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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00008</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n51a07</article-id>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Ensino de &#xC1;rea de Figuras Geom&#xE9;tricas Planas no Curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica do Projovem Urbano</article-title>
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<trans-title>Teaching Area of Plane Geometric Figures in the Math Curriculum of Urban Program "Projovem"</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Carvalho</surname><given-names>Dierson Gon&#xE7;alves de</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name><surname>Bellemain</surname><given-names>Paula Moreira Baltar</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref><xref ref-type="corresp" rid="c2"/></contrib>
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<label>*</label>
<institution content-type="normalized">Escola Municipal Professora Norma Coelho</institution>
<institution content-type="orgname">Escola Municipal Professora Norma Coelho</institution>
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<named-content content-type="city">Olinda</named-content>
<named-content content-type="state">Pernambuco</named-content></addr-line>
<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Mestre em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e Tecnol&#xF3;gica pela Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Professor da Escola Municipal Professora Norma Coelho, Olinda, Pernambuco, Brasil</institution></aff>
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<label>**</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Pernambuco</institution>
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<named-content content-type="city">Recife</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Doutora em Didactique des Disciplines Scientifi ques pela Universit&#xE9; Joseph Fourier - Grenoble I, Fran&#xE7;a. Professora do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e Tecnol&#xF3;gica -EDUMATEC da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Recife, Pernambuco, Brasil.</institution></aff></contrib-group>
<author-notes>
<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Av. Presidente Kenedy, S/N, Peixinhos, Olinda, Pernambuco, Brasil, CEP: 55.230-630. E-mail: <email>profdicarvalho@hotmail.com</email>.</corresp>
<corresp id="c2">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua Acad&#xEA;mico H&#xE9;lio Ramos, S/N, Cidade Universit&#xE1;ria, Recife, Pernambuco, Brasil, CEP: 50.670-901. E-mail: <email>pmbaltar@ufpe.br</email>.</corresp></author-notes>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<month>04</month>
<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
<issue>51</issue>
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<year>2014</year></date>
<date date-type="accepted">
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<year>2014</year></date>
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<license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/" xml:lang="pt">
<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<p>Este trabalho discute, sob a &#xF3;tica da Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico, o modo como &#xE9; proposto o estudo da &#xE1;rea de figuras geom&#xE9;tricas planas no curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica do Programa Projovem Urbano e a rela&#xE7;&#xE3;o entre esse estudo e os princ&#xED;pios que regem o referido Programa. Para tanto, foram analisados documentos como o Guia de Estudo, o Projeto Pedag&#xF3;gico Integrado e as Propostas Curriculares para a Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos. Percebemos que a Organiza&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica predominante &#xE9; o c&#xE1;lculo da &#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos, por meio do uso da f&#xF3;rmula, justificada pela contagem de quadradinhos, o que se aproxima da abordagem no ensino regular. Por outro lado, o uso frequente do contexto da constru&#xE7;&#xE3;o civil aponta para a conex&#xE3;o com a dimens&#xE3;o da qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional, preconizada nos princ&#xED;pios que regem o Programa Projovem Urbano.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<p>This paper discusses, from the perspective of the Anthropological Theory of Didactics, how to study the area of plane geometric figures in the mathematics curriculum of Projovem Urban Program and the relationship between this study and the principles governing the Program. There fore, documents such as the Study Guide, the Integrated Teaching, and Curriculum Design Proposals for the Education of Youth and Adultswere analyzed. We noticed that the prevalent Mathematics Organization is the calculation of the area of rectangles, by using the formula, justified by counting squares, which nears the approach in mainstream education. Moreover, the frequent use of the context of the construction points to the connection with the dimension of professional qualification, advocated the principles governing the specific Urban Program "Projovem".</p></trans-abstract>
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<kwd>Curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Projovem Urbano</kwd>
<kwd>Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico</kwd>
<kwd>&#xC1;rea de Figuras Geom&#xE9;tricas Planas</kwd></kwd-group>
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<kwd>Mathematics Curriculum</kwd>
<kwd>Projovem Urbano</kwd>
<kwd>Anthropological Theory of the Didactic</kwd>
<kwd>Area of Plane Geometric Figures</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Nosso objeto de estudo &#xE9; o ensino da &#xE1;rea de figuras planas no Programa Projovem Urbano, sob a &#xF3;tica da Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico - TAD (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CHEVALLARD, 1994</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B14">2002a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B15">2002b</xref>). Para melhor entendimento, trazemos uma breve caracteriza&#xE7;&#xE3;o do Projovem Urbano e justificamos as escolhas do conte&#xFA;do &#xE1;rea de figuras planas e da TAD.</p>
<p>A primeira vers&#xE3;o do Projovem (Programa Nacional de Inclus&#xE3;o de Jovens, Educa&#xE7;&#xE3;o, Qualifica&#xE7;&#xE3;o e A&#xE7;&#xE3;o Comunit&#xE1;ria) surgiu em 2005, como parte de um conjunto de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas voltadas para a juventude brasileira. Entre os anos de 2005 e 2007, o Projovem original atendeu nas capitais e regi&#xF5;es metropolitanas brasileiras mais de 240 mil jovens entre 18 e 24 anos, sem v&#xED;nculo formal de trabalho, que tinham cursado pelo menos at&#xE9; a antiga quarta s&#xE9;rie, mas n&#xE3;o haviam conclu&#xED;do o Ensino Fundamental. A partir de 2008, o Programa passou a atuar por meio de modalidades (urbano, campo, trabalhador e adolescente), ampliou-se a faixa et&#xE1;ria para contemplar jovens de 18 a 29 anos e foi suprimida a exig&#xEA;ncia de conclus&#xE3;o dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, passando-se a exigir apenas que os participantes saibam ler e escrever. Portanto, podem ter acesso ao Programa tanto jovens que n&#xE3;o conclu&#xED;ram sequer o 5&#xB0; ano do Ensino Fundamental, como aqueles que iniciaram o 9&#xB0; ano, mas n&#xE3;o o finalizaram.</p>
<p>As Diretrizes Curriculares Nacionais do Programa foram definidas no parecer do Conselho Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o CNE/CEB 18/2008 de implanta&#xE7;&#xE3;o, execu&#xE7;&#xE3;o e gest&#xE3;o compartilhada do Projovem Urbano. De acordo com esse documento, o Programa integra a Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos (EJA) e a Educa&#xE7;&#xE3;o Profissional.</p>
<p>Tanto no caso do Projovem original, como no Projovem Urbano, o princ&#xED;pio orientador das a&#xE7;&#xF5;es educacionais &#xE9; a integra&#xE7;&#xE3;o entre a Forma&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica (Ensino Fundamental), a Qualifica&#xE7;&#xE3;o Profissional inicial para o trabalho e a A&#xE7;&#xE3;o Comunit&#xE1;ria voltada para a promo&#xE7;&#xE3;o da equidade social. A forma&#xE7;&#xE3;o tem dura&#xE7;&#xE3;o de 18 meses e o trabalho pedag&#xF3;gico dos educadores &#xE9; baseado em material did&#xE1;tico elaborado especificamente para esse fim, do qual faz parte o denominado Guia de Estudo.</p>
<p>A raz&#xE3;o de escolher investigar o ensino da &#xE1;rea de figuras planas apoia-se na constata&#xE7;&#xE3;o de sua presen&#xE7;a marcante nas pr&#xE1;ticas profissionais, como &#xE9; o caso das ocupa&#xE7;&#xF5;es voltadas para a constru&#xE7;&#xE3;o civil, por exemplo.</p>
<p>Diante do exposto, buscamos essencialmente elementos de resposta para duas quest&#xF5;es: Como &#xE9; abordado o conte&#xFA;do <italic>&#xE1;rea</italic> no Guia de Estudo do Programa Projovem Urbano? Que rela&#xE7;&#xE3;o pode ser observada entre os princ&#xED;pios que regem o Projovem Urbano e a abordagem da <italic>&#xE1;rea</italic> no Guia de Estudo desse Programa?</p>
<p>Conformeveremos a seguir, a TAD oferece um quadro coerente e robusto para caracterizar o modo como o programa Projovem Urbano preconiza o estudo do objeto <italic>&#xE1;rea de figuras planas</italic> e para problematizar as rela&#xE7;&#xF5;es desse estudo com condi&#xE7;&#xF5;es e restri&#xE7;&#xF5;es mais amplas do funcionamento do mesmo.</p>
<p>O texto que se segue est&#xE1; estruturado em tr&#xEA;s t&#xF3;picos. O primeiro traz alguns elementos da Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico, utilizados na pesquisa. No segundo s&#xE3;o brevemente apresentados e justificados os procedimentos metodol&#xF3;gicos. O terceiro t&#xF3;pico &#xE9; voltado para a an&#xE1;lise dos dados. Finalmente s&#xE3;o apresentadas as considera&#xE7;&#xF5;es finais e as refer&#xEA;ncias bibliogr&#xE1;ficas.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Elementos da Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico (TAD)</title>
<p>O germe inicial da TAD &#xE9; a teoria da Transposi&#xE7;&#xE3;o Did&#xE1;tica, que surgiu na d&#xE9;cada de 1980 e &#xE9; hoje amplamente difundida, n&#xE3;o apenas no &#xE2;mbito da Did&#xE1;tica da Matem&#xE1;tica, mas na Did&#xE1;tica de outras disciplinas. Uma das contribui&#xE7;&#xF5;es da Transposi&#xE7;&#xE3;o Did&#xE1;tica &#xE9; de acordo com Bosch (2000), a modeliza&#xE7;&#xE3;o das atividades matem&#xE1;ticas e did&#xE1;ticas, em termos de objetos do conhecimento e rela&#xE7;&#xF5;es com os objetos, na perspectiva da ecologia institucional dos objetos matem&#xE1;ticos (<xref ref-type="bibr" rid="B13">CHEVALLARD, 1999</xref>). A TAD amplia e aprofunda essa perspectiva.</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14">Chevallard (2002a)</xref>, a atividade matem&#xE1;tica, como qualquer atividade humana, pode ser caracterizada pelo que chama de organiza&#xE7;&#xE3;o praxeol&#xF3;gica [<italic>T</italic>/&#x3C4;/&#x3B8;/&#x398;], a qual se constitui em dois blocos interligados: a pr&#xE1;xis - cumprir uma tarefa de certo tipo <italic>T</italic>, por meio de uma t&#xE9;cnica &#x3C4; &#x2212; e o logos &#x2013; composto por um discurso argumentativo que permite pensar e/ou produzir a t&#xE9;cnica (a tecnologia &#x3B8;) e pela justificativa da tecnologia (a teoria &#x398;)</p>
<p>Na nossa pesquisa, investigamos as organiza&#xE7;&#xF5;es praxeol&#xF3;gicas matem&#xE1;ticas, tamb&#xE9;m chamadas de organiza&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;tica (OM), relativas ao objeto &#xE1;rea de figuras planas instaladas no ensino da Matem&#xE1;tica no &#xE2;mbito do Projovem Urbano.</p>
<p>A problem&#xE1;tica ecol&#xF3;gica, no seio da TAD leva tamb&#xE9;m a questionar as condi&#xE7;&#xF5;es de vida dos objetos de saber nas institui&#xE7;&#xF5;es. Nessa perspectiva, discutimos o <italic>nicho</italic> e o <italic>habitat</italic> do objeto <italic>&#xE1;rea</italic> no Guia de Estudo do Projovem Urbano. Analogamente ao sentido desses termos na ecologia, na Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico (<xref ref-type="bibr" rid="B12">CHEVALLARD, 1994</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ALMOULOUD, 2007</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B10">CHAACHOUA; COMITI, 2010</xref>), o termo <italic>habitat</italic> designa os lugares onde vive certo objeto de saber, o ambiente conceitual no qual est&#xE1; inserido (seus <italic>endere&#xE7;os</italic>). J&#xE1;o termo <italic>nicho</italic> indica as fun&#xE7;&#xF5;es que o objeto de saber exerce em intera&#xE7;&#xE3;o com outros objetos (sua <italic>profiss&#xE3;o</italic>).</p>
<p>De acordo com a TAD, a atividade de estudo n&#xE3;o &#xE9; isolada do mundo das atividades sociais, nem da din&#xE2;mica das institui&#xE7;&#xF5;es, o que conduz a outro elemento que teve lugar central na nossa pesquisa: a escala dos n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica (<xref ref-type="bibr" rid="B15">CHEVALLARD, 2002b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B11">CHAC&#xD3;N, 2008</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B19">MARECHAL, 2010</xref>), representada na <xref ref-type="fig" rid="f1">figura 1</xref>.</p>
<fig id="f1">
<label>Figura 1</label>
<caption>
<title>Escala dos n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica.</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-51-0123-gf01.jpg"/> <attrib><bold>Fonte</bold>: (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CHAC&#xD3;N, 2008</xref>, p. 73). Tradu&#xE7;&#xE3;o Nossa.</attrib></fig>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B11">Chac&#xF3;n (2008)</xref> explica a correspond&#xEA;ncia entre organiza&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas (OM) de diferentes graus de complexidade e os n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica de 2 a 5 na figura acima. Para ilustrar essa correspond&#xEA;ncia, tomamos o caso espec&#xED;fico de nossa pesquisa.</p>
<p>Questionamos quais os tipos de tarefa relativos ao objeto &#xE1;rea de figuras planas abordados no Guia de Estudo do Projovem Urbano. Em torno de cada tipo de tarefa em foco, se constitui uma OM <italic>Pontual</italic>, correspondente ao n&#xED;vel do <italic>Assunto</italic>. Um am&#xE1;lgama de OM pontuais, com tecnologia compartilhada, vai compor uma OM <italic>Local</italic>, que &#xE9; associada ao n&#xED;vel do <italic>Tema</italic>. A fus&#xE3;o de OM Locais, com teoria em comum, vai compor uma OM <italic>Regional</italic>, correspondente ao n&#xED;vel do <italic>Setor.</italic> Finalmente a organiza&#xE7;&#xE3;o matem&#xE1;tica <italic>Global</italic> refere-se ao <italic>Dom&#xED;nio</italic> de estudo, gerado pelo agregado de OM Regionais.</p>
<p>A TAD permite evidenciar que o estudo dessas praxeologias de diferentes graus de complexidade n&#xE3;o se d&#xE1; num v&#xE1;cuo social (<xref ref-type="bibr" rid="B15">CHEVALLARD, 2002b</xref>). Depende de condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es, pontos de apoio, originados em diferentes &#xE2;mbitos, que correspondem aos n&#xED;veis da pedagogia, da escola, da sociedade e da civiliza&#xE7;&#xE3;o.</p> <disp-quote>
<p>Os desenvolvimentos recentes nateoriaantropol&#xF3;gica (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Chevallard, 2002</xref>, 2004, 2005) fornecem, sob o nomedecodetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica, uma modelagem que engloba essas condi&#xE7;&#xF5;es e restri&#xE7;&#xF5;es segundo as quais se determinam mutuamente as organiza&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;tica e did&#xE1;tica. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CHAC&#xD3;N, 2008</xref>, p. 73, tradu&#xE7;&#xE3;o nossa)<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref></p></disp-quote>
<p>Por meio dos n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica procuramos identificar rela&#xE7;&#xF5;es entre os grandes princ&#xED;pios que regem a Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos e as Diretrizes do Programa Projovem Urbano e as escolhas que s&#xE3;o feitas das quest&#xF5;es propostas sobre <italic>&#xE1;rea</italic> no Guia de Estudo do Projovem Urbano. As diretrizes, os textos oficiais elaboradas pelo Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o, pela Secretaria Nacional da Juventude, do Conselho Nacional da Juventude geram condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es, impedimentos e pontos de apoio que tem influ&#xEA;ncia sobre o modo como &#xE9; conduzido o estudo de objetos matem&#xE1;ticos espec&#xED;ficos.</p>
<p>O objeto <italic>&#xE1;rea</italic> &#xE9; nitidamente presente nas pr&#xE1;ticas profissionais e o Projovem &#xE9; um Programa voltado para a escolariza&#xE7;&#xE3;o, mas tamb&#xE9;m para a qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e para a a&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria. Por meio da escala de n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica, questionamos as rela&#xE7;&#xF5;es entre as praxeologias matem&#xE1;ticas instaladas no Guia de Estudo relativas &#xE0; &#xE1;rea de figuras planas e as condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es e pontos de apoio correspondentes aos n&#xED;veis da pedagogia, da escola, da sociedade e da civiliza&#xE7;&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec sec-type="methods">
<title>3 Procedimentos metodol&#xF3;gicos</title>
<p>Os procedimentos metodol&#xF3;gicos organizaram-se essencialmente em torno da an&#xE1;lise de documentos oficiais do Projovem Urbano ou de outros que tem influ&#xEA;ncia significativa nesse Programa.</p>
<p>O material did&#xE1;tico do Projovem Urbano foi elaborado especificamente para o Programa, a partir do trabalho coletivo de especialistas de todos os campos do conhecimento e segundo o princ&#xED;pio da integra&#xE7;&#xE3;o entre as dimens&#xF5;es da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica (Ensino Fundamental), da qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e a da a&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria. Os jovens matriculados no Programa recebem do governo federal o Guia de Estudo do aluno, uma agenda e um guia de estudo da forma&#xE7;&#xE3;o profissional. Existem tamb&#xE9;m o Guia de Estudo dos educadores, <italic>livro do professor</italic>, e os coordenadores locais dos munic&#xED;pios recebem um manual de orienta&#xE7;&#xF5;es gerais do Programa. Na nossa pesquisa, dentre esses documentos, s&#xF3; foi analisado o Guia de Estudo do aluno do Projovem Urbano e, mais profundamente, a parte que foca a Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Consideramos o Guia de Estudo do aluno do Projovem Urbano como um manual escolar, no sentido atribu&#xED;do por <xref ref-type="bibr" rid="B17">G&#xE9;rard e Roegiers (1998)</xref>, pois o mesmo &#xE9; um instrumento impresso e intencionalmente estruturado para se inscrever num processo de aprendizagem visando &#xE0; melhoria de sua efic&#xE1;cia. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B20">Salgado e Amaral (2008</xref>, p. 56), o Guia de Estudo "serve de apoio para o professor especialista trabalhar com os jovens no processo de constru&#xE7;&#xE3;o de conceitos b&#xE1;sicos e de rela&#xE7;&#xF5;es fundamentais entre os demais conceitos em seu campo de conhecimento".</p>
<p>A identifica&#xE7;&#xE3;o de condi&#xE7;&#xF5;es, pontos de apoio e restri&#xE7;&#xF5;es sobre o ensino do objeto <italic>&#xE1;rea</italic>, situadas nos n&#xED;veis mais gerais da escala de n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica se fez, sobretudo, por meio da an&#xE1;lise da Proposta Pedag&#xF3;gica Integrada (PPI) &#x2013; Proposta Pedag&#xF3;gica e Curricular do Programa Projovem Urbano - e da Proposta Curricular da Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos do 1&#xB0; e 2&#xB0; segmentos. A PPI explicita as posi&#xE7;&#xF5;es assumidas no Programa e suas condi&#xE7;&#xF5;es de funcionamento. A subordina&#xE7;&#xE3;o do programa &#xE0; EJA faz com que o Programa siga tamb&#xE9;m Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos, o que justifica a escolha de analisar as Propostas Curriculares da EJA.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 An&#xE1;lise dos dados</title>
<sec>
<title>4.1 Situando o n&#xED;vel da disciplina</title>
<p>Na concep&#xE7;&#xE3;o do Projovem Urbano "o curr&#xED;culo n&#xE3;o &#xE9; algo feito, mas algo que se faz ao longo do tempo como um processo que envolve escolha, conflitos e acordos em determinados contextos" (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SALGADO E AMARAL, 2008</xref>, p.35). Conforme o Projeto Pedag&#xF3;gico Integrado (PPI), a matriz curricular &#xE9; composta e organizada no cruzamento de eixos estruturantes com os conte&#xFA;dos de disciplinas e t&#xEA;m lugar central a considera&#xE7;&#xE3;odas experi&#xEA;ncias de vida trazidas pelos alunos. S&#xE3;o tr&#xEA;s dimens&#xF5;es desdobradas em conjuntos de disciplinas e atividades. Os componentes curriculares s&#xE3;o equilibrados de forma a n&#xE3;o hierarquiz&#xE1;-los, mas possibilitar a intera&#xE7;&#xE3;o dos mesmos e superar as poss&#xED;veis e diferentes dificuldades apresentadas pelos jovens. Constru&#xED;mos o esquema a seguir com as principais dimens&#xF5;es do curr&#xED;culo e suas atividades para uma melhor compreens&#xE3;o da maneira como &#xE9; trabalhada a integra&#xE7;&#xE3;o interdimensional e interdisciplinar proposta no Projovem Urbano.</p>
<fig id="f2">
<label>FIGURA 2</label>
<caption>
<title>Organograma das dimens&#xF5;es da Matriz Curricular.</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-51-0123-gf02.jpg"/> <attrib><bold>Fonte:</bold> <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2012</xref>.</attrib></fig>
<p>Cada Unidade Formativa (UF) do Projovem Urbano corresponde a um volume do Guia de Estudo, a ser desenvolvido em um trimestre, e foca um tema considerado significativo para o p&#xFA;blico do Programa, designado como eixo estruturante. As tr&#xEA;s dimens&#xF5;es do curr&#xED;culo, inclusive os componentes curriculares da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica, dentre os quais se encontra a Matem&#xE1;tica, devem ser trabalhados em conex&#xE3;o com os seis eixos estruturantes seguintes: Juventude e Cultura, Juventude e Cidade, Juventude e Trabalho, Juventude e Comunica&#xE7;&#xE3;o, Juventude e Tecnologia, Juventude e Cidadania.</p>
<p>Entre as atividades de integra&#xE7;&#xE3;o curricular h&#xE1; as <italic>s&#xED;nteses integradoras</italic> que acontecem na 2&#xAA; parte do Guia de Estudo denominada <italic>Aqui voc&#xEA; &#xE9; o autor</italic>. Essas s&#xED;nteses integradoras s&#xE3;o elaboradas pelos alunos e corrigidas juntamente com o professor que as reestruturam e depois s&#xE3;o digitadas pelos alunos nas aulas de inform&#xE1;tica.</p>
<p>Na <italic>Forma&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica</italic> s&#xE3;o ministradas aulas dos componentes de Matem&#xE1;tica, L&#xED;ngua Portuguesa, Ci&#xEA;ncias Humanas (Geografia, Hist&#xF3;ria e Ci&#xEA;ncias Sociais), Ci&#xEA;ncias da Natureza (F&#xED;sica, Qu&#xED;mica e Biologia), L&#xED;ngua Estrangeira e Inform&#xE1;tica. A Forma&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica inclui tamb&#xE9;m a elabora&#xE7;&#xE3;o de <italic>s&#xED;nteses interdisciplinares</italic>, relacionando os conhecimentos das tr&#xEA;s dimens&#xF5;es curriculares que integram o cotidiano do jovem.</p>
<p>De acordo com o PPI, na dimens&#xE3;o curricular <italic>Participa&#xE7;&#xE3;o Cidad&#xE3;</italic> apresenta-se duas atividades para serem desenvolvidas:</p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>- Fazer com que os alunos reflitam sobre os conceitos b&#xE1;sicos para a Participa&#xE7;&#xE3;o Cidad&#xE3;, articulando-os aos demais componentes curriculares e, em particular, as Ci&#xEA;ncias Humanas, L&#xED;ngua Portuguesa e Qualifica&#xE7;&#xE3;o Profissional;</p></list-item>
<list-item>
<p>- Elaborar um Plano de A&#xE7;&#xE3;o Comunit&#xE1;ria (PLA), para realiza&#xE7;&#xE3;o, avalia&#xE7;&#xE3;o e sistematiza&#xE7;&#xE3;o de uma a&#xE7;&#xE3;o social escolhida pelos alunos, tendo em vista seu conhecimento e experi&#xEA;ncias em sua realidade pr&#xF3;xima. "O ponto de partida &#xE9; a constru&#xE7;&#xE3;o de um mapa de desafios da comunidade, o que requer conhecimento da cidade e especialmente da realidade social (ou local) em que os jovens se inserem" (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SALGADO E AMARAL, 2008</xref>, p.44).</p></list-item></list>
<p>J&#xE1; na dimens&#xE3;o <italic>Qualifica&#xE7;&#xE3;o Profissional</italic> h&#xE1; tr&#xEA;s conjuntos de atividades:</p>
<list list-type="simple">
<list-item>
<p>- Forma&#xE7;&#xE3;o T&#xE9;cnica Geral, que trata de aspectos comuns a qualquer ocupa&#xE7;&#xE3;o e que enseja a compreens&#xE3;o do papel do trabalho e da forma&#xE7;&#xE3;o profissional no mundo contempor&#xE2;neo;</p></list-item>
<list-item>
<p>- Projeto de Orienta&#xE7;&#xE3;o Profissional (POP), entendido como um "trabalho de cunho reflexivo, ao longo de todo o curso, preparando o jovem para melhor compreender a din&#xE2;mica do mundo do trabalho e planejar o percurso de sua forma&#xE7;&#xE3;o profissional". Conv&#xE9;m ressaltar que o POP "n&#xE3;o &#xE9; um plano para ser desenvolvido e avaliado durante o curso e nem mesmo depois dele" (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SALGADO E AMARAL, 2008</xref>, p.45)</p></list-item>
<list-item>
<p>- Atividades espec&#xED;ficas de um dos Arcos Ocupacionais, voltadas ao preparo do jovem para inserir-se no mundo do trabalho, como empregado, pequeno empres&#xE1;rio ou membro de cooperativa (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SALGADO E AMARAL, 2008</xref>).</p></list-item></list> <disp-quote>
<p>O arco ocupacional &#xE9; entendido como um conjunto de ocupa&#xE7;&#xF5;es relacionadas, dotadas de base t&#xE9;cnica comum, que podem abranger as esferas da produ&#xE7;&#xE3;o, da circula&#xE7;&#xE3;o de bens e da presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os garantindo uma forma&#xE7;&#xE3;o mais ampla e aumentando as possibilidades de inser&#xE7;&#xE3;o ocupacional do trabalhador. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">F&#xC9;RES, 2008</xref>, p.81)</p></disp-quote>
<p>Em cada munic&#xED;pio participante do Programa, s&#xE3;o escolhidos os arcos ocupacionais a serem contemplados, dentre as 23 op&#xE7;&#xF5;es oferecidas pelo Programa: Administra&#xE7;&#xE3;o; Agroextrativismo; Alimenta&#xE7;&#xE3;o; Arte e Cultura I; Arte e Cultura II; Constru&#xE7;&#xE3;o e Reparos I (revestimentos); Constru&#xE7;&#xE3;o e Reparos II (instala&#xE7;&#xF5;es); Educa&#xE7;&#xE3;o; Esporte e Lazer; Gest&#xE3;o P&#xFA;blica e Terceiro Setor; Gr&#xE1;fica; Joalheria; Madeira e M&#xF3;veis; Metal Mec&#xE2;nica; Pesca e Piscicultura; Sa&#xFA;de; Servi&#xE7;os dom&#xE9;sticos I; Servi&#xE7;os dom&#xE9;sticos II; Servi&#xE7;os pessoais; Telem&#xE1;tica; Transporte; Turismo e hospitalidade; e por fim Vestu&#xE1;rio.Os alunos escolhem dentre os arcos ocupacionais oferecidos pelo ente federado um para se qualificar durante os 18 meses de curso.</p>
<p>A matriz curricular vai dar base &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o dos conte&#xFA;dos no Guia de Estudo do Projovem Urbano sendo, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B20">Salgado e Amaral (2008)</xref>, refer&#xEA;ncia essencial para a elabora&#xE7;&#xE3;o dos materiais did&#xE1;ticos e complementares, a organiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho pedag&#xF3;gico e a avalia&#xE7;&#xE3;o dos processos de ensino e aprendizagem.</p>
<p>Percebemos que a estrutura do Guia de Estudo n&#xE3;o &#xE9; prioritariamente orientada pelos componentes curriculares, mas podemos situar a exist&#xEA;ncia da Matem&#xE1;tica como disciplina, da dimens&#xE3;o Forma&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica. O estudo da Matem&#xE1;tica, entretanto, deve ser desenvolvido em conson&#xE2;ncia com um conjunto mais amplo de condi&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas, em particular a conex&#xE3;o com os eixos estruturantes, com as demais disciplinas da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica, e com as outras duas dimens&#xF5;es da matriz curricular do Projovem Urbano (a participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3; e a qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional).</p>
</sec>
<sec>
<title>4.2 Situando as Organiza&#xE7;&#xF5;es Matem&#xE1;ticas em torno do objeto &#xE1;rea</title>
<p>O material did&#xE1;tico de Matem&#xE1;tica organiza-se, sobretudo, em torno de situa&#xE7;&#xF5;es-problemas e atividades a serem realizadas pelos estudantes, com poucos trechos de explica&#xE7;&#xE3;o dos conte&#xFA;dos. Ou seja, o saber-fazer (pr&#xE1;xis) parece mais refor&#xE7;ado do que o saber (logos).</p>
<p>H&#xE1; 10 cap&#xED;tulos de Matem&#xE1;tica em cada volume do Guia de Estudo, totalizando 60 cap&#xED;tulos a serem estudados durante os 18 meses de curso. A medida da &#xE1;rea &#xE9; designada explicitamente como objeto de estudo:</p> <disp-quote>
<p>Sistemas de numera&#xE7;&#xE3;o e sistema de numera&#xE7;&#xE3;o decimal, as quatro opera&#xE7;&#xF5;es fundamentais, estimativas, n&#xFA;meros decimais, fra&#xE7;&#xF5;es, proporcionalidade, n&#xFA;meros negativos; no&#xE7;&#xF5;es de espa&#xE7;o e movimento, formas geom&#xE9;tricas espaciais e planas, <italic>medidas</italic> de comprimento, <italic>de &#xE1;rea</italic> e de volume, teorema de Pit&#xE1;goras; no&#xE7;&#xF5;es de l&#xF3;gica, a linguagem da matem&#xE1;tica, generaliza&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas, equa&#xE7;&#xF5;es, express&#xF5;es alg&#xE9;bricas, sistemas de equa&#xE7;&#xF5;es, probabilidades, no&#xE7;&#xF5;es de fun&#xE7;&#xF5;es; tabelas e gr&#xE1;ficos, comunica&#xE7;&#xE3;o estat&#xED;stica, coordenadas cartesianas. (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SALGADO E AMARAL 2008</xref>, p.98 - grifos nossos)</p></disp-quote>
<p>Entre esses cap&#xED;tulos, 14 trazem atividades que envolvem a &#xE1;rea deret&#xE2;ngulos, quadrados, trap&#xE9;zios, tri&#xE2;ngulos, paralelogramosou pol&#xED;gonos irregulares, sendo que a maioria delas (57,7%) corresponde ao tipo de tarefa <italic>calcular a &#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos</italic>. Tr&#xEA;s cap&#xED;tulos focam especificamente o c&#xE1;lculo de &#xE1;rea, situados nas unidades formativas III, V e VI, correspondentes respectivamente aos eixos estruturantes <italic>Juventude e Trabalho</italic>, <italic>Juventude e Tecnologia</italic> e <italic>Juventude e Cidadania</italic>. Al&#xE9;m desses, encontramos tarefas do tipo <italic>calcular a &#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos</italic> nos cap&#xED;tulos destinados ao estudo de problemas de multiplica&#xE7;&#xE3;o e divis&#xE3;o, geometria e natureza, fra&#xE7;&#xF5;es, proporcionalidade no trabalho, coordenadas cartesianas, contemplando, al&#xE9;m dos eixos supracitados, as unidades formativas II e IV (<italic>Juventude e Cidade</italic> e <italic>Juventude e Comunica&#xE7;&#xE3;o</italic>). Esse mapeamento mostra a presen&#xE7;a do objeto em foco na nossa pesquisa permeando diversos assuntos da Matem&#xE1;tica, ao longo de quase todos os eixos estruturantes. Esses s&#xE3;o os lugares onde vive o objeto <italic>&#xE1;rea</italic> (e mais especificamente o tipo de tarefa calcular a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo), os ambientes conceituais nos quais esse objeto se situa e determinam, portanto, seu <italic>habitat</italic>.</p>
<p>Uma vez que o tipo de tarefa predominante &#xE9; <italic>calcular a &#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos</italic>, vamos discutir os demais componentes da organiza&#xE7;&#xE3;o matem&#xE1;tica pontual em torno desse tipo de tarefa. Foram identificadas de modo mais ou menos impl&#xED;cito, tr&#xEA;s t&#xE9;cnicas poss&#xED;veis para resolver esse tipo de tarefa, no Guia de Estudo, mas a t&#xE9;cnica aparentemente visada &#xE9; baseada no uso da f&#xF3;rmula da &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo e pode ser descrita como segue: identificar, na figura, as medidas de comprimento de cada um dos lados doret&#xE2;ngulo (o lado horizontal &#x2013; tomado comobase e o lado vertical &#x2013; tomado como altura), substituir essas medidas na f&#xF3;rmula A = b x h e calcular o produto dessas medidas. Essa t&#xE9;cnica &#xE9; explicada no cap&#xED;tulo 8, da Unidade Formativa II do Guia de Estudo. O componente tecnol&#xF3;gico-te&#xF3;rico &#xE9; pouco expl&#xED;cito, mas se apoia na contagem da quantidade de quadradinhos para justificar a f&#xF3;rmula da &#xE1;rea do ret&#xE2;ngulo.</p>
<p>S&#xE3;o enfatizados problemas contextualizados, sobretudo relativos &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o civil. Interpretamos essa &#xEA;nfase como um ind&#xED;cio do <italic>nicho</italic> desse objeto no Projovem Urbano. Com efeito, &#xE9; parte da <italic>profiss&#xE3;o</italic> desse objeto, de suas fun&#xE7;&#xF5;es nessa institui&#xE7;&#xE3;o, promover a conex&#xE3;o com a dimens&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o profissional, pelo menos com os arcos ocupacionais relativos &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o e reparos. A atividade a seguir &#xE9; um exemplo de problema contextualizado proposto no Guia de Estudo:</p>
<fig id="f3">
<label>FIGURA 3</label>
<caption>
<title>Guia de Estudo.</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-51-0123-gf03.jpg"/> <attrib><bold>Fonte:</bold> Brasil, UF III, p. 205</attrib></fig>
<p>Os tr&#xEA;s cap&#xED;tulos nos quais a &#xE1;rea &#xE9; objeto de estudo s&#xE3;o intitulados respectivamente "Calculando &#xE1;reas de superf&#xED;cies retangulares", "Calculando &#xE1;reas" e "Resolvendo problemas envolvendo &#xE1;reas". Isso nos conduziu a considerar no n&#xED;vel do <italic>Tema</italic> a <italic>&#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos</italic> e no n&#xED;vel do <italic>Setor</italic> a <italic>&#xE1;rea de figuras planas</italic>.</p>
<p>Como j&#xE1; foi dito, o Projovem Urbano integra a EJA e a Educa&#xE7;&#xE3;o Profissional. Logo, o estudo da Matem&#xE1;tica neste Programa deve se apoiar nas Propostas Curriculares da Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos - EJA - do 1&#xB0; e 2&#xB0; segmentos (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2001</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">2002</xref>).</p>
<p>Na proposta curricular para o 1&#xB0; segmento (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2001</xref>), os conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos s&#xE3;o estruturados em blocos: n&#xFA;meros e opera&#xE7;&#xF5;es num&#xE9;ricas; medidas; geometria e introdu&#xE7;&#xE3;o &#xE0; estat&#xED;stica, os quais s&#xE3;o considerados nessa pesquisa como <italic>Dom&#xED;nios</italic> na escala dos n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o. Na proposta curricular para o 2&#xB0; segmento (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2002</xref>), embora n&#xE3;o haja explicitamente a designa&#xE7;&#xE3;o de blocos, percebe-se nas entrelinhas refer&#xEA;ncia &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o conceitual proposta nos Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais, nos quais h&#xE1; quatro dom&#xED;nios: espa&#xE7;o e forma (geometria), n&#xFA;meros e opera&#xE7;&#xF5;es (inclui o desenvolvimento do pensamento num&#xE9;rico e alg&#xE9;brico), grandezas e medidas (que remete ao desenvolvimento da compet&#xEA;ncia m&#xE9;trica) e tratamento da informa&#xE7;&#xE3;o (que inclui estat&#xED;stica, probabilidade e combinat&#xF3;ria). Al&#xE9;m disso, atravessando os v&#xE1;rios dom&#xED;nios, h&#xE1; o desenvolvimento do racioc&#xED;nio que envolve proporcionalidade. A &#xE1;rea de figuras planas se situa no dom&#xED;nio das Grandezas e Medidas, designado como Medidas na proposta curricular para o 1&#xB0; segmento.</p>
<p>Na proposta curricular do 1&#xB0; segmento da EJA (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2001</xref>), se diz que a medida de superf&#xED;cie &#xE9; a que envolve o conceito de &#xE1;rea e pode ser introduzida em conex&#xE3;o com as no&#xE7;&#xF5;es de geometria. Prop&#xF5;e-se, para a realiza&#xE7;&#xE3;o do c&#xE1;lculo da &#xE1;rea de figuras planas a contagem de unidades quando a figura apresenta-se quadriculada ou por composi&#xE7;&#xE3;o e decomposi&#xE7;&#xE3;o da figura. Os objetivos did&#xE1;ticos do dom&#xED;nio intitulado <italic>Medidas</italic> nessa proposta curricular s&#xE3;o organizados em t&#xF3;picos, dentre os quais um designado como Superf&#xED;cie, que corresponde &#xE0; grandeza &#xE1;rea:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>Conhecer as unidades usuais de medida de superf&#xED;cie: metro quadrado (m<sup>2</sup>), quil&#xF4;metro quadrado (km<sup>2</sup>) e cent&#xED;metro quadrado (cm<sup>2</sup>), estabelecendo a rela&#xE7;&#xE3;o entre m<sup>2</sup> e cm<sup>2</sup>, m<sup>2</sup> e km<sup>2</sup>.</p></list-item>
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>Calcular a &#xE1;rea do quadrado e do ret&#xE2;ngulo, por contagem de regi&#xF5;es, verificando quantas vezes uma unidade de medida cabe numa determinada superf&#xED;cie.</p></list-item>
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>Identificar rela&#xE7;&#xF5;es entre &#xE1;reas de figuras geom&#xE9;tricas por meio da composi&#xE7;&#xE3;o e decomposi&#xE7;&#xE3;o de figuras.</p></list-item>
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>Resolver problemas envolvendo rela&#xE7;&#xF5;es entre &#xE1;rea e per&#xED;metro.</p></list-item>
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>Desenvolver a no&#xE7;&#xE3;o de escala como amplia&#xE7;&#xE3;o ou redu&#xE7;&#xE3;o das dimens&#xF5;esreais em situa&#xE7;&#xF5;es que envolvam representa&#xE7;&#xE3;o de medidas de comprimento e superf&#xED;cie (plantas, mapas, guias, itiner&#xE1;rios). (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2001</xref>, p.143)</p></list-item></list></disp-quote>
<p>A Proposta Curricular do 2&#xB0; segmento (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2002</xref>) sugere que certos conte&#xFA;dos conceituais e procedimentais relacionados &#xE0;s grandezas e medidas, sejam contemplados. Dentre esses conte&#xFA;dos, os seguintes s&#xE3;o diretamente relacionados com a &#xE1;rea:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>C&#xE1;lculo ou estimativas da medida da &#xE1;rea de figuras planas;</p></list-item>
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>[...] Constru&#xE7;&#xE3;o de procedimentos para o c&#xE1;lculo de &#xE1;reas e per&#xED;metros de superf&#xED;cies planas (limitadas por segmentos de reta e/ ou arcos de circunfer&#xEA;ncia e por aproxima&#xE7;&#xF5;es;</p></list-item>
<list-item>
<label>&#x2713;</label>
<p>An&#xE1;lise das varia&#xE7;&#xF5;es do per&#xED;metro e da &#xE1;rea de um quadrado em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; varia&#xE7;&#xE3;o da medida do lado e constru&#xE7;&#xE3;o de gr&#xE1;ficos cartesianos para representar essas interdepend&#xEA;ncias. (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2002</xref>, p.34)</p></list-item></list></disp-quote>
<p>O tipo de tarefa privilegiado no Guia de Estudo (<italic>calcular a &#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos</italic>) est&#xE1; presente nas propostas curriculares para a EJA. Entretanto, a t&#xE9;cnica preconizada no primeiro segmento (no qual o c&#xE1;lculo da &#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos aparece explicitamente), &#xE9; aquela baseada na contagem de superf&#xED;cies unit&#xE1;rias e n&#xE3;o a t&#xE9;cnica focada no Guia de Estudo, a qual &#xE9; baseada no uso da f&#xF3;rmula A=bxh. J&#xE1; no segundo segmento, observamos o c&#xE1;lculo, a estimativa e a constru&#xE7;&#xE3;o de procedimentos de c&#xE1;lculo de &#xE1;rea, mas n&#xE3;o h&#xE1; refer&#xEA;ncia expl&#xED;cita nem ao ret&#xE2;ngulo nem &#xE0; f&#xF3;rmula da &#xE1;rea do ret&#xE2;ngulo.</p>
</sec>
<sec>
<title>4.3 Condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es e pontos de apoio sobre o ensino da &#xE1;rea</title>
<p>O Parecer do Conselho Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o e da C&#xE2;mara de Educa&#xE7;&#xE3;o <xref ref-type="bibr" rid="B6">B&#xE1;sica CNE/CEB n&#xB0; 18/2008 (2008)</xref> orienta a defini&#xE7;&#xE3;o dos princ&#xED;pios que norteiam as Diretrizes Curriculares do Projovem Urbano, na elabora&#xE7;&#xE3;o dos materiais, na organiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho pedag&#xF3;gico e na avalia&#xE7;&#xE3;o dos processos de ensino e aprendizagem. Nesse documento s&#xE3;o explicitadas as finalidades das tr&#xEA;s dimens&#xF5;es do curr&#xED;culo no Projovem Urbano:</p> <disp-quote>
<list list-type="bullet">
<list-item>
<p><italic>A Forma&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica dever&#xE1; garantir as aprendizagens que correspondem &#xE0;s Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e a certifica&#xE7;&#xE3;o correspondente, ao mesmo tempo, fundamentar a Qualifica&#xE7;&#xE3;o Profissional e a Participa&#xE7;&#xE3;o Cidad&#xE3;.</italic></p></list-item>
<list-item>
<p><italic>A Qualifica&#xE7;&#xE3;o Profissional inicial dever&#xE1; possibilitar novas formas de inser&#xE7;&#xE3;o produtiva, com a devida certifica&#xE7;&#xE3;o, correspondendo, na medida do poss&#xED;vel, tanto &#xE0;s necessidades e potencialidades econ&#xF4;micas, locais e regionais, quanto &#xE0;s voca&#xE7;&#xF5;es dos jovens.</italic></p></list-item>
<list-item>
<p><italic>A Participa&#xE7;&#xE3;o Cidad&#xE3; dever&#xE1; garantir aprendizagens sobre direitos sociais, promover o desenvolvimento de uma a&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria e a forma&#xE7;&#xE3;o de valores solid&#xE1;rios.</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BRASIL, 2008</xref>, p.38)</p></list-item></list></disp-quote>
<p>O estudo da &#xE1;rea de figuras planas se situa na dimens&#xE3;o da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica que se orienta pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental, as quais incluem a Matem&#xE1;tica entre os componentes curriculares. Mas o texto acima explicita que a forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica tem tamb&#xE9;m por finalidade fundamentar as demais dimens&#xF5;es do curr&#xED;culo. Ou seja, o estudo dos conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos &#xE9; de certo modo subordinado &#xE0; condi&#xE7;&#xE3;o de fornecer subs&#xED;dios para o desenvolvimento da qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e da participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;.</p>
<p>Os textos oficiais do Projovem Urbano, no n&#xED;vel da <italic>Disciplina</italic> Matem&#xE1;tica, preconizam que o professor trabalhe com a constru&#xE7;&#xE3;o de conceitos por interm&#xE9;dio da problematiza&#xE7;&#xE3;o utilizando os conhecimentos pr&#xE9;vios dos alunos para favorecer o desenvolvimento da capacidade de argumentar, fazer infer&#xEA;ncias, estabelecer rela&#xE7;&#xF5;es, compreender e ampliar a linguagem matem&#xE1;tica para solucionar as situa&#xE7;&#xF5;es-problemas propostas no Guia de Estudo do aluno.</p>
<p>A an&#xE1;lise do PPI (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BRASIL, 2008</xref>) mostra que no n&#xED;vel da <italic>Pedagogia</italic> a Institui&#xE7;&#xE3;o Projovem Urbano apresenta uma proposta inovadora com rela&#xE7;&#xE3;o ao ensino regular, pois al&#xE9;m da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica correspondente ao Ensino Fundamental, integra a qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e a a&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria. Assim o estudo dos conte&#xFA;dos deve ser feito numa perspectiva interdisciplinar e interdimensional, segundo a qual a apropria&#xE7;&#xE3;o de novos conhecimentos pelos jovens deve em primeiro plano favorecer sua inser&#xE7;&#xE3;o social e profissional. O ensino no &#xE2;mbito deste Programa deve se constituir em uma interven&#xE7;&#xE3;o educacional (pedag&#xF3;gica), deliberada e planejada, para criar situa&#xE7;&#xF5;es desafiadoras, propondo problemas que estimulem e orientem a constru&#xE7;&#xE3;o e reconstru&#xE7;&#xE3;o pelos alunos de suas aprendizagens. Na rela&#xE7;&#xE3;o pedag&#xF3;gica, o educador faz a media&#xE7;&#xE3;o entre o conhecimento e o aluno. O material did&#xE1;tico do Programa foi desenvolvido especificamente para subsidiar o trabalho dos educadores e dos estudantes. Os jovens recebem uma bolsa e devem se dedicar aproximadamente 26 horas por semana desenvolvendo atividades em sala de aula, visitas, pesquisas de campo e pr&#xE1;ticas relacionadas ao campo de qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional, sob a orienta&#xE7;&#xE3;o de educadores que passam por uma forma&#xE7;&#xE3;o (tanto inicial como continuada) espec&#xED;fica para atuar no Programa. As turmas t&#xEA;m de 20 a 40 alunos, funcionam no turno noturno, s&#xE3;o agrupadas em n&#xFA;cleos que por sua vez comp&#xF5;em p&#xF3;los. A equipe docente &#xE9; composta de educadores por componentes curriculares da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica (dentre os quais professores de Matem&#xE1;tica) e educadores respons&#xE1;veis pelas dimens&#xF5;es da qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e da participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;.</p>
<p>A Lei de Diretrizes e Bases da Educa&#xE7;&#xE3;o Nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BRASIL, 1996</xref>), com base na pr&#xF3;pria Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal, garante o direito &#xE0; escolaridade b&#xE1;sica &#xE0;queles que n&#xE3;o tiveram acesso a ela na idade pr&#xF3;pria. Assim, nos n&#xED;veisda <italic>Sociedade</italic> e da <italic>Civiliza&#xE7;&#xE3;o</italic>, destacamos o Projovem Urbano no &#xE2;mbito da Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos, mais especificamente como uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica voltada para os jovens com baixa escolaridade. O Programa esteve inicialmente vinculado &#xE0; Secretaria Nacional da Juventude e posteriormente migrou para o Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o, com o objetivo de garantir sua atualiza&#xE7;&#xE3;o, seu aperfei&#xE7;oamento e sua expans&#xE3;o. A transfer&#xEA;ncia para o MEC parece sinalizar o reconhecimento do car&#xE1;ter educacional dessa pol&#xED;tica e de certo modo sua vincula&#xE7;&#xE3;o com as condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es e pontos de apoio das demais pol&#xED;ticas educacionais.</p>
<p>No n&#xED;vel da <italic>Escola</italic>, observamos que a organiza&#xE7;&#xE3;o dos conte&#xFA;dos da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica em eixos estruturantes que cruzam o tema da juventude com a cultura, a cidade, o trabalho, a comunica&#xE7;&#xE3;o, a tecnologia e a cidadania revela a busca de di&#xE1;logo com o mundo dos jovens e as inquieta&#xE7;&#xF5;es que lhe s&#xE3;o inerentes. A defini&#xE7;&#xE3;o de arcos ocupacionais e a escolha de deixar a cargo dos munic&#xED;pios a incumb&#xEA;ncia de eleger os arcos que ser&#xE3;o contemplados mostram uma preocupa&#xE7;&#xE3;o com as peculiaridades regionais e com a qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional voltada para a realidade local. Ainda nesse n&#xED;vel, destacamos que o Programa acolhe simultaneamente estudantes com o Ensino Fundamental quase completo e estudantes que mal dominam a leitura e a escrita, e pretende em um ano e meio qualific&#xE1;-los profissionalmente, garantindo ao mesmo tempo forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica equivalente aos nove anos de escolaridade do Ensino Fundamental.</p>
<p>O esquema a seguir sintetiza algumas de nossas observa&#xE7;&#xF5;es acerca dos n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica desde o n&#xED;vel do <italic>Assunto</italic> (no nosso caso a OM pontual relativa ao tipo de tarefa <italic>Calcular a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo</italic>) at&#xE9; os n&#xED;veis da <italic>Sociedade</italic> e da <italic>Civiliza&#xE7;&#xE3;o</italic>, que permitem situar o Projovem Urbano nas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas atuais da sociedade brasileira para a popula&#xE7;&#xE3;o jovem com baixa escolaridade.</p>
<fig id="f4">
<label>FIGURA 5</label>
<caption>
<title>Rela&#xE7;&#xE3;o dos N&#xED;veis de Codetermina&#xE7;&#xE3;o com os eixos estruturantes e o tipo de tarefa.</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-51-0123-gf04.jpg"/> <attrib><bold>Fonte:</bold> <xref ref-type="bibr" rid="B9">Carvalho, 2012</xref>.</attrib></fig>
<p>A an&#xE1;lise cruzada do Guia de Estudo (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2009</xref>), do PPI (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BRASIL, 2008</xref>) e das propostas curriculares para a EJA (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2001</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">2002</xref>) nos conduziu a observar que no &#xE2;mbito do Projovem Urbano o objeto em foco na nossa pesquisa - a &#xE1;rea de figuras planas &#x2013; &#xE9; um <italic>Setor</italic> que situa-se no <italic>Dom&#xED;nio</italic> das grandezas e medidas, o qual por sua vez &#xE9; integrado &#xE0; <italic>Disciplina</italic> Matem&#xE1;tica. Dentre os <italic>temas</italic> estudados, est&#xE1; a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo e mais especificamente o <italic>Assunto</italic> privilegiado &#xE9; a OM Pontual em torno do tipo de tarefa <italic>calcular a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo</italic>, por meio da t&#xE9;cnica do uso da f&#xF3;rmula padr&#xE3;o, com o componente tecnol&#xF3;gico-te&#xF3;rico pouco expl&#xED;cito, apoiado na contagem de quadradinhos. Dos n&#xED;veis da <italic>Pedagogia</italic>, da <italic>Escola</italic>, da <italic>Sociedade</italic> e da <italic>Civiliza&#xE7;&#xE3;o</italic>, percebemos que o estudo dessas organiza&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas deve se dar subordinado ao prop&#xF3;sito de buscar articuladamente a forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica em n&#xED;vel de Ensino Fundamental, a qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e a forma&#xE7;&#xE3;o para o exerc&#xED;cio pleno da cidadania, por meio da abordagem dos conte&#xFA;dos norteada pelos eixos estruturantes.</p>
<p>As an&#xE1;lises aqui apresentadas nos levam a pensar que o <italic>habitat</italic> da &#xE1;rea de figuras planas permeia os v&#xE1;rios eixos estruturantes, uma vez que apenas no eixo <italic>Juventude e Cultura</italic> n&#xE3;o encontramos nenhuma atividade relativa a esse objeto. Ele vive no <italic>Dom&#xED;nio</italic> das grandezas e medidas (com &#xEA;nfase n&#xED;tida no aspecto medida), em conex&#xE3;o com multiplica&#xE7;&#xE3;o, divis&#xE3;o, fra&#xE7;&#xF5;es, coordenadas cartesianas e geometria, mas &#xE9; estudado propriamente nas unidades formativas relativas a <italic>Juventude e Trabalho</italic>, <italic>Juventude e Tecnologia</italic> e <italic>Juventude e Cidadania</italic>.</p>
<p>Muitas das tarefas relativas &#xE0; &#xE1;rea de figuras planas t&#xEA;m conex&#xE3;o com o contexto da constru&#xE7;&#xE3;o civil, como o exemplo da <xref ref-type="fig" rid="f3">figura 3</xref>. Interpretamos como um ind&#xED;cio de que o <italic>nicho</italic> da &#xE1;rea de figuras planas &#xE9; voltado para refor&#xE7;ar a presen&#xE7;a da Matem&#xE1;tica nas pr&#xE1;ticas sociais e profissionais, que &#xE9; uma das caracter&#xED;sticas marcantes n&#xE3;o s&#xF3; da &#xE1;rea, mas do <italic>Dom&#xED;nio</italic> das grandezas e medidas como um todo:</p> <disp-quote>
<p>Os conhecimentos relativos &#xE0;s <italic>grandezas e medidas s&#xE3;o necess&#xE1;rios nas atividades t&#xE9;cnicas de todas as profiss&#xF5;es</italic>: culin&#xE1;ria; agricultura e pecu&#xE1;ria; marcenaria; costura; com&#xE9;rcio; engenharia; medicina; arquitetura; esporte, etc. E essa &#xE9; uma das raz&#xF5;es para a valoriza&#xE7;&#xE3;o de seu ensino e aprendizagem. (<xref ref-type="bibr" rid="B18">LIMA; BELLEMAIN, 2010</xref> &#x2013; grifos nossos).</p></disp-quote>
<p>Podemos fazer uma conex&#xE3;o das profiss&#xF5;es citadas acima com os arcos ocupacionais oferecidos pelo Programa Projovem Urbano, por exemplo: culin&#xE1;ria com o arco de alimenta&#xE7;&#xE3;o; agricultura e pecu&#xE1;ria com os arcos do agro extrativismo ou da pesca e piscicultura; marcenaria com o arco madeira e m&#xF3;veis; costura com o arco de vestu&#xE1;rio; engenharia com o arco constru&#xE7;&#xE3;o e reparos I e II; medicina com o arco sa&#xFA;de; esporte com o arco esporte e lazer.</p>
<p>Podemos observar que no caso da atividade 27, ilustrada na <xref ref-type="fig" rid="f3">figura 3</xref>, como em outras atividades similares propostas no Guia de Estudo, a tarefa do tipo calcular a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo remete a uma pr&#xE1;tica social, no contexto da constru&#xE7;&#xE3;o civil e pode ser conectada com o arco ocupacional de constru&#xE7;&#xE3;o e reparos. Trata-se de calcular a &#xE1;rea de c&#xF4;modos de uma resid&#xEA;ncia (quartos, cozinha, estar e banheiro), com os comprimentos dados em metros.</p>
<p>Essa contextualiza&#xE7;&#xE3;o pode refor&#xE7;ar a articula&#xE7;&#xE3;o com a dimens&#xE3;o do curr&#xED;culo da qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional. Mas por outro lado, as medidasdecimais t&#xE3;o precisas s&#xE3;o pouco convincentes, o que leva a pensar que outro <italic>nicho</italic> est&#xE1; em jogo: o c&#xE1;lculo da &#xE1;rea com a fun&#xE7;&#xE3;o de ampliar o sentido da multiplica&#xE7;&#xE3;o de n&#xFA;meros decimais.</p>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>5 Considera&#xE7;&#xF5;es Finais</title>
<p>Segundopreconiza a Teoria Antropol&#xF3;gica do Did&#xE1;tico, as escolhas sobre o que &#xE9; ensinado e como &#xE9; ensinado n&#xE3;o s&#xE3;o neutras, mas dependem da institui&#xE7;&#xE3;o na qual &#xE9; realizado e conduzido o estudo e das rela&#xE7;&#xF5;es que a institui&#xE7;&#xE3;o tem com outros &#xE2;mbitos da sociedade.</p>
<p>No caso do Programa Projovem Urbano, o desafio &#xE9; enorme. O p&#xFA;blico alvo de jovens de 18 a 29 anos que n&#xE3;o conclu&#xED;ram o Ensino Fundamental e n&#xE3;o tem v&#xED;nculo formal de trabalho &#xE9; plural pelo menos em dois sentidos. Quanto &#xE0; escolariza&#xE7;&#xE3;o, pode ter desde 1&#xB0; ano at&#xE9; o 9&#xB0; ano incompleto, o que gera uma imensa heterogeneidade quanto aos conhecimentos matem&#xE1;ticos supostamente dispon&#xED;veis. Quanto &#xE0; qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional visada, h&#xE1; 23 arcos ocupacionais que correspondem a campos de atua&#xE7;&#xE3;o bastante variados embora apenas algunssejam oferecidos, em fun&#xE7;&#xE3;o das atividades econ&#xF4;micas de cada munic&#xED;pio. &#xC9; poss&#xED;vel que os estudantes tenham alguma experi&#xEA;ncia pr&#xE9;via no campo de atua&#xE7;&#xE3;o profissional ou n&#xE3;o.</p>
<p>O Programa pretende em um per&#xED;odo relativamente curto &#x2013; um ano e meio - qualificar profissionalmente esses jovens e garantir a forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica equivalente ao Ensino Fundamental, ao mesmo tempo em que fomenta a participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;. Na busca de atingir esses objetivos, foram feitas algumas escolhas, das quais destacamos duas. A primeira foi elaborar material did&#xE1;tico pr&#xF3;prio, orientado pelos princ&#xED;pios do Programa, no qual h&#xE1; tr&#xEA;s dimens&#xF5;es coordenadas (forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica, qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional e a&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria) e seis eixos estruturantes que permeiam o estudo das disciplinas da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica. A segunda foi realizar forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada espec&#xED;fica da equipe docente.</p>
<p>A an&#xE1;lise de um pequeno recorte - o modo como &#xE9; conduzidoo estudo da &#xE1;rea de figuras planas - em conex&#xE3;o com as condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es e pontos de apoio nos v&#xE1;rios <italic>n&#xED;veis da escala de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica</italic>, permitiu identificar elementos e levantar questionamentos sobre esse desafio.</p>
<p>A an&#xE1;lise praxeol&#xF3;gica mostrou proximidades com o que se observa habitualmente no ensino regular. No que diz respeito ao componente pr&#xE1;xis, o tipo de tarefa nitidamente predominante &#xE9; <italic>calcular a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo</italic> e a t&#xE9;cnica priorizada consiste em identificar, na figura, as medidas de comprimento de cada um dos lados doret&#xE2;ngulo (o lado horizontal &#x2013; tomado comobase e o lado vertical &#x2013; tomado como altura), substituir essas medidas na f&#xF3;rmula A = b x h e calcular o produto dessas medidas. A &#xEA;nfase nesse tipo de tarefa parece ser ainda mais marcanteno Projovem Urbano do que no Ensino Fundamental regular. Os elementos de natureza tecnol&#xF3;gico-te&#xF3;rica s&#xE3;o pouco expl&#xED;citos, mas pode-se dizer que a contagem de quadradinhos &#xE9; o argumento central na justificativa da t&#xE9;cnica baseada no uso da f&#xF3;rmula.</p>
<p>O objeto &#xE1;rea de figuras planas vive em diferentes <italic>habitats</italic> na institui&#xE7;&#xE3;o Projovem Urbano, uma vez que seu estudo &#xE9; presente em quase todos os eixos estruturantes que correspondem &#xE0;s unidades formativas do Guia de Estudo. Por outro lado, no que diz respeito &#xE0; dimens&#xE3;o Forma&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, o lugar desse objeto &#xE9; o <italic>dom&#xED;nio</italic> das grandezas e medidas, o qual se situa na <italic>disciplina</italic> Matem&#xE1;tica. Nossas an&#xE1;lises tanto do Guia de Estudo como das Propostas Curriculares da EJA conduziram a situar, na escala dos n&#xED;veis de codetermina&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica, a <italic>&#xE1;rea de figuras planas</italic> como um <italic>setor</italic> (correspondente a uma OM regional). O principal <italic>tema</italic> desse <italic>setor</italic> (o qual corresponde a uma OM local) &#xE9; a <italic>&#xE1;rea de ret&#xE2;ngulos</italic> e dentro desse <italic>tema</italic>, a OM pontual focada (n&#xED;vel do <italic>assunto</italic> na escala) &#xE9; aquela relativa ao tipo de tarefa <italic>calcular a &#xE1;rea de um ret&#xE2;ngulo</italic>.</p>
<p>Observamos esfor&#xE7;os no sentido de conectar a atividade matem&#xE1;tica sobre a &#xE1;rea no Guia de Estudo com pr&#xE1;ticas relativas ao arco ocupacionais Constru&#xE7;&#xE3;o e Reparos e tamb&#xE9;m com outros objetos matem&#xE1;ticos, ou seja, h&#xE1; uma inten&#xE7;&#xE3;o clara de contemplar ao mesmo tempo a forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica e a qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional. Mas, n&#xE3;o percebemos conex&#xF5;es fortes com os demais arcos ocupacionais no estudo da &#xE1;rea nem tampouco com os eixos estruturantes. Al&#xE9;m disso, ao buscar realizar ao mesmo tempo a interliga&#xE7;&#xE3;o com as pr&#xE1;ticas profissionais e com os conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos, em atividades similares &#xE0;quelas propostas no ensino regular, o tom dos problemas &#xE0;s vezes fica um pouco artificial. Consideramos que isso &#xE9; consequ&#xEA;ncia, entre outros fatores, da dura&#xE7;&#xE3;o curta do Programa que pretende cobrir em 18 meses os elementos essenciais da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica, para um alunado profundamente heterog&#xEA;neo. Assim, condi&#xE7;&#xF5;es, restri&#xE7;&#xF5;es e impedimentos oriundos de n&#xED;veis superiores de codetermina&#xE7;&#xE3;o (da <italic>escola</italic>, da <italic>pedagogia</italic>, da <italic>sociedade</italic> e da <italic>civiliza&#xE7;&#xE3;o</italic>) pesam sobre o estudo do objeto em foco nessa pesquisa, na institui&#xE7;&#xE3;o Projovem Urbano e podem gerar entravespor exemplo para compatibilizar os <italic>nichos</italic> do objeto <italic>&#xE1;rea de figuras planas</italic>, na interface entre a presen&#xE7;a da Matem&#xE1;tica nas pr&#xE1;ticas sociais e profissionais e a amplia&#xE7;&#xE3;o do sentido da multiplica&#xE7;&#xE3;o de n&#xFA;meros decimais.</p>
<p>Muitos questionamentos se abrem diante do que foi discutido nesse texto e podem ser investigados posteriormente. Como s&#xE3;o feitas as conex&#xF5;es entre os princ&#xED;pios que regem o Programa e o estudo de outros objetos matem&#xE1;ticos? Como os conte&#xFA;dos da forma&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica est&#xE3;o sendo explorados na dimens&#xE3;o da qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional? Como essas quest&#xF5;es se configuram nas demais modalidades do Projovem (campo, trabalhador e adolescente)? Os concluintes do Projovem Urbano est&#xE3;o efetivamente concluindo sua forma&#xE7;&#xE3;o qualificada profissionalmente, dispondo dos conhecimentos matem&#xE1;ticos e de outras disciplinas de modo a garantir o exerc&#xED;cio pleno da cidadania e a inser&#xE7;&#xE3;o na vida em sociedade? Abrem-se, de nosso ponto de vista, novas pistas para entender melhor e contribuir para o aprimoramento das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas voltadas para a Educa&#xE7;&#xE3;o dos Jovens e Adultos.</p>
</sec></body>
<back>
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<fn id="fn1" fn-type="other">
<label>1</label>
<p>Les d&#xE9;veloppements r&#xE9;cents de la th&#xE9;orie anthropologique (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Chevallard, 2002</xref>, 2004, 2005) fournissent, sous la d&#xE9;nomination de niveaux de co-d&#xE9;termination didactique, une mod&#xE9;lisation englobant ces conditions et des contraintes selon lesquelles se d&#xE9;terminent conjointement les organizations math&#xE9;matiques et didactiques. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">CHAC&#xD3;N, 2008</xref>, p 73)</p></fn></fn-group>
<ref-list>
<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<publisher-loc>Curitiba</publisher-loc>
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<year>2007</year></element-citation>
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