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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">1980-4415v29n52a03</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n52a03</article-id>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Reflex&#xF5;es sobre Rela&#xE7;&#xF5;es entre Curr&#xED;culo, Avalia&#xE7;&#xE3;o e Forma&#xE7;&#xE3;o de Professores na &#xC1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</article-title>
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<trans-title>Reflections on Relations between Curriculum, Assessment and Teacher Education in Mathematics Education</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Pires</surname><given-names>C&#xE9;lia Maria Carolino</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Mato Grosso do Sul</institution>
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<named-content content-type="city">Campo Grande</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Mestra em Matem&#xE1;tica pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC-SP) e Doutora em Educa&#xE7;&#xE3;o pela Universidade de S&#xE3;o Paulo (USP). Professora Colaboradora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande/MS, Brasil</institution></aff></contrib-group>
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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua Paulist&#xE2;nia, 520, ap. 31, Sumarezinho, S&#xE3;o Paulo/SP, CEP: 05440-001. E-mail: <email>ccarolinopires@gmail.com</email></corresp></author-notes>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<month>08</month>
<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
<issue>52</issue>
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<month>06</month>
<year>2014</year></date>
<date date-type="accepted">
<month>02</month>
<year>2015</year></date>
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This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Comercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in a any medium, prodvide the original work is properly cited.
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<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>No presente texto, o objetivo &#xE9; trazer algumas reflex&#xF5;es voltadas para a articula&#xE7;&#xE3;o das pesquisas sobre curr&#xED;culo, avalia&#xE7;&#xE3;o e forma&#xE7;&#xE3;o de professores na &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, particularmente voltadas para o modo como se articulam os projetos/a&#xE7;&#xF5;es que constituem pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil, considerando-se essa tr&#xED;ade. Essas reflex&#xF5;es baseiam-se em experi&#xEA;ncias vivenciadas em nosso grupo de pesquisa e em projetos/a&#xE7;&#xF5;es governamentais de reorganiza&#xE7;&#xE3;o curricular e forma&#xE7;&#xE3;o de professores. Destacamos a necessidade de desenvolver de forma articulada pesquisas sobre curr&#xED;culo, avalia&#xE7;&#xE3;o e forma&#xE7;&#xE3;o de professores e que seus resultados sejam mais bem divulgados, com vistas a contribuir efetivamente na formula&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Ainda no &#xE2;mbito de projetos/a&#xE7;&#xF5;es que constituem pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil, observa-se que as propostas de discuss&#xE3;o curricular, de avalia&#xE7;&#xE3;o e de forma&#xE7;&#xE3;o de professores conversam pouco entre si e s&#xE3;o implementadas como se fossem autossuficientes, com desarticula&#xE7;&#xE3;o vis&#xED;vel.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>Our objective in this paper is to create some thoughts about the articulation of research on curriculum, assessment and teacher training in the area of mathematics education, particularly focused on how articulate the projects/actions that constitute public policies in Brazil are when considering this triad. These reflections are based on experiences in our research group, projects/actions of governmental reorganization curriculum, and teacher training. We emphasize the need to develop research on articulated curriculum, assessment, and teacher training and their results to be better publicized, in order to contribute effectively in the formulation of public policies. Even within projects/actions that constitute public policies in Brazil, it is observed that the proposed curriculum discussion, evaluation, and training of teachers do not correlate and are implemented as if they were self-sufficient, with visible dislocation.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Curr&#xED;culo</kwd>
<kwd>Avalia&#xE7;&#xE3;o</kwd>
<kwd>Forma&#xE7;&#xE3;o de Professores</kwd>
<kwd>Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords:</title>
<kwd>Curriculum</kwd>
<kwd>Evaluation</kwd>
<kwd>Teacher Training</kwd>
<kwd>Mathematics Education</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Acompanhando e participando de alguns debates sobre pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no cen&#xE1;rio da educa&#xE7;&#xE3;o brasileira, identificamos tr&#xEA;s pilares que as sustentam: curr&#xED;culo, forma&#xE7;&#xE3;o de professores e avalia&#xE7;&#xE3;o. Ademais, s&#xE3;o pilares que pressup&#xF5;em estreita articula&#xE7;&#xE3;o entre si. Eles tamb&#xE9;m s&#xE3;o temas focalizados por pesquisas nas &#xE1;reas de Educa&#xE7;&#xE3;o e Ensino.</p>
<p>Nesse contexto, algumas quest&#xF5;es est&#xE3;o merecendo aten&#xE7;&#xE3;o especial, a saber: (1) Como se articulam as pesquisas sobre curr&#xED;culo, avalia&#xE7;&#xE3;o e forma&#xE7;&#xE3;o de professores? (2) Como se articulam os projetos/a&#xE7;&#xF5;es que constituem pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil, considerando-se a tr&#xED;ade curr&#xED;culo, avalia&#xE7;&#xE3;o e forma&#xE7;&#xE3;o de professores? (3) Como se articulam resultados de pesquisa com projetos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas?</p>
<p>As reflex&#xF5;es que trazemos baseiam-se em nossas atividades como pesquisadora da &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, liderando um grupo de pesquisa desde 2000. Apoiam-se, ainda, em nossas participa&#xE7;&#xF5;es em projetos no &#xE2;mbito nacional e tamb&#xE9;m estadual, relativos ao processo de formula&#xE7;&#xE3;o curricular, a quest&#xF5;es de avalia&#xE7;&#xE3;o em larga escala e &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o de professores.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Algumas contribui&#xE7;&#xF5;es do nosso Grupo de Pesquisa</title>
<p>Desde 2000, atuando no Programa de Estudos P&#xF3;s-Graduados em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo, coordenamos o Grupo de Pesquisa &#x201C;Desenvolvimento Curricular em Matem&#xE1;tica e Forma&#xE7;&#xE3;o de Professores&#x201D;, que tem como finalidade analisar processos de organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento curricular na &#xE1;rea de Matem&#xE1;tica e sua articula&#xE7;&#xE3;o com a forma&#xE7;&#xE3;o de professores. Embora n&#xE3;o fosse preocupa&#xE7;&#xE3;o inicial do Grupo, o tema das avalia&#xE7;&#xF5;es institucionais tem-se mostrado cada vez mais necess&#xE1;rio de ser investigado &#x2013; quase a substituir a discuss&#xE3;o curricular &#x2013;, em raz&#xE3;o de sua influ&#xEA;ncia nas escolas e do progressivo <italic>status</italic> a elas conferido.</p>
<sec>
<title>2.1 Projetos iniciais sobre inova&#xE7;&#xE3;o curricular e forma&#xE7;&#xE3;o de professores</title>
<p>Os estudos iniciais do Grupo inclu&#xED;ram an&#xE1;lises sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o curricular brasileira ao longo das &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas, procurando identificar vari&#xE1;veis que interv&#xEA;m na formula&#xE7;&#xE3;o de propostas em diferentes momentos e observar a forma como as diretrizes veiculadas por documentos oficiais s&#xE3;o traduzidas na pr&#xE1;tica dos professores em sala de aula e nos livros did&#xE1;ticos, analisando o curr&#xED;culo como <italic>pr&#xE1;xis</italic>. Alguns estudos investigaram a rela&#xE7;&#xE3;o entre forma&#xE7;&#xE3;o de professores e os processos de mudan&#xE7;a, inova&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento curricular, analisando como os professores de Matem&#xE1;tica se inserem nesses processos.</p>
<p>Dentre os autores que orientaram os debates no &#xE2;mbito desse projeto, destacamos: <xref ref-type="bibr" rid="B1">Bishop (1999)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Doll Jr. (1997)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Pires (2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">2014</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B13">Rico (2013)</xref> e Sacrist&#xE1;n (1998).</p>
<p>Os resultados de 37 investiga&#xE7;&#xF5;es conclu&#xED;das no per&#xED;odo de 2000 a 2007 evidenciaram que as orienta&#xE7;&#xF5;es curriculares, embora nem sempre sejam conhecidas e analisadas em profundidade pelos professores, tanto no caso do Ensino Fundamental como do Ensino M&#xE9;dio, acabam difundindo algumas concep&#xE7;&#xF5;es que passam a integrar o discurso dos professores, mas n&#xE3;o necessariamente sua pr&#xE1;tica.</p>
<p>A t&#xED;tulo de exemplo, no rol dessas concep&#xE7;&#xF5;es incorporadas ao discurso, no caso da Matem&#xE1;tica, est&#xE3;o a participa&#xE7;&#xE3;o do aluno na constru&#xE7;&#xE3;o de seu conhecimento, o papel do professor como mediador entre estudantes e conhecimento matem&#xE1;tico, a condena&#xE7;&#xE3;o a processos de pura mecaniza&#xE7;&#xE3;o e memoriza&#xE7;&#xE3;o, a relativiza&#xE7;&#xE3;o referente &#xE0; necessidade de eleger conte&#xFA;dos para ensinar, a valoriza&#xE7;&#xE3;o da ideia de que &#xE9; fundamental mostrar aos estudantes as aplica&#xE7;&#xF5;es da Matem&#xE1;tica ao <italic>cotidiano</italic> e &#xE0;s demais &#xE1;reas de conhecimento.</p>
<p>Embora pare&#xE7;a que h&#xE1; grandes consensos conceituais, com muita frequ&#xEA;ncia, os pr&#xF3;prios professores destacam que n&#xE3;o se sentem parte do processo de organiza&#xE7;&#xE3;o curricular e que n&#xE3;o est&#xE3;o preparados para colocar em pr&#xE1;tica as ideias veiculadas, mesmo quando declaram concordar com elas. Atribuem suas dificuldades a uma forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada em que h&#xE1; insuficiente prepara&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; forma de colocar em pr&#xE1;tica essas <italic>novas ideias</italic>.</p>
<p>No caso do Ensino M&#xE9;dio, os professores participantes de algumas investiga&#xE7;&#xF5;es do grupo queixam-se das m&#xFA;ltiplas sinaliza&#xE7;&#xF5;es sobre o que e como ensinar, sem saber se atendem &#xE0;s exig&#xEA;ncias de vestibulares, de exames nacionais e de documentos curriculares e sem saber como compatibilizar tais exig&#xEA;ncias com as situa&#xE7;&#xF5;es reais de suas salas de aula.</p>
<p>Em diferentes trabalhos, fica muito patente a dissocia&#xE7;&#xE3;o entre curr&#xED;culos prescritos, curr&#xED;culos apresentados (traduzidos por livros did&#xE1;ticos), curr&#xED;culos moldados pelos professores, curr&#xED;culos efetivamente realizados em sala de aula, curr&#xED;culos avaliados &#x2013; que s&#xE3;o os n&#xED;veis de realiza&#xE7;&#xE3;o curricular, indicados por Sacrist&#xE1;n (2000).</p>
</sec>
<sec>
<title>2.2 Um projeto de interven&#xE7;&#xE3;o curricular na pr&#xE1;tica cotidiana</title>
<p>Em fun&#xE7;&#xE3;o dessas constata&#xE7;&#xF5;es, a partir de 2007, o Grupo de Pesquisa voltou seu olhar para a realiza&#xE7;&#xE3;o do curr&#xED;culo em salas de aula. Organizamos um novo projeto de pesquisa, denominado &#x201C;Constru&#xE7;&#xE3;o de trajet&#xF3;rias hipot&#xE9;ticas de aprendizagem e implementa&#xE7;&#xE3;o de inova&#xE7;&#xF5;es curriculares em Matem&#xE1;tica no Ensino M&#xE9;dio&#x201D;.</p>
<p>A express&#xE3;o &#x201C;Trajet&#xF3;rias Hipot&#xE9;ticas de Aprendizagem&#x201D; (THA) foi utilizada num artigo de Martin Simon, de 1995, que debatemos no Grupo e que tem como foco a realiza&#xE7;&#xE3;o do curr&#xED;culo em sala de aula e o professor como protagonista desse n&#xED;vel de concretiza&#xE7;&#xE3;o de prescri&#xE7;&#xF5;es curriculares. A motiva&#xE7;&#xE3;o era compreender o processo de constru&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento de propostas de inova&#xE7;&#xE3;o curricular na &#xE1;rea de Matem&#xE1;tica, considerando alguns princ&#xED;pios apresentados nas Diretrizes e nos Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais para o Ensino M&#xE9;dio.</p>
<p>O projeto teve a participa&#xE7;&#xE3;o de 6 doutorandos e 14 mestrandos, que se orientaram por algumas refer&#xEA;ncias te&#xF3;ricas comuns, especialmente os trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B18">Simon (1995)</xref> e de autores que exploraram essa ideia de THA, como <xref ref-type="bibr" rid="B7">Gravemeijer <italic>et al</italic>. (2000)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B19">Steffe (2004)</xref>, que foram referenciados em texto de Pedro G&#xF3;mez e Jos&#xE9; Luis Lupi&#xE1;&#xF1;ez, de 2007.</p>
<p>Aos doutorandos coube a tarefa de investigar fundamentos te&#xF3;ricos sobre diferentes aspectos dos curr&#xED;culos de Matem&#xE1;tica para essa etapa da escolaridade.</p>
<p>Dois trabalhos trouxeram contribui&#xE7;&#xF5;es, analisando, respectivamente, a constitui&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica da disciplina Matem&#xE1;tica no cotidiano escolar e os curr&#xED;culos de Matem&#xE1;tica apresentados a partir da an&#xE1;lise de livros did&#xE1;ticos usados numa escola p&#xFA;blica de grande tradi&#xE7;&#xE3;o em S&#xE3;o Paulo, no per&#xED;odo de 1930 a 1961.</p>
<p>Uma das investiga&#xE7;&#xF5;es centrou-se na busca de crit&#xE9;rios para escolha e organiza&#xE7;&#xE3;o de conte&#xFA;dos que comp&#xF5;em um curr&#xED;culo cr&#xED;tico e p&#xF3;s-moderno &#x2013; riqueza, recurs&#xE3;o, rela&#xE7;&#xF5;es, rigor, reflex&#xE3;o, realidade, responsabilidade e ressignifica&#xE7;&#xE3;o &#x2013;, sendo que os quatro primeiros se referem a escolhas ligadas ao que foi denominado <italic>parte proped&#xEA;utica do curr&#xED;culo</italic>, enquanto os outros quatro servem como norteadores para classificar os conte&#xFA;dos priorit&#xE1;rios do que foi nomeado como <italic>dimens&#xE3;o cr&#xED;tica do curr&#xED;culo</italic>.</p>
<p>Outras investiga&#xE7;&#xF5;es dedicaram-se &#xE0; an&#xE1;lise da polariza&#xE7;&#xE3;o entre aplica&#xE7;&#xF5;es pr&#xE1;ticas e especula&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas presentes nas propostas mais recentes, ao entendimento dos significados da contextualiza&#xE7;&#xE3;o na Matem&#xE1;tica do Ensino M&#xE9;dio e &#xE0; abordagem interdisciplinar nos curr&#xED;culos de Matem&#xE1;tica nesse n&#xED;vel de ensino.</p>
<p>Com o aporte de fundamentos discutidos semanalmente pelos integrantes do Grupo de Pesquisa, os mestrandos tiveram a miss&#xE3;o de construir, discutir e avaliar, para diferentes expectativas de aprendizagem propostas para Ensino M&#xE9;dio no documento PCN+, Trajet&#xF3;rias Hipot&#xE9;ticas de Aprendizagem (THA)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. As pesquisas realizadas envolveram salas de aula de cerca de 40 professores do ensino m&#xE9;dio e um total aproximado de 1200 estudantes.</p>
<p>Os mestrandos organizaram suas pesquisas em diferentes etapas, a saber: (1) Revis&#xE3;o bibliogr&#xE1;fica (pesquisas sobre o tema, an&#xE1;lise de livros did&#xE1;ticos e de outros materiais instrucionais); (2) Elabora&#xE7;&#xE3;o da primeira vers&#xE3;o da THA pelo(a) pesquisador(a); (3) Discuss&#xE3;o da primeira vers&#xE3;o da THA com um grupo de professores do Ensino M&#xE9;dio, para elabora&#xE7;&#xE3;o da segunda vers&#xE3;o da THA, a ser desenvolvida em sala de aula; (4) Elabora&#xE7;&#xE3;o de instrumentos para observa&#xE7;&#xE3;o e coleta de dados; (5) Acompanhamento do desenvolvimento da segunda vers&#xE3;o da THA em sala de aula; (6) An&#xE1;lise e categoriza&#xE7;&#xE3;o dos dados coletados; (7) Elabora&#xE7;&#xE3;o da terceira vers&#xE3;o da THA.</p>
<p>A partir da leitura dos relat&#xF3;rios, foram escolhidas unidades de an&#xE1;lise para caracterizar alguns aspectos do processo de forma&#xE7;&#xE3;o do professor de Matem&#xE1;tica, em fun&#xE7;&#xE3;o da perspectiva de constru&#xE7;&#xE3;o de Trajet&#xF3;rias Hipot&#xE9;ticas de Aprendizagem.</p>
<p>Como resultados, de modo geral, os mestrandos destacaram a complexidade de elabora&#xE7;&#xE3;o de propostas com a finalidade de que os estudantes possam construir seus pr&#xF3;prios conhecimentos sobre um dado assunto. Descreveram os desafios de sua pr&#xF3;pria experi&#xEA;ncia ao desenvolver tarefas numa perspectiva diferente da tradicional, mesmo quando essa experi&#xEA;ncia &#xE9; apoiada, discutida e compartilhada num grupo de pesquisa.</p>
<p>Outra conclus&#xE3;o comum foi a de que o professor tem papel decisivo nesse tipo de proposta, pois, mesmo que o ensino seja planificado numa dada perspectiva, a forma como o professor a desenvolve em sala de aula, segundo seus conhecimentos do assunto, concep&#xE7;&#xF5;es e cren&#xE7;as sobre ensinar e aprender, &#xE9; que determinar&#xE1; que ela ocorra, de fato. Em rela&#xE7;&#xE3;o aos estudantes de Ensino M&#xE9;dio que participaram das pesquisas, h&#xE1; destaques no sentido de que seu envolvimento com tarefas menos usuais que envolviam leitura de textos, uso do computador, investiga&#xE7;&#xF5;es, mostrou que essas possibilidades s&#xE3;o promissoras, no sentido de que ocorra a aprendizagem, mas diversos fatores, dentre os quais a pr&#xF3;pria atua&#xE7;&#xE3;o do professor, n&#xE3;o permitem que se formule assertivas mais contundentes sobre essas propostas. Um fato recorrente refere-se &#xE0; percep&#xE7;&#xE3;o, pelos alunos do Ensino M&#xE9;dio, de que havia um planejamento, uma articula&#xE7;&#xE3;o e uma intencionalidade observ&#xE1;vel nas atividades, o que n&#xE3;o era comum nas outras aulas de Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Outra fala recorrente dos mestrandos foi a de que n&#xE3;o foi simples <italic>comunicar</italic> inten&#xE7;&#xF5;es, aos colegas professores do Ensino M&#xE9;dio, sobre o que pretendiam com a THA, mesmo realizando reuni&#xF5;es com eles. A seguir, transcrevemos alguns depoimentos de mestrandos em reuni&#xF5;es do Grupo de Pesquisa.</p> <disp-quote>
<p><italic>Cada professor tem suas concep&#xE7;&#xF5;es sobre as melhores formas de ensinar. A mesma THA desenvolvida por dois professores tem resultados muito diferentes. Percebemos que na turma em que o professor constantemente proporcionou um espa&#xE7;o maior de comunica&#xE7;&#xE3;o em sala de aula criou-se um ambiente em que os estudantes puderam interagir com o professor e com as atividades, mostrando, assim, o car&#xE1;ter reflexivo do professor em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; aprendizagem do aluno. No entanto, na turma do outro professor, a maneira como desenvolveu a THA provocou, em alguns momentos, o desinteresse dos estudantes em resolver as atividades, pois sentiam-se inseguros e at&#xE9; mesmo desmotivados em realiz&#xE1;-las sem aux&#xED;lio do professor.</italic> (Depoimento em reuni&#xE3;o, gravado em 2009)</p>
<p><italic>As atividades envolvendo a resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas, investiga&#xE7;&#xE3;o, contextos interdisciplinares, o uso de softwares e aplica&#xE7;&#xE3;o de conceitos e procedimentos matem&#xE1;ticos a situa&#xE7;&#xF5;es do cotidiano e em outras &#xE1;reas de conhecimento podem favorecer a compreens&#xE3;o dos temas de estudo, mas ainda h&#xE1; muita dificuldade dos professores em trabalhar dessa forma em sala de aula, pois ainda predomina a ideia de que os estudantes s&#xF3; podem aprender mediante exposi&#xE7;&#xF5;es e explica&#xE7;&#xF5;es dos professores e que se centram em defini&#xE7;&#xF5;es e regras.</italic> (Depoimento em reuni&#xE3;o, gravado em 2009)</p></disp-quote>
<p>Ao discutir as THA com os professores, os pesquisadores observaram que ainda aparece como <italic>novidade</italic> ou desafio trabalhar com atividades: a) que envolvam aplica&#xE7;&#xF5;es do tema em outras disciplinas e permitam que o professor de Matem&#xE1;tica trabalhe com elas em suas aulas; b) que envolvam a leitura e a interpreta&#xE7;&#xE3;o de textos pelos alunos, com autonomia; c) que solicitem aos alunos a formula&#xE7;&#xE3;o de hip&#xF3;teses de resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas ou conjecturas sobre <italic>leis</italic> matem&#xE1;ticas; d) que proponham o uso de <italic>softwares</italic> ou calculadoras; e) que envolvam a realiza&#xE7;&#xE3;o de trabalhos em grupo.</p>
<p>De modo geral, os mestrandos ressaltaram que a forma&#xE7;&#xE3;o do professor e as condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho a que est&#xE3;o submetidos dificultam a prepara&#xE7;&#xE3;o e a elabora&#xE7;&#xE3;o de trajet&#xF3;rias de aprendizagem. Contudo, perceberam que o envolvimento dos professores com o desenvolvimento da THA contribuiu para mudan&#xE7;as em sua pr&#xE1;tica de ensino, pois eles afirmaram ter interesse em trabalhar de forma diferenciada, para construir um caminho de aprendizagem mais acess&#xED;vel ao aluno, com uma compreens&#xE3;o significativa de conceitos e procedimentos.</p>
<p>Os mestrandos observaram ainda que, ao longo do desenvolvimento do trabalho, a atitude passiva diante de uma proposta de atividades foi sendo substitu&#xED;da, na atividade di&#xE1;ria dos professores, por uma atua&#xE7;&#xE3;o de car&#xE1;ter reflexivo, o que, como destacam diferentes autores, &#xE9; inerente &#xE0; no&#xE7;&#xE3;o de THA: assim, no trabalho realizado em sala de aula, no processo de revis&#xE3;o da segunda vers&#xE3;o da THA, a reflex&#xE3;o sobre a a&#xE7;&#xE3;o foi, geralmente, mais rica que no momento inicial, evidenciando que &#x201C;h&#xE1; uma rela&#xE7;&#xE3;o reflexiva em que a THA &#xE9; o subs&#xED;dio de ju&#xED;zos e decis&#xF5;es locais que, por sua vez, modificam a THA&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B7">GRAVEMEIJER <italic>et al</italic>., 2000</xref>).</p>
<p>Os investigadores do grupo perceberam estreitas rela&#xE7;&#xF5;es com coment&#xE1;rios de <xref ref-type="bibr" rid="B6">G&#xF3;mez e Lupi&#xE1;&#xF1;ez (2007)</xref>, qual seja: se &#xE9; comprovado que uma THA &#xE9; v&#xE1;lida em uma circunst&#xE2;ncia particular &#x2013; em um contexto e com alguns estudantes e um professor particular &#x2013;, isso n&#xE3;o quer dizer que essa THA tenha sentido em outras circunst&#xE2;ncias.</p>
<p>Esse fato evidenciou, para os pesquisadores do nosso grupo, a complexidade da tarefa de organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento do curr&#xED;culo em sala de aula e a import&#xE2;ncia da forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada de professores, que ainda enfrenta grandes desafios em nosso pa&#xED;s.</p>
<p>Finalmente, os investigadores do grupo destacaram algumas cren&#xE7;as identificadas nos professores e a influ&#xEA;ncia delas em suas pr&#xE1;ticas. Dentre essas cren&#xE7;as, registraram: os alunos do Ensino M&#xE9;dio n&#xE3;o podem aprender, porque falta a <italic>base</italic> do conhecimento matem&#xE1;tico; para aprenderem um dado conte&#xFA;do &#xE9; preciso que ele seja muito <italic>simplificado e direto</italic> e que se exija <italic>muito treino</italic> do que foi ensinado; a aprendizagem depende de uma boa exposi&#xE7;&#xE3;o da mat&#xE9;ria pelo professor; o conhecimento &#xE9; <italic>passado</italic> (transmitido) pelo professor.</p>
<p>Essas observa&#xE7;&#xF5;es nos remetem ao fato de que a <italic>chave</italic> da mudan&#xE7;a de concep&#xE7;&#xF5;es do professor reside em conseguir que este veja a sua pr&#xE1;tica como problem&#xE1;tica. Nas palavras dos investigadores do nosso grupo, <italic>&#x201C;o professor n&#xE3;o se v&#xEA; como um pesquisador da pr&#xF3;pria pr&#xE1;tica e talvez, por isso, n&#xE3;o a modifique, repetindo ano ap&#xF3;s anos as mesmas atividades, o mesmo modo de trabalhar&#x201D;</italic> (Depoimento gravado, 2009), inclusive revelando insatisfa&#xE7;&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec>
<title>2.3 Um projeto de pesquisas comparativas</title>
<p>Em 2009, iniciamos o projeto &#x201C;Pesquisas comparativas sobre organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento curricular na &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, em pa&#xED;ses da Am&#xE9;rica Latina&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, que teve como justificativa a car&#xEA;ncia de pesquisas sobre compara&#xE7;&#xF5;es relativas a curr&#xED;culos de Matem&#xE1;tica no Brasil e em outros pa&#xED;ses, particularmente nos latino-americanos, car&#xEA;ncia essa constatada pela an&#xE1;lise de informa&#xE7;&#xF5;es oferecidas pelo Banco de Teses da CAPES e outras bases de dados, e pela considera&#xE7;&#xE3;o de poss&#xED;veis similaridades entre eles.</p>
<p>No entanto, apesar da car&#xEA;ncia de pesquisas sobre o que estamos ensinando a crian&#xE7;as e jovens em pa&#xED;ses latino-americanos, t&#xED;nhamos a hip&#xF3;tese de que poder&#xED;amos encontrar pontos em comum entre seus curr&#xED;culos, pois &#xE9; grande o interc&#xE2;mbio entre pesquisadores ibero-americanos em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, em fun&#xE7;&#xE3;o da atua&#xE7;&#xE3;o da Federa&#xE7;&#xE3;o Ibero-Americana de Sociedades de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (FISEM), que congrega diversas sociedades<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Diversos eventos tamb&#xE9;m mobilizam a comunidade, entre eles a Confer&#xEA;ncia Interamericana de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (CIAEM), a Reuni&#xE3;o de Did&#xE1;tica da Matem&#xE1;tica do Cone Sul e a Reuni&#xE3;o Latino-Americana de Matem&#xE1;tica Educativa (RELME).</p>
<p>As pesquisas envolveram compara&#xE7;&#xF5;es entre Brasil e Chile, Brasil e Paraguai, Brasil e Argentina, Brasil e Uruguai, Brasil e Peru e Brasil e Venezuela, que se guiaram por quatro objetivos, a saber: (1) identificar aspectos comuns e especificidades dos curr&#xED;culos de Matem&#xE1;tica em cada um desses pa&#xED;ses e as formas de organiza&#xE7;&#xE3;o; (2) identificar os principais impactos da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica na formula&#xE7;&#xE3;o de curr&#xED;culos prescritos; (3) buscar dados que evidenciem a ades&#xE3;o ou a rejei&#xE7;&#xE3;o dos professores de Matem&#xE1;tica &#xE0;s orienta&#xE7;&#xF5;es curriculares prescritas nos documentos oficiais; (4) procurar ind&#xED;cios referentes aos curr&#xED;culos que realmente se efetivam nas salas de aula.</p>
<p>Tais objetivos levaram &#xE0; formula&#xE7;&#xE3;o das seguintes quest&#xF5;es norteadoras: Qual a Matem&#xE1;tica proposta para ser ensinada a crian&#xE7;as e jovens de pa&#xED;ses latino-americanos neste in&#xED;cio de mil&#xEA;nio? Que pressupostos norteiam os documentos curriculares em pa&#xED;ses latinoamericanos? Como se d&#xE1; o processo de implementa&#xE7;&#xE3;o curricular nesses pa&#xED;ses?</p>
<p>O projeto ainda est&#xE1; em andamento, mas os resultados at&#xE9; o momento mostram que os curr&#xED;culos prescritos nesses pa&#xED;ses latino-americanos foram reformulados ap&#xF3;s o refluxo do Movimento da Matem&#xE1;tica Moderna e que a influ&#xEA;ncia das principais tend&#xEA;ncias da &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica se faz presente.</p>
<p>Os estudos diagnosticaram a grande &#xEA;nfase conferida &#xE0; Resolu&#xE7;&#xE3;o de Problemas e ao uso das Tecnologias. Prevalece a perspectiva construtivista de aprendizagem. A sele&#xE7;&#xE3;o e a organiza&#xE7;&#xE3;o de conte&#xFA;dos s&#xE3;o bastante similares nos diferentes pa&#xED;ses, variando o n&#xED;vel de detalhamento apresentado nos documentos.</p>
<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o ao modo como se d&#xE1; o processo de implementa&#xE7;&#xE3;o curricular, foram observadas diferen&#xE7;as marcantes. Por exemplo, no processo de elabora&#xE7;&#xE3;o, evidenciou-se que, no Brasil, no caso dos Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais, houve maior participa&#xE7;&#xE3;o de institui&#xE7;&#xF5;es (Secretarias de Educa&#xE7;&#xE3;o e Universidades), enquanto, nos demais pa&#xED;ses, um pequeno grupo de pessoas conduziu o processo de elabora&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Outra diferen&#xE7;a marcante &#xE9; o fato de que, no Brasil, os PCN n&#xE3;o s&#xE3;o obrigat&#xF3;rios e, nos demais pa&#xED;ses, o curr&#xED;culo nacional &#xE9; obrigat&#xF3;rio, o que leva ao estabelecimento de caracter&#xED;sticas bastante distintas na rela&#xE7;&#xE3;o entre professores e prescri&#xE7;&#xF5;es. Provavelmente em decorr&#xEA;ncia desse fato, ao contr&#xE1;rio do Brasil, nos demais pa&#xED;ses, depoimentos de professores revelam maior ades&#xE3;o e conhecimento das orienta&#xE7;&#xF5;es curriculares.</p>
<p>Mesmo n&#xE3;o sendo objetivo dessas investiga&#xE7;&#xF5;es analisar a quest&#xE3;o da forma&#xE7;&#xE3;o de professores nos diversos pa&#xED;ses, ela se evidencia nas falas dos diferentes atores. Observamos, no caso de Uruguai e Argentina, uma argumenta&#xE7;&#xE3;o mais consistente dos entrevistados em rela&#xE7;&#xE3;o aos temas curriculares abordados do que no caso do Brasil, o que, provavelmente, revele uma forma&#xE7;&#xE3;o mais adequada.</p>
</sec>
<sec>
<title>2.4 Outros projetos</title>
<p>De 2010 a 2013 foi desenvolvido o projeto &#x201C;O Curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica na Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos: dos intervenientes &#xE0; pr&#xE1;tica em sala de aula&#x201D;. O objetivo foi investigar o curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica relacionado &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o de Jovens e Adultos (EJA), considerando os diferentes intervenientes curriculares (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SACRIST&#xC1;N, 2000</xref>), como documentos oficiais, material did&#xE1;tico, avalia&#xE7;&#xE3;o, planejamento escolar e do professor, e o curr&#xED;culo em a&#xE7;&#xE3;o dessa modalidade de ensino.</p>
<p>As quest&#xF5;es diretrizes das investiga&#xE7;&#xF5;es foram: Quais s&#xE3;o as pesquisas j&#xE1; realizadas, no Brasil, relacionadas &#xE0; EJA e &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica? Qual &#xE9; a Matem&#xE1;tica que est&#xE1; sendo ensinada para os estudantes na modalidade EJA? Quais s&#xE3;o as recomenda&#xE7;&#xF5;es dos documentos oficiais para o ensino da Matem&#xE1;tica nessa modalidade? Os materiais did&#xE1;ticos desenvolvidos para EJA est&#xE3;o de acordo com as recomenda&#xE7;&#xF5;es oficiais?</p>
<p>Como resultados, destacamos que a an&#xE1;lise da Proposta Curricular para a EJA explicitou recomenda&#xE7;&#xF5;es favor&#xE1;veis e potencialmente promotoras da aproxima&#xE7;&#xE3;o entre a cultura formal e a cultura informal da Matem&#xE1;tica, por meio de sugest&#xF5;es e orienta&#xE7;&#xF5;es, como as que consideram os conhecimentos advindos das rela&#xE7;&#xF5;es sociais de jovens e adultos como ponto de partida para a aprendizagem.</p>
<p>Com rela&#xE7;&#xE3;o aos conte&#xFA;dos, a Proposta indica que sejam elaborados de modo a promover uma rede de rela&#xE7;&#xF5;es entre si e com saberes de outras &#xE1;reas, possibilitando uma pluralidade de significados dos conceitos e das atividades. Em termos metodol&#xF3;gicos, h&#xE1; &#xEA;nfase no trabalho com projetos e investiga&#xE7;&#xF5;es, para que: o aluno possa desvendar as ideias matem&#xE1;ticas; os conte&#xFA;dos enfatizem diferentes aplica&#xE7;&#xF5;es da Matem&#xE1;tica e preparem o aluno para construir ideias cada vez mais complexas, partindo de situa&#xE7;&#xF5;es simples; os ambientes de aprendizagem sejam concebidos nos paradigmas de exerc&#xED;cios e investiga&#xE7;&#xE3;o, e sejam utilizadas diferentes estrat&#xE9;gias de resolu&#xE7;&#xE3;o, incentivando o jovem e o adulto a explicitar, por meio de diferentes registros, como mobiliza seus saberes, tendo o professor como mediador da a&#xE7;&#xE3;o de aprendizagem.</p>
<p>A partir de 2012, foi proposto o projeto &#x201C;Rela&#xE7;&#xF5;es entre professores e materiais que apresentam o Curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica: um campo emergencial&#x201D;, que busca realizar estudos sobre materiais que apresentam o curr&#xED;culo de Matem&#xE1;tica, com o foco na rela&#xE7;&#xE3;o que o professor estabelece com eles. Esse tema tem-se mostrado um campo de investiga&#xE7;&#xE3;o a ser explorado, uma vez que as pesquisas sobre curr&#xED;culos prescritos de Matem&#xE1;tica evidenciam que, embora eles possam expressar propostas interessantes e inovadoras, parece ser dif&#xED;cil incorpor&#xE1;-los &#xE0; pr&#xE1;tica dos professores em sala de aula; e que, de fato, s&#xE3;o os materiais curriculares, incluindo os livros did&#xE1;ticos, que fazem essa media&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Cinco doutorandos e tr&#xEA;s mestrandos est&#xE3;o com suas pesquisas em andamento, e nosso prop&#xF3;sito &#xE9; que elas tragam contribui&#xE7;&#xF5;es para a quest&#xE3;o que sempre impulsiona o grupo: os curr&#xED;culos moldados pelos professores e efetivamente praticados em sala de aula s&#xE3;o uma realidade pouco conhecida. Embora existam pesquisas sobre o assunto, elas ainda s&#xE3;o isoladas, e algumas quest&#xF5;es ainda precisam ser mais bem investigadas: Como professores organizam o curr&#xED;culo? Que materiais utilizam? Como priorizam as tarefas que prop&#xF5;em a seus alunos? Como os professores se relacionam com materiais que explicitam o curr&#xED;culo prescrito?</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>3 Algumas contribui&#xE7;&#xF5;es de nossas experi&#xEA;ncias em projetos inseridos em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas</title>
<sec>
<title>3.1 Projetos de organiza&#xE7;&#xE3;o curricular</title>
<p>Em nossa trajet&#xF3;ria profissional, envolvemo-nos em diferentes projetos de organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento curricular. Participamos da elabora&#xE7;&#xE3;o e da implementa&#xE7;&#xE3;o das Propostas Curriculares da Secretaria de Estado da Educa&#xE7;&#xE3;o de S&#xE3;o Paulo e de materiais curriculares como o &#x201C;Atividades Matem&#xE1;ticas&#x201D; e &#x201C;Experi&#xEA;ncias Matem&#xE1;ticas&#x201D;, nas d&#xE9;cadas de 1970 e 1980, momentos em que tivemos as primeiras descobertas a respeito da complexidade desse processo.</p>
<p>Com essas viv&#xEA;ncias, com uma experi&#xEA;ncia longa de atua&#xE7;&#xE3;o na rede p&#xFA;blica estadual como professora e depois, gestora, aliada &#xE0; atua&#xE7;&#xE3;o no Ensino Superior e &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o no Mestrado em Matem&#xE1;tica e no Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o, participamos da equipe de elabora&#xE7;&#xE3;o e tamb&#xE9;m de coordena&#xE7;&#xE3;o dos Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais, no final da d&#xE9;cada de 1990.</p>
</sec>
<sec>
<title>3.1.2 Uma experi&#xEA;ncia marcante</title>
<p>Desde a amplia&#xE7;&#xE3;o do Ensino Fundamental, ocorrida em 1971, at&#xE9; o final da d&#xE9;cada de 1990, as propostas de curr&#xED;culos no Brasil eram feitas por estados e munic&#xED;pios de forma aut&#xF4;noma. A partir de 1996, foram introduzidos no Brasil os Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (PCNEF) e para o Ensino M&#xE9;dio (PCNEM), anunciando-se como propostas de orienta&#xE7;&#xE3;o, e n&#xE3;o como um curr&#xED;culo obrigat&#xF3;rio, para elabora&#xE7;&#xE3;o do curr&#xED;culo escolar nos estados e nos munic&#xED;pios brasileiros.</p>
<p>Quando fomos convidados a compor a equipe de elaboradores desses documentos, a inten&#xE7;&#xE3;o explicitada pelo Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o (MEC) era de ampliar o debate nacional sobre o ensino nas escolas e socializar informa&#xE7;&#xF5;es e resultados de pesquisas, levando-os ao conjunto dos professores brasileiros, para que pudessem projetar seu trabalho de forma a reverter situa&#xE7;&#xF5;es de aprendizagem insuficiente.</p>
<p>Havia tamb&#xE9;m a preocupa&#xE7;&#xE3;o de construir um referencial para orientar a pr&#xE1;tica escolar, procurando formas de garantir, a toda crian&#xE7;a brasileira, o acesso a um conhecimento b&#xE1;sico das diferentes &#xE1;reas. Discutimos muito sobre inser&#xE7;&#xE3;o dos estudantes brasileiros, como cidad&#xE3;os, no mundo do trabalho, das rela&#xE7;&#xF5;es sociais e da cultura. Al&#xE9;m disso, pretend&#xED;amos que as orienta&#xE7;&#xF5;es pudessem nortear a forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada de professores e tamb&#xE9;m orientar a produ&#xE7;&#xE3;o de livros e de outros materiais did&#xE1;ticos. O prop&#xF3;sito, enfim, era configurar uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica voltada &#xE0; melhoria da educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica.</p>
<p>No processo de elabora&#xE7;&#xE3;o e discuss&#xE3;o dos PCNEF, que antecedeu o do Ensino M&#xE9;dio, muitas pol&#xEA;micas surgiram, evidenciando alguns dilemas cl&#xE1;ssicos da educa&#xE7;&#xE3;o brasileira. A tarefa de elaborar refer&#xEA;ncias nacionais implicou o enfrentamento de v&#xE1;rias tens&#xF5;es e a necessidade de responder a quest&#xF5;es como, por exemplo: como construir refer&#xEA;ncias nacionais, de modo a enfrentar, ao mesmo tempo, antigos problemas da educa&#xE7;&#xE3;o brasileira e novos desafios, colocados pela conjuntura mundial e pelas novas caracter&#xED;sticas da sociedade &#x2013; como a urbaniza&#xE7;&#xE3;o crescente?</p>
<p>Os questionamentos feitos pela comunidade educativa traduziam-se em dois aspectos: O que significa indicar pontos comuns do processo educativo em todas as regi&#xF5;es, mas, ao mesmo tempo, respeitar as diversidades regionais, culturais e pol&#xED;ticas existentes &#x2013; no quadro de desigualdades da realidade brasileira? Como equacionar problemas referentes &#xE0; possibilidade de acesso aos centros de produ&#xE7;&#xE3;o de conhecimento, tanto das &#xE1;reas curriculares quanto da &#xE1;rea pedag&#xF3;gica, e que se refletem na forma&#xE7;&#xE3;o dos professores que desenvolvem o curr&#xED;culo em pr&#xE1;tica?</p>
<p>Certamente eram quest&#xF5;es pertinentes e relevantes, mas o fato &#xE9; que elas dominaram o debate, e ficaram em segundo plano discuss&#xF5;es mais espec&#xED;ficas sobre a educa&#xE7;&#xE3;o que se pretenderia oferecer &#xE0;s novas gera&#xE7;&#xF5;es de brasileiros.</p>
<p>Para a equipe de elabora&#xE7;&#xE3;o, era muito clara a pertin&#xEA;ncia da reflex&#xE3;o sobre a dificuldade de pensar em um n&#xFA;cleo de conte&#xFA;dos curriculares obrigat&#xF3;rio para todos, que pudesse oferecer aos estudantes iguais oportunidades de aprendizagem escolar. Tamb&#xE9;m se considerava que, diante de qualquer proposta, seriam diferentes as probabilidades, dos alunos de meios sociais e culturais diversos, de aprender o que fosse proposto, sem o necess&#xE1;rio ajuste local, especialmente em termos das metodologias e das abordagens feitas pelos seus professores.</p>
<p>Mesmo assim, a equipe assumia a import&#xE2;ncia de que documentos curriculares pudessem promover o debate nacional sobre elementos comuns a um plano de forma&#xE7;&#xE3;o de estudantes do Ensino Fundamental nas escolas brasileiras, buscando respostas, talvez n&#xE3;o &#xFA;nicas, para quest&#xF5;es relativas a conhecimento, aprendizagem, ensino, avalia&#xE7;&#xE3;o, conhecimento &#xFA;til, &#xE0; luz de contribui&#xE7;&#xF5;es mais atualizadas e diversas da &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Conclu&#xED;da a elabora&#xE7;&#xE3;o dos documentos para o Ensino Fundamental, num processo que se estendeu de 1996 a 1998, no ano de 1999 come&#xE7;ou a ser desenvolvido o Projeto &#x201C;Par&#xE2;metros em A&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, uma a&#xE7;&#xE3;o da Secretaria de Educa&#xE7;&#xE3;o Fundamental (SEF) do MEC que oferecia &#xE0;s secretarias de educa&#xE7;&#xE3;o e a escolas/grupos de escolas interessados em implementar os documentos curriculares a realiza&#xE7;&#xE3;o de forma&#xE7;&#xE3;o, em parceria, em um contexto de forma&#xE7;&#xE3;o de profissionais de educa&#xE7;&#xE3;o, buscando estabelecer v&#xED;nculos com as pr&#xE1;ticas locais e apresentando alternativas de estudo e discuss&#xE3;o dos documentos curriculares por grupos formados por professores e especialistas em educa&#xE7;&#xE3;o. Os materiais de forma&#xE7;&#xE3;o desse projeto foram elaborados por integrantes da equipe dos PCNEF.</p>
<p>Consideramos que essa a&#xE7;&#xE3;o, talvez pouco difundida e discutida em pesquisas, tenha sido um movimento interessante de envolvimento de professores no debate curricular, pr&#xE1;tica pouco conhecida por eles. Evidentemente, tratava-se de uma primeira aproxima&#xE7;&#xE3;o com v&#xE1;rias tem&#xE1;ticas bastante novas para a grande maioria dos docentes brasileiros, o que reafirmava a necessidade de ampliar os processos de forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada.</p>
<p>Mas, como s&#xE3;o, infelizmente, comuns a descontinuidade das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, em fun&#xE7;&#xE3;o da mudan&#xE7;a de governos em n&#xED;vel tanto nacional como regional e tamb&#xE9;m a falta de acompanhamento e de avalia&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es, n&#xE3;o houve discuss&#xE3;o sobre resultados, nem sobre ajustes nos documentos curriculares em fun&#xE7;&#xE3;o deles.</p>
<p>Destacamos, mais uma vez, que no Brasil h&#xE1; um problema crucial em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; quest&#xE3;o curricular. Os PCNEF e os PCNEM n&#xE3;o foram documentos obrigat&#xF3;rios, e, por sua vez, as diretrizes curriculares do Conselho Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o muito gen&#xE9;ricas. Desse modo, mesmo n&#xE3;o sendo obrigat&#xF3;rios, os PCN acabaram influenciando e ainda influenciam a elabora&#xE7;&#xE3;o de curr&#xED;culos regionais; a elabora&#xE7;&#xE3;o e a an&#xE1;lise de livros did&#xE1;ticos; e as pr&#xF3;prias avalia&#xE7;&#xF5;es institucionais, com matrizes que s&#xE3;o recortes dos curr&#xED;culos.</p>
<p>Uma quest&#xE3;o se coloca ent&#xE3;o: se admitimos avalia&#xE7;&#xF5;es padronizadas para estudantes de todas as regi&#xF5;es brasileiras, qual a l&#xF3;gica de n&#xE3;o aceitar curr&#xED;culos com a defini&#xE7;&#xE3;o de ideias b&#xE1;sicas a serem aprendidas por todas as crian&#xE7;as brasileiras?</p>
<p>Outra quest&#xE3;o relevante &#xE9; relativa &#xE0; pr&#xF3;pria estrutura de um documento curricular. Havia opini&#xF5;es muito divergentes a respeito. Nesse aspecto, &#xE9; curioso observar que algumas cr&#xED;ticas aos PCNEF centram-se no detalhamento de proposi&#xE7;&#xF5;es did&#xE1;ticas, e outras se baseiam na insufici&#xEA;ncia dessas mesmas informa&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Passados alguns anos e comparando esses documentos com propostas de outros pa&#xED;ses, consideramos que o documento brasileiro trouxe sua contribui&#xE7;&#xE3;o para disseminar o debate de ideias no &#xE2;mbito no curr&#xED;culo, mas faltou acompanhamento aos professores e avalia&#xE7;&#xE3;o de sua implementa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Em contatos com sistemas estaduais e municipais, em diferentes regi&#xF5;es, vemos que temas da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica trazidos pelos PCNEF, alguns mais gerais, como o recurso &#xE0; resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas, &#xE0;s tecnologias, &#xE0; Hist&#xF3;ria da Matem&#xE1;tica, a recursos did&#xE1;ticos; outros com focos mais espec&#xED;ficos, relativos ao tratamento did&#xE1;tico de conte&#xFA;dos como os n&#xFA;meros, as opera&#xE7;&#xF5;es, a geometria, as grandezas e medidas ou referentes &#xE0; estat&#xED;stica, &#xE0; combinat&#xF3;ria e &#xE0; probabilidade est&#xE3;o sendo discutidos, mesmo que de forma lenta. E contribu&#xED;ram para a reformula&#xE7;&#xE3;o de propostas curriculares regionais e locais, como aponta o Relat&#xF3;rio de An&#xE1;lise de Propostas Curriculares de Ensino Fundamental e Ensino M&#xE9;dio, publicado em 2010 pelo Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">SAMPAIO, 2010</xref>).</p>
</sec>
<sec>
<title>3.1.3 Experi&#xEA;ncias mais recentes</title>
<p>Mais recentemente, de 2010 a 2012, participamos da organiza&#xE7;&#xE3;o de orienta&#xE7;&#xF5;es curriculares desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Educa&#xE7;&#xE3;o de S&#xE3;o Paulo e coordenamos a elabora&#xE7;&#xE3;o de cadernos de apoio &#xE0; implementa&#xE7;&#xE3;o dessas orienta&#xE7;&#xF5;es. Nessa experi&#xEA;ncia, observamos que um novo elemento se colocava em jogo: uma certa submiss&#xE3;o do curr&#xED;culo &#xE0;s avalia&#xE7;&#xF5;es institucionais. Havia uma expectativa de que as atividades propostas nos cadernos atendessem aos descritores de uma matriz de avalia&#xE7;&#xE3;o e de que seu uso nas salas de aula fizesse subir, rapidamente, os &#xED;ndices de desempenho anteriores nas provas.</p>
<p>Tamb&#xE9;m nesse caso, o processo de implanta&#xE7;&#xE3;o desse material se fez como se a simples oferta de documentos escritos e de materiais de apoio fosse suficiente para promover mudan&#xE7;as &#x2013; faltaram o acompanhamento e a avalia&#xE7;&#xE3;o da implementa&#xE7;&#xE3;o. O material continuou sendo oferecido aos professores em 2013 e 2014.</p>
<p>Para aprofundar o debate sobre a quest&#xE3;o do apoio ao professor na implementa&#xE7;&#xE3;o de inova&#xE7;&#xF5;es curriculares, organizamos, em parceria com a pesquisadora Edda Curi, um projeto de pesquisa, intitulado &#x201C;Avalia&#xE7;&#xE3;o de Professores do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educa&#xE7;&#xE3;o de S&#xE3;o Paulo, em rela&#xE7;&#xE3;o a documentos e materiais de apoio &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o curricular na &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica&#x201D;, inserido no Programa de Melhoria do Ensino P&#xFA;blico da Funda&#xE7;&#xE3;o de Amparo &#xE0; Pesquisa do Estado de S&#xE3;o Paulo (FAPESP).</p>
<p>O Projeto teve como principal prop&#xF3;sito compreender quais s&#xE3;o as contribui&#xE7;&#xF5;es que materiais curriculares, produzidos por Secretarias de Educa&#xE7;&#xE3;o, podem trazer para as experi&#xEA;ncias pedag&#xF3;gicas inovadoras das escolas dessa rede municipal. Utilizamos a metodologia de grupos focais, descrita por <xref ref-type="bibr" rid="B3">Caplan (1990)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B5">Gaskell (2000)</xref> e, como aportes te&#xF3;ricos, os trabalhos de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Brown (2009)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B12">Remillard, Herbel-Eisenmann e Lloyd (2009)</xref>, que realizam estudos sobre temas similares nos Estados Unidos.</p>
<p>Os resultados mostraram a potencialidade da constitui&#xE7;&#xE3;o de grupos focais de professores para estudo de materiais, planejamento e avalia&#xE7;&#xE3;o das pr&#xE1;ticas em sala de aula e evidenciaram que, ao longo do processo, em sua maioria, os professores passaram de um est&#xE1;gio inicial de reprodu&#xE7;&#xE3;o de atividades a outro, em que levavam em conta o que estava proposto, mas realizavam aproxima&#xE7;&#xF5;es e adapta&#xE7;&#xF5;es, em fun&#xE7;&#xE3;o das caracter&#xED;sticas de seu grupo de alunos.</p>
<p>No grupo, os professores relatavam que, se n&#xE3;o estivessem envolvidos nesse projeto, certamente n&#xE3;o utilizariam o material como estavam fazendo, pois na escola n&#xE3;o h&#xE1; espa&#xE7;o para discuss&#xE3;o, entre pares, das concep&#xE7;&#xF5;es que embasam as propostas, das formas de realiz&#xE1;las em sala de aula e, principalmente, das formas de avaliar o trabalho do professor e a aprendizagem dos alunos.</p>
<p>Podemos dizer que os resultados desta pesquisa foram ao encontro de proposi&#xE7;&#xF5;es resultantes de outros trabalhos de investiga&#xE7;&#xE3;o, num per&#xED;odo recente, e trouxeram contribui&#xE7;&#xF5;es para analisar o processo de forma&#xE7;&#xE3;o de professores.</p>
<p>Uma dessas muitas contribui&#xE7;&#xF5;es &#xE9; a clara concep&#xE7;&#xE3;o de que essa forma&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; sempre inacabada, fazendo com que as express&#xF5;es &#x201C;forma&#xE7;&#xE3;o continuada&#x201D; e &#x201C;desenvolvimento profissional&#x201D; passassem a ter presen&#xE7;a constante em documentos acad&#xEA;micos e legais. A pesquisa confirma ideias defendidas por autores como <xref ref-type="bibr" rid="B9">N&#xF3;voa (1999)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16">Sch&#xF6;n (2000)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Shulman (1986)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B20">Tardif (2002)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Thompson (1992)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B22">Zeichner (1992)</xref> entre outros, que trouxeram contribui&#xE7;&#xF5;es sobre temas como conhecimentos dos conte&#xFA;dos, conhecimentos pedag&#xF3;gicos e conhecimentos curriculares, articula&#xE7;&#xE3;o entre saberes te&#xF3;ricos e pr&#xE1;ticos, reflex&#xE3;o sobre a pr&#xE1;tica, cren&#xE7;as e concep&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>No processo vivenciado com o grupo de professores, confirmamos v&#xE1;rios princ&#xED;pios da forma&#xE7;&#xE3;o docente, a saber: ela &#xE9; um processo complexo, cont&#xED;nuo e inclui a constitui&#xE7;&#xE3;o, pelo professor, de conhecimentos de v&#xE1;rias naturezas, como os conhecimentos dos conte&#xFA;dos que vai ensinar, os conhecimentos did&#xE1;ticos, os conhecimentos curriculares, entre outros; a forma&#xE7;&#xE3;o docente pressup&#xF5;e a articula&#xE7;&#xE3;o entre conhecimentos te&#xF3;ricos e pr&#xE1;ticos; o principal l&#xF3;cus de forma&#xE7;&#xE3;o do professor &#xE9; a escola, e seus interlocutores principais s&#xE3;o seus pares; em outras institui&#xE7;&#xF5;es essa forma&#xE7;&#xE3;o deve ser complementada a partir das necessidades identificadas na pr&#xE1;tica cotidiana; a forma&#xE7;&#xE3;o docente deve estar articulada ao processo de organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento curricular do sistema de ensino em que a escola se insere, ao estudo de materiais curriculares e ao processo de avalia&#xE7;&#xE3;o institucional que fornece indicadores de desempenho dos estudantes.</p>
<p>Outra experi&#xEA;ncia interessante de que participamos vem sendo realizada desde 2012, na Secretaria Estadual de S&#xE3;o Paulo. Trata-se do projeto Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica nos Anos Iniciais (EMAI), que tem o intuito de atender a uma demanda emergencial apontada pelo baixo desempenho dos alunos do 3&#xBA; ano e 5&#xBA; ano do Ensino Fundamental em rela&#xE7;&#xE3;o aos conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos e a necessidade de forma&#xE7;&#xE3;o continuada de seus professores polivalentes em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica.</p>
<p>O projeto organiza-se a partir de tr&#xEA;s eixos: organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento curricular; forma&#xE7;&#xE3;o de professores; e avalia&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es e do desempenho dos alunos.</p>
<p>No EMAI, a a&#xE7;&#xE3;o central &#xE9; a constitui&#xE7;&#xE3;o de Grupos de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica dos Anos Iniciais nas escolas, usando o hor&#xE1;rio destinado a atividades pedag&#xF3;gicas coletivas (HTPC). O formato &#xE9; o de grupo colaborativo, organizado pelo professor coordenador de Ciclo I, com atividades conduzidas com a participa&#xE7;&#xE3;o dos pr&#xF3;prios professores.</p>
<p>Esses grupos recebem, para estudo, orienta&#xE7;&#xF5;es organizadas em materiais para professores e para os alunos, elaboradas por membros da pr&#xF3;pria rede estadual que atuam nas Diretorias de Ensino como Professores Coordenadores de N&#xFA;cleos Pedag&#xF3;gicos, com apoio de assessoria. Tamb&#xE9;m s&#xE3;o oferecidos aos grupos cursos de forma&#xE7;&#xE3;o complementar na modalidade a dist&#xE2;ncia.</p>
<p>O Material do Professor foi concebido n&#xE3;o apenas como orienta&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;tica, mas tamb&#xE9;m como um material de estudo, que possa subsidiar as discuss&#xF5;es, nas escolas, no &#xE2;mbito de grupos colaborativos. Uma das preocupa&#xE7;&#xF5;es dos elaboradores &#xE9; a de que esses materiais fossem transparentes o m&#xE1;ximo poss&#xED;vel, ou seja, explicitassem claramente aos professores as concep&#xE7;&#xF5;es que os embasaram. Levaram-se, ent&#xE3;o, em conta estudos como os de <xref ref-type="bibr" rid="B12">Remillard (2009)</xref>, que destacam que os materiais para professores costumam oferecer &#x201C;passos a seguir, problemas a serem propostos, perguntas a serem feitas e respostas a esperar&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B12">REMILLARD, 2009</xref>, p. 44), sem envolver os professores nas justificativas e nas hip&#xF3;teses que subsidiam essas a&#xE7;&#xF5;es. Assim, segundo essa autora, os professores ficam com dificuldades de realizar um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es por falta de conhecimento necess&#xE1;rio para realizar e adaptar tarefas.</p>
<p>O projeto mostra, mais uma vez, que as transforma&#xE7;&#xF5;es positivas na pr&#xE1;tica s&#xE3;o poss&#xED;veis, mas ocorrem de forma lenta, e &#xE9; preciso muita determina&#xE7;&#xE3;o e continuidade no desenvolvimento de a&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>O acompanhamento no &#xE2;mbito desse projeto mostra que h&#xE1; descompassos muito grandes entre o que &#xE9; prescrito nos curr&#xED;culos e o que &#xE9; realizado em sala de aula. Observamos que a grande maioria dos professores, por motivos os mais diversos, conseguiu trabalhar apenas cerca de metade das expectativas de aprendizagem previstas, organizadas em atividades que compunham oito unidades, que deveriam ser trabalhadas cada uma no per&#xED;odo de um m&#xEA;s. Conv&#xE9;m destacar que, no ano seguinte, o que n&#xE3;o foi trabalhado n&#xE3;o &#xE9; abordado, provocando lacunas na forma&#xE7;&#xE3;o, nem sempre percebidas pelos docentes. E aos alunos atribui-se a culpa pelo baixo desempenho.</p>
<p>Outro coment&#xE1;rio que podemos fazer a partir dessa experi&#xEA;ncia &#xE9; a comunica&#xE7;&#xE3;o com os professores, realizada sob a forma de expectativas (ou objetivos, ou direitos) de aprendizagem, o mesmo se verificando com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; leitura de descritores de itens avalia&#xE7;&#xE3;o. Em v&#xE1;rios momentos, durante o trabalho, question&#xE1;vamos se a atividade proposta era adequada &#xE0; expectativa de aprendizagem enunciada, ou ainda, apresent&#xE1;vamos uma expectativa formulada e ped&#xED;amos que sugerissem formas de trabalh&#xE1;-las. A dificuldade de estabelecer essa rela&#xE7;&#xE3;o ficava evidenciada, ora pela falta de conhecimentos sobre conte&#xFA;dos e de conhecimentos did&#xE1;ticos, ora pelo fato de que essas enuncia&#xE7;&#xF5;es se mostram bastante herm&#xE9;ticas para os docentes, de modo geral.</p>
</sec>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>4 Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>Buscando extrair li&#xE7;&#xF5;es de estudos, investiga&#xE7;&#xF5;es e pr&#xE1;ticas profissionais, tentaremos organizar algumas s&#xED;nteses e destacar pontos que consideramos importantes.</p>
<p>Em primeiro lugar, destacaremos nossa concord&#xE2;ncia com as ideias de <xref ref-type="bibr" rid="B13">Luis Rico (2013)</xref>, para quem o curr&#xED;culo da educa&#xE7;&#xE3;o obrigat&#xF3;ria &#xE9; um &#x201C;plano de forma&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, que se prop&#xF5;e a dar respostas concretas &#xE0;s seguintes quest&#xF5;es: O que &#xE9; o conhecimento? O que &#xE9; a aprendizagem? O que &#xE9; o ensino? O que &#xE9; o conhecimento &#xFA;til?</p>
<p>Qualquer sistema educativo, seja ele de abrang&#xEA;ncia nacional, regional ou local, que n&#xE3;o discuta profundamente essas quest&#xF5;es, corre fatalmente risco de perder o rumo ou, ent&#xE3;o, de investir em programas por vezes antag&#xF4;nicos ou contradit&#xF3;rios, com pouco impacto na melhoria da educa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>O projeto curricular, evidentemente, n&#xE3;o deve restringir-se apenas &#xE0; elabora&#xE7;&#xE3;o de listas de conte&#xFA;dos m&#xED;nimos, como por vezes ocorre. Por outro lado, alguns acordos em torno de a quais conhecimentos todos os estudantes da educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica precisam ter acesso s&#xE3;o necess&#xE1;rios &#x2013; &#xE9; a tentativa de garantia de direitos do cidad&#xE3;o. Evidentemente, n&#xE3;o basta indic&#xE1;-los. As condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho e de forma&#xE7;&#xE3;o de professores em nosso pa&#xED;s ainda &#xE9; um problema de enorme gravidade, desde os professores de atua&#xE7;&#xE3;o polivalente dos Anos Iniciais at&#xE9; os que atuam como especialistas nos demais n&#xED;veis.</p>
<p>Ao pensar a forma&#xE7;&#xE3;o, por&#xE9;m, &#xE9; preciso lembrar que</p> <disp-quote>
<p>a forma&#xE7;&#xE3;o e a mudan&#xE7;a t&#xEA;m de ser pensadas em conjunto; como duas faces da mesma moeda. Hoje &#xE9; pouco defens&#xE1;vel uma perspectiva sobre a mudan&#xE7;a para a melhoria da educa&#xE7;&#xE3;o que n&#xE3;o seja, em si mesma, capacitadora, geradora de sonho e compromisso, estimuladora de novas aprendizagens e, em suma, formativa para os agentes que t&#xEA;m de desenvolver na pr&#xE1;tica as reformas. Simultaneamente, a forma&#xE7;&#xE3;o, se bem entendida, deve estar preferencialmente orientada para a mudan&#xE7;a, ativando reaprendizagens nos sujeitos e na sua pr&#xE1;tica docente que deve ser, por sua vez, facilitadora de processos de ensino e de aprendizagens dos alunos. (ESCUDERO, 1992, p. 57, <italic>apud</italic> <xref ref-type="bibr" rid="B8">GARCIA, 1999</xref>, p. 17).</p></disp-quote>
<p>Se discuss&#xF5;es curriculares e forma&#xE7;&#xE3;o de professores necessariamente andam juntas, tamb&#xE9;m as que se referem &#xE0; avalia&#xE7;&#xE3;o precisam ser inseridas nesse contexto. Indiscutivelmente, a avalia&#xE7;&#xE3;o &#xE9; parte integrante de qualquer a&#xE7;&#xE3;o humana. No caso da educa&#xE7;&#xE3;o, ela serve para monitorar sistemas de ensino e suas a&#xE7;&#xF5;es; para validar os projetos/a&#xE7;&#xF5;es; para monitorar o trabalho das escolas, dos profissionais que nela atuam; para avaliar o processo de desenvolvimento curricular e, ainda, o ensino dos professores e as aprendizagens dos estudantes.</p>
<p>Mas ela precisa, essencialmente, ser indutora de a&#xE7;&#xF5;es que corrijam ou melhorem os resultados obtidos, para o que precisa ser muito clara na comunica&#xE7;&#xE3;o de resultados aos envolvidos. Outro ponto fundamental: a avalia&#xE7;&#xE3;o deve saber-se n&#xE3;o infal&#xED;vel, e deve ser constante o processo de avaliar a avalia&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Retomando nossas reflex&#xF5;es, destacamos que, no campo das pesquisas sobre curr&#xED;culo, avalia&#xE7;&#xE3;o e forma&#xE7;&#xE3;o de professores, embora haja consider&#xE1;vel produ&#xE7;&#xE3;o sobre esses temas, ainda h&#xE1; muitos pontos a serem investigados e de forma mais articulada; por outro lado, &#xE9; necess&#xE1;rio que os resultados dessas pesquisas sejam mais bem divulgados, com vistas a contribuir efetivamente na formula&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, como ocorre em outros pa&#xED;ses, inclusive latino-americanos.</p>
<p>No &#xE2;mbito de projetos/a&#xE7;&#xF5;es que constituem pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil, observa-se que as propostas de discuss&#xE3;o curricular, de avalia&#xE7;&#xE3;o e de forma&#xE7;&#xE3;o de professores conversam pouco entre si e s&#xE3;o implementadas como se fossem autossuficientes. Elas s&#xE3;o geralmente conduzidas por equipes distintas e sem comunica&#xE7;&#xE3;o entre si, um dos motivos pelos quais a desarticula&#xE7;&#xE3;o &#xE9; t&#xE3;o vis&#xED;vel.</p>
</sec></body>
<back>
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<fn id="fn1" fn-type="other">
<label>1</label>
<p>Os temas matem&#xE1;ticos trabalhados em sala de aula foram: Fun&#xE7;&#xF5;es, Fun&#xE7;&#xF5;es Polinomiais do 1&#xBA; Grau, Fun&#xE7;&#xF5;es Polinomiais do 2&#xBA; Grau, Fun&#xE7;&#xF5;es Trigonom&#xE9;tricas, Fun&#xE7;&#xF5;es Exponenciais, Fun&#xE7;&#xF5;es Logar&#xED;tmicas, Geometria Espacial, Isometrias, Estat&#xED;stica, An&#xE1;lise Combinat&#xF3;ria, Estudo da Reta e Sistemas de Inequa&#xE7;&#xF5;es.</p></fn>
<fn id="fn2" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Projeto financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#xED;fico e Tecnol&#xF3;gico (CNPq).</p></fn>
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<label>3</label>
<p>Sociedad Argentina de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica (Soarem), Sociedade Brasileira de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (SBEM), Sociedad Chilena de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica (Sochiem), Federaci&#xF3;n Espa&#xF1;ola de Sociedades de Profesores de Matem&#xE1;ticas (FESPM), Asociaci&#xF3;n Nacional de Profesores de Matem&#xE1;ticas (ANPM, do M&#xE9;xico), Asociaci&#xF3;n Mexicana de Investigadores del Uso de Tecnolog&#xED;a en Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica (Amiutem), Sociedad Peruana de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica (Sopemat), Associa&#xE7;&#xE3;o de Professores de Matem&#xE1;tica (APM/Portugal), Sociedad de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica de Uruguay (SEMUR), Sociedad Boliviana de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica (SOBEDM), Asociaci&#xF3;n Venezolana de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica (Asovemat), Comit&#xE9; de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica de Paraguay (Cempa), Sociedad Ecuatoriana de Matem&#xE1;ticas (Sedem) e a Asociaci&#xF3;n Colombiana de Educaci&#xF3;n Matem&#xE1;tica.</p></fn>
<fn id="fn4" fn-type="other">
<label>4</label>
<p>Documento da Secretaria de Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, Diretoria de Concep&#xE7;&#xF5;es e Orienta&#xE7;&#xF5;es Curriculares para Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica. Foram analisadas propostas das secretarias municipais das capitais, compondo uma amostra de 13 propostas de Ensino Fundamental. A an&#xE1;lise incidiu sobre um total de 60 propostas, sendo 34 de Ensino Fundamental (incluindo as 13 citadas e 21 de secretarias estaduais) e 26 propostas de Ensino M&#xE9;dio. N&#xE3;o apresentaram propostas de Ensino Fundamental os estados: Roraima, Maranh&#xE3;o, Para&#xED;ba, Rio Grande do Norte, Sergipe e Piau&#xED;. De Ensino M&#xE9;dio, apenas o estado de Rond&#xF4;nia n&#xE3;o apresentou proposta. Para o Ensino Fundamental as propostas elaboradas pelas secretarias municipais das capitais e inclu&#xED;das no estudo foram: Fortaleza, Campo Grande, Boa Vista, Macap&#xE1;, Macei&#xF3;, Jo&#xE3;o Pessoa, Recife, Goi&#xE2;nia, Cuiab&#xE1;, Vit&#xF3;ria, S&#xE3;o Paulo, Curitiba e Florian&#xF3;polis.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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