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URBANIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DESIGUAL DO TURISMO NO LITORAL BRASILEIRO
Mercator - Revista de Geografia da UFC, vol. 21, núm. 1, pp. 1-16, 2022
Universidade Federal do Ceará



Abstract: A concentração do turismo no litoral brasileiro é amplamente reconhecida, apesar de seu desenvolvimento não ocorrer de forma uniforme ao longo de todo o litoral. Como resultado, o objetivo deste artigo é examinar a difusão espacial das atividades relacionadas ao turismo na costa brasileira e buscar identificar os locais onde ela ganha maior destaque, bem como os fatores que contribuíram para seu crescimento desigual. Os procedimentos adotados incluíram o estudo de dados relacionados ao turismo contidos em duas fontes: o Guia Quatro Rodas, da Editora Abril, e o Mapa do Turismo Brasileiro, publicado pelo Ministério do Turismo em sua edição de 2019. O mapeamento e a análise dos dados permitiram concluir que o caráter espacial do turismo costeiro foi condicionado pela estrutura urbana pré-existente, concentrando-se nas grandes cidades. Note-se que as cidades de pequena e média dimensão, na sequência de intervenções específicas do Governo, tornaram-se destinos relevantes nos mercados regional, interno e externo.

Keywords: Turismo, Linha costeira brasileira, Urbanização, Desenvolvimento desigual, Quatro Rodas Guia.

Resumo: A concentração do turismo no litoral brasileiro é amplamente reconhecida, pois seu desenvolvimento não se dá de forma homogênea em todo o litoral. Assim, o objetivo deste artigo é analisar a difusão espacial do serviço turístico litorâneo brasileiro e identificar as localidades onde a maior expressividade e os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento desigual são os mais importantes. Os procedimentos adotados incluem a exploração de informações sobre os destinos turísticos das principais fontes: o Guia Quatro Rodas, da Editora Abril; e o Mapa do Turismo Brasileiro, do Ministério do Turismo, edição 2019. O mapeamento e a análise dos dados permitirão concluir que a espacialização do turismo está condicionada pela estrutura urbana pré-existente, concentrando-se nas grandes cidades. Enquanto isso, os pequenos e médios municípios, após intervenções seletivas do poder público, tornaram-se destinos de destaque no mercado turístico regional, nacional e internacional.

Palavras-chave: Turismo, Litoral brasileiro, Urbanização, Desenvolvimento desigual, Quatro Rodas Guia.

Resumen: A concentração do turismo no litoral brasileiro é amplamente reconhecida, mas seu desenvolvimento não é homogêneo ao longo de todo o litoral. Assim, o objetivo deste artigo é analisar a difusão espacial da atividade turística no litoral brasileiro, buscando identificar os locais onde ela assume maior expressão e os fatores que contribuíram para o seu desenvolvimento desigual. Os procedimentos adotados incluíram a exploração de informações sobre destinos turísticos a partir de duas fontes principais: Guía Quatro Rodas, da Editora Abril; e o Mapa do Turismo do Brasil, do Ministério do Turismo, edição 2019. O mapeamento e a análise dos dados permitiram concluir que a espacialidade do turismo costeiro foi condicionada pela estrutura urbana pré-existente, concentrando-se nas grandes cidades. No entanto, os pequenos e médios municípios, após intervenções seletivas do governo, tornaram-se destinos de destaque no mercado turístico regional, nacional e internacional

Palabras clave: Turismo, Litoral Brasileiro, Urbanização, Desenvolvimento desigual, Quatro Rodas Guia.

INTRODUÇÃO

A difusão do turismo no litoral brasileiro se estabeleceu desde meados do século 20, seguindo uma tendência mundial e as políticas públicas implementadas na década de 1990, que foram concebidas para promover e conquistar grande parte do mercado turístico mundial que vem ganhando cada vez mais volume durante a época.

O crescimento desigual do turismo no Brasil, fortemente concentrado no extenso litoral do país (10.959 km), é apontado por Cruz (2018) como consequência de fatores históricos e geográficos que levam a um processo de ocupação e população do litoral para o interior, ao produzir altas densidades populacionais e altos números de infraestrutura ao longo da longa parte da costa brasileira. Em um intenso processo de urbanização marcado pelo surgimento das grandes cidades com o forte crescimento da rodoviária malhas na região leste do país.

Elementos sociais e culturais, como a proximidade com o mar e as dotações naturais para a instalação de feiras e instalações de lazer, são incrementados (BOYER, 2003; DANTAS, 2019), a expansão das atividades turísticas foi muito favorecida pela abundância de sol e proximidade com o mar, algo que explica o crescimento da ocupação do território brasileiro e das cidades que surgiram (PEREIRA, DANTAS, 2019; DANTAS, PEREIRA, 2021).

No entanto, podemos afirmar que o crescimento desigual da atividade turística no Brasil está fortemente concentrado no litoral, e na 'maior porção' do país como observado por Cruz (2018), o objetivo deste artigo é estabelecer que tal crescimento também se verifica ao longo do litoral, ou o fato de que existe um fato de existência onde a atividade turística também está presente e tem uma grande força nessa área e atravessa nossas áreas. o que torna necessário discutir os factores que levou alguns lugares a ganhar o centro das atividades relacionadas com o turismo.

Assim, este artigo buscará estudar a difusão espacial das atividades relacionadas ao turismo litorâneo brasileiro a partir da década de 1960, buscando identificar os locais onde se localiza o maior sistema expresso, bem como os fatores que levam a esse crescimento desigual.

Ao pesquisar a difusão do turismo no país, percebe-se a dificuldade de análises más amplas, tanto no plano histórico quanto no espacial. Como elemento de diferença, este estudo toma uma escala brasileira no caso do litoral nacional, juntamente com uma visão temporal que se estende por seis décadas (1960/2021), para analisar a expansão do turismo no litoral brasileiro a partir de uma perspectiva histórica, algo que diferencia este artigo de outros elementos no pressuposto de que apenas em sua maioria de tipo específico, e trazer o tema para uma perspectiva mais local/regional de discussão.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Após uma extensa pesquisa de informações oficiais sobre os destinos turísticos do Brasil nos últimos sessenta anos, constatamos que somente a partir da década de 1990 o governo brasileiro definiu, por meio de sua empresa governamental Embratur, as cidades consideradas como 'destinos turísticos'. Diante disso, e diante da carência de dados oficiais, a pesquisa recorreu a uma fonte alternativa, o Guia Quatro Rodas, da Editora Abril. É um guia de motociclismo publicado anualmente de 1966 a 2015 que fornece informações relevantes sobre destinos e atrações, uma lista de mapas e mapas, e informações sobre serviços relacionados ao turismo.

Este estudo utilizou como exemplo uma edição de cada década: a primeira edição foi em 1966, seguida por 1979, 1980, 1999 e 2009. A cada edição, foram identificadas as cidades identificadas como destinos turísticos e, posteriormente, mapeadas de tal forma que o referido Guia permitiu identificar como se difundiram dois locais relacionados ao turismo litorâneo não brasileiro entre 1966 e 2009. Trata-se de uma fonte de pesquisa que tem sido relevante, uma vez que poucos estudos relacionados ao turismo têm sido realizados.

Para estudar a relevância atual do turismo nas cidades litorâneas, utilizamos a classificação turística da edição 2019-2021 do Mapa do Turismo Brasileiro, divulgada pelo Ministério do Turismo [MTur]. A escolha dessa fonte de pesquisa se deu pela abrangência dos dados que ela contém, que abrangem todo o litoral, com dados sobre o número de empregos e empreendimentos hoteleiros, bem como estimativas de arrecadação de tributos federais deses empreendimentos e previsões sobre a demanda turística , nacionais e internacionais, além de uma classificação de turismo dada pelo MTur com base nesses números. Esses dados foram referenciados espacialmente por um Sistema de Georreferenciamento, permitindo visualizar o desenvolvimento desigual ocorrido ao longo do litoral brasileiro.

Para fazer uma breve avaliação socioambiental das 22 cidades de pequeno e médio porte classificadas como 'A' no MTur, utilizamos dados do Balanço Municipal do IBGE referentes aos anos de 2010 e 2019. Assim, este levantamento exploratório adota uma abordagem quase qualitativa para discutir e apresentar os resultados encontrados.

DA URBANIZAÇÃO AO CRESCIMENTO DESIGUAL: O PAPEL DO TURISMO NESTE CAMINHO

O estudo de Harvey sobre as cidades e os processos de urbanização mostra "o papel do espaço urbano como canal de absorção do capital excedente ao longo do longo período da história" (HARVEY, 2012, p.1), seguindo o mesmo caminho das contribuições de Lefbvre para a década (LEFEBVRE, 1972). A autora explica como os processos de urbanização são atrelados à necessidade de expansão dos capitais excedentes e como a cidade se tornou um produto no qual o turismo insere sua perspectiva mercadológica e de consumo que contribuiu para seu crescimento.

No domínio da produção do espaço para o turismo e do seu consumo, há que ter em conta a urbanização turística. Mullins (1991; 1999) denominou de urbanização turística o processo pelo qual a urbanização dos lugares sofre as influências dos interesses que impulsionam o turismo e o lazer. São processos urbanos, diferentemente da tradicional urbanização ocidental que no final do século XIX, aumentam significativamente no último objetivo do século XX, nessa conexão com o consumo do lazer, aspecto característico dos processos pós-modernos ou 'pós-fordianos'. Assim, os processos tradicionais de urbanização estão relacionados à produção industrial, nesses casos estão relacionados a produtos pós-modernos, sendo mais importantes em termos de produção. Mullins (1991;

A urbanização turística, expressão marcante do turismo, corresponde a uma forma de inserção em lugares do movimento global. Para ganhar o status de lugar turístico, esse tipo de urbanização opera uma criação destrutiva cujo objetivo final é inserir as cidades em um mercado de paisagens atrativas para consumo e lazer (LUCHIARI, 1998).

Cruz (2002) afirma que o turismo utiliza o espaço na medida em que é apropriado para o consumo de serviços e da própria paisagem. O espaço turístico (massificado) é eminentemente urbano e, portanto, desenvolve-se entre a relação intrínseca que pode ser aprendida em três momentos: a existência de um elemento urbano anterior ao turismo, ou seja, lugares que avançaram no processo de urbanização diante do advento do turismo de massa e que integra os circuitos turísticos de forma espontânea ou planejada. A ocorrência de um processo de urbanização que se dá simultaneamente ao processo de urbanização turística local, marcado por uma simbiose entre o fenômeno e o processo de urbanização dos fluxos turísticos, cuja falta de planejamento evidencia uma urbanização desordenada e caótica.

Paiva (2013) nos lembra das articulações entre turismo e práticas sociais, a fim de refletir sobre as especificidades do 'espaço turístico' e sobre como, para compreender a urbanização do turismo, é necessário compreender suas especificidades, quando comparado a um processo de urbanização paralelo à industrialização. Nesse contexto, entende-se a relação entre turismo e urbanização na modernidade, onde os processos de urbanização estão por vezes ligados ao turismo, algo que corre tanto nos destinos metropolitanos, dada a sua localização central, quanto na urbanização que se encontra em periféricos, com uma população menor e de menor importância que os grandes centros, mas com grande potencial para receber visitantes (PAIVA, 2013).

Não que se refira à relação entre a metrópole e as localidades periféricas, é possível considerar o turismo e o lazer como fatores determinantes e/ou atividades sociais na formação dos espaços metropolitanos, ou na incorporação de dois lugares literários próximos às metrópoles, devido à sua relação funcional com o lazer e o turismo (PEREIRA, 2015). No caso brasileiro, a urbanização turística ocorre de forma mais intensa nas áreas de praia. No final do século 20, os balneários modernos foram retomados pelas elites e copiados pelas classes sociais menos favorecidas, assim como o advento do turismo à beira-mar vinculado ao mercado imobiliário, que se refletem nas metrópoles e metrópoles definidas como metrópoles turísticas, sendo as áreas de ocupação mais dinâmicas (DANTAS, 2015).

Um processo de urbanização formado como meio de produção e resultado de um processo de accumação inevitavelmente traz as marcas do modo de produção capitalista, ou seja, a desigualdade. Partindo da premissa, e partindo de uma ética estruturalista, muitos autores discutem como as forças do mercado geram assimetrias espaciais, promovendo a concentração da produção e da riqueza em algumas áreas e desconsiderando outras, dentre as quais podemos citar Prebisch (1963) e Furtado (1961). . No estudo pioneiro, Myrdal (1957) também identificou que o desenvolvimento espacial desigual ocorria tanto global quanto domesticamente.

A análisis geográfica da perspectiva do crescimento desigual averçou proviso mas força a da obra de Neil Smith - Uneven Development - publicado em 1984. Para o autor, a racionalidade do processo de acumulação do capital produz sua concentração e centralização em áreas.

Cruz (2018), por outro lado, aborda o crescimento desigual do turismo no Brasil, destacando sua acentuada concentração ao longo do período de tempo em comparação com o interior. O autor faz uma correlação entre a concentração espacial do capital produtivo, a mão-de-obra do capital fixo na 'parte oriental' do país e a espacialidade do turismo, mostrando que 'o crescimento do turismo de massa numa relação dialética com o crescimento desigual do turismo no território brasileiro, ou seja, sendo seu produto e produtor' (CRUZ, 2018, p. 4). Assim, o padrão anterior condiciona a difusão do turismo na medida em que este, por sua vez, reforça o padrão bem-sucedido, destacando a concentração de riqueza, urbanização e informação (rodovias e aeroportos).

A análise dos dados de esta pesquisa ratifica a enorme expansão da vida de turística costeira, embore mostre que no conjunto das vilas costeiras también se reproducduz un padrão de crescimento desigual, pelo que é apenas em algas zonas que o turismo ganha más expressão e que tais áreas estão fortemente ligadas a o meio urbano, como demonstrado a seguir.

DIFUSÃO ESPACIAL DO TURISMO NO BRASIL: OS CAMINHOS QUE CONDUZEM AO MAR

A década de 1950 marcou o surgimento da indústria automobilística e o crescimento da malha rodoviária nacional. Esse contexto contribuiu para a criação de algumas das condições iniciais para a promoção do turismo no litoral, especialmente no sudeste do Brasil. A oferta turística, restrita aos hotéis de negócios localizados nas capitais ou aos hotéis do interior, geralmente localizados em instalações hidrotermais, se expande para os resorts próximos, localizados próximos aos principais centros urbanos, que buscam cada vez mais opções de entretenimento. Nesta década, no setor público, foi criado pela Comissão Brasileira de Turismo (COMBRATUR), juntamente com a instalação dos primeiros postos de turismo em algumas capitais (MÜLLER et al., 2011).

Em 1966 houve um marco para o turismo brasileiro, com a criação da Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) e do Conselho Nacional de Turismo (CNTur), e o início das discussões sobre os trabalhos na direção de uma Política Brasileira de Turismo, sinal de que a atenção da economia é relevante e que as políticas públicas buscam reconhecer e viabilizar. promovendo o mercado não interno e não externo.

A proeminência do turismo, associada à instalação de montadoras no país na época, aliada à publicação do primeiro número do Guia Quatro Rodas pela Editora Abril, agência e guia de motociclismo que ampliou a publicidade e a popularidade. O nome do guia, 'Quatro Rodas', sugere o automóvel, principal meio de transporte para os viajantes.

Em sua primeira edição, o IV Guia Rhodes classificou como destinos turísticos 45 cidades (Tabela 1), sendo 26 localizadas no Sudeste do Brasil (58%), 10 no Nordeste e 9 no Sul do país (20%), com o mesmo número de cidades nas regiões Norte (Tabela 1 e Figura 1).


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Tabela 1- Número de cidades turísticas nas principais regiões brasileiras, segundo o Guia Quatro Rodas – 1966/2009. Fonte: Guia Quatro Rodas (1966, 1979, 1989, 1999, 2009).
Fonte: Guia Quatro Rodas (1966, 1979, 1989, 1999, 2009).

De um total de 15 cidades do litoral paulista, 12 delas, localizadas na região da Bacia de Santos, foram listadas como destinos turísticos na primeira edição do Guia Quatro Rodas. Já o litoral fluminense aparece na primeira edição do guia com 10 destinos turísticos, com destaque para a Região dos Lagos e Litoral Sul Fluminense (figura 1).


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Figura 1 - Localização das cidades de destino turístico nas principais regiões brasileiras do segundo ano ou Guia de Quatro Rodas – 1966/2009.
Fonte: Guia Quatro Rodas Brasil (1966, 2009).

Assim, é possível dizer que a Bacia de Santos, a Região dos Lagos e a Região do Litoral Sul do Rio de Janeiro são os primeiros destinos turísticos do litoral brasileiro e que mantém sua relevância para o longo período da temporada. Esse desempenho é explicado, na maioria das vezes, pela proximidade das maiores regiões metropolitanas do país (São Paulo e Rio de Janeiro), que possuem um número expressivo de populações e a principal saúde local dos turistas

A década de 1970 foi marcada pela participação do Estado e do principal agente financiador dos empreendimentos ligados ao turismo. Os estados brasileiros estruturam suas próprias secretarias para estimular e apoiar o serviço com o objetivo de utilizar dois instrumentos de apoio financeiro e tributário à disposição do governo central, como, por exemplo, o Fundo Geral de Turismo - FUNGETUR - e programas de desenvolvimento regional. O efeito imediato foi visto na expansão da infraestrutura turística, com o aumento da construção de hotéis e centros de convenções em áreas que antes não eram possíveis em instalações. Decorre disso o aumento da capacidade hoteleira no Brasil, bem como o surgimento das primeiras redes hoteleiras estrangeiras que buscam se instalar nos centros turísticos mais consolidados do país (MÜLLER et al., 2011; ALBAN

Em 1979, treze anos após sua primeira edição, o Guia traçou uma lista de 94 cidades litorâneas, um aumento de 108%, uma indicação do potencial e da vitalidade do turismo de sol e praia. Vale destacar aqui o contexto da economia brasileira da época, período conhecido como 'milagre econômico', juntamente com a ascensão de uma classe midiática urbana que descobriu o hábito de viajar, segundo Solha (2002). Na última década, foram concluídas as obras da BR-101, que percorreria o litoral de norte a sul do país, estabelecendo uma continuidade de estradas entre as regiões litorâneas, e também entre países, para ampliar uma medida que permite a ligação com Uruguai e Argentina, com repercussões no fluxo de turistas do sul do Brasil.

Naquela época, o Nordeste brasileiro foi declarado destino turístico, conforme registrado na edição de 1979 da Guia, com 34 cidades como destinos turísticos, um crescimento de 240% em relação a 1966. Os destaques aqui vão para o estados da Bahia e Pernambuco. A região Sul também apresenta um crescimento significativo, com 24 municípios, com Santa Catarina assumindo a liderança no desempenho da região Sul. O estado do Espírito Santo, no Sudeste do Brasil, merece atenção aqui, devido ao número de cidades incluídas no Guia. O Norte do Brasil, inclusive, não está disponível na cidade de São Paulo.

A década de 1980 foi um período de crise econômica e política no Brasil. O colapso fiscal do Estado, com hiperinflação e medidas econômicas ineficientes (pacotes econômicos e planos de congelamento) até o fim do turismo com a retirada e/ou estagnação de suas atividades. Em 1989, o número de cidades de destino turístico listadas no Guia foi praticamente divulgado sem alterações, com apenas três novas cidades inseridas, totalizando 97 localidades. Vale destacar aqui que é justamente na corrência da grande crise enfrentada pelo país durante o período que os governadores dos estados do NE encontraram nas atividades ligadas ao turismo uma alternativa para impulsionar suas economias regionais, criando políticas como dois megaprojetos turísticos e o advento do Prodetur - NE (CRUZ, 2000; FONSECA, 2005; DANTAS, 2013).

Na década de 1990, o Brasil vive um período de relativa estabilidade econômica e política que favorece a retomada do papel do Estado como motor do turismo. Instala-se um processo de privatizações e desregulamentações em diversos setores, entre os quais hotéis, centros e instalações de convenções e lazer, além de companhias aéreas, abriendo o espaço para o investimento privado. Essa década marca uma virada, com a criação e implementação da Política Nacional de Turismo (1996-1999). O papel do Governo tem dado a sua atenção à coordenação e gestão do marketing institucional, e aos incentivos na iniciativa privada e aos fornecedores de infraestruturas básicas e de acesso.

Atualmente, várias políticas de promoção do turismo têm sido instituídas em diversos estados brasileiros e a região Nordeste tornou-se um importante destino turístico, com o apoio de políticas como o Prodetur/NE, que possibilitou a implantação de infraestrutura básica em diversos polos e polos turísticos, como saneamento, iluminação, urbanização da fronteira, rodovias, aeroportos, entre outros (FONSECA, 2005; DANTAS, 2013; PEREIRA, 2015). Na última década, também houve um aumento no número de transportes aéreos turísticos e quase não há problemas.

Em 1999, o Guia lista 139 destinos turísticos no litoral brasileiro, um aumento de 43,2% em relação a 1989 (Tabela 1). É possível notar que o número de cidades de destino turístico no NE cresceu 87,8%; O estado da Bahia amplia sua participação dobrando o número de municípios listados no Guia e o Ceará aparece como um novo e importante destino regional/nacional (Figura 2).


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Figura 2 - Cidades turísticas do Nordeste do Brasil, segunda edição da edição de 1999 do Guia Quatro Rodas.
Fonte: Guia Quatro Rodas Brasil, 1999.

O turismo também cresceu na região do Brasil, com um aumento de 47,8% no número de cidades listadas na edição de 1999 da Guia, onde o Rio Grande do Sul apresenta um aumento expressivo (Tabela 1). No entanto, no caso do estado, o crescimento atípico não se mantém, apresentando um desempenho ruim para o turismo litorâneo, com cidades localizadas na serra norte do estado apresentando os melhores resultados.

Em 2009, houve tendência de retração em 25 cidades listadas no Guia, em comparação com 1999. Tal é possível devido ao acúmulo de cidades que não atraíram grande apelo turístico na década anterior, como foi o caso do Rio Grande do Sul, onde 13 cidades foram listadas na Guia em 1999, número que caiu para 3 em sua edição de 2009. Embora o caso do Rio Grande do Sul seja mais emblemático, há uma redução na edição de 2009 da participação de destinos turísticos em quase todos os estados brasileiros, exceto por alguns excessos no Nordeste do Brasil (Tabela 1, figura 1). E aqui devemos apontar as limitações do GQRB a partir de 2000 a, com a criação do MTur [Departamento Brasileiro de Turismo] em 2003, a instituição passou a fornecer dados sobre o crescimento constante da atividade turística no Brasil, principalmente no litoral, enquanto o Guia apontava para uma tendência de queda. É possível que a mudança nos critérios que permitiram que as cidades fossem listadas no Guia tenha contribuído para essa redução e, por isso, essa fonte deve ser usada com cautela. Este estudo foi útil para a análise das décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990, devido à escassez de outras fontes.

CRESCIMENTO DESIGUAL DO TURISMO NO LITORAL BRASILEIRO: QUEM MERECE UM LUGAR AO SOL?

Com base no Mapa do Turismo Brasileiro (2019b), o MTur atribuiu categorias às cidades em regiões turísticas, em função do nível de desenvolvimento de seus números de atividades relacionadas ao turismo. Considerando apenas os municípios do litoral, temos a seguinte distribuição por categoria: A (34), B (70), C (59), D (69) e D (7), conforme figura 3.

Assim, 239 cidades litorâneas, correspondendo a 86% do total, apresentam algum nível de organização em suas atividades relacionadas ao turismo, o mesmo que o de caráter elementar (como no caso das cidades classificadas nas categorias 'D' ou 'E'). Quase todas as cidades classificadas como 'A ou 'B' são destinos turísticos consolidados, representando 37% do total. Para incorporar os municípios da categoria 'C', que geralmente possuem apenas alguns atrativos e serviços turísticos, são 163 municípios, que representam 58,4% do total (Tabela 2). Com isso, o turismo se torna uma das atividades mais importantes do litoral brasileiro, local que ocupa há 30 anos.


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Tabela 2 - Cidades litorâneas classificadas pelo MTur - 2019. Fonte: Brasil, Secretaria de Turismo, Classificação das Cidades de Destino Turístico, 2019a.
Fonte: Brasil, Secretaria de Turismo, Classificação das Cidades de Destino Turístico, 2019a.


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Figura 3 - Classificação das cidades de destino turístico litorâneo.
Fonte: Brasil, Ministério do Turismo, Classificações de Cidades de Destino Turística, 2019a.

Considerando que as categorias atribuídas ao MTur definem a relevância dos serviços turísticos locais, os dados da Tabela 2 confirmam que a região litorânea é a mais desenvolvida em termos de atendimento turístico no litoral brasileiro onde, ao todo, 66,6% de suas cidades são classificadas como 'A' ou 'B' e que o estado de São Paulo, 15 cidades litorâneas, 13 - ou 87% - são classificadas em categorias superiores (A/B). Os estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro apresentam percentuais igualmente relevantes de municípios classificados como 'A' e 'B', com as maiores médias brasileiras, ou 64,2% e 56%, respectivamente. Vale destacar que as cidades litorâneas da região são as maiores e que o turismo convive com outras atividades econômicas relevantes, que não atravessam o Nordeste do Brasil.

Com base Figura 4, é possível que os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente na longa história da ligação rodoviária Rio-Santos, estejam localizados no serviço turístico mais dinâmico do Brasil, considerando o número de empresas, a atividade empresarial e os valores das taxas de hospedagem e do fluxo de visitantes estrangeiros. Destaque também para a Região dos Lagos (municípios de Cabo Frio, Armação dos Búzios e Arraial do Cabo). ] Rio de Janeiro, nomeadamente nas cidades de Angra dos Reis, Paraty e Armação dos Búzios.


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Figura 4 – Números de empregadores, negócios e arrecadação de impostos para empresas hoteleiras e o fluxo de imóveis nas cidades da Região SE – 2019.
Fonte: Brasil, Ministério do Turismo, Tourist Destination City Ratings, 2019a.

A região Sul também se destaca no nível de desenvolvimento de seu serviço turístico, com desempenho superior na mídia brasileira. A região é o segundo maior percentual de municípios nas categorias 'A' e 'B', com 45,8% dos municípios incluídos nessas categorias. A maior pontuação vai para Santa Catarina, com 51,8% de suas cidades classificadas como 'A' ou 'B', o que é confirmado pelos números expressos de empresas e negócios hoteleiros, bem como pelo número de empregos e negócios oferecidos pelos hotéis, bem como pelo número de empregos e fluxos de visitantes estrangeiros, principalmente em Florianópolis-Balneário Camboriú. 5 mostra que o estado de Santa Catarina apresenta números elevados para o turismo em termos de emprego, hospedagem e impostos, especialmente em Florianópolis e Balneário Camboriú.

Embora 80% das cidades classificadas na categoria 'B' estejam situadas no estado do Paraná, isso não deve ser tomado de forma isolada, pois outros indicadores relacionados ao turismo (empresas, recebimentos e fluxos de visitantes estrangeiros) não são vistos como relevantes no litoral daquele estado. O Rio Grande do Sul, por sua vez, apresenta aparência modesta no conjunto analisado, com destaque para o município de Torres, por ser um balneário historicamente vinculado às práticas e hábitos das feiras de seis grupos de elite locais (SCHOSSLER, 2010).


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Figura 5 – Números de empresas, negócios e recebíveis hoteleiros e fluxos de visitantes estrangeiros nas cidades da Região SE – 2019.
Fonte: Brasil, Ministério do Turismo, Tourist Destination City Ratings, 2019a.

A costa Nordeste do Brasil é extensa, com mais de 3.000 km, o que equivale a aproximadamente 30% da costa brasileira, abrangendo 9 estados brasileiros. De um total de 279 cidades litorâneas, 156 estavam no NE (55,9%). No entanto, apesar da expressividade de seu litoral e da importância que o turismo regional adquiriu nas últimas décadas, o nível de desenvolvimento e organização do serviço relativamente pequeno em relação ao país que se encontra nos estados do SE e Sul. Apenas 28,2% das cidades litorâneas do Nordeste do Brasil estão classificadas nas categorias 'A' ou 'B', basicamente compostadas pelas capitais e algumas outras cidades. O estado da Bahia é o que apresenta o maior número de empresas, número de estabelecimentos e recepção em hospedagem e fluxo de visitantes, seguido pelos estados de Pernambuco, Ceará,

6 mostra a importância que o turismo tem em todo o litoral do NE, entre São Luiz/MA e Porto Seguro/BA, com o número tendendo a ser mais expressivo nas capitais. De acordo com o exposto, outros municípios assumem relevância turística e são classificados como 'A': Ilhéus, Porto Seguro, Cairu e Mata de São João (BA); Ipojuca (PE); Jijoca de Jericoacoara (CE); Maragogi (AL); e Tibau do Sul (RN). Destacam-se, ainda, outros importantes municípios da classe 'B' no NE do Brasil, a saber: Fernando de Noronha/PE, Maraú/BA, Aracati/CE, Parnaíba/PI e Barreirinhas/MA. O litoral do Nordeste brasileiro também se destaca como receptor de fluxos domésticos de visitantes, em comparação com as demais regiões do país.


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Figura 6 – Números de empresas, negócios e receitas fiscais para empresas de hospedagem e fluxos de visitantes estrangeiros nas cidades da Região NE – 2019.
Fonte: Brasil, Ministério do Turismo, Classificações das Cidades de Destino Turístico, 2019a.

A região Norte do Brasil apresenta os indicadores mais frágeis. Com apenas quatro cidades incluídas nas últimas edições do Guia, o Mapa do Turismo Brasileiro mostra apenas Macapá classificada na categoria 'A'. Os dados de relevância da atividade são os menores do Brasil, em relação a todos os indicadores (Figura 7).


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Figura 7 – Números de Empreendimentos, Negócios e Impostos sobre o Fluxo de Hospedagem e Visitantes Estrangeiros em Destinos Turísticos em Cidades do Norte do Brasil – 2019.
Fonte: Brasil, Ministério do Turismo, Tourist Destination Ratings, 2019a.

Os principais fatores explicativos da concentração do turismo no litoral brasileiro estão enraizados em elementos históricos e culturais. No entanto, ao aprofundar a análise, verifica-se que a atividade é mais expressiva em algumas localidades brasileiras. Para dar um exemplo do desenvolvimento desigual das atividades ligadas ao turismo, basta mencionar que, das 239 cidades litorâneas listadas no MTur, apenas 34 estão classificadas na categoria 'A', incluindo capitais (12) e 22 municípios de pequeno e médio porte (Tabela 3).

O turismo está localizado na Baixa Bacia de Santos, em São Paulo, e na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, na rodovia Rio-Santos (BR-101). Alguns destinos localizados na Bacia de Santos eram frequentados por banhistas no final do século XIX (Guarujá e Santos), em Praia Grande/SP e em Balneário Camboriú/SC a temporada de verão teve início em 1920. Na década de 1990, essas práticas foram disseminadas para Ubatuba/SP e Cabo Frio e Armação dos Búzios/RJ. A década de 1960 foi adicionada a Ilha Bela/SP, São Sebastião/SP, Itapema/SC e Bombinhas/SC. Na década de 1970, o crescimento do turismo no Rio de Janeiro começou a crescer, notadamente Paraty, Angra dos Reis e Macaé. Pela primeira vez, a cidade do Rio de Janeiro sempre foi o mais importante centro receptivo do país, não que se dissesse respeito aos turistas estrangeiros.

  1. • Urbanização consolidada;

    • Facilidade de acesso;

    • A localização das cidades em relação às maiores metrópoles brasileiras (São Paulo e Rio de Janeiro), principais emissoras de turismo e cada vez mais demandadas;

    • Proximidade dos municípios com suas respectivas capitais, estando a pelo menos 200 km de distância de suas respectivas capitais.

No NE, o destaque fica para as capitais localizadas do país, com padrões repetidos de urbanização consolidada, infraestrutura básica e acessibilidade terrestre e aérea.

Como Cruz (2018), os elementos fixos e pré-existentes (urbanização, infraestruturas, acessibilidades) condicionarão o crescimento do turismo, sendo os principais fatores que explicam o crescimento desigual do turismo não costeiro, sendo mais frequente nas metrópoles ou grandes cidades.

No entanto, algumas localidades turísticas, especialmente aquelas localizadas no Nordeste do Brasil, extrapolam esse padrão, devido ao desenvolvimento de áreas com infraestrutura precária, inclusive de difícil acesso. E aos poucos a infraestrutura foi implantada como resultado de políticas públicas. Atualmente, esses locais são importantes destinos turísticos (Tabela 3).

Nesses casos, o processo que transformou esses lugares em destinos turísticos cheios de competição com sua 'descoberta' por hippies e/ou surfistas, como foi o caso de Cairu e Porto Seguro, na Bahia, e em Jijoca de Jericoacoara, no Ceará, como em Ipojuca, em Pernambuco, e em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte. O crescimento do turismo local a partir da década de 1980 (com exceção de Tibau do Sul, que foi 'descoberta' como destino turístico na década de 1970) e espontaneamente. O mito de uma 'natureza intocada' (DIEGUES, 2008) está na cabeça dos jovens turistas da época. O turismo contribui fortemente para promover a urbanização local.


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Tabela 3 - Dado dois destinos turísticos na categoria 'A', com excesso de capital. Fontes: IBGE Cidades; Guia Quatro Rodas.
Fontes: IBGE Cidades; Guia Quatro Rodas.

Com base na Tabela 3, que contém apenas os municípios litorâneos da categoria 'A', exceto as capitais, é possível concluir que:

  1. • O turismo é mais desenvolvido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com, respectivamente, 6 e 5 municípios classificados como 'A'. A Bahia segue com 4, enquanto Santa Catarina tem 3 municípios. Os demais estados do Nordeste brasileiro (AL, CE, RN e PE) possuem apenas 1 município classificado como 'A'. Revisamos aqui que os estados do Nordeste brasileiro de Sergipe, Paraíba, Maranhão e Piauí não possuem cidades com classificação 'A', exceto suas respectivas capitais.

    • Em relação ao porte populacional, essas localidades estão incluídas no grupo de cidades de pequeno e médio porte, as mais populosas do estado de São Paulo (Santos, Praia Grande e Guarujá) e do Rio de Janeiro (Macaé, Cabo Frio e Angra dos Reis). Nos estados do Nordeste do Brasil e Santa Catarina, predominam municípios de pequeno porte;

    • Os maiores Índices de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) são encontrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Santos e Balneário Camboriú apresentam os maiores índices. Os menores índices estão no Nordeste, com Maragogi, em Alagoas, apresentando o menor IDHM;

    • Não se referindo à malha de caprinos e à urbanização de vias públicas adequadas, os melhores índices encontrados nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para Santos, Praia Grande e Balneário Camboriú;

    • Os destinos turísticos mais antigos estão localizados nas regiões mais populosas (SP, RJ e SC) e possuem os maiores índices de infraestrutura social e básica. A sua urbanização precedeu, de um modo geral, o turismo;

    • Os destinos turísticos mais recentes estão localizados no Nordeste do Brasil e apresentam os índices mais frágeis. O turismo, de maneira geral, precedeu sua urbanização;

CONCLUSÃO

No início do século XX, as regiões dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro foram as primeiras a se consolidarem como destinos turísticos, para não se referir à lixeira sol-praia. O pioneirismo do turismo não costeiro no sudeste do Brasil está ligado a três fatores principais: proximidade com os grandes centros urbanos do país, acesso à rodovia (o crescimento da indústria automobilística) e investimentos públicos e privados (principalmente em hotéis) e à especulação associada ao fenômeno da segunda residência.

Nesse período, apenas cinco cidades do Nordeste foram incluídas no Guia Quatro Rodes de 1966 (Salvador, Recife, São Luís, Ilhéus e Olinda), cidades que historicamente concentravam as melhores condições de infraestrutura urbana e acessibilidade, bem como a maior população; apenas quatro cidades litorâneas do sul do Brasil são listadas (como destinos de lazer para as elites locais), e nenhuma da região norte é incluída. Esse panorama foi significativamente alterado nas décadas de 1970 e 1990, quando houve um maior aumento das atividades relacionadas ao turismo no litoral brasileiro.

Com exceção da Região Norte, o turismo ganhou força e expressão econômica em muitas localidades litorâneas, com diferenças significativas ao nível do desenvolvimento da atividade. As regiões Sudeste e Sul apresentam os maiores indicadores do setor, concentrando-se principalmente no trecho da Baixada Santista até Armação dos Búzios/RJ, e no trecho de Paranaguá/PR até Florianópolis/SC, respectivamente. No NE, as cidades continuam concentrando os maiores números do setor, de modo que o turismo se torna um serviço expressivo em algumas cidades de pequeno porte, como: Porto Seguro, Cairu e Mata de São João (BA); Ipojuca (PE); Jijoca de Jericoacoara (CE); Maragogi (AL); e Tibau do Sul (RN).

Pode-se concluir que o turismo de sol e praia está presente em todas as cidades do litoral, ainda que seu crescimento seja desigual ao litoral longo. O caráter espacial do turismo de praia é condicionado pela estrutura pré-existente e, de modo geral, reforçou o padrão anterior, concentrando-se nas maiores cidades e metrópoles litorâneas. Também em locais com pouca infraestrutura para desenvolver o turismo, a ação específica dos governos buscacou sanar as deficiências (sem prejuízo dos frágeis indicadores sociais), promovendo locais visitados por mochileiros (hippies/surfistas) ou banhistas a destinos de relevância no mercado turístico, regional, nacional e internacional, ou que leve a um significativo processo de urbanização.

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