Literatura

O inescapável conto do homem tomahawk

The inescapable tale of tomahawk man

Maria Alice Ribeiro Gabriel
Universidade Federal da Paraíba, Brasil

O inescapável conto do homem tomahawk

Acta Scientiarum. Language and Culture, vol. 38, núm. 3, pp. 261-270, 2016

Universidade Estadual de Maringá

Recepção: 29 Novembro 2015

Aprovação: 10 Maio 2016

Resumo: De acordo com a crítica literária contemporânea, O homem que fora consumido (1982, [1839]) representa uma das mais significativas sátiras de Edgar Allan Poe. Esse burlesque sugere muitas referências aos efeitos do contexto dos magazines na literatura da primeira metade do século XIX. O objetivo deste estudo é descrever, de forma breve, a influência da carreira de periodista de Poe no campo da ficção, precisamente nesse conto, segundo estudos de J. Gerald Kennedy, Jonathan Auerbach, Leonard Cassuto e Stacey Margolis, dentre outros.

Palavras-chave: literatura americana, identidade autoral, conto, periódico.

Abstract: According to the contemporary literary criticism The Man that was Used Up (1982, [1839]) represents one of the most significant satires of Edgar Allan Poe. This burlesque suggests many references to the effects of magazine context upon literature in the first half of the nineteenth century. The aim of this study is to briefly describe the influence of Poe’s magazinist career in the field of fiction, precisely in this short story, based on the studies of J. Gerald Kennedy, Jonathan Auerbach, Leonard Cassuto and Stacey Margolis among others.

Keywords: american literature, authorial identity, short story, magazine.

Introdução

Edgar Allan Poe foi used up em várias coletâneas prefaciadas por Harold Bloom. Poe não é um bom escritor, mas é ‘inescapável’, sentenciou em seu famoso ensaio (1984). Laconicamente, o crítico mencionou-o apenas três vezes em O Cânone Ocidental (1994), dedicando-lhe uma única frase: “Poe é demasiado universalmente aceito em todo o mundo para ser excluído, embora seu texto seja quase invariavelmente atroz” (Bloom, 2001, p. 280).

Na linguagem da imprensa do século XIX, ser used up equivalia a ter a reputação de autor ou celebridade desgastada por superexposição midiática, geralmente em notícias e resenhas nas quais sua imagem era analisada, aplaudida ou eviscerada (Margolis, 2015).

No plano biográfico, Rufus Wilmot Griswold empreendeu uma campanha difamatória contra Poe, exacerbada após a morte do autor. Inclusive, quis feri-lo ao redigir seu obituário, assinando-o com o nome de Ludwig, talvez prevendo futuras retaliações que ultrapassariam aquele momento. As relações entre ambos deterioram-se após Griswold publicar sua antologia The Poets and Poetry of America (Griswold, 1842). Em carta ao editor e amigo Joseph Evans Snodgrass, Poe usa o termo ‘fraude ultrajante’, referindo-se ao livro e, ‘sinceramente’, desejaria que Snodgrass pudesse exprobrá-lo: “Have you seen Griswold’s Book of Poetry? It is a most outrageous humbug, and I sincerely wish you would ‘use it up’” (Poe, 1842, citado por Hayes, 2000, p. 103, grifo do autor).

Em vida, Poe fez vários inimigos using up produções literárias e atuações no campo editorial. Os insultos entre Poe e Lewis Gaylord Clark, editor do Knickerbocker ou New-York Montly Magazine foram-se alternando nos jornais por muito tempo. Na sátira X... escrevendo um Parágrafo [X-ing a Paragrab, 1849] (Poe, 1978z), o personagem correspondente a Clark é um editor determinado e rancoroso. Outros contos de Poe parodiaram obras e personalidades de certo modo em evidência na cultura e na sociedade: editores, egiptólogos, militares, reformadores sociais, transcendentalistas, homens e mulheres de letras.

Nathaniel Parker Willis, mais tarde amigo e colaborador de Poe, tornou-se alvo de farpas após criticar o poema A ilha da fada [Fairy-Land, 1831] (Poe, 1969)e inspirou os personagens-chave dos contos O Duque de L’Omelette [De Duc De L’Omelette, 1832] (Poe, 1978l) e Leonizando [Lionizing, 1835] (Poe, 1978e).

Theodore S. Fay, editor do New York Evening Mirror, teve a novela Norman Leslie resenhada e used up por Poe no Southern Literary Messenger, em dezembro de 1835. Na ocasião, Poe julgou o estilo de escrita do autor indigno de um menino de escola: “As regards Mr. Fay’s style, its is unworthy of a school-boy”(Poe, 1835, p. 56). A reação de Fay não tardou, pelo New York Mirror de 9 de abril de 1836, com The Successful Novel!!, paródia à Leonizando (Poe, 1978e), burlesque sobre Benjamin Disraeli e N. P. Willis. Poe replicou com Mistificação [Von Jung, the Mystific ou Mystification, 1837] (Poe, 1978x), pelo American Monthly Magazine, porém, mais tarde, subtraiu referências a esta versão (Barger, 2008).

Arthur Hobson Quinn (1998) sublinhou outro aspecto de Leonizando (Poe, 1978e): a sátira aos métodos de publicidade espalhafatosa então ‘rampante’ e à assunção de eruditos de muitos campos ao posto de autores clássicos. Poe acrescentou, subtraiu e modificou essas referências em constantes revisões da história. A atual falta de carisma do conto ilustra o preço pago pelo autor que negocia com a contemporaneidade em espírito satírico.

A situação principal de O Rei Peste [King Pest, 1835] (Poe, 1978d) foi tomada do capítulo Palace of the Wines, de Vivian Grey - A Romance of Youth (1826), novela de Disraeli (2008). Quinn enfatizou a questão da referência à novela constituir não uma fonte, e sim um ponto de ataque. O débito de Poe com Disraeli residiria menos nas situações e mais no tom irônico com que o Lorde de Beaconsfield tratou a pretensão a altos postos e a artificialidade mundana. Quinn (1998) advertiu que discutir apenas as ‘fontes’ dos grotesques de Poe seria ignorar o propósito do autor ao escrevê-los. Portanto, Mistificação (Poe, 1978x) não se restringe a um significado pontual - o duelo verbal entre Poe e Fay - mas satirizaria rivalidades entre dramaturgos e novelistas da época.

Este artigo pretende centrar-se em aspectos históricos e literários do grotesque satírico O homem que fora consumido (Poe, 1982). O principal objetivo é ressaltar a conexão entre a função de crítico literário e a ficção de Poe.

A parte inicial consiste em uma sucinta revisão bibliográfica de O homem que fora consumido (Poe, 1982) no contexto de produção da obra. A segunda apresenta correlações entre o trabalho de Poe editor e ficcionista. A parte final discute, breve e comparativamente, temas dessa sátira encontrados em outras narrativas de Poe.

O homem que fora consumido pela crítica contemporânea

Nas duas últimas décadas, os estudos sobre Edgar Allan Poe têm privilegiado o contexto de produção de suas obras, enfocando aspectos históricos, identidade cultural, mercado editorial, nacionalismo, política e racismo. O homem que fora consumido: Uma história das velhas campanhas dos Bugaboos e Kickapoos [The Man That Was Used Up: A Tale of the Late Bugaboo and Kickapoo Campaign, 1839] (Poe, 1978q) compreende todos esses assuntos, além do tema da democracia jacksoniana e sua política de Remoção indígena. Uma linha de análise desses estudos, que se desenvolveu seguindo uma ramificação da vertente biográfica, vem discutindo a contribuição, o legado e a posição de Poe enquanto autor, editor e crítico literário. No intuito de esboçar um retrato de Poe no quadro da cultura americana, destacaram-se os trabalhos de Claude Richard, J. Gerald Kennedy, Kenneth Silverman (1991), Kevin J. Hayes, Meredith L. McGill (2003), Robert A. Beuka (2002), Shawn Rosenheim (1997) e Terence Whalen (1999).

Roberto Cagliero (1988) e Costanza Melani (2006) examinaram a repercussão das narrativas de Poe na cultura literária italiana moderna. Melani lembrou oportunamente a observação de Sergio Perosa com relação à existência histórica de um Poe dividido em dois: o que entusiasmou os franceses, de Baudelaire a Valéry, gerando ininterrupta fortuna crítica na Europa; e o americano, ainda sem o justo reconhecimento em sua pátria, “[...] fornitore di testi per l’incipiente mercato di massa [...]” (Perosa, 1985, citado por Melani, 2006, p. 233). Enquanto o primeiro é um escritor de elite, com estética e filosofia próprias, autor de contos de pesadelo e terror, imbuídos de uma perturbadora modernidade psicológica, o segundo é um escritor empenhado, conhecedor do mundo dos magazines, para os quais escreve cartas, artigos e histórias breves, captando a direção tecnológica da sociedade industrial.

De acordo com Melani (2006), a crítica italiana contribuiu para a elaboração de um perfil mais moderado de Poe, em relação ao entusiasmo apologético da corrente francesa e observações desfavoráveis à obra e imagem do escritor, expressas pela crítica da Nova Inglaterra. Essa contribuição ressaltou a mestria de Poe em domínios complementares: o dos contos imaginativos e visionários e o dos contos de lógica e raciocínio.

Jonathan Auerbach (1989) examinou o ‘eu’ ficcional de Poe, investigando a tensão firmada entre autor e narrador, e a duplicada tensão entre a primeira pessoa e aquele segundo ‘eu’ que assombra muitos contos do escritor. Embora Poe nunca expusesse por inteiro seus temores ao leitor, sugeria-os nas histórias sob temas explícitos. Em 1839, editor assistente do Burton’s Gentleman’s Magazine, Poe ainda buscava uma autêntica e intocável identidade profissional, que alcançaria o ápice com A queda da casa de Usher [The Fall of the House of Usher] (Poe, 1978n) e William Wilson [William Wilson] (Poe, 1978y). Porém, sua expectativa na capacidade do leitor de apreciar essa identidade atingiu o ocaso com a amarga sátira de O homem que fora consumido (Poe, 1982), publicada dois meses antes de William Wilson (Auerbach, 1989).

Eric Lysøe (2000) comparou o Príncipe Próspero ao criador de A Máscara da Morte Rubra [The Masque of the Red Death, 1842] (Poe, 1978r), prisioneiro de seu ‘palais-horloge’ e rodeado de comparsas encarnando um ‘confuse rêverie’. De feição mais complexa, o brigadeiro por distinção John A. B. C. Smith, reduzido, na intimidade, a um bizarro pacote, corresponderia ao que resiste do autor, tão logo o leitor interroga a máquina textual, pois os elementos impressivos de sua beleza não passariam de artifícios e próteses.

Da obra literária, uma vez analisada, recortada, subsistiria pouco mais que um traço do original, uma vaga lembrança do gesto engendrado. Assim, o conto desenvolve estreito paralelismo entre o corpo do general e o relato de sua vida. Do mesmo modo que o corpo do brigadeiro Smith foi mutilado, o narrador consegue recolher apenas partes de sua história.

Somente na presença do próprio Smith ele consegue a resposta definitiva. Ao representar o autor, o personagem de Smith designa igualmente a ação do leitor. Portanto, na acepção de Lysøe (2000), a responsabilidade do autor, implicada nos relatos difundidos pelos leitores a seu respeito, seria menor que a dos exegetas e intérpretes da máquina textual.

Jared Gardner (2000) incluiu O homem que fora consumido (Poe, 1982), em uma trilogia envolvendo A Narrativa de Arthur Gordon Pym [The Narrative of Arthur Gordon Pym, 1837] (Poe, 1984) e A Signora Psyche Zenobia [The Psyche Zenobia, 1838] (Poe, 1978u). São histórias com um narrador explicitamente americano, estupefato perante distinções - raciais e textuais - que é incapaz de apreender. O narrador de O homem que fora consumido (Poe, 1982), esquadrinha a verdadeira história de um ilustre combatente, apenas para descobrir que o ideal de sua busca é uma vítima desmembrada pela selvageria dos índios, um composto de próteses montado a cada dia por um vilipendiado escravo negro. Em vez do significado textual dos fatos, esses narradores encontram cenas em que corpos são, literalmente, destruídos pela diferença racial.

Sob a perspectiva do século XX, a cultura americana nos dias de Poe era fundamentalmente racista e, para Gerald Kennedy (2001), seria supérfluo para tal cultura empregar esforços no sentido de identificar e castigar fontes de escritos literários racistas. Jupiter e Pompey, estereótipos evidentes do escravo negro, sugerem que Poe compreendeu e, provavelmente, compartilhou atitudes sobre a inferioridade racial, amplamente difundidas também no Norte dos abolicionistas.

Robert A. Beuka (2002) distinguiu O homem que fora consumido (Poe, 1982) entre as sátiras mais mordazes e negligenciadas de Poe na atualidade, devido à exposição crítica das noções de identidade nacional, masculinidade e raça, além da paródia à elaboração e difusão desses conceitos na América jacksoniana. Já David Haven Blake (2002) orientou o foco de análise ao impacto público das histórias associadas ao tema indígena, tendo em vista a repercussão da campanha militar nos espaços sociais do conto.

Em resposta aos críticos que declararam Poe um escritor apolítico, com pouco a dizer sobre o Sul escravagista, Paul Christian Jones (2005) notou que a maioria dos personagens escravos descritos nos contos repete estereótipos dos romances sulistas. Em O homem que fora consumido (Poe, 1982), Pompey, o camareiro negro do brigadeiro Smith, é continuamente xingado por seu senhor. E responde murmurando desculpas aos abusos, embora Smith dependa em absoluto de Pompey para, literalmente, ser transformado no homem que corresponde às expectativas de uma sociedade aristocrática.

Semelhante aos escravos de A Signora Psyche Zenobia (Poe, 1978u), The Journal of Julius Rodman [1840] (Poe, 1984) e O escaravelho de ouro [The Gold-Bug, 1843] (Poe, 1978o), Pompey subsiste obediente e estoico em sua posição social. A face cômica da escravidão em obras de Poe velaria ansiedades reais sobre rebeliões de escravos, anteriores à Guerra Civil (Jones, 2005).

Thomas J. Otten (2006) estabeleceu um paralelo entre O homem que fora consumido (Poe, 1982), e A London Life (1888), de Henry James. Otten constatou uma ambiguidade latente em ambos os textos: não se distingue claramente a natureza real dos corpos, pois as matérias da consciência e da epistemologia desviam a atenção deles para um mundo exterior ao texto, frustrando o senso de referência do leitor. Logo, a cultura em que se produziram essas obras seria incapaz de precisar a linha divisória entre corpos e objetos. Assim, a diferença entre pessoas e coisas torna-se matéria de suspense ou hesitação. Quando o narrador de Poe finalmente depara-se com o corpo original, escalpelado e mutilado do brigadeiro Smith, este é pouco mais que um torso adornado com extraordinárias próteses.

Recorde-se que Richard Mentor Johnson sofreu ferimentos profundos em campo de batalha e teve partes do corpo substituídas por próteses (Leverenz, 2012). Entre as fontes de inspiração para o brigadeiro Smith, os críticos apontaram o general Winfield Scott (Meyers, 2000; Peeples, 2007) e o coronel Johnson, vice-presidente dos Estados Unidos (Levine & Levine, 1976). Ambos veteranos da Guerra anglo-americana de 1812 e condecorados por feitos militares nas Guerras Índias.

Outra fonte de análises de O homem que fora consumido (Poe, 1982), voltada aos imprevisíveis efeitos do avanço tecnológico na sociedade industrial, abrange os estudos de Klaus Benesh (2002). O autor fixou sua reflexão no argumento elaborado por Poe sobre a imagem cibernética da história e as relações entre autor, imprensa e mecanização da escrita. Nessa linha de investigação, Martin Willis (2006) situou O homem que fora consumido (Poe, 1982) ao lado da famosa tríade: Uma estória das Montanhas Ragged [A Tale of the Ragged Mountains, 1843] (Poe, 1978a), Revelação Mesmeriana [Mesmeric Revelation, 1844] (Poe, 1978h) e O caso do Sr. Valdemar [The Facts in the Case of M. Valdemar, 1845] (Poe, 1978m), contos voltados para os fins e os meios - sobretudo os da técnica - de sondagem dos limites da condição humana in extremis.

Francisco Pizarro Obaid (2011) abordou o tema da nerviosidad sob os critérios de composição de Poe. Trata-se do método sistemático e racional que predetermina um efeito em breve extensão; desacredita toda alusão a fontes de inspiração sublimes ou divinas e refuta a tradicional versão idealizada do poeta iluminado por força inefável. Obaid destacou a forma de expressão do narrador de O homem que fora consumido (Poe, 1982) e o efeito ominoso que lhe causa a revelação progressiva do corpo secreto do brigadeiro Smith.

Segundo definiu Peter Goodwin (2011), O homem que fora consumido (Poe, 1982) é sátira que ultrapassa a crítica aos ideais de humanidade jacksonianos. O conto anunciaria o núcleo da celebrada ‘invenção’ das histórias de detetive, atribuída a Poe. Investigando um cavalheiro irresistivelmente atrativo, a história propõe um mistério de conotação sexual no cerne da ficção detetivesca em estágio de formação. O impulso detetivesco origina-se do protagonista, fascinado pela perfeição física e, para Goodwin (2011) e Bárbara Cantalupo (2001), esse detalhe põe em xeque a identidade masculina do narrador.

O estudo de Stacey Margolis (2015) abrange, além de Poe, as obras de Charles Brockden Brown, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Fanny Fern, Harriet Jacobs e James Fenimore Cooper. Margolis definiu uma literatura específica surgida no século XIX, capaz de oferecer não um modelo de ação política, mas o retrato complexo do público da esfera democrática e uma análise de suas intrincadas transformações sociais. O ideal coletivo de uma democracia é elaborado por um discurso político explícito e por um discurso difuso, informal, espargido de forma socialmente desorganizada.

Algumas ficções apreendem as aspirações das efêmeras redes sociais que divulgam esses discursos, mas não fantasiam uma figura indicada para ocupar o espaço vazio destinado ao poder, no sentido de uma reforma política. O homem que fora consumido (Poe, 1982) seria um exemplar da criação de correlativos formais, representativos de ações - não necessariamente - coletivas, e da transcrição literária do poder deferido e disperso pelo público democrático (Margolis, 2015). Apesar de seu valor, o conto permanece esquecido por leitores e tradutores no Brasil.

O homem que fora consumido pelo ‘homem tomahawk’

O homem que fora consumido (Poe, 1982) teve sua primeira publicação em agosto de 1839, pelo Burton’s Gentleman’s Magazine. Gerald Kennedy (2006) recorda que o ano foi prolífico para o acervo literário de Poe, com O diabo no campanário [The Devil in the Belfry] (Poe, 1978k), publicado em maio, no Philadelphia Saturday Cronicle, seguido de A queda da casa de Usher (Poe, 1978n), em setembro, William Wilson (Poe, 1978y), em outubro e Colóquio entre Eiros e Charmion [The Conversation of Eiros and Charmion] (Poe, 1978j), em novembro, todos pelo Burton’s Magazine, editado por Poe. O ano é também lembrado pela publicação da coletânea Contos do Grotesco e do Arabesco [Tales of the Grotesque and Arabesque, 1840] (Poe, 1840).

As sátiras de Poe compõem estreito diálogo entre a ficção e o trabalho de crítico, estendido ao circuito formado por autores, corpo editorial e público, segundo atestam Perda de fôlego [Loss of Breath, 1832] (Poe, 1978f), A Signora Psyche Zenobia (Poe, 1978u) e Mellonta Tauta (Mellonta Tauta, 1849) (Poe, 1978g). Os narradores destes contos, similares ao protagonista de O homem que fora consumido (Poe, 1982), são cronistas e guias cegos movendo-se feito sombras entre bizarrices do senso comum. A insensatez da opinião pública parodiada nessas narrativas reveste-se de ironia mais cruel que os atos exteriores de violência – ou overkill – fruto da (in)sensibilidade mórbida de narradores como Egeu, em Berenice (Berenice, 1835) (Poe, 1978b).

Leonard Cassuto (1999) assinalou que, se hoje Poe é denominado pai do horror moderno, em seu tempo, era mais conhecido por tomahawk man, à Alcunha devida menos à excentricidade do ficcionista que à hostilidade do crítico. Enquanto os magazines prosperavam às custas de uma onda de clássicos britânicos, incluindo novelas de Walter Scott, Daniel Defoe, Charles Dickens e de seletos autores americanos com renome suficiente para vender livros, dentre os quais Washington Irving e James Fenimore Cooper, Poe seguia conjugando “‘[...] the gruesomeness of his fiction’ e ‘his savagery as a critic [...]’” (Cassuto, 1999, p. v, grifo nosso) a uma vida financeira perpetuamente precária (Ostrom, 1987).

As preocupações e obsessões do Poe editor e ficcionista estão equiparadas, no sentido do esforço por reconhecimento nas duas frentes, buscando assegurar-se dos direitos autorais em um período hostil para os escritores americanos (Cassuto, 1999). Quanto às funções de autor, crítico, publicista, resenhista e editor do Messenger, acumuladas de 1835 a 1837, vale o adágio do narrador de Dom Casmurro (1900): “[...] hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca” (Assis, 1978, p. 346). Nesse tempo, notou Dawn B. Sova (2007), Poe consumiu seus dias entre a correspondência, a crítica literária e o trabalho editorial, dedicando menos tempo ao ofício criativo de escritor.

O universo (jornalístico, literário e publicitário) dos magazines era vitrine manipulável e, certamente, Poe estava alerta para a existência de reputações artificialmente ‘manufaturadas’. Ele escreveu muitas histórias sobre o tema, mas para Scott Peeples (2007), a melhor é O homem que fora consumido (Poe, 1982), por literalizar a fabricação de um mito. A política editorial da época não só forjou, mas inflacionou o conveniente mercado de reputações postiças da sociedade e cultura jacksoniana.

Poe descreveu os diversos modos de imbricação dessa política, o que é possível observar desde Perda de fôlego (Poe, 1978f), Leonizando (Poe, 1978e), A Signora Psyche Zenobia, mais tarde intitulado Como escrever um artigo à moda Blackwood [How to Write a Blackwood Article, 1838] (Poe, 1978u), passando por O homem que fora consumido (Poe, 1982) até A vida literária do Exmo. Sr. Thingum Bob [The Literary Life of Thingum Bob, Esq, 1844] (Poe, 1978p). A preocupação de Poe com questões sobre anonimato, direitos autorais, plágio e propriedade intelectual foi discutida por John Ward Ostrom (1987), Leonard Cassuto (1999), Terence Whalen (1999), Meredith L. McGill (2003) e J. Gerald Kennedy (2006). De acordo com os autores, essas questões permeiam-lhe a correspondência e textos críticos de maneira tão explicitamente agressiva quanto se pode ler nas sátiras, sem poupar referências diretas. Sobre o poeta e abolicionista James Russel Lowell, disse que merecia ‘a good using up’ (Poe, 1966, p. 428).

Em 1836, através de resenha publicada pelo Southern Literary Messenger, Poe ‘used up’ o editor, escritor e jornalista Willian Leete Stone, o ‘Colonel Stone’, autor da novela Ups and Downs in the Life of a Distressed Gentleman (Levine & Levine, 1976). Segundo Kevin J. Hayes (2000), a crítica fechou inúmeras portas e nenhum jornal poderia receber Poe de braços abertos. Stone era editor do Commercial Advertiser e reagiu publicando que a maioria das notícias críticas do Messenger era de origem difamatória e leviana.

Enquanto editou e colaborou com o Burton’s Gentleman’s Magazine, a dez dólares por semana, embora William E. Burton diminuísse a publicação de resenhas ferinas, Poe recorreu, mais de uma vez, ao expediente de ‘using up’ escritores medíocres, tática que atraía publicidade. Os contos publicados no periódico de Burton, incluindo O homem que fora consumido (Poe, 1982) e A queda da casa de Usher (Poe, 1978n), conquistaram a admiração de autores como Washington Irving. O fato ratificou a importância da ficção de Poe e, para Gerald Kennedy (2006), foi decisivo na publicação de Contos do Grotesco e do Arabesco (Poe, 1840), pela Lea & Blanchard, da Filadélfia.

Poe denunciou alianças ilícitas entre autores, críticos e editores. Paradoxalmente, combateu a prática indiscriminada de revisões, crucial ao mercado editorial em expansão, ciente de que a publicação de uma obra literária dependia da popularidade do autor, e vice-versa.

O homem que fora consumido por histórias de Bugaboos e Kickapoos

Poe ajudou a fixar uma nova palavra na cultura americana - magazinist - para descrever a recente atividade literária do profissional jornalista, que rapidamente adquiriu influência no mundo anglo-americano das letras no século XIX. Formado pelos gostos da classe média, leitora dos meios de circulação em massa, o magazinist bem-sucedido, equivalente a Nathaniel Parker Willis, devia transformar-se, com igual facilidade, em contista, ensaísta, paragraphist (redator de pequenas notícias) e poeta, explicou Auerbach (1989), evocando o memorável estudo de Walter Benjamin (1936). O homem de província, tradicional narrador de histórias, convertia-se na monótona cópia do magazinist, autor de si mesmo - processo analisado com aguda percepção por Benjamim.

Poe não se tornou uma celebridade tal qual N. P. Willis, personificação, por sua literatura de viagem e carisma, do narrador cujo saber vinha de longe, de outras terras, descrito por Benjamin (1994). Os hoaxes de Poe, embora narrando viagens fantásticas, não estavam identificados com uma figura masculina exótica e romântica, o que Willis fizera de si para muitos leitores.

April Selley (1990) e Peter Goodwin (2011) abordaram as narrativas de Poe pela perspectiva do desejo. Selley notou uma sátira aos incapazes de concretizar o desejo da volição profissional em Perda de fôlego (1978f), Como escrever um artigo à moda de Blackwood, O Enterramento Prematuro [The Premature Burial, 1844] (Poe, 1981) e Pequena discussão com uma múmia [Some Words with a Mummy, 1845] (Poe, 1978i).

Os protagonistas desses contos perdem funções vitais e partes do corpo: Lackobreath perde o alento, Zenobia é decapitada, o narrador de O Enterramento Prematuro imagina-se sepultado vivo e Alamistakeo é embalsamado por 5050 anos. São emblemas da falta de esperança de Poe nos ‘filisteus’ e indivíduos guiados por obsessões. Selley citou a transformação de apenas um protagonista: o narrador de O Enterramento Prematuro. Purgado de sua condição doentia, ele renuncia aos “[...] bugaboo tales – such as this” (Poe citado por Selley, 1990, p. 96). Não li mais os ‘Pensamentos Noturnos’, nem aranzéis a respeito de cemitérios, nem histórias de fantasmas ‘como esta’ (Poe, 1981, p. 192, grifo do autor).

O homem que fora consumido (Poe, 1982) não é um conto noturno. Bugaboo popularmente significa o que inflige medos obsessivos ou aversão. A nação Kichapoo combateu na Guerra de 1812, migrando para o Texas após 1820. É provável Poe ter associado os dois termos para interligar, satiricamente, o conceito hiperbólico de bugaboos ao terror inspirado por relatos sobre os Kickapoos. A memória coletiva sempre transpôs fatos históricos ao domínio do mito em tempos de crise. As façanhas bélicas do brigadeiro Smith moldaram-lhe uma imagem menos épica que legendária e consignada às histórias extraordinárias ‘das velhas campanhas’.

Se Goodwin considerou O homem que fora consumido (Poe, 1982) precursor das histórias detetivescas de Poe, para Auerbach (1989), essa narrativa adotou o mesmo padrão dos burlesques Perda de fôlego (Poe, 1978f) e Como escrever um artigo à ‘moda de Blackwood’ (Poe, 1978u), que literalizam, na figura do narrador, a imagem surrealista da perda ou fragmentação do eu.

O narrador de Perda de fôlego (Poe, 1978f) ora é dado por morto, ora é confundido com um criminoso, e só pode expressar-se declamando, em sons guturais, as falas do herói indígena de Metamora (1829), tragédia popular naqueles dias. Inversamente a Lackobreath, ele julga possuir uma voz, mas não se percebe incomunicável:

Entretanto, porém, não me apercebia de estar a ser-me impedida a obtenção das informações que desejava. Restava-me ainda um recurso. Iria directamente à fonte (Poe, 1982, p. 53).

Ele busca, ‘em qualquer reunião pública’, notícias sigilosas, idealizando a esfinge envolta pela combinação de ‘dispositivos mecânicos’, ‘formalismo’, ‘cultura geral’ e ‘louvável modéstia’, ao final revelada uma ‘grande trouxa de qualquer coisa’, ‘o indefinível’, que se exprime “[...] na vozinha mais sumida e ridícula, entre um guincho e um assobio” (Poe, 1982, p. 54).

Nenhum desses narradores tem voz própria ou identidade socialmente reconhecida. Enquanto o narrador de O homem que fora consumido (Poe, 1982) projeta no brigadeiro Smith um ideal de masculinidade, Lackobreath resolve imitar as falas e os trejeitos do aclamado herói índio de uma tragédia aclamada pelo público, observando que as ditas passagens da peça aplicavam-se bem a qualquer tema e situação. De início, o recurso logrou um êxito que poderia considerar-se ‘milagroso’, apesar de os circunstantes desejarem colocá-lo em camisa de força pouco depois.

Os narradores desses dois contos formam, assim, um quiasma: Lackobreath assume o ponto de vista do escritor e mostra as mutilações e humilhações decorrentes da imagem que a opinião pública lhe atribui; enquanto o narrador de O homem que fora consumido (Poe, 1982) é parte da opinião pública carente de ídolos, no caso o brigadeiro Smith, autor (e vítima) de um massacre coletivo, transformado em herói ‘por distinção’ e ‘prodígios de bravura’. Nessas histórias, evidencia-se o desprezo do autor pelos heróis e mitos fabricados pelo senso comum.

Despido das próteses, o corpo perfeito de Smith, artificialmente montado pelo escravo, torna-se algo sem identidade precisa, que nem mesmo pode ser reconhecido pela forma humana.

Margolis (2015) detectou a seguinte contradição encerrada em O homem que fora consumido (Poe, 1982): Poe imaginaria uma cultura que proclama sua modernidade e realizações tecnológicas e, ao mesmo tempo, divulga socialmente a informação pelo comentário verbal. Apesar da contradição que organiza o conto do princípio ao fim, a crítica equiparou o foco no bulício em torno do brigadeiro Smith à indústria da publicidade moderna e parece não ter notado as complexas relações entre publicidade, imprensa e discurso desenvolvidas no conto.

Em Uma reforma dramática, capítulo LXXII de Dom Casmurro, o narrador faz uma proposta que remete o leitor à cultura dos folhetins ou magazines do século XIX:

Nem eu, nem tu, nem ela, nem qualquer outra pessoa desta história poderia responder mais, tão certo é que o destino, como todos os dramaturgos, não anuncia as peripécias nem o desfecho. Eles chegam a seu tempo, até que o pano cai, apagam-se as luzes, e os espectadores vão dormir. Nesse gênero há porventura alguma coisa que reformar, e eu proporia, como ensaio, que as peças começassem pelo fim. Otelo mataria a si e a Desdêmona no primeiro ato, os três seguintes seriam dados à ação lenta e decrescente do ciúme, e o último ficaria só com as cenas iniciais da ameaça dos turcos, as explicações de Otelo e Desdêmona, e o bom conselho do fino Iago: ‘Mete dinheiro na bolsa’. Desta maneira, o espectador, por um lado, acharia no teatro a charada habitual que os periódicos lhe dão, por que os últimos atos explicam o desfecho do primeiro, espécie de conceito, e, por outro lado, ia para a cama com uma boa impressão de ternura e de amor:

Ela amou o que me afligira,

Eu amei a piedade dela (Assis, 1978, p. 271).

A fórmula de começar a história pelo fim não parece estranha a Poe quando se observa a estrutura de Os Crimes da Rua Morgue [The Murders in the Rue Morgue, 1841] (Poe, 1978t), com a cena dos assassinatos estampada na primeira página da Gazette des Tribunaux e depois sucessivamente reconstituída pelo jornal e pela mente analítica de C. Auguste Dupin. O Mistério de Marie Rogêt [The Mystery of Marie Rogêt, 1843] (Poe, 1978s), A Carta Roubada [The Purloined Letter, 1844] (Poe, 1978v) e O Caso do Sr. Valdemar (Poe, 1978m) mantêm esse padrão: o principal evento já ocorreu, mas não pode ser desvendado pelos demais, a repercussão do assunto chega até o narrador e ele apresenta sua versão dos ‘fatos’ como definitiva. Não antes de Poe construir um prólogo sobre a excelência do ‘caráter mental’ dos protagonistas. Para tanto, ele segue o primeiro princípio retórico aristotélico: investir o juiz de um sentimento favorável.

Em O homem que fora consumido (Poe, 1982), o fato que tornou o brigadeiro Smith um mito é parte do passado e do conhecimento de todos, exceto do leitor e do narrador. É necessário que se estabeleça uma cumplicidade entre ambos, firmada não pela confiabilidade do narrador, e sim, em razão de Poe conceder-lhe o fio de Ariadne da história:

A mais leve sensação de mistério - de qualquer aspecto que não consiga compreender totalmente -, em especial, coloca-me imediatamente num lamentável estado de agitação (Poe, 1982, p. 43).

Os personagens dúbios de Poe não escondem suas fraquezas e o narrador de O homem que fora consumido (Poe, 1982) é, provavelmente, outro ramo do tronco de onde saíram os protagonistas de Berenice (Poe, 1978b), Eleonora (Poe, 1978c, [1841]), O coração denunciador [The Tell-Tale Heart, 1842] (Poe, 1978w) e o aflito Roderick Usher: “Sou por temperamento uma pessoa nervosa; trata-se, em mim, de um defeito de família, que não posso evitar” (Poe, 1982, p. 43). Mesmo advertido, o leitor termina seduzido, feito Desdêmona, pelas aventuras e perigos por que passaram, apesar de todas as suas faltas.

Considerações finais

Edgar Allan Poe compreendeu o funcionamento do emergente mercado editorial americano sem beneficiar-se de suas leis. Quase uma década após Perda de fôlego (Poe, 1978f), o autor de O homem que fora consumido (Poe, 1982) não concretizara ‘o bom conselho do fino Iago’, nem ‘uma reforma dramática’ na carreira. A longa carta a Charles Anthon, em 1844, reclama de obstáculos, falta de capital e influência para se tornar editor: “I have no money, nor that influence which would enable me to get a publisher” (Poe, 1844, citado por Quinn, 1998, p. XIV).

O homem que fora consumido (Poe, 1982) oferece ricas vertentes de análise sobre a complexa interação entre discurso, imprensa e sua repercussão social. Convém somar a esta relação a memória histórica, assente nos círculos literários e sociais. Unido à Pequena discussão com uma múmia (Poe, 1978i) e Mellonta Tauta (Poe, 1978g) o conto sugere a descrença de Poe na acuidade da História, seu desdém pela multidão e pela exaltação cega do conhecimento científico.

A memória histórica, coletiva e pessoal forja mitos e reputações. O homem que fora consumido (Poe, 1982) descreve a repercussão de um fato sobre o ato de criar, recordar e transmitir uma história, partilhada por muitos ‘autores’, inclusive o brigadeiro Smith, seguido do narrador.

À diferença do discurso cerebral, frio e ordenado dos narradores de ‘mente analítica’, e dos solilóquios casmurros dos narradores homicidas, os protagonistas de Perda de fôlego (Poe, 1978f) e O homem que fora consumido (Poe, 1982) parodiam voz autoral e público-alvo de ‘bugaboo tales’, divulgados por jornais aclamados como o Blackwood’s Edinburgh Magazine.

Ao perder o ‘alento’, Lackobreath “[...] acharia no teatro a charada habitual que os periódicos lhe dão” (Assis, 1978, p. 271). Para ocultar sua perda ante a opinião pública, ele simula súbita paixão pelo teatro, replicando a tudo que lhe diziam - em tom sepulcral, semelhante ao ‘coaxar de uma rã’ - com passagens da tragédia de John Augustus Stone. A perda da identidade renova-se em várias cenas: ao imitar os cacoetes dramáticos do intérprete de Metamora (1829) ou quando é executado ao ser confundido com um bandoleiro.

Manipular o modo de ser percebido pelos demais requer aceitar o imprevisível. Ao passo que o ídolo do narrador de O homem que fora consumido (Poe, 1982) revela-se uma ‘fraude ultrajante’, a identidade e as ilusões narcísicas de ambos foram ‘consumidas’ pela insipiência pública. Esse é ainda um conto sobre a arte da dissimulação e o desvanecimento da vaidade.

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Autor notes

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