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<journal-id journal-id-type="publisher-id">bolema</journal-id>
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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n51a09</article-id>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Envolvimento dos Alunos em Atividades de Modelagem Matem&#xE1;tica: rela&#xE7;&#xE3;o com o saber e <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic></article-title>
<trans-title-group xml:lang="en"><trans-title>Students&#x2019; Involvement in Mathematical Modelling Activities: relationship to knowledge and <italic>possibilities of action</italic></trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Ilaine</surname><given-names>da Silva Campos</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref></contrib>
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<name><surname>Jussara</surname><given-names>de Loiola Ara&#xFA;jo</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Minas Gerais</institution>
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<institution content-type="original">Doutoranda pelo Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Licenciatura em Matematica pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Mestrado em Educacao pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail:ila_scampos@yahoo.com.br</institution><email>ila_scampos@yahoo.com.br</email></aff>
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<label>**</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Minas Gerais</institution>
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<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Matematica e do Programa de Pos-Graduacao em Educacao</institution>
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<named-content content-type="city">Belo Horizonte</named-content>
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<institution content-type="original">Doutora em Educacao Matematica, Universidade Estadual Paulista (UNESP). Professora do Departamento de Matematica e do Programa de Pos-Graduacao em Educacao da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil</institution></aff></contrib-group>
<author-notes>
<corresp id="c1">Endereco para correspondencia: Departamento de Matematica &#x2013; UFMG, Av. Presidente Antonio Carlos, 6627, Pampulha, CEP: 31270-901, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. E-mail: <email>jussara@mat.ufmg.br</email></corresp></author-notes>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<month>04</month>
<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
<issue>51</issue>
<fpage>167</fpage>
<lpage>182</lpage>
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<month>04</month>
<year>2014</year></date>
<date date-type="accepted">
<month>07</month>
<year>2014</year></date>
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<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<p>Apresentamos, neste artigo, resultados de uma investiga&#xE7;&#xE3;o que buscou compreender o envolvimento de dois alunos, integrantes de um grupo, em uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica, a partir da rela&#xE7;&#xE3;o que eles estabelecem com o saber matem&#xE1;tico. Apoiadas no referencial te&#xF3;rico de Bernard Charlot, da rela&#xE7;&#xE3;o com o saber, e utilizando uma abordagem qualitativa, analisamos tr&#xEA;s epis&#xF3;dios em que o grupo est&#xE1; desenvolvendo um projeto de modelagem matem&#xE1;tica. Al&#xE9;m dos epis&#xF3;dios, entrevistas possibilitaram entender aspectos referentes ao envolvimento dos alunos. Nossa an&#xE1;lise deu origem &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o do conceito de <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic>. Como resultado, percebemos que a rela&#xE7;&#xE3;o de cada aluno com a Matem&#xE1;tica desempenha um papel decisivo em suas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> e que seu envolvimento em atividades de modelagem pode ser compreendido n&#xE3;o apenas como as a&#xE7;&#xF5;es efetivamente realizadas, mas tamb&#xE9;m como as<italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> vislumbradas por eles.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<p>In this paper, we present the results of an investigation that sought to understand the involvement of two students, members of a group, in a mathematical modelling activity, based on the relationship that they have established with mathematical knowledge. Supported by Bernard Charlot&#x27;s theoretical framework &#x2013; the relationship to knowledge &#x2013; and using a qualitative approach, we analysed three episodes in which the group is developing a modelling project. Besides the episodes, interviews promoted a deep understanding of aspects related to the students&#x2019; involvement. Our analysis gave rise to the construction of the concept of <italic>possibilities of action</italic>. As a result, we noticed that the relationship of each student to mathematical knowledge plays a decisive role in his/her <italic>possibilities of action</italic> and that students&#x2019; involvement in modelling activities can be understood not only as the actions effectively performed by them, but also as the <italic>possibilities of action</italic> that they glimpse.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<kwd>Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Modelagem Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Pr&#xE1;tica dos Alunos</kwd>
<kwd>Matematiza&#xE7;&#xE3;o</kwd>
<kwd>Abordagem Qualitativa</kwd></kwd-group>
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<kwd>Mathematics Education</kwd>
<kwd>Mathematical Modelling</kwd>
<kwd>Students&#x2019; practice</kwd>
<kwd>Mathematization</kwd>
<kwd>Qualitative Approach</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Na Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica existe uma multiplicidade de abordagens pr&#xE1;ticas, concebidas nos contextos escolares e, dentre elas, a modelagem matem&#xE1;tica. Essa tend&#xEA;ncia tem ganhado destaque nas pesquisas no campo da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, sendo abordada a partir de diversos olhares te&#xF3;ricos e objetivos referentes &#xE0;s pr&#xE1;ticas em sala de aula (<xref ref-type="bibr" rid="B11">KAISER;SRIRAMAN, 2006</xref>).</p>
<p>Neste artigo, assumimos a concep&#xE7;&#xE3;o de <xref ref-type="bibr" rid="B5">Barbosa (2007a)</xref>, segundo a qual a modelagem matem&#xE1;tica, na Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, &#xE9; um ambiente de aprendizagem<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> em que os alunos s&#xE3;o convidados a investigar, por meio da Matem&#xE1;tica, situa&#xE7;&#xF5;es com refer&#xEA;ncia na realidade. Essa concep&#xE7;&#xE3;o destaca que os alunos s&#xE3;o convidados a participarem, o que implica em adquirirem responsabilidade pelo processo de investiga&#xE7;&#xE3;o. Ou seja, os alunos est&#xE3;o no centro da a&#xE7;&#xE3;o pedag&#xF3;gica no desenvolvimento de atividades dessa natureza.</p>
<p>A participa&#xE7;&#xE3;o (ou a pr&#xE1;tica) dos alunos nesses ambientes de aprendizagem &#xE9; o foco deste artigo. Nosso objetivo &#xE9; compreender o envolvimento de dois alunos, integrantes de um grupo, em uma atividade de modelagem<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, a partir de suas rela&#xE7;&#xF5;es com o saber matem&#xE1;tico, entendidas no sentido da rela&#xE7;&#xE3;o com o saber de Bernard Charlot.</p>
<p>Para tal, come&#xE7;amos, na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, com a apresenta&#xE7;&#xE3;o de alguns trabalhos que versam sobre as pr&#xE1;ticas dos alunos em ambientes de modelagem e do referencial te&#xF3;rico de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Charlot (2000)</xref> sobre a rela&#xE7;&#xE3;o com o saber. Na se&#xE7;&#xE3;o seguinte, trazemos informa&#xE7;&#xF5;es sobre os sujeitos e o contexto deste estudo e sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o da atividade de modelagem. Na se&#xE7;&#xE3;o 4, discutimos a abordagem metodol&#xF3;gica. Em seguida, apresentamos tr&#xEA;s epis&#xF3;dios ocorridos durante o desenvolvimento da atividade, assim como uma an&#xE1;lise desses epis&#xF3;dios. Como consequ&#xEA;ncia da an&#xE1;lise, propomos a ideia de <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic>, como um constructo te&#xF3;rico para ajudar a compreender o envolvimento dos alunos em ambientes de aprendizagem de modelagem.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Pr&#xE1;ticas dos alunos em ambientes de modelagem e a rela&#xE7;&#xE3;o com o saber</title>
<p>As discuss&#xF5;es sobre modelagem na Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica t&#xEA;m, como um de seus focos de debate, as pr&#xE1;ticas dos alunos no desenvolvimento de atividades dessa natureza (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ARA&#xDA;JO; BARBOSA, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">MAA&#xDF;, 2005</xref>;<xref ref-type="bibr" rid="B13">OLIVEIRA; BARBOSA; SANTANA, 2009</xref>). Tais discuss&#xF5;es levantam questionamentos sobre a rela&#xE7;&#xE3;o entre as pr&#xE1;ticas dos alunos e as especificidades da modelagem.</p>
<p>Ara&#xFA;jo e Barbosa (2005) discutem o caso de um grupo de alunas que decidiu inventar uma situa&#xE7;&#xE3;o fict&#xED;cia na qual os dados correspondiam, exatamente, a uma fun&#xE7;&#xE3;o previamente escolhida, percorrendo um caminho inverso ao que se prop&#xF5;e normalmente para a modelagem. Os autores denominaram tal a&#xE7;&#xE3;o de estrat&#xE9;gia inversa. <xref ref-type="bibr" rid="B12">Maa&#xDF; (2005)</xref>, por sua vez, defende que as cren&#xE7;as que os estudantes t&#xEA;m em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Matem&#xE1;tica interferem na maneira como eles se comportam em atividades de modelagem e na aquisi&#xE7;&#xE3;o de compet&#xEA;ncias em modelagem. Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Maa&#xDF; (2005)</xref>, essas cren&#xE7;as podem se caracterizar como barreiras na inser&#xE7;&#xE3;o da modelagem nas pr&#xE1;ticas dos alunos. J&#xE1; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira, Barbosa e Santana (2009)</xref> discutem a resist&#xEA;ncia de um grupo de alunos em desenvolver uma atividade de modelagem. Para eles, a atividade causou um estranhamento aos alunos, visto que se caracterizou como um ambiente at&#xED;pico &#xE0;s aulas de Matem&#xE1;tica.</p>
<p>A an&#xE1;lise desses estudos (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ARA&#xDA;JO; BARBOSA, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">MAA&#xDF;, 2005</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">OLIVEIRA; BARBOSA; SANTANA, 2009</xref>) aponta entendimentos sobre o que pode acontecer quando os alunos desenvolvem atividades de modelagem. Eles nos apresentam a import&#xE2;ncia de se buscar entender como se d&#xE1; o envolvimento dos alunos em atividades de modelagem. Esses tr&#xEA;s estudos destacam, de uma forma ou outra, que o envolvimento dos alunos em atividades de modelagem &#xE9; marcado pelo que acontece em suas aulas de Matem&#xE1;tica.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B16">Skovsmose (2000)</xref> destaca que ambientes de aprendizagem em que os alunos s&#xE3;o convidados a investigar, como &#xE9; o caso da compreens&#xE3;o de modelagem aqui adotada, s&#xE3;o ainda pouco frequentes nas salas de aula de Matem&#xE1;tica. Por isso, entendemos que uma atividade de modelagem pode representar uma mudan&#xE7;a de paradigma em rela&#xE7;&#xE3;o ao que os alunos percebem como comum &#xE0;s aulas de Matem&#xE1;tica. Acreditamos, ent&#xE3;o, que considerar a rela&#xE7;&#xE3;o com o saber matem&#xE1;tico (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>) &#xE9; algo que merece nossa aten&#xE7;&#xE3;o, para compreendermos aspectos que envolvem as pr&#xE1;ticas dos alunos em atividades dessa natureza.</p>
<p>A rela&#xE7;&#xE3;o com o saber &#xE9; conceituada por Charlot (2000) a partir de uma proposi&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica: &#xE9; uma forma de rela&#xE7;&#xE3;o do sujeito com o mundo. Esse conceito foi desenvolvido a partir do objetivo de construir uma sociologia do sujeito, dando destaque &#xE0; import&#xE2;ncia de se compreender cada sujeito como um ser singular. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Charlot (2000)</xref> entende que o sujeito est&#xE1; em rela&#xE7;&#xE3;o com o meio, que &#xE9; o mundo partilhado por esse sujeito com outros sujeitos. Dessa forma, o sujeito n&#xE3;o est&#xE1; situado em um ambiente de maneira que este exer&#xE7;a uma a&#xE7;&#xE3;o sobre ele, mas sim, o sujeito est&#xE1; em rela&#xE7;&#xE3;o com um meio.</p>
<p>A rela&#xE7;&#xE3;o com o saber &#xE9; compreendida como &#x201C;a rela&#xE7;&#xE3;o de um sujeito com o mundo, com ele mesmo e com os outros. &#xC9; a rela&#xE7;&#xE3;o com o mundo como <italic>conjunto de significados</italic>, mas tamb&#xE9;m, como <italic>espa&#xE7;o de atividades</italic>, e se inscreve <italic>no tempo</italic>&#x201C; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>, p. 78; grifos do autor).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B9">Charlot (2000)</xref> explica que o conjunto de significados &#xE9; a maneira como o sujeito percebe, imagina e pensa o mundo, por meio do que deseja e do que sente. Esse conjunto de significados &#xE9; partilhado com outros sujeitos. Al&#xE9;m disso, o mundo &#xE9;, tamb&#xE9;m, horizonte de atividades. E o aprender requer tempo e jamais acaba. Esse tempo se desenvolve em tr&#xEA;s dimens&#xF5;es: presente, passado e futuro. O aprender &#xE9; entendido como &#x201C;a apropria&#xE7;&#xE3;o do mundo, a constru&#xE7;&#xE3;o de si mesmo e a inscri&#xE7;&#xE3;o em uma rede de rela&#xE7;&#xF5;es com os outros&#x201D; (p. 78). Ainda de acordo com esse autor, &#x201D;analisar a rela&#xE7;&#xE3;o com o saber &#xE9; estudar o sujeito confrontado &#xE0; obriga&#xE7;&#xE3;o de aprender, em um mundo que ele partilha com outros&#x201D; (p. 79).</p>
<p>Apoiadas em <xref ref-type="bibr" rid="B9">Charlot (2000)</xref>, buscaremos analisar e gerar compreens&#xF5;es acerca do envolvimento de dois alunos em atividades de modelagem. Esses alunos, sujeitos deste estudo, s&#xE3;o apresentados a seguir, assim como o contexto em que o estudo foi realizado.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 Sujeitos e contexto do estudo e organiza&#xE7;&#xE3;o da atividade de modelagem</title>
<p>Os estudantes, sujeitos deste estudo, eram alunos da disciplina Matem&#xE1;tica A, componente da grade curricular do primeiro per&#xED;odo do curso de Gest&#xE3;o P&#xFA;blica, em n&#xED;vel de gradua&#xE7;&#xE3;o, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tal curso &#xE9; ofertado pela Faculdade de Filosofia e Ci&#xEA;ncias Humanas (FAFICH) e tem suas atividades desenvolvidas no turno da noite, no campus da Pampulha, na Cidade de Belo Horizonte.</p>
<p>A disciplina Matem&#xE1;tica A, sob responsabilidade do Departamento de Matem&#xE1;tica, do Instituto de Ci&#xEA;ncias Exatas (ICEx), da UFMG, tem uma ementa que visa abordar os conte&#xFA;dos de fun&#xE7;&#xF5;es, derivadas e integrais, com carga hor&#xE1;ria de 60 horas, cumprida em um semestre letivo. No per&#xED;odo que corresponde a este estudo (segundo semestre de 2011), constava um total de 67 alunos matriculados em uma turma da referida disciplina que tinha, como docente respons&#xE1;vel, a segunda autora deste artigo<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>.</p>
<p>O desenvolvimento de projetos de modelagem foi proposto pela professora como uma das atividades da disciplina. Dos 100 pontos distribu&#xED;dos entre as avalia&#xE7;&#xF5;es da disciplina, 40 foram destinados para a avalia&#xE7;&#xE3;o dos projetos de modelagem. A organiza&#xE7;&#xE3;o de tais projetos, pela professora, pressup&#xF5;e a seguinte compreens&#xE3;o:</p> <disp-quote>
<p>uma abordagem, por meio da matem&#xE1;tica, de um problema n&#xE3;o-matem&#xE1;tico da realidade, ou de uma situa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o-matem&#xE1;tica da realidade, escolhida pelos alunos reunidos em grupos, de tal forma que as quest&#xF5;es da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica Cr&#xED;tica embasem o desenvolvimento do trabalho. (<xref ref-type="bibr" rid="B2">ARA&#xDA;JO, 2002</xref>, p. 39)</p></disp-quote>
<p>A partir da escolha dos temas pelos pr&#xF3;prios alunos, eles se organizaram em nove grupos, cada um composto por um n&#xFA;mero de alunos que variava entre cinco e oito. Para orientar os alunos no desenvolvimento dos projetos, a professora contou com a colabora&#xE7;&#xE3;o de sete tutores-orientadores<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>, entre eles a primeira autora deste artigo. A professora criou um espa&#xE7;o no Moodle<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> para cada grupo, nos quais os tutores-orientadores e os alunos poderiam se comunicar. Cada grupo desenvolveu uma din&#xE2;mica pr&#xF3;pria com seu tutor-orientador e a professora n&#xE3;o interferiu nessa din&#xE2;mica no decorrer do desenvolvimento dos projetos. Os projetos de modelagem foram avaliados em tr&#xEA;s momentos durante seu desenvolvimento:</p>
<list list-type="bullet">
<list-item>
<p>1&#xB0; momento: A elabora&#xE7;&#xE3;o de um plano inicial, no in&#xED;cio do semestre, com o peso de 5 pontos, no qual os alunos apresentaram uma proposta de pesquisa para o desenvolvimento da atividade de modelagem. A professora o avaliou apontando contribui&#xE7;&#xF5;es para o desenvolvimento do trabalho;</p></list-item>
<list-item>
<p>2&#xB0; momento: A apresenta&#xE7;&#xE3;o dos projetos pelos grupos para a turma, a um m&#xEA;s do final do semestre, com o peso de 15 pontos. Foi um momento em que a professora, os alunos e os tutores-orientadores puderam opinar, apontando contribui&#xE7;&#xF5;es para a melhoria dos projetos;</p></list-item>
<list-item>
<p>3&#xB0; momento: A elabora&#xE7;&#xE3;o do relat&#xF3;rio final do projeto, entregue ao final do semestre, com o peso de 20 pontos, no qual o grupo relatou os resultados, considerando as contribui&#xE7;&#xF5;es apontadas no 2&#xB0; momento.</p></list-item></list>
<p>A atua&#xE7;&#xE3;o dos tutores-orientadores estava prevista para depois do 1&#xB0; momento. A primeira autora deste artigo atuou como tutora-orientadora de dois grupos: aqueles que aceitaram participar de sua pesquisa<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B8">CAMPOS, 2013</xref>), da qual este artigo apresenta parte dos resultados.</p>
<p>Em particular, neste artigo, nossas aten&#xE7;&#xF5;es est&#xE3;o voltadas para o envolvimento de um grupo de estudantes no desenvolvimento do projeto de modelagem, especificamente no decorrer da terceira reuni&#xE3;o do grupo. Essa reuni&#xE3;o aconteceu em um dia de s&#xE1;bado, no per&#xED;odo da manh&#xE3;. Nesse dia, a lanchonete do ICEx foi o espa&#xE7;o escolhido para o grupo se encontrar e dar andamento ao desenvolvimento do projeto.</p>
<p>Esse grupo era formado por sete estudantes, todos do primeiro per&#xED;odo do curso de Gest&#xE3;o P&#xFA;blica. Na referida reuni&#xE3;o, estavam presentes cinco dos sete integrantes do grupo, denominados<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> como Carlos, Catarina, Eduardo, Emanuel e Rodrigo. Al&#xE9;m deles, a tutora-orientadora do grupo estava presente na reuni&#xE3;o.</p>
<p>O tema escolhido pelo grupo foi <italic>A PPP no sistema penitenci&#xE1;rio em Minas Gerais</italic>. A sigla PPP significa <italic>parceria p&#xFA;blico-privadas</italic>, ou seja, de maneira geral, consiste em articula&#xE7;&#xE3;o entre o setor p&#xFA;blico, empresas e organiza&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o-governamentais, na qual parte das responsabilidades quanto &#xE0; administra&#xE7;&#xE3;o ou outros servi&#xE7;os, que antes eram assumidos pelo Estado, passam a ser de responsabilidade do setor privado. Em espec&#xED;fico, ela est&#xE1; sendo implementada no sistema penitenci&#xE1;rio no Brasil pela primeira vez, por iniciativa do governo do Estado de Minas Gerais, para a constru&#xE7;&#xE3;o, e posterior administra&#xE7;&#xE3;o, de um complexo penitenci&#xE1;rio na cidade de Ribeir&#xE3;o das Neves, localizada na regi&#xE3;o metropolitana de Belo Horizonte. Essa proposta &#xE9; apresentada pelo Governo de Minas Gerais como uma possibilidade de promover a ressocializa&#xE7;&#xE3;o dos detentos. Diante dessa proposta, o grupo teve como objetivo investigar quais as vantagens da implementa&#xE7;&#xE3;o da PPP no sistema penitenci&#xE1;rio para o Estado de Minas Gerais.</p>
<p>Para o desenvolvimento do trabalho, o grupo definiu uma no&#xE7;&#xE3;o de lucro que correspondia &#xE0; diferen&#xE7;a entre o que o Estado gastaria, no seu atual sistema, para manter o mesmo servi&#xE7;o que ser&#xE1; oferecido com a implementa&#xE7;&#xE3;o da PPP, e o custo que ter&#xE1; para manter o detento nesse novo sistema, somado a isso o valor que economizar&#xE1; na constru&#xE7;&#xE3;o do complexo penitenci&#xE1;rio. Embora nessa PPP a constru&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o seja de responsabilidade do setor privado, o terreno &#xE9; cedido pelo Estado e, ao fim do contrato, o im&#xF3;vel pertencer&#xE1; a ele.</p>
<p>Para manter um detento no sistema penitenci&#xE1;rio, v&#xE1;rios aspectos est&#xE3;o envolvidos, como alimenta&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o, higiene etc. O grupo, foco de nosso estudo, escolheu abordar a educa&#xE7;&#xE3;o, pois, para eles, esse &#xE9; um aspecto determinante no processo de ressocializa&#xE7;&#xE3;o dos detentos. Sobre educa&#xE7;&#xE3;o, o grupo esclareceu que se trata, em seu projeto, das modalidades de ensino da Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica e de forma&#xE7;&#xE3;o para o trabalho.</p>
<p>Em s&#xED;ntese, o grupo buscou calcular o lucro como o valor que o Estado n&#xE3;o precisar&#xE1; dispor para a constru&#xE7;&#xE3;o do complexo penitenci&#xE1;rio e a diferen&#xE7;a do valor entre o que o Estado gastaria para que todos os detentos tivessem acesso a alguma modalidade de ensino, assim como previsto na PPP, e o valor que o Estado gasta atualmente atendendo apenas uma pequena parcela dos detentos em tal demanda.</p>
<p>Os aspectos metodol&#xF3;gicos referentes &#xE0; pesquisa e os procedimentos adotados para seu desenvolvimento trar&#xE3;o melhores esclarecimentos sobre o desenvolvimento do projeto, principalmente sobre o papel da tutora-orientadora. Esses aspectos ser&#xE3;o discutidos na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 Abordagem metodol&#xF3;gica</title>
<p>Em converg&#xEA;ncia com o nosso prop&#xF3;sito de gerar compreens&#xF5;es sobre o envolvimento dos alunos em uma atividade de modelagem, este estudo &#xE9; de natureza qualitativa (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALVES-MAZZOTI, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">BOGDAN; BIKLEN, 1994</xref>).</p>
<p>Os dados apresentados neste artigo s&#xE3;o oriundos da filmagem de uma reuni&#xE3;o dos cinco estudantes com a tutora-orientadora, assim como das entrevistas realizadas pela pesquisadora com cada aluno, individualmente.</p>
<p>Os procedimentos metodol&#xF3;gicos adotados na pesquisa foram ganhando contornos a partir da rela&#xE7;&#xE3;o entre os objetivos da pesquisa e as especificidades do contexto do estudo. Tais procedimentos tamb&#xE9;m se adaptaram &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o que a professora da disciplina prop&#xF4;s para o desenvolvimento dos projetos de modelagem.</p>
<p>A orienta&#xE7;&#xE3;o presencial da tutora-orientadora ao grupo de alunos propiciou formar o que <xref ref-type="bibr" rid="B6">Barbosa (2007b)</xref> denomina <italic>espa&#xE7;os de intera&#xE7;&#xE3;o</italic>, que s&#xE3;o os momentos de encontro entre o professor e os alunos e entre os alunos para discutirem a atividade. Na especificidade da atividade em discuss&#xE3;o, a tutora-orientadora desempenhou o papel de professora, no entendimento de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Barbosa (2007b)</xref>. Dessa maneira, foram constitu&#xED;dos <italic>espa&#xE7;os de negocia&#xE7;&#xE3;o</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BARBOSA, 2004</xref>), que s&#xE3;o momentos em que os alunos, juntamente com o professor, negociam sobre os objetivos e os procedimentos para o desenvolvimento da atividade.</p>
<p>Por essa raz&#xE3;o, podemos dizer que o procedimento metodol&#xF3;gico adotado pela pesquisadora, na reuni&#xE3;o com o grupo, foi a <italic>observa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o-estruturada e participante</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALVES-MAZZOTTI, 1998</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">VIANNA, 2003</xref>). <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alves-Mazzotti (1998)</xref> explica que, nesse tipo de observa&#xE7;&#xE3;o, &#x201C;os comportamentos a serem observados n&#xE3;o s&#xE3;o predeterminados, eles s&#xE3;o observados e relatados de forma como ocorrem, visando descrever e compreender o que est&#xE1; ocorrendo em uma dada situa&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (p. 166). Sobre observa&#xE7;&#xE3;o participante, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Vianna (2003)</xref> afirma que o observador &#xE9; parte integrante da situa&#xE7;&#xE3;o, podendo at&#xE9; contribuir para que a situa&#xE7;&#xE3;o aconte&#xE7;a.</p>
<p>Das observa&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas no decorrer da pesquisa de campo, emergiram alguns questionamentos que foram abordados nas entrevistas realizadas com os sujeitos. As entrevistas, do tipo semiestruturadas, podem ser caracterizadas a partir de &#x201C;uma formula&#xE7;&#xE3;o flex&#xED;vel, [nas quais] as sequ&#xEA;ncias e min&#xFA;cias ficam por conta do discurso dos sujeitos e da din&#xE2;mica que acontece naturalmente&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B14">ROSA; ARNOLDI, 2006</xref>, p. 31).</p>
<p>Com rela&#xE7;&#xE3;o ao tratamento dos dados, dos v&#xED;deos, obtidos a partir da filmagem da reuni&#xE3;o, foram selecionados tr&#xEA;s epis&#xF3;dios, que ser&#xE3;o apresentados na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o. Primeiramente, analisaremos os epis&#xF3;dios para entender o que aconteceu. Posteriormente, buscaremos, nas entrevistas, compreens&#xF5;es sobre o que aconteceu a partir das perspectivas dos sujeitos. Em seguida, proporcionaremos um di&#xE1;logo entre epis&#xF3;dios, entrevistas e o referencial te&#xF3;rico</p>
</sec>
<sec>
<title>5 Os epis&#xF3;dios e uma an&#xE1;lise</title>
<sec>
<title>5.1 Epis&#xF3;dio 1: O notebook saiu da cena<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref></title>
<p>A reuni&#xE3;o come&#xE7;ou com a presen&#xE7;a da tutora-orientadora, do Emanuel e do Rodrigo. O Emanuel pegou todo o material sobre o trabalho que estava com ele e colocou sobre a mesa. Era um material impresso no qual constavam reportagens dispon&#xED;veis na internet sobre o tema do projeto. Iniciou-se a discuss&#xE3;o sobre o tema, relembrando as informa&#xE7;&#xF5;es que foram obtidas a partir das duas reuni&#xF5;es anteriores<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>. Naquele momento, ele ligou seu notebook.</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(1)</label>
<p>Emanuel: <italic>A&#xED; a gente vai ter que colocar em cima disso aqui, n&#xE3;o &#xE9;?</italic> (p&#xF5;e a m&#xE3;o no material impresso que estava em cima da mesa).</p></list-item>
<list-item>
<label>(2)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>&#xC9;, depois que voc&#xEA;s, eu penso que &#xE9; assim, [&#x2026;], depois que voc&#xEA;s forem investigando a situa&#xE7;&#xE3;o, voc&#xEA; vai descrever nesse projeto. Agora a pergunta tem que estar clara, o que &#xE9; que a gente vai investigar</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(3)</label>
<p>Rodrigo: <italic>Igual &#xE0; pergunta da metodologia</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>A preocupa&#xE7;&#xE3;o do Emanuel &#xE9; com a escrita do relat&#xF3;rio que ser&#xE1; entregue &#xE0; professora. Ele procura o relat&#xF3;rio entre os documentos no notebook e, ap&#xF3;s o encontrar, afirma:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(4)</label>
<p>Emanuel: <italic>Justificativa, hip&#xF3;tese, trabalho, eu quero escrever isso aqui</italic> [ele fez a leitura dos t&#xF3;picos do relat&#xF3;rio inicial].<italic>&#xC9;, a gente j&#xE1; poderia ir colocando isso aqui professora</italic>[tutora-orientadora]<italic>, a quest&#xE3;o da introdu&#xE7;&#xE3;o, porque pra n&#xE3;o perder essas ideias a&#xED; que voc&#xEA; tem bem claras, eu n&#xE3;o tenho essa ideia bem clara assim, eu vou ter que ler v&#xE1;rias vezes</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>O Emanuel come&#xE7;ou a ler o que j&#xE1; estava escrito no relat&#xF3;rio:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(5)</label>
<p>Emanuel: <italic>Ent&#xE3;o, o presente trabalho, a introdu&#xE7;&#xE3;o seria: o presente trabalho [&#x2026;]</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(6)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Eu s&#xF3; acho que est&#xE1; faltando, o que eu acho que est&#xE1; faltando, at&#xE9; mesmo para o grupo, &#xE9; chegar &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o, investigar a situa&#xE7;&#xE3;o pra depois&#x2026;</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(7)</label>
<p>Emanuel: <italic>Come&#xE7;ar aqui</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(8)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Eu acho que &#xE9; um caminho, porque assim, voc&#xEA;s est&#xE3;o passando um tempo, muito no relat&#xF3;rio e n&#xE3;o est&#xE3;o investigando em si</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>No mesmo momento da fala (8), o Emanuel fechou o notebook, reorganizou os pap&#xE9;is na mesa e respondeu:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(9)</label>
<p>Emanuel: <italic>Isso &#xE9; verdade, pois &#xE9;, ent&#xE3;o essa investiga&#xE7;&#xE3;o tem que partir</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(10)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Vamos gente, meter a m&#xE3;o na massa</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>O Emanuel come&#xE7;ou a mexer nos pap&#xE9;is procurando informa&#xE7;&#xF5;es. Ao mesmo tempo, o Rodrigo se comunicava pelo celular com outros integrantes do grupo, que ainda n&#xE3;o tinham chegado: o Eduardo e a Fernanda<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>. O Rodrigo queria saber com quem estavam as anota&#xE7;&#xF5;es feitas sobre as reuni&#xF5;es anteriores.</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(11)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Cad&#xEA; o l&#xE1;pis e a caneta? Vamos l&#xE1;!</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(12)</label>
<p>Emanuel: <italic>Tamb&#xE9;m?</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(13)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Ah, vamos chegar a isso a&#xED; gente</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(14)</label>
<p>Rodrigo: <italic>Ah, t&#xE1; com o Eduardo, o caderno est&#xE1; vindo j&#xE1;</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>Nesse momento, o Emanuel pegou uma caneta e a tutora-orientadora ajeitou uma folha de papel &#xE0; sua frente, para as anota&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>A partir desse epis&#xF3;dio, &#xE9; poss&#xED;vel entender que tanto o Emanuel quanto o Rodrigo n&#xE3;o estavam familiarizados com o que o grupo tinha desenvolvido nas reuni&#xF5;es anteriores. O Emanuel estava preocupado com o relat&#xF3;rio e o Rodrigo em descobrir com quem estavam as anota&#xE7;&#xF5;es das reuni&#xF5;es anteriores, mas nenhum deles tinha ainda um papel definido no grupo.</p>
</sec>
<sec>
<title>5.2 Epis&#xF3;dio 2: <italic>O notebook retorna &#xE0; cena</italic></title>
<p>Ap&#xF3;s o momento descrito no epis&#xF3;dio 1, o Emanuel come&#xE7;ou a escrever as informa&#xE7;&#xF5;es consideradas importantes, que emergiam da discuss&#xE3;o. Os outros integrantes foram chegando: primeiro a Catarina, depois o Eduardo e, por &#xFA;ltimo, o Carlos. A discuss&#xE3;o prosseguiu e, a cada integrante que chegava, o grupo tratava de familiariz&#xE1;-lo com o que estava sendo discutido.</p>
<p>O Emanuel continuou assumindo a responsabilidade de registrar as informa&#xE7;&#xF5;es importantes, inclusive as informa&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas, enquanto todos discutiam. Essa situa&#xE7;&#xE3;o permaneceu at&#xE9; surgir, na discuss&#xE3;o, um coment&#xE1;rio sobre informa&#xE7;&#xF5;es que foram enviadas por <italic>e-mail</italic> pela Fernanda, que n&#xE3;o estava presente na reuni&#xE3;o, momento que ser&#xE1; descrito abaixo:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(15)</label>
<p>Catarina: <italic>A&#xED; coloca, abre um par&#xEA;ntese a&#xED;, v&#xEA; se a gente consegue investigar quanto seria o valor de uma constru&#xE7;&#xE3;o de um pres&#xED;dio</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(16)</label>
<p>Carlos: <italic>A Fernanda olhou pelo Google</italic>[na reuni&#xE3;o anterior]<italic>, 16 milh&#xF5;es, trilh&#xF5;es, 16 milh&#xF5;es para um pres&#xED;dio de 400 vagas</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(17)</label>
<p>Emanuel: <italic>&#xC9;, foi alguma coisa assim mesmo</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(18)</label>
<p>Eduardo: <italic>&#xC9; muito dinheiro</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(19)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>N&#xE3;o esquece de pegar as fontes, se n&#xE3;o&#x2026;</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(20)</label>
<p>Catarina: <italic>&#xC9;, coloca a&#xED; oh Rodrigo</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(21)</label>
<p>Rodrigo: <italic>Ela mandou por e-mail, para o meu e-mail, todo mundo recebeu</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>Quando surgiu a d&#xFA;vida sobre o <italic>e-mail</italic> da Fernanda, o Emanuel abriu o notebook novamente. Coincidentemente, naquele mesmo momento, o grupo teve que sair da lanchonete porque j&#xE1; havia encerrado o expediente<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>, dando in&#xED;cio a um momento itinerante:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(22)</label>
<p>Emanuel: <italic>Fechou mesmo Catarina?</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(23)</label>
<p>Catarina: <italic>Ent&#xE3;o, vamos gente, vamos</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(24)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Vamos para um outro lugar!</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(25)</label>
<p>Rodrigo: <italic>Aqui em baixo, u&#xE9;!</italic></p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>Todos sa&#xED;ram andando pelo ICEx &#xE0; procura de um lugar para continuar a reuni&#xE3;o. Encontrando uma sala de aula vazia e com a porta aberta, todos buscaram se organizar e retomar a atividade. O novo espa&#xE7;o deu origem a uma organiza&#xE7;&#xE3;o diferente. Nos primeiros momentos dessa reuni&#xE3;o, quando o grupo estava reunido na lanchonete do ICEx, todos os participantes da atividade estavam em volta de uma mesma mesa. A sala de aula tinha v&#xE1;rias carteiras individuais, quadro e giz, o que ajudou a mudar a organiza&#xE7;&#xE3;o dos participantes. Ao chegarem &#xE0; sala de aula, eles se localizaram espacialmente espalhados pela sala, de maneira aproximada a um semic&#xED;rculo. Dentre eles, o Emanuel procurou sentar-se em uma carteira pr&#xF3;xima a uma tomada, para carregar a bateria do notebook.</p>
<p>A reuni&#xE3;o recome&#xE7;ou e o Carlos queria verificar qual o valor da constru&#xE7;&#xE3;o de um pres&#xED;dio:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(26)</label>
<p>Carlos: <italic>Voc&#xEA; tem acesso &#xE0; internet a&#xED; Emanuel?S&#xF3; pra n&#xF3;s&#x2026; Pra ver se encaixa os valores aqui</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>O Carlos, ao fazer essa pergunta para o Emanuel, responsabilizou seu colega por buscar as informa&#xE7;&#xF5;es que s&#xF3; seriam poss&#xED;veis de serem obtidas por meio do acesso &#xE0; internet. De todos os integrantes do grupo, somente o Emanuel levava o notebook para as reuni&#xF5;es. Ent&#xE3;o, ele, mostrando satisfa&#xE7;&#xE3;o, reassume a responsabilidade de utilizar seu notebook.</p>
<p>Neste epis&#xF3;dio, vimos que o papel do Emanuel na atividade vai sendo definido e que isso estava intimamente relacionado &#xE0; presen&#xE7;a do seu notebook e ao fato de ele ser o &#xFA;nico integrante do grupo a levar tal m&#xED;dia para a reuni&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec>
<title>5.3 Epis&#xF3;dio 3: <italic>A Matem&#xE1;tica aparecendo: algu&#xE9;m assume a cena?</italic></title>
<p>A discuss&#xE3;o continuou. Em particular, o Emanuel assumiu a responsabilidade de buscar informa&#xE7;&#xF5;es, mediado pelo seu notebook. Mesmo se concentrando nessa fun&#xE7;&#xE3;o, ele participava da discuss&#xE3;o. Mas n&#xE3;o retomou o registro das anota&#xE7;&#xF5;es, como no momento anterior &#xE0; mudan&#xE7;a de espa&#xE7;o.</p>
<p>Nos primeiros momentos, ap&#xF3;s o rein&#xED;cio da reuni&#xE3;o, a discuss&#xE3;o envolveu o lucro que o Estado teria ao se comparar os dois modelos, o p&#xFA;blico e o da PPP, quanto ao valor gasto com acesso &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o dos detentos. Naqueles momentos, surgiram v&#xE1;rias interpreta&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas, mas nenhum dos alunos anotava as informa&#xE7;&#xF5;es. O Emanuel j&#xE1; estava assumindo outra responsabilidade. Em alguns momentos, a tutora-orientadora relembrava a necessidade de fazer algum tipo de anota&#xE7;&#xE3;o:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(27)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>De maneira geral como &#xE9; que a gente pode escrever isso?</italic></p></list-item>
<list-item>
<label>(28)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Vamos tentar colocar isso matematicamente a&#xED;</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>O Emanuel estava utilizando o notebook no momento da fala (28) da tutora-orientadora, e, logo ap&#xF3;s, ele ressalta a tarefa pela qual ele estava se responsabilizando naquele momento:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(29)</label>
<p>Emanuel: <italic>Estou tentando achar o[&#x2026;]</italic>[refere &#xE0;s informa&#xE7;&#xF5;es sobre o valor da constru&#xE7;&#xE3;o do pres&#xED;dio].</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>Em um momento posterior a essa fala do Emanuel, a Catarina demonstrou que estava entendendo a discuss&#xE3;o e falou, claramente para o grupo, como expressar matematicamente a situa&#xE7;&#xE3;o:</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(30)</label>
<p>Catarina: <italic>Ent&#xE3;o, a gente pode colocar o cento e oitenta multiplicado por [&#x2026;]</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(31)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Exatamente, vamos colocar isso a&#xED;</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>Esse valor de cento e oitenta, mencionado pela Catarina,&#xE9; referente ao custo que o Estado alegava ter, mensalmente, no ano de 2010, com a Educa&#xE7;&#xE3;o de cada detento que tinha acesso &#xE0;s atividades que o grupo entendia como a Educa&#xE7;&#xE3;o dos presidi&#xE1;rios no sistema penitenci&#xE1;rio p&#xFA;blico. A discuss&#xE3;o continuou como transcrita a seguir.</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(32)</label>
<p>Carlos: <italic>Se eu n&#xE3;o colocar no quadro, [&#x2026;]</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(33)</label>
<p>Rodrigo: <italic>Tem que colocar no quadro</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(34)</label>
<p>Emanuel: <italic>A Catarina que &#xE9; melhor nisso a&#xED;</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(35)</label>
<p>Carlos: <italic>Se eu n&#xE3;o colocar ali no quadro, ali, porque eu n&#xE3;o pego nada de primeira m&#xE3;o n&#xE3;o, s&#xF4;</italic>.</p></list-item>
<list-item>
<label>(36)</label>
<p>Tutora-orientadora: <italic>Mas, eu n&#xE3;o posso escrever por voc&#xEA;s. Quem tem que construir o modelo s&#xE3;o voc&#xEA;s</italic>.</p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>Depois disso, o Carlos resolveu escrever no quadro. Mas, expressou a necessidade da participa&#xE7;&#xE3;o da tutora-orientadora, o que pode ser entendido na primeira frase que ele disse ao come&#xE7;ar escrever no quadro.</p> <disp-quote>
<list list-type="simple">
<list-item>
<label>(37)</label>
<p>Carlos: <italic>Segundo nossa querida orientadora baiana &#x2026;</italic></p></list-item></list>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em v&#xED;deo do 3&#xB0; encontro, 01/10/2011)</p></disp-quote>
<p>A reuni&#xE3;o prosseguiu com o Carlos escrevendo no quadro as informa&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas que o grupo estava discutindo no processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> da situa&#xE7;&#xE3;o. A Catarina e o Eduardo passaram a orientar o Carlos sobre o que ele escrevia, os outros integrantes tamb&#xE9;m participavam. Mas, as decis&#xF5;es sobre o que o Carlos escrevia eram compartilhadas, principalmente, pela tutora-orientadora, a Catarina e o Eduardo.</p>
<p>A descri&#xE7;&#xE3;o desse epis&#xF3;dio nos traz informa&#xE7;&#xF5;es de quais dos cinco alunos, que estavam presentes, assumiram a cena, espontaneamente, quando a Matem&#xE1;tica aparecia no desenvolvimento do trabalho: a Catarina, o Carlos e o Eduardo; e quais dos alunos buscaram n&#xE3;o interferir ou interferir pouco naqueles momentos: o Rodrigo e o Emanuel.</p>
</sec>
<sec>
<title>5.4 An&#xE1;lise inicial dos epis&#xF3;dios:entendendo as<italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> a partir da rela&#xE7;&#xE3;o com o saber</title>
<p>A nossa compreens&#xE3;o, a partir desses epis&#xF3;dios, &#xE9; que aconteceram diferentes tipos de envolvimento dos alunos de acordo com diferentes fun&#xE7;&#xF5;es nas quais eles percebiam ser poss&#xED;vel atuar ao longo do desenvolvimento do projeto de modelagem. Chamou-nos a aten&#xE7;&#xE3;o, em particular, a mudan&#xE7;a das fun&#xE7;&#xF5;es assumidas por dois alunos: o Emanuel e o Carlos. Vamos nos ater ao envolvimento dos dois.</p>
<p>Emanuel assumiu a fun&#xE7;&#xE3;o de relator do projeto e, ao ser convidado pela tutora-orientadora [falas (6) e (8)] a assumir alguma fun&#xE7;&#xE3;o referente &#xE0; matematiza&#xE7;&#xE3;o da situa&#xE7;&#xE3;o tratada no projeto, n&#xE3;o se envolveu muito. Sentiuse confort&#xE1;vel e, talvez, at&#xE9; aliviado, quando foi solicitado pelo grupo, especificamente pelo Carlos, a retomar o uso do notebook [fala (26)]. Carlos, por sua vez, embora n&#xE3;o tivesse, inicialmente, alguma fun&#xE7;&#xE3;o referente &#xE0; matematiza&#xE7;&#xE3;o, se prontificou a assumir tal fun&#xE7;&#xE3;o [fala (37)], mesmo depois de o Emanuel ter designado tal fun&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Catarina [fala (34)]. Dessa an&#xE1;lise, podemos perceber que o Emanuel procurou sair da cena e o Carlos resolveu atuar quando a Matem&#xE1;tica entrava em cena, ou seja, no momento da matematiza&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Esses envolvimentos podem ser fruto, dentre outras coisas, do que os alunos consideram como sendo poss&#xED;vel para eles fazerem em tal atividade. Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, discutiremos o envolvimento desses alunos nessa atividade de modelagem a partir da no&#xE7;&#xE3;o de <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic>.</p>
<p>Inicialmente, estamos conceituando <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> como aquilo que os alunos vislumbram como poss&#xED;vel de atuar quando est&#xE3;o desenvolvendo uma atividade de modelagem. Nesse sentido, as <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> s&#xE3;o individuais, ou seja, cada aluno a percebe de maneira diferente.</p>
<p>Os diferentes envolvimentos do Emanuel e do Carlos, amparados por mudan&#xE7;as de suas respectivas fun&#xE7;&#xF5;es, levaram-nos a questionar sobre quais as raz&#xF5;es dos alunos para entrar ou sair de cena quando a Matem&#xE1;tica entrava em cena. Parece-nos, portanto, que a an&#xE1;lise de mudan&#xE7;as de fun&#xE7;&#xF5;es pode nos trazer subs&#xED;dios para a compreens&#xE3;o das <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic>.</p>
<p>Apresentamos, a seguir, alguns trechos das entrevistas que esclarecem tais raz&#xF5;es. Eles fazem parte das respostas dos alunos &#xE0; pergunta que, de maneira geral, pode ser escrita da seguinte forma: <italic>Como voc&#xEA; descreve seu envolvimento no projeto no momento da matematiza&#xE7;&#xE3;o?</italic></p> <disp-quote>
<p><italic>Eu via assim que</italic> [os c&#xE1;lculos]<italic>eram bem claros, tudo que estava sendo colocado ali era f&#xE1;cil. A participa&#xE7;&#xE3;o, acho que de todos, dando opini&#xE3;o para formular aquele c&#xE1;lculo porque estava bem compreendido, acho pela grande maioria. Ent&#xE3;o, meu envolvimento foi mesmo de estar ajudando a todos</italic>.</p>
<p>(Emanuel, Entrevista, 28/11/2011)</p>
<p>[&#x2026;] <italic>na hora que entrou a parte matem&#xE1;tica, pela minha dificuldade em Matem&#xE1;tica, eu preferia optar por um colega que tivesse mais identifica&#xE7;&#xE3;o pra poder acompanhar o racioc&#xED;nio dele e ali poder participar. Como eu vi, em determinados momentos, que eu queria ter uma atitude mais ativa, eu fui para o quadro, n&#xE9;?Fui tentar escrever l&#xE1; no quadro, l&#xE1;, fui tentar compreender melhor</italic>.</p>
<p>(Carlos, Entrevista, 21/11/2011)</p></disp-quote>
<p>No trecho acima, o Emanuel explicou que sua a&#xE7;&#xE3;o foi a de acompanhar o desenvolvimento do processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o, mas n&#xE3;o buscou atuar no processo, e sim, entender o que estava sendo feito. Na entrevista, ele descreveu sua rela&#xE7;&#xE3;o com a matem&#xE1;tica, em sua trajet&#xF3;ria, da seguinte maneira: <italic>&#xC9; decepcionante, n&#xE9;, e a gente v&#xEA; isso agora porque, eu vejo assim, eu acho que tenho culpa nisso, a fam&#xED;lia tem culpa, mas o professor tamb&#xE9;m tem muita culpa [&#x2026;]</italic>. (Emanuel, Entrevista, 28/11/2011)</p>
<p>Ao relacionarmos esses trechos da entrevista com a fala (34) do Emanuel, na qual ele afirma que a Catarina teria mais condi&#xE7;&#xF5;es de assumir a matematiza&#xE7;&#xE3;o, compreendemos que ele sente suas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> limitadas naquela fun&#xE7;&#xE3;o, devido &#xE0; sua rela&#xE7;&#xE3;o com a Matem&#xE1;tica. Ou seja, para ele, como a maioria do grupo estava compreendendo os c&#xE1;lculos, ele poderia n&#xE3;o se envolver nessa parte.</p>
<p>No caso do Carlos, nossa an&#xE1;lise, do trecho da entrevista, sugere-nos que ele, no momento da matematiza&#xE7;&#xE3;o, encontrava-se entre duas a&#xE7;&#xF5;es: a de esperar que um colega assumisse a cena, por causa de sua dificuldade com a Matem&#xE1;tica, e a de ele mesmo assumir a cena, para entender o que estava sendo feito.</p>
<p>A partir disso, podemos compreender que a rela&#xE7;&#xE3;o do Carlos com a Matem&#xE1;tica, por um lado, posicionouo fora da cena quando a Matem&#xE1;tica entrava em cena. Essa nossa compreens&#xE3;o &#xE9; alimentada, tamb&#xE9;m, por um trecho da entrevista com o Eduardo: [&#x2026;] <italic>o que o Carlos at&#xE9; me incumbiu, no in&#xED;cio, que ele at&#xE9; falou comigo, era a parte da Matem&#xE1;tica que n&#xE3;o entrava ele</italic> (Eduardo, Entrevista, 03/11/2011). Por outro lado, a pr&#xF3;pria dificuldade com a Matem&#xE1;tica colocava o Carlos em cena quando a Matem&#xE1;tica entrava em cena, porque ele se envolvia na tentativa de aprender. Na entrevista, ele esclarece seu interesse em aprender Matem&#xE1;tica:</p> <disp-quote>
<p><italic>Mas, estou na &#xE1;rea de Gest&#xE3;o P&#xFA;blica tendo em vista esse desafio da Matem&#xE1;tica. O que me motiva &#xE9; compreender, &#xE9; a minha &#xFA;ltima tentativa de ser feliz com a Matem&#xE1;tica, sabendo a fundamental import&#xE2;ncia dela para o curso, o diferencial do curso &#xE9; a Matem&#xE1;tica, quem domina ela. Eu n&#xE3;o estou muito feliz com ela n&#xE3;o, mas eu sou persistente</italic>. (Carlos, Entrevista, 21/11/2011)</p></disp-quote>
<p>Ent&#xE3;o, a partir da an&#xE1;lise que apresentamos nesta se&#xE7;&#xE3;o, entendemos que a rela&#xE7;&#xE3;o dos alunos com a Matem&#xE1;tica pode influenciar, ou mesmo ter um papel importante, na forma como os alunos vislumbram suas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> no desenvolvimento de atividades de modelagem. Essa an&#xE1;lise &#xE9; um primeiro passo para a constru&#xE7;&#xE3;o desse conceito, j&#xE1; que acreditamos que seja necess&#xE1;rio analisar que outros fatores podem fazer parte, modificar ou gerar novas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic>. Neste artigo, entretanto, nos restringiremos a discutir as <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> a partir da rela&#xE7;&#xE3;o com o saber (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>). Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; nosso prop&#xF3;sito, na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, analisar os casos do Emanuel e do Carlos.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>6 Os casos do Emanuel e do Carlos</title>
<p>Analisando os envolvimentos do Emanuel e do Carlos, compreendemos que, inicialmente, os dois percebiam que suas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> eram limitadas quando a Matem&#xE1;tica entrava em cena. Isso devido &#xE0;s suas pr&#xF3;prias percep&#xE7;&#xF5;es sobre suas rela&#xE7;&#xF5;es com a Matem&#xE1;tica, que foram constitu&#xED;das n&#xE3;o s&#xF3; na experi&#xEA;ncia que estava sendo vivenciada naquele momento, mas, tamb&#xE9;m, a partir de suas experi&#xEA;ncias anteriores. Entendemos que essa percep&#xE7;&#xE3;o inicial refere-se &#xE0; rela&#xE7;&#xE3;o de cada um com eles mesmos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>), quando confrontados com uma situa&#xE7;&#xE3;o que demandava lidar com conhecimentos matem&#xE1;ticos. Utilizando os conceitos de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Charlot (2000)</xref>, podemos dizer que a atividade de modelagem se caracterizou como conjuntos de significados diferentes para cada um deles.</p>
<p>A an&#xE1;lise do epis&#xF3;dio 1 nos levou a compreender que, nessa reuni&#xE3;o, o Emanuel iniciou sua participa&#xE7;&#xE3;o como o escritor do relat&#xF3;rio do grupo. Mas, a partir das falas (2), (6) e (8) da tutora-orientadora, ele passou a atuar como o respons&#xE1;vel pelo processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o. Cabe destacar que, naquele momento, dos componentes do grupo, somente o Emanuel e o Rodrigo estavam presentes. Al&#xE9;m disso, as falas da tutora-orientadora podem ser entendidas como a&#xE7;&#xF5;es para interromper uma determinada a&#xE7;&#xE3;o, parte do projeto, que estava sendo desenvolvida pelo Emanuel, cujo tempo para realiza&#xE7;&#xE3;o poderia ser um momento futuro, visto que dependia de resultados que ainda n&#xE3;o tinham sido obtidos.</p>
<p>O Emanuel mudou de fun&#xE7;&#xE3;o pela segunda vez quando surgiu a d&#xFA;vida sobre o <italic>e-mail</italic> enviado pela Fernanda, no epis&#xF3;dio 2. Ent&#xE3;o, ele se responsabilizou pela busca por esclarecimentos sobre o <italic>e-mail</italic> e abandonou a fun&#xE7;&#xE3;o anterior. A nova fun&#xE7;&#xE3;o do Emanuel foi legitimada pelo Carlos quando o solicitou, na fala (26), que buscasse as informa&#xE7;&#xF5;es sobre o valor da constru&#xE7;&#xE3;o de um pres&#xED;dio.</p>
<p>Nas falas (29) e (34), do Emanuel, ele buscou explicitar para o grupo que n&#xE3;o tinha interesse em atuar no processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o: na fala (29), ele explicitou que estava atuando, naquele momento, na pesquisa das informa&#xE7;&#xF5;es sobre o valor da constru&#xE7;&#xE3;o do pres&#xED;dio e, na fala (34), disse existir uma pessoa, entre eles, mais habilitada para tal fun&#xE7;&#xE3;o, que era a Catarina.</p>
<p>A mudan&#xE7;a das fun&#xE7;&#xF5;es exercidas pelo Emanuel tem a ver com a rela&#xE7;&#xE3;o dele com os outros sujeitos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>) envolvidos na atividade: autoridade exercida pela orientadora, a legitimidade que o Carlos deu &#xE0; fun&#xE7;&#xE3;o de Emanuel de buscar informa&#xE7;&#xF5;es na internet e como ele percebia as capacidades das outras pessoas se comparadas &#xE0;s dele, no caso espec&#xED;fico da Catarina, quando referia ao conhecimento matem&#xE1;tico.</p>
<p>O Carlos assumiu, no epis&#xF3;dio 3, o processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o das informa&#xE7;&#xF5;es, a partir da a&#xE7;&#xE3;o de escrev&#xEA;-las no quadro. Dessa forma, entendemos que, naquele momento, ele mudou de fun&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o as suas responsabilidades na atividade, j&#xE1; que antes ele estava, apenas, participando oralmente das discuss&#xF5;es.</p>
<p>As falas (27), (28), (31) e (36) da tutora-orientadora podem ter significado um convite para que o Carlos entrasse em cena no processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o. Esse convite foi aceito por ele a partir de sua necessidade de criar possibilidades para entender o que estava sendo discutido. Nas falas (35) e (37), ele explicitou a import&#xE2;ncia de ver as informa&#xE7;&#xF5;es escritas como determinantes para sua compreens&#xE3;o. Mas, foi somente depois dafala (36), na qual a tutora-orientadora esclareceu que n&#xE3;o assumiria a responsabilidade pelo processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o, que o Carlos assumiu a cena.</p>
<p>A rela&#xE7;&#xE3;o com os outros (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>) tamb&#xE9;m foi decisiva na mudan&#xE7;a de fun&#xE7;&#xF5;es vivida por Carlos: a postura do Emanuel, de n&#xE3;o assumir a matematiza&#xE7;&#xE3;o, a autoridade da tutora-orientadora e, de forma n&#xE3;o expl&#xED;cita, o incentivo dos demais colegas (por exemplo, Catarina, na fala (30), d&#xE1; uma pista sobre como dar prosseguimento &#xE0; matematiza&#xE7;&#xE3;o) funcionaram como impulsionadores dessa mudan&#xE7;a.</p>
<p>A partir dessa an&#xE1;lise, consideramos que, para o Emanuel, a referida atividade de modelagem se caracterizou como um conjunto de significados(<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>)que n&#xE3;o o favoreceu a participar confortavelmente da atividade quando a Matem&#xE1;tica entrava em cena. No caso do Carlos, possibilitou que ele passasse a atuar no processo de matematiza&#xE7;&#xE3;o da situa&#xE7;&#xE3;o em estudo.</p>
</sec>
<sec>
<title>7 Envolvimento dos alunos em atividades de modelagem, <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> e rela&#xE7;&#xE3;o com o saber: considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>Nosso objetivo, neste artigo, foi compreender o envolvimento de dois alunos, integrantes de um grupo, em uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica, a partir de suas rela&#xE7;&#xF5;es com o saber matem&#xE1;tico. Para tal, criamos o conceito de <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> vislumbradas pelos alunos em atividades de modelagem e o discutimos, inicialmente, tendo por refer&#xEA;ncia a rela&#xE7;&#xE3;o com o saber (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CHARLOT, 2000</xref>).</p>
<p>A natureza de atividades de modelagem possibilita que os alunos atuem em diferentes fun&#xE7;&#xF5;es. Por um lado, isso parece representar uma divis&#xE3;o de tarefas, o que nem sempre &#xE9; desej&#xE1;vel em atividades desse tipo. Por outro, pode oferecer aos alunos um maior n&#xFA;mero de <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> e, consequentemente, pode nos fornecer informa&#xE7;&#xF5;es mais ricas sobre o envolvimento dos alunos em atividades que demandam conhecimentos matem&#xE1;ticos.</p>
<p>Diante disso, consideramos pertinente questionar o que significa dizer que os alunos se envolveram ou n&#xE3;o em uma atividade de modelagem. A partir da an&#xE1;lise que fizemos, o envolvimento dos alunos poderia ser compreendido n&#xE3;o apenas como as a&#xE7;&#xF5;es efetivamente assumidas pelos alunos, mas tamb&#xE9;m pelas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> vislumbradas por eles. As mudan&#xE7;as de fun&#xE7;&#xF5;es assumidas pelos alunos possibilitaram que tais n&#xED;veis de a&#xE7;&#xF5;es fossem percebidos.</p>
<p>Essas mudan&#xE7;as, por sua vez, sugerem que o envolvimento, em atividades de modelagem, pode modificar a rela&#xE7;&#xE3;o que cada aluno estabelece com o saber matem&#xE1;tico. N&#xE3;o estamos afirmando que ser&#xE3;o sempre mudan&#xE7;as positivas. Portanto, entendemos que compreender as <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> dos alunos &#xE9; algo que pode contribuir para os professores interferirem positivamente no desenvolvimento de atividades dessa natureza. Al&#xE9;m disso, embora n&#xE3;o tenha sido o prop&#xF3;sito neste artigo, pudemos perceber que alguns fatores s&#xE3;o geradores de mudan&#xE7;as nas a&#xE7;&#xF5;es dos alunos, e que podem interferir, e at&#xE9; mesmo modificar, as <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> dos alunos em atividades de modelagem. Neste caso em estudo, percebemos que a presen&#xE7;a de diferentes m&#xED;dias e a interfer&#xEA;ncia da tutora-orientadora tiveram pap&#xE9;is importantes para tais mudan&#xE7;as.</p>
<p>O referencial da rela&#xE7;&#xE3;o com o saber de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Charlot (2000</xref>) nos possibilitou perceber que o envolvimento dos alunos em atividades de modelagem sofre influ&#xEA;ncia de fatores que n&#xE3;o necessariamente se relacionam &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es propostas para a realiza&#xE7;&#xE3;o e condu&#xE7;&#xE3;o desse ambiente de aprendizagem (<xref ref-type="bibr" rid="B16">SKOVSMOSE, 2000</xref>), ao que efetivamente acontece nos ambientes de modelagem. Ou seja, faz-se necess&#xE1;rio buscar compreender fatores que extrapolam as condi&#xE7;&#xF5;es moment&#xE2;neas, demanda-se compreender que outros fatores desencadeiam as a&#xE7;&#xF5;es dos sujeitos nesses ambientes de aprendizagem, tais como, aspectos de sua hist&#xF3;ria de vida e os seus desejos futuros.</p>
<p>Como n&#xE3;o &#xE9; nosso prop&#xF3;sito esgotar essa discuss&#xE3;o neste artigo, agendamos, para um pr&#xF3;ximo momento, a discuss&#xE3;o sobre fatores geradores de mudan&#xE7;as nas <italic>possibilidades de a&#xE7;&#xE3;o</italic> dos alunos em atividades de modelagem e quais s&#xE3;o as poss&#xED;veis implica&#xE7;&#xF5;es favorecidas por essas mudan&#xE7;as.</p>
</sec></body>
<back>
<ack>
<title>Agradecimentos</title>
<p>Embora n&#xE3;o sejam respons&#xE1;veis pelas ideias aqui apresentadas, gostar&#xED;amos de agradecer aos alunos e professoras da linha Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o, da UFMG, por coment&#xE1;rios feitos a uma vers&#xE3;o preliminar deste artigo. Em particular, agradecemos a leitura cuidadosa, cr&#xED;ticas e sugest&#xF5;es feitas por Viviane Ribeiro de Souza Cabral, &#xE0; &#xE9;poca, aluna de doutorado da referida linha. Agradecemos, tamb&#xE9;m, o apoio financeiro concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#xED;fico e Tecnol&#xF3;gico (CNPq) &#xE0; primeira autora, para a realiza&#xE7;&#xE3;o de sua pesquisa de mestrado.</p>
</ack>
<fn-group>
<fn id="fn1" fn-type="other">
<label>1</label>
<p>Ambiente de aprendizagem (<xref ref-type="bibr" rid="B16">SKOVSMOSE, 2000</xref>) inclui desde elementos log&#xED;sticos, relacionados &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o do tempo e do espa&#xE7;o escolar, os materiais utilizados, at&#xE9; a concep&#xE7;&#xE3;o filos&#xF3;fica que fundamenta a atividade.</p></fn>
<fn id="fn2" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Quando utilizarmos apenas a palavra modelagem, estamos nos referindo &#xE0; modelagem matem&#xE1;tica na Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica.</p></fn>
<fn id="fn3" fn-type="other">
<label>3</label>
<p>Tendo em vista o objetivo desta se&#xE7;&#xE3;o, algumas vezes a segunda autora deste artigo ser&#xE1; tratada como a professora e a primeira autora como pesquisadora ou tutora-orientadora. Sobre esta &#xFA;ltima denomina&#xE7;&#xE3;o, ser&#xE3;o apresentadas informa&#xE7;&#xF5;es a seguir. Os mesmos tratamentos est&#xE3;o presentes nas pr&#xF3;ximas se&#xE7;&#xF5;es.</p></fn>
<fn id="fn4" fn-type="other">
<label>4</label>
<p>Orientandos da professora, no &#xE2;mbito da inicia&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica, mestrado ou doutorado.</p></fn>
<fn id="fn5" fn-type="other">
<label>5</label>
<p>Ambiente virtual de aprendizagem que &#xE9; adotado na UFMG como o espa&#xE7;o virtual das disciplinas.</p></fn>
<fn id="fn6" fn-type="other">
<label>6</label>
<p>Pesquisa de mestrado desenvolvida sob a orienta&#xE7;&#xE3;o da segunda autora deste artigo, no &#xE2;mbito do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o, da UFMG.</p></fn>
<fn id="fn7" fn-type="other">
<label>7</label>
<p>Utilizaremos nomes fict&#xED;cios, escolhidos pelos pr&#xF3;prios alunos, buscando preservar suas identidades.</p></fn>
<fn id="fn8" fn-type="other">
<label>8</label>
<p>A partir daqui, a palavra cena aparecer&#xE1; em diversos momentos no texto. Esclarecemos, ent&#xE3;o, que sentidos s&#xE3;o atribu&#xED;dos a ela, neste artigo. Quando falamos que &#x201C;o notebook est&#xE1; em cena&#x201D;, nos referimos &#xE0; m&#xED;dia utilizada para o desenvolvimento de alguma tarefa do projeto de modelagem, em determinado momento, e essa tarefa depende da utiliza&#xE7;&#xE3;o de tal m&#xED;dia. Posteriormente, falaremos em &#x201C;sujeitos em cena&#x201D; e &#x201C;a Matem&#xE1;tica em cena&#x201D;. &#x201C;Sujeitos em cena&#x201D; refere-se ao sujeito assumindo para si a responsabilidade do desenvolvimento de alguma tarefa do projeto de modelagem, em determinado momento. &#x201C;A Matem&#xE1;tica em cena&#x201D; significa que a principal tarefa em desenvolvimento pelo grupo, no referido momento, &#xE9; a matematiza&#xE7;&#xE3;o.</p></fn>
<fn id="fn9" fn-type="other">
<label>9</label>
<p>O Rodrigo participou das duas reuni&#xF5;es anteriores e o Emanuel participou somente da primeira.</p></fn>
<fn id="fn10" fn-type="other">
<label>10</label>
<p>Fernanda era uma das integrantes do grupo, mas ela n&#xE3;o participou da reuni&#xE3;o &#xE0; qual este artigo se refere. Entretanto, como membro do grupo, ela tinha participado das duas reuni&#xF5;es anteriores e detinha informa&#xE7;&#xF5;es sobre o desenvolvimento do projeto.</p></fn>
<fn id="fn11" fn-type="other">
<label>11</label>
<p>Aos s&#xE1;bados, a lanchonete do ICEx encerra o expediente &#xE0;s 11 horas.</p></fn>
<fn id="fn12" fn-type="other">
<label>12</label>
<p>Apoiadas em <xref ref-type="bibr" rid="B10">Freitas (2013)</xref>, entendemos por matematiza&#xE7;&#xE3;o o processo que inclui a organiza&#xE7;&#xE3;o dos dados visando &#xE0; utiliza&#xE7;&#xE3;o de ferramentas matem&#xE1;ticas para explor&#xE1;-los, utilizando a simbologia apropriada &#xE0; quest&#xE3;o investigada.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<element-citation publication-type="book">
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<chapter-title xml:lang="pt">O m&#xE9;todo nas ci&#xEA;ncias sociais</chapter-title>
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<name><surname>ALVES-MAZZOTTI</surname><given-names>A.</given-names></name>
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<fpage>147</fpage>
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<comment>Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica) &#x2013; Instituto de Geoci&#xEA;ncias e Ci&#xEA;ncias Exatas</comment>
<publisher-name>Universidade Estadual Paulista</publisher-name>
<publisher-loc>Rio Claro</publisher-loc>
<comment>2002</comment></element-citation>
<mixed-citation>ARA&#xDA;JO, J. de L. <bold>C&#xE1;lculo, Tecnologias e Modelagem Matem&#xE1;tica</bold><italic>:</italic> as discuss&#xF5;es dos alunos. 2002. 173f. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica) &#x2013; Instituto de Geoci&#xEA;ncias e Ci&#xEA;ncias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2002.</mixed-citation></ref>
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