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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Bolema</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0103-636X</issn>
<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pró-Reitoria de Pesquisa; Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática</publisher-name></publisher>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>A Forma&#xE7;&#xE3;o do Conceito de Quantidade: concep&#xE7;&#xF5;es de professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental</article-title>
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<trans-title>The Constitution of the Quantity Concept: conceptions of early grade elementary school teachers</trans-title></trans-title-group>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2306-7465</contrib-id>
<name><surname>Ferreira</surname><given-names>Valdivina Alves</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<institution content-type="orgname">Universidade Cat&#xF3;lica de Bras&#xED;lia</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o</institution>
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<institution content-type="original">Doutora em Educa&#xE7;&#xE3;o pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica (PUC &#x2013; Goi&#xE1;s). Docente no Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o pela Universidade Cat&#xF3;lica de Bras&#xED;lia (UCB), Bras&#xED;lia, Distrito Federal, Brasil.</institution></aff></contrib-group>
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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Rua 30 Norte, 3, apto. 909, &#xC1;guas Claras, Bras&#xED;lia, Distrito Federal, Brasil, CEP: <!--<postal-code>71918-180</postal-code>-->. E-mail: <email>valdivina5784@hotmail.com</email>.</corresp></author-notes>
<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
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<title>Resumo</title>
<p>O artigo apresenta resultados da pesquisa que teve por objetivo identificar e analisar as concep&#xE7;&#xF5;es expressas por professores de Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre forma&#xE7;&#xE3;o do conceito de quantidade pelos alunos e como atuam no ensino desse conceito. As an&#xE1;lises decorrem de uma pesquisa bibliogr&#xE1;fica e emp&#xED;rica com fundamentos na abordagem hist&#xF3;rico-cultural, principalmente em Vygotsky e em Davydov. Os resultados mostram que o conceito de quantidade, enquanto conceito nuclear da Matem&#xE1;tica, &#xE9; desconhecido e que as concep&#xE7;&#xF5;es que os professores expressaram est&#xE3;o na perspectiva da l&#xF3;gica formal de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos, contribuindo para o resultado fragilizado que temos a respeito da aprendizagem dos estudantes.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>The article presents results of a research aimed to identify and analyze the conceptions expressed by early grade elementary education teachers on the constitution of the quantity concept by students and how they act when being taught this concept. The analysis derive from a bibliographical and empirical research based on the historical-cultural approach, mainly in Vygotsky and in Davydov. The results show that the quantity concept as a nuclear mathematics concept is unknown and that the conceptions that teachers expressed are in the perspective of the formal logic of concept formation, contributing to the fragile result that we have on student learning.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Ensino de Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Ensino Desenvolvimental</kwd>
<kwd>Pensamento Te&#xF3;rico</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords:</title>
<kwd>Mathematics Teaching</kwd>
<kwd>Developmental Teaching</kwd>
<kwd>Theoretical Thinking</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Na abordagem hist&#xF3;rico-cultural, sobretudo nas teorias de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Vygotsky (2001</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">1982</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B17">2009</xref>) e de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B6">1982</xref>), a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos pelos alunos, ou seja, o processo de pensar por conceitos os fen&#xF4;menos da realidade, &#xE9; um dos meios mais importantes para a promo&#xE7;&#xE3;o de seu desenvolvimento integral. Considerando-se essa premissa, torna-se relevante que, nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, seja proporcionada aos alunos a forma&#xE7;&#xE3;o de um dos conceitos b&#xE1;sicos em Matem&#xE1;tica: o conceito de quantidade.</p>
<p>No Brasil, resultados de pesquisas sobre a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos, particularmente os relativos ao conceito de quantidade (fundamental para a forma&#xE7;&#xE3;o do pensamento matem&#xE1;tico dos alunos), t&#xEA;m sido objeto de discuss&#xE3;o. <xref ref-type="bibr" rid="B3">Cedro et al. (2010)</xref> apontam que o ensino do conceito de quantidade pode ocorrer de forma voltada ao desenvolvimento do pensamento dos estudantes, especificamente pelo m&#xE9;todo do geral ao particular e do abstrato ao concreto. Para os autores, sendo o n&#xFA;mero natural uma particularidade do conceito de n&#xFA;mero real, no ensino escolar da Matem&#xE1;tica, em vez de se come&#xE7;ar pelos n&#xFA;meros naturais, deve-se come&#xE7;ar pelos n&#xFA;meros reais.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B14">Rosa et al. (2011)</xref> mostram que, de modo geral, o professor tem ensinado o conceito de n&#xFA;mero nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a partir da contagem de objetos mostrados aos alunos, enquanto que, para impulsionar o desenvolvimento dos alunos, o ensino deveria considerar os n&#xFA;meros em um sistema conceitual.</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] &#xC9; s&#xF3; no campo dos n&#xFA;meros reais, tomados em sua din&#xE2;mica, atividade e movimento, que o conceito de n&#xFA;mero reflete sua verdadeira natureza. A rela&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero real com o objeto pressup&#xF5;e a exist&#xEA;ncia de rela&#xE7;&#xE3;o entre os naturais, racionais, irracionais e inteiros, ou seja, um sistema de conceitos (<xref ref-type="bibr" rid="B14">ROSA et al., 2011</xref>, p. 5).</p></disp-quote>
<p>&#xC9; nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que se concentra a maioria das crian&#xE7;as que, pela primeira vez, t&#xEA;m contato com os conceitos cient&#xED;ficos, aqueles que constituem a base para a aprendizagem de conceitos mais complexos. Ainda que n&#xE3;o seja o &#xFA;nico fator importante, entende-se que a qualidade do ensino e da aprendizagem de conceitos, nessa etapa, dependem fortemente da atua&#xE7;&#xE3;o do professor, de seu modo de organizar o ensino e de promover a atividade dos alunos para que entrem em um trabalho te&#xF3;rico-pr&#xE1;tico com os conceitos de maneira contextualizada.</p>
<p>Embora a aquisi&#xE7;&#xE3;o de conceitos matem&#xE1;ticos pelos alunos dependa significativamente da atividade de ensino do professor, n&#xE3;o se pode pressupor que o professor n&#xE3;o possua um conceito de quantidade e que, por isso, n&#xE3;o o tenha ensinado aos alunos. Para al&#xE9;m de atribuir ao professor o baixo desempenho dos alunos, faz-se necess&#xE1;rio compreender o que se encontra na base da sua atividade de ensino, em quais concep&#xE7;&#xF5;es esse docente se fundamenta, quais conceitos possui acerca do que ensina e como essas concep&#xE7;&#xF5;es e conceitos fundamentam (ou n&#xE3;o) sua atividade docente e a forma de organiz&#xE1;-la.</p>
<p>Diante do exposto, apresentamos neste trabalho os principais resultados de uma pesquisa que teve por objetivo analisar as concep&#xE7;&#xF5;es expressas por professores de Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre forma&#xE7;&#xE3;o de conceito de quantidade pelos alunos e como atuam no ensino desse conceito.</p>
<p>A seguir, apresenta-se sinteticamente o referencial te&#xF3;rico que fundamentou a pesquisa, a metodologia e os principais achados na an&#xE1;lise das categorias e as considera&#xE7;&#xF5;es finais.</p>
</sec>
<sec>
<title>1 O processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos: contribui&#xE7;&#xF5;es de Vygotsky e Davydov</title>
<p>Vygotsky foi o primeiro te&#xF3;rico a explicar a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos a partir de uma abordagem que leva em conta os aspectos social e cultural, como tamb&#xE9;m o movimento hist&#xF3;rico no processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos. Entre os problemas cient&#xED;ficos aos quais se dedicou Vygotsky, est&#xE1; o esclarecimento de como ocorre o processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos na inf&#xE2;ncia.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B17">Vygotsky (2009)</xref> distinguiu dois tipos de conceitos: os conceitos cotidianos e os cient&#xED;ficos. Os primeiros abarcam os conhecimentos adquiridos no dia a dia, de forma espont&#xE2;nea; os segundos s&#xE3;o os adquiridos na escola, n&#xE3;o de forma espont&#xE2;nea, e sim de forma sistematizada, por media&#xE7;&#xF5;es exercidas de maneira intencional e com objetivos bem definidos. O ensino escolar, portanto, constitui-se como uma ponte para a transi&#xE7;&#xE3;o do pensamento da crian&#xE7;a dos conceitos cotidianos aos conceitos cient&#xED;ficos. Explica o autor:</p> <disp-quote>
<p>Se nos conceitos espont&#xE2;neos a crian&#xE7;a conhece o objeto representado no conceito, mas n&#xE3;o toma consci&#xEA;ncia do pr&#xF3;prio conceito, nos conceitos cient&#xED;ficos o in&#xED;cio ocorre onde p&#xE1;ra o conceito espont&#xE2;neo, ou seja, na explicita&#xE7;&#xE3;o do seu conte&#xFA;do, na defini&#xE7;&#xE3;o verbal e mediante opera&#xE7;&#xF5;es que pressup&#xF5;em o emprego n&#xE3;o espont&#xE2;neo dele (VIGOTSKI, 1982, p. 250).</p></disp-quote>
<p>Essas ideias de Vygotsky permitem sustentar a defesa de que a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos cient&#xED;ficos de Matem&#xE1;tica nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental possibilita ao aluno a forma&#xE7;&#xE3;o da capacidade de generaliza&#xE7;&#xE3;o do pensamento matem&#xE1;tico como condi&#xE7;&#xE3;o de novas aprendizagens e capacidades de pensar e agir com a Matem&#xE1;tica em seus contextos socioculturais. E, por isso, corresponde &#xE0; etapa inicial do processo de forma&#xE7;&#xE3;o dessas capacidades.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref> ampliou as premissas te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gicas de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Vygotsky (2009)</xref> para o ensino escolar, formulando a teoria do ensino desenvolvimental. Essa teoria valoriza a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos cient&#xED;ficos como base para o ensino e aprendizagem escolar, ou seja, como meio primordial de promo&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento do aluno. Nessa teoria, Davydov entrela&#xE7;a conceitos psicol&#xF3;gicos e pedag&#xF3;gicos a fim de explicar a estrutura geral b&#xE1;sica da atividade no processo de ensino e de aprendizagem.</p>
<p>No processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref> considera que &#xE9; comum a generaliza&#xE7;&#xE3;o ser compreendida como o processo pelo qual os alunos analisam e comparam os objetos apresentados pelo professor, com semelhan&#xE7;as entre si, devendo distingui-los e identificar suas qualidades comuns. Nesse caso, a defini&#xE7;&#xE3;o do conceito corresponde &#xE0; enumera&#xE7;&#xE3;o das qualidades gerais dos objetos. O aspecto geral torna-se algo que se repete, invari&#xE1;vel e, portanto, definidor das propriedades dos objetos. Esse tipo de generaliza&#xE7;&#xE3;o conceitual permite &#xE0; pessoa apenas enxergar em cada objeto concreto o que &#xE9; comum a toda uma classe de objetos.</p>
<sec>
<title>1.1 A l&#xF3;gica dial&#xE9;tica e a constitui&#xE7;&#xE3;o do pensamento te&#xF3;rico</title>
<p>Davydov, juntamente com os pedagogos e psic&#xF3;logos russos de sua equipe, colocou como um problema a ser respondido cientificamente, a aplica&#xE7;&#xE3;o dos princ&#xED;pios do pensamento dial&#xE9;tico para organiza&#xE7;&#xE3;o da atividade de ensino com intuito de realizar a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos pelas crian&#xE7;as. Ao enfatizar o conceito de atividade introduzido na ci&#xEA;ncia contempor&#xE2;nea pela l&#xF3;gica dial&#xE9;tica, <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988</xref>, p. 12) ressalta seu n&#xFA;cleo:</p> <disp-quote>
<p>A raz&#xE3;o pensante (a mente) exacerba a diversidade do diverso para o ponto de oposi&#xE7;&#xE3;o. Somente as ideias diversas (d&#xED;spares), elevadas a este n&#xED;vel, se tornam reciprocamente m&#xF3;veis e, dessa forma, podem ser entendidas em seu automovimento e vitalidade internos. Falando do &#x201C;n&#xFA;cleo da dial&#xE9;tica&#x201D;.</p></disp-quote>
<p>&#xC9; pelo procedimento de ascens&#xE3;o do abstrato ao concreto que &#xE9; poss&#xED;vel realizar a reprodu&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rica do concreto real como unidade do diverso (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAVYDOV, 1988</xref>). Significa que, no pensamento humano, o objeto ou fen&#xF4;meno concreto aparece como uma s&#xED;ntese resultante de seu trabalho mental e como ponto de partida que serviu a sua atividade pensante. Inicialmente, o objeto &#xE9; captado sensorialmente, como uma etapa para ser captado e reproduzido idealmente em suas conex&#xF5;es internas universais, expressando o seu movimento em uma l&#xF3;gica conceitual.</p>
<p>Para realizar esse movimento, s&#xE3;o necess&#xE1;rias abstra&#xE7;&#xF5;es do tipo te&#xF3;rico; e a abstra&#xE7;&#xE3;o pela qual come&#xE7;a o pensamento te&#xF3;rico tem, como conte&#xFA;do, a conex&#xE3;o hist&#xF3;rica do objeto, sua integralidade e universalidade. Ademais, as contradi&#xE7;&#xF5;es dessa conex&#xE3;o devem refletir tamb&#xE9;m sua ess&#xEA;ncia:</p> <disp-quote>
<p>Sendo um aspecto do concreto, isto &#xE9;, tendo sua forma peculiar, esta conex&#xE3;o aparece, simultaneamente, como fundamento gen&#xE9;tico do todo (e neste sentido aparece como universal). Aqui se observa a unidade do singular (peculiar) e do universal, objetivamente existente, a conex&#xE3;o que mediatiza o processo de desenvolvimento do todo (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAVYDOV, 1988</xref>, p. 82).</p></disp-quote>
<p>Para referir-se a essa abstra&#xE7;&#xE3;o inicial, o autor utiliza as denomina&#xE7;&#xF5;es &#x201C;c&#xE9;lula&#x201D; ou &#x201C;abstra&#xE7;&#xE3;o substantiva&#x201D;. Ainda, para melhor elucidar, questiona por que denomin&#xE1;-la abstra&#xE7;&#xE3;o se ela na verdade &#xE9; real e observ&#xE1;vel. Ent&#xE3;o, explica:</p> <disp-quote>
<p>O abstrato e o concreto s&#xE3;o momentos do desmembramento do pr&#xF3;prio objeto, da realidade mesma, refletida na consci&#xEA;ncia e por isso s&#xE3;o derivados do processo da atividade mental. A confirma&#xE7;&#xE3;o da objetividade de ambos os momentos &#xE9; a peculiaridade mais importante da dial&#xE9;tica como l&#xF3;gica (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAVYDOV, 1988</xref>, p. 83).</p></disp-quote>
<p>A abstra&#xE7;&#xE3;o substantiva aparece como objeto simples, n&#xE3;o desenvolvido, homog&#xEA;neo, que ainda n&#xE3;o atingiu as necess&#xE1;rias diferencia&#xE7;&#xF5;es. Por isso, ela &#xE9; a abstra&#xE7;&#xE3;o geneticamente inicial de um objeto. Externamente ao pensamento humano, os objetos e fen&#xF4;menos existem como singulares, particulares, concretos, sendo desenvolvidos a partir de uma rela&#xE7;&#xE3;o real, que cont&#xE9;m um aspecto essencial, uma &#x201C;c&#xE9;lula&#x201D;. Nessa c&#xE9;lula est&#xE1; sua natureza universal, base de todas as formas pelas quais o objeto aparece de maneira particular.</p>
<p>Para acessar um objeto por essa forma de pensamento - partir de um fen&#xF4;meno superficial, em seu imediatismo, chegar a compreend&#xEA;-lo de forma mediada, em sua ess&#xEA;ncia - s&#xE3;o necess&#xE1;rias as a&#xE7;&#xF5;es de abstra&#xE7;&#xE3;o, de generaliza&#xE7;&#xE3;o e, por fim, de express&#xE3;o do objeto na forma de conceito te&#xF3;rico. Por meio do conceito te&#xF3;rico e abstrato alcan&#xE7;ado, os fen&#xF4;menos particulares s&#xE3;o analisados, deduzindo-os da base universal (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAVYDOV, 1988</xref>).</p>
<p>Para o autor, o pensamento te&#xF3;rico se realiza no plano das a&#xE7;&#xF5;es mentais, isto &#xE9;, como experimento mental com os objetos de conhecimento. O produto desse procedimento &#xE9; o conhecimento sobre o objeto, a aprendizagem. O conceito te&#xF3;rico aparece como unidade a partir da redu&#xE7;&#xE3;o da diversidade como conceito que &#x201C;serve de procedimento para deduzir os fen&#xF4;menos particulares e singulares de sua base universal&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAVYDOV, 1988</xref>, p. 87).</p>
</sec>
</sec>
<sec>
<title>2 O ensino para a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos te&#xF3;ricos e o conceito de quantidade</title>
<p>Davydov defende que a aprendizagem deve ter como conte&#xFA;do o conhecimento te&#xF3;rico (pensamento te&#xF3;rico) como meio de forma&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos sistematizados e legitimados pela cultura humana. E o professor estrutura para os alunos tarefas que lhes propiciem operar mentalmente com os objetos do conhecimento conforme o &#x201C;caminho percorrido pelo pensamento cient&#xED;fico&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">DAVYDOV, 1988</xref>, p. 92). A forma&#xE7;&#xE3;o do conceito deve dar-se por um processo investigativo realizado por meio de uma tarefa cognitiva que requer do aluno a identifica&#xE7;&#xE3;o da rela&#xE7;&#xE3;o geral b&#xE1;sica do conte&#xFA;do aprendido e, depois, a descoberta de que essa rela&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; presente em muitas rela&#xE7;&#xF5;es particulares.</p>
<p>Primeiramente, o professor auxilia os alunos a realizarem a abstra&#xE7;&#xE3;o substantiva, que deve ser ent&#xE3;o registrada como uma rela&#xE7;&#xE3;o geral b&#xE1;sica. Ap&#xF3;s, os alunos ir&#xE3;o descobrir os v&#xED;nculos regulares dessa rela&#xE7;&#xE3;o com outras manifesta&#xE7;&#xF5;es particulares para, assim, chegarem a uma generaliza&#xE7;&#xE3;o substantiva do conte&#xFA;do estudado. Esse processo de abstra&#xE7;&#xE3;o e generaliza&#xE7;&#xE3;o, ao ser utilizado pela crian&#xE7;a para deduzir e unir as rela&#xE7;&#xF5;es gerais &#xE0;s rela&#xE7;&#xF5;es particulares, permite a ela compreender o conceito que representa o n&#xFA;cleo do conte&#xFA;do.</p>
<p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref>, a tarefa &#xE9; a uni&#xE3;o do objetivo com a a&#xE7;&#xE3;o para que, sob certas condi&#xE7;&#xF5;es, o objetivo seja alcan&#xE7;ado. Por meio da tarefa, o professor apresenta aos alunos as exig&#xEA;ncias de procedimentos mentais: 1) generaliza&#xE7;&#xE3;o e abstra&#xE7;&#xE3;o substantivas: an&#xE1;lise do conte&#xFA;do (objeto) para a descoberta da rela&#xE7;&#xE3;o geral, governada por uma lei e vinculada &#xE0;s diversas manifesta&#xE7;&#xF5;es ou rela&#xE7;&#xF5;es particulares desse conte&#xFA;do; 2) constru&#xE7;&#xE3;o do &#x201C;n&#xFA;cleo&#x201D; do objeto: com base na generaliza&#xE7;&#xE3;o e abstra&#xE7;&#xE3;o substantivas, dedu&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es particulares do objeto em uni&#xE3;o com sua totalidade; 3) an&#xE1;lise e s&#xED;ntese: por meio desse processo o aluno conhece o objeto estudado, dominando o procedimento geral que serviu &#xE0; sua constru&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref> formulou etapas compondo o caminho a ser percorrido pelo aluno e assegurado na estrutura&#xE7;&#xE3;o da sua tarefa pelo professor (<xref ref-type="bibr" rid="B10">FREITAS, 2011</xref>). Essas a&#xE7;&#xF5;es, formuladas por Davydov, s&#xE3;o uma base geral para o ensino. Cada uma delas e suas correspondentes opera&#xE7;&#xF5;es variam conforme o conte&#xFA;do em fun&#xE7;&#xE3;o do conceito a ser formado e das condi&#xE7;&#xF5;es concretas em que se resolve uma ou outra tarefa de aprendizagem.</p>
<p>Para o autor, se o professor pretende que o aluno forme o pensamento te&#xF3;rico, deve organizar tarefas adequadas para tal. Nessa organiza&#xE7;&#xE3;o, o professor pode propor que se parta das teses gerais da &#xE1;rea da Matem&#xE1;tica, n&#xE3;o dos casos particulares, sugerindo tarefas pelas quais a compreens&#xE3;o do conceito de n&#xFA;mero seja produzida pelo aluno.</p>
<p>O autor enfatiza a possibilidade de familiarizar o aluno, primeiramente, com esse objeto geral (a quantidade) e, s&#xF3; depois, deduzir os casos mais particulares, especificamente decorrentes de sua manifesta&#xE7;&#xE3;o: a Aritm&#xE9;tica, a &#xC1;lgebra e a Geometria. Ele tamb&#xE9;m indica as etapas a serem respeitadas na elabora&#xE7;&#xE3;o da atividade de ensino: na primeira, o aluno opera com objetos e gravuras ao destacar os par&#xE2;metros de grandeza; na segunda, usa signos para registrar as rela&#xE7;&#xF5;es obtidas por meio de compara&#xE7;&#xF5;es entre as grandezas; na terceira registra literalmente o resultado encontrado a partir das rela&#xE7;&#xF5;es de compara&#xE7;&#xE3;o. Nessa atividade, evidenciam-se as condi&#xE7;&#xF5;es mediante as quais se compreende a ess&#xEA;ncia do conceito de n&#xFA;mero, mostrando a sua origem, conceito nuclear da Matem&#xE1;tica, o conceito de quantidade.</p>
<p>Da&#xED; decorre a import&#xE2;ncia de que o professor desse n&#xED;vel de ensino, particularmente o docente dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, tenha conhecimento aprofundado sobre o que &#xE9; um conceito, como &#xE9; o processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos pelos alunos, o que &#xE9; o conceito de quantidade, e como organizar o ensino para que os alunos o compreendam. &#xC9; a partir do conceito de quantidade que o aluno estabelece rela&#xE7;&#xF5;es com os demais conceitos da Matem&#xE1;tica.</p>
</sec>
<sec sec-type="methods">
<title>3 Encaminhamento metodol&#xF3;gico</title>
<p>O percurso metodol&#xF3;gico foi guiado pela perspectiva da pesquisa qualitativa que, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bogdan e Biklen (1994)</xref>, viabiliza a gera&#xE7;&#xE3;o de dados para a compreens&#xE3;o da maneira como se expressa o pensamento dos indiv&#xED;duos participantes do processo de investiga&#xE7;&#xE3;o. Os estudos com abordagem qualitativa permitem compreender o dinamismo interno das situa&#xE7;&#xF5;es reais observadas e o significado que os sujeitos atribuem &#xE0;s coisas. O movimento de aproxima&#xE7;&#xE3;o dos aspectos pertinentes &#xE0; realidade permite a constru&#xE7;&#xE3;o de certa leitura dessa realidade, afirma <xref ref-type="bibr" rid="B13">Pires (2008)</xref>.</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B9">Flick (2009</xref>, p. 25), &#x201C;a pesquisa qualitativa n&#xE3;o se baseia em um conceito te&#xF3;rico e metodol&#xF3;gico unificado&#x201D;. Segundo esse autor, os m&#xE9;todos qualitativos levam em considera&#xE7;&#xE3;o a comunica&#xE7;&#xE3;o do pesquisador em campo e a subjetividade como parte do processo de pesquisa. Destaca, ainda, que a pesquisa qualitativa analisa casos concretos em suas &#x201C;peculiaridades locais e temporais, partindo das express&#xF5;es e atividades das pessoas em seus contextos locais&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">FLICK, 2009</xref>, p. 37).</p>
<p>Assim, o cen&#xE1;rio escolhido para a realiza&#xE7;&#xE3;o da pesquisa foi o Ensino Fundamental - Anos Iniciais na rede municipal de Educa&#xE7;&#xE3;o de Goi&#xE2;nia &#x2013; Goi&#xE1;s, no Brasil. O sistema municipal de ensino de Goi&#xE2;nia &#xE9; constitu&#xED;do por ciclos<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. Nesse sistema de ensino organizado em ciclos, o primeiro ciclo atende alunos na faixa et&#xE1;ria de 6 a 8 anos, o segundo ciclo atende alunos na faixa et&#xE1;ria de 09 a 11 anos, e o terceiro ciclo &#xE9; respons&#xE1;vel pelo atendimento de alunos na faixa et&#xE1;ria de 12 a 14 anos. Os tr&#xEA;s ciclos correspondem aos nove anos do Ensino Fundamental (<xref ref-type="bibr" rid="B11">GOI&#xC2;NIA, 2011</xref>). Dentro de um contexto de pesquisa qualitativa foram consideradas sete escolas da zona urbana de Goi&#xE2;nia (Goi&#xE1;s).</p>
<p>Definidas as escolas<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>, fez-se o contato com a Secretaria Municipal de Educa&#xE7;&#xE3;o de Goi&#xE2;nia (SME), obtendo autoriza&#xE7;&#xE3;o para a realiza&#xE7;&#xE3;o da pesquisa. Mediante autoriza&#xE7;&#xE3;o da SME, partiu-se para a sele&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos. A &#xE9;tica na pesquisa qualitativa &#xE9; &#x201C;uma quest&#xE3;o fundamental no planejamento e na execu&#xE7;&#xE3;o da pesquisa&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">FLICK, 2009</xref>, p. 56). Foi solicitado o consentimento dos participantes em formul&#xE1;rio pr&#xF3;prio, bem como a confidencialidade na reda&#xE7;&#xE3;o da pesquisa.</p>
<p>Na Lei de Diretrizes e Bases da Educa&#xE7;&#xE3;o Nacional &#x2013; LDB 9394/96, os Anos Iniciais do Ensino Fundamental v&#xE3;o do 1&#xBA; ao 5&#xBA; ano. A realiza&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es envolvendo o conceito de quantidade &#xE9; esperada no final dos Anos Finais do Ensino Fundamental, juntamente com a habilidade do aluno em executar a&#xE7;&#xF5;es com esse conceito na &#xE1;rea da Matem&#xE1;tica. A defini&#xE7;&#xE3;o do 1&#xBA; ao 6&#xBA; ano, como objeto de investiga&#xE7;&#xE3;o, se deu por ser nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental que o aluno tem acesso ao ensino do conte&#xFA;do quantidade, conforme o Projeto Pedag&#xF3;gico da Secretaria da Educa&#xE7;&#xE3;o do munic&#xED;pio.</p>
<p>Delimitados os ciclos a serem investigados, definiu-se ent&#xE3;o a amostragem no processo de pesquisa qualitativa, ou seja, os professores sujeitos da pesquisa, aplicando-se crit&#xE9;rios de inclus&#xE3;o: fazer parte do corpo docente das sete escolas como professor efetivo, atuando no 1&#xBA; e 2&#xBA; ciclo; estar efetivamente atuando na doc&#xEA;ncia dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental no momento da investiga&#xE7;&#xE3;o emp&#xED;rica e, nessa atua&#xE7;&#xE3;o, ensinar conte&#xFA;dos de Matem&#xE1;tica; n&#xE3;o estar afastado da atua&#xE7;&#xE3;o na doc&#xEA;ncia por motivo de licen&#xE7;a ou por qualquer outro; concordar, voluntariamente e livremente, em participar da pesquisa.</p>
<p>Nas sete escolas autorizadas pela SME para a realiza&#xE7;&#xE3;o da pesquisa emp&#xED;rica havia quinze professores que correspondiam aos crit&#xE9;rios de inclus&#xE3;o nessa investiga&#xE7;&#xE3;o, e, ao serem contatados, aceitaram participar da pesquisa, assinando o termo de Consentimento da Participa&#xE7;&#xE3;o da Pessoa como Sujeito na pesquisa e a Declara&#xE7;&#xE3;o de Autoriza&#xE7;&#xE3;o para Grava&#xE7;&#xE3;o em &#xC1;udio e V&#xED;deo.</p>
<p>Antes de iniciar a gera&#xE7;&#xE3;o de dados <italic>in loco</italic>, quatro professoras foram exclu&#xED;das, uma por entrar em licen&#xE7;a-maternidade, tr&#xEA;s por se recusarem no momento da coleta de dados, embora j&#xE1; tivessem aceitado anteriormente. O total de sujeitos foi reduzido a onze docentes.</p>
<p>Para a obten&#xE7;&#xE3;o de dados foram utilizadas as t&#xE9;cnicas de entrevista semiestruturada e a observa&#xE7;&#xE3;o das aulas de Matem&#xE1;tica dos professores no 1&#xBA; e 2&#xBA; ciclos. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B9">Flick (2009</xref>, p. 205), &#x201C;a triangula&#xE7;&#xE3;o de observa&#xE7;&#xF5;es com outras fontes de dados, aliada ao emprego de diferentes observadores, intensificam a expressividade dos dados assim reunidos&#x201D;. A t&#xE9;cnica de entrevista tangenciou conhecer a experi&#xEA;ncia do professor, pondo em relevo sua compreens&#xE3;o sobre forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos e o conceito de quantidade. As entrevistas foram realizadas individualmente com os onze professores, previamente agendadas, em hor&#xE1;rio de estudo destinado ao professor em sua respectiva escola.</p>
<p>O roteiro da entrevista teve como suporte as categorias te&#xF3;ricas de estudo, delineadas previamente e que serviram de norte para a busca de respostas ao questionamento da pesquisa. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Flick (2009)</xref> compreende que a an&#xE1;lise de conte&#xFA;do &#xE9; um dos procedimentos cl&#xE1;ssicos para se proceder &#xE0; an&#xE1;lise de material textual sendo que &#x201C;uma de suas caracter&#xED;sticas essenciais &#xE9; a utiliza&#xE7;&#xE3;o de categorias, as quais s&#xE3;o normalmente obtidas a partir de modelos te&#xF3;ricos&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">FLICK, 2009</xref>, p. 291). Nesse caso, segundo esse autor, &#xE9; poss&#xED;vel levar categorias para o material emp&#xED;rico e n&#xE3;o se desenvolver a partir do mesmo (<xref ref-type="bibr" rid="B9">FLICK, 2009</xref>). Assim, empregou-se as seguintes categorias: a) a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos e o conceito de quantidade, b) o ensino para a forma&#xE7;&#xE3;o do conceito de quantidade dos professores. Essas duas categorias guiaram as perguntas feitas aos professores, no intuito de aproximar-se das representa&#xE7;&#xF5;es desses professores sobre o conceito de quantidade e sua import&#xE2;ncia para o ensino dos conte&#xFA;dos da Matem&#xE1;tica nos Anos Iniciais da Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica.</p>
<p>Outro instrumento de coleta de dados foi a observa&#xE7;&#xE3;o. Esse instrumento permitiu o levantamento de informa&#xE7;&#xF5;es a partir do conv&#xED;vio profissional com os sujeitos da pesquisa. Assegura <xref ref-type="bibr" rid="B8">Fernandes (2011)</xref> que a observa&#xE7;&#xE3;o permite estar e observar onde a a&#xE7;&#xE3;o acontece. Assim, buscou-se, por ela, estar e observar onde a a&#xE7;&#xE3;o de ensino de Matem&#xE1;tica acontecia, ou seja, a sala de aula. Para realizar a observa&#xE7;&#xE3;o construiu-se um roteiro para direcionar a gera&#xE7;&#xE3;o de dados, atentando-se &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es de ensino do professor, bem como o comportamento dos alunos durante as atividades. As observa&#xE7;&#xF5;es ocorreram nas salas de aula das turmas do 1&#xBA; e 2&#xBA; ciclo (1&#xBA; ao 6&#xBA; ano) do Ensino Fundamental das sete escolas municipais selecionadas em Goi&#xE2;nia.</p>
<p>Durante as observa&#xE7;&#xF5;es, o foco foi a a&#xE7;&#xE3;o do professor e seus alunos. A pesquisadora observou 16 aulas. O crit&#xE9;rio usado na defini&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de aulas foi o princ&#xED;pio de satura&#xE7;&#xE3;o, defendido por <xref ref-type="bibr" rid="B13">Pires (2008)</xref>. Esse princ&#xED;pio ocorre quando a informa&#xE7;&#xE3;o obtida se torna claramente repetitiva durante as se&#xE7;&#xF5;es de observa&#xE7;&#xE3;o. Nesse artigo apresentamos cinco epis&#xF3;dios observados, uma vez que os demais mostraram os mesmos resultados aqui analisados.</p>
<p>Antes de iniciar as se&#xE7;&#xF5;es de observa&#xE7;&#xE3;o em sala de aula, os sujeitos da pesquisa foram informados sobre os objetivos da observa&#xE7;&#xE3;o e a forma como isso ocorreria. Tinha-se como objetivo buscar evid&#xEA;ncias que mostrassem como o professor organiza o ensino dos conceitos matem&#xE1;ticos e como o conceito de quantidade, enquanto conceito nuclear da Matem&#xE1;tica, &#xE9; tratado por esse professor ao ministrar a sua aula. Foram informados tamb&#xE9;m que a pesquisadora faria apenas a observa&#xE7;&#xE3;o e n&#xE3;o participaria de nenhuma atividade durante a realiza&#xE7;&#xE3;o da aula. Esse procedimento &#xE9; intitulado por <xref ref-type="bibr" rid="B9">Flick (2009</xref>, p. 204) de &#x201C;observa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o participante&#x201D;. O registro dos dados ent&#xE3;o coletados ocorreu por meio de anota&#xE7;&#xF5;es sobre a a&#xE7;&#xE3;o do professor e dos alunos (discursos, intera&#xE7;&#xF5;es), complementadas com grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e v&#xED;deo. O material obtido durante as observa&#xE7;&#xF5;es foi organizado em categorias de estudo possibilitando, assim, a sistematiza&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>A organiza&#xE7;&#xE3;o dos dados obtidos por meio das observa&#xE7;&#xF5;es correspondeu &#xE0;s categorias de an&#xE1;lise de estudo, citadas anteriormente: a forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos e o conceito de quantidade, o ensino para a forma&#xE7;&#xE3;o do conceito de quantidade dos professores no ensino e aprendizagem da Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Para a an&#xE1;lise dos dados, ap&#xF3;s o processo de produ&#xE7;&#xE3;o e organiza&#xE7;&#xE3;o sistem&#xE1;tica das transcri&#xE7;&#xF5;es das entrevistas e das observa&#xE7;&#xF5;es, como orientam <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bogdan e Biklen (1994)</xref>, recorreu-se &#xE0; leitura em profundidade do conjunto do material buscando explicar o que pensam e como agem esses professores em sua din&#xE2;mica de trabalho ao ensinarem os conceitos nas aulas de Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Antes de apresentar os dados constitutivos dessas categorias, considera-se importante conhecer a forma&#xE7;&#xE3;o e a atua&#xE7;&#xE3;o desses sujeitos. Dos onze professores, dois eram licenciados em Matem&#xE1;tica e possu&#xED;am especializa&#xE7;&#xE3;o na &#xE1;rea. Nove eram pedagogos e apenas cinco deles possu&#xED;am especializa&#xE7;&#xE3;o na &#xE1;rea de sua forma&#xE7;&#xE3;o. Entre eles, nove professores atuavam tamb&#xE9;m em outras escolas como docentes e dois ministravam aulas somente nas escolas pesquisadas.</p>
</sec>
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<title>4 A concep&#xE7;&#xE3;o dos professores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre a forma&#xE7;&#xE3;o do conceito matem&#xE1;tico quantidade</title>
<p>Nesta se&#xE7;&#xE3;o, s&#xE3;o apresentados os principais resultados da pesquisa relatada neste artigo, sobre as concep&#xE7;&#xF5;es expressas pelos professores sobre conceito matem&#xE1;tico de quantidade. Nessa descri&#xE7;&#xE3;o, os professores s&#xE3;o referidos por n&#xFA;meros que correspondem &#xE0; sequ&#xEA;ncia de sua inclus&#xE3;o na pesquisa. Na busca do entendimento acerca do processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceito e, especificamente, do conceito de quantidade, foi-lhes pedido, durante a entrevista, que descrevessem como compreendiam este conceito e que refer&#xEA;ncias tinham para essa compreens&#xE3;o.</p>
<p>Foi interessante observar que, por mais que se insistisse e reformulasse de diferentes modos a pergunta, os professores entrevistados n&#xE3;o chegavam a tratar exatamente do que se perguntava. Dos professores participantes, a maior parte deles (dez) relatou que conceito &#xE9; defini&#xE7;&#xE3;o de algo. A exce&#xE7;&#xE3;o foi a Professora 05 que mencionou que um conceito corresponde ao significado de algo, &#xE9; saber sobre algo expresso em uma palavra. Eis um trecho da resposta dada pela Professora 5:</p> <disp-quote>
<p><italic>Na minha vis&#xE3;o [conceito] &#xE9; trabalhar o significado de algo. Saber sobre algo, o que significa. [&#x2026;] O que seria a palavra adi&#xE7;&#xE3;o? Nessa palavra [&#x2026;] seria perceber quando a crian&#xE7;a desenvolveu a capacidade de adicionar e ela consegue distinguir isso no dia a dia. Na hora que ela tem um probleminha, ela vai contar os l&#xE1;pis e ver se est&#xE1; tudo certo. &#xC9; quando eu vejo no fazer da crian&#xE7;a que ela realmente aprendeu.</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 05, licenciada em Pedagogia, 2013).</p></disp-quote>
<p>A forma pela qual a professora conclui que o aluno formou o conceito passa pela dimens&#xE3;o emp&#xED;rica e n&#xE3;o te&#xF3;rica: &#x201C;quando ele conta os l&#xE1;pis&#x201D;. Verifica-se a&#xED; a presen&#xE7;a da l&#xF3;gica formal como descrita por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref>, fundamentando a compreens&#xE3;o da professora: conceito &#xE9; o significado de algo expresso na palavra, no caso a palavra &#x201C;adi&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, de acordo com a Professora 05. Assim, o fato de a crian&#xE7;a ser capaz de adicionar no dia a dia n&#xE3;o &#xE9; sin&#xF4;nimo de forma&#xE7;&#xE3;o do conceito de adi&#xE7;&#xE3;o. A crian&#xE7;a j&#xE1; faz esse tipo de opera&#xE7;&#xE3;o antes mesmo de ir &#xE0; escola pela primeira vez.</p>
<p>Ao perguntar aos professores sobre como compreendem o conceito de quantidade enquanto conceito nuclear da Matem&#xE1;tica, e a partir de quais refer&#xEA;ncias t&#xEA;m essa compreens&#xE3;o, as respostas obtidas foram variadas.</p> <disp-quote>
<p><italic>[&#x2026;] Sobre a quantidade eu sempre trabalhei com meus alunos &#x2013; os n&#xFA;meros, a sequ&#xEA;ncia [&#x2026;]</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 02, Licenciatura em Pedagogia, 2013).</p>
<p><italic>A primeira vez que ouvi sobre isso [conceito nuclear] foi quando voc&#xEA; veio falar com a gente a primeira vez e explicou sobre o seu projeto.</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 04, licenciada em Pedagogia, 2013).</p>
<p><italic>Eu nunca ouvi falar sobre isso. S&#xF3; voc&#xEA;.</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 05, licenciada em Pedagogia, 2013).</p>
<p><italic>Eu n&#xE3;o sei [&#x2026;] nunca ouvi falar [&#x2026;]</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 07, licenciada em Matem&#xE1;tica e Especialista em Estat&#xED;stica, 2013).</p></disp-quote>
<p>Os professores 1, 3, 8, e 11 tamb&#xE9;m relataram desconhecer o conceito de quantidade, enquanto conceito nuclear da Matem&#xE1;tica e disseram que foi a primeira vez que ouviram essa express&#xE3;o. Ao ouvirem que grandeza e quantidade t&#xEA;m o mesmo significado, duas professoras, a Professora 10 e a Professora 11, relacionaram esse conceito ao bloco de Grandezas e Medidas que faz parte dos Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1988).</p> <disp-quote>
<p><italic>A quest&#xE3;o da grandeza no Ensino Fundamental &#xE9; como voc&#xEA; vai ensinar o maior, o menor, tamanho dos objetos, o tamanho das medidas &#x2013; medidas de comprimento, a quantidade, o material de contagem que temos na sala de aula.</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 11, licenciada em Pedagogia, 2013).</p>
<p><italic>A quest&#xE3;o das grandezas &#xE9; importante, pois a crian&#xE7;a vive esse conte&#xFA;do no seu dia a dia, ele sempre est&#xE1; perto do que &#xE9; grande, pequeno e tamb&#xE9;m do valor das coisas, s&#xF3; que esse conte&#xFA;do fica prejudicado, pois &#xE9; sempre dado no final do ano.</italic></p>
<p>(Entrevista com a Professora 10, licenciada em Matem&#xE1;tica, 2013).</p></disp-quote>
<p>O entendimento expresso pelas Professoras 11 e 10 sobre o conceito, ou seja, o procedimento mental, de grandeza relaciona-se n&#xE3;o ao conceito de quantidade como um conceito nuclear, mas como um conceito espec&#xED;fico, particular. Para <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davydov (1982)</xref>, grandeza &#xE9; uma rela&#xE7;&#xE3;o elementar entre as qualidades que atribu&#xED;mos aos objetivos do ponto de vista da quantifica&#xE7;&#xE3;o. Compreender esse conceito como o fundamento geral dos tipos de n&#xFA;mero natural, &#xE9; essencial na organiza&#xE7;&#xE3;o do ensino, j&#xE1; que, conforme afirma&#xE7;&#xE3;o de Davidov (1988, p. 113-114), &#x201C;as propriedades das quantidades s&#xE3;o descobertas quando uma pessoa est&#xE1; operando com reais extens&#xF5;es, volumes, pesos, per&#xED;odos de tempo e assim por diante (mesmo antes de terem sido expressos em n&#xFA;meros)&#x201D;.</p>
<p>Durante a entrevista e na observa&#xE7;&#xE3;o das aulas, a forma predominante por todos os onze professores para o ensino do conceito de quantidade foi a de mostrar a sequ&#xEA;ncia dos n&#xFA;meros, relacionando-os com figuras contendo a quantidade correspondente ao n&#xFA;mero. Essa sequ&#xEA;ncia &#xE9; obedecida sempre iniciando pelo numeral 1, na sequ&#xEA;ncia o 2 e assim sucessivamente. A preocupa&#xE7;&#xE3;o dos professores, ent&#xE3;o, parece ter sido a de apresentar aos alunos a ideia de uma rela&#xE7;&#xE3;o direta do n&#xFA;mero/s&#xED;mbolo com a quantidade de objetos em refer&#xEA;ncia. Ou seja, a figura de dois patinhos representa o n&#xFA;mero 2, os quatro p&#xE9;s de uma mesa correspondem ao n&#xFA;mero 4 etc.</p>
<p>Para os professores, o fato de mostrarem as figuras ou qualquer outro objeto manipul&#xE1;vel ou vis&#xED;vel, estabelecendo sua correspond&#xEA;ncia com o n&#xFA;mero, possibilita ao aluno compreender a rela&#xE7;&#xE3;o entre n&#xFA;mero e o numeral, ou seja, entre a ideia e a sua representa&#xE7;&#xE3;o literal. Veja o que expressa o Professor 11:</p> <disp-quote>
<p><italic>A gente j&#xE1; trabalha esse conceito h&#xE1; muitos anos e n&#xE3;o sabia [que era isso]. At&#xE9; mesmo a ordem dos n&#xFA;meros n&#xE9;, voc&#xEA; coloca o n&#xFA;mero 5, coloca cinco tampinhas no cinco; quatro no quatro [&#x2026;] O n&#xFA;mero n&#xE3;o &#xE9; s&#xF3; escrito, ele representa uma quantidade [&#x2026;], qual o n&#xFA;mero &#xE9; maior.</italic></p>
<p>Entrevista com o Professor 11, licenciado em Pedagogia, 2013).</p></disp-quote>
<p>Outra forma referida pela maior parte dos professores para ensinar o conceito de quantidade foi a decomposi&#xE7;&#xE3;o dos n&#xFA;meros. Ao propor a decomposi&#xE7;&#xE3;o, as Professoras 5, 7 e 10 relataram que aproveitam para mostrar ao aluno a rela&#xE7;&#xE3;o existente entre o maior e o menor n&#xFA;mero, fazendo compara&#xE7;&#xF5;es entre os diferentes n&#xFA;meros apresentados.</p>
<p>A Professora 11 mostrou preocupa&#xE7;&#xE3;o de que em seu planejamento fossem priorizadas a&#xE7;&#xF5;es que envolvessem o aluno para que conseguisse ver a rela&#xE7;&#xE3;o do conceito ensinado com os outros conceitos da Matem&#xE1;tica, o que indica que, em sua concep&#xE7;&#xE3;o, o conceito de quantidade abrange um universo maior na Matem&#xE1;tica. Talvez ela n&#xE3;o tenha podido expressar em uma linguagem matem&#xE1;tica o que &#xE9; esse conceito: &#x201C;<italic>a quest&#xE3;o da quantidade na sala de aula &#xE9; como voc&#xEA; vai ensinar o maior, o menor, tamanho dos objetos, o tamanho das medidas, medidas de comprimento, a quantidade, o material de contagem que temos na sala de aula</italic>&#x201D; (Entrevista com a Professora 11, licenciada em Pedagogia, 2013). Os dados indicam que, possivelmente, essa professora n&#xE3;o se apropriou da forma l&#xF3;gico formal do conceito de quantidade, mas consegue compreender o conceito de quantidade dentro de um universo maior na Matem&#xE1;tica.</p>
<p>Ao responderem sobre como identificam se o aluno aprendeu o conceito, todos os professores responderam que sabem que o aluno aprendeu quando ele realiza sozinho a tarefa e acerta a resposta; ele faz as contas mentalmente sem precisar escrever no caderno; ele &#xE9; capaz de mostrar como conseguiu chegar ao resultado da tarefa.</p>
<p>A solu&#xE7;&#xE3;o independente de uma tarefa &#xE9; considerada por Vygotsky (2009) como resultado de uma aprendizagem que, consequentemente, alterou a capacidade ps&#xED;quica do aluno e ampliou seu desenvolvimento. Tamb&#xE9;m <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davydov (1982</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B4">1988</xref>) descreve a solu&#xE7;&#xE3;o de tarefas de modo aut&#xF4;nomo e monitorado pelos pr&#xF3;prios alunos como ind&#xED;cio de aprendizagem do material ensinado. Nesse caso, pode-se inferir que os professores entrevistados expressaram uma concep&#xE7;&#xE3;o que se aproxima das ideias desses autores. No entanto, se considerarmos que as concep&#xE7;&#xF5;es expressas pelos professores sobre forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos evidenciam como base as abstra&#xE7;&#xF5;es e generaliza&#xE7;&#xF5;es de car&#xE1;ter emp&#xED;rico, n&#xE3;o podemos concluir que, por valorizar a efetiva&#xE7;&#xE3;o da tarefa como evid&#xEA;ncia de aprendizagem, os professores sujeitos do estudo possuem uma concep&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;xima &#xE0; de Vygotsky e de Davydov.</p>
<p>Dando sequ&#xEA;ncia, ser&#xE3;o descritos alguns epis&#xF3;dios observados durante as aulas de Matem&#xE1;tica e que subsidiaram o entendimento sobre como esses professores atuam em sua pr&#xE1;tica pedag&#xF3;gica a partir da concep&#xE7;&#xE3;o que demonstram ter sobre o processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos matem&#xE1;ticos. Vejamos o epis&#xF3;dio a seguir:</p>
<p>A professora inicia a aula falando aos alunos qual seria o conte&#xFA;do: formas geom&#xE9;tricas tri&#xE2;ngulo, quadrado e c&#xED;rculo. Come&#xE7;a mostrando a figura do quadrado recortado em cartolina. Pergunta: quem sabe que forma geom&#xE9;trica &#xE9; essa? Alguns alunos disseram que era quadrado e outros ficaram em sil&#xEA;ncio. Ela diz aos alunos:</p> <disp-quote>
<p><italic>Olha s&#xF3;, o quadrado &#xE9; uma das formas geom&#xE9;tricas [&#x2026;] essa figura aqui representa o quadrado. Observe como &#xE9; feito o quadrado: o quadrado tem quatro lados iguais. Olha s&#xF3; cada parte dessas representa um lado [aponta para os lados do quadrado, um a um]. Agora, olha aqui essas pontinhas do quadrado: s&#xE3;o os seus v&#xE9;rtices. Veja: essa pontinha aqui &#xE9; um v&#xE9;rtice, essa outra &#xE9; o segundo v&#xE9;rtice, essa o terceiro v&#xE9;rtice e essa o &#xFA;ltimo v&#xE9;rtice. O quadrado tem quatro v&#xE9;rtices e quatro lados iguais.</italic></p>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e visual da aula da Professora 08, licenciada em Pedagogia, 2013).</p></disp-quote>
<p>No meio da explica&#xE7;&#xE3;o, um aluno pergunta: &#x201C;o que &#xE9; um ret&#xE2;ngulo? &#x201D;. A professora responde mostrando o quadro-negro e a janela como exemplos de ret&#xE2;ngulo. Na sequ&#xEA;ncia fala sobre o tri&#xE2;ngulo, caracterizando-o de acordo com tr&#xEA;s lados, tr&#xEA;s v&#xE9;rtices, comparando-o com as dimens&#xF5;es do quadrado. Usa o mesmo procedimento ao falar sobre o quadrado para introduzir o conceito de tri&#xE2;ngulo: exp&#xF5;e verbal e visualmente cada uma das figuras geom&#xE9;tricas. Na sequ&#xEA;ncia, conta uma hist&#xF3;ria cujo personagem principal era o Geom&#xE9;trico [o Geom&#xE9;trico era feito de um tri&#xE2;ngulo, um quadrado e um c&#xED;rculo], e finaliza com a entrega de uma tarefa xerocopiada, onde cada aluno teria que construir uma casinha usando duas das formas geom&#xE9;tricas: o quadrado e o tri&#xE2;ngulo.</p>
<p>A curiosidade da crian&#xE7;a com rela&#xE7;&#xE3;o ao conceito de ret&#xE2;ngulo foi dirimida com a explica&#xE7;&#xE3;o verbal da professora sobre os atributos que caracterizam essa forma geom&#xE9;trica e a compara&#xE7;&#xE3;o com as dimens&#xF5;es de outra figura: o tri&#xE2;ngulo. Estabelecer as rela&#xE7;&#xF5;es existentes entre os atributos que constituem cada figura &#xE9; importante para que a crian&#xE7;a perceba as diferen&#xE7;as existentes entre ambos e saiba identificar cada um deles, diferenciando-os das demais figuras. Em todo o percurso da aula a intera&#xE7;&#xE3;o da crian&#xE7;a com o objeto da aprendizagem s&#xF3; ocorreu no final, sendo a exposi&#xE7;&#xE3;o oral realizada apenas pelo professor. Aqui se observa a caracter&#xED;stica de uma aula padr&#xE3;o: a exposi&#xE7;&#xE3;o verbal pelo professor mostra-se como recurso did&#xE1;tico inicial e finaliza com a tarefa de verifica&#xE7;&#xE3;o da aprendizagem, ou melhor, repeti&#xE7;&#xE3;o do exposto pelo professor.</p>
<p>Depreende-se que nesse epis&#xF3;dio n&#xE3;o apareceram as etapas que comp&#xF5;em o caminho para a apropria&#xE7;&#xE3;o do conceito, defendidas por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref>: a identifica&#xE7;&#xE3;o da rela&#xE7;&#xE3;o universal do objeto estudado, a representa&#xE7;&#xE3;o da rela&#xE7;&#xE3;o universal do objeto, a extra&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;cleo do objeto de suas manifesta&#xE7;&#xF5;es particulares, a aplica&#xE7;&#xE3;o desses procedimentos a outros casos particulares e a avalia&#xE7;&#xE3;o do resultado do procedimento com vistas ao resultado alcan&#xE7;ado na resolu&#xE7;&#xE3;o da tarefa ali proposta.</p>
<p>Um outro epis&#xF3;dio envolvendo uma aula sobre opera&#xE7;&#xF5;es com fra&#xE7;&#xF5;es de denominadores diferentes mostra que, enquanto a professora fazia a corre&#xE7;&#xE3;o da tarefa no quadro-negro, uma aluna levanta a m&#xE3;o e pergunta &#xE0; professora como ela fez para chegar &#xE0;quele resultado. A professora chama a aluna at&#xE9; o quadro-negro e come&#xE7;a a detalhar como deve ser pensada a transforma&#xE7;&#xE3;o de uma fra&#xE7;&#xE3;o com denominadores diferentes em fra&#xE7;&#xF5;es com denominadores iguais. Ao efetuar a adi&#xE7;&#xE3;o de 1/6 mais &#xBE;, foi resolvida primeiramente a quest&#xE3;o dos denominadores, tornando-os iguais por meio da descoberta do m&#xED;nimo m&#xFA;ltiplo comum e, depois, realizada a soma dos numeradores conservando-se os denominadores. Nessa a&#xE7;&#xE3;o a aluna realiza os procedimentos para encontrar a resposta &#xE0; sua pr&#xF3;pria pergunta. Houve um envolvimento mental da aluna com o conte&#xFA;do objeto de estudo.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B5">Davydov (1999)</xref> afirma que o desejo &#xE9; a base da necessidade e n&#xE3;o pode ser entendido separadamente. Ambos surgem a partir de manifesta&#xE7;&#xF5;es emocionais. A aluna compreendeu o procedimento a ser efetuado na resolu&#xE7;&#xE3;o de opera&#xE7;&#xF5;es de adi&#xE7;&#xE3;o de fra&#xE7;&#xF5;es com denominadores diferentes, mas ser&#xE1; que teve a oportunidade de compreender o porqu&#xEA; da necessidade de se chegar ao denominador comum para s&#xF3; em seguida realizar a opera&#xE7;&#xE3;o? O processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos exige, na l&#xF3;gica dial&#xE9;tica, que se forme nas crian&#xE7;as o conceito de fra&#xE7;&#xF5;es a partir das &#x201C;manifesta&#xE7;&#xF5;es da rela&#xE7;&#xE3;o m&#xFA;ltipla geral de quantidades sob determinadas condi&#xE7;&#xF5;es concretas&#x201D;, sendo preciso compreender a &#x201C;interconex&#xE3;o dos elementos nas a&#xE7;&#xF5;es aritm&#xE9;ticas b&#xE1;sicas&#x201D;, afirma <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988</xref>, p. 114).</p>
<p>Um terceiro epis&#xF3;dio a ser detalhado foi o uma aula sobre simplifica&#xE7;&#xE3;o de fra&#xE7;&#xF5;es. O professor colocou v&#xE1;rias fra&#xE7;&#xF5;es no quadro e demonstrou o que fazer, explicando que para simplificar uma fra&#xE7;&#xE3;o &#xE9; necess&#xE1;rio dividir o seu numerador e o seu denominador pelo mesmo n&#xFA;mero. O professor insiste para que os alunos verbalizem todas as etapas percorridas para realiza&#xE7;&#xE3;o da atividade para, s&#xF3; ent&#xE3;o, chegar ao resultado. A verbaliza&#xE7;&#xE3;o, por parte do aluno, dos procedimentos a serem adotados na resolu&#xE7;&#xE3;o de uma tarefa &#xE9; considerado importante pela teoria hist&#xF3;rico-cultural, por&#xE9;m, n&#xE3;o &#xE9; suficiente para que esse aluno compreenda o conceito de determinado objeto.</p>
<p>H&#xE1; outras a&#xE7;&#xF5;es que o aluno deve realizar para garantir a aprendizagem: operar f&#xED;sico e mentalmente com objetos e figuras quando vai identificar os par&#xE2;metros de quantidade; o uso de signos (escrita) para registrar as rela&#xE7;&#xF5;es que encontrou por meio de situa&#xE7;&#xF5;es que permitiram compara&#xE7;&#xF5;es entre as quantidades e ainda ser capaz de registrar, de forma exata, o resultado que obteve a partir das rela&#xE7;&#xF5;es de compara&#xE7;&#xF5;es, defende <xref ref-type="bibr" rid="B6">Davydov (1982)</xref>. A qualidade dos v&#xED;nculos do pensamento do aluno com as coisas do mundo fica restrita aos nexos emp&#xED;ricos se o grau de organiza&#xE7;&#xE3;o da atividade de ensino n&#xE3;o privilegiar a forma&#xE7;&#xE3;o do conceito de quantidade como forma basilar dos conceitos tratados na Matem&#xE1;tica.</p>
<p>O epis&#xF3;dio a seguir ilustra uma atividade na qual foi mostrado ao aluno um conjunto de objetos a serem observados e comparados. Ao aluno &#xE9; solicitado apenas que realize a localiza&#xE7;&#xE3;o das caracter&#xED;sticas num&#xE9;ricas correspondentes a cada elemento, em uma rela&#xE7;&#xE3;o biun&#xED;voca para, em seguida, distribuir esses elementos em partes iguais, nomeando, assim, os signos num&#xE9;ricos daquela cole&#xE7;&#xE3;o. Prevalecem, como caracter&#xED;stica, o car&#xE1;ter l&#xFA;dico e o entendimento de que &#xE9; apenas necess&#xE1;rio &#xE0; crian&#xE7;a associar os n&#xFA;meros &#xE0;s figuras e aos animais e fazer a correspond&#xEA;ncia biun&#xED;voca. Ap&#xF3;s distribuir uma tarefa em folha A4, a Professora 02 indaga aos alunos: &#x201C;<italic>O que vamos fazer agora?</italic>&#x201D; (Professora 2, 2013). A aula continua com a indaga&#xE7;&#xE3;o da professora sobre como fariam para distribuir doze peixes em quatro aqu&#xE1;rios. Ela desenha os aqu&#xE1;rios no quadro negro e faz a distribui&#xE7;&#xE3;o dos peixes um a um em cada aqu&#xE1;rio, acompanhada pelos alunos, que iam falando o que devia ser feito. A docente finaliza a atividade e passa para a tarefa seguinte usando o mesmo procedimento realizado com a distribui&#xE7;&#xE3;o dos peixes em seus respectivos aqu&#xE1;rios.</p>
<p>Mais uma vez, a organiza&#xE7;&#xE3;o do ensino planejado pela professora privilegia apenas a&#xE7;&#xF5;es centradas em sua pessoa. A rela&#xE7;&#xE3;o entre quantidades foi explorada, mas de forma emp&#xED;rica. Desconhecer o conceito de quantidade por parte do professor &#xE9; um fator que dificulta o ensino e, consequentemente, a aprendizagem do aluno. A tarefa apresentada poderia ser explorada levando em conta todas as a&#xE7;&#xF5;es (<xref ref-type="bibr" rid="B6">DAVYDOV, 1982</xref>) a serem observadas na forma&#xE7;&#xE3;o do conceito de quantidade pelo aluno.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B12">Lib&#xE2;neo e Freitas (2013</xref>, p. 343), em interlocu&#xE7;&#xE3;o com Davydov, mostram que o professor, ao organizar uma tarefa de aprendizagem, deve considerar certas a&#xE7;&#xF5;es de estudo, sendo uma delas a modelagem. Nela os alunos s&#xE3;o orientados a criarem um &#x201C;modelo representativo da rela&#xE7;&#xE3;o universal de suas conex&#xF5;es internas. Este modelo, que j&#xE1; &#xE9; um produto de an&#xE1;lise mental e pode ser criado em forma gr&#xE1;fica, literal ou objetivada&#x201D;. Assim, observa-se outro epis&#xF3;dio que, ao ensinar opera&#xE7;&#xF5;es de adi&#xE7;&#xE3;o e subtra&#xE7;&#xE3;o com denominadores diferentes, a professora iniciou pedindo aos alunos para trabalharem em grupos. Entregou uma folha A4 a cada um do grupo e pediu-lhes para dobr&#xE1;-la em dezesseis partes iguais, recortar cada parte a ser dividida. Os alunos fizeram a divis&#xE3;o de cada tira at&#xE9; completar dezesseis partes iguais. As tiras divididas foram usadas para mostrar aos alunos a ideia de fra&#xE7;&#xE3;o. A Professora explica:</p> <disp-quote>
<p><italic>[&#x2026;] fra&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a denomina&#xE7;&#xE3;o usada para representar a parte de um todo, consiste na representa&#xE7;&#xE3;o de uma quantidade; no caso de um meio (1/2) significa que foi considerada apenas a metade de um inteiro, ou seja, a fra&#xE7;&#xE3;o &#xE9; uma forma de representa&#xE7;&#xE3;o de quantidades menores que um inteiro.</italic></p>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o em &#xE1;udio e visual da aula da Professora 3, licenciatura em Pedagogia, 2013).</p></disp-quote>
<p>Na sequ&#xEA;ncia, a professora demonstrou, no quadro, as opera&#xE7;&#xF5;es com fra&#xE7;&#xF5;es com denominadores diferentes, apresentando uma situa&#xE7;&#xE3;o-problema a ser resolvida: &#x201C;<italic>Gabriel tomou um quarto de litro de leite pela manh&#xE3;. &#xC0; tarde tomou um ter&#xE7;o de litro de leite e a noite um sexto. Que fra&#xE7;&#xE3;o de litro de leite ele tomou o dia todo? Quanto ainda sobrou de um litro?</italic>&#x201D; (Professora 3, licenciada em Pedagogia, 2013).</p>
<p>Na resolu&#xE7;&#xE3;o do problema foi elencado o conjunto de informa&#xE7;&#xF5;es que comp&#xF5;em seu enunciado: a quantidade de leite que Gabriel tomou que equivale &#xE0;s fra&#xE7;&#xF5;es; as fra&#xE7;&#xF5;es ainda desconhecidas que s&#xE3;o a quantidade total de leite que ele tomou; a quantidade de leite que restou no litro. A seguir, os alunos encontram a fra&#xE7;&#xE3;o com denominador comum multiplicando a primeira fra&#xE7;&#xE3;o por 2, depois por 3, e assim por diante. O mesmo procedimento foi realizado com as demais fra&#xE7;&#xF5;es. Realizam a opera&#xE7;&#xE3;o de adi&#xE7;&#xE3;o para saber o total de leite tomado e diminu&#xED;ram de um litro esse total para saber quanto ainda resta de leite no litro. No caso dessa aula observa-se que a professora organiza o ensino considerando o conte&#xFA;do a ser ensinado, o material manipulado pelo aluno na condu&#xE7;&#xE3;o da sua aprendizagem e a preocupa&#xE7;&#xE3;o com que o aluno soubesse exatamente o que se espera dele na realiza&#xE7;&#xE3;o da tarefa.</p>
<p>Mesmo em uma tarefa apresentando as condi&#xE7;&#xF5;es necess&#xE1;rias para que o aluno forme o pensamento te&#xF3;rico, a professora utiliza a&#xE7;&#xF5;es nas quais seria poss&#xED;vel a modelagem, mas se presencia a inexist&#xEA;ncia da an&#xE1;lise das rela&#xE7;&#xF5;es entre as coisas no interior do objeto de estudo e a exist&#xEA;ncia de uma generaliza&#xE7;&#xE3;o formal das propriedades do objeto, n&#xE3;o considerando os la&#xE7;os entre esses objetos. Apesar de manusear as fra&#xE7;&#xF5;es representadas pelas fichas de papel A4, os alunos realizam apenas tarefas que priorizam a observa&#xE7;&#xE3;o, refletindo sobre as propriedades exteriores dos objetos. N&#xE3;o se identifica, aqui, um esfor&#xE7;o na avalia&#xE7;&#xE3;o da qualidade que o conte&#xFA;do pode ter para a forma&#xE7;&#xE3;o do pensamento l&#xF3;gico-matem&#xE1;tico.</p>
<p>Os dados gerados pelas observa&#xE7;&#xF5;es permitem afirmar que os professores apresentavam aos alunos tarefas cujas exig&#xEA;ncias eram para operar com tra&#xE7;os sensoriais diretos dos objetos para associarem a eles uma representa&#xE7;&#xE3;o de quantidade. Em nenhuma das aulas observadas verificou-se alguma atua&#xE7;&#xE3;o dos professores que buscasse levar os alunos a ultrapassarem a simples descri&#xE7;&#xE3;o dos objetos correspondentes &#xE0; sua representa&#xE7;&#xE3;o num&#xE9;rica para atingirem a descoberta da ess&#xEA;ncia do conceito de quantidade; ou seja, mostrar que o n&#xFA;mero &#xE9; o produto de uma rela&#xE7;&#xE3;o estabelecida pela ideia de quantidade, formado por uma base, um n&#xFA;cleo: o conceito de quantidade, que s&#xF3; pode ser entendido a partir das inter-rela&#xE7;&#xF5;es existentes entre os diferentes tipos de n&#xFA;meros (<xref ref-type="bibr" rid="B6">DAVYDOV, 1982</xref>), por meio do pensamento te&#xF3;rico.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B6">Davydov (1982</xref>, p. 303) ilustra a tese do pensamento te&#xF3;rico recorrendo ao exemplo de Spinoza para demonstrar o conceito de c&#xED;rculo:</p> <disp-quote>
<p>Spinoza via a ess&#xEA;ncia do c&#xED;rculo no ato de sua origem, de sua constru&#xE7;&#xE3;o (&#x201C;cria&#xE7;&#xE3;o&#x201D;). A defini&#xE7;&#xE3;o do c&#xED;rculo deve expressar a causa da origem da coisa dada, o m&#xE9;todo de sua constru&#xE7;&#xE3;o. O c&#xED;rculo segundo esta regra, [&#x2026;] deve definir-se assim: &#xE9; a figura escrita por qualquer linha, um de cujos extremos &#xE9; fixo e o outro m&#xF3;vel. Aqui se indica o m&#xE9;todo para se obter quaisquer c&#xED;rculos infinitamente diversos.</p></disp-quote>
<p>Observa-se que Spinoza mencionou verbalmente a &#x201C;idealiza&#xE7;&#xE3;o de um esquema de atividade que permite o detalhamento da constru&#xE7;&#xE3;o e do procedimento de uma a&#xE7;&#xE3;o, utilizando nesse processo de forma&#xE7;&#xE3;o o conceito de c&#xED;rculo&#x201D;, usando o compasso, afirma <xref ref-type="bibr" rid="B7">Ferreira (2013</xref>, p. 73). A ess&#xEA;ncia do pensamento te&#xF3;rico consiste na compreens&#xE3;o das coisas por meio da an&#xE1;lise das condi&#xE7;&#xF5;es de sua origem e de seu desenvolvimento hist&#xF3;rico.</p>
<p>As pr&#xE1;ticas desses professores mostraram que suas aulas obedecem a uma sequ&#xEA;ncia que caracteriza a aula padr&#xE3;o dentro da &#xF3;tica da forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos de quantidade. Essa aula apresenta ind&#xED;cios que reafirmam o que mostra <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref> sobre a pr&#xE1;tica pedag&#xF3;gica pautada no ensino tradicional: se o professor chega a um n&#xED;vel de ensino satisfat&#xF3;rio &#xE9; devido a um conhecimento emp&#xED;rico. A forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos depende essencialmente dos conte&#xFA;dos e dos processos investigativos conexos a esses conte&#xFA;dos ao considerar a forma&#xE7;&#xE3;o do pensamento na l&#xF3;gica dial&#xE9;tica.</p>
<p>Chamou a aten&#xE7;&#xE3;o, nos dados obtidos por meio das observa&#xE7;&#xF5;es, que os professores adotam procedimentos de ensino que privilegiam &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o do conte&#xFA;do ou meramente &#xE0; repeti&#xE7;&#xE3;o do que est&#xE1; contido no livro did&#xE1;tico. Outro elemento que se destacou na pr&#xE1;tica do professor foi a presen&#xE7;a de uma forma de organizar o ensino que corresponde a uma &#x201C;aula padr&#xE3;o&#x201D;, geralmente iniciada com uma hist&#xF3;ria, seguida da explica&#xE7;&#xE3;o do conte&#xFA;do no quadro-negro, com a expectativa de que o aluno compreenda a exposi&#xE7;&#xE3;o verbal proferida pelo professor. Depois, supondo que o aluno aprendeu o que foi &#x201C;explicado&#x201D;, o professor aplica uma tarefa de verifica&#xE7;&#xE3;o da aprendizagem.</p>
<p>Nesses epis&#xF3;dios constatou-se a predomin&#xE2;ncia de tr&#xEA;s formas de ensinar: a) mostrar a sequ&#xEA;ncia dos n&#xFA;meros, relacionando-os com figuras contendo a quantidade correspondente ao n&#xFA;mero, b) decompor os n&#xFA;meros e c) mostrar a rela&#xE7;&#xE3;o do conceito ensinado com os outros conceitos da Matem&#xE1;tica. Em todas as formas de ensinar observadas, ressalta-se o empenho dos professores em procurar criar condi&#xE7;&#xF5;es para propiciar aos alunos a apresenta&#xE7;&#xE3;o dos conte&#xFA;dos da Matem&#xE1;tica. Cada professor utilizava uma situa&#xE7;&#xE3;o diferente na abordagem dos conte&#xFA;dos no intuito de ensinar os conceitos mesmo sem privilegiar as etapas de organiza&#xE7;&#xE3;o do ensino defendidas por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref>.</p>
<p>Nas duas primeiras formas mencionadas, observa-se a dificuldade dos professores no que tange ao processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos, bem como do dom&#xED;nio do conhecimento did&#xE1;tico desse conte&#xFA;do. J&#xE1; na &#xFA;ltima forma, a professora demonstra preocupa&#xE7;&#xE3;o em relacionar o conceito de quantidade com outros conceitos da Matem&#xE1;tica. Percebe-se, desse fato, haver uma concep&#xE7;&#xE3;o de conceito pr&#xF3;xima &#xE0;quela defendida por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988)</xref>, distanciada de um pensamento menos descritivo a respeito desse conceito.</p>
<p>Os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B4">Davydov (1988</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">1999</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B6">1982</xref>) a respeito da forma&#xE7;&#xE3;o do pensamento te&#xF3;rico em Matem&#xE1;tica e de conceitos pelos estudantes t&#xEA;m muito a contribuir para o desenvolvimento de um pensamento menos descritivo ou apenas de memoriza&#xE7;&#xE3;o pelos estudantes. &#xC9; uma teoria que valoriza os conte&#xFA;dos cient&#xED;ficos escolares e n&#xE3;o apenas o car&#xE1;ter memor&#xED;stico a respeito dos conhecimentos sistematizados pela ci&#xEA;ncia. A contribui&#xE7;&#xE3;o da pesquisa &#xE0; pr&#xE1;tica dos professores pauta-se na possibilidade de reflex&#xE3;o a respeito da forma&#xE7;&#xE3;o inicial e continuada dos mestres para ensinarem conceitos de Matem&#xE1;tica, as formas de organiza&#xE7;&#xE3;o dos conte&#xFA;dos e a busca por uma metodologia que promova o aprendizado do aluno.</p>
<p>Outra contribui&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a possibilidade de o professor conhecer e apropriar-se da proposta de Davydov visando &#xE0; atividade de ensino conectada &#xE0; atividade de aprendizagem do aluno, propiciando a aquisi&#xE7;&#xE3;o do pensamento te&#xF3;rico-cient&#xED;fico e, consequentemente, a amplia&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento mental dos alunos no processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos matem&#xE1;ticos.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>5 Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>Com base nas premissas te&#xF3;ricas davydovianas, pode-se defender a ideia de que conhecer o processo da forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos pelos estudantes deve, ou deveria, ser um dos requisitos b&#xE1;sicos &#xE0; atua&#xE7;&#xE3;o profissional do professor no sistema de ensino, particularmente nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, nos quais deveriam ser formados os conceitos b&#xE1;sicos da Matem&#xE1;tica, imprescind&#xED;veis para o desenvolvimento das capacidades intelectuais do aluno para se relacionar com a realidade, agir tendo os conceitos matem&#xE1;ticos como instrumentos. Essa &#xE9; uma quest&#xE3;o de interesse das pol&#xED;ticas educacionais e das pol&#xED;ticas de forma&#xE7;&#xE3;o de professores para a Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, mas tamb&#xE9;m &#xE9; uma quest&#xE3;o relevante a ser investigada em estudos e pesquisas.</p>
<p>A forma como o professor atua pode ser considerada um ind&#xED;cio revelador de sua concep&#xE7;&#xE3;o sobre o processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos e de como lida com o conceito de quantidade no processo ensino e aprendizagem. A presente pesquisa mostrou que os professores participantes, ensinando Matem&#xE1;tica, em suas classes de Anos Iniciais do Ensino Fundamental expressaram, acerca do processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos pelos alunos, uma compreens&#xE3;o, ainda em constru&#xE7;&#xE3;o, para a promo&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento do pensamento matem&#xE1;tico dos alunos.</p>
<p>N&#xE3;o &#xE9; totalmente surpreendente a presen&#xE7;a da l&#xF3;gica formal na concep&#xE7;&#xE3;o e na pr&#xE1;tica dos professores ao ensinarem o conceito de quantidade, uma vez que historicamente esse &#xE9; o tipo de pensamento predominante na escola de forma geral. Todavia, surpreende o fato de alguns n&#xE3;o demonstrarem sequer essa l&#xF3;gica ao falarem sobre o conceito de quantidade. Tal situa&#xE7;&#xE3;o pode estar contribuindo para a perman&#xEA;ncia dos recorrentes problemas no ensino escolar da Matem&#xE1;tica enfaticamente descritos na literatura cient&#xED;fica sobre o assunto e indicado pelo baixo desempenho dos alunos em avalia&#xE7;&#xF5;es, como o Programa Internacional de Avalia&#xE7;&#xE3;o de Estudantes (PISA), afirma <xref ref-type="bibr" rid="B18">Waiselfisz (2009)</xref>.</p>
<p>Conclui-se que o desempenho escolar de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental em Matem&#xE1;tica, provavelmente marcado por diversos fatores do contexto institucional do sistema de ensino e da escola e do contexto sociocultural, pode estar sendo influenciado pela compreens&#xE3;o do professor a respeito do processo de forma&#xE7;&#xE3;o de conceitos pelo estudante.</p>
<p>Espera-se que os resultados aqui reportados possam ser &#xFA;teis aos estudiosos e pesquisadores dedicados a Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica, que sirvam para repensar criticamente a forma&#xE7;&#xE3;o e a pr&#xE1;tica dos professores que ensinam Matem&#xE1;tica no Ensino Fundamental. Assim, que contribuam para uma revis&#xE3;o cr&#xED;tica dos princ&#xED;pios te&#xF3;ricos e das pr&#xE1;ticas nesse n&#xED;vel de ensino, uma vez que as crian&#xE7;as e jovens t&#xEA;m seus direitos, direito a uma educa&#xE7;&#xE3;o que promova seu desenvolvimento.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Proposta Pol&#xED;tico-Pedag&#xF3;gica para a Educa&#xE7;&#xE3;o Fundamental da Inf&#xE2;ncia e da Adolesc&#xEA;ncia, aprovada pelo Conselho Municipal de Educa&#xE7;&#xE3;o de Goi&#xE2;nia, por meio da Resolu&#xE7;&#xE3;o n. 240, de 17 de dezembro de 2008, prorrogada pela Resolu&#xE7;&#xE3;o CME n. 128, de 29 de agosto de 2011. O ensino por meio de ciclos consiste em uma maneira de organiza&#xE7;&#xE3;o escolar do Ensino Fundamental, contida na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 9394/1996.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>Optou-se por definir como cen&#xE1;rio do campo de pesquisa as escolas que obtiveram a maior nota e as menores notas do IDEB 2009, na zona urbana de Goi&#xE2;nia.</p></fn></fn-group>
<ref-list>
<title>Refer&#xEA;ncias</title>
<ref id="B1">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<collab>BRASIL. Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o</collab></person-group>
<article-title>Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais</article-title>
<source><bold>Introdu&#xE7;&#xE3;o:</bold> Ensino fundamental</source>
<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
<publisher-name>MEC/SEF</publisher-name>
<year>1998</year></element-citation>
<mixed-citation>BRASIL. Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o. Par&#xE2;metros Curriculares Nacionais. <bold>Introdu&#xE7;&#xE3;o:</bold> Ensino fundamental. Bras&#xED;lia: MEC/SEF, 1998.</mixed-citation></ref>
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<name><surname>BOGDAN</surname><given-names>R.</given-names></name>
<name><surname>BIKLEN</surname><given-names>S.</given-names></name></person-group>
<article-title>Nove quest&#xF5;es frequentes sobre a investiga&#xE7;&#xE3;o qualitativa</article-title>
<source><bold>Investiga&#xE7;&#xE3;o qualitativa em educa&#xE7;&#xE3;o</bold>: uma introdu&#xE7;&#xE3;o &#xE0; introdu&#xE7;&#xE3;o &#xE0; teoria e aos m&#xE9;todos</source>
<publisher-loc>Portugal</publisher-loc>
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<fpage>63</fpage>
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<name><surname>CEDRO</surname><given-names>W. L.</given-names></name>
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<article-title>A atividade de ensino e o desenvolvimento do pensamento te&#xF3;rico em matem&#xE1;tica</article-title>
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