Abstract: O aumento da sensação de insegurança urbana tem justificado a autosegregação das camadas de renda média e alta da sociedade para enclaves fortificados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O objetivo principal deste artigo é analisar a fragmentação em trechos/setores com maior concentração de "condomínios privados" e avaliar os impactos decorrentes da expansão de empreendimentos fragmentados no tecido socioespacial. Portanto, o estudo indica uma mudança do modelo de segregação dual (centro-periferia) para o padrão de fragmentação socioespacial que vem se desenvolvendo, principalmente, em uma pequena área do setor leste (bairro de Lourdes), no setor sudeste e partes do setor sul e trechos específicos dos municípios de Eusébio e Aquiraz.
Keywords: Insegurança urbana, Auto-segregação, Reestruturação do Espaço Urbano, Fragmentação Socioespacial, Tipologia dos Enclaves Fortificados.
Resumo: O aumento da sensação de insegurança urbana tem justificado a autosegregação dos níveis médio e alto da sociedade para os enclaves fortificados da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). O presente artigo tem como objetivo principal analisar a fragmentação da maior concentração de "condomínios datados" e avaliar os impactos da expansão de empreendimentos fragmentados em áreas socioespaciais. Portanto, o estudo indica uma mudança no modelo de segregação dual (centro-periferia) na direção do padrão de fragmentação socioespacial que se desenvolve, prioritariamente, em uma pequena área do cenário leste (bairro de Lourdes), no sudeste e partes da zona sul e trechos específicos dos municípios de Eusébio e Aquiraz.
Palavras-chave: Insegurança Urbana, Autossegregação, Reestruturação do Espaço Urbano, Fragmentação Socioespacial, Tipologia dos Enclaves Fortificados.
Résumé: L'augmentation du sentiment d'insécurité urbaine a justifié l'auto-ségrégation des couches moyennes et supérieures de la société vers des enclaves fortifiées dans la Région Métropolitaine de Fortaleza (RMF). L'objectif principal de cet article est d'analyser la fragmentation dans les secteurs à plus forte concentration de « copropriétés fermées » et d'évaluer les impacts résultant de l'expansion des entreprises fragmentées dans le tissu socio-spatial. L'étude indique un changement du modèle de ségrégation duale (centre-périphérie) vers le modèle de fragmentation socio-spatiale qui se développe, principalement, dans une petite zone du secteur Est (quartier de Lourdes), en le secteur sud-est et des parties du secteur sud et des zones spécifiques des communes d'Eusébio et d'Aquiraz.
Mots clés: Insécurité urbaine, Auto-ségrégation, Restructuration de L'espace Urbain, Fragmentação Sócio-Espacial, Typologie des Enclaves Fortifiées.
INTRODUÇÃO
Os novos modelos residencial e comercial se diferenciam pela construção de barreiras físicas que acentuam as diferenças socioespaciais e impõem restrições à acessibilidade e à mobilidade urbana. A grande e diversificada gama de tipos de enclaves fortificados, controlados e vigiados, consolida o processo de fragmentação socioespacial, aqui entendido como segregação diferenciada com substância em porções reduzidas do espaço urbano, desenvolvido principalmente no sudeste, inusitadamente, no sudeste, no sudeste, no sudeste, no sudeste, no sudeste,
A busca setentrional deste trabalho traça o debate sobre a consolidação da fragmentação provocada pela expansão dos enclaves fortificados na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) a partir de dois anos 2000. Mas, em princípio, é preciso levar em conta que um conjunto de fatores – o aumento da ocorrência de crimes violentos e a produção e reprodução de um imaginário coletivo de violência contribui para o redimensionamento das residências e práticas socioespaciais dos moradores da cidade.
Dessa forma, prospera em inúmeras paisagens urbanas do meio ambiente (LIRA, 2017) que engloba inúmeras estratégias socioespaciais de controle e contenção (FERNANDES, 2009). Todos esses atributos, brevemente anunciados naquele momento, definem uma fobópole, como propõe Souza (2008). 1
Como Fernandes (2009), o aumento da sensação de meio e insegurança altera os itinerários urbanos, restringindo-se, com maior frequência, a espaços privados dotados de mecanismos de controle e vigilância de acessos: shopping centers, parques aquáticos, conjuntos habitacionais e lotes privados. O confinamento de equipamentos de lazer e serviços intramuros e seleção espacial (escolhas de lugares baseadas na segurança neste caso) garantem, ao mesmo tempo, exclusividade social e relativa independência do resto da cidade.
Sposito (2011, p.124) explica que a implantação excessiva de empreendimentos com acesso restrito é um dos dois fatores que redefinem a segregação centro-periferia, enquanto os sistemas residenciais de segurança, vigilância e barreiras físicas controlam o acesso e a circulação. tanto no espaço privado quanto no público, reconfigurando o ambiente espacial e social da cidade contemporânea.
Essa perspectiva reforça o debate sobre a limitação da organização baseada na segregação centro-periferia após a consolidação da fragmentação urbana (SALGUEIRO, 1998), centrado na análise das formas urbanas que representam a segregação socioespacial em microescala ( CALDEIRA, 2000; JANOSCHKA, 2002), cujas características se devem à súbita diferenciação socioespacial (SALGUEIRO, 1998; SPÓSITO, 2011; VASCONCELOS, 2013), com fortes restrições à acessibilidade e mobilidade nos espaços da cidade (CALDEIRA, 2000; SOUZA, 2008) e dominância social limitada a áreas de uso comum de enclaves residenciais e espaços de consumo segmentado, denotando seletividade espacial (FERNANDES, 2009; DAL POZZO, 2015).
A dispersão geográfica dos grupos de renda média e alta foi alcançada pela implantação gradual das "cidades-fortaleza" e seus respectivos sistemas de segurança e vigilância e exerceu enorme influência na dinâmica metropolitana metropolitana. leste e sudeste da capital; Por outro lado, a expansão da oferta de lotes privados, lotes multiuso (Aphavilles) e condomínios da praia é um fenômeno metropolitano, materializando um padrão de habitação urbana fragmentada tanto em áreas consolidadas quanto em trechos de urbanização dispersa. Todas as empresas que fragmentam o espaço urbano caracterizam-se por maior autonomia e dissociação do ambiente imediato; no entanto, também tem conexões com os espaços centrais e os grandes centros de consumo do município de Fortaleza.2
O objetivo principal deste artigo é analisar a fragmentação dos trechos com maior concentração de conjuntos residenciais murados controlados por aparatos de vigilância e segurança e discutir os impactos negativos da expansão dos conjuntos residenciais murados e da vigilância não espacial da cidade. Por meio deste estudo, é possível contextualizar e compreender as razões da intensificação da segmentação socioespacial e as transformações das estratégias dos agentes que oferecem uma expansão na oferta e diversificação dos tipos de enclaves residenciais e comerciais, que oferecem uma grande variedade de tipos de equipamentos e serviços de uso comum dentro dos muros e limites cercados.
O recorte temporário deste trabalho a partir dos anos 2000 e 2020 e foram definidos como principais categorias e conceitos, as escalas geográficas (municipal e metropolitana), a elaboração de um mapa com dois trechos/setores com maior grau de fragmentação da RMF, um levantamento da oferta de condomínios residenciais horizontais na cidade de Fortaleza, no ano de 2017, elencando os impactos decorrentes de projetos que fragmentam o espaço urbano e construção de uma tipologia de enclaves fortificados para RMF.
A análise da fragmentação foi realizada em cinco unidades geográficas. Em escala intraurbana no município de Fortaleza, 1) uma pequena parte da zona leste (Bairros de Lourdes e Manuel Dias Branco); 2) setor sudeste (trecho no entorno da Av. Washington Soares/CE 040); 3) regiões do Sul como referência para a implantação de enclaves residenciais que foram decompatibilizados com o ambiente socioespacial que o cerca; Na escala metropolitana de Fortaleza, há dois trechos de intensa aglomeração de conjuntos residenciais murados e vigiados no entorno da capital cearense: 4) o ramal localizado próximo à rodovia CE 040 (não Eusébio) e 5) a área litorânea de Aquiraz.
O levantamento bibliográfico revela que a fragmentação é uma categoria essencial na avaliação dos diversos impactos de conjuntos residenciais com acesso controlado e segurança privada. A intensidade e a forma dos efeitos no espaço urbano variam de acordo com o tamanho do enclave residencial, as estratégias de contenção socioespacial (barreiras físicas, guardas e sistemas de vigilância e segurança) e também as práticas socioespaciais estabelecidas entre as ninhadas sociais altas e médias, desconectadas do meio ambiente e do restante da cidade.
ENCLAVES FORTIFICADOS E FRAGMENTAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE FORTALEZA
O aumento da oferta e a diversificação dos tipos de enclaves fortificados acentuam as diferenças socioespaciais nas áreas onde se estabelecem, especialmente nas principais áreas de expansão imóvel na FMR, acelerando o processo de fragmentação socioespacial nos espaços urbanos e no entorno da capital cearense. Neste momento, foram identificados três setores com alta concentração de condomínios e discutidos os impactos físico-espaciais, socioterritoriais e sociais do novo padrão de segregação.
Entende-se que a produção excessiva e o desenvolvimento de novos tipos de enclaves residenciais são crescentes, rompendo a unidade do ambiente socioespacial e a reorganização interna do espaço urbano a partir de fragmentos urbanos. A separação entre os que estão "dentro e os que estão fora dos muros" e os que são "condomínios privados" é uma marca simbólica e material da mudança no padrão de segregação contemporâneo, que produz descontinuidades no meio urbano imediato e gera um redirecionamento da sociabilidade nas ninhadas da sociedade. de médio e alto desempenho para espaços comuns em enclaves residenciais e grandes equipamentos de consumo segmentado disponíveis em novas centralidades (SALGUEIRO, 1998; CALDEIRA, 2000; BAUMAN, 2007; SPÓSITO, 2011; DAL POZZO, 2015).
Em segundo Prévôt-Schapira (2001), a noção de fragmentação emergiu na literatura com estudos sobre a cidade final da década de 1980. Essa concepção acrescenta aspectos da dimensão espacial (concreta e visual) da fratura do meio socioespacial, das descontinuidades morfológicas, da formação de unidades autônomas em relação ao restante da cidade, da dimensão social com novas formas de exclusão e da dimensão política por meio de novos dispositivos de gestão e regulação urbana no desenvolvimento da metropolização no desenho da reestruturação econômica e da insegurança urbana.
Avaliando a fragmentação físico-material, Janoschka e Glasze (2003) relatam que a análise das consequências de empreendimentos residenciais murados equipados com serviços de segurança privada é sempre resumida para discutir os impactos causados pelas barreiras físicas, pois é preciso levar em consideração também a gestão privada da segurança do espaço público, desagregação social, morfologia dos enclaves fortificados e formas de controle e controle. Contenção socioespacial que implica restrições à acessibilidade e mobilidade urbana, há uma série de espaços/serviços de lazer de uso exclusivo dos moradores e a presença de funções típicas de uma cidade. Sinteticamente, esses autores propõem uma investigação mais extensa da ruptura do tecido socioespacial por meio de três níveis analíticos: a fragmentação físico-material;
Nesse sentido, parece muito correto restringir o uso da fragmentação térmica e autossegregação dos estratos superiores e médios em enclaves residenciais protegidos por barreiras físicas, sistemas de vigilância e segurança. Um novo tipo de segregação, separações e contenção socioespacial se manifestam em pequenas escalas e
[...] A relativa proximidade geográfica é possível devido a dois muros e sistemas de controle de acesso a espaços residenciais privados (lotes privados e condomínios horizontais e verticais), espaços industriais (condomínios empresariais), espaços comerciais e de serviços (como shopping centers, shopping centers, espaços de lazer e entretenimento), bem como a livre circulação em espaços públicos (SPOSITO & GOES, 2013, p. 141).
Para Caldeira (2000), o aumento da insegurança urbana cristaliza-se em fronteiras materiais e simbólicas, cujas separações entre as diferentes camadas se acentuam por meio de dois enclaves fortificados. Consequentemente, a consolidação de novos produtos imobiliários e comerciais, como lotes privados, condomínios horizontis, condomínios verticais, shopping centers, torres comerciais, parques temáticos, etc., desvaloriza o público e o público.
Em geral, esses empreendimentos imobiliários são relativamente independentes de seu entorno imediato e, devido aos dispositivos de controle, segurança e lazer, podem estar localizados praticamente em qualquer ponto da cidade, mas a localização desses artefatos é espacialmente concentrada.
Como resultado, a auto-segregação das elites nesses enclaves fortificados é um fator de fragmentação da cidade contemporânea (SALGUEIRO, 1998; CALDEIRA; SOUZA, 2008; SPÓSITO, 2011; DAL POZZO, 2015). Portanto, a forma atual de crescimento urbano, não a expansão mais valorizada da RMF, se dá por sua abordagem dinâmica e diferenciada do padrão centro-periferia, como sugere Diógenes (2012). Enquanto isso, o aumento da diferenciação e segmentação ocorre principalmente em trechos específicos das principais regiões metropolitanas cearensas.
O modelo centro-periferia desenvolve-se, predominantemente, em uma área de infraestrutura bem servida (centro-leste da capital cearense) em oposição a outras áreas periféricas, com áreas segregadas espacial e socialmente.
Assim, a distribuição territorial dos estratos sociais mostra uma tendência histórica de concentração das elites em bairros tradicionalmente reconhecidos como localidades de status social e econômico (Aldeota, Praia de Iracema, Meireles, Varjota e Dionísio Torres).
Além dos espaços tradicionalmente ocupados pelas elites tradicionais, os segmentos de alta renda foram agrupados preferencialmente em uma grande região que engloba os bairros do Cocó, Papicu, De Lourdes e Manuel Dias Branco (setor leste); na região sudeste (BERNAL, 2004; MONTEIRO, 2007; DIÓGENES, 2012; FÚCK JUNIOR, 2012), que incluiu Edson Queiroz, Guararapes, Salinas, Luciano Cavalcante, Cidade dos Trabalhadores, Parque Manibura e José de Alencar.
Como já mencionado, a fragmentação se desenvolve de forma mais intensa no sudeste de Fortaleza, em um trecho específico da rodovia CE 040, que faz parte do município de Eusébio e na região do Porto das Dunas (impulsionada pelo crescimento urbano às margens da CE 025 – Via Litorânea), sendo para outras porções da costa leste do município de Aquiraz (Figura 1).
A análise da "Oferta de condomínios residenciais na cidade de Fortaleza (Figura 2) permitiu identificar uma significativa concentração espacial de condomínios de alto padrão nos bairros De Lourdes e Manuel Dias Branco, e de condomínios de pequeno e médio porte nos bairros De Lourdes e Manuel Dias Branco, e de condomínios de pequenas e médias empresas destinados a média renda, Sapiranga/Coité, José de Alencar (antigo Alagadiço Novo), Edson Queiroz, Lagoa Redonda Engenheiro Luciano Cavalcante, Cidade dos Trabalhadores, Parque Manibura e Cambeba e Messejana.


Verifica-se que as áreas de alta circulação de condomínios no município de Fortaleza, coincidem com as áreas de alta concentração de níveis sanguíneos médios e altos e de valor real, principalmente durante o longo período de importantes vias municipais e internacionais; que ficam no entorno da Avenida Washington Soares/CE-040 (trecho inicial do vetor sudeste da expansão metropolitana) e na Av.
A centralidade linear da Av. O Washington Soares/CE-040 oferece acesso a equipamentos públicos e privados, como shoppings, shoppings, lojas, grandes lojas e hipermercados, Centro de Convenções, Fórum Clóvis Beviláqua, escolas particulares e universidades.
Na zona sul do município de Fortaleza, o aumento do número de condomínios unifamiliares, convertidos para as ninhadas médias e médias dos bairros Passaré, Maraponga e Monduim, permite a mistura de fragmentos de horizontalidades próximos a empreendimentos de apartamentos, que se sobrepõem à paisagem urbana tradicional. Esses bairros vêm passando por intensas transformações em suas paisagens e valorização imobiliária devido ao forte desenvolvimento comercial nas principais vias que dão acesso a eles, Av.
Nogueira (2016) constatou que inúmeros grandes lotes privados e condomínios horizontais ocupam os espaços ao redor de Fortaleza, formando um anel periférico. Entre os megaprojetos implantados que circundam o município de Fortaleza, destacam-se o Alphaville Fortaleza, Alphaville Eusébio, Quinta das Fontes, Park Eusébio, Quintas do Lago, Jardins Ibiza, além dos condomínios Praia Aquaville Resort, Beach Park Living, Resort Oceani, Condomínio Portugal Village, Porto Beach Residence e Resort Atlantic Palace. Na RMF prossegue um ramal, que começa na Avenida Maestro de Lisboa e continua ao longo da CE-025, principal eixo de expansão leste-sudeste. Esse processo de urbanização tem sido realizado, cada vez mais, por grandes empreendimentos imobiliários que combinam usos residenciais e comerciais. Fortemente ligada ao turismo ou segunda habitação,
Depois, durante os anos 2000, houve um intenso aumento no valor do imóvel no Porto das Dunas, com um aumento gradativo na instalação de condomínios na área convencional aberta pela família Gentile, em 1979 (DIÓGENES, 2012). A partir do final da década de 1990, foram implantados empreendimentos que combinavam residencial, hoteleiro-turístico e amplas opções de lazer, denotando relativa autonomia em relação ao meio ambiente. O complexo aquático Beach Park, principal negócio do estado do Ceará, é o principal fator de valorização do imóvel e atrativo da região.
As descontinuidades são continuamente espaçadas em direção à praia, visitando as praias de Iguape e Barro Preto, onde enclaves residenciais de lazer não são apenas contíguos a um problema urbano consolidado, como o Golf Ville Resort Residence, Mandala Kauai e Aquiraz Riviera. Um ambiente urbano disperso e fragmentado é produzido com unidades autônomas que mantêm uma falta de relação espacial com os espaços que são ajardinados.
Um número significativo de estudiosos dedica-se a avaliar os impactos dos conjuntos residenciais na estrutura urbana (BECKER, 2005; SOUZA, 2008; SPÓSITO e GOES, 2013; TURCZYN, 2013; AS, 2013; SKIOTA, 2015). A intensidade e o tipo de impacto físico-material, social ou territorial do espaço urbano dependerão do tamanho da barreira física que envolve os empreendimentos, da diversidade de equipamentos e serviços do interior das paredes e da forma de integração nos espaços ao redor do enclave residencial.
Caldeira (2000) reconhece que o muro de grandes áreas residenciais é o artifício mais visível de uma série de estratégias de proteção, separação e distinção social. Diante disso, o distanciamento social com proximidade física, revelado por Caldeira (2000) estudos de Santos E. (2015), para o bairro Sapiranga, e Freitas e Costa (2021, p. 42 ), no caso do bairro De Lourdes, que também é resultado da instituição de uma fragmentação físico-espacial, socioterritorial e social "resultante da propagação de conjuntos habitacionais murados com acessos controlados que afetam o ambiente socioespacial e provocam mudanças na relação das pessoas com o restante da cidade".
Os bairros de Sapiranga/Coité, Lagoa Redonda, José de Alencar e Messejana destacam-se na oferta de conjuntos habitacionais privados representados em termos de distanciamento social/proximidade espacial como assentamentos precários no entorno de enclaves residenciais, consolidando o padrão de fragmentação no sudeste do valor da nobreza, fundamentalmente. Em muitas localidades da cidade de Fortaleza, algumas comunidades carentes estão muito próximas a enclaves residenciais, tentando ocupar os canteiros de vias públicas e/ou construir casas nos muros de conjuntos residenciais.
Nesse sentido, o ambiente urbano da Região Metropolitana de Fortaleza está passando por significativas mudanças morfológicas, decorrentes de lógicas de separação (surgimento de barreiras físicas e controle de acesso) e distanciamento social. Houve uma redefinição da segregação socioespacial em partes específicas do ambiente de Fortaleza, indicando a consolidação da fragmentação físico-espacial, da fragmentação socioterritorial e da fragmentação social.
Diante do aumento da criminalidade violenta e das novas finalidades dos agentes imbiliares, o murmuramento dos espaços de convivência tornou-se uma prática socioespacial entre os segmentos de média e alta renda da cidade de Fortaleza, onde há uma proliferação e diversificação de enclaves fortificados, que se subdividem em três categorias: enclaves residenciais horizontais, enclaves residenciais verticais e enclaves comerciais e de lazer. Nesse contexto, foram identificados 12 tipos de enclaves fortificados na FMR, que se distinguem pelo padrão arquitetônico, pela forma de uso predominante, pela localização e pelo perfil socioeconômico dos moradores: condomínio clandestino ou pseudocondomínio, loteamento privado, loteamento de uso, condomínio; condomínio vertical I, condomínio vertical I, clube condomínio ou super condomínio,

Grandes lotes privados e supercondomínios (grandes complexos verticais de edifícios com uma ampla gama de preguiços e serviços) produzem fortes descontinuidades nas organizações urbanas devido às suas enormes dimensões e autonomia avançada. Em particular, os efeitos socioespaciais dos deletérios são muito menores nos grandes lotes privados, pois há uma maior dependência das funções e serviços da cidade, pois o aumento da segurança tem contribuído para a expansão das áreas de lazer e serviços em todos os tipos de conjuntos residenciais murados.
Além disso, é evidente a incongruência no uso do termo "condomínio privado" para se refer a anyquer conjunto habitacional wallado. A denominação de condomínios privados, mais usual no Brasil, ou o mesmo condomínio exclusivo, como prefere Souza (2008), é uma denominação extensiva que não engloba a multiplicidade e complexidade de dois modelos de conjuntos residenciais murados disponíveis no mercado formal e municipal e justifica a elaboração de uma tipologia, mais detalhada e com novos tipos de elementos fragmentadores do espaço urbano. para FMR. Portanto, não é possível qualificar, da mesma forma, os condomínios verticais abertos à via — construídos nas décadas de 1980/1990 —, em sua maioria, localizados nos bairros centro-leste e periférico da cidade de Fortaleza, ou os mesmos que provêm de áreas de circulação,
Portanto, o que deve ser enfatizado nesta parte do trabalho é que há uma diversificação dos padrões dos enclaves fortificados nas últimas décadas e seus efeitos físicos, espaços e sociedades variam de acordo com o tipo, tamanho, morfologia e combinação de uso de um mesmo equipamento urbano. A dimensão, a alta densidade e a posição justa de vários empreendimentos horizontais murados, em uma mesma área, restringe a acessibilidade e a permeabilidade urbana, alonga as vias pedestres e veiculares que não são urbanas e inseguras em longas áreas caracterizadas por baixos fluxos de tráfego. pessoas e pessoas alternativas da Rota. Por outro lado, os percursos dos sujeitos autosegregados limitam-se a locais de residência e áreas de uso coletivo de enclaves residenciais e novos espaços de consumo segmentado (shopping centers, hipermercados/supermercados, etc.).
Consequentemente, a valorização da esfera privada e as novas exigências do modo de vida contemporâneo induzem a uma diversificação das opções de descanso em áreas de uso coletivo de enclaves residenciais. As opções de lazer mais comuns oferecidas à classe médica são piscina, academia, playground, sauna, campo de futebol e a saúde das pessoas com churrasqueira. Já em um condomínio de alto padrão, é possível disponibilizar espaços mais específicos, como piscina com raia, playground arborizado, quadras de tênis, quadra poliesportiva e ampla área verde para uso exclusivo dos habitadores, que se tornem elementos de status social e valorização econômica do empreendimento residencial do imóvel.
Quanto às consequências sociais e socioterritoriais, destacam-se a privatização de áreas públicas e a imposição de serviços prestados por empresas privadas (principalmente na área de segurança), que, em muitos casos, substituem as responsabilidades da administração pública. Resorts, condomínios, condomínios residenciais de médio porte, lotes privados e empreendimentos do tipo Alphaville tendem a localizar-se, preferencialmente, na beira-mar ou próximos a recursos naturais de relevante interesse paisagístico e ambiental, como Áreas de Proteção Ambiental (APPs) e praia faixa, muitas vezes inviáveis ou desestimulando o uso dessas áreas pela população local.
É preciso tentar garantir que o tipo de exclusivismo socioespacial dos grupos sociais dos grupos sociais mais elevados seja semelhante à fragmentação do sociopolítico-espacialSOUZA, 2008) ou político-territorial (JANOSCHKA & GLASZE, 2003), caracterizado pela substituição de serviços essenciais, de responsabilidade do município, por atividades realizadas por empresas privadas e empresas estratégicas de controle socioterritorial de seu espaço.
A segurança gerenciada por empresas privadas é mantida por um sofisticado sistema de proteção perimetral murada e contenção socioespacial que pode incluir portas 24 horas, câmeras de vigilância, sistemas de alarme, portões de guarda elevados com datas/portas blindadas, portas eletrônicas, triagem de moradores e visitantes e patrulhamento de veículos em vias públicas.
Essas estratégias de contenção e controle socioespacial funcionam como dispositivos de separação, demarcação do espaço de convivência e condicionamento da estrutura de fragmentação. Sem dúvida, os muros dos enclaves residenciais são simultaneamente demarcações físicas e simbólicas que provocam restrictções à circulação na cidade. Reafirmo o isolamento, a distinção e a distância entre grupos sociais e as relações sociais e espaciais com o meio imediato e o mesmo que outras partes de Fortaleza, negando a possibilidade de convivência com as diferenças e limitando o acesso de outros grupos sociais.
CONCLUSÃO
O aumento da criminalidade violenta está relacionado à disseminação da insegurança na cidade de Fortaleza. Essa é uma situação legítima na construção de barreiras físicas que acentuam as diferenças socioespaciais nas áreas onde se estabelecem enclaves residenciais. A superoferta e diversificação de tipos de conjuntos residenciais controlados e vigiados consolida o processo de fragmentação socioespacial em trechos/conjuntos específicos de Fortaleza. Com base nesta pesquisa, foi possível verificar a passagem da segregação centro-periferia, em trechos específicos do município de Fortaleza e da RMF, pelo padrão de fragmentação socioespacial. Nesse contexto, há forte fragmentação no setor leste-sudeste, na porção sul, e entorno do município de Fortaleza.
Em outra escala, no nível metropolitano, estabelece-se uma intensa concentração de lotes privados, condomínios e condomínios de verão em trechos representativos dos municípios de Eusébio e Aquiraz. O resultado é a produção de um ambiente urbano disperso e fragmentado em um setor imobiliário altamente valorizado, acompanhando a expansão metropolitana da Avenida Washington Soares/Rodovia (CE-040) e da Maestro Lisboa/Via Litorânea (CE-025).
Quando a análise dos dois impactos problemáticos do negócio que está envolto em muros, passa necessariamente pelo debate dos desafios e limites que impõem à cidade como unidade espacial e social com fortes restrições de acessibilidade e mobilidade, transformação da sociabilidade na esfera pública, apropriação privada dos espaços públicos, transferência de responsabilidades públicas para empresas privadas e constrangimentos socioespaciais e estratégias de contenção. Assim, tem havido uma demanda crescente por sistemas de segurança residencial e uma diversificação de novos tipos de enclaves residenciais e comerciais na RMF, cujos vários tipos incluem condomínios verticais (condomínios clube são os mais complexos e sofisticados), condomínios horizontais, condomínios de praia, condomínios múltiplos - usar loteamentos, shopping centers,
Assim, à medida que a cidade contemporânea é fragmentada, as relações sociais são pautadas por sentimentos de meio e desconfiança, materializados em separações físicas e estigmas territoriais que transformam a sociabilidade contemporânea. Nesse contexto, tem-se verificado uma tendência das camadas sociais de alta renda em deixar os espaços de uso comum e de convivência pública "confinados" em conjuntos residenciais murados dotados de áreas de lazer e serviços privados. Temos um menor diálogo entre diferentes grupos sociais e menor sociabilidade nos espaços públicos porque parte das relações sociais dos estratos de renda média e alta é utilizada para os equipamentos de descanso e serviços dentro dos muros da cidade e espaços de consumo muito segmentados
ANOTAÇÕES
2- Essa terminologia é adotada por Davis (1993) para desacreditar a estratégia defensiva de dois estilos de vida luxuosos da sociedade Los Angeles-EUA.
RECONHECIMENTO
Os autores agradecem o financiamento dos projetos FUNCAP/FCT Proc.00141-00015.01.00/18: GRAMPCITY; IMPRESSÃO CAPES Proc. 88887.312019/2018-00: Tecnologias e métodos socioambientais integrados para a sustentabilidade territorial: alternativas para comunidades locais no contexto das mudanças climáticas; Programa CAPES/FUNCAP Proc. 88887.165948/2018-00: Apoio à Cooperação Científica Estratégica no Programa de Pós-Graduação em Geografia – UFC; e Rede de Pesquisa Observatório das Metrópoles INCT/CNPq.
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Notas de autor
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