Artículos

Adição à Internet e Cyberbullying em Adolescentes e Jovens Adultos

Addiction to the Internet and Cyberbullying in Adolescents and Young Adults

Teresa Portilho Carvalho 1
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal
Inês Carvalho Relva
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal
Otília Monteiro Fernandes
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Portugal

Adição à Internet e Cyberbullying em Adolescentes e Jovens Adultos

Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology, vol. 57, núm. 1, e1669, 2023

Sociedad Interamericana de Psicología

Recepção: 05 Julho 2021

Aprovação: 21 Novembro 2022

Financiamento

Fonte: FCT—Portuguese Foundation for Science and Technology

Número do contrato: CEECINST/00127/2018

Descrição completa: National funds support the author Inês Relva’ s work through the FCT—Portuguese Foundation for Science and Technology under the project the Scientific Employment Stimulus - Institutional Call – CEECINST/00127/2018.

Resumo: O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre a adição à Internet (medida através do Internet Addiction Test - IAT), a vitimização por cyberbullying (medido através do Cybervictimization Questionnaire - CYVIC) e agressão por cyberbullying (medido através do Cyber-aggression Questionnaire- CYBA). A amostra foi constituída por 553 adolescentes e jovens adultos, com idades compreendidas entre os 17 e os 30 anos. Observamos que 82.2% dos participantes apresenta adição leve a moderada à Internet. Os resultados apresentam diferenças ao nível das idades, sendo os adolescentes o grupo etário mais envolvido em cibervitimização. Sugerem, ainda, diferenças na frequência de uso da Internet em relação ao uso adicto da Internet, verificando-se que mais horas de utilização diária da Internet estão relacionadas com o uso adicto à mesma. Foi, possível, ainda, apurar que a adição à Internet está positivamente associada à cibervitimização e à ciberagressão e, ainda, foi constatada uma associação positiva entre a cibervitimização e a ciberagressão. Por último, verifica-se um efeito preditor da adição à Internet sobre as duas formas de cyberbullying. Destaca-se a necessidade de maior atenção por parte dos profissionais de saúde relativamente às problemáticas que surgem no mundo virtual.

Palavras-chave: Adição à internet, cyberbulllying, adolescentes, jovens adultos.

Abstract: This study aimed to analyze the relationship between Internet addiction (measured using the Internet Addiction Test-IAT), victimization by cyberbullying (measured using the Cybervictimization Questionnaire - CYVIC) and aggression by cyberbullying (measured using the Cyber-aggression Questionnaire - CYBA). The sample consisted of 553 adolescents and young adults, aged between 17 and 30 years. We observed that 82.2% of participants had mild to moderate addiction to the Internet. The results show differences in terms of age, with adolescents being the age group most involved in cyber-victimization. They also suggest differences in the frequency of use of the Internet in relation to addicted use of the Internet, verifying that more hours of daily use of the Internet are related to the addictive use of the Internet. It was also possible to verify that the addition to the Internet is positively associated with cyber-victimization and cyber-aggression, and a positive association was found between cyber-victimization and cyber-aggression. Finally, there is a predictive effect of Internet addiction on both forms of cyberbullying. The need for greater attention on the part of health professionals regarding problems that arise in the virtual world is highlighted.

Keywords: Internet addiction, cyberbullying, teenagers, young adults.

Introdução

A atualidade é marcada por uma total dependência tecnológica, em que o uso frequente das tecnologias de informação e comunicação (TIC) é apontado como um indicador de exposição a riscos ( Shaikh et al., 2020). A Internet também representa um dos meios de comunicação mais populares entre uma grande parte da população mundial ( Shaikh et al., 2020), assumindo, assim, um papel revolucionário sobre a comunicação e socialização entre as pessoas, bem como no acesso e troca de informação, dada a rapidez de acesso a conteúdos, como: músicas, compras, movimentação de contas, jogos, entre outros ( Oliveira & Pasqualini, 2014). A Internet e as tecnologias associadas a esta, têm ampliado o debate e a investigação em torno dos novos comportamentos problemáticos e psicopatologias, tais como a adição à Internet e adição a jogos online ( Starcevic & Aboujaoude, 2015).

O uso recreativo, excessivo e persistente da Internet pode trazer consequências para as pessoas, principalmente quando estas perdem o controlo no seu uso ( Amendola et al., 2019). A adição à Internet não é atualmente reconhecida como uma perturbação mental. No DSM-V (APA, 2014), o “jogo patológico” é a única adição comportamental relatada, apresentando-se no grupo das “perturbações relacionadas com substâncias e perturbações aditivas”. Uma vez que estes comportamentos ativam áreas cerebrais semelhantes àquelas que são ativados pelo uso de substâncias químicas ( Weinstein et al., 2017). Trata-se de uma adição comportamental com consequências psicossociais para os indivíduos, verificando-se um crescimento da sua prevalência ( Arslan & Coşkun, 2021).

Ao falar em adição à Internet, podemos referir os inúmeros impactos que esta tem sobre a vida das pessoas, desde o negligenciar de uma série de atividades quotidianas, tais como, a administração de tempo, perturbar as relações sociais, de trabalho, bem como prejudicar domínios biológicos, ou seja, alterações das funcionalidades neurológicas ( Pezoa-Jares et al., 2012). Além disso, podemos afirmar que esta adição comportamental apresenta características comuns com outro tipo de adições, veja-se por exemplo: a perda de controlo, dependência psicológica, sintomas de abstinência, perturbação na vida diária e perda de interesse em outras atividades ( Kuss & Griffiths, 2017). Em Portugal, alguns estudos têm explorado a prevalência da adição, nomeadamente Ferreira et al. (2018), em que foi constatado uma taxa de adição leve e moderada de 77.8% ( n= 363) e Monteiro et al. (2020), que verificaram uma taxa de adição leve, moderada e severa de 98.8% ( n= 838), ambas as investigações tiveram por base os critérios de Young (2011) para categorizar os níveis de adição.

Podemos constatar que as mudanças que a Internet trouxe à sociedade atual, tais como a comunicação e acesso a informação, bem como o facto de o seu uso ser confidencial, consentiu de alguma forma o surgimento de cibercomportamentos marcadamente agressivos ( Starcevic & Aboujaoude, 2015). Segundo a Ordem dos Psicólogos Portugueses (2020), o cyberbullying diz respeito a uma forma de bullying, que compreende o uso da tecnologia para assediar, ameaçar, provocar, humilhar ou embaraçar, de forma repetida e intencional.

Verifica-se também que tanto o uso da Internet como os avanços tecnológicos têm sido responsáveis por aumentos no uso adicto à Internet, o que gera preocupação ( Ryding & Kaye, 2018). Desta forma, parece pertinente ao estudar os comportamentos online, ter como foco a idade e o sexo dos participantes ( Machimbarrena et al., 2018). Relativamente à adição à Internet, a literatura aponta para os adolescentes e jovens adultos como sendo aqueles que apresentam maior suscetibilidade de desenvolver um uso adicto ( Rumpf et al., 2014), de facto, verifica-se uma maior prevalência em adolescentes e adultos jovens, contudo pode verificar-se em pessoas de todas as idades ( Pezoa-Jares et al., 2012). Já quando falamos em cyberbullying, a maioria da investigação tem como foco crianças e adolescentes ( Gibb & Devereux, 2014), sendo estes últimos, os que apresentam maiores riscos de serem vítimas e agressores destes comportamentos ( Chang et al., 2015), contudo, de acordo com Tokunaga (2010) a idade não se revela um fator limitador, considerando que estes comportamentos podem ocorrer em estudantes universitários. Ou seja, o cyberbullying pode ocorrer em diferentes faixas etárias, porém verifica-se que a literatura é, sobretudo, direcionada para crianças e adolescentes ( Tokunaga, 2010).

Existem fatores de risco que têm sido identificados nas investigações relativamente à vitimização e agressão por cyberbullying, no entanto estes variam entre estudos. Um estudo realizado em Portugal por Carvalho et al. (2017) identificou como fatores de risco para a cibervitimização e ciberagressão: beber álcool; consumir drogas; envolvimento em problemas; e presença de comportamentos agressivos e violentos. Brewer e Kerslake (2015) verificaram que fatores de risco para vítimas e agressores passavam pela baixa autoestima, solidão e baixa empatia. Álvarez-García et al. (2015) identificaram como fatores de risco para as vítimas, o uso de redes sociais e aplicações de mensagens instantâneas, bem como usar a Internet por mais de três horas por dia e aos fins de semana e, envolver-se em comportamentos de risco na Internet, ao permitir que outras pessoas publicassem fotos ou vídeos pessoais.

A literatura corrobora também a presença de relação entre a adição à Internet e a cibervitimização e ciberagressão ( Chang et al., 2015; Jung et al., 2014; Li et al., 2019; Malaeb et al., 2020; Şimşek et al., 2019; Zsila et al., 2018). Desta forma, pressupõem-se que indivíduos mais adictos à Internet apresentem maiores riscos de ser vítimas e agressores de cyberbullying ( Chang et al., 2015). Tsimstsiou et al. (2017) verificaram que o tempo em horas que os usuários passaram online através do seu telemóvel e a pontuação resultante do instrumento aplicado para avaliar o uso da internet, foram relacionadas com o comportamento de cyberbullying. Ou seja, a frequência em horas que os participantes passaram na Internet e um uso adicto à mesma, aumentou a probabilidade de serem envolvidos em comportamentos de cyberbullying, como vítimas ou agressores. Foi ainda possível apurar que um agressor apresentava uma probabilidade elevada de ter sido igualmente vítima de cyberbullying (Tsimstsiou et al., 2017). Em 2014, foi realizado um estudo em Portugal por Pontes, Griffiths e Patrão, no qual, a amostra era constituída por estudantes portugueses com idades compreendidas entre os 12 e 19 anos, tendo-se constatado que os participantes com níveis mais elevados de adição à Internet eram mais tendenciosos a fazer uso da Internet por um número de horas semanais mais elevado, apresentando solidão generalizada e solidão social. A isto, acrescia o facto de se identificarem como agressores e vítimas de cyberbullying no ambiente escolar ( Pontes et al., 2014a). Efetivamente, o uso da Internet pode ser benéfico para o suporte social, por exemplo possibilita a comunicação que é impedida pela distância física sendo que por outro lado, o comportamento online aditivo reduz o tempo disponível para a interação face a face, podendo ser uma das causas da depressão em usuários da Internet ( Banjanin et al., 2015). O que se traduz num novo desafio para a saúde mental, tal como a gestão de informação, assim como a prevenção do envolvimento em comportamentos de risco ( Starcevic & Aboujaoude, 2015).

A situação pandémica atual decorrente do surgimento do COVID-19 foi responsável por uma imobilização a nível mundial ( Servidio et al., 2021). As pessoas tiveram de se manter em casa como resultado de medidas que visam o distanciamento social e o isolamento ( Servidio et al., 2021). As atividades presencias foram restringidas, tendo as atividades online ganho um espaço maior no quotidiano das pessoas, o que inevitavelmente levou a um aumento no uso da Internet ( Sun et al., 2020). Podemos entender o uso da Internet como um comportamento para responder à situação decorrente pelas mudanças associadas ao COVID-19, tendo-se verificado um aumento do seu uso e, consequentemente, da adição à mesma ( Sun et al., 2020). O uso das TIC não deve ser patologizado, contudo, existem pessoas que apresentam maior vulnerabilidade e que incorrem num risco de desenvolver padrões de uso desadaptativos ( Király et al., 2020). Nos tempos que decorrem, torna-se fácil negligenciar atividades do quotidiano, devido às mudanças abruptas na vivência de cada um e o stresse psicológico associado à pandemia, que também faz com que sejam adotados novos hábitos prejudiciais à saúde, tais como, fazer um uso descontrolado e excessivo da Internet ( Király et al., 2020). Este período em que todos passamos mais tempo online, pode também deixar as pessoas mais desprotegidas face a comportamentos de cyberbullying (OPP, 2020). Neste período de distanciamento social a importância das TIC tem aumentado ainda mais, sendo crucial ressaltar práticas adaptativas para o uso destas ( Király et al., 2020).

Desta forma, este estudo teve como objetivo principal o aumento do conhecimento acerca dos comportamentos online de risco, problemáticas que se encontram bastante presentes na sociedade atual. A isto é acrescido o facto de, ao contrário da maioria dos estudos serem realizados com crianças e adolescentes, os participantes da presente investigação serem, adolescentes e jovens adultos. Posto isto, conhecer e estudar as relações e associações entre estas variáveis, ajudará a contribuir com novas informações para a literatura e, para um aumento do reconhecimento da relevância destes temas e prevenção dos mesmos. Deste modo, o presente teve como objetivo principal explorar a associação entre comportamentos de cyberbullying em vítimas e agressores com a adição à Internet. Mais especificamente, esta investigação visa: (i) explorar a prevalência dos níveis de adição à Internet; (ii) analisar possíveis diferenças na adição à Internet e das duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão) em função da idade e da frequência de utilização da Internet; (iii) explorar a associação entre adição à Internet e as duas formas de cyberbullying: vitimização e agressão; e (iv) verificar o efeito preditor da adição à internet na ocorrência de vitimização e agressão por cyberbullying.

Método

O presente estudo tem por base uma metodologia quantitativa e transversal, uma vez que a recolha de dados foi realizada num único momento. O seu carácter quantitativo relaciona-se com a quantificação de fenómenos através de procedimentos estatísticos ( Marôco, 2007).

Participantes

A amostra foi de conveniência não cumprindo os requisitos de amostra aleatória. Considerou-se como critério de inclusão, por exemplo, ser estudante. A amostra foi constituída por 553 participantes, 89 do sexo masculino (16.1 %) e 464 do sexo feminino (83.9%). Os participantes têm idades compreendidas entre os 17 e os 30 anos, apresentando uma média de idades de 20.25 e desvio-padrão 2.36. Relativamente à escolaridade, os participantes maioritariamente frequentavam o ensino superior 497 (89.9%) e 56 (10.1%) o ensino secundário. Relativamente ao uso da Internet, 98.7% dos participantes referiu fazer uso da Internet diariamente e 67.5% por mais de 3 horas diárias, sendo que 96.9% referiram ter como fim de uso da Internet as redes socias, 43.4% jogos, 96.9% pesquisa pessoal e 89.3% para trabalho e 3.9% para outras situações (teletrabalho, entre outros).

Instrumentos

Questionário sociodemográfico- Elaborou-se um questionário de recolha de dados sociodemográficos com o objetivo de caracterizar os participantes. Este teve em vista a recolha das seguintes dimensões: sexo, idade, ano de escolaridade e hábitos de uso da Internet, entre outras varáveis.

Internet Addiction Test (IAT) - Instrumento criado por Young (1998). O IAT procura avaliar o grau de envolvimento do indivíduo com a Internet e a forma como o uso excessivo desta ferramenta o afeta negativamente nas várias áreas da sua vida. Foi validado e adaptado para a população portuguesa por Pontes et al. (2014b). Este instrumento é composto por 20 itens, numa escala de Likert de seis pontos: 0- “não Aplicável”; 1- “nunca”; 2- “raramente”; 3- “ocasionalmente”; 4- “várias Vezes”; 5- “sempre”. De acordo com o Young (2011), o teste classifica o comportamento aditivo em termos de adição leve, moderada e severa. Para obter a pontuação total do IAT só é necessário somar as pontuações para cada resposta fornecida pelo participante. Neste sentido, considera-se entre 0 a 30 pontos um utilizador normal; entre 31 a 49 pontos um utilizador com adição leve; entre 50 a 79 um utilizador com adição moderada e entre 80 a 100 pontos um utilizador com adição severa ( Young, 2011). A escala total apresenta um valor de confiabilidade interna altamente consistente, com alfa de Cronbach de .90, sendo a sua validade assegurada ( r = .82, p < .001) ( Pontes et al., 2014b). Para a presente amostra o alfa de Cronbach foi de .86, o que revela uma boa consistência interna. A análise fatorial confirmatória confirma o ajustamento dos valores, sendo χ²/df = 2.984, GFI= .98, CFI= .98 e RMSEA= .06.

Cybervictimization Questionnaire (CYVIC) - de Álvarez-García, Núñez, Barreiro-Collazo e García (2017), traduzido por Fernandes e Relva (2019b). Este questionário foi criado com o objetivo de avaliar até que ponto o participante é vítima de agressão através do telemóvel ou Internet, e é composto por 19 itens. Os participantes devem indicar a frequência com que foram vítimas dos comportamentos indicados nos últimos três meses, numa escala de tipo Likert de 4 pontos (1-“nunca”; 2-“raramente”; 3“frequentemente”; 4-“sempre”). O CYVIC tem 4 fatores e 4 indicadores complementares, sendo que, neste estudo, e indo ao encontro dos objetivos, a cibervitimização foi avaliada utilizando a escala completa, ou seja, através da soma da pontuação total de cada participante (mínimo 19 pontos e máximo 76 pontos), sendo que pontuações mais elevadas corresponderão a maiores níveis de vitimização. Considera-se vítima de cyberbullying, segundo os autores, os participantes que forem alvo de pelo menos um comportamento da escala. A consistência interna obtida pelos autores quando utilizaram a escala completa ( Álvarez-García et al., 2018) foi adequada, com um alfa de Cronbach de .79. Para a presente amostra o alfa de Cronbach foi de .83, o que revela uma boa consistência interna. A análise fatorial confirmatória confirma o ajustamento dos valores, sendo χ²/df = 3.275, GFI= .98, CFI= .98 e RMSEA= .06.

Cyber-aggression Questionnaire (CYBA) - de Álvarez-García et al. (2016), traduzido por Fernandes e Relva (2019a). Este questionário é composto por 19 itens, descrevendo agressões conduzidas através do telemóvel ou Internet. O participante deverá indicar a frequência com que praticou os vários comportamentos nos últimos 3 meses, utilizando uma escala de tipo Likert com quatro opções (1-“nunca”; 2-“raramente”; 3-“frequentemente”; 4-“sempre”). O CYBA tem 3 fatores e 4 indicadores complementares, sendo que, neste estudo, e indo ao encontro dos objetivos, a ciberagressão foi avaliada utilizando a escala completa, ou seja, através da soma da pontuação total de cada participante (mínimo 19 pontos e máximo 76 pontos), sendo que pontuações mais elevadas corresponderão a maiores níveis de agressão. Considera-se agressor de cyberbullying, segundo os autores, os participantes que praticaram pelo menos um comportamento da escala. A consistência interna obtida pelos autores quando utilizaram a escala completa ( Álvarez-García et al., 2018) foi adequada, com um alfa de Cronbach de .82. Para a presente amostra o alfa de Cronbach foi de .77, o que revela uma boa consistência interna. A análise fatorial confirmatória confirma o ajustamento dos valores, sendo χ²/df = 3.170, GFI= .98, CFI= .97 e RMSEA= .06.

Procedimento

Inicialmente foi proposto o protocolo de recolha de dados à Comissão de Ética de uma instituição de ensino superior do norte de Portugal tendo sido atribuído um parecer favorável quanto à sua aplicação.

No entanto, decorrente da pandemia por COVID-19, a recolha de dados que inicialmente iria ser realizada presencialmente não foi possível. Tendo neste seguimento sido efetuada alteração à forma de recolha dos dados, dando espaço à discussão sob orientação para o solucionar do problema. Por conseguinte, foi exposto à Comissão de Ética e solicitada a possibilidade de fazer a recolha dos dados online, sendo este pedido aprovado. Procedeu-se à criação e construção do questionário online com recurso ao software LimeSurvey. Os contactos com as escolas já tinham sido efetuados de forma a dar início ao recolher dos dados junto dos estudantes, no entanto, as circunstâncias de recolha sofreram alterações decorrente da pandemia por COVID-19 e as aulas foram suspensas no mês de março de 2020, o que dificultou a participação dos alunos, tendo existido pouca adesão, por parte destes, ao preenchimento dos questionários online. Desta forma, foi realizado o contacto com os autores das escalas relativas à variável cyberbullying: CYVIC e CYBA de forma a solicitar autorização para a aplicação das escalas a estudantes com idade superior a 18 anos de idade, sendo este pedido aprovado. Neste seguimento, procedeu-se à recolha de dados através da divulgação de um link disponibilizado nas redes sociais tais como Facebook, Instagram e via e-mail. Foi solicitada a participação informada e voluntária por parte dos participantes, sendo estes estudantes e com idade igual ou superior a 18 anos de idade. Também foram informados sobre o objetivo geral do estudo, sendo garantidas as condições de confidencialidade, anonimato e consentimento informado.

Após a recolha dos dados, estes foram introduzidos numa base de dados do software Statistical Package for the Social Sciences - SPSS (IBM SPSS Statistics, versão 25), tendo sido realizadas as análises estatísticas apresentadas na secção dos resultados.

Estratégias de análise de dados

Inicialmente procedeu-se à exportação de dados do software LimeSurvey para a aplicação Microsoft Excel. Foram importados apenas os questionários com preenchimento completo. Posteriormente, realizou-se a importação desses dados para o software SPSS (IBM SPSS Statistics, versão 25). Tendo sido executada a transformação de valores das variáveis de forma a ficarem quantificáveis. Não foi necessário identificar missings na amostra uma vez que só foram utilizados os questionários com preenchimento completo e nestes não era possível a sua submissão sem que todas as questões tivessem resposta. Foi calculado o grau de consistência interna das variáveis em estudo recorrendo ao alfa de Cronbach com o objetivo de verificar se os instrumentos utilizados eram fiáveis face à amostra recolhida ( Marôco, 2014). De seguida, foi utilizado o AMOS (IBM SPSS AMOS, versão 23.0), para verificar com maior rigor a adequação e ajustabilidade dos instrumentos face à amostra em estudo, tendo sido efetuadas análises fatoriais confirmatórias de 1ª ordem.

Seguidamente, a normalidade foi avaliada através da assimetria e curtose, tendo o pressuposto da normalidade sido violado para a variável ciberagressão (avaliada pelo CYBA). Assim, recorreu-se ao uso de testes não paramétricos para realizar as análises com esta variável. Deste modo, através das estatísticas descritivas foram obtidas as frequências e os valores de prevalência. Foram também realizadas análises das diferenças para a ciberagressão em função da idade e das horas de utilização da Internet, utilizando o teste U de Mann-Whitney para duas amostras independentes. Foram igualmente realizadas análises de variância univariada ANOVAS, para apurar possíveis diferenças na adição à Internet e cibervitimização em função da idade e da frequência de utilização da Internet. Para este tipo de análises, foi observado o valor de eta, em que valores entre .1 e .6 considera-se um efeito baixo, entre .7 e .14 um efeito moderado e acima de .14 um efeito elevado, segundo intervalos sugeridos por Cohen (1988). Procedeu-se também à realização de correlações de Sperman para perceber as possíveis associações entre as variáveis (CYVIC, CYBA e IAT), tendo por base os intervalos sugeridos por Cohen (1988), em que correlações com valores entre .10 e .29 são baixas, entre .30 e .49 são médias e entre .50 e 1 são elevadas. Por fim, realizou-se uma regressão linear simples no sentido de verificar o poder preditor da variável independente (IAT) sobre as variáveis dependentes (CYVIC e CYBA).

Resultados

Prevalência dos níveis de adição à Internet na amostra

No presente estudo foi analisada a prevalência de adição à Internet na amostra, de acordo com os critérios de Young (2011), que através da pontuação total do instrumento IAT chega às seguintes classificações: utilizadores normais, adição leve, adição moderada e adição severa. Segundo os critérios de Young (2011) é possível verificar que cerca de 17.7% ( n= 98) dos participantes apresentam uma utilização normativa da Internet, 65.6% ( n= 363) dos participantes apresentam uma adição leve à Internet e, 16.6% ( n= 92) dos participantes apresentam uma adição moderada à Internet. Não foram encontrados participantes que apresentassem adição severa.

Análise diferencial da adição à Internet e das duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão) em função da idade

No sentido de verificar se existiam diferenças na adição à Internet (medido através do instrumento IAT) e na cibervitimização (medido através do instrumento CYVIC) em função da idade foram realizadas análises de variância univariada (ANOVAS), a um nível de significância de 5%. Também se pretendeu averiguar as diferenças na ciberagressão (medido através do instrumento CYBA) em função da idade, tendo sido realizado o teste U de Mann-Whitney, a um nível de significância de 5%.

Para este efeito, optou-se pela divisão das faixas etárias presentes na amostra e criação de dois grupos etários. O grupo 1 foi constituído por participantes com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos (47.6%, n = 263) e o grupo 2 constituído por participantes dos 20 aos 30 anos (52.4%, n = 290). Esta divisão teve por base os limites cronológicos definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em que indivíduos dos 10 aos 19 anos completos são considerados adolescentes ( Eisenstein, 2005) e os indivíduos entre os 20 e 30 anos foram considerados jovens adultos. Através da realização da ANOVA foi possível verificar que a adição à Internet não apresenta diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de idades ( p = .243).

Análise diferencial da adição à Internet e das duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão) em função da idade

No sentido de verificar se existiam diferenças na adição à Internet (medido através do instrumento IAT) e na cibervitimização (medido através do instrumento CYVIC) em função da idade foram realizadas análises de variância univariada (ANOVAS), a um nível de significância de 5%. Também se pretendeu averiguar as diferenças na ciberagressão (medido através do instrumento CYBA) em função da idade, tendo sido realizado o teste U de Mann-Whitney, a um nível de significância de 5%.

Para este efeito, optou-se pela divisão das faixas etárias presentes na amostra e criação de dois grupos etários. O grupo 1 foi constituído por participantes com idades compreendidas entre os 17 e os 19 anos (47.6%, n = 263) e o grupo 2 constituído por participantes dos 20 aos 30 anos (52.4%, n = 290). Esta divisão teve por base os limites cronológicos definidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em que indivíduos dos 10 aos 19 anos completos são considerados adolescentes ( Einstein, 2005) e os indivíduos entre os 20 e 30 anos foram considerados jovens adultos. Através da realização da ANOVA foi possível verificar que a adição à Internet não apresenta diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de idades ( p = .243).

Procedeu-se à realização de uma outra ANOVA (confirmar Tabela 3), na qual foi possível verificar que a cibervitimização (medida pelo instrumento CYVIC) apresenta diferenças estatisticamente significativas segundo os grupos de idades ( F(1,551) = 9.032, p = .003), sendo que o grupo 1, com a faixa etária dos 17 a 19 anos, revela uma média superior ( M=21.34; DP=3.58), quando comparado com o grupo 2, com a faixa etária dos 20 aos 30 anos de idade, ( M=20.56; DP=2.47). De acordo com Cohen (1988), o valor de eta sugere um efeito pequeno ( ηp 2 =.016).

Tabela 3
Análise Diferencial da Cibervitimização em Função da Idade
Análise Diferencial da Cibervitimização em Função da Idade
Nota: CYVIC= Cybervictimization Questionnaire; M= Média; DP= Desvio padrão; IC 95%= Intervalo de confiança a 95%.

Realizou-se um teste U de Mann-Whitney, no sentido de verificar se existiam diferenças na ciberagressão (medido pelo instrumento CYBA) em função da idade. Os resultados permitiram verificar que a ciberagressão não apresenta diferenças estatisticamente significativas segundo os grupos de idades, grupo 1 ( Mdn= 19, n= 263) e grupo 2 ( Mdn= 19, n= 290), U= 35559.500, z= –1.93, p= .053, r=.08.

Análise diferencial da adição à Internet e das duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão) em função da frequência de utilização da Internet (em horas diárias)

No sentido de verificar se existiam diferenças na adição à Internet (medido através do instrumento IAT) e cibervitimização (medido pelo instrumento CYVIC) em função da frequência de utilização da Internet (em horas diárias) foram realizadas análises de variância univariada (ANOVAS), a um nível de significância de 5%. Também se pretendeu averiguar a existência de diferenças na ciberagressão em função da frequência de utilização da Internet (horas por dia), tendo sido realizado um teste U de Mann-Whitney, a um nível de significância de 5%. Para este efeito, foi utilizado o seguinte intervalo de horas diárias: “menos de três horas” e “mais de três horas” ( Berribili & Mill, 2018).

Através da realização da ANOVA (confirmar Tabela 5), foi possível verificar que a adição à Internet apresenta diferenças estatisticamente significativas entre as horas de utilização diária da Internet ( F(1,551) = 21.455, p < .001), sendo que o grupo 2 ( mais de 3 horas de utilização diária da Internet) revela uma média superior ( M=41.34; DP=10.52), quando comparado com o grupo 1 (menos de 3 horas de utilização diária da Internet) ( M=37.07; DP=9.30). De acordo com Cohen (1988), o valor de eta sugere um efeito pequeno ( ηp 2 =.037).

Tabela 5
Análise Diferencial da Adição à Internet em Função da Frequência de Utilização da Internet
Análise Diferencial da Adição à Internet em Função da Frequência de Utilização da Internet
Nota: IAT= Internet Addiction Test; M= Média; DP= Desvio Padrão; IC= Intervalo de Confiança a 95%

Procedeu-se à realização de uma outra ANOVA, sendo possível verificar que a cibervitimização não apresenta diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de horas de utilização diária da Internet ( p = .380).

Realizou-se também um teste U de Mann-Whitney, no sentido de verificar se existiam diferenças na ciberagressão em função das horas de utilização da Internet. Os resultados permitiram verificar que a ciberagressão não apresenta diferenças estatisticamente significativas no grupo 1 (Mdn= 19, n= 180) e no grupo 2 ( Mdn= 19, n= 373), U= 31625.500, z= -1.55, p= .120, r =.07.

Associação entre a adição à Internet e as duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão)

Com base num dos objetivos, pretendeu-se analisar possíveis associações entre as escalas usadas em estudo, desta forma realizaram-se análises correlacionais entre as diferentes variáveis.

A relação entre adição à Internet (medida pelo instrumento IAT) e as escalas do cyberbullying: cibervitimização (medida pelo instrumento CYVIC) e ciberagressão (medida pelo instrumento CYBA) foi explorada através da realização de uma correlação de Spearman, utilizando o coeficiente de correlação de rho de Spearman.

Foram realizadas correlações entre adição à Internet e a cibervitimização (confirmar Tabela 8). Os resultados permitiram verificar uma associação entre a adição à Internet e a cibervitimização ( r s=.161, p ˂.001). Analisando as correlações de rho de Spearman entre a variável adição à Internet e cibervitimização é possível verificar que a correlação existente é positiva e de baixa intensidade, segundo os intervalos de valores sugeridos por Cohen (1988).

Foram também realizadas correlações de Spearman entre a adição à Internet e a ciberagressão (confirmar Tabela 8). Os resultados permitiram verificar uma associação entre a adição à Internet e a ciberagressão ( r s =.189, p ˂.001). Analisando as correlações de rho de Spearman entre a variável adição à Internet e ciberagressão é possível verificar que a correlação existente é positiva e de baixa intensidade, segundo os intervalos de valores sugeridos por Cohen (1988).

Por fim, verificou-se uma correlação significativa e positiva entre a cibervitimização e ciberagressão ( r s=.362, p ˂.001). Analisando as correlações de rho de Spearman entre a variável cibervitimização e ciberagressão é possível verificar que a correlação existente é positiva e de média intensidade, segundo os intervalos de valores sugeridos por Cohen (1988)

Tabela 8
Análise das Correlações entre a Adição à Internet, a Cibervitimização e a Ciberagressão
Análise das Correlações entre a Adição à Internet, a Cibervitimização e a Ciberagressão
Nota: IAT= Internet Addiction Test; CYVIC= Cybervictimization Questionnaire; CYBA= Cyber-Aggression Questionnaire; ** p < .001; os negritos representam os valores significativos.

Papel preditor da adição à Internet sobre as duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão)

Procedeu-se à realização de análises de regressão linear simples, de forma a verificar o papel preditor da adição à Internet (medido pelo instrumento IAT) sobre a vitimização por cyberbullying (medido pelo instrumento CYVIC) e agressão por cyberbullying (medido pelo instrumento CYBA). Para este efeito, considerou-se a cibervitimização e ciberagressão como variáveis dependentes. Através da realização das análises de regressão linear simples, é possível verificar quais as variáveis independentes que melhor contribuem para a previsão da variável dependente ( Pallant, 2011).

Analisando a regressão linear simples (confirmar Tabela 9), podemos verificar que a variável independente adição à Internet contribui de forma significativa para a cibervitimização, explicando 2.3% da variância total.

Tabela 9
Análise Preditiva: Papel Preditor da Adição à Internet sobre a Cibervitimização
Análise Preditiva: Papel Preditor da Adição à Internet sobre a Cibervitimização
Nota: B, SE e β para um nível de significância de p <.05; os negritos representam valores significativos.

Foi realizada uma outra regressão linear simples (confirmar Tabela 10), na qual podemos verificar que a variável independente adição à Internet, também apresentou um contributo significativo sobre a ciberagressão, explicando 3.6% da variância total.

Verifica-se que a variável adição à Internet, apresentou uma contribuição estatisticamente positiva e significativa em ambas as regressões lineares simples ( p < .001), enquanto preditora dos comportamentos de cibervitimização e ciberagressão.

Tabela 10
Análise Preditiva: Papel Preditor da Adição à Internet sobre a Ciberagressão
Análise Preditiva: Papel Preditor da Adição à Internet sobre a Ciberagressão
Nota: B, SE e β para um nível de significância de p <.05; os negritos representam valores significativos.

Discussão

O presente estudo teve como objetivo principal identificar o papel da adição à Internet na cibervitimização e ciberagressão numa amostra de adolescentes e jovens adultos. Procurou-se, também, explorar a prevalência dos níveis de adição à Internet na amostra, e de que forma a adição à Internet e as duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão) diferem em relação à idade e a frequência diária de utilização da Internet (em horas diárias). Procurou-se, ainda, perceber se a adição à Internet apresenta associações com a cibervitimização e ciberagressão, bem como a relação entre cibervitimização e ciberagressão e, por fim, o papel preditor da adição à Internet sobre as duas formas de cyberbullying (vitimização e agressão).

No presente estudo foi possível verificar que 98.7% dos participantes faz uso diário da Internet e que um dos fins de utilização da Internet mais referido foram as redes socias, com 96.9%. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2019, cerca de 80.2% utilizadores de Internet em Portugal com idades compreendidas, entre os 16 e os 74 anos mencionaram usar redes sociais. Estes resultados espelham a utilização crescente das TIC, que têm como resultado transformações sociais que, em grande parte, contribuem para melhorar a qualidade de vida ( Sosa et al., 2019). No caso da população mais jovem, as tecnologias são vistas com grande atratividade dada a rapidez de acessibilidade e facilidade na sua utilização ( Sosa et al., 2019). A obtenção de respostas através destes mecanismos é instantânea, permitido a realização de uma panóplia de atividades diversificadas ( Sosa et al., 2019). Contudo, aliadas às vantagens que proporciona, surgem as desvantagens, decorrentes de um uso excessivo e possibilidade de uso adicto, assim como práticas relacionadas ao cyberbullying ( Sosa et al., 2019). Sabe-se ainda que a utilização de redes sociais é das atividades mais referidas pelos sujeitos que são adictos à Internet e, onde ocorre com maior frequência a problemática cyberbullying ( Chao & Yu, 2017).

Face aos resultados da prevalência dos níveis de adição à Internet, a amostra revela participantes com adição leve (65.6%; n= 363) e moderada (16.6%; n= 92), não tendo sido encontrados participantes com adição severa, segundo os critérios de Young (2011). Assim sendo, a presente amostra apresenta uma taxa de adição de 82.2% ( n= 553). Estes resultados são semelhantes a alguns estudos recentes realizados em Portugal ( Ferreira et al., 2018; Monteiro et al., 2020) que fizeram uso dos mesmos instrumentos de medição que o presente estudo e levaram em consideração os critérios de Young (2011) para categorizar os níveis de adição à Internet. Os resultados obtidos no presente estudo revelam-se alarmantes, no sentido em que 82.2% da presente amostra apresenta um quadro de adição relativamente à Internet. E tal como é referido pela literatura, é importante termos presente os impactos negativos que os indivíduos adictos à Internet padecem ao nível da saúde mental ( Moromizato et al., 2017). A investigação empírica tem demonstrado associações positivas entre a adição à Internet com sintomatologia psicopatológica, verificando-se níveis mais elevados de depressão, ansiedade ( Ferreira et al., Fernandes, 2018; Li et al., 2019; Mendes & Silva, 2017; Saikia et al., 2019), stresse ( Mendes & Silva, 2017; Saikia et al., 2019), hostilidade e sensibilidade interpessoal ( Ferreira et al., 2018). Têm também sido relatadas alterações no sono ( Younes et al., 2016), ansiedade social e baixa autoestima ( Younes et al., 2016; Yucens & Uzer, 2018), assim como ausência de atividade física regular ( Khan et al., 2017).

Neste estudo foram exploradas as diferenças entre os grupos de idade relativamente à adição à Internet. Os resultados desta investigação permitiram verificar que a idade não se apresenta como um fator diferenciador relativamente à adição à Internet. O resultado do presente estudo relativamente a esta questão foi contrário ao descrito em alguma literatura, em que se considera que a faixa etária constituída por adolescentes é mais vulnerável à adição à Internet ( Méa et al., 2016). Talvez a imaturidade dos adolescentes ajude a explicar a incapacidade de autorregulação, nomeadamente no controlo sobre o tempo de uso da Internet e sobre o surgimento de implicações negativas na vida quotidiana, social, e na saúde física e mental ( García et al., 2014). Como consequência dessa dificuldade de gestão na utilização da Internet, possa estar associado um uso adicto à mesma ( García et al., 2014). No entanto, o facto de não se verificarem diferenças entre os grupos etários pode ser explicado pelo facto de a amostra ser constituída por uma população com faixas etárias de jovens, população essa que é descrita na literatura como aquela que faz um uso maior da Internet ( Chang et al., 2015; Sierra et al., 2016; Sosa et al., 2019). Considerando-se que grupos mais suscetíveis de desenvolver um uso adicto à Internet parecem ser tanto adolescentes como jovens adultos ( Rumpf et al., 2014). Daí que na comparação entre grupos de adolescentes e jovens adultos não se tenham verificado diferenças. Podendo estes resultados apontar para um tipo de utilização que os sujeitos exibiam desde o período da adolescência, ou seja, a existência de uma normalização na utilização da Internet aquando desse período ( Ferreira et al., 2018).

O uso das TIC por parte das pessoas ganhou uma outra relevância decorrente da situação pandémica ( Király et al., 2020). Tendo as atividades online ganho maior espaço na vida das pessoas, o que originou um aumento no uso da Internet e consequentemente um aumento no uso adicto à mesma ( Sun et al., 2020). Podemos, assim, avançar a hipótese de que o uso da Internet e das TIC durante o período pandémico foram generalizadas a uma grande parte da população, o que se supõe é que se pode ter verificado um uso adicto em todas as faixas etárias, o que poderá explicar o resultado obtido no presente estudo, em que não foram verificadas diferenças entre os grupos etários.

Foram também exploradas as diferenças na idade para a cibervitimização e ciberagressão. Os resultados deste estudo evidenciaram que a idade se apresenta como um fator diferenciador relativamente à cibervitimização, sendo o grupo de adolescentes o mais vitimizado. Estes resultados do presente vai ao encontro dos resultados apresentados na referida literatura, que sugerem que os adolescentes são aqueles que apresentam maiores riscos online, quer como vítimas quer como perpetradores de cyberbullying ( Chang et al., 2015). Desta forma, considera-se que a ocorrência de cyberbullying entre adolescentes é maior, apurando-se uma tendência de diminuição em faixas etárias em fase universitária ( Antoniadou & Kokkinos, 2015). Os adolescentes são conhecidos por ser um grupo de risco no desenvolvimento de comportamentos de cariz negativo associados ao uso da Internet, bem como, de serem afetados diretamente por estes, dada a instabilidade emocional que muitas vezes está associada a esta faixa etária ( García et al., 2014). A Internet torna-se assim um espaço onde é possível explorar a identidade, experienciar novas emoções e relações sociais ( García et al., 2014). O que poderá envolver a exposição a situações que apresentem risco para a saúde mental, assim como o desenvolvimento de comportamentos problemáticos, como o contacto com desconhecidos, o assédio online, o acesso a conteúdos sobre drogas, pornografía, entre outros ( García et al., 2014).

Relativamente à ciberagressão verificou-se que a idade não constituía um fator diferenciador. Porém, a faixa etária constituída por adolescentes é aquela que apresenta maiores riscos de vitimar ( Chang et al., 2015). O envolvimento em comportamentos de risco por parte destes acontece em parte devido à impulsividade, que não lhes permite pensar sobre as consequências que esses comportamentos terão sobre si ou sobre as vítimas ( Gámez-Guadix et al., 2016). Contudo, a razão de não serem encontradas diferenças entre os grupos etários de adolescentes e jovens adultos pode ser explicada pelo facto de os sujeitos não se identificarem como agressores, dado que podem entender que determinados comportamentos não se encaixem na definição de cyberbullying e associarem um carácter de diversão a determinadas condutas ( Gibb & Devereux, 2014). Tokunaga (2010) refere que apesar do foco em populações de adolescentes, o cyberbullying não é limitado pelas faixas etárias, podendo ocorrer em estudantes universitários ou em outros grupos etários. A não existência de diferenças na perpetração do cyberbullying entre os grupos de idade poderá estar relacionado com as faixas etárias da amostra utilizada. Verifica-se que os comportamentos de perpetração de cyberbullying tendem a aumentar na adolescência até à idade jovem adulta, contudo, a sua incidência diminuirá em adultos mais velhos ( Barlett & Chamberlin, 2017). Num estudo português realizado por João, João e Portelada (2011) constatou-se que este fenómeno é comum a todas as faixas etárias, sendo que nesse estudo a faixa etária dos participantes variava entre os 11 e os 60 anos, tendo estes referido terem sido vítimas deste comportamento independente das idades. Também Francisco et al. (2015) constataram que este fenómeno está presente em estudantes universitários, ou seja, sujeitos com faixas etárias de jovens adultos. Deste modo, dado o uso generalizado das TIC, pressupõem-se que qualquer pessoa com acesso à tecnologia se possa tornar um agressor ou vítima de cyberbullying (Ozden & Icellioglu, 2014).

Na amostra em estudo foram encontradas diferenças significativas em relação à frequência diária (em horas) de uso da Internet relativamente à adição à Internet. Efetivamente, a literatura fornece informação que está de acordo com os resultados do presente estudo, em que o tempo de uso da Internet pode ser um fator importante na adição à Internet ( Orsal et al., 2013). Um estudo verificou uma associação entre a maior prevalência de adição à Internet e os participantes que fizeram uso da Internet por um número de horas diário mais elevado ( Mboya et al., 2020). Este resultado remete para o facto de a adição à Internet apresentar uma associação com a quantidade de horas de uso da mesma ( Andreou & Svoli, 2013). Quanto maior for o tempo de uso da Internet, maior será a influência negativa que a Internet terá na vida quotidiana dos indivíduos, tais como, alterações no ciclo circadiano, assim como o surgimento de incapacidade em controlar o tempo de uso da mesma ( Salubi et al., 2019). Verifica-se que dificuldades em reduzir o tempo de uso da Internet, assim como, a necessidade de ocultação do tempo real, se revelam fatores de risco para um uso adicto da Internet ( Berner & Santander, 2012). Desta forma, um uso adicto da Internet pressupõe um gasto excessivo do tempo de uso diário da Internet com atividades que não são essenciais, o que tem como resultado a diminuição de contactos sociais face a face, distorções de objetivos, de interesses pessoais e diminuição dos rendimentos académicos ou laborais ( Patrão et al., 2017).

Pretendeu-se, também, analisar se o tempo de uso, em horas, da Internet apresentava relação com a cibervitimização e ciberagressão, o que não se verificou. Contrariamente ao que alguma literatura sugere, de que o uso de Internet por mais de três horas diárias aumenta cerca de quatro vezes as hipóteses de ser alvo de cyberbullying ( Arsène & Raynaud, 2014), ou seja, quem faz uso por um período diário de tempo maior da Internet, apresenta simultaneamente uma maior exposição a comportamentos de cibervitimização e ciberagressão ( Kowalski et al., 2014; Şimşek et al., 2019). Isto pode ser explicado pelo facto de um maior número de horas de uso da Internet expor os indivíduos a um conjunto de riscos sobre os quais não têm controlo, como comportamentos hostis por parte de outras pessoas ( García et al., 2014). Kokkinos et al. (2016) também não encontraram relação entre tempo de uso da Internet (em horas por dia) e ser vítima ou perpetrador de cyberbullying. Podemos entender que ser vítima ou agressor de cyberbullying possa não estar relacionado diretamente apenas ao tempo de uso da Internet, mas sim com as características de uso da Internet que se revelam premissas importantes para a perpetração e vitimização por cyberbullying ( Şimşek et al., 2019). De acordo com Handono et al. (2019) o que se encontra relacionado positivamente ao cyberbullying é a forma problemática de utilização, não só a forma excessiva, mas sim impulsiva e arriscada.

Os resultados desta investigação também demonstram uma associação positiva entre adição à Internet e o cyberbullying nas suas duas formas (cibervitimização e ciberagressão), indicando assim níveis mais elevados de cibervitimização e ciberagressão em sujeitos mais adictos à Internet, e vice-versa. A investigação empírica também tem demonstrado a existência da relação entre a adição à Internet e vitimização e a perpetração de cyberbullying ( Chang et al., 2015; Jung et al., 2014; Li et al., 2020; Malaeb et al., 2020; Şimşek et al., 2019; Zsila et al., 2018), em que o aumento da utilização da Internet está relacionado com o surgimento de consequências negativas para os indivíduos, como a adição à Internet e o cyberbullying ( Machimbarrena et al., 2018). A correlação positiva encontrada na presente investigação foi também relatada no estudo de Şimşek et al. (2019).

Com base nos resultados podemos entender que a Internet dá possibilidade para que os jovens que apresentam menos competências sociais se envolvam num risco mais elevado de serem adictos a esta, uma vez que a Internet permite a interação social, dando lugar à criação de contactos sociais que são importantes para esta faixa etária ( Terroso & Argimon, 2016). Ou seja, sujeitos adictos à Internet apresentam maiores riscos de contactos online que os podem levar à vitimização e à perpetração de cyberbullying ( Chang et al., 2015). Sendo possível verificar que a dificuldade de controlo sobre o uso da Internet pode conduzir ao surgimento de outras dificuldades e na gestão de outros comportamentos online de risco, como a cibervitimização ( Gámez-Guadix et al., 2016).

Efetivamente, as vítimas de cyberbullying parecem ter um perfil de uso da comunicação online mais elevado, em comparação com aqueles que não sofrem cyberbullying, sendo que as primeiras usam a Internet para criar novos relacionamentos, escapar do mundo real e compensar a sua falta de competências sociais ( Navarro et al., 2018). Estas também podem fazer uso da Internet como sendo um refúgio face ao sofrimento causado por serem cibervítimas ( Gámez-Guadix et al., 2013). Neste seguimento, podemos enumerar alguns fatores de risco para os ciberagressores como, baixa autoestima, solidão ( Brewer & Kerslake, 2015) e reduzidas competências sociais que, de certa forma, levam a que estes façam uso de meios tecnológicos para puderem comunicar e intimidar ( Antoniadou et al., 2016). Desta forma, a adição à Internet pode ser então entendida como um mecanismo psicológico de fuga das problemáticas da vida real ( Mihajlov & Vejmelka, 2017), em que o seu uso possa ter como objetivo o anular de carências afetivas ( Patrão et al., 2017). Podemos presumir que a Internet possa ser encarada como uma estratégia de coping, explicando assim os níveis elevados de adição (Pontes et al., 2014).

Também foi encontrada uma associação positiva entre a cibervitimização e a ciberagressão, tendo sido constatada esta associação positiva por Álvarez-García et al. (2018), autores que fizeram uso das mesmas escalas para o cyberbullying que o presente estudo. Isto remete para o facto de que à medida que aumentam os comportamentos de agressão, também aumentam os comportamentos de vitimização. Este resultado pode significar que a vitimização e a perpetração se influenciam reciprocamente, ou seja, podemos estar a falar de um “ciclo” de cyberbullying, em que as vítimas poderão fazer uso da retaliação como resposta a terem sido vitimadas ( Chao & Yu, 2017; Gámez-Guadix et al., 2015).

Os valores obtidos na regressão linear simples permitiram verificar que a adição à Internet parece predizer de modo significativo e positivo a cibervitimização e a ciberagressão, ou seja, quem é adicto à Internet apresenta maior tendência para se envolver em outros comportamentos online de risco como a vitimização e a perpetração de cyberbullying. Os nossos resultados vão ao encontro do que foi constatado por Gámez-Guadix et al. (2013), ao verificarem que um uso adicto da Internet previu a cibervitimização. Jung et al. (2014) também constataram que um uso adicto da Internet aumentava a probabilidade de ser vítima, ser perpetrador e vítima-perpetrador de cyberbullying. Tanto vítimas como agressores destes comportamentos são normalmente utilizadores intensos da Internet, apresentando capacidades mais elevadas de uso desta ferramenta ( Walrave & Heirman, 2011).

Foi ainda verificado por Hwang et al. (2014) que os sujeitos adictos à Internet apresentavam características relacionadas à agressão. O que é coincidente quando falamos em perpetração de cyberbullying, uma vez que se trata de indivíduos que tendem a estar associados a comportamentos de quebra de regras e condutas agressivas ( Jung et al., 2014). Estes tendem a procurar ser distintos e demonstram uma atitude de preocupação e de comparação, em relação a sujeitos mais autossuficientes e que buscam individualidade ( Arpaci et al., 2020). A Internet surge então como um meio que fornece um acesso fácil para lidar com a raiva, agressão e hostilidade ( Fumero et al., 2018), dando a possibilidade de vivência de uma vida virtual, que oferece o contrário da vida social: a não existência de normas, valores e tempo ( Peker, 2015).

Tanto perpetradores como vítimas de cyberbullying têm em comum dificuldades de socialização, posto isto, as TIC surgem como um espaço de socialização daquilo que estes julgam não serem capazes de realizar na “vida real”, como o expressar confortavelmente de opiniões e ideias e realizar atividades que não conseguem concretizar na sua vida quotidiana ( Peker, 2015). A Internet pode representar uma forma de enfrentar dificuldades, ou seja, ser um meio de resolução de problemas ( Brighi et al., 2019). Tanto a ciberagressão como a adição à Internet podem ser vistas como estratégias de autorregulação, contudo desadaptativas ( Spada, 2014).

Implicações práticas, limitações e propostas para estudos futuros

Assim sendo, como forma de balanço final desta investigação, parece ser pertinente salientar as principais implicações e limitações associadas. Como implicações práticas, podemos apontar para a necessidade de os profissionais de saúde terem maior atenção quanto aos hábitos e comportamentos que as pessoas exibem online. Uma outra implicação prática relativa ao presente estudo remete para a importância da deteção precoce de padrões de utilização da Internet, bem como de outros comportamentos de risco, como o cyberbullying. Considera-se ainda, que face aos resultados obtidos e tendo em conta a presença massiva das TIC na sociedade atual, a prevenção destes comportamentos não deverá passar apenas por populações mais jovens e estudantis, mas sim junto da comunidade, através do desenvolvimento e promoção de ações de sensibilização, de forma a esclarecer sobre estas problemáticas online.

Este estudo apresenta algumas limitações, entre as quais podemos indicar o facto de esta não ser representativa, dado que os participantes que constituíram o estudo representam a população estudantil, o que poderá impedir a generalização dos resultados para a população geral portuguesa. Para além disso, o número de participantes correspondentes ao sexo masculino foi uma minoria, o que não permitiu a realização de análises em relação às diferenças entre sexos. Uma outra limitação é referente à recolha de dados no decorrer de uma pandemia por COVID-19, período esse em que a circulação das pessoas e de contactos face a face sofreu restrições. O que poderá ter levado os estudantes a passarem mais tempo online uma vez que as atividades lúdicas e de socialização com presença física foram restringidas. Por último, ressaltar que os construtos adição à Internet e cyberbullying ainda são muito debatidos na literatura, não existindo consenso sobre a mensuração dos mesmos, verificando-se, igualmente, que a não existência de consenso faz com que sejam criados fatores limitadores nas investigações que fazem uso dos mesmos.

Assim, estudos futuros em Portugal poderão replicar investigações com o uso destes construtos, no sentido de perceber mais aprofundadamente o que causa a relação entre eles. Seria igualmente interessante que os estudos com este tema se estendessem à população em geral, dado que a sociedade contemporânea é marcada pelo uso generalizado de dispositivos tecnológicos com acesso à Internet e que dessa forma, se encontram igualmente perante os riscos. A investigação empírica relativa ao tema cyberbullying tem como foco maioritário populações de adolescentes, talvez por se considerar que os comportamentos que visam vitimar outros sejam mais expectáveis nesta faixa etária. Este facto leva a que exista uma carência de investigação de certos comportamentos em outras faixas etárias. Verificando-se que a presença massiva e acessível pela maioria da população às TIC e à Internet faz com que esse cenário venha a sofrer modificações, constatando-se sobretudo mudanças no que diz respeito às formas de agressão. Seria, ainda, interessante a pesquisa sobre esta temática ser focada no uso de determinadas aplicações, como redes sociais, uma vez que o maior tempo de uso da Internet poderá estar relacionado com os fins de uso da mesma, sendo as redes sociais o local onde as informações de cariz privado ficam de certa forma, mais expostas. As investigações poderiam desenvolver desenhos de investigação longitudinais de forma a verificar as relações causais entre as variáveis e explorar estratégias que visem a regulamentação do tempo de uso de dispositivos tecnológicos. Isto seria essencial para a intervenção nestas problemáticas por parte dos profissionais de saúde. Por fim, ressaltar a importância do desenvolvimento de mais investigações na área de comportamentos e problemáticas online, para que possamos aumentar o conhecimento destes e, começar a trabalhar não só sobre a intervenção, mas sim na prevenção destas problemáticas.

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Notas

Funding National funds support the author Inês Relva’ s work through the FCT—Portuguese Foundation for Science and Technology under the project the Scientific Employment Stimulus - Institutional Call – CEECINST/00127/2018.

Autor notes

1 Correspondence about this article should be addressed Teresa Portilho Carvalho: teresaportilho12@gmail.com

Declaração de interesses

Conflicts of Interest: The authors declare that the research was conducted in the absence of any commercial or financial relationships that could be construed as a potential conflict of interest.
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