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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
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<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pró-Reitoria de Pesquisa; Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática</publisher-name></publisher>
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<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Di&#xE1;logo em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e suas M&#xFA;ltiplas Interpreta&#xE7;&#xF5;es</article-title>
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<trans-title>Dialogue in Mathematics Educations and its Multiple Interpretations</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Milani</surname><given-names>Raquel</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<institution content-type="orgname">Universidade de S&#xE3;o Paulo</institution>
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<institution content-type="original">Doutora em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual Paulista &#x201C;J&#xFA;lio de Mesquita Filho&#x201D; (UNESP). Professora Doutora I da Universidade de S&#xE3;o Paulo (USP), S&#xE3;o Paulo, S&#xE3;o Paulo, Brasil.</institution></aff></contrib-group>
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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o para correspond&#xEA;ncia: Av. Ipiranga, 200, 161D, Rep&#xFA;blica, S&#xE3;o Paulo, S&#xE3;o Paulo, Brasil, CEP: <!--<postal-code>01046-010</postal-code>-->. E-mail: <email>rmilani@usp.br</email>.</corresp></author-notes>
<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>O presente texto tem como objetivo discutir interpreta&#xE7;&#xF5;es para o conceito de di&#xE1;logo, como forma de intera&#xE7;&#xE3;o entre professor e alunos. Algumas dessas interpreta&#xE7;&#xF5;es emergiram da pr&#xE1;tica de est&#xE1;gio de futuras professoras de Matem&#xE1;tica e de uma disciplina de est&#xE1;gio supervisionado de um curso de Licenciatura em Matem&#xE1;tica. O estudo faz parte de uma pesquisa de doutorado a respeito da aprendizagem do di&#xE1;logo por futuros professores. O referencial te&#xF3;rico &#xE9; baseado especialmente no conceito de di&#xE1;logo de Alr&#xF8; e Skovsmose, no contexto da Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica Cr&#xED;tica. Os dados da pesquisa s&#xE3;o epis&#xF3;dios da pr&#xE1;tica docente de estagi&#xE1;rias, tentando colocar em a&#xE7;&#xE3;o o di&#xE1;logo com seus alunos, e, tamb&#xE9;m, de momentos de orienta&#xE7;&#xE3;o com as docentes supervisoras quando refletia-se sobre essas pr&#xE1;ticas, o que favorecia dizer sobre a aprendizagem do di&#xE1;logo. Neste artigo, discute-se sobre a impossibilidade de exaurir o conceito, tendo em vista a multiplicidade e transitoriedade do di&#xE1;logo. Participa&#xE7;&#xE3;o, discuss&#xE3;o, incerteza, movimento e investiga&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o as interpreta&#xE7;&#xF5;es de di&#xE1;logo apresentadas neste texto.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>This paper aims to discuss interpretations for the dialogue concept, as a form of interaction between teacher and students. Some of these interpretations emerged from the teaching practice of prospective mathematics teachers and from a supervised teaching practice course on mathematics. The paper is part of a doctoral research on the learning of dialogue by prospective teachers. The theoretical framework is based especially on the dialogue concept proposed by Alr&#xF8; and Skovsmose in the context of critical mathematical education. The research data are episodes from teaching practices, when the prospective teachers tried to put into action the dialogue with the students, and also from moments of reflection on these practices, which favored to address dialogue learning. This paper argues that it is impossible to exhaust the concept, considering the multiplicity and transience of the dialogue. Participation, discussion, uncertainty, movement, and investigation are the interpretations for dialogue presented in this paper.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Di&#xE1;logo</kwd>
<kwd>Intera&#xE7;&#xE3;o</kwd>
<kwd>Comunica&#xE7;&#xE3;o</kwd>
<kwd>Est&#xE1;gio Supervisionado em Matem&#xE1;tica</kwd>
<kwd>Forma&#xE7;&#xE3;o de Professores de Matem&#xE1;tica</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords:</title>
<kwd>Dialogue</kwd>
<kwd>Interaction</kwd>
<kwd>Communication</kwd>
<kwd>Supervised Teaching Practice Course on Mathematics</kwd>
<kwd>Mathematics Teacher Education</kwd></kwd-group>
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<sec sec-type="intro">
<title>1 Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Quando penso no conceito de di&#xE1;logo em uma disciplina de est&#xE1;gio supervisionado em Matem&#xE1;tica, no contexto da forma&#xE7;&#xE3;o inicial de professores, visualizo uma rede formada por ideias, imagens e pessoas. N&#xE3;o se trata apenas do que ocorreu nessa disciplina, mas, tamb&#xE9;m, de todas as etapas da pesquisa de doutorado que desenvolvi a respeito desse conceito. O presente texto aborda parte dessa rede ao discutir poss&#xED;veis interpreta&#xE7;&#xF5;es para o di&#xE1;logo, como forma de intera&#xE7;&#xE3;o entre professor e alunos em aulas de Matem&#xE1;tica. Algumas leituras desse conceito emergiram especialmente da pr&#xE1;tica de est&#xE1;gio de Lyriel, uma futura professora de Matem&#xE1;tica. O objetivo n&#xE3;o &#xE9; exaurir o conceito, apresentando todas as interpreta&#xE7;&#xF5;es para o di&#xE1;logo. Isso n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel, uma vez que dizer do di&#xE1;logo &#xE9; subjetivo, pertence ao sujeito que dele diz, inserido em um contexto, num determinado tempo. Almejo, sim, dizer do que me surgiu ao olhar a pr&#xE1;tica docente de Lyriel, suas falas e sua conversa com as docentes supervisoras de uma disciplina de est&#xE1;gio supervisionado.</p>
<p>Di&#xE1;logo &#xE9; estar com o outro, um movimentar-se para o outro. Ao dizer isso, j&#xE1; abordo o di&#xE1;logo como movimento. Engajamento e compartilhamento de falas; o di&#xE1;logo como participa&#xE7;&#xE3;o. Perguntas, respostas e um prolongar de ideias; o di&#xE1;logo como discuss&#xE3;o. Ser&#xE1;? O professor, os alunos, a atividade, as perguntas, as diversas inten&#xE7;&#xF5;es. Ser&#xE1; que o di&#xE1;logo vai acontecer? Assim &#xE9; o di&#xE1;logo visto como incerteza. A comunica&#xE7;&#xE3;o em atividades relacionadas a cen&#xE1;rios para investiga&#xE7;&#xE3;o; o di&#xE1;logo como investiga&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Essas interpreta&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o s&#xE3;o desconexas entre si. Possuem certamente interse&#xE7;&#xF5;es e me permito que, por vezes, elas se sobreponham em parte. Afinal, est&#xE1; se dizendo de um mesmo conceito. &#xC9; dessas interpreta&#xE7;&#xF5;es que cada se&#xE7;&#xE3;o deste texto trata. Os dados relativos &#xE0; pr&#xE1;tica docente de Lyriel d&#xE3;o origem a tr&#xEA;s interpreta&#xE7;&#xF5;es para o di&#xE1;logo: participa&#xE7;&#xE3;o, discuss&#xE3;o e incerteza. Os dados s&#xE3;o apresentados e, na sequ&#xEA;ncia, trago as reflex&#xF5;es e a respectiva interpreta&#xE7;&#xE3;o. Abordo o di&#xE1;logo como movimento ao resgatar a pr&#xE1;tica de est&#xE1;gio de uma colega de Lyriel, a Isabela, tamb&#xE9;m participante da pesquisa de doutorado.</p>
<p>Antes de tratar da pr&#xE1;tica de Lyriel e ali perceber diferentes leituras de di&#xE1;logo, deixe-me montar o cen&#xE1;rio em que tal pr&#xE1;tica esteve inserida. Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o do texto, apresento aspectos importantes para a compreens&#xE3;o da pesquisa de doutorado que foi desenvolvida, sendo que um deles &#xE9; a abordagem do di&#xE1;logo como investiga&#xE7;&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec>
<title>2 Uma pesquisa sobre di&#xE1;logo em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</title>
<p>Uma disciplina de est&#xE1;gio supervisionado em Matem&#xE1;tica e uma pesquisa em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica. Esse encontro promoveu outro. Lyriel, Isolda e Raquel estavam juntas com inten&#xE7;&#xF5;es distintas, mas envolvidas com um mesmo tema: o di&#xE1;logo. Lyriel foi uma das estagi&#xE1;rias da disciplina. Isolda foi a docente supervisora que colaborou com a pesquisa de doutorado. Raquel &#xE9; quem escreve este texto e que atuou na disciplina de est&#xE1;gio como docente supervisora e como pesquisadora. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Jarvis (1999)</xref> chama de <italic>practitioner-researcher</italic> o profissional que desenvolve pesquisa sobre sua pr&#xF3;pria pr&#xE1;tica. Segundo o autor, o <italic>practitioner-researcher</italic> sabe o que funciona em seu trabalho, sente-se confort&#xE1;vel em rela&#xE7;&#xE3;o aos conhecimentos, habilidades e atitudes vindos da sua pr&#xE1;tica e sabe quais os problemas existentes a serem investigados. Considerando tal autor, no contexto de minha pesquisa, assumi a posi&#xE7;&#xE3;o de <italic>practitioner-researcher</italic> e Isolda, de <italic>practitioner</italic>. As duas professoras eram profissionais que atuavam na mesma &#xE1;rea, a supervis&#xE3;o de est&#xE1;gio, e, portanto, foram <italic>practitioners</italic>.</p>
<p>Isolda e eu planejamos algumas atividades de di&#xE1;logo, ou seja, atividades voltadas para a pr&#xE1;tica e a discuss&#xE3;o do di&#xE1;logo, em momentos de investiga&#xE7;&#xE3;o, reflex&#xE3;o e planejamento. Promovemos um encontro entre as estagi&#xE1;rias, alunas da disciplina, e o conceito de di&#xE1;logo, esse tomado conforme <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alr&#xF8; e Skovsmose (2004)</xref>, os quais o caracterizam em cen&#xE1;rios para investiga&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Segundo esses autores, o di&#xE1;logo possui duas caracter&#xED;sticas que s&#xE3;o expressas por elementos. A primeira delas &#xE9; fundamentada em estudos te&#xF3;ricos, e seus elementos s&#xE3;o: realizar uma investiga&#xE7;&#xE3;o, correr riscos e promover a equidade. A segunda caracter&#xED;stica do di&#xE1;logo est&#xE1; relacionada a oito atos dial&#xF3;gicos: estabelecer contato, perceber, reconhecer, posicionar-se, pensar alto, reformular, desafiar e avaliar. Esses elementos s&#xE3;o mais espec&#xED;ficos do que os tr&#xEA;s primeiros te&#xF3;ricos e foram estabelecidos a partir de observa&#xE7;&#xF5;es emp&#xED;ricas da intera&#xE7;&#xE3;o entre professores e alunos e entre alunos, em aulas de Matem&#xE1;tica.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B1">Alr&#xF8; e Skovsmose (2004)</xref> caracterizam o di&#xE1;logo como forma de comunica&#xE7;&#xE3;o que ocorre em um ambiente espec&#xED;fico de aprendizagem: os cen&#xE1;rios para investiga&#xE7;&#xE3;o, os quais podem se referir &#xE0; realidade, semirrealidade ou &#xE0; matem&#xE1;tica pura (<xref ref-type="bibr" rid="B13">SKOVSMOSE, 2000</xref>). Um cen&#xE1;rio para investiga&#xE7;&#xE3;o &#xE9; planejado para fornecer significado ao que os alunos est&#xE3;o produzindo na atividade (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SKOVSMOSE, 2011</xref>). Eles s&#xE3;o convidados a explorar hip&#xF3;teses e fazer descobertas. A atividade investigativa pode ser realizada em todos os n&#xED;veis de ensino e uma mesma atividade pode levar a diferentes descobertas dependendo do n&#xED;vel em que &#xE9; desenvolvida. N&#xE3;o se busca resultados genu&#xED;nos, mas sim que os alunos fa&#xE7;am suas pr&#xF3;prias descobertas (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SKOVSMOSE, 2011</xref>).</p>
<p>Uma vez eles estando engajados no trabalho, o professor n&#xE3;o tem como antecipar o que os alunos descobrir&#xE3;o em sua investiga&#xE7;&#xE3;o. Isso acontece porque eles t&#xEA;m liberdade para escolher o caminho a ser percorrido e agem conforme suas decis&#xF5;es. Algumas perguntas podem ser formuladas pelo professor, mas outras podem surgir durante a atividade, o que pode gerar novas possibilidades de investiga&#xE7;&#xE3;o. Uma atividade investigativa, portanto, &#xE9; caracterizada por um alto grau de imprevisibilidade.</p>
<p>Se os alunos est&#xE3;o engajados ativamente em uma atividade investigativa &#xE9; porque aceitaram o convite do professor para realizar a investiga&#xE7;&#xE3;o. O convite n&#xE3;o pode soar como uma ordem, caso contr&#xE1;rio ele pode ser recusado pelos alunos. O aceite &#xE0; investiga&#xE7;&#xE3;o depende tamb&#xE9;m das inten&#xE7;&#xF5;es dos alunos naquele momento e da natureza da atividade (<xref ref-type="bibr" rid="B13">SKOVSMOSE, 2000</xref>). Existe uma inten&#xE7;&#xE3;o e uma atitude de curiosidade que move os participantes. Eles controlam o processo e s&#xE3;o respons&#xE1;veis por conduzir as atividades; trata-se de uma propriedade compartilhada.</p>
<p>Os rumos de um di&#xE1;logo s&#xE3;o imprevis&#xED;veis. Acreditar que, nesse contexto, novas perspectivas possam ser criadas, implica em n&#xE3;o conhecer de antem&#xE3;o que ideias s&#xE3;o essas. Quando se deseja saber o que o outro pensa, pode-se desconfiar de algo, mas n&#xE3;o se tem a certeza do que o outro vai responder. S&#xE3;o as diversas respostas e participa&#xE7;&#xF5;es verbais e n&#xE3;o-verbais dos participantes que &#x201C;alimentam&#x201D; e &#x201C;d&#xE3;o vida&#x201D; ao di&#xE1;logo. Aprender e investigar em um cen&#xE1;rio dial&#xF3;gico envolve, portanto, correr riscos. A imprevisibilidade neste contexto &#x2013; &#x201C;means the challenge of trying new possibilities&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALR&#xD8;; SKOVSMOSE, 2004</xref>, p. 122) &#x2013; e gera oportunidades de aprendizagem.</p>
<p>Quando se considera o conhecimento que professor e alunos t&#xEA;m a respeito de um conte&#xFA;do matem&#xE1;tico espec&#xED;fico, uma rela&#xE7;&#xE3;o assim&#xE9;trica entre eles &#xE9; estabelecida: o professor sabe mais sobre esse conte&#xFA;do que os alunos. O di&#xE1;logo, por&#xE9;m, n&#xE3;o pode ser influenciado por essa rela&#xE7;&#xE3;o. Professor e alunos est&#xE3;o em contato e o que se deseja &#xE9; que haja uma rela&#xE7;&#xE3;o interpessoal igualit&#xE1;ria.</p>
<p>Assim, promover a equidade no di&#xE1;logo n&#xE3;o significa negar a diversidade e as diferen&#xE7;as, mas sim saber lidar com as mesmas, de forma justa. O professor pode convidar os alunos para participarem de um di&#xE1;logo e, para que ele ocorra, os alunos devem aceitar esse convite. O princ&#xED;pio da equidade tem a ver com o convite ao di&#xE1;logo. Para promover a equidade, e, por consequ&#xEA;ncia, a aprendizagem, &#xE9; preciso que se tente agir de acordo com tr&#xEA;s caracter&#xED;sticas: coer&#xEA;ncia, empatia e considera&#xE7;&#xE3;o. Ser coerente significa ser transparente e verdadeiro em rela&#xE7;&#xE3;o ao que se pensa e faz. A empatia do professor aparece quando ele tenta entender o ponto de vista dos alunos, coloca-se no lugar do outro e tem consci&#xEA;ncia da perspectiva do outro. A considera&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; relacionada a aceitar e respeitar o outro com quem se dialoga, sem a inten&#xE7;&#xE3;o de mud&#xE1;-lo. No di&#xE1;logo, professor e alunos t&#xEA;m direito &#xE0; fala e a serem escutados. As diferen&#xE7;as e a diversidade ao agir e pensar s&#xE3;o respeitadas.</p>
<p>Ao realizar uma investiga&#xE7;&#xE3;o, correr riscos e promover equidade, os participantes do di&#xE1;logo se engajam em a&#xE7;&#xF5;es mais espec&#xED;ficas. O conjunto dessas a&#xE7;&#xF5;es, chamadas de atos dial&#xF3;gicos, constitui o Modelo de Coopera&#xE7;&#xE3;o Investigativa (Modelo &#x2013; CI). Ao observar a intera&#xE7;&#xE3;o entre professor e alunos e entre alunos em um cen&#xE1;rio de investiga&#xE7;&#xE3;o, Alr&#xF8; e Skovsmose perceberam a exist&#xEA;ncia de oito atos dial&#xF3;gicos: estabelecer contato, perceber, reconhecer, posicionar-se, pensar alto, reformular, desafiar e avaliar. Segundo os autores, esses elementos, que n&#xE3;o s&#xE3;o os &#xFA;nicos poss&#xED;veis atos dial&#xF3;gicos, auxiliam tanto na manuten&#xE7;&#xE3;o como no desenvolvimento do di&#xE1;logo.</p>
<p>As atividades de car&#xE1;ter investigativo que Isolda e eu realizamos com as estagi&#xE1;rias foram caracterizadas como atividades de di&#xE1;logo (momentos investigativos). As demais atividades referiram-se &#xE0; reflex&#xE3;o sobre a participa&#xE7;&#xE3;o delas nas investiga&#xE7;&#xF5;es e o planejamento de aulas fundamentadas no di&#xE1;logo (momentos de reflex&#xE3;o e planejamento). A descri&#xE7;&#xE3;o e an&#xE1;lise das atividades investigativas desenvolvidas na pesquisa podem ser encontradas em <xref ref-type="bibr" rid="B8">Milani e Skovsmose (2014)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B9">Milani e Silva (2018</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B10">2019</xref>).</p>
<p>O di&#xE1;logo como investiga&#xE7;&#xE3;o, baseado nas ideias te&#xF3;ricas de Helle Alr&#xF8; e Ole Skovsmose, foi um dos olhares para o conceito, abordado na pesquisa de doutorado desenvolvida. Nos momentos de reflex&#xE3;o e orienta&#xE7;&#xE3;o dos planejamentos das estagi&#xE1;rias, tamb&#xE9;m estavam presentes concep&#xE7;&#xF5;es de Isolda e minhas, de acordo com as experi&#xEA;ncias de cada uma com o di&#xE1;logo.</p>
<p>O objetivo central que guiou a pesquisa de doutorado (<xref ref-type="bibr" rid="B6">MILANI, 2015</xref>) foi o de compreender o processo de aprender a dialogar de futuros professores de Matem&#xE1;tica com seus alunos no contexto do est&#xE1;gio supervisionado. Para al&#xE9;m de contribuir com a forma&#xE7;&#xE3;o do professor, propondo e avaliando a&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas voltadas ao di&#xE1;logo, a pesquisa pretendeu discutir esse conceito e apresentar algumas interpreta&#xE7;&#xF5;es para ele, relacionadas &#xE0; pr&#xE1;tica das estagi&#xE1;rias e influenciadas por inspira&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas e concep&#xE7;&#xF5;es de minha pr&#xF3;pria pr&#xE1;tica docente. Esse &#xFA;ltimo objetivo coincide com a proposta do presente artigo.</p>
<p>Perseguir esses objetivos me levou a constituir, como dados da pesquisa, n&#xE3;o apenas epis&#xF3;dios da pr&#xE1;tica docente das estagi&#xE1;rias, tentando colocar em a&#xE7;&#xE3;o o di&#xE1;logo com seus alunos, mas, tamb&#xE9;m, momentos de orienta&#xE7;&#xE3;o com as docentes supervisoras quando reflet&#xED;amos sobre essa pr&#xE1;tica. Os primeiros epis&#xF3;dios foram chamados de <italic>dados</italic> da pesquisa. Epis&#xF3;dios que mostraram a voz das estagi&#xE1;rias a respeito do que havia acontecido na intera&#xE7;&#xE3;o com seus alunos, permitindo, portanto, refletir sobre o processo de aprender a dialogar, foram chamados de <italic>dados sobre dados</italic>.</p>
<p>Com os dados em m&#xE3;os, o movimento de teoriza&#xE7;&#xE3;o da pesquisa de doutorado ocorreu de dentro para fora, ou seja, parti do que os dados me diziam para, ent&#xE3;o, refletir sobre o foco da pesquisa. No momento de produ&#xE7;&#xE3;o dos dados, n&#xE3;o tinha nenhuma teoria espec&#xED;fica em mente sobre o aprender a dialogar por futuros professores de Matem&#xE1;tica. N&#xE3;o havia definido, tamb&#xE9;m, categorias pr&#xE9;vias a respeito dessa tem&#xE1;tica. Quando fui para o campo emp&#xED;rico, o que tinha forte em minha mente eram as cren&#xE7;as advindas de minha pr&#xE1;tica docente, sobre o dialogar e questionar para promover aprendizagem, e as ideias te&#xF3;ricas de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alr&#xF8; e Skovsmose (2004)</xref> sobre o conceito de di&#xE1;logo em cen&#xE1;rios para investiga&#xE7;&#xE3;o. Com essas ideias, iniciei a produ&#xE7;&#xE3;o dos dados, mas sentia a necessidade de tornar mais claro o que era o di&#xE1;logo e como se dava o processo de formar professores para dialogar nas aulas de Matem&#xE1;tica. Assim, n&#xE3;o tinha uma teoria externa e prescritiva previamente definida sobre a tem&#xE1;tica da pesquisa para ser aplicada ou comparada com o que iria encontrar no campo emp&#xED;rico. As eventuais compara&#xE7;&#xF5;es que fiz tiveram fins descritivos e me auxiliaram a caracterizar os eventos ocorridos. Era preciso, portanto, construir uma teoria e isso se deu internamente, a partir dos dados produzidos. Procedimentos dessa natureza s&#xE3;o propostos por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Creswell (2007</xref>, p. 27) quando diz que &#x201C;o processo de pesquisa qualitativa &#xE9; bastante indutivo, com o pesquisador gerando significado a partir dos dados coletados no campo&#x201D;.</p>
<p>As estagi&#xE1;rias participantes da pesquisa escolheram pseud&#xF4;nimos para garantir seu anonimato. Neste texto, farei refer&#xEA;ncia a duas delas: Lyriel e Isabela. Um termo de consentimento livre e esclarecido foi acordado entre as estagi&#xE1;rias, Isolda e eu.</p>
<p>O primeiro epis&#xF3;dio que apresento neste texto se refere a uma aula de Lyriel em que n&#xE3;o estive presente. A estagi&#xE1;ria, no entanto, tinha um gravador junto a si, o que possibilitou a transcri&#xE7;&#xE3;o do &#xE1;udio. O epis&#xF3;dio foi escolhido como dado da pesquisa devido &#xE0; import&#xE2;ncia atribu&#xED;da por Lyriel aos fatos que aconteceram nessa aula, mostrando grande rela&#xE7;&#xE3;o com o objetivo da investiga&#xE7;&#xE3;o. Outros tr&#xEA;s epis&#xF3;dios apresentados aqui, os <italic>dados sobre dados</italic>, tratam de trechos da conversa entre Lyriel, Isolda e eu a respeito do que a estagi&#xE1;ria havia trazido sobre sua pr&#xE1;tica. O cen&#xE1;rio da pesquisa de doutorado, agora, est&#xE1; caracterizado.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 &#x201C;<italic>O que voc&#xEA;s sugerem para que a gente fa&#xE7;a isso?</italic>&#x201D;: o di&#xE1;logo como participa&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>Lyriel estava se sentindo ansiosa por aquela aula. Era a sua segunda semana no campo de est&#xE1;gio, uma escola p&#xFA;blica de Caxias do Sul - RS, onde lecionava Matem&#xE1;tica para uma turma de Ensino M&#xE9;dio noturno, em que a maioria dos alunos trabalhava durante o dia. Ela havia planejado realizar uma atividade que geraria um di&#xE1;logo entre ela e os alunos. A turma tinha em torno de 20 estudantes e Lyriel a considerava participativa. Mesmo assim, ela achava que conseguiria que participassem ainda mais das aulas, quando desenvolvesse atividades que abordassem temas do dia a dia dos alunos, como ela mesmo relatou em seus registros escritos sobre a pr&#xE1;tica da professora titular da turma. Prova dessa participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; que grande parte dos alunos havia trazido, para esta aula, alguns valores do litro de gasolina e &#xE1;lcool estabelecidos por postos de combust&#xED;veis da cidade, conforme Lyriel havia solicitado na aula anterior. Essas informa&#xE7;&#xF5;es seriam utilizadas para saber se era mais vantajoso, economicamente falando, abastecer o carro com gasolina ou &#xE1;lcool. Uma reportagem de uma revista seria utilizada como apoio para introduzir a discuss&#xE3;o.</p>
<p>Ap&#xF3;s alguns lembretes, a atividade se iniciou e Lyriel registrou no quadro-negro os valores trazidos pelos alunos.</p> <disp-quote>
<p><italic>Lyriel: S&#xF3; que a gente precisa chegar num acordo, agora. A gente precisa encontrar um valor s&#xF3; para o &#xE1;lcool e um valor s&#xF3; para a gasolina. O que voc&#xEA;s sugerem para que a gente fa&#xE7;a isso?</italic></p>
<p><italic>Claudio: Faz uma m&#xE9;dia.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Uma m&#xE9;dia, perfeito! Nossa, Cl&#xE1;udio, foi mais r&#xE1;pido do que eu pensava! O que &#xE9; a m&#xE9;dia, Claudio? Pode explicar um pouquinho pros colegas?</italic></p>
<p><italic>Claudio: N&#xE3;o, nem sei (rindo).</italic></p>
<p><italic>Lyriel: O que &#xE9; uma m&#xE9;dia? (dirigindo-se &#xE0; turma inteira, agora).</italic></p>
<p><italic>Alunos</italic><xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup><italic>1</italic></sup></xref><italic>: Somar todos e dividir.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Isso! Somar todos e dividir pela quantidade de elementos, n&#xE9;? Ent&#xE3;o a gente vai fazer isso. Podem fazer, ent&#xE3;o, usando a calculadora de voc&#xEA;s.</italic></p>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;udio da aula, 2012).</p></disp-quote>
<p>Os alunos calculam a m&#xE9;dia dos valores e o resultado &#xE9; registrado no quadro-negro por Lyriel. Uma reportagem intitulada &#x201C;&#xC1;lcool ou gasolina: qual deles &#xE9; mais econ&#xF4;mico?&#x201D; &#xE9; entregue aos alunos e a leitura &#xE9; realizada. Ali &#xE9; mostrado um c&#xE1;lculo para responder a pergunta que d&#xE1; t&#xED;tulo &#xE0; reportagem. Tal c&#xE1;lculo seria feito com o valor m&#xE9;dio do litro dos dois combust&#xED;veis, j&#xE1; encontrado pelos alunos, e com o consumo m&#xE9;dio na cidade e na estrada de um carro a &#xE1;lcool e &#xE0; gasolina em quil&#xF4;metros por litro, informa&#xE7;&#xF5;es essas, trazidas na reportagem. O objetivo, esclarecido por Lyriel, era saber qual dos dois combust&#xED;veis era mais vantajoso em Caxias do Sul, cidade onde ela e os alunos moravam.</p>
<p>Lyriel entregou aos alunos uma tabela, conforme consta no <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref> a seguir, e eles preencheram com o valor m&#xE9;dio do litro do &#xE1;lcool e da gasolina, calculados anteriormente.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Quadro 1</label>
<caption>
<title>Adapta&#xE7;&#xE3;o do que Lyriel chamou de tabela em seu plano de aula</title></caption>
<table frame="box" rules="all">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center" valign="middle"/>
<th align="center" valign="middle">R$/litro</th>
<th align="center" valign="middle">Consumo na cidade (Km/litro)</th>
<th align="center" valign="middle">R$/km</th>
<th align="center" valign="middle">Consumo na estrada (Km/litro)</th>
<th align="center" valign="middle">R$/km</th>
<th align="center" valign="middle">M&#xE9;dia (estrada e cidade) R$/km</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>&#xC1;lcool</bold></td>
<td align="center" valign="top"/>
<td align="center" valign="top">8</td>
<td align="center" valign="top"/>
<td align="center" valign="top">11</td>
<td align="center" valign="top"/>
<td align="center" valign="top"/></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Gasolina</bold></td>
<td align="center" valign="top"/>
<td align="center" valign="top">12</td>
<td align="center" valign="top"/>
<td align="center" valign="top">17</td>
<td align="center" valign="top"/>
<td align="center" valign="top"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: Dados da pesquisa (2012).</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Posteriormente, Lyriel diz: &#x201C;<italic>Agora eu quero que voc&#xEA;s calculem reais por quil&#xF4;metro, que &#xE9; um pouquinho diferente. Ent&#xE3;o a gente tem ali reais por litro e quil&#xF4;metro por litro. E agora a gente vai calcular o reais por quil&#xF4;metro</italic>&#x201D; (Grava&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;udio da aula, 2012). Enquanto Lyriel transferia o <xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref> para a lousa, os alunos conversavam em tom baixo e faziam anota&#xE7;&#xF5;es.</p> <disp-quote>
<p><italic>Lyriel: A gente vai come&#xE7;ar pensando juntos o que a gente pode fazer para estar resolvendo e completando essa tabela, para depois a gente chegar na porcentagem e entender um pouquinho melhor.</italic></p>
<p><italic>Aluno A: Multiplica por 7&#x2026;</italic></p>
<p><italic>Aluno B: Divide.</italic></p>
<p><italic>Aluno C: Divide.</italic></p>
<p><italic>Aluno B: &#xC9; dividido?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Ser&#xE1; que a gente divide, ser&#xE1; que a gente multiplica? Como vai ser isso?</italic></p>
<p><italic>Aluno B: Divide.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Divide o qu&#xEA;?</italic></p>
<p><italic>Aluno B: O valor por litro dividido pelos quil&#xF4;metros.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Isso mesmo!</italic></p>
<p>(Grava&#xE7;&#xE3;o de &#xE1;udio da aula, 2012).</p></disp-quote>
<p>A aula prosseguiu com os c&#xE1;lculos e a conclus&#xE3;o sobre o combust&#xED;vel mais vantajoso na cidade.</p>
<p>Para alguns leitores, a intera&#xE7;&#xE3;o entre Lyriel e seus alunos pode parecer positiva. Os motivos para isso s&#xE3;o v&#xE1;rios. Inicialmente, n&#xE3;o &#xE9; Lyriel quem domina a fala na aula. N&#xE3;o se trata de uma comunica&#xE7;&#xE3;o no formato de um mon&#xF3;logo, em que apenas o professor fala e, com essa fala, transmite seus conhecimentos aos alunos. Isso remete a um ensino tradicional em que o professor acredita que, para que ocorra a aprendizagem, ele deve falar de modo pausado e claro, e o aluno ouvir com aten&#xE7;&#xE3;o. <xref ref-type="bibr" rid="B3">Freire (2008)</xref> caracteriza esse cen&#xE1;rio como &#x201C;educa&#xE7;&#xE3;o banc&#xE1;ria&#x201D;, em que o professor &#xE9; o depositante (o que sabe) e os alunos, os deposit&#xE1;rios (os que nada sabem), como caixas a serem enchidas. O principal ator dessa educa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; o professor. Assim, trouxe essa caracteriza&#xE7;&#xE3;o aqui para criar um contraste com o que aconteceu naquela aula.</p>
<p>Lyriel interagiu com os alunos fazendo perguntas que incentivaram a turma a dar sua opini&#xE3;o, como em &#x201C;<italic>o que voc&#xEA;s sugerem para que a gente fa&#xE7;a isso?</italic>&#x201D;, e a fornecer respostas sobre conceitos matem&#xE1;ticos espec&#xED;ficos, como em &#x201C;<italic>o que &#xE9; uma m&#xE9;dia?</italic>&#x201D;. &#xC9; importante ressaltar que perguntas soam mais convidativas do que comandos. Lyriel procurou dar aten&#xE7;&#xE3;o aos alunos, ora se dirigindo a um deles em especial, para saber do que ele dizia, ora falando &#xE0; turma inteira. Nessa aula, &#xE9; poss&#xED;vel dizer que houve participa&#xE7;&#xE3;o, j&#xE1; que os alunos respondiam &#xE0;s perguntas feitas por Lyriel e se engajaram na atividade fazendo c&#xE1;lculos, lendo a reportagem e conversando com os colegas sobre o que estava sendo feito. As respostas dos alunos, em sua maioria, eram corretas, do ponto de vista de Lyriel. Ela, inclusive, mostrava certa exalta&#xE7;&#xE3;o dizendo &#x201C;<italic>Uma m&#xE9;dia, perfeito!</italic>&#x201D; e &#x201C;<italic>Isso mesmo!</italic>&#x201D;, ou, ent&#xE3;o, surpresa com a rapidez com que um de seus alunos sugeriu fazer a m&#xE9;dia dos valores: &#x201C;<italic>Nossa, Cl&#xE1;udio, foi mais r&#xE1;pido do que eu pensava!</italic>&#x201D;.</p>
<p>Outro aspecto que pode contribuir para que a intera&#xE7;&#xE3;o seja considerada positiva &#xE9; o tipo de atividade desenvolvida na aula. O tema despertou a curiosidade dos alunos para saber se era o &#xE1;lcool ou a gasolina o combust&#xED;vel mais econ&#xF4;mico. Certa expectativa para essa atividade havia sido criada ainda na aula anterior, quando Lyriel havia solicitado para que os alunos se informassem a respeito dos pre&#xE7;os. Eles receberam material para explorar, no caso, uma reportagem para ser lida e uma tabela para ser completada (<xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>). Os c&#xE1;lculos puderam ser feitos com o aux&#xED;lio da calculadora, o que liberou mais tempo para a reflex&#xE3;o a respeito do tema. O ambiente da aula parecia ser agrad&#xE1;vel, n&#xE3;o havendo espa&#xE7;o para autoritarismo, tom de voz alto ou mau humor.</p>
<p>Al&#xE9;m da forma como ocorreu a intera&#xE7;&#xE3;o entre Lyriel e os alunos, as caracter&#xED;sticas da atividade tamb&#xE9;m contribuem para que tal intera&#xE7;&#xE3;o possa ser considerada positiva. O fato da fala n&#xE3;o ter sido exclusiva do professor, mas sim compartilhada com os alunos, e dos mesmos terem participado da atividade, especialmente, conversando entre si e com a professora, podem fazer com que a intera&#xE7;&#xE3;o aqui apresentada seja considerada um di&#xE1;logo. Essa &#xE9; uma interpreta&#xE7;&#xE3;o poss&#xED;vel para esse conceito: o di&#xE1;logo como participa&#xE7;&#xE3;o (nas falas e na atividade). Assim, di&#xE1;logo &#xE9; uma forma de intera&#xE7;&#xE3;o entre professor e alunos em que a fala n&#xE3;o &#xE9; monopolizada por um ou outro, mas sim compartilhada, e em que os envolvidos est&#xE3;o engajados na atividade da aula.</p>
<p>Essa intera&#xE7;&#xE3;o, no entanto, n&#xE3;o agradou muito a Lyriel. Na sa&#xED;da da aula, ela estava frustrada. O motivo seria revelado na aula da disciplina de est&#xE1;gio, na Universidade, posterior ao epis&#xF3;dio aqui relatado, em uma conversa com Isolda e comigo.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 &#x201C;<italic>Eu n&#xE3;o t&#xF4; conseguindo prolongar o di&#xE1;logo</italic>&#x201D;: o di&#xE1;logo como discuss&#xE3;o</title>
<p>Passados dois dias da aula em que Lyriel trabalhou com os alunos a atividade dos combust&#xED;veis, ela chegou &#xE0; sala da Universidade onde a disciplina de est&#xE1;gio supervisionado ocorria. L&#xE1;, j&#xE1; se encontravam Isolda e eu. Depois de conversar sobre algumas amenidades, perguntamos como haviam sido as &#xFA;ltimas aulas. Lyriel fez um breve relato e logo tocou no assunto que estava preocupando-a.</p> <disp-quote>
<p><italic>Lyriel: Eu pergunto e eles j&#xE1; d&#xE3;o a resposta!</italic></p>
<p><italic>Raquel: Como assim?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Por exemplo, na &#xFA;ltima aula teve a quest&#xE3;o de como calcular a m&#xE9;dia dos valores dos combust&#xED;veis por litro.</italic></p>
<p><italic>Raquel: A atividade da tabela com os valores?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Essa mesmo. &#x201C;E a&#xED; gente, vamos pensar juntos, o que a gente pode fazer?&#x201D;. Da&#xED; &#x201C;tanananana&#x201D; (os alunos respondem). Pronto. &#x201C;T&#xE1;, vamos ver se t&#xE1; certo. Ser&#xE1; que &#xE9; isso mesmo?&#x201D;. Sabe? Eles d&#xE3;o as respostas! (ela mostra certa indigna&#xE7;&#xE3;o sorrindo).</italic></p>
<p><italic>Raquel: E essas falas, j&#xE1; s&#xE3;o as respostas corretas, no caso?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Sim, j&#xE1; &#xE9; a resposta correta! (As tr&#xEA;s riem).</italic></p>
<p><italic>Raquel: A&#xED; tu perguntas o que eles acham?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Sim. Eles t&#xEA;m um n&#xED;vel bom de matem&#xE1;tica.</italic></p>
<p><italic>Raquel: Porque se fosse resposta errada, tu poderias perguntar para outros alunos se eles concordam, como fizemos uma vez aqui</italic><xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup><italic>2</italic></sup></xref><italic>. Da&#xED; at&#xE9; geraria alguma coisa. (Isolda e Lyriel concordam). Mas j&#xE1; era a resposta certa.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Da&#xED;, na quest&#xE3;o da m&#xE9;dia&#x2026; Eles trouxeram os valores dos combust&#xED;veis. Foi bem bom. Eles v&#xE3;o atr&#xE1;s, eles v&#xE3;o, eles pesquisam. Da&#xED; a gente foi listando no quadro e tal. &#x201C;A&#xED; agora? A gente tem um monte de valores aqui, como a gente vai fazer?&#x201D;. &#x201C;Faz a m&#xE9;dia, profe!&#x201D; (Lyriel fala rindo).</italic></p>
<p><italic>Raquel: Que era o que tu querias (rindo).</italic></p>
<p><italic>Lyriel: &#xC9;. &#x201C;Muito bem! Como &#xE9; que &#xE9; a m&#xE9;dia?&#x201D;. A&#xED; eles respondiam! Eu achei que ia demorar mais para eles dizerem. Esse tipo de coisa assim, sabe? Da&#xED; eu n&#xE3;o consigo criar esse momento, sabe? Eu n&#xE3;o t&#xF4; conseguindo prolongar o di&#xE1;logo.</italic></p>
<p>(Dados sobre dados da pesquisa, 2012).</p></disp-quote>
<p>Assim, Lyriel acabou revelando sobre sua frustra&#xE7;&#xE3;o com sua &#xFA;ltima aula na escola.</p>
<p>Responder prontamente &#xE0;s perguntas do professor e, mais, quando as respostas s&#xE3;o corretas do seu ponto de vista, pode ser algo bastante desejado em uma aula de Matem&#xE1;tica. Muitos professores adorariam estar no lugar de Lyriel, considerando que sua intera&#xE7;&#xE3;o foi positiva, como escrevi anteriormente. Ela, no entanto, ficou incomodada com a rapidez das respostas dos alunos. &#x201C;<italic>Eu pergunto e eles j&#xE1; d&#xE3;o a resposta!</italic>&#x201D;. Os adv&#xE9;rbios &#x201C;j&#xE1;&#x201D; e &#x201C;pronto&#x201D; mostraram esse inc&#xF4;modo, o que gerou uma situa&#xE7;&#xE3;o, de certa forma, engra&#xE7;ada, fazendo com que Isolda, Lyriel e eu r&#xED;ssemos.</p>
<p>Parece que a estagi&#xE1;ria queria que eles n&#xE3;o a respondessem, pelo menos n&#xE3;o t&#xE3;o prontamente. Essas respostas eram as corretas, para Lyriel, e isso tamb&#xE9;m pareceu que incomodou a estagi&#xE1;ria. Ela perguntou o que devia ser feito com os valores, e os alunos responderam &#x201C;<italic>faz a m&#xE9;dia</italic>&#x201D;. Afirmei, ent&#xE3;o, que era isso o que ela queria, que eles calculassem a m&#xE9;dia. Ela concordou comigo. Parece, ent&#xE3;o, que Lyriel queria, de fato, que eles sugerissem fazer a m&#xE9;dia, mas, novamente, tamb&#xE9;m queria que a resposta n&#xE3;o fosse t&#xE3;o imediata assim. &#x201C;<italic>Eu achei que ia demorar mais para eles dizerem</italic>&#x201D;.</p>
<p>A forma como a intera&#xE7;&#xE3;o ocorreu, corroborada pelo relato de Lyriel, pode ser relacionada a um padr&#xE3;o de comunica&#xE7;&#xE3;o segundo o qual, geralmente, o professor apresenta perguntas para as quais sabe de antem&#xE3;o a resposta, e os alunos, por sua vez, tentam adivinhar o que ele quer como resposta. Ao professor cabe avali&#xE1;-la como certa ou errada. Se certa, a intera&#xE7;&#xE3;o &#xE9; finalizada por ele com &#x201C;muito bem&#x201D;; se errada, um novo coment&#xE1;rio &#xE9; feito e o aluno tenta mais uma vez acertar o que o professor deseja como resposta correta. Essa conversa &#xE9; caracterizada como um jogo de adivinha&#xE7;&#xE3;o de perguntas e respostas, sendo as primeiras geralmente do professor e as segundas, dos alunos. Como as perguntas tornam-se cada vez mais diretas e a resposta cada vez mais expl&#xED;cita, o professor acaba afunilando as respostas dos alunos (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALR&#xD8;; SKOVSMOSE, 2004</xref>). Uma vez que o professor se posiciona como uma autoridade na sala de aula, cabe a ele, portanto, validar essas respostas. Dessa forma, a fala do aluno fica sempre entre as falas do professor. Exemplo disso &#xE9; quando o professor formula uma pergunta, o aluno responde, e o professor, por fim, a avalia. Esse padr&#xE3;o de comunica&#xE7;&#xE3;o (pergunta, resposta, avalia&#xE7;&#xE3;o), &#xE9; conhecido como &#x201C;sandu&#xED;che&#x201D; (professor, aluno, professor) (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALR&#xD8;; SKOVSMOSE, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">STREITLIEN, 2010</xref>).</p>
<p>Lyriel tinha em mente as respostas &#xE0;s suas perguntas. Quando perguntou o que poderia ser feito com os valores trazidos pelos alunos, ela tinha de antem&#xE3;o a resposta. Quando ouviu a resposta, ela a avaliou positivamente. Ela queria que os alunos optassem pela m&#xE9;dia como encaminhamento e que o c&#xE1;lculo fosse realizado, mas que isso n&#xE3;o fosse sugerido por eles t&#xE3;o rapidamente. Parece, ent&#xE3;o, que ela queria que eles tivessem certa dificuldade para decidir sobre esse c&#xE1;lculo. Isso leva a pensar naquilo que sugeri na reflex&#xE3;o feita com Lyriel e Isolda. Se os alunos tivessem alguma dificuldade, poderia acontecer algo a mais, al&#xE9;m de perguntas e repostas r&#xE1;pidas e corretas, como, por exemplo, uma discuss&#xE3;o maior sobre o conceito de m&#xE9;dia, em que outros alunos tamb&#xE9;m opinassem, avaliando se o que &#xE9; dito &#xE9; certo ou errado. Isolda e Lyriel concordaram com isso. Se isso tivesse acontecido, era prov&#xE1;vel que Lyriel tivesse sa&#xED;do da sala de aula menos frustrada.</p>
<p>Aparentemente, aquilo que muitos professores desejam para sua aula, parece que Lyriel n&#xE3;o quis. O que leva um professor a ficar frustrado porque seus alunos o respondem prontamente e de modo correto? O que est&#xE1; por tr&#xE1;s dessa frustra&#xE7;&#xE3;o &#xE9; que a forma como a intera&#xE7;&#xE3;o ocorreu n&#xE3;o forneceu condi&#xE7;&#xF5;es para Lyriel &#x201C;prolongar o di&#xE1;logo&#x201D;. Parece que respostas r&#xE1;pidas e corretas n&#xE3;o d&#xE3;o chance de estend&#xEA;-lo. Para que se tenha di&#xE1;logo, &#xE9; preciso que haja discuss&#xE3;o. Quando uma pergunta &#xE9; feita, h&#xE1; v&#xE1;rias respostas que podem ser discutidas entre todos.</p>
<p>A reflex&#xE3;o feita sobre o relato de Lyriel a respeito do di&#xE1;logo faz pensar em mais uma interpreta&#xE7;&#xE3;o para esse conceito: o di&#xE1;logo como discuss&#xE3;o. Assim, o di&#xE1;logo &#xE9; um modo de intera&#xE7;&#xE3;o entre professor e alunos em que as perguntas, geralmente feitas pelo professor, possibilitam diversas respostas dos alunos para que se possa, assim, gerar discuss&#xE3;o entre os envolvidos. A discuss&#xE3;o aqui est&#xE1; sendo entendida como um debate de ideias. Desse modo, o di&#xE1;logo pode se estender, prolongar-se, como desejava Lyriel.</p>
</sec>
<sec>
<title>5 Ser&#xE1; que o di&#xE1;logo vai acontecer?: o di&#xE1;logo como incerteza</title>
<p>Lyriel havia acabado de explicar o motivo de sua frustra&#xE7;&#xE3;o. N&#xE3;o havia conseguido prolongar o di&#xE1;logo com a turma, uma vez que os alunos respondiam prontamente e de forma correta o que ela perguntava. Esse assunto continuou sendo foco da conversa na aula de est&#xE1;gio na Universidade. Logo ap&#xF3;s a fala de Lyriel, eu comento sobre um poss&#xED;vel di&#xE1;logo para resolver d&#xFA;vidas e para entender a dificuldade dos alunos. Depois, lembro Isolda e Lyriel das atividades investigativas realizadas na disciplina, quando as estagi&#xE1;rias estavam com certa dificuldade e tentaram responder as perguntas das professoras para conseguir avan&#xE7;ar nas tarefas.</p> <disp-quote>
<p><italic>Raquel: Agora, se voc&#xEA;s (as estagi&#xE1;rias) soubessem os caminhos a serem seguidos na atividade, se n&#xE3;o tivessem d&#xFA;vidas, voc&#xEA;s fariam direto, como seus alunos fizeram (dirigindo-se a Lyriel).</italic></p>
<p>(Dados sobre dados da pesquisa, 2012).</p></disp-quote>
<p>Isolda relata que, na aula de outra estagi&#xE1;ria, os alunos tiveram muita dificuldade para associar leis de fun&#xE7;&#xF5;es com seus respectivos gr&#xE1;ficos.</p> <disp-quote>
<p><italic>Raquel: Isolda, tu queres dizer que nesse ambiente vai ter mais di&#xE1;logo para solucionar d&#xFA;vidas.</italic></p>
<p><italic>Isolda: Eu acho.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Acho que vai. Eu acho que quando chegar em juros simples, eu t&#xF4; confiante de que vai acontecer mais assim.</italic></p>
<p><italic>Raquel: Olha. Quando que nesta turma a gente vai conseguir uma maior participa&#xE7;&#xE3;o deles, digamos da turma inteira? Quando, de fato, eles n&#xE3;o tiverem as respostas na ponta da l&#xED;ngua, mas tamb&#xE9;m quando tiver aquele sentido de &#x201C;o que voc&#xEA;s acham?&#x201D;, que acho que pode acontecer na atividade da moto (uma atividade que Lyriel estava planejando para trabalhar com juros simples). &#x201C;Voc&#xEA;s comprariam essa moto?&#x201D;. (Isolda e Lyriel concordam). &#x201C;O que voc&#xEA; faria?&#x201D;. N&#xE3;o &#xE9; &#x201C;quanto &#xE9; 2+2?&#x201D;. &#xC9; diferente de perguntar quanto &#xE9; 2 + 2. &#x201C;O que voc&#xEA; acha?&#x201D;.</italic></p>
<p><italic>Isolda: Da&#xED; t&#xE1;. &#x201C;Por qu&#xEA;? Qual &#xE9; a vantagem? Ou n&#xE3;o?&#x201D;.</italic></p>
<p><italic>Raquel: Mas quando eles respondem, porque as meninas da frente respondem bem. Quando tu dizes que eles respondem, s&#xE3;o sempre os mesmos?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: S&#xE3;o sempre os mesmos, s&#xF3; que os outros eu percebi que nessa &#xFA;ltima aula eles dizem &#x201C;ah profe eu n&#xE3;o entendi&#x201D;. &#xC9; foi a primeira vez que eu ouvi&#x2026;</italic></p>
<p>(Dados sobre dados da pesquisa, 2012).</p></disp-quote>
<p>Lyriel diz que, na atividade dos combust&#xED;veis, havia se atrapalhado no c&#xE1;lculo e no significado da diferen&#xE7;a percentual entre os valores dos litros de &#xE1;lcool e gasolina. Sentiu-se insegura quanto a isso. Retomamos o assunto sobre o tipo de pergunta.</p> <disp-quote>
<p><italic>Raquel: Aquela pergunta que tem uma &#xFA;nica resposta, bem de c&#xE1;lculo, e aquela pergunta que depende da viv&#xEA;ncia deles, da opini&#xE3;o deles (dos alunos), que pode ser diferente ou n&#xE3;o da do colega. (Lyriel concorda). Porque 2 + 2 &#xE9; 4 pra todo mundo. N&#xE3;o tem o que divergir, o que discordar</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>.</p>
<p><italic>Lyriel: Sim. E na quest&#xE3;o da m&#xE9;dia foi isso.</italic></p>
<p><italic>Raquel: Ent&#xE3;o, at&#xE9; a gente consegue ver diferentes tipos de di&#xE1;logo que acontecem. Um di&#xE1;logo mais direto, com todas respostas certas, e um que tem diverg&#xEA;ncia de opini&#xF5;es que valoriza mais a opini&#xE3;o dos outros.</italic></p>
<p><italic>Lyriel: Porque, nessa &#xFA;ltima atividade da gasolina e do &#xE1;lcool, eu cheguei em casa e disse &#x201C;bah, eu n&#xE3;o consegui promover nada de di&#xE1;logo nessa aula&#x201D;.</italic></p>
<p><italic>Raquel: Por qu&#xEA;?</italic></p>
<p><italic>Lyriel: N&#xE3;o que seja meu objetivo principal, n&#xE9;? Mas eu tava querendo promover.</italic></p>
<p><italic>Raquel: &#xC9; que tu est&#xE1;s envolvida com isso, n&#xE9;?</italic></p>
<p>(Dados sobre dados da pesquisa, 2012).</p></disp-quote>
<p>A estagi&#xE1;ria estava muito comprometida com sua participa&#xE7;&#xE3;o na pesquisa. Ap&#xF3;s cada aula na escola, ela produzia um relato escrito a respeito dos fatos ocorridos e sua rela&#xE7;&#xE3;o com o di&#xE1;logo. Em seguida, Lyriel trouxe outras quest&#xF5;es que aconteceram nas aulas e, logo ap&#xF3;s, nos despedimos.</p>
<p>Ser&#xE1; que o di&#xE1;logo vai acontecer na minha aula? Ser&#xE1; que vou conseguir dialogar com meus alunos? No momento de orienta&#xE7;&#xE3;o, Lyriel, Isolda e eu refletimos sobre diversos fatores que podem influenciar na realiza&#xE7;&#xE3;o do di&#xE1;logo. O di&#xE1;logo surge da intera&#xE7;&#xE3;o entre as partes que o constituem e, por isso, as inten&#xE7;&#xF5;es dessas partes interferem em seu desenvolvimento. N&#xE3;o h&#xE1; como saber o modo como os alunos reagir&#xE3;o &#xE0; atividade proposta, perguntas e encaminhamentos do professor. Analogamente, n&#xE3;o h&#xE1; como prever a forma com que o professor vai reagir perante &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es dos alunos.</p>
<p>Na conversa com Lyriel e Isolda, trago a ideia de que &#xE9; poss&#xED;vel que o di&#xE1;logo se estenda quando h&#xE1; dificuldade por parte dos alunos, ou seja, a partir de d&#xFA;vidas em rela&#xE7;&#xE3;o aos conceitos tratados. Desse modo, uma discuss&#xE3;o de ideias pode ser desenvolvida. Na pr&#xE1;tica de Lyriel, os alunos respondiam rapidamente suas perguntas, e ela acabou <italic>&#x201C;n&#xE3;o tendo mais o que falar sobre o assunto&#x201D;</italic>, como disse em um de seus relatos escritos. Na transcri&#xE7;&#xE3;o da aula, poucos alunos responderam &#xE0; pergunta de Lyriel sobre a m&#xE9;dia. Os demais alunos tinham d&#xFA;vidas? O que sabiam eles sobre m&#xE9;dia? A inten&#xE7;&#xE3;o de Lyriel de promover um di&#xE1;logo com a turma foi barrada porque n&#xE3;o houve discuss&#xE3;o na turma.</p>
<p>As perguntas que o professor faz aos alunos podem ser disparadoras de um di&#xE1;logo. Perguntar &#x201C;quanto &#xE9; 2+2?&#x201D;, a princ&#xED;pio, &#xE9; diferente de &#x201C;o que voc&#xEA;s acham?&#x201D;. A primeira &#xE9; considerada por <xref ref-type="bibr" rid="B12">Sahin e Kulm (2008)</xref> como pergunta fatual, a qual solicita que os alunos evoquem defini&#xE7;&#xF5;es ou fatos matem&#xE1;ticos espec&#xED;ficos. Da mesma forma &#xE9; &#x201C;o que &#xE9; a m&#xE9;dia?&#x201D;. Por outro lado, a pergunta &#x201C;o que voc&#xEA;s acham?&#x201D; ou &#x201C;o que voc&#xEA;s fariam?&#x201D; &#xE9; aberta e pode gerar possibilidades para que os alunos opinem, discutam sobre as ideias de outros colegas que surgirem. O que Isolda, Lyriel e eu n&#xE3;o consideramos &#xE9; que todas perguntas podem ser problematizadas. O professor pode questionar a turma sobre o que eles acham do resultado de 2 + 2 e, a partir da&#xED;, iniciar um di&#xE1;logo a respeito das poss&#xED;veis respostas e de como a Matem&#xE1;tica da academia foi produzida. Uma discuss&#xE3;o a respeito da m&#xE9;dia, o que ela representa, por que n&#xE3;o fazer diferente, tamb&#xE9;m poderia ser feita. Isso nos leva a pensar que qualquer pergunta pode ser problematizada de algum modo, pode gerar algum tipo de discuss&#xE3;o, depende do encaminhamento que o professor quiser e puder dar com tal pergunta.</p>
<p>Associado aos encaminhamentos do professor em uma atividade, est&#xE1; a sua familiaridade em rela&#xE7;&#xE3;o ao que est&#xE1; sendo estudado na aula. Lyriel avaliou esse aspecto em seu relato final de est&#xE1;gio, dizendo que se o professor n&#xE3;o se preparar em rela&#xE7;&#xE3;o aos conte&#xFA;dos que ir&#xE1; trabalhar com os alunos, &#x201C;<italic>n&#xE3;o ser&#xE1; poss&#xED;vel promover o di&#xE1;logo</italic>&#x201D;.</p>
<p>O tema e o tipo da atividade tamb&#xE9;m podem influenciar no desenvolvimento do di&#xE1;logo. Se o tema for escolhido pelos alunos, as chances de se envolverem com o trabalho &#xE9; maior. Se a atividade for a resolu&#xE7;&#xE3;o de um exerc&#xED;cio, as possibilidades de caminhos a serem seguidos pelos alunos s&#xE3;o menores em rela&#xE7;&#xE3;o as que podem existir em uma atividade investigativa. Lyriel escolheu a tem&#xE1;tica e n&#xE3;o houve tanta abertura para discutir possibilidades de encaminhamentos na atividade planejada. Isso pode ter influenciado para que os alunos n&#xE3;o participassem da forma como Lyriel esperava.</p>
<p>Era para acontecer um di&#xE1;logo; era essa a inten&#xE7;&#xE3;o de Lyriel. Essa forma de intera&#xE7;&#xE3;o, no entanto, depende de v&#xE1;rios fatores para sua realiza&#xE7;&#xE3;o. Pode-se planejar que o di&#xE1;logo ocorra, em um contexto de imagina&#xE7;&#xE3;o pedag&#xF3;gica (<xref ref-type="bibr" rid="B15">SKOVSMOSE, 2014</xref>), em que se cria possibilidades de a&#xE7;&#xF5;es futuras para a pr&#xE1;tica docente, fortemente influenciadas pelas inten&#xE7;&#xF5;es das pessoas envolvidas nesse processo, e s&#xE3;o criadas a partir do que se tem como situa&#xE7;&#xE3;o real. No entanto, o terreno da a&#xE7;&#xE3;o &#xE9; imprevis&#xED;vel, o que confere ao di&#xE1;logo um car&#xE1;ter de incerteza. Ao refletir sobre o que pode interferir no prolongamento e na realiza&#xE7;&#xE3;o do di&#xE1;logo, especialmente com base na pr&#xE1;tica de Lyriel, podemos estabelecer uma interpreta&#xE7;&#xE3;o para esse conceito: o di&#xE1;logo como incerteza. Desse modo, o di&#xE1;logo &#xE9; uma forma de intera&#xE7;&#xE3;o imprevis&#xED;vel entre professor e alunos, uma vez que depende das inten&#xE7;&#xF5;es das pessoas que dele participam. Essas inten&#xE7;&#xF5;es tem rela&#xE7;&#xE3;o com o aceite dos alunos para se envolver com a atividade proposta, e com o que o professor quer e pode fazer ao perguntar e problematizar as situa&#xE7;&#xF5;es.</p>
</sec>
<sec>
<title>6 Eu preciso ir at&#xE9; onde voc&#xEA; est&#xE1;: o di&#xE1;logo como movimento</title>
<p>Quatro poss&#xED;veis interpreta&#xE7;&#xF5;es para o conceito de di&#xE1;logo (investiga&#xE7;&#xE3;o, participa&#xE7;&#xE3;o, discuss&#xE3;o e incerteza) foram apresentadas at&#xE9; este momento. A primeira teve como base o referencial te&#xF3;rico da pesquisa de doutorado que desenvolvi. As outras tr&#xEA;s tiveram como origem a pr&#xE1;tica de est&#xE1;gio de Lyriel e a conversa de orienta&#xE7;&#xE3;o que teve com Isolda e comigo. Nesta se&#xE7;&#xE3;o do texto, trago outra forma de ver o di&#xE1;logo, inspirada na pr&#xE1;tica docente de Isabela, estagi&#xE1;ria e colega de Lyriel, que tamb&#xE9;m participou da pesquisa de doutorado. Essa interpreta&#xE7;&#xE3;o para o di&#xE1;logo foi apresentada em <xref ref-type="bibr" rid="B7">Milani (2017)</xref> e ser&#xE1; resgatada aqui para compor um conjunto de poss&#xED;veis leituras para o conceito de di&#xE1;logo.</p>
<p>Um professor em di&#xE1;logo com seus alunos leva em considera&#xE7;&#xE3;o o que &#xE9; dito por eles. N&#xE3;o &#xE9; o caso de qualquer escuta, como aquela em que se ouve o que o aluno diz e se dispensa por se tratar de algo que est&#xE1; fora daquilo que o professor poderia considerar como pertinente de ser dito. &#xC9; uma escuta que busca compreens&#xE3;o por aquilo que se diz. O que se tenta compreender parece ser diferente daquilo que o professor est&#xE1; pensando. Ele est&#xE1; num lugar e o aluno est&#xE1; em outro. Al&#xE9;m disso, o professor deseja que o aluno v&#xE1; a um novo lugar, aprenda um conhecimento novo. Quando digo &#x201C;lugar&#x201D; me refiro a um lugar cognitivo, ou seja, o que o sujeito est&#xE1; dizendo e no que ele se baseia para afirmar o que diz.</p>
<p>Quando se percebe, portanto, uma diferen&#xE7;a entre modos de dizer, um estranhamento acontece. Algo que n&#xE3;o &#xE9; esperado e natural para uma pessoa vem &#xE0; tona. No caso do professor, perante esse estranhamento (<xref ref-type="bibr" rid="B5">LINS, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">OLIVEIRA, 2012</xref>), ele pode se interessar em buscar compreender o lugar de onde o aluno fala. Trata-se de um movimento de sair do seu lugar para ir at&#xE9; onde o aluno est&#xE1;. Quando se busca compreender o que o outro diz, &#xE9; preciso que se saia do pr&#xF3;prio centro e tente olhar para o que foi dito com os olhos de quem o disse. Esse &#xE9; o descentramento (<xref ref-type="bibr" rid="B5">LINS, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">OLIVEIRA, 2012</xref>). Esse movimento &#xE9; constitu&#xED;do da escuta ativa (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALR&#xD8;; SKOVSMOSE, 2004</xref>), ou seja, uma escuta atenta ao que o outro diz, um esfor&#xE7;o de compreend&#xEA;-lo, um apoio n&#xE3;o-verbal e um perguntar investigativo do pensamento do aluno. Quando o professor encontra esse lugar (&#x201C;eu entendo o que voc&#xEA; est&#xE1; dizendo&#x201D;), ele passa a trabalhar com essa nova informa&#xE7;&#xE3;o, compreende a diferen&#xE7;a, inclui o pensamento do aluno em seu discurso, compartilha com a turma a nova ideia e esclarece que pensamentos distintos est&#xE3;o em jogo. Inicia-se, ent&#xE3;o, um novo movimento, de poss&#xED;veis avan&#xE7;os e recuos, em que professor e aluno v&#xE3;o juntos a um novo lugar.</p>
<p>Esse movimento foi buscado por Isabela em sua pr&#xE1;tica de di&#xE1;logo com seus alunos (<xref ref-type="bibr" rid="B7">MILANI, 2017</xref>). Como forma de relacionar essa interpreta&#xE7;&#xE3;o para o di&#xE1;logo e o que ocorreu na aula de Lyriel, podemos nos remeter ao momento em que os alunos estavam pensando e decidindo o que fazer para calcular o custo de cada quil&#xF4;metro rodado pelo autom&#xF3;vel abastecido com gasolina ou &#xE1;lcool. Quando Lyriel diz que iriam pensar juntos sobre o que fazer nessa situa&#xE7;&#xE3;o, os alunos sugerem &#x201C;<italic>multiplica por 7</italic>&#x201D;, &#x201C;<italic>divide</italic>&#x201D; e &#x201C;<italic>&#xE9; dividido?</italic>&#x201D;. Perante essas respostas, que podem ter sido todas ouvidas ou n&#xE3;o por Lyriel, a estagi&#xE1;ria pergunta &#x201C;<italic>Ser&#xE1; que a gente divide, ser&#xE1; que a gente multiplica? Como vai ser isso?</italic>&#x201D;. Ela n&#xE3;o fornece uma resposta direta indicando o procedimento a ser tomado, mas, no entanto, n&#xE3;o acolhe a sugest&#xE3;o de realizar uma multiplica&#xE7;&#xE3;o, por exemplo.</p>
<p>&#x201C;<italic>Como seria essa multiplica&#xE7;&#xE3;o?</italic>&#x201D;, &#x201C;<italic>O que voc&#xEA; pensou para sugerir essa opera&#xE7;&#xE3;o?</italic>&#x201D;, &#x201C;<italic>Desculpa, eu n&#xE3;o entendi a tua ideia; voc&#xEA; pode me explicar?</italic>&#x201D;. Essas perguntas indicam o movimento que o professor faz para ir at&#xE9; onde o aluno est&#xE1;. Nesse momento, outros alunos poderiam contribuir para o entendimento do c&#xE1;lculo a ser feito, o que geraria uma participa&#xE7;&#xE3;o maior da turma no di&#xE1;logo. Essa poderia ser uma forma de prolongar o di&#xE1;logo, como Lyriel desejava. Perante um estranhamento (multiplicar?), o professor pode fazer o descentramento por meio da escuta ativa. Quero deixar claro que n&#xE3;o esperava nenhuma postura espec&#xED;fica de Lyriel em rela&#xE7;&#xE3;o a esse epis&#xF3;dio, e nisso est&#xE1; inclu&#xED;do o fato de ela colocar em a&#xE7;&#xE3;o o que escrevi anteriormente. Essa postura n&#xE3;o foi discutida com Lyriel no momento de orienta&#xE7;&#xE3;o de que trata este texto, uma vez que o &#xE1;udio de sua aula foi transcrito e analisado posteriormente &#xE0;quela de est&#xE1;gio. A a&#xE7;&#xE3;o, por&#xE9;m, de acolher e pensar sobre o que os alunos dizem foi abordada em diversos momentos da disciplina.</p>
<p>Conforme o que escrevi acima, uma fala como &#x201C;<italic>desculpa, eu n&#xE3;o entendi a tua ideia</italic>&#x201D; pode demonstrar a inten&#xE7;&#xE3;o do professor de melhor compreender o que aluno est&#xE1; dizendo. Mas por que isso &#xE9; importante? Por tr&#xE1;s dessa inten&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; uma postura pol&#xED;tica do professor ao assumir o di&#xE1;logo em sua pr&#xE1;tica. Ele acredita que assim pode gerar aprendizagem. &#xC9; porque n&#xE3;o se admite uma fala dominada pelo professor que se opta pelo di&#xE1;logo. &#x201C;Ensina-se ouvindo, aprende-se falando&#x201D;, costuma dizer Roberto Ribeiro Baldino. O professor precisa parar de falar e passar a ouvir mais, se deseja saber daquilo que o aluno est&#xE1; dizendo. A aula &#xE9; um espa&#xE7;o de muitas vozes e n&#xE3;o apenas de uma. Quando s&#xF3; o professor fala, como acontece no ensino tradicional, ele acredita que o aluno aprende ouvindo.</p>
<p>Nesse contexto, n&#xE3;o nego que se possa aprender algo ouvindo. N&#xE3;o &#xE9;, por&#xE9;m, apenas isso que acontece. E a&#xED; est&#xE1; a situa&#xE7;&#xE3;o problem&#xE1;tica de uma aula no modelo tradicional. Outros alunos podem n&#xE3;o estar compreendendo o que o professor diz ou estar pensando de diferentes modos, distintos daquele que o professor est&#xE1;. Faz-se, ent&#xE3;o, necess&#xE1;rio saber desses outros modos, se o professor tem a inten&#xE7;&#xE3;o de levar o aluno para um novo lugar. Acreditar no mon&#xF3;logo &#xE9; crer sem d&#xFA;vida alguma que todos os alunos est&#xE3;o pensando o mesmo e da mesma forma que o professor. &#xC9; muito ing&#xEA;nuo e confort&#xE1;vel crer que n&#xE3;o h&#xE1; diferen&#xE7;a entre os modos que os alunos pensam e produzem significados.</p>
<p>Enquanto houver uma diferen&#xE7;a, um estranhamento em rela&#xE7;&#xE3;o a isso e um movimento de descentramento que busca saber de onde o outro fala, por meio da escuta ativa, o di&#xE1;logo se mantem em a&#xE7;&#xE3;o. &#xC9; evidente que n&#xE3;o h&#xE1; apenas esses elementos, mas os que aqui foram enfatizados tiveram rela&#xE7;&#xE3;o muito pr&#xF3;xima &#xE0; pr&#xE1;tica de Isabela, estagi&#xE1;ria que, assim como Lyriel, estava engajada no processo de aprender a dialogar. Desse modo, uma nova interpreta&#xE7;&#xE3;o para o conceito pode ser estabelecida: o di&#xE1;logo como movimento. Assim, o di&#xE1;logo &#xE9; uma forma de intera&#xE7;&#xE3;o entre professor e alunos que considera o outro e que tem como elementos essenciais a escuta ativa, o estranhamento e o descentramento.</p>
</sec>
<sec>
<title>7 A multiplicidade e a transitoriedade do di&#xE1;logo</title>
<p>Di&#xE1;logo &#xE9; participa&#xE7;&#xE3;o, discuss&#xE3;o, incerteza, movimento, investiga&#xE7;&#xE3;o. Di&#xE1;logo pode ser. Nesse contexto &#xE9;; naquele, n&#xE3;o &#xE9;. Para algu&#xE9;m, o di&#xE1;logo &#xE9; isso. Para outrem, n&#xE3;o &#xE9;. Para algu&#xE9;m, o di&#xE1;logo era isso; agora n&#xE3;o &#xE9; mais. Dizer do di&#xE1;logo n&#xE3;o &#xE9; uma tarefa f&#xE1;cil. &#xC9; preciso localizar essa fala, em rela&#xE7;&#xE3;o a quem a enuncia, em que contexto ela se situa e quais as pessoas envolvidas. Sem ouvir o relato de Lyriel, o di&#xE1;logo pode ser interpretado como participa&#xE7;&#xE3;o. Quando a estagi&#xE1;ria apresentou seu olhar sobre a intera&#xE7;&#xE3;o ocorrida com os alunos (<italic>dados sobre dados</italic>), o di&#xE1;logo configurou-se como discuss&#xE3;o. Quando Isolda e eu conversamos com Lyriel, o di&#xE1;logo passou a ser visto como incerteza. Quando se valoriza o que o outro diz, o di&#xE1;logo &#xE9; movimento. Ao se investigar e realizar descobertas nas aulas de Matem&#xE1;tica, o di&#xE1;logo &#xE9; investiga&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>No in&#xED;cio da disciplina de est&#xE1;gio, antes de Isolda e eu discutirmos sobre o conceito de di&#xE1;logo com as estagi&#xE1;rias, Lyriel escreveu sobre o que era o di&#xE1;logo para ela. &#x201C;&#xC9; uma intera&#xE7;&#xE3;o em que n&#xE3;o apenas o professor fala e explica, mas os alunos contribuem com as experi&#xEA;ncias que j&#xE1; possuem diante do que est&#xE1; sendo trabalhado&#x201D;. Depois do trabalho com atividades investigativas realizadas na disciplina e a discuss&#xE3;o a respeito do conceito de di&#xE1;logo, Isolda e eu incentivamos as estagi&#xE1;rias a elaborarem seus planos de aula incluindo atividades como aquelas. Com isso, Lyriel come&#xE7;ou a vincular o di&#xE1;logo a esse tipo de atividade. De alguma forma, aquilo que a estagi&#xE1;ria pensava a respeito do conceito havia sido modificado.</p>
<p>Quero atentar para duas quest&#xF5;es. Primeira, o conceito de di&#xE1;logo de uma pessoa n&#xE3;o &#xE9; permanente, mas sim transit&#xF3;rio. Ele pode se alterar &#xE0; medida que ela entra em contato com diferentes concep&#xE7;&#xF5;es e experi&#xEA;ncias. Segunda, o trabalho realizado na disciplina, voltado ao estudo do di&#xE1;logo, e o aceite de Lyriel para participar da pesquisa de doutorado influenciaram sua pr&#xE1;tica. No momento da orienta&#xE7;&#xE3;o, ela disse que chegou em casa, ap&#xF3;s a aula que estava sendo o nosso foco de reflex&#xE3;o, e falou &#x201C;<italic>eu n&#xE3;o consegui promover nada de di&#xE1;logo nessa aula</italic>&#x201D;.</p>
<p>Ela afirmou ainda que n&#xE3;o era esse seu objetivo principal, o de promover o di&#xE1;logo. Isso pode nos levar a pensar que, se n&#xE3;o fosse a influ&#xEA;ncia da disciplina, Lyriel poderia ter dito que em sua aula havia ocorrido sim o di&#xE1;logo, segundo o que pensava anteriormente sobre o conceito, o que se aproximaria da interpreta&#xE7;&#xE3;o para o di&#xE1;logo como participa&#xE7;&#xE3;o. Ou ainda, que havia ocorrido o di&#xE1;logo naquele per&#xED;odo em que os alunos a responderam, atrelando a esse modo de intera&#xE7;&#xE3;o um certo &#x201C;tamanho&#x201D;. O fato dos alunos terem respondido prontamente &#xE0;s suas perguntas poderia t&#xEA;-la deixado satisfeita com o di&#xE1;logo ocorrido. Em alguns de seus relatos escritos, quando ela considerou que conseguiu promover o di&#xE1;logo, Lyriel escreveu que ficou mais aliviada, pois at&#xE9; ent&#xE3;o disse que estava sem esperan&#xE7;a que isso ocorresse. &#xC9; poss&#xED;vel pensar, portanto, que a frustra&#xE7;&#xE3;o de Lyriel teve contribui&#xE7;&#xE3;o do fato de ela n&#xE3;o ter conseguido realizar o que Isolda e eu orientamos na disciplina.</p>
<p>Com essa reflex&#xE3;o, destaco que o di&#xE1;logo pode ser pensado de modos diferentes, dependendo do contexto em que se est&#xE1; inserido. Assim como ocorreu com Lyriel, e diria que com Isolda e as demais estagi&#xE1;rias tamb&#xE9;m, minha ideia sobre di&#xE1;logo foi modificada.</p>
<p>Quando iniciei a pesquisa a respeito da aprendizagem de futuros professores sobre dialogar com alunos nas aulas de Matem&#xE1;tica, tinha em mente duas ideias, posso dizer interpreta&#xE7;&#xF5;es, sobre di&#xE1;logo. A primeira delas se assemelhava muito &#xE0;quela do di&#xE1;logo como movimento. Sempre considerei fundamental, para a aprendizagem, ouvir o aluno e tentar compreender suas ideias. Por meio de perguntas e respostas, movia-me na dire&#xE7;&#xE3;o de onde ele se encontrava. Isso ocorria em diversos momentos de minhas aulas na Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica, como em situa&#xE7;&#xF5;es de resolu&#xE7;&#xE3;o de d&#xFA;vidas. Outra interpreta&#xE7;&#xE3;o que tinha era a de di&#xE1;logo como investiga&#xE7;&#xE3;o, devido ao meu contato com a obra de <xref ref-type="bibr" rid="B1">Alr&#xF8; e Skovsmose (2004)</xref>.</p>
<p>Como explicitado anteriormente neste texto, os autores caracterizam o di&#xE1;logo por alguns elementos: realizar uma investiga&#xE7;&#xE3;o, correr riscos e promover a equidade, e por atos dial&#xF3;gicos que podem surgir quando professor e alunos est&#xE3;o engajados em um cen&#xE1;rio para investiga&#xE7;&#xE3;o. Ap&#xF3;s conhecer essa interpreta&#xE7;&#xE3;o de di&#xE1;logo, percebi que aquela que se referia a movimento tamb&#xE9;m estava presente na intera&#xE7;&#xE3;o de professor e alunos, quando engajados em atividades investigativas, e que alguns atos dial&#xF3;gicos ocorriam em outras atividades de aprendizagem que n&#xE3;o necessariamente as de car&#xE1;ter investigativo.</p>
<p>Podem ser m&#xFA;ltiplas as leituras para o conceito de di&#xE1;logo. Participa&#xE7;&#xE3;o, discuss&#xE3;o, incerteza, movimento, investiga&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o interpreta&#xE7;&#xF5;es que n&#xE3;o pretendem exaurir o conceito, mas, sim, dizer de possibilidades para o di&#xE1;logo. Elas est&#xE3;o fortemente relacionadas &#xE0; pessoa que diz do di&#xE1;logo, suas experi&#xEA;ncias, ao contexto em que ela est&#xE1; inserida e &#xE0;s pessoas com as quais se relaciona para afirmar sobre di&#xE1;logo. As interpreta&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o est&#xE3;o isoladas umas das outras. Elas possuem aspectos comuns entre si.</p>
<p>Dizer do di&#xE1;logo &#xE9; transit&#xF3;rio, contextual, &#xE9; pr&#xF3;prio do sujeito que se envolve com o di&#xE1;logo, seja em uma pesquisa, seja na pr&#xE1;tica docente. O que parece que sempre acreditei &#xE9; que dialogar &#xE9; estar com o outro, &#xE9; escutar ativamente o outro, &#xE9; mover-se em dire&#xE7;&#xE3;o ao outro. &#xC9; o que acredito, at&#xE9; este momento&#x2026;</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>N&#xE3;o se refere &#xE0; turma toda, mas, sim, a alguns alunos.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>Durante as aulas de est&#xE1;gio na Universidade, desenvolvemos atividades relativas a cen&#xE1;rios para investiga&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B13">SKOVSMOSE, 2000</xref>), o que gerou discuss&#xE3;o entre as estagi&#xE1;rias e docentes da disciplina.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Aqui me refiro ao conhecimento matem&#xE1;tico da academia.</p></fn></fn-group>
<ack>
<title>Agradecimentos</title>
<p>Agrade&#xE7;o a Ole Skovsmose e Renato Marcone pelos atentos e valiosos coment&#xE1;rios para aprimorar a escrita deste artigo, &#xE0; &#xE9;poca do doutorado.</p>
</ack>
<ref-list>
<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<element-citation publication-type="book">
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<source>Projeto de pesquisa: m&#xE9;todos qualitativo, quantitativo e misto</source>
<comment>Tradu&#xE7;&#xE3;o de</comment>
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