Linguística

Saliência estrutural, distribucional e sociocognitiva

Structural, distributional and sociocognitive salience

Raquel Meister Ko Freitag
Universidade Federal de Sergipe, Brasil

Saliência estrutural, distribucional e sociocognitiva

Acta Scientiarum. Language and Culture, vol. 40, núm. 2, 2018

Universidade Estadual de Maringá

Recepção: 01 Janeiro 2018

Aprovação: 08 Agosto 2018

Resumo: Para identificar a que significados sociais uma variante está associada, na Sociolinguística, fenômenos de variação e mudança costumam ser estudados do ponto de vista da produção e do ponto de vista da percepção. Um artifício conceitual utilizado para articular as duas perspectivas de abordagem é a saliência. O objetivo deste texto é apresentar o conceito de saliência e qual é o seu efeito nos processos de variação linguística considerando a estrutura da língua e a cognição dos falantes: os efeitos da saliência na estrutura linguística se manifestam como saliência fônica, sintática e semântica; os efeitos na cognição dos falantes se manifestam na relação entre frequência de ocorrência de uma variável e seu grau de previsibilidade e prototipia em um contexto, e a percepção do falante. Entender a relação entre a saliência na estrutura da língua e na cognição dos falantes em processos de variação linguística permite identificar os gatilhos de preconceito social, já que variáveis salientes tendem a ser indexadas a perfis sociais no nível consciente.

Palavras-chave: percepção, variação linguística, sociolinguística experimental.

Abstract: In order to identify what social meanings certain linguistic variant is associated with, in Sociolinguistic, variation and change processes are usually analyzed from production or perception approach. Salience is a conceptual artifact that can be used to articulate the two perspectives of approach. Three possibilities for approaching the salience in sociolinguistics are presented - structural, distributional and cognitive, from which considerations about the effect of the salience on the processes of linguistic variation and change are presented. This paper aims to present the concept of salience and its effect in linguistic variation considering the language structure and the cognition of the speakers: the effects of the salience in the linguistic structure are surfaced as phonic, syntactic and semantic salience; and the effects on the cognition of the speakers are surfaced in the relation between the frequency of occurrence of a variable and its degree of predictability and prototyping in a context, and the speaker's perception. Understanding the relationship between the salience in the linguistic structure and in the cognition of the speakers in processes of linguistic variation allows to identify the triggers of social prejudice, since salient features tend to be indexed to social profiles at the awareness.

Keywords: perception, linguistic variation, experimental sociolinguistics.

Introdução[1]

Para identificar a que significados sociais uma variante está associada, na Sociolinguística, fenômenos de variação e mudança costumam ser estudados do ponto de vista da produção (quem usa? em que contextos?) e do ponto de vista da percepção (como os falantes julgam as variantes? a quem eles as associam?) (Freitag, Severo, Rost-Snichelotto, & Tavares, 2016).

Os estudos de produção sociolinguística têm por objetivo responder por que e como formas linguísticas e significados sociais se vinculam. Já os estudos de percepção sociolinguística tentam verificar como isso afeta a percepção do falante e o processamento linguístico. Enquanto os estudos de produção têm natureza observacional, os estudos de percepção são predominantemente experimentais: a confluência de abordagens, por meio da observação dos efeitos de saliência, pode contribuir para uma compreensão mais ampla do processo de variação e mudança. E, enquanto os estudos de produção sociolinguística têm descrito os padrões de recorrência de uma variante em uma dada comunidade, os estudos de percepção têm desvelado os julgamentos dos falantes; em ambos os casos, fatores sociodemográficos e pragmáticos são considerados para o delineamento da consciência social em relação ao fenômeno em uma dada comunidade (Freitag, Martins, & Tavares, 2012).

Um artifício conceitual utilizado para articular as duas perspectivas de abordagem, a de produção e a de percepção, é a saliência e o seu efeito nos processos de variação linguística considerando a estrutura da língua e a cognição dos falantes.

O nível da consciência social é uma propriedade importante da mudança linguística que precisa ser determinada diretamente (Weinreich, Labov, & Herzog, 1968). A partir do grau de consciência, fenômenos variáveis são categorizados em estereótipos – traços linguísticos socialmente marcados de forma consciente pelos falantes, marcadores – traços linguísticos sociais e estilísticos e que permitem efeitos consistentes sobre o julgamento consciente ou inconsciente do ouvinte sobre o falante; e indicadores – traços socialmente estratificados, que, no entanto, não são sujeitos à variação estilística (Labov, 1972).

A fim de contribuir para construção de um panorama sobre o modo de captar o nível de consciência social de fenômenos linguísticos em processo de variação e mudança, neste texto, as abordagens de saliência na perspectiva da Sociolinguística são retomadas e sistematizadas para a sua aplicação em empreendimentos investigativos sociolinguísticos observacionais e experimentais.

Saliência

Desde o surgimento da Linguística enquanto ciência, o conceito de saliência está presente nas explicações sobre a dinâmica da língua, como na oposição entre marcado e não marcado, do Estruturalismo da Escola de Praga; nos modelos funcionalistas, a noção de saliência advém da Gestalt, com a oposição figura e fundo. Em termos gerais, uma estrutura é mais saliente do que outra quanto ao dispêndio de esforço de processamento – mais material a ser processado, como nas construções ativas vs. passivas – ou por distribuição e frequências – maior a frequência, menor a saliência (Chafe, 1974; Givón, 1985; Kecskes, 2011).

No campo da Sociolinguística, a aplicação do conceito de saliência começa a se tornar mais complexa, já que formas marcadas do ponto de vista cognitivo e de frequência não são necessariamente marcadas do ponto de vista social (e vice-versa). Ao tratar de saliência como um fator explanatório na Sociolinguística, Kerswill e Williams (2002, p. 105) apontam três direções de abordagem:

(1) Fenômeno linguístico cuja explicação decorra da saliência de traço(s);

(2) Explanação interna à língua (contexto fonológico, sintático, etc.); e

(3) Fatores extralinguísticos cognitivos, pragmáticos, psicológicos, sociodemográficos.

Os autores argumentam que (1) e (2) estão inter-relacionados, às vezes de uma maneira natural, às vezes de uma maneira idiossincrática. No entanto, (3) é central para motivar o comportamento do falante em certa direção, e, por isso, central para a definição de saliência, pois, na abordagem sociolinguística, a saliência está relacionada aos gradientes de consciência social da variação e mudança, nos termos da proposta de Labov (1972).

A investigação dos efeitos da saliência tem seguido diferentes abordagens na Sociolinguística: nos estudos de produção, a saliência estrutural (Naro, 1981); e, nos estudos de percepção, a saliência distribucional, como saliência quantitativa vs. saliência qualitativa e o monitor sociolinguístico (Flament, 1994; Labov, 2006; Labov et al., 2011; Rácz, 2013), abordagem na qual a saliência pode ser resultado da distribuição da variável; e a saliência sociocognitiva.

Estudos de percepção sociolinguística têm sido tendência recente no cenário de pesquisa internacional (Drager, 2014); no entanto, ainda há poucos estudos no Brasil, e restritos a fenômenos fonológicos. Para ampliar os estudos, faz-se necessário entender a relação entre a estrutura da língua e a cognição dos falantes: os efeitos da saliência na estrutura linguística se manifestam como saliência fônica, sintática e semântica; os efeitos na cognição dos falantes se manifestam na relação entre frequência de ocorrência de uma variável, seu grau de previsibilidade e prototipia em um contexto e a percepção do falante. Entender a relação entre a saliência na estrutura da língua e na cognição dos falantes em processos de variação linguística permite identificar os gatilhos de preconceito social, já que variáveis salientes tendem a ser indexadas a perfis sociais no nível consciente.

Saliência estrutural

A pesquisa sociolinguística brasileira é reconhecida por ter contribuído ao modelo teórico com o princípio da saliência e seus efeitos na concordância (Tagliamonte, 2015, p. 170), a partir do estudo pioneiro de Lemle e Naro (1977) com os dados do Mobral (Naro, 1981). Labov (1994, p. 56) assim enuncia o princípio da saliência: “[...] quanto mais proeminente a marca de flexão, mais substância fonética associada a ela, maior a tendência de retê-la”. O efeito da saliência fônica é evidenciado como fator explanatório em diversos estudos sociolinguísticos do português brasileiro, especialmente no que se refere à concordância (Scherre & Tarallo, 1989; Scherre & Naro, 1991; 1998; 2006; Brandão & Vieira, 2012).

No plural de nomes em português, são consideradas mais salientes as formas em que há maior diferenciação do material fônico quando pareadas no singular e no plural, por exemplo: no par ‘carro – carros’, há acréscimo de um morfema; já em ‘novo – novos’, além do morfema, ocorre simultaneamente o abaixamento da vogal da sílaba tônica. Do ponto de vista da percepção de oitiva, a não marcação do plural redundante em ‘os carro_’ poderia passar desapercebida, mas não em ‘os carro novo ’.

O princípio de saliência em nível estrutural costuma ser associado à economia e funcionalidade; as hipóteses funcionalistas para a mudança linguística para variáveis morfofonêmicas e morfossintáticas, relacionadas à conservação da informação, não se verificam na prática (Labov, 1987; 1994). No apagamento de /t, d/ finais em inglês, uma hipótese funcional prediz que o apagamento seria mais frequente em morfemas /-ed/ em perífrases de presente perfeito do que em verbos regulares no passado, já que a noção temporal é marcada no auxiliar. No entanto, não é isso que acontece: para os verbos, o apagamento não é significativamente diferente nos casos dos regulares ou nas perífrases; ao contrário, a categoria que mais apresenta queda é a de palavras monomorfêmicas, em que as explicações funcionais não fazem sentido (Labov, 1987).

O princípio do paralelismo formal, de que marcas levam a marcas, zeros levam a zeros (Scherre & Naro, 1991), é um desdobramento do princípio da saliência fônica, e evidencia que, ao contrário do que poderia ser esperado em termos cognitivos (de que a escolha de uma variante em detrimento de outra seria condicionada pela necessidade de preservação informacional), a escolha de variantes é resultado de um efeito mecânico da repetição e do condicionamento fonético (Labov, 1994).

O princípio da saliência no fenômeno da concordância mostra-se atuante em outros níveis para além do fônico, como o sintático (saliência posicional – posição do sujeito) e o semântico (saliência semântica – tipo semântico-cognitivo do verbo e a animacidade do sujeito), como evidenciam Scherre, Naro, & Cardoso (2007), Brandão & Vieira (2012), Tavares & Freitag (2010).

A saliência posicional é um fenômeno evidenciado na concordância verbal. Em orações com a ordem canônica em português SV, tende a ocorrer a conservação da marca de concordância verbal; já em orações VS, tende a ocorrer a perda da marca de concordância: “[...] a. Eles VIERAM na primeira viagem de navio/Elas CHEGAM lá/Os cano já TÃO aparecendo; b. Aí, VEIO aqueles cara correno/E nisso me CHEGA três rapazes/TÁ doendo meus ouvido” (Scherre et al., 2007, p. 285)

Ainda na concordância, a saliência semântica da animacidade do sujeito também parece atuar, em interação com a saliência posicional: “[...] o traço [+ animado] ou [-animado] do núcleo do SN repercute, respectivamente, na presença ou ausência da marca de número tanto no âmbito do SN, quanto no do SV” (Brandão & Vieira, 2012, p. 1059). Sujeito prototípico ([+ animado] e na ordem canônica) é mais saliente do que sujeito não prototípico ([- animado] e posposto ao verbo), que é mais próximo de um objeto prototípico. Os tipos de verbos podem ser categorizados quanto ao traço semântico ‘concreto’, ‘abstrato’ e ‘genérico’: quanto mais concreto, mais saliente; quanto mais genérico, menos saliente. O efeito da saliência do tipo de verbo pode ser verificado em fenômenos de gramaticalização em domínios gramaticais mais altos, como a expressão do passado imperfectivo e a sequenciação de orações (Tavares & Freitag, 2010): quanto mais gramaticalizadas as funções, maior a recorrência associada a verbos genéricos.

A aferição do princípio da saliência no nível da estrutura linguística em contraste com o controle de traços sociodemográficos, como escolarização e faixa etária, tem apontado para direcionais da dinâmica da variação e mudança. Fenômenos de concordância no português brasileiro, por exemplo, são sensíveis à escolarização dos informantes: a diferença entre a realização de marcas explícitas de concordância verbal em contextos +/- salientes é maior entre falantes menos escolarizados do que entre falantes mais escolarizados; na concordância nominal, este efeito é menos evidente, mas, ainda assim, há efeitos de escolarização (Scherre & Naro, 1998).

Chaves (2014) realiza uma revisão dos estudos de produção que controlaram a saliência fônica em fenômenos variáveis de concordância de número no português, evidenciado o caráter estrutural do condicionante – direção de abordagem (1) na proposta de Kerswill e Williams (2002), mas levantando a discussão sobre a direção (3), a questão da avaliação, ainda pouco explorada.

A saliência fônica também atua em fenômenos variáveis no nível não morfêmico. Gomes (2017) relaciona a saliência fônica à desnasalização em posição final de palavra (viagem ~ viage_) à exclusão social, a partir controle da distribuição de frequências em uma amostra linguística constituída a partir do constructo de comunidade de práticas. Na mesma direção aponta o resultado do estudo de Freitag, Cardoso, e Pinheiro (2018) quanto à variação no segmento /ndo/ ~ /no/, que evidencia a atuação de fatores de natureza estrutural que refletem condicionamentos cognitivos, como a recorrência e a extensão da palavra, cujos resultados convergem para uma interpretação de efeito de saliência. A variante conservadora se comporta, do ponto de vista da produção, como um marcador, ou indexador de segunda ordem, associada à maior escolarização, perfil feminino, em contextos de maior monitoramento, como em trechos opinativos em entrevistas sociolinguísticas. A repetição, ou frequência, estabelece relações com o perfil social de seus falantes. Há vocábulos e categorias de palavras – frequência token e type (Bybee & Hopper, 2001) – que são mais frequentes do que outras, o que poderia convergir para os condicionamentos cognitivos (maior chance de recorrência de uma variante em palavras ou categorias que são mais recorrentes), o que tornaria, por hipótese, a variante menos saliente (Drager & Kirtley, 2016).

Saliência distribucional

Do ponto de vista da produção, indicadores, marcadores e estereótipos costumam ser inferidos pela distribuição de frequências em função das variáveis sociodemográficas controladas em estudos observacionais. Por exemplo, se dada variante é mais usada por homens, jovens e menos escolarizados, é possível inferir que seja um estereótipo, uma forma socialmente marcada, no nível da consciência social coletiva de uma comunidade, sobre a qual as pessoas falam sobre, rotulam quem as usa, ou seja, “[...] é uma forma que é sujeita à discussão pública” (Labov, 2001, p. 272).

A identificação de estereótipos depende da saliência social da forma, a capacidade de uma variável linguística evocar significado social, na estruturação da percepção dos ouvintes de distribuições sociolinguísticas quantitativas. Sob esta perspectiva Labov et al. (2011) postulam o ‘monitor sociolinguístico’ (sociolinguistic monitor), constructo para aferir aspectos perceptuais da variação linguística quantitativa em abordagens experimentais, como os estudos de percepção sociolinguística. A proposta do ‘monitor sociolinguístico’ é mensurar o quão sensíveis os falantes são às diferenças de frequência de uso de uma mesma variante. No estudo de Labov et al. (2011), a variável escolhida foi a realização de -ing (/in/ ou /iN/), em uma série de experimentos cujo desenho previa a exposição dos ouvintes-juízes ao áudio de sequências de manchetes jornalísticas com diferentes gradações das variantes de -ing (100 /in/, 70 de /in/ e 30% de /iN/, 50 /in/ e 50% de /iN/, 30 de /in/, 70 de /iN/ e 100% de /iN/). Os ouvintes-juízes deveriam ouvir cada sequência de manchetes e avaliar o grau de profissionalismo do falante dos estímulos (Labov et al. 2011, p. 238), em um instrumento como a Figura 1.

No inglês, a variação na realização de –ing entre velar e alveolar (walking - walkin), é associada a perfis sociais e atenção à fala. A realização velar é a variante tida como padrão e a alveolar como não padrão, e esse comportamento é estável nos Estados Unidos. Labov (2006), em seu estudo sobre o inglês de Nova Iorque, identificou a associação entre a realização velar e estilos de maior monitoramento, como na leitura e na fala monitorada; a falantes mais velhos e de classes sociais mais altas. Esta tendência se mantém; do ponto de vista da percepção, Campbell-Kibler (2007) constatou que os falantes associam a realização velar à educação, inteligência, formalidade e articulação, enquanto a realização alveolar é associada à ausência desses traços.

Instrumento de teste
do monitor sociolinguístico (Labov et al., 2011, p. 328;
adaptado).
Figura 1.
Instrumento de teste do monitor sociolinguístico (Labov et al., 2011, p. 328; adaptado).

Os resultados de Labov et al. (2011) sugerem que há uma direção dos efeitos do monitor sociolinguístico quanto ao escopo temporal (correlação com a latência da resposta), sensibilidade (consistência dos ouvintes-juízes em suas respostas), atenuação (efeito da frequência da variável nas respostas dos ouvintes-juízes), assimetria (sensibilidade dos ouvintes-juízes é afetada quando uma variante marcada ocorre em um contexto não esperado), gênero (mulheres tendem a convergir negativamente a desvios a uma norma explícita) e a idade de aquisição (a sensibilidade se desenvolve na adolescência).

Replicações do estudo do ‘monitor sociolinguístico’ (Levon & Fox, 2014; Levon & Buchstaller, 2015) têm como objetivo examinar se o julgamento avaliativo dos ouvintes muda em função do tipo de variável linguística apresentada no teste. O estudo de Levon e Buchstaller (2015) amplia a noção de monitor, testando se duas variáveis que estão em diferentes níveis da estrutura linguística, uma fonética (realização dental ou labiodental da fricativa interdental vozeada, como em think - fink) e outra morfossintática (desinência -s em contextos que o sujeito não é terceira pessoa do singular, como em they really likes ice cream), são julgadas diferentemente por ouvintes-juízes; os resultados sugerem que os significados sociais da variação fonética podem ser mais facilmente avaliados pelos ouvintes (mais socialmente salientes) do que as variáveis do nível gramatical.

Podesva (2011) expande os estudos do nível segmental para a observação do significado social da variação no nível suprassegmental (padrões entoacionais de sentenças declarativas), explorando a possibilidade de uso dos significados entoacionais como recursos simbólicos para a construção de uma persona gay.

A abordagem do ‘monitor sociolinguístico’, especialmente com os estudos de Levon e Fox (2014) e Levon e Buchstaller (2015), aponta que a saliência social de uma variável determina se e como ela será perceptualmente avaliada, o que é crucial para a compreensão de como a informação sociolinguística é processada cognitivamente em termos de consciência social.

Saliência sociocognitiva

Existem diferentes maneiras de conceber saliência sociocognitiva. Schmid e Günther (2016) propõem um tratamento unificado para abordá-la, considerando o ponto de vista do falante, a motivação da saliência, o mecanismo e o contexto de ativação. As possibilidades de uma palavra ser saliente são resumidas no Tabela 1.

A proposta de Schmid e Günther (2016) é baseada em conhecimento lexical (palavras) e em contexto. Os autores reconhecem a polissemia de ‘contexto’, que pode ser entendido como contexto linguístico (aquilo que já foi dito antes), contexto situacional (participantes, tempo, lugar, configuração), contexto social (tipo de evento social, papéis sociais e relações entre os participantes) e contexto cognitivo geral (conhecimento geral e conhecimento linguístico armazenado na memória de longo prazo). Para os estudos de percepção sociolinguística, e expandindo o nível de análise do lexical para o gramatical, interessam as definições 2 e 3 de saliência, por envolverem a confirmação e a violação de expectativas relacionadas ao contexto linguístico, situacional e social. Do ponto de vista cognitivo, os efeitos de superfície que são atribuídos à saliência são decorrentes da interação entre frequência, convencionalidade e familiaridade – o mais crucial, segundo Giora (2003) –, que levariam à prototipia e estereotipia, pontos aderentes ao que vem sendo desenvolvido na Sociolinguística para a avaliação social das formas: indicadores, marcadores e estereótipos (Labov, 1972).

Saliência sociocognitiva (Schmid & Günther,
2016, p. 1; adaptado).
Tabela 1.
Saliência sociocognitiva (Schmid & Günther, 2016, p. 1; adaptado).

No entanto, apenas a identificação da avaliação social das variáveis e variantes não é suficiente; é preciso adentrar no domínio da percepção e das atitudes. Advinda da Psicologia Social, atitude é um construto mental, psicológico, difícil de definir e de mensurar (Giles, 1970). Em alguma medida, as atitudes podem predizer o comportamento, e o comportamento pode afetar as atitudes. Na Sociolinguística, abordagens para mensurar atitudes podem envolver o tratamento societal, de caráter etnográfico, colhendo dados a partir de várias fontes de domínio público, como documentos oficiais, propagandas, televisão e redes sociais (Cargile, Giles, Ryan, & Bradac, 1994; Garrett, 2010). Por exemplo, em relação à avaliação social da variação entre ‘nós’ e ‘a gente’ na expressão de primeira pessoa do plural no Brasil, cuja configuração dos padrões distribucionais sociodemográficos, com mulheres, mais jovens e de maior escolarização polarizando as ocorrências da variante inovadora, aponta não haver estigma; as diferenças de usos são associadas a rural/urbano ou grandes centro/fora dos grandes centros. A inserção na escrita (passam para a escrita as variantes que não são estigmatizadas), piadas e memes (textos de ficção em que componente linguístico pode ser mais um traço a serviço da caracterização das personagens) e as fontes institucionais (a construção da crença linguística de uma comunidade letrada é regida por instrumentos normativos: gramáticas, compêndios e livros didáticos) corroboram o não estigma da variante ‘a gente’ (Freitag, 2016).

Para testar as atitudes em abordagens indiretas, há protocolos já estabelecidos, como self report test, em que os ouvintes-juízes devem selecionar, dentre um conjunto de variantes linguísticas, aquelas que se aproximam do seu uso cotidiano; family background test, em que são avaliados quanto à sua capacidade identificar variedades dialetais diferentes; e matched guise (ou falsos pares), que visa identificar atitudes inconscientes dos sujeitos em relação à língua (Labov, 2001).

No matched guise (Lambert, Hodgson, Gardner, & Fillenbaum, 1960), os ouvintes-juízes ouvem estímulos linguísticos aparentemente de falantes diferentes e avaliam esses falantes a partir dos estímulos, julgando-os quanto a aspectos afetivos, como aparência, liderança, agradabilidade, sociabilidade, etc. Porém, trata-se de um mesmo falante, que realiza as diferentes variantes linguísticas, cujas produções são julgadas pelos ouvintes-juízes a partir de uma escala de diferencial semântico ou likert, que envolve a avaliação de um conceito ou estímulo e graus, sobre pares constituídos de adjetivos opostos.

Uma variante desta técnica é o verbal guise, que se difere do matched guise pelo fato de conter estímulos provenientes de diferentes falantes (Ladegaard, 2000; Dailey, Giles, & Jansma, 2005). Deste modo, é possível extrair ocorrências de variantes linguísticas de um fenômeno variável de um corpus oral previamente gravado, e utilizá-las na elaboração do protocolo de testagem. Se, por um lado, incorre-se no risco de interferências na pista acústica ou mudanças de padrão entoacional, por outro lado tem-se maior fidedignidade com a ocorrência do fenômeno.

Em ambas as técnicas de guise, ao submeter o falante-juiz à apreciação de estímulos de fala com determinadas características linguísticas e pedir que sejam associadas a psicossociais atribuídos aos seus falantes, e, por tabela, à variante em questão, é possível desvelar as atitudes e reações.

A abordagem conhecida por dialetologia perceptual (Preston, 1999) alia a pesquisa atitudinal de tradição sociolinguística à percepção dialetal geograficamente situada da Dialetologia. Este tipo de teste adota o procedimento de demarcação dos limites que os falantes atribuem a dialetos, variedades ou registros. O instrumento consiste em um mapa com apenas os contornos políticos e o juiz delimita, a partir de suas percepções e experiências, onde ocorre determinada variedade linguística, como nesta ilustração da Figura 2, sobre a percepção de variedades dialetais nos Estados Unidos (Carmichael, 2016).

Para a mensuração de atitudes linguísticas, a abordagem combinada permite obter resultados mais abrangentes (Garrett, Coupland, & Williams, 2003). O estudo de Kuiper (2005), que objetiva aferir a percepção de variedades regionais e a sua relação com segurança linguística e prescrição, ilustra o poder explanatório do uso de métodos combinados para o tratamento de atitudes. Falantes de duas regiões da França (nos arredores de Paris e na Provence) julgaram variedades linguísticas regionais da França quanto à correção, agradabilidade e diferença quanto à sua própria fala. A diversidade de métodos (entrevistas, reações subjetivas e tarefas de mapa perceptual) apontou para o fato de que os falantes de ambas as regiões têm visões muito próximas quanto à correção (Paris) e de agradabilidade (Provence). Os dados qualitativos extraídos das entrevistas e os mapas dialetais mostram que a percepção dos falantes sobre a prescrição linguística é pequena na realidade empírica (na sua performance linguística, por exemplo) e tem um forte efeito sobre a sua autoimagem de falante.

Instrumento de teste
de dialetologia perceptual (Carmichael, 2016, p. 166).
Figura 2.
Instrumento de teste de dialetologia perceptual (Carmichael, 2016, p. 166).

Outra abordagem para medir atitudes é a direta: perguntar às pessoas o que elas pensam sobre determinado fato da língua. Este tipo de abordagem, presente nos questionários de atitudes linguísticas ao final das entrevistas sociolinguísticas e nos testes de reação subjetiva, por exemplo, apresenta riscos, com respostas de aquiescência (pessoas podem dar a resposta que elas sentem que o pesquisador quer) ou respostas socialmente desejáveis (pessoas verbalizam as atitudes que elas pensam que deveriam ter, ainda que sejam de fato barradas). No entanto, é uma das formas mais simples de se obter dados observacionais sobre a crença e o julgamento linguístico de uma comunidade.

Preston (2010) propõe o conceito de language regard, um rótulo mais amplo do que atitudes linguísticas, embasado no fato de que crenças sobre a língua não necessariamente são avaliações, e, na Psicologia Social, atitudes costumam ser um subconjunto avaliativo de crenças. É preciso destacar que a Psicologia Social, em seus estudos sobre atitudes linguísticas, não está interessada em reações subjetivas a atributos da fala em particular. Por outro lado, a Sociolinguística, interessada nestes atributos particulares, ainda tem dado pouca atenção aos julgamentos sociais. A aproximação das áreas pode contribuir para evidenciar que dadas características da fala podem, de fato, ser relacionadas a diferenciais de avaliação social, ou consciência social (Edwards, 1999).

A consciência social é frequentemente evocada como uma característica da comunidade de fala, importante para a difusão de uma mudança linguística (Labov, 1990; Guy, 1990; Rácz, 2013). Labov (1990) distingue as mudanças linguísticas no nível da consciência social (from above) das mudanças linguísticas abaixo da consciência social (from below). O nível de consciência também presente na escala de avaliação das variantes (indicadores, marcadores e estereótipos). A premissa dos efeitos da consciência social é de que não é necessário ter consciência dos eventos para percebê-los, o que revela a existência de uma cognição implícita (Underwood & Bright, 1996). Uma variante cognitivamente saliente, ainda que no nível inconsciente, pode vir a carregar indexação social, ou seja, tornar-se um marcador ou um estereótipo. No entanto, por não estar no nível da consciência social, o falante não é capaz de relacionar o juízo de valor ao traço linguístico em si, sendo necessário, para desvelar os seus efeitos, valer-se de técnicas indiretas, como as apresentadas anteriormente.

Por isso, mensurar os efeitos da saliência sociocognitiva é um parâmetro crucial para estabelecer o escopo e as limitações das habilidades do falante para mudar a sua própria fala. Falantes fazem diferentes avaliações conscientes e inconscientes sobre diferentes variedades linguísticas, tanto variedades dialetais quanto variedades com interferência de outra língua, e tais diferenças são dirigidas por conta da variação fonética socialmente marcada (Campbell-Kibler, 2012; 2013; Schleef, 2013). O nível de consciência atua também nos processos de acomodação linguística: a acomodação consciente ocorre com traços cognitivos mais salientes e a acomodação inconsciente ocorre com traços cognitivos menos salientes (Giles, Coupland, & Coupland, 1991).

O nível de consciência social desempenha um importante papel ao determinar quais variantes fonéticas são sujeitas à correção: por exemplo, falantes que se encontram em busca de acesso às universidades de prestígio nacional [nos Estados Unidos] modulam seu comportamento linguístico em direção a mudanças sonoras que estão acima do nível de consciência social, e por isso, passíveis de moderação; já mudanças sonoras abaixo do nível de consciência social acompanham o nível educacional dos falantes (Prichard & Tamminga, 2012).

Estudos de sociofonética têm evidenciado correlações regulares entre o nível de consciência do significado social de mudanças fonológicas e a modulação do falante durante seu ciclo de vida. Ainda há poucas evidências do impacto da saliência sociocognitiva em mudanças em outros níveis linguísticos além do fonológico. Buchstaller (2016) reporta resultados de três fenômenos de mudança em progresso com diferentes níveis de percepção social e indexicalidade:

(1) ultrassaliente e socialmente estigmatizado (quotativo be like);

(2) altamente saliente, mas barrado por orientações prescritivas (possessivo estativo got);

(3) moderadamente saliente e não indexado socialmente (have got, going to).

Embora Eckert e Labov (2017) destaquem que variáveis fonológicas são mais facilmente adaptáveis para veicular significados sociais por conta de sua frequência e por estarem desvinculadas de funções referenciais, os resultados do estudo de Buchsttaller (2016) apontam que somente as variantes que estão plenamente encaixadas nas estruturas cognitivas-avaliativas dos ouvintes mostram maleabilidade no ciclo de vida de um falante individual, sugerindo, por sua vez, que há consciência da indexação social de recursos linguísticos, mesmo nos níveis gramaticais mais altos.

Em suma, falantes não só são sensíveis à diferença na distribuição de frequências, como no caso do ‘monitor sociolinguístico’, mas essa sensibilidade é maior ou menor em diferentes fases da vida do falante, como efeito de fatores sociais e culturais aos quais está exposto (escolarização, mercado de trabalho, redes de relacionamento, entre outros). O nível de consciência social de uma forma também é suscetível à circunscrição geográfica, assumindo caráter de distinção dialetal: o que é saliente em uma variedade pode não ser em outra, como mostram os estudos de Levon e colaboradores (Levon & Fox, 2014; Levon & Buchstaller, 2015).

Conclusão

Os estudos sociolinguísticos do português brasileiro têm um grande legado do ponto de vista da produção, com a caracterização dos usos linguísticos quanto à estrutura, tendo como fator explanatório para o encaixamento linguístico os efeitos da saliência. Também a partir dos estudos de produção têm sido sugeridos direcionais da consciência social do fenômeno, com o cotejamento dos resultados da sua distribuição em função dos fatores sociais controlados na amostra.

O que faz com que uma variável seja sensível ou não à avaliação em uma comunidade pode ser atrelado ao seu grau de saliência, não só estrutural, mas distribucional e sociocognitiva. Apenas a identificação da avaliação social das variáveis e variantes não é suficiente; é preciso adentrar no domínio da sociolinguística da percepção (que tem como objeto o julgamento do ouvinte), que correlaciona fatores sociais a traços sociolinguísticos, a fim de contribuir para o desvelamento de um padrão de consciência social na comunidade.

Quais características sociais são atribuídas a uma dada variedade linguística? Quais as variáveis linguísticas afetam a percepção de um dado grupo social? Como a informação social afeta o modo como um dado som ou traço linguístico é percebido? Um falante tem atitudes positivas ou negativas quanto a certa variante ou certo grupo social? Estas são questões relacionadas aos estudos de percepção sociolinguística que podem se valer da saliência sociocognitiva como fator explantatório. Se, por um lado, há o reconhecimento do papel chave da saliência sociocognitiva em fenômenos de mudança linguística (Wagner & Sankoff, 2011), por outro, estudos que buscam evidenciar relação entre a cognição implícita e a percepção da fala ainda são relativamente recentes (Campbell-Kibler, 2012), um campo ainda a ser explorado.

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Notas

[1] Este texto apresenta os princípios de análise do desenvolvimento do projeto ‘Saliência, percepção e atitudes sociolinguísticas’ (PQ/CNPq).
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