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Estudo Longitudinal sobre Saúde Mental de Estudantes Universitários e a Pandemia de COVID-19: Comparações e Perspectivas
Longitudinal Study on Mental Health of University Students and the COVID-19 Pandemic: Comparisons and Perspectives
Estudo Longitudinal sobre Saúde Mental de Estudantes Universitários e a Pandemia de COVID-19: Comparações e Perspectivas
Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology, vol. 57, núm. 1, e1838, 2023
Sociedad Interamericana de Psicología
Recepção: 23 Fevereiro 2022
Aprovação: 14 Março 2023
Resumo: A pandemia de COVID-19 afetou diversos grupos sociais, entre eles, os estudantes universitários. Deste modo, este estudo teve como objetivos avaliar a saúde mental de discentes do ensino superior em dois momentos distintos da pandemia. Trata-se de um estudo longitudinal, com uma amostra não probabilística e de conveniência formada por 95 participantes (M idade = 27,29 anos; DP = 7,713) de uma universidade federal do estado de Minas Gerais. Empregou-se a ANOVA one-way bayesiana para medidas repetidas para comparar a saúde mental dos voluntários em dois momentos da pandemia e análise de redes para verificar como as variáveis se relacionavam nos dois momentos, bem como qual delas apresentava maior influência esperada nos modelos emergentes. Utilizou-se medidas de satisfação com a vida, ideação suicida, depressão, ansiedade e estresse. Os resultados apontaram não haver diferenças na expressão da saúde mental dos participantes nos períodos de avaliação, apresentando os níveis de depressão, ansiedade, estresse e ideação suicida com maior influência esperada nos dois modelos gerados. Esses resultados revelaram as relações entre as variáveis de cada período e seus desfechos, além de permitirem levantar considerações sobre cuidados futuros em relação à saúde mental de estudantes universitários.
Palavras-chave: Estudantes universitários, saúde mental, COVID-19.
Abstract: The pandemic of COVID-19 affected several social groups, including university students. Thus, this study aimed to evaluate the mental health of higher education students in two different moments of the pandemic. This is a longitudinal study, with a non-probabilistic and convenience sample formed by 95 participants (M age = 27.29 years; SD = 7.713) from a federal university in Minas Gerais state. One-way Bayesian ANOVA for repeated measures was used to compare the mental health of the volunteers in two moments of the pandemic and network analysis was used to verify how the variables were related in these two moments of the evaluation, as well as which of them had the greatest expected influence in the emerging models. We used measures of life satisfaction, suicidal ideation, depression, anxiety, and stress. The results indicated that there were no differences in the expression of mental health of the participants in the periods, presenting the levels of depression, anxiety, stress, and suicidal ideation with the greatest expected influence on the two models generated. These results revealed the relationships between the variables of each period and their outcomes, besides allowing the raising of considerations about future care in relation to college students' mental health.
Keywords: College students, mental health, COVID-19.
Introdução
A pandemia da doença do coronavírus (COVID-19) desencadeou uma crise global e se tornou uma grande emergência de saúde pública ( OMS, 2020). Desde seu início, em dezembro de 2019, tem causado prejuízos nos níveis profissional, pessoal (Rana et el., 2021) e financeiro ( Ahelegbey et al., 2022). O grande número de infectados e de mortes, o isolamento social de longo prazo, a disseminação de notícias falsas ( Li e t al., 2021), a instabilidade econômica (Khan et al., 2020) e longa duração da quarentena ( Brooks et al., 2020; Shah et al., 2021) fizeram com que as pessoas experimentassem diferentes graus de sofrimento psíquico. De fato, a pandemia de COVID-19 foi associada a problemas de saúde mental em populações no mundo todo ( Boden et al., 2021).
Devido a sua fácil disseminação foi necessário implementar o distanciamento social para reduzir a transmissão do virus ( OMS, 2022). Muitos locais públicos foram fechados, inclusive instituições de ensino, afetando mais de 87% da população de estudantes do mundo ( UNESCO, 2020), que passaram a ter seus cursos, especialmente do ensino superior, oferecidos em formato on-line. Essa realidade não foi diferente no Brasil ( Teodoro et al., 2021), que tem uma população universitária formada por 8.450.755 estudantes ( Inep, 2019). As medidas de distanciamento adotadas aumentaram significativamente os sintomas de depressão e ansiedade de estudantes universitários ( Fruehwirth et al., 2021).
Antes do período pandêmico da COVID-19, a prevalência de problemas de saúde mental entre universitários já era uma preocupação (Prince, 2015; Storrie et al., 2010). Em 2015, a prevalência global de depressão foi de 4,4% ( OMS, 2017) e, antes da pandemia, os critérios diagnósticos para depressão foram preenchidos por mais de 30% dos universitários, de acordo com uma revisão sistemática da literatura ( Ibrahim et al., 2013). Durante a pandemia, a prevalência de depressão entre estudantes universitários foi de 39% ( Li et al., 2021).
Devido à gravidade da sintomatologia e o aparente aumento da demanda por serviços, frequentemente define-se o estado de saúde mental atual dos estudantes universitários como uma situação de crise ( Xiao et al., 2017). Dados epidemiológicos de 21 países da Iniciativa de Pesquisa de Saúde Mental Mundial da OMS indicaram que somente 16,4% dos estudantes universitários recebeu tratamento minimamente adequado para seu sofrimento ( Auerbach et al., 2016). Ademais, os discentes do ensino superior são relutantes em procurar ajuda, a maioria deles com transtornos mentais aparentes não recebe tratamento (Eisenberg et al., 2007; Eisenberg et al., 2011; Thorley, 2017), mesmo quando há disponibilidade de serviços ( Bruffaerts et al., 2019).
A prevalência de problemas de saúde mental entre universitários aumentou durante a pandemia ( Li et al., 2021). Os resultados de Son et al. (2020) sugerem que a pandemia de COVID-19 teve um impacto negativo considerável no desempenho acadêmico e saúde geral dos universitários. Os efeitos incluíram aumento das preocupações com o desempenho acadêmico (82% dos universitários), diminuição das interações sociais por causa do distanciamento físico (86%), interrupções nos padrões de sono (86%), dificuldade de concentração (89%) e preocupação com sua própria saúde e de entes queridos (91%). Outras pesquisas sugeriram que estudantes do ensino superior apresentaram alto nível de ansiedade e depressão sob influência de epidemias ( Cao et al. 2020; Wang et al., 2020).
Uma meta-análise conduzida por Li et al. (2021) identificou uma prevalência entre 36 e 39% de sintomas de ansiedade e depressão, respectivamente, em universitários durante a pandemia. Esses resultados indicaram um aumento da prevalência desses quadros clínicos em relação ao período pré-pandêmico. Este estudo também identificou a existência de outros problemas como estresse excessivo, pânico, insônia, fadiga, somatização e tendência ao suicídio. O suicídio pode tornar-se uma preocupação mais urgente com a propagação do coronavírus e seus efeitos de longo prazo na população e na economia, assim como ocorreu em outras pandemias ( Gunnell et al., 2020).
A população de universitários é especialmente vulnerável a transtornos mentais, de maneira que um em cada cinco apresenta um transtorno mental diagnosticável ( Auerbach et al., 2016), e este risco pode ser aumentado pelos desafios ambientais, intelectuais e sociais que a universidade representa ( Thorley, 2017). Identificar e avaliar sintomas que prejudicam a saúde mental entre os estudantes afetados pela pandemia, incluindo a investigação de seus determinantes sociais, é importante para o planejamento de ações e políticas públicas no campo da saúde coletiva e para fornecer soluções adequadas para controlar e reduzir o sofrimento psicológico. Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a saúde mental de estudantes universitários durante o período pandêmico. Considerando que os discentes do ensino superior permaneceram com os sintomas de ansiedade e depressão durante o período pandémico ( Stamatis et al., 2022; Teodoro et al., 2021), esse tipo de estudo possui grande relevância.
Método
Participantes
Um total de 95 participantes responderam aos questionários dos dois momentos deste estudo constituíram a amostra do presente estudo, com média de idade igual a 27,29 anos (DP = 7,713). Éla foi formada, formada, em sua maioria, por mulheres (65,3%), pessoas solteiras (78%) e com renda familiar entre dois e quatro salários mínimos (37,9%). Nenhum dos participantes realizava aulas on-line no T1 da coleta e cursavam a graduação via on-line no T2.
Projeto
Trata-se de um estudo longitudinal do tipo observacional, descritivo e relacional por 1) coletar os dados sem haver interferência no desenvolvimento das variáveis observadas em dois momentos diferentes, e 2) compreender as relações entre as variáveis, sejam elas lineares ou em um sistema, e estabelecer parâmetros de comparação a partir das observações realizadas ( Bairagi & Munot, 2019; Golino et al., 2020; Neuman, 2014). A partir de um estudo transversal sobre a saúde mental que reuniu dados de 616 de estudantes universitários de Minas Gerais, durante o período inicial da pandemia no Brasil (Tempo 1 [T1]), foi delineada uma pesquisa longitudinal (Tempo 2 [T2]) que reavaliou 95 deles. A primeira aplicação dos instrumentos foi realizada entre maio e junho de 2020 (T1) e a segunda aplicação (T2) ocorreu a partir do início do mês de outubro até a primeira semana de dezembro de 2020.
Materiais
Foram utilizados os seguintes instrumentos para esta pesquisa:
Questionário sociodemográfico: este questionário teve como objetivo a obtenção de dados sobre idade, sexo, estado civil, renda familiar e perguntas sobre temas relacionados ao período pandêmico, como: se o(a) participante estava em atividade remota ou não, o quão se considerava afetado(a) pela pandemia, se sentiu medo de ser infectado(a), se recebeu diagnóstico de COVID-19 ou alguém de sua família e se alguém da família veio a óbito.
Depression, Anxiety, and Stress Scale (DASS-21) ( Lovibond & Lovibond, 1995; Vignola & Tucci, 2014). Os alphas de Cronbach para a versão brasileira da DASS-21 foram de 0,92 (depressão); 0,90 (estresse) e 0,86 (ansiedade). Sintomas de depressão, de ansiedade e de estresse foram obtidos com as subescalas da DASS-21, instrumento composto por 21 itens, dispostos em uma escala Likert de 4 pontos. No T1 os coeficientes de consistência interna apresentaram alfas iguais a 0,904; 0,892 e 0,886 para as subescalas de depressão, ansiedade e estresse, respectivamente, e T2 iguais a 0,922; 0,887 e 0,914, respectivamente.
Frequency of Suicidal Ideation Inventory ([FSII] Chang & Chang, 2016). A versão brasileira ( Teodoro et al., 2020), FSII-Br, apresenta um único fator, com alpha de Cronbach igual a 0,88. O FSII é uma escala utilizada para mensurar o nível de ideação suicida nos últimos 12 meses, composta por 5 itens, dispostos em uma escala Likert de 5 pontos que varia de 1 (“nunca”) a 5 (“quase todos os dias”). Para esta pesquisa os índices de consistência interna foram iguais a 0,857 e 0,894 para os tempos 1 e 2, respectivamente.
Escala de Satisfação com a Vida ([SWLS-BP] Diener et al., 1985). A versão brasileira ( Gouveia et al., 2009), apresenta um único fator, com alpha igual a 0,81. A SWLS-BP apresenta 5 itens dispostos em uma escala Likert de 7 pontos, que varia de 1 (discordo totalmente) a 7 (concordo totalmente). A consistência interna foi 0,880 e 0,890 para os tempos 1 e 2, respectivamente.
Procedimentos
Para a captação da amostra no T1 foi utilizado o disparo de divulgação do estudo e link, via e-mail institucional e redes sociais, para acesso ao questionário e resposta remota, podendo ser encaminhado para outros colegas. Para o T2 foi enviado e-mail, diretamente para os participantes, com convite para uma segunda participação no estudo e o link de acesso ao questionário. Incluíram-se nesta pesquisa pessoas: com 18 anos ou mais de idade. Excluíram-se: (a) respostas acidentais com perfil diferente do proposto e (b) participantes que não completaram uma das escalas ou deixaram itens em branco. Não houve missing data nesta pesquisa.
Análise de dados
Foram utilizadas análises descritivas para expressar as características da amostra. A consistência interna dos instrumentos foi calculada por meio do alfa de Cronbach para os dois tempos da coleta, considerado satisfatórios valores ≥ 0,70 ( Taber, 2018). Quando pertinente às análises, um valor de p < .05 foi adotado ( Field, 2017). Por se tratar de uma pequena amostra, a ANOVA Bayesiana one-way para medidas repetidas foi usada para comparar a média dos resultados entre T1 e T2, com simulação de 10.000 interações por meio da técnica de bootstrap. O BF10 foi o fator bayesiano adotado para quantificar a evidência para a hipótese alternativa relativa à hipótese nula ( Morey & Rouder, 2015; Nathoo & Masson, 2016).
Para a avaliar a relação entre as variáveis em um sistema complexo e evidenciar quais delas necessitam maior atenção para intervenções (com base em sua influência esperada) foi aplicada a perspectiva de redes. Este método de análise é uma técnica que permite compreender e observar um padrão emergente de um sistema com variáveis de diferentes naturezas que interagem de forma não linear e, consequentemente, melhorar o processo de intervenção a partir das variáveis mais influentes. O algoritmo Fruchterman-Reingold foi aplicado para que os dados fossem apresentados em um espaço relativo na qual associações mais fortes estão mais próximas, e mais fracas estão mais distantes ou se repelem ( Fruchterman & Reingold, 1991).
O critério de informação Bayesiana estendida (EBIC) foi utilizado para selecionar o Lambda do parâmetro de regularização. O EBIC usa um hiperparâmetro (y) que determina a esparsidade dos modelos (Foygel & Drton, 2011). A análise de rede usa algoritmos regularizados de redução absoluta e operador de seleção (LASSO) para obter a matriz de precisão (matriz de peso). Quando padronizada, essa matriz representa as correlações entre as variáveis da rede. A rede é apresentada em um gráfico que inclui as variáveis (nós) e as relações (linhas). Os pequenos efeitos em sistemas complexos são considerados fundamentais para este tipo de análise, e a decisão sobre a magnitude de associação entre as variáveis presentes no modelo parte de uma escolha teórica ( Caldarelli, 2020). A perspectiva de redes não necessita adotar valores de p em suas análises por considerar os pequenos efeitos existentes em um padrão emergente de um sistema complexo que preconiza as conexões estabelecidas entre as variáveis para uma determinada amostra ou população (Athey et al., 2015; Caldarelli, 2020.
Considerações éticas
Esta pesquisa foi devidamente apreciada e aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa envolvendo seres humanos sob o registro de número CAAE 07077019.3.0000.5149. Todos os participantes foram devidamente informados sobre os objetivos e os procedimentos desta pesquisa, receberam garantia do direito de interrupção a qualquer momento durante e após a coleta, e foram assegurados do sigilo das informações e de suas identidades, dado que seriam utilizados apenas dados não identificados e agregados para as análises.
Resultados
Os dados descritivos no primeiro tempo de coleta dos dados (T1) informaram que a maioria dos participantes desta pesquisa se mostraram afetados pela pandemia (46,3% disseram ter sido afetados, mas ainda se sentirem bem na maior parte do tempo, 31,6% sentiram-se muito afetados por ela) e sentiram medo de serem infectados (51,6% apresentaram medo e 42,1% muito medo de serem infectados). Houve um padrão similar no T2, 49,5% se mostraram afetados, mas sentiam-se bem na parte do tempo e 38,9% foram muito afetados por ela. Quanto às perguntas feitas somente no T2 maioria dos participantes informou que não foi (95,8%) ou não teve familiares diagnosticados com COVID-19 (55,8%), além de não ter perdido nenhum membro da família para a infecção (93,7%). Todos os participantes responderam não terem feito aulas remotas no primeiro momento da coleta e as realizavam no segundo.
Os resultados da ANOVA bayesiana para medidas repetidas mostrou não ter havido diferença entre os resultados para sintomas de depressão, ansiedade, estresse, ideação suicida e satisfação com a vida entre T1 e 2 (ver Tabela 1).

A análise de redes foi formada pelas variáveis idade, sexo, renda familiar, o quão se sentia afetado pela pandemia, medo de ser infectado e as médias dos escores das dimensões depressão, ansiedade e estresse da DASS-21, das escalas de ideação suicida e satisfação com a vida para os dois tempos de coleta. As variáveis diagnóstico pessoal e familiar de COVID-19 e óbito de membros da família pela infecção entraram somente no segundo em função do período no qual os dados foram coletados.
Entre os principais resultados do T1 observaram-se associações positivas entre depressão, ansiedade (0,36), estresse (0,18) e ideação suicida (0,36); entre ansiedade e medo de ser infectado (0,10), ideação suicida (0,14) e sentir-se afetado pela pandemia (0,12). As associações negativas mais fortes aconteceram entre satisfação com a vida e depressão (-0,18), ideação suicida (-0,14) e sentir-se afetado pela pandemia e renda familiar (-0,20) (ver Tabela 2).

Entre os principais resultados do T2 verificou-se associações positivas entre depressão ansiedade (0,21), estresse (0,38) e ideação suicida (0,37); entre ansiedade e estresse (0,40), medo de ser infectado (0,10) e entre estresse e sentir-se afetado pela pandemia (0,13). As associações negativas mais fortes aconteceram entre satisfação com a vida e depressão (-0,19) e quanto se sentiu afetado pela pandemia (-0,18), e entre diagnóstico de COVID-19 e medo da infecção (-0,26) (ver Tabela 2).
Os modelos de rede emergentes para o T1 e 2 da coleta confirmaram estes resultados (ver Figuras 1a e b).


As variáveis de maior influência esperada para o primeiro período da observação dos estudantes universitários foram ansiedade, depressão e estresse com os valores iguais a 1,198; 1,031 e 0,865, respectivamente, seguidos pela ideação suicida (0,170) (ver Tabela 3).
As variáveis de maior influência esperada para o segundo período de observação foram estresse, ansiedade e depressão, 1,843; 1,561 e 1,239, respectivamente, seguidas pela ideação suicida (0,580) (ver Tabela 3).

Discussão
Esta pesquisa teve como objetivo avaliar a relação entre o período pandêmico a saúde mental dos estudantes universitários. A discussão dos resultados teve como foco as variáveis mais influentes nos modelos emergentes, considerando, em seguida, as perspectivas que essas informações trouxeram.
Um primeiro aspecto a ser considerado é o fato de que a Portaria nº 544 ( Brasil, 2020) que regulamenta a atividades de ensino remoto foi implementada apenas três meses após a determinação das medidas de isolamento social no Brasil. Poderia ser este um dos motivos pelos quais os discentes do ensino superior apresentaram níveis mais altos de ansiedade no T1. A ansiedade pode ser definida como uma experiência subjetiva com respostas físicas relacionadas à antecipação de eventos incertos ( Crocq, 2015). Mesmo que já tivesse havido outras pandemias no século XXI ( Hancková & Betáková, 2021), medidas restritivas como o distanciamento social foram adotadas apenas para a COVID-19 ( Aquino et al., 2020; ECDC, 2020). Este cenário de incertezas poderia ter respondido por parte da ansiedade elevada nesses estudantes. Os participantes se sentiram afetados pela pandemia, além de sentirem medo de serem infectados. Essas variáveis apresentaram relação direta com a ansiedade dos universitários.
A ansiedade apresentou uma relação positiva com depressão, estresse, e ideação suicida. Esses achados são semelhantes aos encontrados em outros estudos ( Li et al., 2021; Cao et al., 2020; Gunnell et al., 2020) e sugerem a necessidade de maior atenção da comunidade acadêmica e sociedade em geral sobre a saúde mental de estudantes universitários. A alta prevalência de sintomas depressivos está fortemente associada à ideação suicida. E ainda se deve considerar o efeito que ambas produzem negativamente sobre a satisfação com a vida, o que pode conduzir a maior desesperança e baixa capacidade de enfrentamento, como visto em estudos com outras populações ( Teodoro et al 2021; Ribeiro et al., 2021).
Fatores sociodemográficos também apresentam relação com variáveis de saúde mental ( Flor et al., 2022). Os participantes mais jovens apresentaram maior propensão à experiência de estresse, sintomas depressivos e ideação suicida no início do período pandémico ( Ettman et al., 2020; McGinty et al., 2020). Essa evidência pode ter como explicação o fato de apresentarem menores capacidade para lidar com elas ( Choompunuch et al., 2021), especialmente aqueles sem suporte social 53, que adultos mais velhos ( Neubauer et al., 2019). Além do mais, estudantes mais jovens demonstraram terem sido mais afetados pela pandemia e experimentarem mais medo de serem infectados no início da pandemia, especialmente do sexo feminino ( Cerda & García, 2022)
Mulheres foram mais afetadas pela pandemia quando comparadas a homens. Elas eram mais propensas a relatar perda de emprego, renunciarem ao trabalho para cuidar de outros e abandonarem os estudos por outros motivos além do fechamento das instituições de ensino ( Flor et al., 2022). Considerando a maior propensão ao medo nessa população ( Cerda & García, 2022), os efeitos da pandemia foram intensificados por fatores como altas taxas de óbito, especialmente por elas estarem em grande número entre os profissionais de saúde no Brasil e por se sentirem sobrecarregadas, especialmente no início da pandemia, onde os desfechos eram muito negativos em função da negligência de políticas governamentais e inexistência de vacinação (Çoban, 2022; Horta et al., 2022).
O medo de ser infectado apresenta associação direta com o medo de morrer ( Pradhan et al., 2022). Claro, outros fatores explicam melhor o aumento da ansiedade e sua relação com o medo de infecção. Traços de personalidade, como o neuroticismo, seria um deles ( Pradhan et al., 2022), contudo esta variável não fez parte das medidas desta pesquisa. Diversas variáveis devem ser consideradas dentro de um modelo que envolva o risco de ser infectado. Nesse sentido, além das variáveis psicológicas, destacam-se as econômicas ( Pakpour & Griffiths, 2020)
A renda familiar também se mostrou uma variável de grande importância no modelo do T1. Estudantes com renda familiar mais alta se sentiram menos afetados pela pandemia. A redução da renda familiar e perda de emprego dos genitores podem ter contribuído para esses sentimentos negativos durante o período pandêmico, incluindo a emergência de sintomas depressivos, ansiosos e de estresse ( Khudaykulov et al., 2022). Essa percepção também pode ser explicada pelo fato de os estudantes terem se sentido mais vulneráveis em função da limitação de acesso a recursos como saúde (remédios, atendimento por profissionais da saúde), transporte e alimentação nesse momento ( Rodríguez-Planas, 2022; Zhen‐Duan et al., 2022). Este evento sugere que auxílios a famílias em maior vulnerabilidade econômica não seriam em vão ( Gurgel et al., 2020). A instabilidade sobre a permanência do auxílio, além de lentidão no processo de produção das vacinas ( Gurgel et al., 2020) podem ter mantido a relação entre menor renda, sentir-se afetado pela pandemia, depressão, ansiedade e estresse, no T2.
A emergência do modelo no T2 mostrou que algumas relações se mantiveram com a modificação de outras. Isso aconteceu em função da dinâmica contextual das variáveis ( Caldarelli, 2020) além da inclusão de três variáveis neste período da avaliação, como o diagnóstico familiar e/ou pessoal e óbito de membro da família por COVID-19. As mesmas variáveis do T1 continuaram a exercer maior influência esperada. No entanto, os valores desta influência aumentaram para depressão, estresse e ideação suicida e diminuíram um pouco para ansiedade.
No T2, o quanto estudante se sentiu afetado pela pandemia apresentou menor relação com a satisfação com a vida e maior com a ideação suicida, especialmente para estudantes mais jovens. Falta de perspectiva e esperança, manutenção da crise ao invés de um sinalizador de mudança ( Ng et al., 2020; Shah et al, 2021), adaptação ao período remoto de ensino, tempo de distanciamento social, estratégias de coping menos desenvolvidas nos mais jovens, podem explicar essas relações ( Adedoyin & Soykan, 2020; Sundarasen et al., 2020). Neste sentido, medidas sanitárias de proteção à população auxiliariam no processo de adaptação ao período pandémico ( OMS, 2021).
As variáveis relacionadas ao diagnóstico de COVID-19 e óbito de familiares apresentaram relações com estresse no T2. Este momento coincide com o início da segunda onda, além de ocorrer meses após o início das medidas de distanciamento social ( Engelbrecht & Scholes, 2021). O estresse pode ser considerado uma função mal-adaptativa de enfrentamento a condições adversas com consequências graves à saúde ( Kim et al., 2018). Considerando a necessidade de se adaptar a um período pandêmico, ao alto contágio, letalidade, imprevisibilidade da doença, a falta de perspectivas e informações discordantes aumentando a incerteza, a associação de diagnóstico pessoal e familiar e óbito familiar com saúde mental é razoável ( Pijls et al., 2021). Entretanto, uma associação peculiar pode ser notada neste período de avaliação, a relação negativa entre diagnóstico de COVID-19 e medo de infecção. Estudantes infectados podem ter perdido o medo da infeção por dois motivos, a saber, acreditarem que não serão mais infectados ( Chivese et al., 2022; Roozenbeek et al., 2020) ou por não terem sentido os efeitos mais dramáticos dos sintomas de COVID-19 ( Sallam et al., 2020). Contudo, essas crenças mostram-se equivocadas. Estudos mostraram que as pessoas podem ser novamente infectadas ( Chivese et al., 2022), dessa forma cuidados deveriam ser mantidos, mesmo após da infecção, devido à imprevisibilidade da evolução clínica da COVID-19 ( Vila-Corcoles et al., 2021). Essa informação deve ser pauta em políticas de saúde pública, lembrando que podemos enfrentar outras pandemias vindouras que exijam de nós os mesmos mecanismos de proteção pessoal/coletiva ( Taylor, 2019).
Estamos em 2022, grande parte da população está vacinada e muitas das atividades presenciais, senão todas, no momento de escrita deste artigo, retornaram. Entretanto, ainda permanecem algumas questões sobre a saúde mental dos discentes do ensino superior. A primeira delas é que não houve diferença de médias entre os dois momentos da avaliação, apesar de alguns resultados terem sido um pouco mais, digamos, otimistas, como a diminuição das médias de ideação suicida, depressão e ansiedade. Porém, deve-se considerar que a satisfação com a vida diminuiu e o estresse aumentou em função do processo de adaptação decorrente do período pandêmico. Contudo, alguns estudos apontam que a prevalência de sintomas do humor, ansiosos e o estresse não aumentaram muito em função da pandemia de COVID-19 ( Copeland et al., 2021; Shanahan et al., 2022) diferentemente do que acontecera com profissionais de saúde ( Gavin et al., 2020; Hall, 2020). Deste modo, temos uma questão para antes e além do período pandêmico, uma vez que pesquisas têm apresentado a população de estudantes universitários como um grupo vulnerável a apresentar níveis altos de estresse, ansiedade, depressão e ideação suicida ( Paula et al., 2020; Ruiz-Hernández et al., 2022). O período pandêmico, associado a outros estudos previamente realizados ( Morris et al., 2019), trouxe uma reflexão sobre a necessidade de se desenvolver estratégias de cuidado com estudantes universitários ( Unwin et al., 2013), em função de todas as mudanças que eles sofrem no processo de adaptação do início da vida adulta ( Gibbons et al., 2019). Para além disso, deveríamos pensar no modo como as estratégias de ensino remoto poderão se tornar ferramentas úteis neste processo ( Artemova et al., 2022), atuando como fator de proteção à saúde mental de universitários, ao invés do contrário.
Referências
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Autor notes
1 Correspondence about this article should be addressed Marco Antonio Silva Alvarenga: alvarenga@ufsj.edu.br
Declaração de interesses