Linguística

A unidade lexical crush e seus usos: inglês, português do Brasil e francês

The lexical unit crush and its uses: English, Brazilian Portuguese and French

Milena de Paula Molinari
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”,, Brasil
Estela Demarque
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Brasil
Maria Cristina Parreira da Silva
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Brasil

A unidade lexical crush e seus usos: inglês, português do Brasil e francês

Acta Scientiarum. Language and Culture, vol. 41, núm. 2, 2019

Universidade Estadual de Maringá

Recepção: 13 Março 2019

Aprovação: 08 Outubro 2019

Resumo: Com a globalização e a facilidade de acesso à internet, sabe-se que hoje em dia há um encurtamento de distâncias devido ao aumento do uso de tecnologias, principalmente por meio das redes sociais. A proposta deste artigo é estudar o uso da unidade lexical (UL) crush, vocábulo de origem inglesa, mas que por meio das mídias como Facebook, Instagram, Twitter, entre outras, vem se tornando cada dia mais popular em várias línguas, como em português do Brasil e em francês. É importante salientar que não trabalhamos com o português europeu e sim, somente, do Brasil. Para que esta pesquisa fosse realizada, a Lexicologia constituiu o aporte teórico, mais especificamente os estudos acerca do empréstimo, de estrangeirismos (Silva, 2006) e de neologismos (Alves, 1996). Este artigo também se apoia na Linguística de Corpus (Berber Sardinha, 2004), para seleção e tratamento de todos os corpora necessários para esse estudo. O levantamento dos corporaem inglês, português e francês, foi realizado por meio da ferramenta BootCat (Baroni & Bernardini, 2004), a fim de analisar o uso da UL crush nessas três línguas. De acordo com nossa pesquisa, constatamos que a UL inglês já pode ser considerada como um empréstimo no português em vias de se adaptar sintaticamente. Dessa forma, a UL não é mais considerada como um estrangeirismo em português, mas sim um neologismo.

Palavras-chave: empréstimo, língua inglesa, língua portuguesa, língua francesa.

Abstract: With the globalization and the easy access to the Internet, it is known that today there is a shortening of distances due to increase of the use of technologies, mainly through social networks. The purpose of this article is to study the use of the lexical unit crush, an English word, that through media such as Facebook, Instagram, Twitter, etc., is becoming increasingly popular in other languages, such as in Brazilian Portuguese and in French. To accomplish this research, the Lexicology was a theoretical contribution, more specifically the studies about the loan words, foreignisms (Silva 2006) and neologisms (Alves, 1996). This article is also based on Corpus Linguistics (Berber Sardinha, 2004), for the selection and processing of the whole corpora necessary for this study. The tool BootCat (Baroni & Bernardini, 2004) carried out the raising of the corpora in English, Brazilian Portuguese and French. In order to analyze the use of the lexical unit crush in these three languages. According to our research, we found that the English UL can already be considered as a loan in Brazilian Portuguese that is about to adapt syntactically. Thus, the UL is no longer considered a loanword in Brazilian Portuguese, but a neologism.

Keywords: neologisms, loan, english language, portuguese language, french language.

Introdução

Não é novidade que, cada vez mais, podemos observar um aumento de novas unidades lexicais (ULs) introduzidas em nosso vocabulário diário. Os chamados neologismos, são novas ULs, que ainda não pertencem a um determinado idioma, que não estão dicionarizadas e que deixam clara a constante transformação de uma língua, como na língua portuguesa, por exemplo. No presente trabalho, procuramos analisar o uso da UL crush a partir de um compilado de corpora em inglês, português e francês[1].

Neologismo pode ser entendido como “[...] uma unidade lexical de criação recente, uma nova acepção de uma UL já existente, ou ainda, uma UL recentemente emprestada de um sistema linguístico estrangeiro e aceito numa língua” (Boulanger, 1979, p.65-6 apud Alves, 1996, p. 11). Observamos que o termo empréstimo está presente na definição de neologismo, podendo um empréstimo do inglês ser considerado como um estrangeirismo, o qual se mantém de forma alógena na língua receptora. Dessa forma, um neologismo pode se dar por empréstimo, sendo um resultado de um processo de renovação lexical.

A UL crush começou a ser empregada com maior frequência na língua portuguesa de 2014 em diante, porém foi somente em 2017 que seu uso cresceu exponencialmente. Na verdade, de acordo com o dicionário Etymonline (2018), essa UL existe na língua inglesa, com vários usos, desde aproximadamente 1590, porém foi somente em 1903 que os usuários começaram a usar a expressão to have a crush on (someone).

No Dicionário Popular (2018), podemos ler que

Crush é uma gíria usada para se referir a alguém por quem somos apaixonados ou sentimos algum tipo de atração. Esta é uma palavra da língua inglesa e pode ser literalmente traduzida como ‘esmagar’ ou ‘colidir’. Assim, o crush representaria a força ‘esmagadora’ do sentimento que temos por determinada pessoa. No Brasil, a gíria crush é muito usada nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, etc), principalmente como sinônimo de ‘paixonite’ ou ‘quedinha’ por alguém. Ou seja, alguém por quem estamos apaixonados, por exemplo. É comum usar a expressão ‘meu crush’ como o mesmo que ‘minha paixão’ ou ‘meu amor’. Uma pessoa pode ter vários crushes’ diferentes. Um crush ainda pode ser interpretado como um ‘amor platônico’, quando uma pessoa tem uma paixão não recíproca por alguém. Ainda existem alguns desdobramentos em relação ao crush, como o ‘crush de amizade’, quando você sente um grande afeto por certa pessoa, desejando muito ser amigo (a) dela (Dicionário Popular, 2018, grifo do autor).

O Dicionário Informal (2018) traz a definição: “Quedinha; Estar a fim de alguém. Ex: ‘Ele tem um crush por você; ele tem uma quedinha por você’”. O Dicionário Informal e o Dicionário Popular são informais, como o próprio nome já diz, e, por isso, trazem essas definições, pois a UL crush por ser um candidato a neologismo ainda não está dicionarizada.

Essa definição de crush que encontramos no Dicionário Popular (2018) traz exatamente o sentido de crush que visamos verificar em nossa pesquisa. Podemos verificar, no Dicionário da Oxford (Lexico Dictionary, 2018), as seguintes definições:

Crushv. Deform, pulverize, or force inwards by compressing forcefully.

‘You can crush a pill between two spoons’

Ainda de acordo com o dicionário da Oxford (Lexico Dictionary, 2018), crush teria também o sentido de humilhar.

Crush – v. Make (someone) feel overwhelmingly disappointed or embarrassed.

‘I was crushed—was I not good enough?’

O dicionário da Oxford (Lexico Dictionary, 2018) apresenta outros sentidos da UL crush e inclusive o sentido que trabalhamos em nossa pesquisa, de ter uma ‘quedinha’ por alguém, uma paixão.

Crush – informal. A brief but intense infatuation for someone, especially someone unattainable.

‘She did have a crush on Dr Russell’

Phrasal Verbs

Crush on - Be infatuated with.

‘He's awesome, so it wasn't too surprising that other girls were crushing on him’.

Nota-se que nos dois primeiros sentidos de crush apresentados no dicionário da Oxford (Lexico Dictionary, 2018), essa UL é usada como verbo na frase, já com o sentido de ter uma ‘queda’ por alguém, contudo essa UL já não tem mais a forma de verbo simples e sim a de phrasal verb, ou seja, verbo frase, fenômeno comum na língua inglesa, como por exemplo ‘He's awesome, so it wasn't too surprising that other girls were crushing on him’. Também observamos o uso de crush como substantivo ‘If you and your crush are active on social media [...]’. Além disso, o dicionário da Oxford registra a UL como de uso informal.

Lê-se no dicionário Oxford (Lexico Dictionary, 2018) que a origem de crush é desconhecida, porém o uso na língua inglesa já é antigo e dicionarizado. Com o aumento de uso de mídias sociais, como Instagram, Twitter e Facebook, esse uso foi se espalhando pelo mundo e hoje muitos países usam essa UL e assim como no inglês, o seu uso em outros países também é informal. Porém, tanto no dicionário brasileiro Aulete Digital (2018) e o dicionário francês Larousse (2018), não encontramos um verbete para a UL crush, o que sugere, conforme nossa suspeita, que essa UL é um neologismo em português e em francês. Em ambas as línguas, a unidade lexical crushé usada como um substantivo, como por exemplo em ‘Memes para mandar para o crush’ ou em ‘Aquele friozinho na barriga que só um crush pode provocar’, em português e ‘Ça me fait penser un peu à moi qui a un petit crush pour un mec à mon boulot.’, em francês. A decisão de aplicar o estudo do uso dessa unidade lexical na língua francesa teve o intuito de estender nossa pesquisa, analisando, assim, se a UL em questão pode ser tratada como neologismo também na língua francesa.

Assim, realizamos análises dos usos da unidade lexical crush nas línguas inglesa, francesa e portuguesa. Temos como objetivo principal determinar se essa UL pode ser definida como um estrangeirismo – um empréstimo ou um neologismo – nas línguas portuguesa e francesa, a partir do uso dicionarizado da UL crush em inglês. Essa pesquisa traz resultados que contribuem tanto para os profissionais – professores, tradutores, quanto para os estudantes das línguas envolvidas.

Fundamentação teórica

Entende-se por neologia um processo de criação lexical e por neologismo um elemento resultante desse processo, uma nova unidade lexical introduzida no vocabulário de uma língua. Segundo Silva (2006), a neologia é um fenômeno natural das línguas e ocorre devido ao constante contato e evolução das comunidades. De acordo com Silva (2006, p. 217) a neologia é definida como “[...] processo fundamental que gera elementos inéditos no vocabulário de uma língua”. Sabemos que a língua está em constante evolução, os falantes de uma língua renovam o léxico de sua língua de acordo com as necessidades.

Uma unidade lexical já consagrada em uma língua, pode ter sido, um dia, classificada como um neologismo. Porém, não é possível garantir que um neologismo vá, de fato, cristalizar-se no sistema linguístico da língua. Quando uma unidade lexical se cristaliza em uma língua, ela passa a ser incluída em dicionários, tem uma existência legal na língua receptora. A cristalização de um neologismo pode demorar ou, muitas vezes, não passar de um caso de modismo. Os neologismos podem estar presentes em um vocabulário geral ou em uma linguagem técnica. “As possibilidades de que um neologismo de áreas de especialidade integre um dicionário são muito mais reais do que para os neologismos do domínio geral” (Silva, 2006, p. 226-227).

Existem diferentes classificações de neologismos, dentre eles, o ‘empréstimo’. Bizzocchi (1998) afirma que ao importarmos uma nova unidade lexical de procedência estrangeira, os falantes da língua nem sempre importam todos os significados que a unidade lexical em questão possui na língua de origem. Assim, dado que um neologismo surge dentro de um contexto linguístico específico, ele tende a ser monossêmico. Bizzocchi (1998) afirma que o empréstimo de uma unidade lexical de uma língua A para uma língua B é classificado em três tipos: empréstimo total, empréstimo de significante e empréstimo de significado.

Segundo Bizzocchi (1998, p. 59) a designação de ‘empréstimo total’ dá-se “[...] quando a língua B toma emprestado um vocábulo como um todo, isto é, significante e significado, ressalvadas as adaptações fonético-fonológicas, morfológicas e ortográficas obrigatórias, além da redução de significado acima referida”. Como exemplos concretos de um empréstimo total podemos citar os termos de informática implementados em nosso sistema linguístico, como por exemplo, a unidade lexical software. Para tal definição valemo-nos também de nosso objeto de estudo, a unidade lexical crush, que possui o mesmo significante e significado na língua A e na língua B. Além disso, a UL crush também sofre adaptações fonético-fonológicas, visto que em português não a pronunciamos exatamente como no inglês, pois muitos brasileiros não falam essa língua estrangeira de maneira fluente e não conhecem as regras de articulação da língua inglesa, acabam pronunciando essa unidade lexical de maneira próxima ao português.

Bizzocchi (1998, p. 59) define o ‘empréstimo de significante’ “[...] quando a língua B toma emprestado um significante de A, atribuindo-lhe um novo significado, criado em B”. Como exemplo desse empréstimo podemos citar a unidade lexical petit-gâteau, que apresenta um significado diferente na língua A (língua francesa) daquele que apresenta na língua B (língua portuguesa). Em francês, a unidade lexical tem o significado de qualquer bolo de formato pequeno, enquanto em português, a unidade lexical tem o significado de um bolo pequeno, de sabor chocolate com recheio cremoso de chocolate, servido acompanhado de sorvete.

Por fim, o ‘empréstimo de significado’ é definido por Bizzocchi (1998, p. 59) como “[...] quando a língua B toma emprestado um significado de A, substituindo o respectivo significante por um outro, já existente em B, ou criado especialmente nessa língua para constituir, com aquele significado, o novo vocábulo”. Como exemplo dessa definição, podemos citar a unidade lexical ‘retroalimentação’, criada para trazer o mesmo significado de feedback. Dessa forma, o português (língua B) tomou emprestado o significado da unidade lexical em inglês (língua A), utilizando um significante diferente, adaptando a unidade estrangeira ao sistema morfofonológico de acolhida e criando novos vocábulos em português.

Dentro do processo de neologia, além do empréstimo, temos também o estrangeirismo.

Embora muitas vezes os conceitos de empréstimo e estrangeirismo sejam usados indistintamente, devem ser especificados. Ocorre empréstimo quando um item de uma língua é adaptado ao sistema lingüístico de uma outra língua, ao passo que o estrangeirismo é uma forma alógena adotada por uma língua receptora (Xatara, 1992). Além disso, o empréstimo pode ocorrer dentro de um mesmo sistema lingüístico, entre áreas de conhecimento diferentes, por exemplo (Silva, 2006, p. 221).

Nesse sentido, segundo Silva (2006), o estrangeirismo também pode ser considerado como um tipo de empréstimo, mas ele se mantém na sua forma alógena, mesmo que já estejam morfologicamente incorporados em sua língua de chegada.

Os neologismos emprestados podem ser provenientes de diversas línguas. Historicamente, segundo Alves (1996, p. 12),

A partir do século XVI, a expansão navegatória dos portugueses, a colonização e o contato com os povos conquistados não somente difundem a língua portuguesa como também tornam-se susceptível à influência de outras línguas, sobretudo as faladas no Oriente.

No Brasil, temos a influência das línguas indígenas e dos escravos africanos. No século XVII, a literatura brasileira apresenta reflexos dessa contribuição lexical herdadas das línguas indígena e africana. Dentre os empréstimos podemos dar destaque aos anglicismos que, segundo Silva (2006), constitui a maioria dos empréstimos em muitas línguas. A supremacia do inglês é explicada por Silva (2006, p. 218) “[...] a influência inglesa iniciou-se no século XVIII e desenvolveu-se nos séculos XIX e XX, sobretudo no que diz respeito às novas tecnologias, e anteriormente, devido aos contatos causados pelas guerras”. Nosso objeto de estudo é classificado como um anglicismo, tomamos emprestada a unidade lexical crush da língua inglesa. As renovações da língua, sendo empréstimo ou outro tipo de neologismo, nem sempre são vistas como uma evolução positiva. A esse respeito, Silva (2006, p. 217) comenta:

A cada fase da história há sempre aqueles que se preocupam em preservar uma fase anterior da língua, considerando as transformações em curso como nocivas. É claro que, num primeiro instante, o neologismo, apesar de empregado por determinada necessidade, parece interferir no equilíbrio do sistema linguístico, devido a uma certa dificuldade de integração a esse sistema pelos próprios falantes que o criaram ou tomaram emprestado.

Para que uma unidade lexical seja aceita de fato como um empréstimo em uma comunidade linguística são necessárias diversas pesquisas que comprovem o uso dessa unidade lexical na língua, como afirma Silva (2006, p. 229) “[...] a aceitação de um empréstimo não pode ser apenas questão de escolha do lexicógrafo; deve basear-se em pesquisas sérias que comprovem o uso das unidades lexicais na língua”. Para tal, utilizamos como recurso teórico-metodológico a Linguística de Corpus (LC). “A Linguística de Corpus ocupa-se da coleta e da exploração de corpora, ou conjuntos de dados linguísticos textuais coletados criteriosamente, com o propósito de servirem para a pesquisa de uma língua ou variedade linguística” (Berber Sardinha, 2004, p. 3).

Ao nos valermos da LC para realizar as pesquisas referentes à unidade lexical em questão, crush, entramos em contato com corpora eletrônicos que podem auxiliar na comprovação do uso desse empréstimo. A LC possibilita a extração de unidades lexicais utilizadas em textos no meio cibernético, em diferentes contextos de uso. Essa extração é realizada com ajuda de programas computacionais em nosso corpus selecionado.

Para realizar as análises apresentadas no presente artigo nos valemos de uma metodologia específica com delimitações de datas, línguas e locais, assim como uso de ferramentas que nos auxiliaram na coleta e organização de dados.

Material e métodos

Tínhamos como ideia inicial em nosso trabalho usar redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter e também incluir a ferramenta de pesquisa avançada do Google para levantarmos nosso corpus e analisá-lo. Ao começar a pesquisar, conseguimos levantar um grande número de ocorrêcias da UL crushnessas redes sociais. No Instagram, por exemplo, encontramos 3.478.478 usos de crush no início do ano de 2018. Entretanto, observamos que pelas redes sociais não conseguíamos delimitar o país, ano e língua, então optamos por usar apenas a ferramenta de pesquisa avançada do Google, pois dessa maneira conseguimos fazer as delimitações que desejamos.

Para darmos início a nossa pesquisa, usamos a ferramenta avançada do Google (2018), para que pudéssemos verificar o número de ocorrências da UL crush. Primeiramente, ajustamos a ferramenta avançada para páginas somente em português e fomos avançando ano a ano. Para a UL crush em 2014 encontramos 39.200 ocorrências, em 2015 o número de ocorrências já aumentou para 65.100, em 2016 encontramos 138.000 resultados e em 2017 foram encontradas 382.000 ocorrências de crush. O mesmo fizemos com o inglês dos Estados Unidos e da Inglaterra e em seguida com o francês da França, no mesmo período (Tabela 1).

Tabela 1.
Ocorrências de crush obtidas por meio da busca avançada do Google.
Ocorrências – Crush2014201520162017
Brasil39.20065.100138.000382.000
Estados Unidos1.530.0002.300.0003.950.0008.320.000
Inglaterra165.000404.000320.000657.000
França131.000139.000135.000242.000
Google (2018).

Pudemos observar que os números da UL crush foram aumentando consideravelmente a partir de 2014, tanto em português, quanto em inglês e francês. Porém, muitos dos usos não se enquadram no emprego que buscávamos, no sentido de ‘ter uma paquera ou uma ‘quedinha’ por alguém’. Algumas aplicações estão relacionadas a jogos e por isso não fazem parte de nosso corpus. Sendo assim, realizamos a mesma pesquisa com meu crush em português, my crush em inglês dos Estados Unidos e Inglaterra e mon crush em francês da França. Com essa pesquisa, também observamos um aumento considerável no número de ocorrências no mesmo período desejado e os significados se enquadravam no sentido que propomos nesse trabalho. Os números vinham aumentado gradativamente em 2014, 2015 e 2016, mas podemos observar um salto para o ano de 2017, confirmando a nossa hipótese de que o uso de crush e meu crush é bastante recente (Tabela 2).

Tabela 2.
Ocorrências de meu crush obtidas por meio da busca avançada do Google.
Ocorrências2014201520162017
Brasil – Meu crush14602740753017100
Estados Unidos – my crush76500142000138000217000
Inglaterra – my crush13301540217062800
França – mon crush2153413401880
Google (2018).

Observamos também que o uso de crush e my crush é bastante comum no inglês dos Estados Unidos, com a ressalva de que a quantidade de páginas nesse país é mais ampla que dos outros países de língua inglesa. No caso de my crush, no inglês dos Estados Unidos os números foram aumentando consideravelmente com o passar dos anos, mas é interessante notar que o uso da expressão no inglês da Inglaterra teve um salto de 2170 usos em 2016 para 62.800 usos em 2017. Apesar dessa diferença de uso apontada acima, decidimos considerar em nosso corpus tanto o inglês dos Estados Unidos quanto no inglês da Inglaterra como um corpus único em inglês.

Optamos por levantar um corpus em inglês – dos Estados Unidos e da Inglaterra -, um em português e um em francês para isso usamos a ferramenta BootCaT – Bootstrap Corpora and Terms from the web[2] (Baroni & Bernardini, 2004), na sua versão mais atual (1.06). Esse programa faz uma compilação automática de corpora via web e para que isso ocorra precisamos delimitar as sementes (seeds) que desejamos levantar. As sementes que usamos para levantar nosso corpus em português foram: crush, crushes, crushing, eu tenho um crush, foodcrush, foodcrushing[3], meu crush, o crush, o meu crush e um crush. As sementes que utilizamos em francês foram: crush, crushes, foodcrush, foodcrushing, crushing, j'ai un crush, le crush, mon crush e une crush. E as sementes em inglês foram: crush, crushes, crushing, I have a crush on you, foodcrush, foodcrushing, my crush, the crush, e a crush. Após delimitar as sementes em cada língua, o programa faz uma combinação dessas unidades com as páginas da internet e por fim o corpus é criado em formato txt.

Ressaltamos que o programa analisa as diferentes ocorrências que podem ocorrer com a UL crush. Assim, cada diferença lexical gera uma nova expressão com possíveis usos diferentes sendo, por exemplo, as expressões ‘meu crush’ e o ‘meu crush’ expressões diferentes, com ocorrências diferentes. Acrescentamos também que as diferentes sementes analisadas são resultados de pesquisas prévias realizadas em diferentes redes sociais.

Em seguida, depois de termos compilado o corpus utilizamos o programa Hyperbase Web (2018) para que pudéssemos ter acesso às listas de concordância a partir da UL crush e assim darmos início a nossas análises com os usos mais frequentes dessa unidade lexical. O Hyperbase também nos mostrou que nosso corpus em português possui 10.402 tokens, em inglês 20.642 tokens e em francês 10.457 tokens, como podemos observar na tabela (Tabela 3).

Tabela 3
Número de tokens presentes nos corpora analisados
CorpusTokens
Português10.402
Inglês20.642
Francês10.457
Hyperbase (2018)

Por meio das listas de concordância, pudemos verificar o contexto no qual a UL crush estava inserida e, dessa maneira, verificar se ela se encontrava no sentido aqui proposto e não dentro de um contexto relacionado a jogos, como havíamos encontrado anteriormente.

Por fim, verificamos se a unidade lexical crush já está presente em dicionários online brasileiros, franceses e ingleses como por exemplo (Aulete Digital, 2018; Larousse, 2018; Lexico Dictionary, 2018). Após concluir essas etapas, iniciamos nossas análises com o objetivo de verificar se o estrangeirismo crush já é aceito como um neologismo integrado na língua portuguesa do Brasil e na língua francesa.

Resultados e discussão

A análise dos usos da unidade lexical crush, expressões e suas derivações como crushing, crushes, foodcrush ou foodcrushing nas línguas inglesa, portuguesa e francesa foram realizadas separadamente, com a ajuda do software Hyperbase Web. O programa nos mostrou as frequências e contextos de uso das unidades lexicais em questão, nas diferentes línguas examinadas. As análises foram realizadas separadamente em cada língua (Figura 1).

Ocorrências de unidades lexicais analisadas em inglês, português e francês.
Figura 1.
Ocorrências de unidades lexicais analisadas em inglês, português e francês.
elaboração própria

Em nossas análises, verificamos uma frequência de 210 ocorrências da unidade lexical crush no corpus em inglês, 152 ocorrências da UL no corpus em português e 57 ocorrências da UL no corpusem francês. Esses achados nos demonstram que o uso da unidade lexical crush é mais frequente na língua inglesa, seguido pela língua portuguesa e francesa, respectivamente, de acordo com os dados que obtivemos por meio dos corpora que selecionamos. Optamos por não esmiuçar o lema crush neste ponto, esclarecendo que, mais adiante trataremos das possíveis alterações e/ou combinações que permitem o novo uso da UL.

Crushes apresentou uma frequência de 14 ocorrências em todo o corpus em inglês, 11 ocorrências em todo o corpus em português e 20 ocorrências em todo o corpus em francês. Uma das ocorrências do corpus em português remete a um caso em inglês presente no corpus em questão. Neste caso, em inglês especificamente, a ocorrência no contexto indicava como tradução para a UL crushes, a unidade lexical ‘paixonites’, o que corrobora o significado bem próximo ao procurado em nossa pesquisa. Nos 10 casos restantes em português do uso de crushes percebemos o uso da UL apenas como um substantivo plural de crush. Como conclusão desse fato, nota-se que a forma plural não evoca mudança de significado, que é com mais frequência uma adequação morfológica. Em nosso corpus em inglês, somente quatro ocorrências da UL crushes apresentavam o sentido do verbo ‘esmagar’ enquanto as outras 10 restantes referiam-se apenas à concordância de número do substantivo.

Notamos, no entanto, que todas as 20 ocorrências de crushes no corpus em francês estão inseridas em frases escritas na língua inglesa e apenas quatro usos se referem ao significado de ter uma ‘queda’ por alguém ou algo. Todos os outros 16 usos estão relacionados ao sentido de ‘esmagar’. Podemos concluir que o uso de crushes em francês, comparado ao registro conotativo no inglês, não se mantém. Essa UL é usada apenas em sentenças da língua inglesa e, em sua grande maioria, com um sentido diferente daquele que buscamos. Esses resultados podem ser melhor visualizados na Tabela 4.

Tabela 4.
Ocorrências de crushes obtidas por meio da busca avançada do Google.
CrushesInglêsPortuguêsFrancês
Significado de esmagar101016
Significado de paixão414
Total141120
Google (2018).

No que concerne à forma crushing, em nosso corpus em inglês, encontramos 34 ocorrências, sendo que apenas 13 traziam o significado neológico, como por exemplo na frase he’s crushing on you. Nas outras 21 ocorrências observamos apenas o sentido básico. Essa UL foi encontrada em nossos corpora apenas uma vez em português e duas vezes em francês, porém todas as ocorrências contextualizadas em um uso metalinguístico, ou seja, explicitando o significado da unidade em inglês. O significado da UL crushing na língua-fonte também remete ao verbo crush no sentido de ‘esmagar’, mesmo assim, o processo de acréscimo de mais um sentido também ocorre nessa forma. Crushing, naquele caso significaria ‘esmagando’ e no caso do novo sentido, ‘sentindo-se encantado por alguém’. Observamos estes resultados na Tabela 5.

Tabela 5
Ocorrências de crushing obtidas por meio da busca avançada do Google.
CrushingInglêsPortuguêsFrancês
Significado de esmagar2100
Significado de paixão1312
Total3412
Google (2018).

Além dessas verificações já apresentadas acima, realizamos uma análise das expressões e contextos que envolvem a UL crush em cada língua considerada em nosso trabalho. No corpus em inglês, observamos 22 ocorrências da expressão a crush, sendo que alguns usos são de crush como um substantivo, como exemplo Every time a crush tells you what something they like, mas também nos deparamos com crush no sentido de ‘ter uma queda’ como por exemplo Psychologists say a crush only last 4 months. A análise da expressão I have a crush on you nos mostrou 45 ocorrências, a mais frequente de todas as sementes que escolhemos para levantar o corpus. Isso ocorre porque expressão original em inglês é to have a crush on e, a partir daí, foram surgindo outros usos, como por exemplo a crush como substantivo. Dessa maneira, podemos notar que as expressões a crush e I have a crush on you se encaixam muito melhor em nossa proposta inicial, pois todos os usos estão relacionados com o sentido de estar apaixonado por alguém ou ter uma pessoa considerada como paquera. Em my crush encontramos 3 ocorrências e em the crush apenas uma ocorrência. Notamos aqui que o que mais nos interessa é o uso enquanto substantivo, que aponta para o sentido que buscamos e que tem sido tomado como empréstimos nas outras línguas estudadas.

Na Figura 2, podemos ter uma melhor visualização desses dados.

Figura 2
Expressões e contextos de crush
Expressões e contextos de crushInglês
A crush22
I have a crush on you45
The crush1
My crush3
Google (2018)

Na análise da expressão meu crush obtivemos 12 ocorrências de uso, contudo, quase sempre de forma metalinguística, o que confirma nossa suspeita inicial de que o corpus em português em questão apresenta muito mais explicações do significado da UL crush do que o seu uso efetivo. Poderíamos entender que essa postura faz parte do processo de incorporação da nova unidade. Os falantes a utilizam com frequência e vão transmitindo uma contextualização desse uso para os outros. A expressão o crush aparece 34 vezes em nosso corpus. O uso do artigo definido aponta para uma ideia de que o sentido de crush é, normalmente, direcionado para um único indivíduo. Assim, se existe uma ‘queda’ por alguém ou algo, limitamo-nos a apenas um objeto de desejo. Evidentemente existe a possibilidade de uma pessoa possuir mais de um crush, como vimos no caso de crushes, porém a frequência do uso da UL crush com um artigo definido é mais recorrente. A sequência analisada, um crush, aparece 11 vezes em nosso corpusem português. Esse uso se diferencia dos anteriores - meu crush ou o crush, pois ele retoma a ideia do inglês, o ato de ter um crush, uma ‘queda’ por alguém, e não a pessoa em si, este certamente o sentido mais bem difundido em português, como se observa nas frases ‘Ele é meu crush’ e ‘Eu tenho um crush por ele’. No primeiro caso, crush refere-se a uma pessoa física, remete ao sujeito ‘Ele’ enquanto, no segundo caso, o uso crush remete à ideia de mostrar uma ‘queda’ pelo sujeito ‘ele’. A Figura 3 reúne os exemplos mais significativos do corpus do português.

Figura 3.
Expressões e contextos de crush.
Expressões e contextos de crushPortuguês
Um crush11
O crush 34
Meu crush12
Google (2018)

A pesquisa da expressão j’ai un crush resultou em 4 ocorrências e mais uma ocorrência do verbo avoir no imperfeito (j’avais un crush). A frequência da expressão un crush é de 17 ocorrências. O uso dessa expressão aparece sob a forma de substantivo, assim como no português. Aparece tanto como como uma pessoa física quanto no sentido de ter uma quedinha por alguém. O emprego da expressão mon crush aparece 6 vezes no corpus em francês e possui o mesmo uso que utilizamos no português. A aplicação da semente une crush aparece apenas uma vez em todo o corpus em francês. No restante dos casos, a UL aparece no masculino. O uso no feminino aparece no sentido de ter uma ‘queda’ por uma pessoa e não em relação à pessoa em si. Obtivemos 11 ocorrências da expressão le crush. O artigo definido causa o mesmo efeito que causa em português. O francês também apresenta o artigo definido no plural les, porém mantém a UL crush no singular, utilizando uma sentença como C’est que les crush potentiels se cachent... Resumimos na Figura 4.

Figura 4.
Expressões e contextos de crush
Expressões e contextos de crushFrancês
Un crush17
Une crush1
J’ai/ J’avais un crush5
Le (s) crush11
Mon crush6
Google (2018)

Assim, a partir da análise de nossos dados com o auxílio do software HyperBase Web e a obtenção da frequência e contextos das unidades lexicais pesquisadas (crush, crushes, crushing, foodcrush e foodcrushing), reafirmamos uma alta frequência da UL crush tanto em inglês, quanto em português. Nas três línguas obtivemos um número não muito discrepante de ocorrências, considerando cada uso, mas em francês há um menor número de ocorrências. Nossas análises de expressões com a UL crush em inglês, português e francês mostram que existem semelhanças nas estruturas das diferentes línguas. As ocorrências e usos analisados nos levam a conclusões sobre o uso da UL crush: trata-se de um empréstimo em português que está caminhando para ser um neologismo, considerando que se tomou apenas uma das acepções da UL. Em francês, observamos um movimento parecido.

Após analisarmos nossos corpora para verificação da UL crush em inglês, português e francês, podemos concluir que o uso de crush em português é muito recente e o que comprova esse dado é o fato de grande parte do corpus selecionado tratar de explicações de significado dessa nova UL advinda da língua inglesa, ou seja, um emprego metalinguístico e não linguístico de fonte primária. Como já apontado em nossa Metodologia, as principais ocorrências de crush aparecem nas redes sociais, em uma mistura da língua inglesa com a portuguesa.

Como muitos dos usos em nosso corpus são referentes a explicações de significado da UL, podemos perceber a presença de frases em inglês para exemplificar a aplicação da UL em questão. Os contextos de emprego da UL crush, além daqueles de explicação de significado, são em textos informais e que contêm diversas gírias ou vocabulário de um público jovem, o que justifica seu caráter neológico.

Os franceses dão preferência à UL original do inglês, isto é, na língua francesa não ocorre o mesmo fenômeno da pluralização da UL crush, que se tornaria crushes, enquanto, no português, utilizamos também a forma plural da UL na língua original. Isso leva a considerar que esse neologismo não é mais um simples estrangeirismo em português, mas sim um empréstimo em vias de se adaptar sintaticamente.

Os usos da UL em francês têm muitas similaridades com os usos em português, entretanto, como pudemos notar, existem algumas diferenças em se tratando do uso da UL no plural e no feminino (une crush). No português usamos a UL crushes como o plural do substantivo crush, enquanto no francês não existe o uso de crushes no plural, mas sim, a designação les crush, utilizando um artigo definido no plural e o substantivo mantido no singular.

A UL crush é original da língua inglesa, na qual já está dicionarizada com suas acepções denotativas e conotativas. Em nosso corpus em inglês encontramos o uso especial de crush,ou seja, a mesma aplicação de crush em português e em francês, mas também encontramos outros sentidos para crush, que não entrariam no emprego denotativo dessa UL, como por exemplo ‘esmagar’. Porém, observamos que o sentido de ‘esmagar’ em nossos corpora também apresenta uma utilização metafórica, que seria um sentimento tão forte por outra pessoa que chega a esmagá-la.

Partimos do pressuposto de que a UL crush é um neologismo, pois como notamos ao longo de nossa pesquisa é bastante usada, porém não ainda dicionarizada e se/quando passar a ser, terá que carregar a marca de neologismo. Usamos como corpus de verificação um subcorpus da língua original, a que fornece o empréstimo e de outra língua estrangeira receptora, a língua francesa, para comparar a forma como as ocorrências se dão nos diferentes contextos, o que nos permitiu chegar a essas conclusões.

Conclusão

Concluímos, então, que a UL em questão, crush, pode já ser considerada um empréstimo na língua portuguesa do Brasil, pois os falantes utilizam-na em sua forma original, em inglês, ainda sem adequações fixadas de acordo com as regras gramaticais. Esse uso de forma plural caminha certamente para se constituir em um neologismo. Já no caso da língua francesa, podemos considerar que ainda se trata de um estrangeirismo em vias de ser aceito na língua.

Referências

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Notas

[1] Esclarecemos aqui que deixamos bem definida apenas a variedade do português, por sermos falantes nativos dessa língua, não explicitando, neste trabalho, diferenças na variedade do inglês e do francês.
[3] Ao analisarmos as unidades lexicais foodcrush e foodcrushing não encontramos nenhuma ocorrência em nossos corpora em inglês, francês e português. Havíamos inserido essas sementes na compilação de nosso corpus devido aos números encontrados em nossas pesquisas nas redes sociais, como já mencionado em nossa metodologia, porém fica constatado que esses usos não foram recorrentes em nossos resultados nas consultas na web como corpus. Trata-se de um uso nas redes sociais, mais complexo e moderno, em forma de hashtag. O uso de foodcrush e foodcrushing está relacionado a postagens sobre comida e restaurantes.
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