Literatura
Pluralidade cultural na literatura infantojuvenil brasileira: Projeto Literatura em Minha Casa em questão
Cultural diversity in Brazilian children’s literature: The project Literatura em Minha Casa in question
Pluralidade cultural na literatura infantojuvenil brasileira: Projeto Literatura em Minha Casa em questão
Acta Scientiarum. Language and Culture, vol. 38, núm. 3, pp. 233-241, 2016
Universidade Estadual de Maringá
Recepção: 22 Janeiro 2016
Aprovação: 10 Maio 2016
Resumo: O objetivo deste artigo é buscar as representações de pluralidade cultural brasileira nas obras de literatura infantojuvenil do Programa Nacional Biblioteca da Escola [PNBE], nas edições de 2001, 2002 e 2003, anos do projeto Literatura em Minha Casa, em especial aquelas destinadas à 4 e 5ª séries do Ensino Fundamental. O estudo parte dos editais de convocação para inscrição das obras que diziam que as coleções deveriam “[...] apresentar-se como um pequeno retrato da cultura brasileira [...]” (Brasil, 2001; 2002; 2003, p. 12), entendendo essa cultura como marcada pela diversidade. Para tanto, a análise foi dividida em dois momentos: o primeiro, que trata de pluralidade étnica, e o segundo sobre cultura e regionalismo. Em linhas gerais, os resultados apontam que, dentre 120 obras analisadas, 15 apresentam pluralidade étnico-racial e 12 obras apresentam aspectos de regionalismos e culturas de diferentes lugares do Brasil.
Palavras-chave: políticas públicas de leitura, Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), cultura brasileira, representações.
Abstract: This paper intends to search for representations of Brazilian cultural diversity in children’s literature of the Programa Nacional Biblioteca da Escola [National Program of School Library] (PNBE), in the editions of 2001, 2002, and 2003, years of the project Literatura em Minha Casa [Literature in My House], especially those addressed to fourth and fifth grades of Elementary School. The selection criteria of works claimed that the collections should “[…] present a small picture of the Brazilian culture […]” (Brasil, 2001; 2002; 2003, p. 12), understanding that culture as characterized by diversity. Therefore, the analysis was divided into two phases: the first dealt with ethnic plurality and the second with culture and regionalism. In general, the results showed that among 120 works analyzed, 15 had ethnic-racial diversity and 12 works presented aspects of regionalism and culture from different parts of Brazil.
Keywords: reading public policies, National Program of School Library (PNBE), brazilian culture, representations.
Introdução
[...] A contribuição da escola na construção da democracia é a de promover os princípios éticos de liberdade, dignidade, respeito mútuo, justiça, equidade, solidariedade, diálogo no cotidiano; é a de encontrar formas de cumprir o princípio constitucional de igualdade, o que exige sensibilidade para a questão da diversidade cultural e ações decididas em relação aos problemas gerados pela injustiça social (Brasil, 1998, p. 129).
A pluralidade cultural é um dos temas transversais dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (Brasil, 1998). Esta se refere ao desafio de respeitar os diferentes grupos étnicos e culturas que compõem a população brasileira e mundial, para que se tenha o convívio dos diversos grupos e para que essa característica se transforme em um fator de enriquecimento cultural e valorização da própria identidade cultural e regional.
Todos os povos criaram modos de viver coletivamente, organizar sua vida política, se relacionar com o meio ambiente, trabalhar, distribuir e trocar as riquezas que produzem. Todos eles desenvolveram linguagens, manifestações artísticas e religiosas, mitologias, valores morais, vestuários e moradias. A pluralidade cultural indica, dessa maneira, um acúmulo de experiências humanas, que é patrimônio de todos os indivíduos.
Conforme destacam os PCN, “[...] a diversidade marca a vida social brasileira (Brasil, 1998, p. 125). Na escola, o grande desafio é o reconhecimento dessa diversidade como parte inseparável da identidade nacional e como uma riqueza que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, para que se supere qualquer tipo de discriminação e se valorize a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade.
O tema pluralidade cultural permite que os alunos conheçam suas origens como brasileiros e como participantes de grupos culturais específicos (Brasil, 1998, p. 137). Com esse conhecimento, os aprendizes passam a ter compreensão de seu próprio valor, o que promove sua autoestima como ser humano pleno de dignidade, contribuindo na formação de autodefesas e expectativas que lhes poderiam ser prejudiciais e ainda no desenvolvimento de atitudes de repúdio a práticas de discriminação e preconceito.
Neste artigo, objetiva-se buscar as representações de diferentes grupos brasileiros nas obras do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), nos anos de 2001, 2002 e 2003, anos do projeto Literatura em Minha Casa, em especial aquelas destinadas à 4 e 5ª séries (correspondentes ao 5 e 6º anos) do Ensino Fundamental. Nessas três edições, as obras foram distribuídas diretamente aos alunos, que receberam coletâneas para levarem para casa (Fernandes, 2007; Paula, 2010). Como fontes documentais para este estudo, consideram-se os editais de convocação para inscrição das obras do projeto que, conforme citado, diziam que as coleções deveriam “[...] apresentar-se como um pequeno retrato da cultura brasileira [...]” (Brasil, 2001; 2002; 2003, p. 12), sendo esta cultura marcada pela diversidade. Neste artigo, para uma melhor compreensão, a abordagem do assunto foi dividida em duas partes: uma que trata de pluralidade étnica e uma segunda sobre cultura e regionalismo.
Nessa perspectiva, Fernandes e Paula (2015) analisam os acervos do projeto Literatura em Minha Casa com o intuito de investigar a literatura considerada de ‘boa qualidade’ na seleção das obras para as compras governamentais nesses anos. Em Fernandes e Paula (2015), são estudados os critérios de seleção para as compras nessas edições, as obras repetidas, as editoras contempladas, os autores e ilustradores mais recorrentes nas obras, as temáticas mais frequentes e o espaço físico das histórias. Além disso, são apontados alguns elementos culturais e de regionalismos brasileiros presentes nos livros escolhidos para os acervos, assim como a questão do regional Sul-Mato-Grossense encontrado nas obras. No presente trabalho, o foco principal é a questão da pluralidade cultural representada na literatura infantojuvenil brasileira, tendo em vista as poucas pesquisas sobre esse assunto, dentre as quais se salientam Ferreira (2008) e Debus e Vasques (2009), e a relevância dessa discussão não somente para a área, mas também para a formação de leitores críticos que saibam conviver com as diferenças entre os seus semelhantes e respeitá-las.
Ferreira (2008) busca o modo como são representadas as personagens nos contos brasileiros no acervo do PNBE 2005, relacionando tais representações à pluralidade cultural nessas obras. A pesquisa mostra que as personagens analisadas são em sua maioria branca, adulta, do sexo masculino e de classe média, privilegiando a representação de apenas uma parcela da população.
Outra pesquisa, realizada por Debus e Vasques (2009), investiga seis títulos de literatura infantojuvenil publicados pela editora SM do catálogo correspondente aos anos de 2008/2009, que apresentam como tema a diversidade étnico-racial. As autoras pontuam que, dos 173 livros publicados pela editora, 20 revelam a presença da cultura africana e afro-brasileira, tendo sido escolhidos seis que são analisados no trabalho. Dentre os aspectos examinados, as autoras destacam, nas obras escolhidas como corpus, o lúdico e a fantasia na formação do leitor, assim como diferenças culturais apresentadas nas narrativas.
O presente trabalho se diferencia dos de Ferreira (2008) e Debus e Vasques (2009) por apresentar a análise de três acervos do PNBE, um total de 120 obras, e por analisar, além de questões étnico-raciais, alguns aspectos regionalistas na literatura infantojuvenil brasileira.
Pluralidade étnica
Desde que a crítica feminista desvelou os pressupostos políticos que dividiam espaço com os estéticos na instituição do cânone, um amplo movimento de releitura das questões sociais presentes na produção, circulação e interpelação dos textos literários começou a ser empreendido. No campo literário, esse movimento, que foi denominado por alguns de contracânone, buscou recuperar obras marginais ou silenciadas para dar voz a minorias, abrindo caminho para que diferentes imaginários fossem afirmados (Martins & Cosson, 2008, p. 35).
Conforme sublinhado por Martins e Cosson (2008) na epígrafe acima, em estudo sobre a questão política e estética étnico-racial na literatura infantil e juvenil no acervo do PNBE 2008, a literatura tem buscado dar voz às minorias. Os estudos culturais têm sido o principal responsável pela abertura de espaço para essas vozes silenciadas. Dessa maneira, o negro, o índio e outros grupos étnicos passam a ter seu espaço garantido no universo literário. O propósito aqui é o de verificar o espaço destinado a diferentes grupos étnicos do território brasileiro nas obras selecionadas para o projeto Literatura em Minha Casa e os papéis dessas personagens nas histórias.
Merece destaque Uma história de futebol, de autoria de José Roberto Torero (2001) e ilustrações de Glenda Rubinstein, novela que narra a história de Zuza e seus amigos - entre eles, Dico (conhecido hoje como Pelé) -, no início dos anos 1950. Nessa obra, parte do acervo de 2001, a capa apresenta pluralidade étnica: um menino branco e um negro. Na história escrita, não há referência para o fato de o amigo do personagem principal ser negro ou não. No entanto, logo nas primeiras páginas, o personagem - já que o texto é narrado em primeira pessoa - descreve as diferenças entre seus amigos: um alto, um gordo, outro japonês. Todavia, as imagens não são dadas ao leitor, que fica encarregado de preencher o espaço com uma figurinha, um desenho, ou nada, conforme informa o narrador da história.
A antologia De conto em conto, também parte do acervo de 2001, apresenta Festa, de autoria de Wander Piroli (2001) e ilustrações de Orlando. O conto se inicia da seguinte maneira:
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa e remendada, acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos de dez anos (Piroli, 2001, p. 51).
O personagem negro entra no bar com dois meninos, possivelmente seus filhos:
[...] Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo pela primeira vez na vida (Piroli, 2001, p. 51).
No fim, a refeição simples se torna um evento especial para os personagens e parece mudar suas vidas para sempre. Nessa obra, observa-se a presença do negro frequentando um bar pela primeira vez, provavelmente por dificuldades financeiras e, portanto, pertencente à classe menos favorecida.
O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais velho e o menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida.
Eles não têm pressa. O grande e seus dois meninos. E permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados naquela mesa (Piroli, 2001, p. 52).
Carta errante, avó atrapalhada, menina aniversariante é uma novela do acervo de 2001, de autoria de Mirna Pinsky e ilustrações de Patrícia Gwinner. Na história, o carteiro - Pedro Boné - é negro nas ilustrações, apesar de não haver alusão à etnia desse personagem no texto verbal, conforme mostra o trecho abaixo. Tem-se, na obra, a classe trabalhadora representada como negra.
Pedro Boné trabalhava nos correios há exatos vinte e dois anos. Já fizera de tudo por ali. Conhecia cada meandro daquela imensa agência central, na avenida São João, um dos locais mais movimentados de São Paulo. Fora faxineiro, carteiro, atendente de guichê, atendente de franquia, cuidara da seção de porte-pago, vale postal, sedex, telegrama e agora era uma espécie de superintendente que no fundo resolvia todos os abacaxis indefinidos (Pinsky, 2001, p. 08).
Na obra Deixa que eu conto, do acervo de 2002, de Lygia Fagundes Telles e ilustrações também de Orlando, o conto Dezembro no bairro apresenta negros na porta de um cortiço, novamente estereotipando o negro como pertencente à classe de baixa renda.
Saímos em disparada pela rua afora. O portão do cortiço estava apenas cerrado. Duas pretas gordas conversavam refesteladas em cadeiras na calçada. Empurramos devagarinho a portinhola carcomida. Entramos [...] (Telles, 2002, p. 28).
De autoria de Ana Maria Machado (2002) e ilustrações de Lúcia Brandão, a obra Do outro mundo, do acervo de 2002, narra a história de Mariano e seus amigos. O personagem principal é apresentado como um menino branco, enquanto seu amigo Léo é moreno. A ex-escr ava Rosário, que na narrativa se apresenta como um fantasma, amiga de Mariano, Léo e sua irmã, é a personagem negra que aparece na capa e tem a função de contar histórias para os demais personagens.
Integrante do acervo de 2002, O irmão que veio de longe, de Moacyr Scliar e ilustrações de Cárcamo, narra a história de uma família que, após a morte do pai - um indianista conhecido por seu trabalho na Amazônia -, descobre um segredo que este não lhes revelara: o pai havia tido um filho quando ainda era solteiro com uma índia da Amazônia e que morreu logo após o parto. O irmão índio vai morar com a família. As crianças brancas passam pela experiência de receber um novo irmão, que começa a ensinar muito de seus costumes e contar suas histórias para as crianças. No entanto, nem tudo é tão fácil e o menino enfrenta problemas na escola. A história trata de diferenças culturais e preconceito, com a família ajudando o menino indígena a superar suas dificuldades de inserção social, e este passando a fazer parte da família.
De autoria de Daniel Munduruku (2002) - escritor indígena da tribo Munduruku, que habita territórios diferentes nos estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso -, merece destaque por seus personagens indígenas O menino que não sabia sonhar, parte da antologia Conta que eu conto, do acervo de 2002.
Integrante do acervo de 2003, no conto A pele nova da mulher velha, também de Daniel Munduruku (2003), parte da antologia Conto com você, tem-se novamente o próprio indígena, trazendo para os textos de ficção questões de sua minoria.
No acervo de 2003, ressalta-se a peça Baile do menino de Deus, de autoria de Ronaldo Correia de Brito e Assis de Lima e ilustrações de Pinky Wainer, um clássico do teatro infantil nordestino do acervo de 2003. Trata-se de uma peça inspirada no auto popular de reisados, e conta a história de um grupo de brincantes que prepara uma festa de Natal. Na cena 10, a porta se abre para os Santos Reis do Oriente: um negro, um índio e um branco, representando a pluralidade étnico-racial brasileira em um tradicional conto de Natal.
Em Raul da ferrugem Azul, de Ana Maria Machado e ilustrações de Patrícia Lima, integrante do acervo de 2003a, o personagem Raul, entre outros problemas pessoais, não consegue encarar os meninos da rua e expressar sua opinião em relação às práticas de preconceito sofridas. Por isso, Raul passa a apresentar ferrugem azul, que apenas ele vê.
Na esquina, perto de casa, a turma batia papo. Raul deu uma paradinha. Bem a tempo de ouvir Alexandre contando o fim de uma história de assalto, correria, perseguição, um bando de pivetes...
– Ainda bem que consegui entrar no clube, passei pelo porteiro assobiando como quem não quer nada, disfarcei... E fiquei vendo pela grade, lá do lado de fora, os neguinhos todos parados, olhando. Até que cansaram de esperar, foram embora. E eu liguei pro meu pai me dar uma carona na volta do trabalho. Vê lá se eu ia arriscar sair dali sozinho quase na hora do jantar...
Márcio deu palpite:
– Ainda mais a noite... Preto no escuro a gente só vê quando chega pertinho...
Zeca começava também a contar sua história:
– Outro dia eu estava indo para a casa da minha avó e quando saltei do ônibus vi um crioulinho mal-encarado, parado na esquina... Fiquei logo de olho nele...
Raul nem conseguia prestar atenção na história. Na cabeça dele dançavam uns pedaços da conversa: Os neguinhos todos parados... preto no escuro... um crioulinho mal-encarado... Porque ninguém falava em branco no claro? [...] (Machado, 2003a, p. 19-20).
No desenrolar da história, Raul ainda pede ajuda ao Preto Velho, em um morro no Rio de Janeiro, que o ajuda a se livrar da ferrugem. Na obra, evidencia-se a valorização do negro, no auxílio para a resolução do problema do personagem principal.
Os alunos da professora maluquinha de Ziraldo Pinto, em Uma professora muito maluquinha, do acervo de 2003, apresentam diversas etnias, conforme a ilustração da sala de aula também de autoria de Ziraldo: com alunos brancos, negros e orientais. Tal representação retrata a diversidade presente na sala de aula brasileira.
Em Uólace e João Vitor, de Rosa Amanda Strausz e ilustrações de Pinky Wainer, também do acervo de 2003, as histórias de dois meninos são narradas de forma paralela. A apresentação da obra diz o seguinte:
Este livro fala de dois meninos.
Um, pobre, vivendo na rua, com sua mãe alcoólatra. O outro de classe média, protegido, frequentando a escola, com sua mãe atenta, carinhosa e interessada.
É claro que o mundo desses meninos é completamente diferente.
Mas, apesar do abismo que os separa, eles não são tão diferentes assim. Eles querem as mesmas coisas. Querem carinho e autonomia. [...] (Strausz, 2003, p. 3).
Na capa, a ilustração dos garotos dá maior destaque para o negro, que está com roupas velhas e com o olhar perdido, encostado em um poste. O branco tem uma mochila nas costas e usa óculos. Chama a atenção ainda para o fato de a ordem dos nomes não estar de acordo com a ordem das figuras de cada um, uma vez que o livro sugere histórias que se cruzam em determinados momentos por eles procurarem pelas mesmas coisas, tendo ambos os personagens igual importância na narrativa. Aqui, tem-se novamente o estereótipo do negro pertencente à classe de baixa renda.
Em Caçadas de Pedrinho, presente no acervo de 2003, Monteiro Lobato apresenta a diversidade étnica com a personagem tia Anástacia, ‘a preta velha’, também representada nas ilustrações de Le Blanc. Na obra, apesar de haver a personagem negra como pertencente à classe trabalhadora, esta se apresenta com um papel de destaque na narrativa, já que é a responsável por fabricar a boneca Emília, além de representar a sabedoria popular por meio de suas histórias.
‘A avó’, poema de Olavo Bilac, integrante da coletânea Poesia das crianças, obra do acervo de 2003, é ilustrado por Thais Linhares. Na ilustração - que também é capa da obra - a avó, branca, segura seus netinhos sentada em sua poltrona: trata-se de netinhos de diferentes etnias. O poema, publicado por Olavo Bilac, pela primeira vez na edição inicial de seu livro Poemas infantis, em 1904, no entanto, diz que os netinhos têm cabelos ‘doirados’, uma forma arcaica para ‘dourados’:
A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha!...
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.
[...]
Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus ‘cabelos doirados’ (Bilac, 2003, p. 36, grifos nossos).
Nessa representação, tem-se, portanto, uma diversidade étnica representada na figura que contradiz o texto escrito.
A linguagem da mata (Fittipaldi, 2003), antologia de contos sobre o folclore brasileiro do acervo de 2003, de autoria e ilustrações de Ciça Fittipaldi, traz na capa figuras de índios, colocando-os em posição de destaque, no que se refere ao folclore brasileiro.
Os meninos da Rua da Praia, de autoria de Sérgio Capparelli e ilustrações de Rodrigo Rosa, conta a história de Tiziu, Socó e Tonho, meninos que trabalham como jornaleiros e que encontram uma tartaruga roubada de sua ilha no Guaíba. Adotam o animal e mostram a ela a cidade de Porto Alegre, seu trabalho e a favela onde moram. A capa da obra apresenta personagens de diferentes etnias, branca e negra. No texto, também são apontadas essas diferenças, conforme o trecho abaixo, apresentando não apenas personagens negras pertencentes à classe de baixa renda, como também abordando a temática do trabalho infantil.
Pouco depois chegaram os jornaleiros. Isso ela não viu porque estava dormindo. Sentaram-se no degrau da loja. O mais velho, de uns dez anos, chamava-se Tiziu: magro e ossudo, seus olhos brilhavam muito, de um verde quase igual ao da tartaruguinha. Havia um outro, de cabelo pixaim e calção preto. Tremia de frio, com uma camisa muito rala em cima do corpo. Todo encolhido, esfregava as mãos para se esquentar. O terceiro, Tonho, ainda trazia alguns jornais para vender porque o dia não fora muito bom: freguês que é bom, neca! Devia ter uns oito anos [...] (Capparelli, 2003, p. 13).
A obra Do outro lado tem segredos, de autoria de Ana Maria Machado (2003b) e ilustrações de Gerson Conforti, narra os caminhos percorridos pelo menino Bino, personagem principal da novela, que ilustra a capa da obra como um rei africano, até descobrir o que há do lado de lá do mar, a África, de onde vieram milhões de seres humanos negros, como ele, vindos como escravos para o Brasil. Para saber de todas essas coisas, Bino é ajudado pela memória dos mais velhos, que ainda preservam as raízes africanas no jeito de falar, na religiosidade e também nas manifestações culturais, como a congada. Na história, a amiga de Bino, Maria, é índia. A obra apresenta a valorização das diferentes etnias como personagens principais, além do reconhecimento do protagonista sobre o continente africano e suas histórias, reconhecendo-se como parte deste.
No conjunto dos três acervos, compostos pelas 120 obras, foram encontrados personagens de diferentes etnias em 17 obras (aproximadamente, 14% do total do acervo analisado). No entanto, verifica-se que o negro é representado como pertencente à classe trabalhadora e de baixa renda em algumas delas. Chama atenção também o fato de 4 obras apresentarem diversidade étnica apenas na imagem, e, em um dos casos, o texto visual contradiz o texto verbal.
Elementos culturais e imagens de regionalismo
Diferentes povos se organizam de diversas maneiras. Desse modo, há variadas formas de se vestir, comer, trabalhar, contar histórias. Dada a grande extensão territorial de nosso país, o que ocasiona diversidade de climas, relevos, fauna e flora, além da diversa mistura de raças e culturas, é natural que o país apresente vasta pluralidade cultural. A literatura, que “[...] como toda arte, é uma transfiguração do real [...]” (Coutinho, 1978, p. 9-10), reconta e recria diferentes realidades culturais e regionais do país.
Em vista disso, o objetivo deste tópico é o de apontar os diferentes aspectos culturais e imagens de regionalismo do Brasil nos livros do PNBE nos anos do projeto Literatura em Minha Casa. Para tanto, considera-se o conceito de cultura proposto por Edward B. Tylor, pioneiro nos estudos sobre o termo do ponto de vista antropológico da forma como é utilizado hoje. Tylor definiu, em seu livro Cultura Primitiva, de (1920 [1871]), o conceito como todo o complexo que engloba conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou outros hábitos adquiridos por um indivíduo enquanto membro de uma sociedade. Assim, pretende-se examinar nos livros representações dessa natureza.
No que diz respeito ao regionalismo, parte-se da definição de José Maurício Gomes de Almeida, que afirma que a
[...] arte regionalista stricto sensu seria aquela que buscaria enfatizar os elementos diferenciais que caracterizariam uma região em oposição às demais ou à totalidade nacional (Almeida, 1981, p, 47).
Nessa perspectiva, considerou-se também a definição de Afrânio Coutinho (1966), que afirma haver duas possibilidades para o termo regionalismo. Uma primeira, ampla, que vê como arte regional aquela que apresenta como pano de fundo determinado lugar, ou quando a história parece emergir desse local. Ressalta o autor, no entanto, que a obra pode ainda se passar em um determinado local, mas tratar de um assunto universal, de modo que as particularidades do local seriam apenas acidentais. Já a segunda possibilidade para o termo, segundo Coutinho (1966), seria o sentido do regionalismo autêntico: a obra que não somente se passa em determinada região como também retira a sua ‘substância real’ do que há de particular nesse lugar. O autor define-a, em uma primeira instância, como aspectos ligados à natureza, tais como clima, flora e fauna; e em segunda instância, como costumes peculiares de determinada região, que a tornam diferentes das demais.
Em estudos recentes, Santos observa que:
[...] De modo geral, os estudiosos do regionalismo têm sublinhado cada vez mais a pertinência e atualização do regionalismo, que não se tornou categoria ultrapassada. De igual modo, um olhar reflexivo constata que o regionalismo stricto sensu é representado ainda hoje através das peculiaridades de uma dada região, vista em oposição às demais ou à totalidade nacional, seja em decorrência de um fundo natural - clima, topografia, flora, fauna, etc. - e principalmente pelo ‘como’ as maneiras de uma sociedade humana, numa dada região, a tornaram distinta de outra (Santos, 2008, p. 4, grifo do autor).
Neste artigo, procura-se apontar características culturais e regionais nas obras dos acervos estudados. Não se pretende, dessa forma, discutir se as obras são ou não regionalistas, mas sim buscar nelas representações de cultura e regionalismo dos povos que habitam o território brasileiro exclusivamente, com foco na diversidade de representações e na diversidade de experiências de leitura que estes podem proporcionar aos leitores.
Destaca-se a obra Historinhas Pescadas do acervo de 2001, que apresenta o conto Negrinho do Pastoreiro, de tradição gaúcha, recontada por Moacyr Scliar. Trata-se de uma lenda afro-cristã muito contada pelos brasileiros que lutavam pelo fim da escravidão no século XIX. A lenda é muito popular na região Sul do Brasil e no Uruguai. O autor introduz o conto, apresentando o Estado e sua história para os leitores:
Olhem para o mapa do Brasil. Na ponta do nosso país, lá perto da Argentina e do Uruguai, vocês vão encontrar o Rio Grande do Sul. Esse Grande Estado não fazia parte do Brasil, quando os portugueses chegaram aqui; foi conquistado aos espanhóis depois de muita luta. Os chefes dessa campanha vitoriosa dividiram entre si aquele território, e assim ficaram com enormes propriedades (Scliar, 2001, p. 93).
Em História de Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, do acervo de 2002, a história de Aladim é representada na arte folclórica popular nordestina da literatura de cordel por Patativa do Assaré - um mestre da poesia popular brasileira - e ilustrações de Fábio Sombra. A obra tem início da seguinte maneira:
Na cidade de Bagdá
quando ela antigamente
era a cidade mais rica
das terras do Oriente
deu-se um caso fabuloso
que apavorou muita gente
Nessa cidade morava
uma viúva de bem
paciente e muito pobre
não possuía um vintém
dentro de sua choupana
sem falar mal de ninguém (Assaré, 2002, p. 7).
No acervo de 2002, a obra Conta que eu conto traz O menino que não sabia sonhar, do autor indígena Daniel Munduruku (2002) e ilustrações de Mariana Massarani. O conto mostra palavras em manduruku, tais como: ‘uk’a’, que significa casa; ‘ixi’, que significa mãe; ‘musakta’, que quer dizer mandioca, entre outras.
No livro Simplesmente Drummond, do acervo de 2002, Carlos Drummond de Andrade apresenta algumas diferenças entre meninos cariocas, paulistas e mineiros, no poema Esplendor e Declínio da Rapadura:
Os meninos cariocas e paulistas
de alta prosopopéia
nunca tinham comido rapadura.
Provam com repugnância
O naco oferecido pelo mineiro
[...] (Andrade, 2002, p. 22).
Na obra Conto com você, do acervo de 2003, no conto A pele nova da mulher velha, também de Daniel Munduruku, são apresentadas outras palavras da cultura indígena:
Um dia, a mulher dormiu na sua ‘sixsú’ e teve um sonho que a encheu de alegria e de vontade de viver: sonhou que havia voltado a ser nova. Em seu sonho ela estava lindíssima, toda enfeitada com colares, pulseiras, brincos; estava pintada com as cores do urucum e do jenipapo; até mesmo um cocar ela usava (Munduruku, 2003, p. 38, grifos do autor).
Meninos da rua da praia, de autoria de Sérgio Capparelli e ilustrações de Rodrigo Rosa, do acervo de 2003, obra já citada pela diversidade étnica dos personagens, apresenta expressões de oralidade típicas do Rio Grande do Sul, tais como ‘bah’:
- Bobo olhando, bobo olhando, bobo olhando: escutaram a palavra mágica? Bah, agora que me lembrei. Estou falando a palavra errada. Esta é para pegar abobados como vocês e não para sair fogo da unha (Capparelli, 2003, p. 15, grifos do autor).
Ainda os personagens tomam chimarrão, bebida característica do sul da América do Sul. O mate, um hábito legado pelas culturas indígenas, é fortemente arraigado no Brasil, especialmente no Estado do Rio Grande do Sul. Na obra, o preparo do mate por um dos personagens é narrado:
A água ferveu na chaleira. O pai encheu a cuia preparada com a erva de chimarrão, chupou na bomba e entreabriu a janela. Cuspiu um verde da primeira sorvida:
- Esta erva é das melhores - disse, falando sozinho.
Pôs a chaleira sobre a mesa, do outro lado para não haver perigo de escaldar a tartaruguinha, e sentou.
- Maria! Ô, Maria!
- Hummm - veio debaixo das cobertas.
- O chimarrão tá pronto.
- Já vou [...] (Capparelli, 2003, p. 21)
A antologia Meninos e meninas, do acervo de 2003, o conto A história de José, de Sonia Robatto, apresenta traços da cultura do nordeste do país:
Mas a estrada...
A estrada chamava José.
Um dia José pegou suas coisas.
Mala pequena. Muda de roupa.
Pegou água. Pegou farinha.
Carne-de-sol pegou.
Falou com o pai.
Falou com a mãe.
Com os irmãos falou.
Fez festa no cachorro.
E lá se foi José (Robatto, 2003, p. 59,).
Em Puratig: o remo sagrado e outros contos, tem-se um conto narrado por um índio da Amazônia: Puratig, o remo sagrado, que dá nome à antologia, de Yaguarê Yamã (2003). A obra também apresenta peças de artesanato da cultura brasileira na capa, com uma arte popular feita pelos índios guaranis do litoral do estado de São Paulo.
A antologia Fazedores do amanhecer (Massi et al., 2003) reúne poetas em torno dos temas amor, natureza e animais. Em seus poemas, Thiago de Melo apresenta alguns animais da Amazônia, como a piraíba, peixe com o corpo coberto de couro e de coloração escura, e expressões como ‘ficar de bubuia’, que quer dizer ficar boiando, à flor da água.
Dois corações e quatro segredos: uma farsa poética é uma peça teatral de autoria de Beto Andretta e Liliana Iacocca, com ilustrações de Gilberto Miadaira, integrante do acervo de 2003, que apresenta diversas lendas da cultura popular brasileira (tais como mula-sem-cabeça e bumba-meu-boi). Além disso, a obra apresenta uma dança de origem indígena chamada ‘Caboclinhos’ (Andretta & Iacocca, 2003, p. 9).
Destaca-se, por fim, no acervo de 2003, a obra Histórias daqui e dali (Melo, Barbosa, & Éboli, 2003), que apresenta uma reunião de três textos de tradição popular. A lenda do Boi Bumbá é contada em Viva o Boi Bumbá, de autoria de Rogério Andrade Barbosa (2003) e ilustrações de Graça Lima. Trata-se de um texto sobre a cultura da região Norte, com informações sobre a origem dessa tradicional dança do folclore popular brasileiro, que gira em torno da morte e ressurreição de um boi.
Como se vê, os dados relativos aos aspectos de cultura e regionalismo nos acervos estudados mostram que os livros em questão trazem pluralidade cultural e aspectos regionais de diversas partes do Brasil. No balanço geral, das 120 obras analisadas, 12 obras (sendo 10% do total) trazem características regionalistas do nosso país. Dentre elas, ressaltam-se: 1 obra com representação ao Sudeste; 2 obras com aspectos da cultura da região Sul do país; 2 obras com aspectos da região Norte; 3 obras com aspectos da região Nordeste; 5 obras com representações indígenas sem a menção a um lugar específico; ausência de histórias na região centro-oeste do país.
Considerações finais
Neste artigo, pode-se verificar que a literatura infantojuvenil, nos acervos analisados, apresenta pluralidade étnica nas obras. Foi constatada a presença de personagens brancos, negros, índios e japoneses, apesar de estes nem sempre terem o mesmo espaço e representarem os mesmos papéis. Em relação à pluralidade cultural, foram encontradas imagens de diferentes culturas e aspectos regionais de diferentes partes do país, que, no entanto, aparecem em pequena proporção nas obras estudadas.
De modo geral, os livros escolhidos para os acervos do projeto Literatura em Minha Casa apresentam pluralidade étnica: nas 120 obras analisadas, foram encontrados personagens brancos, negros, índios e japoneses em 17 obras (aproximadamente 14% do total do acervo), como apresentado acima, apesar de estes nem sempre figurarem os mesmos papéis, com o negro representado como pertencente à classe trabalhadora e mais pobre em algumas delas. Realça-se o fato de 4 (Uma história de futebol e Carta errante, avó atrapalhada, menina aniversariante, do acervo de 2001; Uma professora muito maluquinha e Poesia das crianças, do acervo de 2003) apresentarem diversidade étnica apenas nas ilustrações, sendo que em uma delas (a ilustração referente ao poema A avó, de Olavo Bilac, integrante da coletânea Poesia das crianças, do acervo de 2003), o texto visual contradiz o texto verbal. É válido lembrar que o aspecto da diversidade étnica é importante não só para que leitores de diferentes etnias se vejam representados nos livros e nas histórias que leem, mas também para que passem a respeitar e conviver com as diferenças.
No que se refere à cultura e ao regionalismo, os resultados obtidos mostram que os acervos estudados trazem pluralidade cultural e aspectos regionais de variadas partes do Brasil. Ressalta-se a grande influência da cultura indígena no que diz respeito aos aspectos culturais do país. Nas 120 obras analisadas, 12 obras (sendo 10% do total) apresentaram algum aspecto de regionalismo brasileiro, conforme já dito. Dentre eles, evidenciam-se: 1 obra com representação do Sudeste; 2 obras com aspectos da cultura da região Sul do país; 2 obras com aspectos da região Norte; 3 obras com aspectos da região Nordeste; e 5 obras com representações indígenas sem menção a um lugar específico. Destaca-se, por fim, a ausência de histórias na região centro-oeste do país.
Para finalizar, observa-se certa representatividade da pluralidade cultural nas três edições do Projeto Literatura em Minha Casa, mas ao pensar na abrangência do PNBE para o acesso de acervos literários com qualidade em todas as escolas públicas do Brasil, conclui-se que a composição desses acervos no que diz respeito ao critério de seleção previsto nos editais revela alguns avanços no assunto em questão, no entanto ainda é pouco para a necessidade colocada no contexto atual. De fato, por um lado, os dados quantitativos obtidos na pesquisa indicam um percentual pequeno da pluralidade cultural brasileira em detrimento do predomínio de grupos dominantes brancos e de classe média, que representam apenas uma parcela da sociedade. Por outro lado, os dados qualitativos apontam para o espaço significativo da pluralidade cultural, ao assegurar a inclusão da diversidade e a valorização e o respeito pela alteridade e pela diferença, contribuindo com a formação de uma consciência social de leitores mais críticos e multiculturais.
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