Artigos - Dossiê Temático
A COR DO PRECONCEITO OU PRECONCEITO DE COR? revisando racismo e cuidado decolonial na enfermagem
A COR DO PRECONCEITO OU PRECONCEITO DE COR? revisando racismo e cuidado decolonial na enfermagem
Revista de Políticas Públicas, vol. 28, núm. 1, pp. 33-51, 2024
Universidade Federal do Maranhão

Recepción: 03 Julio 2023
Aprobación: 16 Mayo 2024
Resumo: Objetivo: Identificar, por uma revisão integrativa, artigos existentes sobre o racismo na enfermagem e cuidado decolonial como uma estratégia de resistência e identidade para enfermeiras e enfermeiros negros. Foram selecionados nove artigos nas bases internacionais. Os artigos encontrados constatam que o racismo na enfermagem se apresenta por microagressões e desfechos evidenciados apontam estratégias para a promoção de práticas de cuidado decolonial exercido pela enfermagem negra. Destaca-se relevância de se reconhecer a existência de uma colonização do cuidado de enfermagem; as características do racismo e preconceito no cuidado exercido pela enfermagem negra; a necessidade da implantação de ações de cuidado decolonial. Para as discussões sobre a enfermagem negra e cuidados decoloniais é necessário trazer a dimensão interseccional como eixo central para a profissão, pois se constituiu como majoritariamente feminina, branca e cristã. Tal constatação vem desde o surgimento se constituindo como barreira de acesso e permanência dessas profissionais nos diversos campos de atuação, principalmente naqueles de destaque. É preciso romper com o imaginário social que as coloca em um lugar de desvalia para constituir uma identidade que colabore para a diversidade e multirracialidade na Enfermagem brasileira.
Palavras-chave: Racismo, enfermagem, construção social da identidade étnica, preconceito.
Abstract: Objective: To identify, through an integrative review, existing articles on racism in nursing and decolonial care as a strategy of resistance and identity for black nurses. Nine articles were selected from international databases. In the articles found, it was found that racism in nursing is presented through microaggressions and the outcomes highlighted point to strategies for promoting decolonial care practices exercised by black nurses. The relevance of recognizing the existence of a colonization of nursing care is highlighted; the characteristics of racism and prejudice in the care provided by black nurses; the need to implement decolonial care actions. For discussions about black nursing and decolonial care, it is necessary to bring the intersectional dimension as a central axis for the profession, as it was constituted as predominantly female, white and Christian. This observation has been a barrier to the access and permanence of these professionals in the various fields of activity, especially in those that are prominent, since its emergence. It is necessary to break with the social imaginary that places them in a place of worthlessness to establish an identity that contributes to diversity and multiraciality in Brazilian Nursing.
Keywords: Racism, nursing, social construction of ethnic identity, prejudice.
1 INTRODUÇÃO
O sistema de dominação e poder imposto pelos países europeus brancos-cristãos aos povos indígenas da Índia, Américas, Caribe e partes da África hierarquizou racialmente as pessoas e categorizou as diferenças fenotípicas, culturais e religiosas (COSTA, 2021). A esses grupos atribui-se um não saber que os inferiorizou e colocou em condição desfavorável de conhecimento questionável e de socialização primitiva (FANON, 2008).
O racismo pode ser compreendido a partir da relação discriminatória entre pessoas de etnias e raças diferentes. Dessa forma, a raça pode ser compreendida como uma construção sócio-histórica que se alicerçou sob diferentes perspectivas, fortemente aceita pela então ciência darwinista para assegurar que as diferenças fenotípicas hierarquizassem pessoas e estabelecesse relações de dominação sobre determinados grupos sociais (QUIJANO, 2000).
Historicamente, essa estratificação das raças foi uma importante estratégia para os movimentos colonizadores dos continentes africanos e americanos. Assim, os povos indígenas e africanos se tornaram o alvo do racismo e tiveram seus corpos objetivados, ou seja, tornaram-se escravos e geraram muito capital para os colonizadores. Dessa maneira se pode considerar que a colonização foi essencial para a modernidade (QUIJANO, 2000; OLIVEIRA; LUCINI, 2021).
Esse mecanismo ficou conhecido como colonialismo e consistiu na exploração dos povos colonizados pelos europeus. O racismo e o preconceito racial foram usados como ferramenta vital para justificar a supremacia racial branca e o poder exercido pelo colonizador branco sob os povos não brancos, principalmente negros e indígenas. Em meados do século 20, as ex-colônias começaram a se tornar independentes de seus colonizadores (BRATHWAIT,2018).
Enquanto o colonialismo se refere à dominação política e econômica de um país sobre o outro, a colonialidade é entendida como o resultado do colonialismo, que vai além das relações políticas e econômicas. Nesse caso, a decolonização se limita à independência político-jurídica da colônia, enquanto a relação colonial permanece intacta, manifestada pelo exercício do poder, do saber e da existência (MIGNOLO, 2009; OLIVEIRA; LUCINI, 2021).
Como uma das principais consequências desse modelo de exploração, com o intuito de explorar corpos não brancos surgem as pseudociências, que atribuíram a inferioridade racial como um modo de se estruturar a relação dominador e dominado, admitindo que o primeiro grupo tenha privilégios sobre o segundo. Nunes (2015) traz que se trata de uma construção social multideterminada e complexa, que perpassa os relacionamentos institucionais, pessoais e cotidianos. É incorporada historicamente, perpetuando uma visão preconceituosa por intermediação de sua reprodução nas relações sociais.
Para além do racismo, outro ponto importante que compôs o colonialismo foi o modelo piramidal de estruturação social europeu. Esse se determinou pela figura do homem branco cristão como hierarquicamente dominador dos demais - mulheres brancas, homens negros e mulheres negras, respectivamente. Nesse contexto, a mulher negra ocupou - e ainda ocupa - a base dessa estratificação e sofre(u) fortemente pelo fato de ser mulher e de ser negra (CRENSHAW, 2004; GONZÁLEZ, 2020, HOOKS, 2024, 2022).
Essa interseção criou barreiras e impediu que as mulheres negras tivessem uma ascensão social, política e econômica. Mesmo com o fim da escravidão e com um regimento político pautado na democracia a maior parte delas seguiu como uma força doméstica no trabalho enquanto as mulheres brancas seguiram em busca de direitos em relação aos homens brancos (GONZÁLEZ, 2020).
Autoras como Kimberlé Willians Crenshaw (2004), Lélia González (2020), Patricia,Hill Collins (2021), Bell Hooks, (2022, 2024) e tantas outras, trazem excelentes contribuições sobre interseccionalidade. Nesses escritos ficam evidentes os desafios que as mulheres negras encontram para sua ascensão política, econômica e social. Os movimentos feministas negros seguem em luta pela ruptura com as estruturadas do colonialismo.
Como contraponto à colonialidade, o racismo e os demais preconceito neles impregnados, emerge o conceito de decolonialidade, que pode ser entendida como parte integrante das lutas, movimentos e ações (trans)locais para resistir e rejeitar o legado e as relações de poder em curso e os padrões de poder estabelecidos pelo colonialismo interno e externo e o mundo moderno/colonial (MIGNOLO,2020).
A decolonialidade tem a intenção de impactar no sistema hierárquico de poder, rompendo, transgredindo e desmembrando-se dessa matriz colonial para que outros modos de raciocinar, sentir, esperar, fazer e vivenciar sejam possíveis. Mignolo (2020) afirma que a decolonialidade é ainda uma tentativa de desfazer o que se compreende como racionalidade ocidental em única perspectiva possível de existência, análise e pensamento, tornando, assim, visíveis outras formas de pensar, fazer, conhecer, sentir e ser.
Por conta disso, torna-se necessária a percepção da existência de um grande trânsito de ideias eurocentradas nos diversos aspectos elementares, particulares do cotidiano de grande parte das pessoas. Nessa perspectiva e visando um aumento do conhecimento com teor decolonial, é importante estabelecer um olhar crítico para os processos instituídos pela colonização que permanecem vivos e arraigados mesmo em tempos pós-coloniais. Para Leite (2016) eles devem ser superados para assegurar que o conhecimento decolonial respeite a diferença nos diversos campos e saberes da saúde, e mais especificamente o do cuidado à saúde exercido pela enfermagem negra.
Estudos internacionais que abordam o racismo na enfermagem trazem uma diversidade de experiências racistas que esses profissionais vivem, que vão desde a formação e permanecem por toda sua vida profissional. A invisibilidade do trabalho realizado pelas enfermeiras negras tem início com o surgimento da enfermagem moderna, que teve seu protagonismo identitário em Florence Nightingale e invisibilizou Mary Jane Seacole, enfermeira jamaicana.
No Brasil, o último censo realizado pelo Conselho Federal de Enfermagem (2017) mostrou que os profissionais negros estão em condições menos favoráveis em relação aos brancos. Outro dado expressivo é relativo ao número de docentes enfermeiros negros na pós-graduação em Ciências do Cuidado em duas grandes universidades federais do estado do Rio de Janeiro, em que o percentual não ultrapassou 7% (sete por cento) dos docentes. (SOUSA et al., 2021)
Esse estudo teve como objeto o racismo sofrido por enfermeira(o)s negra(o)s e a invisibilidade do cuidado na perspectiva decolonial. Assim, o objetivo deste trabalho foi identificar literaturas existentes, nas bases de dados selecionadas, sobre o racismo na enfermagem e cuidado decolonial como uma estratégia de resistência e identidade para enfermeiras e enfermeiros negros.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo qualitativo estruturado a partir da uma revisão integrativa como parte do levantamento do estado da arte para elaboração de uma tese. Os dados foram produzidos no período de dezembro de 2021 a janeiro de 2022. A busca utilizou as principais bases internacionais através de um portal de periódicos. Para análise, foram selecionados 9 artigos agrupados por similaridade de conteúdo, dando origem a três categorias.
Com foco sobre o racismo na enfermagem, a revisão integrativa teve a questão suleadora embasada no acrônimo PICO – Paciente, Intervenção, Comparação e “Outcomes” (desfecho) –, foi a seguinte: de que maneira as enfermeiras e os enfermeiros negros lidam com o racismo profissional na construção identitária presente no contexto da formação e da prática de enfermagem?
A partir da pergunta de pesquisa foram definidos os descritores a serem utilizados e suas combinações nas línguas portuguesa e inglesa, utilizando a estratégia PICO, sendo estes: P (população ou problema) – racismo na enfermagem; I (intervenção proposta) – empoderamento para enfermeiras e enfermeiros negros; C (constitui controle ou comparação) – Construção identitária x Racismo profissional; O (desfecho, resultado esperado) – superação do racismo, respeito e valorização da diversidade racial na enfermagem. Para responder a essa pergunta, o estudo foi sistematizado e organizado através da estratégia PRISMA. Esta estratégia consiste em 27 recomendações organizadas em forma de checklist (GALVÃO,2015).
3 DESENVOLVIMENTO
3.1 Estratégia de busca
A busca dos estudos foi realizada no período de dezembro de 2021 a janeiro de 2022, pelo Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Portal Capes), com acesso por meio da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe). No processo de busca e seleção, foram consultadas as bases de dados: National Center for Biotechnology Information (NCBI/PubMed); Scopus (Elsevier); Cumulative Index to Nursing and Allied Healh Literature (CINAHL) via coleção principal Thomson Reuters; Web of Science via coleção principal (Clarivate Analytics) e Gale Academic OneFile (GALE).
A busca dos artigos foi realizada com a utilização do operador booleano “AND” através dos descritores pareados e em inglês como MeSH terms: Nursing AND Racism AND Social Construction of Ethnic Identity AND Prejudice, como observado na “Tabela 1” a seguir, de pareamento e triangulação dos descritores conforme as bases de dados selecionadas.
| Descritores (DECS / MESH) Pareados | Pubmed | Scopus | Web of Science | GALE | CINAHL | Total | ||||||
| Ac. | Sel. | Ac. | Sel. | Ac. | Sel. | Ac. | Sel. | Ac. | Sel. | Ac. | Sel. | |
| Nursing AND Racism | 5.411 | 1 | 702 | 1 | 765 | 1 | 5.378 | 0 | 1.644 | 0 | 13.900 | 3 |
| Nursing AND Social Construction of Ethnic Identity | 1.780 | 0 | 3 | 0 | 0 | 0 | 4.116 | 0 | 15.356 | 1 | 21.255 | 1 |
| Nursing AND Prejudice | 7.990 | 2 | 3.084 | 2 | 111 | 0 | 62.784 | 1 | 1.431 | 0 | 75.400 | 5 |
| Nursing AND Racism AND Social Construction of Ethnic Identity AND Prejudice | 135 | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | 445 | 0 | 4.298 | 0 | 4.878 | 0 |
| Total | 15.316 | 3 | 3.789 | 3 | 876 | 1 | 72.723 | 1 | 22.729 | 1 | 115.433 | 9 |
3.2 Critérios de seleção
Como critérios de inclusão, os estudos precisariam estar disponíveis por entrada nas bases de dados selecionadas acima com intermédio do Portal Capes escritos no idioma português, inglês e espanhol e publicados entre janeiro de 2016 e janeiro de 2022. Foram excluídos artigos de revisão, dissertações, teses, matérias de jornais e demais artigos que não atendessem ao tema da pesquisa e artigos repetidos à primeira análise.
Por conseguinte, foram realizadas as leituras dos títulos e dos resumos para identificar os estudos que poderiam atender ao tema da pesquisa. Selecionados os estudos, foram feitas as leituras dos artigos na íntegra de forma interpretativa das obras, sendo todos categorizados e fichados para posterior síntese das informações. O fichamento buscava extrair as seguintes informações: periódico, ano de publicação, país da pesquisa, título, objetivos da pesquisa, método de estudo, resultados e conclusões.
3.3 Tratamento dos dados
Para sumarizar as informações, foram buscadas características comuns percebidas em pelo menos dois estudos, não sendo consideradas características incomuns encontradas em apenas um estudo. O risco de viés do estudo foi considerado a análise dos dados de cada artigo.
Para o nível de evidência, foi considerada a seguinte classificação: nível 1 – evidências oriundas de revisões sistemáticas ou meta-análise de Ensaios Clínicos Randomizados Controlados (ECRC); nível 2 – evidências obtidas de, pelo menos, um ECRC bem delineado; nível 3 – originadas de ensaios clínicos bem delineados sem randomização; nível 4 – provenientes de estudo de caso-controle e de corte bem delineados; nível 5 – obtidas de revisões sistemáticas de estudos descritivos ou qualitativos; nível 6 – oriundos de um único estudo descritivo ou qualitativo; e nível 7 – evidências originárias de opinião de autoridades e/ou comitê de especialistas, conforme Galvão.
A estratégia de análise dos resultados baseou-se na análise temática proposta por Minayo. Dessa forma, após a leitura integral dos artigos elegidos, foram construídos três eixos categóricos para análise: a cor da enfermagem, por uma identidade policromática e a enfermagem de cor.
4 RESULTADOS
A partir das definições literárias dos artigos nas bases de dados e em consonância com o objetivo e objeto propostos, as leituras selecionadas foram minuciosamente orientadas pela questão que as suleou. Dessa forma, as estratégias de busca permitiram identificar 115.433 estudos, sendo 15.316 na PubMed, 3.789 na Scopus, 22.729 na CINAHL, 876 na Web of Science, e 72.723 na GALE. Após exclusão dos estudos duplicados e aplicação dos critérios de elegibilidade, foram selecionados nove estudos. Assim, esses nove estudos compuseram a amostra final. O fluxo do processo de seleção dos estudos é ilustrado na Figura 1.

Os nove textos selecionados foram então submetidos a uma tabulação em formato de quadro analítico em que os dados foram sintetizados e dispostos organizadamente de forma sistemática, para melhor exposição das informações na Tabela 2.
| BASE E | Autor | Objetivos | Tipo / método | Síntese de Resultados e Conclusões | Desfechos evidenciados como estratégias para a promoção de práticas de cuidado decolonial exercido pela enfermagem negra | NÍVEL DE EVIDÊNCIA |
| PUBMED | Ackerman-Barger, 2020 | Descrever como as microagressões raciais podem afetar o aprendizado ideal para estudantes de profissões de saúde sub-representadas. | Pesquisa Qualitativa | As enfermeiras negras sentiram-se afetadas relatando fortes emoções ao experimentar microagressões raciais, incluindo sentir-se estressadas, frustradas e irritadas por essas interações. | As lideranças e corpo docente das escolas de enfermagem devem implementar: - Políticas, práticas e estratégias de ensino que apoiem e alavanquem a diversidade; - Estratégias para que a resolução de problemas (para reduzir) reduza as disparidades. | 6 |
| PUBMED | Cottingham, 2020 | Examinar as experiências de enfermeiras de cor na Holanda. | Pesquisa Qualitativa | Enfermeiras Negras notaram que, pacientes e seus familiares os viam como ocupando um status “inferior”, sentindo ainda que seus colegas, em particular os brancos, se viam como superiores a elas por causa de sua cor de pele. | Os enfermeiros negros precisam: - Receber maior atenção e estratégias que visem incentivar sua valorização e incentivo dentro de sua profissão que é marcada como majoritariamente branca. | 6 |
| PUBMED | Iheduru‐Anderson 2020 | Examinar as percepções de enfermeiras negras sobre as barreiras para o avanço na carreira na profissão de enfermagem. | Pesquisa Qualitativa | Enfermeiros negros enfrentam desafios significativos ao ocupar cargos de liderança, passando por discriminação racial e falta de acesso à orientação e apoio. | As Enfermeiras Líderes devem: - Pôr em prática a discussão de questões que afetam a prestação de cuidados equitativos e culturalmente apropriados. | 6 |
| SCOPUS | Thomas-Hawkins, 2022 | Examinar as associações entre raça, racismo no local de trabalho, sofrimento emocional, insatisfação no trabalho e intenção de sair entre enfermeiros hospitalares. | Pesquisa correlacional transversal quantitativa | As enfermeiras negras experimentaram os climas raciais mais negativos e o maior número de tipos de microagressão, e (As enfermeiras negras) relataram experiências de racismo no local de trabalho. ATENÇAO! | Líderes em Saúde devem entender a necessidade da diversidade racial da força de trabalho de enfermagem e com isso: - Identificar barreiras para aumentar e reter enfermeiros negros na profissão de enfermagem para manter um quantitativo ideal de profissionais para prestar cuidados. | 3 |
| SCOPUS | Russel, 2022 | Explorar a questão de pesquisa: A profissão de enfermagem experimentou uma transformação de perspectiva relacionada à justiça racial e equidade em saúde após a morte de George Floyd? | Pesquisa Qualitativa | Os resultados demonstraram que a profissão de enfermagem está começando a articular a questão do racismo na assistência à saúde e está comprometida em defender os pacientes de cor. | A profissão precisa de: - Liderança e orientação de organizações de enfermagem; - Um movimento de base onde os enfermeiros no nível da prática sejam motivados a melhorar os resultados dos pacientes e sustentar a mudança por meio do reconhecimento do racismo estrutural. | 6 |
| SCOPUS | Byers, 2021 | Examinar a relação entre o estresse relacionado ao racismo e a resiliência psicológica em enfermeiros negros/afro-americanos. | Desenho descritivo correlacional quantitativo. | As enfermeiras negras/afroameri-canas indicaram que vivenciam estresse relacionado ao racismo. Embora todos os enfermeiros deste estudo sejam profissionais e vários tenham pós-graduação. | Necessidade cotidiana de as enfermeiras negras/afroameri-canas identificarem: - Estratégias de resiliência; - Capacidade de avaliar a natureza do estressor relacionado ao racismo; - Capacidade de mitigar os efeitos nocivos do racismo, utilizando recursos de enfrentamento. | 3 |
| GALE | Beard, 2022 | Reconhecer e abordar as barreiras sociais e as desigualdades estruturais, para que todos os alunos tenham a oportunidade de avançar e progredir. | Pesquisa Qualitativa | Recrutar e formar uma força de trabalho racialmente diversa está intrinsecamente ligado à equidade em saúde. | Ampliar esforços para: - Criar ambientes de aprendizagem que preparem futuros profissionais de enfermagem e saúde com conhecimento, atitude e habilidades para desmantelar políticas e práticas que buscam eternizar o racismo são fundamentais. | 6 |
| CINAHL | Riley, 2021 | Descrever as barreiras das enfermeiras afro-americanas na conclusão do bacharelado em ciências e soluções para conclusão do bacharelado em enfermagem | Estudo quantitativo | Este estudo revelou barreiras à inscrição, retenção e graduação de enfermeiros afro-americanos em um programa RN-BSN. | É necessária a implantação de estratégias como: - Acesso a financiamento, falta de assistência para conclusão da inscrição, poucas opções de entrega de cursos, como cursos on-line, demandas e obrigações familiares. | 4 |
| WEB OF SCIENCE | Iheduru-Anderson 2022 | Examinar como a raça e o gênero influenciam como as líderes de enfermagem acadêmicas das mulheres negras atuam em suas posições de liderança... | Pesquisa Qualitativa | As participantes revelaram que é fundamental melhorar a inclusão na liderança de enfermagem acadêmica, principalmente como líderes de enfermagem acadêmicas. | A liderança do ensino superior envolvida com programas de enfermagem deve: - Implementar uma pedagogia antirracista e treinamento de professores associados para melhorar a cultura do campus e abordar agressões raciais em todos os níveis de ensino de enfermagem. | 6 |
A Tabela 2 foi elaborada pelos autores para a síntese dos dados de cada estudo primário incluído na revisão, contendo as seguintes informações: autor, objetivos, tipo/método, síntese de resultados e conclusões. Este quadro permitiu a comparação e a organização dos dados, de acordo com suas diferenças, as similaridades e a pergunta da revisão, que foram analisados criticamente e integrados.
Nesse contexto, pela intenção de singularizar os achados dos artigos selecionados, através da elaboração do quadro acima, foi possível uma concentração dos dados para facilitar a construção analítica da discussão em torno da temática deste artigo de revisão sistemática.
Ao se verificar os anos de publicação dos artigos, é possível constatar que 3 artigos foram publicados em 2020, 2 artigos foram publicados em 2021 e 4 artigos foram publicados em 2022, o que mostra que a temática vem sendo discutida recentemente.
O país onde aconteceu a maioria das pesquisas publicadas nos artigos foi EUA, com 8 artigos publicados. O outro artigo foi publicado na Holanda. Ressalta-se não haver nenhum artigo publicado a partir de pesquisas brasileiras.
Os periódicos científicos onde mais foi possível identificar estudos relacionados à temática foram: Global Qualitative Nursing Research (2 artigos) e Nursing Outlook (2 artigos); nas demais revistas foi possível encontrar apenas um artigo científico.
O método de pesquisa mais usado nos estudos encontrados foi o qualitativo (6 artigos). Os demais (3 artigos), o método quantitativo por amostra de variáveis.
Sobre os objetivos dos estudos, foi possível chegar à percepção que, dos 9 artigos que compõem esta revisão, 5 objetivavam examinar a forma como o racismo e o preconceito influenciam a enfermagem negra, ou seja, quase metade das pesquisas vinculadas aos artigos possuíam esse objetivo.
Nos desfechos evidenciados como práticas de cuidados exercidas pela enfermagem negra, identificou-se que dois artigos guardavam relação com a temática referente à “Colonização do cuidado de enfermagem: características do racismo e preconceito no cuidado exercido pela enfermagem negra (COTTINGHAM, 2022); 3 artigos estavam relacionados à temática “Barreiras e desafios da construção identitária étnica do cuidado exercido pela enfermagem negra” (ACKERMAN,2020; IHEDURU,2020; RILEY, 2021) e 4 artigos tinham relação com a temática “Estratégias de cuidado decolonial: estratégias de construção identitária étnica do cuidado exercido pela enfermagem negra (RUSSEL, 2021; IHEDURU, 2020; THOMAS, 2022; BYERS, 2021).
Com relação ao nível de evidência, 6 artigos apresentaram nível de evidência 6, 2 artigos apresentaram nível de evidência 3, 1 artigo apresentou nível de evidência 4.
5 DISCUSSÃO
A análise dos dados foi elaborada de forma descritiva, baseada em Minayo (2012, 2016). Com isso, a organização dos dados resultou em três categorias temáticas: A cor da enfermagem: as marcas da colonização, por uma identidade policromática, A enfermagem de cor: por uma decolonização profissional, explicitadas a seguir.
Essa categoria discutiu sob a perspectiva histórica e social das experiências de enfermeiras negras no contexto da colonização europeia. Um dos artigos descreveu o trabalho das enfermeiras negras na Holanda, onde se notou o peso do fenótipo (nomeadamente a cor da pele) e sinais de status nativo (habilidade de linguagem) na marcação da diferença entre as “nativas”, holandesas brancas.
Nesse estudo, Cottigam (2020) trouxe como foco a interseccionalidade da enfermagem na Holanda e constatou que o racismo e o assédio sexual são maiores nas enfermeiras negras, e que, do ponto de vista socioeconômico, as enfermeiras negras têm pouca progressão na carreira. O que se percebeu é uma idealização histórica de referência em Florenece Nightingale como o idealizado para identificação da enfermeira.
Considerado como um país tolerante às diferenças, este estudo holandês mostrou que na Holanda as experiências do racismo na profissão seguem um modus operandi mundial de cuidar, ser e fazer enfermagem. Enquanto o racismo é frequentemente negado no país, pois há um discurso que enfatiza multiculturalidade, as experiências das enfermeiras negras se assemelham a de outros países como os Estados Unidos da América.
Nesse contexto, os estudos sobre o preconceito racial nos EUA e Inglaterra são numericamente os maiores e seguem respondendo a uma perspectiva interseccional porque existe uma diferença em ser enfermeira negra. As marcas da colonização seguem como um indicador importante na manutenção das barreiras sociais e econômicas para as mulheres negras que têm a profissão de enfermagem.
No Brasil, os dados do último censo realizado pelo Conselho Federal não trouxeram a discussão interseccional. Embora tenha destacado o gênero- apenas pela binaridade-, não trouxe a diferença racial entre as mulheres enfermeiras brancas e não-brancas. Pode-se inferir que o mito da democracia e da neutralidade racial tenham sustentado a pesquisa.
Por muitos anos se atribuiu o fato de que todos são iguais e que o racismo fora abolido do país e, portanto, não haveria necessidade de um aprofundamento sobre essa questão. É preciso que a diversidade étnico-racial no trabalho da enfermagem seja amplamente sustentada e acompanhada de ações que garantam acesso e oportunidades para o grupo menos favorecido. Outro ponto revelado passa por ser uma profissão majoritariamente negra, onde essa maioria está centrada nas categorias de nível médio (auxiliares e técnicos) onde os salários são inferiores aos da enfermeira(o)s.
O que se percebe é uma falsa hegemonia étnico-racial da categoria, efeitos da colonialidade que retardam a inserção de práticas e pensamentos decoloniais e invisibilizaram as pessoas negras e partiram do modo eurocentrado sobre a visão de mundo. Os processos formativos, seja na academia seja nos ambientes de trabalho, mantêm a estrutura racista que neutraliza os corpos, mantêm os referenciais euramericanos que têm por referência o ideal de ser branco, cristão pautado em uma lógica patriarcal.
A enfermagem tem seu cuidado alicerçado na colonialidade onde suas práticas preservam uma práxis conservadora, racional, positivista. O colonialismo desconsiderou a diversidade étnico-racial na construção de um cuidado singular que fosse capaz de salvaguardar as diferenças e as diferentes formas com que se constituem as sociedades. Do ponto de vista socioantropológico, a colonialidade distancia uma formação plurirracial, democrática e equânime
A construção de uma identidade multirracial para o cuidado de enfermagem pode ser usada como ferramenta para transpor as barreiras e desafios impostos pelo racismo para a constituição de uma enfermagem negra, onde a diversidade étnico-racial e intercultural contribua na formação, assistência e gestão do cuidado. Alguns estudos trouxeram a exposição recorrentes dos profissionais negros na enfermagem a condições desfavoráveis, como as microagressões vinculadas ao racismo.
Para garantir uma policromia na enfermagem, alguns autores apontaram que os espaços acadêmicos precisam criar ambientes de aprendizado inclusivos que ajudem os alunos minoritários sub-representados não apenas a sobreviver às escolas de formação, mas também a prosperar e alcançar seu pleno potencial acadêmico (IHEDURU,2020).
É nesse contexto que cabe salientar o fato de que experiências de racismo e discriminação racial na profissão podem dificultar o número de jovens negros que veem a enfermagem como uma opção viável de carreira. Para tanto, as “Black Nurses” (BN) devem ser ativamente recrutadas, desenvolvidas, apoiadas e nutridas para assumir papéis de liderança e de docência.
Dado o pequeno número de líderes e docentes da BN, cabe aos enfermeiros de todas as raças e etnias trabalhar proativamente com estudantes, novos enfermeiros e enfermeiros experientes, dentro de suas instituições, para reduzir as barreiras associadas ao racismo que impedem o avanço das BNs em sua profissão. Os resultados deste estudo indicam que as BNs têm as habilidades e qualificações acadêmicas para se sentar à mesa de tomada de decisão, estão preparadas para participar ativamente do processo de tomada de decisão e compartilhar a perspectiva dos diversos espaços de atuação da enfermagem.
Nessa vertente, modelos que descrevem soluções para barreiras e desafios enfrentados por enfermeiros incluem a necessidade de busca pelo sucesso em ações direcionadas à aprendizagem, como: programa de percursos individualizados, programa de bolsas de estudo, coaching acadêmico para excelência e para sucesso em enfermagem.
Observa-se também a necessidade de implantar ações de fomento para a construção identitária étnica, em especial no que concerne à transposição de barreiras no cuidado exercido pela enfermagem negra.
Essa categoria trouxe reflexões sobre como pensar em modelos de cuidado interculturais, concorrendo para um diálogo decolonial. Dessa maneira, alguns estudos identificaram a necessidade de incorporar na teoria e na prática de enfermagem políticas que afirmem a diversidade, superem as disparidades étnico-raciais. Outra consideração trazida nos textos versa sobre ser fundamental o respeito e a valorização do trabalho de profissionais negros, visando findar com as microagressões recebidas em razão do fenótipo.
Do ponto de vista formativo, os artigos indicaram a necessidade de reformulação das políticas educacionais e pedagógicas na enfermagem, com a inclusão de conteúdos antirracistas pautados na garantia da equidade e diversidade tendo a premissa de uma perspectiva multicultural. Por consequência, valorizar o cuidado centrado na pessoa com o objetivo de assegurar uma assistência singular, ampliada e multifacetada.
Outro horizonte encontrado sobre as chances de se produzir uma enfermagem decolonial no campo prático passa por desmantelar políticas racistas e conservadoras na gestão dos serviços. A diversidade profissional pode favorecer um cuidado capaz de dialogar com as diferenças de maneira ética, clínica, digna e livre de toda e qualquer forma de preconceito ou discriminação, principalmente a racial.
E, por fim, essa categoria propõe uma ação essencial e necessária para a transformação da profissão (RUSSEL, 2022). Dessa forma, o pensamento decolonial apresenta o desafio de aperfeiçoar e construir uma identidade étnica plurirracial na enfermagem. Seja por processos de educação permanente onde as lideranças se atentem para superação do racismo nos locais de trabalho, seja nos cursos de formação em enfermagem, estimulando a permanência dos estudantes negros. A paridade racial nesses espaços aparece também como um indicador de enfretamento ao racismo. Desse modo, as ações afirmativas são boas ferramentas para decolonizar a profissão.
Na pesquisa realizada por Byers (2021), identificou-se o racismo como estressor para as enfermeiras negras e que tal condição pode se tornar um risco ocupacional. Um dado interessante para o enfrentamento dessa discriminação foi a resiliência psicológica como um recurso para minimizar os efeitos desse estresse. Entretanto as instituições e lideranças têm dificuldade no manejo.
A pesquisa reconheceu que há poucos estudos dessa natureza realizados na área da enfermagem e que o racismo profissional tem excluído enfermeiras negras, pois, para isso, basta a condição de serem negras para exposição recorrente ao racismo no trabalho. Thomas (2022) refere que alguns profissionais acabam desistindo de seguir na carreira diante do racismo e das microagressões recorrentes.
A decolonização profissional pode oferecer meios para mitigar o racismo, diversificar profissionais e práticas de cuidado, levando em consideração medidas de inclusão e equidade, com vistas a romper com essa Eurovisão construída para a enfermagem. Dessa maneira, será preciso implementar uma política de valorização e inserção de múltiplas culturas de tal forma que o cuidado decolonial seja tão relevante para a enfermagem quanto o já existente.
6 CONCLUSÃO
A partir deste estudo, constata-se que as literaturas existentes sobre o racismo na enfermagem são poucas, principalmente se comparada às inúmeras produções científicas no campo da enfermagem. Entretanto, os artigos encontrados foram relevantes para se pensar a premência de pesquisas sobre o tema.
O pensamento decolonial foi outro ponto que indica a necessidade de inserir outras formas de cuidar que ultrapassem a hegemonia centrada e orientada pelas duas grandes influências teórico-práticas mundiais: a europeia e a norte-americana. É essencial garantir que as culturas de diferentes etnias contribuam na construção de um cuidado intercultural, plurirracial, ampliado e integral.
Destaca-se a relevância de reconhecer que a enfermagem, assim como as demais instituições e profissões que se estruturam pelos referenciais da colonização – branca, cristã e patriarcal –, seguem instituídas pelo preconceito racial. Tal condição impõe às enfermeiras e enfermeiros negros inúmeras barreiras e desafios na construção étnico-identitária do cuidado exercido por esse corpo social.
Pode- se inferir que, a enfermagem como uma profissão majoritariamente feminina, traz a marca de um cuidado subjugado historicamente a uma hierarquia médica. Mas ao pensar sobre as enfermeiras negras, tem-se a raça como um fator a ser interseccionado, pois Ser-Enfermeria-negra tem uma conotação diferente de Ser-Enfermeira-branca. Tais constatações marcam lugares e condições distintas para essas mulheres. Como mostrou este estudo, o fenótipo determina as condições e relações atinentes à formação e à prática profissional.
Dessa forma, a implantação de ações de um cuidado pautado na perspectiva decolonial onde haja protagonismo das enfermeiras negras é fundamental e compõe uma ação afirmativa e de resistência. Entretanto, trazer essa pauta para a discussão dos diferentes segmentos da classe e para o campo da saúde ainda é desafiador. Por fim, compreendemos que essa revisão é apenas o início de um trabalho que servirá para novas discussões, reflexões e ações na reconstrução da enfermagem decolonial no cuidado em saúde.
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