Artículos
Burnout parental, habilidades sociais educativas parentais e monitoramento parental: mães casadas e solo
Parental burnout, parenting social skills and parental monitoring: married and single mothers
Burnout parental, habilidades sociais educativas parentais e monitoramento parental: mães casadas e solo
Revista Interamericana de Psicología/Interamerican Journal of Psychology, vol. 58, no. 3, e1887, 2024
Sociedad Interamericana de Psicología
Received: 13 February 2024
Accepted: 20 August 2024
Resumo: A maternidade e parentalidade vem acompanhada de desafios diários e frente a características do processo os pais podem vivenciar burnout parental; uma síndrome resultante da exposição intensa ao estresse, podendo ser contínuo, recorrente ou pontual. O burnout atua como fator de risco na vida dos pais e filhos, por outro lado as habilidades sociais educativas e monitoramento parental podem agir como proteção. Diante desse contexto o presente estudo teve como objetivo verificar e comparar sinais de burnout parental, habilidades sociais educativas e monitoramento parental em mães casadas e solo. Tratou-se de um estudo quantitativo, descritivo, de comparação e com recorte transversal. Participaram 40 mães (5 solo), de uma cidade do interior paulista. Os instrumentos utilizados foram: Inventário de Burnout Parental (PBA), Questionário de Monitoramento Parental (QMP), Roteiro de Entrevista de Habilidades Sociais Educativas Parentais (RE-HSE-P) e Critério Brasil. Os resultados apontaram mães solo mais exaustas do que as mães casadas, contudo, com maior repertório em Habilidades Sociais Educativas Parentais e Variáveis de Contexto para lidar com seus filhos. Concluiu-se que programas preventivos junto a mães solo e mães casadas, podem auxiliá-las e a seus filhos.
Palavras-chave: 1ª burnout parental , 2ª habilidades sociais, 3ª monitoramento parental.
Abstract: Motherhood and parenting is accompanied by daily challenges and, given the characteristics of the process, parents can experience parental burnout; a syndrome resulting from intense exposure to stress, which may be continuous, recurrent or punctual. Burnout acts as a risk factor in the lives of parents and children, on the other hand educational social skills and parental monitoring can act as protection. Given this context, the present study aimed to verify and compare signs of parental burnout, educational social skills and parental monitoring in married and single mothers. This was a quantitative, descriptive, comparison study with a cross-sectional design. 40 mothers participated (5 solo), from a city in the interior of São Paulo. The instruments used were: Parental Burnout Inventory (PBA), Parental Monitoring Questionnaire (QMP), Parental Educational Social Skills Interview Script (RE-HSE-P) and Critério Brasil. The results showed single mothers who were more exhausted than married mothers, however, with a greater repertoire in Parental Educational Social Skills and Context Variables to deal with their children. It was concluded that preventive programs with single mothers and married mothers can help them and their children.
Keywords: 1st parental burnout, 2nd social skills, 3rd parental monitoring.
Introdução
A literatura aponta que os pais são peças fundamentais no desenvolvimento de seus filhos, frequentemente constituem o primeiro microssistema com o qual a criança interage, estabelecendo relações proximais que podem promover desfechos positivos ou negativos ( Bronfenbrenner, 2011; Leme, Del Prette, Koller & Del Prette, 2015). Dessa forma, caracterizar e compreender variáveis ligadas aos pais que agem sobre sua saúde mental e desenvolvimento dos filhos mostra-se essencial.
Segundo a literatura, as práticas educativas compõem estratégias usadas pelos pais para desenvolver comportamentos pró-sociais nos filhos, podendo ser positivas e negativas. As práticas positivas se referem a comportamentos dos pais direcionados aos filhos, tendo como características o uso adequado de atenção, promoção do desenvolvimento de comportamento moral, monitoria positiva (caracterizada por pais atentos às atividades de seus filhos e apoio), ambiente amistoso de relacionamento, dentre outros; quanto as práticas negativas são aquelas que colaboram para o desenvolvimento de comportamentos antissociais da crianças, envolvem práticas negligentes, ausência de atenção, falta de afeto e monitoria negativa (caracterizada pelo excesso de fiscalização na vida dos filhos), ambiente familiar sem diálogo e agressivo ( Gomide, 2003; Macarani, Martins, Minetto & Vieira, 2010; Bolsoni-Silva & Loureiro, 2011; Andrade, 2015; Gomide, Salvo, Pinheiro & Sabbag, 2005; Vieira- Santos, Del Pretti & Del Pretti, 2018).
No rol das práticas positivas, consideramos as Habilidades Sociais Educativas Parentais - HSE-P, nas relações pais-filhos; essas constituem um conjunto de comportamentos apresentado itencionalmente pelos pais aplicados na educação dos filhos ( Leme & Bolsoni-Silva, 2010; Bolsoni-Silva, Marturano & Loureiro, 2018). Bolsoni- Silva (2010) propõe um sistema classificatório que divide as HSE-P em três categorias: (a) HSE-P de Comunicação, que seriam os comportamentos verbais dos pais de iniciar e manter conversas, de questionar e de escutar as perguntas feitas pelos filhos; (b) HSE-P de Expressão de Sentimentos e Enfrentamento, caracterizada como os comportamentos verbais dos pais de expressar seus sentimentos negativos, positivos e opiniões, demonstrar carinho e brincar com os filhos e; (c) HSP-E de Estabelecimento de Limites, que são demarcadas como os comportamentos verbais dos pais que envolvem a identificação das razões pelas quais se estabelece limites, dos comportamentos que são e que não são apropriados aos filhos, das ocasiões e comportamentos que justificam o estabelecimento de limites e dos erros, o cumprimento de promessas e o diálogo entre os cônjugues para a concordância das práticas educativas.
Também dentre as práticas educativas tem-se o monitoramento parental, o qual a depender de suas características pode estar ligado a práticas positivas ou negativas; entende-se monitoramento parental como conhecimento e suporte dos pais em relação aos filhos, resultado, por um lado, do esforço dos pais em saber o que seus filhos fazem, onde estão e quem são suas companhias e, por outro lado, da disposição dos filhos em compartilhar informações sobre suas atividades com os pais ( Kerr & Stattin, 2000; García, Gómez, Gómez, Marín, & Rodas, 2016).
No cenário das influências parentais, não tem como não dar destaque ao papel das mães, que apesar das mudanças que vêm ocorrendo nas últimas décadas, ainda ocupam em muitas famílias papel central no desenvolvimento dos filhos; acompanhando a centralidade de seu papel na educação dos filhos, estão sentimentos de medo e vivências de cobranças sociais ( Chrisler, 2013; Liss et al., 2013). Historicamente, a sociedade trata a maternidade como uma experiência maravilhosa, destacando as consequências prazerosas que essa gera ( Feldman & Nash, 1984), no entanto, essa vivência pode ser estressante, visto que priorizar as necessidades da criança como é esperado pela sociedade significa, muitas vezes, ignorar as necessidade maternas, contribuindo para o desenvolvimento de sentimentos de ansiedade, tristeza, culpa, solidão e dúvida (César et al., 2020); as responsabilidades de ser mãe envolve diversas dificuldades diárias, além de possíveis estressores agudos e estressores crônicos ( Mikolajczak & Roskam, 2018). Hewitt et al. (2017), destaca que algumas características maternas que contribuem para maiores vivências de estresse, dentre elas destaca o perfeccionismo materno.
Diante de altos índices de estresse e de falta de recursos para lidar com esses, mães correm o risco de desenvolver burnout parental, entendido como uma síndrome específica resultante da exposição intensa ao estresse dos pais (pais, mães ou ambos), podendo ser contínuo, recorrente ou pontual ( Mikolajczak & Roskam, 2018, 2020); levando à exaustão física e emocional (pais se sentem cansados quando se levantam pela manhã e têm que enfrentar outro dia com seus filhos); ao distanciamento emocional dos filhos (exaustos se envolvem cada vez menos na maternidade/paternidade e na relação com seus filhos) e; sensação de incompetência no papel parental (mães e/ou pais se sentem fartos de seus papéis parentais, não gostam mais de estar com seus filhos, dentre outros) ( Roskam, Raes & Mikolajczak, 2017; Mikolajczak, 2018; 2017).
A pressão para ser uma boa mãe pode causar o efeito oposto ao esperado, dado que o burnout parental tem como consequência uma parentalidade mais negligente e violenta, prejudicando, assim, o desenvolvimento dos filhos ( Mikolajczak et al., 2018). Estudos apontam que mães possuem mais fatores de risco para desenvolver níveis altos de estresse, com mais demandas e frustrações rotineiras do que os pais, visto que são cuidadoras primárias e permanentes dos filhos ( Le Vigouroux & Scola, 2018); ser mãe de crianças pequenas ou ter vários filhos aumenta o sentimento de estresse das mães ( Matthey, 2011; Lundberg et al., 1994), assim como conciliar o trabalho profissional, doméstico e cuidado dos filhos ( Naerde et al., 2000).
O burnout parental difere do estresse parental comum, visto que é uma resposta prolongada ao estresse parental crônico e avassalador ( Mikolajczak & Roskam, 2018); ocorre quando as demandas da parentalidade excedem os recursos para lidar com elas ( Mikolajczak & Roskam, 2018; Aujoulat & Hubert, 2018); possui características similares ao burnout do trabalho, no entanto, contém aspectos únicos, como a impossibilidade de obter uma licença médica para se ausentar das demandas parentais, assim, algumas mães relatam ter a sensação de estarem presas em uma situação desconfortável, sem saída ( Hubert & Aujoulat, 2018).
Estudos apontam que possuir rede de apoio contribui para a redução do estresse percebido pelas mães e aumento de sentimentos positivos na maternidade, visto que envolve escuta, afeto, auxílio e amor (Israel et al., 2002; Lyons et al., 2005). Estudos sugerem que mães casadas possuem o apoio do cônjuge e que mães solo enfrentam os desafios da vida de forma mais estressante ( Son & Bauer, 2010; Mikolajczak et al., 2018).
Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo verificar e comparar sinais de burnout parental, habilidades sociais educativas e monitoramento parental em mães casadas e solo.
Método
Delineamento e contexto do estudo
Tratou-se de um estudo quantitativo, descritivo, correlacional e de comparação; a amostra foi de conveniência. Realizado em uma cidade do interior paulista que, segundo dados do IBGE (2017), possui uma população de cerca de 682.302 habitantes e seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,800, considerado alto. Destaca-se que o presente trabalho é vinculado ao consórcio internacional - The international Investigation of Parental Burnout (IIPB).
O presente estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FFCLRP/USP (CAAE: 12579119.5.0000.5407 e Parecer Nº 4.605.507), seguindo as normas da Resolução nº 466∕12 e 510/16, do Conselho Nacional de Saúde e ao disposto na Resolução nº 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia. Os participantes assinaram ao Termo Consentimento Livre e Esclarecido e o Termo de Assentimento. Quanto aos critérios de inclusão no estudo foram: estar matriculado e cursando o Ensino Fundamental e mães e filhos aceitarem participar e assinarem aos termos exigidos pelo CEP.
Participantes
Participaram do estudo 40 mães (5 solo) que responderam aos instrumentos destinados a essas e seus e seus filhos (um de cada mãe, 25 do sexo masculino e 15 do sexo feminino), totalizando 40 crianças, que responderam ao instrumento sobre monitoramento parental recebido. A média de idade das mães foi de 42 anos e dos filhos 10 anos. Informa-se que tratou-se de uma amostra de conveniência. Quanto ao critério de inclusão foram o filho estar devidamente matriculado junto ao ensino fundamental e pais e filhos aceitarem participar e assinarem ao TCLE respectivamente e; não existiram critérios de exclusão.
Quanto à classe socioeconômica dos participantes, de acordo com Critério Brasil de Classificação Econômica, 50% pertenciam a classe A, 27% a classe B1, 18% a classe B2, e o restante 5% as classes D – E. Apenas 8 participantes (mães casadas e/ou solo) não exerciam atividade remunerada e 31 tinham seus filhos em escolas particulares.
Embora as mães tenham prestado informações relativas a um filho, em média essas tinham 2 filhos, tendo tempo médio de convivência com os filhos de 4 horas por dia. Quanto ao tipo familiar, 35 participantes relataram pertencer ao tipo biparental (pais que criam e vivem com seus filhos), uma ao Multigeracional (pais que vivem e criam filhos juntamente com outros familiares na mesma residência), duas ao tipo Recomposta (pais separados que se casaram novamente com outro cônjuge e que criam/vivem com seus filhos juntamente com os filhos do parceiro da outra relação), duas Monoparental (um dos pais que vive e cria sozinho o seu filho).
Instrumentos
Instrumentos utilizados para coleta de com as mães:
- Instrumento de Avaliação do Burnout Parental (PBA): elaborado originalmente por Roskam, Brianda & Mikolajczak (2018), traduzido, adaptado e validado para a realidade brasileira, Matias et al (2020), tendo índices de CFI = 0,96, TLI = 0,96, RMSEA = 0,07, comprovando a validade interna dos fatores da escala PBA. Trata-se de um instrumento de autorrelato de pais e mães, com questões iniciais de caracterização familiar e na sequência 22 itens, divididos em quatro subescalas: Exaustão, Contraste, Distanciamento e Saturação.
- Roteiro de Entrevista de Habilidades Sociais Educativas Parentais (RE-HSE-P): elaborado por Bolsoni-Silva, Loureiro, & Marturano (2011), constitui de entrevista semiestruturada que visa descrever, as interações estabelecidas entre pais e filhos. A entrevista é composta por perguntas, com descrição das frequências e diversidade de comportamentos distribuídos em sete categorias: habilidades sociais educativas parentais, habilidades sociais infantis, variáveis de contexto, práticas educativas negativas, problemas comportamentais infantis, total positivo e total negativo. Os dados são classificados em três categorias: Clínico, Limítrofe e Não Clínico. O instrumento possui valores do alfa de Cronbach entre 0,41 e 0,96.
-Critério Brasil (www.ebap.org): instrumento que avalia o poder aquisitivo do consumidor conforme os critérios estabelecidos pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e Associação Nacional das Empresas de Pesquisa de Mercado (ANEP), com a participação da Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado (ABIPEME). A posição socioeconômica é baseada em diferentes fatores, produzindo uma classificação estratificada em cinco classes (A1, A2, B1, B2, C, D, E).
Instrumento utilizado para coleta de com os filhos (as):
Questionário de Monitoramento Parental (QMP): elaborado por Santos e Marturano (1999) e validado por Cassoni, Elias, Marturano e Fontaine (2019). É composto de 28 questões fechadas a serem respondidas pelos filhos(as); 12 perguntas são dirigidas ao tipo de monitoramento fornecido pelo pai, 12 dirigidas ao tipo de monitoramento fornecido pela mãe e quatro ao tipo de monitoramento fornecido por ambos os genitores. As informações são pontuadas e somadas separadamente fornecendo escores relacionados ao monitoramento do pai, da mãe e dos pais em conjunto. O coeficiente alpha obtido com o instrumento foi 0,73 para pais, 0,49 para mães e total 0,72 sendo considerado satisfatório. Nesse estudo serão considerados apenas a pontuação apresentada pelas mães.
Procedimento de coleta
Após a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FFCLRP-USP, foi realizado o contato presencial com diretores de diferentes escolas para explicar os objetivos da pesquisa e frente ao aceite, uma assembleia foi marcada em cada instituição para apresentar o projeto às famílias e convidá-las. Diante do interesse dos pais, em dia e horário previamente combinados foi realizada a coleta de dados de forma individual; posteriormente era agendado um dia para a coleta junto aos filhos. Os encontros com as mães duravam em média 35 minutos e com os filhos 10.
Inicialmente a coleta foi presencial (clínica particular da primeira autora ou na escola do participante) e posteriormente virtual (chamadas de vídeo), frente ao contexto da pandemia (para que isso fosse possível foi enviada uma emenda ao CEP). Os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e os Termos de Assentimento foram assinados presencialmente e quando a coleta online, foram enviados por email e após assinados reenviados para a pesquisadora.
Algumas participantes não responderam a todos os instrumentos. Sendo assim, 40 mães (35 casadas e 5 solo) responderam ao instrumento PBA, 40 filhos(as) responderam ao QMP e 38 mães (35 casadas e 3 solo) responderam ao RE-HSE-P.
Procedimento de análise de dados
Os dados obtidos foram coletados de acordo com as proposições de cada técnica e transpostos para planilhas do software JASP, versão 0.9.0.1, tendo 95% o nível de confiança (. ≤ 0,05). Foram realizadas análises estatísticas descritivas; testada a normalidade de cada variável; frente a não normalidade, para a comparação entre grupos (mães casadas e mães solo) foi utilizado o teste . de Mann-Whitney.
Resultados
Inicialmente serão apresentados os dados de caracterização ( burnout parental, habilidades sociais educativas parentais e monitoramento parental), na sequência comparações entre mães casadas e solo.
A Tabela 1 apresenta os resultados relativos ao burnout parental, avaliado pelo PBA aplicados nas mães casadas e solo.

Observa-se na Tabela 1, que nas diferentes subescalas avaliadas e no total, as médias ponderadas de mães casadas e solo estiveram acima das médias ponderadas máximas possíveis (6 pontos em todas). Mães solo apresentaram médias superiores às das mães casadas, tendo tendência a diferença significativa na subescala contraste. O tamanho do efeito . de Hedges foi 0,06.
A seguir a Tabela 2 apresenta os resultados relativos à diversidade de comportamentos quanto as habilidades sociais educativas parentais, habilidades sociais dos filhos, variáveis de contexto, práticas educativas negativas, total positivo e total negativo, avaliadas pelo RE-HSE -P, das mães casadas e solo, no tocante as classificações segundo o instrumento.

A Tabela 2 aponta que na categoria diversidade de comportamentos, tanto as mães casadas quanto as mães solo tiveram as Habilidades Sociais Educativas Parentais, Habilidades Sociais dos Filhos, Variáveis de Contexto e Total Positivo com classificação não clínica; e Práticas Educativas Negativas e Total Negativo classificação clínica.
Através da Tabela 3 apresenta os resultados relativos à frequência de comportamentos quanto as habilidades sociais educativas parentais, habilidades sociais dos filhos, variáveis de contexto, práticas educativas negativas, total positivo e total negativo avaliadas pelo RE-HSE -P, das mães casadas e solo, no tocante as classificações segundo o instrumento.

A Tabela 3 aponta que na categoria frequência de comportamentos, tanto as mães casadas quanto as mães solo tiveram as Habilidades Sociais Educativas Parentais, Habilidades Sociais dos Filhos, Variáveis de Contexto e Total Positivo com classificação clínica e; Práticas Educativas Negativas e Total Negativo classificação não clínica.
A Tabela 4 apresenta os resultados de monitoramento parental, avaliados pelo QMP, das mães casadas e solo, no tocante as estatísticas descritivas e de comparação.

Observa-se na Tabela 4 que a média do monitoramento de mães solo é maior que de mães casadas, contudo, a diferença não foi significativa, sendo o tamanho do efeito g de Hedge -0.14.
Discussão
O presente estudo respondeu aos objetivos traçados, no que se relaciona ao burnout parental, foi observado que nas diferentes subescalas avaliadas, as médias ponderadas das participantes estiveram acima da média ponderada possível, no entanto, não apresentou resultado significativo, apenas tendência na subescala contraste, não apontando a existência de burnout. Observou-se ainda que mães solo apresentaram resultados superiores aos das mães casadas, frente a isso, pode-se inferir que algumas participantes apresentaram sinais de burnout parental, ou seja, percebem uma diferença entre as demandas do papel parental e os recursos pessoais disponíveis para atender a essas demandas (Camisasca et al., 2013; Durtschi et al., 2016; May et al., 2015). O presente resultado corrobora com a literatura que sugere que a maior vulnerabilidade das mães solo contribui para o maior esgotamento das mesmas ( Mikolajczak et al., 2018), visto que elas geralmente precisam lidar com o trabalho doméstico e profissional sem apoio de um cônjuge; este resultado mostra-se negativo, visto que a literatura aponta que o burnout parental tem impacto diretamente na saúde mental dos pais, nas práticas parentais e desenvolvimento dos filhos ( Mikolajczak, Raes, Avalosse & Roskam, 2018; Mikolajczak, et. al., 2019; Roskam, Brianda & Mikolajczak, 2018; Schuster & Dias, 2018; Sorkkila & Aunola, 2020).
No que tange às habilidades sociais educativas parentais, avaliadas pelo RE-HSE-P, pôde-se observar que na categoria diversidade de comportamentos (repertório comportamental relatado pelas mães como existente), tanto as mães casadas quanto solo foram classificados como não clínicos em Habilidades Sociais Educativas-Parentais, apontando terem essas habilidades segundo seus relatos. A literatura aponta que pais e mães socialmente habilidosos estabelecem um ambiente familiar mais acolhedor e favorável a mecanismos de proteção e resiliência (Del Prette & Del Prette, 2013).
Ainda avaliado pelo RE-HSE-P na categoria diversidade, pode-se observar que segundo a avaliação das mães casadas e solo, seus filhos apresentavam um repertório de habilidades sociais também não clínico; esses dados vão ao encontro da literatura que sinaliza que as práticas parentais positivas colaboram para o desenvolvimento de comportamentos pró sociais da criança, que se referem ao uso adequado da atenção, monitoria positiva e promoção do desenvolvimento de comportamento moral. ( Macarani, Martins, Minetto & Vieira, 2010; Bolsoni-Silva & Loureiro, 2011; Andrade, 2015). Finalmente, Variáveis de Contexto e Total Positivo também avaliadas como não clínicas, mostram-se recursos protetivos no contexto familiar; esses resultados vão ao encontro da literatura no sentido de que recursos de proteção encontram-se associados a práticas educativas parentais e habilidades sociais dos filhos, tornando-se claro um ciclo que se retroalimenta (Bolsoni-Silva & Marturano, 2007).
Ainda na categoria diversidade avaliada pelo RE-HSE-P, a classificação das Práticas Educativas Negativas e Total Negativo, foram clínicas, o que mostra que essas mães casadas e solo apresentam essas práticas em seu repertório comportamental. As práticas educativas negativas englobam negligência, falta de atenção, ausência de afeto, disciplina relaxada, punição inconsistente. ( Macarani, Martins, Minetto & Vieira, 2010; Bolsoni-Silva & Loureiro, 2011; Andrade, 2015); podendo gerar consequências prejudiciais no desenvolvimento dos filhos, como problemas de comportamento, timidez, isolamento, agressividade e desobediência ( Bolsoni-Silva & Loureiro, 2010).
Quanto aos resultados no RE-HSE-P na categoria frequência de comportamentos apresentados por mães e filhos, mães casadas e solo obtiveram classificação clínica em Habilidades Sociais Educativas-Parentais, Habilidades Sociais dos Filhos, Variáveis de Contexto e Total Positivo; mães casadas e solo sinalizaram frequência baixa de uso de habilidades socais educativas, que incluem dificuldades em se comunicar, estabelecer limites e expressar sentimentos. Os filhos, segundo as mães casadas e solo, apresentam baixa frequência de comportamentos habilidosos (habilidades sociais) e; o contexto também pareceu frequentemente interferir de forma negativa no dia a dia. Por outro lado, a frequência relatada de Práticas Educativas Negativas e Total Negativo teve classificação não clínica, o que aponta que as mães participantes não apresentaram comportamentos tais como bater, gritar, ameaçar. Estes resultados deixam clara as dificuldades das mães, porém, apesar de ter uma frequência baixa de comportamentos adequados (HSE-P), estas não fazem uso frequente de práticas educativas negativas. Segundo Del Prette & Del Prette (2013), mães socialmente habilidosas estabelecem um ambiente familiar mais acolhedor e favorável a mecanismos de proteção e resiliência. Por outro lado, comportamentos pouco construtivos e o envolvimento afetivo deficitário poderão constituir prejuízos para o desenvolvimento infantil, aumentando a vulnerabilidade diante das situações críticas do cotidiano.
Os resultados acima a princípio podem parecer contraditórios, contudo, não são quando pensamos tais comportamentos como fazendo parte da diversidade comportamental que as mães dizem ter, mas não necessariamente usam (frequência) ( Bolsoni-Silva & Loureiro, 2020; Bolsoni-Silva, Marturano & Loureiro, 2018).
Os resultados encontrados no RE-HSE-P mostram que existe diferença entre diversidade e frequência, visto que as mães casadas e mães solo do presente estudo relataram ter habilidades sociais educativas, contudo, encontraram dificuldades em aplicá-las. Ser habilidoso não significa ser competente socialmente; segundo Del Prette & Del Prette (2018), competência é um indicador preciso do ajustamento psicossocial e das perspectivas positivas para o desenvolvimento; a competência social possui um sentido avaliativo, pois refere-se aos efeitos do desempenho social nas situações vividas pelo indivíduo e está relacionada à capacidade de articular pensamentos, sentimentos e ações em função de objetivos pessoais e de demandas da situação e da cultura, gerando consequências positivas para o indivíduo e na sua relação com as demais pessoas.
Finalmente, no que tange o monitoramento parental, observou-se que os filhos tanto de mães casadas como solo tiveram resultado acima da média quanto ao monitoramento e rede de apoio; filhos de mães solo relataram maiores índices, apesar de não existir diferença significativa. A literatura aponta que os cuidadores que possuem um bom monitoramento colaboram para o desenvolvimento de comportamentos pró-sociais da criança ( Macarani, Martins, Minetto & Vieira, 2010; Bolsoni-Silva & Loureiro, 2011; Andrade, 2015); visto que os cuidadores que monitoram positivamente estão disponíveis a ouvir seus filhos, oferecer apoio, ser exemplo a eles e buscar criar ambientes positivos ( Gomide, 2003).
A partir dos resultados encontrados no Roteiro de Entrevista de Habilidades Sociais Educativas Parentais - RE-HSE-P (avalia Habilidades Sociais Educativas Parentais, Habilidades Sociais dos filhos, Variáveis de Contexto, Práticas Educativas Negativas, Total Positivo e Total Negativo) e do Questionário de Monitoramento Parental - QMP (avalia o monitoramento parental), pode-se dizer que as mães do presente estudo apresentam um repertório diverso de habilidades sociais educativas, embora, não as use com frequência. Por outro lado, também não usam de práticas educativas negativas e somado a isso monitoram seus filhos. Esses dados sinalizam dificuldades no processo, mas não há falta de recursos, o que sinaliza que esses pais poderiam se beneficiar de intervenções preventivas que tratassem do tema.
Considerações finais
O presente estudo respondeu aos objetivos traçados, gerou resultados claros da centralidade do papel materno e suas práticas, da concorrência entre comportamentos parentais habilidosos e não habilidosos, da influência positiva ou negativas nessas HSE-P, da maior vulnerabilidade de mães solo e da importância de programas de prevenção junto a essa população de forma a potencializar o uso de recursos que já apresentam.
Pontua-se as limitações do estudo como o número de participantes, a não heterogeneidade socioeconômica dos mesmos e as possíveis influências das condições impostas pela pandemia na coleta de dados.
Acredita-se que estudos futuros possam ser ampliados considerando uma perspectiva mais qualitativa para o aprofundamento dos conhecimentos, além de uma população mais hetereogênea.
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Author notes
a Correspondence about this article should be addressed Amanda Trivellato Ferreira: amandatrivellatofsp@gmail.com
Additional information
Conflicts of Interest: The authors declare that the research was conducted in the absence of any commercial or financial relationships that could be construed as a potential conflict of interest.