person-group>
					<source><italic>Usina Hidrelétrica Tucuruí</italic>: memória técnica</source>
					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
					<publisher-name>Diretoria Técnica, Departamento de Projetos</publisher-name>
					<year>1989</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<mixed-citation>FAURE, Marie France. Littératie: statut et fonctions de l’écrit. <italic>Le français aujourd’hui</italic>, Paris: Armand Colin, v. 3, n. 174, 2011.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FAURE</surname>
							<given-names>Marie France</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Littératie: statut et fonctions de l’écrit</article-title>
					<source>Le français aujourd’hui</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Armand Colin</publisher-name>
					<volume>3</volume>
					<issue>174</issue>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<mixed-citation>FELSTINER, William L. F.; ABEL, Richard L.; SARAT, Austin. The Emergence and Transformation of Disputes: Naming, Blaming, Claiming. <italic>Law &amp; Society Review</italic>, [s. l.], v. 15, n. 3/4, p. 631-654, 1980.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FELSTINER</surname>
							<given-names>William L. F.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ABEL</surname>
							<given-names>Richard L.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>SARAT</surname>
							<given-names>Austin</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>The Emergence and Transformation of Disputes: Naming, Blaming, Claiming</article-title>
					<source>Law &amp; Society Review</source>
					<volume>15</volume>
					<issue>3/4</issue>
					<fpage>631</fpage>
					<lpage>654</lpage>
					<year>1980</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<mixed-citation>FRAENKEL, Beatrice. Actes écrits, actes oraux: la performativité à l’épreuve de l’écriture. <italic>Études de Communication</italic>, [s. l.], n. 29, p. 69-93, 1 déc. 2006. OpenEdition. http://dx.doi.org/10.4000/edc.369.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FRAENKEL</surname>
							<given-names>Beatrice</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Actes écrits, actes oraux: la performativité à l’épreuve de l’écriture</article-title>
					<source>Études de Communication</source>
					<issue>29</issue>
					<fpage>69</fpage>
					<lpage>93</lpage>
					<day>01</day>
					<month>12</month>
					<year>2006</year>
					<comment>OpenEdition</comment>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.4000/edc.369</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<mixed-citation>FRAENKEL, Beatrice. Actes d’écriture: quand écrire c’est faire. <italic>Langage Et Société</italic>, [s. l.], v. 121-122, n. 3, p. 101-112, 2007. CAIRN. http://dx.doi.org/10.3917/ls.121.0101.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FRAENKEL</surname>
							<given-names>Beatrice</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Actes d’écriture: quand écrire c’est faire</article-title>
					<source>Langage Et Société</source>
					<volume>121-122</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>101</fpage>
					<lpage>112</lpage>
					<year>2007</year>
					<comment>CAIRN</comment>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.3917/ls.121.0101</pub-id>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<mixed-citation>FRAENKEL, Beatrice. When writing is doing. In: BARTON, David; PAPEN, Uta (org.). <italic>The Anthropology of Writing</italic>: Understanding Textual Mediated Worlds. New York: Continuum, 2010.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FRAENKEL</surname>
							<given-names>Beatrice</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>When writing is doing</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>BARTON</surname>
							<given-names>David</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>PAPEN</surname>
							<given-names>Uta</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>The Anthropology of Writing</italic>: Understanding Textual Mediated Worlds</source>
					<publisher-loc>New York</publisher-loc>
					<publisher-name>Continuum</publisher-name>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<mixed-citation>JAEGER, Werner. <italic>Paideia, los ideales de la cultura griega</italic>. Mexico: Fondo de Cultura Económica, 1957.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>JAEGER</surname>
							<given-names>Werner</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Paideia, los ideales de la cultura griega</source>
					<publisher-loc>Mexico</publisher-loc>
					<publisher-name>Fondo de Cultura Económica</publisher-name>
					<year>1957</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<mixed-citation>LEONEL, Mauro. <italic>A morte social dos rios</italic>. São Paulo: Perspectiva, 1998.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LEONEL</surname>
							<given-names>Mauro</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>A morte social dos rios</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Perspectiva</publisher-name>
					<year>1998</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<mixed-citation>LOCATELLI, Carlos. <italic>Comunicação e barragens</italic>: o poder da comunicação das organizações e da mídia na implantação de hidrelétricas. Florianópolis: Insular, 2014.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>LOCATELLI</surname>
							<given-names>Carlos</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Comunicação e barragens</italic>: o poder da comunicação das organizações e da mídia na implantação de hidrelétricas</source>
					<publisher-loc>Florianópolis</publisher-loc>
					<publisher-name>Insular</publisher-name>
					<year>2014</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<mixed-citation>MAGALHÃES, Sonia Barbosa. Exemplo Tucuruí: uma política de relocação em contexto. In: SANTOS, Leinad A. O.; ANDRADE, Lúcia M. M. de (org.). <italic>As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas</italic>. São Paulo: Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1988. p. 111-120.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MAGALHÃES</surname>
							<given-names>Sonia Barbosa</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Exemplo Tucuruí: uma política de relocação em contexto</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>SANTOS</surname>
							<given-names>Leinad A. O.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>ANDRADE</surname>
							<given-names>Lúcia M. M. de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Comissão Pró-Índio de São Paulo</publisher-name>
					<year>1988</year>
					<fpage>111</fpage>
					<lpage>120</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<mixed-citation>MAGALHÃES, Sonia Barbosa. Tempo e trajetórias: reflexões sobre representações camponesas. In: HÉBETTE, Jean; MAGALHÃES, Sonia Barbosa; MANESCHY, Maria Cristina (org.). <italic>No mar, nos rios e na fronteira</italic>: faces do campesinato no Pará. Belém: Edufpa, 2002. p. 235-274.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>MAGALHÃES</surname>
							<given-names>Sonia Barbosa</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Tempo e trajetórias: reflexões sobre representações camponesas</chapter-title>
					<person-group person-group-type="compiler">
						<name>
							<surname>HÉBETTE</surname>
							<given-names>Jean</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MAGALHÃES</surname>
							<given-names>Sonia Barbosa</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>MANESCHY</surname>
							<given-names>Maria Cristina</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>No mar, nos rios e na fronteira</italic>: faces do campesinato no Pará</source>
					<publisher-loc>Belém</publisher-loc>
					<publisher-name>Edufpa</publisher-name>
					<year>2002</year>
					<fpage>235</fpage>
					<lpage>274</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<mixed-citation>RANCIÈRE, Jacques. <italic>Les Bords de la fiction</italic>. Paris: Seuil, 2017.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>RANCIÈRE</surname>
							<given-names>Jacques</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Les Bords de la fiction</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Seuil</publisher-name>
					<year>2017</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<mixed-citation>REINACH, Adolf. <italic>Les Fondements a priori du Droit Civil</italic>. Paris: Vrin, 1989.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>REINACH</surname>
							<given-names>Adolf</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Les Fondements a priori du Droit Civil</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Vrin</publisher-name>
					<year>1989</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<mixed-citation>SILVA, Maria das Graças. <italic>Planejamento territorial, deslocamento compulsório e conflito sócio-ambiental</italic>: mosquitos e pistolagem na Barragem de Tucuruí - PA. 1997. Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional) - Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro, 1997.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Maria das Graças</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source><italic>Planejamento territorial, deslocamento compulsório e conflito sócio-ambiental</italic>: mosquitos e pistolagem na Barragem de Tucuruí - PA</source>
					<year>1997</year>
					<comment content-type="degree">Mestrado em Planejamento Urbano e Regional</comment>
					<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro</publisher-name>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B30">
				<mixed-citation>SILVA, Adriane dos Prazeres. Trabalhadores rurais do Baixo Tocantins, organização e parcerias com a Igreja progressista da Prelazia de Cametá (1979-1991). In: ENCONTRO ESTADUAL DA ANPUH-AP, 1., 2014, Macapá. <italic>Anais eletrônicos</italic>... Macapá: Anpuh, 2014. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492">https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 7 mar. 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="confproc">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVA</surname>
							<given-names>Adriane dos Prazeres</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Trabalhadores rurais do Baixo Tocantins, organização e parcerias com a Igreja progressista da Prelazia de Cametá (1979-1991)</source>
					<conf-name>ENCONTRO ESTADUAL DA ANPUH-AP, 1</conf-name>
					<conf-date>2014</conf-date>
					<conf-loc>Macapá</conf-loc>
					<comment>Anais eletrônicos</comment>
					<publisher-loc>Macapá</publisher-loc>
					<publisher-name>Anpuh</publisher-name>
					<year>2014</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492">https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2018-03-07">Acesso em: 7 mar. 2018</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B31">
				<mixed-citation>TILLY, Charles. <italic>La France conteste de 1600 à nos jours</italic>. Paris: Fayard, 1986.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>TILLY</surname>
							<given-names>Charles</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>La France conteste de 1600 à nos jours</source>
					<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
					<publisher-name>Fayard</publisher-name>
					<year>1986</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B32">
				<mixed-citation>WOLF, Nelly. Le peuple en toutes lettres. <italic>Exercices de rhétorique</italic>, [s. l.], UGA Ed., v. 7, 2016. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://journals.openedition.org/rhetorique/465">http://journals.openedition.org/rhetorique/465</ext-link>
					</comment>. Acesso em: 7 mar. 2018.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WOLF</surname>
							<given-names>Nelly</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Le peuple en toutes lettres</article-title>
					<source>Exercices de rhétorique</source>
					<publisher-name>UGA Ed</publisher-name>
					<volume>7</volume>
					<year>2016</year>
					<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://journals.openedition.org/rhetorique/465">http://journals.openedition.org/rhetorique/465</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2018-03-07">Acesso em: 7 mar. 2018</date-in-citation>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<title>NOTAS</title>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>“A comunidade canta” é uma publicação mimeografada da Prelazia de Cametá do Tocantins, provavelmente de meados dos anos 1980, tratando em sua grande parte de temas religiosos, mas também da condição camponesa e das lutas por terras na região do Baixo Tocantins.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>“Além de não ter um plano de reassentamento, feito pela Eletronorte, as famílias foram jogadas na mata, sem infraestrutura de estradas e, condições de serem trafegadas em posto médico e escola. Tendo que enfrentar a malária e outros sérios problemas” (Documento de denúncias e reivindicações dos expropriados assentados na Gleba Parakanã”, Tucuruí, 17 out. 1984).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>O <italic>corpus</italic> de impressos que foi objeto da presente análise reúne o material produzido por distintas entidades do movimento de atingidos pela construção da usina. Tais documentos foram coletados nos acervos de entidades de assessoria de movimentos sociais como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp), de organizações não governamentais como a CPI-SP e o Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi) - cujo acervo foi em seguida incorporado ao do Instituto Socioambiental (ISA) - assim como nos arquivos de diferentes pesquisadores que desenvolveram trabalhos acadêmicos sobre o tema. Esse material compreende 168 diferentes impressos, publicados entre 1979 e 1990, perfazendo um total de cerca de 800 páginas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Segundo uma ex-assessora do movimento de atingidos, “é verdade que tinha um número muito alto de pessoas analfabetas que não conseguia ler nada, mas naquela ocasião ninguém tinha outra forma de se comunicar com essa população. Porque não tinha rádio comunitária - tinha uma rádio em Tucuruí que era do prefeito ligado à Eletronorte. Então não tinha veículo que permitisse falar com os atingidos que não fosse um papel escrito. O que se orientava é que cada pessoa que soubesse ler, lia para as outras e explicava. E isso funcionou e acabou dando certo. A gente nunca teve problema por conta de chegar o impresso na mão das pessoas e a pessoa não ler. As pessoas liam e o documento cumpria sua função de mobilizar e informar” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">SILVA, 2018</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Citando documentos do setor elétrico sobre energia na Amazônia, Sonia Magalhães já havia ressaltado “o desconhecimento que precedeu e acompanhou a construção da UHE-Tucuruí expresso nas pré-noções que informaram os procedimentos adotados em relação à população camponesa, notadamente o pressuposto de vazio social e histórico, associado à ideia de ‘mata virgem’ que deveria ser ‘domada’” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">MAGALHÃES, 1988</xref>, p. 113).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Com relação à população ribeirinha amazônica, destaca Mauro Leonel (<xref ref-type="bibr" rid="B23">LEONEL, 1998</xref>, p. 28) que “poucos são os ribeirinhos que se dedicam exclusivamente à pesca. [...] a maioria pratica a agricultura e o extrativismo, combinados com os períodos de baixa captura”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Em entrevista concedida em Belém, em agosto de 2017, Raul do Couto, ex-técnico da Comissão Pastoral da Terra da Prelazia de Cametá, havia destacado: “Houve uma coisa interessante para o povo de Tucuruí: um padre da prelazia de Cametá esteve no Nordeste num evento sobre barragens no Brasil. Creio que em 1979 ou 1980. A prelazia de Cametá tentava se envolver; principalmente a paróquia de Tucuruí. Então, na ida desse padre ao encontro de barragem, ele fez o pronunciamento dele, contando o que estava acontecendo em Tucuruí. Uma assessora de uma das federações de trabalhadores de Alagoas ou de Pernambuco disse então: ‘vou tirar as férias e vou até lá com vocês’. Foi assim que começou o movimento dos atingidos da barragem do Tucuruí”.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>A memória dos assessores registra que “tinha-se um volume bastante significativo de materiais que vinha da população, como músicas e cordéis. Muitas vezes ajudamos a imprimir e distribuir, pois ajudavam no processo de animar a luta, de informar melhor, não deixar que uma negociação que não atingiu o objetivo fosse desmobilizadora da população. Isso ajudava a manter o ânimo sempre em cima. Tinha esse papel de animador” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">SILVA, 2018</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Em sua pesquisa sobre os procedimentos organizativos de associações e sindicatos de trabalhadores rurais, John Comerford observa, no estado de Minas Gerais, rituais análogos aos aqui descritos, mostrando que as ações e mediações promovidas pelos distintos atores envolvidos nos movimentos reúne assessorias - advogados e agentes pastorais -, dirigentes sindicais e lideranças camponesas, todos esses agentes envolvendo-se no trabalho intelectual de formulação das demandas, inclusive em sua formulação sob a forma escrita (<xref ref-type="bibr" rid="B10">COMERFORD, 1999</xref>, p. 16): “Há etapas das reuniões priorizadas pelos membros da coordenação para anotações escritas” e “as discussões feitas nos trabalhos em grupo também são anotadas” (p. 57); “Ao longo das reuniões, membros da coordenação se encarregam de anotar resultados das discussões, e essas anotações (que podem ser feitas no papel, em cartolina ou em um quadro negro) podem ser usadas em outras etapas da mesma reunião e/ou dar origem a um relatório” (p. 52).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>Jean-Pierre Dupuy sustenta que embora os agentes promotores do grande projeto ajam guiados por um fim preestabelecido, “esse fim não será jamais a conclusão efetiva do processo sem fim que toda ação desencadeia na rede das relações humanas” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">DUPUY, 1991</xref>, p. 99). É, a esse propósito, conhecido o modo como os conflitos associados a grandes projetos se prolongam no tempo histórico, num fluxo de fenômenos que vai muito além do momento da conclusão das obras. No caso da UHE-Tucuruí, cujos estudos de inventário e viabilidade foram iniciados em 1972, tendo a inauguração da obra ocorrido em 1984, ainda em 2016 um acordo judicial foi fechado para pagamento de indenizações a 2.343 famílias expropriadas pela Eletronorte para construção da usina (Expropriados da Eletronorte vão receber R$12 milhões de indenização”. <italic>Ver-o-Fato</italic>, Tucuruí, domingo, 14 ago. 2016, disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ver-o-fato.com.br/2016/08/expropriados-da-eletronorte-vao-receber.html">http://www.ver-o-fato.com.br/2016/08/expropriados-da-eletronorte-vao-receber.html</ext-link>. Acesso em: 11 jan. 2018).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="supported-by" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Pesquisador do CNPq.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<!--<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossier: Rivers and Societies</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>The Role of Writing in the Construction of Public Causes: An Analysis of the Documents Produced by Groups of People Affected by the Tucuruí Hydroelectric Dam, Pará State</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-5774-5220</contrib-id>
					<name>
						<surname>Acselrad</surname>
						<given-names>Henri</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">*</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
				<aff id="aff2">
					<institution content-type="original">*Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPPUR), Rio de Janeiro, RJ, Brazil. hacsel@uol.com.br</institution>
				</aff>
			</contrib-group>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The present text discusses the processes involved in the production of printed artefacts by different associations that formed during the conflict between people affected by the Tucuruí Hydroelectric Dam and Eletronorte, the state company responsible for the dam’s construction and operation. Based on a collection of printed documents produced by the movement of people affected by the dam, the article analyses the writing situations, writing acts and the social uses of writing, as well as the role of these documents in conveying denunciations of situations perceived as unjust by the affected people.</p>
			</abstract>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>writing acts</kwd>
				<kwd>movements of people affected by dams</kwd>
				<kwd>Tocantins River</kwd>
				<kwd>Tucuruí Hydroelectric Dam</kwd>
			</kwd-group>
		</front-stub>
		<body>
			<p>
				<fig id="f2">
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-81-93-gf2.jpg"/>
					<attrib>Source: <xref ref-type="bibr" rid="B36">PRELAZIA..., n. d.</xref>, separate document.<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>2</sup></xref>
					</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>The present text takes a set of printed materials produced by social movements as its subject matter. It aims to achieve a critical comprehension of the material, textual and graphic forms in which the experience of the construction of a large dam is manifested from the viewpoint of social groups affected by it. To this end, it describes the process of elaborating written statements and the graphic forms of conveying their contents in the denunciation of situations perceived as unjust by the people affected by the dam. Based on interviews with activists and the analysis of printed material, the article aims to describe the writing situations, acts of writing, the social uses of writing and the scenarios in which these acts became realized in the case of the movement of people affected by the Tucuruí Hydroelectric Dam.</p>
			<p>Between 1984 and 1985, the construction of the Tucuruí Dam in the south of Pará (PA) state in Brazilian Eastern Amazonia flooded 2,600 square kilometres of forest along the shores of the Tocantins River, including part of the reserve of the Parakanã indigenous people and some urban centres, compulsorily evicting around 10,000 families from their areas of residence and work. Primarily involved in extractivist activities, part of this population were transferred to new sites located along the shores of the reservoir. Brusquely thrown into agricultural work in areas where the natural landscape was unfamiliar to them, the relocated population were unable to establish themselves economically, which led to land reconcentration and deforestation. After flooding of the forest, which was not cleared in time across 90% of the area due to the military government’s haste to inaugurate the work, a process took hold involving decomposition of organic plant matter, a proliferation of aquatic macrophytes and the emanation of hydrogen sulphide gas. Various steelworking enterprises, closely associated with the Grande Carajás Program, were implanted in the region, intensifying the demand for wood to manufacture charcoal and exacerbating the disruption to the small-scale local production of food.</p>
			<p>Numerous social mobilizations erupted from 1980, demanding compensation for the compulsory evictions, in a tumultuous process of pressure and negotiation that lasted for many years, both before and after 1984, the year the floodgates were closed and the reservoir filled. This process was closely linked to the demand for measures to improve the sanitary conditions of the local populations, afflicted by a plague of mosquitos, uncontrolled and worsening since 1987. The residents of these areas found themselves under threat from the intense proliferation of insects in the area to which they were originally relocated. At the same time, they were also threatened by landgrabbers seeking to take possession of the new areas to which Eletronorte (ELN) - the state company responsible for building and operating the hydroelectric plant - had transferred, for the second time, the evicted families, away from the area affected by the plague of mosquitos (<italic>Mansonia</italic> sp.), an insect whose larvae feed parasitically on plant roots in anoxic environments (<xref ref-type="bibr" rid="B61">Silva, 1997</xref>).</p>
			<p>Six months after the closure of the dam floodgates, the rivershore populations living downstream of the dam also began complaining about changes to water quality and fish behaviour, an increase in intestinal and dermatological problems, and a fall in the productivity of the extraction of native cacao and assai palm along the river’s shores (<xref ref-type="bibr" rid="B62">Silva, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B33">Ata…, 29 March 1987</xref>).</p>
			<p>Filling of the Tucuruí reservoir took 206 days, beginning in September 1984 and concluding in March 1985. The first step of the process caused the Tocantins River held behind the dam to rise to the height of 35 metres above sea level - the so-called 35 metre quota. The conclusion of the process of filling the reservoir led its maximum depth to the 75-meter level and an average depth to 17.3 metres. The reservoir’s shores vary of time since the normal minimum operational level today is 58 metres and the normal maximum level 72 metres above sea level. The conditions of existence of thousands of rural and urban families were altered profoundly, both by the preparatory measures for filling the reservoir, and by the subsequent flooding of their traditional spaces of work, their compulsory relocation to new areas, and the effects of the change to the hydrological dynamics of the Tocantins River.<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>3</sup></xref>
			</p>
			<p>The activities of surveying and registering the population, which preceded the filling of the reservoir, triggered a multitude of microlocalized demographic movements. These relocations amounted to processes of compulsory sociocultural migration insofar as they involved the transference of rivershore populations to dry areas by the roadside, peasant farmer groups who shared the same natural resources along communal lines now being confined to plots of land rigidly delimited by the boundaries of private ownership. The affected social groups were inserted in new spatial and social trajectories: <italic>caboclos ribeirinhos</italic> (riverside <italic>caboclos</italic> - the term refers to someone of mixed indigenous and European descent) of the Tocantins were transformed into <italic>colonos</italic> (tenant farmers), while <italic>beiradeiros</italic> (shore dwellers) of islands and floodland areas were transformed into farmers of arid lands. The construction of the dam thus altered the trajectories arising from the pre-existing dislocations of peasant farmers in search of what they call ‘improvement,’ pursuing “a networks of neighbours, a network of kin, or the opening of a road, or the Brazil nut harvest, or a job on a farm, or employment with a construction firm, or, more directly, free land” (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Magalhães, 2002</xref>, pp. 265-266).</p>
			<p>In 1979 Eletronorte began to implement actions to remove populations living on the shores of the Tocantins River, alleging that the reservoir would soon be filled to generate electricity. This saw the start of the first mobilizations of residents living in areas that, according to Eletronorte, would be submerged by the Tocantins’s waters after the river was dammed. The affected groups demanded more information about the procedures to which they would be forced to comply during the dam construction and protested against the ban on continuing to cultivate permanent crops. The first pamphlets then emerged, home printed and written in the name of the peasant farmers of the Trans-Amazonian Highway, the Marabá-Altamira section between kilometres 95 and 110. These stated: “we are unhappy with how Eletronorte is treating us. We are furious and no longer accept the insecurity in which we live. Eletronorte is treating us badly and inhumanely.” (Documento “Eletronorte”, 9 January 1980).</p>
			<p>A year later, communities of <italic>vazanteiros</italic> (floodplain farmers) living on the shores of the Tocantins, in the municipality of Itupiranga, also protested against what they saw as the high-handed actions to which they had been subjected, alleging, in particular, Eletronorte’s ignorance of the practices specific to the <italic>vazante</italic> (seasonal floodplain) with the company’s consequent refusal to provide compensation for the temporary crops grown during the dry season:</p>
			<disp-quote>
				<p>It is regrettable that ELN [Eletronorte] is unaware of our situation as <italic>vazanteiros</italic> and requires permanent crops and houses, when we all know that this kind of work cannot be undertaken in the <italic>vazante</italic>, since for six months of the year the river floods and fertilizes the land and devours everything planted and built on it. Are the technicians and researchers unaware of this [natural] law that happens in the North and here on the great Tocantins? (Documento dos Vazanteiros de Itupiranga à Eletronorte, 2 November 1981)</p>
			</disp-quote>
			<p>Over the following years, countless manifestos circulated, signed by groups situated in different localities of the affected area, which added to the first printed manifestation of the peasant farmers of the Trans-Amazonian Highway, multiplying the denunciations and demands, and leading to the formation of a unified movement of expropriated people.<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>4</sup></xref>
			</p>
			<sec>
				<title>SOCIAL MOBILIZATION AND ACTS OF WRITING</title>
				<p>The printed material produced by agents involved in the constitution and dynamization of social movements is one of the vehicles through which a language common to the different actors is produced, assisting the construction of their collective identities. This material is included in a broader repertoire of collective actions (<xref ref-type="bibr" rid="B63">Tilly, 1986</xref>, p. 541), constituting a means of shaping and amplifying the rhetoric of the groups mobilized around their causes. It forms part, therefore, of a toolbox that contains interpretative schemas particularly in demand at moments of instability, in which unexpected events, like the construction of dams, undermine previous modes of life and ways of comprehending situations, requiring the invention of new ways of seeing, saying, making and thinking. These are tools that help stimulate in actors their capacities to manage the syntaxes of action and to formulate ‘maps’ that enable them to locate, identify and define the situations imposed on them (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Cefai, 2007</xref>, p. 482 and 487). The messages contained in them can thus be conveyed to the diverse intended recipients whom they aim to mobilize or from whom they seek support, as well as the public authorities to whom they seek to present and justify their demands.</p>
				<p>Each type of printed material aims to produce a particular effect, whether minutes, letters, reports, bulletins, manifestos or <italic>cordel</italic> literature. All the elements of text layout, design, pagination and typographic configuration, as well as printing resources, form part of a process that can be called a “graphic resistance” (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Artières; Rodak, 2008</xref>) through which the performative statements mediated by writing convey the meanings desired by the movement of dam-affected people. Among the latter, these printed materials ended up merging with the traditional channels of circulation of information and ideas widespread in rural areas such as the <italic>cordel</italic> (cheaply produced popular literature) and the <italic>cânticos</italic> (songs). In the case of Tucuruí, their elaboration originated in meetings, assemblies and encounters where a communicative dynamic developed in the communities concerning the impacts of the hydroelectric dam. The growing interaction within each group of affected people, as well as between different groups distributed across a large area, led to the intensification of the flows of communication that had previously been restricted to the moments of popular festivals, processions and religious cults. For representatives of the public authorities, the material signed by members of the rural popular classes represented a somewhat surprising inflection in the usual paths taken by the printed word in the region. This word, when addressed towards the popular classes, typically followed vertical trajectories, ‘top-down,’ from government authorities or businesses. In the case of dam construction in particular, we know that selective information is routinely distributed in the affected areas in a controlled form, according to the strict dictates of the communications policies adopted by electricity sector companies (<xref ref-type="bibr" rid="B56">Locatelli, 2014</xref>). Through the drafting and divulgation of printed texts, the affected peoples enter a social world mediated by the text, integrating a production of meaning composed by multiple forms of media - which, alongside oral interactions and collective public mobilizations, also count on textual manifestos emanating from different associations.</p>
				<p>Nevertheless, what we could call a ‘graphic reason’ present in the printed materials does not relate only to a technique of communication, but to an entire cognitive and sociopolitical system. Writing, furthermore, integrates a social relation founded on the unequal distribution of what <xref ref-type="bibr" rid="B43">Coton and Proteau (2012</xref>) call a ‘scriptural capital,’ that is, of types of knowledge and writing skills that tend to authorize the exercise of a specific kind of power. For this reason, the multiplication of the printed material originating from the movements of dam-affected peoples can be considered to have broken the kind of pre-existing monopoly over this type of skill held, in the affected area, by the regional media, itself controlled by local elites.</p>
				<p>From the arrival of the first agents involved in dam construction, there was, in diverse villages and settlements due to be affected by the dam, an observable growth in the production of newsletters, assembly reports, letters to Eletronorte, documents setting out denunciations and demands, explanatory statements by affected families, minutes of meetings between the company and expropriated people, campaign bulletins, reports of meetings of committees to evaluate campaigns, and records of encounters between farmers, pastoral officers and lawyers.</p>
				<p>These acts of writing, performed by a diverse range of collective subjects in the process of being formed, saw a shift from the language of relations of immediacy and proximity, inherent to the oral interactive act, to a communicative relation that can occur, via a relatively durable material support, in an out of phase form in time and space (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Faure, 2011</xref>). The artefacts resulting from these acts are thus carriers of accounts, mottoes, demands, exhortations, denunciations and protests. Certain slogans present statements and actions simultaneously by advocating a specific operation that should be undertaken, according to the movements of dam-affected people, for their benefit, by those responsible from the electricity sector and governments. Arranged on printed surfaces, these statements exhibit the graphic force of the long-term character of their inscriptions (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Fraenkel, 2007</xref>, p. 103).</p>
				<p>Acts of writing presume the enunciation of messages and the fabrication of a specific artefact validated by authentication mechanisms. As in other acts of language, the empirical approaches involved in acts of writing tend to highlight the presence of a performativity. Like oral acts and graffiti, acts of writing also present a spectacular dimension, as in the case that interests us here, stemming from the fact that they were produced in a region with low levels of literacy and by subjects who did not customarily make use of written expression, even less in the production of texts intended for presentation and circulation in a public space.<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>5</sup></xref> This exceptional act of inscription thus became a kind of “blow by writing” (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Fraenkel, 2010</xref>, p. 34), aimed at the notions of those who asserted that the hydroelectric dam was being implanted in a social and historical vacuum,<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>6</sup></xref> “in the jungle far from the great civilized centres” (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Eletronorte, 1989</xref>, p. 15). By representing the area planned for the dam as wild and uninhabited, backed by the juridical-political state of exception then prevailing in Brazil, the promoters of the construction work proved oblivious to the possibility of facing significant collective mobilizations and, perhaps more reasonably, people whose demands were documented via the written word.</p>
				<p>Printed material is undoubtedly a source of ideas and images, but also the support for a system of relations (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Davis, 1979</xref>, p. 311). In the case of rural, rivershore and fishing communities - which constitute most of the families affected by the Tucuruí dam<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>7</sup></xref> - the systematic production and circulation of printed texts resulted in the establishment of new relations between the world of written culture and the world of subjects who, predominantly linked to the oral tradition, had a more limited and circumstantial contact with writing, whether due to a lack of literacy skills, or because they only occasionally developed their use. Such relations were constituted through the production of both written documents intended to be read by the group of affected people themselves, and documents aimed at the literate public of the villages and towns of the affected region, as well as specifically to the representatives of the electricity sector and public authorities in general. These different recipients match the description of the phases currently identified in the evolution of the disputes over time (<xref ref-type="bibr" rid="B50">Felstiner; Abel; Sarat, 1980</xref>): in the first, the injury is named, identified and constituted as such - an experience perceived as a grievance shared by a determined community; in the second phase, responsibility for the injury is imputed to another actor who is directly accused; finally, the accusation is made known by other people, beyond those causing the problem, from whom reparation is demanded. The experiences perceived as a source of grievances crystallize when they strengthen to the point of becoming inscribed in forms of mobilization over time.</p>
				<p>In the case of Tucuruí, the contents and forms of the texts initially reflected the activist memory of the experiences of earlier movements. The testimonies record, in particular, the influence of the memory of those people affected by the Itaparica dam:</p>
				<disp-quote>
					<p>The content of the printed material reflected the experience of the movement of people affected by the Itaparica dam - the only reference point available back then, brought by an advisor from CONTAG [National Confederation of Agricultural Workers]; the only experience with dams concerning how to deal with a state company and negotiate with a government. It was the only reference point that the movement possessed. The campaign was developed on an emergency basis. One question initially unaddressed and that only later became an issue was the claim for land on the lake shore, which came from Itaparica. We included this [demand] in the Tucuruí campaign, but later it was seen to be inapplicable to Amazonia. For farmers in the Northeast, having a house on the lake shore means access to water. But for farmers in Amazonia, in Tucuruí, this didn’t apply. It was realized that in Tucuruí this would be unviable - the lake had a lot of rotting organic matter, breeding swarms of insects and creating an unhealthy situation - nobody managed to stay near the lake shore. Nobody had this reference point before - the reason for staying on the lake shore or not, because we had no other experience. After practical experience showed that the reality was different because of the outbreak of insects and mosquitos, which made it impossible for people to live there… (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2018</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>8</sup></xref>
					</p>
				</disp-quote>
				<p>On the transformation of a ‘case’ into a ‘cause,’ that is, the transformation of private conflicts into collective and politicized causes, Boltanski argues that</p>
				<disp-quote>
					<p>in the course of an affair, its very nature - individual or collective, singular or general - is the principal issue in the dispute in which the various protagonists are engaged. Depending on the way the affair is configured, certain actors work to ‘deflate’ it, trying to show that it is a ‘complete fabrication’ and seeking to ‘put it back into perspective,’ while others, on the contrary, go to great lengths to reveal its ‘true nature,’ to show ‘what lies behind it’ and thus to demonstrate that it concerns, ‘in fact,’ many more people than might have been first supposed, that ‘everybody’ is involved. This is what it takes to forge a collective cause. (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Boltanski, 2000</xref>, p. 25)</p>
				</disp-quote>
				<p>The Tucuruí cause involves a multitude of protagonists, people, entities, proofs and feelings. The demand of singular individuals or groups is presented as relating to a common good valid for everyone - the transformation of a case into a cause.</p>
				<disp-quote>
					<p>A very large number of letters were sent to Eletronorte directly by the population, the Bishop of Cametá and the priests, questioning what would happen - concerning the compensation processes. People wrote on an individual basis. It was an initiative undertaken by people, the Church, organizations. It wasn’t a communication representing the collective. It became a document communicating with Eletronorte when the movement began to manifest and speak as a group and a collective, rather than as each person or social segment separately. It only began to be the communication of a movement from the end of 1981 when the movement of dam-affected people was organized. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2018</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>Causes tend to be elaborated, constructed, established, proved and, however solidly established they may appear, they can also be subject to contestation (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Boltanski, 2000</xref>, pp. 25-26).</p>
				<disp-quote>
					<p>ELN [Eletronorte] always used the mainstream media - the big newspapers of Pará. IT had paid materials in the newspapers and on TV Liberal and other channels - and even with all this, it also had its own little newspaper that it used to distribute at various moments in the affected area, contradicting whatever the movement and the Prelacy had said. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2018</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>The constitution of the cause of dam-affected people and the debates associated with it show that the construction of the dam constituted a turning point in the history of the Tocantins River. It is probable that never before had so much been written about the river, including documents, reports, pamphlets and press articles. What I intend to suggest, as will be developed in the next section, is that a turning point also appeared, therefore, in the history of this writing itself involving the Tocantins River, since a new author appeared - the people affected by the dam, responsible for the documents analysed here.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>REFERENCES TO THE TOCANTINS AND THE RIVERSHORE LIFE</title>
				<p>The concerns with the threats to rivershore life had already appeared well before the dam was filled, as demonstrated by these verses from the Prelacy of Cametá songbook:</p>
				<verse-group>
					<verse-line><italic>I’m alive and I’m worried / About the projects that are planned</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>My real concern / is over the Tucuruí dam</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Poor people of the islands / I don’t know what will happen</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>I don’t know what will happen</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>When the waters flood the land / I don’t know where they’ll dwell</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Our everyday diet of little fish / Shrimps and catfish</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Our tasty little fruits / It will all soon dispel</italic></verse-line>
					<attrib>(A crise da barragem. In: <xref ref-type="bibr" rid="B36">Prelazia…, n. d.</xref>, p. 3)</attrib>
				</verse-group>
				<p>The damming of the river meant the destructuring of ways of life: “The farmworkers and fishermen of the Tocantins’s shores are fighting against the impacts of the dam, which will alter the entire life system of the rivershore population” (Raimundo Nonato de Azevedo, pres. do STR Tucuruí, Carta ao Congresso do STR, 26 August 1984), and “[the] Dam will not only have negative consequences for us, but for all the region’s people; when they close the Dam, the Tocantins River will dry up, making it impossible to travel. Making things worse, saltwater will enter our river” (Comissão dos desapropriados pela barragem, “Companheiros, vamos dar uma parada para pensar”, n. d.).</p>
				<p>A short while before the reservoir was filled, in a letter to the president of Eletronorte and the governor of Pará state, the expropriated population of Repartimento denounced the indifference of the company’s employees: “They mock our situation, saying: ‘Those who can swim won’t drown!’” (Documento dos Moradores da Vila do Repartimento, 22 February 1984).</p>
				<p>Staying close to the river shores became, then, a means of adding pressure to achieve the unmet demands and the unfulfilled promises:</p>
				<disp-quote>
					<p>The deadlines set by Eletronorte itself to pay its debt to the population of Jacundá have all run out. We announce that we are going to stay on the shores of the Tocantins, in the former Jacundá, helping each other collectively until Eletronorte meets all its obligations to Jacundá’s population. (Expropriados de Jacundá, “Manifesto ao público”, February 1984)</p>
				</disp-quote>
				<p>On the edge of the Amazonian river network, the dam and the compulsory relocations meant that the supply of water had become a problem:</p>
				<disp-quote>
					<p>The expropriated people with the right to relocation asked for artesian wells to avoid having to consume water from the lake and, consequently, diseases that this would provoke. (Documento de denúncias e reivindicação dos expropriados dos três municípios - Tucuruí, Jacundá e Itupiranga atingidos pela construção da barragem de Tucuruí, 14 December 1983)</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Following the relocation of families from old Repartimento to the new settlement, the need for water and electrical power has worsened, in part because the agreement has not been fulfilled, that is, water distribution trucks do not deliver daily. (V Documento de Denúncias e reivindicações dos desapropriados pelas Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A., 21 March 1984)</p>
				</disp-quote>
				<p>The company, in turn, responded that: “The company’s tendency is not to open wells since the technical information available indicates that the water quality is within acceptable limits” (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Ata, 11 October 1984</xref>).</p>
				<p>The specific situation of the <italic>vazanteiros</italic>, whose activities are closely bound to the seasonal hydrological dynamics of the Tocantins River, was, according to the documents signed in their name, ignored by the advisors and technicians from the electricity sector:</p>
				<disp-quote>
					<p>We have to make them understand that during the period of the <italic>vazante</italic> [low river], the only agricultural production is on this wet ground; you cannot work anywhere else because of the drought. Hundreds of <italic>vazanteiros</italic> work for six months in the dry season to grow enough for the entire year, stockpiling beans and maize. With the derisory compensation offered by Eletronorte, we are unable to load the belongins for <italic>terra firme</italic> at the end of the <italic>vazante</italic> season (the beginning of the <italic>enchente</italic> [high river]). With our <italic>vazante</italic> we live, but with your ridiculous compensation we are destined for the swamp. (Documento dos Vazanteiros de Itupiranga à Eletronorte, 2 November 1981)</p>
				</disp-quote>
				<p>In the area around the reservoir, after the compulsory relocation of the residents, Dona Maria Nazaré, resettled from Remansão to the Rio Moju site, related that</p>
				<disp-quote>
					<p>everything here is difficult, it’s something I’ve never adapted to, the land here isn’t good… here you can work to you drop dead and produce nothing… there’s no water; you die drawing up water from the well… there we had a lot of water, it was next to the marsh, next to the Tocantins, assai palms, a lot of fish, lots of everything. (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Nazaré, 1984</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>After the reservoir was filled, on the shores of the river situated below the dam, the riverside population asked for clarification “concerning the quality of the water, the restocking of fish, the seasonal floods” and asked for “the construction of fish ladders and sluices” (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Silva, 1983</xref>).</p>
				<p>Downstream of the dam, the problems multiplied:</p>
				<disp-quote>
					<p>With the damming of the water, the population has been sensing the change in the water, its colour and quality. It has becoming noticeably more silted. This has increased the problem of diseases, principally, diarrhoea, which cannot be combatted with homemade remedies. The fish are disappearing from the river and when they do appear, they have little durability and quickly rot. The fishermen and residents of the islands are forced to leave in search of another activity and are unable to find land to work. (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Ata…, 29 March 1987</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>The solutions presented failed to eliminate the problems. Discussing the difficulties in accessing water, at a meeting within the electricity sector, the head of Eletronorte’s Real Estate Assets Sector asserted: “We began by drilling semi-artesian wells in each lot but after each dry season the well stops providing water and has to be deepened another two, three, four or five metres, a soap opera that seems to have no ending” (Caso de Tucuruí - Eletronorte, n. d., n. l.).</p>
				<p>Another Eletronorte director added: “the populations downstream are much more problematic than those upstream. They are more numerous and a lot smarter. In the case of the Tocantins, they have been there since the seventeenth century, with very strong indigenous roots and a strong element of religiosity and involvement with nature” (Caso de Tucuruí - Eletronorte, n. d., n. l.).</p>
				<p>It was these kinds of polemics, established around the social and environmental impacts provoked by the dam, which justified the production of a considerable volume of graphic artefact by the movement of people affected by the dam. I turn now to the conditions of this production, seeking to characterize the scenes, acts and collective subjects involved in this writing.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>THE PRODUCTION OF WRITING</title>
				<p>The collective character of the formulation and fabrication of the printed material associated with the mobilizations suggests that the writing scenes can be interpreted as similar to work situations with distributed and interconnected tasks (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Fraenkel, 2007</xref>, p. 103):</p>
				<disp-quote>
					<p>The production of the printed materials was indeed a collective process of work and elaboration. Before the scheduled meeting with Eletronorte, a meeting was held of the commission of dam-affected people with the advisory team. The agenda was discussed along with the justification for each demand and the document was produced. A time was set to hold a debate, record the debate and then produce a framework document to be taken to the meeting with ELN. In the case of the other documents too - after the meeting, there was another assessment meeting and the formulation of a newsletter telling the population everything that was agreed or the issues on which no agreement had been reached, and calling on them to attend a new assembly and mobilize. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2018</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>The <italic>cordelista</italic> Goiano described this process of collective formulation of demands by the population affected by the Tucuruí dam as follows:</p>
				<verse-group>
					<verse-line><italic>After the liturgy / We sang to lift our spirits</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Aida on the blackboard / Began to copy</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>The results of the groups / for us to take down</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>After copying / all the results</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>D. José photographed / very carefully</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>And called the comrades / to present themselves</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Comrade Zelito / said the report should be read</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Whoever was highlighted / could say straight away</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>And during the reading / I saw highlights appear</italic></verse-line>
					<attrib>(Goiano, “Assembleia de Trabalhadores”, Cordel do Goiano, Anilzinho 5º, n. d., n. l.)<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>9</sup></xref>
					</attrib>
				</verse-group>
				<p>Produced by a variety of minds and hands, the printed material thus resulted from a sequence of acts of writing, composed of distinct and concomitant sources of enunciation, by different interconnected texts and acts. Based on the annotations of a meeting or a debate, a final text was produced, as Goiano’s Cordel describes:</p>
				<verse-group>
					<verse-line><italic>Comrade Dilton immediately / raised a concern</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>To produce a document / with everyone from the region</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>And send it to the entities / to learn about the issue</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>The committee was appointed / to elaborate the document</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Afterwards the discussion / could start straight away</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>And it was Manoel Maria / who began to speak</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>After Manoel Maria / made a reading</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Of the protest statement / very clearly he read</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Signed by the comrade / who was told to write it</italic></verse-line>
					<attrib>(Goiano, “Assembleia de Trabalhadores”, Cordel do Goiano, Anilzinho 5º, n. d., n. l.)<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>10</sup></xref>
					</attrib>
				</verse-group>
				<p>The printed documents thus address the intended recipients - ministers of state, governors, directors of Eletronorte, the general public or the community of affected people - in the name of subjects who take on the collective status of an identificatory social ‘we’ - farmworkers, tenant farmers, residents - that is situated spatially, such as “We, <italic>vazanteiros</italic> of Itupiranga,” “We, farmers of the Trans-Amazonian Highway” or “We, tenant farmers and residents of the areas that will be flooded by the Tucuruí reservoir.” In certain cases, reference is also made to the formal status of people with rights as “Brazilians on the electoral register” who “are making public the indifference with which Eletronorte” was treating them. Gradually, this localized self-presentation was replaced by terms designating organizational forms such as “The Commission of Expropriated…” or “The expropriated, through their representative committee,” reflecting the growing articulation between the people affected by the dam from different areas with rural workers unions, advisors and pastoral workers. The signature added to the documents has the power to transform the support on which it is inscribed. It changes the quality of the document, therefore, making it attributed to someone, possessing an author who validates it. The combined value of the addition of diverse signatures - as is the case of innumerable documents of the dam-affected people movement that mix the signatures of entities and individuals - confers particular strength and validity to the written act.</p>
				<p>The printed object is distinguished from the oral enunciation by connecting its authors through a signature that allows the signatories to emerge into the foreground. The signatures thus connect the content of the printed material to the bodies of subjects as acts that verify the statement expressed therein, attesting to its authenticity. Given the absence of the body of the subject of the statements in the spatial trajectory of circulation of the printed material, the signature has the effect of a quasi-juridical attestation of its content. The signatures of entities associated with places - like <italic>Vazanteiros</italic> of Itupiranga, Residents of Nova Jacundá, Farmworkers of the Trans-Amazonian Highway, the Repartimento and Mojú Residents Committee, for example - spatially situate the feeling of injustice in determined places of the affected region.</p>
				<p>Moreover, the written act mimics the oral act by creating a speaking object, with the difference that its enunciation is not ephemeral but lasts for as long as the material artefact on which it is written. The expressions “hereby…” or “through this document,” made explicit or implicitly presumed in the texts, aim to extend the temporal durability of the messages contained in oral acts, made in fleeting communicative contexts with speakers face-to-face with their addressees. The graphic act is revealed, therefore, as a recourse of primary importance, not only for recording as the basis for constituting a memory, but also for action:</p>
				<disp-quote>
					<p>Most of the printed material was produced with the objective of mobilizing the expropriated population. The content was discussed - both with the advisory team and with the negotiation committee. The questions and information contained in each item were then decided. The task of producing the document, the graphic element, drawings, was the responsibility of the advisory team. Many information releases were made via the small Christian Communities newspaper produced by the Prelacy of Cametá - which circulated among all the Catholic Church’s base communities, was cheap for people to subscribe to and contained themes of potential interest to the communities. This newspaper very often tackled the question of the dam both upstream and downstream of the hydroelectric plant. The assembly reports and minutes of meetings, the campaign evaluation committee, and the farmworker encounters were accounts of meetings noted not only in order to retain a record of those negotiations and processes but also to tell the population what had been happening, what was agreed and what had not obtained agreement - the steps of the campaign. Making these records was a regular work activity. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2018</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>The performative character of the printed material containing denunciations and demands is manifested, on one hand, at the time of reading for the purposes of approval by the collective that sustains it, when the cohesion of the subjects present is constituted; on the other hand, the performance is also realized at the moment of handing these documents over to their intended recipients, the authorities from whom these collectives seek to obtain information, explanations and actions that meet their demands. These writing acts - understood as “social acts of language” (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Reinach, 1989</xref>, p. 60) - are characterized by being necessarily, at the end of the process of mobilization and discussion, exteriorized in the form of demands addressed to recipients with the power to meet them. Since they do not result from written acts in the private sphere, it suffices for these social acts of language - as is the case of collective demands - to be exteriorized in some way in order for “something to change in the world” (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Fraenkel, 2006</xref>, p. 10). It is necessary to consider that the place where the printed material circulates, as well as the conditions of action of the intended recipients of the discourse it contains, are transformed in the process (<xref ref-type="bibr" rid="B52">Fraenkel, 2007</xref>, p. 106) and that the performative force of the printed materials derives from the very dispersal of the written material:</p>
				<disp-quote>
					<p>The process of circulation of the printed material was made by people directly hand to hand - body to body. Communication did not make use of the postal service. Points existed where people knew they would receive documents and clarifications. The parishes in the localities served as a point of support, afterwards the unions joined the parishes. Afterwards some people linked to the movement - certain people who had fixed points - someone who worked for the Church but had a small store. Things were left there. Belém, who was a PMDB councillor at the time, was on the committee and also distributed this material. Juarez and Bete had a drug store. And the Committee itself took and delivered the material, either walking in the streets or going to the house of people who lived in the villages, like Manelito who was a union delegate - because many members of the committee lived in rural plots along the Trans-Amazonian Highway. The target public for these publications were people affected by the dam, but they were also sent to international bodies like Cebemo, a Dutch organization providing financial support to the project, O Ceres, the Catholic Church in Rio, Fase, CPT, CNBB, afterwards the Comissão Pró-Índio [Pro-Indian Commission], CONTAG, federal deputy Ademir Andrade, federal deputy Fabio Feldmann - the institutions and people who supported the movement. Although the area was extensive, the material reached everyone. It reached them because it was carried by people linked to the movement, who, wherever they went, encountered someone affected by the dam, handed them the material and explained the current situation. (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2018</xref>)</p>
				</disp-quote>
				<p>The visible signs, imprinted on the written support, thus make up the act of demand, which will be consummated when delivered by hand to those deemed authorized to receive it. In this regard, the frequent absence of any concrete response on the part of the recipients of these demands - as demonstrated by the reiteration of the pleas addressed to the directors of Eletronorte and the public authorities - undoubtedly indicates that these documents are taken to convey their enunciations for a considerable period of time, generating variable effects and reactions depending on the distinct conjunctures.<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>11</sup></xref> The force contained in the printed artefact is associated, therefore, with the fact that it can last the time needed for it to be received and formally recognized by its intended recipients. Far from being limited to an isolated instant in time, the present moment of these acts of writing presumes a restoration of past events and situations, looking towards the future that its authors hope to achieve:</p>
				<disp-quote>
					<p>Once again we have to make public the indifference with which Eletronorte has been treating us. Everything has been ignored as usual. From 9.1.1980 to the present, nothing has happened to our benefit. Things always become worse. Just one thing did happen: our revolt increased with each day that passes.</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>(Denúncia e reivindicação da população dos vazanteiros de Itupiranga, Tauiri e moradores da localidade da Rainha e Morajuba Direita, atingidos pelo projeto da Usina Hidrelétrica de Tucuruí - Reservatório. Documento III, jun. 1982)</p>
				</disp-quote>
				<p>As the act of writing is characterized by the absence of non-verbal signs of the kind normally present as a complement to oral language, and cannot be supplemented by other expressive means - with the exception, certainly, in the present case, of the <italic>cordéis</italic> and the <italic>cânticos</italic> - the writers of the manifestos face the challenge of making written language the support for all the signifying elements. Hence, the eventual recipients and their capacity to locate themselves in the evoked universe are undoubtedly taken into account, seeking to clarify, as a consequence, what needs to be said in appropriate fashion. For this reason, the cognitive activities required for writing demand a strong contextualization, a series of referential calculations capable of reasonably anticipating the future reception of the enunciations (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Faure, 2011</xref>). Given the impossibility of the supposed readers of this printed material asking for a clarification at the time of their reading, therefore, or, in the conflict-ridden case under discussion here, the fact that the promoters of the hydroelectrical project alleged a lack of sufficient information in delaying their response - the writers are forced to predict and anticipate the effects of their words, seeking to recontextualize them in order to respond in advance to potential objections and any requests for additional information (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Deauvieau; Terrail, 2007</xref>, p. 303). A document from 1984, for example, began with a history of the campaign, asserting that “the families affected by the Tucuruí dam have been losing their lands, houses, customs and traditions ever since 1975 when Eletronorte, through its contractors, began to register families in the area of the reservoir” (Histórico da Luta, Tucuruí, out. 1984). A document dated May 1982, signed by union delegacies and ‘representative commissions,’ begins by referring to “Document I, dated 12 December 1981, submitted to Eletronorte, in which diverse denunciations were made to which the following are added: …” (Denúncias e reivindicações da população de Repartimento e adjacências, atingida pelo projeto do reservatório da usina hidrelétrica de Tucuruí - documento II, 1982). Another document containing denunciations, dated June 1982 and signed by the Commission of People Affected by Eletronorte, starts by repeating the titles, dates and terms of documents issued prior to 1980 and 1981. The reconstitution of previous moments and contexts of the campaigns thus allows the composition of narrative formats that in turn enable people to trace the thread of the histories and provide proof of the capacity to show and demonstrate the legitimacy of the causes in question.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>FINAL CONSIDERATIONS</title>
				<p>In the Greek myth of the invention of writing by the gods, the god Theuth boasted that writing was a resource capable of saving memory and knowledge. King Thamus refuted the claim, alleging that writing could, on the contrary, lead to men neglect memory, since they could end up relying too much on writing texts rather than recording living memories in their own souls (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Jaeger, 1957</xref>, p. 996). While the written documents discussed here formed part, in the past, of the campaigns then in progress, they endured as elements in the disputes over the representations of the campaigns concerned and, at the same time, as a means of discussing and activating living memories of the same.</p>
				<p>The archives of printed material produced by the movement of people affected by the Tucuruí dam express the set of actions design to maintain and order document collections, aiming to render perennial everything that could testify graphically to the experiences of social groups affected by the damming of the Tocantins River. In these collections we find recorded the knowledge that the movement of dam-affected people, the advisory bodies and individuals employed during the conflict, making this knowledge accessible in the form of a repository of the past that seeks to express the nature of these experiences (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Cunha, 2004</xref>). If the acts of writing gathered in these collections are political acts by definition, so too were, undoubtedly, the initiatives of assembling and preserving these documents over time as part of the disputes surrounding the representation of these struggles.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B64">Wolf (2016</xref>) shows how the relative lack of familiarity of the popular writer with the universe of writing has as a corollary a certain primacy of the heart and body. The presence of the sensory body is affirmed, indeed, in the act of writing through the popular script that describes the destabilization of the person’s material and cultural environment.</p>
				<verse-group>
					<verse-line><italic>Comrade, why / are you so sad</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>What was / it that happened to you</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>Malaria arrived / there at home</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>And my head / almost went mad</italic></verse-line>
					<attrib>(“O Companheiro/Jardineira”, Folha de canto avulsa. Encontro de lavradores, 1985, n. l.)</attrib>
				</verse-group>
				<p>In addition, the lack of intimacy with writing was no impediment to the politicization of the discourse of the dam-affected population:</p>
				<verse-group>
					<verse-line><italic>I am writing these verses / because I always liked</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>To speak about injustices / in a lawless place</italic></verse-line>
					<verse-line><italic>But I cannot excuse myself / because I never studied</italic></verse-line>
					<attrib>(Helena, “História de um Povo”, Acampamento de Atingidos de Tucuruí, Paróquia Luterana, 1987)</attrib>
				</verse-group>
				<p>Aristotle established an opposition between the animal voice - which allows the signalling of pleasure and pain - and the voice of the human <italic>logos</italic>, which enables the just and the unjust to become manifested and discussed (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Rancière, 2017</xref>, p. 169). As Rancière argues, the wronged who speak out evoke the dramas of politics given that in the latter beings taken to be mute can be heard. And do so not only to express their suffering, but also to affirm their capacity to speak - and to speak of justice. To make the justice of their demands heard, they first have to make their voice heard. Political dissent thus assumes the form of a collective speaking out by those who seek to give proof of what they voice (<xref ref-type="bibr" rid="B59">Rancière, 2017</xref>, p. 170). The printed form of the manifestos, letters, bulletins and <italic>cordéis</italic> of the people affected by the Tucuruí dam expresses not only speaking out, but, more specifically, making the written word heard. Faced with the violence represented, for them, by the damming of the Tocantins and the expropriation of the ecosystemic base of their existences, they aim to give material and durable proof of their capacity to speak and write about their sense of injustice.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<ref-list>
				<title>SOURCES</title>
				<ref id="B33">
					<mixed-citation>ATA da reunião entre a Eletronorte, Engevix e Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região Tocantina, Cametá, 29 mar. 1987.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>ATA da reunião entre a Eletronorte, Engevix e Sindicatos de Trabalhadores Rurais da região Tocantina</source>
						<publisher-loc>Cametá</publisher-loc>
						<day>29</day>
						<month>03</month>
						<year>1987</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B34">
					<mixed-citation>ATA da reunião realizada entre a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - Eletronorte e a Comissão Representativa dos Colonos Expropriados da Área de Influência do Reservatório da UHE-Tucuruí, 11 out. 1984.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>ATA da reunião realizada entre a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. - Eletronorte e a Comissão Representativa dos Colonos Expropriados da Área de Influência do Reservatório da UHE</source>
						<publisher-loc>Tucuruí</publisher-loc>
						<day>11</day>
						<month>10</month>
						<year>1984</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B35">
					<mixed-citation>NAZARÉ, Maria. Entrevista. In: CRUZ NETO, Raimundo Gomes da. <italic>Expropriados contra Eletronorte</italic>. Marabá: Cepasp, 13 nov. 1984.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>NAZARÉ</surname>
								<given-names>Maria</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<chapter-title>Entrevista</chapter-title>
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>CRUZ</surname>
								<given-names>Raimundo Gomes da</given-names>
								<suffix>NETO</suffix>
							</name>
						</person-group>
						<source>Expropriados contra Eletronorte</source>
						<publisher-loc>Marabá</publisher-loc>
						<publisher-name>Cepasp</publisher-name>
						<day>13</day>
						<month>11</month>
						<year>1984</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B36">
					<mixed-citation>PRELAZIA de Cametá do Tocantins. <italic>A comunidade canta</italic>. Cametá, [s. d.].</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<person-group person-group-type="author">
							<collab>PRELAZIA de Cametá do Tocantins</collab>
						</person-group>
						<source>A comunidade canta</source>
						<publisher-loc>Cametá</publisher-loc>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B37">
					<mixed-citation>SILVA, Aida da. [Ex-assessora dos atingidos pela barragem de Tucuruí]. Entrevista concedida a Henri Acselrad em Belém, 24 abr. 2018.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>SILVA</surname>
								<given-names>Aida da</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Ex-assessora dos atingidos pela barragem de Tucuruí</source>
						<comment>Entrevista concedida a Henri Acselrad</comment>
						<publisher-loc>Belém</publisher-loc>
						<day>24</day>
						<month>04</month>
						<year>2018</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B38">
					<mixed-citation>SILVA, Aida Maria F. da. Movimentos sociais na microrregião da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, 1983.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>SILVA</surname>
								<given-names>Aida Maria F. da</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Movimentos sociais na microrregião da Usina Hidrelétrica de Tucuruí</source>
						<year>1983</year>
					</element-citation>
				</ref>
			</ref-list>
			<ref-list>
				<title>REFERENCES</title>
				<ref id="B39">
					<mixed-citation>ARTIÈRES, Philippe; RODAK, Pawet. Écriture et soulèvement: Résistances graphiques pendant l’état de guerre en Pologne (13 décembre 1981-13 décembre 1985). <italic>Genèses</italic>, n. 70, p. 120-139, 2008.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>ARTIÈRES</surname>
								<given-names>Philippe</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>RODAK</surname>
								<given-names>Pawet</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>Écriture et soulèvement: Résistances graphiques pendant l’état de guerre en Pologne (13 décembre 1981-13 décembre 1985)</article-title>
						<source>Genèses</source>
						<issue>70</issue>
						<fpage>120</fpage>
						<lpage>139</lpage>
						<year>2008</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B40">
					<mixed-citation>BOLTANSKI, Luc. <italic>El Amor y La justicia como competencias</italic>: tres ensayos de sociologia de la acción. Buenos Aires: Amorrotu, 2000.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>BOLTANSKI</surname>
								<given-names>Luc</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>El Amor y La justicia como competencias</italic>: tres ensayos de sociologia de la acción</source>
						<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
						<publisher-name>Amorrotu</publisher-name>
						<year>2000</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B41">
					<mixed-citation>CEFAI, Daniel. <italic>Pourquoi se mobilise-t-on?</italic> Les théories de l’action collective. Paris: La Découverte - MAUSS, 2007.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>CEFAI</surname>
								<given-names>Daniel</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>Pourquoi se mobilise-t-on?</italic> Les théories de l’action collective</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>La Découverte - MAUSS</publisher-name>
						<year>2007</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B42">
					<mixed-citation>COMERFORD, John Cunha. <italic>Fazendo a luta</italic>: sociabilidade, falas e rituais na construção de organizações camponesas. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>COMERFORD</surname>
								<given-names>John Cunha</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>Fazendo a luta</italic>: sociabilidade, falas e rituais na construção de organizações camponesas</source>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<publisher-name>Relume Dumará</publisher-name>
						<year>1999</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B43">
					<mixed-citation>COTON, Christel; PROTEAU, Laurence. Introduction: La Division sociale du travail d’écriture. In: COTON, Christel; PROTEAU, Laurence. <italic>Les Paradoxes de l’écriture</italic>. Rennes: Presses Universitaires de Rennes, 2012.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>COTON</surname>
								<given-names>Christel</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>PROTEAU</surname>
								<given-names>Laurence</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<chapter-title>Introduction: La Division sociale du travail d’écriture</chapter-title>
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>COTON</surname>
								<given-names>Christel</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>PROTEAU</surname>
								<given-names>Laurence</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Les Paradoxes de l’écriture</source>
						<publisher-loc>Rennes</publisher-loc>
						<publisher-name>Presses Universitaires de Rennes</publisher-name>
						<year>2012</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B44">
					<mixed-citation>CUNHA, Olívia Maria G. Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo. <italic>Mana</italic>, v. 10, n. 2, out. 2004. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003</ext-link>
						</comment>. Acesso em: 20 jun. 2018.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>CUNHA</surname>
								<given-names>Olívia Maria G.</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>Tempo imperfeito: uma etnografia do arquivo</article-title>
						<source>Mana</source>
						<volume>10</volume>
						<issue>2</issue>
						<month>10</month>
						<year>2004</year>
						<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-93132004000200003</ext-link>
						</comment>
						<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2018-06-20">Acesso em: 20 jun. 2018</date-in-citation>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B45">
					<mixed-citation>DAVIS, Natalie Z. <italic>Les cultures du peuple</italic>: rituels, savoirs et résistances au 16e. siècle. Paris: Aubier Montaigne, 1979.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>DAVIS</surname>
								<given-names>Natalie Z.</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>Les cultures du peuple</italic>: rituels, savoirs et résistances au 16e. siècle</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>Aubier Montaigne</publisher-name>
						<year>1979</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B46">
					<mixed-citation>DEAUVIEAU, Jérôme; TERRAIL, Jean-Pierre. <italic>Les Sociologues: L’école et la transmission des savoirs</italic>. Paris: La Dispute, 2007.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>DEAUVIEAU</surname>
								<given-names>Jérôme</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>TERRAIL</surname>
								<given-names>Jean-Pierre</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Les Sociologues: L’école et la transmission des savoirs</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>La Dispute</publisher-name>
						<year>2007</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B47">
					<mixed-citation>DUPUY, Jean-Pierre. Temps du projet et temps de l’histoire. In: BOYER, Robert; CHAVANCE, Bernard; GODARD, Olivier (org.). <italic>Les figures de l’irreversibilité en économie</italic>. Paris: Ed. de l’École des Hautes Études en Sciences Sociales, 1991. p. 97-136.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>DUPUY</surname>
								<given-names>Jean-Pierre</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<chapter-title>Temps du projet et temps de l’histoire</chapter-title>
						<person-group person-group-type="compiler">
							<name>
								<surname>BOYER</surname>
								<given-names>Robert</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>CHAVANCE</surname>
								<given-names>Bernard</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>GODARD</surname>
								<given-names>Olivier</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Les figures de l’irreversibilité en économie</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>Ed. de l’École des Hautes Études en Sciences Sociales</publisher-name>
						<year>1991</year>
						<fpage>97</fpage>
						<lpage>136</lpage>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B48">
					<mixed-citation>ELETRONORTE. <italic>Usina Hidrelétrica Tucuruí</italic>: memória técnica. Brasília: Diretoria Técnica, Departamento de Projetos, 1989.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<collab>ELETRONORTE</collab>
						</person-group>
						<source><italic>Usina Hidrelétrica Tucuruí</italic>: memória técnica</source>
						<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
						<publisher-name>Diretoria Técnica, Departamento de Projetos</publisher-name>
						<year>1989</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B49">
					<mixed-citation>FAURE, Marie France. Littératie: statut et fonctions de l’écrit. <italic>Le français aujourd’hui</italic>, Paris: Armand Colin, v. 3, n. 174, 2011.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>FAURE</surname>
								<given-names>Marie France</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>Littératie: statut et fonctions de l’écrit</article-title>
						<source>Le français aujourd’hui</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>Armand Colin</publisher-name>
						<volume>3</volume>
						<issue>174</issue>
						<year>2011</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B50">
					<mixed-citation>FELSTINER, William L. F.; ABEL, Richard L.; SARAT, Austin. The Emergence and Transformation of Disputes: Naming, Blaming, Claiming. <italic>Law &amp; Society Review</italic>, [s. l.], v. 15, n. 3/4, p. 631-654, 1980.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>FELSTINER</surname>
								<given-names>William L. F.</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>ABEL</surname>
								<given-names>Richard L.</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>SARAT</surname>
								<given-names>Austin</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>The Emergence and Transformation of Disputes: Naming, Blaming, Claiming</article-title>
						<source>Law &amp; Society Review</source>
						<volume>15</volume>
						<issue>3/4</issue>
						<fpage>631</fpage>
						<lpage>654</lpage>
						<year>1980</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B51">
					<mixed-citation>FRAENKEL, Beatrice. Actes écrits, actes oraux: la performativité à l’épreuve de l’écriture. <italic>Études de Communication</italic>, [s. l.], n. 29, p. 69-93, 1 déc. 2006. OpenEdition. http://dx.doi.org/10.4000/edc.369.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>FRAENKEL</surname>
								<given-names>Beatrice</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>Actes écrits, actes oraux: la performativité à l’épreuve de l’écriture</article-title>
						<source>Études de Communication</source>
						<issue>29</issue>
						<fpage>69</fpage>
						<lpage>93</lpage>
						<day>01</day>
						<month>12</month>
						<year>2006</year>
						<comment>OpenEdition</comment>
						<pub-id pub-id-type="doi">10.4000/edc.369</pub-id>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B52">
					<mixed-citation>FRAENKEL, Beatrice. Actes d’écriture: quand écrire c’est faire. <italic>Langage Et Société</italic>, [s. l.], v. 121-122, n. 3, p. 101-112, 2007. CAIRN. http://dx.doi.org/10.3917/ls.121.0101.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>FRAENKEL</surname>
								<given-names>Beatrice</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>Actes d’écriture: quand écrire c’est faire</article-title>
						<source>Langage Et Société</source>
						<volume>121-122</volume>
						<issue>3</issue>
						<fpage>101</fpage>
						<lpage>112</lpage>
						<year>2007</year>
						<comment>CAIRN</comment>
						<pub-id pub-id-type="doi">10.3917/ls.121.0101</pub-id>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B53">
					<mixed-citation>FRAENKEL, Beatrice. When writing is doing. In: BARTON, David; PAPEN, Uta (org.). <italic>The Anthropology of Writing</italic>: Understanding Textual Mediated Worlds. New York: Continuum, 2010.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>FRAENKEL</surname>
								<given-names>Beatrice</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<chapter-title>When writing is doing</chapter-title>
						<person-group person-group-type="compiler">
							<name>
								<surname>BARTON</surname>
								<given-names>David</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>PAPEN</surname>
								<given-names>Uta</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>The Anthropology of Writing</italic>: Understanding Textual Mediated Worlds</source>
						<publisher-loc>New York</publisher-loc>
						<publisher-name>Continuum</publisher-name>
						<year>2010</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B54">
					<mixed-citation>JAEGER, Werner. <italic>Paideia, los ideales de la cultura griega</italic>. Mexico: Fondo de Cultura Económica, 1957.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>JAEGER</surname>
								<given-names>Werner</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Paideia, los ideales de la cultura griega</source>
						<publisher-loc>Mexico</publisher-loc>
						<publisher-name>Fondo de Cultura Económica</publisher-name>
						<year>1957</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B55">
					<mixed-citation>LEONEL, Mauro. <italic>A morte social dos rios</italic>. São Paulo: Perspectiva, 1998.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>LEONEL</surname>
								<given-names>Mauro</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>A morte social dos rios</source>
						<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
						<publisher-name>Perspectiva</publisher-name>
						<year>1998</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B56">
					<mixed-citation>LOCATELLI, Carlos. <italic>Comunicação e barragens</italic>: o poder da comunicação das organizações e da mídia na implantação de hidrelétricas. Florianópolis: Insular, 2014.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>LOCATELLI</surname>
								<given-names>Carlos</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>Comunicação e barragens</italic>: o poder da comunicação das organizações e da mídia na implantação de hidrelétricas</source>
						<publisher-loc>Florianópolis</publisher-loc>
						<publisher-name>Insular</publisher-name>
						<year>2014</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B57">
					<mixed-citation>MAGALHÃES, Sonia Barbosa. Exemplo Tucuruí: uma política de relocação em contexto. In: SANTOS, Leinad A. O.; ANDRADE, Lúcia M. M. de (org.). <italic>As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas</italic>. São Paulo: Comissão Pró-Índio de São Paulo, 1988. p. 111-120.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>MAGALHÃES</surname>
								<given-names>Sonia Barbosa</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<chapter-title>Exemplo Tucuruí: uma política de relocação em contexto</chapter-title>
						<person-group person-group-type="compiler">
							<name>
								<surname>SANTOS</surname>
								<given-names>Leinad A. O.</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>ANDRADE</surname>
								<given-names>Lúcia M. M. de</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>As hidrelétricas do Xingu e os povos indígenas</source>
						<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
						<publisher-name>Comissão Pró-Índio de São Paulo</publisher-name>
						<year>1988</year>
						<fpage>111</fpage>
						<lpage>120</lpage>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B58">
					<mixed-citation>MAGALHÃES, Sonia Barbosa. Tempo e trajetórias: reflexões sobre representações camponesas. In: HÉBETTE, Jean; MAGALHÃES, Sonia Barbosa; MANESCHY, Maria Cristina (org.). <italic>No mar, nos rios e na fronteira</italic>: faces do campesinato no Pará. Belém: Edufpa, 2002. p. 235-274.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>MAGALHÃES</surname>
								<given-names>Sonia Barbosa</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<chapter-title>Tempo e trajetórias: reflexões sobre representações camponesas</chapter-title>
						<person-group person-group-type="compiler">
							<name>
								<surname>HÉBETTE</surname>
								<given-names>Jean</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>MAGALHÃES</surname>
								<given-names>Sonia Barbosa</given-names>
							</name>
							<name>
								<surname>MANESCHY</surname>
								<given-names>Maria Cristina</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>No mar, nos rios e na fronteira</italic>: faces do campesinato no Pará</source>
						<publisher-loc>Belém</publisher-loc>
						<publisher-name>Edufpa</publisher-name>
						<year>2002</year>
						<fpage>235</fpage>
						<lpage>274</lpage>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B59">
					<mixed-citation>RANCIÈRE, Jacques. <italic>Les Bords de la fiction</italic>. Paris: Seuil, 2017.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>RANCIÈRE</surname>
								<given-names>Jacques</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Les Bords de la fiction</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>Seuil</publisher-name>
						<year>2017</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B60">
					<mixed-citation>REINACH, Adolf. <italic>Les Fondements a priori du Droit Civil</italic>. Paris: Vrin, 1989.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>REINACH</surname>
								<given-names>Adolf</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Les Fondements a priori du Droit Civil</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>Vrin</publisher-name>
						<year>1989</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B61">
					<mixed-citation>SILVA, Maria das Graças. <italic>Planejamento territorial, deslocamento compulsório e conflito sócio-ambiental</italic>: mosquitos e pistolagem na Barragem de Tucuruí - PA. 1997. Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional) - Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro, 1997.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="thesis">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>SILVA</surname>
								<given-names>Maria das Graças</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source><italic>Planejamento territorial, deslocamento compulsório e conflito sócio-ambiental</italic>: mosquitos e pistolagem na Barragem de Tucuruí - PA</source>
						<year>1997</year>
						<comment content-type="degree">Mestrado em Planejamento Urbano e Regional</comment>
						<publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro</publisher-name>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B62">
					<mixed-citation>SILVA, Adriane dos Prazeres. Trabalhadores rurais do Baixo Tocantins, organização e parcerias com a Igreja progressista da Prelazia de Cametá (1979-1991). In: ENCONTRO ESTADUAL DA ANPUH-AP, 1., 2014, Macapá. <italic>Anais eletrônicos</italic>... Macapá: Anpuh, 2014. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492">https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492</ext-link>
						</comment>. Acesso em: 7 mar. 2018.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="confproc">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>SILVA</surname>
								<given-names>Adriane dos Prazeres</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>Trabalhadores rurais do Baixo Tocantins, organização e parcerias com a Igreja progressista da Prelazia de Cametá (1979-1991)</source>
						<conf-name>ENCONTRO ESTADUAL DA ANPUH-AP, 1</conf-name>
						<conf-date>2014</conf-date>
						<conf-loc>Macapá</conf-loc>
						<comment>Anais eletrônicos</comment>
						<publisher-loc>Macapá</publisher-loc>
						<publisher-name>Anpuh</publisher-name>
						<year>2014</year>
						<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492">https://www.ap.anpuh.org/download/download?ID_DOWNLOAD=1492</ext-link>
						</comment>
						<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2018-03-07">Acesso em: 7 mar. 2018</date-in-citation>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B63">
					<mixed-citation>TILLY, Charles. <italic>La France conteste de 1600 à nos jours</italic>. Paris: Fayard, 1986.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>TILLY</surname>
								<given-names>Charles</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<source>La France conteste de 1600 à nos jours</source>
						<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
						<publisher-name>Fayard</publisher-name>
						<year>1986</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B64">
					<mixed-citation>WOLF, Nelly. Le peuple en toutes lettres. <italic>Exercices de rhétorique</italic>, [s. l.], UGA Ed., v. 7, 2016. Disponível em: <comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://journals.openedition.org/rhetorique/465">http://journals.openedition.org/rhetorique/465</ext-link>
						</comment>. Acesso em: 7 mar. 2018.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="journal">
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>WOLF</surname>
								<given-names>Nelly</given-names>
							</name>
						</person-group>
						<article-title>Le peuple en toutes lettres</article-title>
						<source>Exercices de rhétorique</source>
						<publisher-name>UGA Ed</publisher-name>
						<volume>7</volume>
						<year>2016</year>
						<comment>Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://journals.openedition.org/rhetorique/465">http://journals.openedition.org/rhetorique/465</ext-link>
						</comment>
						<date-in-citation content-type="access-date" iso-8601-date="2018-03-07">Acesso em: 7 mar. 2018</date-in-citation>
					</element-citation>
				</ref>
			</ref-list>
			<fn-group>
				<title>NOTES</title>
				<fn fn-type="other" id="fn13">
					<label>2</label>
					<p>“The community sings” is a mimeographed publication of the Prelacy of Cametá of Tocantins, probably published in the mid 1980’s. It mainly deals with religious themes but also addresses the peasant condition and the struggle for land in the region of the Lower Tocantins river. SONG OF THE TOCANTINS RIVER <italic>Looking at the Tocantins River, where many live in hope / today there is nothing left, only the memory / of what the Tocantins River was in all its beauty. / Today it has become a lake, leaving only sadness. / Various towns changed forever and never will return. / We can take as an example the town of Jacundá. / Various rocks and calm waters that drew admiration. / Only a memory remains in each heart. With the beautiful calm backwaters, / with the birds singing, / the canaries with their tasks live and fish in that quiet place, / the beautiful flowers on its shore, and the beautiful beaches for us to bathe. / All of that has gone / since everything has been transformed. / Nothing is left in Jacundá.Tocantins River, nature has vanished, / the biggest wealth that God left man to enjoy./ Tocantins River, what we wanted has gone, / we don’t need this energy / that you produce to export.</italic></p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn14">
					<label>3</label>
					<p>“As well as Eletronorte’s failure to make any resettlement plan, the families were thrown into the forest, without an infrastructure of roads or conditions for traveling to medical centres or schools. Forced to confront malaria and other serious problems” (“Documento de denúncias e reivindicações dos expropriados assentados na Gleba Parakanã” [Document of denunciations and demands of the expropriated population settled in the Parakanã Gleba], Tucuruí, 17 October 1984).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn15">
					<label>4</label>
					<p>The corpus of printed artefacts studied for the present analysis included the material produced by various entities from the movement of people affected by the construction of the hydroelectric plant. These documents were stored in the collections of social movement advisory bodies such as the Comissão Pastoral da Terra (CPT) and the Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (Cepasp), non-governmental organizations like CPI-SP and the Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi) - whose collection was subsequently incorporated into the archives of the Instituto Socioambiental (ISA) - as well as in the archives of the different researchers who have produced academic works on the theme. This material added up to 168 different printed texts, published between 1979 and 1990, totalling around 800 pages.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn16">
					<label>5</label>
					<p>According to a former advisor of the movement of dam-affected people, “it is true that there were very many illiterate people unable to read anything, but at that time there was no other way of communicating with this population. Because there was no community radio - there was a radio station in Tucuruí that belonged to the mayor linked to Eletronorte. So there was no vehicle capable of speaking to the dam-affected population aside from writing on paper. The advice given was for each person who knew how to read to read and explain to the others. And this ended up working. We never had a problem with the printed material ending up in a person’s hands and nobody knowing how to read it. People read the document and it performed its function of mobilizing and informing” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SILVA, 2018</xref>).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn17">
					<label>6</label>
					<p>Citing documents from the electricity sector on energy in Amazonia, Sonia Magalhães had already emphasized “the lack of awareness that preceded and accompanied the construction of the UHE-Tucuruí expressed in the preconceived notions that informed the procedures adopted towards the rural population, notably the premise of a social and historical vacuum, associated with the idea of a ‘virgin forest’ that needed to be ‘dominated’” (<xref ref-type="bibr" rid="B57">MAGALHÃES, 1988</xref>, p. 113).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn18">
					<label>7</label>
					<p>In relation to the Amazonian rivershore population, Mauro Leonel (<xref ref-type="bibr" rid="B55">LEONEL, 1998</xref>, p. 28) emphasizes that “few river dwellers focus exclusively on fishing. […] the majority practice agriculture and extractivism, combined with the periods of small catches.”</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn19">
					<label>8</label>
					<p>In an interview granted in Belém, in August 2017, Raul do Couto, former technician of the Comissão Pastoral da Terra of the Prelacy of Cametá, stressed: “Something interesting happened for the people of Tucuruí: a priest from the Prelacy of Cametá was in the Northeast attending an event on dams in Brazil. In 1979 or 1980, I believe. The Prelacy of Cametá tried to take part, principally the parish of Tucuruí. So, on this priest’s trip to the dam encounter, he made his pronouncement, recounting what was happening in Tucuruí. An advisor from one of the federations of workers from Alagoas or Pernambuco then said: ‘I’m going to take holiday leave and travel there with you.’ That was how the movement of people affected by the Tucuruí dam began.”</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn20">
					<label>9</label>
					<p>The memoir of the advisors records that “a substantial volume of material came from the population, such as music and <italic>cordéis</italic>. Very often we helped print and distribute them since they helped animate the campaign, providing hetter information, and not allowing a negotiation that failed to achieve its objective to disillusion the population. This helped keep people’s spirits bouyed. It had this animating role” (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SILVA, 2018</xref>).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn21">
					<label>10</label>
					<p>In his research on the organizational procedures of rural workers associations and unions, John Comerford observed rituals in the state of Minas Gerais similar to those described here, showing that the actions and mediations promoted by distinct actors involved in the movements united advisors - lawyers and pastoral workers - union directors and peasant leaders, with all these agents becoming involved in the intellectual work of formulating demands, including in written form (<xref ref-type="bibr" rid="B42">COMERFORD, 1999</xref>, p. 16): “There are stages of the meetings prioritized by members of the coordination team for written annotations” and “the discussions undertaken in the group work are also annotated” (p. 57); “During the meetings, members of the coordination team assumed the task of noting the outcomes of the discussions and these annotations (which may be made on paper, cardboard or a blackboard) can be used at other stages of the same meeting and/or give rise to a report” (p. 52).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn22">
					<label>11</label>
					<p>Jean-Pierre Dupuy argues that although the actions of the agents promoting large-scale projects are geared towards a pre-established end, “this end will never be the effective conclusion of the unending process that all action unleashes within the network of human relations” (<xref ref-type="bibr" rid="B47">DUPUY, 1991</xref>, p. 99). On this point, it is well-known how conflicts associated with large-scale projects become prolonged in historical time in a flow of phenomenon that extend far beyond the moment when the works are concluded. In the case of the UHE-Tucuruí, whose survey and viability studies were begun in 1972 with construction work begun in 1984, a legal agreement was finally concluded only in 2016 for payment of compensation to 2,343 families expropriated by Eletronorte for construction of the hydroelectric plant (“Expropriados da Eletronorte vão receber R$12 milhões de indenização” [People expropriated by Eletronorte will receive R$12 million in compensation], Ver-o-Fato, Tucuruí, Sunday, 14 August 2016. Available at: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.ver-o-fato.com.br/2016/08/expropriados-da-eletronorte-vao-receber.html">http://www.ver-o-fato.com.br/2016/08/expropriados-da-eletronorte-vao-receber.html</ext-link>. Consulted on: 11 January 2018).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="supported-by" id="fn12">
					<label>1</label>
					<p>CNPq researcher.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn23">
					<p>English version: David Rodgers</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>-->
</article>