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Efeito da estratégia do negócio na prática de gerenciamento de resultados por Accruals
Micheli Aparecida Lunardi; Darclê Costa Silva Haussmann; Roberto Carlos Klann
Micheli Aparecida Lunardi; Darclê Costa Silva Haussmann; Roberto Carlos Klann
Efeito da estratégia do negócio na prática de gerenciamento de resultados por Accruals
Effect of business strategy on Accrual-based earnings management
Enfoque: Reflexão Contábil, vol. 44, no. 1, pp. 114-130, 2025
Universidade Estadual de Maringá
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RESUMO

Objetivo: Analisar o efeito da estratégia prospectora no gerenciamento de resultados por accruals (GR).

Método: Regressão linear múltipla (Ordinary Least Squares). Os dados referem-se ao período de 2014 a 2019. A amostra compreendeu 148 empresas brasileiras.

Originalidade/Relevância: A pesquisa explora as implicações do efeito da estratégia de negócios da empresa nas políticas de relatórios contábeis, demonstrando que características gerenciais das empresas, incentivos de mercado e o oportunismo gerencial, podem estar relacionadas (positiva ou negativamente) a práticas oportunistas dos gestores.

Resultados: Os resultados sugerem que empresas com características prospectoras apresentam menor prática de GR. No entanto, ao incluir incentivos ao GR na análise, constatou-se que empresas prospectoras mais alavancadas tendem a apresentar menores níveis de accruals discricionários.

Contribuição: Como contribuições do estudo, se destaca a interação entre um aspecto da contabilidade gerencial (tipo da estratégia do negócio), e a contabilidade financeira (prática de GR), algo ainda incipiente, principalmente no Brasil. O estudo contribui ainda ao fornecer informações úteis para stakeholders, investidores e analistas, pois sugere que o esforço para a maior qualidade da informação contábil pode estar relacionado à estratégia de negócio adotada pelas empresas.

Palavras-chave: Estratégia do negócio, Estratégia prospectora, Gerenciamento de resultados por accruals.

ABSTRACT

Objective: To analyze the effect of the prospector strategy on earnings management by accruals (EM).

Method: Multiple linear regression (Ordinary Least Squares). The data refer to the period from 2014 to 2019. The sample comprised 148 Brazilian companies.

Originality/Relevance: The research explores the implications of the effect of the company's business strategy on accounting reporting policies, demonstrating that managerial characteristics of companies, market incentives and managerial opportunism, may be related (positively or negatively) to opportunistic practices of managers.

Results: The results suggest that companies with prospector characteristics present less EM practice. However, by including incentives to EM in the analysis, it was found that more leveraged prospector companies tend to have lower levels of discretionary accruals.

Contribution: As contributions to the study, the interaction between an aspect of management accounting (type of business strategy) and financial accounting (EM practice) is highlighted, something still incipient, especially in Brazil. The study also contributes by providing useful information for stakeholders, investors and analysts, as it suggests that the effort to improve the quality of accounting information may be related to the business strategy adopted by companies.

Keywords: Business Strategy, Prospector Strategy, Results Management by accruals.

Carátula del artículo

Artigo

Efeito da estratégia do negócio na prática de gerenciamento de resultados por Accruals

Effect of business strategy on Accrual-based earnings management

Micheli Aparecida Lunardi
Universidade Regional de Blumenau, Brazil
Darclê Costa Silva Haussmann
Universidade Regional de Blumenau, Brazil
Roberto Carlos Klann
Universidade Regional de Blumenau, Brazil
Enfoque: Reflexão Contábil, vol. 44, no. 1, pp. 114-130, 2025
Universidade Estadual de Maringá

Received: 24 March 2022

Revised document received: 02 September 2022

Accepted: 04 April 2023

1 INTRODUÇÃO

A qualidade da informação contábil (QIC) consiste na representação dos resultados contábeis de maneira autêntica e que reflitam as normas e conceitos da contabilidade (Yoon, 2007). A informação contábil tem alta qualidade quando é útil para investidores, credores, gestores e todas as partes interessadas na empresa (Dechow, Ge, & Schrand, 2010). Um campo da literatura relacionado à qualidade da informação contábil é o gerenciamento de resultados contábeis (GR).

O GR ocorre quando o gerente exerce sua influência para alterar deliberadamente uma demonstração financeira, visando ocultar a condição econômica real (Healy & Wahlen, 1999). O GR não representa fraude, pois ocorre de acordo com os padrões vigentes de relatórios financeiros (Stolowy & Breton, 2004). Frequentemente é utilizado como estratégia nos relatórios financeiros, na medida que é capaz de fornecer informações relevantes (Kwag & Stephens, 2009). No entanto, sua prática pode minimizar a qualidade das informações das demonstrações financeiras.

O comportamento dos gestores no desenvolvimento das práticas de gerenciamento de resultados pode ser alterado em função de incentivos. Burgstahler et al. (2006) e Kama e Melumad (2020) comprovam a existência de incentivos que intensificam a prática de GR mediante escolhas contábeis. Burgstahler et al. (2006) examinaram fatores institucionais e a força do mercado de capitais na formação dos incentivos das empresas para divulgar lucros informativos. Kama e Melumad (2020) apontam incentivos relacionados a empresas mais propensas a se envolver no gerenciamento de caixa por conversão de accruals, tendo como finalidade alinhar caixa e accruals com ganhos e vendas por meio do factoring de recebíveis.

Além dos incentivos de mercado e institucionais, tem se percebido que a estratégia do negócio da empresa pode interferir na qualidade da informação contábil (Hsieh et al., 2019) e, mais especificamente, na prática do gerenciamento de resultados contábeis (Houqe et al.,2015). Segundo Miles e Snow (2007), as empresas que adotam diferentes estratégias de negócios enfrentam diferentes níveis de incerteza. Estratégias utilizadas podem propiciar às empresas maior produtividade e lucratividade, além de mitigar o risco de falência no futuro (Bryan et al., 2013).

Hsieh et al. (2019), Bentley et al. (2013), Ittner et al. (1997) e Miles e Snow (1978) identificam que uma empresa possui estratégia de negócios que podem ser divididas como: prospectora ou defensora. Prospectoras são definidas como empresas que buscam ativamente novas oportunidades de negócios, investem pesadamente em atividades de P&D e focam na inovação (Miles & Snow, 1978). Defensoras são definidas como empresas que se concentram no fornecimento eficiente de produtos e serviços e desenvolvem um conhecimento em uma área estreita. Como uma empresa de prospecção cria ativamente seu próprio futuro, ela enfrenta um maior nível de ambiguidade do que uma empresa defensora (Hsieh et al., 2019; Miles & Snow, 1978).

A busca pela inovação aumenta a exposição das empresas à complexidade operacional e à incerteza ambiental, devido à natureza arriscada da pesquisa e desenvolvimento (P&D) (Miles & Snow, 1978; Naiker et al., 2008). Isso pode aumentar a complexidade da divulgação e criar incentivos para gerenciar informações (Lim et al.,2018). Por outro lado, empresas prospectoras buscam se destacar no mercado e se preocupam com a sua reputação, devido a necessidade de investimentos para a realização da inovação. Esse fato pode inibir a realização de práticas oportunistas pelos gestores, como o GR (Hsieh et al., 2019).

Pesquisas anteriores demonstraram relação entre a estratégia do negócio e o ambiente de informação das empresas (Bentley-Goode et al.,2017; Habib & Hasan, 2017); a ocorrência de irregularidades nos relatórios financeiros (Bentley et al., 2013); práticas de conservadorismo contábil (Hsieh et al., 2019); e assimetria da informação (Bentley, Omer, & Twedt, 2014). No entanto, não se identificou estudos que analisassem o efeito direto da estratégia do negócio no gerenciamento de resultados, mesmo havendo evidências que demonstram a estratégia da empresa como um determinante na qualidade da informação contábil (Chen & Keung, 2019). Desta maneira, este estudo possui por objetivo analisar o efeito da estratégia prospectora no gerenciamento de resultados por accruals (GR).

Esta pesquisa contribui para a literatura contábil que estuda as implicações do efeito da estratégia de negócios da empresa nas políticas de relatórios contábeis (Hsieh et al., 2019; Bentley et al., 2013; Ittner et al., 1997; Simons, 1987). Ao investigar a relação entre gerenciamento de resultados e estratégia do negócio, busca-se identificar um outro incentivo (ou restrição) em nível de empresa (estratégia prospectora) para as práticas de GR por accruals. Desta maneira, espera-se contribuir com investidores e analistas, ao indicar que características gerenciais das empresas, além de incentivos de mercado e do oportunismo gerencial, podem estar relacionadas (positiva ou negativamente) a práticas de GR.

De maneira geral, o estudo contribui ao fornecer informações úteis para as partes interessadas que dependem de relatórios com maior qualidade de informação para a tomada de decisões. Como a estratégia de negócios de uma empresa pode ser observável através de alguns indicadores, por exemplo, um foco em inovação versus controle de custos, a estratégia potencialmente fornece uma métrica adicional que as partes interessadas poderiam usar para avaliar a provável realização de gerenciamento de resultados pela empresa.

2 ANTECEDENTES E HIPÓTESES DE PESQUISA

Modelos e conceitos de estratégia de negócios foram desenvolvidos para a identificação de tipos estratégicos organizacionais. Esta identificação ocorreu visto a necessidade de entender os tipos e o momento das decisões estratégicas tomadas para que as empresas se mantenham competitivas (Danjour et al., 2016).

A tipologia de Miles e Snow (1978) identificou quatro estratégias (prospector, defensor, analisador e reator) e representa uma tentativa de dar ímpeto ao estudo da estratégia do negócio. Miles e Snow (1978) detalham que as estratégias de negócios podem existir simultaneamente dentro das empresas e a tipologia da estratégia é dada através da mudança da organização em relação a seus produtos e mercados (Hambrick, 1983). Essas estratégias são posicionadas de maneira contínua, com prospectores de um lado e defensores do outro (Bentley et al. 2013).

As organizações prospectoras são pioneiras no desenvolvimento de produtos/mercados e tendem a oferecer uma linha de produtos em constante mudança. Competem principalmente estimulando e conhecendo novas oportunidades de mercado. As defensoras se envolvem em pouco ou nenhum desenvolvimento de novos produtos/mercados. Frequentemente, controlam nichos relativamente seguros em seus setores, competindo principalmente com base no preço, qualidade, entrega ou serviço. Os analisadores são do tipo intermediário. Fazem menos mudanças de produto/mercado, ou o fazem de maneira mais lenta, do que os prospectores. Além disso, estão menos comprometidos com a estabilidade e a eficiência do que os defensores (Hambrick, 1983). Na dimensão reativa não há abordagem organizacional clara, os projetos mudam com facilidade (Miles & Snow, 1978).

No entanto, apesar dos quatro tipos especificados por Miles e Snow (1978), este trabalho foca na tipologia prospectora (defensora), pois os analisadores também possuem tais características (prospector/defensor) e os reatores são considerados não estratégicos, conforme proposto por Martinez e Ferreira (2019) e Hsieh et al. (2019).

Empresas prospectoras tendem a ter mecanismos complexos de coordenação e comunicação, dependem de tomadas de decisão participativas e descentralizadas. Em grande parte, são moldados pela influência dos executivos de marketing e desenvolvimento de produtos (Miles & Snow, 1978; Hambrick, 1983; Simons, 1987). Empresas prospectoras ou inovadoras podem precisar de mais recursos para novos projetos. A exigência da necessidade de capital pressiona a administração a gerenciar os ganhos para atender aos requisitos dos analistas (Osma & Young, 2009). Portanto, as empresas prospectoras podem se envolver no gerenciamento de resultados para atrair mais capital (Cohen, Dey, & Lys, 2008).

Por outro lado, estudos mostram resultados opostos, ao concluir que os prospectores são menos propensos a se envolver no gerenciamento de resultados, porque as empresas prospectoras estão na fase inicial e têm uma ênfase mínima no lucro (Quinn & Cameron, 1983). Segundo Graham et al. (2005), a motivação para se engajar no gerenciamento de resultados geralmente é para aumentar o capital. Se uma empresa já possui recursos suficientes, há menos pressão para gerenciar os lucros. Além disso, Hsieh et al. (2019) apresentam que as empresas prospectoras são mais conservadoras, o que implicaria na menor realização do GR.

Miles e Snow (1978) sugerem que o objetivo estratégico dos prospectores é identificar e explorar novas oportunidades de negócios. Eles tendem a ter mais opções de crescimento e a crescer mais rápido que os defensores. Os prospectores confiam mais em fontes externas de financiamento para financiar seus extensos investimentos em P&D (Miles & Snow, 1978). Portanto, podem atrair mais intermediários de informações, como analistas e mídia, reduzindo a assimetria de informação. Podem implantar uma estratégia pioneira, desenvolver novas tecnologias e mercados e buscar constantemente oportunidades de negócios (Simons, 1987; Miles & Snow, 1978; DeSarbo et al., 2005). Seus esforços de marketing (por exemplo, publicidade) podem se concentrar em melhorar a visibilidade da empresa para obter vantagens competitivas. Desse modo, empresas prospectoras se preocupam com sua reputação. Visto seus esforços para o marketing positivo (Hsieh et al., 2019), se engajariam menos no gerenciamento de resultados.

Existem evidências de que uma maior qualidade da informação diminui a assimetria de informação entre os participantes do mercado (Kim & Verrecchia, 1994; Lang & Lundholm, 2000; Easley & O'hara, 2004). Isso permite que as empresas acessem o mercado de capitais com mais frequência (Frankel et al.,1995). Os prospectores podem ter maiores incentivos para reduzir a assimetria de informação com os provedores de capital para obter financiamento suficiente para P&D.

Alguns estudos também sugerem que empresas prospectoras podem sofrer menos com a assimetria de informação, devido a maior avaliação dos analistas e divulgações voluntárias, que reduzem a incerteza sobre o valor da empresa (Bentley et al., 2014; Bushee et al., 2019; Habib & Hasan, 2017). Desta maneira, tais empresas podem ser caracterizadas por um ambiente de informações mais transparente, o que pode levar a menor propensão de práticas de GR. Desta maneira, é formulada a hipótese deste estudo:

H1: A estratégia do negócio prospectora está negativamente relacionada com o gerenciamento de resultados.

Há uma vasta literatura que examinou os incentivos às práticas de gerenciamento de resultados pelas escolhas contábeis (Healy & Whalen, 1999; Dechow & Skinner, 2000; Soderstrom & Sun, 2007; Dechow et al., 2010; Kama & Melumed, 2020). Os administradores, quando incentivados por diferentes situações, recorrem a prática do gerenciamento de resultados. Dentre as diversas motivações para o GR destaca-se a alta alavancagem e o atendimento à previsão dos analistas. Desse modo, procurou-se testar o efeito da inclusão desses incentivos na análise sobre estratégia e GR.

Uma alavancagem mais alta pode ser indicativa de uma empresa que está mais próxima de uma restrição de covenants de dívida. Os gerentes de empresas mais alavancadas podem tomar medidas para aumentar a receita ou manipular as demonstrações financeiras para evitar violar um covenant (Watts & Zimmerman, 1986). Há evidências substanciais de que os níveis de endividamento estão associados a várias medidas de qualidade dos ganhos, incluindo escolhas de métodos contábeis para aumentar o lucro (LaBelle, 1990; Bartov, 1993).

Gu, Lee e Rosett (2005), analisaram a alavancagem financeira em razão do total de dívidas sobre o patrimônio líquido, e identificaram uma relação positiva entre a variabilidade da alavancagem e os accruals anormais nas empresas norteamericanas. Desta maneira os resultados, demonstram probabilidade de gestores utilizarem discricionariedade para fazer escolhas contábeis que melhorem os resultados das empresas (Barros et al., 2014).

Neste mesmo sentido, Schipper (1989) e Iudícibus e Lopes (2004) evidenciaram a relação entre os níveis de gerenciamento de resultados e a alavancagem. Para os autores as empresas mais endividadas apresentavam maiores níveis de gerenciamento de resultados, para gerar algum ganho privado. As empresas também tomam decisões reais para atender às previsões dos analistas (Hribar, Jenkins, & Johnson, 2006). Segundo Yu (2008) os analistas possuem influência significativa no comportamento dos investidores. Yu (2008) destaca que a informação em finanças e o conhecimento de mercado dos analistas permite acompanhar as demonstrações financeiras das empresas. Ainda, os analistas tendem a interagir diretamente com a gestão e levantar questões sobre os diferentes aspectos de números contábeis, sendo expetativas de resultados e fluxos de caixa das empresas (Martins et al., 2016).

Evidências sugerem que para atender ou superar tais previsões, empresas se engajariam na prática do gerenciamento de resultados (Dechow et al., 2010; Abarbanell & Lehavy, 2003). Ainda, algumas evidências sugerem que quanto menor o erro da previsão dos analistas, maior a prática de GR (Domingues & Nakao, 2017; Martins, Paulo, & Monte, 2016; Mota, Cunha, Oliveira, & Paulo, 2017). Dessa maneira elaborou-se a segunda e terceira hipótese de pesquisa:

H2: A alavancagem modera a relação entre a estratégia do negócio prospectora e o gerenciamento de resultados.

H3: A previsão dos analistas modera a relação entre a estratégia do negócio prospectora e o gerenciamento de resultados.

3 MÉTODOS E PROCEDIMENTOS DA PESQUISA
3.1 População e amostra

Este estudo englobou como população as empresas brasileiras listadas na [B]3 - Brasil, Bolsa e Balcão, no período de 2015 a 2019. Para a coleta dos dados utilizou-se a base de dados Refinitiv Eikon®. Optou-se em analisar o Brasil, visto que estudos anteriores apontam que as empresas brasileiras utilizam práticas contábeis pouco conservadoras, podendo indicar que os gestores adotam ações que impactam no fluxo da caixa a fim de evitar a violação das cláusulas de covenants (Silva, 2008; Duarte; Galdi & Damasceno, 2020), sendo válido a avaliação dos determinantes que levam a tais práticas.

Para a delimitação da amostra, excluiu-se as empresas que não apresentaram as variáveis necessárias (125 empresas) e aquelas pertencentes ao setor financeiro (42 empresas), por apresentarem características distintas em relação aos demais setores. Apesar deste estudo focar sua hipótese na estratégia prospectora, o modelo utilizado para classificar as empresas segundo sua estratégia, de Bentley et al. (2013), divide as empresas em prospectoras e defensoras (consideradas antagônicas pelo modelo). Desse modo, a amostra final do estudo consistiu em 148 empresas e 740 observações, a qual é apresentada subdividida entre os setores econômicos na Tabela 1.

Tabela 1
Amostra da pesquisa por setor econômico.

Nota: GICS: Global Industry Classification Standard; Período analisado: 2015 a 2019. Fonte: dados da pesquisa.

A Tabela 1 apresenta a distribuição da amostra por setor e estratégia mantida pela organização. As 740 observações consistem em 352 empresas do tipo prospector (Score > 18) e 388 empresas do tipo defensor (Score < 18). Consistente com Bentley et al. (2013) e Hsieh et al. (2019), o percentual de empresas que adotam as duas estratégias é semelhante em cada um dos setores.

3.2 Definições das variáveis
3.2.1 Estratégia do Negócio

Para a orientação estratégica usou-se a tipologia de Miles e Snow (1978), seguindo a metodologia de Bentley et al. (2013). O modelo de Miles e Snow (1978) justifica-se pelo fato de que especifica os relacionamentos entre estratégia, estrutura e processos que permitem a identificação das organizações com todos os elementos e a interação com seus ambientes. Além disso, aborda as atitudes dos gerentes em relação às políticas e ações dos gestores em relação à definição e implantação de estratégias.

Para o score de estratégia utilizou-se o modelo de Bentley et al. (2013), uma medida composta pela média dos últimos cinco anos consecutivos de seis variáveis: a) despesas em pesquisa e desenvolvimento; b) número de funcionários; c) variação do total de vendas; d) despesas gerais e administrativas; e) o desvio padrão do número total de funcionários; e f) instalações e equipamentos líquidos do ativo em relação ao total de ativos.

Em seguida, essas medidas foram classificadas por quintis, controlando-se o ano e o setor (código SIC de dois dígitos). Após classificar as seis medidas em quintis, as pontuações dos quintis foram somadas, de modo que as empresas pudessem receber uma pontuação máxima de 30 (quando a empresa se classificou no quinto quintil em todas as seis medidas) e uma pontuação mínima de 6 (quando a empresa se classificou no primeiro quintil em todas as seis medidas), criando-se assim um score (SCORE). Pontuações mais altas representam empresas com maiores características prospectoras, enquanto pontuações mais baixas representam uma estratégia orientada a defensores. Além disso, foi criada uma variável dummy (ESP = Estratégia Prospectora), que é igual a um se a pontuação for maior que 18 e zero, caso contrário, conforme proposto por Bentley et al (2013).

Bentley et al. (2013) propõem essa medida de estratégia de negócios baseada apenas em informações publicamente observáveis, baseada na literatura contábil (Ittner et al., 1997; Simons, 1987; Miles & Snow, 1978). Sua configuração da estratégia é constituída por prospectores (líderes de mercado inovadores, que buscam ativamente atividades de P&D e respondem rapidamente às novas oportunidades no mercado de produtos) e defensores (que tendem a manter um foco estreito e estável no produto principal existente).

3.2.2 Gerenciamento de resultados por Accruals

Os accruals totais (ACC) foram calculados pela diferença entre o lucro ou prejuízo e o fluxo de caixa operacional da empresa no período (Hribar & Collins, 2002), sob a ótica do balanço patrimonial.

Para a estimação dos accruals discricionários foi utilizado o modelo de Kothari, Leone e Wasley (2005), que é uma extensão do modelo de Jones (1991) e Jones Modificado (Dechow, Sloan & Sweeney, 1995) e inclui a variável ROA (retorno dos ativos) como explicativa para os accruals totais. Como neste estudo o ROA é uma variável de incentivo ao GR, optou-se por utilizar no modelo de Kothari et al. (2005) o ROA defasado. O modelo econométrico proposto pelos autores pode ser observado na Equação 1.

A C C i , t =   α +   β 1 1 A i , t - 1 +   β 2 R e c i , t -   C R i t +   β 3 I M O B i , t +   β 4 R O A i , t - 1 +   ε i , t [Equação 1]

Onde:

ACCit = accruals totais, calculado sob a ótica do Balanço, escalonado pelo At-1;

Ait = ativos totais da empresa i no período t-1;

∆Recit = variação das receitas líquidas, escalonado pelo At-1;

∆CRit = variação das contas a receber, escalonado pelo At-1;

IMOBit = ativo imobilizado bruto, escalonado pelo At-1;

ROAit = rentabilidade sobre o ativo do ano t, escalonado pelo At-1;

Ɛit = erro da regressão (proxy para o GR por accruals discricionários);

α,β1, β2, β3, β4=Coeficientes estimados da regressão.

O valor do resíduo gerado pelo modelo de Kothari et al. (2005) representa a medida de GR. A operacionalização do modelo foi realizada por setor e ano.

3.2.3 Variáveis de controle

Utilizou-se ainda um conjunto de variáveis de controle que podem influenciar o gerenciamento de resultados. A Tabela 2 sintetiza a operacionalização dessas variáveis.

Tabela 2
Variáveis de controle.

Fonte: Dados da pesquisa.

O índice market-to-book mostra a relação entre o valor de mercado da empresa e o valor contábil do patrimônio líquido. Reflete a expectativa do mercado em relação aos fluxos de caixa futuro. Além disso, o market-to-book é considerado um indicador que mede as oportunidades de crescimento das firmas (Hand, 2001).

Para Theodossiou, Kahya, Saidi e Philippatos (1996), o tamanho da empresa implica em diferentes comportamentos dos gestores, condições financeiras e requisitos regulatórios aos quais deve aderir, o que reflete no gerenciamento de resultados contábeis. Para Murcia e Wuerges (2011), empresas maiores tendem a maiores práticas de governança corporativa, o que implica nos níveis de gerenciamento de resultados.

No que se refere à idade da empresa, Khanh e Nguyen (2018) destacam que empresas mais velhas devem ser mais experientes em governança corporativa e possuem maior exposição a riscos de reputação. Portanto, eles seriam menos propensos a se engajarem no gerenciamento de resultados para defender sua reputação. Neste mesmo sentido, Gul, Fung e Jaggi (2009) demonstraram uma relação negativa entre a idade da empresa e o gerenciamento de resultados.

Ainda, como variável de controle, inseriu-se o risco de litígio. Este depende da probabilidade de distorções nos relatórios financeiros (Choi, Kim, Liu, & Simunic, 2009). Palmrose e Scholz (2004) demonstraram que o gerenciamento de resultados está associado positivamente ao risco de litígios.

3.3 Modelo empírico

Visando testar a hipótese da pesquisa, foi utilizada a Equações 2, por meio de regressões OLS (Ordinary Least Squares) com erros padrão robustos e controle de efeito fixo de ano e setor. Para a utilização do erro padrão robusto procedeu-se o teste de White, que possui como hipótese nula a homocedasticidade. No teste em questão, observou-se a rejeição da hipótese nula, evidenciando, consequentemente, que o modelo é heterocedástico. Diante de tal situação, uma das alternativas apontadas por Brooks (2014) é a utilização do modelo com erro-padrão robusto.

Todas as variáveis foram winsorizadas ao nível de 1% antes da operacionalização dos modelos. Realizou-se ainda o teste de normalidade Shapiro-Wilk, o qual demonstrou que os dados não são normais (Z = 6,565; z < 0,000) para GR, SCORE, MTB, ID e RL. Além disso, testou-se a multicolinearidade entre as variáveis, pelo teste Variance Inflation Factor (VIF), e a autocorrelação dos resíduos, pelo teste Durbin Watson, cujos resultados estão apresentados na Tabela 6. Os modelos empíricos apresentam-se nas Equações 2.

G R i t = α 0 + β 1 E S T i t +   β 2 V C i t + e f e i t o _ f i x o _ a n o t +   e f e i t o _ f i x o _ s e t o r t + ε i t [Equação 2]

Onde:

GRit = variável de gerenciamento de resultados por accruals da empresa i no período t;

ESTit = variável de estratégia (SCORE ou ESP) da empresa i no período t; SCORE = pontuação obtida com a aplicação do modelo de Bentley et al. (2013), variando de 6 a 30; ESPit = dummy para a empresa prospectora (SCORE > 18) no período t;

VCit = Variáveis de controle (tamanho da empresa i no período t; idade da empresa i no período t; risco de litígio da empresa i e market-to-book da empresa i no período t;

εit = erro da regressão.

Visto a existência de incentivos que impulsionam o gerenciamento de resultados, testou a influência da estratégia do negócio quando existe um ambiente de incentivo (alavancagem e erro da previsão dos analistas) para a prática do gerenciamento de resultados contábeis. Desta maneira, operacionalizou-se a Equação 3.

G R i t = α 0 + β 1 E S T i t +   β 2 E S T * A L A + β 3 E S T * P A N + β 4 V C i t + e f e i t o _ f i x o _ a n o t +   e f e i t o _ f i x o _ s e t o r t + ε i t [Equação 3]

A alavancagem (ALA) foi calculada pela divisão da dívida total pelo ativo total da empresa no ano fiscal. Para erro de previsão dos analistas (PAN), retirado da base de dados Refinitiv, utilizou-se uma dummy igual a 1 para erros classificados no primeiro quintil (erros menores) e 0 caso contrário.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Testes preliminares

Inicialmente apresenta-se a estatística descritiva das variáveis analisadas no estudo, demonstrada na Tabela 3.

Na Tabela 3 demonstra-se a estatística descritiva das variáveis utilizadas no estudo. O GR apresentou média negativa (-0,0007) para empresas prospectoras e positiva (0,0021) para defensoras. Isso pode revelar que as empresas defensoras apresentam uma tendência para utilizar o GR para aumentar os lucros reportados. O score para a estratégia do negócio apresentou média (15,83), semelhante ao estudo de Hsieh et al. (2019), estudo base para a estratégia do negócio. Cabe destacar ainda que o score médio das empresas prospectoras é significativamente maior do que o das defensoras, o que indica que os dois grupos (prospector/defensor) estão bem discriminados com base no modelo de Bentley et al. (2013).

Tabela 3
Estatística descritiva das variáveis da pesquisa.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários.. SCORE (EST): é a pontuação da estratégia: consultar o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. ALA: Alavancagem. ESP: Estratégia Prospectora. PAN: Previsão dos Analistas. RL: Risco de litígio. Fonte: Dados da pesquisa.

Em relação às variáveis de controle, o MTB apresenta média menor para as empresas defensoras em relação às prospectoras. Em média, as empresas prospectoras são maiores (TAM) e mais jovens. Cerca de 10% das empresas da amostra são classificadas como voltadas para um ambiente litigioso, 47,56% apresentam estratégia prospectora e 55,82% demonstraram erros menores na previsão dos analistas.

Em seguida, na Tabela 4 apresenta-se a Correlação de Spearman (eixo superior) e de Pearson (eixo inferior), para demonstrar a associação entre as variáveis e identificar se os dados demonstram problemas de multicolinearidade.

Tabela 4
Matriz de correlação de Spearman/Pearson.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. ALA: Alavancagem. PAN: Previsão dos Analistas. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.

A Tabela 4 demonstra as correlações de Spearman e Pearson entre as variáveis analisadas na regressão. Percebe-se que o GR possui correlação negativa com a estratégia prospectora (medida pelo SCORE) e com a idade (ID), o que indica que empresas com estratégia prospectora e mais velhas tendem a estar associadas a menores práticas de gerenciamento de resultados. Por outro lado, empresas de setores com maior risco de litígio (RL) apresentam-se associadas positivamente ao GR.

Os resultados demonstram que o SCORE da estratégia está positivamente correlacionado com o tamanho (TAM), o que indica que empresas maiores traçam diferentes estratégias para manter o negócio competitivo (estratégia prospectora), conforme demonstrado por Hsieh et al. (2019). Ainda, o SCORE está negativamente associado à idade da empresa (ID), sugerindo que empresas prospectoras são mais jovens que as defensoras.

4.2 Análise da relação entre estratégia do negócio e GR

Para testar a hipótese, realizou-se regressões lineares múltiplas (OLS), com erros padrão robustos para controlar problemas de heterocedasticidade, e com controle de efeitos fixos de setor e ano. Os accruals foram analisados em valores absolutos. Os resultados desses testes estão resumidos na Tabela 5, na linha (1) a variável independente ESP é a variável dummy (empresa prospectora), enquanto na linha (2) a variável independente SCORE é a pontuação da estratégia do negócio.

Tabela 5
Estratégia do negócio e gerenciamento de resultados contábeis.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. VIF: Variance Inflation Factor. Obs: Observação. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.

A variável de interesse para a estratégia do negócio é o SCORE (Pontuação da estratégia no negócio). Percebe-se que o coeficiente entre o SCORE e o GR é significativamente negativo ao nível de 5%, enquanto o coeficiente entre ESP e GR não é significante. O coeficiente negativo entre SCORE e GR sugere que empresas que adotam estratégia prospectora podem minimizar a prática do gerenciamento de resultados. Em termos econômicos, pode-se dizer que o aumento de um desvio-padrão no score da estratégia (SCORE) implica em uma redução de 117% no GR em relação à média ((4,6880 * -0,0002)/ 0,0008).

De maneira geral, os resultados da Tabela 5 suportam parcialmente a H1. Os resultados comprovam que as empresas prospectoras exibem menor prática de gerenciamento de resultados, quando avaliada a estratégia por meio do SCORE da estratégia do negócio.

Miles e Snow (1978) e Hsieh et al. (2019) sustentam que empresas prospectoras confiam mais em fontes externas de financiamento para financiar seus investimentos. Além disso, para Hsieh et al. (2019), empresas prospectoras buscam maior capitação de recursos e posição no mercado, preocupando-se com a sua reputação, o que justificaria os resultados encontrados.

Os resultados comprovam os apontamentos de Houqe e Kerr (2013) em que a qualidade dos lucros é influenciada pela estratégia de negócios porque as decisões de investimento fluem da estratégia de negócios. Ainda, Kong et al. (2020), revelam que as empresas possuem a capacidade de se adaptar conforme a estratégia de negócios, e essa decisão pode levar as empresas para remodelar o ambiente, e na alteração de procedimentos contábeis (Hsieh et al., 2019). Deste modo, conforme apontado neste estudo, a estratégia do negócio da empresa interfere nas práticas de gerenciamento de resultados.

Em relação às variáveis de controle, a idade apresenta relação negativa com o GR em ambos os modelos, confirmando os resultados da Tabela 4. Esse resultado indica que empresas mais velhas tendem a minimizar suas práticas do gerenciamento de resultados, embora o efeito seja apenas marginal (-0,0000). Além disso, verifica-se que a variável risco de litígio possui relação positiva com o gerenciamento, conforme encontrado nos estudos de Penman e Zhang (2002) e Palmrose e Scholz (2004).

Ao considerar que o GR não é motivado apenas pela estratégia do negócio, procurou-se, com base na literatura, incluir na análise alguns incentivos ao GR, a fim de testar seu efeito em empresas com estratégia de negócio prospectora. Na Tabela 6 são apresentados os resultados das interações entre a estratégia do negócio e os incentivos para a prática do gerenciamento por accruals.

Tabela 6
Incentivos, estratégia do negócio e gerenciamento de resultados contábeis.

Legenda: Beta: Beta Padronizado. GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. ALAV: Alavancagem. PAN: Previsão dos Analistas. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. EF S. e A: EF: Efeito fixo setor e ano. VIF: Variance Inflation Factor. Obs: Observação. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme percebido na Tabela 6, a alavancagem (ALA) mostrou-se positivamente relacionada ao GR (0,007** - Mod. 3). Quando analisada a interação SCORE*ALA (-0,0003**), nota-se uma relação negativa com o GR. Ao somar os coeficientes padronizados (0,157 - 0,126 = 0,31), observa-se um efeito apenas marginal da estratégia prospectora na relação entre alavancagem e GR. Infere-se, assim, que empresas mais alavancadas, que adotam uma estratégia prospectora, tendem a apresentar GR ligeiramente inferior às demais empresas alavancadas, mas, ainda assim, superior às empresas menos alavancadas.

No entanto, como esse resultado não foi observado para ESP, tal resultado deve ser encarado com cautela. Quanto ao efeito da estratégia prospectora na relação entre o erro de previsão dos analistas e o GR, nenhum resultado significativo foi observado.

O segundo teste de sensibilidade consistiu em separar os accruals discricionários positivos e negativos, visto que o gerenciamento de resultados por accruals pode ser utilizado tanto para diminuir, como para aumentar os lucros reportados. Os resultados são demonstrados na Tabela 7.

Tabela 7
Estratégia do negócio e gerenciamento de resultados por accruals discricionários - separados em accruals positivos e accruals negativos.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. EF: Efeito fixo. VIF: Variance Inflation Factor. DW: Durbin Watson. Obs: Observação. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.

O GR por accruals pode ser utilizado para gerenciar os lucros para mais ou para menos. No Painel A da Tabela 7, percebe-se que a estimativa do GR com a estratégia do negócio (ESP) é significativa e negativa para os accruals positivos (-0,0019; p<0,05), SCORE (-0,0002; p<0,05). Já no Painel B, percebe-se relação significativa e negativa apenas entre o GR e SCORE (-0,0002; p<0,01).

As evidências da Tabela 7 demonstram que as empresas prospectoras gerenciam seus resultados, tanto para aumentar como para diminuir os lucros reportados, em decorrência da significância estatística com accruals positivos e negativos. Isso converge com a discussão de Hsieh et al. (2019), de que empresas prospectoras se concentram na boa reputação, pois dependem do mercado para a implantação de novas tecnologias e estratégias pioneiras, o que implicaria na baixa realização do gerenciamento de resultados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo deste estudo consistiu em analisar o efeito da estratégia prospectora no gerenciamento de resultados por accruals (GR), usando uma amostra de empresas listadas na B3 no período de 2014 a 2019. A estratégia prospectora foi mensurada a partir da tipologia da estratégia de Miles e Snow (1978).

De maneira geral, os resultados apontam que empresas com estratégia prospectora apresentam menores práticas de gerenciamento de resultados, tanto para aumentar (accruals positivos) quanto para diminuir os lucros (accruals negativos). Desta maneira, conclui-se que tais empresas, as quais presume-se sejam mais inovadoras, identificam e exploram novas oportunidades de negócios, gerenciam menos os seus resultados. Isso pode sugerir que empresas prospectoras se preocupam com a sua posição no mercado e reputação, o que implicaria numa busca maior pela qualidade da informação contábil e redução das práticas oportunistas dos gestores.

Ao se incluir incentivos ao GR na análise entre este e a estratégia prospectora, observou-se, de maneira geral, que empresas mais alavancadas, que adotam uma estratégia prospectora, tendem a apresentar GR relativamente inferior. No entanto, ainda apresentam GR maior do que empresas menos alavancadas. Esse achado reforça a importância da análise dos incentivos como determinantes do GR. Ainda, sugerem que embora a estratégia prospectora possa diminuir o gerenciamento de resultados, ela não pode anular totalmente os efeitos de outros fatores sobre tais práticas.

O estudo contribui para a crescente literatura sobre gerenciamento de resultados e estratégia corporativa, demonstrando que a estratégia da empresa é um determinante do GR. Nesse sentido, um entendimento da associação entre estratégias de negócios e a prática de gerenciamento de resultados pode ajudar stakeholders, investidores e analistas. Os stakeholders podem identificar a estratégia adota pela empresa e, se necessário, ajustar mecanismos de controle interno para inibir práticas oportunistas de gestores. Os investidores, ao identificar o relacionamento entre a estratégia da empresa e o GR, podem ter melhores informações sobre as condições e os riscos da empresa. Os analistas podem incluir o tipo de estratégia de negócio da empresa em seus modelos de previsão, a fim ajustar suas estimativas sobre probabilidade de resultados gerenciados.

Como limitações do estudo, pode-se indicar o modelo de mensuração da estratégia prospectora. Embora comumente utilizado na literatura, trabalha com dados indiretos (contábeis), ao invés de se fazer uma análise in loco para se apurar a estratégia utilizada pela empresa. Outra limitação está no modelo de estimação de accruals discricionários. Ainda que o modelo de Kothari et al. (2005) seja largamente utilizado, estudos tem demonstrado certa inconsistência nas estimações de accruals discricionários entre diferentes modelos. Portanto, talvez a estimação feita por outro modelo possa conduzir a resultados diferentes. Além disso, o GR por accruals pode ser substituído ou complementado por decisões operacionais, conhecido como gerenciamento por atividades reais, o qual não foi analisado neste estudo. Por fim, uma limitação apresentada nos dados é a não normalidades dos dados.

Sugere-se então para estudos futuros a análise da estratégia do negócio por outros modelos, que utilizem outras variáveis, ou que seja capturado por meio de levantamento ou entrevistas. Além disso, pode-se empregar outros modelos de estimação de accruals discricionários, ou se utilizar de accruals específicos como proxy para o GR. Por fim, analisar a relação entre a estratégia prospectora e o gerenciamento por atividades reais também pode trazer novos elementos para esta discussão.

Supplementary material
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Notes
Author notes

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Tabela 1
Amostra da pesquisa por setor econômico.

Nota: GICS: Global Industry Classification Standard; Período analisado: 2015 a 2019. Fonte: dados da pesquisa.
Tabela 2
Variáveis de controle.

Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 3
Estatística descritiva das variáveis da pesquisa.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários.. SCORE (EST): é a pontuação da estratégia: consultar o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. ALA: Alavancagem. ESP: Estratégia Prospectora. PAN: Previsão dos Analistas. RL: Risco de litígio. Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 4
Matriz de correlação de Spearman/Pearson.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. ALA: Alavancagem. PAN: Previsão dos Analistas. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 5
Estratégia do negócio e gerenciamento de resultados contábeis.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. VIF: Variance Inflation Factor. Obs: Observação. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 6
Incentivos, estratégia do negócio e gerenciamento de resultados contábeis.

Legenda: Beta: Beta Padronizado. GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. ALAV: Alavancagem. PAN: Previsão dos Analistas. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. EF S. e A: EF: Efeito fixo setor e ano. VIF: Variance Inflation Factor. Obs: Observação. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.
Tabela 7
Estratégia do negócio e gerenciamento de resultados por accruals discricionários - separados em accruals positivos e accruals negativos.

Legenda: GR: Gerenciamento de Resultados por accruals discricionários. ESP: Estratégia Prospectora. SCORE: é a pontuação da estratégia: consulte o tópico 3.2.1 para obter detalhes da composição. MTB: Market to book. TAM: Tamanho. ID: Idade. RL: Risco de litígio. EF: Efeito fixo. VIF: Variance Inflation Factor. DW: Durbin Watson. Obs: Observação. Níveis de significância: * p<0,1, ** p<0,05, *** p<0,01. Fonte: Dados da pesquisa.
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