Abstract: Os maiores centros urbanos da região do Médio Rio Solimões no Estado do Amazonas, as cidades de Tefé e Coari, possuem centenas de estruturas fluviais tradicionais amazônicas exercendo diferentes funções espaciais, são elas as flutuantes. O objetivo deste artigo é compreender o papel das flutuações nessas cidades para o desenvolvimento regional e a integração territorial. Inicialmente, propõe-se uma classificação a partir da identificação das funções residenciais, comerciais, institucionais e de serviços desempenhadas pelas flutuações em ambos os lagos. Em seguida, é elaborada uma caracterização e classificação dos arranjos territoriais flutuantes dessas cidades. Esta leitura fornece subsídios para a compreensão das relações sociais e econômicas em espaços fluviais periféricos na Amazônia úteis ou não para integrar o território e desenvolver essa complexa região de formação socioespacial brasileira.
Keywords: Flutuante, Arranjos Territoriais Flutuantes, Tefe, Coari, Amazona.
Resumo: Os maiores centros urbanos da região mediterrânea estão isolados na Amazônia, como as cidades de Tefé e Coari, após centenas de estruturas fluviais tradicionais amazônicas exercerem funções espaciais diversas, são os flutuantes. O objetivo desse artigo é compreender o papel dos flutuantes dessas cidades para o desenvolvimento regional e integração territorial. A princípio, propõe-se uma classificação a partir da identificação das funções domiciliares, comerciais, institucionais e de serviços efetuadas pelos flutuantes em ambos os lagos. Em seguida, elabora-se uma caracterção e classificação dos arranjos territoriais flutuantes dessas cidades. Essa lei previdenciária é útil para a compreensão das relações sociais e econômicas nos espaços periféricos fluviais na Amazônia e não para integrar o território e desenvolver essa complexa região de formação socioespacial brasileira.
Palavras-chave: Flutuantes, Arranjos Territoriais Flutuantes, Tefe, Coari, Amazônia.
Resumen: Os maiores centros urbanos da região do Solimões do Amazonas, as cidades de Tefé e Coari, possuem centenas de estruturas fluviais tradicionais amazônicas que exercem diferentes funções espaciais, são elas as flutuantes. O objetivo deste artigo é compreender o papel dessas estruturas flutuantes nessas cidades para o desenvolvimento regional e a integração territorial. Primeiramente, propõe-se uma classificação baseada na identificação das funções residenciais, comerciais, institucionais e de serviços desempenhadas pelos flutuadores em ambos os lagos. Posteriormente, é elaborada uma caracterização e classificação dos arranjos territoriais flutuantes dessas cidades. Esta leitura fornece subsídios para a compreensão das relações sociais e econômicas nos espaços ribeirinhos periféricos da Amazônia, úteis ou não, para integrar o território e desenvolver essa complexa região de formação socioespacial brasileira.
Palabras clave: Flutuante, Arranjos Territoriais Flutuantes, Tefe, Coari, Amazona..
INTRODUÇÃO
Devido ao crescimento demográfico urbano e ao aumento da circulação regional, as águas próximas às principais cidades da região amazônica de Solimões, Tefé e Coari (Figura 1), foram paulatinamente ocupadas por estruturas tradicionais amazônicas conhecidas como casas fluviais, geralmente construídas de madeira, mas também de ferro.
Tefé, classificada pelo IBGE como Cidade Média (2017), é o maior centro urbano da região, atuando como nó da rede de circulação regional desde o século XIX (QUEIROZ, 2017). Coari é um Centro Local (IBGE, 2017) e sede das operações de exploração de gás e petróleo da Petrobrás na Província Petrolífera de Urucu. São municípios gigantes com ciquenas; Coari é maior que o estado do Rio de Janeiro e tem o dobro do tamanho de Tefé.

Para diversas funções sociais e econômicas, as casas flutuantes são as expressões territoriais amazônicas que funcionam como objetos técnicos fluviais. Nesse sentido, representam "formas geográficas" entendidas como "objetos técnicos necessários à otimização da produção, por meio do estabelecimento e aplicação de normas jurídicas, financeiras e técnicas, adaptadas às necessidades do mercado" (SANTOS, 1996, p.252). Desempenha com eficiência uma variedade de funções, incluindo residências, postos de abastecimento ou pontífices, instituições públicas cívicas e militares, instituições públicas cívicas e militares, ferrovias públicas e restaurantes, escritórios de fabricação de motores e peixes, igrejas, fábricas de gelo, frigoríficos de pesca e terminais portuários.
Os trechos dos rios Tefé e Coari localizados imediatamente em frente a seis centros urbanos são comumente conhecidos como "lagos" devido a um alongamento natural do rio na forma de estuários. Esse conceito geomorfológico é conhecido por Sioli (1985) como um "lago fluvial" para definir as situações amazônicas.
O lago urbano é o elemento fluvial das cidades resultante das relações entre os agentes flutuantes do lago e os agentes urbanos através de fluxos significativos de pessoas e barcos de vários tipos e tamanhos. Como resultado desse processo, as comunidades flutuantes estão sujeitas às influências urbanas (LEFEBVRE, 1999), representando um urbanismo fluvial pertinente e a presença de diversas atividades e informações que oferecem um ritmo urbano a quem frequenta, trabalha e mora em Lagoas Tefé e Coari (Figura 2).

O objetivo deste artigo é compreender o papel das estruturas flutuantes dos lagos urbanos de Tefé e Coari no desenvolvimento regional e na integração territorial. A hipótese setentrional é que os flutuantes do lago urbano de Tefé promovem um ranjo territorial solidário gerando repercussões econômicas e sociais para toda a região e favorecendo o desenvolvimento e a integração. Nossa segunda hipótese é que o lago urbano de Coari possui um arranjo territorial hierárquico flutuante com vetos sociais e econômicos disseminados para a região devido a uma compartimentação do território e solidariedade organizacional que beneficia agentes de lugares distantes.
A metodologia deste estudo utilizou levantamentos bibliográficos e documentais e trabalho de campo nos municípios. Foram realizadas entrevistas institucionais nas Capitanias do Porto de Tefé e da capital Manaus, nas secretarias municipais de Saúde, Meio Ambiente e Administração Geral de Tefé; e a "Unidade Básica de Saúde dos Ribeirinhos Enedino Monteiro" em Coari. Moradores e trabalhadores das respectivas comunidades também foram entrevistados.
O primeiro produto do trabalho de campo foi mediado e identificado nas casas flutuantes dos lagos urbanos de Tefé e Coari. Os dados sobre suas estruturas e funções subsidiaram uma proposta de classificação com base nos "elementos espaciais" presentes, como comércios, infraestruturas, instituições e pessoas (SANTOS, 1985, p.16), e suas funções foram categorizadas em residências, instituições, comércio e serviços. Posteriormente, como resultado da análise de dados primários e secundários, o uso de casas flutuantes em lagos foi interpretado como produto da especialização territorial (SANTOS, 2002, p.87), gerando produtividade espacial (SILVEIRA, 1999a, p.338) por meio das atividades realizadas. Essa "especialização geográfica da produção e responsabilidade por uma massificação do capital" (BARTOLI, 2018, p.4), produz uma "organização espacial" (CORRÊA, 2002, p.83) com resultados difusos. Assim, foi possível identificar um conjunto de casas flutuantes dispostas no território fluvial com funções espaciais definidas e capazes de influenciar a dinâmica espacial da região como arranjo territorial flutuante.
Este artigo possibilita a compreensão das relações socioespaciais em espaços periféricos amazônicos. A adaptação às novas demanda de transporte fluvial e serviços contemporâneos mostra a versatilidade das estruturas flutuantes due a uma diversificação de funções que geram produtividades espaciais com diferentes desempenhos e repercussões regionais.
AS FORMAS E FUNÇÕES ESPACIAIS DAS ESTRUTURAS FLUTUANTES
As casas flutuantes nas águas próximas às cidades de Tefé e Coari (Figura 3) representam o que Boaventura de Souza Santos (2002, p.259) escreveu em sua "Sociologia das Ausências e Emergências" para "ecologia de saberes, dois tempos, tempos, escalas e produções diferentes". Essa ecologia baseia-se na diversidade e multiplicidade de "experiências de conhecimento" e "experiências de desenvolvimento, trabalho e produção" (IDEM); Wherede o papel das técnicas caboclas e/ou indígenas interage com a construção de objetos e tecnologias com formas e modos de produção alternativos e regionalizados.

Segundo Paula, "enfrentar a Geografia das Ausências requer ampliar o presente e exaltar o lugar" (2019, p. 98). Na ausência de investimentos estatais em infraestrutura portuária, os saberes caboclos e ribeirinhos são utilizados para aprimorar e adequar objetos antigos às novas demanda do espaço em constante transformação. A modernização do passado (QUEIROZ, 2019b) permite a usação de objetos antigos e passados no presente (QUEIROZ, 2020) de forma que as tradições das estruturas elementares flutuantes assumam diferentes funções e usos.
Essas estruturas fluviais nas águas terrestres das cidades amazônicas facilitam atividades relacionadas à fluidez do transporte fluvial na região e às relações entre as comunidades tradicionais e seu centro urbano; ou seja, circulação fluvial regional. As funções dessas estruturas são muitas vezes suprimidas e marginalizadas no contexto da lógica global; As casas flutuantes representam objetos de uma "geografia das emergências" (PAULA, 2019, p.104), onde a mesma estrutura atende ao aumento das demandas regionais por instituições, serviços e comércio da globalização contemporânea.
A estrutura da casa flutuante e construída com toras de açacu (Huru crepitans) cuja flutuabilidade permite que a estrutura flutue na surfície da água. A madeira de piranhéia (Pyranhea trifoliata Baju Euphorbiaceae) utilizada nas vigas internas proporciona estabilidade estrutural, e as paredes são feitas de git (Guarea trichilioides) ou itaúba (Mezilaurus itauba). Com menos frequência, a jacareúba e a castanheira também são usados na construção. Esses recursos naturais estão amplamente disponíveis na natureza.
Uma casa flutuante de madeira bem feita pode durar três anos. As casas flutuantes de Ferro, quanto mais são, mais caras, menos duram. Um bloco de concreto de 1 metro cuadrado chamado poita é mantido no fundo do rio, atuando como uma âncora. A posição geográfica da casa flutuante e lida pela Capitania dos Portos é registada para fornecer o documento NADAOPOR, que reconhece a legalidade da estrutura. Em Tefé, há uma Agência da Capitania dos Portos com amplla jurisdição territorial na Amazônia; Enquanto isso, esta Agência Naval não é de posse, pois o tráfego local está subordinado à Capitania da Capitania dos Portos de Manaus.
As funções espaciais das casas flutuantes podem ser classificadas de acordo com dois elementos espaciais disponíveis: empresas, instituições, infraestruturas, pessoas e ambiente ecológico (SANTOS, 1985, p.16). Com base nisso, para melhor compreender a dinâmica das formas geográficas dos lagos urbanos de Tefé e Coari, sugerem-se as seguintes classificações de funções: i) institucional; (ii) comercial; (iii) serviços; (iv) residencial (Tabela 1).

O lago urbano de Tefé tem mais que o dobro de casas flutuantes de Coari, 491 e 219, respectivamente. No entanto, em ambos os lagos, muitas casas flutuantes não postam registros da Autoridade Portuária; Eles são acoplados a uma estrutura flutuante legitimamente reconhecida e muitas vezes desempenham funções espaciais diferentes da estrutura principal, principalmente cais ou armazéns de mercadorias para instituições públicas ou empresas urbanas (Tabela 2).

Vale destacar que existem 491 casas flutuantes em Tefé, apenas 276 após funções definidas. Em Coari, 202 dos 219 existentes possuem funcionalidade espacial reconhecida. Muitos dos elementos agrupados na casa principal ou abandonada do rio.
As diversas atribuições funcionais das casas flutuantes levam a uma "intercambialidade de funções" (SANTOS, 1985, p. 17) para que se estruture mais uma função espacial. Assim, uma casa residencial flutuante oferece serviços concomitantes, incluindo mercearia de pequeno negócio ou familiar, cais, bar ou salão de beleza para cortes de cabelo ou manicure. Em Tefé, essas funções simultâneas são exercidas por instituições que dividem a mesma casa com outras entidades que prestam serviços diferentes, como polícias, órgãos de educação pública e órgãos de saúde de diferentes hierarquias estaduais. Essas múltiplas funções de uma mesma casa flutuante também ocorrem em Coari, mas há maior ênfase nas atividades de serviço devido à baixa presença de casas flutuantes institucionais.
No entanto, o maior número de casas flutuantes institucionais em Tefé indica um valor espacial agregado (MORAES e COSTA, 1999) ligado à posição da cidade na rede de circulação regional de fluxos, ou "potencial intrínseco do território" (COSTA, 2008, p.243). dada a sua localização estratégica, próximo à Foz dos Rios, Tefé e Japurá e no centro geográfico do Estado do Amazonas. Essa "situação geográfica" (SILVEIRA, 1999b, p.27) origina-se de um processo histórico com ampla seletividade espacial vinculada a uma "hierarquia de lugares" (BENKO, 2002, p.53), promovendo contribuições técnicas, normativas e de infraestrutura primária para a manutenção dos fluxos vitais para a integração regional por meio de atividades institucionais que subsidiam a fluidez territorial (ARROYO, 2001).
Essa é a presença institucional mais significativa no lago urbano de Tefé inibe, mas não impede, a ação de piratas do rio ou ratos d'água na comunidade flutuante. Em Coari, os criminosos das águas amazônicas são o maior medo dos boiadeiros e ribeirinhos do município (QUEIROZ, 2020). As instituições públicas sediadas em Tefé permitem um esforço superior e a presença da fiscalização do agente do Estado em prover a segurança do contrabando de embarcações e passagens em relação a Coari. A presença em Tefé de uma base logística da 16ª Brigada de Infantaria do Exército Brasileiro e da Capitania dos Portos proporciona fluxos militares constantes de navios de guerra, como corvetas, embarcações de pesquisa e saneamento. As polícias Federal, Militar e Civil mantêm barcos atracados em casas compartilhadas para missões na região. Em Coari,
Há um total de 45 flutuações comerciais no lago urbano de Tefé e 15 em Coari. Muitas cidades tradicionais e urbanas compram de atacantes flutuantes com os melhores preços da cidade, evidenciando uma valiosa relação lago-cidade. Postos de combustível flutuantes ou pontífices e fábricas de gelo são essenciais para abastecer as muitas embarcações regionais de transporte fluvial, barcos de pesca e empresas da cidade. Em Coari, a demanda por combustível é significativa devido à maior presença de embarques de empresas terceirizadas pela Petrobras.
Notadamente, Coari possui casas flutuantes exclusivas para a comercialização de produtos extrativistas, incluindo a compra e venda de castanhas, juta e cacau. Em Tefé, isso ocorre por meio de negociações de pontões com intercâmbio de funções. Essa diferença indica a presença de agentes comerciais de antigas divisões territoriais do trabalho, quando as regatas (comerciantes que navegam pelos rios amazônicos no século XIX e início do século XX) eram os principais impulsionadores do comércio regional.
As flutuantes de serviço demonstram a versatilidade e diversificação das funções espatiais desempenhadas por essas essas estruturas nos lagos urbanos do rio Solimões, promovendo a produtividade espacial por meio da geração de emprego e renda nos lagos. Possui 99 casas flutuantes e 321 pessoas em atividades de serviço, enquanto Coari possui 21 casas flutuantes com 70 trabalhadores de serviço. Serviços semelhantes podem ser encontrados em ambos os lagos, como bares, restaurantes, armaduras e âncoras. O lago urbano de Tefé, a boia de ferro do terminal de passageiros Lanhas Ajato é uma modernização dos ativos fixos de circulação fluvial da região (QUEIROZ, 2019a); é uma empresa registrada com proprietários de otherros transportes regionais de passageiros.
Destaques das atividades dos escritórios flutuantes que podem ser configurados como "indústrias de serviços" (SANTOS, 2002, p. 66). São "oficinas de reparação de veículos, que podem ser transformadas em escritórios metalúrgicos, alimentando até indústrias modernas com dificuldades de fornecimento de peças de reposição"; Tefé tem 15 dessas oficinas flutuantes e Coari tem 10. Em Tefé, eles oferecem serviços de conserto de motores de divers veículos.
Muitas indústrias de serviços flutuantes são equipadas com conhecimento industrial e técnico de sua mecânica na fabricação de diversos produtos de alumínio para clientes da cidade e municípios vizinhos, estabelecendo fluxos locais e regionais. Fabricam peças para embarcações e até pequenos aviões comisionados por empresas regionais de Tefé (QUEIROZ, 2018). No entanto, a maior presença de rampas ou instalações de manutenção de embarques no lago urbano de Coari mostra a pertinente centralidade organizacional das necessidades das empresas de exploração de gás e petróleo, produzindo uma integração funcional por meio de dois serviços oferecidos aos transportadores terceirizados da Petrobras.
Por fim, as casas que fluem das residências encontram-se na maior quantidade de nossos lagos. Em Coari, 161 casas residenciais flutuantes acomodavam 536 habitantes, enquanto Tefé possuía 113 casas residenciais flutuantes e 555 habitantes. Eles são mais numeros em Coari do que em Tefé, mas Tefé tem uma população um pouco maior de residentes flutuantes. Os habitantes do lago urbano de Tefé contam com coleta de lixo, segurança pública e acesso à energia elétrica por meio de cabos submersos, embora a maioria ainda use geradores de energia para obter eletricidade.
Comprar uma casa flutuante custa um terço do valor de uma casa em um bairro da cidade. Os moradores têm acesso à internet por meio de celulares, TV e aparelhos elétricos e estão próximos a escolas e postos de saúde. Esses acordos atraem muitas famílias a residirem em casas flutuantes.
A permutabilidade de funções é mais evidente nesta categoria de estruturas flutuantes. É comum que muitos domicílios flutuantes prestem os serviços usados para amarrar em ambos os lagos urbanos, como cozinhas, bares, restaurantes, mercearias familiares e barcos.
O ORDENAMENTO TERRITORIAL FLUTUANTE DOS LAGOS URBANOS DO SOLIMÕES
"É a interação entre a situação interna e os processos de penetração do capital de for a que permite a cada sociedad sua pro projetória de desenvolvimento urbano" (ARMSTRONG e McGEE, 1985, p.32). Neste segmento da região amazônica, as mudanças e relações fluviais mais significativas devido à ausência de problemas rodoviários e ferroviários; são poucos os aeródromos, embora Tefé tenha um aeroporto com companhias e fluxos nacionais. Nesse ínterim, as águas urbanas tornaram-se objeto de uma análise social relevante para a integração territorial e o desenvolvimento regional de cidades localizadas na maior bacia hidrográfica do mundo, o rio Amazonas.
Os lagos urbanos de Tefé e Coari são subespaços agregados à fluidez urbana regional onde as relações entre Estado e agentes privados, internos e externos, são geradas pela produção do espaço fluvial. As atividades das casas flutuantes permitem que os lagos urbanos liguem o rural ao urbano como uma caixa para conexões e trocas.
A diversificação das funções das casas flutuantes da mesma estrutura tradicional para a dinâmica de circulação no avanço das atividades do mal urbano regional. Nesse sentido, as tradições das casas flutuantes amazônicas assumem a dinâmica de novas demandas, consumos e processos espaciais contemporâneos ligados ao incremento das relações e aceleração das atividades em espaços periféricos com pequenas infraestruturas portuárias e cidades com elementos espaciais limitados.
Enquanto isso, quando os locais não atendem às necessidades de atividades primárias para atender às "necessidades urgentes da população" (SANTOS, 2002, p.87), há uma especialização válida no espaço. O espaço é especializado quando atende às demandas econômicas e sociais do mercado local e regional, depreciando outras necessidades menos valiosas. Por outro lado, objetos históricos, tecas, processos e formas espaciais continuam atuando com menos vigor, regidos e dominados por novas demandas (QUEIROZ, 2019b).
No entanto, as relações de dominação que controlam o processo de urbanização fornecem especializações e produtividades espaciais com diferentes difusões territoriais dos resultados obtidos. Dessa forma, os elementos territoriais fluviais de uma organização do espaço fluvial, onde um conjunto de casas fluviais desempenhando as funções de espaços definidos e espaços diversos podem influenciar a dinâmica espacial regional. São arranjos solidários que refletem resultados econômicos e sociais, proporcionando creando integração territorial e desenvolvimento regional. Também podem ser hierárquicos quando menores geram integração funcional e solidariedade vertical.
ARRANJO TERRITORIAL FLUTUANTE SOLIDARIEDADE – OU LAGO URBANO DE TEFÉ
O lago urbano de Tefé exerceu funcionalidades territoriais desde o século XIX, quando os marinheiros pernoitavam no antigo povoado de Ega, pois o lago era abrigado das correntes, intempéries e insetos do jovem rio Solimões (BATES, 1979). Em 1941, as águas receberam o semanário anfíbio Catalina, da Panair do Brasil, entre Manaus, Tefé e Iquitos, no Peru (QUEIROZ, 2015). A balsa "Feirão de Fábrica Chevrolet a Bordo" vende veículos recentemente no lago, atraindo clientes de municípios do Vizinho. Essa vitalidade espacial permite que estruturas flutuantes locais participem como elementos fixos da "centralidade periférica" de Tefé (QUEIROZ, 2016, p.94) na Amazônia.
As atividades das casas flutuantes de Tefé empregam 1.136 pessoas em uma comunidade fluvial com atividades regionais (transporte fluvial), nacionais (relações institucionais como Marinha e Exército) e internacionais (atividades de ecoturismo do Instituto Mamirauá de Desenvolvimento Sustentável (IDSM) e da Prelazia de Tefé). As 491 casas fluviais são o fermento que anima o espaço fluvial com diferentes serviços e comércio diversificado, proporcionando um rango territorial fluvial que procura proporcionar aos habitantes do lago áreas sociais com serviços públicos como lixeira, eletricidade e segurança pública. A proximidade das casas flutuantes, como o Abial, o Juruá e o centro da cidade, permite que os moradores tenham acesso a escolas e postos de saúde.
A solidária área territorial flutuante do lago urbano de Tefé contribuiu para a fluidez das infraestruturas fluviais, por onde circulam os produtos agrícolas, pesqueiros e hortícolas de toda a região e são comercializados no Mercado Municipal local ou direcionados aos transportadores de Manaus. O fluxo de água da cidade recebe os navios (N/M), jangadas (F/B), lanchas (L/M) e jangadas que transportam passagens, mercados e mercados para abastecer o comércio de todos os municípios do Médio e Alto Solimões, além de 107 comunidades do Rio Tefé e de todos os municípios do Rio Japurá e do Médio e Baixo Juruá.
Tefé é uma das primeiras cidades do Brasil (THÉRY e MELLO, 2009, p. 53; QUEIROZ, 2015); Seu processo histórico permitiu a acumulação de infraestruturas, empresas, pessoas e instituições capazes de subsidiar apoios econômicos, políticos e sociais e produzir integração orgânica em um território complexo, pobre e distante dos centros decisórios do país. Nesse contexto, o uso do território das estruturas geográficas flutuantes de Tefé é um locatário territorial solidário à integração territorial e ao desenvolvimento regional por meio da apreensão e difusão dos resultados da circulação regional.
ARRANJO TERRITORIAL HIERÁRQUICO FLUTUANTE – LAGO URBANO DE COARI
O lago urbano de Coari é uma grande estrutura portuária flutuante asfaltada, uma pequena unidade portuária (IP4); E poderosos fornecedores marítimos de empresas globais convivem com as antigas casas flutuantes da Madeira que comercializam produtos extrativistas e outras que abrigam várias famílias na mesma estrutura. Manifestação das desigualdades, da pobreza, de uma "dialética espacial" (SILVEIRA, 1999a, p.400) e de uma espacialização deficiente do espaço.
São evidentes as características de territórios periféricos fragmentados que atendem aos interesses de agentes distantes. O rarranque territorial hierárquico flutuante manifesta maiores complexidades socioespaciais por envolver fenômenos geográficos que causam as consequências sociais e econômicas mais danosas à sociedade.
Algumas casas institucionais fluviais e muitas casas residenciais flutuantes operam no lago urbano de Coari, com notória segregada e dinamismo econômico e social restrito visíveis nas áreas sociais do bairro de Pera e próximas ao centro da cidade. O impacto social mais temido da comunidade flutuante se deve à presença de criminosos conhecidos como água e piratas do rio. Assim como a presença da Base do Arpão no Rio Solimões (para a do lago urbano) supervisionando os embarques que vêm do Alto Solimões para Coari, os habitadores e trabalhadores das casas flutuantes locais continuois com medo.
"O petróleo tornou-se uma maldição porque as receitas que gera para os governos são anormalmente grandes, não vêm da tributação dos cidadãos, flutuam de forma imprevisível e são fáceis de escond do escrutínio público" (ROSS, 2015, p. 318). Entre 2010 e 2016, Coari recebeu quase 3 bilhões de royalties (2.727.827.571,19 reais) (QUEIROZ, 2020), no mesmo período, Tefé 1 recebeu mais de 83 milhões de reais (83.340.400,18 reais). Esses valores astronômicos foram mal administrados pela administração pública local, causando consequências sociais e ambientais que se refletem na corrupção e na segurança pública.
Nesse cenário, o lago urbano de Coari tem se mostro vulnerável tanto à violência do município (bandidos locais) quanto à violência regional (piratas). A presença de agentes cruciais de segurança institucional, como a Capitania dos Portos, tem sido sobrecarregada na Base do Arpoão, corroborando uma vulnerabilidade territorial. Como parâmetro institucional, Tefé tem 103 policiais militares em seu plantel, enquanto Coari só ouviu policiais militares; Ambas as cidades têm redes urbanas semelhantes.
O rarranque territorial hierárquico de Coari resulta em dois impactos de solidariedade vertical e compartimentalização do território. A compartimentalização territorial é um produto do processo de globalização que fornece funcionalidades vantajosas tanto para determinados territórios globais como para os interesses de empresas e Estados (CATAIA, 2011; SANTOS, 1996; SILVEIRA, 1999a). Esse processo é orientado a espaciais, ou seja, ações individuais de agentes sociais espacialmente localizados (CORRÊA, 2007), levando a atividades que produzem uma fragmentação da decoração territorial da falta de reflexo local na produção de empresas na rede global (ARROYO, 2001).
"Tudo o que existia antes da instalação dessas empresas hegemônicas e incentivadas a adaptarem-se aos seus modos de ser e de agir, o mesmo que isso provoca grandes distorções no ambiente pré-existente, inclusive a ruptura da solidariedade social" (SANTOS, 2000, p. 85).Oliveira (2008, p.183) afirma que, apesar de toda a riqueza do petróleo, ainda há poucas ligações relevantes com as demais cidades da rede, e seu desenvolvimento econômico não agrega valor localmente na região.
Por outro lado, o baixo desempenho de estruturas geográficas flutuantes com funções espaciais e relações entre o lago e a cidade da região, reduziu a socialização da produtividade espacial e incipientes repercussões sociais e econômicas para a região, provocando um diálogo territorial hierárquico flutuante que menos contribuiu para o desenvolvimento regional e a integração territorial.
CONCLUSÃO
O aumento da população e o avanço da malha urbana regional do rio Solimões permitirão que os espaços fluviais sejam ocupados por casas flutuantes tradicionais. No entanto, o aperfeiçoamento e diversificação das funções espaciais desses objetos fluviais técnicos artesanais levaram à produtividade espacial ao especializar o espaço flutuante que reproduduz a dinâmica urbana da cidade.
Verifica-se que os elementos territoriais flutuantes resultam das atividades de um conjunto de casas flutuantes com funções espaciais definidas capazes de influenciar a dinâmica espacial regional por meio de atividades classificadas como instituições, comércios, serviços e residências.
Os espaços inchados de flutuantes solidários são percebidos na dinâmica espacial do lago urbano de Tefé, cidade que desponenha o papel de nó da rede de circulação regional. Como formas geográficas fluviais, essas casas flutuantes promovem: i) geração de emprego e renda; (ii) morada para aqueles com menor poder aquisitivo; (iii) Melhoria da fluidez das atividades dos agentes públicos e privados por meio de fluxos internos (urbanos) e externos (regionais) para a cidade. Essas mudanças são feitas por meio da melhoria dos imobilizados, dois fluxos de transporte hidroviário interior de passagens e mercados e da produção agrícola e pesqueira, proporcionando maior difusão econômica e social para a integração territorial e o desenvolvimento regional.
Já o arranjo territorial flutuante hierárquico no lago urbano de Coari, é produto das relações hierárquicas resultantes da solidariedade organizacional e compartimentalização do território decorrente da exploração de gás e petróleo pela Petrobras; Isso causa uma integração funcional em detrimento da integração territorial. As principais consequências são reveladas na segurança pública e nas desigualdades nas áreas sociais da comunidade e nos aspectos flutuantes da reduzida capacidade espacial de socialização de benefícios econômicos e sociais na cidade e na presença de instituições importantes.
As diferentes funções dos lagos urbanos fludentes do rio Solimões, na Amazônia, permitem refletir sobre a resiliência dos territórios, a criação do "invisivo" e a eficiência e versatilidade das estruturas tradicionais. A performance desses objetos na periferia amazônica demonstra os limites de espaços onde a racionalidade dominante não atua com o mesmo vigor. Assim, outras racionalidades regionalizadas e antigas assumem o papel de disseminar as relações que alimentam a vida e a esperança que articulam o espaço.
OBSERVAÇÃO
1- Vale destacar que em Tefé, Manaus e outros 16 municípios da Amazônia, 17 municípios do Pará e 3 do Amapá recebem royalties da Petrobras na Amazônia (GARCIA, 2010, p.128).
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