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<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Mercator - Revista de Geografia da UFC</journal-title>
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<issn pub-type="epub">1984-2201</issn>
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<publisher-name>Universidade Federal do Ceará</publisher-name>
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<country>Brasil</country>
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<subject>Sem seção</subject>
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<article-title xml:lang="en">SLIDES NO ESTADO DE PERNAMBUCO</article-title>
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<year>2022</year>
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<sec sec-type="intro">
<title>INTRODUÇÃO</title>
<p>A leve urbanização dos países em desenvolvimento tem contribuído para a proliferação de casas em encostas íngremes, muitas vezes de forma inadequada, intensificando a ocorrência de deslizamentos, resultando na expansão de áreas de risco e causando a destruição de casas com muitos danos econômicos e fatalidades (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref7">AYALA , 2002</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref34">NATENZON </xref>e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref30">RÍOS, 2015, LISTO et al., 2021</xref>). Somente para o Brasil, estima-se uma população de aproximadamente 8.266.000 habitantes em áreas de risco de deslizamentos e inundações em 825 municípios do país (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref24">IBGE, 2018a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref4">ALVALÁ et al., 2019</xref>).</p>
<p>No Nordeste do Brasil, em termos gerais, os estados de Pernambuco e Bahia se destacam quando eclodem movimentos de massa. Juntos, ambos concentram 89,5% desses processos desde 1991 (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref11">CEPED/UFSC, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref42">SANTOS et al., 2018</xref>). Nesse contexto, Pernambuco apresenta uma variedade longitudinal de usos e ocupações do solo muito influenciada por questões geomorfológicas e climáticas. O estado apresenta uma diversidade de paisagens e contrastes ambientais cujos processos morfodinâmicos, principalmente erosão e deslizamentos, atuam amplamente em todo o território, tanto em áreas úmidas quanto semiáridas. Apenas na Região Metropolitana do Recife (RMR), por exemplo, os municípios de Recife, Jaboatão dos Guararapes,</p>
<p>Embora sejam recorrentes as ocorrências de perdas sociais e econômicas e fatalidades causadas por deslizamentos em Pernambuco, deve-se considerar que existe uma lacuna na sistematização de informações relacionadas a esses processos em base espacial georreferenciada em nível estadual, principalmente, em termos de localização e aos tipos de condicionantes deflagrantes. No entanto, esse tipo de base permite que análises sejam feitas para um melhor entendimento do problema, possibilitando o desenvolvimento de modelos preditivos. Além disso, facilita o ordenamento e planejamento territorial e a minimização de perdas por processos catastróficos, entre outros benefícios, como a padronização de informações e sistemas de monitoramento, previsão e alerta.</p>
<p>A construção de um banco de dados para movimentos de massa, dentre eles, deslizamentos, deve considerar sua finalidade e a extensão da área de interesse, que por sua vez, define as técnicas de obtenção e a qualidade geral dos dados (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref22">GUZZETTI et al . , 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref23">GUZZETTI et al., 2012</xref>). Bancos de dados em âmbito global e continental geralmente visam avaliar o impacto de deslizamentos, priorizando informações como tipo e magnitude do evento, número de vítimas, danos à sociedade, entre outros, geralmente com menor precisão temporal e espacial.</p>
<p>Abordagens para inventários globais integrados a bancos de dados podem ser vistas nos trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref28">Kirschbaum et al. (2010)</xref> e por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref27">Kirschbaum</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref27">Stanley e Zhou (2015)</xref>. O primeiro buscou descrever uma metodologia para catalogar sistematicamente deslizamentos (escala global) usando informações da mídia, bem como relatórios em tempo real dos anos de 2003, 2007 e 2008 com processos registrados em 44, 60 e 67 países, respectivamente ( <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref28">Kirschbaum et al ., 2010)</xref>. Por sua vez, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref27">Kirschbaum, Stanley e Zhou (2015</xref>) produziram um catálogo global online de deslizamentos (Global Landslide Catalog) desencadeados por chuvas intensas entre 2007 e 2013, com dados de reportagens da mídia, bancos de dados secundários, produções científicas, entre outros. Este catálogo reuniu 5.741 ocorrências de deslizes,</p>
<p>Em escala nacional, os trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">Pereira et al. (2014</xref>) na região norte de Portugal (base de dados de deslizamentos no norte de Portugal) com registos de 1900 a 2010; por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref37">Pennington et ai. (2015)</xref> a partir da criação do National Landslide Database of Great Britain, contendo mais de 17.000 registros de deslizamentos em encostas naturais e artificiais e o trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref10">Calvello e Pecoraro (2018)</xref>, intitulado FraneItalia (slides in Italy), que utilizou informações da mídia entre 2010 e 2017. Esses trabalhos reuniram, em linhas gerais, maior quantidade de informações oriundas da mídia e de fontes acadêmicas, como início e duração dos deslizamentos, características do processo, consequências, entre outros. Geralmente, apresentam melhor precisão temporal,</p>
<p>No Brasil, o Centro Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (CENAD) criou o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) em 2012, com o objetivo de aprimorar a gestão de ações estratégicas, preparação e resposta a desastres no território nacional. O sistema concentra, no nível federal, informações sobre desastres, dos quais 36 deslizamentos foram registrados em Pernambuco. Ainda nesse sentido, o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas em Desastres (CEPED) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) produziu o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais de 1991 a 2012 (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref11">CEPED/UFSC, 2013</xref>). O mesmo registrou 24 deslizamentos em todo o estado de Pernambuco no período avaliado. As iniciativas locais também devem ser mencionadas, especialmente aquelas derivadas dos bancos de dados da Defesa Civil Municipal, como,</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref19">Galli et ai. (2008)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref28">Kirschbaum et al. (2010)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref36">Parise (2001)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref23">Guzzetti et al. (2012)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref38">Pereira et al. (2014)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref10">Calvello e Pecoraro (2018)</xref> destacam que os bancos de dados podem ser preparados para múltiplas finalidades: (i) documentar a extensão dos processos; (ii) investigar sua distribuição, tipos e padrões em relação às características morfológicas e geológicas; (iii) permitir uma melhor compreensão da evolução de paisagens dominadas por processos e (iv) constituir uma fase preliminar em relação às avaliações de suscetibilidade, perigo e risco, essenciais para uma melhor tomada de decisão e para o ordenamento e planeamento das ações humanas no território. Na maioria das vezes, geralmente estão associados a SIG (Sistema de Informação Geográfica), constituindo um Banco de Dados Georreferenciados (BDG), reunindo informações geoambientais, como elevação, declividade, geologia, cobertura pedológica e uso do solo (agentes desencadeadores de deslizamentos). Esse tipo de cauda proporciona a avaliação espacial do fenômeno em diferentes contextos ambientais, auxiliando na identificação de ocorrências e, consequentemente, na localização de áreas cujo monitoramento é prioritário. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar a ocorrência de deslizamentos no estado de Pernambuco, seus condicionantes e as áreas mais afetadas. na localização de áreas cujo monitoramento é prioritário. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar a ocorrência de deslizamentos no estado de Pernambuco, seus condicionantes e as áreas mais afetadas. na localização de áreas cujo monitoramento é prioritário. Assim, o objetivo deste trabalho é avaliar a ocorrência de deslizamentos no estado de Pernambuco, seus condicionantes e as áreas mais afetadas.</p>
</sec>
<sec>
<title>ÁREA DE ESTUDO: ESTADO DE PERNAMBUCO</title>
<p>Pernambuco está localizado inteiramente na região intertropical e tem altitude máxima de 1200 m (<xref ref-type="fig" rid="gf1">Figura 1</xref>). Possui uma área de 98.068 km² e uma população de 8.796.000 habitantes, com maior densidade populacional nas áreas mais próximas ao litoral (principalmente na RMR) devido a sua formação histórica e econômica (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref6">ARAÚJO FILHO et al., 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref5">ANDRADE , 2007</xref> ; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref11">CEPED/UFSC, 2013</xref>;<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref24">IBGE, 2018b</xref>).</p>
<p>Localiza-se, predominantemente, sobre rochas ígneas e metamórficas pré-cambrianas, pertencentes ao Cráton do São Francisco e à Província da Borborema (eg Granito e Granodiorito) que ocupam 90% do território. Os demais setores são compostos por rochas sedimentares paleomesozóicas interiores (por exemplo, Arenito, Folhelho e Siltito) e bacias sedimentares mesocenezóicas costeiras (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref12">CPRM, 2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref5">ANDRADE, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">FERREIRA</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">DANTAS</xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">e SHINZATO, 2014)</xref>.</p>
<p>O relevo é resultado da evolução de eventos geológicos e geomorfológicos, associados à abertura do Oceano Atlântico durante o Cretáceo. Ferreira, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">Dantas e Shinzato (2014)</xref> apontam nove grandes domínios geomorfológicos em Pernambuco: Planície Costeira, Tábuas Costeiras (Planalto Sedimentar Litoral), Piemonte da Borborema, Planalto da Borborema, Depressão Sertaneja, Chapada do Araripe, Bacia do Jatobá, Planície do Rio São Francisco e grupos das Bacias Sedimentares Interiores.</p>
<p>Existem pelo menos três tipos mesoclimáticos associados a ambientes úmidos (precipitação total anual entre 800 mm e 2.000 mm), semiúmido (entre 600 mm e 800 mm) e semiárido (precipitação total inferior a 600 mm em média) (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref17">FERREIRA e MELLO, 2005).</xref> Os Setores Úmidos de Pernambuco estão localizados no Planalto da Borborema, enquanto os setores sub-áridos estão localizados no Planalto da Borborema e, portanto, os setores semiáridos estão localizados, em sua maior parte, na Depressão Sertaneja, embora ocorram a partir das terras altas do Planalto da Borborema.</p>
<p>
<fig id="gf1">
<label>#fig1pt.jpg</label>
<caption>
<title>
<xref ref-type="fig" rid="gf1">Figura 1</xref>
</title>
<p>Mapa de localização e hipsometria da área de estudo (PE).</p>
</caption>
<alt-text>#fig1pt.jpg Figura 1</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Autores. Banco de dados: NASA Earth Data.</attrib>
</fig>
</p>
<p>Estudos mostram uma correlação positiva com a diferenciação climática em relação à geomorfologia de Pernambuco, principalmente na interface entre precipitação e altitude no estado<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref1">ALBUQUERQUE et al., 2019</xref>). Molion e Bernardo (2002) e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref17">Ferreira e Melo (2005)</xref> microescala. Dois mecanismos de macroescala se destacam: os sistemas frontais e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Na mesoescala, você é particularmente responsável por chuvas torrenciais deflagrando movimentos de massa, complexos convectivos e brisas marítimas e terrestres. Na microescala, círculos orográficos e pequenas células convectivas (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref32">MOLION e BERNARDO, 2002; </xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref17">FERREIRA e MELLO, 2005</xref>).</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref21">Girão et ai. (2006)</xref> verificou-se que para a Região Metropolitana do Recife (RMR), por exemplo, todas as chuvas mais intensas são provenientes de sistemas sinóticos suplementares, destacando-se os sistemas de ondas do leste (calhas barométricas). Estes atacam rapidamente as encostas urbanas da RMR e funcionam como gatilhos que induzem a atividade (reativação) de lâminas em formas esculpidas na Formação Barreiras (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref21">GIRÃO et al., 2006</xref>). Assim, as encostas da RMR apresentam alto potencial de instabilidade, devido à sucessão de processos erosivos e deslizamento nas coberturas miocêntricas da referida formação, potencializadas em áreas antropizadas (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref3">ALHEIROS e AUGUSTO FILHO, 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref41">SANTANA e LISTO, 2018</xref>).</p>
<p>O domínio das Planícies e Áreas Litorâneas, entrando, em parte, no Piemonte da Borborema, concentra o maior contingente populacional de Pernambuco (cerca de quatro mil pessoas), no qual a RMR é uma das maiores áreas metropolitanas do Brasil. Nesse setor, localiza-se o principal polo econômico do estado, o Complexo Industrial Portuário de Suape (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">FERREIRA; DANTAS e SHINZATO, 2014</xref>). Historicamente, entretanto, os processos de deslizamentos são mais frequentes nos Tabuleiros, principalmente devido à interface entre as chuvas mais intensas e a estrutura das rochas sedimentares e formas tabulares ou morros dissectados precariamente ocupamente pela RMR (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref3">ALHEIROS e AUGUSTO FILHO, 1997</xref>). Destaca também as injustiças sociais derivadas dos padrões de uso, ocupação e planejamento de seus sítios urbanos.</p>
</sec>
<sec sec-type="materials|methods">
<title>MATERIAIS E MÉTODOS BASES TEÓRICAS E ELABORAÇÃO DO MAPA DE INVENTÁRIO</title>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref22">Segundo Guzzetti e colaboradores (2000),</xref> invenção seguirão procedimentos internacionais em sua elaboração. Esses autores dividem esses tipos de mapeamento em duas categorias: (i) arquitetônico e (ii) geomorfológico. A primeira refere-se aos métodos de coleta de dados de arquivos e registros de outras fontes, como bases de dados nacionais ou globais, jornais e revistas, relatórios técnicos e produções acadêmicas. A segunda está associada à coleta de dados primários e pode ser produzida para um único evento desencadeador (p. ; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref38">PEREIRA et al., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref27">KIRSCHBAUM;</xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref27">STANLEY e ZHOU, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref10">CALVELLO e PECORARO, 2018</xref>).</p>
<p>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref22">Segundo Guzzetti e colaboradores (2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref23">2012</xref>), cada técnica está associada ao objetivo e extensão da área de estudo (escala), à resolução, às características dos dados disponíveis, aos recursos e à experiência do pesquisador. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref19">Galli et ai. (2008)</xref> relam que é frequente o uso de mais de uma técnica, como a associação entre levantamentos arquivísticos, fotointerpretação de imagens de satélite e trabalho de campo. Nesse sentido, o trabalho seguiu as prensas relativas do tipo de arquivo, considerando a escala da área de estudo (menor detalhe), também associada a fontes primárias (por exemplo, obtenção de dados de campo e interpretação de imagens de satélite). Dessa forma, o levantamento e captura das lâminas foi disponibilizado para o território continental de Pernambuco na série temporária 1988-2019.</p>
<p>Quanto a dados primários, dez trabalhos de campo exploratórios para georreferenciamento de scarres de slipamentos foram feitos entre 2017 e 2019. Esses municípios estão abertos a partir da Região Metropolitana do Recife (ex. Recife, Ipojuca e Camaragibe), Zona da Mata (ex. Quipapá, Palmares e Aliança), Agreste (ex. Guaranhuns e Gravatá) e Sertão Pernambucano (ex. Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde, Exu, entre outros).</p>
<p>As imagens de satélite utilizadas para a interpretação e localização de escorregamentos foram retiradas dos bancos de dados do software Google Earth Pro (LANDSAT 90º ou vertical). As cicatrizes foram identificadas de acordo com os critérios indicados por <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref22">Guzzetti et al (2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref23">2012</xref>), tais como, geometria dos processos, aspecto, difença de cores e texturas, aúsência de vegetação e sua posição na encosta <xref ref-type="fig" rid="gf2">(Figura 2</xref>).</p>
<p>
<fig id="gf2">
<label>#fig2en.jpg</label>
<caption>
<title>Figura 2</title>
<p>Exemplo de imagem de satélite utilizada para localizar uma cicatriz de deslizamento na escarpa sul da Chapada do Araripe (município de Exú, semiárido de PE).</p>
</caption>
<alt-text>#fig2en.jpg Figura 2</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: banco de dados do software Google Earth Pro (2018).</attrib>
</fig>
</p>
<p>Muitos eventos também foram catalogados a partir de fontes secundárias, tais como: (i) trabalhos acadêmicos (análise de congressos, artigos de periódicos, livros, dissertações e teses) pesquisados on-line nas plataformas Google Acadêmico e Periódicos CAPES; (ii) relatórios técnicos de instituições públicas, como o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos de Desastres (CENAD), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerários (CPRM), entre outros; (iii) banco de dados fornecido pelas Coordenadorias Municipais de Defesa Civil (COMDEC) e (iv) reportagens. As informações midiáticas (jornalísticas) foram obtidas a da consulta e digitalização de databases de dados online e do Arquivo Público de Pernambuco, entre 1988 e 2019,</p>
<p>Para o registro de todas as ocorrências, os dados capturados, sejam por fontes primárias ou secundárias, precisavam conter pelo menos a localização em um par de cocoordinas ou informações de localização que pudessem ser georreferenciadas em ambiente SIG (por exemplo, endereço ou localização aproximada).</p>
</sec>
<sec sec-type="materials|methods">
<title>ELABORAÇÃO DO BANCO DE DADOS GEOREFERENCIADOS</title>
<p>De acordo com a etapa anterior, as corrências de escorregamentos foram geocodificadas e rerepresentadas por vetores do tipo ponto, considerando a escala do Banco de Dados (estadual), o que impossibilitava a representação por vetores do tipo poligeon. A utilização do ambiente SIG permitiu a elaboração de mapas de operação para Pernambuco com legendas compatíveis com os planos de informação do BDG.</p>
<p>Nesta etapa, há informações relacionadas aos códigos dos processos e suas coordenadas (Tabela 1), para acréscimo de planos temáticos de dados/informações (e.g. geologia, declividade, solos, entre outros), que são relevantes quando relacionados aos mapas de operações/invenções (Tabela 1). Tais informações foram armazenadas em formato vetorial no BDG, permitindo a sobreposição com os inventários e análise dos principais conditionantes e danos causados.</p>
<p>
<fig id="gf9">
<label>#tab1pt.jpg</label>
<caption>
<title>Tabela 1 - Resumo das variáveis (banco de dados) e suas descrições. O dado "Data da Ocorrência" foi pensado para ser o mais completo possível (hora/dia/mês/ano), porém, como a maioria das ocorrências não apresentava esse detalhamento, a ocorrência deveria conter, no mínimo, o ano para sua ocorrência. Inserção no Banco de Dados. Fonte: Autores.</title>
</caption>
<alt-text>#tab1pt.jpg Tabela 1 - Resumo das variáveis (banco de dados) e suas descrições. O dado "Data da Ocorrência" foi pensado para ser o mais completo possível (hora/dia/mês/ano), porém, como a maioria das ocorrências não apresentava esse detalhamento, a ocorrência deveria conter, no mínimo, o ano para sua ocorrência. Inserção no Banco de Dados. Fonte: Autores.</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf9.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Autores.</attrib>
</fig>
</p>
</sec>
<sec sec-type="results|discussion">
<title>RESULTADOS E DISCUSSÕES</title>
<p>Foram inventariados 3.138 deslizamentos entre 1988 e 2019 para o estado de Pernambuco (<xref ref-type="fig" rid="gf4">Figura 3</xref>). Os processos catalogados estão localizados na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata Sul de Pernambuco (com cerca de 98% dos deslizamentos) (<xref ref-type="fig" rid="gf5">Figura 4</xref>). Ocasionalmente, percorrem o Sertão Pernambucano e o Sertão Pernambucano (<xref ref-type="fig" rid="gf6">Figura 5</xref>).</p>
<p>Destes, 74% estão concentrados no Piemonte da Borborema coberto por Floresta Aberta Sombreada e clima tropical úmido (3 meses secos), principalmente no município de Jaboatão dos Guararapes (RMR). Essas áreas são caracterizadas pela geologia cristalina com formas predominantemente montanhosas e íngremes com topos convexos, favorecendo o desprendimento de material das encostas.</p>
<p>
<fig id="gf4">
<label>#fig3pt.jpg</label>
<caption>
<title>
<xref ref-type="fig" rid="gf4">Figura 3</xref>
</title>
<p>Mapa de ocorrências de escorregamentos (inventário) para o estado de Pernambuco.</p>
</caption>
<alt-text>#fig3pt.jpg Figura 3</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf4.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Autores.</attrib>
</fig>
</p>
<p>
<fig id="gf5">
<label>#fig4pt.jpg</label>
<caption>
<title>
<xref ref-type="fig" rid="gf5">Figura 4</xref>
</title>
<p>Exemplos de lâminas executadas na Região Metropolitana do Recife (RMR): (A) Slide ES0223 no município de Camaragibe, (B) Slide ES0369 também no município de Camaragibe e (C) Slide ES3125 na zona norte do município de Recife, dois quais, em todos eles dois processos são observados em áreas precariamente pobres com muito preconceitos sociais e econômicos.</p>
</caption>
<alt-text>#fig4pt.jpg Figura 4</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf5.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fontes: (A) Diário de Pernambuco (2015), (B) Portal G1 PE (2019) e (C) Diário de Pernambuco (2015).</attrib>
</fig>
</p>
<p>
<fig id="gf6">
<label>#fig5pt.jpg</label>
<caption>
<title>
<xref ref-type="fig" rid="gf6">Figura 5</xref>
</title>
<p>Deslizamento de terra ES0409 na escarpa da Chapada do Araripe (município de Exu), semiárido pernambucano.</p>
</caption>
<alt-text>#fig5pt.jpg Figura 5</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf6.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Autores (2018).</attrib>
</fig>
</p>
<p>Além disso, 14% dos processos localizaram-se nas Tábuas Costeiras com Mata Aberta de Sombra e clima tropical quente úmido (3 meses secos), como no município de Paudalho (região da Mata Sul) e Recife (RMR). É uma unidade com geologia sedimentar (Formação Barreiras) mais suscetível ao cisalhamento, principalmente quando ocorrem grandes volumes de chuvas devido à ação das brisas marítimas e continentais e dos Distúrbios das Ondas de Leste. Além disso, são áreas de ocupação precária (áreas de risco de deslizamentos) com muitas condições de vulnerabilidade física e social (por exemplo, cortes e aterros tecnicamente incorretos; jogar água diretamente na encosta; excesso de lixo e entulho; no topo das encostas), além da supressão da cobertura vegetal.</p>
<p>Na relação entre deslizamentos e meses do ano (Figura 6), percebe-se uma maior concentração entre os meses de abril e julho, períodos com maior índice de precipitação no litoral de Pernambuco, cujo volume de chuva é maior entre o outono e o inverno. As chuvas de verão, apesar de sua curta duração, também tendem a provocar deslizamentos, pois apresentam energia suficiente para liberar massas susceptíveis, principalmente nos ambientes mais antropizados (potencialmente instáveis).</p>
<p>Quanto à série temporal (anos), os deslizes aumentaram, principalmente a partir de 2009 (<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>), quando foram iniciados os autos da Defesa Civil. Esse aumento gradativo está relacionado não apenas ao maior adensamento populacional e, portanto, à interferência humana na instalação de unidades habitacionais precariamente instaladas, mas também à maior frequência de registros oficiais, principalmente pela Defesa Civil Municipal.</p>
<p>Com relação às fontes utilizadas, 3.003 deslizamentos (95%) foram adquiridos por relatórios técnicos (por exemplo, bancos de dados fornecidos pelas Defesas Civis Municipais de Camaragibe, Jaboatão dos Guararapes e Recife e pelo CEMADEN), além da CPRM (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref9">BITAR, 2014</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref45">SINPDEC (2019)</xref> (<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>). Setenta e uma ocorrências foram captadas do trabalho acadêmico de Torres (2014), que mapeou deslizamentos no município de Ipojuca, litoral sul do estado (RMR) (<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>).</p>
<p>
<fig id="gf7">
<label>#fig6pt.jpg</label>
<caption>
<title>
<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>
</title>
<p>Banco de dados mostrando o número de deslizamentos por plano de informação (parte um).</p>
</caption>
<alt-text>#fig6pt.jpg Figura 6</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf7.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Autores.</attrib>
</fig>
</p>
<p>Vinte e nove deslizamentos foram catalogados pela interpretação de imagens de satélite, restritas à escarpa do flanco sul da Chapada do Araripe (clareza do processo em ambiente semiárido com poucas nuvens, vegetação e ausência de interferência antrópica significativa), em além da validação em trabalho de campo (<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>). Das fontes jornalísticas, foram captadas 16 ocorrências do Jornal Diário de Pernambuco, 12 do Portal G1, 5 do Jornal do Commercio e 1 ocorrência do Jornal O Globo, totalizando 34 recortes obtidos desse tipo de fonte (<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>). As notícias jornalísticas foram importantes fontes de consulta, sobretudo pela riqueza de detalhes, referentes às perdas e danos econômicos e sociais nas áreas urbanas (<xref ref-type="fig" rid="gf5">Figura 4</xref>).</p>
<p>Os municípios mais atingidos foram os da RMR, como Jaboatão dos Guararapes (1.620 deslizamentos), Recife (844), Camaragibe (398), Ipojuca (146), Olinda (22) e Paulista (10 deslizamentos) (<xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>). A área de influência da RMR é caracterizada por uma expansão urbana acelerada em terrenos de sedimentação cenozóica, mais susceptíveis a processos morfodinâmicos (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">FERREIRA; DANTAS e SHINZATO, 2014)</xref>. Grande parte da serra do Recife foi ocupada por populações de classes sociais mais baixas, devido à apropriação do mercado imobiliário em áreas mais favoráveis ​​à construção, aumentando o número de áreas de risco (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref2">ALHEIROS, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref39">PFALTZGRAFF, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref47">XAVIER et al., 2019</xref>).</p>
<p>Nesse sentido, a interferência antrópica na RMR vem alterando a topografia e a dinâmica hidrológica das encostas por meio da criação de planaltos e quebras por corte, além da desconsolidação de materiais indiscriminados em lixões, realizados pela população local, comum em áreas de risco. Tais interferências assumem papel relevante na deflagração de deslizamentos devido ao aumento da instabilidade e ausência de obras de proteção geotécnica. Além disso, a ocupação criou knickpoints artificiais, que alteraram o perfil de equilíbrio dos taludes e geraram taludes artificiais com taludes incompatíveis com o ângulo de repouso dos materiais que estruturam esse relevo (sedimentos incoesivos da Formação Barreiras) (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref41">SANTANA e LISTO, 2018</xref> ).</p>
<p>Além dos limites da RMR, destaca-se o município de Exu (30 lanços), inserido no flanco sul da placa do Araripe (semi-árido pernambucano) (<xref ref-type="fig" rid="gf6">Figura 5</xref> e <xref ref-type="fig" rid="gf7">Figura 6</xref>). Tais ocorrências localizam-se nas escarpas inclinadas da referida placa, de estrutura sedimentar, mais suscetível a deslizamentos, cujos eventos pluviométricos (mais restritos) ocorrem devido à ação da ZCIT (Zona de Convergência Intertropical) e dos Vórtices Ciclônicos de Alto Nível.</p>
<p>Em relação à geologia (<xref ref-type="fig" rid="gf8">Figura 7</xref>), as litologias da Formação Barreiras (arenitos finos e grossos) concentraram o maior número de deslizamentos com 1323 ocorrências, principalmente no Planalto Sedimentar Costeiro (Tabuleiros) da RMR. Destacam-se também as litologias cristalinas (eg anfibolito) do Piemonte da Borborema com 1114 ocorrências (<xref ref-type="fig" rid="gf8">Figura 7</xref>).</p>
<p>
<fig id="gf8">
<label>#fig7pt.jpg</label>
<caption>
<title>
<xref ref-type="fig" rid="gf8">Figura 7</xref>
</title>
<p>Banco de dados mostrando o número de deslizamentos por plano de informação (segunda parte).</p>
</caption>
<alt-text>#fig7pt.jpg Figura 7</alt-text>
<graphic xlink:href="273674020003_gf8.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<attrib>Fonte: Autores.</attrib>
</fig>
</p>
<p>No parâmetro declividade, os deslizamentos localizaram-se, como esperado, nas áreas mais íngremes, principalmente nas classes fortemente onduladas (11,3º e 24,2º) e montanhosas (24,2º e 36,9º), respectivamente, com 1742 e 1160 ocorrências (Figura 7) indo ao encontro dos resultados encontrados em<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref20"> Gao (1993</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref33">Montgomery e Dietrich (1994)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref3">Alheiros e Augusto Filho (1997)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref13">D'Amato Avanzi et al. (2004)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref16">Fernandes et al. (2004),</xref>
<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref29">Listo e Vieira (2012)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref41">Santana e Listo (2018)</xref>. Essas áreas coincidem com as encostas do Piemonte da Borborema e dos Tabuleiros Costeiros, que no passado eram originalmente cobertas por Florestas Estacionais Semideciduais e Umbrófilas típicas da Mata Atlântica.</p>
<p>No entanto, tais coberturas foram praticamente devastadas pela colonização iniciada no século XVI, durante o ciclo da cana-de-açúcar. Assim, os remanescentes florestais restringem-se a pequenas áreas nos topos de morros e, raramente, nos fundos de vales. Essas localidades eram propícias para a monocultura da cana-de-açúcar, que não costuma apresentar manejo conservacionista (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref5">ANDRADE, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref18">FERREIRA; DANTAS e SHINZATO, 2014)</xref>. Assim, são ambientes altamente antropizados com declives que variam entre fortemente ondulados e íngremes (na borda das pranchas). Apresentam, portanto, maior probabilidade de deslizamentos desencadeados por chuvas torrenciais em eventos derivados de distúrbios de ondas nos ventos alísios, complexos convectivos e brisas marítimas e terrestres.</p>
<p>Em relação aos solos, destacam-se os latossolos amarelos (1300 ocorrências), os argilosos vermelhos (1167) e os argilosos amarelos (631), todos muito susceptíveis (Figura 7). O aumento da argila no horizonte B textural dos solos argilosos dificulta a infiltração da água, porém satura as camadas superiores que se desprendem e deslizam para baixo até o nível de base. Os Latossolos, por sua vez, possuem estruturas que favorecem a infiltração e, uma vez saturados, quebram (<xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref43">SIDLE; PEARCE e O'LOUGHLIN, 1985</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref15">DIAS e HERRMANN, 2002)</xref>.</p>
<p>Aproximadamente 95% dos deslizamentos estão localizados em áreas urbanas (2.995 ocorrências) (Figura 7), reforçando a maior incidência de processos condicionados por parâmetros antrópicos em Pernambuco. Consequentemente, causam danos a pessoas, casas e vias públicas (2972 danos) e mortes (22 catalogadas) (Figura 7).</p>
<p>Muitos autores (e.g. <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref2">ALHEIROS, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref39">PFALTZGRAFF, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="redalyc_273674020003_ref8">BERLIM; OLIVEIRA e CARVALHO, 2015</xref>) atribuem a gênese dos deslizamentos em Pernambuco a uma suscetibilidade natural associada à forma de ocupação deficitária, principalmente na Formação Barreiras presente na RMR. Berlim, Oliveira e Carvalho (2015) destacam ainda as intervenções antrópicas incompatíveis com a dinâmica das encostas, como cortes, drenagem difusa de efluentes sem drenagem sanitária, cultivo de bananeiras e outras espécies vegetais que acumulam água, deposição de resíduos sólidos e ausência de canais para escoamento de águas pluviais, ou seja, diversas condições que aumentam o risco de deslizamentos.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>CONCLUSÃO</title>
<p>No estado de Pernambuco, existe uma quantidade relevante de trabalhos técnicos e acadêmicos que tratam de escorregamentos, porém não foi observada até o momento nenhuma tentativa de reunir as ocorrências em um único banco de dados de forma interinstitucional. Nesse cenário, o presente trabalho utilizou uma metodologia de inventário de processos do tipo arquivo com coleta de dados primários e secundários para a composição do BDG. Dessa forma, foram catalogados 3.138 deslizes, o que supera em precisão, informação e quantidade em relação aos bancos anteriores.</p>
<p>Os resultados mostraram padrões de comportamento quanto à ocorrência de deslizamentos em Pernambuco. Estas concentravam-se em declives acentuados (acima de 11,3°) no Piemonte da Borborema, com base em litologias cristalinas, e nos Tabuleiros Costeiros, sob rochas sedimentares, principalmente da Formação Barreiras, composta por latossolos e solos argilosos, nas áreas urbanas do Região Metropolitana de Recife com graves prejuízos sociais e econômicos.</p>
<p>Os deslizamentos presentes no município de Exu (semi-árido) divergem do contexto ambiental de outras ocorrências no estado, pois, apesar de estarem localizados em áreas de declividade e sedimentação (fatores bastante influentes para a gênese do processo), possuem pouca incidência pluviométrica , pois estão localizadas a sotavento da Chapada do Araripe (escarpas meridionais) com baixa interferência antrópica. Mais estudos são necessários para definir os eventos desencadeadores dessas ocorrências, entretanto, algumas hipóteses podem ser levantadas, como deflagração por simples ação de energia potencial gravitacional ou mesmo eventos de precipitação extrema ou atividade neotectônica.</p>
<p>Bases espaciais georreferenciadas em nível estadual podem orientar a tomada de decisões estratégicas da gestão pública quanto à preservação e ocupação de novas áreas, bem como a aplicação de medidas mitigadoras. Também fornecem uma base relevante para outras metodologias de previsão (cartas de suscetibilidade, vulnerabilidade e risco), além de favorecer a padronização dos dados, tanto para a sociedade quanto para as instituições públicas. Ou seja, permitem uma análise qualitativa e quantitativa (estatística) das localidades mais afetadas e ajudam a responder quais são os principais condicionantes, favorecendo o planejamento urbano e rural. Espera-se, portanto, que os resultados desta pesquisa se configurem como um passo inicial para a padronização dos escorregamentos em Pernambuco.</p>
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<bold>REFERÊNCIAS</bold>
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<source>MOLION, L.C.B., BERNARDO, S.O. (2002). Uma Revisão da Dinâmica das Chuvas no Nordeste Brasileiro. Revista Brasileira de Meteorologia, 17, p. 1–10.</source>
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<article-title>MONTGOMERY, D.R., DIETRICH, W.E. (1994). Um modelo de base física para o controle topográfico em deslizamentos rasos. Pesquisa de Recursos Hídricos, 30, p. 1153-1171.</article-title>
<source>MONTGOMERY, D.R., DIETRICH, W.E. (1994). Um modelo de base física para o controle topográfico em deslizamentos rasos. Pesquisa de Recursos Hídricos, 30, p. 1153-1171.</source>
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<source>NATENZON, C.E., RÍOS, D. (2015). Riscos, catástrofes e vulnerabilidades. Contribuições da geografia e de outras ciências sociais para os casos argentinos. 1ª ed., Buenos Aires: Coleção Bitácora Argentina, 228 págs.</source>
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<source>OLIVEIRA, S.M.C. (2012). Incidência Espacial e Temporal da Instabilidade Geomorfológica na Baía do Rio Grande da Pipa (Arruda dos Vinhos). Tese (Doutorado em Geografia) – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Universidade de Lisboa, Lisboa, 496p.</source>
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<article-title>PARIR, M. (2001). Técnicas de mapeamento de escorregamentos e sua utilização na avaliação do risco de escorregamentos. Física e Química da Terra, Parte C: Ciência Solar, Terrestre e Planetária, 26, p. 697-703.</article-title>
<source>PARISE, M. (2001). Técnicas de mapeamento de escorregamentos e sua utilização na avaliação do risco de escorregamentos. Física e Química da Terra, Parte C: Ciência Solar, Terrestre e Planetária, 26, p. 697-703.</source>
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<source>PENNINGTON, C., FREEBOROUGH, K., DASHWOOD, C., DIJKSTRA, T., LAWRIE, K. (2015). O Banco de Dados Nacional de Deslizamentos de Terras da Grã-Bretanha: Aquisição, comunicação e o papel das mídias sociais. Geomorfologia 249, p. 44-51.</source>
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<source>PFALTZGRAFF, P.A.S. (2007). Mapa da Suscetibilidade a Deslizamentos na Região Metropolitana do Recife. Tese (Doutorado em Geociências) - Programa de Pós-Graduação em Geociências, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 153p.</source>
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<source>SIDLE, R.C., PEARCE, A.J., O'LOUGHLIN, C.L. (1985). Estabilidade de encostas e uso do solo. Washington, D. C.: União Geofísica Americana, v. 11, 140p.</source>
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<source>SISTEMA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL – SINPDEC (2019). Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). Brasília Disponível em: https://s2id.mi.gov.br/paginas/sobre.xhtml. Acesso em 31/10/2021.</source>
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<source>TORRES DO FSM (2014). Carta de Suscetibilidade a Movimentos de Massa e Erosão do Município de Ipojuca-PE. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 106p.</source>
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<source>XAVIER, JPS, BISPO, CO, SANTANA, JKR, PRONTO, FLR (2019). Metodologias para identificação do Índice de Escorregamento (IVS), aplicadas ao município do Recife. Ciência e Trópico, 43, p. 73-86.</source>
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