Artículos
A comunicação parental e a relação entre irmãos
Parental Communication and the Sibling Relationship
A comunicação parental e a relação entre irmãos
Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology, vol. 56, núm. 2, e1598, 2022
Sociedad Interamericana de Psicología

Recepción: 08 Abril 2021
Aprobación: 21 Julio 2022
Resumo: O presente estudo teve como principal objetivo analisar a relação da comunicação parental e a qualidade da relação fraterna numa amostra de adolescentes. Neste sentido, realizou-se uma investigação de natureza exploratória, quantitativa e transversal, com uma amostra de 209 adolescentes, com irmãos, e aplicou-se em contexto de sala de aula um Questionário Sociobiográfico, a Escala de Avaliação da Comunicação na Parentalidade e o Brother-Sister Questionnaire. Os resultados demonstraram que existe uma associação positiva entre a comunicação parental e a empatia e semelhanças na relação fraterna; que a expressão do afeto e apoio emocional, relativamente à mãe, prediz positivamente a manutenção de limites na relação fraterna; e a metacomunicação prediz negativamente a manutenção de limites entre os irmãos.
Palavras-chave: comunicação parental, relação, irmãos, adolescência.
Abstract: The main objective of this study was to analyze the relationship between parental communication and the quality of fraternal relationship in a sample of adolescents. In this sense, an exploratory, quantitative and transversal investigation was carried out, with a sample of 209 adolescents, with siblings, and a Sociobiographical Questionnaire, the Communication Assessment Scale in Parenthood and the Brother-Sister Questionnaire were applied in the classroom context. The results showed that there is a positive association between parental communication and empathy and similarities in fraternal relationship; whereas the expression of affection and emotional support towards the mother positively predicts the maintenance of limits in the fraternal relationship; and metacommunication negatively predicts the maintenance of boundaries between siblings.
Keywords: parental communication, sibling, relationship, adolescence.
Introdução
Comunicação familiar
A comunicação familiar é avaliada tendo como por base a família como um grupo, e integra determinadas competências, como sejam a escuta ativa, a empatia, a clareza no diálogo, a partilha de emoções e o respeito entre os elementos que compõem o grupo familiar (Olson, 2000). Especificamente, a comunicação é uma dimensão determinante da relação entre pais e filhos (Portugal & Alberto, 2013; 2013a; Portugal & Marques, 2014), a qual permite a compreensão acerca da dinâmica presente nesta relação (Carvalho, 2015; Portugal & Alberto, 2010; Relvas, 1996). A comunicação parento-filial compreende diferentes fatores, entre os quais, expressão afetiva e suporte emocional, disponibilidade comunicacional, confiança e partilha comunicacional e metacomunicação (Portugal & Alberto, 2013a). A comunicação fraternal, quando há mais do que um filho na família, está ligada à comunicação parental e interfere na qualidade desta comunicação pois todos os subsistemas familiares estão interligados (Alarcão, 2002).
A comunicação assume um papel fundamental no sistema familiar, na medida em que promove o seu funcionamento adequado (Bireda & Pillay, 2017), o desenvolvimento dos diferentes elementos da família (Carvalho, 2015; Portugal & Marques, 2014) e o seu bem-estar (Martínez, 2013). Conforme Alarcão (2002), a comunicação é determinante para a compreensão das interações familiares, nomeadamente, a estrutura dos processos comunicacionais (e.g., as regras familiares), sendo a base das interações familiares, e permitindo perceber como funcionam estas interações, como se organizam, e a sua influência sobre o desenvolvimento da família e dos indivíduos que a constituem.
A definição dos papéis ocupados pelos diferentes elementos da família, o estabelecimento de regras, os comportamentos a ter, e as funções exercidas por cada um são aspetos da relação parento-filial e da relação fraternal estabelecidos por meio da comunicação (Alarcão, 2002; Lee & Wong, 2009; Offrey & Rinaldi, 2014; Portugal & Marques, 2014; Relvas, 1996). Do mesmo modo, é também a partir da comunicação que os diferentes elementos do sistema familiar partilham as suas necessidades, expressam as suas emoções e ambições (Bireda & Pillay, 2017).
A comunicação estabelecida entre os diferentes membros da família influencia a qualidade do desenvolvimento familiar e individual (Carvalho, 2015). Como referido por Portugal e Alberto (2013), a comunicação define o funcionamento familiar global, como também os relacionamentos intrafamiliares. De acordo com Olson (2000), os sistemas familiares equilibrados, por norma, apresentam uma comunicação bem-sucedida, já os sistemas familiares desequilibrados evidenciam de modo geral uma comunicação pobre.
A comunicação constitui um dos elementos do exercício da parentalidade mais relevantes para a socialização do indivíduo (Portugal & Alberto, 2013a). Assim, a comunicação parento-filial baseada num diálogo bidirecional facilita a competência psicossocial do indivíduo (Önder & Yurtal, 2008; Steinberg & Silk, 2002), sendo que a explicação das normas e as expectativas claras face ao seu comportamento possibilitam que o indivíduo perceba o funcionamento das relações interpessoais, o que promove o seu desenvolvimento moral e empatia (Steinberg & Silk, 2002). Em contrapartida, a perceção por parte dos filhos de falta de abertura comunicacional na relação parental influência, de forma negativa, o seu ajustamento psicossocial (Martínez, 2013; Portugal & Marques, 2014). De acordo com Portugal e Alberto (2010), a comunicação parento-filial deficitária pode ser promotora de comportamentos desviantes e psicopatologias. Entretanto, havendo mais do que um filho, as questões relativas à parentalidade podem ser amplificadas ou diminuídas na relação entre os irmãos (Fernandes, 2015).
Relação entre irmãos
A relação entre irmãos constitui, geralmente, a relação mais longa na vida do indivíduo (Relva, 2015). De acordo com Fernandes (2016b), a relação entre irmãos começa ainda antes do nascimento do bebé, ao longo da gravidez da mãe, pois é nessa fase que os pais têm um papel preponderante na preparação do(s) filho(s) para a chegada do seu irmão.
O início da relação entre os irmãos, na qual o primogénito passa de filho único a irmão, representa a primeira e mais íntima relação horizontal para ambos os irmãos (se as suas idades forem próximas, claro) (Fernandes et al., 2007; Fernandes, 2016a). A relação fraterna tem um efeito determinante ao longo do tempo, no comportamento, pensamento e autoconceito de ambos os irmãos (Fernandes et al., 2007; Fernandes, 2016a). Pesquisas apontam que a relação fraterna tem um efeito determinante ao longo do tempo no desenvolvimento socioemocional e cognitivo de ambos os irmãos (Fernandes, 2000; Howe & Recchia, 2006; McHale et al., 2012; Tippett & Wolke, 2015) e parece constituir uma fonte de suporte fundamental na adaptação dos indivíduos a distintos contextos e situações (Mota et al., 2017; Ripoll et al., 2009).
A díade irmão-irmão proporciona a ambos experienciar as dinâmicas das relações sociais no contexto familiar, antes de serem experimentadas com os outros, noutros contextos (Goldsmid & Féres-Carneiro, 2007). No relacionamento entre os irmãos são desenvolvidas algumas capacidades importantes, entre as quais, a partilha, a disputa, a manipulação e a cooperação (Fernandes, 2000), a empatia (Goldsmid & Féres-Carneiro, 2011; McHale et al., 2012; Soysal, 2016), a negociação, a tomada de decisão e a resolução de conflitos (McHale et al., 2012; Ripoll et al., 2009), e a regulação emocional (Desautels, 2008; Goldsmid & Féres-Carneiro, 2011; Howe & Recchia, 2006; Soysal, 2016). Estas capacidades terão implicações na competência social do indivíduo, nomeadamente no relacionamento com os seus iguais (McHale et al., 2012) influenciando significativamente as relações interpessoais que estes estabelecem posteriormente (Fernandes, 2016a; Mota et al., 2017). O relacionamento entre irmãos é descrito por Graham-Bermann e Culter (1994) como funcional e benéfico quando há elevados níveis de empatia, limites bem definidos e respeitados por ambos os irmãos, um grau adaptativo de diferenciação do self (equilíbrio entre as semelhanças e diferenças), e não é utilizada a coerção.
A relação fraterna engloba três fatores relevantes: 1) a intimidade: que potencia a manifestação de emoções tanto positivas como negativas de forma desinibida e intensa; 2) a proximidade: que pode favorecer o apoio entre irmãos como atuar de forma contrária e proporcionar a rivalidade e o conflito, e as 3) diferenças relacionais: que se referem à diferença na qualidade do relacionamento entre irmãos, em que existem relações positivas pautadas por apoio e afeto, e outras que, pelo contrário, são negativas e evidenciam elevados níveis de conflitualidade, rivalidade e agressividade (Howe & Recchia, 2006; Soysal, 2016). Segundo Marotta (2015) estas diferenças, na infância, revelam-se extremamente influentes no desenvolvimento e saúde mental do indivíduo. Contudo, as relações fraternas não são sempre positivas ou negativas, sendo por norma caracterizadas pela conjugação e oscilação de afetos positivos e negativos (Desautels, 2008).
A qualidade do relacionamento fraterno parece ter um efeito determinante sobre o ajustamento psicológico e social do indivíduo. De acordo com Mota et al. (2017), a relação entre irmãos, se positiva, pode favorecer o ajustamento e desenvolvimento ótimo do indivíduo, assim como prevenir o desenvolvimento de sintomatologia psicopatológica. Já segundo Marotta (2015), o relacionamento entre irmãos, se negativo, afeta desfavoravelmente o ajustamento psicossocial do indivíduo. Em suma, a relação positiva entre irmãos pode trazer vantagens para toda a vida, já as relações negativas podem repercutir-se no desenvolvimento do indivíduo de forma negativa (Howe & Recchia, 2006).
Como foi descrito na literatura, os relacionamentos fraternos que envolvem afeto e apoio têm implicações positivas na autoestima (Marotta, 2015; Goldsmid & Féres-Carneiro, 2011; Tippett & Wolke, 2015), na satisfação de vida (Goldsmid & Féres-Carneiro, 2011), na regulação emocional (Soysal, 2016), no relacionamento com os pares (Marotta, 2015; Ripoll et al., 2009; Tippett & Wolke, 2015), na prevenção de perturbações de natureza emocional (Mota et al., 2017) e de comportamentos desajustados (Ripoll et al., 2009). Por outro lado, as relações negativas entre irmãos que se caracterizam pelo conflito e violência relacionam-se com a manifestação de comportamentos de risco (Soysal, 2016), de problemas de comportamento e ansiedade (Tippett & Wolke, 2015), de depressão e menor autoestima (Marotta, 2015) e problemas no relacionamento com os pares (Tippett & Wolke, 2015).
A influência da família na relação fraterna
A família é um sistema complexo que pode conter vários subsistemas de relações, entre os quais, o conjugal, o parental e o fraterno, no qual participam os diferentes membros, com distintas características e funções familiares (Alarcão, 2002; Prioste, Cruz, & Narciso, 2010). Assim, as relações fraternas não podem ser analisadas e compreendidas de forma isolada, pois há que ter em consideração os outros subsistemas familiares, pois estes encontram-se interligados e exercem influência mútua uma sobre a outra (Alarcão, 2002; Derkman et al., 2011; East, 2009; Relvas, 1996; Scharf et al., 2005).
Diferentes estudos e perspetivas evidenciaram que a qualidade da relação fraterna se encontra associada ao ambiente familiar no qual os irmãos vivem, às suas experiências e relação com os seus pais (East, 2009; East & Khoo, 2005; Ripoll et al., 2009). Por exemplo, a teoria da vinculação declara que por meio das primeiras experiências com os pais, os indivíduos constroem modelos internos dinâmicos relativos aos relacionamentos, os quais serão centrais na construção e desenvolvimento da relação com os outros, nomeadamente com os irmãos (Derkman et al., 2011; Whiteman et al., 2011). Assim, a insegurança dos filhos face à figura materna mostrou correlacionar-se com maiores níveis de conflitualidade e hostilidade entre os irmãos, e, pelo contrário, sentimentos de segurança face à mãe encontram-se associados a relações fraternas mais positivas (Whiteman et al., 2011).
As relações parento-filial e fraternais parecem interligadas, pela existência de uma associação positiva entre elas, na medida em que a relação entre pais e filhos positiva está associada à relação entre irmãos positiva, e a relação entre pais e filhos negativa está associada à relação entre irmãos negativa (McHale et al., 2012; Scharf et al., 2005). Entretanto, as relações parento-filiais negativas podem levar a que os irmãos estabeleçam relações mais positivas entre eles, como modo de compensação (McHale et al., 2012).
No que se refere à relação conjugal, a conflitualidade entre as figuras parentais influência, de forma negativa, a qualidade da relação entre os irmãos (McHale et al., 2012; Mota & Matos, 2011; Oliva & Arranz, 2005) promovendo o conflito e violência na sua relação (McHale et al., 2012). De facto, e de acordo com Mota e Matos (2011) a observação do comportamento dos pais na resolução dos seus conflitos interparentais transmite aos filhos o exemplo de como devem atuar perante os conflitos que possam surgir nas suas relações com os seus pais e irmãos. Assim, os filhos agem à semelhança dos seus pais, o que leva a que os irmãos lidem com os seus conflitos da mesma forma que os pais lidam com os conflitos entre eles. Por exemplo, a exposição a conflitos interparentais prediz a manifestação de comportamentos agressivos, os quais são transportados para as outras relações sociais, nomeadamente para a relação fraterna (Mota & Matos, 2011). No entanto, há autores que defendem o contrário: que quando há conflitualidade entre os pais, os filhos unem-se e apoiam-se mais uns aos outros, o que parece compreensível (ver Fernandes, 2000).
Os resultados do estudo de Samek e Rueter (2011) revelaram a existência da associação entre a comunicação familiar e a relação fraterna, indicando que aquela facilita a proximidade entre os irmãos, pela orientação para a comunicação e conformidade entre os diferentes elementos que constituem a família. Este foi o único estudo que encontrámos que investigou diretamente a relação entre estas duas variáveis.
Como referido por Portugal e Alberto (2013), a comunicação define não só o funcionamento familiar global como também os relacionamentos estabelecidos dentro da família. A amostra do presente estudo foi selecionada tendo em consideração que a adolescência é uma fase marcada por diversas mudanças a nível físico, psicológico e social, concomitantemente, essas mudanças experimentadas pelos adolescentes refletem-se no sistema familiar dando origem a transformações neste contexto (Fleming, 2015). Os conflitos familiares recorrentes desta fase podem ser construtivos e adaptativos, sendo a qualidade da comunicação parento-filial um facilitador neste processo (Laursen & Collins, 2004; Steinberg & Silk, 2002). Assim, pareceu-nos relevante analisar a influência da comunicação parental na relação fraterna, pois não podemos esquecer que o subsistema fraternal está interligado com o subsistema parental (Alarcão, 2002), e que há outros filhos, e, portanto, irmãos, pelo que parece essencial explorar e associar estas variáveis de forma a perceber a influência da comunicação entre pais e filhos na relação entre irmãos. Além disso, também consideramos essencial explorar estas variáveis uma vez que há escassez de literatura e investigações que abordem a temática explorada neste estudo.
Dessa maneira, este estudo tem como objetivo geral explorar a influência da comunicação entre pais e filhos sobre a qualidade da relação fraterna nos filhos adolescentes. E, especificamente tem como objetivos: (a) analisar diferencialmente a comunicação parental em função da escolaridade dos adolescentes; (b) analisar diferencialmente a relação fraterna em função do sexo e idade dos adolescentes; (c) explorar a associação entre a comunicação parental e a qualidade da relação fraterna; e (d) analisar o efeito preditor do sexo e da comunicação parental na qualidade da relação fraterna.
Método
Participantes
A amostra final foi constituída por 209 adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos (M=14.02; DP=1.27) que frequentam entre o 7º e 10º anos de escolaridade (34.9% do 7º ano, 15.8% do 8º ano, 19.1% do 9º ano e 30% do 10º ano), os quais são predominantemente do sexo feminino (63.2%). Em relação ao número de irmãos a maior parte dos sujeitos tem apenas um irmão (67.5%), 24.9% dos participantes tem dois, 4.3% tem três, 2.4% tem quatro e 1% tem cinco. Relativamente aos pais, eles têm entre os 30 e os 67 anos de idade (M=46.69; DP=6.31) e as mães têm entre os 30 e 59 anos de idade (M=43.78; DP=5.58), e 88.5% encontram-se casados ou em união de facto.
Procedimentos
Na fase inicial foi solicitado o pedido de apreciação do protocolo de investigação à comissão de Ética da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a qual deu um parecer favorável ao desenvolvimento do estudo (parecer da comissão de ética nº 14/2017). Após a aprovação pela comissão de ética, solicitou-se a diversas escolas secundárias do norte de Portugal a sua colaboração na investigação. Entre aquelas a quem foi solicitada colaboração tivemos a aceitação de quatro delas tratando-se de uma amostra de conveniência. É de evidenciar que os únicos critérios de participação dos indivíduos neste estudo foi a idade (indivíduos com idades compreendidas entre os 12 e os 16 anos) e ter irmãos.
Posteriormente, procedeu-se ao pedido de autorização dirigido ao Diretor da Escola por meio de um email no qual se apresentou o estudo e os seus objetivos. Seguidamente, foi agendada uma reunião com os respetivos Diretores. Nessa reunião foram explicados os objetivos do estudo e os procedimentos inerentes à administração dos instrumentos de avaliação, e foram entregues os consentimentos informados para serem assinados pelos encarregados de educação dos participantes. Em abril de 2017 deu-se início à aplicação do protocolo de investigação, sendo que este processo demorou cerca de duas semanas. Os procedimentos de aplicação do protocolo foram iguais nas quatro escolas. O protocolo foi aplicado em contexto de sala de aula, e a aplicação do protocolo foi feita a cada turma em separado.
No início foram recolhidos os consentimentos informados e só os indivíduos que tinham autorização do encarregado de educação puderam participar na investigação. Seguidamente, procedeu-se à leitura do protocolo de investigação, em que constava a informação acerca da investigação e os seus objetivos, para que os participantes pudessem de forma consciente e deliberada decidir participar ou não na investigação. As investigadoras procederam, depois, à leitura e explicação das instruções de cada um dos instrumentos, dando espaço aos estudantes para tirarem as dúvidas necessárias. A resposta aos questionários demorou cerca de 30 minutos. É de evidenciar que as investigadoras demonstraram imparcialidade durante todo o processo não fazendo julgamentos e/ou interferindo no preenchimento dos questionários.
O processo de recolha da amostra e a administração do protocolo de investigação foi conduzida pelas autoras do artigo em parceira com os respetivos Diretores das Escolas e Diretores de Turma que auxiliaram na entrega e recolha dos consentimentos informados.
Os princípios éticos subjacentes à administração do protocolo foram garantidos, sendo assegurado o consentimento informado, o caráter voluntário de participação, o anonimato e a confidencialidade. Os pais e os participantes foram informados de que os dados recolhidos através do protocolo iriam ser utilizados somente para fins de investigação.
Instrumentos
Um Questionário Sociobiográfico – constituído por questões relativas ao indivíduo (género, idade, nível de escolaridade) e à sua família, designadamente, aos pais (idade, estado civil e profissão) e aos irmãos (idade, género, número de irmãos, tipo de irmãos).
A Escala de Avaliação da Comunicação na Parentalidade – versão para adolescentes (COMPA-A) (Portugal & Alberto, 2010). Esta escala tem como objetivo avaliar a comunicação entre pais e filhos, a partir da análise das perceções dos adolescentes (dos 12 aos 16 anos de idade) acerca da comunicação estabelecida na relação parento-filial (Portugal & Alberto, 2014). A avaliação deste instrumento é realizada por meio de uma escala de tipo Likert que está compreendida entre 1 e 5, o 1 representa nunca e o 5 sempre (Portugal & Alberto, 2015). Esta escala é composta por 39 itens agrupados em cinco subescalas: disponibilidade parental para a comunicação, confiança/partilha comunicacional de filhos para progenitores, expressão do afeto e apoio emocional, metacomunicação e padrão comunicacional negativo (Portugal & Alberto, 2014; Portugal & Alberto, 2015). Na versão COMPA-A as questões relativas à comunicação que o adolescente tem com a mãe e com o pai avaliadas e respondidas em separado (Portugal & Alberto, 2015). No presente estudo, relativamente às propriedades psicométricas para a amostra, os valores de alpha de Cronbach das dimensões do COMPA-A de acordo com o género das figuras parentais: Mãe - disponibilidade parental para a comunicação (α=.95), confiança/partilha comunicacional de filhos para progenitores (α=.90), expressão do afeto e apoio emocional (α=.89) metacomunicação (α=.91); Pai - disponibilidade parental para a comunicação (α=.96), confiança/partilha comunicacional de filhos para progenitores (α=.91), expressão do afeto e apoio emocional (α=.90) e metacomunicação (α=.92). A dimensão “padrão comunicacional negativo” não foi utilizada no nosso estudo, uma vez que os valores de alpha de Cronbach desta dimensão, quer em relação ao pai quer em relação à mãe, se apresentavam baixos: α=.50 e α=.59, respetivamente. Em relação aos resultados da análise fatorial confirmatória para o COMPA-A mãe, o ajustamento dos valores foi confirmado sendo χ2(56)=133.39; p=.000; Ratio=2.38; CFI=.97; RMR=.029 e RMSEA=.08. Para o COMPA-A pai os valores dos ajustamento foram igualmente confirmados sendo χ2(56)=98.68; p=.000; Ratio=1.76; CFI=.99; RMR=.024 e RMSEA=.06
O Brother-Sister Questionnaire – versão portuguesa (Graham-Bermann & Cutler, 1994; aferido para a população portuguesa por Relva et al., 2016). Este instrumento permite avaliar a qualidade da relação fraterna por meio de 35 itens distribuídos por quatro dimensões: empatia, manutenção de limites, semelhanças e coerção. No preenchimento deste instrumento o indivíduo deve responder tendo em conta a relação com o irmão com o qual tem/tinha mais conflitos, avaliando cada item de acordo com uma escala de Likert de 1 (não muito) a 5 (muito), precisando assim em que medida cada item carateriza a relação com o seu irmão (Graham-Bermann & Culter, 1994; Relva et al., 2016). Em relação à amostra do presente estudo os resultados da análise de confiabilidade, nomeadamente os alphas de Cronbach foram os seguintes: empatia (α=.88), manutenção de limites (α=.83) e semelhanças (α=.75). De evidenciar que pelo facto da dimensão coerção apresentar um alpha de Cronbach baixo (α=.47) não foi possível utilizá-la neste estudo. No que diz respeito aos resultados da análise fatorial confirmatória para o BSQ, o ajustamento dos valores foi confirmado sendo χ2(28)=93.82; p=.000; Ratio=3.35; CFI=.94; RMR=.075 e RMSEA=.10.
Análises estatísticas realizadas
A análise de dados estatísticos foi efetuada mediante uso do IBM SPSS (Statistical Package for Social Sciences - versão 23) e do IBM SPSS AMOS versão 24. Num primeiro momento, foi criada uma base de dados no SPSS onde foram inseridos os dados amostrais recolhidos, seguindo-se a limpeza da base de dados com o objetivo de verificar e eliminar os missings values e outliers pelo que podiam influenciar negativamente a confiabilidade dos resultados do presente estudo. Para a análise dos outliers recorreu-se à distância de Mahalanobis e Zscores. Assim, mediante os resultados destas análises foram excluídos alguns participantes por apresentação de respostas inconsistentes verificando-se valores atípicos quando realizadas as análises estatísticas. A amostra inicial era constituída por 226 participantes, mas após limpeza da base de dados e eliminação dos missings values e outliers eliminaram-se 17 protocolos, obtendo-se uma amostra final de 209 participantes. Posteriormente, foi averiguada a normalidade da amostra tendo como por base o processo de inferência estatística da distribuição normal ou de Gauss e tendo em conta os valores de Skeweness e Kurtosis (os quais devem situar-se entre -1 e 1), pelo que foi possível a utilização de testes paramétricos. De seguida foram analisadas as propriedades psicométricas dos diferentes instrumentos por meio da análise de confiabilidade realizada no SPSS, e a análise fatorial confirmatória realizada a partir do AMOS, o que permitiu avaliar a confiabilidade dos instrumentos assim como os seus valores de ajustamento.
No que respeita à análise dos dados estatísticos, recorreu-se ao teste-t para amostras independentes, para explorar a existência de diferenças na comunicação parental em função da escolaridade dos adolescentes e na relação fraterna em função do sexo e idade dos adolescentes. Posteriormente, recorreu-se à análise das correlações de Pearson, tendo como objetivo a análise da associação entre as dimensões da comunicação parental e as dimensões da relação fraterna, médias e desvio padrão. A análise da significância estatística foi realizada utilizando como medida de evidência o valor de p e em todas as análises foi considerado um nível de significância estatística de 5%. Por fim, com o objetivo de analisar o papel preditor do sexo e das dimensões da comunicação parental na relação fraterna recorreu-se à regressão múltipla hierárquica.
Resultados
Análise diferencial da comunicação parental e relação fraterna em função das variáveis sociodemográficas
Tendo com objetivo analisar em que medida as variáveis sociodemográficas têm efeito sobre a comunicação parental e a relação fraterna, recorreu-se ao teste-t para amostras independentes para realizar estas análises. No que se refere à escolaridade, foram concebidos dois grupos (o grupo 1 que compreende os indivíduos que frequentam o 7º e 8º anos, e o grupo 2 os que frequentam o 9º e 10º anos). Os resultados (Tabela 1) demonstraram diferenças estatisticamente significativas na comunicação parento-filial, tanto no que respeita à comunicação estabelecida com a mãe como com o pai, em função da escolaridade. Assim, os indivíduos do grupo 1 (7º e 8º anos) percecionam uma melhor qualidade na comunicação com o pai do que os indivíduos do grupo 2 (9º e 10º anos) no que se refere a todas as variáveis que constituem a comunicação parental: disponibilidade parental para a comunicação [t(207)= 2,351; p=.020], com IC de 95% [.04, .55], grupo 1 (M=4.11, DP=.88) e grupo 2 (M=3.81, DP=.96); confiança/ partilha comunicacional de filhos para progenitores [t(207)= 2,355; p=.019], com IC de 95% [.05, .61], grupo 1 (M=3.40, DP=1.06) e grupo 2 (M=3.07, DP=.98); expressão do afeto e apoio emocional [t(207)= 2,750; p=.006], com IC de 95% [.10, .62], grupo 1 (M=4.27, DP=.89) e grupo 2 (M=3.91, DP=1.01); e metacomunicação [t(207)= 2,427; p=.016], com IC de 95% [.05, .54], grupo 1 (M=3.91, DP=.91) e grupo 2 (M=3.61, DP=.88).

Relativamente à comunicação estabelecida com a mãe, evidenciou-se o mesmo padrão, sendo que os adolescentes que frequentam o 7º e 8º ano (grupo 1) percecionaram uma melhor qualidade na comunicação com a mãe do que os adolescentes do 9º e 10º ano (grupo 2) no que se refere às seguintes dimensões que compõem a comunicação parental: disponibilidade parental para a comunicação [t(192)= 2,022; p=.045], com IC de 95% [.00, .41], grupo 1 (M=4.44, DP=.64) e grupo 2 (M=4.23, DP=.82); expressão do afeto e apoio emocional [t(194)= 2,394; p=.018], com IC de 95% [.04, .46], grupo 1 (M=4.55, DP=.67) e grupo 2 (M=4.29, DP=.84); e metacomunicação [t(207)= 2,020; p=.045], com IC de 95% [.00, .43], grupo 1 (M=4.20, DP=.73) e grupo 2 (M=3.98, DP=.84).
Em relação ao sexo, os resultados (Tabela 2) evidenciaram diferenças estatisticamente significativas na qualidade da relação fraterna em função do sexo dos adolescentes, relativamente à empatia [t(207)= -2,255; p=.025] com IC de 95% [-.46, -.03]. Assim, os sujeitos do grupo 2, sexo feminino, evidenciaram experimentar maiores níveis de empatia na relação com os seus irmãos (M=3.80, DP=.71) do que os sujeitos do grupo 1, sexo masculino, (M=3.56, DP=.82).

Para analisar a idade (Tabela 3) foram criados dois grupos (grupo 1 que compreende indivíduos com 12 e 13 anos, e o grupo 2 com 14, 15 e 16 anos). Os resultados desta análise revelam diferenças estatisticamente significativas na qualidade da relação fraterna em função da idade, nomeadamente no que se refere à empatia [t(207)= 2,534; p=.012], com IC de 95% [.06, .49]. Deste modo, os indivíduos do grupo 1, com 12 e 13 anos de idade, percecionam maiores níveis de empatia (M=3.90, DP=.68) na relação com os seus irmãos do que os indivíduos do grupo 2, com 14, 15 e 16 anos de idade (M=3.62, DP=.79).

Associação entre as dimensões da comunicação parental e as dimensões da relação fraterna, médias e desvio-padrão
Tendo como objetivo analisar as associações entre a comunicação parental e a qualidade da relação fraterna segundo a perceção dos adolescentes, efetuou-se a análise das correlações entre os instrumentos utilizados (COMPA-A e BSQ). A partir dos resultados obtidos e expostos na Tabela 4, verificou-se a existência de correlações significativas entre as variáveis em estudo.
Com base na análise das dimensões da comunicação parental, pai e mãe, e da relação fraterna, verificaram-se associações significativas positivas de magnitude baixa a média entre todas as dimensões da comunicação parental e a empatia e entre algumas dimensões da comunicação parental relativas à mãe (disponibilidade parental para a comunicação, a confiança/partilha comunicacional de filhos para progenitores relativamente e a metacomunicação relativa à mãe) e uma dimensão da comunicação relativa ao pai (confiança/partilha comunicacional de filhos para progenitores) e a perceção de semelhança entre irmãos (r=.34, p<.01 a r=.16, p<.05).

Relativamente às análises de associação entre a comunicação parental relativa ao pai e as dimensões da relação fraterna os resultados são os seguintes: verificou-se uma associação positiva e significativa entre a disponibilidade parental para a comunicação e a dimensão da relação fraterna: empatia (r=.28, p<.01); constatou-se também uma associação positiva e significativa entre a confiança/ partilha comunicacional de filhos para progenitores e as dimensões da relação fraterna: empatia (r=.28, p<.01) e semelhanças (r=.16, p<.05); no que se refere à expressão do afeto e apoio emocional constatou-se uma associação positiva e significativa entre esta e a dimensão da relação fraterna: empatia (r=.28, p<.01); e quanto à metacomunicação constatou-se uma associação positiva e significativa entre esta e a dimensão da relação fraterna: empatia (r=.28, p<.01). Já, relativamente às análises de associação entre a comunicação parental relativa à mãe e as dimensões da relação fraterna, os resultados foram os seguintes: verificou-se uma associação significativa e positiva entre a disponibilidade parental para a comunicação e as dimensões da relação fraterna: empatia (r=.34, p<.01), e semelhanças (r=.19, p<.01); averiguou-se uma associação significativa e positiva entre a confiança/ partilha comunicacional e filhos para progenitores e as dimensões da relação fraterna: empatia (r=.30, p<.01), e semelhanças (r=.21, p<.01); constatou-se uma associação significativa e positiva entre a expressão do afeto e apoio emocional, e a dimensão da relação fraterna: empatia (r=.33, p<.01); e verificou-se uma associação significativa e positiva entre a metacomunicação e as dimensões da relação fraterna: empatia (r=.30, p<.01), e semelhanças (r=.16, p<.05).
Análises preditivas: O papel preditor do sexo e das dimensões da comunicação parental na relação fraterna
Com a finalidade de analisar em que medida as variáveis como o sexo e a comunicação parental predizem a qualidade da relação fraterna recorreu-se à regressão múltipla hierárquica. Assim, formaram-se três blocos: o bloco 1 refere-se ao sexo (dummy) (em que 0 corresponde ao sexo feminino e 1 ao sexo masculino), o bloco 2 engloba as dimensões da comunicação parental relativa ao pai, e o bloco 3 envolve as dimensões da comunicação parental referentes à mãe, tal como observado na Tabela 5.
Relativamente à empatia o bloco 1 apresenta um contributo significativo [F(1,207)= 5.083; p=.025] explicando 2.4% da variância total (R2=.024), contribuindo individualmente com 2.4% da variância para o modelo (R² change=.024). No que se refere ao bloco 2 este apresentou um contributo significativo [F(4,203)= 5.480; p=.000] sobre a empatia, explicando 11.9% da variância total (R²=.119), contribuindo individualmente com 9.5% da variância para o modelo (R²change=.095). Em relação ao bloco 3 este mostrou contribuir de forma significativa [F(4,199)= 2.948; p=.021], explicando 16.8 % da variância total (R²=.168) contribuindo individualmente com 4.9% da variância do modelo (R²change=.049).
No que se refere à manutenção de limites, o bloco 3 apresenta um contributo significativo [F(4,199)= 2.703; p=.032], explicando 6.1% da variância total (R²=.061) contribuindo individualmente com 5.1% da variância do modelo (R²change=.051). A análise do papel de cada uma das dimensões do bloco 3 revelou que duas das variáveis deste bloco evidenciam uma contribuição significativa (p≤.05), uma predizendo positivamente e outra negativamente a manutenção dos limites: expressão do afeto e apoio emocional (β=.400) e a metacomunicação (β=-.414).

Discussão
O presente estudo teve como objetivo a análise diferencial da comunicação parental em função da escolaridade dos adolescentes, a análise diferencial da relação fraterna em função do sexo e idade dos adolescentes, explorar a associação entre a comunicação parental e a qualidade da relação fraterna, e analisar o efeito preditor do sexo e da comunicação parental na qualidade da relação fraterna.
No que se refere às diferenças na comunicação parental em função da escolaridade dos adolescentes, verificou-se que aqueles que frequentam o 7º e o 8º anos percecionam uma maior qualidade na comunicação estabelecida com ambas as figuras parentais do que os adolescentes que frequentam o 9º e 10º anos. Contudo, na literatura científica não foram encontradas investigações devido à escassez de literatura e, particularmente, estudos que abordassem a temática explorada neste estudo. Foi encontrado apenas um estudo no qual foi verificada correlação entre a qualidade da comunicação parental e a idade. Nomeadamente, o estudo de López et al. (2005), que analisa a comunicação parental em função da idade, e indica-nos que na adolescência inicial os indivíduos evidenciam menos problemas de comunicação com os pais do que na adolescência média.
Por meio da análise das diferenças na qualidade da relação fraterna em função do sexo dos adolescentes, constatou-se que os indivíduos do sexo feminino experimentam uma maior empatia na relação com os seus irmãos do que os indivíduos do sexo masculino. Lam et al. (2012), referem que, de uma forma em geral, os indivíduos do sexo feminino manifestam níveis mais elevados de empatia dos que os indivíduos do sexo masculino. Oliva e Arranz (2005), apontam na mesma direção, indicando que por norma os indivíduos do sexo feminino investem mais nos relacionamentos familiares a nível emocional. Os resultados do estudo de Samek e Rueter (2011) também revelam que são as meninas, quando comparadas com os meninos, que evidenciam maiores níveis de proximidade na relação com os seus irmãos.
No que se refere à análise diferencial da qualidade da relação fraterna em função da idade dos adolescentes, verificou-se que os participantes com idades entre os 12 e os 13 anos evidenciam experimentar maiores níveis de empatia na relação com os seus irmãos do que os adolescentes com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos. A empatia na relação entre irmãos foi avaliada neste estudo com base no sentimento de proximidade entre irmãos, a preocupação e o cuidado entre eles, e a compreensão emocional entre os mesmos (Relva et al., 2016). Este resultado pode surgir motivado pelas diferenças na relação entre os irmãos que vão surgindo com a adolescência, como foi referido por McHale et al. (2012): com a idade, a relação entre irmãos vai sofrendo alterações. Na fase da adolescência podem ser apontadas algumas características distintivas no relacionamento entre irmãos, como a diminuição dos conflitos, um relacionamento mais igualitário, e menos próximo acompanhado pela redução da intensidade afetiva da relação (East, 2009). Como disseram Sharf et al. (2005), ao longo da adolescência, com o incremento da autonomia e separação a nível emocional da família, vai-se verificando uma diminuição progressiva da proximidade entre os irmãos. Os resultados da investigação de Lam et al. (2012), parece explicar o encontrado no presente estudo, uma vez que estes autores verificaram que à maior proximidade entre irmãos se associam maiores níveis de empatia, o que nos leva a considerar que ao longo da adolescência, com a diminuição da proximidade entre irmãos, os níveis de empatia entre eles vão também diminuindo.
No que se refere à associação entre as dimensões da comunicação parental e da relação fraterna, verificou-se uma associação positiva entre todas as variáveis da comunicação parental (disponibilidade parental para a comunicação; confiança/partilha comunicacional; expressão do afeto e apoio emocional; e metacomunicação), referentes ao pai e à mãe, e a variável da relação fraterna empatia, o que indica que quanto maior a qualidade da comunicação parento-filial maior é a empatia experimentada na relação fraterna. Também algumas variáveis da comunicação parental (disponibilidade parental para a comunicação em relação à mãe; a confiança/partilha comunicacional de filhos para progenitores em relação à mãe e ao pai; e a metacomunicação relativa à mãe) se associaram positivamente com a variável da relação fraterna semelhanças, o que evidencia que quanto maior a qualidade da comunicação parento-filial mais os irmãos se percecionam como semelhantes. Lam et al. (2012), indicam que as figuras parentais podem favorecer a empatia dos filhos, por meio do diálogo acerca das emoções ou do reforço em função de comportamentos positivos como o cuidar e ajudar o outro. Estes resultados são corroborados por East (2009), que afirma que o relacionamento parento-filial positivo se associa com maiores níveis de empatia e com a maior perceção de semelhanças entre irmãos. Embora não se encontrem estudos que estabeleçam a associação entre a comunicação parento-filial e as dimensões da relação fraterna investigadas no presente estudo (empatia, manutenção dos limites e semelhanças) sabe-se que a comunicação parento-filial, além de ser uma dimensão muito importante da relação parento-filial, influencia a qualidade desta relação (ver East, 2009). Também Samek e Rueter (2011) encontraram, no seu estudo, que a comunicação parento-filial facilita a proximidade entre os irmãos. Ademais, segundo Lam et al. (2012), à maior proximidade entre irmãos associam-se maiores níveis de empatia.
Por fim, verificou-se o efeito preditor das variáveis da comunicação parental e do sexo na relação fraterna. Assim, pelos resultados do presente estudo verificou-se que o sexo feminino exerce um efeito preditor na empatia experimentada na relação entre irmãos. De acordo com Lam et al. (2012), de forma geral, os indivíduos do sexo feminino manifestam níveis mais elevados de empatia dos que os indivíduos do sexo masculino. Herrick (2008), corrobora os resultados verificados, afirmando que o sexo é um fator influente na relação fraterna, pois os indivíduos do sexo feminino, comparativamente aos do sexo masculino, estabelecem relações de maior proximidade, com níveis maiores de apoio emocional e são mais cooperativos face aos seus irmãos.
Constatou-se, também, que a expressão do afeto e apoio emocional, relativamente à figura materna, prediz positivamente a manutenção de limites na relação fraterna, ou seja, quanto maior for a expressão do afeto e apoio emocional entre o adolescente e a mãe maior a manutenção de limites na relação entre os irmãos. Graham-Bermann e Cutler (1994) e Relva et al. (2016) verificaram que o estabelecimento de limites adequados entre os irmãos, ou seja, o respeito pelo espaço do outro, tanto a nível físico como psicológico, constitui um fator que facilita o estabelecimento de uma relação fraterna de maior qualidade. Os nossos resultados parecem ser consistentes com a afirmação de Derkman et al. (2011) que refere que o relacionamento positivo entre a mãe e filho favorece o estabelecimento de um relacionamento positivo entre irmãos. Segundo Portugal e Alberto (2013a), a manifestação do afeto promove o desenvolvimento de competências sociais e comunicacionais. Também Burleson (2003) indica que o apoio emocional tem implicações revelantes, dado que este pode contribuir para que a pessoa que o recebe se sinta melhor, lide com os seus problemas de modo mais eficiente, podendo refletir-se também positivamente na sua saúde.
Já a metacomunicação, em relação à mãe, prediz negativamente a manutenção de limites entre irmãos, o que revela que quanto menor a metacomunicação maior é a manutenção de limites entre os irmãos. Como referido por Graham-Bermann e Cutler (1994) as relações dentro do sistema familiar devem ser marcadas pela definição de limites razoáveis, assim, embora seja importante haver limites, estes não devem ser demasiado rígidos, porque desta forma não são adaptativos. Segundo Alarcão (2002), quando os limites são rígidos bloqueiam a comunicação e a compreensão entre os comunicantes. Deste modo, a relação entre estas variáveis ser negativa parece ser congruente uma vez que metacomunicação promove o bem-estar dos indivíduos e o desenvolvimento quer do sistema familiar em geral quer dos indivíduos que o compõem em particular, prevenindo comportamentos familiares e sociais desadaptativos (Portugal & Alberto, 2013a). Como referido por Alarcão (2002) “a metacomunicação constitui uma condição sine qua non da comunicação bem-sucedida ou da comunicação funcional” (p.70). Por fim destaca-se que os resultados do presente estudo confirmam as hipóteses que propusemos explorar, sendo o objetivo do estudo concretizado. Contudo, ainda muito há por explorar acerca desta temática.
Implicações práticas, limitações e propostas para estudos futuros
O presente estudo deu a conhecer o importante papel que a comunicação parental assume na qualidade da relação entre irmãos. A partir deste estudo, pretende-se facultar um maior conhecimento acerca da importância da comunicação parental na relação entre irmãos, e, consequentemente, incentivar o desenvolvimento de novos estudos dentro desta temática, para que esta seja mais aprofundada. As relações entre irmãos têm sido secundárias nos estudos das famílias e dos indivíduos (Fernandes, 2000), e como ficou bem vincado neste nosso estudo, as relações parentais estão indissociadas das relações na fratria. Sempre que há mais do que um filho numa família, importa incluir essa variável do subsistema fraterno, para termos uma visão mais verdadeira do sistema familiar, como um todo.
Em função dos resultados encontrados, sugerimos como implicações práticas a importância da comunicação parental no âmbito das intervenções, não apenas com adolescente, mas também com os pais destes, devendo por isso considerar-se a comunicação parental como uma dimensão de diagnóstico e intervenção sistémica. Deste modo, em casos nos quais os indivíduos manifestem relações com os seus irmãos de menor qualidade será importante explorar a questão da comunicação parental. No que se refere à intervenção psicológica, é essencial que seja iniciada precocemente, e orientada para a conquista, desenvolvimento e consolidação de uma comunicação de maior qualidade entre pais e filhos, para que possam ser diminuídas as consequências negativas de uma comunicação parento-filial negativa sobre a qualidade do relacionamento fraterno. Esta intervenção pode consequentemente prevenir efeitos adversos, quer da comunicação parental negativa quer da relação fraterna de menor qualidade para o desenvolvimento e funcionamento do indivíduo. Assim, a implementação de um programa de intervenção/educação parental, que ofereça um espaço no qual, pais, filhos e irmãos possam adquirir, desenvolver, e consolidar competências comunicacionais, parece ser crucial para o estabelecimento de uma comunicação familiar positiva e, consequentemente, para o estabelecimento de uma relação fraterna positiva.
Neste estudo, foram encontradas algumas limitações que devem ser consideradas. O tamanho da amostra, devido ao número reduzido de participantes pode impedir a generalização dos resultados. As análises preditivas, demonstram-nos que nem todas as variáveis em análise se verificaram significativas. Além disso, os resultados que se verificaram significativos apresentam uma variância pequena o que condiciona e não permite afirmar de forma substancial o papel preditor do sexo sobre as dimensões da comunicação parental na relação fraterna. Por se tratar de um estudo transversal condiciona da mesma forma a generalização dos resultados pelo que apenas se tira conclusões com base num momento único de avaliação limitando assim a afirmação de efeitos preditores. Entendemos que outra limitação prende-se com o facto de não termos considerado também os pais e os irmãos (mais do que um irmão) dos participantes nesta investigação, pelo que um estudo de natureza intrafamiliar seria mais realista, uma vez que se poderia considerar comparações entre os diferentes elementos da família relativamente à comunicação parental, e melhor seria detetada a sua diferença.
Em relação a estudos futuros, seria pertinente investigar mais acerca de como a comunicação parental e fraterna podem influenciar a qualidade da relação fraterna, explorando os efeitos destas sobre a violência entre irmãos, e este estudo seria inovador, uma vez que a violência entre irmãos é um tema ainda muito pouco abordado, ainda que apresente uma prevalência considerável. Conforme Fernandes, Relva, Rocha e Alarcão (2016) e Relva (2015) poucos estudos se debruçaram sobre a violência entre irmãos, tanto a nível nacional como internacional, embora a violência no contexto fraterno seja um fenómeno que conta com uma prevalência elevada. Tal facto foi constatado por Relva, Fernandes, Alarcão e Martins (2014), que verificaram uma elevada prevalência de violência entre os irmãos na adolescência, especialmente no seu início, existindo reciprocidade nas interações violentas entre os irmãos. Deste modo, embora a violência entre irmãos seja um fenómeno ao qual não lhe tem sido dedicada a devida atenção, sendo apresentados handicaps à sua aceitação e reconhecimento, esta parece ser a forma de violência intrafamiliar mais prevalecente (Relva et al., 2012).
Referências
Alarcão, M. (2002). (des)Equilíbrios familiares: Uma visão sistémica (2ª ed). Quarteto Editora. (Obra original publicada em 2000).
Bireda, A. D., & Pillay, J. (2017). Perceived parent – child communication and wellbeing among Ethiopian adolescentes. International Journal of Adolescence and Youth. 2-9. https://doi.org/10.1080/02673843.2017.1299016
Burleson, B. R. (2003). Emotional support skill. In J. O. Greene & B. R. Burleson (Eds.), Handbook of communication and social interaction skills (pp. 551-594). Lawrence Erlbaum Associates.
Carvalho, T. B. N. (2015). Estudo da influência da comunicação entre pais e filhos no funcionamento familiar numa amostra de Angola (Dissertação de Mestrado não publicada). Universidade de Coimbra, Coimbra.
Cohen, J. (1988). Statistical power analysis for the behavioral sciences. Erlbaum.
Derkman, M., Rutger C., Engels, R., Kuntsche, E., Vorst, H., & Scholte, R. (2011). Bidirectional associations between sibling relationships and parental support during adolescence. Journal of Youth and Adolescence, 40, 490-501. https://doi.org/10.1007/s10964-010-9576-8
Desautels, M. (2008). Sibling relationships. (Tese de doutoramento). University of Birmingham, Birmingham.
East, P. L. (2009). Adolescents’ relationships with siblings. In R. Lerner & L. Steinberg (Eds.), Handbook on adolescent psychology: Contextual influences on adolescent psychology (pp. 43-73). Wiley.
Feinberg, M. E., Solmeyer, A. R. & McHale, S. M. (2012). The third rail of family systems: sibling relationships, mental and behavioral health, and preventive intervention in childhood and adolescence. Clinical Child and Family Psychology Review, 15(1), 43-57. https://doi.org/10.1007/s10567-011-0104-5
Fernandes, O. M. (2000). Fratria e personalidade (Tese de Doutoramento não publicada). Universidade de Trás-os-Montes, Vila Real.
Fernandes, O. M., Alarcão, M., & Raposo, V. J. (2007). Posição da fratria e personalidade. Estudos de Psicologia, 24(3), 297-304. https://doi.org/10.1590/S0103-166X2007000300001
Fernandes, O. M. (2015). Famílias com um filho versus famílias com dois ou mais filhos. In O. M. Fernandes & C. Maia (Eds.), A família portuguesa no século XXI (pp. 71-78). Parsifal.
Fernandes, O. M., Relva, I. C., Rocha, M., & Alarcão, M. (2016). Estudo da validade de construto das Revised Conflict Tactics Scales – versão irmãos. Motricidade, 12(1), 69-82. https://doi.org/10.6063/motricidade.6182
Fernandes, O. M. (2016a). Relação entre irmãos: orientações para os pais quando nasce mais um filho. A Nossa Gravidez, 22-24.
Fernandes, O. M. (2016b). Que sol é este? O ciúme entre irmãos. Pais & Filhos, 48-52.
Fleming, M. (2015). Família e adolescência: Perspectiva psicológica. In O. M. Fernandes & C. Maia (Eds.), A família portuguesa no século XXI (pp. 163-169). Parsifal.
Graham-Bermann, S. A., & Cutler, S. E. (1994). The Brother-Sister Questionnaire: Psychometric assessment and discrimination of well-functioning from dysfunctional relationships. Journal of Family Psychology, 8(2), 224-238.
Goldsmid, R., & Féres-Carneiro, T. (2007). A função fraterna e as vicissitudes de ter e ser um irmão. Psicologia em Revista, 13(2), 293-308.
Goldsmid, R., & Féres-Carneiro, T. (2011). Relação fraterna: Constituição do sujeito e formação do laço social. Psicologia USP, 22(4), 771-787.
Herrick, P. (2008). Turning points of closeness in the sibling relationship (Dissertação de Mestrado não publicada). Baylor University, Waco.
Howe, N., & Recchia, H. (2006). Relações entre irmãos e seu impacto no desenvolvimento das crianças. Enciclopédia sobre o desenvolvimento na primeira infância, 1-6.
Lam, C. B., Solmeyer, A. R., & McHale, S. M. (2012). Sibling relationships and empathy across the transition to adolescence. Journal of Youth and Adolescence, 41(12), 1657-1670. https://doi.org/10.1007/s10964-012-9781-8
Laursen, B., & Collins, W. A. (2004). Parent-child communication during adolescence. In A. L. Vangelisti (Ed.), LEA's communication series. Handbook of family communication (pp. 333-348). Lawrence Erlbaum Associates.
Lee, S., & Wong, D. (2009). School, parents, and peer factors in relation to Hong Kong students' bullying. International Journal of Adolescence and Youth, 15 (3), 217-233. https://doi.org/10.1080/02673843.2009.9748030
López, E. E., Ochoa, G. M., & Olaizola, J. H. (2005). El rol de la comunicación familiar y del ajuste escolar en la salud mental del adolescente. Salud Mental, 28(4), 81-89.
Marotta, A. K. (2015). The Relationship between sibling relationship quality and psychological outcomes in emerging adulthood (Tese de Doutoramento não publicada). Columbia University, New York.
Martínez, A. C. (2013). Percepción de adolescentes de 12 y 16 años sobre la comunicación familiar. Revista Iberoamericana de Psicología: Ciencia y Tecnologia, 6(1), 7-15.
McHale, S. M., Updegraff, K. A., & Whiteman, S. D. (2012). Sibling relationships and influences in childhood and adolescence. Journal of Marriage and Family, 74(5), 913-930. https://doi.org/10.1111/j.1741-3737.2012.01011.x
Mota, C. P., & Matos, P. M. (2011). Adolescência e conflitos interparentais: uma perspectiva de resiliência. In P. M. Matos, C. Duarte & M. E. Costa (Coords.), Famílias: questões de desenvolvimento e intervenção. (pp. 125-151). Livpsic.
Mota, C. P., Serra, L., Relva, I., & Fernandes, O. M. (2017). Do sibling relationships protect adolescents in residential care and traditional families from developing psychopathologies? Journal of Family Studies, 23(3), 260-277. https://doi.org/10.1080/13229400.2015.1106333
Oliva, A., & Arranz, E. (2005). Sibling relationships during adolescence. European Journal of Developmental Psychology, 2(3), 253-270.
Olson, D. H. (2000). Circumplex model of marital and family systems. Journal of Family Therapy, 22, 144-167. https://doi.org/10.1111/1467-6427.00144
Offrey, L. D. & Rinaldi, C. M. (2014). Parent-child communication and adolescents' problem-solving strategies in hypothetical bullying situations. International Journal of Adolescence and Youth, 2-17. https://doi.org/10.1080/02673843.2014.884006
Önder, F. C., & Yurtal, F. (2008). An investigation of the family characteristics of bullies, victims, and positively behaving adolescents, Educational Sciences: Theory & Practice, 8(3), 821-832.
Portugal, A. M., & Alberto, I. M. (2010). O papel da comunicação no exercício da parentalidade: Desafios e especificidades. Psychologica, 2(52), 387-400.
Portugal, A. M., & Alberto, I. M. (2013). A Comunicação parento-filial: Estudo das dimensões comunicacionais realçadas por progenitores e por filhos. Psicologia: Reflexão e Crítica, 26(3), 479-487.
Portugal, A. M., & Alberto, I. M. (2013a). Caracterização da comunicação entre progenitores e filhos em idade escolar: Estudo com uma amostra portuguesa. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 29(4), 381-391.
Portugal, A. M., & Marques, I. (2014). Escala de avaliação da comunicação na parentalidade (COMPA): Desenvolvimento e validação de uma medida da comunicação parento-filial. Avances en Psicología Latinoamericana, 32(1), 85-103. https://doi.org/10.12804/apl32.1.2014.06
Portugal, A. M., & Alberto, I. M. (2014). Escala de avaliação da comunicação na parentalidade (COMPA). In A. P. Relvas & S. Major (Eds.). Avaliação familiar .Funcionamento e intervenção Vol. I (pp. 44-67). Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.14195/978-989-26-0839-6_2
Portugal, A. M., & Alberto, I. M. (2015). Caracterização da comunicação entre progenitores e filhos adolescentes: estudo das variáveis sociodemográficas. Ciência & Saúde Coletiva, 20(5), 1389-1400. https://doi.org/10.1590/1413-81232015205.13222014
Prioste, A., Cruz, D., & Narciso, I. (2011). Circularidade relacional: Padrões de funcionalidade familiar percebidos e o ajustamento psicológico em adolescentes. Psychologica, 52(1),447-457.
Relvas, A. P. (1996). O ciclo vital da família: Perspectiva sistémica. Afrontamento.
Relva, I. C., Fernandes, O. M., & Alarcão, M. (2012). Violência entre irmãos: Uma realidade desconhecida. Revista Interamericana de Psicología, 46(3), 375-384.
Relva, I. C., Fernandes, O. M., Alarcão, M. & Martins, A. Q. (2014). Estudo exploratório sobre a violência entre irmãos em Portugal. Psicologia: Reflexão e Crítica, 27(2), 398-408. https://doi.org/10.1590/1678-7153.201427221
Relva, I. C. (2015). Violência na família e violência entre os filhos. In O. M. Fernandes & C. Maia (Eds.), A família portuguesa no século XXI (pp. 245-252). Parsifal.
Relva, I. C., Fernandes, O. M., Alarcão, M., Graham-Bermann, S., & Lopes, P. (2016). Psychometric proprieties and construct validity of the Brother-Sister Questionnaire in a sample of portuguese adolescents. Journal of Family Violence, 32(3), 333-340. https://doi.org/10.1007/s10896-016-9851-x
Ripoll, K., Carrillo, S., & Castro. J. A. (2009). Relácion entre hermanos y ajuste psicológico en adolescentes: Los efectos de la calidad de la relacíon padres-hijos. Avances en Psicologia Latinoamericana, 27(1), 125-142.
Samek, D. R., & Rueter, M. A. (2011). Associations between family communication patterns, sibling closeness, and adoptive status. Journal of Marriage and Family, 73(5), 1015-1031. https://doi.org/10.1111/j.1741-3737.2011.00865.x
Scharf, M., Shulman, S., & Avigad-Spitz, L. (2005). Sibling relationships in emerging adulthood and in adolescence. Journal of Adolescent Research, 20(1), 64-90. https://doi.org/10.1177/0743558404271133
Steinberg, L., & Silk, J. C. (2002). Parenting adolescents. In M. H. Bornstein (Eds.), Handbook of parenting Vol.1 Children and parenting (2nd Ed.), (pp. 103-133). Lawrence Erlbaum Associates.
Soysal, F. S. Ö. (2016). A study on sibling relationships, life satisfaction and loneliness level of adolescents. Journal of Education and Training Studies, 4(4), 58-67. https://doi.org/10.1002/ab.2155710.11114/jets.v4i4.1240
Tippett, N., & Wolke, D. (2015) Aggression between siblings: Associations with the home environment and peer bullying. Aggressive Behavior, 41(1), 14-24. https://doi.org/10.1002/ab.21557
Whiteman, D. S., McHale, S. M., & Soli, A. (2011). Theoretical perspectives on sibling relationships. Journal of Family Theory & Review, 3(2), 124-139. https://doi.org/10.1111/j.1756-2589.2011.00087.x
Notas de autor
Correspondence about this article should be addressed Otília Monteiro Fernandes: otiliamf@gmail.com
Declaración de intereses