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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pró-Reitoria de Pesquisa; Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
<article-id pub-id-type="publisher-id">1980-4415v34n66e01</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1980-4415v34n66e01</article-id>
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<subject>Editorial</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Apontamentos para um Estudo sobre a G&#xEA;nese da pesquisa em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no Brasil: a Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem Matem&#xE1;tica em Guarapuava/PR</article-title>
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<trans-title>Notes for a Study on the Genesis of Research in Mathematics Education in Brazil: Specialization in Mathematical Modelling in Guarapuava / PR</trans-title></trans-title-group>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-5110-0234</contrib-id>
<name><surname>Malinoski</surname><given-names>Leoni</given-names><suffix>Fillos</suffix></name> <xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref> <xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-0750-8483</contrib-id>
<name><surname>Garnica</surname><given-names>Antonio Vicente Marafioti</given-names></name> <xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref> <xref ref-type="corresp" rid="c2"/></contrib>
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<institution content-type="orgname">Docente da Universidade Estadual do Centro Oeste</institution>
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<named-content content-type="city">Irati</named-content>
<named-content content-type="state">Paran&#xE1;</named-content></addr-line>
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<institution content-type="original">Doutora em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual Paulista &#x201C;J&#xFA;lio de Mesquita Filho&#x201D; (Unesp, campus Rio Claro). Docente da Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO), Irati, Paran&#xE1;, Brasil.</institution></aff>
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<label>**</label>
<institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista &#x201C;J&#xFA;lio de Mesquita Filho&#x201D;</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Matem&#xE1;tica</institution>
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<named-content content-type="city">Bauru</named-content>
<named-content content-type="state">S&#xE3;o Paulo</named-content></addr-line>
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<institution content-type="original">Doutor em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual Paulista &#x201C;J&#xFA;lio de Mesquita Filho&#x201D; (Unesp, campus Rio Claro). Livre-docente pelo Departamento de Matem&#xE1;tica da Universidade Estadual Paulista &#x201C;J&#xFA;lio de Mesquita Filho&#x201D; (Unesp), Bauru, S&#xE3;o Paulo, Brasil.</institution></aff></contrib-group>
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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua Ladislau Griczinski, 429, Centro, Irati, Paran&#xE1;, Brasil, CEP: <!--<postal-code>84502-244</postal-code>-->. E-mail: <email>leonimfillos@hotmail.com</email>.</corresp>
<corresp id="c2">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Avenida Na&#xE7;&#xF5;es Unidas, 11-35/1101, Centro, Bauru, S&#xE3;o Paulo, CEP: <!--<postal-code>17010-130</postal-code>-->. E-mail: <email>vicente.garnica@unesp.br</email>.</corresp></author-notes>
<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
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<p>H&#xE1; uma s&#xE9;rie de fatores &#x2013; muitos al&#xE9;m daqueles que traremos &#xE0; cena neste texto &#x2013; que operam como ingredientes a partir dos quais vai se delineando o que hoje conhecemos pela rubrica &#x201C;pesquisa em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no Brasil&#x201D;. Falar de uma g&#xEA;nese, portanto, n&#xE3;o &#xE9; detectar um ponto, uma circunst&#xE2;ncia, uma pessoa ou um grupo a partir dos quais algo &#xE9; gerado, se desenvolve e se consolida, dado que essas s&#xE3;o situa&#xE7;&#xF5;es dificilmente detect&#xE1;veis fora de um entremeado de a&#xE7;&#xF5;es, institui&#xE7;&#xF5;es, acasos, ger&#xEA;ncias, inger&#xEA;ncias, inten&#xE7;&#xF5;es, fracassos e sucessos que n&#xE3;o se pode descrever de forma linear, nem se compreender se n&#xE3;o de um modo, digamos, rizom&#xE1;tico, sempre considerando a vincula&#xE7;&#xE3;o visceral entre pessoas, institui&#xE7;&#xF5;es, circunst&#xE2;ncias e eventos. Se esses nossos apontamentos tentam contribuir para estudos sobre a g&#xEA;nese da pesquisa em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no Brasil, &#xE9; nesses termos que o fazemos, do que se torna t&#xE3;o conveniente quanto necess&#xE1;rio situar, como essas nossas considera&#xE7;&#xF5;es foram engendradas.</p>
<p>A pesquisa da qual se originaram esses apontamentos (<xref ref-type="bibr" rid="B15">FILLOS, 2019</xref>) teve como inten&#xE7;&#xE3;o inicial analisar a din&#xE2;mica de idealiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento dos primeiros cursos de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem Matem&#xE1;tica, ocorridos em Guarapuava, Paran&#xE1;, nos idos dos anos 80, de modo a compreender alguns dos determinantes pol&#xED;ticos e sociais para a sua realiza&#xE7;&#xE3;o no contexto da forma&#xE7;&#xE3;o continuada dos professores daquela d&#xE9;cada. Estudamos o movimento de cria&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento da Funda&#xE7;&#xE3;o Faculdade de Filosofia, Ci&#xEA;ncias e Letras de Guarapuava, os embates pol&#xED;ticos, desafios e contradi&#xE7;&#xF5;es at&#xE9; a sua transforma&#xE7;&#xE3;o em Universidade, &#xE0; luz de depoimentos<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> tanto dos professores e administradores da institui&#xE7;&#xE3;o, quanto de professores que propuseram e/ou desenvolveram os cursos de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem Matem&#xE1;tica, al&#xE9;m de documentos e outras fontes que nos permitiram uma aproxima&#xE7;&#xE3;o a esse contexto hist&#xF3;rico. Portanto, arbitramos a d&#xE9;cada de 1980 e os cursos de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem Matem&#xE1;tica de Guarapuava como in&#xED;cio dessa nossa pesquisa. As conex&#xF5;es entre esses cursos e outros v&#xE1;rios ingredientes que, &#xE0; &#xE9;poca, de algum modo, convergiram para criar e levar &#xE0; consolida&#xE7;&#xE3;o do campo de pesquisa em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no Brasil s&#xE3;o o ponto focal dos apontamentos que apresentamos aqui.</p>
<sec>
<title>1 Uma institui&#xE7;&#xE3;o no interior do Paran&#xE1;</title>
<p>O cen&#xE1;rio desse nosso estudo tem como uma de suas principais marcas a Funda&#xE7;&#xE3;o Faculdade Estadual de Filosofia, Ci&#xEA;ncias e Letras de Guarapuava (Fafig), entidade de Ensino Superior criada em julho de 1968, pela lei 5.804 do Estado do Paran&#xE1;, no &#xE2;mbito de uma pol&#xED;tica desenvolvimentista do governo do estado e de um projeto de na&#xE7;&#xE3;o contradit&#xF3;rio e conservador, j&#xE1; que pass&#xE1;vamos por um momento pol&#xED;tico em que o Estado brasileiro estava organizado em bases autorit&#xE1;rias, que se fundara por meio de um golpe de estado e que definira como classe pol&#xED;tica dirigente um grupo de militares. O pa&#xED;s estava inserido em um regime ditatorial apoiado pelo capital internacional que visava, de forma incisiva, a implantar pol&#xED;ticas de moderniza&#xE7;&#xE3;o e abrir espa&#xE7;o no mercado interno para as multinacionais.</p>
<p>No Ensino Superior, a contraditoriedade se revelava de maneira expl&#xED;cita nas a&#xE7;&#xF5;es e regulamenta&#xE7;&#xF5;es da &#xE9;poca. Por um lado, o governo federal exercia total controle ideol&#xF3;gico e pol&#xED;tico do ensino, com vistas a eliminar a cr&#xED;tica social e pol&#xED;tica, a partir de violenta interven&#xE7;&#xE3;o nas universidades, repress&#xE3;o, demiss&#xF5;es, ex&#xED;lio e total desarticula&#xE7;&#xE3;o de movimentos estudantis. Por outro lado, apostava em uma pol&#xED;tica de amplia&#xE7;&#xE3;o da oferta de vagas e de expans&#xE3;o das Institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior (IES) em todo pa&#xED;s, em resposta &#xE0; press&#xE3;o exercida pela classe m&#xE9;dia, que exigia mais vagas em faculdades e universidades para acabar com o problema dos excedentes<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. O discurso nacionalista de moderniza&#xE7;&#xE3;o, frente ao desenvolvimento da economia e das tecnologias e da necessidade de m&#xE3;o de obra qualificada, contribu&#xED;a para a elabora&#xE7;&#xE3;o de projetos de amplia&#xE7;&#xE3;o da rede de institui&#xE7;&#xF5;es de n&#xED;vel superior<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Ironicamente, &#xE9; no primeiro dec&#xEA;nio do regime militar que ocorre a grande expans&#xE3;o desse n&#xED;vel de ensino no Brasil que a ditadura t&#xE3;o fortemente combateria, caracterizando-o como um nicho de libert&#xE1;rios comunistas, algo n&#xE3;o muito distante da tentativa de desqualifica&#xE7;&#xE3;o que se tem, hoje, como as insinua&#xE7;&#xF5;es de balb&#xFA;rdia do Ensino Superior brasileiro.</p>
<p>No Paran&#xE1;, a estrat&#xE9;gia adotada pelo governo de Paulo Pimentel<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> &#x2013; forte aliado do governo militar &#x2013; ao assumir o estado em 1965, foi sedimentar a pol&#xED;tica e a economia no modelo que ficou conhecido como &#x201C;ideologia do desenvolvimento integrado&#x201D;, um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es governamentais que buscava integrar regi&#xF5;es, &#xE1;reas, diversos setores de atividade e diferentes camadas populacionais ao processo de expans&#xE3;o do capitalismo monopolista no Estado, incluindo a incorpora&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas voltadas para o setor social (educa&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, saneamento, habita&#xE7;&#xE3;o) e de forma&#xE7;&#xE3;o de recursos humanos qualificados. Dentre outras a&#xE7;&#xF5;es, fazia parte dessa estrat&#xE9;gia de desenvolvimento a proposta de expans&#xE3;o e interioriza&#xE7;&#xE3;o do Ensino Superior no Paran&#xE1; como fator de consolida&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento das cidades interioranas e amplia&#xE7;&#xE3;o das oportunidades de forma&#xE7;&#xE3;o e das demandas de servi&#xE7;o de educa&#xE7;&#xE3;o e sa&#xFA;de (<xref ref-type="bibr" rid="B32">SHEEN, 2000</xref>).</p>
<p>De fato, durante o governo de Paulo Pimentel, a expans&#xE3;o e interioriza&#xE7;&#xE3;o ganha for&#xE7;a e, nesse contexto, s&#xE3;o institu&#xED;das, pela lei n&#xB0; 6.034, de 06 de novembro de 1969, as tr&#xEA;s primeiras universidades no interior do estado<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>, a partir da reuni&#xE3;o de estabelecimentos de Ensino Superior da regi&#xE3;o de abrang&#xEA;ncia: a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade Estadual de Maring&#xE1; (UEM). Tamb&#xE9;m s&#xE3;o criadas diversas institui&#xE7;&#xF5;es isoladas de ensino<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>, dentre as quais a Faculdade de Filosofia, Ci&#xEA;ncias e Letras de Guarapuava, no centro-oeste do Paran&#xE1;.</p>
<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B19">Fonseca (1992)</xref>, um fator que contribuiu para a cria&#xE7;&#xE3;o das institui&#xE7;&#xF5;es isoladas, que exigiam investimentos menores, foi o processo de interioriza&#xE7;&#xE3;o. Refor&#xE7;ado pelo conceito de que a educa&#xE7;&#xE3;o induz ao desenvolvimento econ&#xF4;mico, o provincialismo das cidades do interior encontrava na instala&#xE7;&#xE3;o de uma escola superior a oportunidade do munic&#xED;pio conquistar o prest&#xED;gio enfraquecido pelo desenvolvimento das &#xE1;reas metropolitanas.</p>
<p>A Fafig, portanto, foi criada em um momento pol&#xED;tico favor&#xE1;vel para a expans&#xE3;o das IES e sob o discurso da moderniza&#xE7;&#xE3;o e do desenvolvimento, no contexto paradoxal dos &#x201C;Anos de Chumbo<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>&#x201D; e do &#x201C;Milagre Econ&#xF4;mico Brasileiro&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. N&#xE3;o foi um processo isolado no interior do Paran&#xE1;: esteve articulado a um projeto de na&#xE7;&#xE3;o que vinha sendo delineado pelas elites econ&#xF4;micas e pol&#xED;ticas desde o in&#xED;cio do regime militar. N&#xE3;o podemos desconsiderar, entretanto, que esse processo foi resultante tamb&#xE9;m de um jogo de for&#xE7;as e muita press&#xE3;o local frente ao governo de Estado.</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B26">Marcondes (1985)</xref>, desde o in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1950 j&#xE1; ocorriam manifesta&#xE7;&#xF5;es na sociedade guarapuavana em prol de uma institui&#xE7;&#xE3;o de Ensino Superior. Como a economia do munic&#xED;pio era predominantemente voltada &#xE0; agropecu&#xE1;ria, o objetivo inicial era criar uma Escola de Agronomia e Veterin&#xE1;ria, cujo projeto, por&#xE9;m, apresentado na Assembleia Legislativa do Estado em 1953, foi vetado com a justificativa de alto custo para os cofres p&#xFA;blicos e de escassez de corpo docente qualificado.</p>
<p>Passou-se ent&#xE3;o a discutir a possibilidade de cria&#xE7;&#xE3;o de uma Faculdade de Filosofia, tendo em vista que a quase totalidade do corpo docente das escolas de Ensino M&#xE9;dio no munic&#xED;pio era leiga. Em meados da d&#xE9;cada de 1960, Guarapuava contava com uma popula&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;xima a 100 mil habitantes e carecia de profissionais capacitados para as diversas fun&#xE7;&#xF5;es que o munic&#xED;pio requisitava. O aumento populacional gerou a necessidade de escolariza&#xE7;&#xE3;o e forma&#xE7;&#xE3;o de professores para atender a demanda.</p>
<p>Mesmo diante da necessidade flagrante de professores, foram muitos embates pol&#xED;ticos, forte press&#xE3;o da imprensa local e regional e intensas mobiliza&#xE7;&#xF5;es frente ao governo do Estado at&#xE9; a cria&#xE7;&#xE3;o da faculdade. Merece destaque a importante atua&#xE7;&#xE3;o da Congrega&#xE7;&#xE3;o dos Padres Salvatorianos<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> &#x2013; especialmente dos padres Francisco Contini e Eg&#xED;dio Ragassi &#x2013; que se uniu &#xE0; comunidade pol&#xED;tica local para elabora&#xE7;&#xE3;o do projeto de cria&#xE7;&#xE3;o da faculdade e, posteriormente, cedeu o im&#xF3;vel para a instala&#xE7;&#xE3;o da institui&#xE7;&#xE3;o. A press&#xE3;o exercida por vereadores, prefeitos e deputados da regi&#xE3;o foi tamb&#xE9;m determinante para a consolida&#xE7;&#xE3;o do ato de cria&#xE7;&#xE3;o da faculdade. No ano de 1967, o deputado estadual Moacyr Julio Silvestre, posteriormente prefeito de Guarapuava, apresentou na Assembleia Estadual do Paran&#xE1; o projeto de lei 37/67 que, no ano seguinte, foi aprovado pelo ent&#xE3;o governador do Paran&#xE1;.</p>
<p>Ap&#xF3;s a assinatura do decreto de cria&#xE7;&#xE3;o da Fafig, a comunidade guarapuavana teve que esperar ainda um ano e meio para que a faculdade fosse instalada, devido ao tr&#xE2;mite burocr&#xE1;tico legal exigido pelas regulamenta&#xE7;&#xF5;es. Em janeiro de 1970, o Presidente da Rep&#xFA;blica, General Em&#xED;lio Garrastazu M&#xE9;dici<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>, autorizava, enfim, o funcionamento da Fafig, marcando o in&#xED;cio do Ensino Superior em Guarapuava<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>.</p>
<p>A Faculdade come&#xE7;ou a funcionar como uma autarquia e, adaptando-se &#xE0; Lei Estadual n&#xB0; 6034, de 06 de novembro de 1969<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>, foi transformada em uma Funda&#xE7;&#xE3;o de Direito P&#xFA;blico, passando a denominar-se Funda&#xE7;&#xE3;o Faculdade Estadual de Filosofia, Ci&#xEA;ncias e Letras de Guarapuava, sendo o primeiro diretor o Pe. Francisco Contini, da Congrega&#xE7;&#xE3;o dos Salvatorianos.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Os primeiros anos da Fafig</title>
<p>As atividades acad&#xEA;micas na Fafig foram iniciadas em mar&#xE7;o de 1970 com quatro cursos de licenciatura: Letras, Hist&#xF3;ria, Geografia e Matem&#xE1;tica. O curso de Pedagogia, que inicialmente fazia parte do projeto, foi considerado &#x201C;desnecess&#xE1;rio&#x201D;, porque a profiss&#xE3;o de pedagogo ainda n&#xE3;o era regulamentada e n&#xE3;o se via a necessidade do professor do Ensino Prim&#xE1;rio possuir uma forma&#xE7;&#xE3;o superior, sendo suficiente a forma&#xE7;&#xE3;o no Ensino Normal<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> (<xref ref-type="bibr" rid="B26">MARCONDES, 1985</xref>). Os alunos interessados na &#xE1;rea de Pedagogia tiveram que esperar ainda alguns anos para que o curso fosse autorizado<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>.</p>
<p>O processo de reconhecimento dos primeiros cursos junto ao Minist&#xE9;rio de Educa&#xE7;&#xE3;o e Cultura (MEC) teve in&#xED;cio dois anos depois de efetivo funcionamento da Faculdade. Quando as primeiras turmas estavam se formando, em 1973, o Conselho Federal de Educa&#xE7;&#xE3;o (CFE) j&#xE1; havia se pronunciado favoravelmente ao reconhecimento dos quatro cursos.</p>
<p>Os alunos aprovados no primeiro vestibular, em fevereiro de 1970, eram, em sua maioria, professores que j&#xE1; lecionavam em escolas da regi&#xE3;o. Este cen&#xE1;rio era muito comum na &#xE9;poca em todo o Brasil, uma vez que, devido &#xE0; escassez de professores formados, muitas pessoas que possu&#xED;am apenas Ensino M&#xE9;dio, &#xE0;s vezes incompleto, atuavam como docentes em escolas de n&#xED;vel m&#xE9;dio. Com o tempo, esses professores procuravam regularizar a situa&#xE7;&#xE3;o profissional, prestando exames de sufici&#xEA;ncia<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>, frequentando programas emergenciais<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> ou se matriculando em cursos de licenciatura (<xref ref-type="bibr" rid="B27">MARTINS-SALANDIM, 2012</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B28">MORAIS, 2017</xref>).</p>
<p>Apesar da Fafig ser uma institui&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica estadual, os alunos pagavam uma mensalidade, assim como em outras IES rec&#xE9;m criadas no Paran&#xE1;, embora fossem mais baratas que as institui&#xE7;&#xF5;es privadas. O ensino s&#xF3; era de fato gratuito nas institui&#xE7;&#xF5;es federais. N&#xE3;o havia ainda lei federal alguma que obrigasse o Estado a arcar com o financiamento integral do Ensino Superior. Esse sistema de pagamento, que contribu&#xED;a para a elitiza&#xE7;&#xE3;o do ensino, iria perdurar por quase duas d&#xE9;cadas na Fafig. A gratuidade do Ensino Superior no Paran&#xE1; s&#xF3; foi garantida ap&#xF3;s a mobiliza&#xE7;&#xE3;o das faculdades e universidades estaduais, marcada pela presen&#xE7;a estudantil e pela Uni&#xE3;o Paranaense de Estudantes (UPE), que exerceram forte press&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>.</p>
<p>Quanto aos primeiros professores que lecionaram na Fafig, quase todos eram procedentes de Ponta Grossa e rec&#xE9;m-formados pela recente universidade instalada naquela cidade. A maioria, bastante jovem, viu-se desafiada a lecionar para turmas de professores, muitos deles com anos de experi&#xEA;ncia profissional no ensino regular. Muitos docentes passaram a enfrentar dupla ou tripla jornada de trabalho em Guarapuava, pois al&#xE9;m de atuarem na Faculdade, trabalhavam em escolas da regi&#xE3;o. Alguns deles assumiram fun&#xE7;&#xF5;es administrativas na institui&#xE7;&#xE3;o. Assim que as primeiras turmas conclu&#xED;ram os cursos na Faculdade, alguns alunos rec&#xE9;m-formados passaram a integrar o corpo docente da mesma institui&#xE7;&#xE3;o, um movimento natural a quase todos os cursos superiores brasileiros. Nesse contexto, quando a Fafig come&#xE7;ou a funcionar, 90% ou quase 100% dos professores eram apenas graduados, nos relata Garcia em <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fillos (2019)</xref>, apesar da legisla&#xE7;&#xE3;o da &#xE9;poca j&#xE1; relacionar a ascens&#xE3;o na carreira docente &#xE0; obten&#xE7;&#xE3;o de t&#xED;tulos de Mestrado e Doutorado. Cabia aos cursos <italic>stricto sensu</italic>, al&#xE9;m do desenvolvimento da pesquisa, formar quadros para o magist&#xE9;rio superior e criar as mais altas formas de cultura universit&#xE1;ria (<xref ref-type="bibr" rid="B25">MARAFON, 2001</xref>).</p>
</sec>
<sec>
<title>3 Especializa&#xE7;&#xE3;o e P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>A P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o na legisla&#xE7;&#xE3;o brasileira &#xE9; definida a partir de duas modalidades: <italic>lato sensu</italic>, que corresponde aos cursos de Especializa&#xE7;&#xE3;o e de Aperfei&#xE7;oamento, e <italic>stricto sensu</italic>, que abrange os cursos de Mestrado e de Doutorado. Historicamente, ambas t&#xEA;m se constitu&#xED;do em um importante instrumento de qualifica&#xE7;&#xE3;o de profissionais das mais distintas &#xE1;reas do saber, por&#xE9;m, enquanto o <italic>stricto sensu</italic> tem merecido aten&#xE7;&#xE3;o e incentivos tanto das pol&#xED;ticas de governo quanto da pesquisa acad&#xEA;mica, o <italic>lato sensu</italic> nem sempre teve sua natureza e seus objetivos bem explicitados nas regulamenta&#xE7;&#xF5;es. Grande parte dos pareceres e resolu&#xE7;&#xF5;es limita-se a conceituar essa modalidade de ensino real&#xE7;ando somente seu aspecto pr&#xE1;tico-profissional. Ao longo dos anos, ela tem se desenvolvido &#x201C;sem identidade conceitual, desvinculada do sistema nacional de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o e, em muitos casos, ex&#xF3;gena &#xE0; pol&#xED;tica de gradua&#xE7;&#xE3;o e ao pr&#xF3;prio eixo estrutural da pol&#xED;tica de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">FONSECA, 2004</xref>, p. 176).</p>
<p>A express&#xE3;o &#x201C;p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o&#x201D; aparece pela primeira vez na legisla&#xE7;&#xE3;o em 1946, em decreto que firma o Estatuto da Universidade do Brasil. &#xC9; utilizada para definir os cursos universit&#xE1;rios destinados aos diplomados, com a finalidade de forma&#xE7;&#xE3;o sistem&#xE1;tica de especializa&#xE7;&#xE3;o profissional. Posteriormente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educa&#xE7;&#xE3;o Nacional (LDB) n&#xB0; 4.024/61 deu o primeiro passo na regulamenta&#xE7;&#xE3;o dos cursos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o ao distinguir tr&#xEA;s categorias de Ensino Superior: (a) gradua&#xE7;&#xE3;o, (b) p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o e (c) especializa&#xE7;&#xE3;o, aperfei&#xE7;oamento e extens&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B8">BRASIL, 1961</xref>).</p>
<p>Ao enquadrar os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o e aperfei&#xE7;oamento em uma categoria distinta da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o, sem uma defini&#xE7;&#xE3;o clara, a lei n&#xB0; 4.024 deu abertura para que institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior utilizassem de maneira equivocada esses termos. Por isso, em 1965, o Conselho Federal de Educa&#xE7;&#xE3;o, com a colabora&#xE7;&#xE3;o do professor Newton Sucupira, emitiu o parecer 977 que regulamentou a p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o e deliberou seus objetivos nos seguintes termos:</p>
<list list-type="order">
<list-item>
<p>formar professorado competente que possa atender &#xE0; expans&#xE3;o quantitativa do nosso ensino superior, garantindo, ao mesmo tempo, a eleva&#xE7;&#xE3;o dos atuais n&#xED;veis de qualidade;</p></list-item>
<list-item>
<p>estimular o desenvolvimento da pesquisa cient&#xED;fica por meio da prepara&#xE7;&#xE3;o adequada de pesquisadores;</p></list-item>
<list-item>
<p>assegurar o treinamento eficaz de t&#xE9;cnicos e trabalhadores, intelectuais do mais alto padr&#xE3;o para fazer face ao desenvolvimento nacional em todos os setores (<xref ref-type="bibr" rid="B9">BRASIL, 1965</xref>).</p></list-item></list>
<p>Este parecer, seguindo modelo norte-americano, definiu os dois tipos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o no Brasil: <italic>stricto sensu,</italic> com objetivo de natureza acad&#xEA;mica, de pesquisa e de cultura; e <italic>lato sensu</italic>, com finalidade eminentemente pr&#xE1;tica, voltado &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o de profissionais para o mercado de trabalho. Tal dispositivo representa um marco importante da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>stricto sensu</italic>, uma vez que estabeleceu princ&#xED;pios gerais que orientam sua organiza&#xE7;&#xE3;o e funcionamento. J&#xE1; os cursos <italic>lato sensu</italic> permaneceram sem uma regulamenta&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica que deliberasse quais eram seus objetivos e com que finalidade os certificados poderiam ser utilizados, carecendo, portanto, de conceitua&#xE7;&#xE3;o e delimita&#xE7;&#xE3;o precisa de sua fun&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Desse modo, se por um lado o Parecer Sucupira representa um texto fundador da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o sistem&#xE1;tica no Brasil, por outro, pode ser visto como a refer&#xEA;ncia que provocaria uma divis&#xE3;o radical entre os cursos de &#x201C;p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o sistem&#xE1;tica&#x201D; daqueles de &#x201C;p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o sistem&#xE1;tica&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">FONSECA, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ABR&#xC3;O, 2007</xref>).</p>
<p>Em 1968, o relat&#xF3;rio elaborado pelo Grupo de Trabalho encarregado de estudar a reforma da Universidade Brasileira (GTRU) definiu a p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o como a c&#xFA;pula de estudos em que deveria se desenvolver a pesquisa cient&#xED;fica e se formar os quadros do magist&#xE9;rio superior e, portanto, como &#x201C;condi&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica para transformar a Universidade brasileira em centro criador de ci&#xEA;ncias, de cultura e de novas t&#xE9;cnicas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B10">BRASIL, 1968</xref>, p. 39). Da mesma forma que o Parecer Sucupira, o relat&#xF3;rio do GTRU insistia na urg&#xEA;ncia de uma pol&#xED;tica nacional que centralizasse esfor&#xE7;os na institucionaliza&#xE7;&#xE3;o de programas de Mestrado e Doutorado, estimulando iniciativas para forma&#xE7;&#xE3;o do professor do Ensino Superior. A lei 5.540/68, tamb&#xE9;m chamada de Lei da Reforma Universit&#xE1;ria, amparada por outros decretos, passou a refor&#xE7;ar a necessidade de t&#xED;tulos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o (Mestrado ou Doutorado) para a contrata&#xE7;&#xE3;o e promo&#xE7;&#xE3;o de professores universit&#xE1;rios.</p>
<p>Em que pesem os avan&#xE7;os desses dispositivos legais, indicando a necessidade de estudos p&#xF3;s-graduados aos docentes do Ensino Superior, em cidades interioranas do Brasil a realidade era outra. Em Guarapuava, por exemplo, em que um enorme contingente de professores das escolas regulares, no in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1970, sequer tinha gradua&#xE7;&#xE3;o, n&#xE3;o era poss&#xED;vel compor o quadro de docentes da Faculdade rec&#xE9;m instalada no munic&#xED;pio com professores mestres ou doutores. Alguns professores da Faculdade de Guarapuava, nesse tempo, se matricularam em programas de Mestrado, mas as dificuldades eram enormes porque tinham que viajar toda semana para assistir aula, j&#xE1; que era imposs&#xED;vel afast&#xE1;-los de suas atividades acad&#xEA;micas. Ainda assim, resultado das pol&#xED;ticas que vinham sendo desenvolvidas pelo MEC para o Ensino Superior, os professores das IES passaram a n&#xE3;o se sentir seguros e a perceber a necessidade de prosseguir os estudos em cursos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o. Alunos que conclu&#xED;am a gradua&#xE7;&#xE3;o e aspiravam &#xE0; doc&#xEA;ncia no Ensino Superior tamb&#xE9;m passaram a buscar programas de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o. Diante das dificuldades e da escassez de programas <italic>stricto sensu</italic>, procuravam fazer pelo menos uma especializa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>A validade dos certificados de aperfei&#xE7;oamento e especializa&#xE7;&#xE3;o como instrumento de qualifica&#xE7;&#xE3;o na carreira do magist&#xE9;rio superior foi legalizada pelo Conselho Federal de Educa&#xE7;&#xE3;o com a aprova&#xE7;&#xE3;o da resolu&#xE7;&#xE3;o n.&#xB0; 14/77, considerada a primeira regulamenta&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica para a p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>lato sensu</italic>. Dentre as determina&#xE7;&#xF5;es dessa resolu&#xE7;&#xE3;o destacam-se algumas, como a que os cursos de aperfei&#xE7;oamento e especializa&#xE7;&#xE3;o fossem ministrados por institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior que oferecessem curso de gradua&#xE7;&#xE3;o reconhecido ou curso de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o credenciado e a defini&#xE7;&#xE3;o da carga hor&#xE1;ria m&#xED;nima de 360 horas, realizada no m&#xE1;ximo em dois anos, sendo pelo menos 72 horas dedicadas a mat&#xE9;rias complementares e de forma&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gica (<xref ref-type="bibr" rid="B11">BRASIL, 1977</xref>).</p>
<p>A resolu&#xE7;&#xE3;o CFE n&#xB0; 14/1977 vigorou por seis anos e foi revogada com a publica&#xE7;&#xE3;o da resolu&#xE7;&#xE3;o CFE n&#xB0; 12/1983 que ratificava a vincula&#xE7;&#xE3;o dos cursos <italic>lato sensu</italic> &#xE0; carreira docente para o magist&#xE9;rio superior. Dentre as inova&#xE7;&#xF5;es, a nova resolu&#xE7;&#xE3;o previa a inclus&#xE3;o de conte&#xFA;dos de inicia&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pesquisa na carga hor&#xE1;ria dos cursos e determinava que, pelo menos, 60 horas fossem destinadas &#xE0;s disciplinas de forma&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gica, requisitos que indicavam uma preocupa&#xE7;&#xE3;o com a qualifica&#xE7;&#xE3;o dos egressos que (teoricamente) poderiam atuar no Ensino Superior (<xref ref-type="bibr" rid="B12">BRASIL, 1983</xref>).</p>
<p>At&#xE9; 1988 n&#xE3;o havia uma diferencia&#xE7;&#xE3;o na legisla&#xE7;&#xE3;o entre os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o e os de aperfei&#xE7;oamento. Ambos estavam inseridos indistintamente na p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>lato sensu</italic>. Foi o parecer CFE n&#xB0; 69/1988 que apresentou uma caracteriza&#xE7;&#xE3;o dos cursos em fun&#xE7;&#xE3;o da carga hor&#xE1;ria m&#xED;nima, ficando em 180 horas para cursos de aperfei&#xE7;oamento e 360 horas para especializa&#xE7;&#xE3;o. A decis&#xE3;o veio em resposta &#xE0;s regulamenta&#xE7;&#xF5;es que estabeleciam percentuais de acr&#xE9;scimos salariais para os professores federais de acordo com o curso: 10% para especializa&#xE7;&#xE3;o e 5% para aperfei&#xE7;oamento. Como a especializa&#xE7;&#xE3;o implicava o dobro de aumento no sal&#xE1;rio, ficou institu&#xED;do que ela deveria ter, no m&#xED;nimo, o dobro de dura&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o aos de aperfei&#xE7;oamento (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BOLDRIN, 2007</xref>).</p>
<p>Em decorr&#xEA;ncia da expans&#xE3;o das IES no Brasil e da escassez de vagas em cursos <italic>stricto sensu</italic>, na d&#xE9;cada de 1970 e in&#xED;cio dos anos 80, os cursos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>lato sensu</italic>, portanto, se constitu&#xED;ram como medida estrat&#xE9;gica mais adequada para prover o atendimento da crescente demanda por professores para o magist&#xE9;rio superior. A nova conjuntura pol&#xED;tico-educacional, por sua vez, produziu outra perspectiva: uma forma&#xE7;&#xE3;o de professores com inicia&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pesquisa cient&#xED;fica, cujo princ&#xED;pio se estendeu a todos os n&#xED;veis de ensino (<xref ref-type="bibr" rid="B30">OLIVEIRA, 2012</xref>).</p>
</sec>
<sec>
<title>4 Os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o da Fafig</title>
<p>Diante das dificuldades dos docentes da Fafig para frequentar um curso de Mestrado, a sa&#xED;da encontrada pelos dirigentes, nos primeiros anos de funcionamento da institui&#xE7;&#xE3;o, foi investir em cursos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>lato sensu</italic>. Esses cursos, al&#xE9;m de possibilitar a forma&#xE7;&#xE3;o de professores para o Ensino Superior e para o Ensino B&#xE1;sico de Guarapuava, permitiriam &#xE0; institui&#xE7;&#xE3;o angariar mais recursos, uma vez que a verba destinada pelo estado &#xE0; Faculdade era insuficiente e que os cursos seriam pagos pelos alunos.</p>
<p>Nesse contexto, a p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o na Fafig teve in&#xED;cio em 1975, na modalidade de especializa&#xE7;&#xE3;o, sendo ofertados primeiramente os seguintes cursos: Metodologia do Ensino Superior; Geografia Econ&#xF4;mica, Urbana e Agr&#xE1;ria; C&#xE1;lculo Avan&#xE7;ado; Hist&#xF3;ria S&#xF3;cio-Econ&#xF4;mica; Literatura Portuguesa e Brasileira e L&#xED;ngua Portuguesa I. Tais cursos tiveram in&#xED;cio em novembro de 1975 e finalizaram em agosto de 1976, com um total de 375 horas/aula, sendo 4/5 dessa carga hor&#xE1;ria destinada &#xE0;s disciplinas espec&#xED;ficas. Al&#xE9;m disso, todos os cursos contavam com duas disciplinas complementares comuns: Estudo dos Problemas Brasileiros, com 15 horas/aulas &#x2013; ministrada por dois professores, sendo um deles coronel do ex&#xE9;rcito; e Metodologia e T&#xE9;cnicas de Pesquisa, com 60 horas/aula, que evidencia a preocupa&#xE7;&#xE3;o com a forma&#xE7;&#xE3;o de pesquisadores, um dos objetivos da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o, de acordo com o Parecer Sucupira.</p>
<p>A maior parte dos docentes do curso de Especializa&#xE7;&#xE3;o em C&#xE1;lculo Avan&#xE7;ado vinha do IMECC<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e entre eles estava o professor Rodney Carlos Bassanezzi. Conforme se observa nas fontes consultadas, o professor Rodney ministrou tr&#xEA;s disciplinas nessa Especializa&#xE7;&#xE3;o: C&#xE1;lculo Avan&#xE7;ado, Equa&#xE7;&#xF5;es Diferenciais e Estat&#xED;stica e Probabilidade. Outros dois professores do IMECC, Mauro Bianchini e Irineu Salles Batarce, ministraram, respectivamente, Vari&#xE1;veis Complexas e &#xC1;lgebra Linear.</p>
<p>Posteriormente, j&#xE1; na d&#xE9;cada de 1980, houve um crescimento acentuado da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em &#xE2;mbito nacional, tanto <italic>stricto</italic> como <italic>lato sensu</italic>. A Fafig, nesse contexto, promoveu a reorganiza&#xE7;&#xE3;o da especializa&#xE7;&#xE3;o, impulsionando a cria&#xE7;&#xE3;o de novos cursos. Assim, em 1981, os cursos s&#xE3;o retomados sob uma nova estrutura: a carga hor&#xE1;ria &#xE9; distribu&#xED;da em tr&#xEA;s fases e as aulas passaram a se concentrar em per&#xED;odos de f&#xE9;rias escolares. Al&#xE9;m disso, a institui&#xE7;&#xE3;o passou a oferecer alojamento em suas pr&#xF3;prias depend&#xEA;ncias para alunos que residiam fora de Guarapuava, o que barateava os custos de estadia na cidade, algo marcante porque in&#xE9;dito.</p>
<p>Essa estrutura, que aos poucos come&#xE7;ou a ser conhecida nas institui&#xE7;&#xF5;es de ensino, passou a atrair um contingente muito grande de alunos, transformando a Fafig em um centro de capacita&#xE7;&#xE3;o em n&#xED;vel de especializa&#xE7;&#xE3;o. A Institui&#xE7;&#xE3;o passou a receber pessoas n&#xE3;o apenas da regi&#xE3;o de Guarapuava, mas de todo Brasil, uma vez que a op&#xE7;&#xE3;o por realizar os cursos no per&#xED;odo de f&#xE9;rias representava um atrativo, pois contribu&#xED;a para a vinda de docentes de outras institui&#xE7;&#xF5;es, que n&#xE3;o precisavam deixar suas aulas regulares na gradua&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>A finalidade dessas Especializa&#xE7;&#xF5;es era &#x201C;permitir ao graduado aprofundamento te&#xF3;rico e pr&#xE1;tico dos conhecimentos adquiridos na gradua&#xE7;&#xE3;o e melhor habilita&#xE7;&#xE3;o para o desempenho da profiss&#xE3;o em n&#xED;vel de Ensino Superior&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B21">FAFIG, 1981</xref>). Os objetivos dos cursos, de acordo com o Regimento da Especializa&#xE7;&#xE3;o da Fafig, foram tra&#xE7;ados inicialmente nos seguintes termos:</p>
<list list-type="roman-upper">
<list-item>
<p>especializar professores para o magist&#xE9;rio superior;</p></list-item>
<list-item>
<p>oportunizar especializa&#xE7;&#xE3;o aos graduados sem possibilidades de se afastarem de suas atividades, por tempo relativamente longo, para cursar p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o (Mestrado ou Doutorado);</p></list-item>
<list-item>
<p>desenvolver e aperfei&#xE7;oar a pesquisa cient&#xED;fica, nas &#xE1;reas de especifica&#xE7;&#xE3;o;</p></list-item>
<list-item>
<p>contribuir para o atendimento das exig&#xEA;ncias do ensino, da sociedade, dos objetivos da Reforma do Ensino Superior preconizada na Lei 5540, da Lei 5692/71 e das necessidades decorrentes de sua implanta&#xE7;&#xE3;o;</p></list-item>
<list-item>
<p>cooperar com os esfor&#xE7;os do Poder P&#xFA;blico e de outros setores, para acelerar a prepara&#xE7;&#xE3;o qualitativa de recursos humanos, exigida pelo desenvolvimento do pa&#xED;s (<xref ref-type="bibr" rid="B21">FAFIG, 1981</xref>).</p></list-item></list>
<p>Nessa perspectiva, os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o da Fafig eram entendidos como espa&#xE7;o de forma&#xE7;&#xE3;o do professor do Ensino Superior, mas tamb&#xE9;m como oportunidade de prosseguimento dos estudos da gradua&#xE7;&#xE3;o e como meio de contribuir no atendimento da legisla&#xE7;&#xE3;o educacional vigente dos diferentes n&#xED;veis de ensino. At&#xE9; o final da d&#xE9;cada de 1980, a institui&#xE7;&#xE3;o promoveu diversos cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o, em distintas &#xE1;reas do conhecimento<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>.</p>
<p>Os depoentes que colaboraram com nossa pesquisa ressaltam que, para trabalhar nesses cursos, a Faculdade priorizava contratar docentes de universidades renomadas, como a Unicamp, a Unesp, a USP, a Universidade Federal de S&#xE3;o Carlos e a Universidade Federal do Paran&#xE1;, o que representava um chamariz adicional quando da divulga&#xE7;&#xE3;o dos cursos. O Regimento dos Cursos estabelecia que o corpo docente deveria ser formado por professores que possu&#xED;ssem, no m&#xED;nimo, o t&#xED;tulo de mestre, obtido em institui&#xE7;&#xE3;o credenciada (<xref ref-type="bibr" rid="B21">FAFIG, 1981</xref>).</p>
<p>Com o tempo, os cursos foram transformados em um programa e a Faculdade passou a receber apoio financeiro da Capes. Uma parte da verba era destinada &#xE0;s despesas parciais do curso, como pagamento de professores, outra parte para bolsas de estudo.</p>
</sec>
<sec>
<title>5 Um curso de especializa&#xE7;&#xE3;o: pretexto para a proposi&#xE7;&#xE3;o de uma ideia</title>
<p>&#xC9; no contexto dos anos finais do regime militar que os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o da Fafig s&#xE3;o reestruturados. Na &#xE1;rea de Matem&#xE1;tica, de fundamental import&#xE2;ncia foi a atua&#xE7;&#xE3;o de um grupo de professores do IMECC, da Universidade Estadual de Campinas. Esses professores, aproveitando o espa&#xE7;o de autonomia metodol&#xF3;gica que a faculdade proporcionava, apostaram em uma ideia ainda pouco difundida no Brasil &#xE0; &#xE9;poca e que se tornaria um campo de pesquisa e de promo&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos que se multiplicaria proficuamente no pa&#xED;s: a Modelagem Matem&#xE1;tica<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref>.</p>
<p>De fato, a Modelagem Matem&#xE1;tica foi apresentada, discutida e desenvolvida em um curso de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o voltado &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o de professores, pela primeira vez, em Guarapuava, quando foi ofertada a &#x201C;Especializa&#xE7;&#xE3;o em Ensino de Matem&#xE1;tica&#x201D;, de janeiro de 1983 a janeiro de 1984, sob a coordena&#xE7;&#xE3;o de Rodney Carlos Bassanezi. Ele foi convidado pela equipe dirigente da Fafig a organizar o curso, tendo autonomia para estruturar as disciplinas, as ementas e o cronograma, bem como para compor o corpo docente da especializa&#xE7;&#xE3;o. Ele j&#xE1; havia trabalhado em outros cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o na Fafig, em C&#xE1;lculo Avan&#xE7;ado e em Estat&#xED;stica, sendo, portanto, j&#xE1; conhecido da equipe gestora.</p>
<p>Em sua entrevista para este estudo, o professor Rodney relata que planejou a especializa&#xE7;&#xE3;o como um espa&#xE7;o para fortalecer os conceitos trabalhados na gradua&#xE7;&#xE3;o, e organizou as ementas com conte&#xFA;dos da &#xE1;rea de Matem&#xE1;tica, como An&#xE1;lise, Geometria, Topologia e Equa&#xE7;&#xF5;es Diferenciais. Contudo, quando as inscri&#xE7;&#xF5;es come&#xE7;aram a chegar, ele percebeu que o grupo de alunos era bastante heterog&#xEA;neo: alguns ainda na gradua&#xE7;&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref>, enquanto outros eram professores com muitos anos de experi&#xEA;ncia. Isso levou Bassanezi, como coordenador, a alterar instintivamente, segundo ele mesmo afirma, a estrutura do curso, sugerindo que, em grupos, os alunos investigassem a Matem&#xE1;tica presente no cotidiano a partir de um tema escolhido por eles. Prop&#xF4;s, ent&#xE3;o, que os participantes fizessem visitas a empresas de Guarapuava ou a algum local em que se desenvolvia um ramo espec&#xED;fico de atividade econ&#xF4;mica e coletassem dados que os induzissem a formular problemas matem&#xE1;ticos relacionados ao tema escolhido. Desse modo, quest&#xF5;es da realidade impulsionaram a realiza&#xE7;&#xE3;o do curso, ou seja, todas as disciplinas passaram a trabalhar na busca de solu&#xE7;&#xF5;es dos problemas criados pelos alunos.</p>
<p>A imprevisibilidade de organiza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento desse curso representa um exemplo de que o campo educacional de forma&#xE7;&#xE3;o docente agrega dimens&#xF5;es em que os arranjos, na pr&#xE1;tica, se d&#xE3;o, muitas vezes, em movimento ou em trajet&#xF3;ria, &#xE0; revelia das programa&#xE7;&#xF5;es. O espa&#xE7;o institucional de forma&#xE7;&#xE3;o docente &#xE9; caracteristicamente regulado por regras, procedimentos e condutas cient&#xED;ficas que privilegiam a padroniza&#xE7;&#xE3;o de um saber fazer, por&#xE9;m &#xE9; tamb&#xE9;m, fundamentalmente, um espa&#xE7;o de resist&#xEA;ncia, n&#xE3;o controlado, em que podem se instituir desafios e novos caminhos, haja vista as subjetividades dos sujeitos envolvidos.</p>
<p>A Especializa&#xE7;&#xE3;o, em resumo, mostrou-se inovadora e desafiadora para a &#xE9;poca, uma proposta liberta de regras firmemente impostas, tanto para professores como para os alunos que, acostumados a aulas tradicionais &#x2013; com explica&#xE7;&#xF5;es do conte&#xFA;do no quadro, listas de exerc&#xED;cios, corre&#xE7;&#xE3;o de atividades e uma avalia&#xE7;&#xE3;o final na forma de prova escrita &#x2013;, vislumbraram uma nova forma de se fazer Matem&#xE1;tica, tendo como princ&#xED;pio in&#xFA;meras situa&#xE7;&#xF5;es-problema. Eles nunca tinham sequer ouvido a palavra &#x201C;Modelagem&#x201D;. Na &#xE9;poca, essa metodologia era praticamente desconhecida no Brasil e poucos movimentos em dire&#xE7;&#xE3;o a ela podiam ser observados, inclusive no exterior.</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B4">Biembengut (2009)</xref>, a express&#xE3;o &#x201C;Modelagem Matem&#xE1;tica&#x201D; j&#xE1; era encontrada no in&#xED;cio do s&#xE9;culo XX na literatura internacional de algumas &#xE1;reas, como Engenharia e Ci&#xEA;ncias Econ&#xF4;micas, por&#xE9;m, no campo da Educa&#xE7;&#xE3;o, ideias relacionadas a modelos no ensino de Matem&#xE1;tica aparecem somente na segunda metade do s&#xE9;culo XX, em publica&#xE7;&#xF5;es nos Estados Unidos<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>. Tais ideias emergem ao mesmo tempo em que o ensino de Ci&#xEA;ncias procurava enfatizar pr&#xE1;ticas envolvendo situa&#xE7;&#xF5;es experimentais e, analogamente, matem&#xE1;ticos americanos, preocupados com o ensino, buscavam apoio no m&#xE9;todo de Resolu&#xE7;&#xE3;o de Problemas, com Polya, e na Modelagem Matem&#xE1;tica com profissionais da Matem&#xE1;tica Aplicada (<xref ref-type="bibr" rid="B17">FIORENTINI, 1996</xref>).</p>
<p>Embora a Matem&#xE1;tica Aplicada, no in&#xED;cio do s&#xE9;culo XX, j&#xE1; tivesse se constitu&#xED;do como uma &#xE1;rea aut&#xF4;noma de conhecimento, a escola, meio s&#xE9;culo depois, ainda privilegiava o movimento internalista da Matem&#xE1;tica, ou seja, &#x201C;a produ&#xE7;&#xE3;o de matem&#xE1;tica a partir de problemas oriundos da pr&#xF3;pria matem&#xE1;tica j&#xE1; sistematizada&#x201D;. As raras aplica&#xE7;&#xF5;es reduziam-se a problemas cl&#xE1;ssicos de final de cap&#xED;tulo, que muitas vezes se distanciavam da realidade e eram pouco significativos para a vida do aluno (<xref ref-type="bibr" rid="B17">FIORENTINI, 1996</xref>, p. 3).</p>
<p>Nesse contexto, na d&#xE9;cada de 1960, as pr&#xE1;ticas tradicionalmente desenvolvidas no ensino de Matem&#xE1;tica passaram a ser questionadas mais fortemente e debates sobre aplica&#xE7;&#xF5;es no ensino come&#xE7;aram a ocorrer no cen&#xE1;rio internacional, especialmente no chamado movimento &#x201C;utilitarista&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref>, que impulsionou a forma&#xE7;&#xE3;o de grupos de pesquisadores sobre o tema, como o de Hans Freudenthall, na Holanda<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref>, e o de Bernhelm Booss e Mogens Niss, na Dinamarca. Na Europa, eventos sobre o ensino de Matem&#xE1;tica e situa&#xE7;&#xF5;es da realidade come&#xE7;am a ser realizados a partir de 1968, contribuindo para a forma&#xE7;&#xE3;o, em 1983, do Grupo Internacional de Modelagem Matem&#xE1;tica e Aplica&#xE7;&#xF5;es &#x2013; ICTMA<xref ref-type="fn" rid="fn25"><sup>25</sup></xref>, que agrega interessados em Modelagem Matem&#xE1;tica na perspectiva da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e organiza, bianualmente, evento voltado a discutir o panorama internacional sobre o tema: a <italic>International Conference on Teaching Mathematical Modelling and Applications</italic> (ICTMA<xref ref-type="fn" rid="fn26"><sup>26</sup></xref>).</p>
<p>Remetendo-nos ao cen&#xE1;rio brasileiro, podemos afirmar que o ano de 1983, considerado um marco no exterior devido &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o do ICTMA, representa tamb&#xE9;m um marco das atividades com Modelagem Matem&#xE1;tica no Brasil tendo em vista a realiza&#xE7;&#xE3;o do curso de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Guarapuava. Esse marco (brasileiro) indica que movimentos referentes &#xE0;s ideias de modelos matem&#xE1;ticos ou ensino com &#xEA;nfase na Matem&#xE1;tica &#x201C;da realidade&#x201D; j&#xE1; eram desenvolvidas ou pensadas no pa&#xED;s.</p>
<p>De fato, no in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1970, estudos ligados &#xE0; &#xE1;rea da Matem&#xE1;tica Aplicada j&#xE1; eram desenvolvidos na Unicamp, especialmente com alunos da inicia&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica. Contudo, &#xE9; a partir de 1974 que um grupo de professores se engaja mais firmemente na utiliza&#xE7;&#xE3;o de aplica&#xE7;&#xF5;es da Matem&#xE1;tica envolvendo fen&#xF4;menos do mundo real, em disciplinas da gradua&#xE7;&#xE3;o e na orienta&#xE7;&#xE3;o de trabalhos de inicia&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica e de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o. Esses professores, anos depois, dariam origem a uma &#xE1;rea de investiga&#xE7;&#xE3;o que se tornaria conhecida como &#x201C;Biomatem&#xE1;tica&#x201D;, na qual os fen&#xF4;menos biol&#xF3;gicos, sobretudo problemas relativos ao meio ambiente ou &#xE0; sa&#xFA;de, passaram a ser investigados pelo m&#xE9;todo da Modelagem Matem&#xE1;tica (<xref ref-type="bibr" rid="B17">FIORENTINI, 1996</xref>).</p>
<p>Dentre os primeiros pesquisadores a investir em pr&#xE1;ticas de ensino e de pesquisa na Modelagem no Brasil destaca-se Rodney Carlos Bassanezi. Um de seus alunos de inicia&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica, Jo&#xE3;o Frederico da Costa Azevedo Meyer, mais conhecido por Joni, refere-se a Rodney como um professor entusiasta, inquieto com o ensino tradicional e incomodado com quest&#xF5;es relativas &#xE0; aplicabilidade e &#xE0; utilidade da Matem&#xE1;tica. Ele fora seu orientador de inicia&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica em 1969. Devido &#xE0;s influ&#xEA;ncias de Bassanezi, Jo&#xE3;o Frederico, segundo ele pr&#xF3;prio, tornou-se um aluno ativo, curioso e passou a se sentir atra&#xED;do por problemas envolvendo aplica&#xE7;&#xF5;es na Matem&#xE1;tica. Assim, logo que concluiu a gradua&#xE7;&#xE3;o, ingressou como professor no IMECC e iniciou o Mestrado na Unicamp, tendo como orientador o professor Ubiratan D&#x2019;Ambrosio, que havia rec&#xE9;m chegado do EUA.</p>
<p>Joni nos relata, em entrevista, que Ubiratan D&#x2019;Ambrosio, logo que chegou ao Brasil, assumiu o cargo de diretor do IMECC, mostrando-se muito atento &#xE0;s produ&#xE7;&#xF5;es em termos de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica em n&#xED;vel internacional, sempre com uma postura questionadora frente &#xE0; Matem&#xE1;tica e seu ensino, at&#xE9; mesmo ao que se praticava no pr&#xF3;prio Instituto. Em suas aulas no curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica e em programas de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o, utilizava modelos matem&#xE1;ticos como estrat&#xE9;gia de ensino e estimulava outros docentes a realizarem projetos dessa natureza. Assim, Ubiratan foi um grande incentivador para que os professores do IMECC desenvolvessem um olhar cr&#xED;tico para a Matem&#xE1;tica, com uma concep&#xE7;&#xE3;o de ensino voltada &#xE0; realidade sociocultural. Seus estudos te&#xF3;rico-pedag&#xF3;gicos seriam decisivos para a consolida&#xE7;&#xE3;o/divulga&#xE7;&#xE3;o da Modelagem Matem&#xE1;tica como m&#xE9;todo de ensino.</p>
<p>Apesar dos estudos p&#xF3;s-graduados de D&#x2019;Ambrosio estarem voltados &#xE0; Matem&#xE1;tica Pura, paulatinamente ele utilizou sua atua&#xE7;&#xE3;o de matem&#xE1;tico como forma de fortalecer o que tinha a dizer &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o. Ou seja, suas teoriza&#xE7;&#xF5;es progressivamente permitiram o estabelecimento de rela&#xE7;&#xF5;es entre a Matem&#xE1;tica e a Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e se alinharam em defesa das quest&#xF5;es culturais como ponto central do processo pedag&#xF3;gico. Suas publica&#xE7;&#xF5;es e pesquisas, ao longo dos anos, estenderam-se tamb&#xE9;m ao campo da Filosofia, da Hist&#xF3;ria da Educa&#xE7;&#xE3;o e dos estudos transdisciplinares, e passou a perceber na Modelagem uma forma especial de resolu&#xE7;&#xE3;o de problemas, que permitia relacionar a Matem&#xE1;tica ao contexto s&#xF3;ciocultural e pol&#xED;tico do aluno.</p>
<p>Uma das pol&#xED;ticas adotadas por Ubiratan, logo que chegou &#xE0; Unicamp, foi ampliar o quadro docente do IMECC, possibilitando a vinda de pesquisadores com Doutorado de outras institui&#xE7;&#xF5;es brasileiras e tamb&#xE9;m do exterior, principalmente dos EUA. Tal princ&#xED;pio, al&#xE9;m de possibilitar a estrutura&#xE7;&#xE3;o da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Matem&#xE1;tica no Instituto, permitiu que v&#xE1;rios professores mestres pudessem iniciar seus doutorados na pr&#xF3;pria Unicamp, dentre eles Rodney Bassanezi, o primeiro a defender uma tese sob orienta&#xE7;&#xE3;o de um professor do IMECC, no caso, Ubiratan D&#x2019;Ambrosio, em 1977<xref ref-type="fn" rid="fn27"><sup>27</sup></xref>.</p>
<p>D&#x2019;Ambrosio exerceu o cargo de diretor do IMECC de 1972 a 1980<xref ref-type="fn" rid="fn28"><sup>28</sup></xref>. Suas contribui&#xE7;&#xF5;es, nesse per&#xED;odo, transcenderam as fronteiras do Brasil, especialmente quando prop&#xF4;s o mestrado &#x201C;Ensino de Ci&#xEA;ncias e Matem&#xE1;tica&#x201D;, em conv&#xEA;nio com Programa de Expans&#xE3;o e Melhoria do Ensino (PREMEN)<xref ref-type="fn" rid="fn29"><sup>29</sup></xref> e a Organiza&#xE7;&#xE3;o dos Estados Americanos (OEA). Foram 4 turmas, em m&#xE9;dia com 32 alunos cada uma, com ingresso, respectivamente, nos anos de 1975, 1976, 1977 e 1978.</p>
<p>Outro projeto realizado no IMECC, sob a coordena&#xE7;&#xE3;o de Ubiratan D&#x2019;Ambrosio, foi a produ&#xE7;&#xE3;o de materiais de apoio did&#xE1;tico, voltados ao ensino de 1&#xB0; grau, sobre v&#xE1;rios temas matem&#xE1;ticos. Esse projeto, desenvolvido tamb&#xE9;m com o apoio do PREMEN, evidencia a preocupa&#xE7;&#xE3;o de Ubiratan e de outros professores com quest&#xF5;es relativas &#xE0; escola b&#xE1;sica. Docentes do IMECC, de outras IES e de escolas de Ensino B&#xE1;sico participaram desse projeto, dentre os quais, Regina Buriasco, que integrou o grupo para elabora&#xE7;&#xE3;o do volume do 3&#xB0; e 4&#xB0; anos do material chamado Inicia&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Matem&#xE1;tica<xref ref-type="fn" rid="fn30"><sup>30</sup></xref>. Outro grupo, segundo a professora Regina, produziu um material intitulado <italic>Geometria Experimental</italic>.</p>
<p>Percebe-se, assim, que Ubiratan D&#x2019;Ambrosio imp&#xF4;s um novo perfil ao IMECC, que at&#xE9; ent&#xE3;o direcionava o ensino e a pesquisa estritamente &#xE0; Matem&#xE1;tica Pura e Aplicada. A partir desse per&#xED;odo, na segunda metade da d&#xE9;cada de 1970, consolida-se no Instituto um grupo de matem&#xE1;ticos que volta seu olhar para assuntos tamb&#xE9;m relacionados ao ensino e &#xE0; aprendizagem da Matem&#xE1;tica desde a escolariza&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica.</p>
<p>Dentre esses matem&#xE1;ticos, Rodney Bassanezzi, nessa nova atmosfera instaurada no IMECC, volta seu interesse &#xE0; Modelagem Matem&#xE1;tica, tornando-se, posteriormente, como j&#xE1; mencionado, uma refer&#xEA;ncia singular no impulso dessa &#xE1;rea no Brasil.</p>
<p>Bassanezi, em sua entrevista, diz que um dos motivadores para que ele definitivamente voltasse sua aten&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Modelagem Matem&#xE1;tica foi Aristides Barreto<xref ref-type="fn" rid="fn31"><sup>31</sup></xref>, um professor da PUC do Rio se Janeiro que, por convite de Ubiratan D&#x2019;Ambrosio, foi &#xE0; Unicamp ministrar um curso sobre as atividades que vinha desenvolvendo. Eduardo Sebastiani Ferreira tamb&#xE9;m participou do curso ministrado pelo professor Aristides no IMECC.</p>
<p>De acordo com Bassanezi, a decis&#xE3;o de realizar alguma experi&#xEA;ncia com Modelagem Matem&#xE1;tica com professores veio ap&#xF3;s a oferta de um curso no IMECC, em 1981, para aproximadamente 30 professores de C&#xE1;lculo Diferencial e Integral (CDI), de diversas Institui&#xE7;&#xF5;es de Educa&#xE7;&#xE3;o Superior da regi&#xE3;o Sul do Brasil. O curso teve dura&#xE7;&#xE3;o de uma semana e Bassanezi, como coordenador do curso, fez a seguinte proposta aos participantes: eles deveriam se reunir por duas horas e apresentar um problema que envolvesse CDI, diferente de problemas que j&#xE1; existiam em livros da &#xE1;rea. Duas horas depois, para sua surpresa, mas tamb&#xE9;m decep&#xE7;&#xE3;o, a maioria dos problemas propostos era igual aos que se apresentavam nos livros. Essa experi&#xEA;ncia, segundo ele, o levou a perceber a necessidade de se propor mudan&#xE7;as no processo de ensino e aprendizagem e que era preciso efetivar &#x201C;<italic>uma Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica mais criativa do que simplesmente resolver problemas. Era preciso pensar uma Matem&#xE1;tica mais voltada &#xE0; realidade, inventar, pegar coisas e transformar em Matem&#xE1;tica</italic>&#x201D;. Foi, portanto, um momento crucial para que ele voltasse sua aten&#xE7;&#xE3;o para a Modelagem Matem&#xE1;tica, porque, em seu entendimento, &#x201C;<italic>o potencial da Modelagem &#xE9; criar problemas, mais do que resolver problemas</italic>&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn32"><sup>32</sup></xref>.</p>
<p>Assim, nesse curso para professores de CDI, aliando ensino e pesquisa, Bassanezi percebeu que o m&#xE9;todo de produ&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos em Matem&#xE1;tica Aplicada auxiliava de forma eficaz no enfrentamento das dificuldades que os professores apresentavam em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s ideias essenciais do C&#xE1;lculo e, principalmente, &#xE0;s aplica&#xE7;&#xF5;es em situa&#xE7;&#xF5;es-problema de fen&#xF4;menos da realidade. Um ano depois surgiu a oportunidade de trabalhar em Guarapuava, na Fafig. Diante de um grupo de professores novatos ou com muitos anos de experi&#xEA;ncia, Bassanezi percebeu a circunst&#xE2;ncia adequada para propor algo diferente tamb&#xE9;m para professores de outros n&#xED;veis de ensino.</p>
</sec>
<sec>
<title>6 O primeiro curso</title>
<p>Era janeiro de 1983 e em Guarapuava, no Paran&#xE1;, se iniciava o curso de &#x201C;Especializa&#xE7;&#xE3;o em Ensino de Matem&#xE1;tica&#x201D;. Tendo optado por reelaborar o curso de modo a motivar pr&#xE1;ticas interdisciplinares, atreladas &#xE0; realidade espec&#xED;fica da regi&#xE3;o, e valorizar o conhecimento matem&#xE1;tico dos professores cursistas, Bassanezzi, com a autonomia que lhe fora concedida pela equipe gestora da Fafig, convidou docentes vinculados ao IMECC ou que j&#xE1; haviam desenvolvido algum projeto naquele Instituto e organizou o curso em tr&#xEA;s fases, como a dire&#xE7;&#xE3;o da Fafig havia solicitado.</p>
<p>O programa do curso, inicialmente elaborado com m&#xF3;dulos de C&#xE1;lculo Diferencial e Integral, An&#xE1;lise, Topologia, &#xC1;lgebra Linear etc., ap&#xF3;s as mudan&#xE7;as, passou a ter, na <italic>Fase I</italic>, as disciplinas Etno Matem&#xE1;tica e o ensino (ministrada por Eduardo Sebastiani Ferreira, da Unicamp), M&#xF3;dulo de Aprendizagem I e II (ministrados, respectivamente, por Regina Buriasco, da UEL, e Marineusa Gazzeta, da Unicamp), Estudo de Problemas Brasileiros I (ministrado por Gilberto Saciloto, Carlos de Bortoli e Paulo Jorge Rihes, todos da Fafig); na <italic>Fase II</italic>, Modelos Matem&#xE1;ticos I e II (ministrados respectivamente por Silvio Pregnolatto e Rodney Bassanezi, ambos da Unicamp); na <italic>Fase III</italic>, Modelos Matem&#xE1;ticos III (ministrado por Bassanezi), Metodologia Cient&#xED;fica e Aplicada (ministrada por Luiz Roberto Dante<xref ref-type="fn" rid="fn33"><sup>33</sup></xref>, da Unesp) e Estudos dos Problemas Brasileiros II (disciplina para a qual n&#xE3;o est&#xE1; registrado o docente respons&#xE1;vel)<xref ref-type="fn" rid="fn34"><sup>34</sup></xref>.</p>
<p>Observa-se na documenta&#xE7;&#xE3;o referente ao programa das disciplinas desse curso a aus&#xEA;ncia de bibliografia sugerida para a disciplina Etno Matem&#xE1;tica e o Ensino, em cujo espa&#xE7;o indica-se &#x201C;n&#xE3;o h&#xE1; bibliografia por ser assunto recente de pesquisa&#x201D;, enquanto que para as disciplinas referentes aos M&#xF3;dulos de Aprendizagem (I e II) consta a express&#xE3;o &#x201C;livros did&#xE1;ticos de 1&#xB0; e 2&#xB0; graus&#x201D;. Para as disciplinas referentes aos Modelos Matem&#xE1;ticos (I, II e III), a bibliografia remete a livros did&#xE1;ticos de 2&#xB0; e 3&#xB0; graus, al&#xE9;m de uma apostila organizada por Bassanezi e intitulada <italic>Modelos Matem&#xE1;ticos para o ensino de C&#xE1;lculo</italic>. N&#xE3;o h&#xE1; registros da bibliografia utilizada na disciplina de Metodologia Cient&#xED;fica e Aplicada.</p>
<p>Nota-se, assim, que o foco das ementas e da bibliografia eram os conte&#xFA;dos matem&#xE1;ticos, especialmente de 2&#xB0; e 3&#xB0; graus, n&#xE3;o havendo uma proposta de discuss&#xE3;o mais aprofundada sobre t&#xF3;picos relacionados &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o. As disciplinas Estudos de Problemas Brasileiros (I e II), comuns a todos os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o da Fafig naquela &#xE9;poca, foram ministradas na modalidade &#x201C;palestra&#x201D;; a primeira, por tr&#xEA;s conferencistas (um m&#xE9;dico, um ge&#xF3;grafo e um bi&#xF3;logo), nos per&#xED;odos de uma manh&#xE3; e duas noites; a segunda, tamb&#xE9;m por tr&#xEA;s conferencistas, por&#xE9;m n&#xE3;o encontramos documenta&#xE7;&#xE3;o que indique quem foram os palestrantes, nem os temas trabalhados.</p>
<p>Nos cursos, escolhidos os temas, os professores cursistas passaram &#xE0; fase de pesquisa de campo, quando visitaram alguns espa&#xE7;os de Guarapuava e exploraram os ambientes, fazendo medi&#xE7;&#xF5;es, entrevistando pessoas, coletando dados matem&#xE1;ticos. Essas atividades fizeram parte da disciplina &#x201C;Etno Matem&#xE1;tica e o Ensino&#x201D;, conduzida pelo professor Eduardo Sebastiani em conjunto com o professor Rodney, ambos atuando como orientadores dos grupos. Em sua narrativa, Regina Buriasco reitera a din&#xE2;mica adotada nesse primeiro curso, bem como em outros que ocorreram posteriormente na Fafig, afirmando que &#x201C;<italic>j&#xE1; de in&#xED;cio a turma era dividida em grupos e cada grupo escolhia um tema para trabalhar. Depois cada grupo ia buscar informa&#xE7;&#xF5;es daquele tema para ent&#xE3;o desenvolver a Modelagem</italic>&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn35"><sup>35</sup></xref>.</p>
<p>De posse dos dados, em sala de aula os participantes passaram a organizar as informa&#xE7;&#xF5;es e a formular quest&#xF5;es relacionadas ao tema escolhido para ent&#xE3;o modelar matematicamente. Tais quest&#xF5;es evolu&#xED;am de um n&#xED;vel elementar a um n&#xED;vel mais complexo, podendo ser resolvidas a partir de conte&#xFA;dos de diferentes graus de ensino. As quest&#xF5;es formuladas pelos grupos constitu&#xED;ram-se em um norte para o desenvolvimento de todas as disciplinas do curso, ou seja, os professores passaram a trabalhar no sentido de auxiliar os grupos a obterem a solu&#xE7;&#xE3;o das quest&#xF5;es.</p>
<p>Conforme consta da documenta&#xE7;&#xE3;o pesquisada, a turma da Especializa&#xE7;&#xE3;o de 1983 era composta por 42 alunos, a maioria residente em Guarapuava ou munic&#xED;pios adjacentes. Havia alunos de outros munic&#xED;pios do Paran&#xE1;, tamb&#xE9;m de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.</p>
<p>Vale destacar que a metodologia de ensino utilizada em Guarapuava fora divulgada em uma publica&#xE7;&#xE3;o da Folha de S&#xE3;o Paulo, de 04 de fevereiro de 1984. Na mat&#xE9;ria, assinada por Laerte Ziggiatti, o jornalista ressalta que o m&#xE9;todo havia sido idealizado pelos professores Rodney Bassanezi e Eduardo Sebastiani, ambos da Unicamp, com o intuito de &#x201C;contribuir para tornar a matem&#xE1;tica mais acess&#xED;vel e atraente, possibilitando um entrosamento mais efetivo entre teoria e a realidade&#x201D;. Sem se referir &#xE0; Modelagem Matem&#xE1;tica, Ziggiatti relata que o m&#xE9;todo, dirigido a professores de todos os n&#xED;veis de ensino, buscava inverter o processo, ou seja, as quest&#xF5;es matem&#xE1;ticas deveriam ser problematizadas a partir de fatos da realidade.</p>
<p>Com depoimentos de Bassanezi e Sebastini, a mat&#xE9;ria da Folha de S&#xE3;o Paulo descreve a experi&#xEA;ncia realizada em Guarapuava, na Fafig, esclarecendo que no desenvolvimento do curso n&#xE3;o havia a preocupa&#xE7;&#xE3;o por parte dos orientadores de ensinar Matem&#xE1;tica, mas de adequar os conhecimentos individuais aos objetivos do m&#xE9;todo e agu&#xE7;ar a sensibilidade do aluno, desenvolvendo sua intui&#xE7;&#xE3;o e curiosidade. Tratava-se, assim, de algo mais do que uma nova metodologia de ensino, &#xE0; medida que assumia um <italic>status</italic> de etnoci&#xEA;ncia ao se aplicar os conhecimentos matem&#xE1;ticos provindos de um grupo cultural, como de trabalhadores da constru&#xE7;&#xE3;o civil, da agricultura ou piscicultura.</p>
<p>Entendemos, a partir das fontes mobilizadas, que o primeiro curso de especializa&#xE7;&#xE3;o para professores foi circunstancial e teve car&#xE1;ter de experimento, tendo em vista que, para Bassanezi, a turma supostamente n&#xE3;o acompanharia os conte&#xFA;dos anteriormente previstos de Matem&#xE1;tica Pura. A proposta de ensino voltada &#xE0; Modelagem parece ter agradado n&#xE3;o somente aos alunos, mas principalmente aos professores que viram nessa abordagem um modo diferenciado de trabalhar os conte&#xFA;dos, com uma participa&#xE7;&#xE3;o mais efetiva dos alunos. A proposta da Modelagem, segundo eles, mostrou-se inovadora, especialmente quando considerando a disposi&#xE7;&#xE3;o de alunos em grupos, realizando pesquisa de campo, sendo protagonistas do processo de ensino.</p>
</sec>
<sec>
<title>7 Outros cursos: a difus&#xE3;o da proposta</title>
<p>Diante dos resultados considerados positivos pelos envolvidos com a primeira experi&#xEA;ncia com Modelagem Matem&#xE1;tica em um curso de especializa&#xE7;&#xE3;o para professores e acreditando que aquele era um caminho apropriado para atender &#xE0;s expectativas de profissionais que buscavam &#x201C;melhorar sua pr&#xE1;tica&#x201D;, o modelo proposto em Guarapuava serviu de base para a elabora&#xE7;&#xE3;o de muitos outros cursos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em distintas institui&#xE7;&#xF5;es do Brasil. Sob a coordena&#xE7;&#xE3;o de Bassanezi, e com outros professores do IMECC integrando-se ao grupo, a proposta de ensino e aprendizagem com Modelagem Matem&#xE1;tica foi se disseminando gradativamente e a metodologia foi conquistando adeptos em todas as regi&#xF5;es do pa&#xED;s.</p>
<p>No final da d&#xE9;cada de 1980, in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1990, outros cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o na &#xE1;rea da Matem&#xE1;tica, nos mesmos moldes dos da Fafig, j&#xE1; haviam sido realizados ou estavam em andamento em outras institui&#xE7;&#xF5;es brasileiras, como na Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiab&#xE1; - MT, na Universidade Estadual de Ponta Grossa - PR, na Universidade Metodista de Piracicaba - SP, na Faculdade de Filosofia, Ci&#xEA;ncias e Letras de Corn&#xE9;lio Proc&#xF3;pio &#x2013; PR, na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul &#x2013; Uniju&#xED; &#x2013; RS e na Faculdade de Filosofia, Ci&#xEA;ncias e Letras de Palmas &#x2013; PR. <xref ref-type="bibr" rid="B13">Carvalho (2010)</xref>, em trabalho que busca destacar o pioneirismo de Rodney Carlos Bassanezi no desenvolvimento e divulga&#xE7;&#xE3;o da Modelagem Matem&#xE1;tica no Brasil a partir do estudo de produ&#xE7;&#xF5;es cient&#xED;ficas formuladas sob sua orienta&#xE7;&#xE3;o, apresenta uma rela&#xE7;&#xE3;o dos cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o realizados sob a coordena&#xE7;&#xE3;o de Bassanezi ao longo das d&#xE9;cadas de 1980, 1990 e 2000. S&#xE3;o contabilizados por Carvalho vinte e dois cursos em institui&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas e privadas.</p>
<p>As disciplinas dos cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o ministrados a partir de 1983 ficavam, em geral, sob a responsabilidade dos mesmos docentes do IMECC, havendo certa rotatividade entre eles. Com mais frequ&#xEA;ncia trabalhavam os professores Bassanezi, Sebastiani, Marineusa Gazzetta, Sidnei Ragazzi, Paulo Guimar&#xE3;es, S&#xED;lvio Pregnolatto, Jo&#xE3;o Frederico Meyer e Antonio Carlos Moretti. Outros professores participaram esporadicamente, como La&#xE9;rcio Vendite, Jos&#xE9; Luis Boldrini, Vera Figueiredo, Maria Salett Biembengut, Regina Buriasco e Dion&#xED;sio Burak.</p>
<p>Os &#xFA;ltimos cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o aconteceram, especificamente, segundo o professor Rodney, entre os anos de 2008 e 2010, na Universidade do ABC, em Santo Andr&#xE9;. Como nas propostas anteriores, as disciplinas concentraram-se nos meses de janeiro, fevereiro e julho (per&#xED;odo de f&#xE9;rias escolares), por&#xE9;m a din&#xE2;mica das aulas foi alterada: somente tr&#xEA;s professores ministraram as disciplinas<xref ref-type="fn" rid="fn36"><sup>36</sup></xref> e todo o trabalho foi realizado em conjunto por eles, desde o levantamento de temas &#xE0; apresenta&#xE7;&#xE3;o final dos grupos. N&#xE3;o houve uma participa&#xE7;&#xE3;o intensa de professores do IMECC.</p>
</sec>
<sec>
<title>8 A Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica na d&#xE9;cada de 1980</title>
<p>As entrevistas realizadas para o desenvolvimento deste trabalho e as outras fontes mobilizadas na pesquisa nos permitem afirmar que a d&#xE9;cada de 1980 foi intensamente significativa para a Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica brasileira, enquanto &#xE1;rea de conhecimento, estudos e pesquisa, tendo os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o que investigamos um papel de destaque nessa conjuntura. O per&#xED;odo de 1983 a 1990, especificamente, quando os primeiros cursos s&#xE3;o realizados em Guarapuava, &#xE9; caracterizado pela emerg&#xEA;ncia de uma comunidade de educadores matem&#xE1;ticos no Brasil, pela gradativa consolida&#xE7;&#xE3;o dessa comunidade e pela amplia&#xE7;&#xE3;o da regi&#xE3;o de inqu&#xE9;rito da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, com o desenvolvimento de estudos e aplica&#xE7;&#xF5;es de novos m&#xE9;todos de ensino e com o surgimento de diversas linhas de pesquisa (<xref ref-type="bibr" rid="B18">FIORENTINI; LORENZATO, 2006</xref>).</p>
<p>Al&#xE9;m da abertura do primeiro programa de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>stricto sensu</italic> em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e da cria&#xE7;&#xE3;o de uma sociedade agregando educadores matem&#xE1;ticos de todo pa&#xED;s, surgem, nesse tempo, novas linhas de estudo, como a Modelagem Matem&#xE1;tica, a Etnomatem&#xE1;tica, a Resolu&#xE7;&#xE3;o de Problemas e a Hist&#xF3;ria da Matem&#xE1;tica, confluindo pesquisadores e professores interessados em diversificar a pr&#xE1;tica investigativa e pedag&#xF3;gica. Dentre outros importantes focos que contribu&#xED;ram para o surgimento e fortalecimento da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica naquele tempo, podemos destacar o IMECC da Unicamp e a Unesp de Rio Claro, dois espa&#xE7;os com fortes liga&#xE7;&#xF5;es com os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o que investigamos.</p>
<p>Como percebemos nas entrevistas realizadas para este estudo, &#xE9; clara a contribui&#xE7;&#xE3;o de docentes do IMECC para a concretiza&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es de ensino, pesquisa e extens&#xE3;o referentes &#xE0; Modelagem Matem&#xE1;tica, assim como &#xE9; evidente a contribui&#xE7;&#xE3;o desses professores para a constitui&#xE7;&#xE3;o da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no Brasil. Nesse Instituto, a partir da segunda metade da d&#xE9;cada de 1970, um grupo de matem&#xE1;ticos se articula em torno de propostas educacionais e volta seu interesse para quest&#xF5;es referentes ao ensino e &#xE0; aprendizagem da Matem&#xE1;tica, possibilitando o desenvolvimento de atividades a partir de tr&#xEA;s eixos que consideramos basilares: o programa tempor&#xE1;rio de Mestrado, a elabora&#xE7;&#xE3;o de materiais did&#xE1;ticos e o movimento em torno da Modelagem Matem&#xE1;tica e da Etnomatem&#xE1;tica como propostas did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gicas.</p>
<p>O Mestrado em Ensino de Ci&#xEA;ncias e Matem&#xE1;tica do IMECC-Unicamp, desenvolvido em conv&#xEA;nio com MEC/PREMEN/OEA, vigorou de 1975 a 1984. Seu principal objetivo foi melhorar o ensino de Ci&#xEA;ncias e Matem&#xE1;tica na Am&#xE9;rica Latina, tendo como estrat&#xE9;gia formar especialistas e lideran&#xE7;as nos v&#xE1;rios pa&#xED;ses para promover cursos e programas, produzir materiais instrucionais, elaborar curr&#xED;culos, conduzir reformas etc. O programa teve, em toda sua vig&#xEA;ncia, 128 alunos, provenientes de diferentes estados brasileiros e de diferentes pa&#xED;ses da Am&#xE9;rica Latina e do Caribe. Resultou na produ&#xE7;&#xE3;o total de 72 disserta&#xE7;&#xF5;es de Mestrado, sendo os principais orientadores os professores Ubiratan D&#x2019;Ambrosio (19 trabalhos), S&#xE9;rgio Lorenzato (7 trabalhos) e Henry G. Wetzler (7 trabalhos) (<xref ref-type="bibr" rid="B14">D&#x2019;AMBROSIO, 2014</xref>).</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B16">Fiorentini (1994)</xref>, os estudos desenvolvidos nesse programa pretenderam apresentar uma preocupa&#xE7;&#xE3;o mais pragm&#xE1;tica em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pr&#xE1;tica pedag&#xF3;gica e romper com o tratamento meramente quantitativo dos dados, dando in&#xED;cio aos estudos de car&#xE1;ter intervencionista na pr&#xE1;tica. A Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, portanto &#x2013; mesmo que de forma t&#xED;mida &#x2013;, ganha &#xEA;nfase nesse programa com estudos que priorizaram o desenvolvimento, a testagem e a valida&#xE7;&#xE3;o de novos m&#xE9;todos e materiais instrucionais de ensino e de projetos de forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada do professor de Matem&#xE1;tica (<xref ref-type="bibr" rid="B16">FIORENTINI, 1994</xref>).</p>
<p>A produ&#xE7;&#xE3;o de materiais did&#xE1;ticos, tamb&#xE9;m uma a&#xE7;&#xE3;o em conv&#xEA;nio com o MEC/PREMEN, potencializou a forma&#xE7;&#xE3;o de grupos de estudos no Instituto para discutir, analisar, elaborar e redigir textos de Geometria Experimental, Fun&#xE7;&#xF5;es, Equa&#xE7;&#xF5;es, Inequa&#xE7;&#xF5;es etc., voltados &#xE0;s s&#xE9;ries do 1&#xB0; grau e apropriados &#xE0; realidade educacional brasileira<xref ref-type="fn" rid="fn37"><sup>37</sup></xref>. Tal projeto, desenvolvido a partir de 1974 sob a supervis&#xE3;o de Ubiratan D&#x2019;Ambrosio e a coordena&#xE7;&#xE3;o de Almerindo Marques Bastos, contribuiu para a promo&#xE7;&#xE3;o de v&#xE1;rios cursos de forma&#xE7;&#xE3;o continuada aos professores da escola b&#xE1;sica. Alguns docentes que fizeram parte desses grupos de estudos trabalhavam em distintas IES ou em escolas de 1&#xB0; e 2&#xB0; graus, e se engajaram em outras atividades na Unicamp, tendo um olhar mais atento &#xE0;s quest&#xF5;es que envolvem a Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica.</p>
<p>As a&#xE7;&#xF5;es que se traduziram no desenvolvimento da Modelagem Matem&#xE1;tica, que inicialmente se concentraram em trabalhos cient&#xED;ficos na &#xE1;rea da Matem&#xE1;tica Aplicada e em atividades de cursos regulares da Unicamp, foram impulsionadas com a realiza&#xE7;&#xE3;o de dezenas de cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o e de cursos de curta dura&#xE7;&#xE3;o em diversas institui&#xE7;&#xF5;es de ensino no Brasil. Tais cursos permitiram a articula&#xE7;&#xE3;o de educadores em torno de uma ideia e a divulga&#xE7;&#xE3;o de um novo foco tem&#xE1;tico, visando conceber, testar e investigar outras maneiras de ensinar Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Da mesma forma, a Etnomatem&#xE1;tica, que emergiu a partir de cr&#xED;ticas ao ensino tradicional da Matem&#xE1;tica e tendo como suporte trabalhos sobre cultura popular que vinham sendo realizados no IMECC, encontrou adeptos nesse Instituto que mobilizaram estrat&#xE9;gias para promo&#xE7;&#xE3;o desse movimento, bem como para sua legitima&#xE7;&#xE3;o como um processo que envolve a produ&#xE7;&#xE3;o, divulga&#xE7;&#xE3;o e circula&#xE7;&#xE3;o de distintas matem&#xE1;ticas, presentes em diferentes e m&#xFA;ltiplos contextos culturais.</p>
<p>Assim, tanto a Modelagem Matem&#xE1;tica como a Etnomatem&#xE1;tica encontraram solo f&#xE9;rtil no IMECC para desenvolver e frutificar, tendo em vista o envolvimento de um grupo de professores com pensamentos convergentes a respeito de Educa&#xE7;&#xE3;o, de ensino e de aprendizagem da Matem&#xE1;tica. Apesar de n&#xE3;o haver ainda uma comunidade nacional organizada e articulada em torno de quest&#xF5;es de car&#xE1;ter educacional, cient&#xED;fico, cultural, pol&#xED;tico e social sobre a Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, no IMECC essa &#xE1;rea do conhecimento ganha certa proje&#xE7;&#xE3;o com o desenvolvimento de pesquisas, forma&#xE7;&#xE3;o de grupos de estudos, promo&#xE7;&#xE3;o de cursos e discuss&#xF5;es em torno de tend&#xEA;ncias did&#xE1;ticas e investigativas.</p>
<p>Vale destacar a importante atua&#xE7;&#xE3;o nas a&#xE7;&#xF5;es envolvendo quest&#xF5;es educacionais desenvolvidas no IMECC de algu&#xE9;m que optou por se tornar um matem&#xE1;tico, mas que construiu, em paralelo e de forma gradativa, uma consistente forma&#xE7;&#xE3;o para investir em quest&#xF5;es da Educa&#xE7;&#xE3;o de forma bastante incisiva: Ubiratan D&#x2019;Ambrosio. Como diretor do IMECC, Ubiratan, mais que um arauto, foi um grande pol&#xED;tico, al&#xE9;m de um importante agente na promo&#xE7;&#xE3;o da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, sem deixar de lado os interesses da Matem&#xE1;tica Pura, &#xE1;rea cuja pesquisa ele tamb&#xE9;m contribuiu para alavancar, ao promover a vinda para a Unicamp de diversos matem&#xE1;ticos, j&#xE1; doutores, de distintas institui&#xE7;&#xF5;es do Brasil.</p>
<p>Mesmo com o dinamismo de D&#x2019;Ambrosio, os envolvidos com as a&#xE7;&#xF5;es voltadas &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no IMECC n&#xE3;o encontraram o devido apoio institucional nesse espa&#xE7;o, o que limitava a atua&#xE7;&#xE3;o individual dos docentes com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; produ&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica. Eduardo Sebastiani relata na entrevista que nos concedeu ter experienciado resist&#xEA;ncias pautadas num discurso que questionava a natureza da pesquisa em um Departamento de Matem&#xE1;tica. Segundo suas palavras,</p> <disp-quote>
<p><italic>Infelizmente, na Unicamp n&#xE3;o tivemos suporte para o que est&#xE1;vamos fazendo. N&#xE3;o sei, mas nosso trabalho n&#xE3;o foi muito bem aceito no nosso departamento. Achavam que a gente deveria estar fazendo pesquisa em Matem&#xE1;tica Pura, que a gente n&#xE3;o devia perder tempo com essas coisas. N&#xE3;o houve apoio nenhum</italic> (Eduardo Sebastiani Ferreira em <xref ref-type="bibr" rid="B15">FILLOS, 2019</xref>, p. 77).</p></disp-quote>
<p>Diante da dificuldade em trabalhar de modo direto com quest&#xF5;es da Educa&#xE7;&#xE3;o na Unicamp, no in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1980, os professores Ubiratan D&#x2019;Ambrosio, Rodney Bassanezi e Eduardo Sebastiani uniram-se a um grupo de docentes da Unesp de Rio Claro e de outras institui&#xE7;&#xF5;es e passaram a desenvolver pesquisas e atividades voltadas ao ensino e &#xE0; aprendizagem da Matem&#xE1;tica nessa institui&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>&#xC9; importante destacar que a Unesp Rio Claro, j&#xE1; nesse tempo, mostrava-se na vanguarda com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; pr&#xE1;tica e &#xE0; pesquisa em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica. Al&#xE9;m da oferta de cursos de extens&#xE3;o universit&#xE1;ria, de aperfei&#xE7;oamento e de especializa&#xE7;&#xE3;o aos professores de Matem&#xE1;tica em forma&#xE7;&#xE3;o e em servi&#xE7;o, em 1980, a Secretaria da Educa&#xE7;&#xE3;o do Estado de S&#xE3;o Paulo assinou um conv&#xEA;nio com o campus, com vistas &#xE0; reestrutura&#xE7;&#xE3;o de curr&#xED;culos e programas, forma&#xE7;&#xE3;o continuada de docentes, organiza&#xE7;&#xE3;o de semin&#xE1;rios e trabalhos com classes experimentais. Essas atividades, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B3">Bicudo (2014)</xref>, conduziram &#xE0; reuni&#xE3;o de professores e pesquisadores preocupados com quest&#xF5;es da Matem&#xE1;tica e seu ensino, oriundos de diferentes regi&#xF5;es do Brasil e de diversas institui&#xE7;&#xF5;es, dentre eles os j&#xE1; citados professores do IMECC. As discuss&#xF5;es e a&#xE7;&#xF5;es desenvolvidas por esse grupo impulsionariam, alguns anos mais tarde, a cria&#xE7;&#xE3;o de um programa de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o na &#xE1;rea.</p>
<p>Com efeito, os debates pol&#xED;ticos para a cria&#xE7;&#xE3;o do referido programa se intensificaram a partir de 1982, principalmente com a vinda para a Unesp de Rio Claro da professora Maria Aparecida Viggiani Bicudo, uma das principais articuladoras do projeto. No ano de 1983, alguns alunos interessados no Programa passaram a fazer disciplinas com professores da institui&#xE7;&#xE3;o, pensando na imin&#xEA;ncia da abertura do Mestrado. Um desses alunos foi Dion&#xED;sio Burak, que come&#xE7;ou a trabalhar em um projeto com o professor Luiz Roberto Dante e a participar de um grupo de estudo com os professores Geraldo Perez, Mario Tourasse Teixeira e Eurides Alves de Oliveira.</p>
<p>O Mestrado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica da Unesp de Rio Claro foi o primeiro programa regular nessa &#xE1;rea oferecido no Brasil. Teve in&#xED;cio efetivamente em mar&#xE7;o 1984 como uma &#xE1;rea de concentra&#xE7;&#xE3;o do Mestrado em Matem&#xE1;tica. Em 1987 deixou de ser apenas uma &#xE1;rea de concentra&#xE7;&#xE3;o passando a atuar em tr&#xEA;s linhas de pesquisa: 1) Fundamentos matem&#xE1;ticos e filos&#xF3;ficos da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica; 2) Tend&#xEA;ncias atuais em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e; 3) Ensino e Aprendizagem da Matem&#xE1;tica.</p>
<p>A primeira turma teve como alunos Maria Dolis, Dion&#xED;sio Burak e Regina Luzia Corio de Buriasco, vindos de institui&#xE7;&#xF5;es paranaenses; Jos&#xE9; Geraldo Acioly Mendes da Silva, vinculado &#xE0; Universidade Federal do Piau&#xED;; Marcelo de Carvalho Borba e Claudia Segadas Viana, ambos rec&#xE9;m egressos de cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o cariocas; Luis M&#xE1;rcio Imenes e Marineusa Gazzetta, vinculados a institui&#xE7;&#xF5;es paulistas; e Eliane Scheid Gazire, ent&#xE3;o vinculada &#xE0; Universidade Federal de Minas Gerais. Esses alunos foram selecionados entre aproximadamente cem candidatos, sendo que um dos crit&#xE9;rios utilizados pela banca avaliadora foi &#x201C;<italic>pegar pessoas diferenciadas, do Brasil todo, e com diferentes tipos de experi&#xEA;ncia</italic>&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn38"><sup>38</sup></xref>.</p>
<p>Desses nove alunos selecionados, tr&#xEA;s foram orientados por Rodney Bassanezi e de alguma forma estiveram envolvidos com os cursos de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem de Guarapuava: Dion&#xED;sio Burak, Marineusa Gazzetta e Maria Dolis. Outros dois alunos, embora n&#xE3;o tenham desenvolvido seus mestrados tendo como foco a Modelagem, participaram ativamente da proposta de Guarapuava: Regina Buriasco<xref ref-type="fn" rid="fn39"><sup>39</sup></xref> ministrou disciplinas nos tr&#xEA;s cursos l&#xE1; realizados; e Marcelo Borba<xref ref-type="fn" rid="fn40"><sup>40</sup></xref> foi monitor do curso de 1985-1986.</p>
<p>Desse modo, embora os primeiros trabalhos de Modelagem Matem&#xE1;tica tenham emergido de Programas de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o da PUC-RJ e da Unicamp, &#xE9; no Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (PPGEM) de Rio Claro, com a contribui&#xE7;&#xE3;o de professores do IMECC, que a Modelagem, enquanto tema de pesquisa e proposta de experi&#xEA;ncia pr&#xE1;tica, ganha forte impulso com estudos mais sistem&#xE1;ticos, traduzidos em disserta&#xE7;&#xF5;es de mestrado e, posteriormente, tornando-se foco de investiga&#xE7;&#xE3;o de pesquisadores, como &#xE9; o caso de Marcelo de Carvalho Borba, que fez da Modelagem uma de suas principais &#xE1;reas de pesquisa. Das vinte e uma disserta&#xE7;&#xF5;es produzidas at&#xE9; o ano de 1990 no PPGEM, cinco delas tratam de aspectos te&#xF3;ricos e metodol&#xF3;gicos da Modelagem Matem&#xE1;tica<xref ref-type="fn" rid="fn41"><sup>41</sup></xref>. Numa tentativa de reflex&#xE3;o, sistematiza&#xE7;&#xE3;o e teoriza&#xE7;&#xE3;o dessa linha de pesquisa, tais trabalhos trazem propostas de ensino ou buscam enfatizar o desenvolvimento de experi&#xEA;ncias com professores e alunos de diferentes etapas da escolariza&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>O primeiro trabalho de Modelagem Matem&#xE1;tica realizado no PPGEM &#xE9; considerado tamb&#xE9;m o pioneiro no Brasil espec&#xED;fico na &#xE1;rea do ensino e da aprendizagem na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica (<xref ref-type="bibr" rid="B16">FIORENTINI, 1994</xref>). Trata-se do estudo de Dion&#xED;sio Burak, defendido em 1987, em que o autor prop&#xF5;e a Modelagem Matem&#xE1;tica como metodologia alternativa para o ensino de Matem&#xE1;tica na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, mais especificamente na 5&#xAA; s&#xE9;rie do 1&#xB0; grau (atual 6&#xB0; ano do Ensino Fundamental &#x2013; Anos Finais). Al&#xE9;m de descrever a elabora&#xE7;&#xE3;o da proposta metodol&#xF3;gica e sua aplica&#xE7;&#xE3;o com um grupo de professores de 1&#xB0; e 2&#xB0; graus, Burak discute em sua disserta&#xE7;&#xE3;o as perspectivas did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gicas da Modelagem, destacando, sobretudo, a motiva&#xE7;&#xE3;o e o interesse que essa metodologia proporciona ao estudo da Matem&#xE1;tica. Vale destacar que a op&#xE7;&#xE3;o de Burak pela pesquisa com Modelagem Matem&#xE1;tica, segundo ele pr&#xF3;prio, incide do seu contato com Bassanezi, quando cursou disciplinas de cursos de ver&#xE3;o na Unicamp, no in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1980, e da sua participa&#xE7;&#xE3;o como colaborador do primeiro curso de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem, ofertado na Fafig de Guarapuava, institui&#xE7;&#xE3;o da qual Burak era professor. O curso teve in&#xED;cio em janeiro de 1983, dois meses antes de sua ida para Rio Claro, e foi determinante para a defini&#xE7;&#xE3;o da tem&#xE1;tica de sua pesquisa. Foi observando as atividades desenvolvidas no curso e todo o movimento em torno da Modelagem Matem&#xE1;tica que ele se decidiu pelo tema de pesquisa e, principalmente, por ter o ensino de 1&#xB0; grau como foco.</p>
<p>O envolvimento com os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o foi tamb&#xE9;m o que motivou Marineusa Gazzetta a estudar Modelagem Matem&#xE1;tica no Mestrado em Rio Claro. Sua pesquisa, defendida em 1989, foi a segunda a abordar o tema. Marineusa integrou a equipe itinerante do IMECC na realiza&#xE7;&#xE3;o dos cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o com &#xEA;nfase na Modelagem, sendo docente em diversas edi&#xE7;&#xF5;es desses cursos, em distintas institui&#xE7;&#xF5;es brasileiras.</p>
<p>Em sua disserta&#xE7;&#xE3;o, ela faz um relato e uma reflex&#xE3;o das experi&#xEA;ncias envolvendo a Modelagem Matem&#xE1;tica a partir de sua trajet&#xF3;ria acad&#xEA;mica e da trajet&#xF3;ria do grupo do IMECC, ao longo de aproximadamente sete anos, dando destaque ao seu envolvimento com os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o. Ela afirma em seu trabalho que a possibilidade de participar do grupo do IMECC constitu&#xED;do por professores-pesquisadores comprometidos com a Educa&#xE7;&#xE3;o levou-a a repensar o &#x2018;ser&#x2019; da Educa&#xE7;&#xE3;o e a vislumbrar &#x201C;a Modelagem como estrat&#xE9;gia para a aprendizagem da Matem&#xE1;tica, numa concep&#xE7;&#xE3;o que visa &#xE0; pessoa do estudante&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B24">GAZZETTA, 1989</xref>, p. 2).</p>
<p>No mesmo ano de conclus&#xE3;o da disserta&#xE7;&#xE3;o de Gazzetta, em 1989, Maria Dolis tamb&#xE9;m defendeu seu trabalho no PPGEM, o primeiro a tratar da Modelagem Matem&#xE1;tica no ensino de 3&#xB0; grau. Nesse estudo, a autora realiza primeiramente uma revis&#xE3;o bibliogr&#xE1;fica para tomar conhecimento do processo de Modelagem Matem&#xE1;tica e, em seguida, delineia um plano de ensino de C&#xE1;lculo para a &#xE1;rea de Ci&#xEA;ncias Biol&#xF3;gicas da Universidade Estadual de Maring&#xE1;. Mostra, ainda, em seu trabalho, as possibilidades da abordagem de conceitos como Derivada, Integral, Limites e Equa&#xE7;&#xF5;es Diferenciais, explorando, para tanto, um problema relativo &#xE0; pesca indiscriminada, vindo de um estudo realizado anteriormente por seu orientador, Rodney Bassanezi. Dolis, no per&#xED;odo em que desenvolveu seu mestrado, acompanhou a equipe do IMECC num dos cursos realizados em Guarapuava (1985-1986), participando ativamente das atividades como ouvinte, no intuito de melhor compreender o processo de Modelagem Matem&#xE1;tica.</p>
<p>No ano seguinte &#xE0; defesa de Dolis, em 1990, duas outras disserta&#xE7;&#xF5;es sobre Modelagem Matem&#xE1;tica s&#xE3;o conclu&#xED;das na Unesp de Rio Claro: a de Maria Queiroga Amoroso Anast&#xE1;cio e de Maria Salett Biembengut.</p>
<p>Na entrevista que nos concedeu, Maria Salett revela que uma das experi&#xEA;ncias, em especial a primeira que realizou com Modelagem, foi determinante para os rumos de sua carreira profissional e acad&#xEA;mica. Trata-se de um projeto que desenvolveu com alunos de uma 8&#x1D43; s&#xE9;rie do per&#xED;odo noturno, de uma escola da periferia de Mogi Gua&#xE7;u &#x2013; a Escola da Estiva. Durante o per&#xED;odo em que realizou o mestrado em Rio Claro, Biembengut tamb&#xE9;m integrou a equipe do IMECC no desenvolvimento dos cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o, atuando primeiramente como monitora, depois como docente em algumas institui&#xE7;&#xF5;es brasileiras. Sua imers&#xE3;o em atividades com/pela Modelagem Matem&#xE1;tica e seu envolvimento com pesquisadores da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica possibilitaria que ela ampliasse seus contatos e, pouco tempo depois de finalizar sua disserta&#xE7;&#xE3;o, se tornasse secret&#xE1;ria geral<xref ref-type="fn" rid="fn42"><sup>42</sup></xref> da Sociedade Brasileira de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica &#x2013; Sbem, cargo que exerceu de 1993 a 1995.</p>
<p>As discuss&#xF5;es para a cria&#xE7;&#xE3;o de uma sociedade que congregasse profissionais que atuassem com Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica - compreendida em seus mais amplos aspectos interdisciplinares, did&#xE1;ticos, pedag&#xF3;gicos, sociol&#xF3;gicos, filos&#xF3;ficos, hist&#xF3;ricos e sociais - tiveram in&#xED;cio tamb&#xE9;m na d&#xE9;cada de 1980, mais especificamente no ano de 1985, quando um grupo de pesquisadores &#x2013; com a forte presen&#xE7;a de Ubiratan D&#x2019;Ambrosio - assumiu um compromisso, em Guadalajara, no M&#xE9;xico, durante a VI Confer&#xEA;ncia Interamericana de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (Ciaem), de &#x201C;propor a cria&#xE7;&#xE3;o da Sociedade Brasileira de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, com o objetivo de estimular e coordenar o interc&#xE2;mbio de estudos e atividades realizadas no Brasil na &#xE1;rea de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn43"><sup>43</sup></xref>.</p>
<p>Posteriormente, em 1987, por ocasi&#xE3;o da realiza&#xE7;&#xE3;o do primeiro Encontro Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (ENEM), na PUC&#x2013;SP, foi proposta formalmente a cria&#xE7;&#xE3;o da referida Sociedade e institu&#xED;da uma comiss&#xE3;o com a tarefa de pensar e produzir seus estatutos. Ap&#xF3;s aproximadamente 50 reuni&#xF5;es em distintas localidades do pa&#xED;s em que se elaboraram e se discutiram os termos de tal documento, num movimento de constru&#xE7;&#xE3;o coletiva e democr&#xE1;tica do qual participaram cerca de 1200 pessoas, o estatuto foi homologado no II ENEM, na cidade de Maring&#xE1;/PR, em 1988, quando, por delibera&#xE7;&#xE3;o da Plen&#xE1;ria Final do evento, nascia oficialmente a Sociedade Brasileira de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica (<xref ref-type="bibr" rid="B31">PEREIRA, 2005</xref>).</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>Decisivamente, os movimentos iniciados na d&#xE9;cada de 1980 no IMECC em torno da Modelagem Matem&#xE1;tica se complementaram e interpenetraram atingindo outros focos no Brasil, como o PPGEM de Rio Claro, que foi respons&#xE1;vel por redimensionar a pesquisa da &#xE1;rea para o campo da Educa&#xE7;&#xE3;o. Um desses movimentos &#x2013; os cursos de especializa&#xE7;&#xE3;o iniciados em Guarapuava &#x2013; em particular, atraiu alunos interessados na tem&#xE1;tica e fomentou o desenvolvimento das primeiras pesquisas em Modelagem voltadas ao ensino e &#xE0; aprendizagem da Matem&#xE1;tica, contribuindo para o surgimento de novos n&#xFA;cleos de pesquisa na &#xE1;rea. Os novos pesquisadores, ao se vincularem &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es de ensino em distintas regi&#xF5;es brasileiras, aderiram ou criaram linhas de investiga&#xE7;&#xE3;o voltadas &#xE0; Modelagem, como Dion&#xED;sio Burak e Maria Salett Biembengut que, ap&#xF3;s defenderem suas disserta&#xE7;&#xF5;es, passaram a orientar trabalhos acad&#xEA;micos e, posteriormente, a coordenar grupos de pesquisa na &#xE1;rea.</p>
<p>Parece n&#xE3;o ter sido mera coincid&#xEA;ncia que a oferta do primeiro curso de Especializa&#xE7;&#xE3;o em Modelagem Matem&#xE1;tica tenha ocorrido na mesma &#xE9;poca em que se davam as discuss&#xF5;es para implanta&#xE7;&#xE3;o do primeiro curso de Mestrado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica no pa&#xED;s. Havia, na verdade, &#x201C;um movimento embrion&#xE1;rio de educadores matem&#xE1;ticos que vinha se desenvolvendo espontaneamente em v&#xE1;rios estados brasileiros, sem qualquer organiza&#xE7;&#xE3;o ou representa&#xE7;&#xE3;o coletiva&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B29">MUNIZ, 2013</xref>). Assim, enquanto um grupo de matem&#xE1;ticos do IMECC, em Campinas, articulava-se em torno de uma proposta metodol&#xF3;gica, outro grupo, composto por matem&#xE1;ticos e uma pedagoga, da Unesp de Rio Claro, articulava-se em torno do projeto de um curso de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o. O reconhecimento de suas ideias e pr&#xE1;ticas entre os pares viriam contribuir para a constitui&#xE7;&#xE3;o de uma &#xE1;rea emergente e para a caracteriza&#xE7;&#xE3;o dos conhecimentos que produziam/produzem como Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica. Esses profissionais, ao se unirem, mesmo em meio &#xE0;s barreiras burocr&#xE1;ticas e pol&#xED;ticas, encontraram for&#xE7;a e determina&#xE7;&#xE3;o para a cria&#xE7;&#xE3;o do primeiro Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, contribuindo, sobremaneira, para a consolida&#xE7;&#xE3;o de um campo profissional e cient&#xED;fico que emergia no Brasil: a Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label> 
<p>Foram entrevistados: Rodney Carlos Bassanezi, Eduardo Sebastiani Ferreira, Regina Luzia Corio de Buriasco, Maria Salett Biembengut, Dion&#xED;sio Burak, Sidnei Ragazzi, Nelson Zagorski, S&#xED;lvio de A. Pregnolatto, Jo&#xE3;o Frederico da C. A. Meyer, Paulo Roberto Mendes Guimar&#xE3;es, Vitor Hugo Zanette e Irene Raquel Garcia. Foram tamb&#xE9;m mobilizadas entrevistas disponibilizadas integralmente em outros estudos.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label> 
<p>&#x201C;Excedentes&#x201D; &#xE9; o termo usado para os alunos que obtinham pontua&#xE7;&#xE3;o suficiente nos vestibulares eliminat&#xF3;rios, mas n&#xE3;o conseguiam ingressar no ensino superior por falta de vagas. Para resolver este problema, na d&#xE9;cada de 1970, o governo passou a adotar o mecanismo do vestibular classificat&#xF3;rio.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label> 
<p>A conjuntura pol&#xED;tica brasileira da &#xE9;poca abriu caminho para a aprova&#xE7;&#xE3;o de uma s&#xE9;rie de regulamenta&#xE7;&#xF5;es sem o aval da sociedade civil, dentre as quais a lei 5.540, de 28 de novembro de 1968, que fixou &#x201C;normas de organiza&#xE7;&#xE3;o e funcionamento do ensino superior e sua articula&#xE7;&#xE3;o com a escola m&#xE9;dia&#x201D;. Conhecida por Reforma Universit&#xE1;ria, a referida lei foi aprovada ap&#xF3;s um estudo detalhado da universidade brasileira, realizado por uma comiss&#xE3;o de especialistas, composta de americanos e brasileiros, nos termos do conv&#xEA;nio MEC-USAID. A lei n&#xB0; 5.540 esteve norteada por dois princ&#xED;pios b&#xE1;sicos: o controle pol&#xED;tico das universidades p&#xFA;blicas e a forma&#xE7;&#xE3;o de m&#xE3;o de obra para economia</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn4">
<label>4</label> 
<p>Paulo Cruz Pimentel foi governador do Paran&#xE1; de janeiro de 1966 a mar&#xE7;o de 1971, pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
<label>5</label> 
<p>At&#xE9; essa &#xE9;poca, o Paran&#xE1; contava somente com duas universidades, localizadas na capital, Curitiba: a Universidade Federal do Paran&#xE1;, criada em 1912 (apesar de n&#xE3;o haver consenso dessa data, detalhes em <xref ref-type="bibr" rid="B35">Wachowicz (2006)</xref>), e a Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica, de car&#xE1;ter privado, criada em 1959.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn6">
<label>6</label> 
<p>Como institui&#xE7;&#xF5;es isoladas entendem-se as faculdades independentes de um &#xF3;rg&#xE3;o central de administra&#xE7;&#xE3;o, podendo ser privadas ou p&#xFA;blicas (municipal, estadual ou federal).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn7">
<label>7</label> 
<p>&#x201C;Anos de Chumbo&#x201D; &#xE9; a designa&#xE7;&#xE3;o do per&#xED;odo mais repressivo da ditadura militar no Brasil. Teve in&#xED;cio em 1968, com a edi&#xE7;&#xE3;o do Ato Institucional 5, e durou at&#xE9; o final do governo M&#xE9;dici, em mar&#xE7;o de 1974.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
<label>8</label> 
<p>&#x201C;Milagre econ&#xF4;mico brasileiro&#x201D; &#xE9; a denomina&#xE7;&#xE3;o dada &#xE0; &#xE9;poca de acelera&#xE7;&#xE3;o do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e da massiva industrializa&#xE7;&#xE3;o ocorrida durante o regime militar, entre 1969 e 1973.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn9">
<label>9</label> 
<p>Sociedade do Divino Salvador ou Congrega&#xE7;&#xE3;o dos Salvatorianos &#xE9; um instituto religioso apost&#xF3;lico, de direito pontif&#xED;cio, fundado em Roma em 1881.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn10">
<label>10</label> 
<p>Presidente da Rep&#xFA;blica de 30 de outubro de 1969 a 15 de mar&#xE7;o de 1974.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label> 
<p>Autoriza&#xE7;&#xE3;o dada pelo decreto n&#xB0; 66.083, de 16 de janeiro de 1970.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn12">
<label>12</label> 
<p>A Lei 6.034, de 06 de novembro de 1969, criava oficialmente as Universidades de Ponta Grossa, Maring&#xE1; e Londrina e institu&#xED;a, pelos incisos 1&#xB0; e 2&#xB0;, que os estabelecimentos de ensino seriam organizados como &#x201C;funda&#xE7;&#xE3;o de direito p&#xFA;blico&#x201D; e que a denomina&#xE7;&#xE3;o oficial da institui&#xE7;&#xE3;o deveria ser antecedida da designa&#xE7;&#xE3;o &#x201C;Funda&#xE7;&#xE3;o&#x201D;.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn13">
<label>13</label> 
<p>A Lei de Diretrizes e Bases n&#xB0; 4024/61, art. 52, regulamentava que &#x201C;o ensino normal tem por fim a forma&#xE7;&#xE3;o de professores, orientadores, supervisores e administradores escolares destinados ao ensino prim&#xE1;rio, e o desenvolvimento dos conhecimentos t&#xE9;cnicos relativos &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o da inf&#xE2;ncia&#x201D;.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn14">
<label>14</label> 
<p>O curso de Pedagogia foi autorizado a funcionar, na Fafig, em outubro de 1976, e suas primeiras turmas iniciaram as aulas em mar&#xE7;o do ano seguinte.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn15">
<label>15</label> 
<p>Exames prestados por candidatos &#xE0; doc&#xEA;ncia que n&#xE3;o tinham forma&#xE7;&#xE3;o inicial adequada, segundo a legisla&#xE7;&#xE3;o vigente. Os aprovados recebiam um registro com validade para a regi&#xE3;o em que poderiam exercer o magist&#xE9;rio.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn16">
<label>16</label> 
<p>Programas implantados com o objetivo de fornecer forma&#xE7;&#xE3;o para professores j&#xE1; atuantes e sem a habilita&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria. Dentre os programas emergenciais, destaca-se a Campanha de Aperfei&#xE7;oamento e Difus&#xE3;o do Ensino Secund&#xE1;rio (CADES), que vigorou no pa&#xED;s no per&#xED;odo de 1953 ao in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1970.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn17">
<label>17</label> 
<p>A gratuidade do Ensino Superior no Paran&#xE1; foi oficializada pela Lei n&#xB0; 8675, de 21 de dezembro de 1987.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn18">
<label>18</label> 
<p>Instituto de Matem&#xE1;tica, Estat&#xED;stica e Computa&#xE7;&#xE3;o Cient&#xED;fica da Universidade de Campinas/SP.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn19">
<label>19</label> 
<p>Vale destacar a oferta de cursos na d&#xE9;cada de 1980 relacionados &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o Especial, em conv&#xEA;nio com a Universidade Federal de S&#xE3;o Carlos, que indicam um olhar atento dos docentes e gestores da Faculdade para quest&#xF5;es relacionadas &#xE0; inclus&#xE3;o educacional, na &#xE9;poca ainda pouco usual. Precisamente, a especializa&#xE7;&#xE3;o que teve in&#xED;cio em 1984, realizada na &#xE1;rea de Defici&#xEA;ncia Mental, &#xE9; considerada a primeira p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>lato sensu</italic> desenvolvida em Educa&#xE7;&#xE3;o Especial no Paran&#xE1;, &#xE1;rea que posteriormente ganhou for&#xE7;a em todo o estado (<xref ref-type="bibr" rid="B2">ALMEIDA, 2004</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn20">
<label>20</label> 
<p>Utilizaremos, vez ou outra, somente o termo &#x201C;Modelagem&#x201D; para designar Modelagem Matem&#xE1;tica, de modo a evitar repeti&#xE7;&#xF5;es.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn21">
<label>21</label> 
<p>Eram alunos graduados em Ci&#xEA;ncias &#x2013; Licenciatura Curta, e cursavam a Complementa&#xE7;&#xE3;o em Matem&#xE1;tica. Por j&#xE1; possu&#xED;rem um t&#xED;tulo de gradua&#xE7;&#xE3;o, puderam matricular-se em curso de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn22">
<label>22</label> 
<p>Evid&#xEA;ncias sobre a utiliza&#xE7;&#xE3;o das ideias de modelos matem&#xE1;ticos s&#xE3;o encontradas em uma cole&#xE7;&#xE3;o de textos publicados entre 1958 e 1965; em trabalhos realizados pelo <italic>School Mathematics Study Group</italic> (SMSG) entre os anos de 1966 a 1970 e em publica&#xE7;&#xF5;es de Henry Pollack no 69&#xB0; anu&#xE1;rio da <italic>National Society for the Study of Education</italic> e no <italic>New Trends in Mathematics Teaching IV</italic>, no qual o autor apresenta um panorama sobre as aplica&#xE7;&#xF5;es matem&#xE1;ticas no ensino e detalha o processo de constru&#xE7;&#xE3;o de modelos (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BIEMBENGUT, 2009</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn23">
<label>23</label> 
<p>Definido como aplica&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica dos conhecimentos matem&#xE1;ticos para a ci&#xEA;ncia e a sociedade.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn24">
<label>24</label> 
<p>IOWO &#x2013; <italic>Institut On twikkeling Wiskundeonderwijs</italic> (Instituto para o Desenvolvimento da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica), fundado em 1971, atualmente <italic>Freudenthal Institute</italic> (FI).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn25">
<label>25</label> 
<p><italic>International Community of Teachers of Modelling and Application</italic>. Recentemente, o ICTMA afiliou-se ao ICMI (<italic>International Comissionon Mathematics Instruction</italic>) passando sua sigla a significar &#x201C;<italic>The International Study Group for Mathematical Modelling and Applications</italic>&#x201D;.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn26">
<label>26</label> 
<p>A primeira ICTMA ocorreu em 1983, na <italic>Exeter University</italic>, no Reino Unido, tendo dela participado 125 pessoas de 23 pa&#xED;ses. Ocorreram no evento duas palestras plen&#xE1;rias e mais 39 em sess&#xF5;es paralelas. A maioria das apresenta&#xE7;&#xF5;es abordava a Modelagem na Educa&#xE7;&#xE3;o Superior; somente 5 eram relativas &#xE0; Escola B&#xE1;sica (<xref ref-type="bibr" rid="B5">BIEMBENGUT, 2015</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn27">
<label>27</label> 
<p>Na entrevista dispon&#xED;vel em <xref ref-type="bibr" rid="B34">Vianna (2000)</xref>, Bassanezi explica que duas teses foram defendidas no Programa antes deles, por&#xE9;m sob orienta&#xE7;&#xE3;o de professores da Universidade de S&#xE3;o Paulo. Considerando a orienta&#xE7;&#xE3;o de um professor do IMECC, sua tese foi a primeira a ser defendida.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn28">
<label>28</label> 
<p>Posteriormente exerceu o cargo de Pr&#xF3;-Reitor de Desenvolvimento Universit&#xE1;rio, de 1982 a 1990.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn29">
<label>29</label> 
<p>Programa criado pelo Decreto n&#xB0; 70.067, de 26 de janeiro de 1972, com o objetivo principal de aperfei&#xE7;oar o sistema de ensino de primeiro e segundo graus no Brasil. Este programa absorveu o Programa de Expans&#xE3;o e Melhoria do Ensino M&#xE9;dio - PREMEM - aprovado pelo Decreto n&#xB0; 63.914, de 26 de dezembro de 1968.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn30">
<label>30</label> 
<p>Publica&#xE7;&#xE3;o do material anos depois em <xref ref-type="bibr" rid="B23">Gazzetta et al (1986)</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn31">
<label>31</label> 
<p><italic>Aristides Camargo Barreto</italic> orientou as duas primeiras disserta&#xE7;&#xF5;es em Modelagem Matem&#xE1;tica da P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o da PUC-RJ, em 1976 e 1979. Tais disserta&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o consideradas as primeiras na &#xE1;rea da Modelagem no Brasil.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn32">
<label>32</label> 
<p>Excertos da narrativa de Rodney Carlos Bassanezi em <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fillos (2019)</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn33">
<label>33</label> 
<p>Consta na documenta&#xE7;&#xE3;o de planejamento do curso que a disciplina Metodologia Cient&#xED;fica Aplicada seria ministrada <italic>a priori</italic> pelo professor da Fafig, Giocondo Fagundes, por&#xE9;m no hist&#xF3;rico escolar disponibilizado pelo professor Vitor Hugo Zanette, que foi aluno dessa turma, consta o nome do professor Luiz Roberto Dante como docente respons&#xE1;vel pela disciplina.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn34">
<label>34</label> 
<p>Seguem as ementas de cada uma dessas disciplinas:</p>
<p><italic>Etno Matem&#xE1;tica e o Ensino</italic>: Embasamento sobre etno matem&#xE1;tica e t&#xE9;cnicas de pesquisa de campo. Reconhecimento das situa&#xE7;&#xF5;es reais da comunidade, f&#xE1;brica, hospitais, restaurantes&#x2026; Levantamento de dados quantitativos e qualitativos. Sistematiza&#xE7;&#xE3;o dos dados coletados. A escola como agente de integra&#xE7;&#xE3;o comunit&#xE1;ria. <italic>M&#xF3;dulo de Aprendizagem I</italic>: Formula&#xE7;&#xE3;o l&#xF3;gica da pesquisa de campo. Matem&#xE1;tica elementar aplicada a problemas reais. Estudo anal&#xED;tico para o 1&#xB0; grau. Modelagem de problemas concretos. <italic>M&#xF3;dulo de Aprendizagem II</italic>: Correla&#xE7;&#xE3;o entre o mundo real e a matem&#xE1;tica de 2&#xB0; e 3&#xB0; graus. Pesquisa de laborat&#xF3;rio &#x2013; constru&#xE7;&#xE3;o de modelos. Modelos concretos para situa&#xE7;&#xF5;es reais. Grupos de trabalho. <italic>Modelos Matem&#xE1;ticos I</italic>: Sequ&#xEA;ncias e progress&#xF5;es, arranjos, permuta&#xE7;&#xF5;es, combina&#xE7;&#xF5;es, probabilidades; geometria plana e espacial; trigonometria, logaritmos e exponencial; matrizes e sistemas de equa&#xE7;&#xF5;es. <italic>Modelos Matem&#xE1;ticos II</italic>: Fun&#xE7;&#xF5;es (polinomiais, logar&#xED;tmicas, exponenciais, trigonom&#xE9;tricas); limites (n&#xFA;meros reais, uso de calculadora), derivada &#x2013; taxa relacionada, crescimento e decrescimento de fun&#xE7;&#xF5;es, m&#xE1;ximos e m&#xED;nimos, an&#xE1;lise e gr&#xE1;fico de fun&#xE7;&#xF5;es. <italic>Modelos Matem&#xE1;ticos III</italic>: Integrais &#x2013; estudos de arcos, figuras planas; modelos f&#xED;sicos, uso de calculadora, regra Simpson; equa&#xE7;&#xF5;es diferenciais ordin&#xE1;rias; sistemas especiais &#x2013; com enfoques; modelos matem&#xE1;ticos aplicados &#xE0; Biologia, Epidemologia, Economia, F&#xED;sica, Quimica, Ecologia. <italic>Metodologia Cient&#xED;fica Aplicada</italic>: M&#xE9;todo cient&#xED;fico; a metodologia como ci&#xEA;ncia; normas para sublinhar textos. Estrutura&#xE7;&#xE3;o de esquemas e resumos: ficha bibliogr&#xE1;fica; refer&#xEA;ncias bibliogr&#xE1;ficas; trabalhos cient&#xED;ficos de campo experimentais; projeto de pesquisa; instrumentos de pesquisa; partes do trabalho cient&#xED;fico; monografia. <italic>Estudo dos Problemas Brasileiros I</italic>: Educa&#xE7;&#xE3;o e Sa&#xFA;de. Manifesto Ecol&#xF3;gico. Aspectos da Matem&#xE1;tica na Biologia.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn35">
<label>35</label> 
<p>Excerto da narrativa de Regina Buriasco em <xref ref-type="bibr" rid="B15">Fillos (2019)</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn36">
<label>36</label> 
<p>Foram realizados dois cursos na Universidade Federal do ABC com a referida estrutura. As disciplinas ficaram sob a responsabilidade de Rodney Bassanezi e Paulo Roberto Guimar&#xE3;es, da Unicamp, e Geraldo Pompeu, da Universidade Federal de S&#xE3;o Carlos.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn37">
<label>37</label> 
<p>Segundo Almerindo Marques Bastos, entrevistado em <xref ref-type="bibr" rid="B33">Souza (1998)</xref>, participaram do projeto: Marineusa Gazzetta, Afira Vianna Ripper (da &#xE1;rea de Hist&#xF3;ria), Luiz Roberto Dante, Maria Aparecida Mendon&#xE7;a Jord&#xE3;o, Maria C&#xE9;lia Garbi, Maria Jos&#xE9; Piason Breglio e Renato Alvares Scanavini. Numa segunda fase participaram tamb&#xE9;m Maria Luiza do Prado Zamarion, Gilberto Luis Moraes Selber, Divina Aparecida de Aquino, Clodoaldo Pereira Leite e Yeda Nice Gon&#xE7;alves. Nosso estudo indica que Regina Buriasco tamb&#xE9;m participou da segunda fase do projeto.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn38">
<label>38</label> 
<p>Excerto da entrevista de Maria Aparecida Viggiani Bicudo, realizada por Vicente Garnica, dispon&#xED;vel na &#xED;ntegra em <xref ref-type="bibr" rid="B22">Garnica e Bicudo (2018)</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn39">
<label>39</label> 
<p>Regina Buriasco foi orientada por Ubiratan D&#x2019;Ambrosio e desenvolveu o estudo &#x201C;A matem&#xE1;tica de dentro e de fora da escola: do bloqueio &#xE0; transi&#xE7;&#xE3;o&#x201D;.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn40">
<label>40</label> 
<p>Marcelo de Carvalho Borba foi orientado por Maria A. V. Bicudo e co-orientado por Eduardo Sebastiani Ferreira. A disserta&#xE7;&#xE3;o, defendida em 1987, intitulada: &#x201C;Um Estudo em Etnomatem&#xE1;tica: sua Incorpora&#xE7;&#xE3;o na Elabora&#xE7;&#xE3;o de uma Proposta Pedag&#xF3;gica para o N&#xFA;cleo-Escola da Vila Nogueira - S&#xE3;o Quirino&#x201D;, &#xE9; considerada o primeiro trabalho em n&#xED;vel de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o voltado &#xE0; Etnomatem&#xE1;tica.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn41">
<label>41</label> 
<p>Tomamos como refer&#xEA;ncia os dados dispon&#xED;veis no cat&#xE1;logo de resumos de disserta&#xE7;&#xF5;es do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica da Unesp &#x2013; Rio Claro, 1987 &#x2013; 1994 (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BORBA, 1995</xref>). Consideramos somente as disserta&#xE7;&#xF5;es defendidas at&#xE9; 1990, dada a periodiza&#xE7;&#xE3;o por n&#xF3;s proposta para este estudo.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn42">
<label>42</label> 
<p>Como era chamada, &#xE0; &#xE9;poca, a posi&#xE7;&#xE3;o de Presidente.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn43">
<label>43</label> 
<p>Excerto de uma carta selando o compromisso dos participantes brasileiros no CIAEM de fundar a sociedade, dispon&#xED;vel em <xref ref-type="bibr" rid="B31">Pereira (2005)</xref>.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<element-citation publication-type="book">
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<name><surname>ABR&#xC3;O</surname><given-names>J. C.</given-names></name></person-group>
<year>2007</year>
<source>Trajet&#xF3;rias dos marcos referenciais do <italic>lato sensu:</italic> da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&#xE7;&#xE3;o de 1961 &#xE0; Resolu&#xE7;&#xE3;o n.&#xB0; 01 &#x2013; CNE de2001</source>
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<collab>REUNI&#xC3;O DA ANPED, 30</collab></person-group>
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<publisher-name>Pol&#xED;tica de Educa&#xE7;&#xE3;o Superior</publisher-name>
<comment>2007</comment>
<publisher-loc>Caxambu/MG</publisher-loc>
<comment><bold>Anais&#x2026;</bold> Caxambu, 2007</comment>
<fpage>01</fpage>
<lpage>17</lpage></element-citation>
<mixed-citation>ABR&#xC3;O, J. C. (2007). Trajet&#xF3;rias dos marcos referenciais do <italic>lato sensu:</italic> da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&#xE7;&#xE3;o de 1961 &#xE0; Resolu&#xE7;&#xE3;o n.&#xB0; 01 &#x2013; CNE de2001. In: <bold>REUNI&#xC3;O DA ANPED, 30</bold>, GT: Pol&#xED;tica de Educa&#xE7;&#xE3;o Superior, 2007, Caxambu/MG. <bold>Anais&#x2026;</bold> Caxambu, 2007, p. 01-17.</mixed-citation></ref>
<ref id="B2">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>ALMEIDA</surname><given-names>M. A.</given-names></name></person-group>
<article-title>Forma&#xE7;&#xE3;o do professor para a educa&#xE7;&#xE3;o especial: hist&#xF3;ria, legisla&#xE7;&#xE3;o e compet&#xEA;ncias</article-title>
<source>Cadernos de Educa&#xE7;&#xE3;o Especial</source>
<comment>Santa Maria</comment>
<volume>1</volume>
<issue>24</issue>
<fpage>23</fpage>
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<mixed-citation>BRASIL. Minist&#xE9;rio de Educa&#xE7;&#xE3;o e Cultura. <bold>Reforma universit&#xE1;ria</bold>: relat&#xF3;rio do grupo de trabalho criado pelo decreto n. 62.937/68. Bras&#xED;lia: Presid&#xEA;ncia da Rep&#xFA;blica, 1968.</mixed-citation></ref>
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<collab>BRASIL. Conselho Federal de Educa&#xE7;&#xE3;o</collab></person-group>
<source><bold>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xB0; 12, de 6 de outubro de 1983</bold>. Fixa condi&#xE7;&#xF5;es de validade dos certificados de cursos de aperfei&#xE7;oamento e especializa&#xE7;&#xE3;o para o Magist&#xE9;rio Superior, no sistema federal</source>
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<mixed-citation>GAZZETTA, M.; D&#x2019;AMBROSIO, U.; MACHADO, C. R. R.; AIDAR, E. M.; ZUTIN, M. C. G.; PRADO, M B. B.; MASTINE, R. L. B. <bold>Inicia&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Matem&#xE1;tica</bold>. v. 3. Campinas: Editora da Unicamp, 1986.</mixed-citation></ref>
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<source>A Modelagem como estrat&#xE9;gia de aprendizagem da matem&#xE1;tica em cursos de aperfei&#xE7;oamento de professores</source>
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<mixed-citation>GAZZETTA, M. <bold>A Modelagem como estrat&#xE9;gia de aprendizagem da matem&#xE1;tica em cursos de aperfei&#xE7;oamento de professores</bold>. 1989. Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica) &#x2013; Instituto de Geoci&#xEA;ncias e Ci&#xEA;ncias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 1989.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>MARAFON, M. R. C. <bold>Articula&#xE7;&#xE3;o p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o e gradua&#xE7;&#xE3;o</bold>: desafio para a educa&#xE7;&#xE3;o superior. 2001. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o) &#x2013; Faculdade de Educa&#xE7;&#xE3;o, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2001.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>MARTINS-SALANDIM, M. E. A <bold>interioriza&#xE7;&#xE3;o dos cursos de Matem&#xE1;tica no Estado de S&#xE3;o Paulo:</bold> um exame da d&#xE9;cada de 1960. 2012. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica). Instituto de Geoci&#xEA;ncias e Ci&#xEA;ncias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2012.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>MORAIS, M. B. <bold>Se um viajante&#x2026;</bold> Percursos e hist&#xF3;rias sobre a forma&#xE7;&#xE3;o de professores de matem&#xE1;tica no Rio Grande do Norte. 2017. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica). Instituto de Geoci&#xEA;ncias e Ci&#xEA;ncias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2017.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>OLIVEIRA. A. D. S. <bold>Os cursos de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o <italic>lato sensu</italic> em Educa&#xE7;&#xE3;o Infantil na Bahia</bold>: pol&#xED;ticas e pr&#xE1;tica da universidade p&#xFA;blica. 2012. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o) - Faculdade de Educa&#xE7;&#xE3;o, Universidade Federal de Goi&#xE1;s, Goi&#xE2;nia, 2012.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>PEREIRA, D. J. R. <bold>Hist&#xF3;ria do movimento democr&#xE1;tico que criou a Sociedade Brasileira de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica &#x2013; SBEM</bold>. 2005. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o) - Faculdade de Educa&#xE7;&#xE3;o, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>SHEEN, M. R. C. C. <bold>Pol&#xED;tica educacional e hegemonia</bold>: a cria&#xE7;&#xE3;o das primeiras universidades estaduais no Paran&#xE1; da d&#xE9;cada de 1960. 2000. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o) - Faculdade de Educa&#xE7;&#xE3;o, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2000.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>SOUZA, G. L. D. <bold>Tr&#xEA;s d&#xE9;cadas de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</bold>: um estudo de caso na Baixada Santista no per&#xED;odo de 1953 a 1980. 1998. Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica) - Instituto de Geoci&#xEA;ncias e Ci&#xEA;ncias Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 1998.</mixed-citation></ref>
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