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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
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<journal-id journal-id-type="publisher-id">bolema</journal-id>
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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00025</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n51r04</article-id>
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<subject>Resenha</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Educa&#xE7;&#xE3;o e tecnologias: o novo ritmo da informa&#xE7;&#xE3;o</article-title>
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<name><surname>Assis</surname><given-names>Por Luciana M. Elias de</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib></contrib-group>
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<institution content-type="normalized">Universidade do Estado de Mato Grosso</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade do Estado de Mato Grosso</institution>
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<named-content content-type="city">Sinop</named-content>
<named-content content-type="state">MT</named-content></addr-line>
<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Mestre em Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Docente da Faculdade de Ci&#xEA;ncias Exatas e Tecnol&#xF3;gicas do Campus Universit&#xE1;rio de Sinop da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Sinop, MT, Brasil.</institution></aff>
<author-notes>
<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua dos Buritis, 1249, Bairro Jardim Maring&#xE1;, CEP: 78.556-204, Sinop, MT, Brasil. E-mail: <email>lucianam@unemat-net.br</email>.</corresp>
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<pub-date pub-type="epub-ppub">
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<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
<issue>51</issue>
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<name><surname>KENSKI</surname><given-names>V. M.</given-names></name></person-group>
<article-title>Educa&#xE7;&#xE3;o e tecnologias: o novo ritmo da informa&#xE7;&#xE3;o</article-title>
<source xml:lang="pt">Campinas: Editora Papirus</source>
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<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
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<p>Em seu livro, Vani Moreira Kenski aborda a rela&#xE7;&#xE3;o entre educa&#xE7;&#xE3;o e tecnologias utilizando uma linguagem acess&#xED;vel para que, al&#xE9;m dos estudantes e profissionais da educa&#xE7;&#xE3;o, outros leitores de diferentes &#xE1;reas, interessados pelo tema, possam compreender conceitos e quest&#xF5;es relacionados &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o e &#xE0;s tecnologias.</p>
<p>A autora trata o tema <italic>educa&#xE7;&#xE3;o e tecnologias</italic> de forma abrangente, buscando elucidar, historicamente, os sucessivos avan&#xE7;os tecnol&#xF3;gicos ao longo dos tempos, destacando seus reflexos na educa&#xE7;&#xE3;o. O livro &#xE9; composto de seis cap&#xED;tulos e, ao final, apresenta algumas quest&#xF5;es relativas a cada cap&#xED;tulo, al&#xE9;m de um gloss&#xE1;rio de nomenclaturas espec&#xED;ficas utilizadas na obra.</p>
<p>No primeiro cap&#xED;tulo, Kenski busca situar as rela&#xE7;&#xF5;es existentes entre os avan&#xE7;os tecnol&#xF3;gicos e as altera&#xE7;&#xF5;es de seus usos nas sociedades em diferentes &#xE9;pocas, pautando-se no conhecimento, no poder e nas tecnologias. Inicia sua abordagem enfatizando que, desde tempos antigos, o homem j&#xE1; utilizava as tecnologias de sua &#xE9;poca, garantindo um processo crescente de inova&#xE7;&#xE3;o atrav&#xE9;s de materiais mais potentes, o que possibilitou, para povos mais desenvolvidos tecnologicamente, o dom&#xED;nio e o ac&#xFA;mulo de riquezas.</p>
<p>Ao relacionar presente e passado, Kenski salienta que a rela&#xE7;&#xE3;o de ampliar dom&#xED;nios e acumular riquezas n&#xE3;o mudou e pode ser retratada atrav&#xE9;s das grandes pot&#xEA;ncias mundiais como, por exemplo, dos pa&#xED;ses e corpora&#xE7;&#xF5;es multinacionais que se preocupam em manter e ampliar poderes pol&#xED;ticos e econ&#xF4;micos, investindo grande parte de seu or&#xE7;amento em pesquisas de inova&#xE7;&#xF5;es para garantir sua hegemonia.</p>
<p>H&#xE1;, tamb&#xE9;m, uma rela&#xE7;&#xE3;o entre educa&#xE7;&#xE3;o, poder e tecnologia feita na indica&#xE7;&#xE3;o de que o meio cultural familiar de uma pessoa determina seu comportamento de forma similar ao modo com a escola exerce seu poder em rela&#xE7;&#xE3;o aos conhecimentos e ao uso das tecnologias. Nesse contexto, a escola representa o espa&#xE7;o de forma&#xE7;&#xE3;o de todas as pessoas, possibilitando o dom&#xED;nio de conhecimentos necess&#xE1;rios para uma melhor qualidade de vida das pessoas. Com a evolu&#xE7;&#xE3;o das tecnologias, as qualifica&#xE7;&#xF5;es profissionais s&#xE3;o alteradas, bem como a forma com que as pessoas vivem, informam-se e comunicam-se.</p>
<p>Por fim, Kenski conceitua tecnologia de duas formas distintas: por meio da rela&#xE7;&#xE3;o existente com t&#xE9;cnicas e equipamentos; e por meio das novas tecnologias, levando em conta o conceito de inova&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>No cap&#xED;tulo 2, intitulado <italic>Tecnologias tamb&#xE9;m servem para informar e comunicar</italic>, a autora discorre sobre as TICs para a produ&#xE7;&#xE3;o e propaga&#xE7;&#xE3;o de informa&#xE7;&#xF5;es e, ainda, sobre as novas tecnologias de informa&#xE7;&#xE3;o e comunica&#xE7;&#xE3;o, as NTICs, conceituando-as por meio da linguagem oral, da linguagem escrita e da linguagem digital.</p>
<p>Assumindo o fato de que as TICs provocaram mudan&#xE7;as radicais ao convergir para uma nova tecnologia, a digital, Kenski apresenta as redes, citando a internet como sendo o &#x201C;espa&#xE7;o poss&#xED;vel de integra&#xE7;&#xE3;o e articula&#xE7;&#xE3;o de todas as pessoas conectadas com tudo que existe no espa&#xE7;o digital, o ciberespa&#xE7;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p.34)</p>
<p>Relata que o avan&#xE7;o das tecnologias digitais define poderes baseados na velocidade de acesso &#xE0;s informa&#xE7;&#xF5;es dispon&#xED;veis nas redes. Al&#xE9;m disso, apresenta exemplos concretos de inova&#xE7;&#xF5;es tecnol&#xF3;gicas destacando as mudan&#xE7;as que ocorrem socialmente, nas rela&#xE7;&#xF5;es econ&#xF4;micas, pol&#xED;ticas, financeiras, educacionais e culturais, resultantes do uso intensivo das tecnologias digitais.</p>
<p>No cap&#xED;tulo 3, intitulado <italic>Tecnologias tamb&#xE9;m servem para fazer educa&#xE7;&#xE3;o,</italic> a autora procura estabelecer a rela&#xE7;&#xE3;o entre educa&#xE7;&#xE3;o e tecnologias, focando a socializa&#xE7;&#xE3;o da inova&#xE7;&#xE3;o, ressaltando que &#x201C;a presen&#xE7;a de uma determinada tecnologia pode induzir profundas mudan&#xE7;as na maneira de organizar o ensino&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p. 44). Como exemplo, associa m&#xED;dias e educa&#xE7;&#xE3;o, uma vez que as tecnologias como a televis&#xE3;o e o computador provocaram novas media&#xE7;&#xF5;es entre a abordagem do professor, a compreens&#xE3;o do aluno e o conte&#xFA;do veiculado, isto &#xE9;, a imagem, o som e o movimento oferecem informa&#xE7;&#xF5;es mais realistas em rela&#xE7;&#xE3;o ao que est&#xE1; sendo ensinado. Acrescenta ainda que, mais importante do que as tecnologias e os procedimentos pedag&#xF3;gicos mais modernos, &#xE9; a capacidade de adequa&#xE7;&#xE3;o do processo educacional aos objetivos que levam as pessoas ao desafio de aprender. Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, traz exemplos de novas formas de aprender apoiando-se nas redes digitais, cuja din&#xE2;mica e capacidade de estrutura&#xE7;&#xE3;o colocam os participantes de um determinado momento educacional em conex&#xE3;o, aprendendo e discutindo coletivamente de forma igualit&#xE1;ria.</p>
<p>No que tange os espa&#xE7;os coletivos do uso educacional, Kenski enfatiza a necessidade de manuten&#xE7;&#xE3;o e seguran&#xE7;a por parte das institui&#xE7;&#xF5;es de ensino, a fim de se evitar um colapso em suas atividades <italic>online</italic>. Para tanto, faz algumas considera&#xE7;&#xF5;es sobre experi&#xEA;ncias em que o uso das m&#xED;dias digitais permite a jovens autodidatas da nova gera&#xE7;&#xE3;o digital facilidades de acesso &#xE0;s informa&#xE7;&#xF5;es dispon&#xED;veis nas redes para pesquisar e aprender o que lhes interessa. Al&#xE9;m disso, faz cr&#xED;ticas quanto ao uso inadequado da tecnologia no &#xE2;mbito educacional, utilizando exemplos de projetos de ensino pouco eficazes, de profissionais despreparados para o uso pedag&#xF3;gico das tecnologias, de projetos de educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia oferecidos via <italic>broadcasting</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> e de cursos a dist&#xE2;ncia em bases digitais que n&#xE3;o levam em conta as especificidades educacionais e comunicativas, n&#xE3;o atendendo &#xE0;s necessidades de aprendizagem dos alunos.</p>
<p>No cap&#xED;tulo 4, <italic>A educa&#xE7;&#xE3;o serve para fazer mais do que usu&#xE1;rios e desenvolvedores de tecnologias</italic>, explora a &#x201C;contradi&#xE7;&#xE3;o existente na educa&#xE7;&#xE3;o escolar que forma cientistas, pesquisadores e desenvolvedores de tecnologias, mas que tamb&#xE9;m forma usu&#xE1;rios e os que se colocam contra o seu bom uso na educa&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p.9)</p>
<p>Segundo a autora, a escola &#xE9; a institui&#xE7;&#xE3;o social de maior import&#xE2;ncia, pois em todos os momentos de mudan&#xE7;as sociais fornece a escolaridade m&#xED;nima que permite a uma pessoa o letramento necess&#xE1;rio para mant&#xEA;-la atualizada e informada quanto &#xE0; utiliza&#xE7;&#xE3;o das informa&#xE7;&#xF5;es dispon&#xED;veis. Faz uma reflex&#xE3;o sobre a fun&#xE7;&#xE3;o da escola na sociedade atual que, segundo ela, consiste em garantir aos alunos-cidad&#xE3;os a forma&#xE7;&#xE3;o e aquisi&#xE7;&#xE3;o de novas habilidades, atitudes e valores na chamada <italic>Sociedade da Informa&#xE7;&#xE3;o</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. Cita, como exemplo, o Livro Verde, documento em que s&#xE3;o apresentadas as bases para a discuss&#xE3;o de um novo projeto social em todas as &#xE1;reas do conhecimento, afirmando que, em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o, deve-se &#x201C;considerar um leque de aspectos relativos &#xE0;s tecnologias de informa&#xE7;&#xE3;o e comunica&#xE7;&#xE3;o. A come&#xE7;ar pelos pap&#xE9;is que elas desempenham na constru&#xE7;&#xE3;o de uma sociedade que tenha a inclus&#xE3;o e a justi&#xE7;a social como uma das prioridades&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">TAKAHASHI, 2001</xref>, p. 45 apud <xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p.65).</p>
<p>Apresenta exemplos de projetos e propostas de ensino, mediadas pelas TICs e realizadas em sistemas p&#xFA;blicos de ensino, evidenciando o qu&#xE3;o criativo e din&#xE2;mico pode ser o processo educacional em redes, e analisa o centro do processo educativo nesse contexto, indagando se &#xE9; o conhecimento, o aluno ou s&#xE3;o as tecnologias. Outro ponto interessante presente nesse cap&#xED;tulo &#xE9; a apresenta&#xE7;&#xE3;o de como se deu a trajet&#xF3;ria da educa&#xE7;&#xE3;o, desde o final do s&#xE9;culo XX at&#xE9; os dias atuais, focando as diferen&#xE7;as entre a educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia e a educa&#xE7;&#xE3;o presencial, principalmente na forma em como ambas foram e s&#xE3;o ofertadas. No que concerne &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia, a autora faz uma associa&#xE7;&#xE3;o da possibilidade de deslocaliza&#xE7;&#xE3;o espa&#xE7;otemporal poss&#xED;vel pelas novas tecnologias digitais, sobretudo, a internet. Para compreender a educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia, caracterizada pelas m&#xED;dias digitais, isto &#xE9;, utilizando e-mails, f&#xF3;runs, chats, tele e videoconfer&#xEA;ncia, por exemplo, apoia-se em <xref ref-type="bibr" rid="B2">Jacquinot (1993)</xref>, que analisa a quest&#xE3;o da dist&#xE2;ncia em educa&#xE7;&#xE3;o a partir de cinco aspectos diferentes: o geogr&#xE1;fico, o temporal, o tecnol&#xF3;gico, o pisicossocial e o socioecon&#xF4;mico. Por fim, esclarece d&#xFA;vidas sobre as diferentes terminologias utilizadas para a realiza&#xE7;&#xE3;o de projetos educacionais por meio das tecnologias digitais, por exemplo, educa&#xE7;&#xE3;o <italic>online</italic>, educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia e <italic>e-learning</italic>, al&#xE9;m de apresentar certas caracter&#xED;sticas da educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia.</p>
<p>No cap&#xED;tulo 5, intitulado <italic>Das salas de aula aos ambientes virtuais de aprendizagem,</italic> a autora fala em como as TICs s&#xE3;o utilizadas em atividades de ensino, destacando o uso do computador e da internet ao citar os cursos de autoaprendizagem. Nesses cursos, o computador desempenha o papel de professor eletr&#xF4;nico atrav&#xE9;s de programas tutoriais que funcionam como livros. Cita, ainda, cursos oferecidos em cbt (<italic>computer based training</italic>) e wbt (<italic>web based training</italic>), que treinam os alunos com base na resolu&#xE7;&#xE3;o repetitiva de exerc&#xED;cios. Para Kenski, essa forma de utiliza&#xE7;&#xE3;o das TICs baseia-se em uma vis&#xE3;o tradicionalista de ensino, na qual o aluno e o contexto em que ocorre a educa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o s&#xE3;o levados em conta.</p>
<p>Para discutir o grau de intera&#xE7;&#xE3;o em atividades educativas, a autora apoia-se em <xref ref-type="bibr" rid="B5">Moore (2004)</xref>, que apresenta o conceito de <italic>dist&#xE2;ncia transacional</italic> com o qual tematiza a dist&#xE2;ncia f&#xED;sica e comunicativa que toma lugar em sala de aula. Moore considera que a aprendizagem ser&#xE1; mais significativa quanto maior for o grau de intera&#xE7;&#xE3;o e comunica&#xE7;&#xE3;o entre os participantes do processo. A exemplo disso, visando obter o m&#xE1;ximo de aproxima&#xE7;&#xE3;o nas atividades realizadas a dist&#xE2;ncia, por exemplo, Kenski cita Romero Tori (2002):</p> <disp-quote>
<p>Enquanto vemos muitos cursos tradicionais sustentando-se &#xFA;nica e exclusivamente na proximidade natural de suas aulas presenciais, a educa&#xE7;&#xE3;o mediada pelas tecnologias n&#xE3;o para de evoluir e de criar condi&#xE7;&#xF5;es para a efetiva redu&#xE7;&#xE3;o de dist&#xE2;ncias. Esse avan&#xE7;o tecnol&#xF3;gico pode ser utilizado n&#xE3;o apenas em cursos a dist&#xE2;ncia, mas em cursos presenciais (<xref ref-type="bibr" rid="B7">TORI, 2002</xref> apud <xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p.89).</p></disp-quote>
<p>Nesse contexto, Kenski discute possibilidades que podem ser utilizadas tanto no ensino presencial como no ensino a dist&#xE2;ncia, concluindo que o uso intensivo de tais possibilidades fortalece a intera&#xE7;&#xE3;o comunicativa e a rela&#xE7;&#xE3;o entre ensino e aprendizagem. Comenta sobre as mudan&#xE7;as de percep&#xE7;&#xE3;o sobre as TICs no ambiente escolar, usando como exemplo a inser&#xE7;&#xE3;o do computador quando isso ocorria de forma isolada, considerando-o como mais um equipamento similar &#xE0; televis&#xE3;o, ao retroprojetor e a outros recursos utilizados nas atividades pedag&#xF3;gicas nas escolas. Com o passar do tempo, ap&#xF3;s o aparecimento de programas e <italic>softwares</italic>, os professores e alunos foram treinados de modo a, no contexto de atua&#xE7;&#xE3;o dos professores e de interesse dos alunos, planejarem projetos para a inser&#xE7;&#xE3;o dessas tecnologias nas atividades de ensino. Al&#xE9;m disso, os CDs, DVDs, programas interativos, enciclop&#xE9;dias, imagens e sons tornaram o computador um recurso para auxiliar nas pesquisas e trabalhos diferenciados, surgindo novas demandas, inclusive a realiza&#xE7;&#xE3;o de projetos interdisciplinares.</p>
<p>Entretanto, para a autora, o grande salto entre educa&#xE7;&#xE3;o e tecnologias acontece em um terceiro momento, com as possibilidades de comunica&#xE7;&#xE3;o entre os computadores e o surgimento da internet, quando se possibilitou o acesso &#xE0; informa&#xE7;&#xE3;o em qualquer lugar do mundo, ou seja, o ensino mediado pelas tecnologias digitais redimensiona os pap&#xE9;is de todos os envolvidos no processo educacional.</p>
<p>No contexto atual, Kenski afirma que a sala de aula &#xE9; redesenhada pela evolu&#xE7;&#xE3;o tecnol&#xF3;gica em um novo ambiente virtual de aprendizagem. Nesse vi&#xE9;s, menciona os ambientes virutais de aprendizagem, apoiando-se em Derrick <xref ref-type="bibr" rid="B4">Kerckhove (1999)</xref>, que caracterzia os ambientes virtuais de aprendizagem como o &#x201C;modelo idealizado de processo de aprendizagem cooperativo, caracter&#xED;stico da sociedade digital&#x201D;. (<xref ref-type="bibr" rid="B4">KERCKHOVE, 1999</xref> apud <xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p.95)</p>
<p>Kenski cita exemplos de ambientes virtuais de aprendizagem brasileiros como o Teleduc, Aulanet e, ainda, alguns que s&#xE3;o de propriedade de empresas e universidades estrangeiras. Explica ainda, de forma detalhada, como ocorre o funcionamento do Teleduc (desenvolvido no Brasil pelo Nied &#x2013; N&#xFA;cleo de Inform&#xE1;tica Aplicada &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o da Unicamp), bem como suas ferramentas. Para encerrar o cap&#xED;tulo, faz uma reflex&#xE3;o e prop&#xF5;e questionamentos sobre o papel e a fun&#xE7;&#xE3;o a serem desempenhados pelas nossas atuais escolas e pelos seus professores e alunos, diante das novas realidades educacionais evidenciadas pelo uso das TICs e dos ambientes de aprendizagem.</p>
<p>No &#xFA;ltimo cap&#xED;tulo, <italic>Caminhos futuros nas rela&#xE7;&#xF5;es entre novas educa&#xE7;&#xF5;es e tecnologias</italic>, Kenski apresenta uma reflex&#xE3;o sobre as novas gera&#xE7;&#xF5;es caracterizadas por jovens que, desde muito cedo, utilizam meios digitais para todos os fins tendo forte influ&#xEA;ncia no futuro da escola e da educa&#xE7;&#xE3;o de modo geral. Comenta como os jogos eletr&#xF4;nicos contribuem para desenvolver certas habilidades e racioc&#xED;nios nos alunos, a exemplo do esp&#xED;rito de equipe, da escrita e do desenho realizado com ambas as m&#xE3;os, das capacidades sensoriais e da percep&#xE7;&#xE3;o de determinados aspectos em um ambiente amplamente variado. No &#xE2;mbito escolar, tais compet&#xEA;ncias e habilidades desenvolvidas pelos alunos podem contribuir para uma educa&#xE7;&#xE3;o com novos desafios, exigindo da escola uma reorganiza&#xE7;&#xE3;o curricular e pedag&#xF3;gica. A autora comenta, tamb&#xE9;m, sobre escolas reais em espa&#xE7;os virtuais, ou seja, formas h&#xED;bridas e interativas de uso das tecnologias digitais incorporadas em tipos de aparelhos que contenham telas, transformando-os em espa&#xE7;os virtuais de aprendizagem em redes. Faz uma reflex&#xE3;o a respeito do futuro das rela&#xE7;&#xF5;es entre a educa&#xE7;&#xE3;o e as tecnologias no Brasil, discutindo quest&#xF5;es que envolvem a democratiza&#xE7;&#xE3;o do acesso &#xE0;s tecnologias digitais, como &#xE9; o exemplo dos <italic>softwares</italic> livres que &#x201C;d&#xE3;o origem a comunidades para o desenvolvimento partilhado de programas, objetos de aprendizagem, bibliotecas virtuais e arquivos tem&#xE1;ticos em todas as &#xE1;reas do conhecimento, para o uso nas mais diferentes situa&#xE7;&#xF5;es, incluindo o ensino&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p. 124). Faz, ainda, uma discuss&#xE3;o sobre como ser&#xE1; a garantia de flu&#xEA;ncia tecnol&#xF3;gica para todos os brasileiros no futuro, enfatizando a necessidade em investimentos em equipamentos, pesquisas permanentes para atualiza&#xE7;&#xE3;o das tecnologias e uso intensivo de v&#xE1;rios tipos de tecnologias, programas e <italic>softwares</italic>. Ressalta que a escola, nesse contexto, precisa ser vista a partir de uma nova mentalidade, exigindo mudan&#xE7;as em sua estrutura e seu funcionamento, bem como necessita de uma ampla reformula&#xE7;&#xE3;o curricular. A autora encerra o cap&#xED;tulo, fazendo um alerta de que a maioria dos pa&#xED;ses transformaram a educa&#xE7;&#xE3;o em prioridade nacional e que, no Brasil, mudan&#xE7;as j&#xE1; ocorrem no movimento cotidiano de professores, alunos e das pessoas em geral que acessam os novos espa&#xE7;os virtuais de intera&#xE7;&#xE3;o, comunica&#xE7;&#xE3;o e aprendizagem, devendo as escolas incorporarem, o quanto antes, essas mudan&#xE7;as no cotidiano de seus cursos.</p>
<p>O livro de Vani Moreira Kenski &#xE9; uma leitura obrigat&#xF3;ria n&#xE3;o somente para os interessados em compreender as quest&#xF5;es atuais relacionadas com a educa&#xE7;&#xE3;o e o uso das mais novas tecnologias, mas tamb&#xE9;m para profissionais de todas as &#xE1;reas que necessitam compreender o olhar dos jovens que est&#xE3;o, desde muito cedo, inseridos em uma sociedade cuja linguagem predominante &#xE9; a digital.</p>
<p>Acreditamos que, quando bem utilizadas, as ferramentas virtuais podem trazer in&#xFA;meros benef&#xED;cios para o ensino e a aprendizagem. Entretanto, n&#xE3;o basta utiliz&#xE1;-las de forma adequada sem considerar a necessidade de um novo fazer, ensinar e aprender quando tratando das novas gera&#xE7;&#xF5;es. &#xC9; preciso considerar as novas tecnologias como essenciais no &#xE2;mbito escolar aos aprendizes dessa nova gera&#xE7;&#xE3;o, tornando claro qual papel desempenhar&#xE3;o diante do compromisso com a educa&#xE7;&#xE3;o e com o futuro da na&#xE7;&#xE3;o, atrelados &#xE0;s transforma&#xE7;&#xF5;es sociais cotidianas.</p>
<p>N&#xE3;o podemos deixar de ressaltar uma das conclus&#xF5;es de Kenski ao mencionar que, seja qual for o grau de ensino, as escolas precisam acordar e incorporar os novos movimentos voltados para a tecnologia digital em seus cursos ou, como diz Umberto <xref ref-type="bibr" rid="B1">Eco (2003)</xref>, ficar&#xE3;o estagnadas e condenadas &#xE0; obsolesc&#xEA;ncia.</p></body>
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<label>1</label>
<p>Broadcasting &#xE9; uma modalidade em que o professor fala em rede para centenas de alunos que est&#xE3;o nas mais diferentes regi&#xF5;es (<xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p. 57).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>Fruto da associa&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento cient&#xED;fico e tecnol&#xF3;gico, sobretudo da ind&#xFA;stria eletroeletr&#xF4;nica ao processo de globaliza&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica (<xref ref-type="bibr" rid="B3">KENSKI, 2012</xref>, p. 64).</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<article-title>Alguns mortos a menos</article-title>
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<comment>Editorial, 10/2008</comment>
<year>2003</year></element-citation>
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<article-title>Apprivoiser la distance et supprimer l&#x27;absence? Ou les defies de la formation &#xE0; distance</article-title>
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<mixed-citation>JACQUINOT, G. Apprivoiser la distance et supprimer l&#x27;absence? Ou les defies de la formation &#xE0; distance. <bold>Revue Fran&#xE7;aise de P&#xE9;dagogie</bold>. Paris, n.102, p.55-67, jan./fev./mar. 1993.</mixed-citation></ref>
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