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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v29n52a10</article-id>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Constitui&#xE7;&#xE3;o de Comunidades de Pr&#xE1;ticas Locais e o Ambiente de Aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica: algumas rela&#xE7;&#xF5;es</article-title>
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<trans-title>Constitution of Local Communities of Practice and the Learning Environment of Mathematical Modeling: some relations</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Braz</surname><given-names>B&#xE1;rbara C&#xE2;ndido</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<name><surname>Kato</surname><given-names>Lilian Akemi</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref><xref ref-type="corresp" rid="c2"/></contrib>
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<institution content-type="original">Doutoranda em Educa&#xE7;&#xE3;o para o Ensino de Ci&#xEA;ncias e a Matem&#xE1;tica na Universidade Estadual de Maring&#xE1; (UEM). Professora Assistente no Colegiado de Licenciatura em Ci&#xEA;ncias Exatas na Universidade Federal do Paran&#xE1; (UFPR) &#x2013; campus de Jandaia do Sul, Jandaia do Sul/PR</institution></aff>
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<institution content-type="normalized">Universidade Estadual de Maring&#xE1;</institution>
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<institution content-type="original">Doutora em Matem&#xE1;tica Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Docente do Programa de P&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o para o Ensino de Ci&#xEA;ncias e a Matem&#xE1;tica da Universidade Estadual de Maring&#xE1; (UEM), Maring&#xE1;/PR, Brasil</institution></aff></contrib-group>
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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Universidade Federal do Paran&#xE1;, Colegiado de Ci&#xEA;ncias Exatas, Rua Doutor Jo&#xE3;o Maximiano, 426, Vila Oper&#xE1;ria, CEP: 86900-000, Jandaia do Sul/PR, Brasil. E-mail: <email>babicbraz@gmail.com</email></corresp>
<corresp id="c2">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Universidade Estadual de Maring&#xE1;, Centro de Ci&#xEA;ncias Exatas, Departamento de Matem&#xE1;tica, Avenida Colombo, n&#xB0; 5790, Zona 07, CEP 87020-900, Maring&#xE1;/PR, Brasil. E-mail: <email>lilianakemikato@gmail.com</email></corresp></author-notes>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
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<year>2015</year></pub-date>
<volume>29</volume>
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<year>2014</year></date>
<date date-type="accepted">
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<year>2014</year></date>
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This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Comercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in a any medium, prodvide the original work is properly cited.
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<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>Neste artigo identificamos algumas potencialidades do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, na constitui&#xE7;&#xE3;o de uma Comunidade de Pr&#xE1;tica Local (LCoP). O estudo foi desenvolvido no &#xE2;mbito da pesquisa qualitativa, com base em um epis&#xF3;dio de sala de aula, suscitado pela Modelagem Matem&#xE1;tica, em que as a&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas por professor e alunos, s&#xE3;o analisadas segundo as caracter&#xED;sticas da constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP. Os resultados obtidos evidenciam algumas caracter&#xED;sticas pr&#xF3;prias do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, tais como o estudo matem&#xE1;tico de um tema com refer&#xEA;ncia na realidade; a participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos nos processos de problematiza&#xE7;&#xE3;o, investiga&#xE7;&#xE3;o e seus envolvimentos no ambiente de aprendizagem e a constru&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os de intera&#xE7;&#xF5;es, que fundamentam o desenvolvimento de a&#xE7;&#xF5;es concernentes &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP&#x27;s.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>This paper presents the potentialities of the learning environment of Mathematical Modeling in the constitution of a Local Community of Practice (LCoP). The study was developed in the context of qualitative research, based on a classroom episode, raised by Mathematical Modeling, in which the actions developed by teacher and students are analyzed according to the characteristics of the formation of an LCoP. The results show some typical characteristics of the learning environment of Mathematical Modeling, such as the mathematical study of a subject with reference in the reality; the performance of the students in the process of questioning, investigation and their engagement in the learning environment; and the construction of spaces for interactions, which underlie the development of actions concerning the constitution of LCoP.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Comunidade de Pr&#xE1;tica Local</kwd>
<kwd>Modelagem Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Ambiente de Aprendizagem</kwd>
<kwd>Aprendizagem Situada</kwd></kwd-group>
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<title>Key-words:</title>
<kwd>Local Community of Practice</kwd>
<kwd>Mathematical Modeling</kwd>
<kwd>Learning Environment</kwd>
<kwd>Situated Learning</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>As necessidades atuais para a forma&#xE7;&#xE3;o humana e social dos sujeitos requerem uma compreens&#xE3;o da aprendizagem escolar como um processo que ultrapassa a percep&#xE7;&#xE3;o de conhecimento enquanto uma elabora&#xE7;&#xE3;o estritamente interna ao sujeito. Este entendimento acerca do desenvolvimento dos indiv&#xED;duos, condizente &#xE0; corrente de teorias cr&#xED;ticas de ensino, considera as estruturas sociais como contradit&#xF3;rias e flex&#xED;veis, pois s&#xE3;o compreendidas a partir da contextualiza&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica e social. Ademais, este entendimento embasa documentos orientadores para a Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica no Brasil, tais como os Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais - PCN (<xref ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL, 2008</xref>).</p>
<p>Na perspectiva dos pressupostos orientados pelos PCN, a teoria da Aprendizagem Situada, sistematizada por <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lave e Wenger (1991)</xref>, proporciona uma ferramenta anal&#xED;tica para a compreens&#xE3;o da aprendizagem da Matem&#xE1;tica. Para os autores, o conhecimento &#xE9; constru&#xED;do a partir de intera&#xE7;&#xF5;es entre as pessoas e o mundo e ocorre por meio da participa&#xE7;&#xE3;o dos indiv&#xED;duos em ambientes de aprendizagem espec&#xED;ficos, denominados de Comunidades de Pr&#xE1;tica (CoPs). Desta forma, a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma CoP &#xE9; condi&#xE7;&#xE3;o intr&#xED;nseca para que a aprendizagem ocorra.</p>
<p>No &#xE2;mbito escolar, considerando as especificidades deste ambiente, tamb&#xE9;m pode-se conceber a ideia da constitui&#xE7;&#xE3;o de CoP&#x27;s. <xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref> denominam tais comunidades de Comunidades de Pr&#xE1;tica Locais (LCoP&#x27;s) e apresentam seis caracter&#xED;sticas para sua constitui&#xE7;&#xE3;o em uma aula de Matem&#xE1;tica. Neste ambiente, a aprendizagem &#xE9; compreendida como uma experi&#xEA;ncia social, relacionada &#xE0; capacidade de negociar novos significados. Desta forma, o car&#xE1;ter de situatividade da aprendizagem, associa-se &#xE0; negociabilidade dos significados em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; atividade em que as pessoas est&#xE3;o envolvidas.</p>
<p>Ainda, quanto &#xE0; Matem&#xE1;tica, os PCN sugerem algumas formas orientadoras de ensino no &#xE2;mbito escolar, de forma a promover um processo de aprendizagem que satisfa&#xE7;a os pressupostos apontados anteriormente. Dentre estas alternativas est&#xE1; a Modelagem Matem&#xE1;tica, que constitui uma possibilidade para a interven&#xE7;&#xE3;o do estudante nos problemas reais do meio em que vive; o que contribui para sua forma&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica, pois permite a compreens&#xE3;o e an&#xE1;lises de fen&#xF4;menos cotidianos, n&#xE3;o necessariamente matem&#xE1;ticos, por meio do ferramental matem&#xE1;tico.</p>
<p>Tais orienta&#xE7;&#xF5;es v&#xE3;o ao encontro dos resultados da pesquisa realizada por <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boaler (2001)</xref>. Conforme indicam seus estudos, alunos que passam por experi&#xEA;ncias com Modelagem Matem&#xE1;tica, no decorrer da escolaridade, n&#xE3;o s&#xF3; t&#xEA;m bons resultados em provas do tipo classificat&#xF3;rias, como percebem a rela&#xE7;&#xE3;o da Matem&#xE1;tica com as situa&#xE7;&#xF5;es cotidianas, e usamna como ferramenta na resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas di&#xE1;rios. Neste sentido, a autora conclui que a teoria da Aprendizagem Situada, tanto tem oferecido um novo olhar sobre o desenvolvimento e o uso do conhecimento pelo aluno, quanto tem enfatizando o uso da Modelagem Matem&#xE1;tica como meio de promover este processo de aprendizagem.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B10">Braz (2014)</xref> com o objetivo de investigar como o desenvolvimento de atividades de Modelagem Matem&#xE1;tica contribui com o processo de constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP&#x27;s, evidenciou a&#xE7;&#xF5;es mobilizadas pelos alunos, que proporcionaram um contexto rico para a constitui&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas matem&#xE1;ticas e extramatem&#xE1;ticas partilhadas nesse ambiente. Na pesquisa citada, algumas caracter&#xED;sticas se destacaram e indicaram aproxima&#xE7;&#xF5;es entre a constitui&#xE7;&#xE3;o do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, tal como caracterizado por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Barbosa (2001</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B2">2003</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B3">2007</xref>), e a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP.</p>
<p>Este artigo tem como objetivo apresentar uma an&#xE1;lise das poss&#xED;veis rela&#xE7;&#xF5;es que s&#xE3;o estabelecidas entre a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP e o ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica. Para tanto, caracterizamos o ambiente de aprendizagem da Modelagem, e fazemos alus&#xE3;o a epis&#xF3;dios de sala de aula, a fim de indicar os aspectos constituintes desse ambiente que s&#xE3;o consonantes &#xE0;s caracter&#xED;sticas definidoras de uma LCoP.</p>
<p>As discuss&#xF5;es oriundas desta investiga&#xE7;&#xE3;o poder&#xE3;o subsidiar os professores quanto &#xE0;s possibilidades e direcionamentos para o desenvolvimento de atividades de Modelagem que proporcionam um ambiente rico para a aprendizagem situada da Matem&#xE1;tica.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Comunidades de Pr&#xE1;tica Locais</title>
<p>Numa vis&#xE3;o sociocultural, o processo de aprendizagem pode ser compreendido como inerente ao contexto social em que &#xE9; desenvolvido, e o conhecimento compartilhado entre membros de uma comunidade em que as pessoas participam (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MATOS, 2000</xref>). Esta no&#xE7;&#xE3;o de aprendizagem, como algo que &#xE9; situado e constru&#xED;do socialmente, traz potencialidades em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s maneiras como a aprendizagem de Matem&#xE1;tica escolar &#xE9; compreendida (Ibidem).</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B20">Lave e Wenger (1991)</xref>, sem o objetivo de substituir as teorias de aprendizagem existentes, sistematizaram uma maneira de conceber o processo de aprendizagem na perspectiva social. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B14">Frade (2003)</xref>, para <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lave e Wenger (1991)</xref> os conhecimentos dos indiv&#xED;duos s&#xE3;o constru&#xED;dos de forma particular por meio de experi&#xEA;ncias situadas. Neste sentido, o conhecimento &#xE9; resultante das rela&#xE7;&#xF5;es entre as pessoas, na atividade, e com o mundo social (<xref ref-type="bibr" rid="B21">MATOS, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">FRADE, 2003</xref>). O ponto de partida para a an&#xE1;lise da aprendizagem &#xE9; a pr&#xE1;tica social, desenvolvida pelos sujeitos por meio das suas participa&#xE7;&#xF5;es em ambientes espec&#xED;ficos, denominados de Comunidades de Pr&#xE1;tica.</p>
<p>Para os autores, pertencer a uma CoP &#xE9; uma condi&#xE7;&#xE3;o intr&#xED;nseca &#xE0; exist&#xEA;ncia de conhecimento e implica a participa&#xE7;&#xE3;o num sistema de atividades acerca do qual os participantes partilham compreens&#xF5;es sobre o que fazem e sobre o que isso significa nas suas vidas e comunidades (<xref ref-type="bibr" rid="B20">LAVE; WENGER, 1991</xref>, p. 98).</p>
<p>Embora os conceitos que constituam o termo <italic>Comunidade de Pr&#xE1;tica</italic> sugiram interpreta&#xE7;&#xF5;es variadas, uma CoP diferencia-se fundamentalmente de outras estruturas como as organiza&#xE7;&#xF5;es, equipes ou mesmo comunidades (<xref ref-type="bibr" rid="B19">KRAINER, 2003</xref>), pois estas outras podem n&#xE3;o ser constitu&#xED;das por participantes que t&#xEA;m objetivos comuns, ou que negociam significados; ou seja, estruturas organizacionais sem uma pr&#xE1;tica comum que as sustente.</p>
<p>A fim de distinguir uma CoP de outras estruturas que possam ser tratadas como tal, sem abord&#xE1;-la por meio de uma defini&#xE7;&#xE3;o limitada, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Wenger (1998)</xref> diferencia tr&#xEA;s elementos bases que a constituem e a definem: um <italic>dom&#xED;nio</italic> de conhecimentos que sustenta a comunidade e constitui a base das a&#xE7;&#xF5;es de seus membros; uma <italic>comunidade</italic> de pessoas preocupadas com este dom&#xED;nio, que evolui com a comunidade; e uma <italic>pr&#xE1;tica</italic> que define os participantes desta comunidade.</p>
<p>Neste sentido, em uma CoP a pr&#xE1;tica ser&#xE1; sempre social. Matos (1999) assinala que mesmo as a&#xE7;&#xF5;es realizadas individualmente t&#xEA;m car&#xE1;ter social, a partir do momento em que estamos interagindo com id&#xE9;ias que foram codificadas socialmente por outras pessoas. Na leitura de um livro, por exemplo, o livro ser&#xE1; o mediador da rela&#xE7;&#xE3;o entre autor e leitor. De acordo com o autor, quando o leitor l&#xEA; e atribui significado ao que l&#xEA;, pode-se dizer que existe um partilhamento de significados. Assim, pode-se reconhecer a pr&#xE1;tica social, pois se tratam de significados que s&#xE3;o partilhados por um dado grupo social.</p>
<p>A pr&#xE1;tica social enquanto fonte de coer&#xEA;ncia de uma comunidade, &#xE9; constru&#xED;da a partir de tr&#xEA;s elementos, como aponta <xref ref-type="bibr" rid="B27">Wenger (1998)</xref>: o <italic>engajamento m&#xFA;tuo</italic> que envolve o fazer as coisas juntos, manter a comunidade e o envolvimento em rela&#xE7;&#xF5;es complexas; o <italic>empreendimento articulado</italic> que envolve a responsabilidade m&#xFA;tua pelos empreendimentos negociados pelas pessoas; e o <italic>repert&#xF3;rio partilhado</italic> que abarca todo o material, discursos, conceitos que s&#xE3;o produzidos ou adotados pela comunidade no curso da sua exist&#xEA;ncia. Estes elementos, quando articulados, permitem a compreens&#xE3;o do processo de constitui&#xE7;&#xE3;o de uma CoP, por meio da participa&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos envolvidos.</p>
<p>Esta teoria foi sistematizada por <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lave e Wenger (1991)</xref> com refer&#xEA;ncia em comunidades que n&#xE3;o as escolares, como a de alfaiates, marinheiros, dentre outras. Por outro lado, os mesmos autores afirmam ser potencialmente &#xFA;til se pensar a aprendizagem escolar sob esta &#xF3;tica. Diante disso, diversos autores t&#xEA;m procurado interpretar a no&#xE7;&#xE3;o de CoP e as implica&#xE7;&#xF5;es da sua constitui&#xE7;&#xE3;o nas aulas de Matem&#xE1;tica; dentre eles <xref ref-type="bibr" rid="B21">Matos (2000)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boaler (2001)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B13">David e Watson (2008)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B29">Winbourne (2008)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B14">Frade (2003)</xref>.</p>
<p>N&#xE3;o se pode ignorar o fato de que as pesquisas que conduziram ao esquema conceitual desta teoria de aprendizagem tenham se dado em contextos com caracter&#xED;sticas diferentes das de uma escola. Por outro lado, de acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B8">Boylan (2005)</xref>, o foco na an&#xE1;lise da evolu&#xE7;&#xE3;o de uma CoP e nas trajet&#xF3;rias constru&#xED;das pelos membros dela, permitem uma ferramenta para a an&#xE1;lise da aprendizagem escolar da Matem&#xE1;tica, pois como a teoria da Aprendizagem Situada constitui uma teoria generalizada de aprendizagem, torna-se aplic&#xE1;vel a diferentes contextos, incluindo os escolares.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B8">Boylan (2005)</xref>, numa an&#xE1;lise das pr&#xE1;ticas escolares, reconheceu que os conceitos anal&#xED;ticos desenvolvidos em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de CoP&#x27;s s&#xE3;o um meio importante para investigar as formas de pertencimento e participa&#xE7;&#xE3;o na Matem&#xE1;tica escolar. Entretanto, sugere que as aulas de Matem&#xE1;tica da escola geralmente n&#xE3;o constituem CoP&#x27;s.</p>
<p>Outros educadores matem&#xE1;ticos tamb&#xE9;m reconheceram as particularidades do ambiente escolar em rela&#xE7;&#xE3;o a outros, em que as CoP&#x27;s possam desenvolver-se, e analisaram as potencialidades e restri&#xE7;&#xF5;es deste conceito na aula de Matem&#xE1;tica; dentre eles <xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B13">David e Watson (2008)</xref>. Tais pesquisadores assumem as caracter&#xED;sticas espec&#xED;ficas do ambiente da sala de aula e denominam as CoP&#x27;s formadas nas aulas de Matem&#xE1;tica de Comunidades de Pr&#xE1;tica Locais, pois diferenciam-se de outras CoP&#x27;s, por suas delimita&#xE7;&#xF5;es de espa&#xE7;o e tempo de dura&#xE7;&#xE3;o em fun&#xE7;&#xE3;o das pr&#xE1;ticas da escola e da sala de aula.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref> com base nos estudos de Jean Lave, desenvolveram uma perspectiva te&#xF3;rica para descrever o ensino e a aprendizagem da Matem&#xE1;tica na sala de aula, segundo a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma CoP. A partir da an&#xE1;lise de aulas de Matem&#xE1;tica e das caracter&#xED;sticas definidoras de uma CoP, apresentaram caracter&#xED;sticas necess&#xE1;rias para a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP durante a aula:</p>
<list list-type="order">
<list-item>
<p>Os alunos verem-se a si pr&#xF3;prios, funcionando matematicamente e para esses alunos fazer sentido &#x2018;o ser matem&#xE1;tico&#x2019; como uma parte essencial de quem s&#xE3;o naquela aula;</p></list-item>
<list-item>
<p>atrav&#xE9;s das atividades e pap&#xE9;is assumidos h&#xE1; reconhecimento p&#xFA;blico do desenvolvimento da compet&#xEA;ncia naquela aula;</p></list-item>
<list-item>
<p>os alunos se veem a trabalhar conjuntamente, com um prop&#xF3;sito, para conseguirem um entendimento comum;</p></list-item>
<list-item>
<p>existem modos partilhados de comportamento, linguagem, h&#xE1;bitos, valores e uso de ferramentas;</p></list-item>
<list-item>
<p>a aula &#xE9;, essencialmente, constitu&#xED;da por participa&#xE7;&#xE3;o ativa dos alunos e professor;</p></list-item>
<list-item>
<p>os alunos e o professor podem ver-se engajados na mesma atividade. (WATSON; WINBORNE, 1998, p. 103).</p></list-item></list>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref>, e posteriormente <xref ref-type="bibr" rid="B13">David e Watson (2008)</xref>, utilizaram as caracter&#xED;sticas apresentadas a fim de analisarem se as pr&#xE1;ticas constru&#xED;das em determinadas aulas de Matem&#xE1;tica permitiram a constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP. Em ambos os casos, as aulas analisadas foram ministradas por professores que n&#xE3;o eram os pesquisadores e sem a inten&#xE7;&#xE3;o de constituir uma LCoP.</p>
<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s intencionalidades de professor e alunos e a constitui&#xE7;&#xE3;o de CoP&#x27;s no ambiente da sala de aula, <xref ref-type="bibr" rid="B21">Matos (2000)</xref> afirma que os autores n&#xE3;o consideraram as principais cr&#xED;ticas que podem ser feitas &#xE0; interpreta&#xE7;&#xE3;o da atividade Matem&#xE1;tica escolar como participa&#xE7;&#xE3;o em CoP&#x27;s. De acordo com o autor, Jean Lave evidencia que o princ&#xED;pio b&#xE1;sico para a participa&#xE7;&#xE3;o em CoP&#x27;s, &#xE9; a voluntariedade inicial do sujeito. Nesse contexto, inferimos que o ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, por suas caracter&#xED;sticas, acena possiblidades para moderar tal impasse. Nos &#xFA;ltimos anos, pesquisas como as apresentadas por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Burak (2004)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B18">Jacobini (2004)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Bassanezi (2002)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Borba (1987)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">Meyer, Caldeira e Malheiros (2011)</xref>, dentre outras, t&#xEA;m ressaltado aspectos referentes &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o volunt&#xE1;ria dos alunos em atividades de Modelagem Matem&#xE1;tica, em decorr&#xEA;ncia de motivos como, por exemplo, dos seus interesses pelo estudo das situa&#xE7;&#xF5;es-problema propostas.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 O ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica</title>
<p>No que concerne &#xE0; Modelagem, no &#xE2;mbito da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, encontramos uma multiplicidade de descri&#xE7;&#xF5;es relacionadas &#xE0;s suas pr&#xE1;ticas na sala de aula. Neste sentido, faz-se necess&#xE1;rio esclarecer a concep&#xE7;&#xE3;o de Modelagem Matem&#xE1;tica aqui adotada, considerando suas implica&#xE7;&#xF5;es nos direcionamentos did&#xE1;ticos da atividade.</p>
<p>Na literatura nacional, por exemplo, <xref ref-type="bibr" rid="B26">Tambarussi e Kluber (2014)</xref> identificaram diferentes concep&#xE7;&#xF5;es de Modelagem Matem&#xE1;tica na Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica. Cada uma destas formas de se entender o direcionamento de atividades de Modelagem pode implicar em diferentes configura&#xE7;&#xF5;es de a&#xE7;&#xF5;es, de alunos e professor, no seu desenvolvimento. Sendo assim, diferentes ambientes de aprendizagem podem ser gerados.</p>
<p>O conceito de ambiente de aprendizagem &#xE9; utilizado por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Skovsmose (2000)</xref> para distinguir as condi&#xE7;&#xF5;es nas quais o aluno &#xE9; envolvido, a fim de desenvolver determinadas atividades. Desta forma, os ambientes de aprendizagem gerados distinguem-se entre si de acordo com os direcionamentos dados pelo professor, as a&#xE7;&#xF5;es dos alunos, os objetivos propostos para as atividades, e em termos de possibilidades apresentadas pelas atividades em rela&#xE7;&#xE3;o ao desenvolvimento de potencialidades de seus agentes (<xref ref-type="bibr" rid="B15">FRANCHI, 2007</xref>).</p>
<p>As pr&#xE1;ticas da sala de aula s&#xE3;o analisadas por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Skovsmose (2000)</xref> com base em dois paradigmas: exerc&#xED;cios e cen&#xE1;rios para investiga&#xE7;&#xE3;o; e pautadas em tr&#xEA;s refer&#xEA;ncias: matem&#xE1;tica pura, semi-realidade e realidade. Cada refer&#xEA;ncia traz intrinsecamente a ela, objetivos e motivos para as a&#xE7;&#xF5;es, como a discuss&#xE3;o de conceitos matem&#xE1;ticos, produ&#xE7;&#xE3;o de significados, dentre outros.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Barbosa (2003)</xref>, alguns autores consideram situa&#xE7;&#xF5;es fict&#xED;cias (simula&#xE7;&#xF5;es) no &#xE2;mbito da Modelagem. Com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s refer&#xEA;ncias descritas por <xref ref-type="bibr" rid="B24">Skovsmose (2000)</xref>, nas quais se desenvolvem os ambientes de aprendizagem, poder&#xED;amos falar num ambiente de aprendizagem constru&#xED;do com refer&#xEA;ncia na semi-realidade.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B1">Barbosa (2001</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B2">2003</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B3">2007</xref>), no entanto, n&#xE3;o considera situa&#xE7;&#xF5;es fict&#xED;cias como geradoras do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica. De acordo com o autor, a Modelagem pode ser compreendida como um ambiente de aprendizagem, pautado nos processos de problematiza&#xE7;&#xE3;o e investiga&#xE7;&#xE3;o de situa&#xE7;&#xF5;es com refer&#xEA;ncia na realidade, por meio do ferramental matem&#xE1;tico. Este ambiente &#xE9; caracterizado em termos do contexto em que tais atividades s&#xE3;o desenvolvidas, a escola; em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; natureza destas atividades, investigativas; e considerando-se os dom&#xED;nios de conhecimento que ela envolve, Matem&#xE1;tica e outros contextos reais (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BARBOSA, 2003</xref>).</p>
<p>O ambiente de aprendizagem da Modelagem tal como discutido por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Barbosa (2001)</xref> pauta-se em dois conceitos fundamentais: problematiza&#xE7;&#xE3;o e investiga&#xE7;&#xE3;o. A fim de elucidar ambos os conceitos, <xref ref-type="bibr" rid="B1">Barbosa (2001)</xref> respalda-se no que chama de indaga&#xE7;&#xE3;o. De acordo com o autor, indagar &#xE9; uma atitude que permeia todo o processo de resolu&#xE7;&#xE3;o e que n&#xE3;o se limita &#xE0; explicita&#xE7;&#xE3;o do problema, pois se faz por meio da investiga&#xE7;&#xE3;o de uma situa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>No processo de investiga&#xE7;&#xE3;o, est&#xE3;o embutidas a busca, a sele&#xE7;&#xE3;o, a organiza&#xE7;&#xE3;o e a manipula&#xE7;&#xE3;o de informa&#xE7;&#xF5;es relevantes para o estudo de um problema. J&#xE1; o processo de problematiza&#xE7;&#xE3;o, se refere &#xE0; a&#xE7;&#xE3;o de criar perguntas e/ou problemas. Estes dois processos acontecem com refer&#xEA;ncia numa situa&#xE7;&#xE3;o cujo dom&#xED;nio n&#xE3;o &#xE9; o da Matem&#xE1;tica.</p>
<p>A partir do momento em que os alunos assumem a responsabilidade pelos processos de explora&#xE7;&#xE3;o e explica&#xE7;&#xE3;o, o cen&#xE1;rio de investiga&#xE7;&#xE3;o constitui-se um ambiente de aprendizagem, em que os alunos s&#xE3;o respons&#xE1;veis por seu desenvolvimento. Neste sentido, o que pode constituir-se como um cen&#xE1;rio de investiga&#xE7;&#xE3;o para um grupo de alunos &#x201C;pode n&#xE3;o representar um convite para outro grupo de alunos&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B24">SKOVSMOSE, 2000</xref>, p. 21).</p>
<p>O convite, ao qual <xref ref-type="bibr" rid="B24">Skovsmose (2000)</xref> faz refer&#xEA;ncia, &#xE9; considerado por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Barbosa (2001)</xref> ao delimitar o ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica. De acordo com o autor, o ambiente de aprendizagem organizado pelo professor &#xE9; posto aos alunos na forma de convite. Esses convites podem ou n&#xE3;o serem aceitos no decorrer da atividade, ocasionando implica&#xE7;&#xF5;es nas formas de envolvimento dos alunos. Na medida em que seus interesses convergem para os desse ambiente, o engajamento do aluno na atividade pode ser favorecido.</p>
<p>Possivelmente no &#xE2;mbito da sala de aula, devido &#xE0;s exig&#xEA;ncias curriculares e pr&#xE1;ticas escolares, mesmo que alguns alunos n&#xE3;o aceitem o convite para a Modelagem, ainda assim a atividade poder&#xE1; ser desenvolvida. Nesse caso, algumas consequ&#xEA;ncias podem ser geradas: estes alunos podem interessar-se pela atividade e engajarem-se nela, conforme seus interesses se depararem com os da atividade desenvolvida; ou os alunos podem n&#xE3;o interessar-se em nenhum momento pela atividade, fazendo com que ela se torne uma atividade Matem&#xE1;tica tradicional, para este aluno, conforme os caminhos seguidos. Esta quest&#xE3;o, do interesse em atividades de Modelagem Matem&#xE1;tica, tem sido foco de diversas pesquisas como as de <xref ref-type="bibr" rid="B16">Herm&#xED;nio (2009)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Herm&#xED;nio e Borba (2010)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B25">Soares e Borba (2012)</xref>, dentre outras.</p>
<p>Ainda que sempre pautado no cen&#xE1;rio para investiga&#xE7;&#xE3;o e com refer&#xEA;ncia na realidade, os ambientes de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica podem diferenciar-se quanto &#xE0; sua organiza&#xE7;&#xE3;o na sala de aula. Independente da sua forma de organiza&#xE7;&#xE3;o, <xref ref-type="bibr" rid="B3">Barbosa (2007)</xref> toma o indiv&#xED;duo como foco do processo e analisa as pr&#xE1;ticas discursivas e negocia&#xE7;&#xF5;es que emergem a partir do encontro entre professor e alunos. Este encontro gera o que o autor denomina de espa&#xE7;os de intera&#xE7;&#xF5;es. Considerar as pr&#xE1;ticas discursivas como unidade de an&#xE1;lise do processo tem implica&#xE7;&#xF5;es importantes, pois n&#xE3;o se sabe a priori quais a&#xE7;&#xF5;es ser&#xE3;o tomadas pelos alunos e pelo professor.</p>
<p>As discuss&#xF5;es as quais <xref ref-type="bibr" rid="B3">Barbosa (2007)</xref> faz refer&#xEA;ncia s&#xE3;o caracterizadas para identificar as rotas de Modelagem dos alunos. O conceito de rota de Modelagem &#xE9; usado para denotar os processos empreendidos pelos alunos no ambiente de Modelagem. O autor distingue quatro tipos de discuss&#xF5;es identificadas neste ambiente: t&#xE9;cnicas &#x2013; discuss&#xF5;es em que hip&#xF3;teses que servir&#xE3;o de subs&#xED;dio para analisar a situa&#xE7;&#xE3;o de estudo s&#xE3;o constru&#xED;das; matem&#xE1;ticas &#x2013; se referem a aspectos da matem&#xE1;tica pura; reflexivas &#x2013; remete &#xE0;s an&#xE1;lises dos resultados obtidos retomando as hip&#xF3;teses iniciais; e paralelas &#x2013; n&#xE3;o se referem &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o de um modelo matem&#xE1;tico, mas refletem de alguma forma sobre o tema estudado. As tr&#xEA;s primeiras discuss&#xF5;es s&#xE3;o aquelas relacionadas &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o de um modelo matem&#xE1;tico; entendendo como modelo matem&#xE1;tico qualquer tipo de representa&#xE7;&#xE3;o matem&#xE1;tica da situa&#xE7;&#xE3;o de estudo.</p>
<p>De acordo com o autor, esta forma de entendimento do ambiente de aprendizagem da Modelagem, coloca foco nas pr&#xE1;ticas dos alunos, elege os espa&#xE7;os de intera&#xE7;&#xF5;es como unidade de an&#xE1;lise e atribui aos tipos de discuss&#xF5;es os subs&#xED;dios encontrados pelos alunos, no encontro com outros alunos e professor, para a constitui&#xE7;&#xE3;o das rotas de Modelagem.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 Percurso te&#xF3;rico metodol&#xF3;gico da pesquisa</title>
<p>De acordo com o objetivo desse estudo e as caracter&#xED;sticas que ele assume, tal investiga&#xE7;&#xE3;o insere-se no campo da pesquisa qualitativa. Nesse sentido, enfatizamos os procedimentos de descri&#xE7;&#xE3;o do processo de desenvolvimento do estudo, embasados nos pressupostos te&#xF3;ricos adotados, admitimos a interfer&#xEA;ncia subjetiva na pesquisa e buscamos compreens&#xF5;es interpretativas para a interroga&#xE7;&#xE3;o formulada, sem nos preocuparmos com a quantifica&#xE7;&#xE3;o dos resultados obtidos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BOGDAN; BIKLEN, 1994</xref>).</p>
<p>Neste texto, utilizamos os resultados obtidos a partir do desenvolvimento de uma atividade de Modelagem Matem&#xE1;tica, por uma turma composta por 12 alunos de um terceiro ano de um curso de Forma&#xE7;&#xE3;o de Docentes da Educa&#xE7;&#xE3;o Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, em n&#xED;vel m&#xE9;dio, de uma escola p&#xFA;blica da regi&#xE3;o centro-oeste do Paran&#xE1;. Tais resultados inserem-se numa pesquisa mais ampla acerca das possibilidades de constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP em atividades de Modelagem (<xref ref-type="bibr" rid="B10">BRAZ, 2014</xref>).</p>
<p>A atividade apresentada refere-se &#xE0; segunda situa&#xE7;&#xE3;o estudada pela turma em quest&#xE3;o. Optamos por n&#xE3;o abordar os resultados obtidos na primeira atividade realizada, porque embora tra&#xE7;os das caracter&#xED;sticas referentes &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP pudessem ser observados em a&#xE7;&#xF5;es isoladas dos alunos, o desenvolvimento desta atividade foi marcado pela depend&#xEA;ncia da turma quanto aos direcionamentos da professora, possivelmente por ter se constitu&#xED;do uma situa&#xE7;&#xE3;o nova para os estudantes habituados aos moldes de aulas pautadas no paradigma do exerc&#xED;cio. Neste sentido, as discuss&#xF5;es mantidas nas aulas n&#xE3;o embasaram justificativas para afirmar que todas as caracter&#xED;sticas concernentes &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP se fizeram presentes nas a&#xE7;&#xF5;es da turma.</p>
<p>A atividade discutida teve dura&#xE7;&#xE3;o de 7 horas-aula (cerca de 5 horas e 50 minutos). Os 11 alunos participantes desta atividade (cujos nomes atribu&#xED;dos s&#xE3;o fict&#xED;cios) foram divididos em tr&#xEA;s grupos &#x2013; G1, G2, G3 &#x2013; assim constitu&#xED;dos: <bold>G1)</bold> Matias, Rosana, Rog&#xE9;rio, Ant&#xF4;nio; <bold>G2)</bold> Natany, Paola, L&#xFA;cio, Leda; <bold>G3)</bold> Ana, Raiane e Aline.</p>
<p>Os dados foram coletados no primeiro semestre do ano de 2013 a partir da grava&#xE7;&#xE3;o das aulas em &#xE1;udio e v&#xED;deo. As discuss&#xF5;es mantidas nas aulas foram transcritas e somadas aos registros escritos dos alunos constitu&#xED;ram o material analisado.</p>
<sec>
<title>4.1 Interpreta&#xE7;&#xE3;o das caracter&#xED;sticas para a constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP&#x27;s</title>
<p>Para este estudo, baseamo-nos nas seis caracter&#xED;sticas propostas por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref> para identificarmos, a partir das a&#xE7;&#xF5;es dos alunos no desenvolvimento de atividades de Modelagem, a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP. Para tanto, fez-se necess&#xE1;rio uma an&#xE1;lise interpretativa de tais caracter&#xED;sticas, com base nas id&#xE9;ias de <xref ref-type="bibr" rid="B20">Lave e Wenger (1991)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B27">Wenger (1998)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B13">David e Watson (2008)</xref>, segundo as pr&#xE1;ticas dos alunos, que subsidiam uma CoP.</p>
<p>No <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 01</xref>, apresentamos os aspectos considerados com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; an&#xE1;lise da exist&#xEA;ncia de cada uma das seis caracter&#xED;sticas apontadas por <xref ref-type="bibr" rid="B28">Winbourne e Watson (1998)</xref>.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Quadro 01</label>
<caption>
<title>Aspectos considerados como ferramenta de an&#xE1;lise da constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #FOFFFF">
<tr>
<th align="center">Caracter&#xED;sticas definidoras da constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP</th>
<th align="center">Aspectos considerados em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sua exist&#xEA;ncia</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center">1) Os alunos verem-se, a eles pr&#xF3;prios, funcionando matematicamente e para esses alunos fazer sentido &#x2018;o ser matem&#xE1;tico&#x2019; como uma parte essencial de quem s&#xE3;o naquela aula.</td>
<td align="center">Relaciona-se &#xE0; forma como os alunos v&#xEA;em a si mesmos no desenvolvimento da atividade; buscando para si a responsabilidade pelas condu&#xE7;&#xF5;es ou avaliando-se como importante dentro do grupo.</td></tr>
<tr>
<td align="center">2) Atrav&#xE9;s das atividades e pap&#xE9;is assumidos, h&#xE1; reconhecimento p&#xFA;blico do desenvolvimento da compet&#xEA;ncia naquela aula.</td>
<td align="center">Refere-se &#xE0; forma como a participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos &#xE9; reconhecida pelos demais. Mais especificamente, se existe ou n&#xE3;o um reconhecimento p&#xFA;blico da compet&#xEA;ncia deles, por meio dos pap&#xE9;is assumidos e atribu&#xED;dos pelos membros do grupo.</td></tr>
<tr>
<td align="center">3) Os alunos verem-se a trabalhar conjuntamente, com um prop&#xF3;sito, para conseguirem um entendimento comum.</td>
<td align="center">Refere-se &#xE0; exist&#xEA;ncia de um dom&#xED;nio que caracterize a base de conhecimentos em comum, que conduz a um sentido de participa&#xE7;&#xE3;o dos membros.</td></tr>
<tr>
<td align="center">4) Existem modos partilhados de comportamento, linguagem, h&#xE1;bitos, valores e uso de ferramentas.</td>
<td align="center">Refere-se &#xE0; exist&#xEA;ncia de um repert&#xF3;rio partilhado que contemple as formas de fazer as coisas, os gestos, a&#xE7;&#xF5;es, ferramentas que o grupo produziu e/ou adotou e que se tornaram parte da sua pr&#xE1;tica.</td></tr>
<tr>
<td align="center">5) A aula &#xE9;, essencialmente, constitu&#xED;da por participa&#xE7;&#xE3;o ativa dos alunos e professor.</td>
<td align="center">Refere-se &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o de professor e alunos, no desenvolvimento da atividade de Matem&#xE1;tica. Mais especificamente, se o direcionamento da aula foi determinado por a&#xE7;&#xF5;es de alunos e professor, ou de forma individual por algum participante da aula.</td></tr>
<tr>
<td align="center">6) Os alunos e o professor podem verse engajados na mesma atividade.</td>
<td align="center">Refere-se &#xE0; exist&#xEA;ncia de empreendimentos articulados, envolvendo a participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos e do professor num processo de negocia&#xE7;&#xE3;o, que pressup&#xF5;e um comprometimento com a comunidade (professor ou alunos).</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Adaptada de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Braz; Kato (2014)</xref>.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Ap&#xF3;s a realiza&#xE7;&#xE3;o das atividades, entrevistas semi-estruturadas foram realizadas individualmente com os alunos a fim de identificar, principalmente: suas impress&#xF5;es quanto &#xE0; pr&#xF3;pria participa&#xE7;&#xE3;o; suas impress&#xF5;es quanto &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o dos colegas de grupo. Estas entrevistas possibilitaram-nos identificar como as caracter&#xED;sticas 1 e 2, concernentes &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP, se fizerem presentes nas aulas. Al&#xE9;m disso, embora as a&#xE7;&#xF5;es dos alunos pudessem embasar nossas an&#xE1;lises quanto a tais aspectos, elas n&#xE3;o eram suficientes, por n&#xE3;o representarem a opini&#xE3;o dos participantes.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>5 O desenvolvimento das atividades pelos alunos</title>
<p>O tema motivador da atividade de Modelagem Matem&#xE1;tica foi o desenvolvimento dos beb&#xEA;s, escolhido pela turma em aulas anteriores. Raiane justificou esta escolha afirmando que este &#xE9; um assunto cujo estudo lhes seria &#xFA;til, considerando que o curso lhes possibilita a atua&#xE7;&#xE3;o na Educa&#xE7;&#xE3;o Infantil. Alguns alunos tamb&#xE9;m se manifestaram quanto ao tipo de estudo que gostariam de fazer: &#x201C;<italic>O desenvolvimento desde a gesta&#xE7;&#xE3;o&#x201D;</italic> (Ant&#xF4;nio &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013); &#x201C;<italic>O desenvolvimento no sentido de toda a parte estrutural do corpo da crian&#xE7;a</italic> [&#x2026;]&#x201D; (Rosana &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013).</p>
<p>A partir destes apontamentos, discuss&#xF5;es paralelas foram geradas na turma, que levantou quest&#xF5;es acerca da interfer&#xEA;ncia dos partos prematuros, a influ&#xEA;ncia da estatura dos pais, aus&#xEA;ncia de amamenta&#xE7;&#xE3;o materna, dentre outros fatores que poderiam interferir no padr&#xE3;o de desenvolvimento dos beb&#xEA;s. Neste momento, Ant&#xF4;nio conduziu prioritariamente as discuss&#xF5;es, pois por ser um aluno com idade superior aos dos outros, e j&#xE1; ter filhos, foi reconhecido como algu&#xE9;m com propriedade para discutir o tema.</p>
<p>Nesta discuss&#xE3;o inicial, um texto informativo, cujo tema central era o desenvolvimento dos beb&#xEA;s, foi disponibilizado &#xE0; turma. A partir da leitura conjunta do texto, Raiane afirmou: &#x201C;<italic>Eu acho que o que ficaria melhor seria o desenvolvimento do crescimento (altura) e do peso, a quantidade que ela engorda</italic>&#x201D; (grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013). Como o texto fazia alus&#xE3;o a uma tabela de refer&#xEA;ncia acerca do crescimento dos beb&#xEA;s quanto &#xE0;s vari&#xE1;veis citadas, disponibilizou-se a <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 01</xref>:</p>
<table-wrap id="t2">
<label>Tabela 01</label>
<caption>
<title>Faixa de peso e estatura mais comuns, por idade e sexo.</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #FOFFFF">
<tr style="background-color: #F2F2F2">
<th align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Sexo</th>
<th colspan="2" align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">MASCULINO</th>
<th colspan="2" align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">FEMININO</th></tr>
<tr style="background-color: #F2F2F2">
<th align="center" rowspan="2">IDADE (meses)</th>
<th colspan="2" align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Medida de refer&#xEA;ncia</th>
<th colspan="2" align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Medida de refer&#xEA;ncia</th></tr>
<tr style="background-color: #F2F2F2">
<th align="center">Peso (kg)</th>
<th align="center">Estatura (cm)</th>
<th align="center">Peso (kg)</th>
<th align="center">Estatura (cm)</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #FOFFFF">
<tr>
<td align="center" style="background-color: #F2F2F2"><bold>0</bold></td>
<td align="center">3,4</td>
<td align="center">50</td>
<td align="center">3,3</td>
<td align="center">49</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #F2F2F2"><bold>1</bold></td>
<td align="center">4,2</td>
<td align="center">55</td>
<td align="center">4,0</td>
<td align="center">54</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #F2F2F2"><bold>&#x2026;</bold></td>
<td align="center">&#x2026;</td>
<td align="center">&#x2026;</td>
<td align="center">&#x2026;</td>
<td align="center">&#x2026;</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #F2F2F2"><bold>11</bold></td>
<td align="center">9,6</td>
<td align="center">73</td>
<td align="center">9,4</td>
<td align="center">72</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="background-color: #F2F2F2"><bold>12</bold></td>
<td align="center">10</td>
<td align="center">75</td>
<td align="center">9,8</td>
<td align="center">73</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Adaptada de <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://filhosecia.uol.com.br/2010/08/tabela-de-peso-e-altura/">http://filhosecia.uol.com.br/2010/08/tabela-de-peso-e-altura/</ext-link> (Acesso em: 20/03/2013).</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Ao analisarem a tabela, surgiram falas como: &#x201C;<italic>&#xC9; s&#xF3; uma refer&#xEA;ncia, porque tem outras coisas que t&#xEA;m que contar [&#x2026;] se a crian&#xE7;a n&#xE3;o nasce preparada, a tabela n&#xE3;o encaixa&#x201D;</italic> (Ant&#xF4;nio &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013). Diante dessa discuss&#xE3;o e das experi&#xEA;ncias compartilhadas entre a turma, a seguinte quest&#xE3;o foi elaborada: Considerando a tabela de refer&#xEA;ncia, como podemos analisar o desenvolvimento de um beb&#xEA; ao longo dos dois primeiros anos de vida?</p>
<p>Na sequ&#xEA;ncia, a turma foi divida em grupos a fim de facilitar tanto a an&#xE1;lise das a&#xE7;&#xF5;es dos alunos quanto suas participa&#xE7;&#xF5;es. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B22">Matos (2003)</xref>, se uma comunidade atinge uma dimens&#xE3;o muito grande pode inibir a participa&#xE7;&#xE3;o dos seus membros.</p>
<p>A partir dessa discuss&#xE3;o inicial, os grupos formularam hip&#xF3;teses e os procedimentos matem&#xE1;ticos a serem seguidos, como: i) estabelecer as vari&#xE1;veis consideradas no estudo; ii) estimar o aumento m&#xE9;dio de peso da crian&#xE7;a no decorrer do primeiro ano de vida; iii) descrever uma fun&#xE7;&#xE3;o que representasse a situa&#xE7;&#xE3;o de estudo; iv) analisar os resultados obtidos.</p>
<p>Tais a&#xE7;&#xF5;es correspondem &#xE0; caracter&#xED;stica 5 da constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP, pois tanto o tema da atividade proposta quanto a delimita&#xE7;&#xE3;o do estudo, foram determinados pela turma com refer&#xEA;ncia na problematiza&#xE7;&#xE3;o mais ampla, realizada pela professora. Neste sentido, a aula n&#xE3;o foi constitu&#xED;da a partir da ado&#xE7;&#xE3;o de uma pr&#xE1;tica determinada pela professora ou pelos alunos, mas de a&#xE7;&#xF5;es e direcionamentos delineados por ambos.</p>
<p>Outro aspecto a ser ressaltado &#xE9; que, nesta discuss&#xE3;o inicial os grupos mostraram-se interessados pelo estudo da situa&#xE7;&#xE3;o-problema apresentada, ao passo que participaram das discuss&#xF5;es geradas no ambiente de aprendizagem em constitui&#xE7;&#xE3;o. Estas a&#xE7;&#xF5;es, assim como as indicadas nas p&#xE1;ginas seguintes, evidenciam o aceite do convite para a Modelagem no decorrer de toda a atividade. Em tempo, tais a&#xE7;&#xF5;es evidenciam engajamento da professora e dos alunos, o que favoreceu a organiza&#xE7;&#xE3;o dos empreendimentos articulados acerca da situa&#xE7;&#xE3;o proposta.</p>
<p>A exist&#xEA;ncia de engajamento de professor e alunos numa mesma atividade, no entanto, n&#xE3;o pressup&#xF5;e a&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es homog&#xEA;neas entre os alunos e/ou grupos. Neste caso, cada grupo determinou caminhos espec&#xED;ficos que diferenciaram-se entre si quanto aos processos matem&#xE1;ticos utilizados em cada etapa estabelecida e quanto &#xE0;s formas de organiza&#xE7;&#xE3;o interna aos grupos, que definiram diferentes formas de participa&#xE7;&#xE3;o e reconhecimento dos seus integrantes. Tais encaminhamentos definiram, em cada grupo, um repert&#xF3;rio partilhado entre os alunos, caracter&#xED;stica 4 acerca da constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP, e diferentes formas de reconhecimento dos outros membros e de si mesmos como participantes da atividade.</p>
<p>Vejamos como o processo de an&#xE1;lise da situa&#xE7;&#xE3;o-problema influenciou a constitui&#xE7;&#xE3;o das caracter&#xED;sticas 1, 2, 3 e 4, em cada grupo:</p>
<sec>
<title>Grupo 1: Matias, Rosana, Rog&#xE9;rio e Ant&#xF4;nio</title>
<p>A estrat&#xE9;gia tra&#xE7;ada por G1 consistiu em estudar o crescimento dos meninos no decorrer do primeiro ano de vida e, a partir da descri&#xE7;&#xE3;o de um modelo matem&#xE1;tico, prever o crescimento desta crian&#xE7;a durante o segundo ano de vida.</p> <disp-quote>
<p><bold><italic>Ant&#xF4;nio:</italic></bold> <italic>E o que &#xE9; pra fazer? Analisar? Analisar o qu&#xEA;?</italic></p>
<p><bold><italic>Matias:</italic></bold> <italic>A gente analisa, logo no in&#xED;cio, a crian&#xE7;a, ela cresce mais r&#xE1;pido n&#xE9;, olha l&#xE1;. Menino</italic></p>
<p><italic>com peso de 3,4 kg, t&#xE1; com 50 cent&#xED;metros. A&#xED; quando ela pega 4,2 kg, ela vai pra 55 cent&#xED;metros, j&#xE1; aumentou 5 cent&#xED;metros.</italic></p>
<p><bold><italic>Ant&#xF4;nio:</italic></bold> <italic>O peso cresce, a altura cresce [&#x2026;] o que voc&#xEA; t&#xE1; fazendo?</italic></p>
<p><bold><italic>Matias:</italic></bold> <italic>Uma rela&#xE7;&#xE3;o de quanto ele cresceu m&#xEA;s a m&#xEA;s. Sabe o que eu t&#xF4; fazendo, Ant&#xF4;nio, pra ter uma base? Assim, v&#xEA; com quanto ela nasceu, com 3,4 (kg)</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref><italic>, no outro m&#xEA;s ela vai pra 4,2 (kg). Nesse tempo qual que foi o desenvolvimento? Quanto ela pesou a mais? [&#x2026;] Voc&#xEA; entendeu n&#xE9;?</italic> (G1 &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013).</p></disp-quote>
<p>Este excerto refere-se a uma discuss&#xE3;o t&#xE9;cnica mantida pelo grupo. A partir das ideias apresentadas aqui, Matias conduziu G1 a descrever a situa&#xE7;&#xE3;o por meio de uma fun&#xE7;&#xE3;o afim: &#x201C;<italic>Gente, o pr&#xF3;ximo passo &#xE9; montar uma fun&#xE7;&#xE3;o [&#x2026;] Eu n&#xE3;o sei como criar, mas a gente tem que montar. Aqui a gente colocou a idade e o peso, ent&#xE3;o tem que por as duas coisas</italic>&#x201D; (Matias/G1 &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013).</p>
<p>Por meio da descri&#xE7;&#xE3;o da fun&#xE7;&#xE3;o afim, G1 calculou os pesos de um beb&#xEA; para as idades de 0 a 20 meses, representou os dados graficamente, concluindo que o aumento m&#xE9;dio de peso de um menino nos primeiros dois anos de vida, &#xE9; de aproximadamente 400 gramas por m&#xEA;s. O grupo afirmou que este conhecimento &#xE9; &#xFA;til aos pais e professores, que atuam na Educa&#xE7;&#xE3;o Infantil.</p>
<p>Este processo n&#xE3;o foi r&#xE1;pido, pois Rosana e Ant&#xF4;nio, no primeiro momento, apresentaram dificuldades quanto aos processos matem&#xE1;ticos envolvidos, exigindo aux&#xED;lio da professora e de Matias. Nas aulas posteriores, entretanto, observou-se que Rosana assumiu a responsabilidade pela condu&#xE7;&#xE3;o de discuss&#xF5;es de cunho matem&#xE1;tico.</p>
<p>Desde o primeiro momento, Rog&#xE9;rio, Matias, Rosana e Ant&#xF4;nio compartilharam um modo de organiza&#xE7;&#xE3;o das tarefas de forma que todos participassem das discuss&#xF5;es. Cada um analisou individualmente a situa&#xE7;&#xE3;o e depois discutiram conjuntamente at&#xE9; entrarem num consenso. Neste processo, Rog&#xE9;rio participou pouco das negocia&#xE7;&#xF5;es do grupo, entretanto partilhou das discuss&#xF5;es mantidas no grupo, registrando-as em seu caderno e acompanhando os processos determinados pelos colegas. G1 compartilhou um modo de organiza&#xE7;&#xE3;o que permitiu a negocia&#xE7;&#xE3;o e intera&#xE7;&#xE3;o entre os membros nas etapas realizadas.</p>
<p>Os registros escritos da atividade foram socializados e discutidos dentro do grupo, o que indica que este construiu um repert&#xF3;rio que foi compartilhado entre seus membros. Esse processo de constru&#xE7;&#xE3;o do repert&#xF3;rio conduziu ao reconhecimento m&#xFA;tuo das participa&#xE7;&#xF5;es dos integrantes do grupo e ao pr&#xF3;prio reconhecimento dos alunos por suas participa&#xE7;&#xF5;es naquela atividade: <italic>&#x201C;No meu grupo a participa&#xE7;&#xE3;o foi muito boa. N&#xE3;o tinha como n&#xE3;o participar. E teve uma uni&#xE3;o entre n&#xF3;s. E outra, eu peguei pessoas que gostam de Matem&#xE1;tica. O Rog&#xE9;rio, o Matias&#x2026; pra mim foi bem, porque como eu n&#xE3;o vou bem, com eles acabou eu caminhando junto&#x201D;</italic> (Ant&#xF4;nio/G1 &#x2013; entrevista, 2013). A fala de Ant&#xF4;nio indica que Rog&#xE9;rio e Matias tiveram suas participa&#xE7;&#xF5;es reconhecidas devido &#xE0; condu&#xE7;&#xE3;o matem&#xE1;tica do estudo. Ant&#xF4;nio por sua vez, teve sua participa&#xE7;&#xE3;o reconhecida pelas discuss&#xF5;es paralelas e t&#xE9;cnicas das quais participou.</p>
</sec>
<sec>
<title>Grupo 2: Natany, L&#xFA;cio, Paola e Leda</title>
<p>O grupo G2 estudou o aumento m&#xE9;dio do peso em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; idade, para as meninas. Para tanto, os alunos calcularam a m&#xE9;dia das varia&#xE7;&#xF5;es de peso ao longo dos 12 primeiros meses de vida da crian&#xE7;a do sexo feminino.</p> <disp-quote>
<p><bold><italic>Natany:</italic></bold> <italic>Se somar tudo e dividir por 12?</italic></p>
<p><bold><italic>Professora:</italic></bold> <italic>Assim voc&#xEA; vai ter uma m&#xE9;dia do aumento de peso.</italic></p>
<p><bold><italic>Natany:</italic></bold> <italic>d&#xE1; 6 ((600 gramas)).</italic></p>
<p><bold><italic>Leda:</italic></bold> <italic>Ent&#xE3;o ela cresce 600 gramas por m&#xEA;s.</italic> (G2 &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013).</p></disp-quote>
<p>Com isso, G2 determinou a taxa de varia&#xE7;&#xE3;o da fun&#xE7;&#xE3;o e, por meio de um sistema de equa&#xE7;&#xF5;es, calculou o coeficiente linear da fun&#xE7;&#xE3;o. Esta a&#xE7;&#xE3;o foi conduzida essencialmente por Natany: &#x201C;<italic>a gente escolhe dois pontos daqui</italic> (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 01</xref>), <italic>pra analisar</italic>&#x201D; (Natany/G2 &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013). Natany assumiu a responsabilidade por esta a&#xE7;&#xE3;o e orientou o grupo, explicando como e por que usar o sistema de equa&#xE7;&#xF5;es. A discuss&#xE3;o acerca do significado dos coeficientes da fun&#xE7;&#xE3;o foi orientada pela professora, quando os alunos mostraram d&#xFA;vidas.</p>
<p>O grupo G2 assumiu uma forma de organiza&#xE7;&#xE3;o din&#xE2;mica, em que todas as a&#xE7;&#xF5;es, desde a defini&#xE7;&#xE3;o da representa&#xE7;&#xE3;o dos registros at&#xE9; a defini&#xE7;&#xE3;o das etapas do estudo, foram negociadas pelo grupo. Os registros, apresentados na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>, constituem parte do repert&#xF3;rio constru&#xED;do e partilhado por G2.</p>
<fig id="f1">
<label>Figura 01</label>
<caption>
<title>Parte dos processos percorridos por G2 na atividade proposta.</title></caption>
<graphic xlink:href="1980-4415-bolema-29-52-0613-gf01.jpg"/>
<attrib>Fonte: Registros elaborados por G2, 2013.</attrib></fig>
<p>Em G2, a forma de reconhecimento da participa&#xE7;&#xE3;o dos seus membros, foi mais homog&#xEA;nea que em G1, visto que n&#xE3;o houve destaques quanto &#xE0; forma de participa&#xE7;&#xE3;o (nas discuss&#xF5;es t&#xE9;cnicas, matem&#xE1;ticas ou reflexivas). Natany, no entanto, foi reconhecida como l&#xED;der no grupo por ter tomado iniciativas no processo de estudo da situa&#xE7;&#xE3;o: <italic>&#x201C;As pessoas ajudaram, faziam as coisas, interessadas em desenvolver. Todo mundo participou ent&#xE3;o ajudou muito. [&#x2026;] A Natany liderou mais. Ela gostava de comandar. Ela gosta de liderar, &#xE9; o jeito dela&#x201D;</italic> (L&#xFA;cio/G2 &#x2013; entrevista, 2013).</p>
</sec>
<sec>
<title>Grupo 3: Ana, Raiane e Aline</title>
<p>Em G3, ainda que Aline orientasse seu grupo quanto &#xE0; atividade proposta, esta aluna n&#xE3;o teve sua participa&#xE7;&#xE3;o reconhecida por Ana e Raiane. A discuss&#xE3;o interna no grupo iniciou-se com Ana convidando Aline a sentar-se mais pr&#xF3;xima a ela e Raiane. Esta solicita&#xE7;&#xE3;o de Ana foi repetida v&#xE1;rias vezes. Este pode ter sido um dos fatores que contribu&#xED;ram para que Ana e Raiane n&#xE3;o reconhecessem a participa&#xE7;&#xE3;o de Aline, embora esta aluna colaborasse com o grupo. A discuss&#xE3;o em G3 se iniciou da seguinte maneira:</p> <disp-quote>
<p><bold><italic>Ana:</italic></bold> <italic>Aline, chega aqui mais perto.</italic></p>
<p><bold><italic>Raiane:</italic></bold> <italic>Eu sei que envolve c&#xE1;lculo, agora o resto. Como que faz isso?</italic></p>
<p><bold><italic>Aline:</italic></bold> <italic>N&#xE3;o &#xE9; de fazer, &#xE9; de analisar.</italic></p>
<p><bold><italic>Raiane:</italic></bold> <italic>Eu sei, alguma id&#xE9;ia?</italic></p>
<p><bold><italic>Aline:</italic></bold> <italic>Voc&#xEA; vai comparar, nos primeiros meses, quanto que ela vai crescer, quanto que ela vai pesar? Voc&#xEA; pode ver que ali no come&#xE7;o (nos primeiros meses) ela tem muito mais crescimento em peso e altura.</italic></p>
<p><bold><italic>Professora:</italic></bold> <italic>e a&#xED; gente, como vamos estudar essa situa&#xE7;&#xE3;o?</italic></p>
<p><bold><italic>Aline:</italic></bold> <italic>[&#x2026;] mas aqui temos que considerar a idade e o peso.</italic> (G3 &#x2013; grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo da aula, 2013).</p></disp-quote>
<p>Raiane e Ana concordaram com Aline, por&#xE9;m foi Raiane quem tra&#xE7;ou a estrat&#xE9;gia e determinou as vari&#xE1;veis que seriam consideradas no estudo. De acordo com a aluna, inicialmente o grupo deveria entender como se d&#xE1; o aumento de peso dos meninos no decorrer do primeiro ano de vida e, a partir disso, entender como se d&#xE1; esse aumento no segundo ano.</p>
<p>Embora Aline participasse das discuss&#xF5;es, Raiane pareceu ganhar maior reconhecimento das colegas por viabilizar matematicamente a interpreta&#xE7;&#xE3;o sugerida por Aline. Al&#xE9;m disso, Aline foi solicitada pelas colegas na maioria das vezes para efetuar c&#xE1;lculos, enquanto que as outras duas discutiam aspectos t&#xE9;cnicos e reflexivos da atividade.</p>
<p>Este posicionamento de Ana e Raiane pareceu mostrar que as duas se reconheceram, como matematicamente competentes naquela aula, mas n&#xE3;o reconheceram em Aline uma participante ativa como as duas. Isto pode ser evidenciado com algumas afirma&#xE7;&#xF5;es de Ana e Raiane, na entrevista, quando as alunas disseram: &#x201C;<italic>ah, ela contribuiu na hora de formar os gr&#xE1;ficos, era o conte&#xFA;do que ela mais gostava, que ela sabia. Eu e a Raiane contribu&#xED;mos e discutimos mais</italic>&#x201D; (Ana/G3 &#x2013; entrevista, 2013); &#x201C;<italic>A participa&#xE7;&#xE3;o da Aline nem sempre foi boa que nem a minha e da Ana, porque ela ficava dispersa na aula, nas atividades&#x2026; a gente n&#xE3;o</italic>&#x201D; (Raiane/G3 &#x2013; entrevista, 2013). Aline, por outro lado, reconheceu-se como funcionando matematicamente naquelas aulas: &#x201C;<italic>Minha participa&#xE7;&#xE3;o ajudou o grupo analisar a situa&#xE7;&#xE3;o&#x201D;</italic> (Aline/G3 &#x2013; entrevista, 2013).</p>
<p>Em uma CoP, as rela&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o s&#xE3;o sempre harmoniosas e alguns membros podem ter acesso &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o plena, dificultado por outros membros (<xref ref-type="bibr" rid="B27">WENGER, 1998</xref>); o que aconteceu com Aline, nesta atividade.</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>6 A constitui&#xE7;&#xE3;o da LCoP no ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica</title>
<p>No <xref ref-type="table" rid="t3">Quadro 02</xref>, apresentamos uma s&#xED;ntese das a&#xE7;&#xF5;es exercidas pelos alunos na atividade de Modelagem Matem&#xE1;tica, que evidenciam a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP em cada um dos tr&#xEA;s grupos formados. Para tanto, retomamos algumas considera&#xE7;&#xF5;es realizadas na se&#xE7;&#xE3;o anterior e agregamos afirma&#xE7;&#xF5;es de alguns alunos, obtidas na entrevista final realizada.</p>
<table-wrap id="t3">
<label>Quadro 02</label>
<caption>
<title>S&#xED;ntese das a&#xE7;&#xF5;es da turma na atividade de Modelagem, quanto ao processo de constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP.</title></caption>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="50%">
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center">A&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas pelos alunos nas atividades de Modelagem</th>
<th align="center">Caracter&#xED;sticas definidoras da constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left">Os alunos assumiram a responsabilidade pela condu&#xE7;&#xE3;o da atividade e afirmaram que suas participa&#xE7;&#xF5;es contribu&#xED;ram com seus grupos, indicando motivos como: a atribui&#xE7;&#xE3;o de significados &#xE0;s suas a&#xE7;&#xF5;es e o engajamento dos colegas no trabalho em grupo; conseq&#xFC;&#xEA;ncias do aceite do convite para a Modelagem.</td>
<td align="center" rowspan="4">C1) Os alunos verem-se a si pr&#xF3;prios, funcionando matematicamente e para esses alunos fazer sentido &#x2018;o ser matem&#xE1;tico&#x2019; como uma parte essencial de quem s&#xE3;o naquela aula.</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>G1 &#x2013;</bold> <italic>&#x201C;Foi muito boa [&#x2026;] isso a&#xED; faz parte do nosso dia a dia. Isso sim eu consigo enxergar a import&#xE2;ncia. E parece que &#xE9; independente da disciplina de Matem&#xE1;tica. A nossa disciplina do dia a dia, eu n&#xE3;o sei onde que eu vinculo ela. Aqueles c&#xE1;lculo. Essa &#x2018;letraiad&#x2019; que eu n&#xE3;o sabia pra qu&#xEA; [&#x2026;] usei, mas foi diferente, foi com fundamento&#x201D;</italic> (Ant&#xF4;nio/G1&#x2013; entrevista, 2013).</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>G2 &#x2013;</bold> &#x201C;[&#x2026;] <italic>Eu participei mais (da aula), eu tava discutindo, debatendo, o tempo inteiro.&#x201D;</italic> (Paola/G2 &#x2013; entrevista, 2013).</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>G2 &#x2013;</bold> <italic>&#x201C;Quando um fazia, todos faziam. Se um parava, todos paravam. A gente fez tudo junto. Eu tamb&#xE9;m. Todo mundo, e eu, ajudou&#x201D;</italic> (Leda/ G2 &#x2013; entrevista, 2013).</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>G1 &#x2013;</bold> O reconhecimento p&#xFA;blico em G1 se deu por motivos diferentes: Ant&#xF4;nio foi reconhecido pela condu&#xE7;&#xE3;o de discuss&#xF5;es paralelas enquanto Matias e Rosana, por conduzirem discuss&#xF5;es matem&#xE1;ticas e t&#xE9;cnicas, respectivamente: <italic>&#x201C;O Ant&#xF4;nio se destacou, porque mesmo com as dificuldades dele, ele procurava saber, ele j&#xE1; tem uma dificuldade muito grande, assim, quando voc&#xEA; fazia alguma pergunta ele te dava a resposta na hora [&#x2026;] A Rosana participou bem, mas o Rog&#xE9;rio ficou meio de fora, porque n&#xE3;o discutiu muito.&#x201D;</italic> (Matias/G1 &#x2013; entrevista, 2013).</td>
<td align="center" colspan="3">C2) Atrav&#xE9;s das atividades e pap&#xE9;is assumidos h&#xE1; reconhecimento p&#xFA;blico do desenvolvimento da compet&#xEA;ncia naquela aula.</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>G2 &#x2013;</bold> Em G2, essa caracter&#xED;stica foi evidenciada pelo engajamento m&#xFA;tuo dos alunos, e reconhecimento da participa&#xE7;&#xE3;o uns dos outros, como evidenciado na fala de Natany: &#x201C;<italic>A participa&#xE7;&#xE3;o de todos foi de extrema import&#xE2;ncia, pois todos puderam colocar suas id&#xE9;ias, e ajudar um ao outro naquilo que est&#xE1;vamos com d&#xFA;vidas&#x2026;&#x201D;</italic> (Natany/G2 &#x2013; entrevista, 2013).</td></tr>
<tr>
<td align="left"><bold>G3 &#x2013;</bold> Nesse grupo, as alunas reconheceram a colabora&#xE7;&#xE3;o umas das outras, entretanto afirmaram que a participa&#xE7;&#xE3;o de Aline foi menos efetiva no grupo: &#x201C;<italic>A participa&#xE7;&#xE3;o da Aline nem sempre foi boa que nem a minha e da Ana, porque ela ficava dispersa na aula, nas atividades&#x2026; a gente n&#xE3;o</italic>&#x201D; (Raiane/G3 &#x2013; entrevista, 2013).</td></tr>
<tr>
<td align="left">Os membros dos tr&#xEA;s grupos evidenciaram a mesma preocupa&#xE7;&#xE3;o: interpretar a situa&#xE7;&#xE3;o-problema de modo a tecer considera&#xE7;&#xF5;es sobre ela, articulando aspectos matem&#xE1;ticos e extramatem&#xE1;ticos; para isso cada grupo tra&#xE7;ou uma estrat&#xE9;gia, marcada pelo engajamento m&#xFA;tuo num mesmo dom&#xED;nio, constitu&#xED;do pela situa&#xE7;&#xE3;oproblema de Modelagem Matem&#xE1;tica.</td>
<td align="center">C3) os alunos se veem a trabalhar conjuntamente, com um prop&#xF3;sito, para conseguirem um entendimento comum.</td></tr>
<tr>
<td align="left">Os procedimentos adotados em cada grupo foram determinados por um processo de negocia&#xE7;&#xE3;o, no qual definiram as etapas do estudo. Tais a&#xE7;&#xF5;es negociadas permitiram a cria&#xE7;&#xE3;o de um repert&#xF3;rio partilhado que se diferiu em G1, G2 e G3 de acordo com os procedimentos matem&#xE1;ticos adotados (determina&#xE7;&#xE3;o da m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica em G2; ou descri&#xE7;&#xE3;o da fun&#xE7;&#xE3;o afim em G1 e G3) e as formas de organiza&#xE7;&#xE3;o mantidas em cada grupo.</td>
<td align="center">C4) Existem modos partilhados de comportamento, linguagem, h&#xE1;bitos, valores e uso de ferramentas.</td></tr>
<tr>
<td align="left">A escolha do tema da atividade, assim como a delimita&#xE7;&#xE3;o e o processo de an&#xE1;lise do estudo foram realizadas pelos alunos; o &#xFA;ltimo, sob orienta&#xE7;&#xE3;o da professora. A escolha dos processos matem&#xE1;ticos a serem utilizados para an&#xE1;lise da situa&#xE7;&#xE3;o-problema foi o que delineou os conceitos matem&#xE1;ticos abordados em cada grupo. Comumente aos tr&#xEA;s grupos, os conceitos de m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica; proporcionalidade; conceitos relacionados &#xE0; fun&#xE7;&#xE3;o afim foram discutidos.</td>
<td align="center">C5) A aula &#xE9; essencialmente constitu&#xED;da por participa&#xE7;&#xE3;o ativa dos alunos e professor.</td></tr>
<tr>
<td align="left">Alunos e professora estiveram engajados em analisar a situa&#xE7;&#xE3;o-problema, embasados numa interpreta&#xE7;&#xE3;o matem&#xE1;tica dela, que viabilizasse discuss&#xF5;es que refletissem sobre aspectos n&#xE3;o matem&#xE1;ticos. Isto aconteceu no decorrer de toda a atividade, na cria&#xE7;&#xE3;o dos empreendimentos articulados pela turma e nos grupos, representados pela defini&#xE7;&#xE3;o das etapas do estudo nos grupos: defini&#xE7;&#xE3;o das vari&#xE1;veis em cada grupo (G1 e G3: idade e peso dos meninos; no G2: idade e peso das meninas); descri&#xE7;&#xE3;o de uma fun&#xE7;&#xE3;o afim que representasse a situa&#xE7;&#xE3;o e valida&#xE7;&#xE3;o dos dados obtidos.</td>
<td align="center">C6) Os alunos e o professor podem ver-se engajados na mesma atividade.</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Elaborado pelas autoras (2014).</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>As a&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas s&#xE3;o analisadas no &#xE2;mbito global da sala de aula e as diferencia&#xE7;&#xF5;es entre os grupos s&#xE3;o realizadas especialmente quanto &#xE0;s caracter&#xED;sticas 1 e 2, que se referem &#xE0;s formas de reconhecimento das participa&#xE7;&#xF5;es entre os alunos. Isto porque, as formas de organiza&#xE7;&#xE3;o e as rela&#xE7;&#xF5;es mantidas em cada grupo, influenciaram diretamente a forma como ambas as caracter&#xED;sticas se fizeram presentes na atividade de Modelagem.</p>
<p>A s&#xED;ntese apresentada no <xref ref-type="table" rid="t3">Quadro 02</xref> possibilitou-nos identificar algumas caracter&#xED;sticas do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, presentes na atividade desenvolvida, que embasaram a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP.</p>
<p>Dentre tais caracter&#xED;sticas, destacamos a qualidade e diversidade das discuss&#xF5;es que emergiram no ambiente de aprendizagem constitu&#xED;do. Os debates gerados durante a atividade e a forma de condu&#xE7;&#xE3;o da professora, valorizando os aspectos extramatem&#xE1;ticos, permitiram que outros tipos de discuss&#xF5;es, como as t&#xE9;cnicas, paralelas e reflexivas, fossem valorizados tanto quanto as matem&#xE1;ticas, o que favoreceu uma mudan&#xE7;a em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; aula pautada no paradigma do exerc&#xED;cio.</p>
<p>Ant&#xF4;nio por exemplo, que apresentou dificuldade quanto aos aspectos matem&#xE1;ticos do estudo, teve sua participa&#xE7;&#xE3;o reconhecida por si mesmo e pelos colegas. <xref ref-type="bibr" rid="B30">Zawojewski, Lesh, e English (2003)</xref> salientam que, no desenvolvimento de aulas pautadas na Modelagem, com alunos trabalhando em grupos, estudantes normalmente n&#xE3;o reconhecidos como l&#xED;deres nas aulas de Matem&#xE1;tica podem ser reconhecidos como tal. No caso da constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP, este fato foi fundamental para garantir a participa&#xE7;&#xE3;o plena de alunos como Ant&#xF4;nio e Rosana na atividade.</p>
<p>Ademais, como os grupos valorizaram outras dimens&#xF5;es do estudo, para al&#xE9;m da matem&#xE1;tica, passaram a trabalhar num mesmo dom&#xED;nio de conhecimentos que o da professora; ou seja, professora e alunos engajaram-se numa mesma atividade e com os mesmos objetivos. Isso foi poss&#xED;vel porque a pr&#xE1;tica da aula foi constru&#xED;da por participa&#xE7;&#xE3;o ativa de todos os membros envolvidos naquelas aulas. Neste sentido, n&#xE3;o identificamos a&#xE7;&#xF5;es criadas por determinados participantes e adotadas pelos demais, sem um processo de negocia&#xE7;&#xE3;o. Processo este, intr&#xED;nseco aos ambientes de aprendizagem pautados nos cen&#xE1;rios de investiga&#xE7;&#xE3;o, nos quais a pergunta &#x201C;o que acontece se&#x2026;&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B24">SKOVSMOSE, 2000</xref>, p. 73) faz parte do repert&#xF3;rio do professor e dos alunos.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>7 Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>Esta pesquisa teve como objetivo identificar algumas potencialidades do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica na constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP.</p>
<p>As an&#xE1;lises realizadas, a partir de epis&#xF3;dios de uma atividade de Modelagem realizada na sala de aula, evidenciaram caracter&#xED;sticas pr&#xF3;prias do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, que fundamentaram o desenvolvimento de a&#xE7;&#xF5;es concernentes &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP, como: a escolha de um tema motivador cujo dom&#xED;nio n&#xE3;o &#xE9; a Matem&#xE1;tica e com refer&#xEA;ncia em uma situa&#xE7;&#xE3;o real; a participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos nos processos de problematiza&#xE7;&#xE3;o e defini&#xE7;&#xE3;o de estrat&#xE9;gias determinadas para o estudo (investiga&#xE7;&#xE3;o); as possibilidades de interse&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas matem&#xE1;ticas escolares e extraescolares nas aulas de Matem&#xE1;tica e a pluralidade de tipos de discuss&#xF5;es possibilitadas pela situa&#xE7;&#xE3;o de estudo, conforme evidenciado no <xref ref-type="table" rid="t3">Quadro 02</xref>.</p>
<p>A escolha do tema da atividade pelos alunos gerou consequ&#xEA;ncias positivas no que concerne &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de uma LCoP, pois tanto conduziu &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o de uma pr&#xE1;tica de aula pautada nas a&#xE7;&#xF5;es de alunos e professora, em detrimento da ado&#xE7;&#xE3;o de uma pr&#xE1;tica balizada por a&#xE7;&#xF5;es individuais, quanto favoreceu o engajamento dos estudantes. Neste sentido, as caracter&#xED;sticas 5 e 6, referentes &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP&#x27;s puderam ser favorecidas. Isto porque, na medida em que uma pr&#xE1;tica &#xE9; constru&#xED;da a partir da negocia&#xE7;&#xE3;o entre alunos e professora, um dom&#xED;nio de conhecimentos que sustenta tais pr&#xE1;ticas &#xE9; constitu&#xED;do. Esta forma de organiza&#xE7;&#xE3;o da aula de Matem&#xE1;tica a distancia daquelas tradicionais, em que uma pr&#xE1;tica &#xE9; constru&#xED;da pelo professor e adotada pelos alunos.</p>
<p>Ainda, o estudo de um tema com refer&#xEA;ncia na realidade vivenciada pelos alunos envolvidos, por meio do ferramental matem&#xE1;tico, permitiu que uma variedade de tipos de discuss&#xF5;es fosse gerada, coordenando tanto suas rotas de Modelagem, quanto suas formas de acesso &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o e inser&#xE7;&#xE3;o na pr&#xE1;tica da aula de Matem&#xE1;tica. Ant&#xF4;nio, por exemplo, teve sua participa&#xE7;&#xE3;o reconhecida pelos colegas por discutir com propriedade o tema da atividade proposta. Esta diversidade de discuss&#xF5;es pode n&#xE3;o ser possibilitada em qualquer ambiente de aprendizagem, por exemplo, naqueles pautados no paradigma do exerc&#xED;cio, ou com refer&#xEA;ncia na Matem&#xE1;tica pura. Neste estudo, esta pluralidade de possibilidades para inser&#xE7;&#xE3;o dos alunos foi essencial para que as caracter&#xED;sticas 1 e 2, referentes ao reconhecimento de si mesmos como matematicamente competentes e o reconhecimento p&#xFA;blico entre os estudantes, se dessem de forma positiva.</p>
<p>Estes reconhecimentos se deram, ainda, em consequ&#xEA;ncia da participa&#xE7;&#xE3;o dos alunos na defini&#xE7;&#xE3;o das estrat&#xE9;gias usadas no estudo. Ainda que negociada pela turma, a estrat&#xE9;gia de estudo seguida por cada grupo apresentou especificidades quanto &#xE0;s formas de organiza&#xE7;&#xE3;o e conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos utilizados, suscitadas pela negocia&#xE7;&#xE3;o mantida internamente a ele. Neste sentido, identificamos em cada grupo um repert&#xF3;rio compartilhado por seus membros, que &#xE9; fruto dos empreendimentos articulados tanto no &#xE2;mbito da turma quanto das a&#xE7;&#xF5;es internas a cada grupo.</p>
<p>A exist&#xEA;ncia de repert&#xF3;rio partilhado e de empreendimentos articulados (caracter&#xED;sticas 4 e 6 da constitui&#xE7;&#xE3;o de LCoP, respectivamente) s&#xF3; puderam ser identificadas com a constitui&#xE7;&#xE3;o do ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica, ou seja, a partir do aceite dos alunos ao convite para a Modelagem. Este aceite, no decorrer de toda a atividade, contribuiu com o engajamento dos alunos em estudar a situa&#xE7;&#xE3;o proposta conjuntamente; desta forma um dom&#xED;nio de conhecimentos, caracter&#xED;stica 3 referente &#xE0; LCoP, constitu&#xED;do pela atividade de Modelagem, garantiu um mesmo embasamento para as a&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas pela professora e pelos alunos.</p>
<p>&#xC9; importante ressaltarmos que os aspectos concernentes ao ambiente da Modelagem Matem&#xE1;tica, presentes neste texto, como o aceite ao convite para a Modelagem, a escolha do tema da atividade pelos alunos, a refer&#xEA;ncia deste tema na realidade, v&#xEA;m sendo discutidos em pesquisas realizadas em Modelagem, no &#xE2;mbito da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, como j&#xE1; citado no texto.</p>
<p>Esta pesquisa contribui para este debate buscando provocar uma discuss&#xE3;o acerca das rela&#xE7;&#xF5;es entre o ambiente de aprendizagem da Modelagem Matem&#xE1;tica e a aprendizagem como participa&#xE7;&#xE3;o social, em pr&#xE1;ticas negociadas numa comunidade.</p>
</sec></body>
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<label>1</label>
<p>Usaremos par&#xEA;nteses simples para indicarmos hip&#xF3;teses e/ou complementa&#xE7;&#xF5;es do que ouvimos e par&#xEA;nteses duplos para inserirmos coment&#xE1;rios das autoras.</p></fn></fn-group>
<ack>
<title>Agradecimentos</title>
<p>Agradecemos &#xE0; CAPES &#x2013; Coordena&#xE7;&#xE3;o de Aperfei&#xE7;oamento de Pessoal de N&#xED;vel Superior &#x2013; pelo apoio financeiro que subsidiou a pesquisa.</p>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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