Artigo Original
REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO CRACK ELABORADAS POR USUÁRIOS EM TRATAMENTO
REPRESENTACIONES SOCIALES DEL CRACK ELABORADAS POR USUARIOS EN TRATAMIENTO
REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO CRACK ELABORADAS POR USUÁRIOS EM TRATAMENTO
Psicologia em Estudo, vol. 20, núm. 1, pp. 23-32, 2015
Departamento de Psicologia - Universidade Estadual de Maringá
Recepção: 28 Maio 2014
Aprovação: 02 Março 2015
RESUMO: Objetivou-se conhecer e analisar o conteúdo e a estrutura da representação social do crack elaborada por dependentes químicos em tratamento. Este estudo foi realizado em uma instituição psiquiátrica de João Pessoa-PB, com 30 usuários de crack. Foram utilizados dois instrumentos: uma entrevista, a qual foi analisada por meio da análise de conteúdo temática e a técnica de associação livre de palavras, com o estímulo "crack", que foi analisada a partir do programa EVOC. Constatou-se uma representação negativa do crack, em que ele é personificado na figura do Diabo, tendo o poder de destruir a vida de seus usuários e da sociedade em geral. Observou-se, ainda, que essa representação é composta por elementos negativos que evidenciam a tristeza e o sofrimento que permeiam a realidade do usuário de crack. Espera-se que os resultados encontrados possam auxiliar os órgãos competentes na formação de políticas públicas voltadas para esta problemática, capazes de abarcar os aspectos psicossociais do consumo de crack.
Palavras-chave: crack, usuários em tratamento, representações sociais.
RESUMEN: El objetivo fue conocer y analizar el contenido y la estructura de la representación social del crack, elaborada por dependientes químicos en tratamiento. Este estudio fue realizado en una institución psiquiátrica de João Pessoa-Pb, con 30 usuarios de crack. Fueron utilizados dos instrumentos: una entrevista, que fue analizada por medio del Análisis de Contenido Temático; y, la Técnica de Asociación Libre de Palabras, con el estímulo "crack", que fue analizada a partir del programa EVOC. Se constató una representación negativa del crack, el que es personificado en la figura del Diablo, teniendo el poder de destruir la vida de sus usuarios y de la sociedad en general. Se observó aún que esa representación está compuesta por elementos negativos que evidencian la tristeza y el sufrimiento que comprenden la realidad del usuario de crack. Se espera que los resultados encontrados puedan auxiliar a los órganos competentes en la formación de políticas públicas dirigidas hacia esta problemática, capaces de abarcar los aspectos psicosociales del consumo de crack.
Palabras clave: Crack, usuarios en tratamiento, representaciones sociales..
A relação entre indivíduo-sociedade e o fenômeno das drogas tem perpassado toda a existência da humanidade. Desde a pré-história, o ser humano vem fazendo uso de substâncias psicoativas para múltiplas finalidades, que se estendem desde fins lúdicos, estritamente hedonistas, até o uso religioso, social e médico da atualidade. Até o final do século XIX, esses usos foram raramente concebidos como ameaçadores à ordem social constituída, de forma que o abuso e o uso socialmente desintegrador é um fenômeno da contemporaneidade (Silva, 2007).
Nos dias de hoje, o uso abusivo de drogas é compreendido sob a insígnia de problema social e é alvo de debates e questionamentos por vários segmentos da sociedade. A problemática acerca das drogas consiste em um dos maiores fatores de marginalização social, permeando discussões frequentes nos meios de comunicação atuais, demandando respostas dos poderes públicos e da sociedade em geral. Justamente por se tratar de um problema social é que essa questão se torna objeto de políticas públicas voltadas a diminuir, inibir e prevenir suas causas e minimizar as consequências (Souza et al., 2013).
Nesse contexto, destaca-se a dependência do crack, droga que surgiu no contexto brasileiro na década de 1990, e que se evidencia nos dias atuais em virtude de diversos fatores, dentre eles, o crescimento do seu consumo e os altos índices de hospitalizações decorrentes de seu uso (Vargens, Cruz & Santos, 2011). Como todo uso de drogas está associado a fatores biopsicossociais, o consumo de crack não é diferente. Além dos problemas físicos, há os de ordem psicológica, social e legal, de forma que, no atual cenário brasileiro, o usuário desemboca num grave e complexo cenário de exclusão social (Duailibi, Vieira & Laranjeira, 2011).
Os usuários de crack estão revestidos de um imaginário que os remete ao gozo, a irresponsabilidade, a delinquência e a afronta aos hábitos e costumes sociais. Por causa disso, não há muita disponibilidade da sociedade em geral para ouvir sobre suas experiências e vivências, nem para conhecer o significado que esta droga adquire em suas vidas (Oliveira & Dias, 2010).
Nesse sentido, são veiculados discursos pejorativos, os quais são partilhados socialmente, vinculando a imagem do usuário de drogas a um ser tido como desviante, principalmente quando estão associados a substâncias com efeitos cada vez mais euforizantes, destacadas como causadoras de problemas que extrapolam a dimensão orgânica do sujeito, tomando então proporções sociais preocupantes.
Em função disso, o presente estudo objetivou conhecer e analisar o conteúdo e a estrutura da representação social do crack elaborada por dependentes químicos em tratamento. O alcance do objetivo proposto pode fornecer dados científicos que auxiliem os órgãos competentes no desenvolvimento de políticas públicas e estratégias de intervenção, de modo a abarcar os aspectos psicossociais que envolvem o consumo abusivo de crack na sociedade atual.
Fundamentação teórica
O crack é uma forma de cocaína, que pode ser obtida por meio da transformação dessa droga mediante reações químicas com outras substâncias. Diferentemente do glamour ligado à cocaína pura, como droga de altos e sofisticados estratos sociais, o crack ocupou um nicho mercadológico junto aos setores mais pobres e marginalizados da população (Carneiro, 2005). Com a política proibicionista norte-americana, houve a intensificação do controle sobre os insumos químicos necessários para se fabricar a cocaína, o que contribuiu para o surgimento do crack na década de 1980, nos bairros pobres de Los Angeles, Nova Iorque e Miami. Para evitar perdas financeiras, os traficantes passaram então a produzir o crack, que é uma forma menos pura da cocaína, pois são adicionados outros produtos a ela, o que fez com que o crack se tornasse uma droga mais barata e, por isso, mais facilmente vendável (Domanico, 2007).
No Brasil, o uso do crack foi detectado por redutores de danos no início da década de 1990. Conforme Oliveira e Nappo (2008), os traficantes brasileiros utilizaram estratégias habilidosas de mercado para atrair consumidores para o crack, esgotando as reservas de outras drogas nos pontos de distribuição. Este fato facilitou o início da adesão ao consumo de crack no Brasil.
A partir dessa época, observou-se que o Estado passou a ser acionado com intensidade, tanto pela procura espontânea dos próprios usuários de crack, quanto por suas famílias, por causa dos efeitos da droga (Oliveira & Dias, 2010). De acordo com Duailibi, Ribeiro e Laranjeira (2008), em meados da década de 1990, os usuários de cocaína e crack, que compunham inicialmente menos de um quinto da demanda ambulatorial para drogas ilícitas, passaram a ocupar entre 50% e 80% das vagas das unidades de saúde que ofertavam esse tipo de tratamento.
Atualmente, percebe-se aumento do consumo do crack e dos problemas relacionados a ele no Brasil, conforme atestam pesquisas na área (Brasil, 2013; INPAD, 2012). Segundo Santos e Souza (2010), as razões de tal crescimento podem estar relacionadas aos seguintes fatores: maior disponibilidade da droga; por ser de fácil utilização; por possuir um baixo custo e pelo seu efeito, que ocasiona maior dependência.
Este aumento do consumo de drogas, bem como a compreensão deste fenômeno, vincula-se a fatores diversos, devendo-se abarcar além do sujeito e de sua subjetividade, o contexto sociocultural que ele está inserido. Nesta perspectiva, uma das preocupações que Romaní (2008) destaca é a abordagem reducionista da questão das drogas, que prioriza ações de cunho positivista, secundarizando a importância da subjetividade nas ações sociais. Desse modo, propõe-se que, a partir destas premissas epistemológicas, o cientista social deva trabalhar com a complexidade da vida social, abordando a questão do uso de drogas enquanto um fenômeno social total, observando o entrelaçamento entre os diferentes planos.
Romaní (2008) acrescenta que os limites das intervenções sanitaristas no campo das drogas conduzidas pelos Estados modernos são decorrentes da adoção do paradigma contagionista, que contribuiu para uma visão de individualização das enfermidades e a estigmatização dos usuários. A partir da constatação desses limites, ele advoga que se faz necessário um novo marco para as representações sociais sobre o fenômeno, que sejam mais homólogas com o que realmente ocorre nas práticas e não com a inclinação ideológica da atualidade; propondo a desconstrução e a modificação do modelo hegemônico em que está envolvido o tema atualmente.
Diante das considerações expostas, pode-se observar que o crack é uma droga de grande impacto social, sendo motivo de preocupação por vários segmentos sociais. A fim de compreender os fatores psicossociais que envolvem o uso do crack na sociedade, investigou-se essa questão no âmbito da Teoria das Representações Sociais (TRS) buscando-se, assim, compreender a multiplicidade de fatores que mediam o fenômeno das drogas, aliando dimensões socioestruturais, subjetivas e simbólicas que envolvem os consumidores e os contextos socioculturais onde estão imersas com suas dinâmicas particulares, ampliando o ângulo de análise para além do tema das drogas.
As representações sociais podem ser entendidas como uma modalidade de conhecimento particular, que tem como finalidade a comunicação entre os indivíduos e a elaboração de comportamentos, sendo conjuntos simbólicos que são, ao mesmo tempo, práticos e dinâmicos (Moscovici, 2011). Uma representação social é o sinal e a reprodução de um objeto socialmente valorizado, mesmo que esse objeto seja não familiar, estranho à cognição dos indivíduos. Assim sendo, o objeto deste estudo, o crack, pode ser considerado como objeto de representação social, tendo em vista que faz parte do cotidiano dos indivíduos estudados, ou seja, das pessoas que fazem uso dessa substância, como também da sociedade como um todo, mobilizando afetos, controvérsias e suscitando polêmicas.
Convém destacar que a TRS desdobra-se em algumas correntes teórico-metodológicas. As principais são as abordagens dimensional, estrutural e societal. O presente estudo baseia-se nas abordagens dimensional e estrutural da TRS, uma vez que se preocupa em conhecer o conteúdo e a estrutura da representação social do crack.
A abordagem dimensional se caracteriza pelo estudo dos conteúdos representacionais, abarcando a totalidade de expressões, ideias, imagens e valores que circulam no discurso sobre o objeto. Além disso, ocupa-se com os processos de construção da representação, em que se destacam dois processos: a objetivação e a ancoragem (Arruda, 2002). A ancoragem é um mecanismo que articula ideias estranhas, reduzindo-as a categorias e a imagens comuns, colocando-as em um contexto familiar, em que o ator social se apropria deste objeto e imprime a sua subjetividade e o seu contexto sociocultural. Já a objetivação é o processo pelo qual os elementos constituintes da representação se organizam e adquirem materialidade, tornando o abstrato concreto, conferindo-se a uma imagem, uma contrapartida material (Moscovici, 2011).
Assim, a abordagem dimensional está preocupada fundamentalmente com o conteúdo de uma representação, tentando apreender os diferentes momentos e movimentos da sua elaboração. Contudo, para Abric (2001a, 2001b), não basta conhecer o conteúdo de uma representação para defini-la, sendo preciso identificar o seu núcleo central, pois este é quem lhe dá significado e quem rege a sua transformação. Nesse sentido, duas representações podem possuir o mesmo conteúdo, mas ter significações diferentes em virtude da sua estrutura. Dessa forma, evidencia-se a abordagem estrutural da TRS.
De acordo com Abric (2001b), as representações sociais são formadas por dois componentes: o núcleo central e os elementos periféricos. O sistema central é composto pelo núcleo central da representação, estando fortemente enraizado na memória coletiva de um grupo e balizado pelo seu sistema de normas e valores. O núcleo central é estável, resistente à mudança e coerente, sendo o responsável pela continuidade, consistência e permanência da representação. O sistema periférico, por sua vez, se caracteriza por sua funcionalidade, pois é regido por fatores do contexto imediato, atualizando e contextualizando constantemente as determinações normativas dos elementos centrais. Tendo um caráter mais sensível, heterogêneo e flexível, é a interface entre o sistema central e a realidade concreta. A postulação desses dois sistemas, central e periférico, permite a compreensão das representações sociais como um mecanismo de adaptação sociocognitiva e afetiva.
Conforme apontam Zanatta e Costa (2014), as representações sociais são estruturas cognitivo-afetivas e não podem ser reduzidas apenas ao seu conteúdo cognitivo. O afetivo também precisa estar presente. Com base nisso, pode-se compreender as representações sociais do crack, elaboradas pelos seus usuários, como uma interpretação coletiva da realidade vivida e falada por esse grupo social, direcionando comportamentos, comunicações, subjetividade e afetos. Assim, o presente estudo objetivou conhecer e analisar o conteúdo e a estrutura da representação social do crack elaborada por dependentes químicos em tratamento.
Método
Trata-se de um estudo não experimental, com ênfase na abordagem qualitativa. A amostra desta pesquisa compreendeu 30 usuários de crack em tratamento, do sexo masculino, com idade superior a 18 anos, com escolaridade, renda e estado civil variados. Trata-se de uma amostra não probabilística, de tipo acidental. Os critérios para a inclusão na amostra foram: a) ser usuário de crack em tratamento, diagnosticado pelo psiquiatra da instituição na categoria F19/CID10, verificando-se no prontuário a descrição do crack como a droga de abuso motivadora da internação, sendo este critério utilizado para garantir que os participantes da pesquisa estivessem de fato numa condição de dependência de drogas, notadamente do crack e b) ter mais que 18 anos. O critério de exclusão foi a presença de comorbidades psiquiátricas, vinculadas a outros fatores do CID10.
Após o rastreamento dos prontuários, os usuários que atendiam aos critérios de inclusão na amostra eram convidados a participarem da pesquisa. Os que aceitavam eram levados para uma sala reservada na própria instituição, onde os instrumentos eram aplicados por uma das pesquisadoras com cada participante individualmente. Os dados foram gravados e posteriormente transcritos para a análise. O tempo médio de duração das entrevistas foi de 30 min.
O estudo foi realizado em uma instituição psiquiátrica na cidade de João Pessoa-PB. Esta instituição oferece atendimento para pacientes com severos transtornos mentais e usuários de múltiplas drogas, incluindo crack.
Foram utilizados dois instrumentos: o primeiro foi uma entrevista semiestruturada contendo algumas perguntas elaboradas pelas próprias pesquisadoras. Entretanto, para o presente estudo só serão descritos os resultados referentes à questão norteadora “o que significa crack para você?” a qual foi analisada por meio da Análise de Conteúdo Temática. O segundo instrumento utilizado foi a técnica de associação livre de palavras, que consiste em solicitar aos sujeitos que digam as palavras ou expressões que lhes venham imediatamente à lembrança, quando for apresentado um estímulo indutor dado pelo pesquisador, normalmente o próprio rótulo verbal que designa o objeto representacional (Nóbrega & Coutinho, 2011). Neste estudo foi utilizado o estímulo indutor crack.
Os dados da associação livre de palavras foram analisados por meio do programa computacional Ensemble de programmes permettantl’analyse des evocations - Evoc, o qual realiza uma análise lexicográfica, combinando-se a frequência de emissão das palavras e/ou expressões com a ordem em que estas são evocadas. O Evoc organiza as palavras evocadas em quadrantes, demonstrando graficamente as palavras que pertencem ao núcleo central e ao sistema periférico das representações sociais. O gráfico apresentado pelo Evoc é denominado de quadro de quatro casas. Esta técnica consegue dar conta da identificação da estrutura de uma representação social.
Esta pesquisa atendeu às determinações da resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde. Foi devidamente aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba - CEP/CCS, sob o protocolo nº. 0235/11.
Resultados e Discussão
A seguir, serão apresentados e discutidos primeiramente os resultados advindos da associação livre de palavras referentes à análise da estrutura da representação social do crack, seguidamente serão analisados os resultados da análise de conteúdo das entrevistas. A figura 1 contém os quadrantes relativos ao sistema central e ao sistema periférico.

A figura 1 foi construída a partir da frequência média igual, maior ou menor do que sete participantes, numa ordem média de evocação em torno de 2,7. No quadrante superior esquerdo, observam-se as evocações destruição e tristeza, que correspondem, provavelmente, ao núcleo central da representação social do crack construída pelos seus usuários. Esses termos são elementos unificadores e estabilizadores dessa representação, sendo determinados pelas condições históricas e ideológicas, além de serem responsáveis pela continuidade, consistência e permanência da representação (Abric, 2001b).
Esses elementos, que formam o núcleo central da representação social do crack, expressam o sofrimento psíquico que acompanha a vivência subjetiva e social dos usuários investigados. O termo destruição pode se referir aos malefícios que o crack traz para a vida de seus usuários, tanto no aspecto físico, quanto na vida familiar, financeira e social. Além disso, por ser o crack uma droga ilegal e que causa dependência, carrega consigo uma carga negativa que coloca os seus usuários numa condição de exclusão social, trazendo sofrimento ao sujeito e à sua família.
Em estudo realizado por Branco et al. (2012), também se verificou a associação do significado das drogas ao termo destruição, uma vez que as drogas foram apontadas como corresponsáveis pelas perdas afetivas, familiares e materiais de seus usuários. Ademais, foi atribuído ao crack um efeito devastador, destrutivo, agressivo e compulsivo. A percepção da droga como algo ligado à tristeza, à angústia, à depressão e ao sofrimento também foi encontrada em outras pesquisas (Oliveira, McCallum & Costa, 2010; Santos, Acioli & Sousa, 2012).
Nesse sentido, evidencia-se a dimensão afetiva da representação social do crack, em que essa droga é vinculada a sentimentos negativos. Para Campos e Rouquette (2003), a dimensão afetiva da representação social é importante, pois influencia, às vezes organiza ou determina cognições ou comportamentos avaliativos. Nesse sentido, a partir do momento em que os indivíduos produzem uma avaliação do objeto representacional, ou de alguns de seus elementos, uma dimensão afetiva é ativada. Assim, pode-se dizer que os elementos do núcleo central da representação social do crack, intensamente carregados de emoções negativas, ditam as normas em relação a esse objeto social, já que, segundo Abric (2001b), o sistema central é essencialmente normativo.
No sistema periférico intermediário da representação social do crack encontra-se a evocação morte. Este termo pode se referir tanto à morte física, quanto à morte no sentido subjetivo, posto que o crack é apontado como uma droga que mata sonhos, relacionamentos, dignidade e autonomia, trazendo prejuízos diversos. A associação entre drogas e morte também foi encontrada no estudo feito por Santos et al. (2012) a respeito das representações sociais do crack na imprensa pernambucana. Nesse estudo, verificou-se que os jornais enfatizam a noção de morte ligada à dependência de drogas.
Com isso, percebe-se que este elemento representacional é amplamente compartilhado na sociedade, veiculado principalmente pela mídia, a qual muitas vezes apresenta um discurso sensacionalista, alarmista e com fins de gerar polêmicas (Romanini & Roso, 2012). Esse discurso é assumido e reproduzido pelos próprios usuários, que passam a não ver esperanças de recuperação, mas um único caminho possível: a morte. Conforme Ronzani et al. (2014), essa representação também faz parte dos serviços de saúde em que, muitas vezes, os profissionais não têm motivação para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento por acreditarem que os usuários não irão conseguir parar de consumir drogas e, consequentemente, tendem a se afastar destes.
No espaço inferior esquerdo, ainda no sistema periférico intermediário, foram evocadas as palavras compulsão, droga e perda. Em contraste com o núcleo central, no sistema periférico distante, representado no quadrante inferior direito, foram evocadas as palavras alucinação, angústia, desespero, destrói a família e não tem futuro. Segundo Abric (2001a), esses elementos funcionam como a interface entre o sistema central e a realidade concreta.
Os termos compulsão e alucinação referem-se aos efeitos físicos relativos à condição de dependência que o uso do crack acarreta. Tais termos, bem como o elemento angústia, possuem ainda uma conotação técnica, própria da ciência médica. Este aspecto também foi encontrado na pesquisa realizada por Branco et al. (2012). Desse modo, observa-se a apropriação do discurso médico científico, que produz, juntamente com o senso comum, as representações sociais do crack, as quais também são influenciadas pelo local de inserção desses indivíduos, que estavam inseridos numa instituição psiquiátrica.
Finalmente, a evocação droga pode sinalizar a objetivação do crack na sua definição científica. O elemento não tem futuro, situado no sistema periférico distante, coloca a representação social do crack objetivada numa perspectiva temporal, como algo negativo que paralisa o sujeito em sua experiência subjetiva sofrida.
Com vistas a um maior aprofundamento na compreensão da representação social do crack para dependentes químicos em tratamento, serão analisados abaixo os resultados da entrevista no que se refere à questão “o que significa crack pra você?” pela análise de conteúdo temática, utilizando-se frequências simples (f) e porcentagens.
Observou-se que o crack é representado por meio dos seguintes elementos: destruição, com 83% das unidades de análise (f=142); maldição, com 12% (f =21) e ilusão, que constituiu 5% das unidades de análise (f =9).
A subcategoria destruição compreende os conceitos que atribuem o crack à destruição. Ex.: “Destruição maior do mundo”; “É destruidora”; “Crack significa destruição”. A subcategoria maldição compreende os conceitos que destacam o crack como algo do mal, com conotações demoníacas. Ex.: “Eu considero o crack o demônio em forma de droga”. Uma vez que o crack é representado como algo ligado ao Diabo e que tem o poder de destruir, observou-se uma personificação dessa droga. O crack é representado como um ser, como algo que tem vida própria, como algo que pode “vir”, “matar”, “roubar” e “destruir”, tendo um caráter animado e não inanimado, como pode ser visto nas falas a seguir: “Crack veio pra matar, roubar e destruir” (E 02); “Isso para mim é o demônio, é o inimigo, é o diabo, eu acho que essa droga veio só para matar” (E 26); “O crack é o satanás para mim, é o demônio, na minha vida e na vida de qualquer um” (E 30). A subcategoria ilusão compreende os conceitos que se referem ao crack como algo que proporciona um prazer fantasioso. Ex.: “Ilusão que a gente busca que não tem sentido”; “Fantasia”.
Por meio desses dados observou-se a relação indissociável entre o elemento destruição, que se encontra no núcleo central da representação social do crack, e maldição, que denotam a ideia de que o crack é algo ligado ao Diabo e que ele, o Diabo ou o crack, é responsável pela destruição da vida do usuário e da sociedade. O crack é representado também como uma ilusão, como algo que proporciona um prazer fantasioso, culminando na destruição da vida do indivíduo.
Tal questão também foi encontrada no estudo conduzido por Romanini e Roso (2012), em que se verificou que o crack é veiculado na mídia como um ser, como algo que tem vida própria e que invade os lares para destruir as famílias, sendo o sujeito das ações e o usuário seu objeto. São ditas expressões, como: a droga que escraviza em segundos, que zomba das esperanças de recuperação, que corrói famílias, que mata mais do que qualquer outra droga e que afunda dependentes na degradação moral e no crime.
Esta representação do crack, ancorado em algo diabólico, foi construída historicamente, pois desde a Idade Média o uso de drogas tem sido condenado pela igreja, assim como o excesso do uso das drogas lícitas. Sendo a ancoragem, conforme Moscovici (2011), um mecanismo que tenta ancorar ideias estranhas, reduzindo-as a categorias e a imagens comuns, inserindo-as num contexto familiar, constata-se que este aspecto da malignidade da droga ancora-se no conhecimento religioso, que associa as drogas ao demônio.
A representação da droga ligada à figura do Diabo aproxima esse objeto ao cotidiano dos indivíduos, vinculando-a a uma figura comum e conhecida. Isso remete ao processo de objetivação, em que os indivíduos materializam, concretizam e objetivam a droga para melhor compreendê-la. Essa questão reflete o fenômeno de naturalização, próprio das representações sociais, em que há uma tendência do pensamento natural para coisificar as noções (Moscovici, 2011). Nesse sentido, os efeitos negativos atribuídos ao crack adquirem concretude por meio da figura do diabo, sendo objetivados pelos termos destruição, maldição e ilusão.
Esta representação aponta para uma passivização do usuário, pois, ao se apropriar desse discurso, ele se coloca em uma posição de vítima e de não responsável pelos seus atos, posto que está dominado pela droga nefasta, que tem o poder de destruir. Isto pode ser mostrado na fala a seguir: “Dependente químico é um pobre sofredor, uma pobre vítima do satanás, do demônio mesmo” (E 30). Portanto, essa representação das drogas como algo do mal serve para explicar e predizer as ações dos seus usuários, servindo também para justificar as suas condutas. De acordo com Moscovici (2011), uma das funções da representação social é a de justificar os comportamentos e condutas diante do grupo social.
Essa representação também dá margem para o que Pérez-Nebra e Jesus (2011) denominam de profecias autorrealizadoras, em que as crenças que as pessoas têm afetam os comportamentos no sentido de aumentar as chances de ocorrer aquilo em que se acredita ou que se teme. Desse modo, estes discursos acabam por legitimar os comportamentos de abuso: “já que eu sou dominado pelo diabo mesmo, vou viver conforme essa condição”. Observa-se que a apropriação desses discursos pelos próprios usuários acarreta uma série de implicações, pois essas representações ganham status de verdade, guiando as condutas desses sujeitos, fazendo parte da sua identidade e afetando a compreensão que eles constroem acerca da realidade. Essa percepção negativa sobre si mesmo pode prejudicar a autoimagem desses usuários, afetando a sua autoestima e a sua capacidade de enfrentamento das drogas, dificultando o sucesso do tratamento.
Além disso, a representação do crack como um ser maligno favorece a percepção dessa droga como um inimigo social comum, contra o qual a sociedade deve lutar. Embora se reconheça que o crack é um problema social importante, no qual a sociedade como um todo precisa estar engajada na procura de soluções, esta representação não propicia uma visão do crack como algo inanimado, que depende da utilização que dele faz o homem. Ele é apresentado como se tivesse vida e estivesse à procura de jovens para infectá-los, como um vírus, não querendo mais sair de seus corpos. Como sublinha Oliveira (2009), mesmo sendo uma pedra sem vida o crack tornou-se o inimigo social a ser combatido.
A personificação do crack como um ser inimigo favorece a ideia de que ele é o culpado por tudo de ruim, tendo o poder de destruir a vida de quem usa e a sociedade, como pode ser exemplificado nos relatos a seguir: “É uma droga que destrói a pessoa fisicamente e moralmente. Destrói o lar, destrói tudo... pra mim, o crack é simplesmente destruição de maneira fácil e rápida” (E 09); “Ela é a destruição total da humanidade, daqueles que experimentam ela” (E 15).
Essa ideia das drogas serem culpadas por tudo de ruim, também foi constatada no estudo realizado por Oliveira et al. (2010). Os resultados mostraram que os agentes comunitários de saúde representaram as drogas como ligadas à condição de pobreza, desestruturação familiar e violência que assolam a sociedade.
Entretanto, a análise das representações sociais do crack nos permite dizer que esta substância vem sendo apontada muito mais como causa dos problemas sociais do que como consequência, sendo desconsiderados diversos fatores envolvidos nos problemas sociais. No dizer de Bucher e Oliveira (1994), essas representações responsabilizam os usuários de drogas pelos problemas da sociedade, tornando-os bodes expiatórios, pois são apontados como causadores e responsáveis por eles.
Na medida em que se enfoca o crack como um ser diabólico, culpado por tudo de ruim que ocorre na sociedade, observa-se a persistência de uma apreciação moral que o percebe como um mal externo à sociedade (Mota, 2009). Ao enfocar o crack, esquece-se dos problemas sociais que fizeram com que ele tivesse entrada garantida na sociedade brasileira, e tivesse a repercussão que tem hoje, sendo um dos problemas sociais mais sérios da atualidade. Esquece-se de problemas que são estruturais, como a pobreza e a desigualdade social, bem como os demais percalços da contemporaneidade. Portanto, a representação da droga como culpada por tudo de ruim enfoca as drogas e esconde a ineficiência do Estado na garantia dos direitos básicos aos cidadãos, isentando o poder público. Este ponto se reveste de grande importância, uma vez que se sabe que o provimento de condições dignas para um viver de qualidade pode gerar inúmeros benefícios para a população, contribuindo para a diminuição dos problemas sociais, dentre eles, o uso abusivo de drogas.
Por fim, como assinalam Crives e Dimenstein (2003), a problemática do consumo de drogas e suas formas de enfrentamento devem ser analisadas a partir das várias expressões das desigualdades da sociedade, as quais são historicamente produzidas. Tais desigualdades produzem diversas formas de sofrimento e exclusão que interferem na qualidade de vida, inclusive no que se refere ao processo saúde-doença. Esta situação requer intervenções que ultrapassem as práticas de cunho apenas curativo e individual, exigindo ações coletivas, de condução político-institucional, numa perspectiva de construção da cidadania e de busca de qualidade de vida.
Considerações Finais
Tendo em vista a importância do debate sobre a dependência química nos dias atuais, o presente estudo objetivou conhecer e analisar o conteúdo e a estrutura da representação social do crack, elaborada por dependentes químicos em tratamento. Os resultados mostraram uma representação do crack de cunho negativo, em que ele é personificado na figura do Diabo, tendo o poder de destruir a vida de seus usuários e da sociedade em geral. Verificou-se que essa representação é composta por elementos que evidenciam a tristeza e o sofrimento que permeiam a realidade do usuário desta droga. Essa visão do crack favorece uma abordagem sensacionalista e alarmista da questão, em que os seus usuários se tornam os inimigos da sociedade, os seus antagonistas.
A crença no poder dominador do crack, em que ele é percebido como algo que subjuga o indivíduo inteiramente, retira a autonomia do sujeito, tornando-o passivo e impotente diante da dependência. Essas concepções certamente têm repercussões no enfrentamento ao uso das drogas, além de dificultar a assimilação da política de redução de danos por parte dos usuários, prevalecendo a influência do discurso médico hegemônico, que preconiza a abstinência como única possibilidade para esse sujeito.
De certa maneira, as representações sociais encontradas no presente trabalho, as quais são hegemônicas, justificam práticas como a da internação compulsória. Isto ocorre porque o usuário é considerado incapaz diante da droga, e ainda, por ser considerado um indivíduo socialmente perigoso ou doente, necessitando, assim, da tutela do Estado. Nesse sentido, percebe-se que para a realização de um trabalho comprometido com o sujeito em sua pluralidade, é preciso se despir dos preconceitos e dos estigmas arraigados no tecido social, de forma a ter um olhar mais voltado para as subjetividades e menos para a culpabilização do sujeito, minimizando a exclusão social.
Diante do exposto, verifica-se a necessidade de mudança dessas representações sociais, com a desmistificação da ideia de que o usuário de drogas é um ser vinculado ao mal e com o reconhecimento dele como uma pessoa, um cidadão, com direitos, deveres e necessidades. São necessárias políticas públicas que tenham como ênfase a prevenção e o tratamento do uso abusivo de drogas, assim como políticas públicas que promovam a moradia, o lazer, a educação e a formação profissional e a redução de danos. É preciso, ainda, que haja reflexões acerca da dependência química, a partir da compreensão da sociedade como um todo, da posição onde se encontra o usuário de drogas nessa sociedade, bem como da função que as drogas desempenham nela, visando uma análise e uma abordagem multidimensional desse complexo fenômeno.
Apesar das contribuições deste estudo, seus resultados não podem ser generalizados para toda a população de usuários de crack, uma vez que visou ao aprofundamento das representações de uma parcela específica de participantes. Além disso, essa pesquisa foi realizada apenas com homens de uma unidade de saúde que atende as camadas menos favorecidas da população. Assim, torna-se importante a realização de outros estudos que verifiquem se os resultados encontrados se mantêm em mulheres usuárias de crack ou em usuários de outras camadas sociais.
Finalmente, destaca-se que, diante da complexidade e amplitude do fenômeno das drogas na sociedade, este estudo foi pontual, não pretendendo esgotar a temática. Contudo, acredita-se que os resultados encontrados no presente estudo possuem implicações importantes e podem contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficientes no combate ao uso abusivo de drogas, podendo servir inclusive como subsídio para programas não só de promoção e tratamento, mas também de prevenção às drogas.
Apoio e financiamento:
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Referências
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Autor notes
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