Artigos
Modelos de Fluxos de Carbono em uma Área de Floresta Tropical Zonalmente Seca (Caatinga)
Carbon Flux Models in a Zonally Dry Tropical Forest Area (Caatinga)
Modelos de Fluxos de Carbono em uma Área de Floresta Tropical Zonalmente Seca (Caatinga)
Sociedade & Natureza, vol. 36, no. 1, e72381, 2024
Editora da Universidade Federal de Uberlândia - EDUFU
Received: 05 February 2024
Accepted: 19 June 2024
Published: 12 September 2024
Funding
Funding source: Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco-FACEPE
Contract number: processo nº: IBPG-0030-9.25/18
Funding statement: Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco-FACEPE pelo auxílio financeiro do processo nº: IBPG-0030-9.25/18
Resumo: Estudos sobre trocas de energia em ecossistemas desempenham um papel importante na compreensão dos fluxos de carbono diante dos diferentes padrões da vegetação. No contexto das áreas semiáridas, entender a variabilidade na absorção de carbono é fundamental para quantificar e antecipar os impactos das alterações do ecossistema de caatinga. O objetivo deste estudo é calibrar e avaliar modelos para a Produção Primária Bruta (GPP), o Fluxo Líquido do Ecossistema (NEE) e a Respiração do Ecossistema (Reco) no bioma de caatinga. Foram obtidas medições da NEE, calculado em intervalos de 30 minutos usando o software EddyPro 3.6, a partir de dados brutos medidos a 10 Hz. A GPP foi estimada pela partição do NEE e Reco, todos medidos em micromoles de CO2 por metro quadrado por segundo (μmolCO2 m-2 s-1) na torre de covariância de vórtices turbulentos (EC), instalada em uma reserva legal, na Embrapa Semiárido, em Petrolina - Pernambuco, em um recorte do dossel da caatinga. Após as medições dos fluxos de carbono e da respiração do ecossistema foram realizadas medidas de campo com espectrorradiômetro portátil FieldSpec HandHeld para obter a reflectância do dossel em torno da torre de covariância de vórtices turbulentos, as medições foram realizadas no ano de 2015 em uma área de caatinga preservada. Os modelos de regressão linear múltipla foram desenvolvidos, para estimar os fluxos de carbono, a partir de imagens orbitais, permitindo estimar com precisão GPP, NEE e Reco, utilizando-se o produto MODIS/Terra Reflectância Superficial Diária (MOD09GA). Os principais resultados mostram a eficácia dos modelos desenvolvidos, destacando-se o modelo de GPP com melhores índices estatísticos (R=0,97; R2=0,95; Erro Padrão da Estimativa=0,20). As medições observadas na torre EC apontaram que os modelos desenvolvidos para estimar a NEE, GPP e Reco, com dados da reflectância do visível e do infravermelho próximo, os modelos representaram adequadamente o período seco e capturaram com precisão os aspectos fenológicos do ecossistema da caatinga.
Palavras-chave: Sensoriamento remoto, Modelagem, Semiárido.
Abstract: Studies on energy exchange in ecosystems are critical for understanding carbon flows amid different vegetation patterns. In semi-arid areas, comprehending the variability in carbon absorption is essential for quantifying and anticipating the impacts of changes in the caatinga ecosystem. This study aims to calibrate and evaluate models for Gross Primary Production (GPP), Net Ecosystem Exchange (NEE), and Ecosystem Respiration (Reco) in the caatinga biome. NEE measurements were obtained and calculated at 30-minute intervals using EddyPro 3.6 software, from raw data measured at 10 Hz. GPP was estimated by partitioning NEE and Reco, all measured in micromoles of CO2 per square meter per second (μmol CO2 m⁻² s⁻¹) using the eddy covariance (EC) tower, installed in a legal reserve at Embrapa Semiárido, in Petrolina, Pernambuco, within a section of the caatinga canopy. Following the measurement of carbon fluxes and ecosystem respiration, field measurements were conducted using a portable FieldSpec HandHeld spectroradiometer to obtain the reflectance of the canopy around the turbulent eddy covariance tower. These measurements were carried out in 2015 in a preserved caatinga area. Multiple linear regression models were developed to estimate carbon fluxes from orbital images, enabling accurate estimation of GPP, NEE, and Reco, using the MODIS/Terra Daily Surface Reflectance product (MOD09GA). The primary results demonstrate the effectiveness of the developed models, particularly the GPP model, which exhibited the best statistical indices (R = 0.97; R² = 0.95; Root Mean Square Error = 0.20). Observations from the EC tower indicated that the models developed to estimate NEE, GPP, and Reco, using visible and near-infrared reflectance data, accurately represented the dry period and effectively captured the phenological aspects of the caatinga ecosystem.
Keywords: Remote sensing, Modeling, Semi-arid.
INTRODUÇÃO
Nos últimos vinte anos foram alcançados avanços notáveis na quantificação e compreensão dos padrões espaço-temporais dos fluxos de carbono terrestre. O constante progresso do sensoriamento remoto tem desempenhado um papel fundamental na melhoria dos modelos de estimativa dos fluxos de carbono, esses avanços contribuíram substancialmente para o aprimoramento da nossa compreensão sobre a dinâmica dos fluxos de carbono em escala local, regional e global (Prakash Sarkar et al., 2022; Silva, Silva, Santos, Silva, Galvíncio, 2017; Silva, Galvíncio, Silva, Soares, Tiburcio, Barros, 2024).
As terras áridas abrangem mais de 40% (Jesus et al., 2023; Xue et al., 2023), da superfície terrestre, englobando diversos biomas que se estendem por aproximadamente dois quintos do planeta, sendo o domínio semiárido o mais representativo (Jesus et al., 2023). No Brasil, a floresta tropical sazonalmente seca brasileira (caatinga), destaca-se como o quarto maior bioma do Brasil (Silva; Lima, Antonino; Souza; Souza; Silva; Alves, 2017; Silva; Galvíncio; Silva; Soares; Silva, 2024; Silva; Galvíncio; Silva; Soares; Tiburcio; Barros, 2024), abrangendo uma vasta extensão no Nordeste, com cerca de 912.529 km2 (Tabarelli et al., 2018). A resiliência ambiental da caatinga é atribuída à sua riqueza de espécies endêmicas, apresentando um potencial significativo para o sequestro de carbono e a mitigação dos impactos nesse ecossistema (Borges et al., 2020). No contexto da caatinga, os padrões fenológicos da vegetação desempenham um papel crucial na regulação da produtividade sazonal e anual, contribuindo como um importante sumidouro na absorção do dióxido de carbono (CO2) (Silva; Lima, Antonino; Souza; Souza; Silva; Alves, 2017; Silva; Galvíncio; Miranda; Moura, 2024).
A estimativa dos fluxos de carbono a partir de produtos de sensoriamento remoto por satélites tem experimentado um crescimento significativo. Embora os dados provenientes do MOD17A2H sejam amplamente reconhecidos, eles apresentam potenciais fontes de erro relacionadas tanto à entrada de dados quanto aos parâmetros que descrevem as propriedades biofísicas da vegetação e do próprio algoritmo (Wang et al., 2017).
A análise da dinâmica do carbono em ecossistemas ao longo de períodos extensos é uma tarefa desafiadora e em constante evolução, requerendo a aplicação de diversos conjuntos de dados e métodos de simulação (Silva et al., 2021). A integração de dados provenientes dos sensores orbitais e sensores que são instalados na superfície terrestre, capturaram informações espectrais detalhadas sobre objetos, e emerge como uma abordagem essencial para monitorar o armazenamento de carbono em florestas tropicais sazonalmente secas (Silva et al., 2021; Silva; Lima, Antonino; Souza; Souza; Silva; Alves, 2017).
A medição de carbono utiliza três principais métodos: amostragens diretas com derrubada de vegetação, equações alométricas e técnicas de sensoriamento remoto (Cerqueira; Washington Franca-Rocha, 2007; Prakash Sarkar et al., 2022). Diversos métodos estão disponíveis para extrapolar informações das torres de covariância de vórtices turbulentos (EC) de fluxo, originalmente em escala local, para uma escala regional. Estes métodos incluem abordagens estatísticas, como modelos de regressão e semiempíricos, técnicas de aprendizado de máquina (ML), como redes neurais e árvores de decisão, além de métodos baseados em modelos intrínsecos de eficiência no uso da água (Silva, Galvíncio, Silva, Soares, Tiburcio, Barros, 2024).
Existe um notável interesse no desenvolvimento de modelos destinados ao monitoramento de variáveis ambientais vinculadas ao balanço de carbono, especificamente relacionadas à Produção Primária Bruta (GPP), Fluxo Líquido do Ecossistema (NEE), e Respiração do Ecossistema (Reco), adaptados às características microclimáticas locais.
No bioma Caatinga, há uma escassez de análises de precisão utilizando métodos diversos de sensoriamento remoto. Esta pesquisa visa explorar uma abordagem alternativa para determinar o balanço de carbono na Caatinga, utilizando sensoriamento remoto. A proposta é desenvolver modelos híbridos que combinem diferentes faixas espectrais especificamente do visível e do infravermelho próximo, esses modelos serão validados comparando-os com a Reco, NEE e GPP derivada de medidas de fluxo de carbono da EC em um ecossistema de Caatinga, visando facilitar a análise das condições climáticas em áreas de florestas sazonalmente secas. A hipótese subjacente busca avaliar a precisão do monitoramento do balanço de carbono na vegetação da Caatinga por meio de modelos calibrados para florestas tropicais sazonalmente secas, integrando dados de campo e informações de imagens orbitais multiespectrais e hiperespectrais.
MATERIAIS E MÉTODOS
Caracterização da área de estudo
A área de estudo compreende a Caatinga, uma Floresta Tropical Sazonalmente Seca, localizada no Município de Petrolina, PE, Brasil. O ponto destacado (Figura 1) corresponde uma área de Reserva Legal na Embrapa Semiárido, onde está instalado um sistema de Covariância de Vórtices Turbulentos. A vegetação nesta área consiste em formação lenhosa de porte médio e baixo, espécies espinhosas de folhas pequenas e finas, cactáceas e bromeliáceas (Kiill, 2017). A altura média do dossel é de 4,5 m (Miranda et al., 2020). O clima é semiárido BSh de acordo com a classificação de Köppen (Alvares et al., 2013), com a estação chuvosa entre janeiro e abril, com precipitação pluvial média anual de 578 mm, temperatura média anual de 26,0 °C (Moura et al., 2007).

Obtenção de dados na torre de fluxos
O Fluxo líquido do ecossistema (NEE) foi calculado em intervalos de 30 minutos através do software EddyPro, versão 3.6, usando dados brutos medidos a 10 Hz. A Produção Primária Bruta (GPP) foi estimada pela partição do Fluxo Líquido do Ecossistema (NEE) em Respiração do Ecossistema (Reco), conforme as Equações 1, 2 e 3. O método noturno foi adotado para estimar a Reco (Lloyd; Taylor, 1994; Reichstein et al., 2005) (Equação 2). Este procedimento, juntamente com o gap filling, foi realizado usando o pacote REddyProc no ambiente R (The R Foundation, 2018). Todos os dados utilizados referem-se ao ano de 2015 e serviram como base para a criação e calibração dos modelos desenvolvidos neste estudo. A partição do NEE entre GPP e Reco foi realizada de acordo com a Equação 1:
NEE é o fluxo de carbono líquido (μmolCO2 m-2 s-1), GPP é a produção primária bruta (μmolCO2 m-2 s-1), e Reco é a respiração do ecossistema (μmolCO2 m-2 s-1).
Reco é a respiração do ecossistema, Tref é a temperatura de referência (C°), Tsoil é a temperatura do solo à profundidade de 5 cm e T0 é constante igual a 46,02 °C, conforme (Lloyd; Taylor, 1994).
GPP é a produção primária bruta (μmolCO2 m-2 s-1), NEE é o fluxo de carbono líquido (μmolCO2 m-2 s-1), e Reco é a respiração do ecossistema (μmolCO2 m-2 s-1).
Obtenção e pré-processamento de dados hiperespectrais
As medidas radiométricas dos dosséis vegetais foram coletadas de janeiro a agosto de 2015 em dias aleatórios, selecionando datas próximas aos registros observados dos fluxos de carbono da torre micrometeorológica, em doze ocasiões durante o período analisado.
As medições de reflectância espectral ocorreram a cerca de 10 metros acima do solo, em quatro direções (Norte, Sul, Leste e Oeste), ao redor da torre EC. Em cada data e área amostral, foram realizadas quatro leituras e em seguida calculada a média aritmética para cada coleta. Neste estudo, foram preferencialmente utilizados os dados de reflectância obtidos com o HandHeld, semelhantes ao comprimento de onda do MOD09GA, para cada banda do visível e infravermelho próximo. O pixel da torre foi empregado para extrair a refletância do MOD09GA.
Obtenção e processamento de imagens orbitais
Os dados de refletância da superfície terrestre (MOD09GA) foram utilizados na pesquisa, envolvendo doze cenas durante o período analisado. As análises foram conduzidas no pixel que abrange a torre equipada com o sistema de vórtices turbulentos, uma vez que o pixel estava completamente contido na área correspondente à caatinga preservada.
Os valores de pixel de MOD09GA de oito dias foram representados pela refletância, sendo selecionados pixels com ângulos de visualização ideais e impactos mínimos de sombra de nuvens ou nuvens. As séries temporais extraídas foram submetidas a garantia de Qualidade/Controle de Qualidade (QA/QC) para assegurar a qualidade do produto MOD09GA.
O MOD09GA consiste em sete bandas com resolução diária, apresentando valores de refletância da superfície com 500 m de resolução espacial no visível ((1= 620-670 nm; (3= 459-479 nm; (4= 545-565 nm), infravermelho próximo ((2= 841-876 nm; (5= 1230-1250 nm), e infravermelho médio ((6= 1628-1652 nm; (7= 2105-2155 nm).
Calibração e validação dos modelos de Reco, NEE e GPP
As estimativas dos fluxos de carbono derivados das faixas espectrais do espectrorradiômetro portátil FieldSpec HandHeld foram criadas usando métodos estatísticos. Inicialmente, foram calculadas estatísticas descritivas, incluindo média, mediana e desvio padrão, para cada modelo desenvolvido. Além disso, análises de correlação e regressão linear múltipla foram conduzidas para estabelecer os modelos, considerando as reflectâncias do espectrorradiômetro e os fluxos de carbono provenientes da torre de Covariância de Vórtices Turbulentos.
Modelo de Regressão Linear Múltipla
Análises de regressão linear múltipla (Equação 4) foram conduzidas usando o software SPSS®.
Os modelos resultantes da regressão linear múltipla foram definidos pelas variáveis espectrais e fluxos de carbonos derivados da torre micrometeorologica (Tabela 1). A correlação foi obtida usando um nível de significância de 0,05, ou seja 95% de confiabilidade.

Teste de Durbin - Watson
Os modelos de regressão linear múltipla foram ajustados com base na análise da aplicabilidade do teste Durbin-Watson (DW) (Equação 5), para avaliar a presença de autocorrelação nos resíduos e garantir a premissa de independência dos erros. Portanto, se o valor de DW for maior que o limite superior, não há autocorrelação; se for menor que o limite inferior, há autocorrelação positiva; e se estiver entre os dois limites, o teste é inconclusivo. Além disso, a normalidade da distribuição dos erros também foi verificada através da probabilidade do valor esperado.
O valor de Durbin-Watson (d) estatístico é dada pela fórmula apresentada na equação 5:
Fator de Inflação da Variância
Foi empregado o Fator de Inflação da Variância (VIF - Variance Inflation Factor), um índice que detecta a multicolinearidade no modelo de regressão (Equação 6).
O VIF é calculado para cada variável independente e uma pontuação elevada indica uma alta multicolinearidade, o que pode prejudicar a precisão dos coeficientes de regressão estimados. Em termos de escala, o VIF pode variar de 1 em diante, e valores maiores que 10 são frequentemente considerados indicativos de multicolinearidade problemática.
Índice de Kappa
A confiabilidade dos resultados obtidos neste estudo foi analisada de acordo com os intervalos dos valores do Índice Kappa propostos por Landis e Koch (1977). Esses intervalos são descritos na equação a seguir e são amplamente utilizados para avaliar a concordância entre os dados observados e os dados previstos.
O Índice Kappa, é uma medida de concordância estatística entre observações reais e as previstas, varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1 o valor do Índice Kappa, maior é a exatidão da previsão em relação aos dados observados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Com base em critérios estatísticos, escolheu-se as variáveis espectrais que apresentaram a melhor correlação com o modelo, para a Respiração do Ecossistema (Reco), Fluxo Líquido do Ecossistema (NEE) e a Produtividade Primária Bruta. Análises de regressão utilizando diferentes faixas espectrais (Azul, Verde, Vermelho e Infravermelho Próximo - NIR) foram utilizadas para estimar Reco, NEE e GPP.
Alguns estudos têm empregado a regressão linear para avaliar Reco, NEE e GPP, por exemplo, Li et al. (2016) conduziram análises de regressão linear múltipla com conjuntos de parâmetros otimizados para gerar estimativas de GPP, Reco e NEE. Chu et al. (2018) investigaram a distribuição da precipitação e seus impactos sobre o NEE por meio de regressão linear. Zhang et al. (2019) avaliaram o desempenho fotossintético do ecossistema em três períodos de seca extrema em uma estepe semiárida da Mongólia, aplicando o GPP para a padronização de vários modelos de regressão linear.
Modelo de regressão linear múltipla para estimativa do Reco
De acordo com os critérios escolhidos para a criação do modelo Reco, o resultado mais eficaz foi alcançado ao incorporar informações de duas faixas espectrais, ρ 550 (Verde) e ρ 775 (Infravermelho Próximo - NIR), como mostrado na Tabela 2. Essa abordagem permitiu uma melhor compreensão e previsão do Reco. Ressalta-se que a média da respiração do ecossistema em 2015 foi de 1,91 μmolCO2 m-2 s-1, com as percentagens de refletância no verde e infravermelho sendo, respectivamente, 8% e 22% (Tabela 2). Resultados similares foram encontrados no estudo de Flores-Rentería et al. (2023) em que realizaram no Deserto de Chihuahuan, no Nordeste do México, um estudo utilizando a técnica de covariância de redemoinhos para investigar como os fatores ambientais afetam a troca de CO2 ao longo do ano, os resultados apontaram que a média anual da Reco foi de 1,45 μmolCO2 m-2 s-1. Modelos baseados em refletância de superfície foram desenvolvidos para aprimorar a compreensão da Reco em diversos sítios, com o uso de índices espectrais (Lees et al., 2018). De acordo com o estudo conduzido por Jägermeyr et al. (2014) os autores criaram um modelo de Reco utilizando a temperatura da superfície terrestre MODIS (LST) e o índice de vegetação aprimorado (EVI), os modelos utilizam a reflectância do NIR. Wu et al. (2014) utilizaram o NDVI e o LST derivados do MODIS (tanto LST diurno quanto noturno) em sua capacidade de explicar as variações de Reco.

Neste modelo específico, vale ressaltar que o coeficiente de correlação alcançou um valor considerável, apresentando r = 0,75 e r2 = 0,56, e demonstrando uma significância estatística inferior a 0,05. Estes resultados destacam de maneira substancial o grau de associação existente entre a variável dependente Reco e as variáveis independentes ρ 550 e ρ 775, conforme apresentado detalhadamente na Tabela 3.

O modelo Reco apresentou um erro padrão de 0,81 μmolCO2 m-2 s-1, indicando alta magnitude de erro. O teste de Durbin-Watson resultou em 1,347 μmolCO2 m-2 s-1 sinalizando autocorrelação positiva. Os valores baixos do VIF (Variance Inflation Factor) de 1,94 indicou a possibilidade de sobreajuste, podendo haver alguma variabilidade nas relações entre as variáveis, considerado aceitável, dado sua proximidade de 2 no intervalo de confiança de 95%, no entando, a ausência de multicolinearidade foi evidenciada pela tolerância de 0,51 (Tabela 4), o índice de Kappa foi 0,25 indicando concordâcia fraca sugerindo novas calibrações.
Há uma quantidade significativamente menor de modelos bem-sucedidos de Reco em comparação com o GPP, devido à maior dificuldade em explicar a variação entre ecossistemas, especialmente utilizando sensoriamento remoto (Jägermeyr et al., 2014; Lees et al., 2018).

O valor previsto para cada observação é o valor intercepto, ou seja, a constante é igual a 1,336, mais o coeficiente de regressão do ρ 550 é de -30,631 multiplicado pelo valor da independente, mais o coeficiente de regressão ρ 775 que é de 13,913 multiplicado pelo valor da variável independente.
O modelo final desenvolvido, neste estudo, para estimativa do Reco (μmolCO2 m-2 s-1).
Em que, ρ 550 (verde) e ρ 775 (Infravermelho Próximo - NIR) são as reflectâncias nas faixas 550 nm e 775 nm, respectivamente.
Variabilidade temporal da Reco média diária
A avaliação da Respiração do Ecossistema (Reco) baseou-se na comparação dos dados de vórtices turbulentos medidos na área de Caatinga preservada ao longo de 2015. A Reco medida pelo Sistema de Vórtices Turbulentos (EC) apresentou uma média de 1,91 μmolCO2 m-2 s-1, enquanto o modelo Reco desenvolvido e aplicado aos dados do sensor MOD09GA (Modelo Desenvolvido/MOD09GA) para o mesmo ano registrou uma média de 2,06 μmolCO2 m-2 s-1. Isso representa aproximadamente 93% de precisão na média do valor estimado em comparação com o valor observado na torre EC. Esses resultados indicam precisão do modelo desenvolvido quando aplicado aos dados do MODIS.
Em 2015, um baixo volume pluviométrico indicou restrição à respiração dos ecossistemas semiáridos devido à escassez de água, limitando o Reco (Figura 2) (Jia et al., 2020). Estudos globais realçaram os impactos da redução da precipitação, evidenciando uma correlação sazonal fraca ou ausente entre Reco (Gao et al., 2015; Jia et al., 2020; Zhou et al., 2020). O modelo desenvolvido neste estudo demonstrou eficácia em lidar com ecossistemas secos e períodos de redução de precipitação. As curvas sazonais de Respiração do Ecossistema (Reco) apresentaram padrões semelhantes durante a maior parte do período analisado (Figura 2), comparando valores observados na torre com estimativas do modelo aplicado aos dados do MODIS. A proximidade foi notável no período seco, enquanto houve afastamento no período chuvoso, é possível notar que o pico de precipitação no período entre vinte de março a dezessete de abril. As Chuvas mínimas podem estimular a liberação de CO2, especialmente pela respiração microbiana (Gao et al., 2015; Jia et al., 2020; Sun et al., 2020). Durante déficits hídricos mais intensos, a transpiração das plantas é reduzida, levando a uma menor fotossíntese, perda de cobertura do dossel e aumento da exposição à radiação e insolação. Essas condições resultam em variações significativas de temperatura, redução de umidade e aumento da atividade microbiana, contribuindo para a perda de CO2.

A Reco do modelo desenvolvido/MOD09GA não acompanhou a curva de precipitações, este modelo necessita de novas calibrações, no entanto, não existem modelos de Reco calibrados para a vegetação de Caatinga utilizando imagens orbitais, sendo possível utilizar esse modelo na ausência de um modelo melhor calibrado para esta vegetação. As análises estatísticas revelaram que é viável estimar com considerável precisão a respiração do ecossistema utilizando dados de refletância da faixa do visível. Dessa forma, o modelo desenvolvido neste estudo desempenha um papel significativo na avaliação espacial e temporal da respiração do ecossistema em florestas tropicais secas, abrangendo diversas escalas, incluindo regional e local.

A validação/verificação do modelo desenvolvido neste estudo, utilizando dados do MODIS, revelou significância estatística (p < 0,04) e um coeficiente de determinação de 0,5584 (Figura 3). Os dados estão bem distribuídos na linha de tendência, mas indicam uma tendência de sobrestimativa em relação aos dados da Torre, prinicpalmente para Reco menor que 2,0 μmolCO2 m-2 s-1.
Essa sobrestimativa do MODIS pode estar associada à sua resolução espacial, que representa a média de um pixel de 500 metros. A Reco Modelo Desenvolvido/MOD09GA mostrou-se mais confiável, embora tenha superestimado os valores tanto na estação chuvosa quanto na estação seca, conseguindo capturar eficientemente a sazonalidade da precipitação na área de estudo.
É relevante destacar a escassez de dados observados ou estimados de Respiração do Ecossistema (Reco) por meio de sensoriamento remoto. Enquanto existem vários modelos para estimar a Produção Primária Bruta (GPP) utilizando sensores orbitais, há uma limitada disponibilidade de métodos semelhantes para a estimativa de Reco, principalmente para a vegetação da Caatinga.
Modelo de regressão linear múltipla para estimativa do NEE
Após diversas tentativas para criar o modelo de Fluxo Líquido do Ecossistema (NEE), o resultado mais eficaz foi alcançado ao utilizar duas faixas espectrais, ρ 470 (Azul) e ρ 775 (Infravermelho Próximo - NIR), juntamente com o Reco (Tabela 5). Vale observar que o fluxo líquido médio do ecossistema para o ano de 2015 foi de 1,66 μmolCO2 m-2 s-1, enquanto a refletância na faixa azul foi de 0,06% e no infravermelho foi de 22% no mesmo ano (Tabela 5).

O modelo apresentou um coeficiente de correlação de r = 0,36 e r² = 0,13, com um nível de significância inferior a 0,05. Esses resultados refletem o grau de associação entre a variável dependente Reco e as variáveis independentes ρ 470 e ρ 775, o índice de Kappa foi 0,65 indicando concordâcia moderada (Tabela 6).

Observa-se que o modelo de Fluxo Líquido do Ecossistema (NEE) desenvolvido demonstra boa capacidade de representação das estimativas, conforme indicado pelo VIF que variou entre 2,4 e 3,15 (Tabela 7). Nota-se que o modelo de NEE desenvolvido pode representar bem as estimativas, uma vez que o VIF esteve entre 2,4 e 3,15 (Tabela 7).

Os parâmetros e variáveis do modelo de NEE (μmolCO2 m-2 s-1) desenvolvido neste estudo foram:
Em que, Reco é a respiração do ecossistema, ρ 470 (azul), ρ 775 (Infravermelho Próximo - NIR) são as reflectâncias no comprimento de onda de 470 nm e 775 nm, respectivamente.
Variabilidade temporal da NEE média diária
A avaliação do fluxo líquido do ecossistema (NEE) foi realizada comparando os dados obtidos pelos vórtices turbulentos na área de Caatinga preservada durante o ano de 2015. Ao longo do ano, a NEE medida pelo Sistema de Vórtices Turbulentos apresentou uma média de 1,6605 μmolCO2 m-2 s-1, enquanto o modelo de NEE derivado da regressão registrou uma média de 1,556 μmolCO2 m-2 s-1.
Os resultados deste estudo estão em consonância com pesquisas em diversos ambientes semiáridos, como indicado por Silva, Galvíncio, Miranda, Moura (2024), que, após eventos de precipitação, registrou NEE de 1,4 e 3,6 μmolCO2 m-2 s-1 para pastagem e Caatinga, respectivamente. A média anual variou entre -3,25 μmolCO2 m-2 s-1 para pastagem e -3,42 μmolCO2 m-2 s-1 para Caatinga.

O modelo desenvolvido apresentou um padrão temporal consistente para a NEE, como ilustrado na Figura 4. É evidente que o modelo responde bem às variações em períodos de chuvas e secas mais regulares, embora tenha sido subestimado o valor extremo medido de 2,6 μmolCO2 m-2 s-1. Em comparação com os dados observados pela Torre, a NEE modelada exibiu um padrão sazonal semelhante durante a maior parte do período analisado, com valores baixos em um fragmento preservado de Caatinga devido ao déficit de umidade do solo, impactando a vegetação, conforme observado em estudos anteriores (Mendes et al., 2021; Pereira et al., 2020; Silva; Lima; Antonino; Souza; De Souza; Silva; Alves, 2017).
A regressão linear simples entre a NEE do sistema de vórtices turbulentos e a NEE do Modelo Desenvolvido/MOD09GA para 2015 resultou em um coeficiente de determinação de 0,049 (Figura 5). A distribuição dos dados na linha de tendência mostra uma superestimativa no modelo NEE da Torre. Apesar das estatísticas consideradas fracas, é importante destacar que, devido à ausência de modelos calibrados para este ecossistema, o modelo desenvolvido pode ser útil até que uma compreensão mais aprofundada seja alcançada (Figura 5).

Modelo de regressão linear múltipla para estimativa da GPP
Dentre os testes para desenvolver o modelo de Produção Primária Bruta (GPP), o melhor resultado foi alcançado ao utilizar as variáveis independentes NEE, Reco, ρ 470 (Azul) e ρ 775 (Infravermelho Próximo - NIR). A estatística descritiva dos dados de entrada, indicando uma média de 0,8998 μmolCO2 m-2 s-1 para GPP, 1,9100 μmolCO2 m-2 s-1 para Reco e 1,6605 μmolCO2 m-2 s-1 para NEE. Além disso, a refletância na faixa azul foi de 6%, enquanto no infravermelho foi de 22%, ambos referentes ao ano de 2015 (Tabela 8).

Para o modelo GPP foi obtida uma correlação muito alta, r = 0,97, e r2 = 0,95 (Tabela 9). Com nível de significância de < 0,00. O modelo obteve o erro padrão de 0,20, ou seja, considerado baixo. O índice de Kappa foi calculado como 0,65, indicando uma concordância moderada entre os dados observados e os dados previstos (Tabela 9).

O VIF demonstrou que o modelo pode estimar a GPP de forma muito precisa, como mostrado na Tabela 10. Além disso, não foi identificada nenhuma multicolinearidade no modelo, o que confirma a robustez das estimativas.
O modelo de GPP (μmolCO2 m-2 s-1) desenvolvido neste estudo foi:
Em que, ρ 470 (azul) e ρ 775 (infravermelho próximo - NIR) são as reflectâncias nas faixas espectrais de 470 nm e 775 nm, respectivamente.

Variabilidade temporal da GPP diária
A GPP foi avaliada por meio da comparação dos dados de vórtices turbulentos, medidos na área de Caatinga preservada durante o ano de 2015. A GPP medida pelo Sistema de Vórtices Turbulentos apresentou uma média de 0,8998 μmolCO2 m-2 s-1, enquanto o modelo de GPP desenvolvido pela regressão demonstrou uma média de 1,1380 μmolCO2 m-2 s-1.

A GPP exibiu um padrão sazonal semelhante durante a maior parte do período analisado. Durante a estação chuvosa de janeiro a março, a GPP do Modelo Desenvolvido/ MOD09GA não acompanhou bem as chuvas, respondendo mais lentamente, em relação a GPP da Torre, que teve uma assimilação mais lenta após as precipitações de janeiro a março. Este atraso na resposta às chuvas observado no Modelo Desenvolvido/ MOD09GA é consistente com estudos em ambientes áridos e semiáridos (Hao et al., 2010; Liu et al., 2012; Zhou et al., 2020). Em abril, apesar do aumento da pluviosidade, as estimativas de GPP do Modelo Desenvolvido/MOD09GA diminuiu, estendendo-se até junho. Durante esses meses, ambos seguiram um padrão sazonal semelhante, mas a GPP do Modelo Desenvolvido/MOD09GA superestimou a GPP da Torre. A falta de chuvas nesse período resultou em estresse hídrico, sendo o principal fator para a redução na assimilação da GPP. No geral, o Modelo Desenvolvido/MOD09GA superestimou os valores, na estação seca, mas conseguiu capturar bem a sazonalidade da precipitação na área de estudo (Figura 6).
A análise de regressão simples entre a GPP da Torre e a GPP do Modelo Desenvolvido/MOD09GA para o ano de 2015 revelou um coeficiente de correlação de r=0,3324 (Figura 7). Esses resultados estão alinhados com pesquisas realizadas em várias regiões do mundo. No estudo conduzido por Maselli et al. (2017) na Ilha de Pianosa, foi identificada uma tendência média baixa de GPP (0,11 g C m−2 dia−1). Além disso, em um estudo realizado por (Morais, 2019) no sítio da Embrapa Semiárido - Brasil, a análise da GPP registrada pelo EC durante o período de 2011 a 2015 indicou uma média de 1,91 ± 2,31 g C m-2 dia -1.

Quando se avaliaram os modelos de GPP e os comparou com a GPP de referência derivada do sistema de vórtices turbulentos, observou-se que o modelo desenvolvido a partir de reflectâncias in situ apresentou resultados superiores no padrão sazonal da região, destacando-se com uma presença mais significativa no valor da GPP.
CONCLUSÕES
Os fluxos de carbono e a respiração do ecossistema na Caatinga são essenciais para abordar os desafios ambientais atuais nesta significativa região semiárida. Nesse estudo evidenciam, dentre outros aspectos, a importância de modelos calibrados para este tipo específico de vegetação e clima, visando representar as estimativas de Reco, NEE e GPP do ecossistema da caatinga.
As variáveis que apresentaram melhor correlação com os dados medidos e observados foram para a estimativa da GPP e NEE, enquanto o Reco mostrou ser menos representativo, indicando a necessidade de aprimoramentos, mas é possível considerar sua utilização, na ausência de um modelo de Reco melhor calibrado.
As diferenças observadas entre os dados medidos pelo do sistema de vórtice turbulento e os estimados por meio do Modelo desenvolvido/MOD09GA de Reco, NEE e GPP, na estação chuvosa, com ênfase ao mês de abril, é possível observar que as estimativas foram menos precisas, evidenciando a necessidade de calibrar modelos com dados meteorológicos, destaca-se que a precipitação desempenha um papel crucial na capacidade da Caatinga de capturar CO2.
O uso do conjunto de dados terrestre e orbitais das bandas do sensor MODIS/Terra (MOD09GA) apresentou sobrestimação podendo estar associada à sua resolução espacial, que representa a média de um pixel de 500 metros. No entanto, os resultados dos modelos se apresentaram bem melhores do que os até então existentes para estimativas de produção primária bruta e respiração de ecossistema secos, em especial no bioma Caatinga.
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Notes