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LOCAIS DE ENVELHECIMENTO CRI-ATIVO
Mercator - Revista de Geografia da UFC, vol. 21, núm. 1, pp. 1-15, 2022
Universidade Federal do Ceará



Recepción: 07 Junio 2021

Aprobación: 18 Septiembre 2021

Publicación: 15 Marzo 2022

Abstract: Brazil, like other countries in the world, has been showing an increasingly long-lasting population growth. Over the last decade, much research has focused on understanding the complexity and impactsof aging. However, it is still not clear whether there is any relationship between the specific ways of life of the elderly and the sense of place they experience. We ask: what places and types of activities can contributeto a better quality of life for the elderly in their home, neighborhood, neighborhood and city? In order to analyze how the elderly live with the places they inhabit in contemporary urbanity, in order to provide new strategiesfor inclusive urban planning, the research used the method of photographic diaries to understand these dynamics. The study was applied in the Brazilian cities of Pelotas/RS, Belo Horizonte/MG and Brasília/DF, each onewith three sections of neighborhoods chosen by different income groups (high, medium and low). Even with their great urban, economic and cultural differences, these cities have in common the transformations in the age pyramid,making the study more heterogeneous and diverse. As a result, it was possible to approach the concept of “becoming-child”, bringing together contemporary French philosophy with the sense of "good place"found in the elderly in the research. These coexistences led us to propose the exercise of composition of a “becoming-child-elderly”, towards a will to power and affirmation of architectural and urban life fora “creative-active” elderly person.

Keywords: Aging, Photographicdiaries, Becoming-Child-Elderly, Territories, Elderlyfriendlycity, Senseofplace.

Resumo: O Brasil, assim como outros países do mundo, vem apresentando um crescimento populacional cada vez mais longevo. Na última década, muitas pesquisas se concentraram em compreendera complexidade e os impactos sobre o envelhecimento. Porém, ainda não está claro se existe alguma relação entre os modos específicos de vida dos idosos com o sentido de lugar que elesvivenciam. Questionamos: que lugares e tipos de atividades podem contribuir para uma melhor qualidade de vida do idoso na sua casa, vizinhança, bairro e cidade? Com o objetivo de analisar como o idoso convive com oslugares que habita na urbanidade contemporânea, a fim de proporcionar novas estratégias para um planejamento urbano inclusivo, a pesquisa utilizou o método dos diários fotográficos para compreenderessas dinâmicas. O estudo foi aplicado nas cidades brasileiras de Pelotas/RS, Belo Horizonte/MG e Brasília/DF, cada uma com três recortes de bairros escolhidos por distintas faixas de renda (alta, médiae baixa). Mesmo com suas grandes diferenças urbanas, econômicas e culturais, essas cidades têm em comum as transformações na pirâmide etária, tornando o estudo mais heterogêneoe diverso. Como resultado, foi possível fazer a aproximação com o conceito de “devir-criança”, agenciando a filosofia contemporânea francesa com o sentido do "bom lugar"encontrado nos idosos da pesquisa. Essas coexistências nos levaram a propor o exercício de composição de um “devir-criança-idoso”, na direção de uma vontade de potênciae afirmação da vida arquitetônica e urbana para um idoso "cri-ativo".

Palavras-chave: Envelhecimento, Diários Fotográficos, Devir-Criança-Idoso, Territórios, Cidade Amiga do Idoso, Sentido de Lugar.

Resumen: Brasil, al igual que otros países del mundo, ha venido mostrando un crecimiento demográfico cada vez más duradero. Durante la última década, muchas investigacionesse han centrado en comprender la complejidad y los impactos del envejecimiento. Sin embargo, todavía no está claro si existe alguna relación entre las formas específicas de vida de las personasmayores y el sentido de lugar que experimentan. Nos preguntamos: ¿qué lugares y tipos de actividades pueden contribuir a una mejor calidad de vida de las personas mayores en su hogar, barrio, barrio y ciudad? Conel fin de analizar cómo las personas mayores conviven con los lugares que habitan en la urbanidad contemporánea, con el fin de brindar nuevas estrategias de planificación urbana inclusiva, la investigaciónutilizó el método de los diarios fotográficos para comprender estas dinámicas. El estudio se aplicó en las ciudades brasileñas de Pelotas / RS, Belo Horizonte / MG y Brasília/ DF, cada una con tres secciones de barrios elegidos por diferentes grupos de ingresos (alto, medio y bajo). Incluso con sus grandes diferencias urbanísticas, económicas y culturales, estas ciudades tienen encomún las transformaciones en la pirámide de edades, lo que hace que el estudio sea más heterogéneo y diverso. Como resultado, fue posible abordar el concepto de “convertirse en niño”,uniendo la filosofía francesa contemporánea con el sentido de “buen lugar” que se encuentra en los ancianos en la investigación. Estas coexistencias nos llevaron a proponer el ejercicio dela composición de un “hacerse-niño-anciano”, hacia una voluntad de poder y afirmación de la vida arquitectónica y urbana para un anciano “creativo-activo”.

Palabras clave: Envejecimiento, Diarios Fotográficos, Devenir-Niño-Anciano, Territorios, Ciudad Amigable de Ancianos, Sentido de Lugar.

INTRODUÇÃO

Este artigo é fruto de um seguimento de parte da investigação "Desenhar lugares com idosos: rumo a comunidades amigas do envelhecimento" 1 , realizada de 2016 a 2019. Mais concretamente, do seguimento da fase de recolha de dados acervo, denominado diário fotográfico, nas cidades brasileiras de Pelotas (RS), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF).

Psicol

Na última década, muitas investigações têm se concentrado em estabelecer perspectivas que são: biológicas/comportamentais, discutindo questões relacionadas ao processo fisiológico do envelhecimento; econômicos, abordando os impactos econômicos relacionados à saúde e à seguridade social; e socioculturais, relacionadas às construções e representações sociais (SIQUEIRA; BOTELHO; COELHO, 2002). No entanto, há outra abordagem que se esforça para incluir aspectos biológicos, econômicos e culturais de dois estilos de vida diferentes: o transdisciplinar, que adotamos aqui. Compreender a velhice com tamanha complexidade requer um aprofundamento no cotidiano do idoso, bem como rever pressupostos e pressupostos estabelecidos.

Não está claro que exista uma relação entre estilos de vida específicos das pessoas e o senso de lugar, disposição para usar ou não espaços públicos, caminhar, perambular, conhecer pessoas de outras gerações e saúde física e mental (FLORIANO; DALGALARRONDO, 2007).

Portanto, este artigo busca responder: como, a partir da prática dos diários fotográficos, podemos compor um panorama sobre a vida do idoso? Que locais e atividades podem contribuir para uma melhor qualidade de vida do idoso em sua casa, bairro e cidade? Que adaptações e mutabilidades podem os idosos propor à arquitetura e urbanismo para uma população em envelhecimento?

Como resultado, a pesquisa permitiu observar e apontar afinidades e diferenças entre bairros, faixas etárias, renda e sexo, em três regiões brasileiras (Sul, Centro-Oeste e Sudeste): em Pelotas 3 – a cidade histórica (com 328.275 habitantes ) – ; Belo Horizonte 4 – a cidade planejada (com 2.375.151 habitantes) – e Brasília 5 – a cidade modernista (com 2.570.160 habitantes). Não foi um estudo comparativo das cidades, mas buscou entender como diferentes regiões e situações recebem o envelhecimento da população. A escolha dessas cidades foi motivada tanto pela diversidade dos processos de urbanização e densidade demográfica, quanto por parcerias de pesquisadores e universidades.

Em geral, os idosos que participaram como voluntários dos diários fotográficos vivem bem: estão próximos de suas famílias, participam de atividades comunitárias e sociais, circulam pela cidade sem grandes dificuldades – resistem –, são economicamente ativos e praticam atividades físicas e/ou atividades de lazer – caminham, viajam, se divertem, namoram, dançam e assim por diante.

Por fim, fazemos uma aproximação com o conceito de devir-criança, abordando a filosofia contemporânea francesa concomimente com o sentido de um bom lugar encontrado no idoso na pesquisa. Tais convivências nos levaram a propor, um exercício de composição de um devir-criança-velho (CORAZZA; SILVA, 2003), rumo a um entre, uma fenda, uma vontade de poder e afirmação da vida arquitetônica e urbana, para tentar obter pistas eram cidades amigas da idade.

TORNAR-SE IDOSO E SENSO DE LUGAR

Silvana Tótora (2015), no livro "Velhice: uma estética da existência", propõe, destacando uma vida com alegria, um devir-idoso como possibilidade de reação à queda de produtividade que advém do envelhecimento, de resistência a uma identidade incômoda que se duc a pensão previdentária, philantropia e abandono. É preciso romper com as representações do tempo como mal-humorado, rabugento e cronologicamente à espera da morte.

Não passados, os idosos eram vistos como sábios. No período grego clássico, ser velho significava ter sabedoria. Assim como o capitalismo, as pessoas foram identificadas como pessoas que perturbam e devem ser encaminhadas para asilos – como pessoas capazes, loucas (PAULA, 2016). Hoje em dia, o idoso é visto como um idoso que precisa ser ocupado, ser transformado em consumidor, que deve ter atividades de lazer, esportes, saúde, etc. Os idosos devem dançar, se exercitar, fazer cirurgías plásticas e pais más jovens. Eles nunca devem parecer com sua idade real.

Velho não deve andar pela cidade mancando. Dimenste in e Scocuglia (2015) afirma que os dois devem permanecer nácidos, como forma de alteração e resistência. Ao caminhar, circular, perambular e viver na cidade, ofereço novas possibilidades e atividades cotidianas para os espaços arquitetônicos e urbanos, para suas casas e para os espaços livres de seus bairros, ou novos sentidos para os lugares.

O velho corpo é tido como indizível na cidade. Ele é visto, domesticado, dócil, mas não verbalizado (TÓTORA, 2015). Parafraseando Espinosa, perpregunttamos: o que pode um corpo? (DELEUZE, 1992), o que um corpo-velho pode fazer na cidade? A velha que caminha, senta-se em praças, dança em bailes, organiza passeios, vai ao teatro e ao cinema, tem música, pula, conta, conversa com os visitantes, cuida de seus jardins, cuida de seus lugares e bairros, cuida de suas famílias, cultua festas e reuniões, participa de eventos, reivindica seus lugares, participa da vida social e cívica, etc. O corpo-velho na cidade vai além, está dentro e for a como devir, metamorfoseia-se como um palimpsest, inscreve-se na cidade.

A partir da filosofia e psicologia de Gilles Deleuze e Felix Guattari (1997), aproximamos o velho-corpo de um devir-criança, um devir-criança-velho e um devir-idoso (CORAZZA; SILVA, 2003). Numa vida pulsante, como uma força criadora que revela a cidade indizível.

Que

O devir-criança, conceito cunhado por Gilles Deleuze e Félix Guattari (1997), refere-se a uma criança que dura como adulto, como virtualidade e diferenciação, abrindo caminho para a criação e invenção de mundos e, não estudo aqui por um sentido de lugar, tanto em casa quanto em casa. Os devires são sempre minorias. A contradição da hegemonia dos jovens, a heterogeneidade das crenças das mulheres permite, ao final, levantar novos poderes, políticas, possibilidades, pistas, para a vida dos coletivos da cidade

Quando o mundo está mudo e deslocado, criando movimentos, possibilidades e significados para lugares de vida, surgem novos mapas – uma cartografia – e mapas fixos de reexistência. Assim, conseguimos convocar desejos em meio à macro e micropolítica; cidade legal e vivida; crianças e idosos; público e privado; consumo e contracultura; repetição e jogo (ROLNIK, 2000). Perguntamos, então, qual o sentido, para além do senso comum, desses lugares de envelhecer?

Yi-Fu Tuan (1979) desenvolveu, a partir de uma perspectiva humanista, algumas pesquisas para compreender como os seres humanos ocupam lugares e se organizam para atribuir significados. Norberg-Schulz (1980) define esses significados como parte do genius loci ou espírito do lugar, numa interação entre lugar e identidade que é regida por múltiplas forças, pensamento abstrato do objetivo, do físico e imaterial (memória). lugar.

Mais recentemente, Lineu Castello (2007) associação sentido de lugar à presença das pessoas, dos "outros", na cidade. O significado dos lugares sempre verá interações sociais e a concretização dos lugares urbanos depende das aproximações entre "eu" e "o outro". Tudo isso, em um momento de "naturalidade" do cotidiano (CASTELLO, 2007).

Fernando Fuão (2004) apresenta uma ideia de lugar que só existe a partir da experiência do eu, que é também para a da oposições plena vs. vazio; Interior x Fora; Interiorvs. Interiores Fora. Assim, o sentido de lugar é o lugar que participa da pesquisa e os lugares dos dois, que podem ser qualquer lugar.

Essa articulação entre o construído e as interações sociais dos lugares e o envelhecimento torna-se então uma estratégia de pesquisa, distanciando os idosos da solidão e do isolamento, por meio de poderosos sentidos de lugar, pensados ​​em conjunto com seus vínculos sociais, psicológicos e emocionais.

DIÁRIOS FOTOGRÁFICOS COMO MÉTODO

Os diários fotográficos, também conhecidos como fotografia autodirigida ou autofotografia, são um método de pesquisa em que as imagens fotográficas são feitas pelos participantes em vez dos pesquisadores. Outro aspecto importante desse método é a construção de uma narrativa (entrevista) sobre as fotografias, para discutir as motivações e razões por trás de suas escolhas.

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Em segundo lugar, os investigadores Lucas Neiva-Silva e Sílvia Helena Koller, Robert Ziller apresenta trabalhos sobre autofotografia e usados para desvendar lugares e a si mesmo. "Propõe-se que os participantes, que perceberam o mundo de uma determinada forma, passam a ser percebidos por meio de sua fotografia" (NEIVA-SILVA; KOLLER, 2002, v.7, p. 241). Amerikaner (1980) define o conteúdo (como fotografias próprias) como um lugar, um aspecto, um sentimento, uma atitude que transaparece em imagens, mas que talvez o oculto também seja importante para as análises, pois pode indicar grande dificuldade em verbalizar determinada categoria. Então, o processo aqui é focado na indicação de como as pessoas interagem com o mundo ao seu redor. Para isso, segundo o autor, é fundamental variar nossa atenção entre o concreto e o abstrato

Em nossa pesquisa, o procedimento metodológico consistiu em fornecer aos idosos uma máquina fotográfica para que fizessem uma série de fotografias (recomendamos 12 imagens), em um período de duas semanas, sobre suas perspectivas de “como é morar no seu bairro ? " Este procedimento permitiu aprofundar detalhes de suas vidas cotidianas em casa e em seus bairros.

Foram aplicados diários fotográficos em três regiões das cidades de Pelotas, Belo Horizonte e Brasília, entre junho e julho de 2017. As três regiões de cada cidade foram definidas pelo cruzamento de dados de distribuição de renda, concentração de moradores acima de 60 anos e proximidade com o verde áreas . Os mapas e o processo que indica a sobreposição desses critérios para selecionar os bairros podem ser visualizados detalhadamente no site desta pesquisa 7 . Para este artigo, optamos por enfatizar o aspecto da distribuição de renda.

Após análises e mapas, foram definidas as seguintes regiões: (i) Pelotas: Navegantes (baixa renda), Fragata (média renda) e Centro (alta renda); (ii) Belo Horizonte: Aglomerado da Serra (baixa renda), Centro (média renda) e Anchieta (alta renda); e (iii) Brasília: Vila Weslian Roriz (baixa renda), Asa Sul (média renda ) e Asa Norte (alta renda). Na Figura 1, podemos observar os bairros marcados nos mapas de cada cidade, sendo que o roxo representa a baixa renda; amarelo, renda média; e vermelho, alto rendimento.


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Figura 1

Mapa com a delimitação das áreas estudadas em Pelotas, Belo Horizonte e Brasília.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2017.

Para especialistas em velhecimento, como Ana Caramano (2002), aqueles com idade entre 60 e 69 anos poderiam ser considerados os mais jovens, enquanto aqueles com idade entre 70 e 79 anos poderiam ser considerados os melhores (IRIGARAY; SCHNEIDER, 2008). Além das faixas etárias, essa classificação também pode considerar os aspectos biológicos, psicológicos e sociais dos indivíduos.

Foram 12 diários por cidade, quatro para cada região, perfazendo um total de 36 diários fotográficos, elaborados por idosos de 60 a 81 anos (apenas um diário era de uma mulher com mais de 80 anos), dos quais 12 eram homens e 24 eram mulheres e principalmente os mais jovens. Aspectos mais específicos de gênero e raça não foram abordados, porém, nota-se que os participantes foram em sua maioria mulheres, não só em número, mas também no engajamento ao processo de pesquisa, pois foram mais ativas e participativas que os homens. Mesmo com boa diversidade racial, a maioria se autodeclarou branca. Os participantes foram identificados e recrutados considerando os bairros a serem estudados. A escolha dos voluntários foi realizada a partir de indicações de grupos de idosos ou associações de moradores. É importante destacar que em cada cidade, havia um grupo de pesquisa nas universidades federais locais (UnB, UFMG e UFPel), que aplicava o método conforme orientações previamente estabelecidas. Esses grupos de pesquisa estiveram em constante diálogo, com reuniões online e algumas presenciais para promover o compartilhamento de informações e discutir e aprimorar métodos, se necessário.

Para facilitar a coleta de dados visuais, cada participante recebeu um treinamento para aprender a usar uma pequena câmera fotográfica portátil, de forma confortável e prática. Os equipamentos funcionaram perfeitamente bem e foram disponibilizados com antecedência. Os participantes também podem optar por usar seus próprios equipamentos (como câmeras digitais ou smartphones) para o exercício. Acreditamos que como a maioria dos participantes eram mais jovens, mais familiarizados com tecnologias como celulares, de certa forma, eles os administraram bem e não relataram conflitos de uso de equipamentos.

As imagens coletadas pelos participantes não eram autônomas, ou seja, precisavam ser analisadas dentro de seus contextos, caso contrário seriam descontextualizadas. Tinham de ser interpretados, ligados às razões pelas quais os tornavam visíveis. Assim, houve a necessidade de descrever o que as imagens mostravam, as motivações por trás das capturas e sua importância para os objetivos do estudo. Para tanto, foi agendada uma entrevista com a pesquisadora e participante após as fotografias, para reflexão sobre as imagens coletadas. As entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas. Assim, a fotografia-entrevista criou uma sessão de reflexão analítica.

Ao final desse processo, os pesquisadores organizaram os dados, o que exigiu a montagem de imagens e narrativas em uma história coerente, sintetizando pontos-chave e compondo a história daquele morador.

O método da autofotografia foi descrito por Robert Ziller (1985) na década de 1970, para ser utilizado em estudos de psicologia. Consiste na captação de um conjunto de fotografias do autor, com base em um projeto de pesquisa proposto pelas pesquisadoras, e foi utilizado, no primeiro momento, para superar dificuldades de comunicação verbal.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: AS TRÊS REGIÕES

Diante do grande número de imagens e narrativas dos participantes, uma tabela (Figura 2) foi elaborada para facilitar a análise dos materiais coletados. Na primeira coluna, estão as imagens que demonstram o envelhecimento ativo, relacionadas a residências, entornos, bairros e cidades; na segunda, as legendas (narrativa dos autores das fotos, citações-chave); em seguida, vêm os oito domínios do Age-Friendly Cities (AFC) Framework da OMS 8 que se relacionam com a fotografia; na quarta coluna está a categoria geral, ou seja, aquela que sintetiza a situação registrada; seguido de subcategorias, que são outros tópicos importantes mencionados pelo entrevistado; e, por fim, considerações/significados que os pesquisadores obtiveram das informações da tabela.

Idosos criativos são entendidos como aqueles que encontram soluções, adaptações e mutações para viver a cidade, às vezes em detrimento de um envelhecimento ativo, proporcionado por um devir-idoso em constituição conjunta com a arquitetura e a cidade, numa tradução de singularidade realidades. Aqui, agrupamos as análises segundo renda alta, média e baixa, nas cidades de Pelotas, Belo Horizonte e Brasília.


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Figura 2

Exemplo de tabela de análise.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

REGIÕES DE ALTA RENDA

Os bairros considerados de alta renda foram: Dowtown, em Pelotas; Anchieta, em Belo Horizonte; e Asa Norte, em Brasília. Fotografias e narrativas dos idosos desses bairros mostraram uma participação ativa nos espaços públicos adjacentes. A maioria dos entrevistados saiu de casa para fotografar a vida urbana. Eles capturaram praças, parques, instituições públicas, prédios do patrimônio histórico e todos aqueles que aparecem nas narrativas como lugares com os quais estão em contato frequente, não esporádico. A qualidade, a acessibilidade e a manutenção do desenho urbanístico desses espaços, aliada à proximidade das suas habitações, favorece o interesse e a permanência dos idosos num contacto mais efetivo com estes locais.

Em Pelotas, os moradores do Centro Histórico descreveram as potencialidades da praça Coronel Pedro Osorio: vegetação, mesas de xadrez, mobiliário urbano, playground e inúmeras atividades culturais e artísticas que acontecem na praça (Figura 3). Eles também fotografaram edifícios históricos institucionais e igrejas, e a narrativa que acompanhou as imagens trouxe memórias das transformações físicas e de uso que essas construções sofreram ao longo do tempo. São significados que reforçam o sentimento de pertencimento e apropriação urbana.


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Figura 3

Arquivo do diário fotográfico no Centro de Pelotas.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

Em Belo Horizonte, o bairro Anchieta foi retratado principalmente pela prática de esportes e lazer que as praças e parques oferecem. A academia ao ar livre na praça, estruturada a partir de equipamentos públicos, atrai os moradores, assim como os playgrounds que permitem a recreação junto com os netos e outras crianças com quem os idosos têm algum relacionamento. A qualidade do calçamento e as belas árvores da Avenida dos Bandeirantes foram citadas como algo que facilita a prática do jogging (Figura 4). Os idosos dessa região também falaram sobre a sensação de segurança ao circular pelo bairro e aproveitar os espaços públicos. Neste caso, referiram-se tanto à segurança das condições físicas –, relacionadas com a qualidade e acessibilidade das vias, numa topografia menos sinistrada –, como à segurança pessoal e moral –,


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Figura 4

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Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

Em Brasília, a situação não foi muito diferente. Os idosos do bairro nobre Asa Norte expressaram as potencialidades de viver em um contexto urbano bem estruturado, equipado, verde e que estimule a vida lá fora. A vegetação e a paisagem natural foram os temas mais recorrentes: a beleza das flores, o cantar dos pássaros, a maravilha de contemplar o pôr-do-sol marcaram os diários destes anciãos (Figura 5). A Asa Norte também foi descrita como palco de atividades políticas e sociais. Alguns idosos flagraram, da janela de suas casas, manifestações de professores e moradores locais reivindicando democracia; noutro caso, organizou-se um encontro entre vizinhos, para promover eventos e celebrações intergeracionais; e ainda a construção e manutenção de uma horta urbana, gerida pelos residentes.


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Figura 5

Arquivo do diário fotográfico na Asa Norte, Brasília.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

REGIÕES DE RENDA MÉDIA

Os bairros considerados de renda média foram Fragata, em Pelotas; Centro, em Belo Horizonte; e Asa Sul, em Brasília. Embora esses bairros estejam situados em contextos diferentes em cada cidade – alguns distantes dos centros comerciais, outros inseridos nesses centros –, os diários fotográficos dessas regiões têm em comum as relações mais afetuosas e próximas com os vizinhos, assim como o senso de comunidade , em porções urbanas mais restritas, como quadras ou conjuntos de apartamentos, com forte participação social e comunitária. Os idosos dessas regiões retrataram o cotidiano com caminhadas mais curtas, próximas de suas residências, como: ir à padaria do bairro ou feira livre; conversando na banca de jornal; visitando vizinhos; passear pela área verde dos prédios; entre outras atividades do bairro.

A Fragata é um bairro de Pelotas conhecido pelos moradores como bairro-cidade, por sua grande extensão territorial e populacional, além da diversidade e dinâmica de comércios e serviços que oferece. casas, numa escala menor e mais afetiva. Ao contrário das regiões de alta renda, neste caso, os moradores não mencionaram a constância de espaços públicos como parques e praças, mas usufruíram das áreas verdes e dos equipamentos oferecidos por suas edificações ou pelos pátios internos de suas residências.

As reclamações eram constantes sobre a falta de manutenção e cuidado com calçadas e ruas, dificultando a mobilidade e de alguma forma justificando a preferência por caminhadas curtas. A convivência, os encontros e as comemorações com os vizinhos foram temas recorrentes (Figura 6), valorizando o apreço pelo bairro e a permanência nele.


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Figura 6

Arquivo do diário fotográfico na Fragata, Pelotas.

Pesquisa "PlaceAge", 2018.

Em Belo Horizonte, o Centro é servido com boa infraestrutura urbana e acessibilidade aos serviços, por isso percebemos os idosos como participantes de atividades nos bairros, como eventos religiosos, passeios com animais de estimação, encontro de amigos em bares, cafés e bancas de jornal (Figura 7).

Como o Centro é favorecido pela concentração de comércio e serviços, eles têm suas atividades perto de casa e não precisam fazer longas caminhadas. No entanto, alguns eventos culturais de maior dimensão, com patrocínios publicitários, não foram frequentados pelos idosos, que referiram não se sentir pertencentes a essas atividades, preferindo assim reuniões mais pequenas, em que os contactos se restringem aos amigos do bairro.


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Figura 7

Arquivo do diário fotográfico no Centro de Belo Horizonte.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

No bairro de média renda Asa Sul, em Brasília, embora o desenho urbano tenha sido concebido e projetado de forma semelhante à alta Asa Norte, existem algumas peculiaridades quanto à apropriação e vivências dos moradores das chamadas superquadras. O famoso "Plano Piloto" do arquitecto Lúcio Costa equacionou o desenho urbanístico de Norte e Sul, num equilíbrio simétrico na sua concepção física, mas ao longo dos anos, os usos e ocupações trouxeram à tona as suas diferenças.

E tais diferenças são facilmente observadas em narrativas e fotografias dos idosos. Assim como os bairros de média renda de Belo Horizonte e Pelotas, a Asa Sul tem mostrado contato com a vizinhança, com caminhadas curtas e principalmente com maior cuidado e atenção com as áreas verdes e espaços de lazer próximos às suas residências. Fotografias da entrada do quarteirão, da banca do senhor Lourival (Figura 8), das mudanças no paisagismo e nas fachadas de acesso aos prédios foram algumas amostras do sentimento de pertencimento ao quarteirão em que vivem. Apesar de o bairro possuir atrativos como parques e shopping centers, a maioria dos idosos manteve sua atenção voltada para o entorno externo.


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Figura 8

Arquivo do diário fotográfico na Asa Sul, Brasília.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

REGIÕES DE BAIXA RENDA

As regiões de baixa renda analisadas foram: Navegantes, em Pelotas; Aglomeração da Serra, em Belo Horizonte; e Vila Weslian Roriz, em Brasília. Os registros fotográficos dos anciãos daquelas regiões retrataram expressivamente o local da casa, o lar, as atividades e detalhes dentro das residências, indo até jardins e calçadas. Ora, as vivências dos idosos restringem-se à casa e poucas foram as narrativas ou fotografias que se relacionam com o exterior e, mesmo quando isso acontecia, era sempre de longe, numa vista da janela. É um discurso que se enraíza em um lugar íntimo, aconchegante e seguro, proporcionado pela casa. Além disso, as famílias foram destaque, com muitas fotografias mostrando reuniões familiares, pessoas, atividades, que levaram espaços físicos, lugares e ambientes a um segundo plano. Essa relação interna foi parcialmente justificada pela falta de infraestrutura e manutenção dos espaços públicos. Em suas narrativas, os idosos relataram o descaso com os serviços públicos de seus bairros. Eles reclamaram principalmente da ineficiência da rede pública de saúde, calçadas, acessibilidade e falta de áreas de lazer adequadas.

Essa característica de serem mais apegados ao lar não está diretamente ligada ao sedentarismo. A maioria dos idosos dessas regiões demonstrou capacidade para inúmeras tarefas, mesmo dentro de casa, participando dos afazeres domésticos, manutenção da casa, artesanato e jardinagem, além de convidar vizinhos e familiares para atividades como ginástica e jogos de cartas e tabuleiro. Alguns descreveram o comprometimento com o trabalho remunerado, com casos de renda complementar e essencial. Como exemplos desses trabalhos, podemos citar a costura caseira e a alimentação. A situação econômica desses idosos os obrigou a readaptar suas vidas, e o trabalho informal é uma das formas de fazê-lo.

O bairro Navegantes, em Pelotas, apresenta grandes dificuldades quanto à infraestrutura urbana, como ruas sem pavimentação, esgotamento sanitário não encanado, iluminação pública insuficiente, falta de manutenção e projetos de praças, vazios urbanos que recebem lixo e entulho, além da questão dos serviços sociais, principalmente na saúde. Esse cenário apareceu nas narrativas dos idosos, mas em poucas fotografias, pois davam mais importância aos aspectos positivos, encontrados dentro de suas casas. Os idosos daqui, apesar de todas as condições do bairro, demonstraram que sua rotina acontecia dentro de casa, durante a maior parte do dia. As fotografias mostram, entre outras, atividades domésticas como preparo do mate ou chimarrão (bebida típica gaúcha) e almoço, jardinagem, recepção de visitantes (Figura 9).


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Figura 9

Arquivo do diário fotográfico em Navegantes, Pelotas.

Mapas

Em Belo Horizonte, o complexo de favelas e bairros denominado Aglomerado da Serra abrange uma extensa área de ocupação, ladeando a Serra do Curral. Este bairro, de ocupação mais espontânea, localiza-se entre áreas de preservação ambiental e bairros de classe alta, próximo ao planejamento sistematizado do centro da cidade. Ou seja, trata-se de um complexo de favelas que não está localizado na periferia, fato bastante destacado pelos participantes, que destacaram a praticidade de morar próximo ao centro da cidade. Apesar disso, eles também relataram vários problemas urbanos que devem enfrentar, especialmente a iluminação pública e o acúmulo de lixo. Entre os registros fotográficos desse bairro, notamos eventos familiares em casa e partes da casa que revelam suas histórias de vida e memórias (Figura 10).


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Figura 10

rquivo do diário fotográfico no Aglomerado da Serra, Belo Horizonte.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

Diferentemente da centralidade urbana do Aglomerado da Serra, a Vila Weslian Roriz, em Brasília, está em uma das periferias das Alas do Plano Piloto. Foi concebido para albergar os trabalhadores da residência presidencial oficial “Torto”, mas ao longo dos anos foi ocorrendo um crescimento desordenado. Alguns idosos relataram dificuldades para se locomover no bairro, devido à falta de manutenção das calçadas, o que diminui a caminhabilidade. Assim, a maioria das captações destes participantes centrou-se nas atividades domésticas, no desejo de ficar em casa e no bem-estar proporcionado pela casa (Figura 11). Suas narrativas destacam a presença da família, principalmente dos netos, que são companheiros para jogar cartas, conversar e fazer os afazeres domésticos.


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Figura 11

Arquivo do diário fotográfico na Vila Weslian Roriz, Brasília.

Fonte: Pesquisa "PlaceAge", 2018.

CONCLUSÃO

Após sintetizar os resultados obtidos através dos diários fotográficos, é importante pontuar algumas considerações deste estudo. Primeiramente, observamos que a estrutura urbana dos bairros muda de uma cidade para outra, não apenas em escala, densidade, topografia e clima, mas também de acordo com diferenças históricas, culturais, políticas e sociais. Brasília, terra do urbanismo moderno, dispõe, em suas superquadras, de uma relação urbana muito diferente daquela proporcionada pelo urbanismo tradicional e histórico das cidades de Pelotas e Belo Horizonte. Desenho urbano, dimensões das ruas, calçadas, lotes, relações com os vizinhos, tipologia, uso e ocupação do solo, são alguns fatores que influenciam diretamente na apreensão e ativação do local pelos idosos.

Um segundo fator a ser considerado é a classificação de renda dos municípios do estudo, que não é equivalente, pois foi aplicada tanto para um município regular, Pelotas; a capital do estado, Belo Horizonte, e a capital nacional, Brasília. As proporções populacionais, territoriais e econômicas são bastante distintas. Enquanto o bairro de renda média de Pelotas apresenta problemas básicos como a qualidade das calçadas, os bairros de renda alta de Brasília têm infraestrutura muito superior e acessível. Assim, destacamos, neste artigo, as características qualitativas apontadas pelos idosos sobre suas vivências nessas cidades. Suas relações com os espaços urbanos e suas principais atividades cotidianas forneceram pistas sobre o envelhecimento contemporâneo em diversas situações.

Apesar da grande diversidade e complexidade que esses locais abrigam, foi possível agrupar características comuns observadas nos diários dos idosos, considerando o fator econômico de cada município, bem como especificidades correlatas e padrões socioeconômicos. Dessa forma, percebemos que, nos bairros de alta renda, os idosos têm acesso a espaços públicos qualificados que lhes proporcionam maior vivência comunitária. São bairros com boas infra-estruturas urbanas, que despertam o seu interesse, convidando os mais velhos a sair de casa, ou a apreciar a paisagem das suas janelas, caso não tenham disposição física suficiente. pontos e participação, respeito e inclusão social foram os mais recorrentes para essas regiões.

Já a territorialidade dos idosos nos bairros de média renda está mais ligada ao entorno da casa. Microambientes de socialização são criados dentro dos blocos. A mobilidade é mais restrita, em comparação com os idosos de alta renda. Os espaços externos mais frequentados são áreas verdes de prédios, casas de vizinhos, comércios próximos de casa, não havendo muito deslocamento para espaços públicos maiores. A necessidade de transporte público, ou mesmo os custos do transporte particular, juntamente com a dependência de apoio para deslocamento, também são questões que podem fortalecer a permanência no bairro. Nessas regiões, as categorias mais presentes foram espaços livres e inclusão social e segurança e reconhecimento social.

Por fim, em bairros populares, em um cenário de infraestrutura urbana precária, em diferentes níveis de cada cidade, os idosos têm captado momentos de grande alegria e reconhecimento em suas casas. Tal fato é justificado por condições externas, mas interessante pelo destaque de situações internas positivas. As denúncias sobre a precariedade urbana foram sobrepostas por readequações a novos modos de viver ativos e potentes. As categorias recorrentes nessas regiões foram moradia e serviços de saúde, apoio familiar e pertencimento.

Ao retomarmos a pergunta inicial (como o método dos diários fotográficos pode contribuir para a compreensão da vida e das readequações cotidianas do idoso na cidade contemporânea?), consideramos que a participação efetiva do idoso, por meio do registro de suas experiências em a cidade, os bairros e as casas, em imagens e palavras, trouxe aos pesquisadores revelações sobre o envelhecimento cre-ativo. A maioria dos participantes, mais jovens, criou adaptações para situações cotidianas que variam de acordo com o sentido de lugar que consideram. Mesmo tratando-se de bairros de baixa renda, onde enfrentam grandes dificuldades de uso/apropriação, como acessibilidade, acesso à saúde e lazer, os idosos nos encaminharam para uma horta em frente à casa, para a união e partilha com os vizinhos, provocando outro sentido de lugar, enfatizando conceitos de pertencimento, autoestima e memória. Um devir-criança-idoso que existe e persiste na captação de cada fotografia, na narrativa de cada atividade realizada ao longo de seus dias, na capacidade de caminhar e usar a tecnologia para comunicar realidades e virtualidades que cercá-los. Ressaltamos que o devir, ou o por vir, diz respeito ao processo de subjetivação dos sujeitos, ou seja, diferentes modos de vida e configurações que vão além do sentido de lugar e espaço público. De certa forma, existe uma intensa ligação com um caráter político, nas escolhas e atitudes dos idosos perante a apropriação dos espaços públicos, que são lugares essencialmente políticos. Então, o devir-criança-idoso remete a inúmeras escalas de análise, desde o íntimo,

Temos observado claramente que a qualidade de vida do idoso pode ser melhorada se sua vivência urbana for potencializada com boas condições de acesso a saúde, serviços, transporte, cultura, lazer, esportes, contato com áreas verdes, segurança, entre outros. No entanto, mesmo desatentos em um ou alguns desses fatores, consideramos que eles têm uma vontade de viver que permite esse desejo de readaptação dos lugares, seja pelo engajamento político por seus direitos, seja por meio de pequenas mudanças dentro de suas casas.

Por fim, cabe relatar que o método dos diários, mesmo apresentando bons resultados, ainda precisa ser aprimorado. Os idosos voluntários são em sua maioria os mais jovens, com maior disposição para a pesquisa e mais ativos no dia a dia. Dessa forma, a pesquisa não poderia contar com a perspectiva dos idosos mais velhos, que, por motivos de saúde, talvez participassem menos e levantassem outras questões. Além disso, o número de fotografias era excessivo, o que dificultava o manejo por parte dos pesquisadores. Nesse sentido, seria necessária uma intervenção do idoso para elencar as imagens mais importantes.

NOTAS

1- Pesquisa realizada através da colaboração de universidades no Brasil (Federal University of Pelotas), Reino Unido (Heriot-Watt University) e Índia (Sri Venkateswara University), financiada pelo Newton Fund e ESRC (Economic and Social Research Council) , com o objetivo de projetar melhores ambientes urbanos, que apoiem e promovam a participação social diária e uma vida urbana mais saudável para os idosos. Mais disponível em:. No final de 2019, o livro. "Envelhecimento no local. Narratives and Memories in UK and Brazil” foi publicado, apresentando mais fotografias e histórias desta pesquisa, incluindo também os casos estudados no Reino Unido. Disponível em:

2- Mais em:

3- A cidade de Pelotas está localizada próxima ao extremo sul do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul. Com população estimada em 343.651 habitantes e densidade populacional de 203,89 pessoas por quilômetro quadrado, Pelotas possui 49.784 idosos residentes, o que corresponde a 15,17% de sua população. A cidade está localizada em uma área plana de baixa altitude, às margens da lagoa dos Patos. Mais disponível em: .

4- Belo Horizonte é a capital do estado de Minas Gerais, sua população é de 2,51 milhões de habitantes, a 6ª maior população do país (IBGE, 2010). A cidade possui uma área de aproximadamente 331 quilômetros quadrados e geografia diversificada, composta por morros e planícies. Belo Horizonte possui uma densidade de 7.167 habitantes por quilômetro quadrado e uma população idosa de 299.017 pessoas, perfazendo 7,07% da população, com expectativa de vida de 70,52 anos (IBGE, 2010). Mais disponível em:.

5- Brasília é a capital nacional do Brasil. Localizada no Planalto Central, no Centro-Oeste do país, é uma cidade planejada, construída entre 1956 e 1960, durante o governo de Juscelino Kubitschek.Brasília tem uma população de quase 3 milhões de habitantes e uma densidade populacional de 444,66 por quilômetro quadrado. A população idosa é de cerca de 198 mil pessoas e representa 7,7% da cidade. Mais disponível em: .

6- Dados coletados do Censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2010. Mais disponíveis em: .

7- Mapeamento das regiões na pesquisa disponível em: <www.arcgis.com/apps/MapTour/index.html?appid=6f00e0afabc646ff92f15490c26d3209>.

8- A OMS (Organização Mundial da Saúde) publicou, em 2008, o “Global Age-Friendly Cities: A Guide”, com o objetivo de fornecer aos governos urbanos informações e orientações para promover cidades amigas do idoso, ou seja, permitir a inclusão e acessibilidade para essa população, estimulando um envelhecimento ativo, saudável, participativo e seguro. A partir de pesquisa participativa em 33 cidades ao redor do mundo, foi criado um framework, com oito domínios das Cidades Amigas do Idoso: habitação; participação social; respeito e inclusão social; participação cívica e emprego; comunicação e informação; comunidade e saúde; transporte; e espaços exteriores e edifícios.

AGRADECIMENTOS

Aos bolsistas e colaboradores que participaram da etapa "Diários Fotográficos" da pesquisa "Projetando lugares com idosos: rumo a comunidades amigas do idoso nas cidades de Pelotas, Belo Horizonte e Brasília".

Ao Newton Fund ao ESRC (Economic and Social Research Council), pelo financiamento da pesquisa.

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