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			<journal-id journal-id-type="publisher-id">rbh</journal-id>
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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1806-9347</issn>
			<issn pub-type="ppub">0102-0188</issn>
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				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00003</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472019v39n82-02</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossiê: Fronteiras Amazônicas</subject>
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				<article-title>“Uma floresta cheia de vírus!” Ciência e desenvolvimento nas fronteiras amazônicas</article-title>
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					<trans-title>“A Forest Full of Viruses!” Science and Development in the Frontiers of the Brazilian Amazon</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-6138-2968</contrib-id>
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						<surname>Andrade</surname>
						<given-names>Rômulo de Paula</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>*</sup></xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Casa de Oswaldo Cruz (COC), Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. romulopa@hotmail.com</institution>
				<institution content-type="orgname">Fundação Oswaldo Cruz</institution>
				<institution content-type="orgdiv1">Casa de Oswaldo Cruz</institution>
				<institution content-type="orgdiv2">Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde</institution>
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					<named-content content-type="city">Rio de Janeiro</named-content>
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				<email>romulopa@hotmail.com</email>
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			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>11</day>
				<month>08</month>
				<year>2020</year>
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				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Sep-Dec</season>
				<year>2019</year>
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			<volume>39</volume>
			<issue>82</issue>
			<fpage>19</fpage>
			<lpage>42</lpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Baseado em extensa pesquisa de fontes primárias e secundárias em diferentes ins­tituições, o presente artigo tem como objetivo estabelecer um panorama das ações voltadas a ciência e saúde nos projetos direcionados à região amazônica durante a chamada Era do Desenvolvimento, nos anos 1950 e 1960. Para demonstrar a associação pretendida entre as ações governamentais e a ciência, o artigo traz à luz pesquisadores e agências que lá estiveram no período, com destaque para o Laboratório de Vírus de Belém, instituição que fazia parte de um amplo programa global de pesquisa em virologia capitaneado pela Fundação Rockefeller.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>From an extensive database of primary and secondary sources, deposited in several institutions, this article aims to establish a panorama of the actions taken to foster science and health in the Brazilian Amazon during the so-called Age Of Development (the 1950s and 60s). Researchers and institutions present in the region during the period looking to form the intended connections between science and governmental actions is the focal point of this article. Especial emphasis is put on “Laboratório de Vírus de Belém” (Belém Virus Laboratory) which was a member of a global virology research program led by the Rockefeller Foundation.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>história da Amazônia</kwd>
				<kwd>história do desenvolvimento</kwd>
				<kwd>história da virologia</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>History of the Amazon</kwd>
				<kwd>History of development</kwd>
				<kwd>History of virology</kwd>
			</kwd-group>
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	<body>
		<p>Uma reportagem veiculada no jornal <italic>O Globo</italic>, em janeiro de 2016, informava que uma doença pouco co\nhecida estava causando falsos diagnósticos em pacientes e médicos que associavam os sintomas à dengue, comum no verão do Rio de Janeiro (<xref ref-type="bibr" rid="B1">O Globo, 7 jan. 2016</xref>). Essa doença era a febre do Oropouche, uma síndrome viral dolorosa e transmitida pelo <italic>Ceratopogonidae</italic>, também conhecido por <italic>Maruim</italic> ou mosquito-pólvora. Oficialmente, desde os anos 1960, já foram notificados mais de 500 mil casos, porém suspeita-se que os números são inferiores às reais manifestações, sobretudo por causa dessa confusão. Muitas das condições para o maruim se reproduzir não eram exclusivas à Amazônia, pois abrangiam também a Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com os especialistas entrevistados pela reportagem, tratava-se de uma arbovirose responsável por mais de 50% dos diagnósticos de dengue. Arboviroses (união das iniciais de <italic>arthropode-borne-viruses</italic>) referem-se a vírus que podem ser transmitidos ao homem por artrópodes (insetos). Esses arbovírus dão origem a doenças facilmente reconhecíveis, algumas mortais, outras brandas: encefalitites, febres leves, manifestações hemorrágicas, além de formas brandas reconhecíveis apenas em laboratórios.</p>
		<p>O vírus foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, capturado em um bicho-preguiça às margens da então recém-inaugurada estrada Belém-Brasília. A relação entre o surgimento da enfermidade e a abertura da rodovia instigou pesquisadores da época. É um pouco dessa história que vamos contar. A análise de uma febre leve, não mortal e, à primeira vista, pouco relevante, traz à tona temas fundamentais para a compreensão das relações entre saúde, política e meio ambiente na Amazônia dos anos 1960. Impactos sanitários de intervenções estatais, instituições científicas, especialidades e trabalhos de campo darão o tom deste trabalho. Inicialmente, o contexto histórico será privilegiado, a partir da articulação entre desenvolvimento e ciência para, a seguir, abordar a ascensão da virologia dos anos 1950 e da instituição local símbolo dessa articulação, o Laboratório de Vírus de Belém, criado em parceria com a Fundação Rockefeller, instituição que desde o início do século XX atuava no campo da saúde por intermédio da International Health Division. Mais que uma instituição local, o Laboratório de Vírus de Belém estava plenamente inserido nos debates internacionais sobre virologia, ligado a outros laboratórios criados a partir de parcerias semelhantes em diversos locais do mundo. Se a região amazônica era considerada “periférica” em meio ao desenvolvimentismo dos anos 1950, o laboratório configurava-se numa referência no país e no mundo nas pesquisas envolvendo a virologia.</p>
		<sec>
			<title>AMAZÔNIA, UMA REGIÃO <bold>
 <italic>SUBDESENVOLVIDA</italic>
</bold> , UMA <bold>
 <italic>FRONTEIRA</italic>
</bold> A SER EXPLORADA</title>
			<p>Durante o período democrático entre a ditadura do Estado Novo e a militar, a região amazônica foi alvo do primeiro projeto de criação de uma agência de desenvolvimento regional do país, a Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). O órgão teve origem no dispositivo constitucional de 1946, que previa que 3% do orçamento federal seria destinado para lá, durante 20 anos. Há uma historiografia sobre esse período calcada na perspectiva do fracasso da SPVEA, tributária da visão construída sobre a instituição a partir do ditadura militar e dos dirigentes da sua sucessora, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) (Batista, 1976; Cardoso; Muller, 1978). Essa é, obviamente, uma dimensão possível de análise, mas pretende-se aqui ir além. Matizar o estudo do período com base apenas no “fracasso” ou no “sucesso” nubla outras possibilidades analíticas, em especial pelas complexas engrenagens transnacionais empreendidas pela agência, bem como o trabalho de diversas instituições nacionais e acordos bilaterais do período. Como destaca o clássico artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B15">D’Araújo (1992</xref>), a SPVEA foi inspirada em experiências anteriores, como o Tennessee Valley Authority (TVA), nos Estados Unidos pós-Crise de 1929, por enquadrar a Amazônia nas mais modernas técnicas de planejamento estatal. Além de servir de inspiração, <italic>policy-makers</italic> do TVA atuaram na formação de técnicos da SPVEA. Um exemplo é John Friedmann, que ministrou cursos de gestão para a Amazônia organizados pela então recém-inaugurada Fundação Getulio Vargas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2015</xref>).</p>
			<p>Esse período se guiou, portanto, pelas regras do planejamento, cujo subproduto foi aplicado a partir da criação de outras agências regionais, como Comissão do Vale de São Francisco (1948) e, posteriormente, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (1959). Longe de constituírem um período linear, esses anos apresentaram rupturas, permanências e intensos debates sobre os rumos da SPVEA e do país. Um dos aspectos da vida política brasileira do período é o nacionalismo, considerado como uma das características mais significativas dessa conjuntura histórica, tornando-se, portanto, um de seus substratos (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Delgado, 2007</xref>, p. 362). Na segunda metade dos anos 1950, a sociedade brasileira foi ‘contaminada’ pela proposição da modernização desenvolvimentista, que tinha como uma de suas principais metas a superação definitiva do subdesenvolvimento estrutural que assolava o Brasil e era um forte impedimento ao ingresso do país na era da modernidade. Reformismo, modernização desenvolvimentista e nacionalismo eram considerados, nas palavras de Lucília Neves Delgado, “notas de uma mesma sinfonia” (Delgado, 2007, p. 362).</p>
			<p>No âmbito internacional, essa época foi chamada de a Era do Desenvol­vimento, quando a crença sobre o avanço tecnológico das instituições científicas deu origem a um discurso que se pretendia hegemônico e que criava parâmetros de ‘desenvolvimento’ e ‘subdesenvolvimento’ com base nos padrões estabelecidos pelos países ricos (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Sachs, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Escobar, 1997</xref>). Conceito pertinente aos interesses das disputas geopolíticas resultantes da Guerra Fria, a criação dos ‘subdesenvolvidos’ seria uma forma de afastar esses países da influência soviética. Além do discurso, o desenvolvimento resultou em ações que buscavam atender a uma demanda histórica para as regiões consideradas periféricas. Existiu um desafio lançado pelas potências ocidentais sobre o desenvolvimento de regiões pobres; estas, por sua vez, reconfiguraram o conceito e o apropriaram às suas necessidades (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Love, 1998</xref>). O desenvolvimento e sua contraparte, o subdesenvolvimento, estiveram em constante discussão em nível internacional e local, no curso dos anos 1950 e 1960, tendo reflexo decisivo nos debates sobre os rumos e escolhas da “recuperação econômica” da Amazônia e sobre os desenlaces desse processo (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2015</xref>).</p>
			<p>A principal obra feita no período na região foi a construção da estrada Belém-Brasília, de 1960, idealizada para compor o “cruzeiro rodoviário” do então presidente Juscelino Kubitschek, cuja propaganda política reafirmava a necessidade da obra para o “fim do isolamento” da região (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Silva, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Andrade, 2018</xref>). Junto a isso, há o imaginário da região amazônica como uma fronteira, ou seja, uma região “pronta a ser conquistada”. Como afirma Pádua (2000), a Amazônia, no século XX, foi o espectro geográfico do Brasil, com diversos projetos de governos republicanos que se utilizavam da retórica do “vazio demográfico” e do “destino histórico” da região. O segundo governo Vargas, interrompido com o dramático suicídio do presidente, redimensionou os projetos para a região a partir da centralização deles em uma superintendência específica, materializando uma questão que vinha se arrastando desde a Constituinte de 1946. </p>
			<p>Mas com Juscelino Kubitschek, a partir de 1956, ocorre uma adaptação de discursos antigos sobre a Amazônia, culminando na construção da Belém--Brasília. A estrada representa nesses escritos o próprio desenvolvimento e suas características, ao trazer para a região o fim das lendas e o início de uma era urbana, caracterizada pelo padrão industrialista ocidental. Se nos anos 1940 a Marcha para o Oeste caracterizava-se pela busca de uma “brasilidade”, na década de 1950 concentrava-se no sistema simbólico do desenvolvimentismo (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Silva, 2009</xref>). Esse contexto produzia uma espécie de Estado em movimento, que construía sua legitimidade à medida que se expandia pelo que se acreditava serem os espaços vazios do país. Maia, em seu estudo sobre a Fundação Brasil Central, aponta como marca das práticas estatais da agência o <italic>neobandeirantismo</italic>, ou seja, a forma pela qual os atores concebiam a produção do Estado naquele contexto histórico por intermédio de modos de imaginação espacial da nação, valendo-se assim de uma concepção aventureira da expansão estatal, empregando categorias como “desbravamento” e “penetração” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Maia, 2010</xref>). Do ponto de vista institucional, a ideia de uma região “vazia” e “selvagem” limitava-se à retórica, pois instituições já atuavam na região, como o Museu Paraense (este, desde o século XIX), o Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e o Instituto Evandro Chagas, onde, posteriormente, o Laboratório de Vírus foi instalado.</p>
			<p>Os 2 mil quilômetros abertos nas matas amazônicas e do cerrado tiveram grandes impactos na geografia local, com a migração de trabalhadores, construção e abandono de cidades à beira da estrada e, consequentemente, doenças. A principal reclamação dos recém-chegados à rodovia era a incidência de malária, endêmica em quase todo o seu trajeto. No mesmo ano de inauguração, o Sesp criou um posto de atendimento e pesquisa no quilômetro 92 da estrada. O Sesp fora criado em 1942, fruto do acordo entre o governo Vargas e o Office of Interamerican Affairs, com o objetivo de controle de malária nos postos de coleta de látex na região amazônica. Após a Segunda Guerra Mundial, o órgão ampliou consideravelmente sua área de atuação, além de aliar-se aos grandes projetos de desenvolvimento do período (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Campos, 2006</xref>). Leônidas Deane, pesquisador da instituição e atuante na região desde a década de 1940, realizou uma viagem à Belém-Brasília entre maio e junho de 1960. Entre as suas tarefas estava a coleta de sangue para teste de Doença de Chagas, Toxoplasmose e Leishmaniose tegumentar. O objetivo era colaborar na criação do quadro nosológico da região após a construção da estrada, tendo em vista o impacto sanitário do empreendimento. Em todas as casas visitadas pelo pesquisador os habitantes ou tinham ou já haviam tido malária. Como eram casas de barro, o método tradicional de eliminação da doença (uso intensivo do DDT) não poderia ser levado a cabo, pois o produto não se fixava nas paredes. Dessa forma, o uso da mistura entre sal e cloroquina, um composto antimalárico, foi mais recomendado para a região. Tanto a manifestação mais amena (transmitida pelo mosquito portador do <italic>plasmodium vivax</italic>), quanto a mais mortal (<italic>plasmodium falciparum</italic>) incidiam entre os trabalhadores e habitantes das cidades. </p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Posto de Saúde, Coleta e Pesquisa do Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp) no quilômetro 92 da Estrada Belém-Brasília.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf1dd.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B3">Arquivo Leônidas Deane, 1961, DAD/COC/Fiocruz</xref>
					</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>O controle por meio do sal cloroquinado em um ambiente muito aberto como a estrada era muito difícil.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> Em conversas com os moradores da região evidenciou-se que o “mercado negro” do sal comum funcionava de forma plena. Entre as rotas do “contrabando do sal” estavam o rio Tocantins, a cidade de Bragança e a própria capital, Belém. Os próprios comerciantes descarregavam os sacos com a mistura e os enchiam de sal comum, vendendo por um preço alto. Por desinformação e também por interesse comercial, dizia-se que o sal cloroquinado causava impotência sexual (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Andrade, 2018</xref>). Dessa forma, a incidência de malária era enorme, pois sem o sal, nem o DDT, o <italic>anopheles gambiae</italic> poderia transmitir livremente os plasmódios e, consequentemente, a enfermidade. Deane encontrou-se com o taxidermista Emilio Dente, de São Paulo. Protegido por uma mosquiteira, o pesquisador afirmou a Deane que matava, no mínimo, 30 aves por dia, para proceder a inventários dos animais que habitavam a região. Além de abordar as questões sanitárias, o relatório produzido por Deane é uma privilegiada fonte para compreender a região Amazônia da Era do Desenvolvimento. Por meio dele, é possível apontar as permanências e mudanças do violento processo de abertura da estrada Belém-Brasília, com ocasionais apuros por parte do pesquisador e sua equipe. No caminho até o posto do Sesp no quilômetro 92, Deane deparou com muitos homens de espingarda, que, recém-instalados nas várias cidades que surgiam, viviam da caça de diversos animais, como ratos, antas e até onças (Deane, 1960, s. p.). Além disso, o carro que o levava atolou em um grande lamaçal, e só foi possível seguir viagem após a ajuda de caminhoneiros da região. Outras desventuras mereceram destaques no relatório, como o trator que afundou no rio, quase levando à morte dois funcionários dos consórcios locais. Em cena digna de filmes de ação, Deane narrou no relatório a queda de uma árvore em chamas logo após a passagem do jipe que o levava até o quilômetro 700 da estrada. Levou estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) para realizarem trabalho de campo, os quais se espantaram com a altíssima incidência de esquistossomose em uma fazenda visitada, onde os trabalhadores tinham turno de 12 horas e, durante o período das chuvas, as doenças se espalhavam. Além disso, criticou alguns aspectos do trabalho realizado na estrada: o estado de conservação ruim, fazendo que a colheita de sangue estivesse sujeita à condenação; a morte dos barbeiros (vetores da doença de chagas e objetos de pesquisa) em razão de dedetizações exageradas e, por fim, a péssima conservação de crânios de animais, o que dificultava a identificação. Os relatórios de cientistas desse período eram inspirados no modelo da Fundação Rockefeller e de outras agências internacionais, como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em que a descrição das atividades não se restringia às práticas de laboratório ou às atividades cotidianas. Deane, em meio às viagens à rodovia, tecia declarações sobre a obra, reclamando de trechos sem asfalto, problemas com atolamento e demora nas viagens. Em trechos prontos e asfaltados da estrada, perguntava-se: “será essa a Belém-Brasília civilizada?” (Andrade, 2018).</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Hugo Laemmert (centro) realizando autópsia. </title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf2dd.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Arquivo Hugo <xref ref-type="bibr" rid="B22">Laemmert, 1958</xref>. DAD/COC/Fiocruz</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Além de realizar a coleta de sangue de mais de 150 trabalhadores dos consórcios que construíram a rodovia, o posto do Sesp também era utilizado para a pesquisa em animais silvestres, capturados em abundância após a abertura da estrada. Além disso, o Instituto Oswaldo Cruz construiu um posto de coletas 2 quilômetros adiante. Essas pesquisas, relacionadas a busca por vírus e por culturas de tripanossomíase, ficaram a cargo de Hugo Widmann Laemmert, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz, que já trabalhara anteriormente no Serviço de Febre Amarela, órgão que será abordado na próxima seção. No acampamento de pesquisa, localizado ao lado do posto de saúde, Laemmert espalhou mais de 30 armadilhas para capturar os animais silvestres. Ao longo do período de pesquisa na estrada foram capturados tamanduás, preguiças, morcegos e ratos do mato. Outro personagem que aparecerá mais adiante, Ottis Causey, pesquisador da Fundação Rockefeller, trabalhava com Laemmert desde 1954 na região amazônica, a fim de acompanhar os ciclos de desenvolvimento da febre amarela lá. A doença se mantinha endêmica na região, e, por conta disso, ocorriam diversas epidemias, que dependiam do grau de imunidade dos hospedeiros naturais e da abundância do vetor (o <italic>Aedes Aegypti</italic>), que era regida pelas duas estações do ano - de alta ou pouca precipitação pluvial. As epidemias dependiam, também, da introdução ou penetração no ambiente de pessoas não imunes (Laemmert; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Causey, 1962</xref>). Durante o período de pesquisa a febre amarela não foi encontrada na região, reaparecendo apenas nas matas durante a construção da Belém-Brasília, em 1960. Daí em diante, ocorreu uma morte em decorrência de uma epidemia da doença próximo a Belém e à estrada. Dessa forma, o proclamado “fim do isolamento” da Amazônia por meio de estradas de desenvolvimento traria consequências (Laemmert; Causey, 1962).</p>
			<p>Cientistas de outras partes do Brasil já discutiam em congressos o impacto desse processo sobre o quadro nosológico local. Um exemplo foi o <italic>Simpósio da Biota Amazônica</italic>, organizado em 1966 pela Associação de Biologia Tropical e pelo CNPq em homenagem ao centenário do Museu Paraense Emílio Goeldi. O Congresso foi dividido em diversas seções: Geociência, Antropologia, Botânica, Zoologia, Patologia e Conservação da Natureza e Recursos Naturais. Alguns debates envolvendo o impacto dos projetos de desenvolvimento na natureza e saúde locais são dignos de destaque. No volume dedicado à conservação, há um artigo resultante da palestra de Jean Dubois, então diretor do Centro de Pesquisas Florestais em Santarém (PA), fruto da colaboração da SPVEA com a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). Um dos assuntos abordados na fala foi a agricultura dos novos residentes da estrada, extremamente danosa à natureza local. Um dado relevante para a compreensão dessa fala é que, entre 1960 (antes da construção da estrada) e 1974 (período da pavimentação final) a população local cresceu de 100 mil para 2 milhões de habitantes, e o número de cidades e povoados cresceu de 10 para 120 (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Rodrigues, 1978</xref>). Dubois ressaltou em sua palestra que, diante do aumento da população e de sua fixação em locais permanentes, utilizou-se um tipo de “agricultura semipermanente”, no qual os habitantes não respeitavam o período de repouso entre os ciclos agrícolas, além de utilizarem ferramentas que ignoravam técnicas conservacionistas (Dubois, 1967).</p>
			<disp-quote>
				<p>O sistema de agricultura semipermanente irracional já arruinou muitas terras florestais: um exemplo típico é o da região bragantina. Um drama similar ameaça as margens da rodovia Belém-Brasília. Ao longo desta estrada, o autor teve a oportunidade de comparar capoeiras [mato que nasce da vegetação cortada] surgidas após um e dois ciclos agrícolas. Às proximidades de Paragominas [cidade criada após a estrada], uma faixa de 3 km de largura foi destruída pelos colonizadores. É praticamente impossível proibir a agricultura nômade no presente estado de desenvolvimento da Amazônia. Uma parte substancial das populações locais está fazendo meio de vida da mesma. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Dubois, 1967</xref>, p.130)</p>
			</disp-quote>
			<p>Outra instituição criada no período foi o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em 1954. A criação do Inpa foi um desdobramento de dois eventos: o fracasso da criação do Instituto Internacional da Hileia Amazônica, projeto do cientista Paulo Carneiro, e a criação do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq), em 1951.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> Djalma Batista, diretor da instituição entre 1959 e 1968, palestrou sobre o quadro nosológico da Amazônia, quando traçou um panorama histórico e apresentou as razões pelas quais as doenças grassavam na região. Um aspecto interessante da fala de Batista é a perspectiva ambiental que ele traz sobre as enfermidades locais. Utilizando-se do conceito de Pavlovsky de “nichos naturais de doenças”, Batista afirma que há, na Amazônia, uma relação muito estreita entre os parasitos que acometem os habitantes, seus transmissores e hospedeiros e o meio físico (Batista, 1967). Além disso, Batista relaciona a constituição geológica, climática e florestal à esquistossomose, à malária e à leishmaniose. Mesmo descrevendo de forma contundente as parasitoses locais, Batista se mostra otimista em relação ao futuro da região: “A ciência e a civilização, a serviço do desenvolvimento social e econômico, livrarão a Amazônia, mais cedo ou mais tarde do estigma de região inabitável, e aqui os homens dominarão a natureza primitiva, para se tornarem realmente senhores da terra” (Batista, 1967, p. 19).</p>
			<p>Domingos de Paula, professor de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, apresentou um trabalho sobre os vírus que acometiam a Amazônia. A comunicação versava sobre os novos vírus, em especial os arbovírus que circulavam pela região. As razões para tais descobertas estavam na penetração do homem na selva por vias de comunicação, em especial a Belém--Brasília, que estabeleciam contato entre zonas urbanas “altamente desenvolvidas” e áreas remotas, integrando o homem ao ecossistema viral (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Paola, 1967</xref>, p. 28). Em um momento de expansão da fronteira por meio de colonização desorganizada, aqueles homens temiam a morbidade desses vírus:</p>
			<disp-quote>
				<p>Passou o homem a constituir também um hospedeiro, e como corolário natural, a contrair doenças virais com o mais variável espectro da gravidade, até o momento ainda não bem conhecido pelas autoridades médicas e de saúde pública. Teoricamente, até quando pelo menos permanecer este desconhecimento, as possibilidades do homem de se inferiorizar pelas doenças virais são certamente muito grandes e imponderáveis, já que é inevitável o contato deste novo e complexo hospedeiro com os agentes virais, toda vez que se programa o progresso de áreas desfavorecidas, particularmente do trópico úmido. (Paola, 1967, p. 26)</p>
			</disp-quote>
			<p>Outro fator levado em consideração por Domingos de Paola era a integração social, econômica e política intercontinental, que favorecia a universalização dos agentes virais e suas possíveis doenças. De certa forma, é uma inversão em argumentos oriundos de governos anteriores, que responsabilizavam o isolamento pelo “atraso” da região amazônica. Desta vez, a lógica discursiva era outra: os movimentos de “integração” que seriam responsáveis pelas mazelas sanitárias locais. Até aquele ano (1966), surtos epidêmicos causados por vírus Oropouche e Mayaro davam o tom das preocupações dos cientistas que lá trabalhavam. Em Lábrea, cidade do estado do Amazonas, estavam ocorrendo surtos epidêmicos que atingiam principalmente crianças, ocasionando aumento na mortalidade infantil local. E até aquele momento o agente viral não tinha sido isolado. Tal situação demandava uma maior frente de pesquisa e organização direcionada para a pesquisa. O Laboratório de Vírus de Belém atuava nesse sentido. Na próxima seção, estabeleceremos um breve panorama sobre os debates envolvendo a saúde nos anos 1950 e 1960 e a ascensão da virologia, fatores que nos ajudam a compreender a instalação de um laboratório de vírus em uma área dita “subdesenvolvida”.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A SAÚDE NO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL E A ASCENSÃO DA VIROLOGIA NA AMAZÔNIA</title>
			<disp-quote>
				<p>No processo de desenvolvimento econômico, o homem ocupa um papel duas vezes importante: é fator de desenvolvimento e é também destinatário final dos benefícios do desenvolvimento. [...] Saúde é a crescente aptidão para a vida em termos de trabalho, eficiência e felicidade. [...] E isto só se consegue [...] como consequência das modificações gerais operadas globalmente no curso do desenvolvimento econômico. [...] Saúde e Economia são dois termos de um binômio que não pode ser destruído nem mutilado sem trágico prejuízo para o destino do homem. A sobrevivência e o progresso das áreas subdesenvolvidas dependem, em grande parte, do que [fazem] sanitaristas, nutricionistas e economistas em trabalho firmemente associado. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Costa, 1963</xref>, p. 133)</p>
			</disp-quote>
			<p>Dante Costa era diretor da Divisão de Cooperação e Divulgação do Departamento Nacional de Endemias Rurais (Dneru), docente da Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, e um dos primeiros nutrólogos a pesquisar as carências alimentares de trabalhadores da região amazônica. O trecho citado provém de um discurso em Genebra, na sessão da <italic>Conferência das Nações Unidas para a Ciência e a Tecnologia em Áreas Pouco Desenvolvidas</italic>. O médico, cuja trajetória se relacionou diretamente à ascensão da nutrição e da educação alimentar nas políticas públicas brasileiras, buscou estabelecer a relação entre a saúde e a economia, que constituíam, para Costa e para aquela geração de cientistas, dimensões indissociáveis para o processo do desenvolvimento das nações. O homem poderia e deveria ser atingido pelos planos de saúde realizados em seu favor, mas, como destinatário final dos benefícios do desenvolvimento, ele dependeria (em especial nas áreas ditas “subdesenvolvidas”) da modificação da estrutura econômica do país. Longe de afetar apenas o planejamento político e institucional, a emergência do desenvolvimento também representou inflexões nas ideias sobre as políticas de saúde da época. Do final da Segunda Guerra Mundial até meados dos anos 1950, a saúde internacional e seus especialistas estavam convencidos de que a erradicação de doenças seria uma pré-condição para o desenvolvimento das nações pobres (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Hochman, 2009</xref>). Um meio para se atingir tal objetivo seriam as campanhas organizadas verticalmente de combate às doenças vistas como possíveis de erradicação, como malária, febre amarela, varíola e bouba. A ciência e a tecnologia passariam a ser compreendidas como fundamentais para o acesso dos países pobres às nações desenvolvidas (Hochman, 2009). Assim, a saúde serviria de ferramenta no contexto da Guerra Fria, em que as ações nesse campo visavam também ao avanço das ideologias ligadas ao comunismo. A crença e a fé nas inovações científicas da época deram essa certeza aos técnicos e gestores de saúde dos anos 1950. Grande parte da população daquele período acreditava que a eficácia das novas tecnologias poderia controlar e até mesmo erradicar doenças. As discussões sobre a saúde de pessoas vivendo em áreas consideradas subdesenvolvidas do planeta se relacionaram diretamente com a preocupação econômica das nações ocidentais industriais. A erradicação de doenças, enquanto forma de mudança social e econômica, foi reflexo da fé crescente na habilidade da ciência e tecnologia ocidentais em transformar os países subdesenvolvidos. As ideias e práticas associadas à erradicação também foram um produto típico da visão do pós-guerra, uma forma de pensar sobre problemas do subdesenvolvimento e sobre como eles podem ser superados mediante intervenção tecnológica direcionada pelos países considerados desenvolvidos (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Packard, 1997</xref>). Junto a isso, a virologia como especialidade alcançava alto grau de institucionalização, tornando-se uma disciplina à parte, graças aos avanços tecnológicos do processo de isolamento dos vírus que vinham desde os fins da Primeira Guerra Mundial: a descoberta do bacteriófago (vírus que infecta apenas bactérias), em 1921, e o desenvolvimento de aparelhos que ocasionaram um <italic>boom</italic> na virologia: a ultracentrífuga, em 1926, e o microscópio eletrônico, em 1931.</p>
			<p>Dessa forma, as diferenças entre os vírus puderam ser realçadas, bem como sua estrutura. A virologia, assim, estava, após a Segunda Guerra Mundial, plenamente estabelecida, não mais como subdivisão da bacteriologia (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Wilkinson, 2001</xref>). Nos anos 1950, graças aos avanços tecnológicos, ficou mais clara a divisão entre vírus e bactéria, bem como entre os estudos de vírus humanos e animais (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Van Helvoort, 1996</xref>). Os marcos desse processo são o livro <italic>General Virology</italic> (1953), de S. E. Luria, e o periódico <italic>Virology</italic> (1955). Não à toa, esse foi o período em que a Fundação Rockefeller criou o <italic>Virus Program</italic>, importante medida que impulsionou os estudos de vírus e arbovírus em diversas regiões do mundo, a partir da criação de laboratórios resultantes de parcerias com as instituições locais. Grande parte dos profissionais que atuaram nesses laboratórios foram oriundos de um dos maiores programas levados a cabo pela divisão de saúde da Rockefeller, a International Health Division: o programa contra a Febre Amarela, que para a história das pesquisas em virologia é um marco, pois essa foi a primeira doença comprovadamente causada por um vírus, bem como a primeira comprovadamente transmitida por artrópodes (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Report..., 1955</xref>). Um desdobramento desse programa foi a descoberta de que ratos, macacos e outros animais eram possíveis hospedeiros de vírus. Dessa forma, o programa tinha o objetivo de estudar distribuição, incidência, hospedeiros e vetores de vírus e as infecções derivadas desse processo nos homens e em animais em diferentes nichos ecológicos no mundo (Report..., 1955). De acordo com Wilbur Downs, pesquisador da Rockefeller e então diretor do laboratório de vírus de Yale, existiam critérios rígidos para a criação desses laboratórios: estabilidade política da região, boa aceitação de colaboração externa por parte do país e boas características ecológicas, além de boa comunicação com os locais (Downs, 1982). Coordenados pelo laboratório central em Nova York (para onde as amostras eram direcionadas e onde os diagnósticos eram fechados), outros laboratórios foram criados nos anos 1950: Cairo (Egito) e Poona (India), em 1952; Porto de Espanha (Trinidad e Tobago), em 1953; Belém e, por fim, na África do Sul, em Johannesburgo. Na década de 1960, Cáli, na Colômbia e Ibadan, na Nigéria, também receberam laboratórios em parceria com a Rockefeller.</p>
			<p>O Laboratório de Vírus de Belém foi inaugurado em dezembro de 1954 e é possível inferir algumas razões pelas quais a localidade foi escolhida: mesmo sendo posterior ao suicídio do então presidente Getúlio Vargas, a Rockefeller, por meio da International Health Division, já tivera um histórico de colaboração durante o Estado Novo, quando Fred Soper, diretor da agência, levara a cabo uma campanha vitoriosa de combate à febre amarela no Nordeste (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Löwy, 2006</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> Além disso, a Fundação já atuava no país desde 1916, atuando no combate a ancilostomíase, malária e febre amarela e no ensino de medicina e de enfermagem (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Benchimol, 2001</xref>). O casal Ottis e Calista Causey foi designado como responsável pelo Laboratório de Vírus de Belém, criado em parceria com o Serviço Especial de Saúde Pública (Sesp), que já atuava na região. Ambos já estavam no Brasil desde os anos 1940, atuando no Serviço de Febre Amarela e no Serviço de Malária do Nordeste. Assim, tinham já experiência com o país e sua população. Em entrevista para o projeto de história oral <italic>Workers in Tro­pical Medicine</italic>, Calista Causey destacou que a Fundação havia dado pouca verba para a construção do laboratório, tendo sido necessário utilizarem instalações do Instituto Evandro Chagas, bem como suas armadilhas e outros equipamentos. Quanto aos ratos, foi necessário pedir ao escritório central da Rockefeller, no Rio de Janeiro, e a outros laboratórios, como o de Trinidad e Tobago (Causey, 1979). O primeiro relatório do Laboratório destacou a precariedade em que se encontravam, sem equipamento, gasolina para transporte e eletricidade (<xref ref-type="bibr" rid="B6">LBV Report, 1954</xref>). Ofereceu-se aos dois uma parceria com o Instituto Oswaldo Cruz, que lá estava, mas preferiram firmar a parceria institucional com o Sesp. Provavelmente fizeram essa escolha porque a agência contava com extrema autonomia financeira e de atuação, diferentemente do que ocorria com os funcionários subordinados ao Ministério da Saúde (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Campos, 2006</xref>). Esse foi o início, nas palavras de Robert Shope, sucessor dos Causey no comando do laboratório, de “uma das maiores buscas de vírus em todos os tempos” (Causey, 1979). Em alguns casos, as amostras de sangue do mesmo macaco que era recapturado sinalizavam mais de dez vírus diferentes, em muitos casos, novos para a ciência da época, o que levou Robert Shope a afirmar que a “floresta estava cheia de vírus!” (Causey, 1979). Na entrevista citada, Calista Causey contava alguns aspectos do cotidiano dos trabalhos em Belém:</p>
			<disp-quote>
				<p>Robert Shope: Então, os 8 mil dólares que a Fundação Rockefeller investiu foram bem gastos?</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Calista Causey: Logo depois conseguimos mais ajuda financeira. Na verdade, nunca tivemos muitos problemas em nos sustentar em Belém. Mas não investimos dinheiro em máquinas como os outros laboratórios estavam fazendo. Estávamos lidando com um país cujos recursos científicos eram poucos. Não acreditávamos que precisávamos comprar ultracentrífugas ou coisas do tipo, porque em primeiro lugar elas não poderiam ser mantidas ou substituídas. Utilizamos ácido sulfúrico, pois não tínhamos gelo seco [...] uma simples bomba de vácuo não era possível. Tivemos que usar refrigerador de querosene, pois não tinha eletricidade todo o tempo. A voltagem era tão baixa que não era possível sustentar a eletricidade, assim, não tínhamos luz o suficiente para iluminar o laboratório. Nosso primeiro vírus de febre amarela foi isolado à luz de velas. (Causey, 1979)</p>
			</disp-quote>
			<p>A metodologia do casal Causey era relativamente simples: consistia na captura de animais e depois na soltura em ambientes selvagens. Posteriormente, recapturavam-nos para trabalhar as amostras de sangue no laboratório. O modelo de armadilha para os insetos criado por Ottis Causey foi replicado nos outros laboratórios de vírus da Fundação (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Downs, 1982</xref>). O veredito final sobre o ineditismo ou não do vírus era dado somente após os exames no laboratório central, em Nova York. A experiência do Laboratório de Vírus de Belém é constantemente elogiada nos relatórios da Fundação e em depoimentos de funcionários. Robert Shope afirmou que a Fundação se surpreendeu com a quantidade e a importância dos vírus descobertos na região amazônica (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Shope, 1998</xref>). Identificação, inquérito sorológico e isolamento de diversos vírus foram feitos nos anos iniciais de funcionamento do laboratório, em especial durante a direção de Ottis R. Causey, doutor pela Johns Hopkins School e pesquisador da Fundação entre 1954 e 1963. Posteriormente, foi dirigido por Robert E. Shope (1963-1965) e, até o encerramento, por John P. Woodal (1965-1971). O laboratório estudou principalmente vírus transmitidos por insetos e artrópodes. A principal missão da instituição era a classificação desses entes mórbidos e suas manifestações em humanos e animais domésticos. Na busca por determinar quais vírus eram presentes e em quais regiões se manifestavam, os pesquisadores estudaram amostras de sangue de diversos animais e humanos. O laboratório estabeleceu diferentes métodos de classificação e novas formas de monitoramento dessas enfermidades. Essa informação obtida mediante trabalho de campo colaborou na compreensão da atividade dos vírus e seus ciclos vitais. Durante seu período de funcionamento, a instituição isolou mais de 2 mil cepas de arbovírus, constituindo 48 sorotipos, 18 sorogrupos e 8 vírus desagrupados (Shope, 1998). Entre as doenças detectadas estavam: Febre Amarela, Febre Mayaro, encefalite, Bussuquara, Guaroa e Oropouche, entre outras (Shope, 1998). Em meados dos anos 1960, a Fundação decidiu terminar o programa de vírus. O laboratório de Nova York foi incorporado à Yale School of Medicine em 1964, tornando-se a Yale Arbovirus Research Unit. As unidades locais foram incorporadas às instituições que já atuavam nas regiões, como o caso do Instituto Evandro Chagas, que absorveu a estrutura e o equipamento do Laboratório. Em 1961, o Instituto Oswaldo Cruz também assinou convênio com o Instituto Evandro Chagas, em razão do crescente problema das arboviroses ao longo da Belém-Brasília. Foram instalados postos de coleta ao longo de 500 quilômetros da estrada, passando por São Miguel do Guamá (Pará) e indo até Imperatriz (Maranhão), quatro postos de coleta de material, além de se realizarem estudos e assistência médica e profilática aos trabalhadores e moradores da estrada. O principal objetivo dos postos, em especial os próximos a Belém, era verificar a presença do vírus da febre amarela e do vírus encefálico, que acometia a região (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Correio da Manhã, 25 ago. 1961</xref>, p. 4).</p>
			<p>Em muitos casos, as atividades surgiam por demanda. Um exemplo foi o aparecimento, em 1958, de uma doença aguda febril acompanhada de cefaleia em vários funcionários de uma fazenda próxima ao rio Guamá. Seu proprietário procurou o Departamento Nacional de Endemias Rurais (Dneru) e solicitou providências. Por sugestão do diretor do Dneru-PA, o Laboratório de Vírus de Belém foi convidado a atuar na propriedade. Causey e sua equipe colheram sangue de camundongos e dos funcionários, conseguindo assim isolar seis amostras de vírus. As amostras foram enviadas ao laboratório da Rockefeller, em Nova York, onde se mostraram idênticas às do vírus Mayaro, que tinha sido isolado no ano anterior em Trinidad e Tobago. O vírus Oropouche foi isolado pela primeira vez em setembro de 1955, pelo Trinidad Regional Virus Laboratory, do sangue de um habitante de Vega de Oropouche. Já na Amazônia, o isolamento ocorreu em maio de 1960, pelo Laboratório de Vírus de Belém, na amostra extraída de vários mosquitos <italic>Aedes Serratus</italic> e também de um bicho-preguiça (<italic>Bradypus Tridactylus</italic>), todos capturados nas proximidades de Belém, às margens da rodovia Belém-Brasília. Após análise laboratorial e confirmação da enfermidade, começou a busca por outros doentes. Nas décadas seguintes, a doença se espalhou por outros estados da Amazônia, como Amazonas, Maranhão, Goiás e Amapá. O Oropouche foi um importante elemento legitimador para as pesquisas do Laboratório de Vírus de Belém. De acordo com Shope, surtos febris davam oportunidade de achar arboviroses em humanos e animais domésticos. A investigação do surto do Oropouche em 1961 representou, para o pesquisador, a maturidade do laboratório, pois milhares de pessoas foram atingidas e a instituição conseguiu dar uma resposta rápida, em especial porque Causey, o chefe, estava em viagem de trabalho (Shope, 1998). Com as pesquisas na região amazônica Causey e sua equipe começaram a relacionar as pessoas às transmissões de arboviroses. A estrada e seus impactos ambientais foram exemplos disso. A população nas margens da Belém-Brasília cresceu mais de 2.000% em menos de 10 anos, em virtude da colonização desorganizada levada a cabo por pioneiros oriundos de diversas partes do país (em especial da região Nordeste). Essa população ficou extremamente vulnerável às enfermidades locais, pois pessoas que vinham de outras regiões para áreas endêmicas eram, no geral, não imunes. Essas pessoas, em especial os trabalhadores, serviram de estudo para a transmissão das arboviroses e as questões clínicas desse processo. Na estrada, Causey utilizou trabalhadores febris que atuavam na construção da rodovia para comprovar as teorias de transmissão e sintomas das arboviroses.</p>
			<p>Além disso, o Laboratório participava ativamente de um intercâmbio com os outros criados pela Fundação, através da mala direta <italic>Arthropod-Borne Virus Information</italic> Exchange, onde se discutiam e compartilhavam diversas metodologias de captura de animais e técnicas de coleta, bem como debates acerca dos vírus encontrados. Ocasionalmente, os laboratórios eram requisitados por alguma instituição para enviar espécimes de animais, como a correspondência do American Museum of Natural History (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Correspondência do American Museum of Natural History para Ottis Causey, diretor do Laboratório de Vírus de Belém. </title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf3dd.jpg"/>
					<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B4">Rockefeller Archive Center, 10 jul. 1962</xref>
					</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4</label>
					<caption>
						<title>Um exemplar da mala direta <italic>Arthropod-Borne Virus Information Exchange</italic>, intercâmbio entre todos os laboratórios de vírus da Fundação Rockefeller. </title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf4dd.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Rockefeller Archive Center, 26 maio 1965</attrib>
				</fig>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>“FOI UMA VIDA MUITO EXCITANTE E INTERESSANTE”</title>
			<p>Com essas palavras, Calista Causey encerrou sua entrevista concedida a Robert Shope. Depois da experiência e do sucesso em Belém, os Causey foram designados para a abertura de um novo laboratório da Rockefeller na África. Puderam selecionar entre Gana, Libéria ou Nigéria, e ficaram um mês em cada lugar para decidir. Em Gana, Calista afirmou que o governo era influenciado por “comunistas” e influenciava a atividade científica. Na Libéria, um ditador não permitia a livre atividade dos cientistas locais. Por conta da estabilidade política, escolheram a Nigéria, mas, assim que chegaram, se defrontaram com uma greve geral em todos os setores do país, dificultando o trabalho. Mesmo assim, continuaram a isolar vírus, culminando na descoberta de uma doença que atacava os animais: a febre hemorrágica do Congo e da Crimeia. No Laboratório de Vírus as atividades continuaram nos anos seguintes, diferentemente do que ocorreu com os outros ligados ao programa da Fundação. Nas ações bilaterais, a Rockefeller atua da seguinte forma: inicialmente, as instituições funcionam com a maior parte da verba oriunda da organização para aos poucos, o país assumir a totalidade dos gastos. Logo após o fim do programa, os laboratórios na Colômbia e na Nigéria fecharam. </p>
			<p>Não foi o caso de Belém. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B31">Pinheiro (1986</xref>) foram identificados, entre 1954 e 1985, 141 tipos diferentes de arbovírus, dos quais a maior parte era completamente nova para a ciência, o que constituiria um recorde mundial. Muitos dos conceitos operacionais desenvolvidos por Causey e sua equipe foram emulados por outros laboratórios da rede Rockefeller no mundo (Pinheiro, 1986). Além disso, o <xref ref-type="bibr" rid="B5">Instituto Evandro Chagas</xref> continuou a estabelecer parcerias, como a realizada com a Wellcome Trust em 1965, que levou a Belém os pesquisadores Jeffrey Shaw e Ralph Lanson para a realização de pesquisas sobre Leishmaniose tegumentar e visceral na Amazônia, retomando uma tradição de pesquisa que vinha desde os anos 1930, com o próprio Evandro Chagas (Shaw, 2016). Além disso, a instituição continuaria a atuar nos projetos de desenvolvimento nos anos seguintes. Em razão dos surtos de Oropouche nos anos seguintes, uma grande pesquisa foi feita no período da ditadura militar pela equipe liderada por Francisco Pinheiro, que tinha trabalhado com os Causey. A pesquisa foi financiada pelo programa “Trópico Úmido”, formado em parceria pelo CNPq e pelo Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (Polamazônia). Dessa forma, a sobrevivência das pesquisas em vírus da Amazônia passou pela associação aos grandes projetos do período, como a Transamazônica, campo de estudo da pesquisa de Francisco Pinheiro.</p>
			<p>Como demonstrado no início deste artigo, a febre do Oropouche tem se manifestado atualmente em diversos surtos em estados fora da Amazônia. A enfermidade tem sido caracterizada como “doença reemergente”. De acordo com o conceito, que entende a doença de forma a analisar sua interação entre homem e meio ambiente, “doença reemergente” indica mudança no comportamento epidemiológico de doenças já conhecidas, que haviam sido controladas mas voltaram a representar ameaça à saúde humana (Paz; Bercini, 2009). Entre os fatores para o ressurgimento dessas enfermidades estão os modelos de desenvolvimento econômico determinando alterações ambientais, as migrações e a urbanização desenfreada (Paz; Bercini, 2009). <xref ref-type="bibr" rid="B30">Pignatti (2004</xref>) aponta que a febre do Oropouche é a melhor ilustração possível da interação complexa de eventos que podem resultar em uma nova doença ligada às alterações do ambiente natural. Na época do isolamento do vírus, nos anos 1960, não se sabia por que a doença havia migrado do campo para a cidade. As razões ainda não estavam claras. Com o isolamento do vírus no maruim, a resposta foi encontrada: após a derrubada da mata e da plantação de cacau, os mosquitos passaram a se reproduzir na casca do cacau e, com superpopulação, espalharam-se pelos humanos da região e das estradas amazônicas (Pignatti, 2004). Dessa forma, a doença, assim como foi utilizada para legitimar as ações do Laboratório de Vírus de Belém, também serve de exemplo para expor a complexidade da relação entre os diferentes elementos ativos.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5</label>
					<caption>
						<title>Ottis e Calista Causey em demonstração da armadilha para recaptura dos animais.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf5dd.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Rockefeller Archive Center, s. d.</attrib>
				</fig>
			</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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			<label>FONTES</label>
			<title>Periódicos</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>O Globo, Rio de Janeiro, 7 jan. 2016 - Vírus transmitido por insetos pode ser confundido com dengue.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="newspaper">
					<source>O Globo</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<day>07</day>
					<month>01</month>
					<year>2016</year>
					<article-title>Vírus transmitido por insetos pode ser confundido com dengue</article-title>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 25 ago. 1961, p. 4.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="newspaper">
					<source>Correio da Manhã</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<day>25</day>
					<month>08</month>
					<year>1961</year>
					<fpage>4</fpage>
					<lpage>4</lpage>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<ref-list>
			<title>Instituições Pesquisadas</title>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>DAD/COC - Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>DAD/COC - Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>RAC - Rockefeller Archive Center.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>RAC - Rockefeller Archive Center</source>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>IEC - Instituto Evandro Chagas.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>IEC - Instituto Evandro Chagas</source>
				</element-citation>
			</ref>
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		<ref-list>
			<title>Relatórios</title>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>Rockefeller Foundation Annual Report, 1955.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>Rockefeller Foundation Annual Report</source>
					<year>1955</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>Annual Report for 1954 of the Belém Virus Laboratory.</mixed-citation>
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					<source>Annual Report for 1954 of the Belém Virus Laboratory</source>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ANDRADE</surname>
							<given-names>Rômulo de Paula</given-names>
						</name>
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					<article-title>A poeira do progresso pede passagem: imagens de natureza e desenvolvimento na floresta amazônica</article-title>
					<source>Anais do Museu Paulista - História e Cultura Material</source>
					<publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
					<volume>26</volume>
					<elocation-id>e14</elocation-id>
					<comment>Epub</comment>
					<day>08</day>
					<month>10</month>
					<year>2018</year>
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://dx.doi.org/10.1590/1982-02672018v26e14">https://dx.doi.org/10.1590/1982-02672018v26e14</ext-link>
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					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ANDRADE</surname>
							<given-names>Rômulo de Paula</given-names>
						</name>
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					<article-title>Contribuições para um debate: a antropologia do desenvolvimento e a valorização econômica da Amazônia (1951-1955)</article-title>
					<source>Cadernos do Desenvolvimento</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<volume>10</volume>
					<issue>16</issue>
					<fpage>53</fpage>
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							<surname>ANAYA</surname>
							<given-names>Gabriel Lopes.</given-names>
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					<article-title>Um método chamado Pinotti: sal medicamentoso, malária e saúde internacional (1952-1960)</article-title>
					<source>História, Ciências, Saúde - Manguinhos</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Ed. Fiocruz</publisher-name>
					<volume>18</volume>
					<issue>2</issue>
					<month>06</month>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
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			<ref id="B38">
				<mixed-citation>VAN HELVOORT, Ton. When Did Virology Start? ASM News, v. 62, n. 3, p. 142-145, 1996.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
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							<surname>VAN HELVOORT</surname>
							<given-names>Ton</given-names>
						</name>
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					<article-title>When Did Virology Start?</article-title>
					<source>ASM News</source>
					<volume>62</volume>
					<issue>3</issue>
					<fpage>142</fpage>
					<lpage>145</lpage>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B39">
				<mixed-citation>WILKINSON, Lise. History of Virology. Encyclopedia of Life Sciences, Chichester: John Wiley &amp; Sons, 2001.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>WILKINSON</surname>
							<given-names>Lise</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>History of Virology</article-title>
					<source>Encyclopedia of Life Sciences</source>
					<publisher-loc>Chichester</publisher-loc>
					<publisher-name>John Wiley &amp; Sons</publisher-name>
					<year>2001</year>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>A mistura de sal e cloroquina foi desenvolvida por pesquisadores como Rostan Soares e Mario Pinotti. Também chamado de sal medicamentoso ou sal Pinotti, a mistura foi amplamente utilizada no país nos anos 1950 e em outros países por conta da Campanha de Erradicação da Malária (ver SILVA; HOCHMAN, 2011).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>O riquíssimo contexto internacional e nacional de criação do INPA, além dos atores políticos do período, foi bastante trabalhado pelos escritos de Rodrigo César Magalhães (em dissertação e artigo), Marcos Chor Maio e Priscila Faulhaber (ver: <xref ref-type="bibr" rid="B20">FAULHABER, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">MAIO; SÁ, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B25">MAGALHÃES; MAIO, 2007</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Existe uma boa bibliografia sobre a campanha da Fundação Rockefeller no combate à febre amarela no Brasil e no continente ao longo do século XX (<xref ref-type="bibr" rid="B10">ANAYA, 2016</xref>; BENCHIMOL, 2001; LOWY, 2006).</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<!--<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossier: Amazonian Borders</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>“A Forest Full of Viruses!” Science and Development in the Frontiers of the Brazilian Amazon</article-title>
			</title-group>
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				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-6138-2968</contrib-id>
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						<surname>Andrade</surname>
						<given-names>Rômulo de Paula</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff2">*</xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff2">
				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Casa de Oswaldo Cruz (COC), Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde (PPGHCS), Rio de Janeiro, RJ, Brasil. romulopa@hotmail.com </institution>
			</aff>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				
			</abstract>
			
		</front-stub>
		<body>
			<p>In January 2016, <italic>O Globo</italic> newspaper (O Globo, Jan. 7, 2016) published a piece of news describing a - almost unknown - disease, which was leading doctors to misdiagnosis. Patients and health professionals confused its symptoms to the ones associated with Dengue Fever, a widespread illness in Rio de Janeiro during summertime. They were actually dealing with Oropouche fever, a painful viral syndrome transmitted by the <italic>Ceratopogonidae</italic>, also known as <italic>biting midges</italic> or <italic>no-see-ums</italic>. Since the 1960s, 500,000 cases of this disease have been diagnosed and notified to authorities; nevertheless, the real number is suspected to be much higher. The inaccurate diagnosis could explain the incorrect notification due to similarities between the symptoms of Oropouche and Dengue Fever. The necessary conditions for the reproduction of the biting midges were present not only in the Brazilian Amazon but also in the west zone of Rio de Janeiro city. According to the specialists interviewed, this arboviral disease was the actual responsible for more than 50% of the cases diagnosed as Dengue fever. Arboviruses (short for <italic>arthropod-borne-viruses</italic>) are viruses that can be communicated to men by arthropods (insects). These viruses cause several diseases, some of them are mortal, and others are mild like encephalitis, mild fevers, hemorrhagic episodes, and other mild forms only cultivated in laboratories. </p>
			<p>Scientists isolated this virus for the first time in Brazil in 1960. They found it in the blood samples of a sloth captured on the margins of the newly constructed, Belém-Brasília Highway. The relationship between the construction of the highway and the emergence of Oropouche fever aroused scientists’ curiosity. Framing a mild - non-fatal at first sight - non-relevant disease brings to the surface fundamental features of the relationships established among health, politics, and natural environment in the Brazilian Amazon during the 1960s. This article investigates the sanitary impact of state actions, scientific institutions, specialized professionals, and field researches in the region. The historical context is first presented, followed by an outline of virology emergence in the 1950s. Finally, the article presents the conjecture in which the landmark institution of the cooperation agreements - Belém Virus Laboratory - was established: a partnership between local institutions and the <italic>International Health Division</italic> of the Rockefeller Foundation. The Belém Virus Laboratory was part of a global scientific network and an active member of international virology debates formed by other laboratories across the world established from similar partnerships. Although the Brazilian Amazon was considered a ‘peripheral’ region in developmentalism debates of the 1950s, its peers, locally and globally, held the Belém Lab in high esteem for its scientific work in virology.</p>
			<sec>
				<title>BRAZILIAN AMAZON: AN UNDERDEVELOPED REGION AND A FRONTIER TO BE EXPLORED</title>
				<p>During the period when the rule of law was established in Brazil, between the Estado Novo and Military dictatorial regimes, the government created the first regional development agency of the country “Superintendência de Valorização Econômica da Amazônia” (SPVEA, Superintendence of Economic Recovery Plan of the Amazon). This agency was established in 1946 by a bill stating that 3% of the Brazilian Federal Budget had to be invested in the region for the following twenty years. Many investigators follow a historiographic trend based on the failure of SPVEA, which the Military Regime and the ruling body of its successor - Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) (Superintendence for the Development of Amazon) - heavily influenced. (Batista, 1976; Cardoso; Muller, 1978). In spite of this being an interesting angle, this paper intends to broaden the investigation. Basing the analysis of the period only in ‘successes’ or ‘failures’ obliterates other relevant angles such as the insertion of the Belém Virus Laboratory in complex transnational networks, the initiatives of several other institutions, and the bilateral agreements signed during the period. D’Araújo (1992) pointed out that SPVEA was inspired by already established institutions like the Tennessee Valley Authority (TVA), founded after the 1929 Great Depression. The objective was to insert Amazon in state-of-the-art public-planning initiatives. The policy-makers of TVA not only shaped SPVEA but also trained its workforce. John Friedmann taught management of Amazon courses in the newly-established Fundação Getulio Vargas (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2015</xref>). </p>
				<p>This period was steered by state-planned development. Several other regional development agencies were established - “Comissão do Vale de São Francisco” (1948) (São Francisco River Valley Commission) and “Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste” (1959) (Superintendence for the Development of the Northeast). It is essential to highlight that many ruptures, permanence, and intense debate about the intentions of SPVEA happened during these years. Nationalism was a significant aspect of Brazilian political conjecture in the period (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Delgado, 2007</xref>, p. 362). In the second half of the 1950s, Brazilian society caught the “developmental modernization fever”. One of its main goals was to overcome Brazilian structural underdevelopment, which prevented the country from entering the modern age, Paraphrasing Lucia Delgado: reformism, developmental modernization, and nationalism were all “tarred with the same brush” (Delgado, 2007, p. 362).</p>
				<p>This time was referred to as the Development Era when the belief in technological development achieved by scientific institutions generated a discourse that established the categories of ‘development’ and ‘underdevelopment’ based on standards created by the wealthiest nations (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Sachs, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">Escobar, 1997</xref>). Naming countries as ‘underdeveloped’ served as a tool to move them away from the Soviet influence area. Development went beyond discourse; it also promoted actions aiming to solve historical problems in peripheral regions. Western powers fostered the development of poor regions that later re-signified the concept of ‘underdeveloped’ fitting it to their needs (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Love, 1998</xref>). Development and its counterpart, underdevelopment, were always being debated, locally and globally, during the 1950s and 60s. They heavily influenced the discussions over the choices and the course taken by the ‘economic recovery’ of the Brazilian Amazon and its unfolding (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Andrade, 2015</xref>).</p>
				<p>The construction of the Belém-Brasília Highway started in 1960 during the Juscelino Kubitschek administration, as part of an expansion program of the Brazilian road network. The government advertised the new link as a solution to ‘incorporate’ the region to the rest of the country (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Silva, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">Andrade, 2018</xref>). At the time, the Brazilian Amazon, in the collective imaginary, was seen as a frontier ready ‘to be braved’. Pádua (2000) states that the Brazilian Amazon, in the 20th century, was the geographical spectrum of Brazil. Several democratic governments of the time settled their policies for the region based on the rhetoric of ‘demographic emptiness’ and the ‘manifest destiny’ of the area. The second Vargas administration, tragically interrupted by the president’s suicide, resized all projects for the region, centralizing them in a dedicated superintendence. It ended discussions that were open since the 1946 constituent assembly.</p>
				<p>Nevertheless, the Juscelino Kubitschek administration, from 1956 onwards, presented an adaptation of old discourses about the Brazilian Amazon. The construction of the Belém-Brasília Highway is represented in historiography as the materialization of developmentalism. It transported to the region the Western industrial standard, establishing the milestone of the beginning of an urban era and, at the same time, ending the past dark ages. In the 1940s, the march to the West was searching for the real meaning of being Brazilian. In the 1950s, it was influenced by the symbolic system of developmentalism (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Silva, 2009</xref>). It composed a sort of moving State, which built its legitimacy as it moved towards - what was believed to be - the empty spaces of the Brazilian territory. Maia states that the Fundação Brasil Central acted like ‘neobandeirantes’ (<italic>bandeirantes</italic> were the first group of people to systematically explore the interior of the Brazilian territory in the 17th and 18th centuries). They conceived the production of the State, in that particular historical conjecture, using the geographic imaginary of the nation, thus envisioning the expansion of the state as an adventure. Terms such as ‘braving’ and ‘penetration’ were part of the discourse which described it (Maia, 2010). From an institutional standpoint, the idea of an ‘empty’ and ‘wild’ region was purely rhetorical. At the time several institutions had been working in the area like SESP (Special Public Health Service), the National Institute of Amazonian Research, Evandro Chagas Institute, and Paraense Museum. </p>
				<p>The two thousand kilometers of road built, in the heart of the Amazon and the Cerrado biomes, hugely impacted the local geography through the migration of workers, cities built and abandoned on the roadsides, and diseases. The main complaint was the existence of endemic malaria throughout the road. The Special Public Health Service (SESP) opened an ambulatory on Km 92 of the road the same year the highway was inaugurated. A partnership established between the Vargas administration and the Office of Interamerican Affairs in 1942 created SESP. This institution aimed to control malaria infections in the latex collection posts of the Brazilian Amazon. After World War II, this institution considerably broadened its activities, and also collaborated with the great development projects of the time (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Campos, 2006</xref>). Leônidas Deane, a member of the institution since 1940, visited the Belém-Brasília Highway between May and June 1960. Aiming to draw a comprehensive nosologic chart of the region, assessing the sanitary impacts of the construction of the Highway, he collected blood samples to test for Chagas Disease, Toxoplasmosis, and Tegumentary Leishmaniasis. Deane found that all inhabitants were infected or had previously suffered malaria infections. The traditional elimination method of the disease - intensive use of DDT - was not effective because the houses were made of clay, and the substance did not stick on the walls. Therefore, the use of a mix of salt and chloroquine, an antimalarial compound, was the most recommended action to be taken in the region. The milder type of malaria (transmitted by the mosquito carrying the <italic>Plasmodium vivax</italic>) and the most severe type (caused by <italic>Plasmodium falciparum</italic>) were endemic among the highway construction workers and the inhabitants of the region. </p>
				<p>
					<fig id="f6">
						<label>Figure 1</label>
						<caption>
							<title>Community health center, collection, and research post of the Special Service of Public Health on Km 92 of Belém-Brasília Highway.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf6dd.jpg"/>
						<attrib>Source: Arquivo Leônidas Deane, 1961. DAD/COC/Fiocruz</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Controlling the distribution of the chloroquine phosphate in a wild environment as the road construction site was very difficult.<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>1</sup></xref> A black market was established to sell this substance. The contraband routes would go through Tocantins river, the city of Bragança, and the Capital of Pará state - Belém. The traders would unload sacks and substitute the chloroquine for regular salt, selling it for higher prices afterwards. Out of ignorance and because of trading interests, people would pass on the information that chloroquine caused sexual impotence (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Andrade, 2018</xref>). Therefore, the incidence of malaria was very high. Without the use of DDT or the salt of chloroquine, the <italic>Anopheles Gambiae</italic> would easily communicate the plasmodium, thus transmitting the disease. Emilio Dente, from São Paulo, told Deane that protected by a mosquito net, he would kill 30 birds a day to proceed with an inventory of the endemic species in the area. Besides approaching sanitary matters, Deane’s report is a valuable source for the comprehension of the Brazilian Amazon region during the Age of Development. He registered there his impressions, distresses, the changes, and the permanence involved in the violent construction of the Belém-Brasilia Highway. Deane noticed, on the way to the community health center on Km 92, many newcomers holding shotguns. These men had recently settled in the cities founded on the trail of the road construction, lived off hunting rats, tapirs, and jaguars (Deane, 1960, n. p.). In another entry, the car taking him got stuck in a vast mire. Help from truckers was necessary to remove the vehicle from the mud and continue the trip. Other misfortunes worth of mentioning are found in the report, like the tractor that sank into the river, almost killing two workers of the highway construction. Deane also narrated the fall of a tree in flames right behind the jeep that was taking him to Km 700 of the road. He also organized a field study with students from the Medicine School of the Universidade de São Paulo (USP). They visited a farm where workers faced 12-hour shifts, and the absurd levels of schistosomiasis incidence shocked them. It was the rainy period making it easier for diseases to spread. In the report, there is criticism of the terrible state of conservation of the worksite, the killing of kissing bugs (vectors of Chagas disease and subject of research) due to excessive use of DDT, and the poor conservation of animal skulls which made harder to identify its species. At the time, the standards used by the Rockefeller Foundation and other international agencies like FAO inspired a model for the presentation of reports, in which the activities described were not restricted to quotidian and laboratory practices. Deane’s complaints about non-asphalted stretches of the road, getting stuck, and long traveling times are recurrent. On the other hand, in asphalted, well-conserved stretches, he would always ask himself: “Is this the Belém-Brasília Highway civilized?” (Andrade, 2018).</p>
				<p>The community health center not only performed blood collection from more than 150 workers but also served as a lab to investigate wild animals captured in large numbers after the conclusion of the highway construction. Oswaldo Cruz Institute collaborated, establishing a collection post two kilometers down the road. Hugo Widmann Laemmert, an Oswaldo Cruz Institute researcher who had previously worked in the yellow fever department, was in charge of investigations seeking viruses and trypanosomiasis cultures. Laemmert spread more than 30 traps to capture wild animals on the research campsite, next to the community health center. Anteaters, sloths, bats, and Brazilian colilargos were captured and analyzed during the investigation. Ottis Causey, a researcher of Rockefeller Foundation, worked with Laemmert since 1954 in the Brazilian Amazon, following up yellow fever development cycles in the region. The disease continued to be endemic, therefore, several epidemics would occur in the region. They varied in intensity depending on the host’s level of immunity, the penetration of non-immune individuals in the territory, and how abundant the disease vector (the <italic>Aedes Aegypti</italic>) was. The number of mosquitoes would change according to precipitation levels of each season (Laemmert; Causey, 1962). During the research period, yellow fever was not found in the region. Nevertheless, there were cases reported in the woods close to the construction site of the Belém-Brasília Highway in 1960. From then on, only one death was registered, near Belém do Pará and the road, during an epidemy. Hence, the so-called ‘end of isolation’ of the Brazilian Amazon, now connected with the rest of the country via roads, would bring consequences (Laemmert; Causey, 1962).</p>
				<p>
					<fig id="f7">
						<label>Figure 2</label>
						<caption>
							<title>Hugo Laemmert (center) performing an autopsy.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf7dd.jpg"/>
						<attrib>Source: Arquivo Hugo Laemmert, 1958. DAD/COC/Fiocruz</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>Scientists from other parts of the country already discussed the impact of this new link on the local nosologic chart. In 1966 CNPq (National Council for Scientific and Technological Development) and Association for Tropical Biology organized the <italic>Simpósio da Biota Amazônica</italic> (Amazon Biota Symposium) to celebrate the 100th anniversary of Museu Paraense Emílio Goeldi. The convention was divided into several panels, such as Geoscience, Anthropology, Botanic, Zoology, Pathology, Conservation of Natural Environment, and Natural Resources. Some debates about the development projects’ impact on the endemic species and local health are noteworthy. Jean Dubois - at the time, director of the Center for Forestal Research in Santarém - published an article in the volume dedicated to conservation. Thanks to the collaboration between SPVEA and the Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), it was possible to identify how the plantations established by the newcomers were extremely harmful to the local biome. Between 1960 (before the road construction) and 1974 (final paving stage), the local population grew from 100,000 to 2,000,000 inhabitants. Hence the number of cities and villages also increased from 10 to 120 in the same period (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Rodrigues, 1978</xref>). Dubois argued that because of the increase of population and its permanent settlement, inhabitants used a kind of ‘semi-permanent’ agriculture, not respecting the crop rotation period in the agricultural cycles. The use of tools ignoring conservationist techniques was also reported (Dubois, 1967).</p>
				<disp-quote>
					<p>The semi-permanent irrational crop system had already ruined many woodlands: a typical example is found in the region of Bragança. A similar problem threats the margins of the Belém-Brasília Highway. Throughout the road, the author observed ‘capoeiras’ [grass that grows after deforestation] emerging after one or two agricultural cycles. In the surroundings of Paragominas [city founded after the road construction], a 3 km vast stretch of land was destroyed by colonizers. The prohibition of nomad plantations is practically impossible to enforce in the Brazilian Amazon’s current state of development. A substantial part of the population makes a living out of this activity. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Dubois, 1967</xref>, p. 130)</p>
				</disp-quote>
				<p>In 1954 “Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia” (National Institute for Amazon Research) was established, following the unfolding of two events: the failure of “Instituto Internacional da Hileia Amazônica” (International Institute of Hyletic Amazon), project directed by scientist Paulo Carneiro; and the establishment of the National Council for Scientific and Technological Development (CNPq) in 1951.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>2</sup></xref> Djalma Batista, director of CNPq between 1959 and 1968, lectured about the Brazilian Amazon nosologic chart, delivering a fascinating historical panorama of the reasons that favored the existence of endemic diseases in the region. Batista, talking from an environmental standpoint, brings up an original take on local illnesses. Using the perspective of Pavlovsky’s ‘natural disease niches’, Batista states that in the Brazilian Amazon, there is a very close relationship between the parasites infecting the inhabitants, the disease vectors, the hosts, and the physical environment (Batista, 1967). He also links the geological, forestal, and climatic constitution of the region to schistosomiasis, malaria, and leishmaniasis. Despite being potent about the local parasitosis, he shows signs of optimism towards the future conditions of the area: “Science and civilization, serving social and economic development, sooner or later will remove the labor of ‘unconquerable’ from the Brazilian Amazon, henceforward men will dominate nature, truly becoming its landlords” (Batista, 1967, p. 19).</p>
				<p>Domingos de Paula, professor of pathological anatomy in the Medical School of Rio de Janeiro, presented a paper about the viruses that assailed the Brazilian Amazon. It focused on newly-discovered viruses, especially the arboviruses present in the region. Among the reasons for such discoveries were the penetration of a large number of people into the jungle through the road network. The Belém-Brasília Highway communicated ‘highly developed’ urban districts to remote areas, thus integrating the population to the viral ecosystem (Paola, 1967, p. 28). In this frontier expansion through disorganized colonization, many were concerned about the morbidity of such viruses:</p>
				<disp-quote>
					<p>Humans also became hosts, as a natural corollary mankind started contracting viral diseases of a broad spectrum of seriousness, so far not well known by medical and public health authorities. Theoretically, meanwhile ignorance is the rule, the possibilities of men being subjugated by such diseases are great and imponderable, as the contact between this new and complex host with viral agents is inevitable, every time plans are made for the development of less favored areas, particularly the humid tropics. (Paola, 1967, p. 26)</p>
				</disp-quote>
				<p>Domingos de Paola took into account that social, political, and economic integration favored the universalization of viral agents and the diseases they were capable of causing. In a way, it is an inversion of the arguments used by previous administrations, which stated that the Brazilian Amazon isolation was the real cause of its ‘underdevelopment’. In a complete turn of events, the projects of ‘integration’ would be held responsible for local sanitary problems. Until 1966, outbreaks caused by the Oropouche and the Mayaro viruses were the main focus of scientists acting in the area. In Lábrea, a city of the Amazonas state, there had been outbreaks affecting mostly children, therefore increasing local infant mortality levels. By them, scientists had not isolated the viral agent yet. More resources were necessary to fight the problem. The Belém Virus Laboratory took the point in dealing with the situation. A brief panorama of the debates involving health in the 1950s and the emergence of virology will be drawn in the next section. This initiative will help to clarify why a virology laboratory was established in a so-called ‘underdeveloped’ area. </p>
			</sec>
			<sec>
				<title>HEALTH POST-WORLD WAR II AND THE EMERGENCE OF VIROLOGY IN THE BRAZILIAN AMAZON</title>
				<disp-quote>
					<p>Humanity is, at the same time, the driver of development and also the profiteer of its benefits. [...] Health is the increasing aptitude for life-related issues as work, efficiency, and happiness [...] That is only achieved [...] as a consequence of the sweeping changes operated by global economic development. [...] Health and Economics are two terms of the same binomial equation; they cannot be destroyed or mutilated without tragic losses for the Faith of men. The livelihood and development of underdeveloped areas depend, substantially, on the work of sanitarists, nutritionists, and economists firmly performing in association. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Costa, 1963</xref>, p. 133)</p>
				</disp-quote>
				<p>Dante Costa was head of the Department of Science Cooperation and Communication of “Departamento Nacional de Endemias Rurais” (DNERU, National Department of Rural Endemic Diseases), and also a professor at the National University of Medicine in Rio de Janeiro. He was among the first nutritionists to investigate the diet deficits of the workers based on the Brazilian Amazon. The quote above was extracted from a speech he gave in Genebra, during the <italic>United Nations Conference on Science and Technology for Development</italic>. Costa was intimately linked to the emergence of nutrition and healthy eating in public policies. He sought to establish the relationship between health and economics, which he and his generation considered intrinsically connected to the social development of countries. As the profiteer of the benefits created by development, humankind - especially in underdeveloped areas - would benefit more from structural changes in the countries’ economies. The materializing of developmentalism, not only affecting political and institutional planning, presented unfoldings in the health policies of the time. Global health institutions and its specialists, from the Second World War to the late 1950s, were convinced that disease eradication would be a sine qua non for the development of poor countries (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Hochman, 2009</xref>). The best way to reach this goal would be campaigns, organized vertically, to combat diseases feasible of eradication such as malaria, yellow fever, smallpox, and yaws. Science and technology became fundamental to the development of emerging countries (Hochman, 2009). Therefore, actions in the field of public health, in the Cold War conjecture, served as an obstacle for the proliferation of ideologies linked to communism. Public officials and technical staff reassured their beliefs in science and technology during the 1950s. Most of them thought scientific advancements of that time would control or eradicate diseases. Debates over the health of people living in areas considered to be underdeveloped were directly linked to the economic concerns of Western industrialized countries. Disease eradication, as a driver for social and economic change, was a direct consequence of the faith invested in Western science and its capacity to transform poor countries. Ideas and practices related to eradication were also a product of the post-war mentality: an approach to the problems caused by underdevelopment and how could a directed technological intervention be able to overcome them (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Packard, 1997</xref>). Virology was establishing itself as a scientific discipline and becoming more institutionalized due to the ongoing advancements in virus isolation processes since the end of World War I. The discovery of the bacteriophage (viruses that infect only bacteria), the development of the ultracentrifuge, and the invention of the electron microscope caused a revolution in virology.</p>
				<p>Trough all these tools, viruses and its structures were more accurately characterized. Therefore, after World War II, virology was not considered a branch of bacteriology anymore; by then, it was fully established as a discrete scientific discipline (Wilkinson, 2001). In the 1950s, thanks to technological advancements, the studies about human and animal viruses were better characterized. Also, the distinction between viruses and bacteria became explicit. (Van Helvoort, 1996). The milestones of this process are the book <italic>General Virology</italic> (1953), by S. E. Luria, and the periodical <italic>Virology</italic> (1955). In the same decade, the Rockefeller Foundation created the <italic>Virus Program</italic>, which sponsored the research of viruses and arboviruses in several regions around the world. Laboratories established in partnerships between the Foundation and local institutions performed the investigations. The International Health Division provided a significant part of the workforce. Its yellow fever combat program became a milestone in virology because it sponsored the first discovery of a disease caused by a virus and transmitted by arthropods. It served as a school for many scientists that would later work at Foundation’s labs (Report..., 1955). The Virus Program investigations discovered that rats, monkeys, and other animals were possible hosts of viruses. It investigated the distribution, incidence, hosts, vectors, and the infections caused by these pathological agents in several ecological niches around the world (Report…, 1955). According to Wilbur Downs - Rockefeller Foundation investigator and director of Yale’s virus laboratory - there were strict criteria for the establishment of laboratories in partnership with local institutions such as political stability, good acceptance of external collaboration, excellent ecological characteristics, and open channels of communication with local staff (Downs, 1982). In the 1950s, the Foundation established other laboratories: Cairo (Egypt) and Poona (India) in 1952; Port of Spain (Trinidad and Tobago) in 1953; and Belém and Johannesburg. In the 1960s, Cáli (Colombia) and Ibadan (Nigeria) also took part in this partnership. These laboratories were all coordinated by a central lab in New York, which received all samples collected and was responsible for closing the diagnosis.</p>
				<p>The Belém Virus Laboratory was founded in 1954. Here are some of the reasons why this particular location was chosen. Despite being established after Getúlio Vargas committed suicide, the Rockefeller Foundation - through the International Health Division - had already collaborated with the Estado Novo regime when Fred Soper, director of the institution, led a successful campaign to combat yellow fever in the northeast of Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Löwy, 2006</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>3</sup></xref> The Foundation also had been helping in the combat of ancylostomiasis, malaria, yellow fever, and the formation of health professionals since 1916 (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Benchimol, 2001</xref>). The couple Ottis and Calista Causey were in charge of the Belém Virus Laboratory, established in partnership with - already active in the region - “Serviço Especial de Saúde Pública” (SESP). The Causeys were - in Brazil - working in the Yellow Fever Service and the Northeast Malaria Service since 1940. Therefore, they were already experienced in the Brazilian problems and on how to deal with the local population. In an interview to <italic>Workers in Tropical Medicine, oral history project,</italic> Calista Causey stated that the Rockefeller Foundation had not commissioned enough funds to the construction of the laboratory, hence the necessity to use the traps and the installations of Instituto Evandro Chagas (Evandro Chagas Institute). As for the mice, they had to be requested from Rockefeller Foundation’s central office in Rio de Janeiro and other laboratories like Trinidad and Tobago (Causey, 1979). Their first report highlighted the penurious conditions they were facing. There were not enough funds to pay for gas, transportation, and electricity (LBV Report, 1954). Instituto Oswaldo Cruz (Oswaldo Cruz Institute), already acting in the region, offered a partnership to them; nevertheless, the Causeys decided to partner up with SESP. This choice is - partially - explained by the extreme financial and working autonomy the latter held, opposite from the first, which was subordinated to the Ministry of Health (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Campos, 2006</xref>). Robert Shope, the successor of the Causeys, stated that “it was one of the greatest quests for viruses of all times” (Causey, 1979). In some cases, blood samples from the same specimen, recaptured several times, presented more than ten different viruses. Unknown viruses to science were commonly found in these tests, which led Robert Shope to state, “the forest was filled with viruses!” (Causey, 1979). In the interview above, Calista Causey describes how the routine was in Belém:</p>
				<disp-quote>
					<p>Robert Shope: So, the eight thousand dollars that the Rockefeller Foundation invested paid off?</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Calista Causey: It soon grew to more, but we never had any trouble about getting enough to carry on. But we didn’t use the money for the new things that other laboratories were investing in. Our problem there, we were dealing with a country, in a country, where the resources for scientific work were not very abundant. We didn’t believe that it was right to buy these new [?] machines and things that had to have, ultracentrifuges that had to have expert care, because in the first place they couldn’t be maintained, they couldn’t be replaced by the, or even bought by the laboratories that wanted to use them. So we, for instance, we used a jar of sulfuric acid, made our own dry ice from carbon dioxide, imported the cylinders of carbon dioxide... [...] And a simple vacuum pump, and then we had a means of uh, freeze-drying. But we had to use a kerosene refrigerator because there wasn’t the electricity to keep it going all the time. Yes, it was so low, the voltage, well, not only off, but the voltage so low that it couldn’t maintain, we didn’t have enough light in our labs. We would get these, well, you could buy lamps with lower voltage and then get a better light. But still it wasn’t enough. So we did a lot of work by candlelight. And we isolated our first yellow fever by candlelight. (Causey, 1979)</p>
				</disp-quote>
				<p>The Causeys methodology was reasonably straightforward. They would capture specimens, and then re-state it to the wild. Later the subjects would be recaptured, and blood samples were drawn. Ottis Causey created an insect trap device, which became of regular use in other virus labs of the Rockefeller Foundation (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Downs, 1982</xref>). After tests in the central laboratory in New York, it was possible to declare if the viruses found were known or unknown. The Rockefeller Foundation’s reports and staff testimonials regularly complement the scientific work of the Belém Virus Laboratory. Shope stated that the Foundation was surprised by the amount and the importance of viruses discovered in the Brazilian Amazon (Shope, 1998). In its early years, the laboratory identified, isolated, and made serological inquiries of many viruses, especially in the period when Ottis R. Causey, Ph.D. from the Johns Hopkins School and researcher of the Rockefeller Foundation, was the director (1954 to 1963). Robert E. Shope succeeded him (1963-1965), and later on, until its closing, John P. Woodal (1965-1971) was in charge of the institution. The main focus was investigating viruses transmitted by insects and arthropods. The Belém Virus laboratory sought to classify these viruses and examine the way they affected humans and domesticated animals. Scientists investigated blood samples - from household animals and living people - to identify what kind of viruses prevailed in each particular region. The laboratory established different methods for rapidly classifying pathological agents and new ways for monitoring the effects of such diseases. Fieldwork was fundamental for the comprehension of virus activity and life cycles. Over the years, the institution isolated more than 2,000 strains of arboviruses, establishing 48 serotypes, 18 serogroups, and 8 ungrouped viruses (Shope, 1998). They detected: Yellow Fever, Mayaro Fever, Encephalitis, Bussuquara fever, Guaroa Fever, and Oropouche Fever, among others (Shope, 1998). In the mid-1960s, the Rockefeller Foundation began to phase out its virus research program. The New York laboratory was incorporated into the Yale School of Medicine in 1964, becoming the Yale Arbovirus Research Unit. Evandro Chagas Institute incorporated the Belém laboratory assimilating its equipment and structure, whereas other foundation’s field laboratories integrated with universities or government research agencies. In 1961 Oswaldo Cruz Institute signed an agreement with Evandro Chagas Institute due to the increasing arboviral disease-related problems on the Belém-Brasília Highway. Four sample collection posts were established, and these also served for investigation, medical assistance, and prophylaxis for workers and residents along 500 kilometers of the road, from São Miguel do Guamá (Pará state) to Imperatriz (Maranhão state). They sought to confirm the presence of yellow fever and encephalitis viruses in the region, especially the ones near Belém (Correio da Manhã, Aug. 25, 1961, p. 4). </p>
				<p>Many actions were taken on demand. In 1958, an acute feverish disease followed by migraines affected workers of a farm near the Guamá river. The landlord engaged “Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERU)” for help. The director of DNERU-PA asked assistance from the Belém Virus Laboratory. Causey and his team collected blood from mice and workers, isolating six different virus strains. These samples were sent to the New York laboratory, where further testing showed they were identical to the Mayaro virus that had been insulated for the first time a year before. In September 1955, the Trinidad Regional Virus Laboratory had for the first time isolated the Oropouche virus from a blood sample from an inhabitant of the city of Vega de Oropouche. The Belém Virus Laboratory found, in the Brazilian Amazon, the same virus strain in 1960 in several blood samples collected from <italic>Aedes Serratus</italic> mosquitos and from one sloth (<italic>Bradypus Tridactylus</italic>). All these animals had been captured in the surroundings of Belém city, on the margins of the Belém-Brasília Highway. After the laboratory analysis confirmed the presence of the disease, the search for other cases started. In the following decades, the illness spread to other states of the Brazilian Amazon like Maranhão, Goiás, Amazonas, and Amapá. The Oropouche was an important legitimator for the investigations held at the Belém Virus Laboratory. According to Shope, fever outbreaks provided opportunities to find arboviral disease in humans and domesticated animals. The actions during the 1961 Oropouche outbreak was in Causey’s opinion the coming of age of the laboratory. Thousands of people were affected; nevertheless, the institution was able to provide a fast response despite the laboratory director being away on a business trip (Shope, 1998). Causey and his team’s investigations in the Brazilian Amazon were responsible for linking people to the transmission of arboviral disease. The environmental impacts of the highway construction illustrate this assumption. The population living on the margins of the Belém-Brasília Highway increased more than 2000% in less than ten years due to the disorganized colonization undertaken by pioneers from several parts of the country (especially from the northeast region). These immigrants were generally not immune to local endemics, thus forming an extremely vulnerable group to the new diseases they were being exposed to. This population, especially the workers, became test subjects for the clinical trials of arboviral disease transmission and the effects of diseases caused by them. Causey used infected workers acting in the construction of the highway to confirm the theories related to the transmission and the symptoms caused by arboviral disease. </p>
				<p>The Laboratory also actively participated in the exchange of information with other similar institutions established by the Foundation trough the <italic>Arthropod-Borne Virus Information Exchange,</italic> a direct mail where several methodologies of collection techniques, animal trapping, and debates about new-found viruses were discussed and shared. Occasionally, some institutions requested specimens, as seen in the mail from the American Museum of Natural History (<xref ref-type="fig" rid="f8">Figure 3</xref>).</p>
				<p>
					<fig id="f8">
						<label>Figure 3</label>
						<caption>
							<title>Correspondence from the American Museum of Natural History to Ottis Causey, director of the Belém Virus Laboratory.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf8dd.jpg"/>
						<attrib>Source: Rockefeller Archive Center, July 7, 1962</attrib>
					</fig>
				</p>
				<p>
					<fig id="f9">
						<label>Figure 4</label>
						<caption>
							<title>A page of <italic>Arthropod-Borne Virus Information Exchange</italic>, the direct mail for information exchange among the Virus laboratories of the Rockefeller Foundation. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf9dd.jpg"/>
						<attrib>Source: Rockefeller Archive Center, May 26, 1965</attrib>
					</fig>
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>“IT WAS A VERY EXCITING AND INTERESTING LIFE.”</title>
				<p>These were Calista Causey’s last words in her interview to Robert Shope. After the successful experience in Belém, The Rockefeller Foundation assigned the Causeys to establish a new laboratory in Africa. They could choose between Gana, Liberia or Nigeria. To make a decision, they stayed for one month in each location. Calista stated that in Gana, the local government was influenced by ‘communists’ that interfered in scientific activity. In Liberia, a dictator obstructed the autonomy of local scientists. They chose Nigeria due to its political stability. However, upon arrival they faced a general strike in the country, nevertheless they continued isolating viruses. The Causeys ended up discovering the Crimean-Congo Hemorrhagic Fever, which affected animals. Different from other programs of the Rockefeller Foundation, the Belém Virus Laboratory activities continued in the years to follow. In bilateral agreements, the Foundation financed most of the expenses in the beginning. As time passed, the host country was supposed to take responsibility for the costs involved in the operation. Right after the end of the program, the laboratories in Colombia and Nigeria closed.</p>
				<p>On the other hand, the Belém laboratory was thriving. According to <xref ref-type="bibr" rid="B31">Pinheiro (1986</xref>), it identified 141 strains of arboviruses between 1954 and 1985, most of them completely unknown to science, thus establishing a world record in this discipline. Causey and his team developed operational concepts used in other laboratories of the Rockefeller Foundation network around the world (Pinheiro, 1986). Besides, Evandro Chagas Institute continued to establish partnerships, such as the one with the Welcome Trust in 1965. These agreements deployed investigators Jeffrey Shaw and Ralph Lanson to Belém, which served as a base for investigations on visceral and tegumentary leishmaniasis in the Brazilian Amazon, hence recovering an investigation tradition, established since the 1930s by Evandro Chagas (Shaw, 2016). In the years to follow, the institution continued developing projects. Francisco Pinheiro, who worked with the Causeys, led a comprehensive campaign during the Civil-Military Brazilian regime to control the Oropouche outbreaks. “Trópico Úmido” program, a partnership between CNPq and “Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia” (Polamazônia), financed this initiative. Therefore, the viability of virus research in the Brazilian Amazon was closely linked to the grand projects of the period, such as Transamazônica Highway, which served as a study subject for Francisco Pinheiro. </p>
				<p>As mentioned before, several outbreaks of Oropouche Fever have been reported in different states of the Brazilian Amazon. This fever has been characterized as a ‘re-emerging disease’. Such a concept, which analyzes the interaction between humans and their environment, highlights a change in the epidemiologic behavior of known and previously controlled diseases that, somehow, bounced back and currently represent a threat to human health (Paz; Bercini, 2009). Economic development models enforcing environmental alterations, migrations, and uncontrolled urbanization are among the leading causes of illnesses re-emergence (Paz; Bercini, 2009). <xref ref-type="bibr" rid="B30">Pignatti (2004</xref>) states that Oropouche fever perfectly illustrates how a complex interaction of events may result in a new disease linked to environmental alterations. When the virus was isolated in the 1960s, it was not clear why the disease had moved from the country to the city. The answer was found after the discovery of the virus in the biting midges. Following the cacao plantation removal and deforestation, the mosquitos started reproducing fast in cacao peel. They spread the disease on humans inhabiting the region and passing through the road network of the Brazilian Amazon (Pignatti, 2004). Therefore, the disease that served to legitimate the campaigns of the Belém Virus Laboratory also serves as an example of how complicated the relationship among all living forms can be.</p>
				<p>
					<fig id="f10">
						<label>Figure 5</label>
						<caption>
							<title>Ottis and Calista Causey demonstrating a trap to capture animals. </title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1806-9347-rbh-39-82-19-gf10dd.jpg"/>
						<attrib>Source: Rockefeller Archive Center, no date</attrib>
					</fig>
				</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<ref-list>
				<label>SOURCES</label>
				<title>Periodicals</title>
				<ref id="B40">
					<mixed-citation>O Globo, Rio de Janeiro, 7 jan. 2016 - Vírus transmitido por insetos pode ser confundido com dengue.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="newspaper">
						<source>O Globo</source>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<day>07</day>
						<month>01</month>
						<year>2016</year>
						<article-title>Vírus transmitido por insetos pode ser confundido com dengue</article-title>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B41">
					<mixed-citation>Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 25 ago. 1961, p. 4.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="newspaper">
						<source>Correio da Manhã</source>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<day>25</day>
						<month>08</month>
						<year>1961</year>
						<fpage>4</fpage>
						<lpage>4</lpage>
					</element-citation>
				</ref>
			</ref-list>
			<ref-list>
				<title>Institutions Researched</title>
				<ref id="B42">
					<mixed-citation>DAD/COC - Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>DAD/COC - Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz</source>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B43">
					<mixed-citation>RAC - Rockefeller Archive Center.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>RAC - Rockefeller Archive Center</source>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B44">
					<mixed-citation>IEC - Instituto Evandro Chagas.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>IEC - Instituto Evandro Chagas</source>
					</element-citation>
				</ref>
			</ref-list>
			<ref-list>
				<title>Reports</title>
				<ref id="B45">
					<mixed-citation>Rockefeller Foundation Annual Report, 1955.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>Rockefeller Foundation Annual Report</source>
						<year>1955</year>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B46">
					<mixed-citation>Annual Report for 1954 of the Belém Virus Laboratory.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>Annual Report for 1954 of the Belém Virus Laboratory</source>
					</element-citation>
				</ref>
			</ref-list>
			<ref-list>
				<title>REFERENCES</title>
			</ref-list>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn4">
					<label>1</label>
					<p>Rostan Soares and Mario Pinotti developed the mix of salt and chloroquine. Also called ‘med salt’ or ‘salt of Pinotti’, it was broadly used in the country in the 1950s during the Malaria eradication campaign (see SILVA; HOCHMAN, 2011).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn5">
					<label>2</label>
					<p>The rich national and global conjecture that involved the establishment of INPA, was broadly investigated by contemporary authors: Rodrigo César Magalhães (articles and master thesis), Marcos Chor Maio, and Priscila Faulhaber (see: FAULHABER, 2005; MAIO; SÁ, 2000; MAGALHÃES; MAIO, 2007).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn6">
					<label>3</label>
					<p>Yellow fever combat campaigns in the 20th century - in Brazil and the rest of the continent - were broadly studied (ANAYA, 2016; BENCHIMOL, 2001; LOWY, 2006).</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn7">
					<label>7</label>
					<p>English version: Thiago Dargains Rodrigues</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>-->
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