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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1806-9347</issn>
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				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00009</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472019v39n82-08</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossiê: Fronteiras Amazônicas</subject>
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				<article-title>Antijesuitismo na Amazônia portuguesa (primeira metade do século XVIII)</article-title>
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					<trans-title>Anti-Jesuitism in the Portuguese Amazon (First Half of the Eighteenth Century)</trans-title>
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					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-8344-099X</contrib-id>
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						<surname>Carvalho</surname>
						<given-names>Roberta Lobão</given-names>
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					<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>
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				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) - campus Santa Inês, Santa Inês, MA, Brasil. roberta.carvalho@ifma.edu.br </institution>
				<institution content-type="orgname">Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão</institution>
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				<email>roberta.carvalho@ifma.edu.br</email>
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			<author-notes>
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					<label>1</label>
					<p>Doutora em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). O artigo faz parte da tese <italic>A ruína do Maranhão: a construção do discurso antijesuítico na Amazônia portuguesa (1705-1759)</italic>, defendida em 2018.</p>
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			</author-notes>
			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<month>08</month>
				<year>2020</year>
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				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Sep-Dec</season>
				<year>2019</year>
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			<volume>39</volume>
			<issue>82</issue>
			<fpage>153</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>As pesquisas sobre a Amazônia portuguesa colonial costumam abordar, sobretudo, os períodos mais agitados daquela região, como o de atuação do padre Antônio Vieira no século XVII ou o período pombalino na segunda metade do século XVIII. Esta pesquisa estuda justamente uma parte da História do Maranhão e Grão-Pará negligenciada porque, aparentemente, não houve grande agitação: a primeira metade do século XVIII. Em nossas análises, destacou-se a atuação de um agente com ideias peculiares, que compreendemos como uma espécie de projeto de governo conflituoso em pontos importantes com o projeto pensado para a região pela Coroa portuguesa. Esse agente é Paulo da Silva Nunes, inimigo acérrimo da Companhia de Jesus, que atuou na colônia e posteriormente na Corte realizando uma dura campanha contra a ação dos jesuítas naquela região e contra as leis que, em sua concepção, favoreciam apenas os padres. Para tanto, autointitulou-se Procurador dos Povos do Maranhão e Grão-Pará e fez de sua campanha antijesuítica um projeto político, social e econômico para a região.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>Research about colonial Portuguese Amazon usually elaborates periods of agitations in that region, such as the action of priest Antônio Vieira in the seventeenth century or the <italic>pombalino</italic> period in the second half of eighteenth century. This research brings part of Maranhão and Grão-Pará’s neglected history, apparently, because it does not fall in the period of large agitations: the first half of eighteenth century. In our analysis, the performance of an agent with peculiar ideas stood out, that we understood as a kind of conflicting government project in important points with the project conceived for the region by the Portuguese Crown. This agent is Paulo da Silva Nunes, a strong enemy of the Society of Jesus, who participated in the colony and later in the Court, carrying out harsh campaigns against Jesuits in the region and against the laws, which to him only favoured the priests. Therefore, he declared himself the prosecutor of the people of Maranhão and Grão-Pará, and transformed his anti-Jesuit campaign into a political, social and economic project for the region.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Paulo da Silva Nunes</kwd>
				<kwd>Companhia de Jesus</kwd>
				<kwd>século XVIII</kwd>
				<kwd>Amazônia colonial</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Paulo da Silva Nunes</kwd>
				<kwd>Society of Jesus</kwd>
				<kwd>Eighteenth century</kwd>
				<kwd>colonial Amazon</kwd>
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	<body>
		<p>O antijesuitismo nasceu com a fundação da própria Companhia de Jesus, fortalecendo-se, em seguida, com a expansão da Ordem pelo mundo. Essa assertiva é facilmente comprovada, basta analisarmos as produções documentais e históricas acerca de sua <italic>performance</italic> em qualquer parte do mundo. A atuação dos jesuítas no campo missionário, educacional, político e econômico, assim como sua teologia moral, a aquisição e administração de seus bens ao longo dos séculos, seu ideal de missionação e suas práticas multiculturalistas, entre outros, sempre foram alvos de duras críticas e intensas perseguições na Europa e nas conquistas asiáticas, africanas e americanas, ou seja, onde estiveram presentes (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Franco, 2006</xref>).</p>
		<p>Neste texto, pretendemos analisar o percurso antijesuítico de Paulo da Silva Nunes como uma estratégia para a construção e implantação de um projeto de governo para o Maranhão e Grão-Pará, em muitos pontos conflitante com aquele apresentado pela Corte para a região. Desse modo, o antijesuitismo desse agente estaria para além das meras questões econômicas locais. Fazia parte de um projeto político, visando um Estado racional, administrativamente ‘enxuto’ e comercialmente lucrativo. Para tanto, utilizamos como fontes principais as petições e representações escritas por Paulo da Silva Nunes, supostamente em nome dos moradores da colônia, entre os anos de 1724 e 1742, para as Câmaras de São Luís e Belém e para o Conselho Ultramarino, onde expunha, a seu ver, os motivos da ‘ruína’ do Maranhão e os principais ‘remédios’ para aquela situação.</p>
		<p>Paulo da Silva Nunes nasceu em Portugal e tinha formação em Teologia e em Direito (Franco, 2006, p. 187-188). Possuía boa preparação intelectual, manejava bem a língua latina e conhecia as relações históricas entre Portugal e Espanha, como se observa em sua escrita. Tinha certa experiência militar, obtida em sua participação nos primeiros anos da longa Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1713), durante a qual, provavelmente, havia conhecido seu futuro aliado, Bernardo Pereira de Berredo (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Azevedo, 1999</xref>).</p>
		<p>Silva Nunes chegou ao Maranhão em 1707 com o governador Cristóvão da Costa Freire (1707-1718), atuando como seu secretário. Em 1712 foi nomeado capitão-mor da Vila da Vigia, no Pará, no lugar de Francisco da Costa. Tal troca foi realizada, segundo o próprio Cristóvão da Costa Freire, não só pela sua capacidade, mas por ter construído, à sua custa, casas da Câmara e cadeia, por ser homem honrado e, ainda, por ter descido para aquela vila cem casais de índios (<xref ref-type="bibr" rid="B7">AHU, cód. 269, 1712</xref>).</p>
		<p>O futuro procurador também ocupou posições importantes durante o governo de Bernardo Pereira de Berredo (1718-1722), como capitão da Infantaria de Privilegiados da Cidade e Capitania do Grão-Pará, superintendente das fortificações, das mesmas cidade e capitania, e de capitão-mor da Vila de Icatu, perto de São Luís, no Maranhão (AHU, cx. 21, doc. 1942, avulsos Pará). Segundo Dauril Alden, o posto de capitão da Infantaria de Privilegiados lhe garantiu fazer parte da aristocracia local e casar-se “com uma descendente de um dos mais famosos avoengos dessa aristocracia, o guerreiro-explorador seiscentista Pedro Teixeira” (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Alden, 1970</xref>, p. 43). </p>
		<p>Silva Nunes passou cerca de 17 anos na colônia (1707-1724), até fugir para a Corte por ter sido acusado de conspirar contra o governador que fora substituir Berredo, João da Maia da Gama (1722-1728), e os padres da Companhia de Jesus (<xref ref-type="bibr" rid="B8">AHU, cx. 9, doc. 779, avulsos Pará</xref>). Em carta escrita em 1724, D. João V trata da prisão de Silva Nunes, informada a ele no ano anterior por João da Maia com o intuito de obter o aval régio. Segundo o documento, Silva Nunes agia contra o governador porque este desejava ser “singular, fazendo observar a lei em seu último rigor”. Enquanto Berredo agiu de modo diferente e “governara como um pai, concedendo-lhes como livres os índios que se salvavam” (<xref ref-type="bibr" rid="B2">AHU, cód. 269, 1724</xref>).</p>
		<p>Como podemos ver, o bom governador, na acepção do procurador e da população local, era aquele disposto a modificar, ou até mesmo ignorar, as leis reais pelo ‘bem’ dos povos, que seria, no caso da colônia amazônica, a utilização indiscriminada e não regulamentada da mão de obra indígena. João da Maia procederia com ‘tirania’, pois colocava a população em uma situação, supostamente, delicada ao negar-lhe o acesso irrestrito à mão de obra indígena, causando-lhe maiores sofrimentos. Desse modo, na concepção do procurador, não seria errado sugerir a expulsão do governador.</p>
		<p>Para Silva Nunes era necessário remediar a nova situação da colônia, senão tudo “estava perdido”. Em sua campanha conseguiu o apoio dos oficiais da Câmara de São Luís, que andavam “aclamando” contra o governo de João da Maia. Os planos contra o governador foram tratados pelos principais representantes da sociedade colonial, que viriam a ser seus cúmplices na intensa campanha contra a Companhia de Jesus: o vereador Clemente Palheta (<xref ref-type="bibr" rid="B9">AHU, cód. 269, 1724</xref>), os colonos Antônio de Sousa Soeiro e Manoel de Oliveira Pantoja - descrito como “homem orgulhoso, desinquieto e perturbador”, que já havia sido mandado para o desterro na época do governo de Cristóvão da Costa Freire por envolvimento na distribuição de pasquins, disseminados na rua durante a noite, instando os moradores a expulsarem os padres jesuítas (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Moraes, 1858</xref>, t. IV, p. 321)<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> - e, também, o capitão-mor da Capitania do Pará, Manuel Madureira Lobo, detido após a apreensão de papéis incitadores ao cativeiro ilegal dos índios e sob acusação de também fazer parte da organização do motim (<xref ref-type="bibr" rid="B10">AHU, cx. 8, doc. 682, avulsos Pará</xref>).</p>
		<p>O padre visitador da Companhia de Jesus, à época Jacinto de Carvalho, denunciou as ações de Silva Nunes, apontando-o como cabeça do movimento. Assim, com medo de que ocorresse um levante contra os jesuítas por causa da atuação do procurador, João da Maia solicitou as representações levadas por Silva Nunes aos vereadores da Câmara e, por achá-las ofensivas e sediciosas, ponderou ser melhor mandar prendê-lo (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Dias, 2008</xref>, p. 115).</p>
		<p>No ano seguinte, D. João V respondeu estar de acordo com o proceder do governador. O monarca observou, no entanto, que “não podereis deter na prizão [sic] mais que aquele tempo q’ está determinado”. Porém, recomendou que, se Silva Nunes voltasse a agitar os moradores, já acalmados pelo governador, deveria ser enviado para o Reino, e, além disso, se alguém tornasse a levantar-se contra o governador, deveria ser castigado de modo exemplar (<xref ref-type="bibr" rid="B11">AHU, cód. 269, 1724</xref>). Silva Nunes não demorou a ser posto em liberdade e aproveitou-se da ocasião para fugir ao Reino em 1724, deixando no “Pará [...] mulher, quatro filhos (sendo dois filhos e duas filhas donzelas), e mais família, e as suas fazendas” (<xref ref-type="bibr" rid="B12">AHU, cx. 19, doc. 1942, avulsos Maranhão</xref>). Já segundo Franco, ele deixou no Pará “três mulheres, vários filhos e bens” (Franco, 2006, p. 187). Para Azevedo, ele “deixara no Pará toda a sua fazenda, que pouca seria” (Azevedo, 1999, p. 171).</p>
		<sec>
			<title>AS PRINCIPAIS PROPOSTAS DE PAULO DA SILVA NUNES</title>
			<p>Apesar das contradições existentes sobre a condição financeira de Silva Nunes na colônia, assim como sobre sua própria situação civil, não podemos deixar de notar que - provavelmente pelos cargos que ocupou - ele conhecia bem a realidade socioeconômica da população, assim como os caminhos, formas e complicações do governo local, o que lhe possibilitou condições enunciativas historicamente construídas para compreender a situação da colônia. Ou seja, ele sabia conceber estratégias econômicas e administrativas, e em suas cartas e petições parece agir no intento de instaurar no Maranhão e Grão-Pará uma dada razão de Estado. Em outras palavras, buscava uma forma de racionalizar a economia e a política da região visando consolidar as fronteiras por meio de sua ocupação populacional, firmar o português como língua única<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> e fortalecer a produção e o comércio flexibilizando o acesso à mão de obra indígena e permitindo a circulação de moedas.</p>
			<p>Por isso, para o procurador, diferentemente daquilo defendido por funcionários régios<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> e por diversas leis - como a de 1º de abril de 1680, que determinava a liberdade irrestrita dos índios e incentivava o envio de africanos escravizados para o Maranhão, e ainda o próprio Regimento das Missões de 1686<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> -, inserir escravizados de origem africana na região não seria a solução para a “ruína do Estado”, pois eles não eram “os mais precisos remédios desse povo no tempo presente”. Ao contrário, para ele seria muito conveniente o uso dos índios, por meio do pagamento de salários, do fornecimento de alimentos, vestimentas e do ensino da doutrina cristã, em português, e dos bons costumes (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Moraes, 1859</xref>, t. IV, p. 288).</p>
			<p>Esse posicionamento, ao que tudo indica, foi construído a partir de sua experiência na região, permitindo-lhe entender que a população local, mesmo os mais abastados, não possuíam cabedais para a “compra de escravizados de origem africana. Portanto, o trabalho do índio seria a alternativa mais viável naquele sistema econômico inepto, sem condições para suprir os gastos na aquisição de africanos escravizados”.<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> Em carta de 1723, o desembargador sindicante Francisco da Gama Pinto afirmava ser necessário para sanar o problema de mão de obra da região ‘descer’ entre 800 e mil escravos por ano. Além disso, os moradores deveriam ter o prazo de 3 ou 4 anos para pagar por eles, porque o estado presente da terra não permitiria, na maior parte, outro modo de pagamento (<xref ref-type="bibr" rid="B13">AHU, cx. 7, doc. 608, avulsos Pará</xref>). Dessa forma, mais uma vez era evidenciada, ao menos na correspondência da época, a situação de pobreza agravada dos moradores.</p>
			<p>O procurador demonstrava ainda um forte desejo de revisar o papel desempenhado pelos aldeamentos jesuíticos, pois ainda no século XVIII o território amazônico era pouco povoado, sendo os aldeamentos os estabelecimentos habitacionais relativamente estáveis e de importância defensiva nas fronteiras com a América espanhola. Para modificar esse cenário, seria necessário consolidar a conquista, povoando a região de forma sistemática, principalmente, por meio da secularização daqueles espaços. Para tanto, solicitava aos vereadores o envio de homens brancos e de bom procedimento para administrar os aldeamentos e fazendas no lugar dos jesuítas. Para justificar seu pedido, afirmava ser esse procedimento ‘bom’ para, entre outros males, mitigar os castigos físicos sofridos pelos índios. Com insistência solicitava de acordo com um assento que fora tomado na Junta das Missões,<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> ainda presidida pelo ex-governador Bernardo Pereira de Berredo, que os moradores pudessem fazer os descimentos de índios concedidos, por carta de 9 de março de 1718, aos aldeamentos missionários (<xref ref-type="bibr" rid="B14">AHU, cód. 485, vol. 1, fl. 552</xref>).</p>
			<p>É importante destacarmos que, mesmo diante da reivindicação de Silva Nunes em aplicar o assento recomendado por Berredo, a proposta do ex-governador à época não teve boa receptividade na Corte. No ano de 1719, D. João V escreveu a Berredo em tom de desagrado que “primeiro devíeis executar a minha ordem real, e não suspendê-la [...] e nessa consideração vos ordeno que infalivelmente se deem cumprimento na forma que nela se encontra” (AHU, cód. 269, 1719a).</p>
			<p>Entretanto, para pôr em prática o seu projeto, de tendência protonacionalista,<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> Silva Nunes ignorou as negativas dadas anteriormente pela Coroa e insistiu nos mesmos argumentos e petições. Ao que tudo indica, ele acreditava na legalidade de suas súplicas e demandas repetindo, sem cessar, que os moradores eram oprimidos pelos funcionários régios, além de reivindicar benesses àqueles que atuaram na conquista e consolidação do território.</p>
			<p>O procurador acreditava ser necessário eliminar tudo o que, segundo ele, se configurava como empecilho: funcionários régios contrários aos moradores e os missionários; dentre esses, especialmente os jesuítas, segundo Silva Nunes, estrangeiros por excelência - tanto por não serem de origem portuguesa, quanto por não haver muitos portugueses em suas fileiras - e, supostamente, pouco comprometidos com o projeto de tornar Portugal uma nação moderna. Esse projeto deveria ser realizado por meio das possessões portuguesas ricas e cheias de potencialidades, porém arruinadas pela ação daquela Ordem caracterizada de estrangeira e sem nenhum comprometimento com o rei, em razão de sua expansão e ‘vocação’ universal.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>OS ALIADOS DE PAULO DA SILVA NUNES</title>
			<p>Segundo Maria de Fátima Gouvêa e João Fragoso, a sociedade colonial pode ser compreendida como um emaranhado de estruturas e relações sociais cheias de fraturas e interesses contraditórios. Porém, entender uma organização social como um “conjunto de regras partilhadas entre seus agentes - viabilizando com isso as relações sociais - não implica afirmar que tais regras sejam inteiramente coerentes [...] nem que ela funcione como um maquinário rígido e insensível aos dramas do cotidiano”. Ao contrário, justamente por ser um sistema de normas, a sociedade colonial estava “impregnada de incoerências”, principalmente por estar em contínuo movimento (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Gouvêa; Fragoso, 2010</xref>, p. 15-16).</p>
			<p>Nessa perspectiva de uma sociedade em movimento é que estudamos a atuação de Paulo da Silva Nunes como Procurador dos Povos do Maranhão. Opositor veemente da relação estabelecida entre a coroa portuguesa e os jesuítas na Amazônia portuguesa, ele almejava que seu entendimento sobre a natureza, a política, a religião e o trabalho na região fosse incorporado pelas autoridades reais no intuito de pôr em prática seu projeto político de “salvação” daquele “Estado arruinado”. Para tanto, previa serem retirados do estado os religiosos da Companhia de Jesus e os governadores e funcionários régios, para que o governo dele ficasse a cargo das Câmaras do Maranhão e Pará (AHU, cód. 485, vol. 1, fls. 154r-187v).</p>
			<p>Buscando concretizar seus objetivos, utilizou os espaços possíveis de movimentação naquela sociedade, tanto o físico quanto o simbólico, mas não agiu sozinho. Podemos afirmar que as ideias defendidas por Silva Nunes operavam por meio do consenso a respeito do cativeiro dos índios e da inércia das leis régias, pois eram defendidas, inicialmente, pelas Câmaras locais, colonos e funcionário régios, como os ex-governadores Bernardo Pereira de Berredo e Alexandre de Souza Freire (1728-1732) e o capitão-mor da Capitania do Pará, Manuel Madureira Lobo. Para eles, o fato de os portugueses serem poucos para lavrarem a terra tornou a utilização do índio indispensável, e as leis favoráveis aos jesuítas e proibindo o trabalho indígena não condiziam às necessidades dos povos do Maranhão e Grão-Pará.</p>
			<p>Desse modo, a Coroa deveria atentar para tal peculiaridade, porquanto haveria uma diversidade de povos, províncias, homens e atividades comerciais, devendo também haver de leis, especialmente as que regulamentavam a liberdade dos índios e o trabalho na colônia, pois, proibir a escravização dos índios, naquele contexto, era desconhecer a diversidade sociopolítica da região e da população local. Notamos essa ideia na seguinte passagem de uma suposta <italic>Proposta da Câmara do Pará</italic> enviada ao rei por intermédio de Paulo da Silva Nunes, em 1724:</p>
			<disp-quote>
				<p>Nas leis tem sucedido o mesmo [que na diversidade econômica e de trabalhadores em Portugal, no Brasil e no Maranhão], que o que em umas se repetia, em outras eram crime, e em outras, desatinos; na lei de Moisés se permitia a usura, na lei de Toronino, se permitia aos egípcios que fossem ladrões; na lei de Licurgo, não se castigava o homicídio; na lei de Solonino, se dissimulava o adultério [...]</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Assim como nos povos, nas províncias, nos homens e nas leis há diferença: É necessário entender-se, que no estado do Maranhão não se pode conservar sem o serviço dos índios dos seus sertões: podia-se aqui trazer um exemplo, que suposto que o escândalo o publica, a modéstia absolutamente o não expressará; porque os RR missionários são os primeiros, que não podendo passar sem serviço daqueles índios deles se servem em cativeiro, que <italic>Uni concessum alteri concedendum, quia quod uni non nocet, et alteri prodest et concedendum et non potest negari</italic>.</p>
			</disp-quote>
			<disp-quote>
				<p>Não se pode dar côngrua razão de diferença para que os reverendos missionários possam fazer lícito o serviço dos índios <italic>quod ad illos</italic>, e o reprovem, e repugnem para os demais vassalos de Vossa Magestade [sic]. (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Moraes, 1859</xref>, t. III, p. 335)</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse documento, o procurador demonstra ter profundo conhecimento sobre a diversidade de leis e de suas interpretações, desenvolvendo seus argumentos para solicitar ao rei que observasse as diferenças entre o Maranhão e Grão-Pará e as demais regiões do Império português, especialmente na questão da mão de obra. Camarários e colonos acreditavam ser seu direito a utilização dos trabalhadores indígenas para o bem comum da colônia e o aumento do Estado, fórmula constantemente repetida na documentação. Portanto, solicitavam o direito de realizar descimentos involuntários de índios, conforme os assentos de Bernardo Pereira de Berredo e Alexandre de Souza Freire na Junta das Missões.</p>
			<p>No ano de sua chegada à Corte, Silva Nunes levou para Lisboa os <italic>Capítulos sobre o mal [sic] procedimento do governador e Capitão-General do estado do Maranh</italic>ão, no qual encontramos reclamações, “tantas vezes discutidas, impugnadas e decididas por Vossa Majestade” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Moraes, 1859</xref>, t. IV, p. 259). No documento, existem queixas contra a postura favorável aos jesuítas do governador João da Maia. Ademais, destaca-se a perspectiva a respeito das necessidades da sociedade, do governo, da economia da região e, claro, do trabalho e da natureza dos índios. Há a afirmação de que os moradores brancos não queriam escravizar os nativos, mas empregá-los e pagar-lhes salários. Entretanto, ao mesmo tempo, o documento questiona a humanidade indígena, afirmando não serem eles “verdadeiros homens, mas brutos silvestres incapazes de se lhes praticar a fé católica” e arremata com uma provocação à postura favorável dos jesuítas à escravização africana: “se os etíopes africanos podem ser escravizados, porque não o podem sê-lo os índios do Maranhão?” (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Azevedo, 1999</xref>, p. 170).</p>
			<p>Para aqueles homens, as atitudes tomadas contra os jesuítas e o governador por meio de motins e pasquins faziam parte de questões mais profundas, muito além das meramente econômicas como, por exemplo, a maneira de condução da administração pública pelos governadores. O procurador afirmava ter-se lançado com mais ânsia ao mar por ter sido preso e oprimido pelos poderosos; por isso, necessitava levar aos pés do rei as “ruínas que ameaçavam esse estado, e as providências de que necessitava instantaneamente” (Moraes, 1859, t. IV, p. 286-291). Os documentos denunciavam a suposta opressão sofrida pelo povo ante funcionários régios e jesuítas e, ao mesmo tempo, legitimavam a busca pelo “bem comum” da população<italic>.</italic> Segundo Nicola Mateucci, o bem comum é distinto do bem público e do individual, uma vez que diz respeito aos indivíduos que são membros de um Estado; desse modo, o bem comum só poderia ser alcançado em conjunto (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Matteucci, 1995</xref>, p. 106). Ou seja, para que o estado do Maranhão e Grão-Pará estivesse ordenado do ponto de vista temporal e natural era necessário desfazer-se daquilo que impedia o seu bom funcionamento, mesmo que fosse uma ordem religiosa, as leis régias ou o governador.</p>
			<p>João da Maia da Gama afirmava que Paulo da Silva Nunes fugira para o Reino, supostamente chamado por Bernardo Pereira de Berredo, com quem “tinha afiado suas máquinas”, sendo “induzido por pessoas mal intencionadas” (AHU, cx. 9, doc. 779, avulsos Maranhão). Porém, Berredo saíra de Belém desacreditado, pois, ao contrário do esperado, não teve seu governo prorrogado e foi substituído por João da Maia - por quem nutria inimizade. Além disso, seu governo e comportamento na colônia foram submetidos a uma devassa minuciosa (Alden, 1970, p. 45). Ao analisarmos algumas cartas trocadas entre o rei e Bernardo Pereira de Berredo durante seu governo, reparamos o descontentamento da Corte com a administração dele, principalmente no tocante ao cumprimento da legislação indígena.</p>
			<p>Diferente da administração de Cristóvão da Costa Freire, muito elogiada nas cartas trocadas com D. João V, o rei parece estar constantemente chamando a atenção de Berredo. Por exemplo, em outubro de 1719 a Coroa enviou uma série de cartas sobre o desrespeito das leis referentes aos descimentos e às repartições dos indígenas. Essas missivas eram respostas dadas ao Superior da Missão da Companhia de Jesus, Manuel de Seixas, a respeito de suas reclamações contra os abusos cometidos pelo capitão-mor da cidade de São Luís, Francisco Manoel de Nóbrega. Ao que parece, o monarca exigia providências do governador contra o comportamento do capitão-mor que, segundo ele, desejava “ocupar mais de duas partes dos índios que se tem na aldeia de São José [de Tapuitapera, hoje Alcântara], usando das mais violências que se refere contra os dispostos nas minhas leis, seguindo-se dele não só grandes desserviços de Deus” (<xref ref-type="bibr" rid="B15">AHU, cód. 269, 1719b</xref>). Em 1720, o rei escrevia novamente ao governador, destacando seu descontentamento com a inobservância dos capítulos do Regimento, principalmente com o tratamento dispensado aos jesuítas, e afirmava ter sido “informado com grande sentimento mau que se não observam os capítulos do Regimento do governo desse mesmo estado nos quais recomendo que se faça toda a estimação dos missionários e mais pessoas eclesiásticas que hão de tratar da conversão dos índios, e que sejam venerados e respeitados como se é devido” (<xref ref-type="bibr" rid="B3">AHU, cód. 269, 1720a</xref>).</p>
			<p>O monarca utilizava argumentos remetendo, segundo ele, à extremada importância histórica da ação da Companhia de Jesus, e destacava, na mesma missiva, terem os religiosos auxiliado os governadores, antecessores de Berredo, na conquista e aumento daquelas terras, principalmente pela rendição dos índios à obediência do rei, ponto importante para aquela sociedade. A integração dos nativos ao projeto colonial, mediante a atuação dos missionários junto aos índios, é reconhecida pela observação de “que tudo se facilita, pelas mãos e diligências dos mesmos índios como tão práticos naquelas terras”. Por esses motivos, insistia o rei, os capítulos do Regimento das Missões deveriam ser executados “infalivelmente”, e os missionários deveriam ser tratados com respeito pelos governadores para servirem de exemplo aos índios (AHU, cód. 269, 1720a).</p>
			<p>Insatisfeito com a postura de Berredo para com o cumprimento do Regimento e da legislação indígena, o monarca, além de exigir a obediência às leis e o respeito aos jesuítas, asseverava:</p>
			<disp-quote>
				<p>por várias considerações, assim do serviço de Deus como do meu, fui servido que a administração dos índios, assim no espiritual, como no temporal, pertence apenas aos missionários [...] [e] convém que não se altere essa disposição. Me pareceu ordena-vos façais guardar, inviolavelmente as leis que há nessa matéria, castigando qualquer pessoa que se intrometer no governo das aldeias e se servir de índios ou índias sem ter ordem para o fazer. (AHU, cód. 269, 1720b)</p>
			</disp-quote>
			<p>Além disso, ordenava que o governador não interferisse em outras esferas da administração da colônia, algo sem muito sentido, pois o governador-geral era a extensão do braço da Coroa portuguesa na colônia (<xref ref-type="bibr" rid="B16">AHU, cód. 269, 1721a</xref>). A análise dessas ordens, tão próximas e tão enfáticas, é importante por nos permitir compreender que o plano de governo de Bernardo Pereira de Berredo, Alexandre de Souza Freire, Paulo da Silva Nunes e das Câmaras de São Luís e Belém para o Maranhão diferia bastante do da Corte portuguesa. O ex-governador desejava diminuir ou revogar de vez o poder dos religiosos sobre as missões do Maranhão, enquanto a Coroa o relembrava da obrigação como funcionário régio de cumprir as leis reais sem questioná-las ou modificá-las. Esse descompasso da Coroa em relação a Berredo fica claro em várias outras cartas,<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> evidenciando ser o governador considerado ou displicente com a legislação indígena ou contrário a ela. Isso teria ocasionado, ao que tudo indica, a devassa tirada contra ele pelo sindicante Francisco da Gama Pinto durante a transição de seu governo para o de João da Maia da Gama.<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>
			</p>
			<p>As sindicâncias, devassas ou residências eram tiradas quando a Coroa suspeitava do trabalho de seus funcionários. Segundo Adriana Romeiro, desde 1625, no caso dos governos do Ultramar, os sindicantes responsáveis por tirar residência eram obrigados por uma ordem régia a irem para as conquistas em companhia dos sucessores aos respectivos cargos. Desde o século XVII, as residências só poderiam ser tiradas quando o investigado estivesse fora do lugar em que havia servido com o objetivo de não haver influência direta dos investigados sobre os processos (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Romeiro, 2017</xref>).</p>
			<p>Para Silva Nunes, Berredo governou como um pai para os moradores; já para a Corte, ele agiu de forma sediciosa e saiu do Maranhão sob forte investigação. Daí, podemos entender o quanto o grupo formado ao redor das ações de Silva Nunes acreditava serem as leis e ações da Coroa equivocadas para o Maranhão, e o quanto, inicialmente, confiou e investiu em sua campanha. Silva Nunes embarcou para Lisboa por conta própria, confiante de sua influência junto aos colonos e aos membros das Câmaras municipais - em razão dos cargos ocupados durante o governo de Berredo, pela campanha que deflagrou e, também, por ter custeado a construção dos prédios da Câmara e da cadeia da Vila de Vigia - e afiançando-se no ex-governador Berredo. Porém, já no início de sua campanha, queixava-se de que a Câmara do Pará sabia de sua partida para a Corte e de sua intenção de levar ao rei os ‘remédios’ para a ‘ruína’ do Maranhão, todavia em nada lhe foi favorável, negando-lhe auxílio financeiro e até mesmo a procuração solicitada para agir em nome dos povos do Maranhão e Grão-Pará na empreitada que, acreditava ele, seria rápida e certa (Moraes, 1859, t. IV, p. 286 e 291).</p>
			<p>No ano de 1726, intercedendo por Silva Nunes, Berredo escreveu para a Câmara de Belém requerendo apoio financeiro ao procurador, que estaria empregando todos os meios para o remédio do estado e somente devido à variedade de negócios existentes no Reino ainda não havia alcançado seu objetivo: “contudo muitos passos se tem adiantado, com a boa agência de Paulo da Silva Nunes, que asseguro a Vms. [Vosmecês] é o melhor procurador que cá poderiam ter, assim me parece que Vms. o devem ajudar” (Moraes, 1859, t. IV, p. 291). Entretanto, nem a intervenção do seu patrono foi suficiente para obter o apoio esperado. Após analisarmos as cartas escritas por Silva Nunes para as Câmaras do Maranhão e do Pará e para Clemente Soeiro Palheta, um de seus cúmplices no motim organizado contra João da Maia e os jesuítas, notamos que ele estava praticamente por sua conta. Afirmava ter sido desmerecido por duas formações diferentes do Senado da Câmara (Moraes, 1859, t. IV, p. 286-291).</p>
			<p>As Câmaras do Pará e do Maranhão não colaboraram com o procurador. João da Maia afirmou ter sido avisado por um procurador dessas casas, chamado João de Souza, que Silva Nunes teria escrito para elas, afirmando ter certeza do sucesso de suas representações sobre os índios e o consequente “aumento do estado”, pois “muito [era] ouvido e atendido de Vossa Majestade”, ou seja, Silva Nunes estava sendo denunciado pelos membros das Câmaras, que acreditava serem seus principais aliados (AHU, cx. 9, doc. 779, avulsos Pará).</p>
			<p>Mesmo diante da postura dos órgãos coloniais, os apelos do procurador não cessavam. Ele fazia suas solicitações mediante a notícia de que Berredo e ele estavam trabalhando em uma grande junta da qual esperavam grandes resultados, futuramente experimentados pelos senadores da Câmara. Acreditamos, por não haver mais menções a essa “grande junta”, que ela não passava de uma “invenção” do procurador para captar a boa vontade das Câmaras. Como vemos, Silva Nunes insinuava ter seu caminho na Corte facilitado por Berredo e acreditava retornar ao Maranhão e Grão-Pará no mais tardar em 1726, como afirmava em carta à Câmara de Belém: “confio em Deus, se completará tudo para o ano, em que pretendo restituir-me a minha casa, que bem sei terá padecido as inclemências que se faz nesse estado a quem melhor procede” (Moraes, 1859, t. IV, p. 286).</p>
			<p>Tal notícia balizava-se em reuniões supostamente tidas com o rei, nas quais levou as petições ao monarca. Essas teriam sido recebidas com “tão benignas demonstrações” a ponto de ele ter esperanças de que para o ano (1726) seus pedidos seriam atendidos, pois saíra das audiências com o rei consolado e com esperanças de remédios. Por isso, agia sem ter procuração nem outro recurso da Câmara do Pará, “a quem noticiei o meu embarque e o intento dele” (Moraes, 1859, t. IV, p. 286).</p>
			<p>Na segunda carta escrita à Câmara do Pará em 1726, diferente da primeira, Silva Nunes apresentava um tom mais preocupado. Ele afirmava ter se reunido com o rei “quatorze vezes” e “por serviço de Deus, e de Sua Majestade, e do bem comum desses moradores”, pedia aos senadores para aplicarem seu “zelo e ciência para que este nó górdio se desate desta vez” (Moraes, 1859, t. IV, p. 287-288). De fato, solicitou um procedimento diferente dos “seculares da Câmara” a serviço no ano de sua partida “[que] se houveram tão tímidos ou faltosos de zelo” (Moraes, 1859, t. IV, p. 287-288). Agindo, segundo suspeita, para o bem particular e não para o bem público, pois tinham levado a carta anterior ao governador João da Maia da Gama. Os camaristas apenas lhe enviaram a procuração solicitada, porém lhe negaram ajuda financeira, afirmando que o procurador deveria estabelecer-se com o dinheiro que lá possuía (Moraes, 1859, t. IV, p. 287-288).</p>
			<p>Além de não ter obtido os recursos financeiros para o seu sustento na Corte, o procurador reclamava ter recebido como únicos prêmios duas “contas feíssimas que esse bom governo deu ao Conselho Ultramarino contra mim”. Porém, visando legitimar o seu pedido de auxílio financeiro, afirmava ter tido duas audiências particulares sobre a dita petição com um secretário de Estado, cujo nome não fornece, que havia mandado subir todos os papéis da devassa tirada pelo desembargador Francisco da Gama Pinto para analisá-los e tomar uma resolução. O procurador esperava que Bernardo Pereira de Berredo fosse ouvido e desse “um grande voto a favor desses povos” (Moraes, 1859, t. IV, p. 287-288).</p>
			<p>As cartas do procurador oscilam entre um tom preocupado com as negativas das Câmaras e otimista com o posicionamento da Coroa. Nesse contexto, nos surge uma dúvida: as notícias das diversas reuniões com o rei e das audiências com o secretário de Estado eram verdadeiras? Se o foram, qual o motivo para o Conselho Ultramarino demorar a analisar as petições, o que só ocorreu entre 1734 e 1736? Em nossa concepção, essas afirmações constituíam mais argumentos retóricos em vista da obtenção dos recursos financeiros. Pois, ao que parece, as despesas do procurador eram muito altas e ele estava contraindo dívidas, pois sua expectativa de passar somente um ano na Corte, como sabemos, não se realizou.</p>
			<p>A rede de apoio de Silva Nunes se esgarçou rapidamente. No ano de 1738, 14 anos após o envio de sua primeira petição, sua situação era de penúria. Em aviso do secretário de Estado da Marinha e Ultramar, António Guedes Pereira, para o conselheiro do Conselho Ultramarino, José de Carvalho e Abreu, existem informações de que o procurador estava totalmente destituído de meios para subsistir com dignidade: “em tal extremo de pobreza, que não tinha o que vestir descentemente, nem com o que se alimentar, com termos de pedir de porta em porta esmola como mendigo” (<xref ref-type="bibr" rid="B1">AHU, cx. 21, doc. 1942, avulsos Pará</xref>). A situação chegou a esse ponto pois, como já afirmamos, ‘os povos’ do Maranhão e Grão-Pará, assim como o Senado das duas Câmaras, não tinham cabedais, rendas nem interesse de sustentar o procurador na Corte. Todavia, o mais emblemático era a falta de ‘ânimo’ daquela população para continuar com a campanha por observarem os poucos frutos produzidos pelos requerimentos de Silva Nunes em tantos anos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">AHU, cx. 21, doc. 1942, avulsos Pará</xref>).</p>
			<p>As acusações realizadas por Silva Nunes fizeram que na década de 1730 fosse enviado ao Maranhão e Grão-Pará o desembargador sindicante Francisco Duarte dos Santos, com o intuito de esclarecer os discursos contraditórios sobre a atuação da Companhia de Jesus e a situação dos índios da região. Porém, o parecer do desembargador em nada foi favorável ao procurador autoproclamado e, em 1734, o Conselho Ultramarino considerava conveniente o rei não permitir mais a volta de Silva Nunes para o Maranhão “por ser um homem sedicioso, e de grande orgulho, tanto que já se animou a requerer a Vossa Majestade pretendendo que se tirassem do estado os govenadores e ministros, para que ficasse o governo dele nas Câmaras do Maranhão e Pará” (AHU, cód. 485, vol. 1, fl. 552r). Desse modo, as esperanças do procurador de retornar para sua família depois de conseguir o tão desejado êxito de suas petições acabaram de vez.</p>
			<p>Àquela altura, o seu principal patrono, Berredo, já havia saído da Corte para servir na praça-forte de Mazagão, no Marrocos, de 1734 a 1745: “abandonando as estéreis, e não raro, odiosas intrigas, em que andou envolvido, passou à África, onde, como soldado que era, achou mais honrado e glorioso campo de sua atividade” (Azevedo, 1999, p. 222-226). Quanto a Alexandre de Souza Freire, deixou seu posto de governador do Maranhão e Grão-Pará em 1732 em situação bastante adversa, com um processo de devassa aberto contra ele em virtude de supostos excessos cometidos na sua administração (AHU, cx. 20, doc. 2089, avulsos Maranhão). Voltou para a Corte em estado financeiro delicado. Em Consulta perpetrada pelo Conselho Ultramarino sobre uma Guerra Ofensiva ilegal, realizada pelo cabo Belchior Mendes de Mendonça e expedida por Alexandres de Souza Freire, os conselheiros daquele órgão deixaram a sua opinião sobre o governador clara. Segundo os funcionários régios, ele era inepto para o cargo por agir apenas em benefício próprio e de sua família, infligindo as leis reais. Por isso, aconselharam ao rei que enviasse para o estado um governador “que haja de observar as leis e ordens de Vossa Majestade e que este parta em primeiro navio que for para o mesmo estado” (<xref ref-type="bibr" rid="B4">AHU, cód. 485, vol. 1, fl. 211v</xref>). No mesmo documento sugerem que se tire residência do dito governador e devassa de todas as acusações feitas contra ele nas representações dos prelados das religiões (AHU, cód. 485, vol. 1, fl. 212r).</p>
			<p>Mesmo com essas adversidades e os quase inexistentes frutos de sua empreitada, o procurador afirmava necessitar da “real piedade de Vossa Majestade” para se vestir e se alimentar dignamente com o objetivo de “continuar na aplicação de seus despachos com o mesmo zelo, constância e fidelidade, com que solicita a quatorze anos às suas custas como real vassalo, por serem de tanta importância ao serviço de Deus e de Vossa Majestade” (<xref ref-type="bibr" rid="B5">AHU, cx. 21, doc. 1942, avulsos Pará</xref>). A última tentativa do procurador teria ocorrido no ano de 1738, repetindo as mesmas petições já realizadas. Provavelmente por conta das dívidas adquiridas em sua empreitada contra os jesuítas foi, enfim, preso no Limoeiro. Segundo Serafim Leite, “foram os jesuítas que tanto caluniara, que lhe valeram e minoraram, até com recursos pecuniários, o amargor da prisão” (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Leite, 1943</xref>, p. 207). De onde só teria saído em 1746, provável ano de sua morte (Azevedo, 1999, p. 302).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>Os documentos produzidos por Silva Nunes seguiam determinado padrão. Em sua maioria, iniciavam com uma observação referente ao tempo em que esteve na Corte em busca de resposta para as queixas dos moradores do Maranhão e Grão-Pará. Em seguida, reafirmavam sua posição de procurador dos povos do Maranhão e Grão-Pará, lembrando os anos que viveu efetivamente na colônia, constituindo-se em testemunha direta das “mazelas” supostamente causadas pela atuação dos jesuítas. Depois, descreviam as riquezas daquelas terras no intuito de apresentar a colônia como “uma terra rica em promessas” que, a seu ver, não eram devidamente realizadas. Dessa forma, o procurador fazia questão de apontar os problemas, mas também de identificar suas causas e propor soluções.</p>
			<p>Nessa estrutura argumentativa, reconhecemos a organização de um projeto de governo para o Maranhão e Grão-Pará concebido por Paulo da Silva Nunes, Bernardo Pereira de Berredo, Alexandre de Souza Freire e, por algum tempo, pelos camarários de São Luís e Belém. Esse projeto era, em alguns pontos e na conjuntura do momento, conflitante com o projeto do Reino para a região. Desse modo, entendemos que Silva Nunes propunha uma espécie de desobediência civil contra os funcionários e as leis régias, alheios às necessidades dos povos do Maranhão e Grão-Pará. Por isso, em sua produção documental, sempre fez questão de destacar que morou na colônia, conhecendo, portanto, as necessidades locais melhor que os agentes administrativos do Reino.</p>
			<p>O procurador buscou incansavelmente ser ouvido para remediar a situação do Maranhão e Grão-Pará e eliminar as principais causas da ‘ruína’ daquela região. Segundo ele, os maiores empecilhos para a implantação de seu projeto foram a Companhia de Jesus e as leis reais favoráveis à Ordem, dentre as quais, sobretudo o Regimento das Missões. Dessa forma, compreendemos que o antijesuitismo amazônico, produzido na primeira metade do século XVIII, fazia parte de um amplo projeto de governo com o objetivo de proibir o uso da língua geral, enviar casais brancos para povoarem efetivamente a colônia, dar ‘liberdade’ aos índios para trabalharem com quem quisessem em troca de salários, fazer circular moedas na região e dinamizar o comércio, governar por meio das Câmaras municipais, expulsar a Companhia de Jesus daquelas terras e secularizar os aldeamentos jesuíticos. Desse modo, para o procurador, os problemas daquela região seriam sanados.</p>
			<p>Porém, a documentação produzida pelo Procurador ficou engavetada por mais de 17 anos no arquivo do Conselho Ultramarino. Somente em 1755 um escriba do Marquês de Pombal, Paulo de Carvalho, os trouxe à luz como ‘arma’ contra os jesuítas. Possivelmente esse foi amigo de Berredo e conheceu Paulo da Silva Nunes, pois segundo Azevedo, a maior parte dos papéis teria sido entregue ao escriba pelo próprio autor (Azevedo, 1999, p. 187). A reunião desses documentos gerou uma coleção conhecida como <italic>As terribilidades jesuíticas no governo de D’El Rei Dom João Quinto</italic> (AHU, Cód. 485, vol. 1), que teve grande influência na campanha antijesuítica pombalina.</p>
			<p>Com efeito, algumas ideias defendidas por Paulo da Silva Nunes, como as citadas anteriormente, foram revisitadas nas leis pombalinas, sobretudo no <italic>Diretório dos Índios,</italic> promulgado em 1755. As demandas de Paulo da Silva Nunes não foram ouvidas na primeira metade do século XVIII, mas serviram como arma para o antijesuitismo pombalino, que conseguiria pôr termo na ação da Companhia de Jesus, não apenas na Amazônia portuguesa, mas nos quatro cantos do mundo.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<label>FONTES MANUSCRITAS / Arquivo Histórico Ultramarino – AHU</label>
			<title>Avulsos Maranhão</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>AVISO do [secretário de estado da Marinha e Ultramar], António Guedes Pereira para o [conselheiro do Conselho Ultramarino], José de Carvalho e Abreu, para que se consulte sobre o requerimento do procurador dos Povos do Maranhão e Pará, Paulo da Silva Nunes, no qual solicita vestuário e alimentação. Anexo: requerimento. 1738, Março, 17, Lisboa. AHU, cx. 21, doc. 1942.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>AVISO do [secretário de estado da Marinha e Ultramar], António Guedes Pereira para o [conselheiro do Conselho Ultramarino], José de Carvalho e Abreu, para que se consulte sobre o requerimento do procurador dos Povos do Maranhão e Pará, Paulo da Silva Nunes, no qual solicita vestuário e alimentação. Anexo: requerimento</source>
					<day>17</day>
					<month>03</month>
					<year>1738</year>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cx. 21, doc. 1942</comment>
				</element-citation>
			</ref>
		</ref-list>
		<ref-list>
			<title>Avulsos Pará</title>
			<ref id="B2">
				<mixed-citation>CARTA [do governador e capitão-general do Estado do Maranhão] João da Maia da Gama, para o rei [D. João V], sobre os inúmeros problemas ocorrido após a libertação de Paulo da Silva Nunes. Anexo: Parecer e Carta (cópia). 1725, setembro, 20, Belém do Pará. AHU, cx. 9, doc. 779.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>CARTA [do governador e capitão-general do Estado do Maranhão] João da Maia da Gama, para o rei [D. João V], sobre os inúmeros problemas ocorrido após a libertação de Paulo da Silva Nunes. Anexo: Parecer e Carta (cópia)</source>
					<day>20</day>
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					<year>1725</year>
					<publisher-loc>Belém do Pará</publisher-loc>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cx. 9, doc. 779</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<mixed-citation>CARTA do comissário de diligências do Serviço Real nas capitanias do Maranhão e Pará, Francisco da Gama Pinto, para o rei [D. João V], sobre a prática do cativeiro dos índios contra o determinado as disposições régias. Belém do Pará, 21 de agosto de 1722. AHU, cx. 7, doc. 608.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>CARTA do comissário de diligências do Serviço Real nas capitanias do Maranhão e Pará, Francisco da Gama Pinto, para o rei [D. João V], sobre a prática do cativeiro dos índios contra o determinado as disposições régias</source>
					<publisher-loc>Belém do Pará</publisher-loc>
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					<year>1722</year>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cx. 7, doc. 608</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<mixed-citation>CONSULTA do Conselho Ultramarino para o rei D. João V, sobre as razões que levaram o governador e capitão-general do Estado do Maranhão, João da Maia da Gama, a prender o capitão-mor da capitania do Pará, Manuel da Madureira Lobo, e as queixas que contra este último apresentou. Anexo: cartas, pareceres e requerimento. Lisboa, 23 de março de 1724. AHU, cx. 8, doc. 682.</mixed-citation>
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					<source>CONSULTA do Conselho Ultramarino para o rei D. João V, sobre as razões que levaram o governador e capitão-general do Estado do Maranhão, João da Maia da Gama, a prender o capitão-mor da capitania do Pará, Manuel da Madureira Lobo, e as queixas que contra este último apresentou. Anexo: cartas, pareceres e requerimento</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
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					<year>1724</year>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cx. 8, doc. 682</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<mixed-citation>DESPACHO do Conselho Ultramarino Sobre o processo do ex-governador do Maranhão, Alexandre de Sousa Freire. 1733, Abril, 24, Lisboa. AHU, cx. 20, doc. 2089.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>DESPACHO do Conselho Ultramarino Sobre o processo do ex-governador do Maranhão, Alexandre de Sousa Freire</source>
					<day>24</day>
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					<year>1733</year>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cx. 20, doc. 2089</comment>
				</element-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<mixed-citation>REQUERIMENTO do procurador do estado do Maranhão, Paulo da Silva Nunes, para o Rei D. Joao V, em que solicita ajuda e resposta à queixa apresentada contra o Conselho Ultramarino e a Mesa da Consciência e Ordens pela forma como foi atendido no desempenho de suas funções. AHU, cx. 19, doc. 1942.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>REQUERIMENTO do procurador do estado do Maranhão, Paulo da Silva Nunes, para o Rei D. Joao V, em que solicita ajuda e resposta à queixa apresentada contra o Conselho Ultramarino e a Mesa da Consciência e Ordens pela forma como foi atendido no desempenho de suas funções</source>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cx. 19, doc. 1942</comment>
				</element-citation>
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		<ref-list>
			<title>Registro de cartas régias para o governador e outras entidades do Maranhão - (1673-1712) - Códice 268.</title>
			<ref id="B7">
				<mixed-citation>PARA os oficiais da Câmara do Pará - Sobre o prejuízo que se segue aqueles moradores de não hirem aos leitos do rio das Amazonas pretos e mamelucos e mais escravos seus. Lisboa a 24 de julho de 1709. AHU, cód. 268.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>PARA os oficiais da Câmara do Pará - Sobre o prejuízo que se segue aqueles moradores de não hirem aos leitos do rio das Amazonas pretos e mamelucos e mais escravos seus</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
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					<year>1709</year>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cód. 268</comment>
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		<ref-list>
			<title>Registro de cartas régias para o governador e outras entidades do Maranhão - (1712-1726) - Códice 269.</title>
			<ref id="B8">
				<mixed-citation>PARA Francisco da Gama Pinto - Sobre lhe tirar devassa acerca dos cativeiros dos índios Tapuyas do corço da nação Guanoré. Lisboa, de março de 1722. AHU, cód. 269.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="other">
					<source>PARA Francisco da Gama Pinto - Sobre lhe tirar devassa acerca dos cativeiros dos índios Tapuyas do corço da nação Guanoré</source>
					<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
					<month>03</month>
					<year>1722</year>
					<publisher-name>AHU</publisher-name>
					<comment>cód. 269</comment>
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				<mixed-citation>PARA o governador do Maranhão - Sobre a representação que faz o Pe. Manuel de Seixas, superior das missões da Companhia de jesus. Lisboa, 12 de outubro de 1719. AHU, cód. 269.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PARA o governador do Maranhão - Sobre se castigar qualquer pessoa que se intrometer no governo das Aldeias, e se servir dos índios ou índias sem ter ordem para isso. Lisboa [?] de julho de 1720b. AHU, cód. 269.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PARA o governador do Maranhão - Sobre se lhe aprovar a prisão que fez a Paulo da Silva por suas práticas serem escandalosas e se encaminharem a motins [Se confessa de tantas letras, e pareceu dizervos (sic) que fizeste bem]. Lisboa, 18 de março de 1724. AHU, cód. 269. </mixed-citation>
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				<mixed-citation>PARA o governador do Maranhão - Sobre se não intrometer na jurisdição do Provedor da Fazenda do Pará. Lisboa, 12 de dezembro de 1721a. AHU, cód. 269.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PARA o sindicante Francisco da Gama Pinto. Lisboa, 04 de dezembro de 1721b. AHU, cód. 269.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>COLEÇÃO das Representações, Propostas, e Providencias, Sobre As ruinas, que aos Povos do Estado do Gram Pará, e Maranhão fizeram aos denominados Jesuítas, até o fim do Reinado do Senhor Rei dom João Quinto (1686-1755), que faz parte das Terribilidades Jesuíticas no Governo de D’El Rei dom João Quinto/Maranhão - AHU, cód. 485, vol. 1.</mixed-citation>
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			<title>FONTES IMPRESSAS</title>
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				<mixed-citation>CARTA de Bernardo Pereira de Berredo ao Senado do Pará. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 4, Rio de Janeiro: Tipografia Americana, 1858, p. 291.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>CARTAS de Paulo da Silva Nunes à Câmara do Pará. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 4, Rio de Janeiro: Tipografia Americana, 1858, p. 286-291. </mixed-citation>
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				<mixed-citation>MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 3, Rio de Janeiro: Tipografia Americana, 1858.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PAPEL que o padre Jacinto de Carvalho, Visitador Geral das Missões do Maranhão, apresentou a El-rei para se juntar aos dois requerimentos do procurador Paulo da Silva Nunes. Datada do Colégio de Santo Antão, 16 de dezembro de 1729. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 3, Rio de Janeiro: Tipografia Americana, 1858, p. 305-330.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PARECER de João da Maia da Gama, governador que foi do Maranhão, sobre os requerimentos que a El-rei apresentou Paulo da Silva Nunes contra os missionários. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 4, Rio de Janeiro: Tipografia Americana, 1858, p. 258-274.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>PROPOSTA da Câmara do Pará a sua majestade [sic] apresentada pelo procurador do Estado Paulo da Silva Nunes. Tem alguma diferença, ainda que pouca importância de outra de igual título (1724). MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 3, Rio de Janeiro: Tipografia Americana, 1858, p. 355. </mixed-citation>
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			<title>REFERÊNCIAS</title>
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					<source>Conflito e continuidade na sociedade brasileira</source>
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				</element-citation>
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				<mixed-citation>AZEVEDO, João Lúcio de. Os jesuítas no Grão-Pará: suas Missões e a colonização. Belém: Secult, 1999. (Série Lendo o Pará, 20).</mixed-citation>
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					<comment>Série Lendo o Pará, 20</comment>
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				<mixed-citation>CARVALHO, Roberta Lobão. “A ruína do Maranhão”: a construção do discurso antijesuítico na Amazônia portuguesa (1705-1759). 2018. Tese (Doutorado em História Social) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós--Graduação em História Social da Amazônia, Universidade Federal do Pará (UFPA). Belém, 2018.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>DIAS, Joel dos Santos. Os “verdadeiros conservadores” do Estado do Maranhão: poder local, rede de clientelas e cultura política na Amazônia colonial (primeira metade do século XVIII). 2008. Dissertação (Mestrado em História Social) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia, Universidade Federal do Pará (UFPA). Belém, 2008.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>FRANCO, José Eduardo. O Mito dos Jesuítas em Portugal, no Brasil e no Oriente (séculos XVI a XX): do Marquês de Pombal ao Século XX. v. I. Lisboa: Gradiva, 2006.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>GOUVÊA, Maria de Fátima; FRAGOSO, João (org.). Na trama das redes: política e negócios no Império Português, séculos XVI-XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>HOBSBAWM, Eric John. Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito e realidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2008.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. v. 4. Lisboa: Livraria Portugalia; Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1943.</mixed-citation>
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					<comment>Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro</comment>
					<year>1943</year>
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			<ref id="B30">
				<mixed-citation>MATTEUCCI, Nicola. Bem Comum. In: BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de Política. 8. ed. Brasília: Ed. UnB, 1995. p. 106-107.</mixed-citation>
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					<source>Dicionário de Política</source>
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					<publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
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				<mixed-citation>MELLO, Márcia Eliane A. de S. e. Fé e império: as Juntas das Missões nas conquistas portuguesas. Manaus: Ed. UFAM, 2009.</mixed-citation>
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					<source>Fé e império: as Juntas das Missões nas conquistas portuguesas</source>
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					<publisher-name>Ed. UFAM</publisher-name>
					<year>2009</year>
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			<ref id="B32">
				<mixed-citation>ROMEIRO, Adriana. Corrupção e poder no Brasil: uma história, séculos XVI a XVIII. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.</mixed-citation>
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					<source>Corrupção e poder no Brasil: uma história, séculos XVI a XVIII</source>
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					<year>2017</year>
				</element-citation>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Alguns documentos citados no artigo estão no livro de Alexandre José de Mello Moraes, <italic>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</italic>, tomos I, II, III e IV, por isso quando os citar farei referência à obra, porém na bibliografia será disponibilizado o título das documentações citadas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>No que se refere à política linguística da Coroa portuguesa ver Prudente, 2017.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Por exemplo, em carta escrita no ano de 1709 para os oficiais da Câmara do Pará, a Corte mostra certa preocupação com a ausência de “pretos, mamelucos e mais escravos” para trabalharem no vale do rio Amazonas (AHU, cód. 268, 1709).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Essas leis, criadas por Pedro II, devem ser compreendidas como orgânicas, pois integravam uma série de leis tidas como necessárias para disciplinar colonos, funcionários régios e missionários em relação ao uso dos índios como mão de obra (ver <xref ref-type="bibr" rid="B22">ARENZ; SILVA, 2002</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>A tópica da ruína do Estado era arraigada nos discursos da época, ou seja, sempre se destacava a situação miserável da população. Ver AHU, cód. 268 (1673-1712).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Quanto ao funcionamento da Junta das Missões e a competência do governador, ver <xref ref-type="bibr" rid="B31">Mello, 2009</xref>.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Ao definir protonacionalismo, Eric Hobsbawm diferencia entre sentimentos populares de identificação supralocal e, como no caso de Paulo da Silva Nunes, esforços de “grupos seletos” ligados a um Estado em busca de extensão e popularização (<xref ref-type="bibr" rid="B28">HOBSBAWM, 2008</xref>, p. 63-64).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>“PARA o governador do Maranhão - Sobre se lhe ordenar faça observar as leis acerca dos índios com a advertência que a repartição deles que se houver de fazer para o serviço dos moradores da Vila de Vigia seja o mesmo da 3ª parte - Nesta mesma forma se escreveu o padre superior das missões da Companhia de Jesus o pe. Manuel de Seixas. Lisboa 12 de outubro de 1719”; “PARA o governador do Maranhão - Sobre se lhe informar na queixa que faz o Pe. superior dos missionários da Companhia de Jesus. Lisboa, 12 de outubro de 1719”; “PARA o governador do Maranhão - Sobre se lhe ordenar que na repartição que se houver de fazer dos índios para o Senado e moradores da Vila de Vigia, se faça por intervenção do missionário da dita Aldeia. Lisboa, [?] 1719”; “PARA o governador do Maranhão - Sobre se lhe informar na queixa que fez o superior das missões da Companhia de Jesus do Capitão mor do Maranhão contra a ordem de sua majestade. Lisboa, [?]1719”; “PARA o governador do Maranhão - Sobre se fazer observar inviolavelmente a lei de repartição dos índios. Lisboa, [?]1719” AHU, cód. 269 (1712-1726).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Para mais informações sobre os termos dessa devassa ver a tese <xref ref-type="bibr" rid="B24">Carvalho, 2018</xref>.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
<!--	<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Dossier: Amazonian Borders</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Anti-Jesuitism in the Portuguese Amazon (First Half of the Eighteenth Century)</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-8344-099X</contrib-id>
					<name>
						<surname>Carvalho</surname>
						<given-names>Roberta Lobão</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">*</xref>
					<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>1</sup></xref>
				</contrib>
			</contrib-group>
			<aff id="aff2">
				<label>*</label>
				<institution content-type="original">Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) - campus Santa Inês, Santa Inês, MA, Brasil. roberta.carvalho@ifma.edu.br</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<fn fn-type="other" id="fn11">
					<label>1</label>
					<p>Doctorate degree in Amazon Social History at the Universidade Federal do Pará (UFPA). This article is part of my Doctorate thesis <italic>The Ruins of Maranhão: An Anti-Jesuit Discuss Construction in the Portuguese Amazon (1705-1759)</italic>, defended in 2018.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				
			</abstract>
			
		</front-stub>
		<body>
			<p>Anti-Jesuitism originated alongside with the foundation of the Society of Jesus, gaining strength successively as it expanded in the world. This affirmation is easily proved as we analyse the historical documents on the group’s activities in any part of the world. The role of Jesuits in missionary, educational, political, economic fields, moral theology, wealth acquisition and management along the century, its ideal of mission, its multicultural practices among others, have always been hardly criticized and persecuted intensely in Europe and other conquered places like Asia, Africa and America and wherever it is present (Franco, 2006).</p>
			<p>In this article, we intend to analyse the anti-Jesuit trajectory of Paulo da Silva Nunes’ strategy to construct and implement a government project in Maranhão and Grão-Pará with several conflicting points to the project presented to the region by the Court. This way, the anti-Jesuitism of this agent would not only be limited to simple local economic matters. It was part of a political project aiming at a rational state, administratively ‘efficient’ and commercially profiting. Therefore, as principal sources, we will use petitions and reports written by Paulo de Silva Nunes, supposedly representing the colony dwellers of São Luís and Belém Chambers and the Oversea Counsel between 1724 and 1742, where he exposes from his point of view, reasons for the ‘ruins’ of Maranhão and the key ‘remedies’ for such situation.</p>
			<p>Paulo da Silva Nunes was born in Portugal, and had a background in Theology and Law (Franco, 2006, pp. 187-188). He was intellectually prepared; he knew the Latin language well enough, and knew the relationship between Portugal and Spain, as we have read in his letters. He had military experience from participating in the first years of the long Spanish Succession War (1701-1713), during which he had probably met his future ally Bernardo Pereira de Berredo (Azevedo, 1999).</p>
			<p>Silva Nunes came to Maranhão in 1707 together with governor Cristóvão da Costa Freire (1707-1718), working as a secretary. In 1712 Silva Nunes was appointed Chief Captain of the Vila da Vigia, in Pará, to substitute Francisco da Costa. Such substitution according to Cristóvão da Costa Freire, was not only based on Silva Nunes’ capacity, but for using his personal resources to construct the Chambers and prisons, for being an honoured person, and still, for moving to that village a hundred indigenous couples (AHU, code 269, 1712).</p>
			<p>The future prosecutor also occupied important positions during Bernardo Pereira de Berredo’s regime (1718-1722) such as Captain in the Privileged Infantry (<italic>capitão da Infantaria de Privilegiados</italic>) and Captaincy of Grão-Pará (<italic>Capitania do Grão-Pará</italic>), fortification superintendent of the same city and captaincy and Chief Captain of Vila de Icatu, close to São Luís, Maranhão state (AHU, cx. 21, doc. 1942, Pará Special). According to Dauril Alden, the position as Privileged Infantry Captain guaranteed him a space in the local aristocracy and a chance to marry “a descent of one of the most famous aristocratic founding fathers, the seventeenth-century explorer-warrior Pedro Teixeira” (Alden, 1970, p. 43).</p>
			<p>Silva Nunes spent almost seventeen years in the colony (1707-1724), until he sought for refuge at the Court, after being accused of planning a riot against and Society of Jesus priests and João da Maia da Gama’s government (1722-1728) that had succeeded that of Berredo (AHU, cx. 9, doc. 779, Pará Special). In a letter written in 1724, Dom João V writes about the arrest of Silva Nunes, communicated to him the previous year by João da Maia for royal endorsement. According to the document, Silva Nunes acted against the government because he desired to be “singular, only observing the law in the strictest”. While Berredo acted in a different way and “governed with great responsibility, setting free the serving indigenous people” (AHU, code 269, 1724).</p>
			<p>As we can see, the good governor, in perception of the prosecutor and the local population, was someone willing to modify or even ignore the royal laws for the ‘good’ of the peoples, which would be, in the case of the Amazonian colony, indiscriminate use and unregulated indigenous labour. João da Maia would proceed with ‘tyranny’, because, by denying him unrestricted access to indigenous labour, he would cause greater sufferings to the population. Thus, in the prosecutor’s point of view, it would be right to suggest the expulsion of the governor.</p>
			<p>To Silva Nunes, it was necessary to solve the colony issue, if not, “everything was lost”. In his campaign, he got support from the São Luís Chamber Officials that were “against” João da Maia’s regime. The plans against the governor were treated by key colonial society representatives, that would later become Silva Nunes’ accomplices in the intense campaign against the Society of Jesus: the councilman Clemente Palheta (AHU, code 269, 1724), the natives Antônio de Sousa Soeiro and Manoel de Oliveira Pantoja - described as a “proud, unquiet and disturbing man”, that had been banished at the time of Cristóvão da Costa Freire’s government for the involvement in the distribution of lampoons, spread on the street at night urging residents to expel Jesuit priests (Moraes, 1858, t. IV, p. 321),<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>12</sup></xref> and also the Chief Captain of Pará Captaincy, Manuel Madureira Lobo, arrested after the seizure of documents, inciting illegal captivity of Indigenous people, and also charges on being part of the organization of the riot (AHU, cx. 8 doc. 682, Pará Special).</p>
			<p>The Society of Jesus priest at that time, Jacinto de Carvalho, reported Silva Nunes’ activities, pointing him out as the head of the movement. For this, João da Maia solicited the reports presented by Silva Nunes from the councilmen and his arrest, seeing that the offensive and seditious activities of the prosecutor could lead to a possible rise against Jesuits (Dias, 2008, p. 115).</p>
			<p>In the following year, Dom João V replied in support of the governor’s decision. However, the monarch made it clear that “you cannot hold anyone in prison for more than the stipulated period”. Hence, he recommended Silva Nunes to be sent to the Kingdom if he repeated the activities reported by the governor. Also, if anyone should rise against the governor, he must be punished to serve as an example (AHU, code 269, 1724). It did not take too long for Silva Nunes to gain liberty and seize the opportunity to escape to the Kingdom in 1724, leaving behind in “Pará […] a wife, four children (two boys and two maiden girls), other family members and his farms” (AHU, cx. 19, doc. 1942, Maranhão Special). While according to Franco, Silva Nunes had left “three women, many children and wealth” (Franco, 2006, p. 187). To Azevedo, he had “left all his farm, which was insignificant, in Pará” (Azevedo, 1999, p. 171).</p>
			<sec>
				<title>PAULO DA SILVA NUNES’ PRINCIPAL PROPOSALS</title>
				<p>Despite the contradictions regarding Silva Nunes’ financial condition in the colony, and also his civil status, we cannot overlook - probably by the positions he occupied - he was aware of the population’s socio-economic situation, also, the means, forms and complications of the local government gave him enunciative conditions, constructed historically, to understand the situation of the colony. That is to say, he knew how to design economic and managerial strategies, and in his letters and petitions, he seems to aim at setting-up a certain state order in Maranhão and Grão-Pará. In other words, Silva Nunes was looking for a way to rationalize the region’s economy and politics, with the aim of consolidating its borders by populating the region, establishing Portuguese as a single language<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>3</sup></xref> and strengthening production and trade by easing access to indigenous labor and permitting money circulation.</p>
				<p>Therefore, different from the ideas defended by royal officials<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>4</sup></xref> and various laws - such as that of April 1st, 1680, which determined the unrestricted liberty of the indigenous people, and encouraged the sending of enslaved Africans to Maranhão, and even the 1686<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>5</sup></xref> Mission Regiment - inserting African slaves into the region. According to the prosecutor, all of those would not solve the “ruin of the state” because they were not “the most accurate remedies for the people in the present time.” On the contrary, it would be more convenient to use the indigenous people through the payment of wages, food provision, clothing and the teaching of Christian doctrine, and good morals (Moraes, 1859, t. IV, p. 288).</p>
				<p>This position as it all seems was built on his experience in the region which allowed him to understand the local population. Even the most affluent did not have resources for the “purchase of slaves of African origin”. Therefore, indigenous people’s work force would be the most viable alternative in that inept economic system, since it was unable to meet the economic power for the acquisition of enslaved Africans.<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>6</sup></xref> In a letter from 1723, the syndicating judge Francisco da Gama Pinto stated that it was necessary to remedy the labor problem of the region “to bring down” between eight hundred and one thousand slaves per year. In addition, residents should have three or four years to pay for them, because the situation in most parts at that time did not allow other forms of payment (AHU, cx. 7, doc. 608, Pará Special). Once again, at least in the correspondence of the time, the situation of aggravated poverty was evident.</p>
				<p>The prosecutor also showed a strong desire to review the role played by the Jesuit villages, since in the eighteenth century, the Amazon territory was sparsely populated, with the village housings and establishments being relatively stable and defensive on the borders with Spanish America. To modify this scenario, it would be necessary to consolidate the conquest, populating the region systematically, mainly through the secularization of those spaces. To this end, he asked the Councilors to send well-mannered white men to administer the villages and farms in place of the Jesuits. To justify his request, he claimed that this was a ‘good’ procedure to among other things mitigate the physical punishment suffered by the indigenous people. He requested according to issue that had been taken up by the Mission Board,<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>7</sup></xref> which was presided over by former governor Bernardo Pereira de Berredo, where the residents could make descent of the indigenous people given to them through a letter issued on March 9th, 1718 to the missionary villages (AHU, code 485, vol. 1, fl. 552).</p>
				<p>It is important to highlight that, despite Silva Nunes’ claim to take-up the seat recommended by Berredo, the former governor’s proposal at the time was not well received by the Court. In 1719, Dom João V wrote to Berredo with a harsh tone, that “first of all you have to apply my royal orders, and do not suspend them […] in that regard, I command you unfailingly fulfill them in their present form” (AHU, code 269, 1719a).</p>
				<p>However, to implement his protonationalist<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>8</sup></xref> project, Silva Nunes ignored the warnings previously given by the Crown, and insisted on the same arguments and petitions. Apparently, he believed in the legality of his supplications and demands by repeatedly insisting that the residents were oppressed by the royal officials, and claiming benefits from those who worked in conquering and consolidating the territory.</p>
				<p>Silva Nunes believed it was necessary to eliminate everything that, according to him, was a hindrance: royal officials who were against the residents, missionaries; especially the Jesuits, foreigners par excellence - for not having a Portuguese origin as well as not having many Portuguese in their lineage - and supposedly not committed to the project of making Portugal a modern nation. This project was to be carried out through the rich Portuguese possessions, however ruined by the action of that Order, characterized as foreign and without any commitment to the king, due to its expansion and universal ‘vocation’.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>PAULO DA SILVA NUNES’S ALLIES</title>
				<p>According to Maria de Fátima Gouvêa and João Fragoso, a colonial society can be understood as a tangle of structures and social relations full of fractures and conflicting interests. However to understand a social organization as “The set of rules shared between its agents - thus enabling social relations - it does not imply that such rules are entirely coherent […] even if it would function as a rigid machinery, and insensible to everyday dramas”. On the contrary, precisely for being a system of norms, colonial society used to be “impregnated with inconsistencies”, mainly because it was in continuous movement (Gouvêa; Fragoso, 2010, pp. 15-16).</p>
				<p>From the perspective of a society in motion, we study Paulo da Silva Nunes’ performance as the Prosecutor of the Maranhão People. A strong opponent of the relationship established between the Portuguese Crown and the Jesuits in the Portuguese Amazon, he craved that his understanding of the nature, politics, religion, and work in the region would be incorporated by the royal authorities, in order to carry out his political project of ‘salvation’ of that ‘ruined state’. To this end, he predicted the removal of Society of Jesus’ members, the governors and royal officials from the state so that his government would be in charge of the Chambers of Maranhão and Pará (AHU, code 485, vol. 1, fls. 154r-187v).</p>
				<p>Struggling to realize his objectives, he used all the possible spaces of movement in that society, both physically and symbolically, however he did not act alone. We can say that the ideas defended by Silva Nunes were related to indigenous people’s captivity and the inertia of the royal laws, because they were initially defended by the Local Chambers, settlers and royal workers such as the former governors Bernardo Pereira de Berredo and Alexandre de Souza Freire (1728-1732), and the chief Captain of Pará Captaincy, Manuel Madureira Lobo. To them, the fact that there were few Portuguese to cultivate the land, the use of indigenous people labor was indispensable, and the laws that favored the Jesuits, while permitting indigenous labor were the needs of the peoples of Maranhão and Grão-Pará.</p>
				<p>This way, the Crown had to attend to such peculiarity, because there would be a diversity of peoples, provinces, men and commercial activities, and there should also be laws, specifically, to regulate the liberty of indigenous people and labor in the colony, since prohibiting the enslavement of indigenous people in that context meant understanding the socio-political diversity of that region, and the local population. We note this idea in the supposed <italic>Proposal of the Pará Chamber</italic> sent to the king by Paulo da Silva Nunes in 1724:</p>
				<disp-quote>
					<p>The same thing has happened in law [as in economic and worker diversity in Portugal, Brazil, and Maranhão], which in some was repeated, in others it was a crime, and in others it was unreasonable; in the law of Moses usury was permitted, in the law of Toronino, the Egyptians were allowed to be thieves; in the law of Licurgo, homicide was not punished; Solonine’s law disguised adultery […]</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>Just as among the peoples, provinces, men and laws, there is a difference: It is necessary to understand that in the state of Maranhão, one cannot cultivate without the service of the Indigenous people on their habitats; an example at this point is: supposing that the scandal publishes it, the absolute modesty will not express it; because the RR missionaries are the first that would be affected, without the services of their enslaved indigenous people, that <italic>Uni concessum alteri concedendum, quia quod uni non nocet, et alteri prodest et concedendum et non potest negari</italic>.</p>
				</disp-quote>
				<disp-quote>
					<p>A conspicuous reason cannot be given so that the Missionary Reverend may legalize the use of <italic>quod ad illos</italic> indigenous labor<italic>,</italic> and deny them of other vassals of His Royal Majesty. (Moraes, 1859, t. III, p. 335)</p>
				</disp-quote>
				<p>In this document, the prosecutor shows a profound knowledge about the diversity of laws and their interpretations, developing his arguments to solicit a law that would observe the differences in Maranhão and Grão-Pará, and other regions under the Portuguese Empire, most especially, related to labor force. City councils and native settlers believed it was their right to use indigenous workers for the common good of the colony and the rise of the state, a formula constantly repeated and documented. Therefore, they requested the right to perform forceful descent of indigenous people, following orders of Bernardo Pereira de Berredo and Alexandre de Souza Freire in the Board of Missions.</p>
				<p>In the year Silva Nunes arrived at the Court, he took to Lisbon <italic>Chapters about the bad management of the Maranhão State governor and Captain-General</italic> (<italic>Capítulos sobre o mal procedimento do governador e Capitão-General do estado do Maranh</italic>ão), in which complains are found “many times discussed, contested and decided by Your Majesty” (Moraes, 1859, t. IV, p. 259). In the document, there are complaints against the Jesuits favorable attitude by Governor João da Maia. In addition, the perspective related to the needs of the society, the government, the economy of the region, the work and nature of the indigenous people stand out. There is a claim that white residents did not want to enslave the indigenous people, but to employ them and pay them wages. However, at the same time, the document questions indigenous people’s humanity, claiming that they were not “true humans, but wild brutes unable to practice the Catholic faith” and ends up provoking the favorable posture of the Jesuits towards African slavery: “if the Ethiopians can be enslaved, then why should it be contrary for indigenous people of Maranhão?” (Azevedo, 1999, p. 170).</p>
				<p>To those men, the attitudes against the Jesuits and the governor through riots and revolts, were a profound part of the matter, far from simple economics, such as the way governors conducted public administrations. The prosecutor claimed to have thrown himself into the sea eagerly for being arrested and oppressed by the powerful; therefore, he needed to bring to the king’s feet the “ruins that threatened this state, and the measures he needed instantly” (Moraes, 1859, t. IV, pp. 286-291). The documents exposed the supposed oppression suffered by the people before royal and Jesuit officials, and at the same time, they legitimized the quest for the population’s “common good”. According to Nicola Matteucci, common good is different from public and individual good, since it concerns individuals who are members of a state, this way, common good could only be attained together (Matteucci, 1995, p. 106). That is for Maranhão and Grão-Pará states to be ordered from a temporal and natural point of view, it was necessary to dispose of what prevented its proper functioning, even if it was a religious orders, the royal laws, or even the governor.</p>
				<p>João da Maia da Gama claimed that Paulo da Silva Nunes had fled to the Kingdom, allegedly called by Bernardo Pereira de Berredo, with whom he had “made plans” which was “induced by malicious people” (AHU, cx. 9, doc. 779, Maranhão Special). However, Berredo had left Belém discredited, because, contrary to expectations, his tenure was not extended, and was replaced by João da Maia - who was his enemy. In addition, his rule and behavior in the colony underwent thorough scrutiny (Alden, 1970, p. 45). By analyzing some letters exchanged between the king and Bernardo Pereira de Berredo during his rule, we note the dissatisfaction of the Court over his administration, especially regarding the compliance with indigenous legislation.</p>
				<p>Unlike Christopher da Costa Freire’s administration praised in the letters exchanged with King João V, the king seems to be constantly calling Berredo’s attention. For example, in October 1719, the Crown sent a series of letters about non-compliance with the laws concerning the descent and division of indigenous peoples. These letters were answers given to the Superior of the Mission of the Society of Jesus, Manuel de Seixas regarding his complaints against the abuses committed by the Captain-General of the city of São Luís, Francisco Manoel de Nóbrega. Apparently, the monarch demanded measures from the governor against the behavior of the Chief Captain, who according to him, wished to “occupy more than two parts of the indigenous people in the village of São José [de Tapuitepera, which is currently called Alcântara], using all tools at disposal against my laws, and great obstruction of God’s work” (AHU, code 269, 1719b). In 1720, the king wrote again to the governor, highlighting his dissatisfaction with the failure to observe the chapters of the regiment, especially regarding the treatment of Jesuits, and claimed to have been: “informed with great bad feeling that if we do not observe the chapters of the Regiment of the government of the same state in which I recommend that all missionaries and other ecclesiastical persons who will deal with the conversion of the Indians be respected, and that they be revered and respected as if is due” (AHU, code 269, 1720a).</p>
				<p>According to him, the monarch used arguments referring to the extreme historical importance of the Society of Jesus activities and emphasized in the same letter, that the religious assisted the governors, predecessors of Berredo, in the conquest and territorial expansion, and most importantly by subjecting the indigenous people to obey the king. The integration of the natives into the colonial project through joint missionary works with the indigenous people is recognized by the observation “that everything is facilitated by the hands and diligence of the same indigenous people as they are used to those lands”. For these reasons, the king insisted on “unfailingly” executing the chapters of the Mission Regiment, and missionaries should be treated with respect by the governors to set an example to the indigenous people (AHU, code 269, 1720a).</p>
				<p>Dissatisfied with Berredo’s attitude towards a compliance with the Regiment and indigenous legislation, the monarch in addition to demanding obedience to the laws and respect for the Jesuits, asserted:</p>
				<disp-quote>
					<p>For various reasons, both in the service of God and mine, I have ordered that the administration of the indigenous people, both spiritual and temporal, belongs only to the missionaries [...] [and] this disposition should not be changed. I ordered you to inviolably keep the laws that are in this matter, that I will punish anyone who interferes on the rule of the villages and makes use of indigenous people without orders to do so. (AHU, code 269, 1720b)</p>
				</disp-quote>
				<p>In addition, he ordered the governor not to interfere with other spheres of the colony’s administration - something meaningless, since the governor-general was the extension of the Portuguese Crown in the colony (AHU, code 269, 1721a). The analysis of these orders, so close and so emphatic is important because, it allows us to understand that the plan of government of Bernardo Pereira de Berredo, Alexandre de Souza Freire, Paulo da Silva Nunes and the Chambers of São Luís and Belém for Maranhão differed greatly from that of the Portuguese Court. The former governor wanted to diminish or revoke once and for all the religious power over Maranhão, while the Crown reminded him of his obligation as a royal official, to comply with royal laws without questioning or modifying them. This mismatch between the Crown and Berredo is clear in several other letters<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>9</sup></xref>, showing the governor’s dissatisfaction with the indigenous legislation or against it. It seems this would have led to the probe taken against him by the syndicator Francisco da Gama Pinto during the transition from his government to that of João da Maia da Gama.<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>10</sup></xref>
				</p>
				<p>The inquiry authorities, debauchery or residences were normally withdrawn when the Crown suspected the work of its officials. According to Adriana Romeiro, since 1625, in the case of the Overseas Governments, the syndicators responsible for withdrawing residence were required by a royal order, to go in the company of their successors to their respective posts. Since the seventeenth century, residences could only be removed when the investigated person was out of the place where he had served, in order to have no direct influence on the investigation processes (Romeiro, 2017).</p>
				<p>To Silva Nunes, Berredo ruled as a father to the residents, while for the Court, he acted seductively and left Maranhão under heavy investigation. From this, we can understand how much the group that supported Silva Nunes’ actions believed that laws and actions of the Crown were unsuitable for Maranhão, and how much it initially trusted and invested in his campaign. Silva Nunes left for Lisbon on his own, confident of his influence, supported by the people and members of the city council. This large support was due to his participation in Berredo’s government, the campaign he had started and also for having funded the construction of the city Council and Vila de Vigia’s prison. However, at the beginning of his campaign, he complained that the Pará Chamber was not in favor of his departure to the Court, and his intention to convey the ‘remedies’ for the ‘ruin’ of Maranhão to the king, denying him financial aid and the power requested, to act on behalf of the peoples of Maranhão and Grão-Pará, in a venture that he believed would be brief and positive. (Moraes, 1859, t. IV, p. 286 and 291).</p>
				<p>In the year 1726, interceding for Silva Nunes, Berredo wrote to the Belém Chamber requesting financial support for the prosecutor who was using all means to remedy the state, and only due to the variety of projects existing in the Kingdom, he had not achieved his goal: “yet great pace have been set ahead with the good administration of Paulo da Silva Nunes, I assure you that he is the best prosecutor that we can have here, hence you have to help him” (Moraes, t. IV, p. 291). However, neither his superior’s intervention was sufficient to get the expected support. After analyzing the letters written by Silva Nunes to the Chambers of Maranhão and Pará, and to Clemente Soeiro Palheta, one of his accomplices in the riot organized against João da Maia and the Jesuits, we noticed that he was practically on his own. He himself claimed to have been unworthy of two different Senate House formations (Moraes, 1859, t. IV, pp. 286-291).</p>
				<p>The Chambers of Pará and Maranhão did not collaborate with the prosecutor. João da Maia claimed to have been advised by a prosecutor named João de Souza, that Silva Nunes had written to them, stating that he was sure of the success of his representations about the indigenous people and the consequent “expansion of the state”, since “a lot was heard and answered by His Majesty”, for example, Silva Nunes was being accused by the members of the chambers, who he believed were his main allies (AHU, cx. 9, document 779, separate doc. Pará).</p>
				<p>Even with the posture of the colonial organs, the prosecutor did not cease to appeal. He would make requests informing people that he was working on a large collaboration with Berredo, from which they expected great results, which would later be approved by the House senators. We believe that since there are no other mentions of this “large collaboration”, it was just an “invention” of the prosecutor to get the interest of the Chambers. As we can see, Silva Nunes implied that his way to Court was facilitated by Berredo, and believed on returning to Maranhão and Grão-Pará later in 1726, as he stated in a letter he sent to the Belém Chamber: “I trust in God, everything will be completed the year in which I intend to return home, a State which I know would have suffered the inhumanity that are done to those who do good” (Moraes, 1859, t. IV, p. 286).</p>
				<p>Such news were based on meetings supposedly held with the king, in which Silva Nunes took the petitions to the monarch. They would have been received with “such good demonstrations” by the king, hoping that by the year 1726, his requests would be granted because in the meeting he had consoled the king with words of hope and remedies. For this, he acted without any authorization or appeal from the Pará Chambers “to whom I notified my departure and intention” (Moraes, 1859, t. IV, p. 286).</p>
				<p>In the second letter written to the Pará Chambers in 1726, different from the first one, Silva Nunes had a worrying tone. He affirmed having met the king “fourteen times”, and “for God’s service, that of His Royal highness and the common good of the people”, he was requesting the senators to apply his “zeal and method, so that this time, the Gordian knot would untie” (Moraes, 1859, t. IV, pp. 287-288). In fact, in the year of his departure, he requested a different procedure from the “secular House”, “[that] was timid or lacking zeal” (Moraes, 1859, t. IV, pp. 287-288). They suspected that he was acting for his personal benefit and not for the good of the people, because they had taken the previous letter to Governor João da Maia da Gama. The chamberlains only sent Silva Nunes the requested authorization, but denied him financial support, stating that he should settle with the money he had (Moraes, 1859, t. IV, pp. 287-288).</p>
				<p>In addition to failing to obtain the financial resources to support him in the Court, Silva Nunes complained to have received as prizes two “extravagant accounts, that the government presented to the Overseas Council against me”. However, in order to legitimize his request for financial aid, he claimed to have had two private hearings on the petition with a Secretary of State (whose name he did not provide), who had ordered all the papers of the extravagancies emitted by Judge Francisco da Gama Pinto, in order to analyze and solve them. The prosecutor expected Bernardo Pereira de Berredo to be heard and for him to cast a “vote in favor of the peoples” (Moraes, 1859, t. IV, pp. 287-288).</p>
				<p>The letters of the prosecutor varied from worried and negative tones, in relation to the Chamber House, to optimist tones, such as the stance of the Crown. In this context, we become doubtful: were the news from the different meetings with the king and the audiences such as the State Secretary true? If they were, what was the reason for the Overseas Council to demonstrate and analyze the petitions that only happened between 1734 and 1736? In our conception, these affirmations constituted rhetorical arguments in view of the financial aid received. It seems the prosecutor had high expenses and was going into debt, because as we know his expectations to spend just a year in Court did not come true.</p>
				<p>Silva Nunes’ support network quickly broke. In the year 1738, fourteen years after sending his first petition, his situation was that of penury. In one notice from the State Marine and Overseas Secretary, António Guedes Pereira to the Councilor of the Overseas Council José de Carvalho e Abreu, there is information that the prosecutor was totally ripped of the means to survive with dignity: “in such extreme poverty that he had nothing to decently wear, nor to feed on, to a point of going from door to door to seek for alms, as a beggar” (AHU, cx. 21, doc. 1942, special doc. Pará). The situation got to this point as we have said “the peoples” of Maranhão and Grão-Pará as well as the two Chambers had no skill, incomes and interest in supporting the prosecutor in the Court. However, the most emblematic was the lack of “courage” of that population to continue the campaign as they observed the little results produced by Silva Nunes’ many years of requests (AHU, cx. 21, doc. 1942, Pará Special).</p>
				<p>The syndicating judge Francisco Duarte dos Santos was sent to Maranhão and Grão-Pará in the 1730s as a result of the accusations made by Silva Nunes in order to clarify the contradictory discourses on the action of the Society of Jesus and the situation of the indigenous people in that region. However, the judge’s opinion was in no way favorable to the self-proclaimed prosecutor, and in 1734, the Overseas Council considered it convenient for the king not to allow Silva Nunes to return to Maranhão “because he is a seditious and proud man, in as much that he has already petitioned suggesting Your Majesty to withdraw the governors and ministers from the state, so that his government would be in the Chambers of Maranhão and Pará” (AHU, code 485, vol. 1, fl. 552r). This way, it will put to end the hopes of the prosecutor from returning to his family after achieving his long-awaited petitions.</p>
				<p>By that time his chief patron, Berredo, had already left the Court to serve in the Mazagão stronghold in Morocco from 1734 to 1745: “abandoning the sterile and often odious intrigues in which he was involved, he went to Africa, where, as a soldier, he found the most honorable and glorious field of his activity” (Azevedo, 1999, pp. 222-226). As for Alexandre de Souza Freire, he left his post as the governor of Maranhão and Grão-Pará in 1732 in a very adverse situation, with a lawsuit filed against him due to alleged excesses committed in his administration. (AHU, c. 20, doc. 2089, Maranhão Special). He returned to the Court in a complicated financial situation. In a Consultation done by the Overseas Council about an Illegal Offensive War, which was conducted by Corporal Belchior Mendes de Mendonça, and issued by Alexandre de Souza Freire, the council’s advisers made their views on the governor clear. According to the royal officials, he was inept for the office, because he was inflicting royal laws, solely for his and his family’s own benefit. Therefore, they advised the king to send a governor to the state “to observe His Majesty’s laws and orders and for Alexandre de Souza Freire to depart on the first ship to the kingdom” (AHU, code 485, vol. 1, fl. 211v). In the same document, they suggested the removal of the governor from residence and all probes filed against him in the region’s prelate representations (AHU, code 485, vol. 1, fl. 212r).</p>
				<p>Even with the existent adversities and the absence of evidence of his work, the prosecutor claimed that he needed “His royal majesty’s piety” to dress and feed with dignity in order to “continue to apply the king’s orders with the same zeal, constancy and fidelity, which he had been requesting for the past fourteen years, as royal vassal expenses, because they were very important in the service of God and His Majesty” (AHU, cx. 21, doc. 1942, Pará Special). The prosecutor tried for the last time in 1738, repeating his previous requests. Probably, due to the debts acquired from his fight against the Jesuits, Silva Nunes was finally arrested in Limoeiro. According to Serafim Leite, “the Jesuits had defamed and reduced his pecuniary resources, and made him feel the bitterness of prison” (Leite, 1943, p. 207). Where he was only released in 1746, probably the year he died (Azevedo, 1999, p. 302).</p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>FINAL CONSIDERATIONS</title>
				<p>The documents produced by Silva Nunes followed a certain standard. The majority of them started by observing the time he was at the Court to seek for a solution to the problems of Maranhão and Grão-Pará, recalling the years in which he had lived in the colony, constituting a direct witness to the “ills” allegedly caused by the Jesuits. Then he described and presented the colony as a “rich and promising land” which, in his view, was not properly managed. Thus, the prosecutor keenly pointed out the problems, but also identified their causes, and proposed solutions.</p>
				<p>In this argumentative structure, we recognize the organization of a government project for Maranhão and Grão-Pará, conceived by Paulo da Silva Nunes, Bernardo Pereira de Berredo, Alexandre de Souza Freire, and for a period, by the councils of São Luís and Belém. This project was in some points in time, conflicting with the Kingdom’s project for the region. Thus, we understand that Silva Nunes presented a kind of civil disobedience against officials and royal laws, unrelated to the needs of the peoples of Maranhão and Grão-Pará. For this reason, in his documentations, he always emphasized that he was living in the colony, having full information about local needs better than the administrative agents of the Kingdom.</p>
				<p>The prosecutor tirelessly sought to be heard to remedy the situation in Maranhão and Grão-Pará, and to eliminate the main causes of the ‘ruin’ of the region. According to him, the biggest obstacles to the implementation of his project were the Society of Jesus and the royal laws, which were among others, favorable to the Mission Regiment Order. Thus, we understand that Amazonian anti-Jesuitism, mounted in the first half of the eighteenth century, was part of a broad government project, aimed at banning the use of the general language, sending white couples to populate the colony, giving ‘freedom’ to indigenous people to practice paid labor for anyone they wished to, make money circulate in the region and boost trade, govern through the city councils, expel the Society of Jesus from those lands and secularize the Jesuit settlements. According to the prosecutor, all these would solve that region’s problems.</p>
				<p>However, the documentation produced by the Prosecutor was shelved for over 17 years in the Overseas Council archive. Only in 1755, a scribe from Marquês de Pombal called Paulo de Carvalho brought them to light as a ‘weapon’ against the Jesuits. Possibly he was a friend of Berredo’s and knew Paulo da Silva Nunes, because according to Azevedo, most of the papers must have been handed over to the scribe by the author himself (Azevedo, 1999, p. 187). The reunion of these documents resulted in a collection known as “the terrible Jesuits in King Dom João V’s government” (<italic>As terribilidades jesuíticas no ­gover­no de D’El Rei Dom João Quinto</italic>) (AHU, Code 485, vol. 1).</p>
				<p>Indeed, some ideas defended by Paulo da Silva Nunes, such as those previously mentioned, were revisited in the Pombalinas laws, especially in the Indigenous people Directory (<italic>Diretório dos Índios</italic>), promulgated in 1755. Paulo da Silva Nunes’s complains were not heard in the first half of the eighteenth century, but they served as a weapon for Pombalino’s anti-Jesuitism, which had succeeded in ending the action of the Society of Jesus, not only in the Portuguese Amazon, but worldwide.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<ref-list>
				<label>MANUSCRIPT SOURCES / Arquivo Histório Ultramarino – AHU (Overseas Historic Archive)</label>
				<title>Maranhão Special</title>
				<ref id="B33">
					<mixed-citation>NOTICE of [State Marine and Overseas secretary], António Guedes Pereira to the [overseas councilor], José de Carvalho e Abreu, in order to investigate Paulo da Silva Nunes’ request about the people of Maranhão and Pará, in which he requested food and clothing. Attachment: Application 17th of March, 1738, Lisbon. AHU, cx. 21, doc. 1942.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>AVISO do [secretário de estado da Marinha e Ultramar], António Guedes Pereira para o [conselheiro do Conselho Ultramarino], José de Carvalho e Abreu, para que se consulte sobre o requerimento do procurador dos Povos do Maranhão e Pará, Paulo da Silva Nunes, no qual solicita vestuário e alimentação. Anexo: requerimento</source>
						<day>17</day>
						<month>03</month>
						<year>1738</year>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cx. 21, doc. 1942</comment>
					</element-citation>
				</ref>
			</ref-list>
			<ref-list>
				<title>Pará Special</title>
				<ref id="B34">
					<mixed-citation>LETTER [of the governor and Chief Captain of Maranhão State] João da Maia da Gama to the King [Dom João fifth] about the numerous problems that happened after the freedom of Paulo da Silva Nunes. Attached: Report and letter (Copy).20th of September, 1725, Belém do Pará. AHU, cx. 9, doc. 779.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>CARTA [do governador e capitão-general do Estado do Maranhão] João da Maia da Gama, para o rei [D. João V], sobre os inúmeros problemas ocorrido após a libertação de Paulo da Silva Nunes. Anexo: Parecer e Carta (cópia)</source>
						<day>20</day>
						<month>09</month>
						<year>1725</year>
						<publisher-loc>Belém do Pará</publisher-loc>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cx. 9, doc. 779</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B35">
					<mixed-citation>LETTER of the commissioner of Royal service diligence of the Maranhão and Pará Captaincy, Francisco da Gama Pinto to the king [Don João fifth], about the captivity of the indigenous people against royal provisions. Belém do Pará, 21st of August, 1722. AHU, cx. 7, doc. 608.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>CARTA do comissário de diligências do Serviço Real nas capitanias do Maranhão e Pará, Francisco da Gama Pinto, para o rei [D. João V], sobre a prática do cativeiro dos índios contra o determinado as disposições régias</source>
						<publisher-loc>Belém do Pará</publisher-loc>
						<day>21</day>
						<month>08</month>
						<year>1722</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cx. 7, doc. 608</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B36">
					<mixed-citation>CONSULTATION of Overseas Council to king Dom João fifth, about reasons why the governor and Chief Captain of Maranhão State, João da Maia da Gama arrested the Chief Captain of Pará Captaincy, Manuel da Madureira Lobo, and the complaints against him. Attached: letters, opinions and request. Lisbon, 23th of March, 1724, AHU, cx. 8, doc. 682.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>CONSULTA do Conselho Ultramarino para o rei D. João V, sobre as razões que levaram o governador e capitão-general do Estado do Maranhão, João da Maia da Gama, a prender o capitão-mor da capitania do Pará, Manuel da Madureira Lobo, e as queixas que contra este último apresentou. Anexo: cartas, pareceres e requerimento</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<day>23</day>
						<month>03</month>
						<year>1724</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cx. 8, doc. 682</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B37">
					<mixed-citation>DISPATCH of the Overseas Council about the former governor of Maranhão, Alexandre de Sousa Freire. 24th of April, 1733, Lisbon. AHU, cx. 20, doc. 2089.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>DESPACHO do Conselho Ultramarino Sobre o processo do ex-governador do Maranhão, Alexandre de Sousa Freire</source>
						<day>24</day>
						<month>04</month>
						<year>1733</year>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cx. 20, doc. 2089</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B38">
					<mixed-citation>APPLICATION to the prosecutor of Maranhão State, Paulo da Silva Nunes to King Don Pedro fifth, in a help and response solicitation in relation to the complaints presented against the Overseas Council and Order and Consciousness Bureau on performing their duties. AHU, cx. 19, doc. 1942.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>REQUERIMENTO do procurador do estado do Maranhão, Paulo da Silva Nunes, para o Rei D. Joao V, em que solicita ajuda e resposta à queixa apresentada contra o Conselho Ultramarino e a Mesa da Consciência e Ordens pela forma como foi atendido no desempenho de suas funções</source>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cx. 19, doc. 1942</comment>
					</element-citation>
				</ref>
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			<ref-list>
				<title>Registration of royal letters to the governor and other entities of Maranhão (1673-1712) - Codex 268.</title>
				<ref id="B39">
					<mixed-citation>TO Pará Chamber Officials – About the damage that follows from those residents that are far from the Amazon River beds and their slaves. Lisbon on July 24, 1709. AHU, code 268.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA os oficiais da Câmara do Pará - Sobre o prejuízo que se segue aqueles moradores de não hirem aos leitos do rio das Amazonas pretos e mamelucos e mais escravos seus</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<day>24</day>
						<month>07</month>
						<year>1709</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 268</comment>
					</element-citation>
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			<ref-list>
				<title>Registration of royal letters to the governor and other entities of Maranhão (1673-1712) - Codex 269.</title>
				<ref id="B40">
					<mixed-citation>To Francisco da Gama Pinto – About withdrawal of the inquest of captivity of the Tapuyas indigenous peoples from the Guanore nation. Lisbon, [?] March, 1722. AHU, code 269.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA Francisco da Gama Pinto - Sobre lhe tirar devassa acerca dos cativeiros dos índios Tapuyas do corço da nação Guanoré</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<month>03</month>
						<year>1722</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 269</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B41">
					<mixed-citation>TO the Governor of Maranhão – About the representation of Father Manuel de Seixas, Superintendent of the Society of Jesus missions. Lisbon, October 12, 1719. AHU, code 269.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA o governador do Maranhão - Sobre a representação que faz o Pe. Manuel de Seixas, superior das missões da Companhia de jesus</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<day>12</day>
						<month>10</month>
						<year>1719</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 269</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B42">
					<mixed-citation>TO the Governor of Maranhão – About punishing anyone who interferes on the government of the villages to use the indigenous people without orders. Lisbon [?] July 1720b. AHU, code 269.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA o governador do Maranhão - Sobre se castigar qualquer pessoa que se intrometer no governo das Aldeias, e se servir dos índios ou índias sem ter ordem para isso</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<month>07</month>
						<year>1720</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 269</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B43">
					<mixed-citation>TO the Governor of Maranhão – About approving the arrest of Paulo da Silva for his scandalous practices and rioting [He confesses in many letters, and he seemed to say that he did well]. Lisbon, March 18, 1724. AHU, code 269.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA o governador do Maranhão - Sobre se lhe aprovar a prisão que fez a Paulo da Silva por suas práticas serem escandalosas e se encaminharem a motins [Se confessa de tantas letras, e pareceu dizervos (sic) que fizeste bem]</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<day>18</day>
						<month>03</month>
						<year>1724</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 269</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B44">
					<mixed-citation>TO the Governor of Maranhão – About not interfering in the jurisdiction of the Pará Royal Farm Ombudsman, December 12, 1721a. AHU, code 269.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA o governador do Maranhão - Sobre se não intrometer na jurisdição do Provedor da Fazenda do Pará</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<day>12</day>
						<month>12</month>
						<year>1721</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 269</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B45">
					<mixed-citation>TO the syndicator Francisco da Gama Pinto. Lisbon, December 4, 1721b. AHU, code 269.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>PARA o sindicante Francisco da Gama Pinto</source>
						<publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
						<day>04</day>
						<month>12</month>
						<year>1721</year>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 269</comment>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B46">
					<mixed-citation>COLLECTION of the representations, proposals, and measures, about the ruins of the people of the state of Grão-Pará, and Maranhão done by the Jesuits, until the end Lord king don john the fifth’s reign (1686-1755), which is part of Jesuits’ bad activities in the government of king Dom João the Fifth/Maranhão – AHU, code 485, vol. 1.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="other">
						<source>COLEÇÃO das Representações, Propostas, e Providencias, Sobre As ruinas, que aos Povos do Estado do Gram Pará, e Maranhão fizeram aos denominados Jesuítas, até o fim do Reinado do Senhor Rei dom João Quinto (1686-1755), que faz parte das Terribilidades Jesuíticas no Governo de D’El Rei dom João Quinto</source>
						<publisher-loc>Maranhão</publisher-loc>
						<publisher-name>AHU</publisher-name>
						<comment>cód. 485</comment>
						<volume>1</volume>
					</element-citation>
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				<title>PRINTED SOURCES</title>
				<ref id="B47">
					<mixed-citation>LETTER by Bernardo Pereira de Berredo to the Senate of Pará. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 4, Rio de Janeiro: American Typography, 1858, p. 291.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<chapter-title>CARTA de Bernardo Pereira de Berredo ao Senado do Pará</chapter-title>
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								<surname>MORAES</surname>
								<given-names>Alexandre José de Mello</given-names>
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						<source>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</source>
						<comment>T. 4</comment>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<publisher-name>Tipografia Americana</publisher-name>
						<year>1858</year>
						<fpage>291</fpage>
						<lpage>291</lpage>
					</element-citation>
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				<ref id="B48">
					<mixed-citation>LETTERS by Paulo da Silva Nunes to the Pará Chamber. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 4, Rio de Janeiro: American Typography, 1858, pp. 286-291.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<chapter-title>CARTAS de Paulo da Silva Nunes à Câmara do Pará</chapter-title>
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								<surname>MORAES</surname>
								<given-names>Alexandre José de Mello</given-names>
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						<source>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</source>
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						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<publisher-name>Tipografia Americana</publisher-name>
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					</element-citation>
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				<ref id="B49">
					<mixed-citation>MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 3, Rio de Janeiro: American Typography, 1858.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
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								<surname>MORAES</surname>
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						<source>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</source>
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						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
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						<year>1858</year>
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				<ref id="B50">
					<mixed-citation>PAPER that Father Jacinto de Carvalho, in the General Maranhão Missions, presented to the King to join the two requirements made by prosecutor Paulo da Silva Nunes. Dated from the College of Santo Antão, in December 16, 1729. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do
Império do Brasil. T. 3, Rio de Janeiro: American Typography, 1858, pp. 305-330.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<chapter-title>PAPEL que o padre Jacinto de Carvalho, Visitador Geral das Missões do Maranhão, apresentou a El-rei para se juntar aos dois requerimentos do procurador Paulo da Silva Nunes. Datada do Colégio de Santo Antão, 16 de dezembro de 1729</chapter-title>
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								<surname>MORAES</surname>
								<given-names>Alexandre José de Mello</given-names>
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						<source>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</source>
						<comment>T. 3</comment>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<publisher-name>Tipografia Americana</publisher-name>
						<year>1858</year>
						<fpage>305</fpage>
						<lpage>330</lpage>
					</element-citation>
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				<ref id="B51">
					<mixed-citation>OPINION of João da Maia da Gama, governor of Maranhão, on the requirements that Paulo da Silva Nunes presented to the king against the missionaries. In: MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 4, Rio de Janeiro: American Typography, 1858, pp. 258-274.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<chapter-title>PARECER de João da Maia da Gama, governador que foi do Maranhão, sobre os requerimentos que a El-rei apresentou Paulo da Silva Nunes contra os missionários</chapter-title>
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>MORAES</surname>
								<given-names>Alexandre José de Mello</given-names>
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						<source>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</source>
						<comment>T. 4</comment>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<publisher-name>Tipografia Americana</publisher-name>
						<year>1858</year>
						<fpage>258</fpage>
						<lpage>274</lpage>
					</element-citation>
				</ref>
				<ref id="B52">
					<mixed-citation>PROPOSAL by Pará Chambers to His majesty presented by state prosecutor Paulo da Silva Nunes. It has some slight differences, although of little importance when compared to the other with the same title (1724). MORAES, Alexandre José de Mello. Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil. T. 3, Rio de Janeiro: American Typography, 1858, p. 355.</mixed-citation>
					<element-citation publication-type="book">
						<chapter-title>PROPOSTA da Câmara do Pará a sua majestade [sic] apresentada pelo procurador do Estado Paulo da Silva Nunes. Tem alguma diferença, ainda que pouca importância de outra de igual título (1724)</chapter-title>
						<person-group person-group-type="author">
							<name>
								<surname>MORAES</surname>
								<given-names>Alexandre José de Mello</given-names>
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						<source>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</source>
						<comment>T. 3</comment>
						<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
						<publisher-name>Tipografia Americana</publisher-name>
						<year>1858</year>
						<fpage>355</fpage>
						<lpage>355</lpage>
					</element-citation>
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				<title>REFERENCES</title>
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			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn12">
					<label>2</label>
					<p>Some documents cited in this article are found in Alexandre José de Mello Moreas’ book <italic>Corographia histórica, chronográphica, genealógica, nobiliária e política do Império do Brasil</italic>, volume I, II, III and IV, that is why when cited, I will reference the paper, however the titles will be available at the bibliography section.</p>
				</fn>
			</fn-group>
			<fn-group>
				<fn fn-type="other" id="fn13">
					<label>3</label>
					<p>Referring to the linguistic politics of the Portuguese Royal Crown, check out Prudente, 2017.</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn14">
					<label>4</label>
					<p>For example in a letter written in 1709 to the Chamber officials in Pará, the court shows worries about the absence of “blacks, mamelukes and more slaves” to work in the Amazon river valley (AHU, code 268, 1709).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn15">
					<label>5</label>
					<p>These laws created by Pedro II must be understood as organic as they integrated a series of laws deemed necessary to discipline the common people, royal officials, and missionaries regarding the use of indigenous people as labor force (see ARENZ; SILVA, 2002).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn16">
					<label>6</label>
					<p>The topic of ruins of the state was rooted in the speeches of that time, that is, the miserable situation of the population always stood out. Look up AHU, code 268 (1673-1712).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn17">
					<label>7</label>
					<p>On the functioning of the Board of Missions and the competence of the governor see Mello, 2009</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn18">
					<label>8</label>
					<p>In defining protonationalism, Eric Hobsbawm differentiates between popular feelings of supralocal identification and, as in the case of Paulo da Silva Nunes, the efforts of “selected groups” linked to a state seeking extension and popularization. (HOBSBAWM, 2008, pp. 63-64).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn19">
					<label>9</label>
					<p>“To the Maranhão governor - About ordering you to observe the law on indigenous people with the warning that their distribution to the service of the residents of Vila de Vigia is the same as in the 3rd part. In this same form he wrote to the superior priest of the Society of Jesus mission Fr. Manuel de Seixas. Lisbon 12th of October, 1719”, “To the Maranhão governor - To inquire from him about his complaint on the Superior General of the missionaries of the Society of Jesus. Lisbon, 12th of October, 1719”; “To the governor of Maranhão - to order you that in any case of indigenous people distribution among the Senators and residents of Vila de Vigia, it should be done under the supervision of the missionary of that Village. Lisbon [?] 1719”; “To the governor of Maranhão - About informing you on the complaint made by the Superior of the Missions of the Society of Jesus of chief Captain of Maranhão against the order of his majesty. Lisbon, [?]1719”; “To the governor of Maranhão - About making you obey unviolently the laws of indigenous people sharing. Lisbon, [?]171” AHU, code 269 (1712-1726).</p>
				</fn>
				<fn fn-type="other" id="fn20">
					<label>10</label>
					<p>For more information about terms of this inquest, check-up the thesis of Carvalho (2018).</p>
				</fn>
			</fn-group>
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