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				<journal-title>Enfoque: Reflexão Contábil</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Enf.: Ref. Cont.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">1517-9087</issn>
			<issn pub-type="epub">1984-882X</issn>
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				<publisher-name>Universidade Estadual de Maringá</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.4025/enfoque.v44i1.64863</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00006</article-id>
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					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>Uniformização de práticas de gestão estratégica portuárias: modelo construtivista para uma <italic>Holding</italic> Catarinense</article-title>
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					<trans-title>Standardization process of strategic port management practices: constructivist model for a Santa Catarina Holding</trans-title>
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						<surname>Pedersini</surname>
						<given-names>Daiana Rafaela</given-names>
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					<xref ref-type="aff" rid="aff1">Pedersini</xref>
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						<surname>Ensslin</surname>
						<given-names>Sandra Rolim</given-names>
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				<institution content-type="original">Doutoranda do programa de pós-graduação em Contabilidade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)</institution>
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				<email>daianapedersini@hotmail.com</email>
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				<institution content-type="original">Doutora em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Universidade Federal de Santa Catarina. Professora vinculada aos programas de Pós-Graduação em Contabilidade e Engenharia de Produção da UFSC</institution>
				<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
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				<email>sensslin@gmail.com</email>
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			<author-notes>
				<corresp id="c1">E-mail: <email>daianapedersini@hotmail.com</email>
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				<corresp id="c2">E-mail: <email>sensslin@gmail.com</email>
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				<corresp id="c3">Endereço dos Autores: Labmcda, Rua Roberto Sampaio Gonzaga - Trindade, Florianópolis - Santa Catarina - Brasil. 88040900</corresp>
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			<!--<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
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				<year>2024</year>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2025</year>
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			<volume>44</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>97</fpage>
			<lpage>113</lpage>
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				<date date-type="received">
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					<year>2023</year>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" xml:lang="pt">
					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<sec>
					<title>Objetivo:</title>
					<p>O estudo objetiva construir um modelo construtivista de avaliação de desempenho para apoiar a <italic>Holding</italic> no processo de uniformização das práticas de gestão estratégica das atividades portuárias.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Método:</title>
					<p>Por meio de entrevistas semiestruturadas com o gestor da <italic>Holding</italic> e com a participação de um especialista, utilizou-se a metodologia Multicritério de Apoio à Decisão-Construtivista. Tal processo fez uso da recursividade das etapas, pois, devido à geração de conhecimento propiciado em determinado estágio de evolução do processo, o gestor portuário constatou que as informações constantes no protótipo do modelo não atendiam fielmente às necessidades da organização. Com isso, todo o processo foi revisto e o modelo final ficou constituído de 26 indicadores.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resultados:</title>
					<p>Foi delineado o desempenho dos Portos delegados e sinalizado os indicadores em que os Portos possuíam um desempenho aquém do desejado. Com o suporte de informações geradas e imbuído do propósito de uniformização das práticas de gestão estratégica, o gestor da <italic>Holding</italic> propôs ações a cada um dos Portos que possibilitassem aprimorar o respectivo desempenho. Para os indicadores em que os Portos apresentaram desempenho em nível de excelência, o gestor identificou quais eram as boas práticas de gestão e sugeriu sua disseminação entre as demais subsidiárias, operacionalizando, assim, a uniformização de práticas de gestão propostas, contribuindo para o processo de gestão efetiva da atividade portuária.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Originalidade:</title>
					<p> O trabalho advém da proposta de desenvolvimento de um modelo de avaliação de desempenho para apoiar uma <italic>holding</italic> portuária na gestão do processo de uniformização de práticas de gestão estratégica das atividades entre seus portos delegados, tendo em vista a inexistência de estudos pregressos sobre o tema.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Contribuições:</title>
					<p>Contribui tanto para a gestão pública, quanto para o conhecimento teórico, pois oferece evidências empíricas sobre o processo de gestão pública de portos feito por <italic>holdings</italic>.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<sec>
					<title>Objective:</title>
					<p> The study aims to build a constructivist performance evaluation model to support the Holding in the process of standardizing the strategic management practices of port activities.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Method:</title>
					<p> Through semi-structured interviews with the Holding's manager and with the participation of an expert, the Multicriteria Decision Support-Constructivist methodology was used. This process made use of the recursion of the stages, because, due to the generation of knowledge provided at a certain stage of evolution of the process, the port manager found that the information contained in the prototype of the model did not faithfully meet the needs of the organization. As a result, the entire process was reviewed and the final model was made up of 26 indicators.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Results:</title>
					<p> The performance of the delegated Ports was outlined and the indicators in which the Ports performed below the desired level were flagged. With the support of information generated and imbued with the purpose of standardizing strategic management practices, the Holding's manager proposed actions to each of the Ports that would make it possible to improve the respective performance. For the indicators in which the Ports performed at a level of excellence, the manager identified what were the good management practices and suggested their dissemination among the other subsidiaries, thus operationalizing the standardization of proposed management practices, contributing to the process of effective management of port activity.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Originality:</title>
					<p> The work stems from the proposal to develop a performance evaluation model to support a port holding company in managing the process of standardizing strategic management practices for activities among its delegated ports, in view of the lack of previous studies on the subject.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Contributions:</title>
					<p>It contributes both to public management and to theoretical knowledge, as it offers empirical evidence on the process of public management of ports carried out by holding companies.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Avaliação de Desempenho</kwd>
				<kwd>Gestão Portuária</kwd>
				<kwd>Práticas de Gestão</kwd>
				<kwd>Estratégia</kwd>
				<kwd><italic>Holding</italic> Portuária</kwd>
				<kwd>Modelo Construtivista</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Performance Evaluation</kwd>
				<kwd>Port Management</kwd>
				<kwd>Management Practices</kwd>
				<kwd>Strategy</kwd>
				<kwd>Port Holding</kwd>
				<kwd>Constructivist Model</kwd>
			</kwd-group>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>1 INTRODUÇÃO</title>
			<p>O crescimento exponencial do comércio marítimo, nos últimos anos, demonstrou o papel expressivo do transporte marítimo para o desenvolvimento da cadeia de suprimentos e para o desempenho econômico mundial (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Oh, Lee, &amp; Seo, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Gonzalez-Aregall, Cullinane, &amp; Vierth, 2021</xref>). Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), somente no primeiro semestre de <xref ref-type="bibr" rid="B22">2022</xref>, a movimentação portuária brasileira foi de 581,3 milhões de toneladas. No entanto, atualmente as organizações estão expostas a mudanças em sua gestão, e a adoção de práticas de gestão possibilita que os esforços dos indivíduos sejam direcionados para atingir melhores níveis de desempenho (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Bloom &amp; Van Reenen, 2007</xref>). Assim, as organizações têm potencial para adaptar-se mais facilmente às influências derivadas de uma abordagem segmentada para um conceito mais integrado (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Park &amp; De, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">Tijan, Jovic, Panjako, &amp; Zgaljic, 2021</xref>).</p>
			<p>No contexto brasileiro, com a extinção da Portobras, ocorrida em 1990, o sistema portuário passou por uma instabilidade. Esse cenário foi modificado com a promulgação da Lei de Modernização dos Portos (Lei n. 8.630/93), que alterou a estrutura portuária nacional, em busca de um novo modelo de gestão, além da abertura desse setor para a iniciativa privada. Tais fatores impactaram a governança portuária brasileira e resultaram em diferentes formas de gestão dos portos (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Constante, De Langen, Vieira, Lunkes, &amp; van der Lugt, 2018</xref>).</p>
			<p>Em Santa Catarina, em 2005, o governo estadual criou uma <italic>Holding</italic> concedendo-lhe o direito de exploração dos portos públicos, o controle acionário e a responsabilidade de gestão desses portos delegados. Contudo, não há uma uniformização das práticas de gestão adotadas pela <italic>Holding</italic>, o que dificulta o processo de gestão de seus Portos Delegados. Em vista disso, há a necessidade de se ter um instrumento que evidencie, de forma transparente, quais práticas de gestão estratégica portuárias são priorizadas e incentivadas por uma <italic>Holding.</italic> Para tal, quais aspectos devem integrar um modelo de avaliação de desempenho, observando os objetivos estabelecidos pela <italic>Holding</italic> e as particularidades de seus Portos Delegados, para uniformizar as práticas de gestão portuárias? Para responder a essa questão, o estudo tem por objetivo construir um modelo construtivista de avaliação de desempenho para apoiar a <italic>Holding</italic> no processo de uniformização das práticas de gestão estratégica das atividades portuárias.</p>
			<p>Os autores <xref ref-type="bibr" rid="B29">Madeira Junior et al. (2012</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B39">Roy (1993</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B26">Keeney (1992</xref>); <xref ref-type="bibr" rid="B5">Bana e Costa, Ensslin, Corrêa e Vansnick (1999</xref>); Ensslin, Gonçalves, Ensslin, Dutra e Longaray (<xref ref-type="bibr" rid="B17">2022</xref>), em seus estudos, apontam que, pela premissa da abordagem construtivista de identificar e incorporar os aspectos, os valores, as preferências do gestor/decisor e as características do ambiente físico que será gerenciado, o modelo construído não só possui validade científica, mas também legitimidade social. Por isso, optou-se por utilizar a metodologia Multicritério de Apoio à Decisão-Construtivista (MCDA-C) (Ensslin, Dutra, &amp; Ensslin, <xref ref-type="bibr" rid="B14">2000</xref>; Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, <xref ref-type="bibr" rid="B18">2001</xref>) que atende ao propósito do estudo e da organização em análise.</p>
			<p>A utilização da avaliação de desempenho como uma das atividades para identificar e implementar práticas de gestão no intuito de aperfeiçoar o desempenho foi feita no estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B36">Park e De (2004</xref>). Alguns trabalhos têm focado no papel das autoridades portuárias (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aerts, Dooms, &amp; Haezendonck, 2015</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">Aparisi-Caudeli, Giner-Fillol, &amp; Ripoll-Feliu, 2009</xref>). No entanto, estudos que exploram o papel da gestão de portos por meio de <italic>holdings</italic> são escassos, e a literatura carece de modelos de avaliação de desempenho construtivistas para apoiar as ações gerenciais nesse setor (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Madeira Junior et al., 2012</xref>).</p>
			<p>Percebe-se que a Avaliação de Desempenho Portuário vem ganhando espaço no contexto contemporâneo (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Vaggelas, 2019</xref>). As cadeias relacionais, a intensa concorrência e a necessidade de cooperação entre as empresas tornam ainda mais evidente que esse setor necessita de mais investigações para uma avaliação de desempenho integrada. Desse modo, o estudo contribuirá (i) com a literatura, em termos teóricos, na oferta de conhecimento sobre gestão portuária e cooperação organizacional; e (ii) em termos práticos, com a contribuição que a metodologia oferece à organização analisada no sentido de que o instrumento de gestão construído ofertará aos gestores a evidenciação e o conhecimento de como o desempenho e a competitividade dos portos geridos podem ser promovidos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>2 REFERENCIAL TEÓRICO</title>
			<sec>
				<title>2.1 Avaliação de desempenho portuária</title>
				<p>A literatura envolvendo estratégia de negócios se desenvolveu consideravelmente desde o início dos trabalhos na década de 1960 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Panayides, 2003</xref>). A forte concorrência no setor portuário impulsionou estudos que revisassem a estratégia organizacional dessas empresas para se manterem competitivas. É consenso entre os autores do setor que a utilização de estratégias de negócios adequadas permite que a organização se mantenha competitiva e melhore o desempenho (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Panayides, 2003</xref>). O ambiente empresarial de serviços tem se tornado mais competitivo devido à integração mundial, caracterizando-se como um desafio para a gestão de negócios (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hamid, 2018</xref>). De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B24">Ignasiak-Szulc, Juscius e Bogatova (2018</xref>), a relevância em suportar as pressões para alcance da competitividade nos portos permanece constante, dispondo da significância portuária na cadeia de suprimentos e na rede de transportes global.</p>
				<p>Dada a relevância em rever constantemente a estratégia organizacional, a Avaliação de Desempenho atua como uma ferramenta importante para o acompanhamento dos resultados, contribuindo para que o processo de desenvolvimento ocorra de forma efetiva (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Jaffar, Berry &amp; Ridley, 2005</xref>). Contudo, a literatura aponta algumas críticas ao desenvolvimento teórico no setor.</p>
				<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B25">Jaffar et al. (2005</xref>), os estudos existentes no contexto portuário pouco exploram as mudanças no desempenho ao longo do tempo. Outra crítica frequente é o foco em aspectos financeiros, quando as mudanças do contexto se direcionam para a sustentabilidade e preocupação com o entorno portuário (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hamid, 2018</xref>), destacando a necessidade do desenvolvimento coordenado entre o desempenho empresarial, o da sociedade e o do meio ambiente (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Xiong &amp; Zhou, 2019</xref>). No âmbito das práticas de gestão e seus efeitos, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Constante et al. (2018</xref>) apontam isso como um tópico estabelecido na literatura. Segundo os autores, as práticas de gestão mais utilizadas no contexto portuário são orientadas para o controle, como a inspeção de contratos e segurança portuária e o gerenciamento de informações. Entretanto, os autores mencionam que práticas voltadas para o planejamento organizacional e a liderança recebem menos atenção.</p>
				<p>Quando se trata de autoridades e gestores portuários, diferentes técnicas de gerenciamento são utilizadas para obter informações que vão além de aspectos financeiros, como lucratividade das operações (Rezaei, Palthe, &amp; Tavasszy, <xref ref-type="bibr" rid="B37">2019</xref>); qualidade da infraestrutura, (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Aparisi-Caudeli et al., 2009</xref>); e sistemas comunitários (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Tijan et al., 2021</xref>). Por esse motivo, observar o comportamento das práticas de gestão é importante, visto que permite analisar o contexto sob uma perspectiva mais ampla. Embora a literatura não seja clara quanto a uma definição de práticas de gestão, neste estudo consideram-se, como práticas de gestão, as atividades que são desenvolvidas regularmente, com a finalidade de gerir a organização e gerar melhores resultados organizacionais.</p>
				<p>Diante disso, alguns autores apresentam algumas práticas como de fundamental relevância. <xref ref-type="bibr" rid="B30">Marlow e Casaca (2003</xref>) e <xref ref-type="bibr" rid="B29">Madeira Junior et al. (2012</xref>) mencionam que, para competir de forma mais eficaz, os portos devem se tornar ágeis para reagir celeremente às mudanças nas demandas dos clientes. Já <xref ref-type="bibr" rid="B8">Brooks e Pallis (2008</xref>) afirmam que o ‘olhar’ das partes interessadas deve ser considerado para melhorar o desempenho dos portos. Portanto, para que a governança adotada seja considerada eficaz, a cadeia de atores que envolve a atividade exige um alinhamento entre atividades desempenhadas e os atores envolvidos (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Vieira, Kliemann Neto, Senna, Constante, &amp; De Langen, 2016</xref>).</p>
				<p>Diante do exposto, percebe-se que o desenvolvimento portuário está condicionado ao bom desempenho dos negócios (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cheng &amp; Choy, 2013</xref>), pautado por indicadores que proporcionem o cumprimento da estratégia (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Aparisi-Caudeli et al., 2009</xref>). Para melhorar a competitividade de seus serviços, as autoridades e gestores portuários devem considerar e integrar um panorama de gestão, de modo que a estratégia para gerenciar os recursos seja beneficiada (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hamid, 2018</xref>).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>2.2 Avaliação de desempenho e modelo construtivista</title>
				<p>No contexto da avaliação de desempenho, os modelos são utilizados para auxiliar na decisão de problemas complexos (Banaitiene &amp; Banaitis, 2022). Na construção desses modelos de avaliação de desempenho, há quatro metodologias que podem ser utilizadas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, Spahr, Santos, &amp; Rodrigues, 2010</xref>): (i) abordagens que fazem uso de Índices e Razões, conhecidas como medidas de desempenho tradicionais e que possibilitam análises simples entre variáveis; (ii) abordagens paramétricas, como a Análise de Regressão, que seguem determinados parâmetros e suas distribuições são conhecidas; (iii) abordagens não paramétricas, como a Análise Envoltória de Dados (DEA), que não seguem distribuições, mas também não podem ultrapassar o contexto; e (iv) abordagens integradas de avaliação de desempenho, como a metodologia Multicritério de Apoio à Decisão-Construtivista (MCDA-C), que fazem uso de uma perspectiva construtivista e de métodos distintos para cada atividade que se complementam.</p>
				<p>Para Tasca (<xref ref-type="bibr" rid="B41">2013</xref>), a adoção da perspectiva construtivista difundiu um novo entendimento da avaliação de desempenho: ser um instrumento de apoio à decisão, de geração de conhecimento nos atores envolvidos durante o processo de construção do modelo. Nos sistemas integrados de avaliação de desempenho, busca-se interpretar a realidade (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Mitchell, Nielsen, &amp; Norreklit, 2013</xref>) com base no contexto e na percepção e nos objetivos dos decisores/gestores, dado que o propósito de apoio à decisão é o desenvolvimento de conhecimento nos decisores/gestores (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Ensslin, Dutra, &amp; Ensslin, 2000</xref>; Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, <xref ref-type="bibr" rid="B18">2001</xref>). Segundo Mitchell et al. (2013), para que as ações realizadas sejam bem-sucedidas, na relação entre os atores e o contexto, deve-se observar que a condição necessária e suficiente é que as ações devem ser embasadas em fatos e integradas na perspectiva dos atores. O propósito não é construir uma realidade única, mas, sim, uma realidade que permita considerar os objetivos, os valores do decisor e as características do contexto (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Roy, 1993</xref>; Ensslin et al., <xref ref-type="bibr" rid="B16">2020</xref>), elucidando sua experiência para encontrar soluções viáveis (Banaitiene &amp; Banaitis, 2022) e alinhadas aos objetivos delineados (Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, <xref ref-type="bibr" rid="B18">2001</xref>).</p>
				<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B18">Ensslin et al. (2001</xref>), no desenvolvimento dos modelos, há o ‘agente’ dos facilitadores, os quais têm a função de identificar, organizar, representar e evidenciar os aspectos e preocupações manifestadas pelos decisores/gestores e a eles ir ‘submetendo para legitimação’ cada etapa desenvolvida. O desenvolvimento de um modelo se dá pela interação entre o decisor e o facilitador. À medida que as discussões avançam, os elementos necessários para entendimento e tratamento do ‘problema’ podem ser alterados, caso em que alguns deixam de estar alinhados, enquanto outros podem ser incluídos para ‘dar conta’ do ‘problema’ que precisa de intervenção (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Roy, 1993</xref>). A modelagem, nesse caso, constitui a construção de um modelo alinhado ao contexto no qual o decisor/gestor necessita refletir sobre uma tomada, ou não, de decisão (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Dias &amp; Tsoukias, 2003</xref>).</p>
				<p>Nessa perspectiva construtivista, considera-se que o modelo adequado não preexista e que o ‘problema’ não é percebido por todos da mesma forma (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Roy, 1993</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, 2001</xref>). Assim, o ‘problema’ necessita ser entendido e contextualizado e o modelo passa a ser construído com base nos valores, nas características e nos aspectos explicitados pelo decisor/gestor (Abilio &amp; Ensslin, 2018). Dias e Tsoukias (<xref ref-type="bibr" rid="B12">2003</xref>) discorrem que, nesse processo de desenvolvimento do modelo, os resultados apresentados ao decisor podem ser rediscutidos a qualquer momento, gerando aprendizagem organizacional. Tal aspecto é reforçado por Bititci (2015) ao apontar que o desenvolvimento de sistemas de mensuração do desempenho próprios pode gerar resultados semelhantes a um modelo preexistente, mas o tempo dispendido em cada etapa é importante para identificar os aspectos <italic>ad hoc</italic> da organização e isso possibilita a aprendizagem organizacional.</p>
				<p>Na metodologia MCDA-C, além da interação constante entre facilitador e decisor, há o uso de ferramentas/métodos que auxiliam na geração de conhecimento do gestor/decisor, organização, análise e tangibilização desse conhecimento durante e para a construção do modelo (<xref ref-type="bibr" rid="B28">Martins, 2019</xref>). Dentre elas, faz-se uso de entrevistas abertas e semiestruturadas, <italic>brainstorming</italic>, mapas cognitivos, Estrutura Hierárquica de Valor (EHV), descritores (escalas ordinais), função de valor por meio do <italic>software MACBETH</italic>, equação de agregação aditiva e análise de sensibilidade por meio do <italic>software Hiview</italic> (Martins, 2019; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Ensslin et al., 2001</xref>). O uso complementar de tais métodos/ferramentas gera <italic>insights</italic> sobre o contexto analisado com base nas percepções dos decisores/gerentes.</p>
				<p>A utilização dos mapas cognitivos, por exemplo, evidencia as relações de causa e efeito entre os aspectos que estão sendo analisados, evitando assim que aspectos não explicitados ou omitidos não sejam considerados (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Eden, 2003</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira et al., 2010</xref>). A Estrutura Hierárquica de Valor evidencia os objetivos pelos quais o statu quo ou as alternativas serão avaliados (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Keeney, 1992</xref>). O uso das funções de valor (escalas cardinais) evidencia a atratividade entre os níveis da escala ordinal segundo a percepção do gestor/decisor, permitindo a mensuração local do desempenho do statu quo ou das alternativas nesse objetivo (Ferreira et al., <xref ref-type="bibr" rid="B20">2010</xref>). Nesse sentido, a metodologia MCDA-C apoia a tomada de decisão em determinados contextos, seguindo a perspectiva de seus tomadores de decisão (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Espinosa &amp; Salinas, 2013</xref>).</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</title>
			<p>Por se tratar de uma pesquisa que adota a perspectiva construtivista, para o seu desenvolvimento será apresentado um estudo de caso, pois, conforme enfatizado por <xref ref-type="bibr" rid="B21">Gray (2013</xref>), envolve a análise detalhada de um único caso e preocupa-se com a complexidade e as particularidades que envolvem o ambiente.</p>
			<p>A organização analisada é responsável pela gestão dos portos de interesse público do estado de Santa Catarina, cuja função foi estabelecida em 2005, ano de sua criação. Contudo, até meados de 2019, o processo de gestão portuária não era efetivo e, por isso, não havia uma uniformização das práticas de gestão utilizadas pelos Portos Delegados (Porto de São Francisco do Sul, Porto de Imbituba e Porto de Laguna), os quais detinham autonomia no que se refere à prestação de contas. Com base na reinvindicação governamental, a necessidade de integrar a gestão dos portos, por meio da padronização de práticas, intensificou-se, mas o distanciamento existente exige que as necessidades e exigências mínimas dos Portos ainda sejam exploradas. Por essa falta de clareza, atrelada à importância da manutenção da competitividade dos Portos, houve o interesse em desenvolver um modelo de avaliação de desempenho que proporcionasse à <italic>Holding</italic> mais conhecimento sobre as empresas subsidiárias e assim pudesse uniformizar as práticas de gestão, facilitando a gestão e a tomada de decisão de ambas: <italic>Holding</italic> e Porto Delegado.</p>
			<p>Para a construção de um modelo de avaliação de desempenho, <xref ref-type="bibr" rid="B38">Rittel e Webber (1973</xref>) apontam que, ao tentar resolver um problema, se deve estruturar, formular, avaliar e propor recomendações para assegurar que exista alinhamento entre as decisões e o contexto decisional. Por isso, utilizou-se a metodologia Multicritério de Apoio à Decisão-Construtivista (MCDA-C), tendo em vista que a etapa de estruturação e as especificidades do ambiente são detalhadas por ela. O objetivo principal da metodologia é aprimorar o conhecimento do gestor sobre o contexto (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Longaray, Ensslin, Dutra, Ensslin, Brasil, &amp; Munhoz, 2019</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Caldatto, Bortoluzzi, Pinheiro de Lima, &amp; Gouvea da Costa, 2021</xref>; Ensslin, Gonçalves, Ensslin, Dutra, &amp; Longaray 2022), e o desenvolvimento do conhecimento é proporcionado pela operacionalização das três fases da metodologia, demonstradas na <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Fases da metodologia MCDA-C.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1984-882X-rerc-44-01-97-gf1.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Traduzido de <xref ref-type="bibr" rid="B14">Ensslin et al. (2000</xref>, p. 81).</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Para o desenvolvimento da pesquisa e construção do modelo, foram utilizados dados primários, coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, as quais foram realizadas, <italic>in loco</italic>, por um dos pesquisadores do trabalho com o executivo de Assuntos Portuários (decisor) da organização. O desenvolvimento do modelo compreendeu 12 meses e foram feitas 15 entrevistas com cerca de 1 hora de duração cada. As perguntas feitas nas entrevistas tinham o intuito de incentivar o decisor a expressar as principais inquietações com relação à atuação da <italic>Holding</italic> na uniformização das práticas de gestão, quais seriam as situações desejadas e quais deveriam ser evitadas.</p>
			<p>A primeira fase de desenvolvimento do modelo (Estruturação) configura-se como uma etapa qualitativa, que compreende os elementos específicos do ambiente decisional. Essa fase demandou intensas interações com o entrevistado, pelo fato de não estar claro qual deveria ser o primeiro passo para o processo de gestão portuária ser colocado em prática. Em um primeiro momento, era construir um modelo de autoavaliação da <italic>Holding</italic> para os Portos Delegados de Santa Catarina. No entanto, após a participação de um especialista da metodologia utilizada, percebeu-se que, antes de avaliar o desempenho da <italic>Holding</italic> no processo de gestão, era preciso verificar o comportamento dos Portos em relação à conformidade das práticas adotadas.</p>
			<p>Para o desenvolvimento do modelo qualitativo, o conteúdo das entrevistas foi analisado atentamente, mais de uma vez, para identificar os Elementos Primários de Avaliação (EPAs) que representassem as principais preocupações do decisor. Após identificados, o significado desses EPAs foi explorado de modo que evoluísse para a formação de um conceito, ou seja, foi identificado junto com o executivo de Assuntos Portuários qual ação era para ele desejada (denominado polo presente) e qual a preocupação latente que ele desejaria evitar (denominada polo psicológico) (Rodrigues <italic>et al.</italic>, 2018), conforme pode ser visualizado na <xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>. Destaca-se que, para a entrevista inicial, um roteiro de perguntas para explorar o problema organizacional e o direcionamento do modelo foi elaborado; as demais entrevistas foram conduzidas de acordo com o desenvolvimento da pesquisa. Como o objetivo, por exemplo, era a obtenção dos conceitos, o executivo de Assuntos Portuários (decisor) foi questionado sobre o cenário almejado e o que ele queria evitar ao se manifestar sobre aquele elemento de preocupação. Depois de desenvolvidos os conceitos, estes foram agrupados de acordo com a similaridade e denominados por áreas de preocupação. Essas áreas de preocupação dão início ao desenvolvimento de uma Estrutura Hierárquica de Valor (EHV). Cada área de preocupação é mais bem explorada por meio do desenvolvimento de mapas cognitivos, onde os conceitos pertinentes são organizados, conforme sua relação de causa e efeito, com base na perspectiva do decisor (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, 2001</xref>).</p>
			<p>Nos mapas cognitivos, há a sinalização dos <italic>clusters</italic> e <italic>subcluters</italic> que evidenciam as relações de causa e efeito de cada preocupação específica. Nesses <italic>subclusters</italic>, a relação de causa e efeito dos conceitos é feita até o ponto em que seja possível operacionalizar o conceito por meio de uma métrica, ou seja, o conceito é passível de mensuração. Assim, após estabelecida a EHV, foi feita a construção das escalas ordinais, na metodologia MCDA-C denominada Descritor, identificando os níveis de referência (que estabelecem o limite entre desempenhos comprometedor, competitivo e de excelência) (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Ensslin, Dutra, &amp; Ensslin, 2000</xref>). Nesse sentido, o objetivo/indicador (nome do conceito que será mensurado) é operacionalizado por uma métrica. Esta, por sua vez, é composta por uma unidade de medida, pelos níveis de possíveis desempenhos com base na unidade de medida definida, de dois níveis de referências (Meta e Mínimo) (Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, 2001; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Melnyk, Stewart, &amp; Swink, 2004</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Melnyk et al. 2014</xref>).</p>
			<p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Fluxo de desenvolvimento da Estruturação do Modelo.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1984-882X-rerc-44-01-97-gf2.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Dados da pesquisa.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Após o desenvolvimento das etapas estabelecidas pela metodologia, o modelo qualitativo ficou composto por uma Estrutura Hierárquica de Valor (EHV) que foi operacionalizada pela construção de 26 métricas. A <xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref> exemplifica seis das 26 métricas construídas.</p>
			<p>Após o modelo qualitativo estar finalizado, a Fase de Avaliação do modelo foi iniciada. Nessa fase, as escalas do modelo foram convertidas em funções de valor para ser possível uma mensuração quantitativa local da organização, ou seja, a possibilidade de identificar a pontuação matemática de cada nível da escala ordinal (descritor). Para tal, é necessário observar que, para os níveis meta (NB) das escalas ordinais, nas funções de valor seja atribuído o valor de ‘100’ pontos; e, para os níveis neutro (NN), seja atribuído o valor de ‘0’ ponto, em uma escala de 0 a 100 (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Ensslin, Dutra, &amp; Ensslin, 2000</xref>; Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, <xref ref-type="bibr" rid="B18">2001</xref>). Nessa fase, foi utilizado o <italic>software MACBETH</italic>, desenvolvido por Bana e <xref ref-type="bibr" rid="B4">Costa e Vansnick (1995</xref>), que faz essa conversão por meio de uma matriz de julgamento semântico de valor com base na manifestação do decisor sobre a percepção da perda de atratividade de passar de um nível de desempenho superior para um nível inferior na escala ordinal (descritor), conforme <xref ref-type="fig" rid="f4">Figura 4</xref>.</p>
			<p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Recorte EHV e métricas qualitativas.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1984-882X-rerc-44-01-97-gf3.gif"/>
					<attrib>Fonte: Dados da pesquisa.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>
				<fig id="f4">
					<label>Figura 4</label>
					<caption>
						<title>Transformação das escalas ordinais em cardinais.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1984-882X-rerc-44-01-97-gf4.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Dados da pesquisa.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<p>Adicionalmente, foram calculadas taxas de compensação que convertem uma unidade de valor local em uma unidade de valor global no modelo (<xref ref-type="bibr" rid="B18">Ensslin, Montibeller Neto, &amp; Noronha, 2001</xref>). Isso permite verificar qual a contribuição de cada aspecto para o modelo, tendo em vista que os Portos Delegados apresentam práticas de gestão com diferentes desempenhos. Com essas informações, é possível fazer uma avaliação global do <italic>statu quo</italic> do desempenho da prática de gestão analisada por meio da equação de agregação aditiva, proposta por Ensslin et al. (<xref ref-type="bibr" rid="B14">2000</xref>, p. 87):</p>
			<p>
				<disp-formula id="e1">
					<mml:math>
						<mml:mi>V</mml:mi>
						<mml:mfenced separators="|">
							<mml:mrow>
								<mml:mi>a</mml:mi>
							</mml:mrow>
						</mml:mfenced>
						<mml:mo>=</mml:mo>
						<mml:mrow>
							<mml:munderover>
								<mml:mo stretchy="false">∑</mml:mo>
								<mml:mrow>
									<mml:mi>j</mml:mi>
									<mml:mo>=</mml:mo>
									<mml:mn>1</mml:mn>
								</mml:mrow>
								<mml:mrow>
									<mml:mi>m</mml:mi>
								</mml:mrow>
							</mml:munderover>
							<mml:mrow>
								<mml:msub>
									<mml:mrow>
										<mml:mi>W</mml:mi>
									</mml:mrow>
									<mml:mrow>
										<mml:mi>j</mml:mi>
									</mml:mrow>
								</mml:msub>
							</mml:mrow>
						</mml:mrow>
						<mml:mo>.</mml:mo>
						<mml:mfenced separators="|">
							<mml:mrow>
								<mml:msub>
									<mml:mrow>
										<mml:mi>V</mml:mi>
									</mml:mrow>
									<mml:mrow>
										<mml:msub>
											<mml:mrow>
												<mml:mi>E</mml:mi>
												<mml:mi>P</mml:mi>
												<mml:mi>V</mml:mi>
											</mml:mrow>
											<mml:mrow>
												<mml:mi>j</mml:mi>
											</mml:mrow>
										</mml:msub>
									</mml:mrow>
								</mml:msub>
								<mml:mo>.</mml:mo>
								<mml:mfenced separators="|">
									<mml:mrow>
										<mml:mi>a</mml:mi>
									</mml:mrow>
								</mml:mfenced>
							</mml:mrow>
						</mml:mfenced>
					</mml:math>
				</disp-formula>
			</p>
			<p>Onde:</p>
			<p>V(a) é a pontuação da avaliação global de a (A;</p>
			<p>w<sub>j</sub> é a taxa de compensação do critério <bold>j</bold>;</p>
			<p>FPV representa cada métrica do modelo;</p>
			<p>(V<sub>FPVj</sub> (a)) é o impacto da ação/alternativa/contexto A, em relação ao FPV<sub>j.</sub></p>
			<p>Ao final da avaliação de desempenho da organização, o gestor da <italic>Holding</italic> é orientado ao processo de recomendação de ações, norteado pelo processo de uniformização das práticas de gestão possibilitado pelo modelo construído, para melhorar o desempenho dos Portos nas métricas em que eles apresentam desempenho abaixo do esperado, a fim de contribuir para a melhoria do desempenho (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Ensslin, Ensslin, Dutra, Longaray, &amp; Dezem, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Longaray et al., 2019</xref>).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>4 RESULTADOS</title>
		</sec>
		<sec>
			<title>4.1 Análise dos Dados</title>
			<p>O desenvolvimento de métricas (descritores na metodologia MCDA-C) é tratado por <xref ref-type="bibr" rid="B7">Bourne, Mills, Wilcox, Neely e Platts (2000</xref>) como um exercício cognitivo, pois é preciso converter as necessidades da organização em métricas de desempenho adequadas à sua realidade. Adicionalmente a isso, o processo de desenvolvimento de métricas demanda tempo, tendo em vista que, ao se desenvolver um modelo personalizado, exige alto grau de participação do decisor em momento de reflexão, análise, reanálise das informações constantes nas métricas para que essas reflitam o contexto organizacional. Por esses motivos, os autores sugerem que os modelos de desempenho sejam desenvolvidos e implementados em etapas para que o decisor possa constatar resultados mais rapidamente.</p>
			<p>O modelo construído foi composto por sete grandes áreas: práticas de gestão estratégicas; práticas administrativas; comunicação; identidade organizacional; tecnologia da informação; desenvolvimento de pessoas; e controle e auditoria. Como se percebeu um interesse latente do decisor com as ‘práticas de gestão estratégicas’, foi dada prioridade para o desenvolvimento dessa área, composta pela padronização das práticas de gestão, planejamento estratégico e crescimento contínuo. Na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, apresentam-se as 26 métricas que compõem essa área. Cabe mencionar que, por se tratar de um número considerável de métricas, se optou por apresentar apenas o nível de desempenho atual dos Portos em cada métrica.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Desempenho dos Portos Delegados.</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="justify">Objetivo/Indicador</th>
								<th align="center">Medida</th>
								<th align="center">Desempenho qualitativo Porto Imbituba</th>
								<th align="center">Contribuição Global Imbituba</th>
								<th align="center">Desempenho qualitativo Porto São Francisco do Sul</th>
								<th align="center">Contribuição Global São Francisco do Sul</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td align="justify">I1 - Reuniões realizadas</td>
								<td align="center">Quantidade de reuniões anuais realizadas entre o Conselho e a Diretoria Executiva no último ano.</td>
								<td align="center">4 reuniões</td>
								<td align="center">2,88</td>
								<td align="center">4 reuniões</td>
								<td align="center">2,88</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I2 - Convergência na tomada de decisão</td>
								<td align="center">% de propostas da Diretoria Executiva aprovadas pelo Conselho Administrativo no último ano.</td>
								<td align="center">80%</td>
								<td align="center">7,52</td>
								<td align="center">maior ou igual a 90%</td>
								<td align="center">9,4</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I3 - Deliberação estratégica</td>
								<td align="center">% das deliberações da Diretoria do Porto aprovadas pelo Conselho no último ano.</td>
								<td align="center">70%</td>
								<td align="center">5,6</td>
								<td align="center">60%</td>
								<td align="center">2,24</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I4 - Metodologia do contrato</td>
								<td align="center">Ter metodologia de contratos de gestão.</td>
								<td align="center">Tem para 4 ou mais setores</td>
								<td align="center">1,35</td>
								<td align="center">Tem para 4 ou mais setores</td>
								<td align="center">1,62</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I5 - Vigência do contrato</td>
								<td align="center">Definir a periodicidade do contrato de gestão.</td>
								<td align="center">4 anos com revisão anual</td>
								<td align="center">1,26</td>
								<td align="center">4 anos com revisão anual</td>
								<td align="center">1,26</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I6 - Atendimento do contrato</td>
								<td align="center">Definir metas a serem alcançadas no contrato de gestão e resultados.</td>
								<td align="center">Tem para 3 setores</td>
								<td align="center">4,5</td>
								<td align="center">Tem para 4 ou mais setores</td>
								<td align="center">5,625</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I7 - Etapas do planejamento</td>
								<td align="center">N. de etapas de planejamento estratégico utilizadas pelos Portos (análise estratégica; revisão da identidade organizacional; análise do ambiente interno; análise do ambiente externo; definição da estratégia e desdobramento estratégico).</td>
								<td align="center">Contempla 4 etapas.</td>
								<td align="center">2,79</td>
								<td align="center">Contempla 4 etapas</td>
								<td align="center">2,79</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I8 - Periodicidade do planejamento</td>
								<td align="center">Periodicidade de realização da revisão do Planejamento estratégico.</td>
								<td align="center">Anual</td>
								<td align="center">5,25</td>
								<td align="center">Bianual</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I9 - Indicadores táticos</td>
								<td align="center">% de Indicadores táticos em relação à quantidade de indicadores do Porto.</td>
								<td align="center">50% ou menos dos indicadores</td>
								<td align="center">0,945</td>
								<td align="center">70% dos indicadores</td>
								<td align="center">0,231</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I10 - Indicadores operacionais</td>
								<td align="center">% de Indicadores operacionais em relação à quantidade de indicadores do Porto.</td>
								<td align="center">70% dos indicadores</td>
								<td align="center">1,61</td>
								<td align="center">70% dos indicadores</td>
								<td align="center">1,61</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I11 - Indicadores estratégicos</td>
								<td align="center">% de Indicadores estratégicos em relação à quantidade de indicadores do Porto.</td>
								<td align="center">10% dos indicadores</td>
								<td align="center">1,19</td>
								<td align="center">10% dos indicadores</td>
								<td align="center">1,19</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I12 - Formas de realização</td>
								<td align="center">Forma como o Planejamento estratégico é realizado.</td>
								<td align="center">Envolve somente a equipe de planejamento e um representante de cada área.</td>
								<td align="center">10,85</td>
								<td align="center">Envolve somente a equipe de planejamento e um representante de cada área</td>
								<td align="center">10,85</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I13 - Tipos de instrumentos</td>
								<td align="center">Quantidade de instrumentos de planejamento estratégico utilizados pelos Portos (PNLT; plano mestre; PDZ; plano de negócios; estratégia de LP e PPA).</td>
								<td align="center">Contempla 4 instrumentos</td>
								<td align="center">1,456</td>
								<td align="center">Contempla 2 ou menos instrumentos</td>
								<td align="center">-0,448</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I14 - Prazo de atualização</td>
								<td align="center">Atualização dos instrumentos conforme a Lei Federal n. 12.815/13.</td>
								<td align="center">4 instrumentos estão atualizados</td>
								<td align="center">0,98</td>
								<td align="center">6 instrumentos estão atualizados</td>
								<td align="center">2,94</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I15 - Vigência dos instrumentos</td>
								<td align="center">% de indicadores que observaram os prazos previstos pela Lei Federal n. 12.815/13.</td>
								<td align="center">70% dos instrumentos</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">70% dos indicadores</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I16 - Plano de investimentos</td>
								<td align="center">Plano de investimento reconhecido pela <italic>Holding</italic>.</td>
								<td align="center">Tem plano de investimento em andamento reconhecido pela <italic>Holding</italic></td>
								<td align="center">4,48</td>
								<td align="center">Tem plano de expansão reconhecido pela <italic>Holding</italic></td>
								<td align="center">5,7344</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I17 - Reinvestimento de receitas</td>
								<td align="center">% das receitas destinadas para expansão.</td>
								<td align="center">≥ 10%</td>
								<td align="center">9,6096</td>
								<td align="center">8%</td>
								<td align="center">6,72</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I18 - Indicadores de acesso</td>
								<td align="center">Indicadores de acessos aquaviários, ferroviários e rodoviários.</td>
								<td align="center">Há indicadores aquaviários, ferroviários e rodoviários</td>
								<td align="center">2,6624</td>
								<td align="center">Há indicadores rodoviários e aquaviários</td>
								<td align="center">1,55648</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I19 - Investimentos nos acessos</td>
								<td align="center">Plano de ações para adquirir recursos em acessos aquaviários, ferroviários e rodoviários.</td>
								<td align="center">Tem plano de ação para recursos aquaviários</td>
								<td align="center">1,344</td>
								<td align="center">Tem plano de ação para recursos ferroviários e aquaviários</td>
								<td align="center">6,4</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I20 - Origem dos recursos</td>
								<td align="center">Plano de ações para identificar a origem de recursos em acessos aquaviários, ferroviários e rodoviários.</td>
								<td align="center">Tem plano de ação para identificar recursos rodoviários e aquaviários.</td>
								<td align="center">3,08992</td>
								<td align="center">Tem plano de ação para identificar recursos aquaviários e ferroviários</td>
								<td align="center">4,352</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I21 - Gestão da mov. e volume</td>
								<td align="center">Possui indicadores para gestão da movimentação e volume de cargas.</td>
								<td align="center">Há indicadores para o exterior e cabotagem</td>
								<td align="center">0,95608</td>
								<td align="center">Há indicadores apenas para o exterior</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I22 - Alocação de recursos</td>
								<td align="center">Plano de ação para ampliação da movimentação e volume de cargas.</td>
								<td align="center">Tem plano de ação ampliação apenas do volume de cargas</td>
								<td align="center">2,5296</td>
								<td align="center">Tem plano de ação para ampliação da movimentação e do volume de cargas</td>
								<td align="center">4,216</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I23 - Indicadores de lucratividade</td>
								<td align="center">Indicadores para medir a lucratividade.</td>
								<td align="center">Sim com 4 indicadores</td>
								<td align="center">0,55384</td>
								<td align="center">Sim com 2 indicadores</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I24 - Cresc. Econômico/financeiro</td>
								<td align="center">Ter sistema para gerar ações de crescimentos econômico e financeiro.</td>
								<td align="center">Sim em 2 áreas</td>
								<td align="center">1,9872</td>
								<td align="center">Sim em 2 áreas</td>
								<td align="center">1,9872</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I25 - Investimentos lucrativos</td>
								<td align="center">Ter sistema para conhecer as movimentações mais lucrativas.</td>
								<td align="center">Sim em 2 áreas</td>
								<td align="center">1,4352</td>
								<td align="center">Sim com 1 área</td>
								<td align="center">0</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="justify">I26 - Incentivos</td>
								<td align="center">Ter processo para incentivar as atividades mais rentáveis.</td>
								<td align="center">Sim em 2 áreas</td>
								<td align="center">0,8832</td>
								<td align="center">Não tem processo</td>
								<td align="center">-0,736</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="center" colspan="2">Desempenho Global (<italic>Statu quo)</italic></td>
								<td align="center">Imbituba</td>
								<td align="center">77,72</td>
								<td align="center">São Francisco do Sul</td>
								<td align="center">72,42</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<fn id="TFN1">
							<p> Fonte: Dados da pesquisa.</p>
						</fn>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>Destaca-se que, como o perfil de desempenho dos Portos Delegados foi medido em 2020, o Porto de Laguna não foi avaliado, pois passou a ser gerido pela <italic>Holding</italic> em 2019, e, no momento da avaliação, estava passando por um processo de reestruturação.</p>
			<p>Ao observar o resultado do desempenho global ao final da <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, percebe-se que o <italic>statu quo</italic> do Porto de São Francisco do Sul possui um desempenho equivalente a 72,42 pontos; e o do Porto de Imbituba, de 77,72 pontos, em uma escala de ‘0’ a ‘100’ (‘0’ significa o desempenho limiar entre comprometedor e competitivo; e ‘100’, o limiar entre competitivo e excelência), colocando-os em um nível competitivo. Com base no perfil dos Portos Delegados (<xref ref-type="fig" rid="f5">Figura 5</xref>), percebe-se que, em alguns indicadores/critérios, os Portos apresentam desempenho em desacordo com o desejado e explicitado pela <italic>Holding</italic>. Diante desse conhecimento, os Portos devem direcionar esforços para alinhar seu desempenho rumo ao caminho sinalizado pela <italic>Holding,</italic> uma vez que o modelo passa a ser um instrumento de uniformização das práticas de gestão estratégica das atividades portuárias.</p>
			<p>
				<fig id="f5">
					<label>Figura 5</label>
					<caption>
						<title>Perfil de desempenho dos Portos Delegados.</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="1984-882X-rerc-44-01-97-gf5.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Dados da pesquisa.</attrib>
				</fig>
			</p>
			<sec>
				<title>4.2 Análise do Desempenho dos Portos</title>
				<p>Como pode ser observado, o Porto de São Francisco do Sul possui desempenho de excelência em alguns indicadores. Entretanto, esses indicadores são apenas cinco, retratando que ainda há um trabalho exaustivo a ser feito para que o Porto obtenha um nível de excelência em todos os indicadores analisados, com base no modelo de apoio à uniformização das práticas de gestão estratégica das atividades portuárias feito pela <italic>Holding</italic>.</p>
				<p>O primeiro passo seria identificar como aperfeiçoar o desempenho do Porto naqueles indicadores que, atualmente, ele impacta em nível de desempenho comprometedor (Tipos de Instrumentos - I13; Incentivos - I26), ou que está em processo emergente para o nível competitivo (Periodicidade do Planejamento - I8; Vigência dos Instrumentos - I5; Gestão da Movimentação e Volume - I21; Indicadores de Lucratividade - 23; Investimentos Lucrativos - I25) e interferem, de forma negativa, em seu desempenho e, consequentemente, no da <italic>Holding</italic>.</p>
				<p>Nesse sentido, a <italic>Holding</italic> vem elaborando algumas ações com o Porto no intuito de melhorar seu desempenho e sua competitividade. Essas ações são voltadas a melhorias da infraestrutura do Porto a fim de obter mais produtividade e eficiência nas operações. Por conseguinte, há investimentos a serem feitos para melhorias nos acessos rodoviários, ferroviários e aquaviários, os quais fazem parte das linhas estratégicas definidas entre a <italic>Holding</italic> e a subsidiária. Como consequência, há um impacto nos indicadores de Gestão da Movimentação e Volume (I21) e Alocação de Recursos (I22).</p>
				<p>Destaca-se que existe uma preocupação da <italic>Holding</italic> quanto à gestão portuária. Por esse motivo, uma das linhas estratégicas, instituída com o Porto, diz respeito à implantação de melhores Práticas de Gestão, mediante metas de desempenho organizacional claras e alinhadas com a visão estratégica da organização. Desse modo, ações foram desenvolvidas para que a gestão do Porto seja melhorada. No entanto, outras ações ainda devem ser desenvolvidas para que ele melhore seu desempenho nos indicadores ‘Tipos de Instrumentos (I13)’, que trata da quantidade de instrumentos de planejamento estratégico utilizados pelos portos, e ‘Incentivos (I26)’, que se refere aos incentivos para as atividades mais rentáveis que se apresentam como comprometedoras.</p>
				<p>Já o perfil de desempenho do Porto de Imbituba mostra que, para os indicadores construídos pelo decisor, o Porto não se encontra com desempenho em nível comprometedor. Os indicadores ‘Reinvestimento de Receitas (I17)’ e ‘Indicadores de Acesso (I18)’, os quais o Porto impacta em nível de excelência, demonstram que existe uma preocupação em melhorar continuamente suas atividades. Além disso, sua preocupação com o desenvolvimento social e o econômico conduz à integração do planejamento do desenvolvimento portuário com os instrumentos de planejamento estratégico, evidenciado pela utilização de quatro dos seis instrumentos de planejamento (Tipos de Instrumentos - I13). Dentre os indicadores em que o Porto apresenta desempenho em nível de excelência, podem ser extraídas práticas que figuram como importantes para a uniformização. Por não apresentar desempenho em nível comprometedor nos critérios estabelecidos, o foco das ações para melhoria do desempenho deve voltar-se para aqueles indicadores que, embora estejam em nível competitivo, têm potencial de melhoria. O intuito é trabalhar com o Porto para melhorar aqueles indicadores com desempenho mais baixo e apresentam maior contribuição para a avaliação global do modelo, como, por exemplo, ‘Vigência dos Instrumentos (I15)’ e ‘Investimentos nos Acessos (I19)’.</p>
				<p>O Porto de Imbituba tem desenvolvido ações no aspecto operacional para realizar a padronização de processos rotineiros a fim de minimizar possíveis impasses na tomada de decisão. Em termos estratégicos, a preocupação da <italic>Holding</italic> com a uniformização de práticas de gestão estratégica permite que boas práticas sejam disseminadas, buscando a manutenção da competitividade portuária. Destaca-se que a facilidade do acesso marítimo ao Porto favorece o recebimento de cargas por navios de grande porte. Com isso, investir na infraestrutura portuária, tornando possível que o Porto esteja apto a receber tais embarcações, figura como uma oportunidade para o crescimento das operações. Na busca pelo alinhamento com as subsidiárias, a <italic>Holding</italic> vem promovendo reuniões entre a Diretoria e o Conselho dos Portos para que, nesse processo de interação, sejam identificadas as necessidades dos Portos, bem como comunicar as decisões tomadas. Assim, o processo de interação entre a <italic>Holding</italic> e as subsidiárias vai se estreitando à medida que práticas para uma gestão adequada são incorporadas.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>4.3 Recomendações</title>
				<p>Como os Portos não apresentavam desempenho satisfatórios em alguns indicadores, foram propostas ações que permitiram ao decisor entender que impacto teria no desempenho dos Portos, caso elas fossem implementadas. Com isso, é possível apresentar as contribuições de um aperfeiçoamento no desempenho dos Portos e a contribuição ao melhorá-lo para a meta.</p>
				<p>Embora as ações tenham sido propostas levando em consideração o desempenho dos Portos individualmente, por se tratar de um modelo construído para a <italic>Holding</italic> avaliar o desempenho dos Portos, qualquer ação irá impactar o aprimoramento do desempenho de todos os membros do grupo. Assim, caso o plano de ação proposto para o critério ‘Incentivos (I26)’ seja implementado, os Portos passarão a ter um processo para identificar as atividades mais rentáveis, possibilitando aumentar sua lucratividade. Desse modo, com a implementação das ações propostas, o desempenho do Porto de São Francisco do Sul pode passar de 72,42 para o <italic>statu quo</italic> de 90,03. Do mesmo modo, o desempenho do Porto de Imbituba passará de 77,72 para 85,27, evidenciando a utilidade do modelo proposto como instrumento de apoio à gestão. </p>
				<p>
					<fig id="f6">
						<label>Figura 6</label>
						<caption>
							<title>Plano de ação para o indicador (critério) ‘Tipos de Instrumento’.</title>
						</caption>
						<graphic xlink:href="1984-882X-rerc-44-01-97-gf6.jpg"/>
						<attrib>Fonte: Dados da pesquisa.</attrib>
					</fig>
				</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>5 DISCUSSÃO COM A LITERATURA</title>
			<p>O resultado da mensuração do desempenho evidenciou que os Portos ainda precisam de melhorias para alcançar as metas de desempenho estabelecidas pela <italic>Holding</italic>. A literatura menciona que organizações que adotam práticas de gestão se tornam mais competitivas, dada a excelência no desempenho dos negócios (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cheng &amp; Choy, 2013</xref>).</p>
			<p>A competitividade organizacional é caracterizada como um desafio constante para a gestão dos negócios (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Hamid, 2018</xref>). Nesse sentido, os gestores <italic>da Holding</italic> perceberam a necessidade do estreitamento das relações com os Portos, buscando identificar práticas utilizadas que fossem consideradas como melhores práticas de desempenho. No entanto, devido à complexidade do setor que compreende diversos atores com interesses conflitantes, esse processo necessitou de um instrumento de apoio para a gestão.</p>
			<p>Segundo Broocks e Pallis (2008), os atores devem estabelecer quais são as práticas essenciais para o monitoramento do desempenho dos portos, e a utilização da avaliação de desempenho é uma das ações utilizadas para identificar e implementar melhores práticas para melhorar o desempenho e a produtividade (<xref ref-type="bibr" rid="B36">Park &amp; De, 2004</xref>). Assim, desde seu interesse em atuar de forma efetiva na gestão dos Portos Delegados, a <italic>Holding</italic> vem desenvolvendo ações para estreitar a relação com as subsidiárias, implementar medidas e potencializar o desempenho do grupo. Contudo, esse processo de implementação pode ser dificultado em decorrência dos diferentes <italic>stakeholders</italic> que envolvem a estrutura portuária, e a intensidade das relações pode gerar barreiras e conflitos (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Somensi et al., 2017</xref>).</p>
			<p>Dentre as ações desenvolvidas pela <italic>Holding</italic>, está o interesse no melhoramento da infraestrutura que evidencia uma preocupação com a competitividade do Porto, o que gera impacto no volume de cargas e crescimentos econômico e financeiro. A importância da infraestrutura dos portos também é destacada pelos estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B23">Hamid (2018</xref>), de <xref ref-type="bibr" rid="B44">Vieira <italic>et al.</italic> (2016</xref>) e de Aparizi-Caudeli et al. (<xref ref-type="bibr" rid="B3">2009</xref>). Hamid (2018) relata o papel fundamental da infraestrutura portuária para o escoamento de mercadorias e transporte de pessoas na Indonésia. Já Vieira et al. (<xref ref-type="bibr" rid="B16">2016</xref>) constataram que o Porto de Roterdã possui um desempenho superior ao Porto de Santos devido à falta de infraestrutura no Porto de Santos, resultando em tempos de espera das importações mais elevadas. O Porto de Valência, no desenvolvimento do plano estratégico de 2002-2015, estabeleceu projetos criteriosos de infraestrutura, pois, para competir internacionalmente, devem ser configurados como grandes centros logísticos (Aparizi-Caudeli et al., <xref ref-type="bibr" rid="B3">2009</xref>).</p>
			<p>Com relação ao Porto de Imbituba, em 2020, a conclusão da obra da pera ferroviária possibilitou a melhoria do acesso ferroviário ao Porto, gerando novas oportunidades de ampliação na movimentação de cargas, pois facilita a chegada de trens carregados de contêineres ao Porto. O aumento no nível de competitividade dos portos exige mais agilidade das operações (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Marlow &amp; Casaca 2003</xref>), e a excelência no desempenho dos negócios torna a organização mais competitiva (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Cheng &amp; Choy, 2013</xref>), tendo em vista que, para não perder sua posição no mercado, é necessário o fortalecimento das vantagens competitivas em todas as atividades desenvolvidas (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Ignasiak-Szulc et al., 2018</xref>). Nesse contexto, o melhoramento da infraestrutura permitirá que o Porto melhore sua eficiência, potencializando as atividades desenvolvidas e aumentando sua vantagem competitiva. Tais aspectos afetam os indicadores, visto que uma das preocupações da <italic>Holding</italic> é o crescimento econômico dos portos, e está representada no indicador de ‘Ampliação da Infraestrutura’ e ‘Ampliação dos acessos aos portos’.</p>
			<p>A literatura também aponta para uma limitação das pesquisas na área de práticas de gestão portuária ao focar no desempenho financeiro, sem considerar as dimensões social e ambiental. Exemplos dessa delimitação são os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Constante et al. (2018</xref>) nos quais os autores identificaram um desempenho financeiro superior nas autoridades portuárias brasileiras que adotam práticas de gestão; e os de <xref ref-type="bibr" rid="B24">Ignasiak-Szulc et al. (2018</xref>) que analisaram o desempenho econômico-financeiro dos portos do mar Báltico.</p>
			<p>Embora a preocupação com os resultados financeiros seja importante, o atual estágio de desenvolvimento portuário demanda estudos que envolvam as demais dimensões. Como no estudo de Zhou e Xing (2019) que consideram o Sistema de Avaliação de Desempenho nas três dimensões para a melhoria do desempenho. No presente estudo, o Indicador I13 - Tipos de Instrumento contempla os instrumentos de planejamento estratégico dos portos que apresentam aspectos relacionados ao impacto ambiental portuário, mostrando que existe preocupação dos portos com esse impacto.</p>
			<p>Um terceiro aspecto considerado importante pelos gestores da <italic>Holding</italic>, que corrobora os apontamentos dos estudos internacionais, diz respeito a não focar somente medidas de curto prazo, pois medidas dessa dimensão não resolvem problemas, como a capacidade limitada dos berços de atracação que exigem grandes investimentos e demandam por mais tempo para execução. O estudo de <xref ref-type="bibr" rid="B25">Jaffar et al. (2005</xref>) evidenciou que esse é o fator que mais afetou o desempenho dos portos analisados; e <xref ref-type="bibr" rid="B45">Wang et al. (2004</xref>) demonstraram que os portos operam abaixo dos padrões mundiais em decorrência da infraestrutura inadequada. Tais apontamentos mostram que os gestores estão buscando meios para que os Portos de Santa Catarina possam competir em nível internacional e contribuam para o crescimento econômico do País.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>6 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>Este estudo teve como propósito construir um modelo construtivista de avaliação de desempenho para apoiar a <italic>Holding</italic> no processo de uniformização das práticas de gestão estratégica das atividades portuárias. Para a construção do modelo de avaliação de desempenho, utilizou-se a metodologia MCDA-C, sustentada pela perspectiva construtivista. Foi possível contribuir para a temática ao desenvolver um modelo aberto a constantes modificações, derivadas de ajustes ou mudanças nas necessidades organizacionais, pois se reconhece a singularidade dos contextos e o poder da aprendizagem organizacional.</p>
			<p>Foi constado que, mesmo o Porto de São Francisco do Sul apresentando um desempenho em nível competitivo, existem indicadores cujo desempenho se encontra em nível comprometedor, como em ‘Tipos de Instrumento’ e ‘Incentivos’. O Porto de Imbituba, por sua vez, mesmo não possuindo desempenho comprometedor em nenhum indicador, tem possibilidades de aperfeiçoamento de desempenho. Assim, a <italic>Holding</italic> deve atuar mais ativamente na gestão portuária, com foco na melhoria do desempenho dos portos delegados naqueles indicadores em que os Portos apresentavam desempenho abaixo da meta. Foi evidenciada, pela discussão dos resultados, a importância de investimentos em infraestrutura e indicadores de longo prazo, contribuindo com os resultados evidenciados por pesquisas anteriores.</p>
			<p>Ressalta-se que, com base nas demandas governamentais que exigiram da <italic>Holding</italic> um posicionamento mais presente no processo de gestão dos Portos de interesse público, ações vêm sendo desenvolvidas para estreitar as relações existentes. Essas ações evidenciam a preocupação no melhoramento do desempenho por meio de investimentos de curto e longo prazos na infraestrutura portuária, permitindo a expansão da movimentação de cargas, buscando atingir um cenário de crescimento contínuo e potencial para atender às necessidades dos <italic>stakeholders</italic>. O alinhamento das estratégias da <italic>Holding</italic> com os Portos demonstra o interesse com a gestão portuária, de modo que as metas de desempenho organizacional estejam alinhadas com a visão estratégica da <italic>Holding</italic>.</p>
			<p>Apesar das contribuições que o estudo apresenta, há algumas limitações que devem ser mencionadas. Por se tratar de um estudo de caso, não se aconselha a replicação do modelo, atendendo ao princípio do construtivismo e abordagem qualitativa que trata das particularidades e diversidades de cada contexto. Entretanto, a metodologia pode ser utilizada para inspiração e orientação na construção de novos modelos, respeitando as características de cada ambiente. Sugere-se que futuras pesquisas realizem estudos longitudinais que acompanhem o processo de gestão para verificar a atualização do sistema após a implementação e o aprimoramento de estudos relacionados à gestão de portos por <italic>holdings.</italic></p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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