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<journal-id journal-id-type="publisher-id">bolema</journal-id>
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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n51a14</article-id>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Um Estudo da Cria&#xE7;&#xE3;o e Desenvolvimento de Licenciaturas em Matem&#xE1;tica na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul</article-title>
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<trans-title>A Study of the Creation and Development of Undergraduate Mathematics at the Federal University of Mato Grosso do Sul</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Bittar</surname><given-names>Marilena</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name><surname>Nogueira</surname><given-names>Renato Gomes</given-names></name><xref ref-type="fn" rid="fn27">**</xref></contrib>
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<label>*</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS)</institution>
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<named-content content-type="city">Campo Grande</named-content>
<named-content content-type="state">Mato Grosso do Sul</named-content></addr-line>
<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Doutora em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Joseph Fourier, Campo Grande, Fran&#xE7;a. Professora do Instituto de Matem&#xE1;tica e Coordenadora do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. L&#xED;der do DDMat &#x2013; Grupo de Estudos em Did&#xE1;tica da Matem&#xE1;tica e Bolsista Produtividade em Pesquisa do CNPq.</institution></aff>
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<author-notes>
<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua Brasil, 86, apartamento 1203, Campo Grande/MS, Brasil, CEP: 79002480,. E-mail: <email>marilenabittar@gmail.com</email>.</corresp>
<fn fn-type="deceased" id="fn27"><label>**</label><p>Renato Gomes Nogueira faleceu em 2008 quando era professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil</p></fn>
</author-notes>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<month>04</month>
<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
<issue>51</issue>
<fpage>263</fpage>
<lpage>283</lpage>
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<date date-type="received">
<month>04</month>
<year>2014</year></date>
<date date-type="accepted">
<month>09</month>
<year>2014</year></date>
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<license license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/3.0/" xml:lang="pt">
<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<p>Este texto apresenta um estudo da hist&#xF3;ria da Licenciatura em Matem&#xE1;tica, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Primeiramente, discutimos a cria&#xE7;&#xE3;o e posterior federaliza&#xE7;&#xE3;o da Universidade e o percurso das Licenciaturas em Matem&#xE1;tica nos seus diversos campus. Em seguida, analisamos especificamente a Licenciatura em Matem&#xE1;tica do Instituto de Matem&#xE1;tica, campus de Campo Grande, tendo como fonte as principais mudan&#xE7;as curriculares ocorridas em 30 anos e um levantamento da quantidade de seus egressos nesse per&#xED;odo, bem como de sua atua&#xE7;&#xE3;o profissional. Para isso, foram consideradas fontes documentais diversas e respostas de egressos a question&#xE1;rios. Os resultados mostram que &#xE9; preciso repensar a forma&#xE7;&#xE3;o inicial tendo em vista a necessidade de professores para atuarem na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<p>This paper presents a study of the history of the Mathematics major of the Federal University of Mato Grosso do Sul (UFMS). First, we discuss the creation and further federalization of the University and the training course of Mathematics teachers in its various <italic>campuses</italic>. Secondly, we discuss specifically the Mathematics major of the Institute of Mathematics, located in Campo Grande, having as the main source curricular changes during 30 years time and a survey of the amount of its students in this period, as well as their professional performance. For this, we considered various documentary sources and responses to questionnaires completed by former students. The results show that it is necessary to rethink the initial training in view of the need for teachers to work in basic education.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<kwd>Egressos</kwd>
<kwd>Licenciatura</kwd>
<kwd>Mudan&#xE7;as Curriculares</kwd>
<kwd>Hist&#xF3;ria da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</kwd></kwd-group>
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<kwd>Former students</kwd>
<kwd>Degree</kwd>
<kwd>Curricular changes</kwd>
<kwd>History of Mathematics Education</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Este artigo tem duplo car&#xE1;ter hist&#xF3;rico: por um lado discute a hist&#xF3;ria das Licenciaturas em Matem&#xE1;tica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e, por outro, &#xE9; produzido com base na inser&#xE7;&#xE3;o dos dois autores do texto, ambos egressos de uma dessas Licenciaturas e que se tornaram professores da UFMS com forte atua&#xE7;&#xE3;o na forma&#xE7;&#xE3;o de professores de Matem&#xE1;tica. Outro aspecto que marca a trajet&#xF3;ria acad&#xEA;mico-profissional dos dois autores &#xE9; que Renato Gomes Nogueira foi meu<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> orientando de Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o da UFMS e faleceu em um tr&#xE1;gico acidente de carro, poucos dias antes da defesa de sua tese. Ele faz parte da hist&#xF3;ria da Licenciatura em Matem&#xE1;tica na UFMS, especialmente por suas posi&#xE7;&#xF5;es cr&#xED;ticas e preocupa&#xE7;&#xF5;es com a educa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira, e isso desde a &#xE9;poca em que era graduando, ocasi&#xE3;o em que participou ativamente do movimento estudantil, at&#xE9; seu falecimento precoce, em 2008. A sua postura pol&#xED;tica e a compreens&#xE3;o que tinha da educa&#xE7;&#xE3;o explicam o fato de que a sua tese de Doutorado tenha sido constru&#xED;da com base na seguinte quest&#xE3;o: <italic>Quais s&#xE3;o os saberes matem&#xE1;ticos e como os expressam professores e estagi&#xE1;rios no contexto de um trabalho colaborativo de ensino de Matem&#xE1;tica no Est&#xE1;gio Supervisionado, num grupo de pesquisa-a&#xE7;&#xE3;o?</italic> Tal formula&#xE7;&#xE3;o expressa claramente sua preocupa&#xE7;&#xE3;o com a forma&#xE7;&#xE3;o inicial e a a&#xE7;&#xE3;o de ser professor, al&#xE9;m de outro aspecto que permeou sua vida: o trabalho coletivo como meio de transforma&#xE7;&#xE3;o do mundo e o fato de que esse trabalho s&#xF3; &#xE9; efetivo se &#xE9; importante e significativo para todos os envolvidos. Parte do texto aqui apresentado foi produzida como estudo para sua tese e outra como fruto da pesquisa intitulada: <italic>Um estudo sobre um Curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica e seus Egressos</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. A decis&#xE3;o de refletir e unir essas duas quest&#xF5;es foi motivada pela convic&#xE7;&#xE3;o da contribui&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica que tal esfor&#xE7;o pode representar e pelo desejo de fazer um tributo a um educador matem&#xE1;tico. Dessa forma, presto uma justa homenagem ao amigo, orientando e pesquisador Renato Gomes Nogueira.</p>
<p>Como formadores de professores de Matem&#xE1;tica por mais de duas d&#xE9;cadas, atuando em disciplinas de conte&#xFA;do matem&#xE1;tico, como C&#xE1;lculo, e tamb&#xE9;m naquelas ditas pedag&#xF3;gicas, como Pr&#xE1;tica de Ensino, o contraste e confronto entre a realidade da Escola B&#xE1;sica, dos licenciandos e de suas Licenciaturas levou-nos, Renato e eu, a tentar compreender tais fen&#xF4;menos e, ao mesmo tempo, a buscar propostas que pudessem aproximar esses dois segmentos da educa&#xE7;&#xE3;o: a Escola B&#xE1;sica e o Ensino Superior, mais especificamente, as Licenciaturas. Foi nesse contexto que nasceram os estudos relatados neste texto e no qual s&#xE3;o trazidos alguns dados que buscam compreender a Licenciatura em Matem&#xE1;tica da UFMS, campus de Campo Grande.</p>
<p>Esta pesquisa tem car&#xE1;ter historiogr&#xE1;fico no que diz respeito &#xE0; reconstitui&#xE7;&#xE3;o de um dos aspectos do curso de Matem&#xE1;tica da UFMS: sua cria&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento. Assim sendo, a metodologia adotada levou em conta procedimentos pr&#xF3;prios desse campo de conhecimento, seja quanto &#xE0;s fontes empregadas seja quanto &#xE0; necessidade de equil&#xED;brio entre dados e teoria, j&#xE1; que o dado deve ser interpretado pelo pesquisador. A esse respeito, <xref ref-type="bibr" rid="B10">Ragazzini (2001)</xref>, alertando para o risco mais frequente que, historicamente, envolveu a abordagem das fontes pelo pesquisador, a excessiva objetividade, chama a aten&#xE7;&#xE3;o para o atual risco inverso, isto &#xE9;, o peso demasiado sobre o papel subjetivo do int&#xE9;rprete. Postulando uma posi&#xE7;&#xE3;o equilibrada entre objetividade e subjetividade, ele afirma que, por um lado, as fontes n&#xE3;o falam por si, s&#xE3;o vest&#xED;gios, testemunhos que respondem &#xE0;s perguntas que lhes s&#xE3;o apresentadas e, por outro lado, &#xE9; somente por meio das fontes que temos acesso ao passado. De acordo com esse autor, devemos evitar dois inconvenientes: 1) n&#xE3;o praticar uma historiografia escrava do documento; 2) n&#xE3;o praticar uma historiografia sem o rigor com as fontes. Esse cuidado te&#xF3;rico foi importante neste estudo uma vez que, embora os seus autores tenham sido parte da pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria do Curso, aqui n&#xE3;o foram tratadas hist&#xF3;rias de vida, mas sim a contribui&#xE7;&#xE3;o do conhecimento e da experi&#xEA;ncia de ambos para a sua interpreta&#xE7;&#xE3;o, ou, em outras palavras, para a escrita dessa hist&#xF3;ria.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul: reestrutura&#xE7;&#xE3;o das Licenciaturas</title>
<p>No antigo estado<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> de Mato Grosso existia, desde o in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1970, a Universidade Federal de Mato Grosso, com sede na capital Cuiab&#xE1;. Em decorr&#xEA;ncia da secular quest&#xE3;o separatista no sul e das raz&#xF5;es geopol&#xED;ticas da ditadura militar (1964-1985), o estado foi dividido<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> em outubro de 1977 sem qualquer consulta &#xE0;s duas popula&#xE7;&#xF5;es interessadas. Desse ato arbitr&#xE1;rio foi criada uma nova unidade federativa denominada Mato Grosso do Sul, tendo por capital a cidade de Campo Grande. At&#xE9; ent&#xE3;o, essa regi&#xE3;o contava com a Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT)<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, a qual, em 1979, foi federalizada passando a denominar-se Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).</p>
<p>A reestrutura&#xE7;&#xE3;o administrativa da Institui&#xE7;&#xE3;o, necessidade decorrente da federaliza&#xE7;&#xE3;o, coincidiu, de certo modo, com a amplia&#xE7;&#xE3;o da luta social por democracia e justi&#xE7;a social na d&#xE9;cada de 1980. A federaliza&#xE7;&#xE3;o da UFMS imp&#xF4;s importantes modifica&#xE7;&#xF5;es na conduta administrativa at&#xE9; ent&#xE3;o vigente. De um lado, houve a necessidade de adequa&#xE7;&#xE3;o na forma de contrata&#xE7;&#xE3;o de pessoal com o estabelecimento de planos de carreira e, por outro lado, a Institui&#xE7;&#xE3;o passou a compor o sistema de universidades federais do pa&#xED;s, o que possibilitou aumentar e melhorar consideravelmente suas receitas or&#xE7;ament&#xE1;rias e ampliar significativamente a quantidade de vagas ofertadas na Educa&#xE7;&#xE3;o Superior do estado. Novos cursos foram criados e, na sede da Universidade, em Campo Grande, alguns cursos de Licenciatura, entre eles o de Matem&#xE1;tica, foram implantados.</p>
<p>Estudo elaborado por comiss&#xE3;o do Conselho Universit&#xE1;rio identificou, ainda no processo de federaliza&#xE7;&#xE3;o, preocupa&#xE7;&#xE3;o com a produ&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica e com a titula&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica. Segundo esse estudo, um aspecto:</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] importante da federaliza&#xE7;&#xE3;o da UEMT foi a mudan&#xE7;a do referencial de produ&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica. A UEMT tinha apenas a si pr&#xF3;pria como modelo, como par&#xE2;metro de funcionamento e crit&#xE9;rio de produtividade, pois dada as suas caracter&#xED;sticas n&#xE3;o tinha cong&#xEA;nere. A transforma&#xE7;&#xE3;o em Institui&#xE7;&#xE3;o subordinada ao Governo Federal lan&#xE7;ou a antiga UEMT num quadro de concorr&#xEA;ncia com outras universidades. Deste modo, um novo referencial de produ&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica se imp&#xF4;s, tais como: a quest&#xE3;o da titula&#xE7;&#xE3;o do corpo docente, a produ&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica (artigos, livros, etc.) e a necessidade da avalia&#xE7;&#xE3;o institucional. (UFMS, 1998, p.10)</p></disp-quote>
<p>A divis&#xE3;o de Mato Grosso e a cria&#xE7;&#xE3;o de Mato Grosso do Sul acirraram a disputa entre as classes dirigentes sulistas pela condu&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e burocr&#xE1;tica do Estado<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>. Este fato teve como consequ&#xEA;ncia, internamente &#xE0; Institui&#xE7;&#xE3;o, novas repercuss&#xF5;es na forma de composi&#xE7;&#xE3;o do poder. Na antiga UEMT, o controle administrativo da institui&#xE7;&#xE3;o era constru&#xED;do internamente por acordos entre os grupos dominantes em cada campus e referendados pelo governador. Deste modo &#xE9; que foi poss&#xED;vel estabelecer seu alinhamento &#xE0; pol&#xED;tica educacional da ditadura militar. Ap&#xF3;s a federaliza&#xE7;&#xE3;o, a forma de escolha dos dirigentes continuou sofrendo inger&#xEA;ncias externas. Entretanto, decorrente do processo de abertura pol&#xED;tica na d&#xE9;cada de 1980, por press&#xE3;o da comunidade universit&#xE1;ria, esse processo passou a ser feito por consulta a essa comunidade. Assim, no ano de 1985 houve a primeira consulta interna para a elei&#xE7;&#xE3;o de reitor e foi nesse cen&#xE1;rio pol&#xED;tico que nasceu e se desenvolveu a Licenciatura em Matem&#xE1;tica na UFMS.</p>
<p>A reestrutura&#xE7;&#xE3;o dos Cursos de Licenciatura, na UFMS, ocorreu em um contexto marcado, de um lado, pela aus&#xEA;ncia de uma pol&#xED;tica institucional para os mesmos, e, de outro, influenciada pelo movimento nacional contestador &#xE0;s Licenciaturas Curtas. A Licenciatura na Institui&#xE7;&#xE3;o, n&#xE3;o diferentemente do que acontecia na maior parte das Institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior (IES), parece ter sido entendida como curso de menor prest&#xED;gio, com menos investimento por parte da mesma, geralmente oferecida em turno noturnos, frequentada por aqueles que trabalhavam de dia e estudavam a noite<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>. Apesar disso, os Cursos de Licenciatura passaram a incorporar muitas orienta&#xE7;&#xF5;es das entidades cient&#xED;ficas e congressos de educadores para se reestruturarem. Como consequ&#xEA;ncia, uma primeira medida foi a extin&#xE7;&#xE3;o, na d&#xE9;cada de 1980, em quase todos os c&#xE2;mpus da UFMS, das Licenciaturas Curtas. Assim, passamos do modelo das Licenciaturas Curtas e das Parceladas, para o modelo da Licenciatura Plena.</p>
<p>A seguir analisamos a mudan&#xE7;a no direcionamento dado &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o da Licenciatura, na d&#xE9;cada de 1980, como decorr&#xEA;ncia do processo de <italic>nascimento</italic> da UFMS. Para tanto procedemos &#xE0; avalia&#xE7;&#xE3;o de sua reestrutura&#xE7;&#xE3;o no contexto do debate nacional dessa &#xE9;poca e &#xE0; an&#xE1;lise dos rumos da Licenciatura na Institui&#xE7;&#xE3;o nos anos de 1990. Em seguida, discutimos a transforma&#xE7;&#xE3;o ocorrida nos cursos de Licenciaturas em Matem&#xE1;tica, e finalizamos com uma an&#xE1;lise da Licenciatura oferecida na capital, Campo Grande.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 Recusa &#xE0; Licenciatura Curta: busca de novos caminhos</title>
<p>A implanta&#xE7;&#xE3;o da chamada Licenciatura Curta no Brasil ocorreu com a Lei n&#xBA; 5692/1971 e foi cercada de muita controv&#xE9;rsia. Pode-se mesmo afirmar que esse modelo de forma&#xE7;&#xE3;o do professor sempre contou com a oposi&#xE7;&#xE3;o dos professores militantes nas diversas entidades cient&#xED;ficas, bem como daqueles que trabalhavam em boa parte das institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior, especialmente as IES p&#xFA;blicas. Do ponto de vista da legisla&#xE7;&#xE3;o, preconizava-se com estas Licenciaturas: propiciar a forma&#xE7;&#xE3;o de maior contingente de professores em curto espa&#xE7;o de tempo, sobretudo para as regi&#xF5;es mais carentes do pa&#xED;s; a institui&#xE7;&#xE3;o do ensino de ci&#xEA;ncias por projetos; o desenvolvimento, nos futuros professores, de atitudes cient&#xED;ficas, mais do que o conhecimento aprofundado de conceitos de &#xE1;reas espec&#xED;ficas da ci&#xEA;ncia. Estes eram os objetivos expl&#xED;citos dos idealizadores dessa modalidade de habilita&#xE7;&#xE3;o de professores. Por&#xE9;m, a inten&#xE7;&#xE3;o era a de formar um grande contingente de professores para substituir o chamado professor leigo, abundantemente atuando nas escolas p&#xFA;blicas. &#x201C;A perspectiva era a do m&#xED;nimo por menos, isto &#xE9;, o m&#xED;nimo de qualifica&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria ao exerc&#xED;cio da atividade docente pelo menor custo e tempo poss&#xED;veis. Nesta perspectiva mais valeria uma forma&#xE7;&#xE3;o aligeirada do que forma&#xE7;&#xE3;o alguma.&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B8">NASCIMENTO, 2012</xref>, p.341)</p>
<p>A partir do ano de 1981 v&#xE1;rios grupos de estudo foram formados tanto pelo Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o (MEC), as chamadas Comiss&#xF5;es de Especialistas, como pelas entidades cient&#xED;ficas<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. Inicialmente, vale destacar os pontos de discord&#xE2;ncia com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pol&#xED;tica de forma&#xE7;&#xE3;o de professores de Ci&#xEA;ncias, apresentados em documento no ano de 1981 pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&#xEA;ncia (SBPC, 1981). Segundo o documento, o car&#xE1;ter abrangente do curr&#xED;culo, em contraposi&#xE7;&#xE3;o ao curto espa&#xE7;o de tempo para seu desenvolvimento, inviabilizava a forma&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica e pedag&#xF3;gica de professores para atuarem no Ensino de 1&#xBA; e 2&#xBA; graus, pois havia um descompasso entre a abrang&#xEA;ncia do curr&#xED;culo e o tempo dispon&#xED;vel para sua execu&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Outra quest&#xE3;o, n&#xE3;o menos importante, referia-se &#xE0; concep&#xE7;&#xE3;o de integra&#xE7;&#xE3;o da ci&#xEA;ncia e o seu ensino por meio do m&#xE9;todo de projetos.</p> <disp-quote>
<p>Esses dois temas s&#xE3;o em conjunto a &#x2018;pedra de toque&#x2019; da concep&#xE7;&#xE3;o de licenciatura expressa pela Resolu&#xE7;&#xE3;o 30. A id&#xE9;ia do ensino de ci&#xEA;ncia integrada, em especial quando esse ensino toma a forma metodol&#xF3;gica de realiza&#xE7;&#xE3;o de projetos, &#xE9; vista como justificativa profunda da op&#xE7;&#xE3;o legal pela licenciatura polivalente; profunda porque responderia simultaneamente a imperativos epistemol&#xF3;gicos, psicol&#xF3;gicos e did&#xE1;ticos. (SBPC, 1981, p. 371).</p></disp-quote>
<p>Ainda de acordo com o documento, dessa perspectiva decorria que muitas quest&#xF5;es sobre o desenvolvimento da ci&#xEA;ncia e sua transposi&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tica acabavam, propositadamente ou n&#xE3;o, interligadas.</p> <disp-quote>
<p>1) a &#x2018;ci&#xEA;ncia&#x2019; &#xE9; uma s&#xF3; e deve-se estimular a integra&#xE7;&#xE3;o das v&#xE1;rias &#xE1;reas especializadas; 2) o ensino de uma &#x2018;ci&#xEA;ncia integrada&#x2019; no 1&#xBA; e 2&#xBA; graus da escola seria um est&#xED;mulo a essa integra&#xE7;&#xE3;o; 3) o ensino de ci&#xEA;ncia integrada no 1&#xBA; e 2&#xBA; graus equivaleria a um ensino integrado das ci&#xEA;ncias; 4) deve-se evitar t&#xF3;picos abstratos ou formais no ensino de ci&#xEA;ncias; 5) deve-se explorar t&#xF3;picos que despertem o interesse e o respeito pela ci&#xEA;ncia, isto &#xE9;, t&#xF3;picos ligados &#xE0; vida di&#xE1;ria, ao meio ambiente, &#xE0; import&#xE2;ncia do momento; 6) deve-se privilegiar a aquisi&#xE7;&#xE3;o de &#x2018;atitudes cient&#xED;ficas&#x2019; quando n&#xE3;o for poss&#xED;vel oferecer tamb&#xE9;m o conte&#xFA;do aprofundado; 7) finalmente deve-se adotar o procedimento metodol&#xF3;gico dos &#x2018;Projetos de Ci&#xEA;ncias&#x2019; que englobaria na sala de aula a integra&#xE7;&#xE3;o das ci&#xEA;ncias e a polival&#xEA;ncia do professor (SBPC, 1981, p. 371).</p></disp-quote>
<p>A essas observa&#xE7;&#xF5;es o documento contrap&#xF5;e-se com os seguintes argumentos: quanto &#xE0; &#x201C;integra&#xE7;&#xE3;o da ci&#xEA;ncia&#x201D;, esta tentativa n&#xE3;o encontra apoio no desenvolvimento hist&#xF3;rico da mesma, o que pode ser observado pelo desenvolvimento de v&#xE1;rias ci&#xEA;ncias especializadas unilateralmente. Por&#xE9;m, reconhece que isso n&#xE3;o significa a impossibilidade de se estabelecer grupos de trabalho interdisciplinares, nem tampouco, o desconhecimento sobre o crescimento acelerado e, &#xE0;s vezes, estanque de muitas &#xE1;reas do saber. Conclui que se n&#xE3;o h&#xE1; uma &#x201C;ci&#xEA;ncia integrada&#x201D; como linha aberta e fecunda de pesquisas, muito menos se poder&#xE1; propiciar seu surgimento por meio do ensino. Pelo contr&#xE1;rio, n&#xE3;o h&#xE1; justificativa para que se procure ensinar essa ilus&#xE3;o em qualquer grau de ensino (SBPC, 1981).</p>
<p>O documento da SBPC (1981, p.371) salienta ainda n&#xE3;o ser &#x201C;justific&#xE1;vel a atitude dos defensores da licenciatura polivalente&#x201D; como a &#xFA;nica express&#xE3;o representativa na forma&#xE7;&#xE3;o de professores a se preocupar em evitar o formalismo no ensino de ci&#xEA;ncias e a incluir os problemas di&#xE1;rios da vida no rol de conte&#xFA;dos a serem trabalhados na escola. Na sequ&#xEA;ncia, critica a proposta de separa&#xE7;&#xE3;o entre a Licenciatura e o Bacharelado, preconizada pela legisla&#xE7;&#xE3;o. Observa que este fato fez com que as universidades que optaram pelo oferecimento do Bacharelado se obrigassem a uma absurda duplica&#xE7;&#xE3;o de meios e esfor&#xE7;os. Na contesta&#xE7;&#xE3;o sobre a ideia de que esta legisla&#xE7;&#xE3;o favorecia a forma&#xE7;&#xE3;o de professores em larga escala e em curto espa&#xE7;o de tempo, constatou que, na realidade, o que se presenciou foi a prolifera&#xE7;&#xE3;o desse tipo de curso nos estados em que esses argumentos se aplicavam com menor validade: S&#xE3;o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Conclui afirmando que &#x201C;[&#x2026;] as licenciaturas curtas n&#xE3;o foram aceitas como cursos adequados de forma&#xE7;&#xE3;o profissional quer pelos estudantes, quer pelas institui&#xE7;&#xF5;es. Em muitos lugares se transformaram em bacharelados.&#x201D; (SBPC, 1981, p. 373).</p>
<p>Neste documento da (SBPC, 1981) s&#xE3;o apresentadas as propostas de uma Licenciatura para a forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica, de Biologia, de F&#xED;sica e de Qu&#xED;mica. Sugeriu-se que o ensino de Matem&#xE1;tica nos 1&#xBA; e 2&#xBA; graus fosse desenvolvido por meio de disciplina espec&#xED;fica e ministrado por professores formados em Licenciatura Plena espec&#xED;fica de Matem&#xE1;tica. O ensino de Biologia, Qu&#xED;mica e F&#xED;sica, opcionalmente, poderia ser desenvolvido por disciplinas<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> das 5&#xAA; &#xE0; 8&#xAA; s&#xE9;ries ou continuar organizado em um &#xFA;nica disciplina denominada Ci&#xEA;ncias. Neste caso, os professores habilitados em F&#xED;sica, Qu&#xED;mica ou Biologia deveriam receber forma&#xE7;&#xE3;o complementar para atuarem nesta disciplina. Quanto &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o pedag&#xF3;gica, propunha que o curr&#xED;culo contasse com disciplinas de Hist&#xF3;ria e Filosofia da Educa&#xE7;&#xE3;o para permitirem, ao licenciado, compreender o car&#xE1;ter cultural e social da escola e da educa&#xE7;&#xE3;o. Outra vertente do curr&#xED;culo cuidaria da forma&#xE7;&#xE3;o do professor para atua&#xE7;&#xE3;o na sala de aula, reafirmando a import&#xE2;ncia de disciplinas como Pr&#xE1;tica de Ensino e Instrumenta&#xE7;&#xE3;o para o Ensino. O documento preconizava, ainda, maior articula&#xE7;&#xE3;o entre a Licenciatura e o Bacharelado. Afirmava que o bacharel, ou bacharelando, de F&#xED;sica, Qu&#xED;mica ou Biologia, ao integralizar o m&#xED;nimo necess&#xE1;rio &#xE0; Licenciatura e completar a forma&#xE7;&#xE3;o para atuar na disciplina de Ci&#xEA;ncias, deveria receber, a qualquer tempo, o diploma correspondente.</p>
<p>Movimento semelhante ocorreu nas diferentes &#xE1;reas, culminando, segundo Braga (1988), com um Encontro Nacional realizado em novembro de 1981 quando foi criada a Comiss&#xE3;o Nacional dos Cursos de Forma&#xE7;&#xE3;o do Educador, que concluiu:</p> <disp-quote>
<p>a) em rela&#xE7;&#xE3;o aos cursos de forma&#xE7;&#xE3;o de educadores, as institui&#xE7;&#xF5;es dever&#xE3;o ter liberdade para propor e desenvolver experi&#xEA;ncias pedag&#xF3;gicas a partir de uma base comum nacional; b) a base comum nacional n&#xE3;o deve ser concebida como um curr&#xED;culo m&#xED;nimo ou um elenco de disciplinas, e sim como uma concep&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica de forma&#xE7;&#xE3;o do educador e da defini&#xE7;&#xE3;o de um corpo de conhecimentos fundamentais; c) todas as licenciaturas, inclusive a pedagogia, dever&#xE3;o ter esta base comum; d) define-se o educador como sendo aquele profissional &#x2018;que domina determinado conte&#xFA;do t&#xE9;cnico, cient&#xED;fico e pedag&#xF3;gico, que traduz o compromisso &#xE9;tico e pol&#xED;tico com os interesses da maioria da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira e &#xE9; capaz de perceber as rela&#xE7;&#xF5;es existentes entre as atividades educacionais e a totalidade das rela&#xE7;&#xF5;es sociais, econ&#xF4;micas, pol&#xED;ticas e culturais em que o processo educacional ocorre, sendo capaz de atuar como agente de transforma&#xE7;&#xE3;o da realidade em que se insere, assumindo, assim, seu compromisso hist&#xF3;rico; e) os curr&#xED;culos de licenciatura, considerando a base comum nacional, devem incluir disciplinas relativas ao conte&#xFA;do espec&#xED;fico e &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o pedag&#xF3;gica e disciplinas integradoras; f) no que diz respeito &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o pedag&#xF3;gica, &#xE9; necess&#xE1;rio repens&#xE1;-la, a partir da concep&#xE7;&#xE3;o do educador explicitada, tornando-a mais s&#xF3;lida e menos fragmentada, ampliar a carga hor&#xE1;ria e desenvolv&#xEA;-la ao longo do curso; g) quanto &#xE0;s disciplinas integradoras devem ser centradas na an&#xE1;lise da adequa&#xE7;&#xE3;o, dosagem e organiza&#xE7;&#xE3;o do conhecimento a ser lecionado nos diversos graus de ensino e nas diferentes realidades; h) prop&#xF5;e-se a elimina&#xE7;&#xE3;o das licenciaturas curtas no prazo de tr&#xEA;s anos, bem como a extin&#xE7;&#xE3;o das licenciaturas parceladas e dos cursos de estudos sociais; i) advoga-se, nas institui&#xE7;&#xF5;es onde coexistam cursos de licenciaturas e bacharelado numa mesma &#xE1;rea, que n&#xE3;o exista separa&#xE7;&#xE3;o inicial destes cursos, evitando-se a discrimina&#xE7;&#xE3;o da licenciatura; j) defende-se um trabalho comum entre as unidades de educa&#xE7;&#xE3;o e as demais unidades (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRAGA, 1988</xref>, p. 154).</p></disp-quote>
<p>Estas s&#xE3;o as principais discuss&#xF5;es que dominaram as propostas de reformula&#xE7;&#xE3;o das Licenciaturas na d&#xE9;cada de 1980. No entanto, apesar dos apelos veementes dos educadores, muitos dos problemas apontados n&#xE3;o receberam a devida aten&#xE7;&#xE3;o, nem dos &#xF3;rg&#xE3;os legisladores, nem das Universidades e Faculdades respons&#xE1;veis pela forma&#xE7;&#xE3;o de professores.</p>
<p>Em Mato Grosso do Sul, na d&#xE9;cada de 1980, a UFMS era a principal institui&#xE7;&#xE3;o respons&#xE1;vel pela forma&#xE7;&#xE3;o de professores. Sendo assim, analisamos, a seguir, a repercuss&#xE3;o desse movimento na estrutura&#xE7;&#xE3;o da Licenciatura na UFMS.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 A UFMS e sua Licenciatura</title>
<p>Seguindo, ou n&#xE3;o, as orienta&#xE7;&#xF5;es advindas da comunidade cient&#xED;fica na organiza&#xE7;&#xE3;o da Licenciatura decorrente dos debates desenvolvidos nos anos de 1980, a UFMS operou uma importante reestrutura&#xE7;&#xE3;o desse curso. A federaliza&#xE7;&#xE3;o da Institui&#xE7;&#xE3;o, como j&#xE1; frisado, possibilitou, a partir de 1981, um processo importante de amplia&#xE7;&#xE3;o na oferta de vagas na Educa&#xE7;&#xE3;o Superior em Mato Grosso do Sul. Assim, muitos cursos novos foram criados. O primeiro passo significativo foi o abandono das Licenciaturas Curtas<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>. Com vistas a se ter um panorama geral sobre os cursos implantados naquela d&#xE9;cada, apresentamos o <xref ref-type="table" rid="t2">Quadro 1</xref>.</p>
<table-wrap id="t2">
<label>Quadro 1</label>
<caption>
<title>Cursos criados pela UFMS na d&#xE9;cada de 1980</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="33%">
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center">Curso</th>
<th align="center">Cidade sede</th>
<th align="center">Ano de cria&#xE7;&#xE3;o</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left">Administra&#xE7;&#xE3;o</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">Ci&#xEA;ncias Biol&#xF3;gicas(L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">Educa&#xE7;&#xE3;o Art&#xED;stica (L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">F&#xED;sica (L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">Matem&#xE1;tica (L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">Pedagogia (L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">Qu&#xED;mica (L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1981</td></tr>
<tr>
<td align="left">Geografia(L.P.)</td>
<td align="left">Aquidauana</td>
<td align="center">1983</td></tr>
<tr>
<td align="left">Geografia (L.P.)</td>
<td align="left">Dourados</td>
<td align="center">1983</td></tr>
<tr>
<td align="left">Hist&#xF3;ria (L.P.)</td>
<td align="left">Aquidauana</td>
<td align="center">1983</td></tr>
<tr>
<td align="left">Ci&#xEA;ncias Biol&#xF3;gicas (L.P.)</td>
<td align="left">Corumb&#xE1;</td>
<td align="center">1986</td></tr>
<tr>
<td align="left">Ci&#xEA;ncias Biol&#xF3;gicas (L.P.)</td>
<td align="left">Tr&#xEA;s Lagoas</td>
<td align="center">1986</td></tr>
<tr>
<td align="left">Geografia (L.P.)</td>
<td align="left">Corumb&#xE1;</td>
<td align="center">1986</td></tr>
<tr>
<td align="left">Matem&#xE1;tica (L.P.)</td>
<td align="left">Corumb&#xE1;</td>
<td align="center">1986</td></tr>
<tr>
<td align="left">Matem&#xE1;tica (L.P.)</td>
<td align="left">Tr&#xEA;s Lagoas</td>
<td align="center">1986</td></tr>
<tr>
<td align="left">Ci&#xEA;ncias da Computa&#xE7;&#xE3;o</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1987</td></tr>
<tr>
<td align="left">Matem&#xE1;tica (L.P.)</td>
<td align="left">Dourados</td>
<td align="center">1987</td></tr>
<tr>
<td align="left">Letras (L.P.)</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1988</td></tr>
<tr>
<td align="left">Comunica&#xE7;&#xE3;o Social</td>
<td align="left">Campo Grande</td>
<td align="center">1989</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: Manual do acad&#xEA;mico da UFMS, edi&#xE7;&#xE3;o de 1997.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>De um total de vinte (20) cursos criados no per&#xED;odo de 1981 a 1990, dezesseis (16) s&#xE3;o de Licenciatura, dos quais sete (7) foram implantados no campus de Campo Grande. Podemos inferir que aquela foi a d&#xE9;cada da Licenciatura na Institui&#xE7;&#xE3;o, pelo menos no que diz respeito &#xE0; sua amplia&#xE7;&#xE3;o. Esse fen&#xF4;meno, ao que tudo indica, est&#xE1; relacionado ao aumento do n&#xFA;mero de professores contratados para ministrar disciplinas de Matem&#xE1;tica, F&#xED;sica, Biologia e Qu&#xED;mica em cursos como Engenharia, Medicina e Farm&#xE1;cia. Na sequ&#xEA;ncia dessa tend&#xEA;ncia, a contrata&#xE7;&#xE3;o de professores da &#xE1;rea de Letras para ministrar aulas de Comunica&#xE7;&#xE3;o e Express&#xE3;o em diferentes cursos, na capital, possibilitou a implanta&#xE7;&#xE3;o do curso de Letras. Da mesma forma, a contrata&#xE7;&#xE3;o de professores de Matem&#xE1;tica e Biologia para os cursos de Ci&#xEA;ncias possibilitou a abertura das Licenciaturas em Matem&#xE1;tica e Biologia em todos os campus da Universidade. Os cursos de Licenciatura foram, assim, influenciados, de forma significativa, pela ideia de que a forma&#xE7;&#xE3;o de bons profissionais para atuarem na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica dependia apenas de uma forte forma&#xE7;&#xE3;o na &#xE1;rea espec&#xED;fica, caracter&#xED;stica essa predominante na maioria dos curr&#xED;culos dos cursos implantados nesse per&#xED;odo. Como fator agravante, constatamos ainda, a aus&#xEA;ncia de uma pol&#xED;tica de integra&#xE7;&#xE3;o entre a Universidade e as escolas dos Ensinos Fundamental e M&#xE9;dio. Neste aspecto, predominava a tend&#xEA;ncia de reservar a disciplina Pr&#xE1;tica de Ensino para o &#xFA;ltimo ano dos cursos.</p>
<p>Nessa d&#xE9;cada se, de um lado, houve o fator positivo do abandono das Licenciaturas Curtas, de outro, n&#xE3;o se questionou a legisla&#xE7;&#xE3;o que passou a orientar a forma&#xE7;&#xE3;o de professores, sobretudo aquela relativa &#xE0; normatiza&#xE7;&#xE3;o das habilita&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas com vistas ao exerc&#xED;cio da profiss&#xE3;o. Assim, a &#xEA;nfase dos documentos institucionais referentes &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o de professores passou a ser a legisla&#xE7;&#xE3;o que buscava regulamentar a profiss&#xE3;o docente. Nesse sentido, vamos encontrar ainda mais preocupa&#xE7;&#xE3;o em atender a legisla&#xE7;&#xE3;o que em observar o perfil do profissional a ser formado. Desse modo, os objetivos do Curso de Licenciatura passaram a ser determinados em fun&#xE7;&#xE3;o das habilita&#xE7;&#xF5;es que a legisla&#xE7;&#xE3;o possibilitava oferecer.</p>
</sec>
<sec>
<title>5 A forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica: um novo momento</title>
<p>A forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica na UFMS, nos anos de 1980, passou a ser desenvolvida nos cursos de Licenciatura Plena. Nesse sentido, apresentamos aqui uma quest&#xE3;o um tanto contradit&#xF3;ria. Talvez fosse natural esperar que uma vez abandonados os cursos de Licenciatura Curta, no in&#xED;cio daquela d&#xE9;cada, a forma&#xE7;&#xE3;o de professores fosse ganhar um n&#xED;vel de aten&#xE7;&#xE3;o diferenciado. Entretanto, analisando os documentos da UFMS, percebemos que, em termos das proclama&#xE7;&#xF5;es institucionais, essa forma&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o estava reservada apenas &#xE0;s Licenciaturas espec&#xED;ficas: ela era realizada nos mais diferentes cursos. Para compreendermos melhor essa afirma&#xE7;&#xE3;o, especialmente no que diz respeito &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica, elaboramos o <xref ref-type="table" rid="t3">Quadro 2</xref> apoiados no Manual do Acad&#xEA;mico publicado pela UFMS, que cont&#xE9;m os cursos e habilita&#xE7;&#xF5;es, seus objetivos, a cidade onde funcionavam e a profiss&#xE3;o para a qual cada curso habilitava. Os dados contidos nesse Quadro evidenciam claramente o fato de que n&#xE3;o havia um direcionamento e uma especificidade na forma&#xE7;&#xE3;o do professor, na Institui&#xE7;&#xE3;o. Al&#xE9;m disso, o objetivo institucional anunciado &#xE9; de que, de algum modo, a forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica n&#xE3;o era realizada somente no curso de Matem&#xE1;tica, mas tamb&#xE9;m nos cursos de Qu&#xED;mica, F&#xED;sica e at&#xE9; mesmo no de Ci&#xEA;ncias Biol&#xF3;gicas<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>, no campus de Aquidauana. Outra quest&#xE3;o n&#xE3;o menos importante &#xE9; o an&#xFA;ncio de que o curso de Matem&#xE1;tica habilitava tamb&#xE9;m professores de F&#xED;sica para atuarem no segundo grau.</p>
<table-wrap id="t3">
<label>Quadro 2</label>
<caption>
<title>&#x2013; Licenciaturas na UFMS em 1998</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center">Curso</th>
<th align="center">Cidade</th>
<th align="center">Hab.</th>
<th align="left">Objetivos</th>
<th align="left">Profiss&#xE3;o</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center">F&#xCD;<break/>SI<break/>CA</td>
<td align="center">Campo Grande</td>
<td align="left">Licenciatura<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> <break/>Bacharelado</td>
<td align="left">Formar professor de 2&#xBA; grau com possibilidades de prosseguir na carreira acad&#xEA;mica como pesquisador. <break/>Formar pesquisadores aptos a desenvolver ci&#xEA;ncia e tecnologia, ou ainda a desenvolverem atividades t&#xE9;cnicas.</td>
<td align="left">Professor de F&#xED;sica, Qu&#xED;mica no 2&#xBA; grau e Matem&#xE1;tica no 1&#xBA; e 2&#xBA; graus. <break/>Bacharel em F&#xED;sica.</td></tr>
<tr>
<td align="center">MA <break/>TE <break/>M&#xC1; <break/>TI <break/>CA</td>
<td align="center">Campo Grande, Dourados, <break/>Corumb&#xE1;, Tr&#xEA;s Lagoas, <break/>Aquidauana</td>
<td align="left">Licenciatura</td>
<td align="left">Formar professores de Matem&#xE1;tica, <break/>Desenho Geom&#xE9;trico e de F&#xED;sica, para o Magist&#xE9;rio de 1&#xBA; e 2&#xBA; graus. Colaborar para o desenvolvimento e forma&#xE7;&#xE3;o integral do educando.</td>
<td align="left">Professor de Matem&#xE1;tica e Desenho Geom&#xE9;trico no 1&#xBA; e 2&#xBA; graus e de F&#xED;sica no 2&#xBA; grau</td></tr>
<tr>
<td align="center">QU&#xCD; <break/>MI <break/>CA</td>
<td align="center">Campo Grande</td>
<td align="left">Licenciatura <break/>Bacharelado</td>
<td align="left">Formar profissionais capazes de exercer fun&#xE7;&#xF5;es no Magist&#xE9;rio de 1&#xBA; e 2&#xBA; graus, em pesquisa na &#xE1;rea de Qu&#xED;mica, contribuindo para a forma&#xE7;&#xE3;o integral dos educandos de 1&#xBA; e 2&#xBA; graus. <break/>Formar profissionais capazes de exercer fun&#xE7;&#xF5;es de administra&#xE7;&#xE3;o e assumir responsabilidades t&#xE9;cnicas em per&#xED;cia, consultoria, controle de qualidade, pesquisa e desenvolvimento de m&#xE9;todos e produtos.</td>
<td align="left">Professor de Matem&#xE1;tica no 1&#xBA; Grau, F&#xED;sica e Qu&#xED;mica no 2&#xBA; grau <break/>Qu&#xED;mico.</td></tr>
<tr>
<td align="center">CI&#xCA;N <break/>CIAS <break/>BIO <break/>L&#xD3; <break/>GI <break/>CAS</td>
<td align="center">Aquidauana</td>
<td align="left">Licenciatura Curta (LC) <break/>Licenciatura Plena (LP)</td>
<td align="left">Formar professores para o ensino de Ci&#xEA;ncias de 1&#xBA; grau (LC) e de 2&#xBA; grau (LP), fornecendo-lhes uma vis&#xE3;o global n&#xE3;o s&#xF3; da ci&#xEA;ncia na vida cotidiana, mas tamb&#xE9;m da instrumentaliza&#xE7;&#xE3;o e recursos para a programa&#xE7;&#xE3;o do curso de 1&#xBA; e 2&#xBA; graus. <break/>Colaborar para o desenvolvimento e forma&#xE7;&#xE3;o integral do educando <break/>Preparar profissionais para atuarem nos v&#xE1;rios setores da Biologia.</td>
<td align="left">(LP)Professor de Biologia no 2&#xBA; grau, Bi&#xF3;logo (amparado pela Lei n&#xBA; 6.684 de 03/09/79)<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>.</td></tr>
<tr>
<td align="center">FI <break/>SI <break/>CA<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref></td>
<td align="center">Dourados</td>
<td align="left">Licenciatura Plena</td>
<td align="left">Formar professor de 2&#xBA; grau com possibilidades de prosseguir na carreira acad&#xEA;mica como pesquisador.</td>
<td align="left">Professor de F&#xED;sica, Qu&#xED;mica no 2&#xBA; grau e Matem&#xE1;tica no 1&#xBA; e 2&#xBA; graus e Bacharel em F&#xED;sica.</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: Manual do Acad&#xEA;mico UFMS, edi&#xE7;&#xE3;o 1998.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Pode-se observar ainda que a forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica nos diferentes campus da Institui&#xE7;&#xE3;o acabou configurada por uma mesma estrutura curricular<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>. Este fato, no caso espec&#xED;fico dessa &#xE1;rea de conhecimento, acabou gerando uma s&#xE9;rie de conflitos entre os diversos grupos respons&#xE1;veis pela coordena&#xE7;&#xE3;o das atividades acad&#xEA;micas no interior dos cursos, devido &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o do corpo docente de cada um deles. Tais conflitos n&#xE3;o s&#xE3;o encontrados em documentos, por&#xE9;m como part&#xED;cipes dessa hist&#xF3;ria<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref>, pudemos vivenciar grande parte deles.</p>
<p>Do ponto de vista deste artigo, o interesse recaiu na an&#xE1;lise espec&#xED;fica sobre a forma&#xE7;&#xE3;o profissional oferecida nos cursos de Licenciatura Plena em Matem&#xE1;tica, principalmente pelo fato de que, apesar de a legisla&#xE7;&#xE3;o da UFMS possibilitar a forma&#xE7;&#xE3;o de professores de Matem&#xE1;tica em outros cursos, na pr&#xE1;tica ela aconteceu de forma pouco significativa.</p>
</sec>
<sec>
<title>6 A forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica nos cursos de Licenciatura Plena em Matem&#xE1;tica da UFMS</title>
<p>De certo modo, os cursos de Licenciatura em Matem&#xE1;tica da UFMS s&#xE3;o desdobramentos das antigas Licenciaturas em Ci&#xEA;ncias, organizadas sob a &#xE9;gide da Resolu&#xE7;&#xE3;o 30<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref> do Conselho Federal de Educa&#xE7;&#xE3;o. O curso de Matem&#xE1;tica do Centro Universit&#xE1;rio de Corumb&#xE1; foi implantado no ano de 1970 como habilita&#xE7;&#xE3;o dentro do curso de Ci&#xEA;ncias. No ano de 1986, o curso de Ci&#xEA;ncias foi extinto e o de Matem&#xE1;tica passou a funcionar como Licenciatura Plena autorizado pela Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 18/86 do Conselho Universit&#xE1;rio e reconhecido pela portaria do MEC de n&#xBA; 2.372/91. O curso de Matem&#xE1;tica de Campo Grande foi implantado no ano de 1981 tendo sido reconhecido pela portaria ministerial n&#xBA; 158/84 do MEC. Nessa &#xE9;poca, a estrutura curricular dos cursos de Matem&#xE1;tica era a mesma em todos os c&#xE2;mpus: Tr&#xEA;s Lagoas, Dourados<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>, Corumb&#xE1; e Aquidauana. Em 2012, a UFMS contava com seis (06) Cursos de Licenciatura em Matem&#xE1;tica na modalidade presencial e um na modalidade a dist&#xE2;ncia, atendendo a diversas cidades do estado. Os cursos adquiriram autonomia e n&#xE3;o tinham mais a mesma estrutura curricular. Essas mudan&#xE7;as visaram a atender as especificidades do corpo docente de cada campus e as particularidades de cada cidade e microrregi&#xE3;o atendidas pelos cursos. O objetivo das Licenciaturas sempre foi atender a demanda de professores de Matem&#xE1;tica, entretanto, a quantidade de formados ao longo dos anos n&#xE3;o tem conseguido suprir o quantitativo necess&#xE1;rio. Nesse sentido, na pr&#xF3;xima parte deste artigo discutimos um desses cursos com mais detalhes, verificando as mudan&#xE7;as curriculares ocorridas ao longo de sua exist&#xEA;ncia e a quantidade de egressos em trinta (30) anos.</p>
</sec>
<sec>
<title>7 A Licenciatura em Matem&#xE1;tica no campus de Campo Grande: 30 anos de curso</title>
<p>A Licenciatura em Matem&#xE1;tica no campus de Campo Grande foi implantada em 1981 com uma estrutura curricular que lembrava o modelo de forma&#xE7;&#xE3;o em Ci&#xEA;ncias com habilita&#xE7;&#xE3;o em Matem&#xE1;tica: no primeiro ano do curso havia as disciplinas de Biologia e de Qu&#xED;mica, cada uma com sessenta (60) horas. Al&#xE9;m disso, F&#xED;sica contava com duzentos e cinquenta horas (250) de aula te&#xF3;rica e noventa (90) de laborat&#xF3;rio. Por&#xE9;m, essa estrutura foi alterada ainda no decorrer do primeiro ano de implanta&#xE7;&#xE3;o da Licenciatura, sendo retiradas da matriz curricular as disciplinas de Biologia e de Qu&#xED;mica fazendo com que o curso passasse a ter as caracter&#xED;sticas de uma Licenciatura Plena em Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Em pesquisa realizada com egressos do referido curso (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BITTAR et al, 2012</xref>) verificou-se que ao longo de trinta (30) anos aproximadamente mil e quatrocentos (1400) alunos ingressaram no curso, por&#xE9;m apenas duzentos e setenta e tr&#xEA;s (273) conseguiram conclu&#xED;-lo, o que corresponde a 19,5% de egressos. Esses s&#xE3;o dados aproximativos, pois, por vezes, h&#xE1; ingressantes sendo contados em dobro, uma vez que alguns licenciandos prestam vestibular novamente passando a contar como novo aluno. Isso ocorre para <italic>limpar</italic> o hist&#xF3;rico escolar de reprova&#xE7;&#xF5;es, que s&#xE3;o, em geral, numerosas, e para ganhar mais tempo para a integraliza&#xE7;&#xE3;o das disciplinas e conclus&#xE3;o do curso. Esses dados corroboram com aqueles encontrados por <xref ref-type="bibr" rid="B7">Gatti (2011)</xref>, de acordo com os quais a evas&#xE3;o em cursos de Licenciatura no pa&#xED;s atingia o total de 70%, ou seja, apenas cerca de 30% dos ingressantes conseguiam concluir o curso. Nas Licenciaturas em Matem&#xE1;tica (no Brasil) esse dado &#xE9; mais preocupante, chegando a somente 6,2% de egressos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">GATTI, 1997</xref>).</p> <disp-quote>
<p>Esses dados s&#xE3;o preocupantes por duas raz&#xF5;es: a primeira delas &#xE9; o fato de esse total de egressos n&#xE3;o dar conta de suprir a necessidade da sociedade e a segunda &#xE9; o fato de as institui&#xE7;&#xF5;es manterem um curso em funcionamento com t&#xE3;o baixo &#xED;ndice de aproveitamento &#x2013; especialmente quando se fala em universidade p&#xFA;blica. (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BITTAR et al., 2012</xref>)</p></disp-quote>
<p>Al&#xE9;m da pouca quantidade de egressos, muitos deles n&#xE3;o atuam na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, ingressando na Educa&#xE7;&#xE3;o Superior ou atuando em profiss&#xF5;es sem rela&#xE7;&#xE3;o com a educa&#xE7;&#xE3;o, o que torna o quadro ainda mais dr&#xE1;stico. Por isso, para tentar compreender minimamente a evas&#xE3;o no curso quanto &#xE0;s escolhas dos egressos, propusemo-nos a estudar os trinta anos de curso da Licenciatura em Matem&#xE1;tica, campus de Campo Grande.</p>
<p>Dentre o total de egressos (273), obtivemos dados de cento e sessenta e quatro (164) licenciados. Conseguimos entrar em contato direto com sessenta e dois (62), que responderam a um question&#xE1;rio elaborado visando a conhecer suas inten&#xE7;&#xF5;es ao ingressar no curso, sua atua&#xE7;&#xE3;o profissional e impress&#xF5;es acerca do curso frequentado e da profiss&#xE3;o escolhida. Para obter dados sobre a atua&#xE7;&#xE3;o de uma quantidade maior de egressos recorremos a ex-professores e/ou colegas de ex-alunos que t&#xEA;m contato com eles, sabendo onde est&#xE3;o e onde atuam. Dessa forma, conseguimos dados de mais cento e dois (102) egressos, perfazendo o total de cento e sessenta e quatro (164) egressos, o que corresponde a aproximadamente 60% do total de licenciados. Desse total, cento e vinte e tr&#xEA;s (123) atuam na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, seja como t&#xE9;cnicos nas secretarias de educa&#xE7;&#xE3;o ou como professores de sala de aula; h&#xE1; ainda alguns, em menor quantidade, que atuam em cursinhos pr&#xE9;-vestibular ou na rede Kumon<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>. Uma vez que a maioria dos licenciados est&#xE1; atuando na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica poderia se concluir que o curso tem atingido seu objetivo maior, quer seja, formar professores para esse n&#xED;vel educacional, em especial para a escola p&#xFA;blica. Entretanto, mesmo se considerarmos (hipoteticamente) que aproximadamente a mesma porcentagem dos professores formados com os quais n&#xE3;o tivemos contato atua na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, chega-se a um total de aproximadamente duzentos (200) egressos, em trinta (30) anos, atuando nesse setor educacional. Quantidade muito baixa considerando-se a necessidade de profissionais e o investimento feito ao longo de todos esses anos, al&#xE9;m do total de ingressantes no curso &#x2013; aproximadamente mil e quatrocentos (1400) &#x2013; ao longo dos trinta (30) anos de sua exist&#xEA;ncia.</p>
<p>Com as respostas ao question&#xE1;rio observamos que, do total de sessenta e dois (62) egressos, trinta e cinco (35) ingressaram no curso com inten&#xE7;&#xE3;o de atuar como professor, entretanto, desses, apenas onze (11) atuam na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica e quatro (4) na forma&#xE7;&#xE3;o continuada vinculados ou n&#xE3;o &#xE0;s Secretarias de Educa&#xE7;&#xE3;o ou na rede Kumon. Isso significa que mais da metade atua no Ensino Superior ou em outras &#xE1;reas sem qualquer liga&#xE7;&#xE3;o com a educa&#xE7;&#xE3;o. Qual a raz&#xE3;o para essa mudan&#xE7;a ao longo do percurso? Alguns coment&#xE1;rios feitos nos question&#xE1;rios fornecem pistas para essa quest&#xE3;o, como &#xE9; o caso da observa&#xE7;&#xE3;o de M&#xE1;rcia<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref>, professora da educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica:</p> <disp-quote>
<p>Bom, todos n&#xF3;s sabemos que <italic>o curso de licenciatura n&#xE3;o prepara alunos para atuar em sala propriamente dita</italic>, j&#xE1; soube de muitos casos de colegas que pediram exonera&#xE7;&#xE3;o do cargo por n&#xE3;o saberem como lidar com os alunos, que por sua vez, est&#xE3;o se tornando ap&#xE1;ticos, n&#xE3;o aceitam a Matem&#xE1;tica como disciplina. J&#xE1; ouvi de alunos que Matem&#xE1;tica deveria ser mat&#xE9;ria optativa (M&#xC1;RCIA, 2013, grifo nosso).</p></disp-quote>
<p>Muitos egressos da Licenciatura em Matem&#xE1;tica cursaram Mestrado imediatamente ap&#xF3;s a gradua&#xE7;&#xE3;o, o que pode estar ligado ao perfil da Licenciatura, como indica a professora &#xC2;ngela:</p> <disp-quote>
<p>Uma pena que os cursos de licenciatura n&#xE3;o preparem, de fato, os acad&#xEA;micos para atuarem como professores do ensino fundamental e m&#xE9;dio, <italic>e os incentivem, sempre, a atuarem em carreiras paralelas ou ao Mestrado/Doutorado sem conhecer, de fato, os meandros da educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica do pa&#xED;s</italic> (&#xC2;NGELA, 2013, grifo nosso).</p></disp-quote>
<p>N&#xE3;o devemos e nem queremos responsabilizar unicamente o curso pela escolha por outras profiss&#xF5;es ou pela atua&#xE7;&#xE3;o na Educa&#xE7;&#xE3;o Superior. As condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho e, sobretudo os sal&#xE1;rios de professores da Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica s&#xE3;o fatores que desencorajam a atua&#xE7;&#xE3;o nesse n&#xED;vel da educa&#xE7;&#xE3;o dos poucos que conseguem concluir o curso, como explicita Pedro, professor na Educa&#xE7;&#xE3;o Superior: &#x201C;A baixa remunera&#xE7;&#xE3;o na educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica me levou a preferir atuar na educa&#xE7;&#xE3;o superior&#x201D; (PEDRO, 2013). Essa situa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o tende a mudar. De fato,</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] se os sal&#xE1;rios continuarem pouco atrativos, se as condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho nas escolas n&#xE3;o forem minimamente adequadas, se n&#xE3;o for criado um suporte sociopedag&#xF3;gico no ambiente escolar, &#xE9; poss&#xED;vel que os docentes mais preparados tendam a evadir-se do magist&#xE9;rio, a buscar outras oportunidades profissionais. (<xref ref-type="bibr" rid="B7">GATTI, 2011</xref>, p. 204)</p></disp-quote>
<p>Desse modo, cabe aqui uma reflex&#xE3;o acerca da quantidade de egressos e das escolhas realizadas. Uma vez que essa quantidade &#xE9; muito baixa e que o egresso parece sair com perfil mais voltado &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o Superior e que nesse setor h&#xE1; necessidade de professores, n&#xE3;o haveria nada de <italic>anormal</italic> em suas escolhas. Onde est&#xE1;, ent&#xE3;o, o problema? O problema est&#xE1; na pouqu&#xED;ssima quantidade de egressos. Qual a raz&#xE3;o para tamanha evas&#xE3;o de um curso de uma universidade p&#xFA;blica? Para termos elementos que permitam compreender essa quest&#xE3;o &#xE9; preciso olhar para o Curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica e buscar respostas para quest&#xF5;es como: que curso &#xE9; esse? Como ele se constitui? Por que raz&#xE3;o, em trinta (30) anos apenas cerca de 20% consegue conclu&#xED;-lo? Ser&#xE1; que dentre os 80% que evadiram n&#xE3;o teria sido poss&#xED;vel formar professores para a Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica? Para buscar respostas a essas quest&#xF5;es &#xE9; preciso observar <italic>de perto</italic> o curso, e para tal analisamos as estruturas curriculares implantadas ao longo dos trinta (30) anos. A seguir fazemos um breve relato dos principais resultados encontrados<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref>.</p>
<p>Ao longo desses 30 anos o Curso passou por vinte (20) modifica&#xE7;&#xF5;es, algumas pouco significativas, como ajuste de carga hor&#xE1;ria ou nome de disciplina, e outras mais importantes, para atender demandas oficiais e/ou necessidades sentidas pelo corpo docente. A an&#xE1;lise de todas as altera&#xE7;&#xF5;es realizadas evidenciou quatro mudan&#xE7;as mais importantes, realizadas em 1984, 1993, 2004 e 2011. Por esse motivo, analisamos, nesse texto, as matrizes curriculares vigentes em cada um desses anos e mais a de 1981, por ter sido a primeira do curso.</p>
<p>No que concerne &#xE0; distribui&#xE7;&#xE3;o das disciplinas ao longo dos quatro (04) anos do curso, desde seu in&#xED;cio, em 1981, at&#xE9; o ano de 2003, seguia-se o tradicional modelo 3+1, no qual as disciplinas ditas pedag&#xF3;gicas constavam somente no &#xFA;ltimo ano de curso. Esse era o modelo padr&#xE3;o vigente nos cursos de Licenciatura em Matem&#xE1;tica do pa&#xED;s e que perdurou at&#xE9; recentemente, quando as diretrizes curriculares para as Licenciaturas lan&#xE7;aram uma nova proposta na qual desde o 1&#xBA; semestre de curso deve haver carga hor&#xE1;ria destinada &#xE0; Pr&#xE1;tica de Ensino. Al&#xE9;m disso, o Est&#xE1;gio Supervisionado teve aumento de carga hor&#xE1;ria, chegando, atualmente, ao total de quatrocentas (400) horas.</p>
<p>Para o estudo das estruturas curriculares utilizamos a Teoria da Base de Conhecimentos necess&#xE1;rios para a doc&#xEA;ncia (SHULMAN, 2001), buscando classificar cada disciplina em uma das sete categorias do conhecimento definidos por Shulman<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>: <italic>Conhecimento do Conte&#xFA;do</italic> (&#xC1;lgebra linear; An&#xE1;lise); <italic>Conhecimento Pedag&#xF3;gico Geral</italic> (Did&#xE1;tica); <italic>Conhecimento dos Aprendizes e suas Categorias</italic> (Psicologia da Aprendizagem; Libras); <italic>Conhecimento do Conte&#xFA;do Pedag&#xF3;gico</italic> (Pr&#xE1;tica de Ensino, Est&#xE1;gios Supervisionados); <italic>Conhecimento de Contextos Educacionais</italic>(Estrutura e Funcionamento do 1&#xB0; e 2&#xB0; graus); <italic>Conhecimento sobre os Fins Educacionais</italic> (Estudos dos Problemas Brasileiros); <italic>Conhecimento do Curr&#xED;culo</italic><xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref>. Os resultados obtidos foram tratados quantitativa e qualitativamente, como &#xE9; necess&#xE1;rio em uma pesquisa desse porte (<xref ref-type="bibr" rid="B5">GAMBOA, 1997</xref>).</p>
<p>Esse estudo foi realizado tanto para as disciplinas obrigat&#xF3;rias quanto para as optativas, entretanto, neste texto, apresentamos somente os resultados relativos &#xE0;s obrigat&#xF3;rias, uma vez que as optativas nem sempre eram oferecidas<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref> e s&#xE3;o pouco representativas com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s demais no que diz respeito &#xE0; carga hor&#xE1;ria. Al&#xE9;m disso, o perfil do curso &#xE9; constitu&#xED;do essencialmente pelo conjunto das disciplinas obrigat&#xF3;rias. Na <xref ref-type="table" rid="t1">tabela 1</xref> apresentamos os dados compilados da an&#xE1;lise quantitativa.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>Porcentagem das categorias do conhecimento base nas matrizes curriculares estudadas</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="17%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center"/>
<th align="center">1981</th>
<th align="center">1984</th>
<th align="center">1993</th>
<th align="center">2004</th>
<th align="center">2011</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #C0C0C0">
<td align="center"><bold>Conte&#xFA;do</bold></td>
<td align="center">56,25%</td>
<td align="center">53,14%</td>
<td align="center">68,53%</td>
<td align="center">53,58%</td>
<td align="center">46,70%</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Pedag&#xF3;gico geral</bold></td>
<td align="center">3,84%</td>
<td align="center">3,42%</td>
<td align="center">3,16%</td>
<td align="center">2,25%</td>
<td align="center">2,03%</td></tr>
<tr style="background-color: #C0C0C0">
<td align="center"><bold>Curr&#xED;culo</bold></td>
<td align="center">0%</td>
<td align="center">0%</td>
<td align="center">0%</td>
<td align="center">0%</td>
<td align="center">0%</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Aprendizes</bold></td>
<td align="center">3,36%</td>
<td align="center">4%</td>
<td align="center">3,16%</td>
<td align="center">3,94%</td>
<td align="center">6,09%</td></tr>
<tr style="background-color: #C0C0C0">
<td align="center"><bold>Conte&#xFA;do pedag&#xF3;gico</bold></td>
<td align="center">7,69%</td>
<td align="center">10,28%</td>
<td align="center">8,06%</td>
<td align="center">26,80%</td>
<td align="center">29,44%</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Contextos educacionais</bold></td>
<td align="center">2,88%</td>
<td align="center">3,42%</td>
<td align="center">3,16%</td>
<td align="center">2,25%</td>
<td align="center">2,03%</td></tr>
<tr style="background-color: #C0C0C0">
<td align="center"><bold>Fins educacionais</bold></td>
<td align="center">1,92%</td>
<td align="center">2,28%</td>
<td align="center">0%</td>
<td align="center">0%</td>
<td align="center">0%</td></tr>
<tr>
<td align="center"><bold>Outros</bold><xref ref-type="fn" rid="fn25"><sup>25</sup></xref></td>
<td align="center">25,96%</td>
<td align="center">23,42%</td>
<td align="center">13,91%</td>
<td align="center">11,14%</td>
<td align="center">13,70%</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bittar et al, 2013</xref>.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>As principais observa&#xE7;&#xF5;es que podem ser feitas s&#xE3;o de que h&#xE1;, no Curso, &#xEA;nfase em disciplinas relacionadas ao <italic>Conhecimento do Conte&#xFA;do</italic>, o que n&#xE3;o representa uma surpresa tendo em vista outras pesquisas realizadas e a forte influ&#xEA;ncia do modelo 3+1. Al&#xE9;m disso, percebe-se, ao longo dos anos, a extin&#xE7;&#xE3;o de disciplinas sobre os <italic>fins educacionais</italic>. &#xC9; tamb&#xE9;m bastante significativa a aus&#xEA;ncia de disciplinas destinadas ao <italic>Conhecimento Curricular</italic>, que discutem o curr&#xED;culo e suas formas. Isso n&#xE3;o significa que temas relacionados a curr&#xED;culo estejam totalmente ausentes do curso, pois podem ser inseridos em disciplinas como as de Pr&#xE1;tica de Ensino, entretanto, nesse caso, a &#xEA;nfase n&#xE3;o &#xE9; a mesma que tal tema merece ter. Outro fato observado &#xE9; a exist&#xEA;ncia de disciplinas com objetivo de atender as diretrizes curriculares, especialmente as que entraram em vigor em 2001. Por fim, observa-se dicotomia entre as disciplinas de conte&#xFA;do matem&#xE1;tico e as de conte&#xFA;do did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gico, como ocorre tamb&#xE9;m, de modo geral, em outras Licenciaturas. De fato, Souza e Garnica (2004), em pesquisa com licenciandos em Matem&#xE1;tica da Faculdade de Ci&#xEA;ncias da UNESP de Bauru, que tiveram forma&#xE7;&#xE3;o pr&#xE9;via no curso de magist&#xE9;rio do Centro de Forma&#xE7;&#xE3;o e Aperfei&#xE7;oamento do Magist&#xE9;rio (CEFAM) e em outra forma&#xE7;&#xE3;o, antes de ingressar na Licenciatura em Matem&#xE1;tica, observaram que:</p> <disp-quote>
<p>Enquanto no CEFAM, segundo os depoentes, havia uma predominante valoriza&#xE7;&#xE3;o de conte&#xFA;dos pedag&#xF3;gicos, na Licenciatura h&#xE1;, num processo hist&#xF3;rico, uma esp&#xE9;cie de &#x2018;divis&#xE3;o&#x2019; entre estes e os conte&#xFA;dos espec&#xED;ficos de Matem&#xE1;tica, na qual, de acordo com os depoentes, os &#xFA;ltimos s&#xE3;o tendencialmente mais valorizados. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SOUZA; GARNICA, 2004</xref>, p. 37)</p></disp-quote>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>8 Conclus&#xE3;o</title>
<p>Nossa inten&#xE7;&#xE3;o neste artigo foi de levantar algumas quest&#xF5;es na busca de compreens&#xE3;o para a forma&#xE7;&#xE3;o de professores de Matem&#xE1;tica em uma institui&#xE7;&#xE3;o de ensino p&#xFA;blica ao longo de v&#xE1;rias d&#xE9;cadas. Cremos ser preciso entender o processo hist&#xF3;rico da constitui&#xE7;&#xE3;o do curso para obtermos elementos de resposta &#xE0; quest&#xE3;o da pouca quantidade de egressos do curso. Essa preocupa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o est&#xE1; presente somente em nossos estudos.</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] a quest&#xE3;o da forma&#xE7;&#xE3;o de professores constitui-se em um enorme desafio para as pol&#xED;ticas educacionais, uma vez que a origem dessa forma&#xE7;&#xE3;o deficit&#xE1;ria est&#xE1; na expans&#xE3;o das redes de ensino em curto espa&#xE7;o de tempo e na conseq&#xFC;ente necessidade de amplia&#xE7;&#xE3;o do quadro docente, pois, de acordo com os estudos e avalia&#xE7;&#xF5;es dispon&#xED;veis, a forma&#xE7;&#xE3;o de professores n&#xE3;o deu conta de prover o ensino com profissionais adequadamente qualificados. (<xref ref-type="bibr" rid="B9">OLIVEIRA, 2003</xref>, p.6)</p></disp-quote>
<p>Uma vez que a forma&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o tem sido condizente com as necessidades da sociedade, &#xE9; preciso refletir sobre que profissional queremos e, para isso, deve-se considerar tamb&#xE9;m as necessidades do professor no exerc&#xED;cio da doc&#xEA;ncia. Nossos estudos indicam que a forma&#xE7;&#xE3;o inicial n&#xE3;o tem dado conta dessa tarefa e isso desde sua implanta&#xE7;&#xE3;o. Estudos e pesquisas apontam para a import&#xE2;ncia do rompimento do modelo 3+1 que vigorou durante muitos anos. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Licenciatura, implantadas em 2001, assim preconizavam. Uma das principais raz&#xF5;es dessa ruptura &#xE9; a dicotomia existente, no modelo 3+1, entre disciplinas de <italic>conte&#xFA;do</italic> e disciplinas <italic>pedag&#xF3;gicas</italic>. Cabe ao licenciando estabelecer conex&#xF5;es necess&#xE1;rias e &#xFA;teis &#xE0; sua profiss&#xE3;o. Nesse sentido, essas Diretrizes tamb&#xE9;m enfatizam a import&#xE2;ncia de o futuro professor ter contato com sua profiss&#xE3;o desde sua entrada no Curso, por meio de disciplinas de Pr&#xE1;tica e que o Est&#xE1;gio Supervisionado comece na segunda metade do Curso. Uma breve leitura de uma estrutura curricular pode levar a crer que o desejado est&#xE1; sendo praticado, pois essas exig&#xEA;ncias parecem ser contempladas. Entretanto, uma an&#xE1;lise mais detalhada mostra que muito h&#xE1; para ser feito, a come&#xE7;ar pelo formador de professores, pois n&#xE3;o basta colocar disciplinas de Pr&#xE1;tica desde o in&#xED;cio do Curso. &#xC9; necess&#xE1;rio pensar o qu&#xEA; e como isso deve ser feito e como deve ser trabalhado e articulado todo o conjunto de disciplinas e outras atividades da Licenciatura. A hist&#xF3;ria mostra que desde as primeiras Licenciaturas, na UFMS, at&#xE9; as atuais, diversas mudan&#xE7;as foram realizadas; desde mudan&#xE7;as profundas nos modelos de forma&#xE7;&#xE3;o, como Licenciatura Curta ou Plena, a mudan&#xE7;as nas estruturas curriculares, mas, infelizmente, ainda estamos buscando caminhos para a forma&#xE7;&#xE3;o de um profissional que possa atuar na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica com os alunos e condi&#xE7;&#xF5;es que temos.</p>
<p>Cabe, por fim, observar que, ao buscarmos rela&#xE7;&#xF5;es entre a quantidade de egressos do Curso e sua estrutura, constatamos que a maior quantidade de formados dentro do per&#xED;odo de quatro anos, ocorreu com aqueles que ingressaram em 2004, cuja estrutura parecia &#x2013; ao menos em inten&#xE7;&#xE3;o &#x2013; efetivamente levar em considera&#xE7;&#xE3;o as orienta&#xE7;&#xF5;es das Diretrizes Curriculares Nacionais para as Licenciaturas, inclusive articulando disciplinas de <italic>Conte&#xFA;do</italic> a quest&#xF5;es did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gicas<xref ref-type="fn" rid="fn26"><sup>26</sup></xref>. Entretanto, seriam precisos novos dados para comprovar tal hip&#xF3;tese o que, infelizmente, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel uma vez que tal estrutura foi novamente modificada, voltando, em nossa opini&#xE3;o, a algumas caracter&#xED;sticas semelhantes a estruturas anteriores. Al&#xE9;m disso, a quantidade de egressos voltou a diminuir. Coincid&#xEA;ncia? Um dado para futuras reflex&#xF5;es.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Na reda&#xE7;&#xE3;o deste artigo, fa&#xE7;o a op&#xE7;&#xE3;o de escrever, ora na primeira pessoa do singular, ora na primeira pessoa do plural com o objetivo de retratar a&#xE7;&#xF5;es/pensamentos individuais ou dos dois autores do artigo.</p></fn>
<fn fn-type="supported-by" id="fn2">
<label>2</label>
<p>Pesquisa coordenada pela primeira autora deste artigo, apoiada pelo CNPq.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Empregamos o termo estado para designar as unidades federativas brasileiras e o termo Estado para referir-nos ao aparelho pol&#xED;tico-administrativo.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn4">
<label>4</label>
<p>O termo hist&#xF3;rico correto, consagrado pela historiografia e pelos documentos da ditadura militar &#xE9; divis&#xE3;o e n&#xE3;o desmembramento, por isso esse &#xE9; o termo usado em nosso artigo.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
<label>5</label>
<p>A UEMT foi criada pela Lei Estadual n&#xBA; 2.947, de 16.09.1969. Sua origem data de 1962 com a cria&#xE7;&#xE3;o da Faculdade de Farm&#xE1;cia e Odontologia de Campo Grande.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn6">
<label>6</label>
<p>Uma compreens&#xE3;o mais completa desse problema encontra-se em BITTAR, 1998.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn7">
<label>7</label>
<p>&#x201C;Introduzindo como alternativa aos cursos de pedagogia e licenciatura os institutos superiores de educa&#xE7;&#xE3;o e as Escolas Normais Superiores, a LDB sinalizou para uma pol&#xED;tica educacional tendente a efetuar um nivelamento por baixo: os institutos superiores de educa&#xE7;&#xE3;o emergem como institui&#xE7;&#xF5;es de n&#xED;vel superior de segunda categoria, provendo uma forma&#xE7;&#xE3;o mais aligeirada, mais barata, por meio de cursos de curta dura&#xE7;&#xE3;o.&#x201D; (SAVIANI, 2009, p.148)</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
<label>8</label>
<p>Apesar de algumas sociedades cient&#xED;ficas, como a de F&#xED;sica e de Matem&#xE1;tica, terem participado ativamente das discuss&#xF5;es acerca da forma&#xE7;&#xE3;o de professores, nesse artigo consideramos como refer&#xEA;ncia documento publicado pela SPBC tanto pelo fato de ele congregar as principais propostas e reflex&#xF5;es das sociedade cient&#xED;ficas como por essa ser, &#xE0; &#xE9;poca, uma sociedade de grande for&#xE7;a pol&#xED;tica. Vale lembrar que a SBPC foi a primeira sociedade cient&#xED;fica a se opor &#xE0; ditadura militar e a apoiar as lutas democr&#xE1;ticas da &#xE9;poca.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn9">
<label>9</label>
<p>O documento salienta, todavia, que na op&#xE7;&#xE3;o do oferecimento do ensino de ci&#xEA;ncias por disciplinas ? F&#xED;sica, Qu&#xED;mica e Biologia ?, n&#xE3;o significava que todas elas devessem estar presentes em todas as s&#xE9;ries, mas, deveriam ser organizadas intercaladas e sequencialmente por s&#xE9;rie.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn10">
<label>10</label>
<p>Somente o curso de Ci&#xEA;ncias, do campus de Aquidauana, n&#xE3;o foi extinto na d&#xE9;cada de 1980, o que aconteceu em 1996.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label>
<p>Do ponto de vista legal o Manual do Acad&#xEA;mico em suas edi&#xE7;&#xF5;es dos anos de 1997 e 1998 produziu um equ&#xED;voco. Nestas edi&#xE7;&#xF5;es anuncia-se o curso de Licenciatura de 1&#xBA; grau em Ci&#xEA;ncias, com a Habilita&#xE7;&#xE3;o Plena em Biologia como um &#xFA;nico curso, o de Ci&#xEA;ncias Biol&#xF3;gicas. Pela legisla&#xE7;&#xE3;o em vigor o que de fato havia eram dois cursos, sendo que para a Habilita&#xE7;&#xE3;o Plena em Biologia o candidato necessitava ter conclu&#xED;do antes o curso de Ci&#xEA;ncias Habilita&#xE7;&#xE3;o de 1&#xBA; grau. Outra quest&#xE3;o n&#xE3;o menos importante refere-se &#xE0; confus&#xE3;o constante nestas edi&#xE7;&#xF5;es do Manual a respeito do termo Licenciatura. Ele foi usado para classificar o curso de Ci&#xEA;ncias (Habilita&#xE7;&#xE3;o de 1&#xBA; grau), de Aquidauana, e tamb&#xE9;m para designar cursos de Licenciatura Plena.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn12">
<label>12</label>
<p>No Manual do Acad&#xEA;mico h&#xE1; refer&#xEA;ncia apenas &#xE0; Licenciatura, sem especificar se &#xE9; Plena ou Curta.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn13">
<label>13</label>
<p>No Manual de Acad&#xEA;mico de 1998, n&#xE3;o h&#xE1; refer&#xEA;ncia &#xE0; habilita&#xE7;&#xE3;o conferida pela Licenciatura Curta. Por&#xE9;m, no Manual de 1997, consta: formar &#x201C;professores de Ci&#xEA;ncias F&#xED;sicas, Biol&#xF3;gicas e Matem&#xE1;tica no 1&#xBA; grau&#x201D;.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn14">
<label>14</label>
<p>Apesar de constar do Manual do Acad&#xEA;mico, edi&#xE7;&#xE3;o de 1998, com implanta&#xE7;&#xE3;o para o primeiro semestre do ano letivo, esse curso n&#xE3;o foi efetivamente implantado.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn15">
<label>15</label>
<p>Esse &#xE9; um problema muito mais geral. Todos os cursos hom&#xF4;nimos da institui&#xE7;&#xE3;o tinham que seguir os mesmos objetivos definidos na estrutura curricular &#xFA;nica para todos.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn16">
<label>16</label>
<p>A primeira autora deste texto ingressou na Licenciatura em Matem&#xE1;tica, Campo Grande, em 1981, e o segundo autor em 1983. Ap&#xF3;s a conclus&#xE3;o do curso e alguns anos em outras institui&#xE7;&#xF5;es, para estudos e/ou trabalho, retornaram &#xE0; casa, como professores permanentes, em 1991 e em 1989, respectivamente.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn17">
<label>17</label>
<p>A Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 30/74 (CFE, 1974) unificou as Licenciaturas das Ci&#xEA;ncias F&#xED;sicas e Biol&#xF3;gicas e de Matem&#xE1;tica transformando-as na Licenciatura em Ci&#xEA;ncias com habilita&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica para o 1&#xBA; grau ou para o 1&#xBA; e 2&#xBA; graus.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn18">
<label>18</label>
<p>Em 2005, o c&#xE2;mpus de Dourados ganhou autonomia com o desmembramento da UFMS e a cria&#xE7;&#xE3;o da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn19">
<label>19</label>
<p>Rede Kumon &#xE9; uma institui&#xE7;&#xE3;o de ensino particular, origin&#xE1;ria no Jap&#xE3;o, com diversas franquias no mundo. No Brasil oferece cursos de Portugu&#xEA;s, Matem&#xE1;tica, Japon&#xEA;s e Ingl&#xEA;s. Atende a alunos de diversas idades e n&#xE3;o se caracteriza como um ensino regular.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn20">
<label>20</label>
<p>Todos os nomes dos entrevistados s&#xE3;o fict&#xED;cios, conforme acordo estabelecido com os mesmos.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn21">
<label>21</label>
<p>O leitor interessado em detalhes dessa an&#xE1;lise poder&#xE1; encontra-los em (BITTAR; OLIVEIRA; FREITAS, 2013).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn22">
<label>22</label>
<p>Para ajudar o leitor a compreender cada uma dessas categorias, colocamos, entre par&#xEA;nteses, exemplos de disciplinas que permitem abordar, de modo especial o conhecimento focado na referida categoria.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn23">
<label>23</label>
<p>Nessa categoria podem ser consideradas disciplinas que tratam quest&#xF5;es curriculares como diretrizes estaduais ou municipais e os Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn24">
<label>24</label>
<p>N&#xE3;o foi poss&#xED;vel obter oficialmente essa informa&#xE7;&#xE3;o, entretanto, nossa estreita rela&#xE7;&#xE3;o com o Curso, inicialmente como alunos e posteriormente como professores, nos permite fazer tal afirma&#xE7;&#xE3;o.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn25">
<label>25</label>
<p>Em Outros constam disciplinas n&#xE3;o classificadas nas categorias anteriormente apresentadas, como: F&#xED;sica, Educa&#xE7;&#xE3;o F&#xED;sica, Ci&#xEA;ncia da Computa&#xE7;&#xE3;o e L&#xED;ngua Portuguesa.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn26">
<label>26</label>
<p>Em artigo em prepara&#xE7;&#xE3;o discutimos, em detalhes, a proposta da estrutura curricular implantada em 2004.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<element-citation publication-type="journal">
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<article-title>Um estudo sobre mudan&#xE7;as curriculares em uma licenciatura em Matem&#xE1;tica ao longo de 30 anos</article-title>
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<ref id="B2">
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<article-title>A Evas&#xE3;o em um Curso de Matem&#xE1;tica em 30 anos</article-title>
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<chapter-title xml:lang="pt">A dial&#xE9;tica na pesquisa em educa&#xE7;&#xE3;o: elementos de contexto</chapter-title>
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