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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
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<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">1980-4415v32n61e01</article-id>
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<subject>Editorial</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Da difus&#xE3;o da produ&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica: algumas considera&#xE7;&#xF5;es</article-title>
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<given-names>Antonio Vicente Marafioti</given-names>
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<institution content-type="original">Editor do BOLEMA. Doutor em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual Paulista &#x201C;J&#xFA;lio de Mesquita Filho&#x201D; (UNESP), Rio Claro/SP. Docente do Departamento de Matem&#xE1;tica da UNESP, Bauru, S&#xE3;o Paulo, Brasil e dos Programas de P&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica UNESP, Rio Claro, S&#xE3;o Paulo, Brasil e Educa&#xE7;&#xE3;o para a Ci&#xEA;ncia UNESP, Bauru, S&#xE3;o Paulo, Brasil.</institution>

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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Avenida Na&#xE7;&#xF5;es Unidas, 11-35/1101, Bauru, Sao Paulo, Brasil, CEP: 17010-130. E-mail: <email>vgarnica@fc.unesp.br</email>.</corresp></author-notes>
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<p>A literatura especializada j&#xE1; apontou e discutiu suficientemente o processo de transforma&#xE7;&#xE3;o da Educa&#xE7;&#xE3;o em <italic>commodity</italic>, sob diversos prismas e sob diferentes aportes te&#xF3;ricos. O que se vem notando, portanto, nas mais diferentes faces do sistema educacional, nos v&#xE1;rios n&#xED;veis e modalidades de ensino, j&#xE1; n&#xE3;o &#xE9; um fen&#xF4;meno novo. O descaso com as institui&#xE7;&#xF5;es de ensino; o desmonte gradativo da educa&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica gratuita; a aus&#xEA;ncia de di&#xE1;logo para a cria&#xE7;&#xE3;o de diretrizes que afetam diretamente crian&#xE7;as, fam&#xED;lias, professores, pesquisadores e gestores; a imobilidade &#x2013; e a decorrente corresponsabilidade e, em alguns casos, a coniv&#xEA;ncia &#x2013; das parcelas diretamente afetadas por esse estado de coisas s&#xE3;o, dentre outras tantas, manifesta&#xE7;&#xF5;es inequ&#xED;vocas do que at&#xE9; pouco tempo s&#xF3; nos era apontado como teoria. As revistas cient&#xED;ficas s&#xE3;o mais um mecanismo nesse processo cont&#xED;nuo e claro.</p>
<p>No panorama internacional j&#xE1; s&#xE3;o raros os peri&#xF3;dicos mantidos por institui&#xE7;&#xF5;es de ensino e pesquisa que os produzem com financiamentos estatais que, por sua vez, por sua pr&#xF3;pria natureza, t&#xEA;m a fun&#xE7;&#xE3;o de manter e apoiar o avan&#xE7;o da tecnologia e da ci&#xEA;ncia. Extinguindo-se esses apoios oficiais, resta &#xE0;s revistas cient&#xED;ficas exigir dos seus autores a contrapartida financeira que as permite continuar operando. Na esteira dessas publica&#xE7;&#xF5;es &#x2013; pressionadas pela aus&#xEA;ncia de apoio adequado mas que ainda preservam a qualidade dos ensaios e artigos que distribuem &#x2013; surgem as mais variadas estrat&#xE9;gias editoriais &#xE0;s quais recorre uma comunidade &#xE1;vida pela produ&#xE7;&#xE3;o desenfreada que lhe &#xE9; exigida das institui&#xE7;&#xF5;es. Assim, pesquisadores s&#xE3;o diariamente visados por revistas estrangeiras sem qualquer lastro acad&#xEA;mico e sem a m&#xED;nima garantia de qualidade que superlotam nossas caixas postais com propagandas sobre as facilidades de publica&#xE7;&#xE3;o que, sem crit&#xE9;rio, muitas das institui&#xE7;&#xF5;es aceitam e at&#xE9; mesmo promovem. Subjugados pelas press&#xF5;es da produ&#xE7;&#xE3;o e da internacionaliza&#xE7;&#xE3;o &#x2013; termos hoje t&#xE3;o comum nos discursos de gestores e ag&#xEA;ncias de fomento &#x2013; pouco falta para n&#xE3;o sabermos mais distinguir entre joio e trigo. Revistas passam a ser um neg&#xF3;cio bastante lucrativo para as poucas editoras que monopolizam o mercado internacional, que se p&#xF5;em a ditar regras independentes de contexto e a oferecer servi&#xE7;os que geram cada vez mais demandas e custos a editores e autores. Com comiss&#xF5;es editoriais artificializadas, revistas s&#xE3;o criadas sob medida para atender &#xE0;s demandas de uma comunidade que perigosamente e cada vez mais se afasta do bom senso, e eventos internacionais s&#xE3;o organizados sob as expensas dos pr&#xF3;prios conferencistas e de suas institui&#xE7;&#xF5;es de ensino e pesquisa com a &#xFA;nica inten&#xE7;&#xE3;o de promover os pr&#xF3;prios conferencistas e suas produ&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>O Brasil n&#xE3;o se afasta desse movimento, embora aparentemente aqui esse processo seja mais lento, ainda que cont&#xED;nuo e severo. A Cole&#xE7;&#xE3;o SciELO, que tem servido para qualificar os peri&#xF3;dicos e que, sob v&#xE1;rios aspectos, tem desempenhado bem suas fun&#xE7;&#xF5;es, acaba servindo de par&#xE2;metro n&#xE3;o s&#xF3; para a qualidade, mas tamb&#xE9;m para a concess&#xE3;o dos recursos que permitem o funcionamento dos peri&#xF3;dicos. Se essa situa&#xE7;&#xE3;o tem sido bem aproveitada pelas revistas inscritas na Cole&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; preciso perguntar-se como fazem para continuar operando aquelas que dela n&#xE3;o participam. No caso da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, por exemplo, o <italic>BOLEMA</italic> &#xE9; a &#xFA;nica revista brasileira pertencente &#xE0; Cole&#xE7;&#xE3;o SciELO, o que faz com que sua procura pelos autores seja imensa e, por sua vez, implique a necessidade de uma infraestrutura t&#xE9;cnica e acad&#xEA;mica cada vez mais sofisticada e composta de cada vez mais engrenagens e normatiza&#xE7;&#xF5;es. Entretanto, por pertencer &#xE0; Cole&#xE7;&#xE3;o, o BOLEMA &#xE9; o &#xFA;nico peri&#xF3;dico que atualmente participa dos Editais de Apoio &#xE0; Editora&#xE7;&#xE3;o, do CNPq. Mas nossa comunidade de pesquisadores em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica &#xE9; carente de ve&#xED;culos especializados para a divulga&#xE7;&#xE3;o de sua produ&#xE7;&#xE3;o. Os poucos peri&#xF3;dicos de que dispomos vivem com as dificuldades pr&#xF3;prias das revistas que, por n&#xE3;o estarem vinculados &#xE0; Cole&#xE7;&#xE3;o SciELO, sequer podem submeter solicita&#xE7;&#xF5;es de financiamento aos editais abertos pelas ag&#xEA;ncias de fomento e avalia&#xE7;&#xE3;o. Com isso, operam de forma menos &#xE1;gil, for&#xE7;osamente n&#xE3;o cumprindo aquelas normas exigidas para inscri&#xE7;&#xE3;o na Cole&#xE7;&#xE3;o, do que se mant&#xE9;m o j&#xE1; conhecido c&#xED;rculo vicioso: afastadas da Cole&#xE7;&#xE3;o, sofrem pela car&#xEA;ncia de recursos que, por sua vez, as afasta cada vez mais da Cole&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Deve-se considerar tamb&#xE9;m, nesse panorama, que a participa&#xE7;&#xE3;o na Cole&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; uma empreitada barata: as exig&#xEA;ncias cada vez mais sofisticadas do SciELO &#x2013; seja relativa &#xE0;s imposi&#xE7;&#xF5;es no formato de apresenta&#xE7;&#xE3;o dos manuscritos, seja no que diz respeito ao sistema no qual transitam esses manuscritos para disponibiliza&#xE7;&#xE3;o na plataforma da Cole&#xE7;&#xE3;o &#x2013; s&#xE3;o onerosas, e muitas vezes, para serem adequadamente atendidas, implicam a contrata&#xE7;&#xE3;o de ag&#xEA;ncias especializadas, muitas delas surgidas exclusivamente para atender a essa demanda, movimentando um mercado novo &#x2013; aquele voltado aos peri&#xF3;dicos que participam da Cole&#xE7;&#xE3;o. Tamb&#xE9;m n&#xE3;o se deve esquecer das imposi&#xE7;&#xF5;es feitas aos editores: a pr&#xF3;pria Cole&#xE7;&#xE3;o, os indexadores e as ag&#xEA;ncias de financiamento e avalia&#xE7;&#xE3;o parecem se esquecer de que, pelo menos no Brasil, os editores das revistas cient&#xED;ficas &#x2013; ao contr&#xE1;rio do que ocorre em muitas institui&#xE7;&#xF5;es estrangeiras &#x2013; n&#xE3;o s&#xE3;o profissionais que atuam apenas como editores: eles s&#xE3;o professores de cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o e p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o e, como tal, devem preocupar-se tamb&#xE9;m com aulas, avalia&#xE7;&#xF5;es, relat&#xF3;rios, orienta&#xE7;&#xF5;es, eventos, gest&#xE3;o etc. al&#xE9;m de exercer sua fun&#xE7;&#xE3;o como editores. Curiosamente, visando mais a atender a esse mercado e menos voltadas &#xE0;s necessidades e limita&#xE7;&#xF5;es dos editores, as pr&#xF3;prias institui&#xE7;&#xF5;es que mant&#xEA;m as revistas refor&#xE7;am as exig&#xEA;ncias, em vez de question&#xE1;-las tendo como base suas pr&#xF3;prias (im)possibilidades.</p>
<p>As ag&#xEA;ncias de financiamento e avalia&#xE7;&#xE3;o, por sua vez, n&#xE3;o t&#xEA;m considerado devidamente esse panorama ca&#xF3;tico no qual s&#xE3;o produzidas e circulam as revistas cient&#xED;ficas. Nos &#xFA;ltimos anos, o sistema Qualis-CAPES, talvez visando &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o de uma demanda qualificada com uma ader&#xEA;ncia mais clara em rela&#xE7;&#xE3;o a algumas &#xE1;reas, foi flexibilizado de forma radical e um tanto artificializada, sem que a essa flexibiliza&#xE7;&#xE3;o tenha acompanhado a divulga&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica dos argumentos que permitem a peri&#xF3;dicos de caracter&#xED;sticas e hist&#xF3;ricos muito distintos se situarem num mesmo estrato. Al&#xE9;m disso, deve-se apontar a inefic&#xE1;cia &#x2013; a inexist&#xEA;ncia, na verdade &#x2013; de pol&#xED;ticas da CAPES quanto &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o de novos peri&#xF3;dicos, num panorama em que, por exemplo, foram institu&#xED;dos in&#xFA;meros Programas de Mestrado Profissional cuja produ&#xE7;&#xE3;o, necessariamente distinta daquela dos Programas Acad&#xEA;micos, n&#xE3;o &#xE9; divulgada, via de regra, nos peri&#xF3;dicos tradicionais. Criar bancos de dados p&#xFA;blicos, de livre acesso, com os produtos educacionais gerados pelos Mestrados Profissionais n&#xE3;o &#xE9; a&#xE7;&#xE3;o suficiente por v&#xE1;rios motivos. Um deles &#x2013; talvez o mais &#xF3;bvio &#x2013; seja o fato de que os docentes desses Mestrados Profissionais est&#xE3;o sujeitos &#xE0;s mesmas cobran&#xE7;as institucionais dos pesquisadores vinculados a Programas Acad&#xEA;micos, mas t&#xEA;m, usualmente, seus trabalhos reprovados nas revistas cient&#xED;ficas dada a natureza distinta dessas produ&#xE7;&#xF5;es em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;quelas que historicamente esses peri&#xF3;dicos divulgam. Essa situa&#xE7;&#xE3;o agrava-se ainda mais quando consideramos que o sistema Qualis-CAPES, originalmente criado para avalia&#xE7;&#xE3;o de Programas <underline>de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o</underline>, tem sido usado por todas as ag&#xEA;ncias de apoio &#xE0; pesquisa brasileira como padr&#xE3;o para a avalia&#xE7;&#xE3;o de <underline>revistas</underline> e, por extens&#xE3;o, de <underline>pesquisadores</underline>. Ainda que essas avalia&#xE7;&#xF5;es tenham elementos em comum, tomar uma pela outra &#xE9; uma distor&#xE7;&#xE3;o j&#xE1; naturalizada em nosso meio acad&#xEA;mico.</p>
<p>Al&#xE9;m desses estranguladores todos com que se debatem cotidianamente editores de peri&#xF3;dicos cient&#xED;ficos, deve-se fazer men&#xE7;&#xE3;o a um outro complicador para que esse quadro seja minimamente representativo: trata-se da quest&#xE3;o &#xE9;tica.</p>
<p>O aumento dos casos de pl&#xE1;gio &#xE9; tamb&#xE9;m uma manifesta&#xE7;&#xE3;o danosa dessa pol&#xED;tica de produtividade exacerbada, exigida dos pesquisadores. Se at&#xE9; pouco tempo pl&#xE1;gio era um tema que apenas esporadicamente frequentava nossas discuss&#xF5;es, atualmente n&#xE3;o h&#xE1; um colegiado de institui&#xE7;&#xE3;o de ensino superior sequer que n&#xE3;o tenha se deparado com um desses casos lament&#xE1;veis. Antes tratado como exce&#xE7;&#xE3;o vergonhosa, hoje o pl&#xE1;gio est&#xE1; em vias de banaliza&#xE7;&#xE3;o, e n&#xE3;o se estranha que muitas institui&#xE7;&#xF5;es at&#xE9; promovam e sugiram estrat&#xE9;gias artificiais cujo objetivo &#xE9; o aumento acelerado na quantidade da produ&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica dos seus pesquisadores e estudantes de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o. Como resultado disso, passaram a ser usuais os detectores de pl&#xE1;gio e autopl&#xE1;gio, que tornam ainda mais complicada a din&#xE2;mica de gerenciamento das revistas.</p>
<p>Atua como outro complicador decisivo da produ&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica, no que diz respeito &#xE0; quest&#xE3;o &#xE9;tica, as imposi&#xE7;&#xF5;es da Plataforma Brasil, algumas delas absurdamente rid&#xED;culas, aplicadas muitas vezes sem qualquer reflex&#xE3;o das Comiss&#xF5;es de &#xC9;tica que as exigem. N&#xE3;o se pode esquecer que, ponto nodal dessas discuss&#xF5;es sobre &#xC9;tica em pesquisa &#x2013; que infelizmente quase n&#xE3;o t&#xEA;m espa&#xE7;o nos Programas de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o, esses nossos centros formadores de pesquisadores &#x2013;, &#xE9; o anacronismo de mantermos regulamenta&#xE7;&#xF5;es ditadas por algumas &#xE1;reas e impostas a todas as demais &#xE1;reas do conhecimento: nossa Comiss&#xE3;o Nacional de &#xC9;tica em Pesquisa (CONEP) &#xE9; uma comiss&#xE3;o do Conselho Nacional de Sa&#xFA;de (CNS). Esfor&#xE7;os para reverter esse quadro de distor&#xE7;&#xE3;o t&#xEA;m sido feitos no sentido de incluir nas regulamenta&#xE7;&#xF5;es, pelo menos, itens espec&#xED;ficos que atendam mais adequadamente, por exemplo, a pesquisa em Ci&#xEA;ncias Humanas. Esses esfor&#xE7;os, entretanto, esbarram na trucul&#xEA;ncia desnecess&#xE1;ria, mas reveladora, das lideran&#xE7;as do CNS.</p>
<p>Este editorial, em s&#xED;ntese, foi pensado como uma tentativa de contribuir tanto para a defesa da flexibiliza&#xE7;&#xE3;o das exig&#xEA;ncias nos editais de financiamento a revistas &#x2013; para que novos peri&#xF3;dicos possam ser criados e os j&#xE1; atuantes possam desenvolver-se ainda mais, de modo a atender convenientemente nossa comunidade &#x2013;, quanto para incorporar uma voz ao discurso sobre a necessidade de repensar as normatiza&#xE7;&#xF5;es relativas &#xE0; &#xC9;tica em pesquisa no Brasil; denunciando alguns estrangulamentos que n&#xF3;s, editores, e toda nossa comunidade, sofremos, sem desconsiderar, &#xE9; certo, o momento ca&#xF3;tico pelo qual passamos.</p>
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<collab>CONSELHO NACIONAL DE SA&#xDA;DE</collab></person-group>
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