Geografia

Ser ou estar no lugar?: Um ensaio sobre espacialidades, memórias e identidades

Being or staying in place?: an essay about spatiality, memories and identities

Jéssica Soares de Freitas
Instituto de Estudos Socioambientais, Brasil
Maria Geralda de Almeida
Instituto de Estudos Socioambientais, Brasil

Ser ou estar no lugar?: Um ensaio sobre espacialidades, memórias e identidades

Acta Scientiarum. Human and Social Sciences, vol. 38, núm. 2, pp. 233-240, 2016

Universidade Estadual de Maringá

Recepção: 30 Março 2016

Aprovação: 08 Agosto 2016

Resumo: O presente trabalho tem por objetivo debater sobre o modo como se dá a relação do ser e estar no lugar e como essa relação pode ser compreendida na contemporaneidade. Para tal finalidade, considera-se memória e identidade conceitos essenciais para a compreensão do sentido e significado de lugar. Adota-se a abordagem cultural na geografia com viés pós-modernista da ciência para a elaboração de um texto de caráter teórico-metodológico. Desse modo, entende-se que, para o sujeito, a dialética entre lembrar e pertencer para com seu lugar é sempre viva e dinâmica, o que promove um devir criativo em seu mundo vivido. Ser e estar no lugar representam um amálgama de significações que dão complexidade à vida passada, presente e futura do sujeito.

Palavras-chave: Mundo vivido, sujeito, lembrança, pertencimento.

Abstract: This essay aims to debate about the way the relationship occurs between being and staying in place and how this relationship can be understood in the contemporaneity. To this end, memory and identity are considered central concepts to grasp the sense and meaning of place. By means of a cultural approach in geography, with a post-modern aspect of science, it intends to elaborate an essay of theoretical-methodological character using texts of diverse areas, promoting interdisciplinary thought. In this way, it is understood that, for the subject, the dialectic of remembering and belonging to its place is always alive and dynamic, so as to promote a creative devir in his/her lifeworld. Being and staying in place represents and amalgam of senses that give complexity to the subjects past, present and future life.

Keywords: Lifeworld, subject, remembrance, belonging.

Introdução

Refletir sobre a categoria lugar, no contexto da Geografia contemporânea, é também refletir sobre a relação do lugar com as mudanças técnicas e tecnológicas. As influências e transformações dos sujeitos na contemporaneidade modificam suas percepções e vivências no mundo.

Neste artigo, pretende-se elaborar uma discussão teórico-bibliográfica acerca do ser e estar no lugar, ou, mais comumente colocado, no/do lugar. Objetiva-se aprofundar a compreensão acerca da relação sujeito-espaço e das diferentes maneiras de se relacionar com o(s) lugar(es).

Para a Geografia, é fundante considerar as diferentes relações existentes no espaço, entendendo que cada sujeito é único e possui identificações outras, que intensificam suas relações com o mundo.

Em busca de resposta aos questionamentos e elaborações, a adoção de uma perspectiva pós-moderna da Geografia é essencial. Conforme delineado por Almeida (2013), indo ao encontro do que Boaventura de Souza Santos (2006) elabora sobre a pós-modernidade nas ciências, essa perspectiva permite abordagens transdisciplinares. Ao considerar as diferenças entre os sujeitos (transcendentes aos grupos), entende-se a complexidade do espaço geográfico.

Ao mesmo tempo, adota-se aqui uma abordagem cultural em Geografia, que tem se intensificado nos últimos anos, independentemente da linha metodológica escolhida (Claval, 2002). Aos que estão inseridos nessa ótica, cabe decifrar as (in)visibilidades e (in)tangibilidades das práticas cotidianas (Almeida, 2013). O devir científico permite debates mais ricos e profundos, a considerar o conjunto para além de suas partes separadas.

Deve-se levar em consideração as diferenças conceituais entre as áreas e entre os autores. Nessa perspectiva, na contemporaneidade, devido a enredamentos, tem sido progressivamente reducionista fugir de certo ‘ecletismo’, especialmente em obras de resgate e debate teórico.

Nessa conjuntura, o texto foi proposto em duas partes, na intenção de ser um ensaio no qual o debate principal se torna uma inquietação. A primeira tem como proposta elencar e discutir o arcabouço teórico da categoria lugar e dos conceitos de identidade e memória, tratando do modo como ambos são importantes para a(s) vivência(s) do/no lugar. Levamos em consideração alguns textos clássicos e outros mais recentes, sendo esses escritos por geógrafos ou por teóricos de áreas afins. Já na segunda parte, debate-se sobre a relação de ser e estar no lugar, norteados pelo debate anterior e em algumas hipóteses de como essas relações são na contemporaneidade.

Ser/Estar no lugar: na dialética do lembrar e pertencer

A discussão da categoria lugar é embasada primordialmente pela fenomenologia por geógrafos da corrente humanista, cujas discussões se iniciaram na década de 1970. Há também aqueles que pesquisam pelo viés do materialismo histórico-dialético, na corrente crítica da Geografia.

Nessa reflexão, a pretensão é decifrar a categoria lugar por um viés pós-modernista, de modo a transcender as diferenças rumo aos encaixes e às possibilidades de avanço para a discussão geográfica.

Para compreender o ser e estar no lugar, cabe decifrar, primeiramente, o lugar. Em uma das frases mais citadas sobre essa categoria, Tuan (2013, p. 167) proclama que “[...] o espaço transforma-se em lugar à medida que adquire definição e significado”. Entendemos, assim, que o lugar é mais íntimo do que a ‘abstração’ de espaço. Diferentes sujeitos podem dotar de significados, também diferenciados, o mesmo espaço.

O autor aponta que os lugares são derivados das experiências cotidianas e que evocam sentimentos tanto de topofilia (apego ao lugar) quanto de topofobia (medo/aversão ao lugar). O que evocamos do lugar são sentimentos diversos, sejam eles bons ou ruins. Comumente, o lugar é associado ao apego, de modo a esquecer dos conflitos e das tensões que possam existir nele.

Tuan faz uma profunda leitura da obra de Gaston Bachelard, inspirando-se nele para buscar em suas obras essa relação íntima entre o sujeito e o espaço. Para esse autor, “[...] o espaço habitado transcende o espaço geométrico” (Bachelard, 2008, p. 62). Em seus textos, Tuan desenvolve essa ideia, explorando os espaços vividos dos sujeitos para além do espaço visto, materializado. Isso se realiza em confluência temática a Buttimer (1997), que discorre acerca do mundo vivido dos sujeitos.

Na mesma direção desses autores, Karjalainen (2012, p. 5) aponta que o lugar “[...] é percebido como um conjunto de relações ambientais criadas no processo do habitar humano”. Esse habitar não se dá apenas na casa em si, mas no espaço em que o sujeito vivencia suas experiências, seu ‘mundo vivido’. Nesse sentido, Tuan, Buttimer e Karjalainen concordam com as ideias de Bachelard e delas elaboram definições acerca do lugar. As relações a que o autor se refere se dão na existência do humano, das afinidades que se dão no concreto e no fantasioso, em todas as instâncias do viver.

Seamon (2014, p. 11, tradução nossa), ao contribuir para a discussão acerca de lugar, discorre que, “Fenomenologicamente o lugar não é o meio físico separado das pessoas associadas com ele, mas o indivisível e normalmente imperceptível fenômeno de pessoa-ou-pessoas-experienciando-lugar”1. O lugar, segundo o autor, é tipicamente multivalente, complexo e dinâmico.

Na discussão fenomenológica, o lugar é mais que o sentido físico, literal. Ele se dá como um fator que é invisível e é modelado pelas relações humanas. Pela vivência e experiência de mundo de cada sujeito, a experiência de lugar não é estática, ela é viva e sempre reinventada.

Um pouco diferente das perspectivas de Seamon, Serpa (2013), reflete que o lugar pode ser compreendido como um acontecimento derivado da experiência humana. É nos lugares, argumenta, que se comunica com o mundo. Nesse sentido, Marandola Jr. (2014, p. 228) complementa ao concluir que “[...] é pelo lugar que nos identificamos, ou nos lembramos, constituindo assim a base de nossa experiência no mundo.”

Considerando a abordagem pós-modernista, entendemos que o lugar deriva do conjunto de experiências que o sujeito obtém ao longo de suas vivências a partir de seu habitar. A experiência é fundante para o lugar, pois com base nela compõem-se as expectativas futuras e remonta-se o passado, de modo a formar o(s) próprio(s) lugar(es). Essas ideias também surgem nas considerações de Relph (2014, p. 29),

Lugar é onde conflui a experiência cotidiana, e também como essa experiência se abre para o mundo. O ser é sempre articulado por meio de lugares específicos, ainda que tenha sempre que se estender para além deles para compreender o que significa existir no mundo.

O autor, ao abordar esse aspecto, dentre outros de lugar, mostra que a experiência é fundamental para o lugar tanto para existir nele quanto para (re)significar outro(s) lugar(es). Essa articulação que se dá entre o(s) lugar(es) é mais nítida na contemporaneidade, com as novas tecnologias e com as trocas/mudanças cada vez mais fluidas, como se pode perceber por meio das redes sociais, como facebook, twitter e outros.

Para Bailly & Scariatti (1999, p. 56, tradução nossa), “O lugar, o local, a casa, são todos centros nos quais procuraremos abrigo para definir a nossa existência em um vasto mundo”2. Os autores trabalham também com a ideia de seres-lugares, definidos pelo que é expresso nos lugares. Aqui há duas definições de lugar: no sentido físico e no sentido de determinado espaço dotado de significação.

De acordo com esse pensamento, o lugar é concebido como próprio, sendo comunicadas e compartilhadas informações sobre e com outros lugares. Por essa razão, afirma-se que o lugar deriva de experiências e nelas os sujeitos pautam-se ao constituir novos lugares. Algumas inquietudes situam-se nesse processo: Como as bases de lugar são compostas? Qual seria o lugar primeiro? Ou melhor, o lugar-referência?

Alguns autores, tais como Tuan (2013), Oliveira (2014), Buttimer (1997), Relph (2014), dentre outros, apontam que os sujeitos possuem, como uma das primeiras referências do sentido de lugar, a casa, o local de moradia primeiro, ou mesmo a terra natal, onde constituem os primeiros significados.

Conforme Tuan (2012, p. 144), “A consciência do passado é um elemento importante no amor pelo lugar”. Aqui, ‘amor’ pode ser compreendido para além do sentido literal e corriqueiro do termo, no sentido e significado que se dá ao lugar, sendo de apego ou desapego. Acerca dessa questão, pode-se refletir que a conexão com os lugares passados que são colocadas em lugares presentes e futuros é instigada pela memória.

A memória contribui para a ilusão de que o passado ainda é acessível graças à lembrança que faz revivê-lo (Candau, 2014). Considerando tal questão, de acordo com Lewicka (2014 p. 51, tradução nossa, grifo do autor) “Memória é uma ‘cola’ que conecta pessoas aos seus lugares. Entretanto, alguns tipos dessa ‘cola’ aparentam ser mais dependentes na duração do habitar que outras”3. A memória faz com que o lugar permaneça vivo no sujeito, mesmo que ele se tenha deslocado materialmente.

No cotidiano do sujeito, a memória é essencial. É nela que se mantêm capacidades e interações anteriores que vão auxiliar nas relações futuras, pois é importante lembrar que, de acordo com Nietzsche (2008, p. 71), “[...] aquilo que é memória também é percepção do novo. Não pensamento sobre pensamento”.

A memória, por meio da lembrança, como dito anteriormente, molda a concepção do passado e também as pretensões para com o presente e para com o futuro. Conforme Candau (2014, p. 16), “[...] a memória, ao mesmo tempo em que nos modela, é também por nós modelada [...]”, a memória (re)vive no devir. Ela se reinventa fundamentando-se nas experiências dos sujeitos.

As relações não se perdem no tempo e no espaço, se mantêm vivas enquanto o próprio sujeito as reproduz. Por vezes, em busca de novas perspectivas, ou mesmo necessidade (sendo forçada ou não), ele se desloca dos lugares de conforto para aqueles de conflito. De um modo ou de outro, sente a necessidade de buscar um lugar.

Nesse contexto, “Podemos mudar de lugar, nos desalojarmos, mas ainda é a procura de um lugar; nos é necessária uma base para assentar o Ser e realizar nossas possibilidades, um ‘aqui’ de onde se descobre o mundo, um ‘lá’ para onde nós iremos” (Dardel, 2011, p. 41 – grifo do autor). Dardel aponta uma acepção mais material de lugar, mas que, ao mesmo tempo, nos permite leituras das intangibilidades.

O lugar pode existir imaterialmente e, por isso, talvez a ‘insatisfação’ em busca de lugares nos quais os sujeitos se sentem pertencentes para além daquele que se materializa na memória. A função da memória, intensificada nos lugares “[...] é nos ambientar e reconduzir a nós mesmos e aos lugares seguros” (Silva, 2015, p. 30). É, também, com base no lugar, mais especificamente da memória produzida ‘no e pelo’ lugar, que os sujeitos (re)constroem suas identidades.

A querela acerca da memória é mais evidente em outros campos do saber. Na Geografia, ainda é pouco incluída nas reflexões e, assim, o debate está recente. Muitas vezes, há referências, também, à memória coletiva. No campo da filosofia, essa discussão se dá de forma complexa e por vezes questionável, já que cada sujeito possui faculdades mentais diferenciadas, como desejos e historiografias pessoais (Candau, 2014).

No entanto, pode-se falar de uma memória construída coletivamente, comum, mas não igual, em determinado grupo. Para pensar a identidade, essa ideia é importantíssima, já que a identidade de um determinado sujeito é constituída primordialmente na relação entre seu interior com o grupo no qual ele está inserido (Internalidades<>Externalidades). O par dialético memória e identidade, nessa concepção, é inseparável.

Para Candau (2014, p. 61), “Sem a memória o sujeito se esvazia, vive unicamente o momento presente, perde suas capacidades conceituais e cognitivas. Sua identidade desaparece”. Por isso, já dissemos que a memória é essencial para a concepção da identidade, assim como para modelar o lugar em que permanece e/ou vive.

De acordo com Chaveiro (2014, p. 275), em perspectiva mais materialista, nos lugares,

[...] o sujeito existe e o mundo mostra a sua identidade. Viver é, nessa condição, sentir o mundo, pensá-lo e exercê-lo com o corpo exposto ao movimento, isto é, ao tempo, como tempo, temporalizando ruas e bairros, esquinas, bares, instituições etc.

No caso, o autor associa o lugar à corporeidade, levando em consideração as ideias de Merleau-Ponty e Sartre.

Para Chaveiro (2014), a identidade é modelada principalmente pelo mundo. Pelo grupo em que o sujeito está inserido, por meio do corpo, vivenciam-se as principais relações colocadas e impostas pelo tempo e pelo espaço. Nos lugares, a identidade é (re)estabelecida e mostrada.

Considera-se que é no lugar que se dão os sentidos primeiros e é neles que os sujeitos acomodam e dão significados. O lugar, mesmo em seus múltiplos significados, é pensado juntamente com o sujeito, com sua vivência, em suas memórias.

Se é nele que se dão as relações entre o sujeito e o mundo, também é por ele que podem ser concebidas as significações de si mesmo. Cabe, portanto, discutir a identidade na dialética com a memória, na constituição do lugar. Conforme Marandola Jr. (2014, p. 229),

O tempo é vivido como memória, e por isso memória e identidade adensam o lugar. A memória é a experiência vivida que o significa, definindo-o enquanto tal. Não é à toa que pensar em lugar é mais fácil recuando no tempo: lugar de nascimento, lugar de lembranças, lugar de saudade, lugar de memória, lugar de identidade. Ele parece mais conectado a uma tradição, a uma experiência profunda de entrelaçamento com a terra. Um ritmo lento onde o sentido da permanência prevalece. Mas não apenas isso.

A identidade dá sentido e significado ‘pessoalizantes’ e ‘personificantes’ ao lugar. O que o sujeito lembra faz parte de si mesmo, do que ele é e de seu vir a ser. Dá sentido ao que atribui a ele mesmo e a seu lugar. Em completude a esse pensamento, Oliveira (2014) aponta que “[...] o sentido de lugar implica o sentido da vida e, por sua vez, o sentido de tempo” (Oliveira, 2014, p. 3).

O que o sujeito vive não está à parte no tempo, é dele que se extrai o que sentia no passado e sente no presente, mirando o futuro. O sentido de lugar, ou seja, a atribuição que o sujeito dá ao lugar coopera para a constituição do grupo, de sua identificação, de seu pertencimento a determinado grupo. Identidade essa que é arquitetada no lugar, de modo a possibilitar compreender em maior densidade o ser e estar no lugar.

Segundo Cruz (2007, p. 22), “A identidade não é uma essência: não é dado ou um fato fixo, estável, permanente e definitivo, nem tampouco é completamente coerente, unificada, mas sim instável, contraditória, inacabada e contingente”. A identidade é moldada por diversas relações e não se pode considerá-la de modo estático, pois os humanos são dinâmicos, constroem diferentes significados a todo o momento.

Hall (1997, p. 22) disserta que “Uma vez que a identidade muda de acordo com a forma como o sujeito é interpelado ou representado, a identificação não é automática, mas pode ser ganhada ou perdida”. A identificação com um grupo, ou com um determinado espaço no qual o sujeito está inserido, depende das experiências, dos gostos, do que o sujeito está a viver e pensar no momento.

Em relação ao que é identidade, Castells (1999, p. 22) argumenta que,

No que diz respeito a atores sociais, entendo por identidade o processo de construção de significado com base em um atributo cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, o(s) qual(is) prevalece(m) sobre outras fontes de significado.

Com isso, entende-se que a identidade também está relacionada às práticas, aos saberes e fazeres do grupo em que o sujeito está localizado.

Os três autores destacados abordam a identidade com ênfase, especificando as várias maneiras pelas quais ela pode ser observada e reproduzida, como a identidade territorial, por exemplo, em debate na geografia e em outras áreas do conhecimento. No entanto, a identidade também pode ser relacionada ao lugar, sendo constituída pela experiência de lugar próprio do sujeito que se reflete em seu grupo de inserção.

Conforme Candau (2014, p. 61), “[...] sem a memória o sujeito se esvazia, vive unicamente o momento presente, perde suas capacidades conceituais e cognitivas. Sua identidade desaparece.” A identidade depende da memória para se constituir, assim como a alimenta. Identidade e memória são vitais para a dialética do lembrar e pertencer constituintes na amálgama da construção do sujeito no mundo e de seu lugar de pertença.

Lembrar e pertencer (re)constroem o(s) lugar(es) do sujeito, o que ele vivencia e mesmo o que sonha. O sujeito, ao estar em um lugar, não necessariamente se sente daquele lugar e, por isso, ele faz uso das lembranças que o transportam para seu lugar, onde ele é. Essa dinâmica rica e complexa adensa o sentido e significado de lugar. No lugar, os sujeitos se adaptam, se conhecem, se identificam, mas também lembram e, no lembrar, por vezes, se transportam para outros lugares, para lugares que ainda estão neles, mesmo que tenham saído deles. O lugar está em devir e, assim, não é estático nem único. É relacional e complementa o sentido da vida.

Postas essas reflexões, compreendemos que o lugar é constituído também pelas relações que se dão no lugar. Essas relações são ricas e complexas, cheias de sentidos para aquele que está em meio a elas.

Destarte, é possível ‘ser’ e ‘estar’ no lugar? E ainda, existe, realmente, diferença entre ser do lugar e estar no lugar?

Ser e estar na sociedade contemporânea

Ao compreender a origem de certos termos, entende-se suas implicações e complicações ao serem aplicados em uma sentença. Por isso, compreender o texto em um todo é primordial. Linguisticamente, ser e estar possuem a mesma origem no latim. Sum pode significar tanto ser e estar como também existir, viver, morar e haver (Rezende, 2013). A organização no português facilita a compreensão e a diferenciação dos verbos, (re)significando a língua.

No caso em questão, em uma sentença, quando uma pessoa diz ser de determinado país ou cidade, ela se refere, por vezes, ao seu nascimento ou ao lugar de moradia anterior. Já, em outra sentença, diz-se que está em Gurinhatã-MG, por exemplo, referindo a moradia atual, momentânea, dela. As duas não são dicotômicas, podem ocorrer simultaneamente.

O sentido de ser e estar no lugar se mostra deveras intricado. Ser do lugar implica sentimento de pertença, de vínculos criados com aquele lugar. O primeiro lugar físico, como aquele de nascimento, nem sempre é o lugar próprio. O sentido de lugar aqui, como mostrado anteriormente, vai para além das linhas condicionadas e delineadas.

Em Bachelard (2008, p. 24), o autor dá significância particular para a casa que, segundo ele, “[...] é nosso canto do mundo. Ela é, como se diz amiúde, o nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos. Um cosmos em toda a acepção do termo.”. A casa, para ele, é essencial para a abertura do sujeito para com o mundo. Nela os sonhos, as lembranças, as imaginações são vivenciadas. Torna-se um ponto de referência para a construção de outras moradias, de outras experiências.

Na casa, também há o conflito, existem tensões; o que nela é vivido também se torna referência para a constituição do sentido próprio de lugar. Mas não é apenas na casa, ou no lugar de nascimento, que o sujeito é do lugar. ‘Ser’ do lugar implica pertencimento e, por vezes, a casa não faz parte desse sentimento. Afinal, não são incomuns casos de violência doméstica, seja essa verbal ou corporal, o que faz com que o lugar seja associado a traumas.

Estar, por outro lado, é mais uma questão de localização, seja momentânea ou não. Morar, constituir família, viver em um determinado espaço não significa necessariamente que o sujeito se sinta daquele lugar: eu ‘estou’ nele, mas ‘não sou’ dele.

Escobar (2000) argumenta que

O lugar continua sendo importante para a vida de muitas pessoas, talvez a maioria – ao menos, o lugar como uma experiência de uma localização particular com certa ligação com a terra, certo sentido dos limites e uma conexão com a vida cotidiana, inclusa sua identidade que se constrói continuamente, sem estar nunca fixada (p. 170, tradução nossa)4.

A elaboração de Escobar (2000) contribui para a discussão de modo significativo. É um lugar que o sujeito tem como referência. É fundante para sua conexão com outros lugares, com o mundo.

Habitar um espaço, assim como significá-lo, não tem uma fórmula específica nem momentos extraordinários. O que é importante nessa situação é a significação que o sujeito dá a determinados lugares. Na casa, há a moradia, o habitar. Mas e se ela perder o sentido para o sujeito? O espaço doméstico nem sempre é a fortaleza do humano, embora seja o núcleo simbólico da família.

Sobre migrantes, por exemplo, especialmente a imigração, Almeida (2009) discute acerca da vivência dos imigrantes brasileiros na Espanha e como esses migrantes vivem no que a autora denomina de ‘entre-territórios’ e ‘entre-culturas’.

Para além da discussão de território e cultura, frisa-se aqui a significância do lugar de origem para o sujeito que vive nesse complexo de entendimentos e mudanças. Ao sair de seu país natal, no novo país a construção identitária do sujeito entra em conflito com os lugares que lhe são estranhos. Sua cultura se modifica, assim como vários outros aspectos, porém alguns sujeitos demoram anos para se identificarem com o novo grupo no qual estão inseridos, ou mesmo nem acontece essa identificação. Eles apenas ‘estão’ nesse novo lugar.

Por outro lado, a memória, pelas lembranças, os desloca para o passado, para o lugar que eles consideram como seu, de onde eles ‘são’. Estar no lugar não significa ser dele. Essa dialética que se aparentava conflitiva dá novos sentidos ao lugar no momento em que compreendemos as invisibilidades do humano.

Por invisibilidades entende-se aquilo que não é exatamente visto, mas que existe e possibilita as compreensões dos saberes e fazeres dos sujeitos. O pensar, por exemplo, é invisível, virtual, mas se materializa em ações. E se pensássemos no que há por trás do visível?

Em Almeida (2013), a autora disserta acerca dos novos estudos que podem ser feitos pelos geógrafos culturais na perspectiva da pós-modernidade. Entre eles, destaca as invisibilidades, como a fé, o saber fazer de alguns produtos tradicionais bem como as diversas emoções sofridas por migrantes.

Nessa perspectiva, ‘ser’ e ‘estar’ no lugar implicam invisibilidades, pois indicam relações e processos para além da corporeidade e também em uma identificação mais sensível nos discursos dos sujeitos nos estudos dos geógrafos. O invisível e o intangível se fazem necessários para compreender o mundo físico, material (Almeida, 2013).

Voltando à discussão anterior sobre a relação dos migrantes brasileiros na Espanha, Almeida (2009) também discute a questão de a migração ser, por vezes, forçada, não necessariamente sendo feita voluntariamente. As condições nas quais os sujeitos vivem às vezes os deixam inquietos em busca de oportunidades que lhes parecem melhores, mesmo que nem sempre seja assim.

No entanto, não há a perda do sentido de lugar por haver tensões e condições que pareçam desfavoráveis para a reprodução da vida do sujeito. O lugar permanece vivo na memória, mesmo que seja ‘desconfortável’ às vezes; ainda assim, alguns lugares vão parecer mais seguros e afetuosos.

Concordando com Dardel (2011, p. 34) em relação ao fato de que “[...] a realidade geográfica exige, às vezes duramente, o trabalho e o sofrimento dos homens [...]”, entende-se que o viver no lugar também exige sacrifícios, mudanças. Nem sempre os sujeitos estão preparados para enfrentá-los, mas são necessários para o crescimento enquanto sujeito ativo no mundo.

Já em outro exemplo da relação de ‘ser’ e ‘estar’ com o lugar, Rishbeth (2014) descreve sua experiência de caráter experimental na cidade de Sheffield, localizada no norte da Inglaterra. Um grupo de pesquisadores, em parceria com a rádio BBC regional, entregaram gravadores para imigrantes de diferentes países.

A proposta era que esses sujeitos gravassem acerca de seus vínculos com o lugar de origem, levando em conta o que vivenciavam na cidade atual; aquilo que transmitia saudade, apego ou mesmo lembranças dolorosas. Esses lugares, por vezes, eram aqueles que evocavam lembranças do seu lugar de origem. Os sujeitos falavam de suas experiências no lugar enquanto rememoravam seu país natal, onde construíram relações que foram rompidas por necessidades que estavam para além de seus desejos.

O estudo realizado pelos psicólogos da equipe de Rishbeth decifra os vínculos com o lugar de maneira prática, na vivência e experiência compartilhada por vários sujeitos. Os vínculos com o lugar são considerados também, comparando com a cidade atual, com alguns lugares nos quais esses sujeitos se sentem bem, tais como parques, beiras de rios, ou determinada rua ao anoitecer.

Para Rishbeth (2014, p. 108, tradução nossa), “O papel da memória no vínculo ao lugar não é uma simples representação de nostalgia, mas uma forma de processo criativo que auxilia no engajamento entre o local e o transnacional”5. A memória transcende o sentimento nostálgico com as lembranças, é primordial para a ligação entre locais e, especialmente na contemporaneidade, para extrapolar as fronteiras físicas.

Esse experimento mostra na prática os sentidos de lugar. Ser e estar, em alguns casos, agem em conjunto e, quando isso ocorre, muitas vezes, há também sentimentos de satisfação profunda por parte do sujeito. As variáveis do ser e estar são múltiplas, dinâmicas e dependem do que é atribuído ao sujeito.

O ‘ser’ do lugar deriva em grande parte da identidade do sujeito, enquanto o ‘estar’ é uma construção da memória com a identidade. Penna (1992), por exemplo, ao discutir sobre as identidades nordestinas em São Paulo, aponta que os símbolos e as representações são importantes para a manutenção da especificidade do grupo, bem como de sua identidade.

Ao ‘estar’ no lugar, não se esquece das construções simbólicas que os sujeitos consubstanciam para se ‘sentirem’ do lugar. No exemplo do lugar São Paulo, as feiras nordestinas são maneiras pelas quais os sujeitos migrantes fazem delas um vínculo com o seu próprio lugar. Nelas, eles reproduzem sua cultura e seus regionalismos em meio às adversidades encontradas, geradas muitas vezes por preconceito do outro.

No entanto, essas ações não são suficientes para se sentirem pertencentes àquele novo lugar. Suas relações com ele talvez sejam incompletas, pois os símbolos não lhes bastam, faltando-lhes as pessoas, que são essências na constituição do lugar.

Compreendemos, então, assim como Berque (1987, p. 15, tradução nossa), que “A existência humana é isso e não menos que isso”6. A existência humana é um amálgama de relações, de vivência, e não menos do que isso. O existir já implica as relações do existir.

Na sociedade contemporânea, onde tudo é fluido, dinâmico, em que há a perda de identificações bem como de sentidos de pertença física, o ‘ser’ e ‘estar’ no lugar implicam outras vivências. Por meio das novas tecnologias da informação, parte da sociedade, em particular os mais jovens, pode, teoricamente, se sentir mais pertencente a outros lugares do que onde realmente está.

As rádios on-line, por exemplo, permitem que uma pessoa acesse uma rádio de qualquer parte do globo. Muitas pessoas preferem se conectar fora e não na rádio da própria cidade. O que ocorre, também, é aqueles que se mudaram, para ficarem conectados com um ‘pedacinho’ de suas origens, de seu lugar, ouvem por meio da internet a rádio de sua cidade quando esta está disponível em plataforma on-line.

As relações pessoais, nesse sentido, são mais complexas, os grupos digitais geram mudanças nas relações físicas, usando, por exemplo, o facebook, e os sujeitos que estão envolvidos nem sempre são conhecidos de modo mais pessoal. Como os lugares são feitos também de pessoas, elas são fundamentais na constituição do ‘meu’ lugar.

Terminando rumo ao eterno recomeço

As investigações geográficas sempre nos instigam. A ciência pede isso. O movimento das pesquisas, dos pensamentos, dos sentidos e significados que o próprio autor atribui intensifica a vontade de compreender o espaço no qual estamos inseridos. Na Geografia contemporânea, a categoria lugar se encontra nesse processo de intensificação de significados e de compreensões complexas, já que o próprio sujeito é complexo.

Conforme argumentamos neste ensaio, o lugar é uma amálgama de entendimentos, uns relacionados ao sentido físico e outros aos significados interiores, invisíveis. No entanto, um não anula o outro; pelo contrário, são complementares e experienciados pelos sujeitos em suas vivências. Além disso, o sentido de lugar do sujeito se modifica, é dinâmico, está em devir, intensificado especialmente pela memória.

Na memória, guardamos lembranças de tempos passados, de acontecimentos ruins ou bons, que nos modificaram ao longo da vida de modo a transformar nossa percepção de mundo, ocasionando reflexos para o futuro. Na memória, passado, presente e futuro estão unidos nas composições de lembranças que também moldam nossa identidade.

Mesmo que haja vários entendimentos do que seja identidade, é um consenso o fato de que nos identificamos perante grupos, lugares, territórios, dentre outros, de forma a nos moldar na condição de sujeitos sociais. A construção da identidade no e de lugar marca na memória o que somos e de onde somos.

Essa dialética entre memória e identidade não é dicotômica, se alimenta dentro do sujeito, e identidade e memória permanecem vivas. Ao perdemos nossa memória, ao esquecermos quem somos, perdemos nossa identidade perante o mundo, nossa função, nossas ideias anteriores. Por isso, o receio de nossa sociedade da perda da memória construída ao longo dos anos e a vontade de guardar as lembranças de modo físico. Convém repetir o nosso entendimento de que é por meio da memória e da identidade que constituímos nosso lugar, há conflitos internos ao mudarmos, ou mesmo ao perdermos a identificação com determinados lugares.

‘Ser’ do lugar implica identificação com o lugar, vínculos construídos, sentimentos de pertença, sentimentos que são íntimos ao sujeito. A casa, como muitas vezes é categorizada, pode ser considerada como nosso primeiro lugar, mas pelas diferenças entre os sujeitos e, por isso, a casa nem sempre é nosso canto de aconchego. Nem sempre nos consideramos pertencentes à cidade natal, por exemplo, não sentimos que ‘somos’ do lugar.

Nesse contexto, por vezes, apenas ‘estamos’ no lugar. O ‘estar’ no lugar implica algumas separações, modificação no sujeito. A migração é um dos exemplos mais clássicos. Nem sempre o migrante quer realmente sair de seu lugar, mas as necessidades que são impostas a ele falam mais alto. No entanto, nesse novo lugar, há a demora para a construção de novos laços ou mesmo isso nem ocorre. Pode-se dizer então que o sujeito ‘está’ no lugar, mas não ‘é’ do lugar.

O ‘ser’ e ‘estar’ no lugar, assim como a memória e a identidade, formam um par dialético. São conexos, inseparáveis e estão sempre se modificando. As condições são dinâmicas e são intensificadas justamente pela memória e pela identidade. O lugar, intrincado com essas diversas relações e sendo delas o produto, aglomera sentidos e significados que apenas os sujeitos que o vivenciam podem atribuir.

Destarte, frente às novas realidades contemporâneas, cabe alguns questionamentos para pensarmos o lugar, especificamente o ‘ser’ e ‘estar’ no lugar. Será que as facilidades de locomoção e comunicação ajudam a intensificar as relações do sujeito do/no lugar? E o sujeito do lugar? É possível que ele se sinta de outro lugar, mesmo que ele não o conheça fisicamente? Como se plasmam as novas relações pessoais e, por consequência, os sentidos do lugar? Tais questões servem para impulsionar o pensamento curioso do cientista geográfico para avançar nessas reflexões.

Referencias

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Notas

1 “Phenomenologically, place is not the physical environment separate from people associated with it but, rather, the indivisible, normally unnoticed phenomenon of person-or-people-experiencing-place”.
2 “Le lieu, la place, la maison, sont autant de centres vers lesquels on cherchera abri, afin de définir son existence dans un trop vast monde”.
3 “Memory is a ‘glue’ that connects people to their places. However, some types of this ‘glue’ seem to be more dependent on residence duration than others”.
4 “[...] el lugar continúa siendo importante en la vida de muchas personas, tal vez de la mayoría –al menos el lugar en tanto que experiencia de una localización particular con una cierta ligazón a la tierra, un cierto sentido de los límites y una conexión con la vida cotidiana, incluso si su identidad se construye continuamente, sin quedar nunca fijada”.
5 “The role of memory in place attachment is not a simple representation of nostalgia, but one form of creative process that aids engagement between the local and the transnational”.
6 “L’existence humaine, c’est jusqu’à cela, est pas moins que cela”.

Autor notes

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