ESTUDOS DE CULTURA MATERIAL
O patrimônio arquitetônico em madeira de Rio Negrinho: um estudo sobre a tradição construtiva do Casarão Zipperer
Wooden cultural heritage of Rio Negrinho: a study on the Casarão Zipperer building tradition
O patrimônio arquitetônico em madeira de Rio Negrinho: um estudo sobre a tradição construtiva do Casarão Zipperer
Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol. 30, e47, 2022
Museu Paulista, Universidade de São Paulo
Recepção: 09 Dezembro 2021
Aprovação: 09 Setembro 2022
RESUMO: Parte importante do patrimônio arquitetônico de Santa Catarina é constituído por bens em madeira, dentre os quais se destacam as edificações históricas que compõem a paisagem de diversas cidades. Esse tipo de produção arquitetônica evidencia processos culturais e saberes tradicionais sobre a flora lenhosa, técnicas e recursos construtivos. As circunstâncias que envolveram essas construções podem explicar os processos construtivos em madeira ao longo do tempo e valores culturais associados a eles. Nesse sentido, este trabalho objetivou compreender os contextos ambiental e histórico-cultural da época de construção do Casarão Zipperer, a história da edificação e como ela foi construída. Para isso, foi realizada uma pesquisa bibliográfica que compreendeu os anos 1850 até 1923. As técnicas construtivas foram obtidas na bibliografia e por meio do levantamento físico. Os resultados apontam que a produção arquitetônica em madeira, situada em regiões de imigração e colônias europeias, é fruto de uma tradição construtiva permeada por saberes passados entre gerações por mestres de ofícios. Essa tradição foi condicionada pela qualidade dos recursos disponíveis, principalmente madeira e ferramentas. Compreender em que circunstâncias a edificação foi construída, sua história e os saberes necessários para a sua construção pode oferecer subsídios para o entendimento dessa tradição construtiva e do uso histórico da madeira como um recurso.
PALAVRAS-CHAVE: Patrimônio arquitetônico, Arquitetura em madeira, História da arquitetura, Tradição construtiva.
ABSTRACT: An important part of the architectural heritage of Santa Catarina consists of cultural wooden assets, among which the historic buildings that make up the landscape of various cities stand out. This type of architectural production in wood evidences cultural processes and traditional knowledge about woody flora, construction techniques and resources. The circumstances around these constructions can explain the building processes with wood over time and the cultural values associated to them. Thus, this paper aimed to understand the environmental and cultural-historical contexts of the time of the construction of Casarão Zipperer, the history of the building, and how it was built. To that end, bibliographical research was carried out from 1850 to 1923. The building techniques were found in the bibliography and by a physical survey. The results show that the architectural production in wood, in regions formed by immigration and European colonies, is the result of the building tradition permeated by knowledge passed down generations by master craftsmen. This tradition was conditioned by the quality of available resources, especially wood and tools. Understanding under which circumstances the building was built, its history, and the knowledge needed for its construction can offer subsidies to understand this building tradition and the historical use of wood as a resource.
KEYWORDS: Architectural heritage, Wooden architecture, History of architecture, Building tradition.
INTRODUÇÃO: O USO DA MADEIRA EM EDIFICAÇÕES HISTÓRICAS
As edificações em madeira fazem parte da paisagem cultural em quase todo o país, ganhando grande expressividade na região Sul e em muitas cidades catarinenses.3 Em Santa Catarina, destacam-se as igrejas, capelas, abrigos familiares, palacetes, ranchos e galpões, cuja estrutura arquitetônica é ricamente trabalhada em madeira. Esse tipo de produção arquitetônica, sobretudo na arquitetura residencial, tem relação direta com os fluxos migratórios decorrentes da criação de colônias em lugares com estoques naturais de madeira, nas florestas do sul do Brasil.4
Com a criação da Colônia Agrícola São Bento pela Sociedade Colonizadora de Hamburgo, em decorrência da chegada de grande contingente de imigrantes, principalmente da Europa central e oriental,5 houve uma nova ocupação do Alto Vale do Rio Negro, que atualmente compreende os municípios de Campo Alegre, Rio Negrinho e São Bento do Sul, na mesorregião do planalto norte de Santa Catarina.6
Na cidade de Rio Negrinho, encontra-se uma expressiva edificação histórica em madeira, datada de 1923. Denominada Casarão Zipperer, faz parte do patrimônio arquitetônico da cidade por ser considerada um excepcional exemplar da arquitetura em madeira, referência histórica da indústria moveleira e testemunho do ciclo econômico madeireiro do norte catarinense.7
A Carta de Brasília8 reconhece a arquitetura vernacular e tradicional efêmera, devido aos recursos construtivos empregados em sua construção, entre eles a madeira. A 12ª Assembleia Geral do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), intitulada “Princípios para a preservação das estruturas históricas em madeira”,9 reconhece a vulnerabilidade da madeira, tornando os bens patrimoniais construídos com esse material passíveis de constantes intervenções para garantir a sua integralidade10 e perpetuar a sua função social enquanto patrimônio. No entanto, as intervenções nos bens patrimoniais em madeira obedecem a saberes culturais, técnicos e científicos. Os conhecimentos necessários para uma intervenção adequada dependem do conhecimento das técnicas e recursos construtivos tradicionais que compõem o bem cultural,11 bem como os valores que atribuem significado histórico, artístico, científico, social e/ou espiritual a ele e que justificam a sua seleção como patrimônio cultural.12 Portanto, conhecer a identidade botânica das espécies de madeiras empregadas em construções históricas é, além de uma forma de registrar o conhecimento tradicional sobre a relação entre a sociedade e a floresta, fundamental para a conservação do patrimônio cultural em madeira.13
No Brasil, nas últimas duas décadas, houve um aumento representativo no número de pesquisas que recorrem à anatomia do lenho para buscar pistas sobre o uso cultural da madeira em bens culturais arquitetônicos, com destaque para os trabalhos de Terezo,14 que identifica e determina propriedades mecânicas de madeiras usadas em construções históricas de origem açoriana na Ilha de Santa Catarina; de Andreacci e Melo Jr.,15 que identifica madeiras utilizadas na construção de uma igreja do período barroco, datada de 1786, em Minas Gerais; de Melo Jr.,16 que identifica as madeiras empregadas em construções com técnica enxaimel, em colônias germânicas do norte do estado de Santa Catarina; de Marchiori e Schulze-Hofer,17 que identifica e descreve a anatomia de madeiras usadas nas reduções jesuítico-guarani do Rio Grande do Sul; de Azevedo,18 que identifica madeiras usadas em senzalas, a sua aplicação e a ocorrência das espécies encontradas nas formações florestais da fazenda Ponte Alta, no estado do Rio de Janeiro; de Rodrigues e Melo Jr.,19 que identifica madeiras empregadas em passarelas públicas no período colonial no nordeste catarinense; e de Silva et al.,20 trabalho de caracterização arquitetônica e identificação de madeiras empregadas na construção de uma base naval no litoral de Santa Catarina.
Os estudos das técnicas construtivas em madeira e suas tipologias arquitetônicas têm maior amplitude no sul do Brasil, onde é possível destacar os trabalhos de Weimer21 sobre a arquitetura da imigração alemã no Rio Grande do Sul; de Hoffmann e Pelegrini,22 Zani,23 e Souza24 sobre a dimensão cultural da arquitetura em madeira no estado do Paraná; de Claro25 sobre os aspectos ligados à produção arquitetônica em madeira em Santa Catarina; de Wittmann26 sobre a arquitetura em técnica enxaimel; e de Schroeder27 e Adimari e Tomporoski28 sobre a arquitetura em madeira no planalto norte de Santa Catarina, especificamente na região do Contestado.29 O processo de construção é intrínseco à arquitetura; portanto, estabelecer uma relação entre o bem cultural, sua cultura construtiva, a paisagem natural e a seleção das madeiras empregadas na construção é impossível sem que se compreenda o contexto histórico-cultural no qual esse bem foi concebido, bem como as técnicas construtivas empregadas e os condicionantes ambientais.
Este estudo objetivou investigar a arquitetura em madeira do Casarão Zipperer e sua dimensão cultural por meio do contexto ambiental e histórico-cultural da época de sua construção. Tendo por base a tradição construtiva em madeira do início do século XX em Santa Catarina, questiona-se: (1) qual o contexto ambiental e histórico-cultural do período da construção do Casarão Zipperer? (2) qual é a história do Casarão Zipperer? e (3) como foi construído o Casarão Zipperer e como a produção arquitetônica do início do século XX pode ter influenciado na sua arquitetura?
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A seguir, são descritos os procedimentos metodológicos adotados para a realização da pesquisa.
Contexto ambiental e histórico-cultural no período da construção do Casarão Zipperer
Para compreender o contexto ambiental e histórico-cultural no momento da construção do Casarão Zipperer foi necessário conhecer o processo de formação da Colônia São Bento, já que o seu território deu origem aos atuais municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e parte de Campo Alegre.30 Além disso, entende-se que a paisagem natural é o cenário que propicia o desenvolvimento das sociedades humanas, seja por meio das condições ambientais impostas, seja pela apropriação da biodiversidade e sua transformação em matéria-prima.31
A metodologia utilizada foi a pesquisa documental e bibliográfica, por meio de livros, publicações periódicas e jornais que versam especificamente sobre o tema, entre a implementação da Colônia São Bento a partir do ano de 1873 até a construção do Casarão Zipperer na década de 1920. Também foram realizadas pesquisas em crônicas, correspondências e diários históricos de imigrantes e de Jorge Zipperer, que retratam o contexto cultural da época. Todas as fontes supracitadas foram consultadas nos arquivos públicos municipais de Rio Negrinho, São Bento do Sul e acervos particulares de familiares de imigrantes que tinham relação direta com a indústria madeireira no início da década de 1920. A pesquisa bibliográfica buscou analisar de forma qualitativa o discurso e o conteúdo das crônicas, correspondências e diários históricos.
A edificação histórica do Casarão Zipperer
O Casarão Zipperer está situado na rua Carlos Weber, nº 150, no centro de Rio Negrinho, Santa Catarina. Edificado por Jorge Zipperer, teve como objetivo o uso residencial de Jorge e sua família.32 O casarão foi erguido ao lado da indústria de móveis da qual Jorge era titular e foi inaugurado em 1923:
[…] destaca-se no panorama da cidade, tanto pela sua volumetria como pela localização mais elevada, a residência da Família Jorge Zipperer, que não sofreu alteração desde a época de sua construção, em 1923, no cruzamento da então rua São Paulo com a Rua Jorge Zipperer, hoje Museu Municipal Carlos Lampe. A residência Zipperer e a fábrica, a qual ocupava grande extensão da região urbana, impõe-se na paisagem da cidade, que se desenvolveu em torno dessa última, evidenciando estreita ligação entre ambas.33
A escolha do Casarão Zipperer como objeto deste estudo se deu pelo valor cultural atribuído ao bem, que constitui para o estado de Santa Catarina um importante representante da arquitetura em madeira. É testemunho do ciclo econômico de exploração da madeira nas florestas do norte do estado e da indústria moveleira,34 devido a sua relação com o empreendimento industrial conhecido como Móveis Cimo, indústria de grande relevância na história do mobiliário35 por ser “um dos mais importantes e representativos fabricantes de móveis em série do país como um todo”.36 A preservação desse imóvel37 é imprescindível para a manutenção dos referenciais culturais e o fomento do turismo local, já que o Museu Municipal Carlos Lampe, até sua interdição em 2018, foi o bem cultural mais visitado do município e apontado como uma das arquiteturas mais importantes para o turismo cultural de Rio Negrinho.38
Apesar da importância cultural atribuída ao bem pelo Decreto Estadual nº 3.354, de 10 de novembro de 1998,39 o imóvel sofreu nas últimas décadas uma rápida deterioração. As patologias decorrentes da constante umidificação dos elementos externos e da infestação por insetos xilófagos em diversos pontos da edificação40 culminaram na situação atual, em que os valores culturais atribuídos ao bem podem ser perdidos por problemas decorrentes da biodeterioração do lenho.41
A pesquisa buscou conhecer o histórico da edificação e a sua dimensão patrimonial por meio da pesquisa bibliográfica, bem como pela análise de ofícios e pareceres técnicos do município de Rio Negrinho e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC). A dimensão patrimonial considerou os conceitos de patrimônios cultural e arquitetônico. Foram realizadas também pesquisas em livros dos arquivos públicos municipais de Rio Negrinho e São Bento do Sul sobre a família de Jorge Zipperer e a construção do Casarão Zipperer, bem como seu processo de tombamento. As publicações periódicas foram obtidas nas bases do Google Scholar e do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A literatura cinza foi consultada nos repositórios de universidades nacionais. Os termos pesquisados em buscas nas plataformas eletrônicas foram: Casarão Zipperer; Móveis Cimo; Jorge Zipperer; Museu Municipal Carlos Lampe; Zipperer; patrimônio em madeira; cartas patrimoniais. Os ofícios e pareceres técnicos foram pesquisados nos arquivos da Fundação Municipal de Cultura de Rio Negrinho, da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente do município de Rio Negrinho (Seplan) e da FCC. Ainda foram revisados os principais documentos internacionais de recomendações para intervenções no patrimônio cultural e sua proteção, conhecidos como Cartas Patrimoniais, obtidas em meio eletrônico nos sites do Iphan e Icomos.
A produção arquitetônica brasileira do século XX e a técnica construtiva do Casarão Zipperer
A noção de produção arquitetônica como produto da disponibilidade de materiais, do clima, da topografia e do conhecimento tecnológico é abordada sob a ótica da Teoria da Tectônica.42 A tectônica, na teoria da arquitetura, teve origem na palavra grega tekton [carpinteiro], mas foi amplamente discutida e ressignificada pelos teóricos Carl Bötticher e Gottfried Semper, no século XIX, e Kenneth Frampton na contemporaneidade. De modo geral,43 pode ser entendida como a relação entre arquitetura, sua materialidade e sua forma simbólica ou concepção e sua técnica. Nessa perspectiva, o conhecimento, os recursos e as tradições construtivas são elementos que consolidam a identidade de construção de um povo.44
O objetivo aqui não é fazer caber a obra arquitetônica em conceitos formais ou estéticos, mas analisar brevemente o contexto da produção arquitetônica e as principais mudanças na forma de morar no início do século XX no Brasil. A delimitação do tema se deu pela tipologia “bangalô”, atribuída ao Casarão Zipperer.45 A pesquisa bibliográfica foi realizada em livros, publicações periódicas em bases como Google Scholar e Portal de Periódicos da Capes e trabalhos acadêmicos localizados em repositórios institucionais de universidades nacionais.
A identificação das técnicas e dos detalhes construtivos foi realizada por meio do levantamento físico. O levantamento físico “compreende as atividades de leitura e conhecimento da forma da edificação, obtido por meio de vistorias e levantamentos, representados gráfica e fotograficamente”.46 A representação gráfica foi feita por meio da elaboração de croquis esquemáticos em três dimensões dos principais elementos construtivos, modelados no software Google SketchUp. O levantamento fotográfico foi o método utilizado para a identificação dos detalhes construtivos, ensambladuras e esquadrias da edificação histórica estudada.
Os principais elementos construtivos do Casarão Zipperer foram analisados e descritos seguindo as nomenclaturas utilizadas por Vasconcellos47 em sua obra sobre os sistemas construtivos brasileiros; por Weimer48 em seu trabalho sobre arquitetura da imigração alemã; no manual técnico de uso da madeira, de Gonzaga;49 no segundo volume dos Roteiros Nacionais da Imigração;50 nas análises construtivas das edificações em madeira de Zani;51 e na obra sobre a arquitetura enxaimel de Wittmann.52
DECIFRANDO A TRADIÇÃO CONSTRUTIVA DO CASARÃO ZIPPERER
Nesta seção, foram descritas as discussões e os resultados obtidos pela pesquisa.
Contexto ambiental e histórico-cultural no período da construção do Casarão Zipperer
O município de Rio Negrinho está dentro da zona de Mata Atlântica53 (Figura 1), e tinha 90% de sua área recoberta originalmente pela floresta ombrófila mista ou floresta pluvial de araucária. Essa formação corresponde a maior cobertura florestal do estado de Santa Catarina e é a que mais sofreu pressões antrópicas, restando apenas 25% da sua cobertura original.54 A floresta ombrófila mista apresenta dominância de araucária ou pinho (Araucaria angustifolia) no estrato superior e grande diversidade de espécies da floresta pluvial tropical atlântica nos estratos inferiores, incluindo a erva-mate (Ilex paraguariensis).55 O Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina identificou, na floresta ombrófila mista, três espécies de gimnospermas e 922 angiospermas, sendo 450 de comportamento arbóreo e arbustivo/subarbóreo. Dentre as espécies ameaçadas de extinção, estão: Araucaria angustifolia, Butia eriospatha, Ocotea odorifera e Ocotea porosa.56 Destas espécies, há registro na literatura do uso de Araucaria angustifolia e Ocotea porosa como matéria-prima em edificações históricas.57

As porções de terras que compreendem hoje parte do Planalto Norte Catarinense foram adquiridas em 1849 pela Sociedade Colonizadora de Hamburgo.58 Com o crescente número de imigrantes chegando à Colônia Dona Francisca e as pressões para a alocação dos recém-chegados, foi iniciada a ocupação do planalto.59 Inicialmente, a expansão da colônia deveria acontecer na região de São Miguel, atual município de Campo Alegre, no entanto, a província do Paraná estava demarcando a área.60 Por essa razão, a Sociedade Colonizadora solicitou novas áreas entre os rios São Bento e Negrinho para implantação da nova colônia, porém, algumas porções já eram ocupadas por brasileiros vindos da província do Paraná.61 Em sua maioria, os colonos direcionados à Colônia São Bento eram de origem germânica e eslava, muitos vindos de territórios do império austro-húngaro, com destaque para a Floresta Boêmia,62 de onde vieram a maior parte dos colonos.63 Havia também bávaros, saxões, dinamarqueses, pomeranos etc., em sua maioria de língua germânica e religião católica, o que os diferenciava culturalmente dos colonos da Colônia Dona Francisca.64 Esses imigrantes foram uma alternativa após pressões do recém-formado Segundo Império Alemão e campanhas contra a emigração, tornando diminutos os fluxos migratórios, principalmente de prussianos.65
A Colônia São Bento foi fundada em 22 de setembro de 1873.66 Os colonos traziam em sua “bagagem cobertores e ferramentas, principalmente serras e machados” para iniciar a ocupação da colônia com a derrubada coletiva da floresta.67
A construção da Estrada da Serra, posteriormente denominada Estrada Dona Francisca, que ligaria a Colônia Dona Francisca ao Planalto de Curitiba, foi fundamental para a formação e manutenção dos primeiros anos da Colônia São Bento.68 As obras da estrada absorviam a mão de obra disponível dos imigrantes, além de proporcionarem a expansão das áreas de colonização.69 Os trabalhos na construção da Estrada da Serra garantiam renda aos colonos até que suas porções de terras se tornassem autossustentáveis com as primeiras colheitas; de mesmo modo, asseguravam o trabalho temporário em épocas de entressafra.70 Foi somente após a construção da estrada que a erva-mate teve expressividade na economia de Santa Catarina.
A política de imigração teve um papel importante para a industrialização no Brasil.71 A camada de assalariados era praticamente inexistente no modo escravista de produção, que ainda resistia no Brasil.72 Porém, os assalariados das obras da Estrada da Serra e a mão de obra extratora nos ervais gerou uma economia incipiente na Colônia São Bento.73 Processo semelhante ocorreu com a imigração em São Paulo e a economia cafeeira, que possibilitou o surgimento das primeiras indústrias no estado.74
O primeiro recurso florestal a ser explorado comercialmente no Planalto Norte Catarinense foi a erva-mate. Segundo Kaesemodel,75 a atividade ervateira foi responsável pela implantação da infraestrutura no norte de Santa Catarina, como a construção da Estrada Dona Francisca e da Estrada de Ferro e a modernização do porto de São Francisco do Sul. Além disso, proporcionou, pela primeira vez na colônia, o acúmulo de riquezas e o aumento do consumo de bens e serviços, estimulando as demais atividades econômicas e contribuindo para o surgimento da indústria da madeira.
As primeiras espécies de madeiras conhecidas pelos colonos são descritas já no segundo ano de formação da colônia, a saber: a bracatinga (Mimosa scrabella), o cedro (Cedrela sp.) e o pinho. A primeira aparece em muitos relatos de acidentes com vítimas fatais na derrubada da mata para a produção de lenho direcionado ao uso combustível,76 sendo a sua qualidade comparada a da faia-europeia (Fagus sp.). Além dessas, há destaque para outras espécies, como a canela, canela-fogo, canela-preta, peroba-vermelha e erva-mate, exploradas durante a ocupação do Planalto Norte.77
A qualidade da madeira e a produção de objetos em madeira do Planalto Norte de Santa Catarina foram reconhecidas em 1904, recebendo uma medalha de prata e duas de bronze na exposição de Saint Louis78 e diversos prêmios na Exposição Nacional de 1908.79 Em 1922, a economia de São Bento já estava bastante diversificada, mas a exploração dos recursos florestais ainda apresentava relevância econômica. Entre os produtos de exportação, a madeira somou, naquele ano, 9.005 toneladas.80 Os números da indústria, comércio e serviços, dentre os estabelecimentos que usavam a madeira como matéria-prima, correspondiam à 15 serrarias, nove carpintarias de carros e cinco marcenarias.81 Por outro lado, há o registro do uso da madeira na produção de mobiliário de luxo produzido em carvalho (Quercus sp.), trazido da Europa para o uso de famílias nobres em colônias germânicas.82
A primeira edificação residencial construída na Colônia São Bento era coletiva, descrita como um rancho construído com a técnica blockhaus (Figura 2), formada por tábuas rachadas e coberta com folhagem de taquara.83 Em 1875, já haviam sido construídas as primeiras habitações definitivas em técnica blockhaus. Essa técnica construtiva foi tão expressiva no início da colônia que Zipperer84 a utilizou para se referir às habitações unifamiliares. Por muito tempo na Colônia São Bento, a madeira era empregada nas construções pelo uso de tábuas de pinho rachadas, devido à falta de madeira serrada ou industrializada.85 Através de um relato de Zipperer, é possível analisar essa produção artesanal da arquitetura:
Toda a madeira que necessitava para construção, serramos eu e minha mulher, a mão. As janelas e as portas também as fiz, recorrendo por muitas vezes às minhas habilidades de tanoeiro. O assoalho aplainei a mão e as taboinhas [sic] para cobertura fabriquei dos meus próprios pinheiros; aliás, toda a madeira veiu [sic] da minha mata. Dentro de poucos meses a casa estava levantada sendo então uma das mais importantes da Vila; com seu grande salão de bailes, botequim, sala de jantar e cozinha. Enfim, uma casa de bailes igual às que existiam em nossa terra natal.86

No ano de 1875, o rancho do imigrante em técnica blockhaus foi desmontado e remontado na área central da ocupação da colônia, tornando-se a primeira escola da Colônia São Bento. A primeira igreja foi construída em 1876, toda em madeira de pinho rachada e coberta com taubilhas (telhas em madeira).87 A técnica de serrar manualmente a madeira (Figura 3) pelos colonos foi aprendida no Brasil, uma vez que na Europa as madeiras para construção eram rachadas, falquejadas ou serradas em serrarias.88 Essa técnica de desdobro de madeira rachada e falquejada se manteve por alguns anos, já que muitos dos imigrantes eram mestres carpinteiros experientes e mantiveram sua tradição construtiva.89 Até o ano de 1890 não havia olarias em São Bento, portanto, as edificações eram construídas integralmente em madeira, incluindo fundações e telhados.90 Somente no ano de 1903 foi trazida da Alemanha a primeira máquina conjugada composta por serra fita, serra circular, tupia e furadeira, alterando a forma de construir.91 A partir de 1913, teve início a construção de casas de veraneio em São Bento, fato que alterou significativamente a paisagem urbana em razão do uso de novos tipos arquitetônicos nas edificações que começaram a ser construídas para esse fim.92

A semelhança da paisagem com a Floresta Boêmia, terra natal de muitos colonos, foi importante para a manutenção das tradições e costumes dos imigrantes.93 A mata era tão densa na visão do colono que, em expedições, era possível ficar semanas sem ver o céu, e a madeira era tão abundante que o fogo das residências era mantido permanentemente aceso, o que poupava fósforos.94 Zipperer destaca ainda a importância dos ofícios na Colônia São Bento. Os conhecimentos tradicionais eram passados por mestres marceneiros que celebravam contratos com os pais dos aprendizes. Tais contratos duravam de três a quatro anos, mas caso a família não pudesse pagar pelo aprendizado dos filhos, era estipulado um tempo de trabalho de quatro anos para que o artesão fosse então considerado oficial de ofício, podendo participar da vida social da colônia.95
É fundamental lembrar que, pouco tempo antes da construção do Casarão Zipperer, o centro da atual sede do município de Rio Negrinho era constituído por poucas edificações remanescentes da época de construção da Estrada Dona Francisca, algumas casas de comércio e uma incipiente indústria de fécula, movimentada pela estação ferroviária que deu nome ao município.96 Rio Negrinho só foi elevado à categoria de distrito em 1925,97 sendo o próprio Jorge Zipperer o conselheiro da Câmara Municipal.98 Seu desmembramento do município de São Bento do Sul ocorreu apenas em 1953, três décadas depois da construção do Casarão Zipperer.
A grande quantidade de pinho foi o fator decisivo para a implantação da indústria madeireira99 - e posteriormente moveleira - de Jorge Zipperer em Rio Negrinho.100 Após o declínio do ciclo econômico da erva-mate, ocasionado, dentre outros motivos, pelo início da Primeira Guerra Mundial, a região iniciou um novo ciclo econômico com a extração de madeira. Em Rio Negrinho, as atividades da indústria madeireira foram iniciadas por Jorge Zipperer com a fabricação de caixas de madeira e madeira serrada.101
Apesar das áreas que hoje compreendem o município de Rio Negrinho não terem sido integralmente adquiridas pela Companhia Colonizadora, sua área foi sendo gradualmente acrescida através da aquisição de glebas de terras por colonos, agravando as disputas territoriais entre as províncias de Santa Catarina e Paraná.102 As terras ao sul do Rio Negro, atual município de Rio Negrinho, foram ocupadas por famílias vindas da província do Paraná, que fornecia títulos de posse provisórios. Destaca-se, nesse momento, a família do Brigadeiro Manoel de Oliveira Franco, de Curitiba (PR), que tomou posse das terras consideradas devolutas em 1849, enviando as primeiras famílias de moradores da província do Paraná para ocupar a região.103
A história da construção do casarão vincula-se à história da indústria de madeira e móveis de Rio Negrinho,104 bem como à história de fundação do próprio município. A primeira indústria de Jorge Zipperer foi uma serraria construída em sociedade com o saxão Willy Jung na localidade de Salto. Já no atual município de Rio Negrinho, iniciou as atividades em 1914.105 Pela baixa qualidade das madeiras da região foi necessário ampliar a exploração de novas áreas.106 Jorge, em sua crônica sobre a serraria e fábrica de caixas, relata que
Os lucros deste estabelecimento eram diminutos nos primeiros anos em virtude dos preços baixos da madeira serrada no mercado que era a capital Rio de Janeiro, em primeiro lugar e alguma parte era São Paulo; mesmo a matéria prima, pinheiro e imbuia, no lugar de Salto eram de inferior qualidade e grande era a porcentagem de madeira de terceira qualidade e refugos. Em fevereiro de 1916 à firma adquiriu de Pedro Rodrigues da Silva 600 pinheiros bons.107
Com a aquisição de um lote de araucárias foi montado um novo empreendimento: uma serraria na atual localidade de Lageado, denominada Engenho Novo, no município de Rio Negro (PR), a poucos quilômetros da sede do município de Rio Negrinho. Em consequência disso, foi necessária a construção da Estrada Irany, além de duas pontes sobre o rio Negro, com recursos das províncias de Santa Catarina e do Paraná e investimentos de Jorge Zipperer,108 demonstrando a sua influência política já nos primeiros anos da indústria.
A Estrada Dona Francisca, de importância econômica já mencionada, foi uma das primeiras estradas carroçáveis da América do Sul. Sua decadência só aconteceu no início do século XX devido à construção da estrada de ferro.109 O trecho da estrada no atual município de Rio Negrinho foi construído na década de 1880 e estava entre as disputas e conflitos de fronteiras dos estados do Paraná e Santa Catarina.110 A estação ferroviária de Rio Negrinho, do ramal Mafra - São Francisco do Sul, foi inaugurada no ano de 1913 como o mesmo objetivo da Estrada Dona Francisca, isto é, o escoamento da produção e transporte, sendo Rio Negrinho o único ponto de intersecção entre a Estrada Dona Francisca e a estrada de ferro.111 Essa configuração pode ter contribuído para a escolha da localização do empreendimento de Jorge Zipperer e seu sócio. Em 24 de junho de 1918, os sócios adquiriram 25 alqueires de terra (cerca de 625 mil m²) entre os rios Negrinho, da Serra e Estrada Irany,112 que são hoje parte da sede do município de Rio Negrinho. Ao término da construção da nova fábrica nesse terreno, ocorreu a inauguração, em 25 de setembro de 1919, da fábrica A. Ehrl & Cia.113 A importância da indústria para a fundação do município de Rio Negrinho foi afirmada em 1923:
Na estação de Lençol formou a povoação de Rio Negrinho. Ella [sic] deve o seu florescimento em primeiro lugar a grande serraria e fábrica de cadeiras e casas de campo de madeira de pinheiros, que são mandadas até o Rio de Janeiro. O estabelecimento pertence a firma Ehrl & Zipperer [sic].114
Em 1921, foi anexada à serraria a fábrica de caixas de madeira, no mesmo período que se iniciou a construção de casas de madeira pré-fabricadas. No mesmo ano, Jorge trouxe de São Paulo seu irmão Martim Zipperer e 19 famílias de artesãos, principalmente marceneiros, e um artesão canadense.115 A indústria produzia caixas de madeira que eram vendidas para Argentina, Rio de Janeiro e São Paulo. Já a madeira serrada atendia o mercado interno e era exportada para a Europa e os Estados Unidos.116
O Casarão Zipperer e sua dimensão patrimonial
O Casarão Zipperer foi construído por Jorge Zipperer para uso residencial de sua família ao lado da indústria de móveis da qual Jorge era titular.117 O casarão foi erguido em 1923, porém, a FCC, em seu dossiê,118 registra o ano de 1919. Essa data parece pouco provável, já que a tradução da crônica escrita por Jorge Zipperer relata baixos lucros da indústria e dificuldades financeiras entre os anos de 1918 e 1922. Além disso, seu irmão Martim viria a estudar novos meios de fabricação de bangalôs em madeira somente entre os anos de 1922 e 1923.119
Jorge Zipperer, filho de Josef Zipperer e Anna Maria Pscheidt, nasceu em 24 de abril de 1879. Aos 13 anos foi trabalhar na localidade de Alto do Rio Preto como aprendiz em um comércio, para aprender a língua portuguesa e os costumes brasileiros.120 Trabalhou também em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em uma casa comercial.121 Em 1899, tornou-se professor de português das escolas da associação alemã de São Bento, além de trabalhar em função pública como escriturário, escrivão civil no Tribunal de Justiça e Coletor Federal.122 Casou-se em 1900 com Maria Schiessel e com ela construiu duas casas em São Bento.123 Em 1903, fundou uma banda, cuja continuação é atualmente a Banda Treml, e participou ativamente da orquestra da Sociedade Harmonia.124 A importância de Jorge Zipperer para fundação do município de Rio Negrinho é destacada:
Não é sem significado que Rio Negrinho tenha adotado a data de nascimento de Jorge Zipperer para comemorar o aniversário municipal, e tampouco que a residência do fundador do empreendimento aqui estudado tenha sido transformada em museu, o Museu Carlos Lampe.125
Jorge construiu uma “boa casa” na rua São Paulo,126 mudando-se para lá no dia 4 de novembro de 1923, onde celebrou, no dia 10 do mesmo mês, o casamento de sua filha. Durante o período de construção, a indústria já produzia móveis,127 porém atuava também na venda de madeira para construção, como ocorreu com o fornecimento de todo o vigamento e assoalho para a construção do 13° Batalhão de Caçadores de Joinville, além da venda de casas em madeira para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.128
O Casarão Zipperer foi usado pela família Zipperer desde a sua inauguração até a década de 1980, quando foi abandonado. Durante os anos de ocupação residencial, teve importância social e política para o município, sendo as primeiras aulas de Rio Negrinho ministradas no casarão.129 Jorge Zipperer recebeu a visita do governador Hercílio Pedro da Luz em 1923, de Adolfo Konder em 1927, do embaixador da Alemanha, Humberto Knipping, em data não informada e o primeiro bispo de Joinville, d. Pio de Freitas, em 1930.130
Em 1998, a prefeitura municipal de Rio Negrinho, por meio do Decreto nº 5684, de 1 de abril daquele ano, declarou o imóvel de 2964,46 m2, com uma edificação residencial em madeira e anexos, de interesse público em regime de urgência para preservação do patrimônio histórico e cultural do município de Rio Negrinho.131 No mesmo mês, através da Lei Municipal 1047, de 14 de abril de 1998, o poder executivo do município de Rio Negrinho é autorizado a desapropriar o imóvel para assegurar a sua preservação.132
O ofício denominado Justificativa 01/97,133 assinado pela arquiteta Fátima Regina Althof, foi o documento que embasou a análise e parecer favorável do Conselho Estadual de Cultura para tombamento do Casarão Zipperer.134 Nesse ofício, a importância do recurso construtivo é destacado, já que “a presente edificação se constitui [sic] em excepcional exemplar da arquitetura em madeira […]”.135Ainda sobre os valores atribuídos ao bem, pode-se destacar que
Trata-se de exemplar testemunho do ciclo econômico madeireiro do norte do Estado que, além de constituir-se em arquitetura de características ímpares pela linguagem formal adotada, é também referência histórica da indústria moveleira em nosso Estado.136
Em 21 de agosto de 1998, a FCC elaborou um parecer técnico assinado por Gerson Mattos Ribeiro, gerente do Patrimônio Arquitetônico e Paisagístico, com uma descrição detalhada de alguns elementos arquitetônicos da edificação, as principais patologias encontradas e as recomendações de intervenção para a conservação.137 Destaca-se a valoração dos recursos construtivos da edificação: “A originalidade do imóvel depende dos materiais que o integram, quanto menor a quantidade substituída melhor será o nível da restauração e da veracidade do patrimônio histórico arquitetônico”.138 O parecer foi elaborado em resposta ao município de Rio Negrinho, que solicitou a vistoria do imóvel para orientação de trabalhos de conservação do casarão pela FCC, com o assunto “Edificação ‘Casarão Zipperer’”. Esse foi o primeiro documento em que a edificação é denominada Casarão Zipperer, posteriormente consolidado pela portaria 025/FCC.139
Os conceitos de patrimônio cultural e sua classificação não são uma constante, pois cada cultura significa e ressignifica a ideia de patrimônio.140 Os documentos conhecidos como Cartas Patrimoniais foram elaborados em diversos momentos e lugares do mundo para discutir os conceitos de patrimônio cultural, nas quais são expressas recomendações para a preservação e proteção daquilo que as próprias cartas consideram como patrimônio cultural.141 O termo “patrimônio cultural brasileiro” só substituiu “patrimônio histórico e artístico”142 com a Constituição Federal de 1988.143
As primeiras convenções internacionais que tratam da preservação dos edifícios com valor cultural foram as convenções de Haia em 1899 e 1907.144 Durante esses encontros, foi discutida a preservação de edifícios “consagrados aos cultos, às artes, às ciências e à beneficência, os monumentos históricos, locais de ajuntamento de enfermos e feridos, salvo nos casos que estejam empregados ao mesmo tempo para fins militares”.145 Essas convenções objetivavam a proteção da vida em casos de guerra, evitando bombardeios e ataques. No entanto, observa-se o emprego do termo “monumentos históricos”, atualizado na convenção de Genebra, no protocolo adicional I, o qual empregava o termo “bens culturais”.146
O primeiro documento de recomendações internacionais de conservação, elaborado por organizações não governamentais, foi a Carta de Atenas de 1933,147 na qual o objeto de preocupação é o monumento arquitetônico isolado ou os conjuntos urbanos.148 Com a carta, o Estado ficaria responsável pela elaboração de leis que garantissem a salvaguarda do “patrimônio histórico”.149 O documento abriga o pensamento modernista e seu objetivo era uma nova maneira de viver, com o tema de “cidade funcional”.
A Carta de Veneza de 1964,150 resultado do II Congresso Internacional de Arquitetos e Técnicos de Monumentos Históricos, retrata a preocupação com a preservação dos monumentos históricos, principalmente após as perdas da Segunda Guerra Mundial.151 Outro aspecto relevante na carta é o reconhecimento do ambiente que integra o patrimônio arquitetônico, bem como das obras modestas, que podem ser valoradas por questões que não se limitam à estética.152
A primeira versão da Carta de Burra, de 1979, conceitua e descreve as principais recomendações sobre as intervenções em bens culturais. Essa carta retrata o pensamento mais próximo ao atual do que é o procedimento e a ressignificação153 daquilo que é considerado patrimônio cultural.154 Destaca-se, na carta, a preocupação com os materiais que compõem o bem e a visão ocidental sobre autenticidade. Sua revisão em 1998 desautoriza o uso de versões anteriores,155 mas mantém os conceitos principais sobre o significado de patrimônio cultural, ampliando a sua dimensão além do material. O significado de patrimônio cultural, mais próximo da contemporaneidade, foi expresso a partir da revisão da Carta de Burra em 1998,156 e foi considerado em seu tempo a visão de um grupo social sobre valores que ele atribuiu a um bem material ou imaterial, que merecesse ser conservado e transmitido entre gerações.157
A 12° Assembleia Geral do Icomos,158 realizada no México, predisse os princípios para a preservação das estruturas em madeira, demonstrando a preocupação com o patrimônio cultural em madeira e com as questões sobre autenticidade, embasadas nas doutrinas das cartas de Veneza e de Burra.159
Ferreira160 analisa as principais técnicas e teorias de intervenção nas estruturas em madeira de telhados, apresentando a complexidade dessas intervenções, principalmente das restaurações de telhados tradicionais. Diversas questões são abordadas em sua obra, como as dificuldades na manutenção da autenticidade do bem, as abordagens teóricas adotadas nos estudos de caso, a importância de técnicas tradicionais e o uso de madeiras compatíveis em intervenções.161
Elementos em madeira estão presentes quase na totalidade do patrimônio arquitetônico brasileiro, seja em sua estrutura, nas vedações, coberturas, taipas, forros, assoalhos ou esquadrias.162 É muito difícil pensar a arquitetura tradicional brasileira sem o uso cultural da madeira. Sendo o lenho um material sujeito à biodeterioração, intervenções para a conservação e restauração do patrimônio arquitetônico são necessárias.163 O desconhecimento das espécies vegetais que compõem cada obra torna impossível que qualquer intervenção seja feita de acordo com as recomendações técnicas, já que conhecer o bem cultural e os materiais que o compõem é premissa básica para uma intervenção.164 Além disso, Ferreira165 destaca que, além da dimensão material do patrimônio arquitetônico, outros valores e significados atribuídos fazem parte dos bens culturais. Partindo do princípio de que os valores responsáveis pela sua seleção devam ser perpetuados para que outros sejam atribuídos ao longo do tempo, é necessário que eles sejam considerados em intervenções no patrimônio arquitetônico em madeira.
A nova forma de morar do século XX e a arquitetura do Casarão Zipperer
As primeiras edificações residenciais em madeira no sul do Brasil até o final do século XIX, em sua maioria, tinham volumetria simples. O volume principal continha apenas área social e dormitórios, e era coberto com um telhado inclinado de duas águas, dando origem a um sótão habitável.166 A esse volume foi acrescido, pelo prolongamento dos telhados, a área de serviço aos fundos e o alpendre na frente da edificação.167
Ainda no final do século XIX, as transformações sociais e a infraestrutura, resultantes principalmente da economia cafeeira no estado de São Paulo168 e da economia extrativista de erva-mate nos estados do Paraná e Santa Catarina,169 incentivaram o desenvolvimento da indústria nesses estados. Nesse período, a industrialização de diversos países e a nova economia globalizada ocasionaram transformações culturais profundas, decorrentes, sobretudo, dos novos meios de comunicação, locomoção e trabalho, ocasionando também mudanças na estrutura urbana e na forma de morar.170
O bangalô é uma tipologia que encontra espaço na nova estrutura urbana de diversos países como solução habitacional.171 Embora tenha se originado na Índia, foi com os colonizadores ingleses que essa tipologia foi disseminada na Inglaterra e suas colônias.172 A tipologia foi difundida mundialmente, tanto em seu nome quanto em sua forma,173 caracterizada, principalmente, pela sua função, tipo de construção, técnica construtiva, organização formal, localização e implantação no lote.174 O bangalô surge inicialmente como segunda residência em casas de verão; posteriormente, ganham espaço nos subúrbios como forma de moradia.175
Foi nos Estados Unidos, com os subúrbios, que o bangalô se tornou um fenômeno de massa.176 Popularizou-se no país como uma resposta à demanda da arquitetura doméstica para diversas classes sociais, tornando o bangalô do Arts and Crafts a representação do sonho americano,177 paralelamente ao movimento progressivo na política norte-americana.178 O movimento Arts and Crafts surgiu na Inglaterra no século XIX, sendo influenciado principalmente por William Morris e John Ruskin.179 Na arquitetura, buscava valores artesanais, simplicidade, naturalidade e honestidade.180 O movimento tinha como principal crítica a cidade industrial e a forma de viver na Era Vitoriana (segunda metade do século XIX e início do século XX),181 propondo que os arquitetos e artistas voltassem aos princípios como artesãos. Teve relevância internacional, influenciando movimentos arquitetônicos como o Landhaus na Alemanha.182 Apesar de ser um movimento artístico,183 o Arts and Crafts é classificado dentro do estilo184 eclético, principalmente pelo historicismo dos elementos. Os estilemas atribuídos à arquitetura do Arts and Crafts por Hopkins são: domesticidade; materiais e habilidades nativos; descentralização; subúrbios ajardinados.185
O bangalô chegou ao Brasil no início do século XX, se popularizando e atendendo aos estilos arquitetônicos da época.186 A chegada dessa tipologia no Brasil está intimamente ligada à circulação de revistas de arquitetura e decoração na década de 1920.187 Janjulio188 aponta a triangulação da disseminação de conhecimentos sobre a tipologia entre o Brasil, Estados Unidos e Inglaterra. Os empreendimentos ferroviários por empresas de capital inglês também são apontados como responsáveis pela difusão dos bangalôs no país.189 A implementação das ferrovias e das indústrias foi responsável também pelo sistema de padronização de desdobro de madeira com sistema imperial de medidas (polegadas), utilizadas até os tempos atuais.190
A disseminação dos bangalôs no Planalto Norte de Santa Catarina também é uma resposta à arquitetura produzida pela instalação da madeireira norte-americana Southern Brazil Lumber & Colonization Co., considerada a maior do seu tempo.191 A Lumber exportava madeira serrada para fabricação de casas com a técnica Balloon Frame, a qual ainda pode ser encontrada na região de Canoinhas (SC) e Três Barras (SC), e que aos poucos foi sendo reproduzida na arquitetura local.192 Essa arquitetura com estrutura autoportante, com fechamentos de tábuas encaixadas horizontais, é bastante próxima à solução técnica construtiva do Casarão Zipperer. O resultado dessa interação cultural é descrito como
Pequenos palacetes ingleses, assobradados e dotados de arremedos de torres ao gosto eclético, envidraçados (com bay windows), com lareiras e amplas janelas envidraçadas, subsistem em Canoinhas, Mafra, Porto União, entre outros. Nessa área, onde chegaram a ocorrer verdadeiras cidades de madeira, preponderou o uso industrializado, com aproveitamento maior do nobre material.193
Jorge Zipperer, juntamente com seu irmão Martin Zipperer, estudavam novas maneiras de fabricação de bungalows que seriam vendidos para São Paulo.194 As primeiras revistas a circularem no Brasil ainda traziam a grafia inglesa em suas publicações,195 assim como na crônica de Jorge. Parte do mobiliário desenvolvido pela Móveis Cimo era influenciado ou mesmo copiado de revistas de circulação nos Estados Unidos e na Europa, pois Martin Zipperer frequentou por vários anos o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo,196 diretamente ligado aos movimentos artísticos da época.
A implantação do Casarão Zipperer foi feita no centro do lote, cercado por um jardim que levava ao acesso principal da edificação. “Aos fundos encontrava-se a área destinada aos galpões da indústria”,197 atualmente demolidos (Figura 4). A localização e a implantação no lote mais elevado da edificação permitiam constante vigilância da indústria.198 Esta intenção pode ser corroborada pela bay window, totalmente envidraçada, que proporcionava uma visão panorâmica da indústria antes da construção do anexo. Na tipologia Bangalô, é comum a implantação de edificação no centro do lote, com áreas externas para o convívio, já que, a priori, era uma tipologia para casas de veraneio.199 Para o movimento Arts and Crafts o jardim surge com o conceito de garden suburb200 ou subúrbio-jardim, refúgios urbanos.201 A varanda é o meio de conexão e transição entre o interior e o exterior,202 ligando o jardim às áreas sociais, o que pode ser visto no Casarão Zipperer.

Na época de construção do Casarão Zipperer, já havia a produção de casas em alvenaria em São Bento,203 porém, a escolha pela madeira nessa construção era uma preferência, como na construção da igreja matriz na localidade de Rio Negrinho em 1924, para a qual a comunidade optou pela madeira.204 Materiais e técnicas construtivas locais, além do trabalho artesanal, são uma característica da arquitetura do Arts and Crafts.205 O regionalismo é uma premissa do movimento, buscando materiais locais e os empregando “de forma verdadeira”, sem pintura ou acabamentos.206 No Arts and Crafts, as características da estrutura também devem ser destacadas e visíveis.207 Desse modo, no Casarão Zipperer, os quadros estruturais são aparentes em todas as fachadas, e internamente as vigas, apoios estruturais e mãos francesas em madeira são aparentes e adornam os ambientes sociais.
Nas salas de jantar e de estar no pavimento inferior (Figura 5), há acréscimo de bay windows, solução característica do movimento Arts and Crafts,208 principalmente do estilo Queen Anne.209

As fundações do Casarão Zipperer (Figura 6) são compostas por sapatas corridas de rocha,210 encimadas por baldrames em alvenaria de tijolos maciços autoportantes. Os apoios intermediários das vigas mestras são sapatas isoladas também em alvenaria de tijolos maciços autoportantes. As fundações em pedra ou alvenaria são comuns em edificações com estrutura em madeira, pois são empregadas para elevar a edificação do solo, evitando assim a biodeterioração da madeira pela umidade do solo.211 As gateiras presentes nas fachadas garantem a circulação de ar, mantendo a madeira seca. Essas soluções construtivas evidenciam os conhecimentos sobre a biodeterioração do lenho por apodrecimento e a forma de prevenção. Devido ao amplo uso da madeira, a humanidade logo percebeu sua suscetibilidade à biodeterioração e, ao observar a natureza, os indivíduos passaram a selecionar madeiras que sofrem menos ataques de decompositores.212 A madeira está sujeita a diversos riscos de biodeterioração, e a umidade pode gerar patologias dependendo do grau a que a madeira é exposta.213 O alto teor de umidade, combinado com temperaturas elevadas, também pode criar um meio propício para o desenvolvimento de fungos lenhívoros, sendo necessária a circulação de ar, em que os apoios estão em contato com as fundações.214

O piso do pavimento inferior é composto de barroteamento, apoiado em frechais e vigas mestras. Os frechais apoiam-se nos baldrames em alvenaria de tijolos autoportantes das fundações. Os barrotes do piso do pavimento superior são apoiados em frechais e vigas mestras (Figura 7). Sobre os barrotes, o assoalho (Figura 8) é composto de peças de madeira com encaixe tipo macho e fêmea. Essa configuração foi adotada na maior parte das edificações em madeira do Brasil, chamado de arcabouço de vigas e barrotes215 ou quadro horizontal inferior.216 Sua configuração também está relacionada em elevar a edificação do solo para evitar contato da madeira com a umidade.217


As paredes são quadros estruturais, formando uma estrutura em madeira autônoma.218 As estruturas autônomas usam madeira como material compostos por ripas encaixadas em esteios. Os esteios são encaixados nos frechais ou linhas de quadro travados com espigas (Figura 8). Entre os esteios há duas travessas, sendo elas internas nos panos fechados e aparentes nos quadros das esquadrias. Os fechamentos (vedações) internos são de lambril, pregados nas travessas e frechais. As paredes externas ficam, portanto, duplas. As paredes internas estruturadas têm fechamento duplo e as divisórias em lambril simples (Figura 9). Os montantes principais como frechais, esteios e travessas demonstram que cada peça que compõe o conjunto tem regularidade dimensional e geométrica, demonstrando padronização dos elementos.

Os lambris são adornados com pinturas murais no pavimento inferior (Figura 10A) e em madeira crua aparente no pavimento superior (Figura 10B). Nas áreas sociais da casa, as paredes e o teto são ricamente adornados com elementos decorativos em madeira (Figura 10A) e acabamento excepcional dos móveis, produzidos na fábrica de propriedade da família construtora e residente do imóvel. É possível ver o lustre da sala de jantar (Figura 10A), fabricado também em madeira.

O telhado é composto por trama de madeira, com encaixes tipo espiga, tesouras e vigas mestras, apoios verticais centrais, mesa, terças, caibros e ripas (Figura 11). A cobertura é feita por telhas tipo francesa,219 também conhecidas como Marselha,220 com planos inclinados sem empenas e beiral nivelado, contendo espigões e rincões nas mudanças de planos. No pavimento inferior, há bay windows nas salas de estar e de jantar, também cobertas com telhas francesas e madeiramento composto por caibros e ripas.

Diversos tipos de ensambladuras podem ser observadas na construção do Casarão Zipperer. A técnica construtiva do casarão, em geral, não apresenta travamento mecânico com elementos metálicos, como prego ou parafusos, somente encaixes em madeira e o travamento pelo painel de ripas. Já na estrutura do telhado, pode ser observado uso de elementos metálicos de ligação entre as tesouras e os frechais, além de tirantes metálicos fixados em uma das tesouras, acrescidos em uma intervenção de 1998.
O forro é do tipo paulista, adornado em alguns ambientes (Figura 12A). Nos ambientes sociais, há vigas falsas de madeira do tipo caixa que o decoram. Entre as vigas, o forro é do tipo painel, moldurado com paginação diagonal. As cimalhas são em madeira maciça perfiladas, comuns na arquitetura brasileira,221 e estão presentes em todos os ambientes: nos forros, bem como nas paredes de ambientes sociais e no forro dos beirais. As vigas tipo caixa de madeira, dispostas geometricamente, são elementos marcantes nos bangalôs.222

As esquadrias originais são fabricadas em madeira maciça (Figura 12B, C, E e F). As vergas, os peitoris (contra vergas) e as ombreiras223 são formadas pelos elementos dos quadros estruturais nas paredes, sendo de travessas e esteios. As guarnições são fixadas diretamente na estrutura com parafusos metálicos. A maioria das janelas são do tipo guilhotina, com venezianas em madeira de abrir224 na face externa (Figura 12C e F). As janelas na varanda não possuem venezianas. As janelas das bay windows (Figura 12D) não tinham venezianas originalmente, porém, na sala frontal, foram substituídas por janelas do tipo guilhotina com venezianas.225 As portas são todas de madeira maciça, algumas com detalhes em vidro e almofadadas226 internamente, Em sua maioria, são de uma folha simples de abrir, porém, entre a antessala e a sala de jantar, há uma porta de correr de duas folhas embutida nas paredes. As grandes portas embutidas ou pocket doors eram comuns na arquitetura vitoriana e influenciaram os bangalôs do Art and Crafts.227 As portas externas são de dois tipos: na antessala e na sala de jantar, há acesso para a varanda do pavimento inferior através de portas francesas (Figura 12E); no escritório e no acesso do alpendre à cozinha, as portas são de abrir com uma folha.
As portas usadas em bangalôs do Arts and Crafts representam muito da estética inerente ao movimento. Eram tipicamente maciças, simples, limpas em seu design, destacando suas qualidades naturais. As portas apresentam o quadro perfeito altamente geométricos do trabalho em madeira, parte muito importante da estética do movimento.228
Havia também originalmente no telhado, no plano da fachada principal, uma trapeira (mansarda) do tipo eyebrow dormer (Figura 13). Este tipo de abertura está comumente presente nas composições dos bangalôs do Arts and Crafts.229 Essa trapeira está depositada acima do forro do segundo pavimento.

As escadas podem ser classificadas quanto ao material, à forma e à posição.230 A escada que faz a circulação vertical entre os pavimentos inferior e superior do Casarão Zipperer foi construída inteiramente em madeira, sua forma é em um único lance, sem patamares intermediários, e sua posição é interna. Já as escadas do acesso principal são em alvenaria, revestidas com argamassa, em lance único sem patamares intermediários, posicionadas nas áreas externas, ligando o nível do terreno ao primeiro pavimento. Considerando que a maioria das edificações da tipologia bangalô eram habitações de apenas um pavimento, as escadas não são muito representativas, já que apresentam geralmente montantes simples sem adornos, balaústres e corrimão.231
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Colônia São Bento foi erigida na área de domínio da floresta ombrófila mista. Os recursos vegetais conhecidos no período de formação da colônia apontam para o uso de espécies da floresta. Os conhecimentos tradicionais dos grupos étnicos que ocuparam o Planalto Norte, aliados aos contextos ambiental e histórico, tiveram relevância na produção arquitetônica.
O Casarão Zipperer é testemunho dos acontecimentos históricos e culturais não só de Rio Negrinho, mas também do processo de industrialização brasileiro, do ciclo econômico da exploração da madeira, da indústria moveleira e das transferências construtivas de diversos períodos históricos. O casarão testemunha ainda os processos construtivos e os conhecimentos tradicionais dos mestres construtores, de modo que o seu tombamento como patrimônio cultural é justificado por valores que extrapolam a sua dimensão material. A edificação foi concebida para uso residencial, porém, com o tombamento, foi atribuído a ela o caráter patrimonial. As recomendações atuais para a preservação do patrimônio arquitetônico, em especial em madeira, postulam que, qualquer intervenção necessária para prolongar a existência desse tipo de bem, deve conhecer as matérias-primas que o compõem e a sua tradição construtiva, a exemplo das técnicas construtivas tradicionais.
A concepção do Casarão Zipperer teve influência direta das transformações que a arquitetura residencial e o urbanismo passaram na década de 1920. Isso pode ser evidenciado pela tipologia, composição e organização do partido arquitetônico. A técnica construtiva usada no casarão demonstra um padrão das peças comuns em pré-fabricação de elementos construtivos em madeira. As soluções arquitetônicas, por sua vez, manifestam o conhecimento sobre a biodeterioração da madeira.
Portanto, é possível afirmar que o Casarão Zipperer testemunha, em sua materialidade, conhecimentos tradicionais sobre a floresta, por meio do uso da madeira como matéria-prima para a construção de abrigos humanos. Compreender como se deu o uso da madeira no período histórico pesquisado pode contribuir para o entendimento sobre as interações humanas com a floresta e colaborar para ações mais assertivas na gestão patrimonial.
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Notas
Autor notes