MUSEUS
O luto de Maria Augusta: um conjunto de objetos em estudo no Museu Casa de Rui Barbosa
Maria Augusta’s mourning: a set of objects being studied at the Rui Barbosa Historic House Museum
O luto de Maria Augusta: um conjunto de objetos em estudo no Museu Casa de Rui Barbosa
Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, vol. 33, e6, 2025
Museu Paulista, Universidade de São Paulo
Received: 30 May 2024
Accepted: 05 November 2024
Funding
Funding source: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (Capes)
Contract number: 001
Funding statement: Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (Capes) – Código de Financiamento 001.
RESUMO: Este artigo objetiva o estudo de uma parte do acervo que constitui o Museu Casa de Rui Barbosa, especificamente aquilo que está relacionado ao falecimento de Rui Barbosa e posteriormente ao luto de sua esposa, Maria Augusta Rui Barbosa. Realizou-se uma longa etapa de consulta bibliográfica e documental, empreendida por conservadoras-restauradoras, com fôlego de pesquisa desde 2020, em cooperação com os núcleos de conservação e de museologia do Museu Casa de Rui Barbosa. As investigações sobre Maria Augusta Rui Barbosa, por meio de um número considerável de objetos quase camuflados em meio à cultura material de seu esposo no acervo de sua casa-museu, têm se mostrado relevantes e potentes para a construção de narrativas mais plurais, ao possibilitar trazer à cena personagens antes invisibilizados.
PALAVRAS-CHAVE: Museu Casa de Rui Barbosa, Falecimento de Rui Barbosa, Luto de Maria Augusta Rui Barbosa, Biografia Cultural dos Objetos, Documentação Museológica.
ABSTRACT: This article aims to study part of the collection that constitutes the Rui Barbosa Historic House Museum, specifically those related to the death of Rui Barbosa and later the mourning of his wife, Maria Augusta Rui Barbosa. It is a long stage of bibliographical and documentary consultation, undertaken by conservators-restorers with a passion for research since 2020, in cooperation with the conservation and the museology nucleus of the Rui Barbosa Historic House Museum. The investigations into Maria Augusta Rui Barbosa, through a considerable number of objects almost camouflaged amidst her husband’s material culture in the collection of her house-museum, have proven to be relevant and powerful for the construction of more plural narratives, by enabling bring to the scene characters that were previously invisible.
KEYWORDS: Rui Barbosa Historic House Museum, Death of Rui Barbosa, Mourning of Maria Augusta Rui Barbosa, Cultural Biography of Objects, Museum Documentation.
INTRODUÇÃO
O Museu Casa de Rui Barbosa (MCRB) é um órgão público, instituído em 1928, que integra a estrutura da Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), criada por meio da Lei nº 4.943/1966. O MCRB possui um acervo de variada tipologia, com mais de 1.550 itens. Atualmente, o acervo está dividido em cinco coleções: a Coleção Rui Barbosa (CRB), que compreende bens que pertenceram a Rui Barbosa, Maria Augusta Rui Barbosa e seus filhos, e as quatro coleções restantes, que são compostas de objetos que pertenceram à família Rui Barbosa (CFR), objetos adquiridos para a reconstituição de ambiente (CRA), objetos apenas relacionados a Rui Barbosa (COR) e a COD, uma coleção de objetos diversos.1 Para a composição da CRB, foram ofertados cerca de 230 itens pela viúva até a inauguração, quase setenta itens foram comprados da viúva posteriormente, quase quatrocentos itens que haviam sido deixados na casa foram catalogados, e cerca de sessenta itens foram comprados do espólio de Maria Augusta em 1949. Além desses bens, foram comprados de volta alguns dos itens vendidos no leilão de 19242 e foram concretizadas compras e doações da família, em lotes mais volumosos nas seguintes ocasiões: “em 1950, realizada por Maria Luiza Vitória Rui Barbosa Guerra; em 1955, por Carmem Rui Barbosa Guerra; em 1966, doada por Maria Augusta R. B. Airosa Brooking e finalmente em 1984, por Lucila Batista Pereira”3.Este artigo irá se debruçar sobre a doação de 1966 feita por Maria Augusta Airosa Brooking (1906-1981), neta de Maria Augusta e Rui Barbosa, filha de Francisca Rui Barbosa, a terceira filha do casal. Esse conjunto de objetos será denominado neste artigo como “Conjunto Luto”, o que deve facilitar a compreensão das proposições desta pesquisa. Pretende-se elucidar informações da fase de uso primário e da fase museal na trajetória dos objetos doados por ela, bem como compreender uma possível função social deles na vida de d. Maria Augusta. Os procedimentos que vêm sendo aplicados neste estudo incluíram uma longa etapa de pesquisa exploratória, bibliográfica e documental, envolvendo especialmente cartas, entrevistas e publicações dos memorialistas mais íntimos de Maria Augusta que foram testemunhas dos derradeiros momentos de seu esposo. Antes mesmo dos preparativos da FCRB para celebrar o centenário de morte de Rui Barbosa, foi por razões de conservação que o contexto de degradação da saúde de Rui, sua morte e o luto da viúva entraram no circuito de pesquisas do MCRB.
A MORTE DE RUI
Um procedimento urgente de recondicionamento de um Pavilhão Nacional fora do cânone,4 que integra a CRB do acervo museológico, nos colocou diante de um dilema significativo, já que foi dado o crédito de ter coberto o ataúde do patrono em 1923 a dois exemplares dessa insígnia. No acervo, há duas bandeiras do Brasil: a bandeira que envolveu o ataúde de Rui Barbosa, doada por seu funcionário particular Antônio Joaquim da Costa,5 incorporada ao acervo museológico em 1929; e a outra, que obedece ao cânone de Pavilhão Nacional, guardada pela viúva e incorporada ao acervo somente em 1966, por doação da neta Maria Augusta R. B. Airosa Brooking. A bandeira fora do cânone de fato foi fotografada na saída do cortejo da Biblioteca Nacional (Figura 1) para o Cemitério São João Batista. Apesar de não ter sido bem-sucedida a busca pelo uso primário da bandeira nacional preservada pela família Rui Barbosa até 1966, a pesquisa acabou por revelar um conjunto de itens do luto de Maria Augusta Rui Barbosa que ampliou o que se pensava ser um conjunto menor de itens relacionados à morte do patrono.

As fotos registraram a bandeira com estrelas muito maiores do que o padrão,6 justamente a bandeira que ficou com Antônio Joaquim da Costa, e não com a viúva, Maria Augusta (Figura 2). Teria outra bandeira saído do chalé de Petrópolis sobre o esquife, no cortejo do dia 2 de março? No jornal A Noite de 5 de março de 1923, encontramos uma nota sobre qual havia sido o itinerário do funeral, desde o primeiro até o segundo velório: o leito na “casa do descanso” em Petrópolis; em seguida a saída do corpo já embalsamado; o cortejo pelas ruas de Petrópolis; a chegada à estação de trem; o translado do corpo para o Rio de Janeiro pela Leopoldina Railway até a estação Praia Formosa, onde se iniciou grande cortejo até a Biblioteca Nacional. Da Biblioteca Nacional partiria o terceiro cortejo até o cemitério São João Batista, em 4 de março de 1923, com a única bandeira fotografada.

Ainda que tenha havido outros dois cortejos - um da avenida Ipiranga até a estação de trem de Petrópolis e outro da estação Praia Formosa até a Biblioteca Nacional -, nenhuma fotografia registrou outra bandeira. Terá sido a segunda bandeira guardada desde o enterro ou pela viúva desde o translado dos restos mortais de Rui Barbosa para o Fórum de Salvador em 1949?7 Ao consultarmos o sistema da base de dados descritivos dos acervos da FCRB, na tentativa de construção de uma trajetória dessa segunda bandeira, acabamos por identificar uma relação estreita entre esse lote de doações da neta em 1966 e o luto de sua avó. Outros tantos itens relacionados à perda do seu esposo haviam sido deixados para o museu, mas não esse conjunto, guardado pela viúva e mantido pela família até 1966, dezoito anos depois da partida de Maria Augusta Rui Barbosa.
Cinco meses depois que o esposo faleceu, dona Maria Augusta havia recebido o diploma de Terra Santa,8 usual entre católicos beneméritos do período, mas a viúva deixou esse documento como item do acervo arquivístico de Rui Barbosa. Se o diploma, com dizeres de ambição profética, não foi caro à viúva durante seu luto, o que foi? O que podemos dizer igualmente de um testamento que a viúva desprezou? O irmão de Maria Augusta, Carlos Viana Bandeira, queria exercer a ilustre incumbência que Rui lhe dera de ser o testamenteiro. Aguardou para ser convocado, mas a viúva não manifestou interesse.
- “Venha cá, leia êste papel, e o subscreva no lugar marcado.” -Tomei o documento, e firmei-o sem a leitura. - “Não quis ler?” - “Ora, mestre Rui, pois eu preciso ler o que você quer que tenha a minha assinatura?” - “Então, ouça (e leu): É da minha vontade que minha mulher Maria Augusta Rui Barbosa, seja minha herdeira universal… (e por aí afora.) - “É testamento?” - “Sim, testamento, e, você, testamenteiro. Agora, Palma e Juca, assinem como testemunhas.” - Isto cumprido, Rui expandiu-se: - “Faço-o. aliás, tardiamente. Devera tê-lo escrito nos tempos de Floriano, ou quando me vi caçado, em Friburgo, pelos jacobinos sedentos de sangue, que até lá foram para dar-me cabo da vida. Mas, Deus quis que só hoje o escrevesse, e está consumado.” - Semelhante demonstração de confiança tocou-me o fundo da alma. […] Quanto ao testamento de Rui, de cujas condições minha irmã não podia ser desconhecedora, devo registrar que ninguém da família me falou a respeito em tempo algum. Não sei ao certo o que fizeram do instrumento. Cota, a maior interessada, não se manifestou. Estaria por tudo. Iria eu ser mais realista do que… a rainha?9
O irmão de Maria Augusta, que foi criado por Rui como um filho desde os nove anos de idade, reafirmou, em suas memórias publicadas em 1960, tantos anos depois, que era justamente ela a herdeira universal de Rui. Bandeira conta que até assinou esse testamento sem ler, e ela mesma nem manifestou interesse em formalizar a leitura.
A máscara em bronze, Maria Augusta não quis. Assim que Rui faleceu, foi providenciada uma máscara mortuária. O corpo chegou à Biblioteca Nacional em 2 de março, onde, sobre uma mesa na sala da secretaria da Câmara dos Deputados (Figura 3), que funcionou na Biblioteca Nacional de 1922 a 1926, uma equipe extraiu a forma em gesso que levaria à produção da máscara fúnebre (Figura 4).


Antes da inauguração do museu, uma vitrine foi encomendada à fábrica Leandro Martins, para que fosse exposta a máscara no salão nobre, na inauguração do museu em 1930. Maria Augusta Rui Barbosa participou ativamente dos preparativos para essa inauguração, como declarou, ela mesma, ao Jornal do Brasil em 1930, em entrevista reproduzida em 1933 pela Revista Bahia Illustrada: “Tenho ido, todas as manhãs, assistir aos preparativos para a inauguração do museu. É um prazer doce e amargo ao mesmo tempo. A impressão que me domina é que os dias que passaram vão voltar novamente. Tudo aquillo me parece que é para recebê-lo de volta”10. Grande parte dos itens de arte e decoração, que haviam sido comprados por seu esposo, compõem os ambientes da casa, como o quis Maria Augusta, por encherem a casa não apenas de presentes recebidos por ele, mas também dos adornos que fascinavam Rui, “profundamente artista”, segundo ela:
Não pense que meu marido vivia isolado da vida de família sempre ocupado a ler e escrever. Nada mais falso. Rui tinha suas horas de trabalho e também as suas longas horas ao nosso lado. A casa merecia-lhe um especial carinho. Era ele quem escolhia as alfaias, os moveis, os crystaes, os quadros, todos os adornos de nossa residência. Era profundamente artista. As fayenças, os mármores e os bronzes, attrahiam-no, fascinavam-no extraordinariamente. As peças grandes, como os dois grandes “cloisonnés” de Pekim, que a Camara Federal lhe ofereceu, mereciam-lhe estima e admiração; mas, as pequeninas peças, as estatuetas, as miniaturas, eram a sua paixão e o seu culto. Elle tinha numa de suas secretarias, arrumadas por ele próprio, um bando de musicas de velho saxe, que comprou num antiquário de Paris. Comprando ora aqui, ora ali, ele reuniu uma coleção enorme de objetos, que, ao sahirmos da casa de Botafogo, foi repartida consideravelmente. A cada amigo de Rui, tocou uma lembrança, por ocasião de sua morte.11
A viúva e o funcionário particular de Rui cuidaram de manter o maior número possível de cômodos do jeito que ele os deixou,12 e reservaram dois dos cômodos que ficaram vazios - o quarto de Maria Ferreira13 e o quarto das babás - para neles reconstituir, em Botafogo, dois cômodos de sua casa de veraneio em Petrópolis: seu último espaço de trabalho e seu último espaço de dormir, flagrado (Figura 5) pelo fotógrafo no dia da missa de corpo presente e publicado oito dias depois na Revista da Semana.14

Naquela primeira reconstituição do quarto derradeiro de Rui, faltou o Sagrado Coração de Jesus em liga de prata e pedra mármore, que se vê na foto sobre a mesa de cabeceira, porque Maria Augusta o levou consigo. Era seu. Assim como este, muitos objetos da viúva seguiram com ela, sendo incorporados ao acervo do Museu Casa de Rui Barbosa somente depois de 1948, quando ela faleceu. Entretanto, aquele lote de 1966 continha itens de significância específica, relacionada a momentos mais íntimos da família, que o museu nem sabia que pudessem estar tão bem guardados: a bandeira nacional de proporções canônicas, roupas e acessórios pretos de Maria Augusta, objetos pessoais de Rui usados em seu leito e o lenço que cobrira o rosto do morto, todos resumidamente descritos (Figura 6) no capítulo “Museu”, que integrou o Relatório de Atividades da FCRB em 1966.

No Livro de Tombo daquele mesmo ano, apesar de os itens terem sido mais detalhadamente descritos, houve a supressão e/ou modificação de alguns dados do relatório anual que pareciam relevantes. Por isso, elaboramos o Quadro 1, no qual exibimos em azul as supressões e as contribuições feitas por quem fez o catálogo:

Os últimos anos de estudo das coleções desse acervo museológico nos possibilitam afirmar que “pertenceu a Rui” não tem o mesmo significado de “usado por Rui”. O genuflexório era de uso do patrono, apesar de ter sido um presente seu a sua esposa. Rui usou muito o coupé, que era de Maria Augusta. A bolsinha de níquel de Rui, segundo a filha caçula, era usada por sua mãe.
A numeração dos itens seria substituída alguns anos depois por um novo sistema de catalogação. Apesar de fugir ao recorte desta pesquisa, podemos observar, na Figura 5, que o item seguinte ao então nº 1.543 do Livro de Tombo de 1966, que não foi doado pela neta, havia sido o disco long-play preservado na FCRB, que tem gravada no lado B uma saudação do ex-governador Carlos Lacerda sobre o assunto do disco, mas se perdeu preciosa informação dada na aquisição e apenas relatada nesse relatório de atividades da instituição: “identificada a voz como sendo do ator João Barbosa”. Esse trecho consta no relatório, mas não no Livro de Tombo do museu, razão por que a informação havia se perdido, tanto na documentação museológica quanto no tratamento arquivístico da FCRB.
Assim como ocorreu nesse caso, muitos outros itens da CRB tiveram trechos de informação perdidos de uma ficha para a outra, invariavelmente os trechos de memória, das informações da fase de uso primário dos objetos, à medida que a prática da descrição de material-técnica-dimensões tomou o lugar daquelas conversas dos técnicos com os familiares do patrono a respeito de valores sentimentais agregados à cultura material do casal. Ainda que não se cobrasse, nas primeiras décadas da instituição, a entrega de documentos comprobatórios da fase de uso primário e valesse como verdade o dito, eram informações mais “fresquinhas” na cabeça dos parentes mais próximos de Maria Augusta e Rui - quem usava, quem usou, quem guardou, quem gostava ou não, e até alguma controvérsia de um parente em relação ao depoimento do outro familiar - em oportunas conversas, valoradas por quem redigiu o relatório, mas considerada irrelevante por quem “tombou” o item no museu, provocando algumas lacunas de informação que dissociavam esse e outros conjuntos de itens da CRB relacionados entre si por uma mesma conjuntura local vivida por sua usuária, nesse caso. Informações objetivas de descrição dos objetos são necessárias na catalogação, mas temos constatado algum prejuízo na supressão das informações subjetivas que se obtinha nessa fase de relação mais estreita com os parentes de primeira e segunda gerações.
Já no Livro de Tombo do museu em 1984, observamos aquela troca de numeração dos bens, em que os itens 1.529 a 1.543 passaram a ser identificados com os números 877 a 890 (Quadro 2).

Do livro anterior para esse, houve algumas mudanças: a escolha aparentemente aleatória da ordenação dos itens confunde a comparação de uma lista com a outra; não aparece mais a escrivaninha do Joãozinho, com três gavetas à esquerda e uma à direita; no guarda-roupas recatalogado, não fica claro que ele havia sido incorporado ainda com os vidros, que foram substituídos por papelão forrado com papel de parede; perderam-se dessa vez todas as poucas informações que ainda restavam de sua usuária ou de seu usuário na fase de uso primário; mas, pela primeira vez, a descrição da mola distinguiu, das outras tesouras de poda do acervo, essa de Rui Barbosa (Figura 8), da qual trataremos adiante.


Ainda sobre essa temática, é válido ponderar de maneira breve sobre a incidência de fatores socioculturais nas ações documentárias dos museus, bem como os desafios colocados ao trabalho de documentação. Maria Cristina Bruno compreende que “informação é o eixo central das ações museológicas”15 e, para o entendimento dos objetos do “Conjunto Luto”, o conhecimento informacional foi basilar, haja vista que, a partir dele, é que se constroem as probabilidades e os pontos de vista sobre contexto e sobre a própria Maria Augusta. Ademais, os “sistemas relacionais”16 dos objetos e das informações obtidas por meio deles é o que permite a identificação de um conjunto relacionado a algo tão particular para uma mulher - como é o seu luto -, dentro de uma grande coleção que recebe o nome de seu marido.
Ainda sobre os registros que compõem a documentação museológica, eles não vêm apenas carregados de elementos subjetivos, como também permitem expandir - e até revisitar ou redescobrir - a busca das fontes e agentes da documentação museológica, com a compreensão de que “o indivíduo que não cabe em determinados nichos é singularizado na forma de uma identidade especial - sagrada ou perigosa, ou por vezes ambas - ou ele é simplesmente excluído”17.Essa exclusão foi uma prática consideravelmente corriqueira no contexto da inserção de Maria Augusta no acervo da então Casa de Ruy Barbosa, tanto por uma transposição do mito público Rui Barbosa para uma mitificação de sua vida privada - que o retira da posição mítica de Águia de Haia e o transfere para o lugar de homem, marido e pai - quanto pela não valorização corriqueira das mulheres no contexto social. Encaram-se, portanto, dois contextos mediante a consulta aos documentos: um de revisitação a partir do contexto social contemporâneo, em que museus revisam seu material para nova interpretação das informações, e outro relacionado à dificuldade de revisitar um material produzido em um contexto de mitificação de um personagem em detrimento de outro, sob uma ótica atualizada, quando já ocorreu perda de informação. Essas conjunturas são costumeiras na constituição do aparato documental museológico, visto que
[…] a construção da informação nos museus parte de diferentes estímulos e perspectivas, é organizada mediante diversos procedimentos metodológicos e, uma vez reunida e preservada, pode desempenhar várias funções internas ao processo curatorial museológico e externas em relação a novas possibilidades de acesso público.18
As lacunas documentais foram encontradas no MCRB, mas têm sido possível buscar outras fontes de informação por meio “da articulação com outros campos de conhecimento e da noção de planejamento institucional, para que essa administração dos indicadores da memória represente um papel inovador em relação às expectativas da sociedade contemporânea”19.
OS OBJETOS DE RUI BARBOSA NO “CONJUNTO LUTO”
Inicialmente, entendemos esses itens que a viúva não doou como parte do conjunto relacionado à morte de Rui Barbosa, mas a significância da decisão de não doar merece um pouco mais de reflexão. Poderia esse lote de 1966 ser estudado como um “Conjunto Luto” dentro de uma provável Coleção Maria Augusta Rui Barbosa?
Na pesquisa sobre os momentos derradeiros de Rui Barbosa, foi estabelecido como objetivo a identificação de um conjunto de itens museológicos na CRB que foram testemunhos de um período que se estendeu de 10 de janeiro a 4 de março de 1923, desde seu recolhimento à casa de veraneio até o sepultamento na capela, antes mesmo de um mausoléu ser construído. A proposta expográfica da Mostra “Adeus, conselheiro: 100 anos sem Rui Barbosa” contou com a distribuição dos itens desse conjunto em quatro ambientes da casa, portanto narrados na mostra como subconjuntos distintos dentro do tema: 1) Quarto e os últimos instantes - Sala Queda do Império; 2) Gabinete holandês e seu último trabalho - Sala de Haia; 3) Velórios e cortejos - Sala Federação; e 4) Luto - Sala Maria Augusta. Destacamos para este artigo algumas considerações sobre os objetos do subconjunto que exemplificam as interseções possíveis entre conjuntos contextuais distintos, nesse caso a morte dele e a cultura material dela.
O termômetro em madeira de Rui (Figura 7) estava em uso possivelmente no quarto do casal em Petrópolis, onde Rui faleceu.
Entrando em convalescença, foi Rui Barbosa para Petrópolis. Infelizmente, pouco tempo depois, tornava o Conselheiro a ter outra crise, desta vez bem mais grave. Dias antes tinha Rui Barbosa dado o seu último passeio pelo jardim, - seria o passeio da despedida de suas queridas flores. Da nova crise Rui Barbosa não mais se reergueu.20
Rui cuidou de suas roseiras em Petrópolis possivelmente até o dia 26 de fevereiro, véspera da reunião de trabalho em que consumiu suas últimas forças.
Rui amava as flores. Cedo, ele andava pelo jardim, e muita vez, colhia as flores que enfeitavam o jarro da mesa de jantar. De uma feita, ele teve, no jardim de Botafogo, uma maravilhosa coleção de quatrocentas roseiras. Que ciúme tinha daquelas roseiras! Ninguém tocava nellas. As orchideas eram também a sua paixão. Em Petropolis, ele teve uma coleção variadíssima dellas.21
Essa é a razão por que levantamos a hipótese de que essa tesoura tenha ficado com a viúva, e não em Botafogo, onde a outra tesoura de poda foi encontrada quando o Governo Federal adquiriu a residência. Junto com esses dois itens, ficaram com a viúva: a bandeira cuja significância não foi confirmada, o lenço que cobriu o rosto de Rui (Figura 10), possivelmente usado somente ao leito de morte,22 e a camisa (Figura 11) que Rui vestia ao falecer, camisa em que se vê um corte frontal que se estendeu verticalmente do último botão até a bainha, possivelmente para despir o morto, e o chuleio evidente na contenção do corte.



O lenço que cobriu o rosto de Rui Barbosa possui ao menos três tipos de fichas museológicas, uma está manuscrita, e as outras são datilografadas. Apesar de serem referentes ao mesmo objeto, os documentos registram informações divergentes sobre o estado de conservação. Um diz que o estado de conservação é “mau” (Figura 12) em data não informada, outro diz que é “bom” (Figuras 13 e 14), sem relatar procedimento de restauro.


Outra situação que nos chamou a atenção durante o estudo é que apenas duas fichas citam um envelope com a seguinte mensagem: “Lencinho que/ cobriu o rosto do/ meu idolatrado/ e inesquecível/Paesinho 1° Março 923”. Por fim, na própria camisa de malha de lã bege e forro em malha de algodão, com monograma RB, há a seguinte frase manuscrita: “com esta camisa no corpo / morreu o conselheiro / Rui Barbosa / 1-3-1923” (Figura 15).

A camisa foi incorporada ao acervo museológico já com a inscrição, e o texto expressa cerimônia ao invés de intimidade. É possível que tenha sido riscada no momento da comoção por alguém que participou dos últimos momentos ou até da troca de roupa nos preparativos do corpo, ainda em Petrópolis. Não há relatos de memória sobre isso, mas há uma assinatura de Rui logo acima desse manuscrito sobre a morte. Na Figura 16, é possível observar que a assinatura de Rui foi cortada ao meio, portanto a camisa já estava assinada antes de ser cortada, e a assinatura ficou desencontrada depois do chuleio.

Trabalhamos, até o momento, com a hipótese de que se trata de uma camisa que ele usou em viagem de navio ou internação, onde as roupas se lavassem coletivamente e pudessem ser confundidas. Sua última campanha presidencial contou com excursão de navio e houve mais de uma internação no Sanatório de Palmyra,23 em que certamente as roupas eram tratadas coletivamente. O Sanatório de Palmyra era uma espécie de hotel de convalescências onde Rui e Maria Augusta puderam se hospedar durante a uremia24 de Rui em 1922, em ala separada dos pacientes acometidos de tuberculose, mas de onde se retiraram antes mesmo do recomendado, porque Rui insistiu em receber as autoridades máximas da Bélgica e de Portugal, nas comemorações do Centenário da Independência em setembro.25
VESTIDA DO SEU LUTO
Restava analisar por que as roupas e acessórios de dona Maria Augusta chegaram ao museu junto com esse lote de objetos. Na casa da Raimundo Correia, em Copacabana, onde dona Maria Augusta passou a morar após deixar a residência da São Clemente, o avaliador de bens do seu inventário26 não relacionou nenhum desses itens, em 5 de setembro de 1948, em nenhum dos seguintes cômodos vistoriados: varanda de baixo, jardim, sala de visita, sala de jantar, copa, cozinha, quarto de dormir, hall da escada, varanda do quarto e banheiro. Ao consultar as folhas 8 e 9 (Figuras 17 e 18) da relação apresentada pelo avaliador de bens, juntadas ao processo como folhas 96 e 97 do Inventário Maria Augusta Rui Barbosa, é possível identificar o conteúdo que havia na mobília da cozinha, os objetos do quarto, expostos, e “dois armários de três faces” também no quarto:

Entretanto, o conteúdo dos dois guarda-roupas não foi relacionado. Na folha seguinte, vemos que o conteúdo do mobiliário da copa e da sala de jantar e o conteúdo da penteadeira (Figuras 19 e 20) também foram relacionados, mas, insistimos, não o conteúdo dos dois guarda-roupas de três faces:

Sabemos apenas que foi a filha de Francisca Rui Barbosa Airosa quem entregou ao MCRB o que designamos provisoriamente como “subconjunto luto” entre os testemunhos da morte do patrono, mas foi um lote em que justamente itens pretos da cultura material da viúva foram doados juntamente com uma camisola sua, sobre a qual nada mais foi informado: 66.882A - Camisola de seda rosa, abotoada na altura do tórax, mangas compridas com abotoamento (Figura 21); 66.889A - Leque preto com quatorze varetas de tartaruga, incrustadas de madrepérola (Figura 22); 66.880A - Vestido de seda preto, com estampado floral branco (Figura 23); e 66.881A - Quimono em seda preta, mangas curtas e faixa para amarrar na cintura, decorada por galhos, folhas, flores, montanhas e barcos bordados em linha branca (Figura 24).



Consideramos de extrema relevância que em três desses objetos predomine a cor preta. Sabe-se que, após o falecimento de Rui Barbosa, ela viveu o luto até o seu próprio falecimento. Tal atitude não era somente esperada, mas também engajada nas mulheres de seu tempo, especialmente aquelas que eram responsáveis pela salvaguarda e permanência da memória de reconhecidas figuras públicas, visto que “a guarda exercitada por mulheres é atravessada por marcas de gênero em que a construção histórica do leque de simbolismos sexuais impôs a elas tarefas relativas à exteriorização da dor e da perda”27.
Das peças citadas, é válido salientar o vestido preto com flores28 que foi usado na inauguração do MCRB, à época Casa Ruy Barbosa, em 13 de agosto de 1930 (Figura 25). Primeiramente, nota-se que, ainda na década de 1930, Maria Augusta permanecia com as vestes de luto, e, não por acaso, ela participou desse momento usando essa roupa preta, que ficou em posse da família até 1966.

Ademais, a Figura 26, de dona Maria Augusta mais velha, mostra que o preto esteve em seu guarda-roupa até provavelmente o fim de sua vida.
As mulheres, nesse aspecto, deveriam guardar o luto de modo mais severo, especialmente as viúvas. Isso resultava na preservação de objetos representativos do luto e, especialmente, portar uma memória no corpo manifesta na contenção e no luto vestimentar.29

O luto, no caso de dona Maria Augusta, era completado e emoldurado pelo medalhão, incorporado à CRB em 1981, com o rosto mais velho de Rui Barbosa: “81.1069A - Medalhão pingente em ouro, circundado de 42 pedras preciosas roxas. Ao centro retrato de Rui Barbosa (c. 1907) sob placa de vidro em tons de sépia. Entre a foto e a moldura, dois frisos lisos de ouro. Reverso liso”. Na Figura 26, que Maria Augusta levou de presente para sua camareira ao visitá-la, dona Maria Augusta usa essa joia.
Pondera-se que, mesmo com o luto em sua indumentária, ela se manteve tranquila, resiliente e alegre, mas, ainda assim, saudosa de seu marido, como pode ser percebido neste depoimento:
Para ver a doçura de Rui, basta que lhe diga que nunca permittiu que eu prohibisse a entrada dos netos em seu gabinete de trabalho. Interrompia os estudos e trabalhos de maior responsabilidade, para conversar com um dos netinhos. O logar da casa, preferido por ele, era o gabinete gothico, hoje sala civilista. […] - Rui não gostava de bailes. Mas a musica tinha para ele indefinível encanto. Às companhias lyricas ele nunca faltava, sentindo um verdadeiro prazer quando assistia a um bom espectaculo. A artista, com um ouvido exigente, enthusiasmava-se quando ouvia um perfeito cantor. Para satisfazel-o, organizavam-se concertos em nossa casa de Botafogo, o que lhe dava muita satisfação. Elle assistia à festa até o fim, e tinha sempre, para com os convidados e amigos, uma atenção, uma palavra lisonjeadora. Em Haya, era ele próprio que escolhia as músicas que deviam ser executadas nos banquetes, que teve de oferecer às delegações estrangeiras. […] Já para o fim, cansado de tantas lutas, ele estava irritadiço. Mas foi sempre duma doçura incomparável de trato. Nunca alteou a voz para um creado. Se um serviço lhe não agradava, chamava a atenção do empregado com uma delicadeza inexcedível. A sua ternura pela família era absoluta. Lembro-me que, na véspera de um Natal, quando sustentava violenta campanha, achou meios e modos de trazer uma arvore de Natal, sem que eu visse. Escondeu-a no gabinete branco, hoje sala “Codigo Civil”, e só me mostrou accesa e cheia de brinquedos.30
Repleto do apaziguamento da memória saudosista, o depoimento de dona Maria Augusta nos fala de um luto que é parte de seu papel social como esposa de um homem público, mas também de sua luta como preservadora da memória de Rui Barbosa - e de sua própria memória -, reiterando a força dessa mulher.
O estudo de aspectos da vida privada de Rui e Maria Augusta, sob o ponto de vista de Maria Augusta e de seus funcionários pessoais - Antônio Joaquim da Costa e Maria Ferreira, sobre os quais pouco encontramos -, vem pondo luz até mesmo sobre a trajetória de itens carentes de informação, muitos dos quais com pouco valor estético e monetário. A respeito do que a sociedade certifica como singular na cultura material de Rui, cabe voltar a Igor Kopytoff para entender Maria Augusta no meio das coisas dele e Maria Ferreira no verso da foto, o que certamente não passou despercebido às leitoras e leitores deste artigo. Para quem ou para o que não se encaixar em determinados nichos biográficos, caberá uma operação de exclusão de coisas, bastante semelhante à operação de exclusão de pessoas.31
CONCLUSÃO
O entendimento sobre a trajetória dos objetos possibilita uma compreensão mais ampla das motivações que permeiam a seleção do acervo. A preservação é fundamentada pela memória; não há aleatoriedade nesse processo. É sempre válido reiterar que os acervos de museus, após sua incorporação institucional e a catalogação, não estão findados em possibilidades. Quando Samuel Alberti32 teoriza sobre etapas classificatórias, analíticas e expositivas na fase museu, aponta para uma prática científica na cultura material que contribui para uma sucessiva construção de narrativas possíveis dentro da mesma coleção. As possibilidades de significados são e devem ser descobertas e redescobertas. É uma nova vida para os objetos museológicos.
Dentro desse contexto, podemos dizer que os itens do “Conjunto Luto” estão imbuídos da morte e da vida desses personagens. Os objetos que estão sendo pesquisados também estavam à margem, mas não foram eleitos como protagonistas das narrativas até então construídas, podendo demonstrar assim que a morte de Rui Barbosa e o luto de Maria Augusta não compõem a glória esperada na trajetória de Rui Barbosa, que deveria ser visto como um herói nacional. O primo de dona Maria Augusta, Américo Jacobina Lacombe, que foi o primeiro presidente da FCRB, reiterava tal ponto dizendo que “Rui era, acima de tudo, o homem público e sua privacidade só poderia ser publicizada para reforçar a imagem por ele pretendida e, jamais para colocá-la em contradição”33. Assim, que humanização do mito seria permitida nesse processo? Pretende-se reconhecer a relevância desse tipo de acervo e, ao contrário do que propunha Américo Jacobina Lacombe, publicizar o lado privado de Rui Barbosa e Maria Augusta por meio dos objetos presentes no MCRB; mas, afinal, seria um subconjunto luto do contexto de morte do patrono ou seria um conjunto luto da coleção Maria Augusta Rui Barbosa?
Como a coleção da patronesse da FCRB ainda não foi libertada da CRB, não sugerimos nem um nem outro, mas apenas apresentar a riqueza das interseções entre as biografias das coisas, interseções que naturalmente ocorrem entre os contextos de uso.
As trajetórias desses personagens e de outros que residiram na mansão da São Clemente, desconsiderados em algum momento da história, continuarão a ser estudadas por meio das investigações realizadas pelo grupo de pesquisa da FCRB denominado “Museus e Personagens Invisibilizados”.
Quando se fala em mulheres como Maria Augusta, tão pouco exploradas, e esquecidas no contexto social, pesquisas como esta reiteram que mulheres podem e devem ser estudadas, com o intuito de romper com um entendimento de que “somente às mulheres excepcionais é dado realizar sua integração na sociedade pelas vias utilizadas pelos homens”.34 A trajetória de Maria Augusta Rui Barbosa, mediante um número considerável de objetos quase camuflados no acervo de sua casa-museu, tem justamente se mostrado relevante e potente.
AGRADECIMENTOS
Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (Capes) - Código de Financiamento 001.
REFERÊNCIAS, Fontes impressas
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Notes
Author notes