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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00008</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2016.1.23035</article-id>
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					<subject>Sa&#xFA;de e Trabalho</subject>
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				<article-title>As condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho dos assistentes sociais e suas implica&#xE7;&#xF5;es no processo de adoecimento dos profissionais</article-title>
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					<trans-title>The working conditions of social workers and their implications in the process of sickening of professionals</trans-title>
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					<email>lindafaermann@vahoo.com.br</email>
					<institution content-type="original">Assistente Social, mestre e doutora em Servi&#xE7;o Social pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC/SP). Professora da Gradua&#xE7;&#xE3;o e da P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o na Universidade de Taubat&#xE9;. Taubat&#xE9;-SP. Brasil. Atualmente coordena o Curso de Servi&#xE7;o Social da Universidade de Taubat&#xE9; (UNITAU). &#xC9; coordenadora do Projeto de Extens&#xE3;o &#x201C;Assessoria aos profissionais da educac&#xE3;o do Munic&#xED;pio de Taubat&#xE9;&#x201D;. Taubat&#xE9; &#x2013; SP/Brasil. CV: http://lattes.cnpa.br/6740730945148033. E-mail: lindafaermann@vahoo.com.br.</institution>
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					<institution content-type="original">Assistente Social, trabalha na Prefeitura Municipal de Taubat&#xE9;. Taubat&#xE9; &#x2013; SP/Brasil. CV: http://lattes.cnpa.br/2959928530379100. E-mail: Brasil.cassia.val@hotmail.com.</institution>
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				<year>2019</year>
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            <pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Jul</season>
				<year>2016</year>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este artigo discute sobre trabalho e adoecimento no Servi&#xE7;o Social, tendo como eixo norteador o contexto da crise contempor&#xE2;nea do capital e as novas formas de precariza&#xE7;&#xE3;o e intensifica&#xE7;&#xE3;o do trabalho. As reflex&#xF5;es apresentadas resultam de uma pesquisa qualitativa realizada com assistentes sociais. A pesquisa em tela objetivou identificar os fatores presentes no exerc&#xED;cio profissional que desencadeiam processos de sofrimento e de adoecimento. Os resultados mostram que, num contexto de profundas transforma&#xE7;&#xF5;es marcado pelo acirramento da quest&#xE3;o social, pelo ataque aos direitos trabalhistas, pela retra&#xE7;&#xE3;o e desregulamenta&#xE7;&#xE3;o do trabalho, acentuam-se problemas decorrentes desse processo. Tudo isso incide diretamente na materialidade e na sociabilidade do sujeito vivo, repercutindo na sa&#xFA;de f&#xED;sica e mental dos assistentes sociais, nas formas de objetiva&#xE7;&#xE3;o e subjetiva&#xE7;&#xE3;o do seu trabalho.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article discusses about work and illness in Social Service and guiding axis the context of the contemporary crisis of capital, and the new forms of precariousness and intensification of the work. The thoughts presented are the result of a qualitative research conducted with social workers. The screen research aimed to identify the factors present in professional practice that trigger processes of suffering and illness. The results show that, in a context of profound transformations marked by fierce social issue, by the attack on labor rights, the retraction and deregulation of work arising problems from that process. All this directly affects the materiality and sociability of the living subject, which influence the physical and mental health of social workers, in the forms of objectivity and subjectivity of their work.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Servi&#xE7;o Social</kwd>
				<kwd>Trabalho</kwd>
				<kwd>Adoecimento</kwd>
				<kwd>Sofrimento</kwd>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Social Service</kwd>
				<kwd>Work</kwd>
				<kwd>Illness</kwd>
				<kwd>Suffering</kwd>
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	<body>
		<p>A discuss&#xE3;o expressa neste artigo pauta-se em uma pesquisa qualitativa realizada com assistentes sociais que trabalham no munic&#xED;pio de Taubat&#xE9;, interior de S&#xE3;o Paulo, e que atuam em diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais. Sua constru&#xE7;&#xE3;o articula estudos te&#xF3;ricos e emp&#xED;ricos que abarcam a quest&#xE3;o social e expressam as tend&#xEA;ncias mais amplas observadas no mundo do trabalho contempor&#xE2;neo e nas respostas do Estado e do capital a mais uma de suas crises, ainda que a atual apresente tra&#xE7;os estruturais.</p>
		<p>A abordagem qualitativa empregada nesta pesquisa buscou os significados atribu&#xED;dos pelos sujeitos &#xE0;s suas pr&#xE1;ticas, no espa&#xE7;o em que projetam e constroem suas vidas e suas rela&#xE7;&#xF5;es, ou seja, &#x201C;&#xE0; compreens&#xE3;o do sentido, dos atos e das decis&#xF5;es dos sujeitos, assim como dos v&#xED;nculos, das a&#xE7;&#xF5;es particulares com o contexto social mais amplo em que se d&#xE3;o&#x201D; (
			<xref ref-type="bibr" rid="B4">BAPTISTA, 1999</xref>, p.35).
		</p>
		<p>Buscou-se, por meio desse estudo, identificar os fatores presentes no trabalho do assistente social que desencadeiam processos de sofrimento e de adoecimento. Foram entrevistados quatro profissionais. Considerando, segundo Martinelli (1999, p.24), que nas pesquisas qualitativas trabalha-se com a concep&#xE7;&#xE3;o de sujeito coletivo, isto &#xE9;, com sujeitos que expressam o conjunto de viv&#xEA;ncias de seu grupo, o importante nessa abordagem &#x201C;n&#xE3;o &#xE9; o n&#xFA;mero de pessoas que vai prestar a informa&#xE7;&#xE3;o, mas o significado que esses sujeitos t&#xEA;m em fun&#xE7;&#xE3;o do que estamos buscando na pesquisa&#x201D;. Portanto:</p>
		<disp-quote>
			<p>(&#x2026;) o que h&#xE1; de mais significativo nas amostras intencionais ou propositais n&#xE3;o se encontra na quantidade final de seus elementos (o &#x201C;N&#x201D; dos epidemiologistas), mas na maneira como se concebe a representatividade desses elementos e na qualidade das informa&#xE7;&#xF5;es obtidas deles (
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">FONTANELLA; RICAS; TURATO, 2008</xref>, p. 19).
			</p>
		</disp-quote>
		<p>O crit&#xE9;rio de escolha dos profissionais levou em considera&#xE7;&#xE3;o os seguintes aspectos: ter inscri&#xE7;&#xE3;o profissional no Conselho Regional de Servi&#xE7;o Social, trabalhar na cidade de Taubat&#xE9; e possuir experi&#xEA;ncia de no m&#xED;nimo um ano na &#xE1;rea. Foram contemplados profissionais das &#xE1;reas da sa&#xFA;de, assist&#xEA;ncia social e sociojur&#xED;dica. A escolha por profissionais de diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais objetivou identificar poss&#xED;veis implica&#xE7;&#xF5;es entre a &#xE1;rea de atua&#xE7;&#xE3;o profissional e suas condi&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho.</p>
		<p>Como instrumento para coleta de dados utilizou-se a entrevista semiestruturada, mediada por um roteiro de perguntas. Essa modalidade de entrevista &#xE9; utilizada quando se procura saber o que, como e porque algo ocorre. Dessa forma, o pesquisador &#x201C;tem liberdade para desenvolver cada situa&#xE7;&#xE3;o em qualquer dire&#xE7;&#xE3;o que considere adequada. &#xC9; uma forma de poder explorar mais amplamente a quest&#xE3;o&#x201D; (LAKATOS; MARCONI, 2010, p. 279).</p>
		<p>Na an&#xE1;lise dos depoimentos dos profissionais, constatou-se que o sofrimento e o adoecimento vivenciado devem-se &#xE0;s suas prec&#xE1;rias condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho, ao n&#xE3;o reconhecimento de suas a&#xE7;&#xF5;es, &#xE0; complexidade das express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, &#xE0; inefici&#xEA;ncia das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e aos baixos investimentos em recursos econ&#xF4;micos e humanos para o desenvolvimento de suas atividades. Essas situa&#xE7;&#xF5;es geram sentimentos de incapacidade, ang&#xFA;stia e mal-estar, provocando desgaste f&#xED;sico e mental, objetivados, muitas vezes, por meio de enfermidades e padecimentos.</p>
		<p>Ressalta-se que a an&#xE1;lise do material coletado foi subsidiada por fontes bibliogr&#xE1;ficas e por um exame criterioso da realidade, em seu movimento e em suas contradi&#xE7;&#xF5;es. Para tanto, adotou-se como perspectiva a l&#xF3;gica dial&#xE9;tica, assumida como m&#xE9;todo para an&#xE1;lise concreta dos fatos reais, isto &#xE9;:</p>
		<disp-quote>
			<p>(&#x2026;) como maneira de pensar as rela&#xE7;&#xF5;es dos homens na sociedade, tendo por ponto de partida a an&#xE1;lise cr&#xED;tica dos dados factuais. Nesse processo, o sujeito que pesquisa deve ser fiel ao objeto pesquisado, sendo que esta fidelidade n&#xE3;o significa retratar o objeto, mas, a partir de sua apreens&#xE3;o, desmont&#xE1;-lo (analis&#xE1;-lo) para compreender seu movimento e sua estrutura (
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">BAPTISTA, 2009</xref>, p. 47).
			</p>
		</disp-quote>
		<p>Essa perspectiva, caracterizada como m&#xE9;todo de investiga&#xE7;&#xE3;o e de exposi&#xE7;&#xE3;o do real, abarca o movimento contradit&#xF3;rio da g&#xEA;nese e do desenvolvimento dos fen&#xF4;menos sociais. Assim, diferentemente do m&#xE9;todo especulativo, pr&#xF3;prio da dial&#xE9;tica hegeliana, incapaz de apreender a l&#xF3;gica imanente do real, o m&#xE9;todo dial&#xE9;tico tem como objeto de an&#xE1;lise a realidade concreta, raz&#xE3;o pela qual n&#xE3;o &#xE9; nem um m&#xE9;todo subjetivista &#x2013; tal como o idealismo que pressup&#xF5;e um pensamento autonomizado, isto &#xE9;, um sujeito que, a partir da ideia, atribui sentido e explica&#xE7;&#xE3;o &#xE0; realidade &#x2013; nem um m&#xE9;todo puramente objetivo, como o empirismo acr&#xED;tico, que toma o pensamento como atividade passiva e a realidade como pronta e acabada: dada imediatamente pela experi&#xEA;ncia direta.</p>
		<p>Na composi&#xE7;&#xE3;o deste artigo, discute-se, inicialmente, sobre o Servi&#xE7;o Social na divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho e, na sequ&#xEA;ncia, elucidam-se os processos de sofrimento e de adoecimento vivenciados pelos assistentes sociais entrevistados nos marcos do capitalismo vigente. Problematizam-se o adoecimento e o sofrimento como decorr&#xEA;ncia do trabalho alienado, estranhado, numa dimens&#xE3;o espec&#xED;fica, aquele que decorre do trabalho abstrato, quando n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel &#x201C;exercer modifica&#xE7;&#xF5;es nas tarefas que se executa, dotando-as de conte&#xFA;do e de sentido, de acordo com os desejos e necessidades daqueles que o realiza&#x201D; (MENDES; WERLANG, 2013, p. 46).</p>
		<sec>
			<title>O Servi&#xE7;o Social na divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho e o processo de assalariamento profissional</title>
			<p>Na d&#xE9;cada de 1980, realizou-se importante inflex&#xE3;o na an&#xE1;lise do Servi&#xE7;o Social brasileiro, com a contribui&#xE7;&#xE3;o de Iamamoto e Carvalho (1982), que ofereceram, sob os aportes da teoria marxiana, o exame inaugural da profiss&#xE3;o no processo de produ&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es sociais, particularizando sua inser&#xE7;&#xE3;o na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho e reconhecendo o assistente social como trabalhador assalariado. Essa interpreta&#xE7;&#xE3;o da profiss&#xE3;o apontou outro eixo anal&#xED;tico, salientando o primado da produ&#xE7;&#xE3;o na constitui&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos sociais.</p>
			<p>A expressiva contribui&#xE7;&#xE3;o desta obra est&#xE1; na releitura acerca da origem e da institucionaliza&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social no Brasil, sustentadas na proposta urbano-industrial impulsionada pelo Estado brasileiro, a partir do governo de Get&#xFA;lio Vargas (1930), na moderniza&#xE7;&#xE3;o do trabalho leigo cat&#xF3;lico e no aprofundamento da quest&#xE3;o social advinda das contradi&#xE7;&#xF5;es entre capital e trabalho. Desde ent&#xE3;o, a profiss&#xE3;o vem sendo analisada como um produto hist&#xF3;rico da sociedade, constituindo-se como</p>
			<disp-quote>
				<p>(&#x2026;) parte do trabalho social produzido pelo conjunto da sociedade, participando da cria&#xE7;&#xE3;o e presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os que atendem &#xE0;s necessidades sociais. Ora o Servi&#xE7;o Social reproduz-se como um trabalho especializado na sociedade por ser socialmente necess&#xE1;rio: produz servi&#xE7;os que atendem &#xE0;s necessidades sociais, isto &#xE9;, tem um valor de uso, uma utilidade social. Por outro lado, os assistentes sociais tamb&#xE9;m participam, como trabalhadores assalariados, do processo de produ&#xE7;&#xE3;o e/ou de redistribui&#xE7;&#xE3;o da riqueza social. Seu trabalho n&#xE3;o resulta apenas em servi&#xE7;os &#xFA;teis, mas ele tem um efeito na produ&#xE7;&#xE3;o ou na redistribui&#xE7;&#xE3;o do valor e da mais-valia (IAMAMOTO, 2012, p.24).</p>
			</disp-quote>
			<p>Desse modo, entender o Servi&#xE7;o Social como uma profiss&#xE3;o inserida na divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho e &#x201C;identificar o seu 
				<italic>sujeito vivo</italic> como trabalhador assalariado, implica problematizar como se d&#xE1; a rela&#xE7;&#xE3;o de compra e de venda dessa for&#xE7;a de trabalho a empregadores diversos&#x201D; (RAICHELIS, 2011, p. 423). Assim, para al&#xE9;m da an&#xE1;lise do Servi&#xE7;o Social como trabalho concreto (MARX, 1968), munido de qualidades espec&#xED;ficas para responder &#xE0;s demandas que lhe s&#xE3;o postas, tendo como suportes de a&#xE7;&#xE3;o os recursos materiais e seu acervo t&#xE9;cnico-intelectual, o trabalho do assistente social adquire um car&#xE1;ter abstrato na medida em que passa a ser mediado pelo mercado, isto &#xE9;, pela produ&#xE7;&#xE3;o, troca e consumo das mercadorias (bens e servi&#xE7;os) dentro da divis&#xE3;o social do trabalho.
			</p>
			<p>Verifica-se, portanto, no desenvolvimento do seu trabalho, uma tens&#xE3;o entre o projeto profissional &#x2013; o qual o afirma como um sujeito dotado de liberdade e de teleologia, logo, um ser pr&#xE1;tico social capaz de elaborar proje&#xE7;&#xF5;es e de concretiz&#xE1;-las &#x2013; e a sua condi&#xE7;&#xE3;o de trabalhador assalariado.</p>
			<p>Desta feita, a an&#xE1;lise do Servi&#xE7;o Social como especializa&#xE7;&#xE3;o do trabalho coletivo e sua pr&#xE1;tica como concretiza&#xE7;&#xE3;o de processos de trabalho, que t&#xEA;m como objeto de interven&#xE7;&#xE3;o as m&#xFA;ltiplas express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, implica entender que as dimens&#xF5;es constitutivas do fazer profissional articulam-se aos elementos fundamentais de todo e qualquer trabalho, ou seja, ao</p>
			<disp-quote>
				<p>(&#x2026;) objeto ou mat&#xE9;ria prima sobre a qual incide a a&#xE7;&#xE3;o transformadora; os meios de trabalho &#x2013; instrumentos, t&#xE9;cnicas e recursos materiais e intelectuais que propiciam uma potencia&#xE7;&#xE3;o da a&#xE7;&#xE3;o humana sobre o objeto; e a atividade do sujeito direcionada por uma finalidade, ou seja, o pr&#xF3;prio trabalho (
					<xref ref-type="bibr" rid="B2">ABEPSS, 1996</xref>, p.12).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>O trabalho do assistente social &#xE9; uma das pr&#xE1;ticas sociais realizadas pelo homem e, assim, um processo de objetiva&#xE7;&#xE3;o do ser social. O homem, como ser social, diferencia-se do ser natural atrav&#xE9;s de seu trabalho e, a partir de suas necessidades, transforma a natureza e a si pr&#xF3;prio, objetivando-se no seu produto final.</p>
			<p>Para desenvolver o seu trabalho, o assistente social realiza um processo de pr&#xE9;via idea&#xE7;&#xE3;o: uma antecipa&#xE7;&#xE3;o ideal da finalidade que pretende alcan&#xE7;ar. A sua a&#xE7;&#xE3;o indica uma intencionalidade pautada em componentes &#xE9;tico-pol&#xED;ticos e te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gicos que expressam a sua vis&#xE3;o de homem, de mundo e de sociedade, mediante a invoca&#xE7;&#xE3;o de valores que a legitimam e da escolha de meios para concretiz&#xE1;-la. Os meios de trabalho s&#xE3;o, para Marx (1968, p. 298), &#x201C;uma coisa ou um complexo de coisas que o trabalhador coloca entre si mesmo e o objeto de trabalho e que lhe serve como condutor de sua atividade sobre esse objeto&#x201D;.</p>
			<p>No Servi&#xE7;o Social, os meios de trabalho s&#xE3;o considerados potencializadores da a&#xE7;&#xE3;o humana sobre o objeto (
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">ABEPSS, 1996</xref>). Contudo, parte expressiva dos meios de trabalho necess&#xE1;rios &#xE0; interven&#xE7;&#xE3;o do assistente social (recursos materiais, financeiros e humanos) &#xE9; disponibilizada pelos empregadores, portanto, s&#xE3;o eles, em &#xFA;ltima inst&#xE2;ncia, os respons&#xE1;veis por articular as condi&#xE7;&#xF5;es necess&#xE1;rias ao seu desenvolvimento.
			</p>
			<p>Nesse sentido, problematizar o trabalho do assistente social na atualidade sup&#xF5;e pens&#xE1;-lo como al&#xED;quota do trabalho da classe trabalhadora, que vende sua for&#xE7;a de trabalho em troca de um sal&#xE1;rio, sujeito &#xE0;s viola&#xE7;&#xF5;es e aos constrangimentos comuns a todos os trabalhadores assalariados. &#xC9; nesse contexto que a discuss&#xE3;o do sofrimento e do adoecimento vem ocupando centralidade no Servi&#xE7;o Social, em decorr&#xEA;ncia do processo brutal de mercantiliza&#xE7;&#xE3;o da for&#xE7;a de trabalho do assistente social na sociedade contempor&#xE2;nea.</p>
			<p>Situados em uma din&#xE2;mica societ&#xE1;ria, orientada pelos preceitos da reestrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva, os assistentes sociais, assim como os demais trabalhadores, submetem-se &#xE0; l&#xF3;gica da flexibiliza&#xE7;&#xE3;o e da precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, consequ&#xEA;ncia das mudan&#xE7;as gestadas no conjunto da vida social, notadamente no mundo do trabalho a partir dos anos 1970.</p>
			<p>Pode-se afirmar que, no Brasil, a exponencia&#xE7;&#xE3;o da quest&#xE3;o social, a partir dos anos 1990, em face das particularidades do processo de reestrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva, nos limites da ideologia neoliberal, determinou uma inflex&#xE3;o no campo profissional, em &#x201C;decorr&#xEA;ncia das novas demandas colocadas pelo reordenamento do capital e do trabalho, pela reforma do Estado e pelo movimento de organiza&#xE7;&#xE3;o das classes trabalhadoras, com amplas repercuss&#xF5;es no mercado de trabalho&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">ABEPSS, 1996</xref>, p. 5).
			</p>
			<p>A constitui&#xE7;&#xE3;o desta nova etapa do desenvolvimento capitalista aprofundou e reconfigurou a hist&#xF3;rica precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, fen&#xF4;meno antigo no Brasil, mas que vem assumindo novas dimens&#xF5;es, impactando os trabalhadores de modo geral, ainda que em graus distintos. Al&#xE9;m disso, resguardando o car&#xE1;ter permanente e n&#xE3;o mais transit&#xF3;rio dessa condi&#xE7;&#xE3;o, expressando formas de precariza&#xE7;&#xE3;o t&#xED;picas de pa&#xED;ses dependentes que n&#xE3;o universalizaram os direitos sociais.</p>
			<p>As mudan&#xE7;as referenciadas pelas novas configura&#xE7;&#xF5;es de acumula&#xE7;&#xE3;o do capital (acumula&#xE7;&#xE3;o flex&#xED;vel) promoveram altera&#xE7;&#xF5;es expressivas nas formas de organiza&#xE7;&#xE3;o e de gest&#xE3;o do trabalho. O processo de flexibiliza&#xE7;&#xE3;o do trabalho e dos direitos da&#xED; derivados s&#xE3;o elementos centrais da nova morfologia do trabalho, no contexto da reestrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva e das pol&#xED;ticas neoliberais.</p>
			<p>S&#xE3;o express&#xF5;es desse processo: o desemprego estrutural, a intensifica&#xE7;&#xE3;o da explora&#xE7;&#xE3;o, as subcontrata&#xE7;&#xF5;es, as terceiriza&#xE7;&#xF5;es, os rebaixamentos dos sal&#xE1;rios e a exig&#xEA;ncia do trabalhador polivalente. O que se seguiu, segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">Antunes (1996</xref>, p.81), foi um retrocesso dos direitos trabalhistas, assim &#x201C;n&#xE3;o &#xE9; preciso dizer que esse sistema de flexibiliza&#xE7;&#xE3;o do trabalho sup&#xF5;e a flexibiliza&#xE7;&#xE3;o (ou a desmontagem) dos direitos do trabalho&#x201D;.
			</p>
			<p>Conforme Silva (2011), a precariza&#xE7;&#xE3;o tornou fr&#xE1;geis e inst&#xE1;veis as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho, sendo poss&#xED;vel constatar tal fen&#xF4;meno mundialmente. Para a autora, o processo de precariza&#xE7;&#xE3;o repercute tanto nas condi&#xE7;&#xF5;es materiais quanto na subjetividade dos trabalhadores.</p>
			<p>Todo esse processo determinado por movimentos e por a&#xE7;&#xF5;es objetivas do capitalismo contempor&#xE2;neo incide no Servi&#xE7;o Social. O saldo deixado pela reestrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva confirma-se no cotidiano de trabalho dos assistentes sociais: explora&#xE7;&#xE3;o, inser&#xE7;&#xE3;o prec&#xE1;ria no mundo do trabalho, sofrimento e adoecimento profissional, entre tantos outros aspectos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Sofrimento e adoecimento no cotidiano profissional dos assistentes sociais</title>
			<p>O processo de sa&#xFA;de-doen&#xE7;a do trabalhador &#xE9; decorrente de um fen&#xF4;meno, acima de tudo, social: isso implica o reconhecimento de componentes multicausais, objetivos e subjetivos na sua constitui&#xE7;&#xE3;o. Essa afirmativa conduz &#xE0; problematiza&#xE7;&#xE3;o sobre a rela&#xE7;&#xE3;o entre sa&#xFA;de, doen&#xE7;a e trabalho, pois, conforme esclarece 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Batistella (2007</xref>, p.31), &#x201C;o ambiente, origem de todas as causas de doen&#xE7;a, deixa, momentaneamente, de ser natural para revestir-se do social. &#xC9; nas condi&#xE7;&#xF5;es de vida e trabalho do homem que as causas das doen&#xE7;as dever&#xE3;o ser buscadas&#x201D;.
			</p>
			<p>A evid&#xEA;ncia dessa rela&#xE7;&#xE3;o resulta da compreens&#xE3;o da centralidade adquirida pelo trabalho no processo de humaniza&#xE7;&#xE3;o do homem, dado que &#xE9; por meio deste que o homem se constitui como ser social, saindo do est&#xE1;gio animal, ocorrendo a transforma&#xE7;&#xE3;o de uma forma de ser para outra qualitativamente distinta.</p>
			<p>Nesses termos, o processo de sa&#xFA;de-doen&#xE7;a do trabalhador deve ser analisado a partir da conjun&#xE7;&#xE3;o entre fatores biol&#xF3;gicos, processo produtivo, condi&#xE7;&#xE3;o socioecon&#xF4;mica e cultura. Segundo Mendes (2003, p.70), &#x201C;a din&#xE2;mica da produ&#xE7;&#xE3;o, as condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho e o modo de vida continuam sendo fontes importantes para que se compreenda o processo de sa&#xFA;de, adoecimento e morte da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira&#x201D;.</p>
			<p>Diante do exposto, os fatores gen&#xE9;ticos e emocionais e as experi&#xEA;ncias de vida condicionam o processo de sa&#xFA;de-doen&#xE7;a dos indiv&#xED;duos. Portanto, ele n&#xE3;o ocorre de maneira igual entre os sujeitos, sendo determinado pelo lugar que ocupam na sociedade. Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, a abordagem que se efetua considera a permanente contradi&#xE7;&#xE3;o entre capital e trabalho. Portanto, a sa&#xFA;de do trabalhador depende, sobretudo, das formas e condi&#xE7;&#xF5;es em que o trabalho se gesta na sociedade. Os diversos aspectos da organiza&#xE7;&#xE3;o, da divis&#xE3;o e das rela&#xE7;&#xF5;es no trabalho podem levar &#xE0; fragiliza&#xE7;&#xE3;o ou vitalidade da sa&#xFA;de dos trabalhadores em diferentes realidades sociais.</p>
			<p>Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, reafirma-se a necessidade de superar a concep&#xE7;&#xE3;o que imputa aos trabalhadores a culpa pelo seu adoecimento e sofrimento. Essa vis&#xE3;o conduz a uma individualiza&#xE7;&#xE3;o e moraliza&#xE7;&#xE3;o das situa&#xE7;&#xF5;es, contribuindo para a crescente criminaliza&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores, reiterando pr&#xE1;ticas e discursos que os penalizam, particularizando quest&#xF5;es que se inscrevem numa constru&#xE7;&#xE3;o s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica.</p>
			<p>Com base nos depoimentos dos profissionais entrevistados, constatou-se que, dentre o conjunto de vari&#xE1;veis que influenciam a sua sa&#xFA;de, as condi&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho t&#xEA;m sido determinantes na produ&#xE7;&#xE3;o do sofrimento e adoecimento vivenciado. As doen&#xE7;as mencionadas pelos profissionais como ansiedade, enxaqueca, diabetes e gastrite est&#xE3;o ligadas, sobretudo, a fatores emocionais decorrentes do seu pr&#xF3;prio trabalho.</p>
			<p>A ansiedade, considerada uma doen&#xE7;a mental, &#xE9; causada por uma combina&#xE7;&#xE3;o de fatores, incluindo emocionais e ambientais. Ela pode ocasionar enxaqueca - desequil&#xED;brio bioqu&#xED;mico em certas localidades do c&#xE9;rebro, envolvendo subst&#xE2;ncias neurotransmissoras, al&#xE9;m de neuropept&#xED;deos e horm&#xF4;nios - respons&#xE1;veis pelas sensa&#xE7;&#xF5;es, humor e comportamento; por isso a enxaqueca, a ansiedade e a depress&#xE3;o caminham juntas. O estresse, por exemplo, outro sintoma indicado pelos profissionais, afeta o n&#xED;vel de glicemia, podendo originar a diabetes. Nesse sentido, as doen&#xE7;as destacadas est&#xE3;o todas interligadas. Portanto, &#xE9; de longa data a comprova&#xE7;&#xE3;o da rela&#xE7;&#xE3;o entre os sintomas f&#xED;sicos e os aspectos emocionais. Maria Teresa Nappi Moreno (2007), em pesquisa recente, aborda a conex&#xE3;o entre a raiva e a gastrite, enfatizando aspectos neurofisiol&#xF3;gicos das emo&#xE7;&#xF5;es por meio de diversos autores, como James-Lange, Walter Cannon e MacLean.</p>
			<p>Nesse sentido, a caracteriza&#xE7;&#xE3;o do processo de sa&#xFA;de-doen&#xE7;a como decorrente das condi&#xE7;&#xF5;es sociais de vida e de trabalho dos sujeitos, op&#xF5;e-se &#xE0;s an&#xE1;lises pautadas em fatores end&#xF3;genos e individualizados, que contribuem com a naturaliza&#xE7;&#xE3;o das diferentes formas de viol&#xEA;ncia existentes nos locais trabalhos, legitimando, desse modo, o processo de precariza&#xE7;&#xE3;o e de intensifica&#xE7;&#xE3;o das atividades laborais.</p>
			<p>Tendo por base a pesquisa realizada, identificou-se uma s&#xE9;rie de elementos presentes em suas condi&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho que repercutem na sa&#xFA;de f&#xED;sica e mental. Em seus depoimentos, os profissionais citaram o excesso de atividades e de demandas em sua rotina, como elementos comprometedores da qualidade do atendimento prestado aos usu&#xE1;rios, bem como dos agravos &#xE0; sua sa&#xFA;de. Assim, destacaram que:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Mesmo voc&#xEA; tentando fazer com qualidade o servi&#xE7;o - devido &#xE0; grande demanda - voc&#xEA; n&#xE3;o consegue dar conta de tudo. Ent&#xE3;o, algumas coisas acabam ficando para tr&#xE1;s, por esquecimento ou porque voc&#xEA; acaba priorizando umas em detrimento de outras (&#x2026;). N&#xE3;o tem como voc&#xEA; fazer tudo, porque voc&#xEA; n&#xE3;o vai dar conta, sen&#xE3;o vai trabalhar al&#xE9;m da sua carga hor&#xE1;ria e a&#xED; voc&#xEA; n&#xE3;o tem vida social, n&#xE3;o tem fam&#xED;lia, n&#xE3;o tem nada. N&#xE3;o consegue estudar para ter qualidade no atendimento. Acho que influencia diretamente na qualidade do seu trabalho (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A profissional complementa suas reflex&#xF5;es reafirmando que:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Voc&#xEA; tenta priorizar pelas urg&#xEA;ncias e acaba apagando fogo. Na verdade, voc&#xEA; fica no seu trabalho voltado a apagar inc&#xEA;ndio e n&#xE3;o em fazer com qualidade, com calma, com tranquilidade. N&#xE3;o se tem tempo de estudar para dar a melhor resposta aos usu&#xE1;rios ou at&#xE9; mesmo para fazer um relat&#xF3;rio com qualidade. Isso interfere nos documentos e nos registros que &#xE0;s vezes ficam atrasados. E a&#xED; como &#xE9; que fica? Voc&#xEA; n&#xE3;o tem aquela mem&#xF3;ria t&#xE3;o detalhada de como foi o atendimento, acho que o grande n&#xFA;mero de demandas interfere em tudo (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A documenta&#xE7;&#xE3;o (registro e sistematiza&#xE7;&#xE3;o das informa&#xE7;&#xF5;es coletadas, observadas e analisadas) permite desenvolver pesquisas, estudos e trabalhos sobre a realidade na qual o assistente social interv&#xE9;m, que podem auxiliar na organiza&#xE7;&#xE3;o de suas atividades cotidianas, na implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas para o atendimento das demandas da popula&#xE7;&#xE3;o, na avalia&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os existentes e, se necess&#xE1;rio, no redirecionamento destes. Contudo, sua constru&#xE7;&#xE3;o requer tempo, condi&#xE7;&#xE3;o negada aos profissionais em virtude do ac&#xFA;mulo de atividades. Este quadro obriga os profissionais ao imediatismo nos atendimentos realizados, prevalecendo a l&#xF3;gica produtivista em seus locais de trabalho. Na mesma dire&#xE7;&#xE3;o, outra assistente social relata que:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) eu n&#xE3;o tenho tempo de fazer o relat&#xF3;rio, porque &#xE9; um atendimento atr&#xE1;s de outro. &#xC0;s vezes, a gente n&#xE3;o consegue fazer um relato de atendimento. Eu n&#xE3;o consigo relatar as visitas domiciliares. Eu levo o instrumental de visita para fazer em casa, porque eu tenho que dar conta, porque eles querem resultados, eles querem o retorno, quantas pessoas foram inseridas(&#x2026;) (Participante 4).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Evidencia-se a l&#xF3;gica burocr&#xE1;tica do trabalho quantitativo em detrimento do qualitativo nos espa&#xE7;os em que atuam os assistentes sociais. Essas s&#xE3;o requisi&#xE7;&#xF5;es que vem aumentando para o Servi&#xE7;o Social nos &#xFA;ltimos tempos e que afastam os profissionais do trabalho direto com a popula&#xE7;&#xE3;o, visto que dificultam o desenvolvimento de a&#xE7;&#xF5;es continuadas e impedem o estabelecimento de v&#xED;nculos com os usu&#xE1;rios. Ademais, quando assumidas de forma burocr&#xE1;tica, n&#xE3;o agregam conhecimentos sobre as informa&#xE7;&#xF5;es adquiridas e nem tampouco sobre o trabalho realizado.</p>
			<p>Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">Dal Rosso (2008)</xref>, as chamadas Tecnologias de Informa&#xE7;&#xE3;o e Comunica&#xE7;&#xE3;o &#x2013; TICs, t&#xEA;m intensificado os processos de trabalho, produzindo um efeito controlador sobre suas din&#xE2;micas e resultados, organizando tarefas de modo que desapare&#xE7;am a porosidade do trabalho e os tempos mortos. As TCIs promovem uma cultura de gerencialismo, que esvazia conte&#xFA;dos reflexivos e criativos do trabalho, moldando din&#xE2;micas institucionais &#xE0;s metas de controle de produtividade e de qualidade. Desse modo, utiliza-se a tecnologia para a fiscaliza&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es profissionais e a padroniza&#xE7;&#xE3;o de procedimentos atrav&#xE9;s de uma racionalidade estritamente burocr&#xE1;tica.
			</p>
			<p>Nesse contexto, o trabalho do assistente social tem se conformado pela l&#xF3;gica da fragmenta&#xE7;&#xE3;o e da procedimentaliza&#xE7;&#xE3;o presente nas pol&#xED;ticas sociais. H&#xE1; uma tend&#xEA;ncia &#xE0; focaliza&#xE7;&#xE3;o da an&#xE1;lise e da atua&#xE7;&#xE3;o profissional nos particularismos da realidade social, em detrimento da sua totalidade, resultando em interven&#xE7;&#xF5;es empiricistas e reducionistas. Nesse n&#xED;vel de apreens&#xE3;o te&#xF3;rico-profissional, a realidade &#xE9; tomada tal como se coloca imediatamente aos sentidos, limitada ao observ&#xE1;vel e, de prefer&#xEA;ncia, ao quantific&#xE1;vel. A reifica&#xE7;&#xE3;o que invade a vida social favorece essa apreens&#xE3;o, pois contribui para ocultar a ess&#xEA;ncia desses processos que se mostram de modo aparente, como se fossem fen&#xF4;menos naturais. Ademais, a ideologia dominante sedimenta essa naturaliza&#xE7;&#xE3;o, em sua justifica&#xE7;&#xE3;o da din&#xE2;mica capitalista. Assim:</p>
			<disp-quote>
				<p>Na materializa&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas, temos profissionais em condi&#xE7;&#xF5;es cada vez mais prec&#xE1;rias de trabalho, adoecidos, capturados pelo procedimentalismo exigido pelas pr&#xF3;prias pol&#xED;ticas e seu conjunto de cartilhas e manuais, reiterando a produ&#xE7;&#xE3;o do j&#xE1; produzido, ou seja, uma reprodu&#xE7;&#xE3;o sem reflex&#xE3;o, sem media&#xE7;&#xF5;es, sem cr&#xED;tica, despolitizada, com &#xEA;nfase conformadora (PRATES, 2013, p. 5).</p>
			</disp-quote>
			<p>Confirmando esta an&#xE1;lise, tem-se na continuidade dos depoimentos:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>&#xC9; como eu falei para voc&#xEA;, a gente n&#xE3;o tem tempo de organizar nada. Porque voc&#xEA; atende, atende, atende, atende, e &#xE9; cesta b&#xE1;sica, cesta b&#xE1;sica, cesta b&#xE1;sica e relat&#xF3;rio, e voc&#xEA; n&#xE3;o consegue pensar. Voc&#xEA; n&#xE3;o consegue dar conta, porque a demanda &#xE9; maior do que voc&#xEA; tem condi&#xE7;&#xF5;es de absorver. &#xC9; um trabalho quantitativo e n&#xE3;o qualitativo. A gente trabalha com quantidade e n&#xE3;o com qualidade, e eu acho que o nosso trabalho deve ser com qualidade e n&#xE3;o com quantidade. A gente n&#xE3;o &#xE9; m&#xE1;quina. E essa falta de cuidado com o profissional, acaba esgotando muito. N&#xF3;s ficamos muito estafados porque: &#x201C;Ah, voc&#xEA; n&#xE3;o est&#xE1; dando conta de fazer o relat&#xF3;rio&#x201D;? &#x201C;Leva para sua casa&#x201D;. Mas na minha casa n&#xE3;o &#xE9; lugar de trabalhar. Minha casa &#xE9; lugar para eu estar com minha fam&#xED;lia, n&#xE3;o &#xE9; verdade? E essas trinta horas, que foram t&#xE3;o solicitadas, t&#xE3;o pedidas, que foram t&#xE3;o almejadas. Na verdade, acabou n&#xE3;o sendo trinta, porque se voc&#xEA; n&#xE3;o consegue relatar, n&#xE3;o consegue fazer um relat&#xF3;rio e tem que levar para casa, voc&#xEA; vai continuar trabalhando na sua casa. Ent&#xE3;o s&#xE3;o as oito horas exigidas (Participante 4).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Trata-se de uma realidade atravessada pelas configura&#xE7;&#xF5;es atuais do capitalismo, marcada pela intensifica&#xE7;&#xE3;o e controle do trabalho, pela exig&#xEA;ncia de um profissional polivalente e vers&#xE1;til. A intensifica&#xE7;&#xE3;o do trabalho, al&#xE9;m de implicar mais horas, agrega tamb&#xE9;m mais tarefas e responsabilidades &#xE0; mesma jornada, ou seja, mais trabalho. Tal situa&#xE7;&#xE3;o expressa, claramente, a &#x201C;ado&#xE7;&#xE3;o de estrat&#xE9;gias de redu&#xE7;&#xE3;o do trabalho pago e amplia&#xE7;&#xE3;o do trabalho excedente, o que est&#xE1; na raiz do sofrimento do trabalhador assalariado&#x201D; (RAICHELIS, 2013, p.623).</p>
			<p>A profissional tamb&#xE9;m faz refer&#xEA;ncia &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o da jornada de trabalho para trinta horas semanais, destacando que, devido &#xE0; explora&#xE7;&#xE3;o vivenciada, n&#xE3;o pode usufruir desse direito. A aprova&#xE7;&#xE3;o da Lei
				<xref ref-type="fn" rid="fn1">
					<sup>1</sup>
				</xref> que estabelece a jornada de trabalho para trinta horas semanais, sem redu&#xE7;&#xE3;o salarial, foi uma vit&#xF3;ria hist&#xF3;rica no &#xE2;mbito da categoria profissional, resultante de sua organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica representada pelo Conjunto CFESS/CRESS, ABEPSS e ENESSO. Sabe-se que, no contexto do capitalismo, essa &#xE9; uma das lutas mais importantes dos trabalhadores, na medida em que as rela&#xE7;&#xF5;es estabelecidas primam pela l&#xF3;gica do lucro do capital e pela restri&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais.
			</p>
			<p>Os parcos recursos materiais e estruturais para desenvolver suas a&#xE7;&#xF5;es tamb&#xE9;m foram quest&#xF5;es apontadas pelos profissionais, expressando o descumprimento e a viola&#xE7;&#xE3;o do disposto na legisla&#xE7;&#xE3;o profissional. A escassez generalizada de recursos comprova a desresponsabiliza&#xE7;&#xE3;o do Estado e das institui&#xE7;&#xF5;es empregadoras, no tocante ao desenvolvimento do trabalho profissional.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>N&#xE3;o temos nada. Para voc&#xEA; ter uma ideia, n&#xF3;s temos um computador para dividir entre dezoito funcion&#xE1;rios. Quando voc&#xEA; precisa fazer um relat&#xF3;rio, precisa pedir licen&#xE7;a para um colega parar o que est&#xE1; fazendo, para te emprestar. A gente fica se apressando. Voc&#xEA; n&#xE3;o tem material para trabalhar e tudo isso gera um conflito interno que a gente n&#xE3;o consegue(&#x2026;). Vai trabalhar desestimulada. Hoje mesmo, no trabalho onde estou, est&#xE1; muito dif&#xED;cil. &#xC9; bem complicado (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Outros depoimentos confirmam as prec&#xE1;rias condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho dos assistentes sociais:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) a ponto de n&#xF3;s termos que comprar folha sulfite, caneta. De n&#xE3;o ter material e recursos para o atendimento da popula&#xE7;&#xE3;o (Participante 2).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Nossas condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho s&#xE3;o muito prec&#xE1;rias, porque &#xE9; exigido uma coisa, &#xE9; exigido um ideal, mas a gente trabalha com uma realidade completamente diferente do ideal (Participante 4).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Nos marcos da reforma gerencial do Estado, ou de contrarreforma, nos termos de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Behring (2003)</xref>, amplia-se a precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, desencadeando um amplo processo de sucateamento dos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos. Com isso, o atendimento desses servi&#xE7;os, que &#xE9; de responsabilidade do Estado, passou a ser visto como uma fonte de acumula&#xE7;&#xE3;o para os capitalistas. N&#xE3;o sem nota, o movimento do capital sobre as rela&#xE7;&#xF5;es sociais liga-se ao seu impulso expansionista, na busca de sua reprodu&#xE7;&#xE3;o ampliada.
			</p>
			<p>Aos profissionais s&#xE3;o colocados entraves de toda ordem: falta de materiais diversos, de transporte para visitas domiciliares e institucionais, de salas para o atendimento dos usu&#xE1;rios, entre outros constrangimentos, como bem expressos nos depoimentos a seguir:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Quando entrei na institui&#xE7;&#xE3;o, ningu&#xE9;m falou que eu tinha que disponibilizar o meu carro para fazer visita. Eu tenho que fazer um relat&#xF3;rio, mas n&#xE3;o tem computador, n&#xE3;o tem tinta, voc&#xEA; imprime como? Voc&#xEA; digita como? &#x201C;Ah, voc&#xEA; n&#xE3;o tem notebook?&#x201D; Tenho, o meu particular, na minha casa. Gente, mas se eu tenho que oferecer as minhas coisas particulares, para dar estrutura ao meu trabalho, ent&#xE3;o vou trabalhar por conta pr&#xF3;pria, vou abrir uma empresa de Servi&#xE7;o Social e vou trabalhar por conta pr&#xF3;pria, n&#xE3;o &#xE9; verdade? Esta estrutura material &#xE9; muito complicada porque n&#xE3;o oferece suporte para trabalhar. Hoje temos computador, mas n&#xE3;o temos impressora, se tivermos que digitar um relat&#xF3;rio, a gente tem que sair do lugar de onde estamos para imprimir na sede (Participante 4).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) n&#xF3;s n&#xE3;o temos dispositivos para trabalhar. Se voc&#xEA; precisa fazer uma visita ou se precisa levantar a situa&#xE7;&#xE3;o de uma fam&#xED;lia, voc&#xEA; n&#xE3;o tem carro, n&#xE3;o tem hor&#xE1;rio. Onde eu estou trabalhando hoje est&#xE1; muito tumultuado. A gente faz acolhimento na triagem, a gente quer acolher, mas n&#xE3;o temos salas para atendimentos, voc&#xEA; tem que ficar esperando um tempo, tem que procurar um espacinho para ficar reservada, para dar um pouco de privacidade para que a pessoa possa relatar a sua ang&#xFA;stia. Come&#xE7;am a&#xED; as dificuldades. Na nossa profiss&#xE3;o &#xE9; primordial termos um espa&#xE7;o reservado para atender e escutar com privacidade e n&#xE3;o temos. Isso &#xE9; uma dificuldade que frustra bastante (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A situa&#xE7;&#xE3;o exposta pelos assistentes sociais contraria as normativas da Resolu&#xE7;&#xE3;o CFESS n&#xBA; 493/2006, sobre as condi&#xE7;&#xF5;es &#xE9;ticas e t&#xE9;cnicas para o exerc&#xED;cio profissional, que prev&#xEA; a necessidade de espa&#xE7;o f&#xED;sico adequado para qualquer forma de atendimento ao usu&#xE1;rio (abordagens individuais, grupais ou coletivas), conforme as caracter&#xED;sticas dos servi&#xE7;os prestados no &#xE2;mbito da institui&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>Ressalta-se que o espa&#xE7;o f&#xED;sico constitui um dos elementos necess&#xE1;rios para garantir o acolhimento ao usu&#xE1;rio, bem como a qualidade do trabalho prestado pelo assistente social. Contudo, pesquisas
				<xref ref-type="fn" rid="fn2">
					<sup>2</sup>
				</xref> sobre as tend&#xEA;ncias do mercado de trabalho do Servi&#xE7;o Social revelam que essa n&#xE3;o tem sido a realidade vivenciada por muitos profissionais no Brasil. Os problemas elencados pelos assistentes sociais abarcam dificuldades financeiras, aus&#xEA;ncia de material de expediente e de m&#xF3;veis de escrit&#xF3;rio compat&#xED;veis com a necessidade dos profissionais. Muitas salas n&#xE3;o oferecem o m&#xED;nimo de conforto e at&#xE9; mesmo de higiene (TRINDADE; CAVALCANTI, 2010)
			</p>
			<p>H&#xE1; ainda que se destacar que o sigilo constitui um direito e um dever do assistente social, servindo igualmente para proteger o usu&#xE1;rio em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s informa&#xE7;&#xF5;es transmitidas ao profissional. Por isso, o atendimento deve ser feito com portas fechadas, al&#xE9;m da responsabilidade do profissional de garantir a confidencialidade das quest&#xF5;es apresentadas. Esse debate &#xE9; fundamental, visto que o atendimento &#xE9; o momento em que o usu&#xE1;rio revela situa&#xE7;&#xF5;es particulares de sua vida, e sua exposi&#xE7;&#xE3;o representa tamb&#xE9;m uma viola&#xE7;&#xE3;o de direitos. O C&#xF3;digo de &#xC9;tica &#xE9; expl&#xED;cito quando se refere &#xE0; quest&#xE3;o do sigilo profissional, sendo a principal normatiza&#xE7;&#xE3;o que se tem a respeito. Lembra 
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Barroco (2012</xref>, p. 145) que o sigilo profissional &#xE9; um elemento essencial para a efetiva&#xE7;&#xE3;o de um trabalho &#xE9;tico, respons&#xE1;vel e competente, pois &#xE9; a partir das informa&#xE7;&#xF5;es apuradas &#x201C;que o assistente social poder&#xE1; compreender a situa&#xE7;&#xE3;o na sua totalidade e tamb&#xE9;m na sua singularidade, podendo intervir da forma mais adequada e respeitando a dignidade do usu&#xE1;rio, bem como sua capacidade de escolha e de decis&#xE3;o&#x201D;
			</p>
			<p>Esses s&#xE3;o constrangimentos vivenciados diariamente pelos assistentes sociais, que os remetem &#xE0; subordina&#xE7;&#xE3;o e a vigil&#xE2;ncia institucional, na medida em que s&#xE3;o os empregadores que determinam as necessidades sociais &#xE0;s quais o profissional deve responder, interferem nas condi&#xE7;&#xF5;es em que operam os seus atendimentos, definem e delimitam a sua atua&#xE7;&#xE3;o, estabelecendo limites &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o do seu trabalho (IAMAMOTO, 2007).</p>
			<p>Outros depoimentos evidenciam a restri&#xE7;&#xE3;o da liberdade vivenciada pelos profissionais:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Voc&#xEA; fica &#xE0; merc&#xEA; mesmo da gest&#xE3;o, que gerencia aquela institui&#xE7;&#xE3;o. E a&#xED;, voc&#xEA;, algumas vezes, &#xE9; tachado como a pessoa que fala demais ou chamam sua aten&#xE7;&#xE3;o: &#x201C;Olha, n&#xE3;o &#xE9; bem assim, pensa bem onde voc&#xEA; est&#xE1;, o lugar em que voc&#xEA; est&#xE1;&#x201D; (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Se, de um lado, as condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho est&#xE3;o diretamente relacionadas ao ambiente e aos instrumentos de trabalho, de outro, a sua organiza&#xE7;&#xE3;o evidencia como se d&#xE3;o as pol&#xED;ticas de gest&#xE3;o e as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho. Aspectos como hierarquia, autoridade e controle, bem como a pol&#xED;tica de recursos humanos e a pr&#xF3;pria estrutura temporal do trabalho o condicionam, tendo implica&#xE7;&#xF5;es sobre o processo sa&#xFA;de-doen&#xE7;a dos trabalhadores, em termos de desgaste, sofrimento e adoecimento.</p>
			<p>Diante do exposto, verificam-se as determina&#xE7;&#xF5;es institucionais e estruturais no desenvolvimento de suas atividades laborais, interpondo-se nesse processo os condicionantes do estatuto assalariado. Assim, situa-se nas particularidades do trabalho do assistente social o cl&#xE1;ssico dilema entre causalidade e teleologia, &#x201C;entre momentos de estrutura e momentos de a&#xE7;&#xE3;o, exigindo articular, na an&#xE1;lise hist&#xF3;rica, estrutura e a&#xE7;&#xE3;o do sujeito&#x201D; (IAMAMOTO, 2007, 416).</p>
			<p>Em seu cotidiano profissional o assistente social vivencia os mesmos dilemas de qualquer trabalhador, portanto, suas atividades est&#xE3;o suscet&#xED;veis ao dom&#xED;nio e &#xE0; instabilidade do trabalho, &#xE0; deprecia&#xE7;&#xE3;o dos sal&#xE1;rios, &#xE0; press&#xE3;o por produtividade e por resultados imediatos, etc. Essa realidade confirma, na verdade, uma intensifica&#xE7;&#xE3;o da precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho inerente &#xE0; ess&#xEA;ncia do modo de produ&#xE7;&#xE3;o capitalista. Situa&#xE7;&#xE3;o claramente percebida nos relatos dos sujeitos entrevistados, os quais revelam a presen&#xE7;a de uma diversidade de situa&#xE7;&#xF5;es complexas, dif&#xED;ceis e fatigantes, que repercutem negativamente em sua sa&#xFA;de f&#xED;sica e emocional.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) te estressa n&#xE3;o ter recursos. Muitas vezes, a gente levava trabalho para casa, tinha que resolver em casa. Tentava achar solu&#xE7;&#xF5;es para os problemas, para levar no dia seguinte para o trabalho, porque l&#xE1; n&#xE3;o tinha acesso &#xE0; internet, era tudo muito dif&#xED;cil. Isso acaba estressando o profissional, desgastando, porque &#xE9; algo que voc&#xEA; tem que resolver no seu trabalho, mas resolve na sua casa e trabalho &#xE9; trabalho, casa &#xE9; casa. Isso me estressava muito, o pico de estresse era enorme (Participante 2).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Dependendo do que voc&#xEA; tem no local de trabalho, interfere diretamente na sa&#xFA;de do profissional. Por exemplo, sou uma pessoa muito ansiosa, ent&#xE3;o vendo a grande demanda de trabalho, querendo dar conta desta grande demanda e n&#xE3;o conseguindo, isso acaba interferindo na minha sa&#xFA;de (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A falta de recursos e o excesso de demandas s&#xE3;o apontados como aspectos desencadeadores de doen&#xE7;as e de outros agravos. Aliada a esses aspectos, os profissionais tamb&#xE9;m sinalizam a car&#xEA;ncia de outros t&#xE9;cnicos para compor a equipe de trabalho.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>A gente tem, mais ou menos, vinte e duas atribui&#xE7;&#xF5;es enquanto profissional e dentre essas s&#xE3;o muitas demandas que surgem e que necessitam do nosso trabalho, do nosso apoio, da nossa vis&#xE3;o enquanto profissional de Servi&#xE7;o Social e sou s&#xF3; eu como assistente social neste local de trabalho, ent&#xE3;o, a demanda &#xE9; muito grande e isso a gente tem dificuldade (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Em que pese as orienta&#xE7;&#xF5;es t&#xE9;cnico-legais sobre a estrutura de recursos humanos e a necessidade de equipes de refer&#xEA;ncia no campo das pol&#xED;ticas sociais, como um dos fatores para a manuten&#xE7;&#xE3;o dos padr&#xF5;es de qualidade dos servi&#xE7;os prestados, a escassez de profissionais inviabiliza esse indicativo, comprometendo o trabalho realizado. No &#xE2;mbito da pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia social e de sa&#xFA;de, por exemplo, h&#xE1; recomenda&#xE7;&#xF5;es sobre a quantidade de trabalhadores por equipe e o n&#xFA;mero de usu&#xE1;rios sob sua responsabilidade, tendo como refer&#xEA;ncia para a atua&#xE7;&#xE3;o multiprofissional as situa&#xE7;&#xF5;es de vulnerabilidade da popula&#xE7;&#xE3;o e as particularidades do territ&#xF3;rio onde ela se localiza.</p>
			<p>O trabalho assalariado na sociedade contempor&#xE2;nea constituiu-se como uma forma de aprisionamento dos sujeitos, na medida em que seu modo de organiza&#xE7;&#xE3;o e de gest&#xE3;o est&#xE1; vinculado a mecanismos de domina&#xE7;&#xE3;o e opress&#xE3;o que degradam as suas condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho e os adoecem, f&#xED;sica e psiquicamente, alterando toda a sua rede de rela&#xE7;&#xF5;es sociais.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Tanto que eu, enquanto profissional, dou conta de determinadas coisas. &#xC9; o que eu mostro para a institui&#xE7;&#xE3;o. S&#xF3; que &#xE9; um grande dilema porque voc&#xEA; pensa que todos precisam ser atendidos pelo Servi&#xE7;o Social e a&#xED; voc&#xEA; acaba tendo que priorizar algumas coisas, porque voc&#xEA; n&#xE3;o d&#xE1; conta de fazer tudo com qualidade (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Priorizar demandas &#xE9; um dilema e ao mesmo tempo um constrangimento ao trabalho do assistente social. As pol&#xED;ticas sociais direcionam-se por uma concep&#xE7;&#xE3;o seletiva e reducionista que tende a amenizar os conflitos e as express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, contrapondo-se dessa forma &#xE0; proposta de universaliza&#xE7;&#xE3;o dos direitos, restringindo a capacidade de atendimento do Servi&#xE7;o Social. Portanto, para os usu&#xE1;rios terem acesso &#xE0; prote&#xE7;&#xE3;o social, devem comprovar a sua n&#xE3;o cidadania, desdobrando-se nas c&#xE9;lebres condicionalidades. Assim, o profissional, diante das atribui&#xE7;&#xF5;es e tarefas que lhe s&#xE3;o exigidas, e por estar localizado na ponta final da presta&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os, &#x201C;v&#xEA;-se, institucionalmente, cada vez mais compelido a exercer a fun&#xE7;&#xE3;o de um juiz rigoroso da pobreza, t&#xE9;cnica e burocraticamente conduzida, como uma aparente alternativa &#xE0; cultura do arb&#xED;trio e do favor&#x201D; (IAMAMOTO, 2012, p.161).</p>
			<p>A l&#xF3;gica seletiva que permeia as pol&#xED;ticas sociais causa inc&#xF4;modo e ang&#xFA;stia aos profissionais. Esse quadro tem sido fonte de afli&#xE7;&#xE3;o e de questionamentos sobre o trabalho profissional, frente &#xE0;s dificuldades de objetiva&#xE7;&#xE3;o dos pr&#xF3;prios princ&#xED;pios do Servi&#xE7;o Social. As formas como as pol&#xED;ticas t&#xEA;m sido implementadas, por meio de programas pontuais e transit&#xF3;rios, t&#xEA;m definido uma organiza&#xE7;&#xE3;o dos processos de trabalho alicer&#xE7;adas por um modelo de gest&#xE3;o que promove e naturaliza os constrangimentos inerentes &#xE0; precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, corroendo, paulatinamente, os sentidos do trabalho.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) Uma coisa que frustra muito &#xE9; voc&#xEA; n&#xE3;o conseguir fazer o acompanhamento das fam&#xED;lias devido &#xE0; demanda excessiva. Porque voc&#xEA; est&#xE1; atendendo um e sabe que t&#xEA;m muitos outros. E o que angustia &#xE9; voc&#xEA; saber que existem coisas necess&#xE1;rias e fica dif&#xED;cil avaliar qual &#xE9; a prioridade. Isso causa uma ang&#xFA;stia muito grande, e o profissional n&#xE3;o d&#xE1; conta, porque as demandas s&#xE3;o extensivas. Deveria ter mais profissionais, pelo menos uns tr&#xEA;s para realizar o acompanhamento. Mas, como n&#xE3;o tem condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho para um, se tivesse dois, seriam duas frustra&#xE7;&#xF5;es. N&#xE3;o tem nem mesmo sala para atender com escuta qualificada (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>O aprofundamento da quest&#xE3;o social atinge diretamente os trabalhadores, em especial, os segmentos mais empobrecidos e subalternizados da sociedade. Estes, por sua vez, buscam nos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos respostas para algumas de suas necessidades. Assim, na particularidade do seu trabalho, os assistentes sociais encontram desafios que decorrem das express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, cada vez mais diversificadas e complexas, em institui&#xE7;&#xF5;es que continuam operacionalizando as pol&#xED;ticas de forma conservadora, com recursos financeiros limitados, instrumentos tecnol&#xF3;gicos ultrapassados, e com a imposi&#xE7;&#xE3;o de metas que mensuram o trabalho, que &#xE9; complexo e processual, em termos quantitativos. O trabalho dedicado &#xE0; emancipa&#xE7;&#xE3;o do homem e &#xE0; satisfa&#xE7;&#xE3;o de suas necessidades n&#xE3;o pode limitar-se a uma quantidade e a uma forma historicamente dada.</p>
			<p>O trabalho &#xE9; uma atividade humano-social pela qual o homem domina as for&#xE7;as naturais e, mediante os meios e instrumentos de produ&#xE7;&#xE3;o, transforma a natureza em bens &#xFA;teis que os produzem e os reproduzem. Entretanto, na sociedade capitalista, o trabalho n&#xE3;o constitui uma atividade livre, amorosa e emancipada, mas uma atividade obrigat&#xF3;ria e alienada, nas condi&#xE7;&#xF5;es de desumanidade real do capital.</p>
			<p>Nessa perspectiva, outros constrangimentos foram evidenciados pelos assistentes sociais:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Essa limita&#xE7;&#xE3;o e aus&#xEA;ncia de respostas que o profissional sabe que poderia dar, &#xE9; frustrante. Da&#xED; que alguns adoecem de verdade, por conta da frustra&#xE7;&#xE3;o e da sensa&#xE7;&#xE3;o de incapacidade. &#xC0;s vezes d&#xE1; a sensa&#xE7;&#xE3;o de que voc&#xEA; n&#xE3;o &#xE9; uma boa profissional mesmo. E pensar assim &#xE9; ruim(&#x2026;). Essa gest&#xE3;o acaba fazendo o profissional acreditar que ele n&#xE3;o vale nada, que ele n&#xE3;o &#xE9; bom, que ele &#xE9; incompetente. Esse relacionamento humano contribui para o surgimento de doen&#xE7;as. A falta de respeito &#xE9; uma das coisas que mais adoece o profissional. Porque eles acham que o assistente social tem que fazer tudo. Tudo que n&#xE3;o d&#xE1; mais para ningu&#xE9;m fazer, d&#xE1; para o Servi&#xE7;o Social. E n&#xE3;o &#xE9; isso. N&#xF3;s temos nossas especificidades (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>O Servi&#xE7;o Social &#xE9; uma profiss&#xE3;o inscrita na divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho, regulamentada pela Lei n&#xB0; 8662, de 07 de junho de 1993, e balizada pelo C&#xF3;digo de &#xC9;tica de 1993. Tais dispositivos versam sobre as especifica&#xE7;&#xF5;es da profiss&#xE3;o e sua defesa requer, por um lado, negar a condi&#xE7;&#xE3;o de subalternidade no campo profissional e, por outro, reafirmar o papel e a import&#xE2;ncia do Servi&#xE7;o Social na atualidade, rompendo com pr&#xE1;ticas desqualificadas e conservadoras.</p>
			<p>Somada a essa quest&#xE3;o, a falta de respeito a que se refere ao profissional &#xE9; pr&#xF3;pria das rela&#xE7;&#xF5;es capitalistas, institu&#xED;das sob a &#xE9;gide da competitividade, da individualidade e da hostilidade, que ultrapassam as demarca&#xE7;&#xF5;es &#xE9;ticas, trazendo danos &#xE0; vida dos trabalhadores. Submetidos a essa l&#xF3;gica, o assistente social n&#xE3;o encontra sentido e nem satisfa&#xE7;&#xE3;o no seu trabalho. Alienado de si e de seu objeto, torna-se estranho de sua pr&#xF3;pria ess&#xEA;ncia. Por isso, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">Druck, Franco e Silva (2010)</xref> afirmam que o modo como s&#xE3;o geridas as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho no capitalismo contempor&#xE2;neo provoca a combina&#xE7;&#xE3;o entre precariza&#xE7;&#xE3;o e adoecimento dos indiv&#xED;duos.
			</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>O usu&#xE1;rio necessita da resposta de algu&#xE9;m. S&#xF3; que muitas vezes a gente n&#xE3;o tem todas as respostas, a gente articula, mas se eu n&#xE3;o tenho a rede para articular, eu n&#xE3;o tenho respostas. O que eu respondo? J&#xE1; chorei muitas vezes, tamb&#xE9;m j&#xE1; fiquei desesperada muitas vezes, busquei terapia, ajuda, para entender toda essa realidade (Participante 2).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Voc&#xEA; n&#xE3;o consegue realizar um trabalho com as fam&#xED;lias, voc&#xEA; n&#xE3;o consegue desenvolver um trabalho socioeducativo e voc&#xEA; vai fazer visita e as condi&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o as mesmas. E n&#xE3;o &#xE9; frustrante? &#xC9; frustrante, porque voc&#xEA; v&#xEA; o seu trabalho sem retorno e voc&#xEA; acaba levando isso para sua sa&#xFA;de. Voc&#xEA; acaba trazendo isso para voc&#xEA;. Porque s&#xE3;o frustra&#xE7;&#xF5;es que voc&#xEA; vai guardando, vai guardando e v&#xE3;o te causando sofrimento e causando ang&#xFA;stias e v&#xE1;rias outras coisas (Participante 4).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Eu digo para voc&#xEA; assim, o Assistente Social adoece por conta da rela&#xE7;&#xE3;o de for&#xE7;as e das frustra&#xE7;&#xF5;es. Porque se voc&#xEA; se frustra, se tiver atrito na rela&#xE7;&#xE3;o de for&#xE7;a com o superior e n&#xE3;o tiver um bom argumento isso adoece muito mais (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Frente a essas pontua&#xE7;&#xF5;es, algumas quest&#xF5;es podem ser sintetizadas, considerando as requisi&#xE7;&#xF5;es atuais no mundo do trabalho. As press&#xF5;es institucionais e os contornos pol&#xED;ticos por um t&#xE9;cnico do Servi&#xE7;o Social focado em a&#xE7;&#xF5;es burocr&#xE1;ticas e pragm&#xE1;ticas, trabalhando em condi&#xE7;&#xF5;es adversas, prec&#xE1;rias e desrespeitosas t&#xEA;m incidido diretamente no processo de sa&#xFA;de-doen&#xE7;a dos assistentes sociais. A conviv&#xEA;ncia di&#xE1;ria com essa realidade e as m&#xFA;ltiplas formas de opress&#xE3;o e de viola&#xE7;&#xE3;o de direitos a que est&#xE3;o submetidos leva-os, muitas vezes, a situa&#xE7;&#xF5;es de adoecimento e sofrimento, com alto n&#xED;vel de estresse, desgaste f&#xED;sico e emocional. Diante disso, &#xE9; preciso ter clareza de que, embora os assistentes sociais almejem certas condi&#xE7;&#xF5;es e/ou possibilidades em sua interven&#xE7;&#xE3;o, suas atividades est&#xE3;o sujeitas &#xE0; sua condi&#xE7;&#xE3;o de trabalhador assalariado.</p>
			<p>Portanto, do mesmo modo que, na produ&#xE7;&#xE3;o social de sua exist&#xEA;ncia, os homens &#x201C;estabelecem rela&#xE7;&#xF5;es determinadas, necess&#xE1;rias, independentes de sua vontade, rela&#xE7;&#xF5;es de produ&#xE7;&#xE3;o que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das for&#xE7;as produtivas materiais&#x201D; (MARX, 1974, p, 129), na objetiva&#xE7;&#xE3;o de sua pr&#xE1;tica profissional, as a&#xE7;&#xF5;es empreendidas s&#xE3;o determinadas pela divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho e correspondem a certo grau de desenvolvimento dessa estrutura.</p>
			<p>Assim, torna-se essencial ao profissional analisar criticamente a realidade para n&#xE3;o incorrer em uma pr&#xE1;tica que oscile entre o fatalismo ou messianismo (IAMAMOTO, 2013). Se no fatalismo h&#xE1; uma tend&#xEA;ncia &#xE0; naturaliza&#xE7;&#xE3;o da vida, no messianismo sua a&#xE7;&#xE3;o &#xE9; dotada de inten&#xE7;&#xF5;es individuais, marcadas pelo voluntarismo que o impede de desvendar o movimento, as contradi&#xE7;&#xF5;es e as determina&#xE7;&#xF5;es do processo hist&#xF3;rico.</p>
			<p>Nos diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais, o trabalho profissional tem sido incessantemente metamorfoseado, centrando-se nos interesses do capital e n&#xE3;o nas necessidades e aspira&#xE7;&#xF5;es dos trabalhadores. O assistente social submetido a esses constrangimentos vive e associa o seu trabalho &#xE0; dor e ao sofrimento. Subsumido ao capital, o trabalho se converteu em um meio de produzir riquezas e, na perspectiva capitalista, a propriedade privada, a lei do mercado, a divis&#xE3;o e a aliena&#xE7;&#xE3;o do trabalho formam um elo que aprisiona e embrutece quem o realiza. Nesse sentido, o trabalhador &#xE9; submetido a um processo progressivo de empobrecimento humano.</p>
			<p>A inser&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social na divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho lhe faculta &#x201C;um car&#xE1;ter contradit&#xF3;rio que n&#xE3;o deriva dele pr&#xF3;prio, mas do car&#xE1;ter mesmo das rela&#xE7;&#xF5;es sociais que presidem a sociedade capitalista&#x201D; (IAMAMOTO, 2012, p. 54). Esse car&#xE1;ter contradit&#xF3;rio se expressa na medida em que suas atividades s&#xE3;o exercidas no campo de interesses das classes sociais, sendo os profissionais contratados pelos capitalistas para desenvolverem a&#xE7;&#xF5;es junto aos trabalhadores, colocando o seu trabalho polarizado por projetos antag&#xF4;nicos. Nesse contexto, embora o profissional se comprometa com a luta e a garantia dos direitos sociais, o seu trabalho sofre os ordenamentos dessa realidade.</p>
			<disp-quote>
				<p>A domina&#xE7;&#xE3;o no trabalho foi, assim, identificada como aspecto nuclear na constitui&#xE7;&#xE3;o do desgaste, pois a domina&#xE7;&#xE3;o que ataca a dignidade e fere a autonomia da individualidade &#xE9; a mesma que produz rupturas no mundo mental e psicossocial, atingindo a estabilidade psicossom&#xE1;tica. Foi poss&#xED;vel verificar que os fios que tecem a domina&#xE7;&#xE3;o fabricam, ao mesmo tempo, o sofrimento, na medida em que a domina&#xE7;&#xE3;o esmaga a identidade e aprisiona a alma no medo (SILVA, 2011, p.23).</p>
			</disp-quote>
			<p>Acresce a essa quest&#xE3;o um processo de desvaloriza&#xE7;&#xE3;o do trabalho profissional, conforme relatado por um dos assistentes sociais entrevistado: &#x201C;Naquela Secretaria eles acham que o profissional tem que fazer aquilo e pronto e tem que dar conta, n&#xE3;o importa como vai sair, e a&#xED; voc&#xEA; fica naquela: eu sou Bombril? Eu sou um lixo? Que profissional eu sou?&#x201D; (Participante 3).</p>
			<p>Esta exposi&#xE7;&#xE3;o conduz a uma reflex&#xE3;o sobre a relativa autonomia de que disp&#xF5;em os assistentes sociais em seu trabalho, mas que tem sido constantemente amea&#xE7;ada nos diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio- ocupacionais atrav&#xE9;s dos ditames do capital, referendados pelo produtivismo, vigil&#xE2;ncia e cobran&#xE7;a institucional, imposto ao conjunto dos trabalhadores. Nesse contexto, a relativa autonomia dos assistentes sociais vem se transformando, segundo Raichellis (2011), numa autonomia controlada e restringida.</p>
			<p>Conv&#xE9;m assinalar que esta relativa autonomia, da qual o assistente social disp&#xF5;e para o exerc&#xED;cio de suas atividades, forma uma unidade contradit&#xF3;ria que se expressa, muitas vezes, no descompasso entre as inten&#xE7;&#xF5;es do fazer profissional e os resultados efetivos deste fazer, o que pressup&#xF5;e entender que o seu trabalho &#xE9; tensionado por interesses de classes incompat&#xED;veis &#x201C;em meio a uma rela&#xE7;&#xE3;o complexa e contradit&#xF3;ria, onde est&#xE3;o em jogo m&#xFA;ltiplas determina&#xE7;&#xF5;es, de natureza macrossocial, que n&#xE3;o s&#xF3; as influenciam, como, na verdade, as constituem&#x201D; (MARTINELLI, 2004, p. 19).</p>
			<p>A subordina&#xE7;&#xE3;o do trabalho ao capital realiza-se nos tempos atuais de forma mais complexa e heterog&#xEA;nea, intensificando seus ritmos e processos, ampliando o trabalho morto e, ao mesmo tempo, realizando uma necess&#xE1;ria intera&#xE7;&#xE3;o entre este e o trabalho vivo.</p>
			<p>O reconhecimento profissional exprime o respeito ao seu trabalho, conferindo-lhe o sentimento de realiza&#xE7;&#xE3;o. Se o trabalhador n&#xE3;o encontra sentido no que faz ou n&#xE3;o se sente valorizado, o sofrimento pode se tornar inevit&#xE1;vel. Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">Dejours (1987)</xref>, o sofrimento &#xE9; determinado pela insatisfa&#xE7;&#xE3;o e estranhamento do sujeito ao seu trabalho. Se ele n&#xE3;o encontra prazer no que faz, se seu trabalho n&#xE3;o se constitui em fonte de energia, ele entra em confronto com a realidade. O sofrimento &#xE9;, ent&#xE3;o, gerado na rela&#xE7;&#xE3;o homem 
				<italic>versus</italic> organiza&#xE7;&#xE3;o
				<xref ref-type="fn" rid="fn3">
					<sup>3</sup>
				</xref> do trabalho.
			</p>
			<p>De acordo com Mendes (2003), as viv&#xEA;ncias de sofrimento do trabalhador aparecem associadas &#xE0; divis&#xE3;o e &#xE0; padroniza&#xE7;&#xE3;o de tarefas, &#xE0; nega&#xE7;&#xE3;o do potencial humano e da criatividade, &#xE0; rigidez hier&#xE1;rquica, as inger&#xEA;ncias pol&#xED;ticas, &#xE0; falta de perspectivas de crescimento e reconhecimento profissional e de participa&#xE7;&#xE3;o nas decis&#xF5;es institucionais. Para essa autora, o sofrimento &#xE9; definido a partir do fator desgaste, que &#xE9; a sensa&#xE7;&#xE3;o de cansa&#xE7;o, des&#xE2;nimo e descontentamento em rela&#xE7;&#xE3;o ao trabalho.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>A gente n&#xE3;o tem um cansa&#xE7;o f&#xED;sico de um pedreiro, que carrega latas de areia e sacos de cimento. Mas a gente tem o cansa&#xE7;o mental. &#xC9; dif&#xED;cil ir &#xE0; casa de uma fam&#xED;lia e ver a precariedade de vida, voc&#xEA; chega a se analisar, &#xE0;s vezes eu me pego me analisando. S&#xE3;o coisas que v&#xE3;o desgastando a gente. Que v&#xE3;o dando um desgaste n&#xE3;o f&#xED;sico, mas um desgaste mental (Participante 4).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As ang&#xFA;stias dos assistentes sociais frente &#xE0; complexidade das express&#xF5;es da quest&#xE3;o social e o seu contato direto com as condi&#xE7;&#xF5;es de vida da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria s&#xE3;o componentes que, segundo eles, contribuem para o seu sofrimento e adoecimento.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) a gente vai somatizando um monte de coisas, porque voc&#xEA; escuta problemas desde a hora que voc&#xEA; inicia o seu trabalho. Porque a gente &#xE9; uma porta para os usu&#xE1;rios virem e apresentarem as fragilidades deles. Ent&#xE3;o, voc&#xEA; escutar e n&#xE3;o ter for&#xE7;as para fazer nada em cima daquilo &#xE9; frustrante. E voc&#xEA; acaba somatizando todas essas frustra&#xE7;&#xF5;es. Voc&#xEA; ver uma fam&#xED;lia que passa por necessidades, voc&#xEA; ver um jovem que tem uma vida inteira pela frente sem perspectiva, por exemplo (Participante 4).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>(&#x2026;) a gente aprende quando a gente estuda que no Servi&#xE7;o Social voc&#xEA; volta dois, tr&#xEA;s passos para tr&#xE1;s para voc&#xEA; avan&#xE7;ar um. S&#xF3; que l&#xE1; a sensa&#xE7;&#xE3;o que eu tenho &#xE9; que voc&#xEA; n&#xE3;o est&#xE1; conseguindo avan&#xE7;ar, voc&#xEA; s&#xF3; est&#xE1; afastando, porque n&#xE3;o tem condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho. Outro dia eu cheguei a falar, aqui n&#xE3;o precisa mais do Servi&#xE7;o Social(&#x2026;) (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Dando sequ&#xEA;ncia &#xE0;s suas reflex&#xF5;es a assistente social ressalta que:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Se voc&#xEA; n&#xE3;o tem lugar para uma escuta qualificada, como &#xE9; que voc&#xEA; vai fazer uma reuni&#xE3;o com dez, quinze familiares? Tudo isso gera essa frustra&#xE7;&#xE3;o, essa ang&#xFA;stia, que vai adoecendo, eu digo para voc&#xEA; - hoje, eu estou com vontade de ir ao psiquiatra e pegar meses de licen&#xE7;a, porque eu n&#xE3;o tenho vontade de trabalhar, hoje, eu n&#xE3;o tenho vontade de trabalhar. J&#xE1; fui mais feliz, mas hoje, est&#xE1; bem complicado(&#x2026;). Porque a sensa&#xE7;&#xE3;o que d&#xE1; &#xE9; que voc&#xEA; n&#xE3;o est&#xE1; fazendo nada (Participante 3).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As falas dos profissionais expressam o n&#xED;vel de descontentamento, indicando inclusive sintomas da 
				<italic>s&#xED;ndrome de burnout.</italic> A express&#xE3;o inglesa 
				<italic>burn-out</italic> corresponde a &#x201C;queimado at&#xE9; o final&#x201D;, traduzida para o portugu&#xEA;s, significa &#x201C;estar acabado&#x201D;. No Brasil, essa s&#xED;ndrome tamb&#xE9;m &#xE9; conhecida como s&#xED;ndrome do esgotamento profissional, sendo caracterizada pela exaust&#xE3;o emocional, pela completa falta de energia, pela sensa&#xE7;&#xE3;o de ter chegado ao seu limite m&#xE1;ximo.
			</p>
			<p>A 
				<italic>s&#xED;ndrome de burnout,</italic> geralmente, apresenta sentimentos de fracasso; entre seus principais indicadores est&#xE3;o o cansa&#xE7;o emocional, a despersonaliza&#xE7;&#xE3;o e a falta de realiza&#xE7;&#xE3;o pessoal. A s&#xED;ndrome &#xE9; definida como uma rea&#xE7;&#xE3;o &#xE0; tens&#xE3;o emocional cr&#xF4;nica, gerada a partir do contato estressante e infeliz com o trabalho, fazendo com que a pessoa perca o interesse pelo mesmo.
			</p>
			<p>Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Codo (1999)</xref>, os profissionais envolvidos intensamente com o seu trabalho, que se responsabilizam pelo sucesso e/ou insucesso dos seus resultados, s&#xE3;o mais suscet&#xED;veis &#xE0; 
				<italic>s&#xED;ndrome de burnout.</italic>
			</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>&#xC9; onde a gente adoece porque eu levo pra casa(&#x2026;) eu levo pra casa e a&#xED; fico pensando numa forma de resolver aquela situa&#xE7;&#xE3;o para que seja menos sofrida para o usu&#xE1;rio (Participante 3).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Eu gosto muito do que fa&#xE7;o s&#xF3; que me gera uma ansiedade muito grande. E a&#xED; geralmente eu fico com gastrite, que &#xE9; um problema que eu j&#xE1; tenho de sa&#xFA;de, e que vem e volta, e come&#xE7;ou depois desse trabalho. Tenho crises de enxaqueca, eu assimilo isso &#xE0; rotina de trabalho e a minha autocobran&#xE7;a (Participante 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Para Freudenberger (1974), a agress&#xE3;o ao sentido do trabalho &#xE9; a g&#xEA;nese do esgotamento profissional. O autor afirma que os profissionais mais propensos a desenvolv&#xEA;-la s&#xE3;o aqueles que prestam servi&#xE7;os a outras pessoas, como cuidadores, professores, m&#xE9;dicos, enfermeiras e assistentes sociais.</p>
			<p>A atua&#xE7;&#xE3;o dos assistentes sociais encontra-se mediada por um processo contradit&#xF3;rio: o prazer outorgado pela possibilidade de realizar um trabalho que impulsione e materialize os direitos sociais dos segmentos pauperizados da classe trabalhadora; e, ao mesmo tempo, o sofrimento, pela exposi&#xE7;&#xE3;o continuada &#xE0; escassez de recursos e ao aviltamento das pol&#xED;ticas sociais que respondam &#xE0;s demandas dos trabalhadores.</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Todas as coisas que foram acontecendo. Eu cheguei a engordar quinze quilos. Para voc&#xEA; ver que isso &#xE9; n&#xED;tido, porque voc&#xEA; se torna ansiosa, voc&#xEA; come compulsivamente. Voc&#xEA; v&#xEA; que est&#xE1; estressada, v&#xE3;o falar com voc&#xEA; na sua casa e voc&#xEA; j&#xE1; est&#xE1; explodindo (Participante 2).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Por conta desta situa&#xE7;&#xE3;o de trabalho, eu vivo com a diabetes superalta porque eu fico muito estressada. A gente n&#xE3;o consegue ter uma alimenta&#xE7;&#xE3;o regular, a gente n&#xE3;o tem hora para o almo&#xE7;o. Almo&#xE7;amos na hora que d&#xE1;. Ent&#xE3;o, voc&#xEA; come&#xE7;a a atender naquele ritmo que eu te falei, atendimento atr&#xE1;s de atendimento. A minha sa&#xFA;de &#xE9; muito fragilizada por conta disso. Fora os picos de estresse, t&#xEA;m dias que a minha vontade &#xE9; que ningu&#xE9;m fale comigo (Participante 4).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As transforma&#xE7;&#xF5;es operadas no mundo do trabalho apontam para a exaust&#xE3;o e degrada&#xE7;&#xE3;o do trabalho humano. S&#xE3;o novas formas de extra&#xE7;&#xE3;o da mais valia atrav&#xE9;s de processos intensos da explora&#xE7;&#xE3;o da for&#xE7;a de trabalho, que tem na sua g&#xEA;nese a busca incessante pela acumula&#xE7;&#xE3;o do capital mediada pela amplia&#xE7;&#xE3;o do trabalho excedente e pela redu&#xE7;&#xE3;o do trabalho pago.</p>
			<p>Nesse contexto, os assistentes sociais, assim como outros trabalhadores, v&#xEA;m sofrendo suas consequ&#xEA;ncias de forma dolorosa e muitas vezes solit&#xE1;ria, o que t&#xEA;m lhes causado sofrimento e adoecimento, perpassando dimens&#xF5;es essenciais de suas subjetividades e sociabilidades, colocando em risco sua sa&#xFA;de f&#xED;sica e ps&#xED;quica.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
			<p>Depreende-se a partir das reflex&#xF5;es apresentadas neste artigo que o contexto de crise mundial do capital e as novas formas de precariza&#xE7;&#xE3;o e intensifica&#xE7;&#xE3;o do trabalho repercutem diretamente nas condi&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho do assistente social e, por consequ&#xEA;ncia, na sua sa&#xFA;de f&#xED;sica e mental.</p>
			<p>M&#xE9;sz&#xE1;ros (2002, p. 796-797) qualifica a crise atual como uma crise estrutural, em que a ordem sociometab&#xF3;lica do capital defronta-se com os seus limites absolutos, visto que ela &#x201C;afeta a totalidade de um complexo social em todas as rela&#xE7;&#xF5;es com suas partes constituintes ou subcomplexos, como tamb&#xE9;m a outros complexos aos quais &#xE9; articulada&#x201D;. Em suas reflex&#xF5;es, adverte que o capitalismo esgotou o seu car&#xE1;ter civilizat&#xF3;rio de expans&#xE3;o e avan&#xE7;a para o n&#xED;vel exorbitante da explora&#xE7;&#xE3;o da for&#xE7;a de trabalho, da desigualdade e da barb&#xE1;rie. Como esse sistema conta com poucos meios para se expandir, tem colocado em risco a pr&#xF3;pria vida humana, assinalando que, quanto mais aumenta a competitividade e a concorr&#xEA;ncia intercapitais, mais prejudiciais s&#xE3;o suas consequ&#xEA;ncias. Destas, ressaltam-se a precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho e a degrada&#xE7;&#xE3;o do meio ambiente, na rela&#xE7;&#xE3;o metab&#xF3;lica entre homem, tecnologia e natureza, circunscrita aos ditames do capital.</p>
			<p>Nos depoimentos das assistentes sociais apuraram-se v&#xE1;rios indicativos que remetem ao sofrimento e ao adoecimento, resultantes de suas condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho, tais como: ansiedade, aumento de peso, desmotiva&#xE7;&#xE3;o, sintomas da 
				<italic>s&#xED;ndrome de burnout,</italic> ang&#xFA;stia, esgotamento, estafa, conflitos pessoais e familiares, estresse, frustra&#xE7;&#xF5;es, sensa&#xE7;&#xE3;o de incapacidade, esgotamento mental, infelicidade, gastrite, crises de enxaqueca e diabetes. Nesse sentido, o sofrimento gerado pelo trabalho
			</p>
			<disp-quote>
				<p>(&#x2026;) aparecer&#xE1;, assim, como produzido dentro de um contexto determinado, constitu&#xED;do por novas rela&#xE7;&#xF5;es estabelecidas no espa&#xE7;o espec&#xED;fico do trabalho e, ademais, por novos dispositivos ideol&#xF3;gicos que fazem interiorizar o processo de domina&#xE7;&#xE3;o tanto daqueles que est&#xE3;o fora do ambiente de trabalho quanto daqueles que est&#xE3;o em seu centro (MENDES; WERLANG, 2013, p.745).</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim, pode-se afirmar que os assistentes sociais entrevistados vivenciam um trabalho alienado, precarizado, subjugado, obrigat&#xF3;rio, noutros termos, um trabalho miser&#xE1;vel. Diz Marx (1968) que o modo de exist&#xEA;ncia quantitativo do trabalho &#xE9; o tempo de trabalho uniforme e indiferenciado, simples, por assim dizer, despido de toda qualidade. Portanto, o modo de produ&#xE7;&#xE3;o capitalista, em seu est&#xE1;gio atual de financeiriza&#xE7;&#xE3;o da economia e dos avan&#xE7;os do ide&#xE1;rio neoliberal, acentua a precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho atingindo diretamente os assistentes sociais.</p>
			<p>Essa realidade aprofunda processos de aliena&#xE7;&#xE3;o do trabalho, esmorecendo as possibilidades de constru&#xE7;&#xE3;o de identidades coletivas, com repercuss&#xF5;es na organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica do conjunto de trabalhadores. A atitude solit&#xE1;ria do profissional frente a essa realidade, somada aos riscos da rotina, da burocracia e da press&#xE3;o institucional, pode levar &#xE0; naturaliza&#xE7;&#xE3;o ou &#xE0; mera aceita&#xE7;&#xE3;o de um contexto de trabalho perverso que se contrap&#xF5;e radicalmente ao Projeto &#xC9;tico-Pol&#xED;tico do Servi&#xE7;o Social. Por isso, sua nega&#xE7;&#xE3;o &#xE9; fundamental e imp&#xF5;e-se a ela a luta coletiva para construir novas sociabilidades. Constatou-se que, independentemente da &#xE1;rea de atua&#xE7;&#xE3;o profissional, prevalece um processo de deteriora&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho dos assistentes sociais, as quais devem ser analisadas em suas particularidades.</p>
			<p>Com um cotidiano marcado pela superexplora&#xE7;&#xE3;o do trabalho, o assistente social depara-se com infind&#xE1;veis demandas. Verifica-se a aus&#xEA;ncia dos recursos mais b&#xE1;sicos para a realiza&#xE7;&#xE3;o de suas atividades, como a falta de materiais de escrit&#xF3;rio, computadores e impressoras, salas adequadas para o atendimento da popula&#xE7;&#xE3;o e ve&#xED;culos para realiza&#xE7;&#xE3;o das visitas domiciliares e institucionais. O profissional busca desenvolver sua interven&#xE7;&#xE3;o premido pelo compromisso &#xE9;tico-pol&#xED;tico com os usu&#xE1;rios, mas a institui&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o oferece as condi&#xE7;&#xF5;es necess&#xE1;rias para seu fazer. Esses s&#xE3;o dilemas postos aos profissionais que veem sua autonomia cada vez mais controlada pelos empregadores. Essa autonomia, exercida de diferentes maneiras pelos assistentes sociais, quando cerceada, gera um elevado grau de sofrimento. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">Druck, Franco e Silva (2010)</xref>, profissionais impedidos de exercer sua &#xE9;tica profissional adoecem de fato.
			</p>
			<p>Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, o trabalho do assistente social realiza-se na contram&#xE3;o do projeto societ&#xE1;rio vigente. Os assistentes sociais tecem seu cotidiano de trabalho numa rela&#xE7;&#xE3;o tensionada entre a defesa dos direitos sociais e as premissas da sociedade capitalista, cuja interven&#xE7;&#xE3;o se d&#xE1; diretamente na contradi&#xE7;&#xE3;o capital-trabalho.</p>
			<p>Contudo, ainda que a profiss&#xE3;o esteja condicionada a fatores estruturais, conjunturais e institucionais que ultrapassam a vontade dos seus agentes, tamb&#xE9;m &#xE9; fruto e express&#xE3;o dos sujeitos que a constroem cotidianamente. Portanto, mesmo sob condi&#xE7;&#xF5;es historicamente determinadas, que independem de sua vontade, s&#xE3;o os homens que fazem a hist&#xF3;ria (MARX; ENGELS, 1998), da&#xED; exercerem papel fundamental na constru&#xE7;&#xE3;o, manuten&#xE7;&#xE3;o e transforma&#xE7;&#xE3;o da sociabilidade, ou no que Luk&#xE1;cs (1997) chama de transforma&#xE7;&#xE3;o da pura causalidade em causalidade posta.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Lei n&#xBA; 12.317, de 26 de agosto de 2010, que altera o artigo 5&#xB0; da Lei de Regulamenta&#xE7;&#xE3;o Profissional (Lei 8.662/1993) e define a jornada m&#xE1;xima de trabalho de assistentes sociais em 30 horas semanais sem redu&#xE7;&#xE3;o salarial.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Santos e Manfroi (2012), Trindade e Cavalcante (2010).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Compreende-se por organiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho &#x201C;a divis&#xE3;o do trabalho, o conte&#xFA;do da tarefa (na medida em que ele dela deriva), o sistema hier&#xE1;rquico, as modalidades de comando, as rela&#xE7;&#xF5;es de poder, as quest&#xF5;es de responsabilidade etc.&#x201D; (DEJOURS, 1987, p. 25).</p>
			</fn>
		</fn-group>
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			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ANTUNES</surname>
							<given-names>Ricardo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Dimens&#xF5;es da crise e metamorfoses do mundo do trabalho</article-title>
					<source>Servi&#xE7;o Social e Sociedade</source>
					<comment>S&#xE3;o Paulo</comment>
					<volume>XVII</volume>
					<issue>50</issue>
					<fpage>78</fpage>
					<lpage>85</lpage>
					<month>04</month>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>ANTUNES, Ricardo. Dimens&#xF5;es da crise e metamorfoses do mundo do trabalho. 
					<bold>Servi&#xE7;o Social e Sociedade</bold>, S&#xE3;o Paulo, ano XVII, n. 50, p.78-85, abr.1996.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>ABEPSS. Centro de estudos e projetos em educa&#xE7;&#xE3;o, cidadania e desenvolvimento social</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>Proposta B&#xE1;sica para o Projeto de Forma&#xE7;&#xE3;o Profissional</chapter-title>
					<source>Revista Servi&#xE7;o Social e Sociedade</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
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					<issue>50</issue>
					<year>1996</year>
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				<mixed-citation>ABEPSS. Centro de estudos e projetos em educa&#xE7;&#xE3;o, cidadania e desenvolvimento social. Proposta B&#xE1;sica para o Projeto de Forma&#xE7;&#xE3;o Profissional. 
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				</mixed-citation>
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			<ref id="B3">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BAPTISTA, Myrian Veras</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>A rela&#xE7;&#xE3;o teoria/m&#xE9;todo: base do di&#xE1;logo profissional com a realidade</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>BAPTISTA</surname>
							<given-names>Myrian Veras</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>BATTINI</surname>
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					<comment>(Orgs.)</comment>
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					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
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							<surname>BAPTISTA</surname>
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					<publisher-name>PUC-SP</publisher-name>
					<year>1999</year>
					<comment>(mimeo)</comment>
					<size units="pages">21 p.</size>
					<comment>texto comentado por v&#xE1;rios autores</comment>
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							<surname>BATISTELLA</surname>
							<given-names>Carlos</given-names>
						</name>
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							<surname>BARROCO</surname>
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					<source>C&#xF3;digo de &#xE9;tica do/a assistente social comentado</source>
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						<bold>Brasil em contrarreforma</bold>: desestrutura&#xE7;&#xE3;o do estado e perda de direitos
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					<comment>Lei 12.317, de 26 agosto de 2010, acrescenta dispositivo &#xE0; Lei n&#xBA; 8.662, de 7 de junho de 1993, para dispor sobre a dura&#xE7;&#xE3;o do trabalho do Assistente Social</comment>
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						<italic>burnout</italic>?
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