ESTUDOS DE CULTURA MATERIAL
A enormidade de um “livrinho”: primeira edição e público-alvo de Os colonos na província [de] St. Paulo, no Brasil, de Thomas Davatz (1858)
The enormity of a booklet: first edition and target audience of Thomas Davatz’s (1858) first edition of The colonists in St. Paulo province, Brazil
A enormidade de um “livrinho”: primeira edição e público-alvo de Os colonos na província [de] St. Paulo, no Brasil, de Thomas Davatz (1858)
Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol. 30, e22, 2022
Museu Paulista, Universidade de São Paulo
Recepção: 28 Dezembro 2021
Aprovação: 18 Março 2022
RESUMO: A Revolta dos Parceiros (1856-1857), ocorrida na fazenda Ibicaba, é um dos mais conhecidos episódios da história da imigração no Brasil. Para além da relevância do episódio em si, a ênfase historiográfica que recebeu se explica também pela abundância de fontes, destacando-se o relato de seu líder, o mestre-escola Thomas Davatz, que, em 1858, publicou uma versão revisada de seu relatório sobre as condições de trabalho e vida nas fazendas paulistas. Este artigo estuda a história da composição desse livro e a materialidade da primeira edição, lançada pela tipografia de Leonhard Hitz, em Chur, Suíça. Os títulos publicados por Hitz, listados na contracapa do livro de Davatz, permitem-nos lançar vistas sobre seu público-alvo. A partir da coleta de dados bibliográficos de uma amostra desses títulos, o custo da brochura de Davatz foi estimado em dois francos. Essa estimativa e a materialidade do livro indicam o caráter popular da edição, embora o preço ainda fosse não-negligenciável para a população mais pobre - precisamente aquela com maior interesse em emigrar -, equivalendo, na Suíça dos anos 1850, a uma jornada de dez horas e meia de um trabalhador médio. Finalmente, pelo estudo da capa, são aventadas hipóteses sobre as decisões editoriais da primeira tradução do título ao português, realizada por Sérgio Buarque de Holanda para a Biblioteca Histórica Brasileira, organizada por Rubens Borba de Moraes. A tradução brasileira está bastante alinhada com o título da capa original, que difere, em certa medida, daquela contida na folha de rosto.
PALAVRAS-CHAVE: Thomas Davatz, Revolta dos Parceiros, Memórias de um colono no Brasil, Ibicaba, Imigração, Biblioteca Histórica Brasileira.
ABSTRACT: The Sharecroppers’ Riot (1856-1857), which took place at Ibicaba farm, is one of the best-known episodes in the history of immigration to Brazil. Beyond its intrinsic relevance, the abundance of sources facilitated and attracted historiographical investigations about the event, particularly the account written by its leader, the schoolmaster Thomas Davatz, who published a book in 1858 with the revised version of his report on the living and working conditions in the farms of São Paulo. This article investigates the history of the writing of that book and the materiality of its first edition, published by Leonhard Hitz, in Chur, Switzerland. The titles published by Hitz and listed in the backcover of Thomas Davatz’s book give us an overview of his target audience. Based on a bibliographical survey on a sample of such books, this paper estimates the cost of Davatz’s brochure in two francs. This estimate and the materiality of the book indicate the low-cost nature of the edition, although the price was non-negligible for the poorest parcel of the population - precisely those interested in emigrating -, corresponding to ca. 10.5 hours of an average Swiss laborer in the 1850s. Finally, by studying its cover, the text raises some hypotheses regarding the editorial decisions made in the first translation into Portuguese by Sérgio Buarque de Holanda for the Biblioteca Histórica Brasileira, a collection organized by Rubens Borba de Moraes. The Brazilian translation is much aligned with the original cover title, which, to a certain extent, differs from that in the coversheet.
KEYWORDS: Thomas Davatz, Sharecropper’s Riot, Memórias de um Colono no Brasil, Ibicaba, Immigration, Biblioteca Histórica Brasileira.
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
A Revolta dos Parceiros, também conhecida como Revolta dos Colonos, foi um movimento de contestação das condições trabalhistas e da aplicação dos contratos de parceria levado a cabo por imigrantes de língua alemã - principalmente suíços e, depois, abandonado pelos turíngios - na fazenda Ibicaba entre fins de 1856 e início de 1857. Trata-se de um dos mais conhecidos episódios da história da imigração e das primeiras fases da transição da escravidão para o trabalho livre no Brasil. Para a centralidade desse episódio nas discussões historiográficas sobre a imigração e a escravidão no país contribuíram não apenas trabalhos analíticos clássicos e pioneiros que o estudaram a fundo, como os de Sérgio Buarque de Holanda (1941) e José Sebastião Witter (1982), ou que o utilizaram como ponto nodal na história do trabalho não-cativo no Brasil, como Warren Dean (1977), Maria Lúcia Lamounier (1986) e Emília Viotti da Costa (1998), mas talvez principalmente a abundância de fontes documentais. Descrições e interpretações contemporâneas amplamente conhecidas da Revolta dos Parceiros incluem excertos publicados em jornais brasileiros do relatório de Jakob Christian Heusser - inspetor suíço que realizou a sindicância requerida pelos imigrantes;2 relatórios de inspeção em Ibicaba;3 discursos exaltados no Senado brasileiro sobre o movimento;4 grande número de apontamentos analíticos - incluindo os de Johann Jakob von Tschudi, ministro plenipotenciário enviado pela Confederação Helvética em 1860 frente às incertezas ainda reinantes a respeito das condições de vida e trabalho no Brasil;5 e, por fim, obras laudatórias, como a de Georg Hörmeyer6 - cuja natureza propagandística é inquestionável, embora a historiografia ainda discuta se ela foi uma resposta ao livro de Thomas Davatz.7
Entre todas essas fontes e comentários contemporâneos, o livro Os colonos na província [de] St. Paulo, no Brasil, publicado em 1858 pelo mestre-escola suíço Thomas Davatz, líder da Revolta dos Parceiros, notabilizou-se como o mais importante por fornecer informações em primeira mão a partir de um ponto de vista incomum nos registros históricos: o do trabalhador falando por si, e não interpretado por outrem, como nos registros consulares, relatórios oficiais, processos-crime etc. Embora qualificado por Buarque de Holanda8 e Borba de Moraes9 como “livro de partido” e “libelo acusatório”, o livro é “obra de boa-fé, […] expressão do prolongamento da vida de um pobre colono perdido num mundo hostil às suas aspirações”.10
Como tal, o livro de Thomas Davatz foi lido sob prismas muito distintos e se manteve relevante para vários públicos-alvo. Aos contemporâneos forneceu informações práticas e conselhos contra a decisão de emigrar. Era o olhar crítico sobre o Brasil de um imigrante que não alcançara suas aspirações; muito diverso, portanto, das descrições de viajantes e naturalistas europeus fascinados com a exuberância tropical.11 É difícil determinar objetivamente o sucesso alcançado pelo livro de Thomas Davatz em sua meta de abrandar “a febre de emigrar” reinante na população de língua alemã empobrecida de meados do século XIX. Por um lado, mesmo as medidas mais restritivas à emigração da Prússia e do Império Alemão, como o Rescrito von der Heydt, não interromperam por completo os fluxos de povos de língua alemã para o Brasil.12 Por outro, as acusações de seu libelo motivaram debates diplomáticos que incentivaram medidas restritivas nos Estados alemães, bem como notas diplomáticas suíças endereçadas ao governo brasileiro.13
Talvez ainda mais relevante tenha sido o efeito duradouro do livro na memória social suíça e alemã. Até o início do século XX, a obra permaneceu central nos debates sobre a imigração para São Paulo. No almanaque Erstes Jahrbuch für die deutschsprechende Kolonie im Staate São Paulo (Primeiro Anuário da Colônia de Língua Alemã no Estado de São Paulo), de 1905, Friedrich Scheler debateu intensamente um texto publicado na Alemanha por Walter Kundt, que usara o livro de Thomas Davatz como fonte.14 Naquele começo de século, Scheler não questionou a retidão de Thomas Davatz ou a corretude de suas acusações, mas alegou que as condições trabalhistas em São Paulo haviam se modificado profundamente nos cinquenta anos que separavam a obra do mestre-escola suíço da então moderna economia rural paulista, cuja pujança interessava ao Império Alemão.15
Encerrada a “era das migrações em massa” no Entre-Guerras e findo o programa paulista de subsídio à imigração em 1927, o livro de Thomas Davatz perdeu seu propósito prático imediato. No entanto, passou quase imediatamente a despertar o interesse de um novo público. Na década de 1930, o único exemplar conhecido no Brasil, adquirido por João Fernando de Almeida Prado, passou a circular entre intelectuais paulistas.16 De 1931 a 1933, Mário de Andrade publicou três crônicas com críticas sociais à elite rural paulista de seu tempo a partir de referências diretas ao livro de Davatz, que ele qualificara como um dos vinte trabalhos necessários para entender o Brasil.17 Não surpreende, portanto, que o título tenha sido incluído na lista de publicações da coleção Biblioteca Histórica Brasileira, que se inseria no intenso debate sobre a identidade nacional brasileira da década de 1930.18 A tradução e o prefácio ficaram a cargo de Sérgio Buarque de Holanda. Embora possa haver certo exagero na assertiva de que “o brilho do prefaciador ofuscou - evidentemente sem intenção - o prefaciado”,19 é inegável que o trabalho de Buarque de Holanda foi pioneiro para a pesquisa da formação do mercado de trabalho livre no Brasil e sua relação com a história da imigração - sendo o estudo analítico desta uma demanda colocada por Borba de Moraes20 nos prolegômenos em português ao livro de Davatz. Desde então, a obra de Thomas Davatz e o prefácio de Sérgio Buarque de Holanda têm fornecido o esteio inicial para trabalhos clássicos sobre a história da imigração no Brasil, das relações contratuais e seus arcabouços institucionais, assim como da transição da escravidão nas zonas cafeeiras do Sudeste.
Recentemente, novos estudos historiográficos têm revisitado de forma inovadora o livro de Thomas Davatz. Ana Luiza Martins e Ilka Stern Cohen,21 assim como Ilka Stern Cohen,22 reinterpretam o livro de Thomas Davatz à luz das visões internacionais sobre o Brasil no século XIX, comparando as diferentes perspectivas de imigrantes trabalhadores com outros relatos internacionais sobre o Brasil no século XIX, sobretudo os de viajantes e naturalistas. Isadora Moura Mota23 propõe uma reinterpretação da Revolta dos Parceiros a partir de novas hipóteses sobre as relações entre trabalhadores imigrantes não-cativos e os escravizados na fazenda Ibicaba. Essa proposição está alinhada às novas perspectivas historiográficas que investigam as relações entre imigrantes europeus e a população negra escravizada no Brasil no meio rural.24 De modo semelhante - ainda que não focado na Revolta dos Parceiros -, Joseph Mulhern25 discute a relação entre trabalho livre e cativo na fazenda Angélica, que fora propriedade de Vergueiro & Cia., no contexto da acumulação de capital internacional britânico com o tráfico de escravos. Finalmente, os novos trabalhos sobre a fazenda Ibicaba necessariamente passam pelos episódios de dezembro de 1856, como nas publicações de Felipe L. Ribeiro Mendes,26 Bruno G. Witzel de Souza27 e Bruno G. Witzel de Souza e Leonardo A. Santin Gardenal.28 Outros trabalhos têm trazido à luz novas fontes primárias sobre fazendas paulistas que empregaram o sistema de parceria ou tiveram episódios relacionados à Revolta dos Parceiros. Destacam-se nessa direção as pesquisas de José Eduardo Heflinger Jr.,29 que investigou documentos então inéditos de de arquivos brasileiros, suíços e alemães, assim como o material memorialístico no qual Sylvester Davatz30 publicou o relato de viagem de Thomas Davatz, ainda inédito em português. Finalmente, Witzel de Souza e Santin Gardenal têm conduzido projeto de digitalização dos arquivos de Ibicaba, que deverão revelar novas informações sobre as queixas dos colonos, possibilitando de testar as alegações de fraude na contabilidade da fazenda.
Em complemento a essa vasta e rica bibliografia, este artigo tratará da natureza editorial da primeira edição de 1858, abordando o livro de Thomas Davatz primordialmente como um “objeto físico”. Nele, serão analisadas as características da primeira edição, como o formato do livro, a divisão de capítulos e a arte do processo editorial. O estudo de sua materialidade revela tanto a natureza simples e popular da primeira edição quanto a enorme atenção aos detalhes, uma prerrogativa necessária ao mestre-escola suíço.31
Este artigo não é um estudo da Revolta dos Parceiros ou da política imigratória brasileira durante a transição da escravidão. Nele, serão avaliados os aspectos literários da obra, tarefa sobre a qual se debruçaram Martins e Cohen,32 Cohen33 e Schallenmüller.34 A contextualização histórica e as referências ao autor fornecem apenas os complementos para se entender as circunstâncias às quais a obra de Thomas Davatz foi escrita e publicada. A seção 2 fornece esse panorama e mostra como o relato encomendado em 1854 pelas municipalidades suíças a Davatz e escrito em Ibicaba até 1856 se transformou em livro em 1858. Desse ponto em diante, o artigo tem por foco a primeira edição como fonte material. A seção 3 analisa a capa e a contracapa da edição de 1858, pouco conhecidas do público e cujas informações ainda não foram exploradas academicamente. Este estudo permitirá ver como o título da capa difere daquele presente na folha de rosto, ajudando a entender algumas decisões tomadas na primeira edição em português pela tradução de Buarque de Holanda. Já a análise da contracapa permitirá lançar vistas sobre as leituras esperadas do público-alvo de Thomas Davatz em 1858. Os livros mencionados na contracapa têm conteúdo sobretudo religiosos e de interesse prático, em sua maioria relacionados a Chur, Suíça, ou adjacências. A seção 4 complementará essas informações com o número de páginas de uma amostra dos livros citados, permitindo estimar o custo do livro: os dois francos estimados estão em linha com uma publicação editorial popular, mas podiam representar um valor substancial para a parcela mais pobre da população Suíça dos anos 1850. Finalmente, em um trabalho de bibliofilia, busca-se traçar brevemente a genealogia dos proprietários do exemplar utilizado nesta análise. Naturalmente, é impossível determinar todos os leitores de uma única cópia. No entanto, a materialidade do livro - incluindo seu desgaste, um marca-página deixado em seu miolo e anotações nominais - fornecem informações interessantes sobre os proprietários de um exemplar que possivelmente permaneceu nos arredores de Chur por mais de 160 anos.
DO RELATÓRIO HILFERUF AN DEN KLEINEN RAT (1856) AO LIVRO DIE KOLONISTEN IN DER PROVINZ ST. PAULO (1858)
Desde fins da década de 1840, autoridades políticas e membros da elite rural brasileira interessados na imigração promoveram intensa campanha publicitária em periódicos e jornais especializados da Europa Central.35 Em agosto de 1854, diretamente influenciado por esse gênero de publicação, o mestre-escola suíço Thomas Davatz decidiu não apenas mudar seus planos de emigrar para os Estados Unidos, como ainda propor à Comissão dos Pobres de sua municipalidade que adiantasse o valor das passagens aos interessados em emigrar para o Brasil como medida filantrópica de combate à pobreza,36 Aprovada a proposta, os municípios suíços de Fanas, Fideris, Grüsch, Jenatz, Klosters, Konters, Küblis, Luzein, Saas, Schiers, Seewis e Serneus - todos localizados no Vale do Prättigau - incumbiram Thomas Davatz de escrever um relatório respondendo a 45 questões sobre as condições de vida e trabalho no Brasil. As municipalidades esperavam dele um relato fidedigno para esclarecer as incertezas levantadas por vozes que criticavam severamente as condições dos imigrantes europeus no Brasil.37 Dentre os que clamaram mais alto contra a emigração ao Brasil se destacava o conselheiro privado da Prússia, Samuel Gottfried Kerst, que servira como mercenário no Brasil na década de 1820 até ser expulso em 1830 por participar de tentativa de golpe antimonárquico.38 Menos suis generis e mais imediatamente relacionadas ao trabalho nas fazendas paulistas foram as primeiras reclamações levantadas em 1851 por alguns dos pioneiros alemães contratados para trabalhar na fazenda Ibicaba.39 Para se ter clareza da centralidade do relatório comissionado a Thomas Davatz em minorar as incertezas dos suíços, salienta-se que, entre dezembro de 1855 e fevereiro de 1856 - quando da recepção do relatório na Suíça -, a municipalidade de Chur manteve comunicação ativa com o Pequeno Conselho [Kleiner Rat] para monitorar a chegada daquele documento.40 Nesse intervalo, o contratador local de emigrantes, Simon Benedict, requereu fundos adicionais para novo engajamento, justificando seu pedido com outras comunicações positivas escritas por colonos em São Paulo, o que demonstra a relevância desse tipo de comunicação para as decisões de política migratória no século XIX.41
Durante sua estadia no Brasil, até 1857, Thomas Davatz coligiu as informações que pôde sobre as condições de vida no país, que considerou insatisfatórias, sobretudo pela carência de assistência religiosa e educacional. A função de mestre-escola e as eventuais incumbências religiosas lhe garantiram autoridade moral para liderar os imigrantes de língua alemã, especialmente os suíços, descontentes com as condições de trabalho às quais estavam submetidos. As queixas dos colonos fornecem o cerne do livro de Thomas Davatz e foram elaboradas sistematicamente em uma lista com dezessete pontos42 que versavam sobre eventuais descumprimentos contratuais e abusos nas relações trabalhistas, incluindo a alegada utilização de pesos e medidas sempre em favor dos proprietários, a cobrança de preços abusivos pelos gêneros alimentícios vendidos na fazenda, ou o uso de taxas de câmbio desfavoráveis aos imigrantes na conversão de suas dívidas.43
Os atritos sociais decorrentes dessas visões aumentaram ao longo de 1856, levando a discussões com a diretoria da colônia de língua alemã durante as reuniões do clube de canto, além de desentendimentos com a administração da fazenda - inclusive a recusa dos colonos em participar das comemorações do aniversário do senador Vergueiro, em 20 de dezembro. Depois de encontros infrutíferos com a diretoria da colônia e com a administração da fazenda, na véspera do natal de 1856, Thomas Davatz foi chamado à casa-sede para reunião com a família Vergueiro, incluindo o próprio Senador. Em razão do intenso debate entre Davatz e a administração da fazenda e o rumor de que Davatz poderia estar em perigo, vários imigrantes se dirigiram da colônia rumo à casa-sede armados com ferramentas de trabalho e duas armas de fogo; Thomas Davatz, que se retirara da reunião, os dissuadiu de quaisquer atos violentos.44 Contudo, a colônia suíça pôs-se em guarda nos meses subsequentes, sentindo-se ameaçada pelo poderio dos proprietários.45 O senador Vergueiro levou o tema ao Senado brasileiro e à vice-presidência de São Paulo, absurdamente acusando os trabalhadores de terem motivações revolucionárias - mesmo republicanas ou comunistas -, embora o capitão do destacamento policial enviado a Limeira, nas adjacências de Ibicaba, não encontrasse quaisquer motivos para os reprimir.46 Depois de duas inspeções brasileiras não reconhecidas pelos imigrantes, uma comissão suíça, organizada pela autoridade cantonal de Zurique e conduzida por Jakob Christian Heusser, promoveu modificações marginais nas relações trabalhistas, na organização da administração da colônia e na diretoria da fazenda, acordando-se que Thomas Davatz e sua família deveriam deixar Ibicaba e retornar à Suíça.47
Embora não se limite ao relatório comissionado a Davatz pelas municipalidades do vale do Prättigau, os eventos da Revolta dos Parceiros o tem como principal instrumento de debate, sobretudo no capítulo III, no qual Thomas Davatz examina as dificuldades que enfrentou para escrever e enviar seu relatório ao consulado suíço de acordo com as melhores informações de que dispunha e em paz com sua consciência. Conforme mencionado, Seu relatório criticava as condições de trabalho nas fazendas paulistas e a vida no Brasil. Portanto, seus escritos contradiziam a propaganda veiculada na Europa e desafiavam os interesses dos fazendeiros paulistas em aumentar o influxo de trabalhadores europeus. Segundo Thomas Davatz, ao tomarem conhecimento das visões críticas do relatório, a diretoria da colônia de língua alemã em Ibicaba e a administração da fazenda buscaram, primeiro, cooptar-lhea simpatia.48 Vendo-se logrados, indispuseram-se com o mestre-escola. O estopim da Revolta dos Parceiros foi quando, em 24 de dezembro de 1856, Thomas Davatz apresentou algumas das queixas dos colonos, ainda não coligidas em documento oficial, ao senador Vergueiro, a Luiz Vergueiro - administrador da fazenda Ibicaba -, ao médico alemão residente em Rio Claro, Doutor Gattiker, e ao preceptor da família Vergueiro, o senhor Alscher.49 Depois de deixar a casa-sede de Ibicaba, Thomas Davatz informou apenas ao diretor Jonas, ao Doutor Gattiker e ao preceptor Alscher que os colonos já haviam enviado uma representação de suas queixas ao Consulado suíço no Rio de Janeiro, refletindo em seu livro: “Foi bom que eu não fizesse semelhante menção na sede da fazenda, pois os ânimos já excitados dos patrões poderiam ultrapassar todos os limites”.50
Ao publicar em livro suas percepções sobre o Brasil, Thomas Davatz cumpria a promessa feita a seus correligionários de continuar a defender a causa dos colonos também depois de seu retorno à Europa.51 Grande parte do conteúdo do livro se baseou nas notas tomadas por Thomas Davatz para a escrita do relatório, embora ele próprio observe que o tom do documento enviado de Ibicaba fora mais brando.52
O Staatsarchiv Graubünden (Arquivo Cantonal dos Grisões) preserva grande quantidade de material indexado sob a rubrica “Mestre-escola Thomas Davatz, 1815-1888, de Fanas”.53 A maior parte de suas anotações, sobretudo as de caráter privado, permanece inédita em português ou sem transcrição do manuscrito em alemão.54 Importantes exceções são as cartas que Thomas Davatz enviou ao Rio de Janeiro em momentos agudos da crise de 1856, publicadas em português por José Eduardo Heflinger Jr.,55 assim como a transcrição de seu relato da viagem para o Brasil, intitulado Beschreibung einer Reise von der Tardisbrücke Kt. Graubünden, Schweiz, bis nach Ybicaba, Provinz S. Paulo, Brasilien (Descrição de uma viagem da Ponte de Tardis [Tardisbrücke], cantão dos Grisões, Suíça, até Ybicaba, província S. Paulo, Brasil (tradução livre)), publicada em 1997 por Sylvester Davatz.56 Além desse documento, indexado com data oficial de 13 de outubro de 1855,57 o Arquivo Cantonal dos Grisões preserva o que foi possivelmente o relatório de Davatz, indexado com data oficial de 19 de fevereiro de 1856, intitulado Hilferuf an den Kleinen Rat für die geprellten Auswanderer (Pedido de ajuda ao Pequeno Conselho para os emigrantes ludibriados), além de notas compiladas sob o título geral Material zu einem Bericht [Aus dem Tagebuch] (Material para um relatório [a partir do diário]).58
Baseando-se nessas anotações e nas observações feitas durante a estadia no Brasil, a escrita do livro deve ter ocorrido entre fins de julho de 1857, quando Thomas Davatz e sua família retornaram à Suíça, em novembro de 1857, quando o mestre-escola enviou do município de Fideris uma comunicação ao Pequeno Conselho pedindo apoio para a publicação de Die Behandlung der Kolonisten (O tratamento dos colonos).59 Em quatro dias a Chancelaria do Cantão dos Grisões forneceu a garantia de duzentos francos para a impressão e aquisição de cinquenta exemplares.60 Um ano e dois dias depois da Revolta dos Parceiros, Thomas Davatz enviou seus agradecimentos pelo apoio e um pedido de registro de seus antecedentes criminais.61 Em julho de 1858, registrou-se a distribuição de 39 exemplares do livro por ordem da Chancelaria a doze municipalidades com emigrantes, possivelmente decorrentes de outro pedido do autor.62
A primeira edição de Die Kolonisten in der Provinz St. Paulo in Brasilien foi publicada pela casa editorial, tipografia e livraria de Leonhard Hitz, em Chur, capital dos Grisões. De acordo com a Documentação para pesquisa genealógica do Arquivo Cantonal dos Grisões,63 Leonhard Hitz (18321916) era livreiro na referida municipalidade, além de ser descrito como “major”, em referência à patente no serviço militar cantonal.
Ainda que esteticamente bela, sobretudo pelos arabescos e detalhes ornamentais da capa e algumas outras páginas, a primeira edição do livro foi modesta, em linha com a meta do autor de não apenas informar as autoridades políticas, mas também de esfriar a “febre de emigrar”, em especial ao Brasil, que então reinava entre a população de baixa renda na Suíça. O objetivo de publicar um livro barato e possivelmente a própria posição socioeconômica de Thomas Davatz explicam e justificam a simplicidade material da edição, em formato de brochura, com cadernos costurados a uma capa e contracapa azul, também de papel (Figura 1). Outra evidência do baixo orçamento da publicação é fornecida pelas dimensões bastante irregulares das páginas. Sobretudo, a altura do livro chega a variar em quase 1 centímetro. Variações menores podem ser notadas também na largura, cujos recortes têm entre 12 e 12,5 centímetros. Usualmente, há blocos de páginas (contendo menos páginas que um caderno costurado) com as mesmas dimensões colocadas entre cadernos com dimensões um pouco maiores, conforme ilustrado na Figura 2, referente às páginas 236 (18,2 × 12 cm) e 237 (19 × 12 cm). Ademais, uma edição popular em meados do século XIX naturalmente não podia se dar ao luxo de deixar partes de papel em branco. Desse modo, não há separação de páginas para iniciar novos capítulos na primeira edição. Ainda assim, os espaços são sempre muito bem delineados. Um traço simples delimita o fim da introdução e dos capítulos I e III; e um traço duplo encerra a conclusão, antes dos anexos. Já a transição entre os capítulos II e III é realizada pelo autor na página 119 da primeira edição, que emenda a narrativa das condições de vida ao levante dos colonos com a seguinte sentença: “Com isso, encerro esta parte e apresento/III./O levante dos colonos contra seus opressores”.64


Apesar dessas economicidades, a riqueza de detalhes impressiona. As bordas que delimitam o espaço interno da capa são dadas por cachos de uva em cada um dos cantos, que se desdobram em folhas simétricas. Outro padrão floral, menos elaborado, mas talvez mais simbólico, pode ser encontrado tanto na capa quanto na folha de rosto: os espaços destinados ao título e ao autor são separados do nome do editor por dois ramos simétricos, cada qual com três folhas e duas bagas em suas extremidades opostas; é possível conjecturar que se tratem de grãos de café. O livro é encerrado com outro padrão floral simétrico à direita e à esquerda, no que parece ser o ramo espinhoso de uma roseira. Ademais, a primeira edição passou por um cuidadoso processo editorial e de revisão - o que é de se esperar, dada a dedicação de Thomas Davatz à causa dos colonos e pelos traços de sua personalidade meticulosa.65 Esse cuidado é visível na errata e pelo fato de haver um único erro tipográfico identificado: na página 167, um retângulo preto separa duas palavras, possivelmente colocado pelos editores sobre uma letra sobressalente. Finalmente, o trabalho editorial chama a atenção em alguns detalhes: as notas de rodapé não são enumeradas, mas marcadas por um ou dois asteriscos - não há mais de duas notas de rodapé por página -; as medidas de área são indicadas por “?´”, que foram traduzidas para o português como “pés quadrados”; finalmente, os tremas são sempre colocados nas letras minúsculas (ä, ö, ü), mas não nas maiúsculas (Ae, Oe, Ue), presumivelmente por limitações tipográficas da época.
TÍTULOS DE LEONHARD HITZ: CAPA E CONTRACAPA DE THOMAS DAVATZ (1858)
Dos exemplares atualmente conhecidos do livro de Thomas Davatz, aquele utilizado para a escrita deste artigo é, ao que eu saiba, o segundo a conservar a capa e a contracapa originais.66 Os exemplares da primeira edição existentes na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin infelizmente não conservaram as frágeis capas da primeira edição. Um destes exemplares contém os ex-libris tanto de Rubens Borba de Moraes quanto de José Mindlin. O outro exemplar contém o ex-libris de Newton Carneiro e traz uma sobrecapa dura colocada sobre o livro original. Essa sobrecapa parafraseia a capa original com o título: Die Kolonisten in St. Paulo. É razoável supor que essa sobrecapa derivada tenha se baseado diretamente nas duas primeiras linhas da capa original, que não foi preservada.
Esses detalhes sugerem algumas hipóteses sobre o título consagrado no Brasil desde a primeira edição traduzida para o português, em 1941: Memórias de um Colono no Brasil (1850).67 Ilka Cohen68 e Rudolf Schallenmüller69 chamam a atenção para a inexatidão da tradução do título, seja por decisões editoriais ou por questões de gênero literário. Embora permaneça inexato também nesse caso, o título Memórias de um colono no Brasil (1850) estaria mais alinhado com a capa original da primeira edição do que com a folha de rosto remanescente nas cópias atualmente disponíveis para consulta no Brasil.
A capa azul de 1858 tem por título “Die Kolonisten/in der Provinz St. Paulo/in Brasilien [/---/Dargestellt von dem ehemaligen Kolonisten/Thomas Davatz]” (“Os colonos na província [de] St. Paulo, no Brasil [---Apresentado pelo ex-colono Thomas Davatz]”). A fonte utilizada na primeira linha para referir-se a “Die Kolonisten” difere do restante de todo o livro, com estilo mais arredondado, enquanto as linhas subsequentes do título usam a fonte gótica usual do restante da edição. Ademais, o termo “Die Kolonisten” foi enfatizado na primeira edição pelo uso de fonte significativamente maior, o que talvez - e aqui se trata de pura conjectura - tenha levado Sérgio Buarque de Holanda ou Rubens Borba de Moraes a focar o título em português na categoria “Colono”, curiosamente grafado em maiúsculo no português, como seria o caso gramaticalmente correto em alemão.70
Já a folha de rosto traz um extenso título descritivo, constituído tanto pelo objeto da obra quanto por seu objetivo:71 “Die/Behandlung der Kolonisten/in der Provinz St. Paulo in Brasilien/und/deren Erhebung gegen ihre Bedrücker./Ein Noth-und Hilfsruf an die Behörden und Menschen-/freunde der Länder und Staaten, welchen die/Kolonisten angehörten” (“O/tratamento dos colonos/na província [de] St. Paulo no Brasil/e/o levante deles contra seus opressores./Um grito de socorro e pedido de ajuda às autoridades e filan-/tropos dos países e Estados aos quais/os colonos pertenciam”). O tema principal do título é claramente “tratamento dos colonos”, cuja fonte na folha de rosto é significativamente maior que o restante do título, da mesma maneira que o termo “Die Kolonisten”, na capa. De fato, “na província [de] St. Paulo no Brasil” e “o levante deles [dos colonos] contra seus opressores” podem ser considerados subtítulos descritivos do conteúdo do livro, ou seja, um relato das condições de vida dos colonos em uma província brasileira (cap. I), de seus problemas trabalhistas (cap. II) e das motivações e acontecimentos relacionados à Revolta dos Parceiros (cap. III). A última parte do subtítulo, separada do restante por ponto-final depois de “opressores”, explicita o objetivo de pleitear em prol dos colonos estrangeiros em São Paulo junto às autoridades públicas e filantropos dos países de origem dos imigrantes, ou seja, o tema de encerramento do livro (seção “Bitte und Schluss” [“Pedido e conclusão”]).
O título da primeira edição do livro em alemão manteve algumas características do que foi possivelmente o relatório enviado de Ibicaba (“Thomas Davatz aus Ybicaba”) e recebido na Suíça em 19 de fevereiro de 1856. O termo Hilferuf (“pedido de ajuda”) foi mantido, mas precedido pela expressão mais incisiva Noth[ruf] (“grito de socorro”). Os destinatários também aumentaram em escopo, deixando de ser apenas o Pequeno Conselho e passando a incluir a sociedade civil (“filantropos”), políticos e a administração pública dos países de origem dos colonos. No título do livro, Thomas Davatz enfatizou mais a categoria socioeconômica “colono” do que a posição de “imigrante”, que prevalecera no título do relatório. Notavelmente, o título publicado faz menção aos países e Estados aos quais os colonos pertenciam [angehörten]. O tempo verbal utilizado, o passado simples, reflete a visão da imigração em meados do século XIX, vista mais como um movimento permanente que uma forma de circulação intercontinental de pessoas.72 Finalmente, o título do livro faz menção direta à Revolta dos Parceiros, cujos condicionantes estavam apenas maturando quando da recepção do relatório na Suíça. Chama a atenção, porém, a visão extremamente crítica refletida no termo “ludibriado” [geprellten], indicativo da dicotomia entre as expectativas de Thomas Davatz e a realidade por ele percebida no interior paulista.
A capa do livro informa, por fim, que ele fora “impresso” e era “adquirível com L. Hitz”, enquanto a folha de rosto traz apenas o dado de que a obra fora “impressa por Leonh. Hitz”. Já a contracapa informa: “Por [junto a] Leonh. Hitz, em Chur, foram publicados e podem ser obtidos em todas as livrarias os seguintes [títulos]” (Figura 3, Tabela 1).


Dos títulos mencionados na contracapa de Thomas Davatz, localizou-se apenas três digitalizados em repositórios online.73 Neles, Leonhard Hitz é apresentado como “Prensa[/Tipografia] da Oficina de L. Hitz e Editora” (1849), “Editora e Tipografia” (1852) e “Editora” (1857), com as seguintes variações de nome: L. Hitz (1849), Leonhard Hitz (1852) e Leonh. Hitz (1857).
Os títulos e autores das doze obras publicadas por Leonhard Hitz e listadas na contracapa de Thomas Davatz podem ser classificados em quatro categorias temáticas: obras religiosas (5); de economia local e doméstica (4); escolares (2); e político-militar (1). À exceção dos livros de utilidade doméstica e da publicação político-militar - o Memorandum sobre a condução militar na Confederação -, cujo título sugere cobertura geográfica mais ampla, as demais publicações possivelmente tratavam de temas locais. Em sua maioria, as obras religiosas eram sermões pregados localmente, como as prédicas em Chur e Schiers, ambas localizadas no vale do Prättigau. A terceira localidade mencionada foi Puschlav [Val Poschiavo], também nos Grisões, cerca de 50 quilômetros em linha reta de Chur. Dada a maioria de língua romanche-italiana, não parece ser por acaso que as prédicas do Ano Novo em Puschlav tenham sido as únicas a fazer referência explícita à Igreja Católica. Já duas outras publicações se referem a comunidades evangélico-luteranas: o Reformirte Bündnervolk e o Evangelische-Rhätische Synode (Sínodo Cantonal), a mais antiga entidade protestante na Suíça.
Dentre os autores dos textos religiosos listados, nota-se uma influência substancial da escola de teologia da Basileia, sobretudo de Georg Leonhardi, teólogo pela Universidade da Basileia, e do Prof. Dr. Hagenbach, que atuou de forma decisiva na modernização da Faculdade de Teologia daquela mesma universidade.74 Para o presente artigo, ainda mais interessante é a biografia de Peter Flury, dados os paralelos com a biografia de Thomas Davatz. Depois de ter estudado na escola cantonal de Chur, Flury fundou em 1837 a Lehranstalt Schiers, instituição de ensino que seguia o pietismo renovado da Basileia, tendo como modelo o Anstalt Beuggen (Instituição educacional/internato de Beuggen)75 - ou seja, a mesma instituição na qual Thomas Davatz obtivera sua formação educacionalreligiosa como mestreescola, e que o influenciou profundamente em sua visão de mundo.76 Finalmente, o pastor Flury teve também uma experiência como imigrante, atuando como pároco em Dubuque, em Iowa, Estados Unidos, entre 1846 e 1849.77
O leitor de Thomas Davatz pode apenas conjecturar se o mestre-escola tinha em mãos alguns desses livros ou outros de Leonh. Hitz quando, exasperado pela falta de assistência religiosa aos protestantes, mencionara que, de setembro de 1856 até sua saída de Ibicaba, “[…] além das funções de mestre-escola, tive de exercer também as de pastor junto aos vivos e aos mortos […] [O]s colonos tiveram de contentar-se com aquilo que eu lhes pudesse proporcionar por minha conta em matéria de religião, ou com o que me era possível escolher em bons livros de orações”.78 A mesma conjectura paira curiosa a respeito do material impresso usado pelas crianças em Ibicaba: “[…] faltavam quase inteiramente os instrumentos de ensino, que no Brasil, de resto, só existem importados da Europa distante. Havia apenas alguns abecedários e cartilhas, propriedade de crianças recém-chegadas, um quadro negro e várias folhas de papel, tendo impressos grandes caracteres latinos e que serviam de modelo […]”.79
Dentre os livros mencionados na contracapa de Thomas Davatz, dois eram escolares. A coletânea de trinta cantos para duas vozes é de autoria de Joann Anton (Gion Antoni) Bühler, professor no Seminário de Chur, componista, novelista e estudioso da língua romanche.80 O outro era um estudo da geografia da Confederação Suíça por H. Cassian,81 professor daquela disciplina na Realschule de Chur, bem como o moderador de seu internato. Cassian dividiu seu livro em duas partes: a “primeira metade” era para uso escolar; a segunda destinava-se ao “uso doméstico”, com textos sobre o desenvolvimento histórico da Suíça, sua constituição, serviço militar, finanças cantonais, correios, alfândegas, telégrafos e ferrovias. Também para uso cotidiano eram as quatro publicações sobre temas de economia local e doméstica listadas na contracapa de Thomas Davatz. Trata-se aqui sobretudo de tabelas de preços e medidas, incluindo indicadores de salários pagos a diversas categorias profissionais no ramo da construção civil; medidas para cálculo de volume de madeira e material florestal; e uma publicação sobre viticultura no vale renanosuíço, com uma tabela dos anos de produção vinícola. Finalmente, um livro de conteúdo provavelmente mais amplo era o de Ludwig Christ, cujo título “Três sugestões para prevenção do encarecimento dos gêneros" (tradução livre) sugere um trabalho de economia política mais amplo que as demais publicações de uso doméstico, mas ainda com um tema de interesse local, associado ao custo de vida e subsistência da população.
LEON. HITZ: TRABALHO EDITORIAL, PÚBLICO-ALVO E ESTIMATIVA DO PREÇO DO LIVRO DE DAVATZ
O catálogo de títulos na sobrecapa de Thomas Davatz revela certa homogeneidade nos formatos de publicação de Leonhard Hitz. Dos doze títulos mencionados, dez foram publicados em um único formato e dois em dois tipos diferentes de edição (as Tabelas salariais e a Publicação trimestral para o povo cantonal reformado). A grande maioria (12) eram brochuras encadernadas [geheftet] e como não há razão para supor que o livro de Thomas Davatz tenha tido uma edição diferenciada, é seguro afirmar que as brochuras de Leonhard Hitz eram costuradas. Dentre as edições em brochura, no entanto, havia variações de dimensão. Três livros eram do tipo 8. geh., ou seja, de formato oitavado (18,5 × 22,5 cm). Cinco eram gr. 8. geh., ou oitavados grandes (22,5 × 25 cm), um deles com capa cartonada [cartoniert]. Havia ainda uma publicação em Lex. 8. geh., indicando formato oitavado de léxico (25 × 30 cm). Havia duas publicações com edições mais luxuosas: o livro cartonado já mencionado e uma edição das Tabelas salariais, no formato auf Leinwand gezogen in Futteral (invólucro estirado em tela de linho).82 Não por acaso, esta é a publicação individual mais cara, cujo público-alvo incluía potencialmente trabalhadores qualificados, como engenheiros e arquitetos.
Os preços das edições mencionadas variavam entre 20 centavos e 7 francos. O último valor se deve à coletânea de quatro cadernos do Vierteljahrschrift für das reformirte Bündnervolk. Se o preço total de 7 francos for dividido pelo número de cadernos, o valor cai para 1,75 francos por exemplar e a edição mais cara torna-se o “invólucro em tela de linho” das Tabelas salariais, custando 3,35 francos. A maioria, porém, eram edições baratas. Nove delas custavam menos de 1 franco, com sete abaixo dos 50 centavos. As variações de preço das edições oitavadas, oitavadas grandes e em formato de léxico não apresentam tendências evidentes, de modo que para estas edições o principal determinante do preço deve ter sido o número de páginas. Por outro lado, as edições que apresentam algum diferencial editorial são efetivamente as mais caras. A versão cartonada e o invólucro em tela de linho estão entre as cinco edições com preço acima de 1 franco. Os preços para os outros três casos - o livro de geografia e o Vierteljahrschrift em quatro edições encadernadas ou individuais - possivelmente explicam-se pelo número de páginas, dado não haver indicação de especificidades editoriais.
Para testar essas hipóteses, ter uma imagem mais clara do público-alvo de Leonhard Hitz e estimar o preço do livro de Thomas Davatz, eu coletei dados sobre o número de páginas, ano da primeira edição e a existência de gravuras e/ou tabelas dos livros (Tabela 1). Os dados extras foram obtidos dos livros digitalizados ou em referências sobre eles que puderam ser encontrados no repositório do Google Books e dados do Historisches Lexikon der Schweiz (Léxico Histórico Suíço).
Com esses dados é possível estudar algumas correlações entre as características dos livros e seus preços e formatos. A Tabela 2 apresenta modelos univariados, ou seja, a variável de interesse (preço ou formato) é correlacionada apenas com uma das outras variáveis explicativas (número de páginas, ou ano da primeira edição, ou formato, ou preço) e uma constante a partir do método dos mínimos quadrados ordinários. Como foram encontradas apenas três edições digitalizadas por completo, a variável “número de gravuras e/ou tabelas” não foi incluída.

Nessa amostra de livros, os resultados sugerem que apenas o número de páginas está correlacionado significativamente com o preço - ao nível de significância estatística de 1%. Já o ano da primeira edição e o formato não apresentaram correlações significantes com o preço, em linha com a hipótese de que os formatos oitavado e oitavado grande não pareciam influenciar os preços em qualquer direção específica. Ademais, os resultados mostram que o formato das edições não estava estatisticamente correlacionado com nenhuma das variáveis consideradas.
Por meio dessas conclusões e nos parâmetros calculados na Tabela 2, é possível estimar os preços dos livros da seguinte maneira: , em que o circunflexo indica o valor estimado e em que a constante e o coeficiente provêm da primeira regressão univariada. A Tabela 3 usa essa função e compara os preços estimados e reais dos livros para os quais se dispõe de informação sobre o número de páginas. As estimativas estão satisfatoriamente próximas dos valores reais e a média das diferenças é aproximadamente zero. As exceções à boa acurácia dessas estimativas foram os livros Drei Vorschläge […] (Christ. 1), 30 zweistimmige Schullieder (Bühler) e Der Weinbau […] (Papon). Nos dois primeiros casos, o modelo superestima o preço em 13 e 25 centavos, respectivamente. Esses casos não representam um problema para o exercício almejado de estimar o custo do livro de Davatz para seu públicoalvo, posto que famílias pobres desejosas de emigrar teriam mais condições de comprar esses livros do que o modelo prevê. No terceiro caso, o modelo subestima o preço em 37 centavos, o que poderia constituir um problema, dado que a estimativa prevê que mais famílias pobres poderiam comprar o livro do que efetivamente refletido em seu preço real. No entanto, essa subestimação do valor possivelmente se explica pelo custo de produção da tabela de duas páginas daquela obra. Como o livro de Thomas Davatz não contém tabelas extras e/ou maiores que suas páginas, a subestimação em questão não motiva grande preocupação.

Com esses dados e considerações, a estimativa do preço do livro de Thomas Davatz em 2 francos é razoável e segura. Embora a Chancelaria dos Grisões tenha fornecido 200 francos por um total de cinquenta exemplares (vide registro citado na seção 2),83 não parece ser possível inferir daí que o preço de capa do livro de Thomas Davatz fosse 4 francos. Em primeiro lugar porque esse valor corresponderia ao título individual mais caro frente àqueles listados em sua contracapa para uma edição sem luxos editoriais; e, em segundo, porque a Chancelaria garantia não apenas a aquisição junto à editora, mas também a impressão das referidas cópias.
Considerando o salário nominal de homens e mulheres na Suíça da segunda metade da década de 1850, um trabalhador médio precisaria de 1,05 a 17 horas para adquirir o título mais barato e o mais caro da lista da contracapa de Thomas Davatz - excluindo-se os quatro volumes encadernados.84 Se a estimativa do preço do livro de Thomas Davatz estiver correta, um operário médio na Suíça precisaria de 10,5 horas de trabalho para adquirir a obra. É importante salientar, porém, que a variação salarial era enorme. Apenas entre trabalhadores urbanos nas indústrias têxteis os salários iam de 50 centavos por dia para uma criança empregada na indústria da seda a 3,80 francos para a categoria dos “fiadores, tecelões, impressores e bordadores”.85 Desse modo, muito embora os livros de Leonhard Hitz possivelmente almejassem o leitor popular de Chur, o custo para uma família pobre - dentre as quais estavam aquelas desejosas de emigrar para as fazendas paulistas - não era negligenciável.
A GENEALOGIA DE UM EXEMPLAR
O exemplar utilizado neste artigo foi adquirido privadamente, em setembro de 2020, do livreiro Narrenschiff, em Trin, Suíça, a poucos quilômetros de Chur. Em comparação com as cópias digitalizadas atualmente disponíveis, trata-se de um exemplar bastante desgastado. Há páginas danificadas no canto inferior direito, manchas de umidade, com padrões que sugerem escorrimento de líquidos da extremidade superior à inferior pela lombada, sinais de oxidação do próprio papel (foxing), dado inexistir evidência de presença de corpos metálicos entre as páginas, fiapos indicativos da abertura das páginas e leves manchas de tinteiro no canto inferior esquerdo de três páginas, embora não haja outras anotações ou grifos senão na folha de rosto. Finalmente, a costura está danificada e embora ainda haja um fio unindo os cadernos, a brochura se desfez em cinco fólios:86 (1) capa e contracapa avulsas e separadas entre si, com a lombada preservada apenas parcialmente; (2) conjunto de cadernos da página 1 (folha de rosto) até a 112; (3) conjunto de cadernos soltos entre as páginas 113 e 128; (4) conjunto amarrado, na parte inferior, da página 129 a 176; (5) conjunto solto, até o final do livro, que está completo.

Embora parte desse desgaste explique-se pela fragilidade do papel e ausência de uma capa dura, dobras proeminentes no canto inferior direito sugerem que o livro foi manuseado amplamente e/ou permaneceu em posição vertical por um longo período. Essas orelhas sussurram dúvidas permeadas de aspirações que o livro deve ter despertado entre leitores que o viam não como fonte histórica, mas como conselheiro para decisões pessoais ou políticas.
É impossível determinar todos os leitores de um exemplar, mas as duas notas manuscritas na folha de rosto permitem traçar uma genealogia bastante completa de seus proprietários. Acima do título, lê-se: “Johann Bartolomé Caflisch, Ständerat./Von Tante Chr. Caflisch-Caflisch als Andenken/an meinen Gros[s]vater./R. Bener”, ou seja, “Johann Bartolomé Caflisch, Conselheiro do Estado. Da tia Chr. Caflisch-Caflisch como recordação do meu avô. [Assinado por] R. Bener”. Entre o título e o autor, lê-se, com mais dificuldade pela caligrafia: “1958 [1938? 1988?] aus dem Nachlass Rudolf Bener/-Merian/in den Besitz der Familie Quentd [?] [Arendt?]-Bener/übergegangen”, ou seja, “1958 [1938? 1988?] passado do espólio de Rudolf Bener-Merian à propriedade da família Quentd[?] [Arendt?]Bener”.
O primeiro proprietário desse exemplar de que se tem registro foi, portanto, Johann Bartolomé Caflisch, representante do município de Trin e, depois, de Chur no Conselho dos Estados Suíços entre 1853 e 1860. Desde 1847, o conselheiro Caflisch atuou em seis legislaturas no Grande Conselho dos Grisões, incluindo sua presidência em 1874, além de ter atuado no Conselho dos Estados por três vezes e no Conselho Nacional da Suíça.87 O conselheiro Caflisch estava, portanto, próximo dos debates políticos sobre os colonos em São Paulo e sobre os subsídios oferecidos pelas municipalidades suíças aos emigrantes. Com seu falecimento, em 1899, o livro passou às mãos da sra. Chr.[istine] CaflischCaflisch, que o deu como recordação, sem indicação de data, a seu sobrinho, R. Bener, neto de Johann Bartolomé Caflisch. R. Bener é muito provavelmente o próprio Rudolf BenerMerian mencionado na segunda nota, talvez acrescentando-se-lhe ao nome de solteiro o sobrenome da esposa. Como herança, o livro chegou então às mãos da família Quentd[?] [Arendt?]Bener em 1958 - ou 1938, ou 1988. Se o livro foi repassado aos novos proprietários apenas em função do falecimento de Rudolf BenerMerian, então a hipótese a seguir não se sustenta necessariamente, mas se a doação se deu inter vivos, então o ano de 1958 é simbólico como o primeiro centenário da publicação. Infelizmente, não há indicações de quando ou sob quais circunstâncias o exemplar foi levado à venda na livraria Narrenschiff.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: A ENORMIDADE DE UM “LIVRINHO”
Este artigo estudou como fonte material a primeira edição do livro Die Behandlung der Kolonisten in der Provinz St. Paulo in Brasilien, de Thomas Davatz, publicado em 1858 pela tipografia e editora de Leonhard Hitz, em Chur, cantão dos Grisões, na Suíça. Primeiramente, foram discutidas as informações contidas na capa do livro, que, segundo meu conhecimento, ainda é inédita, em seu formato original, em bibliotecas brasileiras, que não dispõem de exemplar em formato original. Considerando as diferenças nos títulos da folha de rosto e da capa, foi aventada a hipótese de que o título da primeira tradução ao português - Memórias de um colono no Brasil (1850) - possa ter sido influenciado por uma versão perdida da capa original. O exemplar com o ex-libris de Newton Carneiro, disponível na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, foi encadernado com uma capa dura com o título Die Kolonisten in St. Paulo, semelhante ao original Die Kolonisten in der Provinz St. Paulo in Brasilien. Na sequência, foi estudado o conteúdo da contracapa, que traz informações sobre doze livros, em quatorze edições, publicados por Leonhard Hitz, incluindo seus autores, títulos, formatos e preços. Arguiu-se que tais livros refletiam os interesses e orçamentos dos leitores potenciais de Thomas Davatz. Esses livros versam sobretudo sobre temas religiosos, economia doméstica e utilidade prática. A maioria se refere a temas locais, como o registro de prédicas realizadas nos arredores de Chur. Coletando informações sobre o número de páginas e outras características dessas publicações, o artigo finalmente elaborou um modelo estatístico simples, com o qual se estimou o preço do livro de Thomas Davatz em 2 francos, correspondentes a cerca de dez horas de um trabalhador médio na Suíça na década de 1850. Em complemento à análise material, essa estimativa demonstra que o livro de Thomas Davatz foi uma edição popular, mas seu preço ainda representava um valor não negligenciável para a parcela mais pobre da população do país, exatamente aquela potencialmente desejosa de emigrar para São Paulo sob o esquema de endividamento de meados do século XIX.
A primeira edição do livro de Thomas Davatz foi estudada neste artigo primordialmente como um “objeto” em que a fonte material complementa o conteúdo. Foi na dicotomia entre pobreza material e riqueza de detalhes que se notou a impregnação da essência da obra, e, talvez, mesmo de seu autor, no objeto que cristalizou suas ideias. Thomas Davatz referiu-se com frequência à sua publicação no diminutivo, um livrinho [Büchlein] que emana fisicamente a enormidade das tensões entre um pobre mestreescola imigrante e um dos maiores potentados do Império Brasileiro; entre um homem franzino e enfermiço e sua personalidade inquebrantável, mesmo intransigente, na defesa de suas ideias; entre eventos passados em um rincão do interior paulista no século XIX e a aspiração universal de imigrantes por uma vida melhor.
AGRADECIMENTOS
Carolina Carvalho da Silva e Leonardo Antonio Santin Gardenal auxiliaram-me com a avaliação da condição física do exemplar utilizado neste artigo. Ursula Davatz-Asper, Franziska Dorn, Gherda Hupfeld, Claudia Schupp, Eva Schupp e Peter Schupp se debruçaram na transcrição das notas manuscritas na folha de rosto. Rudolf Schallenmüller auxiliou-me com a tradução de termos técnicos de tipografia do original em alemão. Agradeço-lhes pelo entusiasmo e valioso auxílio. O conteúdo final, erros e/ou omissões remanescentes são, naturalmente, de inteira responsabilidade do autor.
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PERRET GENTIL, Charles. [Correspondência]. Destinatário: Juiz Municipal do Districto de Limeira, sobre pareceres de J. J. von Tschudi, Ybicaba (Limeira), 21 maio 1861. 1 carta. Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP). Lata C07214 - Colônias.
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Notas
Autor notes