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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n52a08</article-id>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Caminhos do Significado em Atividades de Modelagem Matem&#xE1;tica: um olhar sobre os interpretantes</article-title>
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<trans-title>Meaning&#x27;s Routes in Activities of Mathematical Modeling: a look on the interpretants</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Silva</surname><given-names>Karina Alessandra Pessoa da</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<name><surname>Almeida</surname><given-names>Lourdes Maria Werle de</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref><xref ref-type="corresp" rid="c2"/></contrib>
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<institution content-type="normalized">Universidade Tecnol&#xF3;gica Federal do Paran&#xE1;</institution>
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<named-content content-type="city">Londrina</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Doutora em Ensino de Ci&#xEA;ncias e Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Docente da Universidade Tecnol&#xF3;gica Federal do Paran&#xE1; (UTFPR), Londrina/PR, Brasil</institution></aff>
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<label>**</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Estadual de Londrina</institution>
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<institution content-type="original">Doutora em Engenharia de Produ&#xE7;&#xE3;o pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). P&#xF3;s-Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela UFSC. Docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Londrina/PR</institution></aff></contrib-group>
<author-notes>
<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua Joaquim Murtinho, 200, Jardim Novo Sabar&#xE1;, CEP: 86066-030, Londrina/PR, Brasil. <italic>E-mail:</italic> <email>karinapessoa@gmail.com</email></corresp>
<corresp id="c2">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua Antonio Pisicchio, 155, apto 303, CEP: 86050-482, Londrina/PR, Brasil. <italic>E-mail:</italic> <email>lourdes.maria@sercomtel.com.br</email></corresp></author-notes>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<month>08</month>
<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
<issue>52</issue>
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<lpage>592</lpage>
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<year>2014</year></date>
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<year>2014</year></date>
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This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Comercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in a any medium, prodvide the original work is properly cited.
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<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>Neste artigo apresentamos resultados de uma pesquisa na qual investigamos evid&#xEA;ncias de atribui&#xE7;&#xE3;o de significado em atividades de modelagem matem&#xE1;tica. A pesquisa est&#xE1; fundamentada nos pressupostos te&#xF3;ricos da modelagem matem&#xE1;tica e na semi&#xF3;tica Peirceana com foco na teoria dos interpretantes. A busca por evid&#xEA;ncias relacionadas &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado &#xE9; permeada pela an&#xE1;lise dos interpretantes produzidos por um grupo de alunos de um curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica no decorrer de etapas associadas ao desenvolvimento de atividades de modelagem. Por meio de tais interpretantes inferimos sobre a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o problema e para a Matem&#xE1;tica durante o desenvolvimento da atividade de modelagem analisada, tra&#xE7;ando <italic>caminhos</italic> do significado.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>In this article, we present results of a research in which we investigate evidence of assignment of meaning in mathematical modeling activities. The research is based on theoretical assumptions of mathematical modeling and on Peircean Semiotic focusing on theory of the interpretants signs. The search for evidence related to the attribution of meaning is permeated by the analysis of the interpretants produced by a group of students of a course degree in mathematics during steps associated with the development of modeling activities. Through such interpretants signs, we infer about the attribution of meaning to the problem and to mathematics during the development of the modeling activity analyzed, describing meaning&#x27;s routes.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Modelagem Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Semi&#xF3;tica Peirceana</kwd>
<kwd>Interpretantes</kwd>
<kwd>Atribui&#xE7;&#xE3;o de Significado</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords:</title>
<kwd>Mathematical Modeling</kwd>
<kwd>Peircean Semiotic</kwd>
<kwd>Interpretants</kwd>
<kwd>Assignment of Meaning</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Discuss&#xF5;es referentes aos processos de ensino e de aprendizagem t&#xEA;m sido recorrentes na &#xE1;rea da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica. Neste contexto argumenta&#xE7;&#xF5;es sobre a import&#xE2;ncia de se incorporar o desenvolvimento de atividades de modelagem &#xE0;s aulas de Matem&#xE1;tica t&#xEA;m sido o foco de v&#xE1;rios pesquisadores da &#xE1;rea.</p>
<p>Dentre os aspectos que merecem aten&#xE7;&#xE3;o no que se refere &#xE0; implementa&#xE7;&#xE3;o de atividades de modelagem matem&#xE1;tica est&#xE1; a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado ao problema, &#xE0; Matem&#xE1;tica, que em alguma medida pode ser evidenciada nas a&#xE7;&#xF5;es, nas representa&#xE7;&#xF5;es, nas argumenta&#xE7;&#xF5;es dos alunos.</p>
<p>Considerando a ideia de que em uma atividade de modelagem parte-se de uma situa&#xE7;&#xE3;o inicial (problem&#xE1;tica) e obt&#xE9;m-se uma solu&#xE7;&#xE3;o para esta situa&#xE7;&#xE3;o, uma resposta ao problema, para al&#xE9;m de ensinar Matem&#xE1;tica, estamos em busca da solu&#xE7;&#xE3;o para um problema no desenvolvimento da atividade. Assim, o problema tamb&#xE9;m pode ser percebido como objeto de estudo em uma atividade de modelagem e evidenciar a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para este objeto pode constituir um importante estudo na linha de pesquisa de Modelagem Matem&#xE1;tica. Neste sentido configura-se o aprender a resolver problemas e o aprender conceitos matem&#xE1;ticos como aspectos essenciais associados ao desenvolvimento de uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica.</p>
<p>Pesquisas que em alguma medida se remetem &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o/constru&#xE7;&#xE3;o de significados no desenvolvimento de atividades de modelagem t&#xEA;m sido desenvolvidas por v&#xE1;rios autores (<xref ref-type="bibr" rid="B8">CARREIRA; AMADO; LECOQ, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">BLOMH&#xD8;J; KJELDSEN, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B1">ALMEIDA, 2010</xref>).</p>
<p>O que, em termos gerais, &#xE9; abordado nestes textos, diz respeito &#xE0; busca de evid&#xEA;ncias da atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o problema, para a Matem&#xE1;tica. No presente artigo argumentamos que esta busca por evid&#xEA;ncias pode se pautar na an&#xE1;lise dos signos usados e/ou produzidos pelos alunos durante o desenvolvimento da atividade de modelagem. Ao tratar da an&#xE1;lise de signos nos fundamentamos na teoria semi&#xF3;tica de Charles Sanders Peirce, particularmente nas suas constru&#xE7;&#xF5;es e argumenta&#xE7;&#xF5;es sobre os signos que se criam na mente do aluno &#x2014; os interpretantes, e as infer&#xEA;ncias com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado a partir destes signos. Os interpretantes evidenciados nos registros escritos, nas falas e nos gestos que emergem durante o desenvolvimento de atividades de modelagem matem&#xE1;tica constituem um acervo de dados que indicam aspectos relacionados &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado pelo aluno (int&#xE9;rprete).</p>
<p>Neste contexto, temos como objetivo investigar os <italic>caminhos do significado que parecem ser tra&#xE7;ados por alunos quando desenvolvem atividades de modelagem matem&#xE1;tica.</italic></p>
<p>Na investiga&#xE7;&#xE3;o consideramos as pondera&#xE7;&#xF5;es de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Santaella (2007</xref>, p. 37), de que &#x201C;a an&#xE1;lise dos interpretantes deve estar alicer&#xE7;ada na leitura cuidadosa tanto dos aspectos envolvidos no fundamento do signo como nos aspectos envolvidos nas rela&#xE7;&#xF5;es do signo com seu objeto&#x201D;. A met&#xE1;fora do <italic>caminho</italic> vem ancorada nas assertivas de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Colapietro (2004</xref>, p. 21) de que h&#xE1; caminho &#x201C;quando houve um movimento ou pelo menos a perspectiva de movimento&#x201D;.</p>
<p>Subsidiamos nossas reflex&#xF5;es na an&#xE1;lise do desenvolvimento de uma atividade de modelagem por um grupo de estudantes de um curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica em uma disciplina de Modelagem Matem&#xE1;tica na perspectiva da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica. Tais an&#xE1;lises conduzem a reflex&#xF5;es e considera&#xE7;&#xF5;es sobre os <italic>caminhos do significado</italic> no desenvolvimento de atividades de modelagem.</p>
<p>Levando em considera&#xE7;&#xE3;o esse encaminhamento, este texto est&#xE1; estruturado, al&#xE9;m desta introdu&#xE7;&#xE3;o, em quatro se&#xE7;&#xF5;es subsequentes. Na primeira tratamos da Modelagem Matem&#xE1;tica e, a partir de uma busca na literatura, identificamos etapas que o int&#xE9;rprete pode percorrer para desenvolver uma atividade de modelagem. Em seguida, tratamos do significado na perspectiva da semi&#xF3;tica peirceana com foco nos interpretantes. Na terceira se&#xE7;&#xE3;o definimos os aspectos metodol&#xF3;gicos que orientam nossa pesquisa e apresentamos a an&#xE1;lise da atividade. Finalizamos apresentando <italic>os caminhos do significado</italic> na atividade analisada.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Modelagem Matem&#xE1;tica</title>
<p>Quando tratamos de Modelagem Matem&#xE1;tica, estamos nos referindo a atividades que t&#xEA;m como ponto de partida uma situa&#xE7;&#xE3;o inicial (problem&#xE1;tica) e como ponto de chegada uma situa&#xE7;&#xE3;o final (solu&#xE7;&#xE3;o para a situa&#xE7;&#xE3;o inicial); no percurso da busca pela solu&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o utilizados procedimentos que caracterizam estrat&#xE9;gias de a&#xE7;&#xE3;o do sujeito envolvido com a atividade em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o inicial problem&#xE1;tica. Tais estrat&#xE9;gias de a&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o associadas, de modo geral, a etapas da modelagem matem&#xE1;tica. Neste artigo consideramos a compreens&#xE3;o de <xref ref-type="bibr" rid="B6">Blum e Niss (1991)</xref> que defendem que a atividade de modelagem requer do modelador algumas articula&#xE7;&#xF5;es entre a situa&#xE7;&#xE3;o do mundo real e a Matem&#xE1;tica. Neste sentido, os autores defendem que em uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] o ponto de partida &#xE9; um problema tamb&#xE9;m chamado de <italic>situa&#xE7;&#xE3;o-problema real</italic>. Esta situa&#xE7;&#xE3;o tem de ser simplificada, idealizada e estruturada, por meio de condi&#xE7;&#xF5;es e pressupostos apropriados e tamb&#xE9;m pelos interesses do modelador. Isto conduz a um <italic>modelo real</italic> da situa&#xE7;&#xE3;o original que, por um lado, ainda cont&#xE9;m tra&#xE7;os essenciais da situa&#xE7;&#xE3;o original, mas, por outro lado, j&#xE1; est&#xE1; esquematizado e (se poss&#xED;vel) permite uma aproxima&#xE7;&#xE3;o com aspectos matem&#xE1;ticos.</p>
<p>O <italic>modelo real</italic> tem de ser matematizado, ou seja, os dados, conceitos, rela&#xE7;&#xF5;es, condi&#xE7;&#xF5;es e pressupostos s&#xE3;o traduzidos em matem&#xE1;tica. Assim, resulta um <italic>modelo matem&#xE1;tico</italic> da situa&#xE7;&#xE3;o original. [&#x2026;]</p>
<p>O processo de resolu&#xE7;&#xE3;o do problema continua no contexto da matem&#xE1;tica, e as conclus&#xF5;es fundamentam-se em c&#xE1;lculos, verifica&#xE7;&#xF5;es e aplica&#xE7;&#xE3;o de m&#xE9;todos e resultados matem&#xE1;ticos conhecidos, bem como podem abranger o desenvolvimento de novos conceitos, etc. [&#x2026;] De modo geral, alguns <italic>resultados matem&#xE1;ticos</italic> s&#xE3;o obtidos.</p>
<p>Estes resultados t&#xEA;m de ser re-traduzidos para o mundo real, ou seja, ser interpretados em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o original. Ao faz&#xEA;-lo, o modelador tamb&#xE9;m valida o modelo, ou seja, decide se o utiliza para os fins para quais foi constru&#xED;do. Ao validar o modelo, discrep&#xE2;ncias de v&#xE1;rios tipos podem ocorrer, o que pode conduzir a uma modifica&#xE7;&#xE3;o do modelo ou a sua substitui&#xE7;&#xE3;o por um novo. Em outras palavras, o processo de resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas pode exigir a volta ao ciclo v&#xE1;rias vezes. Se, eventualmente, um modelo satisfat&#xF3;rio foi encontrado, o modelador pode us&#xE1;-lo como base para fazer previs&#xF5;es, tomar decis&#xF5;es ou a&#xE7;&#xF5;es. [&#x2026;] (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BLUM; NISS, 1991</xref>, p. 38-39).</p></disp-quote>
<p>Levando em considera&#xE7;&#xE3;o o desenvolvimento de atividades de modelagem como descrito por <xref ref-type="bibr" rid="B6">Blum e Niss (1991)</xref>, as etapas caracterizadas em <xref ref-type="bibr" rid="B5">Blum (2011)</xref>, bem como adapta&#xE7;&#xF5;es no esquema explicativo proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Almeida, Silva e Vertuan (2012)</xref>, apresentamos na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> a configura&#xE7;&#xE3;o para uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica usada neste artigo.</p>
<fig id="f1">
<label>Figura 1</label>
<caption>
<title>Etapas do desenvolvimento de atividades de modelagem matem&#xE1;tica</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf01.jpg"/>
<attrib>Fonte: Constru&#xED;da pelas autoras para o artigo.</attrib></fig>
<p>De forma geral, em pesquisas relativas &#xE0; Modelagem Matem&#xE1;tica na &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (<xref ref-type="bibr" rid="B14">MAA&#x3B2;, 2006</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27">STILLMAN et al, 2007</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">BLUM, 2011</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA; SILVA, 2012</xref>), a g&#xEA;nese da atividade est&#xE1; na formula&#xE7;&#xE3;o e resolu&#xE7;&#xE3;o de um problema. Neste contexto, consideramos problema como uma situa&#xE7;&#xE3;o em que o sujeito deseja fazer algo, mas desconhece, <italic>a priori</italic>, os procedimentos ou encaminhamentos necess&#xE1;rios para obter a solu&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B22">POGGIOLI, 2001</xref>); e modelo matem&#xE1;tico como um sistema conceitual, descritivo ou explicativo, expresso por meio de uma linguagem ou uma estrutura matem&#xE1;tica, com a finalidade de descrever o comportamento de outro sistema e permitir a realiza&#xE7;&#xE3;o de previs&#xF5;es sobre este (<xref ref-type="bibr" rid="B13">LESH, 2010</xref>).</p>
<p>Para al&#xE9;m de resolver um problema identificado na situa&#xE7;&#xE3;o inicial, os envolvidos com uma atividade de modelagem precisam identificar, fora do &#xE2;mbito da Matem&#xE1;tica, uma situa&#xE7;&#xE3;o-problema cuja abordagem possa se dar mediante o uso da Matem&#xE1;tica. Neste sentido, existem pesquisas que defendem que tanto professor quanto alunos podem ser respons&#xE1;veis pela escolha da situa&#xE7;&#xE3;o. O que se destaca &#xE9; a forma como a busca de informa&#xE7;&#xF5;es &#xE9; efetivada quando os alunos se envolvem com atividades desta natureza.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B11">Diniz e Borba (2012)</xref>, neste contexto, evidenciaram um crescente n&#xFA;mero de atividades de modelagem que se utilizam de informa&#xE7;&#xF5;es coletadas na internet, como gr&#xE1;ficos, pictogramas ou f&#xF3;rmulas. Esses autores caracterizam tais informa&#xE7;&#xF5;es como <italic>dados prontos</italic>, &#x201C;que j&#xE1; est&#xE3;o organizadas e que, nem sempre, trazem uma explica&#xE7;&#xE3;o sobre como foram coletadas e organizadas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">DINIZ; BORBA, 2012</xref>, p. 937). No entanto, os autores destacam que o engajamento dos alunos com o objetivo de identificar as rela&#xE7;&#xF5;es que n&#xE3;o est&#xE3;o disponibilizadas e que podem complementar a compreens&#xE3;o dos <italic>dados prontos</italic> &#x201C;parecem gerar o mesmo resultado que a coleta de dados em campo&#x201D; (p. 955). Neste sentido, entendemos que uma atividade de modelagem abordada por meio de informa&#xE7;&#xF5;es prontas n&#xE3;o inviabiliza o trabalho investigativo permeado pelas etapas como caracterizadas para uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica.</p>
<p>Neste artigo apresentamos uma atividade de modelagem desenvolvida em sala de aula por grupos de alunos que se utilizaram de <italic>dados prontos</italic>, apresentados em uma revista brasileira de car&#xE1;ter cultural e cient&#xED;fico. Nosso intuito &#xE9; inferir sobre os caminhos da atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o problema e para os objetos matem&#xE1;ticos que emergiram durante o desenvolvimento desta atividade. A identifica&#xE7;&#xE3;o dos caminhos do significado se faz relevante considerando que sinaliza como se d&#xE1; a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado no &#xE2;mbito de atividades de modelagem, bem como d&#xE1; ind&#xED;cios do potencial de atividades de modelagem para esta atribui&#xE7;&#xE3;o. Nestes encaminhamentos, nos fundamentamos na teoria dos interpretantes, proposta na semi&#xF3;tica peirceana.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 Significado em Peirce: foco nos interpretantes</title>
<p>Discuss&#xF5;es com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; no&#xE7;&#xE3;o de significado t&#xEA;m permeado pesquisas nas mais diversas &#xE1;reas. Dentre as quest&#xF5;es que s&#xE3;o mais debatidas entre os pesquisadores destacam-se: O que constitui o significado?; Significado pode ser descrito como a a&#xE7;&#xE3;o de significar? Embora possamos nos deparar com diversas teorias acerca da no&#xE7;&#xE3;o de significado, esse assunto n&#xE3;o se encontra esgotado.</p>
<p>Ao tratarmos de quest&#xF5;es relativas &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado em atividades de modelagem matem&#xE1;tica nos pautamos na semi&#xF3;tica peirceana, desenvolvida por Charles Sanders Peirce (1839-1914). Segundo estudiosos da semi&#xF3;tica peirceana (<xref ref-type="bibr" rid="B18">OTTE, 2001</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">HOFFMANN, 2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B9">COLAPIETRO, 2004</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">SANTAELLA, 2008</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">N&#xD6;TH, 2008</xref>), a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o objeto est&#xE1; intrinsecamente relacionada aos interpretantes enquanto signos produzidos na mente de um int&#xE9;rprete. <xref ref-type="bibr" rid="B12">Hoffmann (2004</xref>, p. 198), neste contexto, afirma que uma caracter&#xED;stica relevante da semi&#xF3;tica de Peirce &#xE9; justamente o reconhecimento do papel do interpretante na atribui&#xE7;&#xE3;o do significado.</p>
<p>Objeto, interpretante e signo (tamb&#xE9;m denominado por <italic>represent&#xE1;men</italic> na semi&#xF3;tica peirceana) s&#xE3;o elementos constituintes da tr&#xED;ade semi&#xF3;tica de Peirce, na qual o signo estabelece uma media&#xE7;&#xE3;o entre objeto e interpretante. O objeto &#xE9; caracterizado por <xref ref-type="bibr" rid="B20">Peirce (2005</xref>, p. 48) como &#x201C;uma coisa singular existente e conhecida ou que se acredita tenha anteriormente existido ou que se espera venha a existir&#x201D;. J&#xE1; o signo, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Peirce (1972)</xref>, tem a fun&#xE7;&#xE3;o de representar seu objeto para algu&#xE9;m (int&#xE9;rprete), criando na mente desse algu&#xE9;m um outro signo, o interpretante. Esse novo signo &#xE9; um processo racional que se cria na mente do int&#xE9;rprete. O interpretante, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B24">Santaella (2005</xref>, p. 43), &#x201C;n&#xE3;o &#xE9; qualquer signo, mas um signo que interpreta o fundamento&#x201D;. &#xC9; por meio da interpreta&#xE7;&#xE3;o evidenciada no interpretante que o fundamento do signo revela algo sobre o objeto existente.</p>
<p>O interpretante, como afirma <xref ref-type="bibr" rid="B25">Santaella (2007)</xref>, corresponde ao &#x201C;efeito interpretativo que o signo produz em uma mente real ou meramente potencial&#x201D; (p. 23). Neste sentido, cada signo, na mente do int&#xE9;rprete, gera um interpretante que, por sua vez, funciona como <italic>represent&#xE1;men</italic> de um novo signo, em um processo de gera&#xE7;&#xE3;o de interpretantes num ciclo <italic>ad infinitum</italic>. O processo de gera&#xE7;&#xE3;o de interpretantes, em sentido peirceano, constitui a semiose.</p>
<p>Para al&#xE9;m de ser um processo de gera&#xE7;&#xE3;o, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Colapietro (2004)</xref> sustenta que a semiose tamb&#xE9;m se constitui em um processo de determina&#xE7;&#xE3;o triadicamente mediado, ou seja, &#x201C;um processo no qual o signo <italic>determina</italic> seu interpretante de tal maneira, levando adiante o jeito como o pr&#xF3;prio signo tem sido, ou simplesmente poderia ser, <italic>determinado</italic> por seu objeto&#x201D; (p. 21). Olhar para o interpretante &#xE9;, portanto, uma possibilidade de fazer infer&#xEA;ncias sobre a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o objeto pelo int&#xE9;rprete.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B9">Colapietro (2004</xref>, p. 14) afirma que a semi&#xF3;tica peirceana incluiu &#x201C;uma elaborada teoria do interpretante e, com isso, uma explica&#xE7;&#xE3;o variada de significado&#x201D;. O significado &#xE9; citado por Peirce em diferentes circunst&#xE2;ncias. Para o autor, o &#x201C;significado n&#xE3;o &#xE9; uma ideia que o s&#xED;mbolo evoca na mente, mas consequ&#xEA;ncia da conduta que gera nos homens (racionais)&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B21">PEIRCE, 1972</xref>, p. 18); &#x201C;<italic>significado</italic> deve envolver uma refer&#xEA;ncia, a <italic>inten&#xE7;&#xE3;o</italic>&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">PEIRCE, 1989</xref>, p. 16, grifo do autor); emprega o significado como &#x201C;numa ideia de sentimento ou predominantemente numa ideia de atuar e ser atuado&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">PEIRCE, 2005</xref>, p. 194); &#x201C;significado &#xE9; aquilo que &#xE9; pretendido, seu prop&#xF3;sito&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">PEIRCE, 2005</xref>, p. 169); &#x201C;significado &#xE9; o interpretante declarado de um s&#xED;mbolo&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">PEIRCE, 2005</xref>, p. 222); &#x201C;significado de um termo &#xE9; a concep&#xE7;&#xE3;o que ele veicula&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">PEIRCE, 2005</xref>, p. 254).</p>
<p>O procedimento adotado por Peirce para reconstruir ou explicar significados consiste no estabelecimento de um conjunto de condi&#xE7;&#xF5;es para uma dada situa&#xE7;&#xE3;o na qual uma opera&#xE7;&#xE3;o definida produziria um resultado definido. Ou seja, para determinar o que um conceito significa ou &#x201C;para deixar claro o significado de uma ideia devemos tentar interpretar cada no&#xE7;&#xE3;o tra&#xE7;ando suas consequ&#xEA;ncias pr&#xE1;ticas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B21">PEIRCE, 1972</xref>, p.21). Uma maneira de evidenciar essas consequ&#xEA;ncias &#xE9; analisar os s&#xED;mbolos produzidos pelos int&#xE9;rpretes para o mesmo objeto. Se ocorrerem mudan&#xE7;as significativas para os s&#xED;mbolos, possivelmente h&#xE1; um progresso na atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o objeto, conforme afirma <xref ref-type="bibr" rid="B20">Peirce (2005</xref>, p. 40) &#x201C;o corpo de um s&#xED;mbolo transforma-se lentamente, mas seu significado cresce inevitavelmente, incorpora novos elementos e livra-se de elementos velhos&#x201D;.</p>
<p>Nessa assertiva tamb&#xE9;m podemos evidenciar que a familiaridade com os s&#xED;mbolos possibilita um progresso no que tange ao <italic>incremento</italic> do significado para o objeto. <xref ref-type="bibr" rid="B19">Peirce (1989)</xref> remete-se &#xE0; familiaridade e &#xE0; experi&#xEA;ncia pr&#xE9;via quando trata da representa&#xE7;&#xE3;o do objeto pelo signo.</p> <disp-quote>
<p>Para ler o signo, e distinguir um signo de outro, o que se faz necess&#xE1;rio s&#xE3;o percep&#xE7;&#xF5;es sutis e familiaridade com os concomitantes habituais de tais apar&#xEA;ncias, e com as conven&#xE7;&#xF5;es do sistema de signos. Para conhecer o objeto, o que &#xE9; preciso &#xE9; a experi&#xEA;ncia pr&#xE9;via desse objeto individual. O objeto de cada signo &#xE9; um indiv&#xED;duo [&#x2026;] conhecer o interpretante, que &#xE9; o que o signo ele pr&#xF3;prio expressa, pode requerer o mais alto poder do racioc&#xED;nio (<xref ref-type="bibr" rid="B19">PEIRCE, 1989</xref>, p. 61).</p></disp-quote>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B26">Silva (2013)</xref>, percorrendo as diferentes obras de Peirce e de muitos de seus interpretadores, fez um levantamento de afirma&#xE7;&#xF5;es do autor com rela&#xE7;&#xE3;o ao significado e concluiu que, de modo geral, h&#xE1; evid&#xEA;ncias de atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o objeto por meio de:</p> <disp-quote>
<p><italic>familiaridade</italic> que o int&#xE9;rprete possui com o dado objeto, se este j&#xE1; faz parte de sua realidade ou contexto; na <italic>inten&#xE7;&#xE3;o</italic> de significar o objeto, em que ocorre, a partir de uma refer&#xEA;ncia, uma articula&#xE7;&#xE3;o deste objeto com o contexto em que este &#xE9; utilizado; como uma <italic>ideia</italic> que se remete ao objeto, de atuar e ser atuado; como <italic>consequ&#xEA;ncia</italic> futura para abarcar o objeto, em que as consequ&#xEA;ncias pr&#xE1;ticas estabelecem destaque entre pensamento e a&#xE7;&#xE3;o; por meio de <italic>experi&#xEA;ncia colateral</italic> com o objeto, ou seja, da intimidade pr&#xE9;via com aquilo que o signo denota (<xref ref-type="bibr" rid="B26">SILVA, 2013</xref>, p. 69).</p></disp-quote>
<p>A partir desses aspectos abordados sobre significado e considerando a semiose como processo de gera&#xE7;&#xE3;o e de determina&#xE7;&#xE3;o de interpretantes, buscamos ind&#xED;cios de atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o objeto pelo int&#xE9;rprete em uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica desenvolvida por alunos trabalhando em grupo. Para tanto, corroboramos as conclus&#xF5;es apontadas em <xref ref-type="bibr" rid="B26">Silva (2013)</xref> e, olhando para os signos dos alunos nas diferentes etapas de desenvolvimento de uma atividade de modelagem como caracterizado na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>, tra&#xE7;amos os <italic>caminhos do significado</italic> do aluno nessa atividade.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 Os interpretantes em uma atividade de modelagem matem&#xE1;tica</title>
<p>A an&#xE1;lise empreendida neste artigo leva em considera&#xE7;&#xE3;o os interpretantes produzidos por tr&#xEA;s alunos do 4&#xB0; ano de um curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica durante o desenvolvimento de uma atividade de modelagem na disciplina de Modelagem Matem&#xE1;tica, ministrada por uma das autoras deste texto com a participa&#xE7;&#xE3;o da outra autora como aluna de doutorado. Neste sentido, levamos em considera&#xE7;&#xE3;o signos escritos, falados e gesticulados que se remetem ao problema e ao objeto matem&#xE1;tico durante o desenvolvimento da atividade, bem como o que os alunos dizem, em entrevista, sobre o problema e o objeto matem&#xE1;tico a partir dos signos que produziram.</p>
<p>As informa&#xE7;&#xF5;es que subsidiam as argumenta&#xE7;&#xF5;es com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado foram coletadas por meio de v&#xED;deos, grava&#xE7;&#xF5;es em &#xE1;udio, relat&#xF3;rio da atividade dos alunos, question&#xE1;rio e entrevista <italic>a posteriori</italic>. Para fazermos men&#xE7;&#xE3;o aos participantes da pesquisa utilizamos a letra E seguida de um n&#xFA;mero (E1, E2, E3) para cada estudante e P para a pesquisadora.</p>
<p>A atividade que descrevemos est&#xE1; relacionada &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o inicial (problem&#xE1;tica) <italic>consumo de cigarros por pessoa durante um ano</italic> e foi desenvolvida em sala de aula durante 4horas/aula da disciplina.</p>
<p>Os alunos entraram em contato com <italic>dados prontos</italic> sobre consumo anual de cigarros por pessoa no per&#xED;odo de 1950 a 2007 conforme indica a <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>.</p>
<fig id="f2">
<label>Figura 2</label>
<caption>
<title>Consumo de cigarros no mundo</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf02.jpg"/>
<attrib>Fonte: Revista Super Interessante, agosto de 2009, p.35.</attrib></fig>
<p>Um primeiro procedimento dos alunos nesse caso seria associar aos dados da figura os dados da <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>. O que essa tabela claramente indica &#xE9; a inclus&#xE3;o do ano de 2010 (&#xFA;ltima linha da tabela) que n&#xE3;o consta na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>. A previs&#xE3;o de consumo de cigarros para o ano de 2010 foi realizada pelos alunos a partir da observa&#xE7;&#xE3;o de que no per&#xED;odo entre 1990 e 2000 o decrescimento do consumo anual de cigarros por pessoa corresponde a aproximadamente 13,75%; j&#xE1; para o per&#xED;odo de 2000 a 2007, o percentual cai para 7,86%. Considerando como hip&#xF3;tese que o decaimento de 7,86% do &#xFA;ltimo per&#xED;odo foi igualmente distribu&#xED;do entre os sete anos, puderam considerar que o consumo diminuiu em 1,12% ao ano nesse per&#xED;odo. Supondo que este percentual se manteve no per&#xED;odo entre 2007 e 2010, conclu&#xED;ram que a quantidade de cigarros consumida por pessoa em 2010 foi de 813 cigarros conforme indica a &#xFA;ltima linha da <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>N&#xFA;mero de cigarros consumidos por ano por pessoa</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center">Ano (t)</th>
<th align="center">N&#xFA;mero de cigarros</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center">1950</td>
<td align="center">702</td></tr>
<tr>
<td align="center">1960</td>
<td align="center">741</td></tr>
<tr>
<td align="center">1970</td>
<td align="center">841</td></tr>
<tr>
<td align="center">1980</td>
<td align="center">997</td></tr>
<tr>
<td align="center">1990</td>
<td align="center">1062</td></tr>
<tr>
<td align="center">2000</td>
<td align="center">916</td></tr>
<tr>
<td align="center">2010</td>
<td align="center">813</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio dos alunos (2011).</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>A partir desse tratamento e dessa complementa&#xE7;&#xE3;o nos dados j&#xE1; incorporando, embora de forma impl&#xED;cita, hip&#xF3;teses sobre o problema, os alunos investiriam ent&#xE3;o na constru&#xE7;&#xE3;o de modelos matem&#xE1;ticos.</p>
<p>Com esta inten&#xE7;&#xE3;o, o desenvolvimento da atividade de modelagem foi permeado por simula&#xE7;&#xF5;es dos alunos, considerando que o decrescimento observado no per&#xED;odo de 1990 a 2010 poderia ser estudado por meio de diferentes modelos matem&#xE1;ticos, a saber &#x2013; linear, exponencial e quadr&#xE1;tico.</p>
<p>Para iniciar o desenvolvimento da atividade, o primeiro procedimento dos alunos foi inteirar-se da situa&#xE7;&#xE3;o problem&#xE1;tica com o intuito de compreender as informa&#xE7;&#xF5;es apresentadas, conforme indica o di&#xE1;logo:</p> <disp-quote>
<p><italic>E3: Tem uma regrinha n&#xE3;o tem?</italic></p>
<p><italic>E1: Mas olha, o valor com rela&#xE7;&#xE3;o ao ano, n&#xE3;o est&#xE1; em propor&#xE7;&#xE3;o?</italic></p>
<p><italic>[e come&#xE7;am a olhar para a situa&#xE7;&#xE3;o a partir das informa&#xE7;&#xF5;es sobre propor&#xE7;&#xE3;o que foi utilizada para montar a</italic> <xref ref-type="table" rid="t1"><italic>Tabela 1</italic></xref><italic>]</italic></p>
<p><italic>E2: A gente viu que de dois mil e oito, dois mil e nove a taxa diminuiu, mas e a partir de dois mil e dez? N&#xE3;o pode afirmar nada!</italic></p>
<p><italic>E1: &#xC9; o que a gente vai utilizar como hip&#xF3;tese&#x2026; &#xE9; essa taxa de decaimento.</italic></p>
<p><italic>E2: Ent&#xE3;o vamos considerar que continue na mesma taxa de decaimento ent&#xE3;o.</italic></p>
<p><italic>E1: Porque se eu fosse fazer uma fun&#xE7;&#xE3;o linear daqui para c&#xE1; [apontando para anos a partir de 1990 indicados nos pontos do plano cartesiano que E2 tra&#xE7;ou a partir dos dados da</italic> <xref ref-type="fig" rid="f2"><italic>Figura 2</italic></xref> <italic>e que &#xE9; apresentada na</italic> <xref ref-type="fig" rid="f3"><italic>Figura 3</italic></xref><italic>], eu ia considerar essa taxa, essa taxa que decai aqui.</italic></p>
<p><italic>[e continuam a busca por uma regularidade nessas informa&#xE7;&#xF5;es da situa&#xE7;&#xE3;o-problema].</italic></p>
<p><italic>E3: Mas o que podemos estudar com isso? Qual &#xE9; o problema?</italic></p>
<p><italic>E1: &#xC9;&#x2026; o problema&#x2026;</italic></p>
<p><italic>E2: Se a gente pensar na quest&#xE3;o de diminui&#xE7;&#xE3;o de consumo, a gente poderia pensar em que ano o n&#xFA;mero de cigarros consumidos volta a ser o mesmo de mil novecentos e cinquenta que &#xE9; o menor valor!</italic></p>
<p><italic>E3: Setecentos e dois?</italic></p>
<p><italic>E2: Isso mesmo, a menor quantidade de cigarros consumidos. Nossa!!! [espanto em ver que embora o n&#xFA;mero de cigarros seja menor, ainda &#xE9; uma quantidade elevada].</italic></p>
<p><italic>[&#x2026;]</italic></p>
<p><italic>E3: Mas a taxa de decaimento de um mil novecentos e noventa para dois mil &#xE9; maior do que no outro per&#xED;odo, ser&#xE1; que a gente pode dizer que esse decaimento &#xE9; linear?</italic></p>
<p><italic>E2: E da&#xED; coloca ou n&#xE3;o coloca a taxa de decrescimento como hip&#xF3;tese?</italic></p>
<p><italic>E1: &#xC9;&#x2026; nessa parte [apontando para anos a partir de 1990] parece exponencial tamb&#xE9;m.</italic></p>
<p><italic>E2: Mas a tabela e a situa&#xE7;&#xE3;o falam apenas da parte do decaimento. E &#xE9; o que a gente quer estudar no nosso problema!</italic></p>
<p><italic>[e continuam a busca pela regularidade nessas informa&#xE7;&#xF5;es da situa&#xE7;&#xE3;o-problema].</italic></p>
<p><italic>(Grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011).</italic></p></disp-quote>
<p>A partir dessa inteira&#xE7;&#xE3;o os alunos elaboram discuss&#xF5;es sobre as informa&#xE7;&#xF5;es quantitativas apresentadas no pictograma (<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>) com a inten&#xE7;&#xE3;o de <italic>visualizar</italic> nos dados alguma regularidade. No entanto, a discuss&#xE3;o ficou em torno da taxa de propor&#xE7;&#xE3;o utilizada nos c&#xE1;lculos para a obten&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de cigarros para o ano de 2010. Uma mudan&#xE7;a nas discuss&#xF5;es sobre a utiliza&#xE7;&#xE3;o dos dados ocorre quando E1, analisando os pontos no plano cartesiano (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>) a partir do ano de 1990, apresenta seus argumentos com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; interpreta&#xE7;&#xE3;o da situa&#xE7;&#xE3;o-problema: &#x201C;<italic>&#xC9; o que a gente vai utilizar como hip&#xF3;tese&#x2026; &#xE9; essa taxa de decaimento</italic> / <italic>Porque se eu fosse fazer uma fun&#xE7;&#xE3;o linear / parece exponencial tamb&#xE9;m&#x201D;</italic> (E1, grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011), culminando na defini&#xE7;&#xE3;o do problema por E2 &#x201C;[&#x2026;] <italic>em que ano o n&#xFA;mero de cigarros consumidos volta a ser o mesmo de mil novecentos e cinquenta que &#xE9; o menor valor!&#x201D;</italic> (E2, grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011). Com a abordagem da situa&#xE7;&#xE3;o, em grupo, os alunos definem um problema a ser estudado, levando em considera&#xE7;&#xE3;o a diminui&#xE7;&#xE3;o do consumo de cigarros como apresentado no relat&#xF3;rio entregue (<xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>) e simplificando o uso de informa&#xE7;&#xF5;es.</p>
<fig id="f3">
<label>Figura 3</label>
<caption>
<title>Registro de E2 para a tend&#xEA;ncia dos dados apresentados na atividade de modelagem</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf03.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E2 (2011).</attrib></fig>
<fig id="f4">
<label>Figura 4</label>
<caption>
<title>Registro de E1 para a defini&#xE7;&#xE3;o do problema para atividade de modelagem</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf04.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E1 (2011).</attrib></fig>
<p>Na produ&#xE7;&#xE3;o de seus interpretantes, E1 utiliza-se de argumentos com rela&#xE7;&#xE3;o aos objetos matem&#xE1;ticos, fun&#xE7;&#xE3;o linear e fun&#xE7;&#xE3;o exponencial. Nesse sentido, para E1 a tend&#xEA;ncia dos dados, representados no plano cartesiano para anos a partir de 1990 &#xE9; um signo que representa tais objetos matem&#xE1;ticos. J&#xE1; E2 est&#xE1; engajado em uma interpreta&#xE7;&#xE3;o que leva em considera&#xE7;&#xE3;o o problema a ser estudado conforme indica sua fala: &#x201C;<italic>Mas a tabela e a situa&#xE7;&#xE3;o falam apenas da parte do decaimento. E &#xE9; o que a gente quer estudar no nosso problema!&#x201D;</italic> (E2, grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011).</p>
<p>Embora representem todos os dados da <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref> no plano cartesiano (<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>), os alunos entendem que, para a abordagem do problema, somente o intervalo decrescente do gr&#xE1;fico &#xE9; considerado, como proposto por E2, uma vez que a situa&#xE7;&#xE3;o-problema apresentava uma discuss&#xE3;o sobre o decaimento do consumo de cigarros por pessoas nos &#xFA;ltimos anos, bem como sobre pol&#xED;ticas governamentais que pro&#xED;bem o fumo em alguns ambientes. Com isso, abandonam as discuss&#xF5;es sobre propor&#xE7;&#xE3;o estabelecidas inicialmente e n&#xE3;o utilizam tais informa&#xE7;&#xF5;es para a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo matem&#xE1;tico. Ao serem questionados sobre o <italic>abandono</italic> desta abordagem em entrevista <italic>a posteriori</italic>, os alunos argumentam que:</p> <disp-quote>
<p><italic>[&#x2026;]</italic></p>
<p><italic>P: Voc&#xEA;s falaram que as porcentagens apresentadas no texto n&#xE3;o tinham nada a ver para a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo&#x2026; por que?</italic></p>
<p><italic>E1: Porque quando a gente pega um texto acha que todas as informa&#xE7;&#xF5;es t&#xEA;m que ser usadas&#x2026;</italic></p>
<p><italic>E2: Exatamente</italic></p>
<p><italic>E1: Depois a gente viu que realmente a gente n&#xE3;o ia precisar de nada tamb&#xE9;m [risos]</italic></p>
<p><italic>E2: Engra&#xE7;ado isso!</italic></p>
<p><italic>P: A interpreta&#xE7;&#xE3;o dos dados?</italic></p>
<p><italic>E2: Aham&#x2026; que a gente acaba confundindo&#x2026; porque acho que tinham muitos&#x2026;</italic></p>
<p><italic>E1: Trocou, a gente se perde tamb&#xE9;m&#x2026; fica um pouco confuso&#x2026; tipo [folheando a resolu&#xE7;&#xE3;o e se referindo a exemplos de situa&#xE7;&#xF5;es-problema que j&#xE1; tinham resolvido em sala de aula] (Entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011).</italic></p></disp-quote>
<p>Os alunos deixam evidente que n&#xE3;o est&#xE3;o acostumados a lidar com situa&#xE7;&#xF5;es em que precisam realizar simplifica&#xE7;&#xF5;es das informa&#xE7;&#xF5;es para a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo para o problema a ser estudado. Quando se deparam com uma atividade que apresenta v&#xE1;rias informa&#xE7;&#xF5;es tentam utilizar todos os dados apresentados, sem se aterem ao problema que estabeleceram. Al&#xE9;m disso, procuram em anota&#xE7;&#xF5;es anteriores uma esp&#xE9;cie de protocolo para desenvolver a atividade e se deparam com uma situa&#xE7;&#xE3;o diferenciada. No &#xE2;mbito escolar, <xref ref-type="bibr" rid="B15">Manechine e Caldeira (2006</xref>, p. 3) afirmam que, &#x201C;na medida em que o educando vai se familiarizando e apreendendo determinados signos universais, esses v&#xE3;o se tornando objetos referenciais para conex&#xE3;o, rela&#xE7;&#xE3;o e apropria&#xE7;&#xE3;o de novos signos&#x201D;. Neste caso, a familiaridade com o desenvolvimento de atividades de modelagem na disciplina viabiliza um protocolo para o encaminhamento da atividade, no entanto, a simplifica&#xE7;&#xE3;o e interpreta&#xE7;&#xE3;o das informa&#xE7;&#xF5;es dependem de quem lida com a atividade.</p>
<p>Da necessidade de realizarem simplifica&#xE7;&#xF5;es para a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo matem&#xE1;tico, os alunos estabeleceram algumas hip&#xF3;teses que de certa forma se configurariam em uma solu&#xE7;&#xE3;o para o problema, ou seja, estudar quando as pessoas estar&#xE3;o fumando menos cigarros ao ano, ou pelo menos se aproximando do n&#xFA;mero de cigarros fumados no ano de 1950. Para tanto, abordaram o estudo por meio de fun&#xE7;&#xE3;o linear e fun&#xE7;&#xE3;o exponencial (<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>).</p>
<fig id="f5">
<label>Figura 5</label>
<caption>
<title>Registro de E1 para a defini&#xE7;&#xE3;o de hip&#xF3;teses para a atividade de modelagem</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf05.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E1 (2011).</attrib></fig>
<p>Uma abordagem por meio de uma fun&#xE7;&#xE3;o quadr&#xE1;tica tamb&#xE9;m foi ensaiada pelos alunos, no entanto, perceberam que um modelo deste tipo n&#xE3;o seria adequado uma vez que com os dados que tinham o ponto de m&#xED;nimo era superior a 702 cigarros. Neste sentido, ao estabelecerem rela&#xE7;&#xF5;es entre os objetos matem&#xE1;ticos que iriam utilizar para obter uma solu&#xE7;&#xE3;o para o problema, os alunos lan&#xE7;aram m&#xE3;o de signos que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B21">Peirce (1972)</xref>, representam o objeto (problema) de certa forma e capacidade.</p>
<p>As simplifica&#xE7;&#xF5;es, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B7">Borromeo Ferri (2006)</xref>, auxiliam na defini&#xE7;&#xE3;o do problema a ser estudado em atividades de modelagem. Al&#xE9;m de simplifica&#xE7;&#xF5;es com rela&#xE7;&#xE3;o ao que seria utilizado para a resolu&#xE7;&#xE3;o do problema, os alunos utilizaram de vari&#xE1;vel auxiliar para simplificar os c&#xE1;lculos matem&#xE1;ticos e trabalhar com unidades ao inv&#xE9;s de milhares, conforme di&#xE1;logo durante a resolu&#xE7;&#xE3;o.</p> <disp-quote>
<p><italic>E2: Acho bom a gente considerar o per&#xED;odo como vari&#xE1;vel auxiliar. Voc&#xEA; utilizou o per&#xED;odo</italic></p>
<p><italic>E1?</italic></p>
<p><italic>E1: Aham [afirmando].</italic></p>
<p><italic>E3: Para a gente fazer as continhas, acho bom a gente come&#xE7;ar a montar uma tabela.</italic></p>
<p><italic>E2: Aham [afirmando].</italic></p>
<p><italic>E1: O per&#xED;odo &#xE9; de dez em dez anos.</italic></p>
<p><italic>E3: Vamos fazer a tabelinha ent&#xE3;o e come&#xE7;ar a deduzir um modelo linear!</italic></p>
<p><italic>E1: A partir do m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados d&#xE1; para a gente definir essa fun&#xE7;&#xE3;o.</italic></p>
<p><italic>E3: Beleza, ent&#xE3;o vamos&#x2026;</italic></p>
<p><italic>[come&#xE7;am a realizar individualmente os c&#xE1;lculos para encontrar o modelo linear por meio do m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados] (Grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011).</italic></p></disp-quote>
<p>A partir das considera&#xE7;&#xF5;es que realizam sobre a hip&#xF3;tese e as vari&#xE1;veis, o trio inicia a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo matem&#xE1;tico, representado pela fun&#xE7;&#xE3;o linear (<xref ref-type="fig" rid="f6">Figura 6</xref>), ou seja, consideram como hip&#xF3;tese que o decrescimento &#xE9; linear -[&#x2026;] <italic>come&#xE7;ar a deduzir um modelo linear</italic> (E3, grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011). As considera&#xE7;&#xF5;es que utilizaram para a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo matem&#xE1;tico s&#xE3;o definidas em conjunto, mas as rela&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas e os c&#xE1;lculos matem&#xE1;ticos foram realizados individualmente e conferidos entre os alunos. Neste artigo, utilizamos registros dos tr&#xEA;s alunos do mesmo trio por estarem em conson&#xE2;ncia entre si. Pelas imagens gravadas em v&#xED;deo, enquanto E1 resolve, os outros membros do trio discutem a situa&#xE7;&#xE3;o-problema, fazendo a leitura das informa&#xE7;&#xF5;es que receberam e copiam a resolu&#xE7;&#xE3;o de E1.</p>
<fig id="f6">
<label>Figura 6</label>
<caption>
<title>Registro de E1 na obten&#xE7;&#xE3;o do modelo linear na atividade de modelagem</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf06.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E1 (2011).</attrib></fig>
<p>Na dedu&#xE7;&#xE3;o do <italic>modelo linear</italic> (Modelo 1), os alunos utilizam o m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados. Ao serem questionados na entrevista sobre o porqu&#xEA; utilizaram esse m&#xE9;todo ao inv&#xE9;s de escolher dois pontos, por exemplo, E1 responde: &#x201C;<italic>Seria muito simples deduzir o modelo matem&#xE1;tico usando dois pontos. A gente queria fazer algo utilizando t&#xE9;cnicas que aprendemos na gradua&#xE7;&#xE3;o&#x2026; s&#xF3; que se tiv&#xE9;ssemos escolhido dois pontos teria sido mais r&#xE1;pida a resolu&#xE7;&#xE3;o!&#x201D;</italic> (E1, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011). Neste caso, a experi&#xEA;ncia colateral &#x2014; a &#x201C;intimidade pr&#xE9;via com aquilo que o signo denota&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">PEIRCE, 1989</xref>, p. 61) &#x2014;, com os signos universais do m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados corresponderam a <italic>objetos referenciais</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B15">MANECHINE; CALDEIRA, 2006</xref>) para a abordagem do objeto matem&#xE1;tico fun&#xE7;&#xE3;o linear.</p>
<p>A partir das considera&#xE7;&#xF5;es sobre o uso do m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados para determinar a fun&#xE7;&#xE3;o linear, E1 explicita o signo que tinha em mente para desenvolver a atividade, o que, de acordo com afirma&#xE7;&#xF5;es de <xref ref-type="bibr" rid="B16">Miskulin et al (2007)</xref>, caracteriza o interpretante. Para os autores &#x201C;um signo s&#xF3; &#xE9; signo porque &#xE9; interpretado por algu&#xE9;m, pelo int&#xE9;rprete e este cria um novo signo em sua mente, o <italic>interpretante</italic>, que &#xE9;, na realidade, a ideia que o int&#xE9;rprete tinha do signo original&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MISKULIN et al, 2007</xref>, p. 5). Esses interpretantes produzidos por E1 s&#xE3;o ind&#xED;cios de que a fun&#xE7;&#xE3;o linear e sua obten&#xE7;&#xE3;o por meio do m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados t&#xEA;m significado para esse aluno numa perspectiva de que a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado est&#xE1; associada a uma inten&#xE7;&#xE3;o e a uma indica&#xE7;&#xE3;o de familiaridade com o objeto pelo int&#xE9;rprete.</p>
<p>O pr&#xF3;ximo procedimento dos alunos foi, a partir do modelo matem&#xE1;tico obtido com a hip&#xF3;tese de que a partir de 1990 o decrescimento &#xE9; linear (<italic>f</italic>(<italic>x</italic>) = 124,5<italic>x</italic> + 1179.33), responder o problema &#x2014; <italic>Qual o ano em que o consumo ser&#xE1; de 702 cigarros anuais por habitante?</italic> &#x2014; (<xref ref-type="fig" rid="f7">Figura 7</xref>). Quando questionados sobre esse procedimento, E2 respondeu: &#x201C;<italic>A gente s&#xF3; pensava em responder o problema. T&#xED;nhamos o modelo</italic> [risos], <italic>j&#xE1; quer&#xED;amos saber logo a resposta e depois a gente falava&#x2026; ai&#x2026; tem que validar esse modelo</italic> [risos]&#x201D; (E2, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011). Para esse aluno, o significado atribu&#xED;do ao problema correspondeu &#xE0; inten&#xE7;&#xE3;o de apresentar uma resposta e findar a atividade. A resposta ao problema &#xE9; entendida, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Almeida, Silva e Vertuan (2012)</xref>, como uma interpreta&#xE7;&#xE3;o em que &#x201C;o aluno se depara com a necessidade de compara&#xE7;&#xE3;o e distin&#xE7;&#xE3;o de ideias, generaliza&#xE7;&#xE3;o de fatos, articula&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos de diferentes &#xE1;reas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ALMEIDA; SILVA; VERTUAN, 2012</xref>, p. 18).</p>
<fig id="f7">
<label>Figura 7</label>
<caption>
<title>Registro de E2 para a resposta ao problema por meio do modelo linear</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf07.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E2 (2011).</attrib></fig>
<p>Esse fato evidencia que o objeto de estudo dos alunos na atividade de modelagem era o problema a ser resolvido, cuja resposta &#xE9; de que no ano de 2018 o n&#xFA;mero de cigarros consumidos por habitante ser&#xE1; de aproximadamente 702 cigarros. Se o modelo matem&#xE1;tico de alguma forma pudesse responder o problema, esse era tomado pelos alunos como um modelo que representava a situa&#xE7;&#xE3;o em estudo. Isso corrobora com a caracteriza&#xE7;&#xE3;o de modelo matem&#xE1;tico atribu&#xED;do por <xref ref-type="bibr" rid="B10">Davis e Hersh (1995)</xref> em que os autores afirmam que uma forma de caracterizar um modelo &#xE9; consider&#xE1;-lo bom ou ruim, simplista ou sofisticado, &#xFA;til ou in&#xFA;til com rela&#xE7;&#xE3;o ao que ele est&#xE1; representando. Esta caracteriza&#xE7;&#xE3;o viria em consequ&#xEA;ncia da capacidade que o modelo tem de apresentar uma resposta ao problema. Neste caso, se a resposta que o modelo produz &#xE9; aceit&#xE1;vel, ent&#xE3;o o modelo &#xE9; bom, &#xE9; &#xFA;til.</p>
<p>Outro encaminhamento para a constru&#xE7;&#xE3;o de um modelo matem&#xE1;tico para buscar evid&#xEA;ncias com respeito &#xE0; &#xE9;poca em que novamente o consumo anual se reduziria aos 702 cigarros foi considerar a hip&#xF3;tese de que a taxa de varia&#xE7;&#xE3;o da quantidade de cigarros consumidos por ano &#xE9; proporcional ao n&#xFA;mero de cigarros consumidos em cada ano. Esta hip&#xF3;tese, que em linguagem matem&#xE1;tica, &#xE9; a equa&#xE7;&#xE3;o diferencial separ&#xE1;vel de primeira ordem consta da <xref ref-type="fig" rid="f8">Figura 8</xref>.</p>
<fig id="f8">
<label>Figura 8</label>
<caption>
<title>Hip&#xF3;tese de E1 para o problema</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf08.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E1 (2011).</attrib></fig>
<p>A resolu&#xE7;&#xE3;o desta equa&#xE7;&#xE3;o conduz a uma solu&#xE7;&#xE3;o que descreve o decrescimento do consumo de cigarros por um modelo exponencial conforme mostram os registros dos alunos na <xref ref-type="fig" rid="f9">Figura 9</xref>. Isto trouxe a tona o que E1 j&#xE1; pensava no in&#xED;cio do desenvolvimento da atividade: &#x201C;<italic>&#xC9;&#x2026; nessa parte</italic> [apontando para anos a partir de 1990] <italic>parece exponencial tamb&#xE9;m&#x201D;</italic> (E1, Grava&#xE7;&#xE3;o &#xE1;udio-visual, 2011).</p>
<fig id="f9">
<label>Figura 9</label>
<caption>
<title>Registro de E2 na obten&#xE7;&#xE3;o do modelo exponencial</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf09.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E2 (2011).</attrib></fig>
<p>O uso de equa&#xE7;&#xF5;es diferenciais ordin&#xE1;rias nesse caso pode estar relacionado &#xE0; familiaridade dos alunos com esse objeto matem&#xE1;tico, pois conforme relato de E1: &#x201C;<italic>A gente sabe que o tempo &#xE9; uma fun&#xE7;&#xE3;o cont&#xED;nua e na situa&#xE7;&#xE3;o decresce exponencialmente e isso fez com que a gente utilizasse EDO, pois j&#xE1; vimos isso em outros momentos</italic> [referindo-se &#xE0; disciplina de Equa&#xE7;&#xF5;es Diferenciais e a atividades de modelagem que j&#xE1; haviam realizado]&#x201D; (E1, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011). O m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados consiste em experi&#xEA;ncias pr&#xE9;vias que os alunos j&#xE1; tiveram com tal procedimento, tanto que o utilizaram na dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo linear.</p>
<p>Os registros produzidos pelos alunos correspondem a signos que denotam o objeto matem&#xE1;tico fun&#xE7;&#xE3;o exponencial. Uma vez obtido o modelo, os alunos realizaram sua valida&#xE7;&#xE3;o para posteriormente utiliz&#xE1;-lo para responder o problema (<xref ref-type="fig" rid="f10">Figura 10</xref>). Quando questionados por que agiram de forma diferente para esse modelo, E1 argumentou: &#x201C;<italic>Isso porque na fun&#xE7;&#xE3;o linear era f&#xE1;cil de imaginar como seria o decrescimento ent&#xE3;o os dados davam para visualizar. Agora na fun&#xE7;&#xE3;o exponencial n&#xE3;o dava, ent&#xE3;o a gente n&#xE3;o tinha certeza de que estava certa&#x2026; ent&#xE3;o a gente foi validar o modelo antes de utiliz&#xE1;-lo para darmos a resposta&#x201D;</italic> (E1, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011). Isso denota que a familiaridade dos alunos com fun&#xE7;&#xE3;o linear &#xE9; maior do que com a fun&#xE7;&#xE3;o exponencial, pelo menos no que consiste na visualiza&#xE7;&#xE3;o via express&#xE3;o alg&#xE9;brica.</p>
<fig id="f10">
<label>Figura 10</label>
<caption>
<title>Registros de E2 para a valida&#xE7;&#xE3;o e para a resposta do problema obtida por meio do modelo exponencial</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf10.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E2 (2011).</attrib></fig>
<p>A valida&#xE7;&#xE3;o resulta de um efeito interpretativo que o modelo produz no aluno, ou seja, o aluno interpreta, avalia a solu&#xE7;&#xE3;o e &#xE9; capaz de decidir se o modelo &#xE9; adequado ou n&#xE3;o. Neste sentido, a valida&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um interpretante que indica o significado do modelo para esse aluno.</p>
<p>Por meio desse interpretante temos, portanto, ind&#xED;cios de que os alunos atribuem significado para o objeto matem&#xE1;tico fun&#xE7;&#xE3;o exponencial, considerando que caracter&#xED;sticas dessa fun&#xE7;&#xE3;o correspondem ao comportamento do consumo de cigarros no decorrer do tempo. Embora entendam que a tabela e a express&#xE3;o alg&#xE9;brica s&#xE3;o signos que representam, sob certo aspecto, o objeto e que n&#xE3;o s&#xE3;o suficientes para representar todas as caracter&#xED;sticas desse objeto, os alunos n&#xE3;o fizeram men&#xE7;&#xE3;o a outro signo que possa estar relacionado, por exemplo, o gr&#xE1;fico da fun&#xE7;&#xE3;o. Quando questionados sobre o n&#xE3;o uso do gr&#xE1;fico, os alunos apresentam algumas argumenta&#xE7;&#xF5;es durante a entrevista:</p> <disp-quote>
<p><italic>[&#x2026;]</italic></p>
<p><italic>P: Voc&#xEA;s tra&#xE7;aram a tend&#xEA;ncia dos dados no plano [referindo-se &#xE0;</italic> <xref ref-type="fig" rid="f3"><italic>Figura 3</italic></xref><italic>], mas voc&#xEA;s n&#xE3;o fizeram a representa&#xE7;&#xE3;o gr&#xE1;fica do modelo!</italic></p>
<p><italic>E2: N&#xE3;o&#x2026; fizemos s&#xF3; num rascunho, n&#xE9;, assim bem por cima.</italic></p>
<p><italic>E1: &#xC9; n&#xE3;o consigo!</italic></p>
<p><italic>E2: [risos] &#xE9; mas n&#xF3;s n&#xE3;o colocamos no trabalho, foi s&#xF3; para visualizar assim meio por cima, da&#xED; foi bem um esbo&#xE7;o mesmo.</italic></p>
<p><italic>P: Isso &#xE9; uma coisa que a gente percebe que as pessoas n&#xE3;o fazem, mas por que voc&#xEA;s acham que a representa&#xE7;&#xE3;o gr&#xE1;fica&#x2026; assim de voc&#xEA;s, por que voc&#xEA;s acabam n&#xE3;o fazendo?</italic></p>
<p><italic>E2: Ai&#x2026; porque eu acho assim&#x2025; para ser bem sincera&#x2026; algo para fazer manualmente exige cuidado, porque sen&#xE3;o a an&#xE1;lise que era para ser feita acaba dando errado, mas eu acho super importante&#x2026; eu acho fundamental o gr&#xE1;fico para visualiza&#xE7;&#xE3;o, que &#xE0;s vezes t&#xE1; aquele monte&#x2026; n&#xE3;o sei se &#xE9; porque eu sou meio lerdinha sabe&#x2026; [risos] ent&#xE3;o para eu visualizar, eu preciso de uma coisa mais concreta. &#xC0;s vezes, somente com os dados eu n&#xE3;o consigo visualizar o que est&#xE1; se falando, o comportamento que t&#xE1; tendo. Ent&#xE3;o eu acho super importante.</italic></p>
<p><italic>P: Mas aqui dava para visualizar o comportamento dessas curvas?</italic></p>
<p><italic>E2: Aham</italic></p>
<p><italic>P: &#x2026; desses dois modelos e fazer uma an&#xE1;lise!</italic></p>
<p><italic>E2: Mas acabou que a gente n&#xE3;o fez!</italic></p>
<p><italic>E1: A gente n&#xE3;o fez. Uma pelo tempo e outra assim pelos valores dos dados, a&#xED; a gente ia ter um gr&#xE1;fico assim&#x2026; sei l&#xE1;&#x2026; eu n&#xE3;o sou muito caprichoso para fazer um gr&#xE1;fico com valores altos e compactar os intervalos, tamb&#xE9;m achei que isso iria prejudicar&#x2026;</italic></p>
<p><italic>P: A escala?</italic></p>
<p><italic>E1: A escala&#x2026; da&#xED; eu pensei assim e optei por n&#xE3;o e s&#xF3; analisar mesmo a valida&#xE7;&#xE3;o.</italic></p>
<p><italic>E2: Mas se pudesse usar&#x2026;</italic></p>
<p><italic>E1: &#x2026; o curve&#x2026;</italic></p>
<p><italic>E2: &#x2026; o curve&#x2026; j&#xE1; ia [risos] ser a primeira op&#xE7;&#xE3;o&#x2026; j&#xE1; ia olhar o gr&#xE1;fico.</italic></p>
<p><italic>P: J&#xE1; ia influenciar um monte.</italic></p>
<p><italic>E1: Ia influenciar um monte [risos] (E1; E2, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011).</italic></p></disp-quote>
<p>Os alunos n&#xE3;o utilizaram o recurso gr&#xE1;fico para representar o modelo matem&#xE1;tico e fazer uma an&#xE1;lise sobre o decrescimento da fun&#xE7;&#xE3;o exponencial. No entanto, os interpretantes enunciados, principalmente por E1 e E2, sinalizam que o n&#xE3;o uso do gr&#xE1;fico n&#xE3;o consiste em poss&#xED;vel falta de compreens&#xE3;o do que &#xE9; uma fun&#xE7;&#xE3;o exponencial, mas uma falta de habilidades para fazer a constru&#xE7;&#xE3;o do gr&#xE1;fico sem o uso de uma ferramenta computacional. O fato de E1 ter dificuldade para utilizar escalas para a constru&#xE7;&#xE3;o do gr&#xE1;fico denota uma falta de familiaridade com a manipula&#xE7;&#xE3;o do signo. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B20">Peirce (2005</xref>, p. 164), &#xE9; &#x201C;a familiaridade que uma pessoa tem com um signo e que a torna apta a utiliz&#xE1;-lo ou interpret&#xE1;-lo&#x201D;.</p>
<p>Desde o in&#xED;cio do trabalho os alunos fizeram uso de signos para representar o problema, isto &#xE9;, signos conectados ao objeto que representaram. Ao serem questionados sobre os diferentes modelos matem&#xE1;ticos que utilizaram para resolver o problema, os alunos afirmaram que o intuito do trio era analisar qual dos modelos poderia ser mais adequado para a situa&#xE7;&#xE3;o, conforme relato de E1:</p> <disp-quote>
<p><italic>E1: Quando observamos o decrescimento dos valores apresentados na tabela, n&#xE3;o ficava claro se era uma reta ou uma curva exponencial. Da&#xED; a gente desenvolveu os dois modelos.</italic></p>
<p><italic>P: E por que voc&#xEA;s escolheram essas duas curvas?</italic></p>
<p><italic>E1: Porque pensamos em conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos do Ensino M&#xE9;dio e de imediato as curvas que vieram &#xE0; mente no momento da atividade foram essas. Como seremos professores pensamos em conte&#xFA;dos desse n&#xED;vel de ensino (E1, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011).</italic></p></disp-quote>
<p>Ao tratar do que de <italic>imediato lhe veio &#xE0; mente</italic>, E1 estava se referindo aos poss&#xED;veis objetos matem&#xE1;ticos que poderiam utilizar para deduzir o modelo matem&#xE1;tico da situa&#xE7;&#xE3;o. As curvas s&#xE3;o signos que representam de certa forma um objeto matem&#xE1;tico. Isso est&#xE1; em conson&#xE2;ncia com o que &#xE9; afirmado por <xref ref-type="bibr" rid="B25">Santaella (2007</xref>, p. 15), de que um signo que &#x201C;nos coloca em contato com tudo aquilo que costumamos chamar de realidade&#x201D;. E essa <italic>realidade</italic> nessa atividade de modelagem matem&#xE1;tica corresponde &#xE0; situa&#xE7;&#xE3;o-problema da qual se originou o problema a ser estudado bem como ao conhecimento que tinham de fun&#xE7;&#xF5;es lineares, quadr&#xE1;ticas e exponenciais e m&#xE9;todos de constru&#xE7;&#xE3;o dessas fun&#xE7;&#xF5;es por meio de um conjunto de dados.</p>
<p>Em entrevista, os alunos revelaram que, embora o desenvolvimento desta atividade tenha levado 4 horas/aula, &#xE9; uma atividade diferente do que geralmente realizam em sala de aula e que, nesse momento, de fazerem sozinhos sentiram o que &#xE9; experimentar fazer atividade de modelagem, conforme relatou E2:</p> <disp-quote>
<p><italic>Eu acho que tamb&#xE9;m foi a primeira atividade que n&#xF3;s desenvolvemos sozinhos mesmo. Porque em todas as outras vezes sempre foi durante a aula, ent&#xE3;o tinha a sua ajuda, tinha a ajuda da professora, [&#x2026;] mas esse daqui, a&#xED; foi autonomia, foi correr atr&#xE1;s mesmo e colocar em pr&#xE1;tica tudo que tinha visto. Porque &#xE0;s vezes quando voc&#xEA; tem ajuda, parece que d&#xE1; uma relaxada&#x2026; ah acho que entendi&#x2026; n&#xE3;o pensa tanto.</italic> (E2, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011).</p></disp-quote>
<p>Embora os alunos que fizeram parte do trio considerassem a abordagem do tema <italic>O consumo de cigarro</italic> uma atividade de modelagem complexa para ser desenvolvida por eles com poucas interfer&#xEA;ncias da professora e da pesquisadora, sentiram-se <italic>mais pr&#xF3;ximos do que &#xE9; desenvolver uma atividade de modelagem</italic> [fala de E1, confirmada por E2] (E1, entrevista gravada em &#xE1;udio, 2011).</p>
<p>Ao finalizarem a dedu&#xE7;&#xE3;o dos modelos matem&#xE1;ticos, levando em considera&#xE7;&#xE3;o um modelo linear e um modelo exponencial, os alunos responderam &#xE0;s quest&#xF5;es que lhes foram propostas em question&#xE1;rio posterior.</p>
<p>A quest&#xE3;o 1: <italic>O que significa, do ponto de vista matem&#xE1;tico, o fato de a quantidade de cigarros consumida por habitante no ano de 2010 ser 813 unidades e esperar-se que ocorra uma redu&#xE7;&#xE3;o para 702 unidades?</italic> foi proposta pela professora e pesquisadora com intuito de que os alunos observassem que a redu&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de cigarros est&#xE1; atrelada em termos matem&#xE1;ticos ao decrescimento de uma fun&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="fig" rid="f11">Figura 11</xref>).</p>
<fig id="f11">
<label>Figura 11</label>
<caption>
<title>Registro de E1 para a Quest&#xE3;o 1 do question&#xE1;rio</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf11.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E1 (2011).</attrib></fig>
<p>A resposta para a Quest&#xE3;o 1 indica a articula&#xE7;&#xE3;o entre atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para objeto matem&#xE1;tico e para o problema, pois os alunos entendem que os objetos matem&#xE1;ticos fun&#xE7;&#xE3;o linear e fun&#xE7;&#xE3;o exponencial podem representar uma situa&#xE7;&#xE3;o que trata de decaimento de um fen&#xF4;meno &#x2014; no caso, decrescimento do n&#xFA;mero de cigarros consumidos.</p>
<p>Uma reflex&#xE3;o que emergiu da situa&#xE7;&#xE3;o em estudo &#xE9; abordada na quest&#xE3;o 2: <italic>Uma pol&#xED;tica governamental indicando um r&#xE1;pido decrescimento do n&#xFA;mero de cigarros consumidos por pessoa por ano deveria usar qual dos modelos matem&#xE1;ticos constru&#xED;dos? Justifique.</italic></p>
<p>Para esta quest&#xE3;o, o trio apontou o modelo linear como o que indica um r&#xE1;pido decrescimento do n&#xFA;mero de cigarros consumidos por pessoa por ano (<xref ref-type="fig" rid="f12">Figura 12</xref>), pois a meta a ser atingida na diminui&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de cigarros e que era resposta ao problema consistia no ano de 2018 &#x2014; ano mais pr&#xF3;ximo do que 2020 quando comparado com o ano em que a atividade de modelagem foi realizada (2011). Nesse comparativo entre os modelos matem&#xE1;ticos obtidos, os alunos reconhecem uma caracter&#xED;stica dos objetos matem&#xE1;ticos representada pelos signos alg&#xE9;bricos com rela&#xE7;&#xE3;o ao decrescimento: nesse caso a fun&#xE7;&#xE3;o linear decresce <italic>mais rapidamente</italic> do que a fun&#xE7;&#xE3;o exponencial.</p>
<fig id="f12">
<label>Figura 12</label>
<caption>
<title>Registro de E1para a Quest&#xE3;o 2 do question&#xE1;rio</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf12.jpg"/>
<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio entregue por E1 (2011).</attrib></fig>
<p>Apesar de a atividade ter sido desenvolvida a partir de <italic>dados prontos</italic> como caracterizados por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Diniz e Borba (2012)</xref>, o engajamento para abordagens matem&#xE1;ticas e para a resolu&#xE7;&#xE3;o do problema possibilitou um estudo da situa&#xE7;&#xE3;o mediante modelos constru&#xED;dos pelos alunos, levando-os a definir hip&#xF3;teses para esta constru&#xE7;&#xE3;o bem como a apresentar respostas para o problema em conson&#xE2;ncia com essas hip&#xF3;teses, de modo que podemos delinear <italic>caminhos do significado</italic> para o problema e para os objetos matem&#xE1;ticos tra&#xE7;ados pelos alunos nessa atividade.</p>
</sec>
<sec>
<title>5 Caminhos do significado na atividade de modelagem matem&#xE1;tica</title>
<p>A descri&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es dos alunos que apresentamos na se&#xE7;&#xE3;o anterior, nos permite olhar para o movimento do significado, ou pelo menos para uma perspectiva de um movimento e, em sintonia com a assertiva de <xref ref-type="bibr" rid="B9">Colapietro (2004</xref>, p. 21) de que existe um caminho &#x201C;somente quando houve um movimento ou pelo menos a perspectiva de movimento&#x201D;.</p>
<p>Fundamentadas na teoria dos interpretantes de Peirce, quando tratamos da atribui&#xE7;&#xE3;o de significado, podemos inferir que os interpretantes produzidos pelos estudantes E1, E2 e E3 que se remetem ao problema e ao objeto matem&#xE1;tico em estudo est&#xE3;o relacionados &#xE0; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para esses objetos. H&#xE1; evid&#xEA;ncias de atribui&#xE7;&#xE3;o de significado por meio de <italic>familiaridade</italic> com o objeto, na <italic>inten&#xE7;&#xE3;o</italic> de significar o objeto, como uma <italic>ideia</italic> que se remete ao objeto, como <italic>consequ&#xEA;ncia</italic> futura para abarcar o objeto, por meio de <italic>experi&#xEA;ncia colateral</italic> com o objeto.</p>
<p>Conhecendo as informa&#xE7;&#xF5;es que permeavam a situa&#xE7;&#xE3;o-problema, inicialmente a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado se revela em uma ideia que poderia ser identificada como uma representa&#xE7;&#xE3;o mental do problema. Nesta transi&#xE7;&#xE3;o da situa&#xE7;&#xE3;o-problema para a representa&#xE7;&#xE3;o mental, ocorreram mudan&#xE7;as nos s&#xED;mbolos usados por E1, E2 e E3, visto que estavam considerando informa&#xE7;&#xF5;es que interferiam na compreens&#xE3;o da situa&#xE7;&#xE3;o e que n&#xE3;o possibilitavam a estrutura&#xE7;&#xE3;o e organiza&#xE7;&#xE3;o de um problema. Os <italic>novos</italic> s&#xED;mbolos usados d&#xE3;o ind&#xED;cios de interpreta&#xE7;&#xE3;o das informa&#xE7;&#xF5;es para delinear o problema e, neste sentido, indicam a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado. A conjectura de que pol&#xED;ticas governamentais sobre a proibi&#xE7;&#xE3;o do fumo em alguns locais contribuem para a diminui&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de cigarros consumidos por habitante, bem como a an&#xE1;lise do comportamento dos dados para os anos de 1990 e 2010 s&#xE3;o procedimentos denotativos de significado nesse caso. Estes procedimentos est&#xE3;o alinhados com a assertiva de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Peirce (2005</xref>, p. 40) de que o &#x201C;corpo de um s&#xED;mbolo transforma-se lentamente, mas seu significado cresce inevitavelmente, incorpora novos elementos e livra-se de elementos velhos&#x201D;.</p>
<p>Ao abandonarem <italic>elementos velhos</italic>, ou seja, quando delimitaram um problema a ser estudado como foco da atividade ao inv&#xE9;s de abordarem uma discuss&#xE3;o sobre as taxas de decrescimento, tiveram que, por consequ&#xEA;ncia, utilizar os dados da <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> para o desenvolvimento da atividade de modelagem, atribuindo significado para o problema. A partir da compreens&#xE3;o do que deveriam fazer na atividade, a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado consistiu na inten&#xE7;&#xE3;o de resolver um problema. Na semi&#xF3;tica peirceana, quando h&#xE1; inten&#xE7;&#xE3;o, h&#xE1; atribui&#xE7;&#xE3;o de significado, pois &#x201C;<italic>significado</italic> deve envolver uma refer&#xEA;ncia, a <italic>inten&#xE7;&#xE3;o</italic>&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">PEIRCE, 1989</xref>, p. 16, grifo do autor). Esta inten&#xE7;&#xE3;o, em certa medida, foi movendo os alunos na resolu&#xE7;&#xE3;o do problema usando diferentes procedimentos e diferentes conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos (fun&#xE7;&#xE3;o linear e fun&#xE7;&#xE3;o exponencial).</p>
<p>No que tange a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado para o objeto matem&#xE1;tico fun&#xE7;&#xE3;o linear (modelo linear), podemos inferir que ela vem ancorada: na experi&#xEA;ncia colateral que tinham com o m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados para a dedu&#xE7;&#xE3;o do modelo matem&#xE1;tico; na consequ&#xEA;ncia pr&#xE1;tica de determinar uma solu&#xE7;&#xE3;o para o problema que era o foco e a inten&#xE7;&#xE3;o dos alunos durante o desenvolvimento da atividade. No entanto, a familiaridade com o desenvolvimento de atividades de modelagem conduziu os alunos a operarem matematicamente com o modelo matem&#xE1;tico obtido, buscando sua valida&#xE7;&#xE3;o para ent&#xE3;o conclu&#xED;rem que a resposta a que chegaram, em certa medida, era adequada para o que a situa&#xE7;&#xE3;o inicial indica: as pessoas voltar&#xE3;o a fumar menos! Neste sentido, os caminhos do significado para o problema e para o modelo linear nesta atividade de modelagem podem ser configurados como representado na <xref ref-type="fig" rid="f13">Figura 13</xref>.</p>
<fig id="f13">
<label>Figura 13</label>
<caption>
<title>Caminhos do significado para problema e modelo linear da atividade de modelagem</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf13.jpg"/>
<attrib>Fonte: Constru&#xED;da pelas autoras para o artigo.</attrib></fig>
<p>J&#xE1; para o caso da constru&#xE7;&#xE3;o de um modelo exponencial, o que os alunos conhecem sobre decrescimento de um fen&#xF4;meno e sobre fun&#xE7;&#xE3;o exponencial, fortalece a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado que se evidencia na familiaridade que sinalizam ter com a formula&#xE7;&#xE3;o e resolu&#xE7;&#xE3;o de equa&#xE7;&#xF5;es diferenciais ordin&#xE1;rias e a experi&#xEA;ncia colateral com o m&#xE9;todo dos m&#xED;nimos quadrados para determinar os par&#xE2;metros do modelo constru&#xED;do.</p>
<p>Uma vez obtido o modelo, as consequ&#xEA;ncias pr&#xE1;ticas de operar com este modelo e consider&#xE1;-lo v&#xE1;lido no sentido de que fornece uma solu&#xE7;&#xE3;o para o problema configuram um tra&#xE7;ado que fortalece nossa infer&#xEA;ncia sobre a atribui&#xE7;&#xE3;o de significado. Assim, com rela&#xE7;&#xE3;o ao problema e ao modelo exponencial, os caminhos do significado nesta atividade de modelagem podem ser configurados como representado na <xref ref-type="fig" rid="f14">Figura 14</xref>.</p>
<fig id="f14">
<label>Figura 14</label>
<caption>
<title>Caminhos do significado para problema e modelo exponencial da atividade de modelagem</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0568-gf14.jpg"/>
<attrib>Fonte: Constru&#xED;da pelas autoras para o artigo.</attrib></fig>
<p>Levando em considera&#xE7;&#xE3;o os interpretantes produzidos pelos alunos durante o desenvolvimento de uma atividade de modelagem podemos inferir, sob o olhar da semi&#xF3;tica peirceana, que <italic>os caminhos do significado</italic> em atividades de modelagem matem&#xE1;tica se configuram a partir das a&#xE7;&#xF5;es dos alunos em cada uma das etapas da modelagem. Por meio dessas a&#xE7;&#xF5;es, os alunos falam, escrevem, gesticulam, argumentam sobre suas inten&#xE7;&#xF5;es com a atividade, possibilitando-nos inferir sobre os interpretantes que produzem. Esses interpretantes configuram-se em signos que outros alunos podem utilizar para produzirem novos interpretantes em um ciclo <italic>ad infinitum</italic> para o desenvolvimento da atividade. A inten&#xE7;&#xE3;o dos alunos que desenvolveram a atividade de modelagem apresentada neste artigo era a de dar resposta ao problema que se propuseram a estudar a partir de <italic>dados prontos</italic> a eles apresentados. A sugest&#xE3;o de problema de um integrante do grupo foi aceita pelos demais que a partir dos interpretantes produzidos fizeram emergir objetos matem&#xE1;ticos que, sob certo aspecto, representam o fen&#xF4;meno em estudo.</p>
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