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<journal-title>Bolema: Boletim de Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</journal-title>
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<issn pub-type="epub">1980-4415</issn>
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<publisher-name>UNESP - Universidade Estadual Paulista, Pr&#xF3;-Reitoria de Pesquisa Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica</publisher-name></publisher>
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<subject>Editorial</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Por uma Bancada no Congresso Nacional</article-title>
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<name><surname>Maltempi</surname><given-names>Marcus Vinicius</given-names></name> <xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref><xref ref-type="aff" rid="aff2"/> <xref ref-type="corresp" rid="c1"/></contrib>
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<institution content-type="original">Livre Docente em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro/SP. Professor do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Educa&#xE7;&#xE3;o Matem&#xE1;tica e do Departamento de Estat&#xED;stica, Matem&#xE1;tica Aplicada e Computa&#xE7;&#xE3;o da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Rio Claro/SP</institution></aff></contrib-group>
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<corresp id="c1">Endere&#xE7;o: Avenida 24A, 1515, Bela Vista, Rio Claro/SP, Brasil, CEP 13506-900. E-mail: <email>maltempi@rc.unesp.br</email>.</corresp></author-notes>
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<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
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<p>No Brasil das &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas, a forma de governo, especialmente a rela&#xE7;&#xE3;o entre os poderes executivo e legislativo, tem sido marcada por um arranjo chamado de <italic>presidencialismo de coaliz&#xE3;o</italic>, evidenciando qu&#xE3;o essencial &#xE9; a negocia&#xE7;&#xE3;o, a alian&#xE7;a, o pacto, para se governar e alcan&#xE7;ar a aprova&#xE7;&#xE3;o de projetos. Geralmente, os que participam desse jogo pol&#xED;tico s&#xE3;o eleitos defendendo o ide&#xE1;rio republicano, a <italic>coisa p&#xFA;blica</italic>: educa&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, seguran&#xE7;a, lazer&#x2026; p&#xFA;blicos e de qualidade, enfim, o bem comum. No entanto, poucos perseguem suas promessas de campanha. Os parlamentares buscam formar grupos suprapartid&#xE1;rios, chamados de bancada, que representam e defendem, a despeito de tal ide&#xE1;rio e de poss&#xED;veis ideologias partid&#xE1;rias, segmentos da sociedade que financiaram suas campanhas e manifestam interesses comuns. Assim, temos a bancada ruralista, as bancadas da bala e da bola, a bancada evang&#xE9;lica, entre outras, organizadas e sustentadas pelo poder econ&#xF4;mico dos que delas participam. Em vista disso, n&#xE3;o temos a bancada da escola p&#xFA;blica, a bancada da ci&#xEA;ncia e a bancada dos professores do ensino superior, por exemplo. Os sembancada certamente perdem no presidencialismo de coaliz&#xE3;o!</p>
<p>Outro efeito desse arranjo de governo &#xE9; o sucateamento da coisa p&#xFA;blica, de modo que os sem-bancada passaram a sonhar em conquistar a independ&#xEA;ncia dos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos, tal qual os com-bancada, refor&#xE7;ando seu abandono e o individualismo. Buscam, com raz&#xE3;o, mais &#x201C;qualidade de vida&#x201D;: transporte pr&#xF3;prio, lazer e seguran&#xE7;a privados, planos de sa&#xFA;de, previd&#xEA;ncia privada e educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica privada para seus filhos. Entretanto, ainda n&#xE3;o toma parte desse sonho o ensino superior privado, dada a excel&#xEA;ncia da maioria das universidades p&#xFA;blicas brasileiras, mas a marcha para a sua deteriora&#xE7;&#xE3;o ganha velocidade. Por exemplo, com a recomenda&#xE7;&#xE3;o do Banco Mundial de cobran&#xE7;a de mensalidades e privatiza&#xE7;&#xE3;o das universidades p&#xFA;blicas, em um relat&#xF3;rio que se restringe a analisar o sistema educacional sob o vi&#xE9;s econ&#xF4;mico e, por isso, v&#xEA; os repasses do governo para o setor educacional como gasto, n&#xE3;o como investimento (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BANCO MUNDIAL, 2017</xref>). Interessados em acabar com a gratuidade no ensino superior encontram nesse relat&#xF3;rio diversos n&#xFA;meros e gr&#xE1;ficos que conferem a seus argumentos o <italic>status</italic> de correto e racional, pois essa vis&#xE3;o equivocada da matem&#xE1;tica, de imparcialidade, aprende-se desde cedo na escola, sendo usada como instrumento de manipula&#xE7;&#xE3;o e injusti&#xE7;a social (<xref ref-type="bibr" rid="B2">SKOVSMOSE, 2014</xref>).</p>
<p>O argumento de que muitos alunos das universidades p&#xFA;blicas poderiam pagar pelo ensino que recebem defende uma suposta justi&#xE7;a social, ainda que isso implique alterar drasticamente um sistema que vem apresentando bons resultados. Muito mais eficaz, contudo, seria alterar o regressivo sistema tribut&#xE1;rio brasileiro, que arrecada proporcionalmente mais dos pobres e beneficia os mais ricos ao isent&#xE1;-los de pagar impostos sobre lucros, dividendos e propriedades. No jogo pol&#xED;tico de coaliz&#xE3;o, mudan&#xE7;as como essa s&#xE3;o recha&#xE7;adas pelos combancada, que buscam alternativas em medidas como as recomendadas pelo Banco Mundial, deixando a universidade p&#xFA;blica vulner&#xE1;vel aos interesses puramente econ&#xF4;micos e privados. Da mesma forma, quest&#xF5;es cruciais para a sociedade brasileira, como a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) dos ensinos infantil e fundamental e a reforma do ensino m&#xE9;dio, s&#xE3;o constru&#xED;das e aprovadas sem a necess&#xE1;ria participa&#xE7;&#xE3;o social, at&#xE9; mesmo por meio de medida provis&#xF3;ria; formas incompat&#xED;veis de encaminhamento de temas dessa envergadura, que evidenciam a aus&#xEA;ncia de uma bancada de parlamentares preocupada com a educa&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica.</p>
<p>Apesar da manifesta desvantagem do presidencialismo de coaliz&#xE3;o para a maioria dos brasileiros, h&#xE1; poucas chances de mudan&#xE7;as na forma de governo nos pr&#xF3;ximos anos, pois os pol&#xED;ticos tendem a se perpetuar no poder com seus descendentes e apadrinhados (a prop&#xF3;sito, a bancada dos parentes &#xE9; a maior da atual c&#xE2;mara dos deputados &#x2013; <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://goo.gl/e79pnX">https://goo.gl/e79pnX</ext-link>) e, portanto, os pactos de concilia&#xE7;&#xE3;o com o inconcili&#xE1;vel objetivando a manuten&#xE7;&#xE3;o do <italic>statu quo</italic> devem continuar. Entretanto, o momento &#xE9; prop&#xED;cio a uma renova&#xE7;&#xE3;o expressiva do congresso nacional e as comunidades vinculadas ao ensino e/ou &#xE0; ci&#xEA;ncia deveriam participar com a candidatura e vota&#xE7;&#xE3;o em pessoas com hist&#xF3;rico e compromisso com o ensino p&#xFA;blico, visando &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o futura de uma bancada que possa trabalhar pelo bem comum, especialmente no que tange o ensino superior p&#xFA;blico de qualidade e o desenvolvimento cient&#xED;fico. As diversas sociedades cient&#xED;ficas brasileiras poderiam liderar movimentos neste sentido, mobilizando candidaturas, al&#xE9;m de outras estrat&#xE9;gias de organiza&#xE7;&#xE3;o.</p></body>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<source xml:lang="pt"><bold>Um Ajuste Justo</bold>: An&#xE1;lise da efici&#xEA;ncia e equidade do gasto p&#xFA;blico no Brasil</source>
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<year>2017</year>
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<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 18 dez. 2017</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>BANCO MUNDIAL. <bold>Um Ajuste Justo</bold>: An&#xE1;lise da efici&#xEA;ncia e equidade do gasto p&#xFA;blico no Brasil. Volume 1: S&#xED;ntese. 2017. Dispon&#xED;vel em: &#x3C;http://documents.worldbank.org/curated/en/884871511196609355/Volume-I-s&#xED;ntese&#x3E;. Acesso em: 18 dez. 2017.</mixed-citation></ref>
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<mixed-citation>SKOVSMOSE, O. <bold>Critique as uncertainty</bold>. Charlotte: Information Age Publishing, 2014.</mixed-citation></ref></ref-list>
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