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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.1.23471</article-id>
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					<subject>G&#xEA;nero e Desigualdade Social</subject>
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				<article-title>G&#xEA;nero: dimens&#xE3;o contemplada no Bolsa Fam&#xED;lia?
					<xref ref-type="fn" rid="fn1">
						<sup>*</sup>
					</xref>
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					<trans-title>Gender: contemplated dimension in the Bolsa Fam&#xED;lia?</trans-title>
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						<surname>Passos</surname>
						<given-names>Luana</given-names>
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					<label>**</label>
					<institution content-type="original">Economista. Mestra e Doutoranda em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Rio de Janeiro - RJ/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/2122842923781506. E-mail: luanapassos_s@hotmail.com.</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade Federal Fluminense</institution>
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				<day>03</day>
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				<year>2019</year>
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				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Jul</season>
				<year>2017</year>
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			<issue>1</issue>
			<fpage>83</fpage>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O objetivo deste artigo &#xE9; suscitar a discuss&#xE3;o da prote&#xE7;&#xE3;o social no &#xE2;mbito da garantia de renda m&#xED;nima condicionada, vocalizando o papel desempenhado pelo Programa Bolsa Fam&#xED;lia nas assimetrias de g&#xEA;nero e promo&#xE7;&#xE3;o da cidadania. Por meio de estat&#xED;sticas descritivas, comparativas do grupo de benefici&#xE1;rios com n&#xE3;o benefici&#xE1;rios pobres, investigou-se a dimens&#xE3;o de g&#xEA;nero com base na PNAD 2006. Concluiu-se que o programa, ao incentivar o uso dos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o, tem potencial de promo&#xE7;&#xE3;o de cidadania, mas o programa refor&#xE7;a estere&#xF3;tipos que associam a mulher &#xE0; provis&#xE3;o de cuidados e bem-estar na fam&#xED;lia.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The purpose of this article is to evoke the discussion of social protection under the conditional minimum income guarantee, vocalizing the role of the Bolsa Fam&#xED;lia Program on gender asymmetries and promoting citizenship. Through descriptive and comparative statistics of the group of beneficiaries with non-poor beneficiaries, investigated the gender dimension based on PNAD 2006. It was concluded that the program to encourage the use of health services and education has the potential to promote citizenship, but that the program reinforces stereotypes that associate women with the provision of care and well-being in the family.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Bolsa Fam&#xED;lia</kwd>
				<kwd>Cidadania</kwd>
				<kwd>G&#xEA;nero</kwd>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Bolsa Fam&#xED;lia Program</kwd>
				<kwd>Citizenship</kwd>
				<kwd>Gender</kwd>
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	<body>
		<p>Diante do aumento das vulnerabilidades vividas por consider&#xE1;vel parcela da popula&#xE7;&#xE3;o, o Estado se sente ora paulatinamente ora abruptamente pressionado a intervir na distribui&#xE7;&#xE3;o da riqueza produzida pelo mercado.</p>
		<p>A interven&#xE7;&#xE3;o do Estado nas quest&#xF5;es sociais tem fortes v&#xED;nculos com a forma&#xE7;&#xE3;o dos 
			<italic>welfare states,</italic> embora, mesmo antes da forma&#xE7;&#xE3;o desses j&#xE1; se registrasse a interven&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica na provis&#xE3;o de bens e servi&#xE7;os sociais, por&#xE9;m, de forma mais pontual e reativa. Para 
			<xref ref-type="bibr" rid="B8">Castel (1998)</xref>, todo Estado moderno de certa forma &#xE9; obrigado a &#x201C;fazer social&#x201D; para amenizar algumas disfun&#xE7;&#xF5;es gritantes e garantir a m&#xED;nima coes&#xE3;o entre os grupos sociais.
		</p>
		<p>N&#xE3;o existe uma data precisa para se atribuir ao surgimento das pol&#xED;ticas sociais no Brasil. De forma geral, &#xE9; no per&#xED;odo ditatorial do governo Vargas que come&#xE7;a, com pouco alcance ainda, a vigorar os direitos sociais na legisla&#xE7;&#xE3;o e na pr&#xE1;tica. Apesar do estabelecimento de uma pauta social, os direitos do trabalho estavam restritos aos trabalhadores formais do setor urbanoindustrial, em um per&#xED;odo em que a for&#xE7;a de trabalho era majoritariamente rural e informal, caracterizando uma din&#xE2;mica de expans&#xE3;o corporativa.</p>
		<p>Em 1964 ocorre o golpe militar que interrompe por 20 anos a democracia no Brasil. O fim da democracia n&#xE3;o significou, no entanto, elimina&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas sociais. Nas palavras de 
			<xref ref-type="bibr" rid="B22">Kerstenetzky (2012)</xref>, ocorreu no per&#xED;odo ditatorial uma esp&#xE9;cie canhestra de universalismo b&#xE1;sico no qual existiam benef&#xED;cios e servi&#xE7;os limitados e inadequados para os pobres, e pol&#xED;ticas privatizadas com financiamento p&#xFA;blico para os n&#xE3;o pobres.
		</p>
		<p>Com a redemocratiza&#xE7;&#xE3;o em 1985 e a promulga&#xE7;&#xE3;o da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, a pol&#xED;tica social brasileira ganha novo f&#xF4;lego. A Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 ampliou a prote&#xE7;&#xE3;o social sob responsabilidade do Estado, garantindo direitos sociais, pol&#xED;ticos e civis.</p>
		<p>Atualmente, o debate sobre as pol&#xED;ticas sociais no Brasil remete &#xE0; polariza&#xE7;&#xE3;o e/ou complementa&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es universais e focalizadas. Em que pese uma Constitui&#xE7;&#xE3;o pautada em princ&#xED;pios universalistas, se fortaleceram no pa&#xED;s, a partir da d&#xE9;cada de 1990, pol&#xED;ticas destinadas &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o mais vulner&#xE1;vel. Entre estas, destaca-se o Programa Bolsa Fam&#xED;lia (PBF).</p>
		<p>O Bolsa Fam&#xED;lia &#xE9; um programa de transfer&#xEA;ncia de renda que imp&#xF5;e condicionalidades &#xE0;s fam&#xED;lias na &#xE1;rea de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o. A despeito do enfretamento &#xE0; pobreza que o programa tem possibilitado, a imposi&#xE7;&#xE3;o de obriga&#xE7;&#xF5;es suscita o debate sobre a fun&#xE7;&#xE3;o e contribui&#xE7;&#xE3;o social das contrapartidas. Por um lado, se enxerga nelas um mecanismo de promo&#xE7;&#xE3;o da cidadania, por outro, uma fun&#xE7;&#xE3;o moralizadora dos pobres. Em uma terceira via, pode-se defender que &#xE9; desej&#xE1;vel o incentivo ao uso dos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o para promo&#xE7;&#xE3;o da cidadania, mas n&#xE3;o na forma de imposi&#xE7;&#xE3;o ao benef&#xED;cio recebido.</p>
		<p>Em uma perspectiva de g&#xEA;nero, o que tem acontecido na Am&#xE9;rica Latina &#xE9; a instrumentaliza&#xE7;&#xE3;o dos programas de transfer&#xEA;ncia de renda, condicionada ao papel de reprodu&#xE7;&#xE3;o social comumente assumido pelas mulheres. No Brasil n&#xE3;o tem sido diferente, dado que o Bolsa Fam&#xED;lia parece n&#xE3;o facilitar o processo de individualiza&#xE7;&#xE3;o das mulheres, podendo at&#xE9; mesmo contribuir para a perpetua&#xE7;&#xE3;o do papel estereotipado que vincula a mulher &#xE0; fun&#xE7;&#xE3;o de m&#xE3;e.</p>
		<p>Posto isso, o objetivo do artigo &#xE9; suscitar o debate sobre a transfer&#xEA;ncia de renda com condicionalidades no &#xE2;mbito do Bolsa Fam&#xED;lia, em especial o papel desempenhado por este programa nas quest&#xF5;es de g&#xEA;nero. Para tanto, o artigo est&#xE1; dividido em tr&#xEA;s se&#xE7;&#xF5;es al&#xE9;m desta introdu&#xE7;&#xE3;o e das considera&#xE7;&#xF5;es finais. Na primeira se&#xE7;&#xE3;o discute-se o desenvolvimento de uma prote&#xE7;&#xE3;o social com foco na garantia de renda m&#xED;nima. Na segunda analisam-se as condicionalidades do Bolsa Fam&#xED;lia na &#xE1;rea de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o e seu potencial de promo&#xE7;&#xE3;o de cidadania. Na terceira e &#xFA;ltima se&#xE7;&#xE3;o abordadam-se os impactos do Bolsa Fam&#xED;lia sobre a dimens&#xE3;o de g&#xEA;nero.</p>
		<sec>
			<title>Prote&#xE7;&#xE3;o social no &#xE2;mbito da garantia de renda m&#xED;nima</title>
			<p>Depois de uma prote&#xE7;&#xE3;o social bem limitada, durante os anos de ditadura militar, novos contornos redefinem a pol&#xED;tica social brasileira, com a redemocratiza&#xE7;&#xE3;o em 1985 e a Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988.</p>
			<p>A Carta Magna de 1988 foi pensada e alicer&#xE7;ada em princ&#xED;pios solid&#xE1;rios e universalistas, rompendo com a l&#xF3;gica prevalecente de cidadania limitada. No entanto, a ado&#xE7;&#xE3;o de medidas voltadas &#xE0; estabiliza&#xE7;&#xE3;o monet&#xE1;ria e restri&#xE7;&#xE3;o dos gastos p&#xFA;blicos, em especial a partir da segunda metade dos anos 1990, restringiu os caminhos para a constru&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas sociais universais, abrindo espa&#xE7;o para a defesa e o uso de a&#xE7;&#xF5;es focalizadas nos grupos mais pobres (
				<xref ref-type="bibr" rid="B33">MONNERAT et al., 2007</xref>).
			</p>
			<p>Influenciados pelas experi&#xEA;ncias dos benef&#xED;cios de renda m&#xED;nima europeus e com a aprova&#xE7;&#xE3;o de organiza&#xE7;&#xF5;es multilaterais como Banco Mundial e o 
				<italic>Programa das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas para o Desenvolvimento</italic> (PNUD), ocorreu uma grande amplia&#xE7;&#xE3;o dos programas de transfer&#xEA;ncia de renda nos pa&#xED;ses latinoamericanos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">COBO, 2012</xref>). Como aponta 
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Lavinas (2014)</xref>, desde o fim da d&#xE9;cada de 1990, a Am&#xE9;rica Latina tem sido um laborat&#xF3;rio para o novo mecanismo de combate &#xE0; pobreza: os programas de transfer&#xEA;ncia de renda com condicionalidades, que, como o nome j&#xE1; sugere, concede benef&#xED;cios desde que os recipientes cumpram certas condi&#xE7;&#xF5;es.
			</p>
			<p>Historicamente, no Brasil, mesmo as quest&#xF5;es relacionadas &#xE0; pobreza e &#xE0; desigualdade sendo muito conhecidas e reconhecidas, apenas em meados da d&#xE9;cada de 1990 as camadas exclu&#xED;das tornaram- se o p&#xFA;blico-alvo de pol&#xED;ticas sociais espec&#xED;ficas, por meio da profus&#xE3;o de pol&#xED;ticas focalizadas de transfer&#xEA;ncia de renda aos mais pobres como estrat&#xE9;gia de combate &#xE0; pobreza (
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">LAVINAS et al., 2014</xref>). O caminho tem sido a discrimina&#xE7;&#xE3;o positiva das pol&#xED;ticas sociais aos indiv&#xED;duos classificados como pobres pelo Estado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">BICHIR, 2010</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">&#xC1;VILA, 2010</xref>).
			</p>
			<p>Seguindo a l&#xF3;gica da garantia de uma renda m&#xED;nima come&#xE7;am, em 1995, no Brasil, as primeiras experi&#xEA;ncias municipais de transfer&#xEA;ncia de renda nos munic&#xED;pios de Campinas, Ribeir&#xE3;o Preto e Santos (SP) e Bras&#xED;lia (DF) expandindo-se depois para outros munic&#xED;pios e Estados. A expans&#xE3;o repercutiu para o n&#xED;vel federal ocorrendo, no primeiro mandato do Governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), a aprova&#xE7;&#xE3;o do Programa de Garantia de Renda M&#xED;nima &#x201C;para toda crian&#xE7;a na escola&#x201D;, cuja implementa&#xE7;&#xE3;o foi iniciada em 1999, e, em 2001, no segundo mandato de Fernando Henrique (1999-2003), foi substitu&#xED;do pelo Programa Nacional de Renda M&#xED;nima vinculado &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o - &#x201C;Bolsa Escola&#x201D;. Foram criados tamb&#xE9;m os programas Bolsa Alimenta&#xE7;&#xE3;o, Bolsa Renda, Vale G&#xE1;s, entre outros, al&#xE9;m de expandidas as a&#xE7;&#xF5;es do Programa de Erradica&#xE7;&#xE3;o do Trabalho Infantil, criado em 1996, e do Benef&#xED;cio de Presta&#xE7;&#xE3;o Continuada.</p>
			<p>Ao assumir o governo, em 2003, a meta principal do governo Lula era o combate &#xE0; fome com a constitui&#xE7;&#xE3;o do Programa Fome Zero. Esse programa inclu&#xED;a v&#xE1;rias a&#xE7;&#xF5;es de combate &#xE0; pobreza, sendo usado como mecanismo principal a transfer&#xEA;ncia de renda por meio do Cart&#xE3;o Alimenta&#xE7;&#xE3;o. Houve problemas de implementa&#xE7;&#xE3;o no Cart&#xE3;o Alimenta&#xE7;&#xE3;o e, desde cedo, j&#xE1; eram claras as dificuldades do Fome Zero no combate &#xE0; pobreza (
				<xref ref-type="bibr" rid="B40">ROCHA, 2013</xref>). Ap&#xF3;s o n&#xE3;o sucesso do Fome Zero, os programas de transfer&#xEA;ncia de renda do governo FHC (Bolsa Escola, Aux&#xED;lio G&#xE1;s, Bolsa Alimenta&#xE7;&#xE3;o mais o Cart&#xE3;o Alimenta&#xE7;&#xE3;o) foram unificados no Bolsa Fam&#xED;lia.
			</p>
			<p>O Bolsa Fam&#xED;lia &#xE9; um programa de transfer&#xEA;ncia condicionada direta de renda, cujo objetivo &#xE9; beneficiar fam&#xED;lias pobres, que tenham renda mensal por pessoa de R$ 85,00 a R$ 170,00 (valores de 2017), e extremamente pobres, que possuam renda mensal por pessoa de at&#xE9; R$ 85,00.</p>
			<p>As fam&#xED;lias ingressam no programa Bolsa Fam&#xED;lia atrav&#xE9;s do Cadastro &#xDA;nico do Governo Federal, criado em 2001 no governo de FHC. At&#xE9; mar&#xE7;o de 2017, existiam 26,8 milh&#xF5;es de fam&#xED;lias inscritas no Cadastro &#xDA;nico para Programas Sociais (CAD&#xDA;nico), o que corresponde a 78,5 milh&#xF5;es de pessoas cadastradas. Do universo de cadastrados no CAD&#xDA;nico, 13,6 milh&#xF5;es de fam&#xED;lias foram beneficiadas pelo programa em mar&#xE7;o de 2017
				<xref ref-type="fn" rid="fn2">
					<sup>1</sup>
				</xref>.
			</p>
			<p>Houve expans&#xE3;o ao longo do tempo do p&#xFA;blico benefici&#xE1;rio do programa, passando de 6,5 milh&#xF5;es de fam&#xED;lias, em 2004, para 13,6 milh&#xF5;es, em 2017. Cabe sublinhar que durante os mais de 10 anos de sua exist&#xEA;ncia o Bolsa Fam&#xED;lia seguiu uma trajet&#xF3;ria de crescimento &#x201C;aditiva&#x201D; (mais pessoas, maiores benef&#xED;cios, novas categorias, novas iniciativas), e o futuro sugere a manuten&#xE7;&#xE3;o da voca&#xE7;&#xE3;o expansionista do programa de forma a atingir toda a popula&#xE7;&#xE3;o necessitada (
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">KERSTENETZKY, 2013</xref>).
			</p>
			<p>Diante das priva&#xE7;&#xF5;es enfrentadas pela popula&#xE7;&#xE3;o eleg&#xED;vel e tamb&#xE9;m da &#x201C;quase&#x201D; eleg&#xED;vel, a voca&#xE7;&#xE3;o expansionista do PBF deveria ser mantida de forma a acabar com o erro de exclus&#xE3;o (eleg&#xED;veis que n&#xE3;o s&#xE3;o benefici&#xE1;rios do programa) e promover a eleva&#xE7;&#xE3;o da linha de corte na defini&#xE7;&#xE3;o dos crit&#xE9;rios de elegibilidade, j&#xE1; apontado por 
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Lavinas (2014)</xref> como um dos problemas dos programas de transfer&#xEA;ncia de renda na Am&#xE9;rica Latina.
			</p>
			<p>A despeito da ineg&#xE1;vel capacidade dos programas de renda m&#xED;nima, para redistribuir renda e minimizar a exclus&#xE3;o social ocasionada pela estrutura econ&#xF4;mica, eles n&#xE3;o s&#xE3;o por si s&#xF3; suficientes para erradicar a pobreza (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">LAVINAS; VARSANO, 1997</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">GUTI&#xC9;RREZ, 2012</xref>).
			</p>
			<p>Muitos questionamentos subsidiam, portanto, o debate acerca de qual pol&#xED;tica social &#xE9; mais efetiva e/ou mais adequada, sendo que os princ&#xED;pios de efici&#xEA;ncia nem sempre conduzem a resultados adequados para uma &#xF3;tica igualitarista. Por exemplo, programas de transfer&#xEA;ncia direta de renda que adotam uma linha de pobreza muito baixa podem ser eficazes na redu&#xE7;&#xE3;o da pobreza extrema, mas deixam de atender a muitas pessoas em situa&#xE7;&#xE3;o vulner&#xE1;vel, sendo uma pol&#xED;tica incompleta quando o que se preza &#xE9; a prote&#xE7;&#xE3;o social a todos necessitados.</p>
			<p>O discurso normalmente &#xE9;: se n&#xE3;o h&#xE1; recursos p&#xFA;blicos suficientes para suprir as necessidades b&#xE1;sicas de toda a popula&#xE7;&#xE3;o com qualidade (bons servi&#xE7;os universais), o mais eficiente &#xE9; fazer pol&#xED;ticas para os que se encontram mais vulner&#xE1;veis, isto &#xE9;, muito pobres. Na vis&#xE3;o de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Camargo (2003)</xref>, quanto mais universais forem as pol&#xED;ticas sociais menor parte dos recursos se destinar&#xE3;o aos mais pobres da popula&#xE7;&#xE3;o. Ele prop&#xF5;e que dado certo volume de recursos os impactos dos gastos sociais ser&#xE3;o maiores na redu&#xE7;&#xE3;o do grau de desigualdade, na distribui&#xE7;&#xE3;o de renda e diminui&#xE7;&#xE3;o da pobreza quanto mais focalizados eles forem no grupo de renda menor. Contrariando a ideia de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Camargo (2003)</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Kerstenetzky (2010)</xref> e 
				<xref ref-type="bibr" rid="B34">Ocampo (2008)</xref> argumentam que servi&#xE7;os universais s&#xE3;o mais efetivos em termos de redu&#xE7;&#xE3;o da desigualdade/pobreza e em termos de sustenta&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica para o financiamento. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B44">Titmuss (1974)</xref>, o problema n&#xE3;o seria escolher entre sistemas universais e focalizados, e sim criar uma estrutura de servi&#xE7;os universais onde se pudessem desenvolver servi&#xE7;os seletivos aceit&#xE1;veis como direitos sociais, voltados para as debilidades de categorias, grupos e territ&#xF3;rios espec&#xED;ficos, e n&#xE3;o restritos a avalia&#xE7;&#xF5;es de renda. E, para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cobo (2012)</xref>, transfer&#xEA;ncias universais e focalizadas n&#xE3;o s&#xE3;o opostas, sempre conviveram nos sistemas de prote&#xE7;&#xE3;o social europeus, sendo as &#xFA;ltimas usadas como resgate para os indiv&#xED;duos e fam&#xED;lias que continuam pobres mesmo ap&#xF3;s terem participado de outras possibilidades de transfer&#xEA;ncias universais, contributivas ou n&#xE3;o.
			</p>
			<p>O problema n&#xE3;o se limita &#xE0; focaliza&#xE7;&#xE3;o em si, se estende &#xE0; maneira como se focaliza e na sua finalidade. A universaliza&#xE7;&#xE3;o deve ser o princ&#xED;pio da pol&#xED;tica social e a focaliza&#xE7;&#xE3;o deve ser um dos mecanismos para atingir os anseios universalistas. Qualquer pa&#xED;s onde exista muita desigualdade, seja de classe, g&#xEA;nero, ra&#xE7;a, etc., necessita utilizar a focaliza&#xE7;&#xE3;o como forma de reparar ou no m&#xED;nimo mitigar as vulnerabilidades ocasionadas pelas desigualdades. A defesa n&#xE3;o &#xE9; a &#x201C;pura&#x201D; focaliza&#xE7;&#xE3;o, mas focalizar como a&#xE7;&#xE3;o complementar &#xE0;s pol&#xED;ticas sociais universais. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Bichir (2010)</xref>, boas estrat&#xE9;gias de focaliza&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o relevantes para que os mais vulner&#xE1;veis sejam realmente alcan&#xE7;ados, tanto pelos programas de transfer&#xEA;ncia de renda como pelas pol&#xED;ticas sociais tradicionais. A escolha pela focaliza&#xE7;&#xE3;o, no entanto, se n&#xE3;o for seguida de um fortalecimento e expans&#xE3;o das demais pol&#xED;ticas de prote&#xE7;&#xE3;o social, pode ocasionar uma permanente exclus&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o vulner&#xE1;vel a um sistema amplo de prote&#xE7;&#xE3;o, capaz de resguardar os mais pobres dos riscos e incertezas sociais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">COBO, 2012</xref>).
			</p>
			<p>&#xC9; inquestion&#xE1;vel que as pol&#xED;ticas de combate &#xE0; pobreza devem ter um foco especial na pobreza monet&#xE1;ria e desigualdade econ&#xF4;mica, no entanto, a dignidade e a qualidade de vida das pessoas n&#xE3;o se limitam &#xE0; quantidade de dinheiro dispon&#xED;vel. &#xC9; equivocado considerar a pobreza apenas como fen&#xF4;meno de d&#xE9;ficit monet&#xE1;rio.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B42">Sen (1999)</xref> argumenta que a pobreza tem uma abrang&#xEA;ncia multidimensional, envolvendo um grande leque de priva&#xE7;&#xF5;es de capacidades. A perspectiva de pobreza como priva&#xE7;&#xE3;o de capacidades n&#xE3;o exclui a insufici&#xEA;ncia de renda como uma das principais causas da pobreza, pois a falta de renda em geral leva &#xE0; priva&#xE7;&#xE3;o de capacidades de uma pessoa. No entanto, a avalia&#xE7;&#xE3;o da qualidade da vida toma a forma de uma avalia&#xE7;&#xE3;o das capacidades efetivas e essa avalia&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o pode ser feita levando-se em conta apenas mercadorias ou rendimentos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B41">SEN, 1993</xref>).
			</p>
			<p>As a&#xE7;&#xF5;es sociais n&#xE3;o devem ser pol&#xED;ticas exclusivas de combate &#xE0; pobreza monet&#xE1;ria, mas sim pol&#xED;ticas que visem mitigar ou erradicar as priva&#xE7;&#xF5;es de capacidades. Logo, o Programa Bolsa Fam&#xED;lia, proporcionando renda aos mais pobres, juntamente com a expans&#xE3;o e melhoria de um sistema universal de oferta de servi&#xE7;os, tem forte potencial para concretizar a cidadania inclusiva no pa&#xED;s.</p>
			<p>Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o ser&#xE3;o analisadas as condicionalidades do Programa Bolsa Fam&#xED;lia nas &#xE1;reas de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o. Antes de se debru&#xE7;ar sobre as condicionalidades, cabe frisar que o cen&#xE1;rio que se apresenta no pa&#xED;s, de crise econ&#xF4;mica e pol&#xED;tica desde 2015, reacende debates sobre o Bolsa Fam&#xED;lia que pareciam superados. No bojo das crises, o programa, que parecia blindado dado seu not&#xE1;vel sucesso, passou a ser alvo de cortes or&#xE7;ament&#xE1;rios, de cr&#xED;ticas de fraudes e de incha&#xE7;o no p&#xFA;blico atendido. O futuro que antes pareceria certo, no sentido de expans&#xE3;o do Bolsa Fam&#xED;lia at&#xE9; atingir toda a popula&#xE7;&#xE3;o necessitada, hoje se distancia no horizonte e justamente no momento em que os reflexos da crise econ&#xF4;mica expandem o contingente de cidad&#xE3;os pauperizados.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>&#x201C;Condicionalidades&#x201D; e a promo&#xE7;&#xE3;o da cidadania</title>
			<p>Em uma conjuntura em que o Programa Bolsa Fam&#xED;lia (PBF) tem ganhado destaque, intensificam- se as discuss&#xF5;es sobre programas focalizados e inclus&#xE3;o social ou a sa&#xED;da da pobreza e as contrapartidas para o recebimento do benef&#xED;cio.</p>
			<p>O debate em torno das condicionalidades dos programas de transfer&#xEA;ncia de renda, em especial do Bolsa Fam&#xED;lia, abarca diferentes posi&#xE7;&#xF5;es. A aposta dos idealizadores do PBF &#xE9; de que as condicionalidades favore&#xE7;am a cidadania, uma vez que o programa estaria ligado &#xE0; amplia&#xE7;&#xE3;o do exerc&#xED;cio do direito &#xE0; sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o ainda incompletos no pa&#xED;s (
				<xref ref-type="bibr" rid="B33">MONNERAT et al., 2007</xref>). 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Kerstenetzky (2009)</xref> questiona se de fato a motiva&#xE7;&#xE3;o por tr&#xE1;s das condicionalidades do programa &#xE9; promover a cidadania, devido ao pouco investimento feito nas &#xE1;reas de educa&#xE7;&#xE3;o e sa&#xFA;de. E 
				<xref ref-type="bibr" rid="B28">Lavinas (2004)</xref> afirma que as condicionalidades submetem o direito constitucional, a assist&#xEA;ncia social &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o de exig&#xEA;ncias, numa situa&#xE7;&#xE3;o em que os potenciais benefici&#xE1;rios j&#xE1; se encontram em condi&#xE7;&#xE3;o muito vulner&#xE1;vel.
			</p>
			<p>Condicionar o recebimento do benef&#xED;cio a obriga&#xE7;&#xF5;es e puni&#xE7;&#xF5;es em caso de n&#xE3;o cumprimento, mesmo que sejam nas &#xE1;reas de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o, vai contra a l&#xF3;gica de um sistema de assist&#xEA;ncia social aos necessitados. Cria o estigma liberal de que os pobres s&#xE3;o respons&#xE1;veis pela sua pobreza e que, portanto, devem ser exigidos retornos para o apoio p&#xFA;blico conferido. Como aponta 
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">Barr (2012)</xref>, os benef&#xED;cios monet&#xE1;rios devem ser pensados de modo a preservar a dignidade individual e evitar estigmas. O autor defende a forma&#xE7;&#xE3;o de um sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social para todos, garantindo bem-estar tanto aos indiv&#xED;duos considerados fracos e vulner&#xE1;veis (deficientes, idosos, &#xF3;rf&#xE3;os, refugiados, m&#xE3;es solteiras, jovens desempregados), aos pobres (cr&#xF4;nicos ou transit&#xF3;rios) como aos demais membros da sociedade (nem pobres, nem vulner&#xE1;veis).
			</p>
			<p>Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B43">Silva, Yazbek, Giovanni (2008)</xref>, exigir o cumprimento de obriga&#xE7;&#xF5;es por parte da popula&#xE7;&#xE3;o mais pobre implica a nega&#xE7;&#xE3;o do direito ao recebimento de uma parcela da riqueza socialmente produzida, que deveria ser distribu&#xED;da atrav&#xE9;s de programas de transfer&#xEA;ncias de renda entre outros mecanismos. As condicionalidades t&#xEA;m forte rela&#xE7;&#xE3;o com a vis&#xE3;o paternalista sobre a pobreza, na qual est&#xE1; subentendido que a popula&#xE7;&#xE3;o pobre n&#xE3;o tem sabedoria para gastar ou agir convenientemente, precisando, portanto, que o Estado a obrigue a utilizar a renda recebida por meio de benef&#xED;cios assistenciais na compra de alimentos, por exemplo, ou se comprometa a levar as crian&#xE7;as &#xE0; escola e/ou cuidar da sa&#xFA;de da fam&#xED;lia (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">COBO, 2012</xref>).
			</p>
			<p>Programas de transfer&#xEA;ncia de renda com componentes estruturais nas &#xE1;reas de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o t&#xEA;m potencial para combater a pobreza em suas causas e resultados. Para tanto, &#xE9; preciso desenvolver a vertente estrutural, de forma a impactar significantemente o capital humano dos benefici&#xE1;rios e reduzir a pobreza intergeracional. Se as &#x201C;contrapartidas&#x201D;, leia-se utiliza&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os, forem mais um compromisso social do Estado na promo&#xE7;&#xE3;o dos direitos universais do que um dever moral das fam&#xED;lias, forte &#xE9; a potencialidade de promover equidade e cidadania.</p>
			<p>Ao inv&#xE9;s de classificar o Bolsa Fam&#xED;lia como programa de transfer&#xEA;ncias de renda com condicionalidades, melhor seria consider&#xE1;-lo como transfer&#xEA;ncia de renda com oportunidades, o que enfraquece o estigma liberal de que os pobres s&#xE3;o respons&#xE1;veis pela sua pobreza, ent&#xE3;o t&#xEA;m que ter uma contrapartida no recebimento do benef&#xED;cio (
				<xref ref-type="bibr" rid="B36">PASSOS, 2014</xref>). O sentido das oportunidades n&#xE3;o &#xE9; 
				<italic>stricto sensu</italic> &#x201C;portas de sa&#xED;da&#x201D; do programa e oportunidades de inser&#xE7;&#xE3;o laboral, mas sim oportunidades de uma vida mais digna com acesso a direitos sociais b&#xE1;sicos. Criar uma imagem do programa de garantia de renda com oportunidades para uma vida melhor seria uma tentativa de gerar a aceita&#xE7;&#xE3;o social de transfer&#xEA;ncia de renda incondicional aos mais pobres.
			</p>
			<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o ao acompanhamento das condicionalidades mostradas nas 
				<xref ref-type="table" rid="t1">Tabelas 1</xref> e 
				<xref ref-type="table" rid="t2">2</xref>, o monitoramento da frequ&#xEA;ncia escolar alcan&#xE7;ou a propor&#xE7;&#xE3;o de 94,3% para crian&#xE7;as e adolescentes entre 6 e 15 anos. Para os jovens entre 16 e 17 anos, o percentual de acompanhamento da frequ&#xEA;ncia escolar alcan&#xE7;ou 83,3%. Em rela&#xE7;&#xE3;o ao acompanhamento da sa&#xFA;de das fam&#xED;lias, o percentual foi de 78,5 %.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Benefici&#xE1;rios com deveres na &#xE1;rea de educa&#xE7;&#xE3;o e benefici&#xE1;rios com condicionalidades de educa&#xE7;&#xE3;o acompanhadas (2017)</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
				<table frame="box" rules="cols">
					<colgroup width="33%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="left" valign="top"/>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-top: thin solid; border-color: #000000">6-15 anos</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-top: thin solid; border-color: #000000">16-17 anos</td>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="left" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rios com deveres na educa&#xE7;&#xE3;o</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">12.914.153</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">3.145.308</td>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="left" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rios com deveres acompanhados</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">12.174.582</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">2.620.260</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio de Informa&#xE7;&#xE3;o Social (2017). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
		<p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Tabela 2</label>
				<caption>
					<title>Benefici&#xE1;rios com deveres na &#xE1;rea de sa&#xFA;de e benefici&#xE1;rios com condicionalidades de sa&#xFA;de acompanhadas (2017)</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t2.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="none">
					<colgroup width="33%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left" valign="top" style="border-right: thin solid; border-color: #000000"/>
							<th align="center" valign="top" style="border-top: thin solid; border-right: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rios com deveres na sa&#xFA;de</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rios com deveres acompanhados</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top" style="border-right: thin solid; border-color: #000000">Crian&#xE7;as de at&#xE9; 7 anos e mulheres de14 anos a 44 anos</td>
							<td align="center" valign="top">11.761.008</td>
							<td align="center" valign="top">8.588.261</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio de Informa&#xE7;&#xE3;o Social (2017). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Em que pesem os valores absolutos revelarem, de certa forma, um bom acompanhamento da utiliza&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o, ressalvas devem ser feitas a esses n&#xFA;meros, em especial &#xE0; quest&#xE3;o do acesso aos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de. Como aponta 
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">Cobo (2012)</xref>, no que se refere ao n&#xED;vel de presta&#xE7;&#xE3;o de informa&#xE7;&#xE3;o da &#xE1;rea de sa&#xFA;de, a situa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; cr&#xED;tica para a maioria dos munic&#xED;pios, observando o &#xCD;ndice de Gest&#xE3;o Descentralizada (IGD)
				<xref ref-type="fn" rid="fn3">
					<sup>2</sup>
				</xref> que &#xE9; o mecanismo utilizado para mensurar o sucesso no acompanhamento das condicionalidades do Programa Bolsa Fam&#xED;lia. J&#xE1; o sistema de acompanhamento operacionalizado pela educa&#xE7;&#xE3;o parece ter um funcionamento relativo, uma vez que a educa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a parte componente do IGD que apresenta os maiores valores nos munic&#xED;pios (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">COBO, 2012</xref>). Os mecanismos de controle que devem repassar as informa&#xE7;&#xF5;es de frequ&#xEA;ncia escolar e visitas de sa&#xFA;de do &#xE2;mbito municipal para o n&#xED;vel federal s&#xE3;o muitas vezes ineficazes, e a maioria n&#xE3;o disp&#xF5;e de sistemas de computador para processar e analisar os dados (
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">LAVINAS, 2014</xref>).
			</p>
			<p>A ainda marcante pobreza intergeracional, passados mais de dez anos do Bolsa Fam&#xED;lia, revela o t&#xED;mido investimento feito nos componentes ditos estruturais (condicionalidades). O governo tem executado, de certa forma, seu compromisso de acompanhar o acesso das fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias aos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o, mas n&#xE3;o tem na mesma medida expandido a oferta e qualidade desses servi&#xE7;os, continuando a realidade brasileira marcada por educa&#xE7;&#xE3;o e sa&#xFA;de prec&#xE1;rias.</p>
			<p>O interessante &#xE9; que apesar da press&#xE3;o midi&#xE1;tica para o aumento do compromisso do Estado em fazer valer as puni&#xE7;&#xF5;es ao n&#xE3;o atendimento das condicionalidades, o que de fato mostra a 
				<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref> &#xE9; que o acompanhamento n&#xE3;o implica alta propor&#xE7;&#xE3;o de san&#xE7;&#xF5;es. Ali&#xE1;s, se o n&#xE3;o cumprimento das condicionalidades for pela aus&#xEA;ncia dos servi&#xE7;os necess&#xE1;rios, nenhuma san&#xE7;&#xE3;o &#xE9; aplicada &#xE0; fam&#xED;lia (
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">GUSM&#xC3;O; GOMIDE; TOYOSHIMA, 2012</xref>). O Estado embutiu no programa um dever aos benefici&#xE1;rios, mas n&#xE3;o seu pr&#xF3;prio dever uma vez que n&#xE3;o est&#xE1; prevista nenhuma san&#xE7;&#xE3;o ao governo pelo n&#xE3;o oferecimento dos servi&#xE7;os.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t3">
				<label>Tabela 3</label>
				<caption>
					<title>Repercuss&#xF5;es por descumprimento de condicionalidades (2017)</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t3.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="cols">
					<colgroup width="20%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left" valign="top"/>
							<th align="center" valign="top" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">Advert&#xEA;ncia</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">Bloqueio</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">Suspens&#xE3;o</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">Cancelamento</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">Total</td>
							<td align="center" valign="top">340.618</td>
							<td align="center" valign="top">126.813</td>
							<td align="center" valign="top">40.149</td>
							<td align="center" valign="top">1.015</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Relat&#xF3;rio de Informa&#xE7;&#xE3;o Social (2017). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Como o desenho &#xE9; t&#xE3;o importante quanto a pr&#xF3;pria exist&#xEA;ncia do programa (
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">CAMARGO, 2003</xref>), pens&#xE1;-lo e execut&#xE1;-lo como um programa assistencial, com desenvolvimento de potencialidades, cria maiores chances de sucesso inclusivo do que inserir contrapartidas no intuito de afirmar que &#x201C;n&#xE3;o h&#xE1; almo&#xE7;o gr&#xE1;tis&#x201D; e, conforme 
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Lavinas et al. (2014)</xref>, se importando muito menos com a efic&#xE1;cia dessas e muito mais com sua fun&#xE7;&#xE3;o moralizadora dos bons costumes e pr&#xE1;ticas por parte dos pobres, a quem se exige prestar contas do que recebe.
			</p>
			<p>Do total de 12, 9 milh&#xF5;es de benefici&#xE1;rios acompanhados pela educa&#xE7;&#xE3;o (6 a 15 anos), 11,7 milh&#xF5;es tiveram frequ&#xEA;ncia acima de 85%. Do total de 3,1 milh&#xF5;es de benefici&#xE1;rios acompanhados pela educa&#xE7;&#xE3;o (16-17 anos), 2,6 milh&#xF5;es tiveram frequ&#xEA;ncia acima de 75%. Do total de 11,7 milh&#xF5;es de pessoas acompanhadas na sa&#xFA;de, 5,6 milh&#xF5;es tiveram pr&#xE9;-natais ou vacina&#xE7;&#xE3;o e dados nutricionais em dia
				<xref ref-type="fn" rid="fn4">
					<sup>3</sup>
				</xref>. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">Kerstenetzky (2013)</xref>, o resultado positivo de maior acesso a servi&#xE7;os se deve mais &#xE0; informa&#xE7;&#xE3;o do que &#xE0; amea&#xE7;a.
			</p>
			<p>A contribui&#xE7;&#xE3;o do programa para: o aumento da frequ&#xEA;ncia escolar (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">JANUZZI; PINTO, 2013</xref>) e redu&#xE7;&#xE3;o da repet&#xEA;ncia (
				<xref ref-type="bibr" rid="B35">OLIVEIRA; SOARES, 2013</xref>); maiores chances vis a n&#xE3;o benefici&#xE1;rios de frequentar postos de sa&#xFA;de (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">COBO, 2012</xref>); a redu&#xE7;&#xE3;o da mortalidade de crian&#xE7;as com menos de cinco anos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B38">RASELLA et al., 2013</xref>); o aumento na propor&#xE7;&#xE3;o de crian&#xE7;as com vacinas tomadas nas idades corretas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">JANUZZI; PINTO, 2013</xref>); e ser a &#xFA;nica fonte de rendimento para muitas das fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias (
				<xref ref-type="bibr" rid="B39">REGO, 2008</xref>), permite vislumbrar no programa a promo&#xE7;&#xE3;o da cidadania inclusiva.
			</p>
			<p>Em 2011, com o lan&#xE7;amento do Plano Brasil sem Mis&#xE9;ria (PBSM), foi empreendido grande esfor&#xE7;o para promover uma rede de prote&#xE7;&#xE3;o que congregasse, al&#xE9;m da garantia de renda, o acesso a direitos universais de educa&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, alimenta&#xE7;&#xE3;o, habita&#xE7;&#xE3;o e a inclus&#xE3;o produtiva. Com o Brasil sem Mis&#xE9;ria, a transfer&#xEA;ncia de renda no &#xE2;mbito do Bolsa Fam&#xED;lia n&#xE3;o perdeu espa&#xE7;o na agenda, mas se articulou com outras pol&#xED;ticas e programas sociais, que certamente s&#xE3;o amenizadores das vulnerabilidades econ&#xF4;micas e tamb&#xE9;m proporcionadores de inclus&#xE3;o social. Com essa dire&#xE7;&#xE3;o assumida, a partir de 2011, ocorreu de forma mais contundente a promo&#xE7;&#xE3;o da cidadania para as fam&#xED;lias PBF.</p>
			<p>Vale pontuar que, levando em considera&#xE7;&#xE3;o os titulares preferenciais do programa, a expans&#xE3;o da cidadania &#xE9; um terreno controverso. Para uma perspectiva feminista, a cidadania, para as mulheres, passa por mudan&#xE7;as nos pap&#xE9;is tradicionais de g&#xEA;nero. Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, discutem-se os impactos de g&#xEA;nero do Bolsa Fam&#xED;lia &#xE0; luz da perspectiva feminista.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Bolsa Fam&#xED;lia e a ader&#xEA;ncia &#xE0; agenda de g&#xEA;nero</title>
			<p>Assim como a discrimina&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o aos negros passa despercebida no discurso de democracia racial no Brasil, a discrimina&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s mulheres muitas vezes se esconde sob a forma de prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0; fragilidade feminina, que encobre a cultura patriarcal de opress&#xE3;o e submiss&#xE3;o das mulheres. Nessa realidade de opress&#xE3;o mascarada, a interven&#xE7;&#xE3;o do Estado, atrav&#xE9;s de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas para as mulheres, &#xE9; fundamental para superar as assimetrias de g&#xEA;nero.</p>
			<p>Duas posturas podem ser adotadas quando se trata da execu&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas para as mulheres: uma que enfatiza a potencializa&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas devido ao papel que a mulher desempenha na fam&#xED;lia; e outra que enfatiza os direitos da mulher enquanto sujeito social, sendo um movimento no sentido da extens&#xE3;o da cidadania. Recorrentemente, t&#xEA;m sido realizados programas que refor&#xE7;am a primeira postura e t&#xEA;m pouca liga&#xE7;&#xE3;o com a segunda.</p>
			<p>Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">Farah (2004)</xref>, a inclus&#xE3;o da quest&#xE3;o de g&#xEA;nero nas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas pode ser feita atrav&#xE9;s de programas dirigidos &#xE0; mulher ou pela incorpora&#xE7;&#xE3;o da dimens&#xE3;o g&#xEA;nero em programas em que a mulher n&#xE3;o &#xE9; o foco espec&#xED;fico. No entanto, para a autora, a incorpora&#xE7;&#xE3;o da dimens&#xE3;o g&#xEA;nero n&#xE3;o &#xE9; sin&#xF4;nimo de ader&#xEA;ncia &#xE0; agenda de g&#xEA;nero, nem significa reconhecimento da perspectiva de g&#xEA;nero compreendendo- a como um ato que seja capaz de reduzir as assimetrias entre homens e mulheres e modificar a din&#xE2;mica de reprodu&#xE7;&#xE3;o das desigualdades de g&#xEA;nero.
			</p>
			<p>Existe largo debate sobre a capacidade das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas em combater a pobreza e as desigualdades. Por&#xE9;m, pouco se atua e se discute em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas para as mulheres e os efeitos dessas para as rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero. Essa an&#xE1;lise ser&#xE1; empreendida para o Bolsa Fam&#xED;lia nessa se&#xE7;&#xE3;o.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Marco Te&#xF3;rico</title>
			<p>Mesmo com a entrada massiva das mulheres na for&#xE7;a de trabalho e legisla&#xE7;&#xE3;o de direitos igualit&#xE1;rios, programas enraizados em pap&#xE9;is sociais normativos (mulher cuidadora e homem provedor) t&#xEA;m-se revelado extremamente universais e duradouros na Am&#xE9;rica Latina (
				<xref ref-type="bibr" rid="B30">MOLYNEUX, 2006</xref>).
			</p>
			<p>Junto ao discurso da &#x201C;feminiza&#xE7;&#xE3;o da pobreza&#x201D;, adotado pelos governos e institui&#xE7;&#xF5;es internacionais, ocorreu um aumento de inclus&#xE3;o das mulheres pobres nos programas de transfer&#xEA;ncia direta de renda ligados ao cumprimento das condicionalidades (
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">LAVINAS; NICOLL, 2006</xref>). As mulheres s&#xE3;o escolhidas como as titulares da transfer&#xEA;ncia, na perspectiva de que, no &#xE2;mbito das rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero, usariam de forma mais eficiente um recurso, relativamente pequeno, alocado &#xE0; fam&#xED;lia (
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">LAVINAS et al.,2012</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">LAVINAS, 2014</xref>). Logo, o foco na mulher nos programas de combate &#xE0; pobreza tem mais liga&#xE7;&#xF5;es com a potencializa&#xE7;&#xE3;o que essas s&#xE3;o capazes de realizar para o alcance dos objetivos do que com sua inclus&#xE3;o social.
			</p>
			<p>A cr&#xED;tica &#xE0; fun&#xE7;&#xE3;o atribu&#xED;da &#xE0;s mulheres nos programas de transfer&#xEA;ncia de renda condicionada tem forte rela&#xE7;&#xE3;o com o fato de que o Estado, ao estabelecer as mulheres como titulares do programa, contribui para a produ&#xE7;&#xE3;o e veicula&#xE7;&#xE3;o de atributos sociais que associam a mulher ao papel de cuidadora. A despeito das contribui&#xE7;&#xF5;es dos programas, fica em quest&#xE3;o a possibilidade de ganhos de autonomia para as mulheres mediante a &#xEA;nfase no papel reprodutivo atribu&#xED;do &#xE0;s benefici&#xE1;rias. No mais, a vis&#xE3;o tradicional dos pap&#xE9;is de g&#xEA;nero que norteiam os programas de transfer&#xEA;ncia de renda condicionada &#xE9; respons&#xE1;vel por refor&#xE7;ar as rela&#xE7;&#xF5;es assim&#xE9;tricas de g&#xEA;nero (
				<xref ref-type="bibr" rid="B31">MOLYNEUX, 2007</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">LAVINAS et al., 2012</xref>).
			</p>
			<p>Dar a titularidade do benef&#xED;cio preferencialmente &#xE0;s mulheres permite perceber no Bolsa Fam&#xED;lia a domin&#xE2;ncia do sexo (feminino), em um programa cuja aten&#xE7;&#xE3;o priorit&#xE1;ria &#xE9; a redu&#xE7;&#xE3;o da pobreza, por&#xE9;m n&#xE3;o &#xE9; clara a ader&#xEA;ncia &#xE0; agenda de g&#xEA;nero. Por um lado, a participa&#xE7;&#xE3;o no programa contribui para uma melhoria de vida, mas, por outro, refor&#xE7;a o papel de cuidadora das mulheres. Nessa dire&#xE7;&#xE3;o, a pesquisa de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bartholo, Passos e Fontoura (2017)</xref>, a qual realiza uma vasta revis&#xE3;o da literatura sobre Bolsa Fam&#xED;lia e as rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero, mostra que este programa refor&#xE7;a a naturaliza&#xE7;&#xE3;o da atividade de cuidado como fun&#xE7;&#xE3;o feminina, por&#xE9;m o acesso a renda regular parece gerar mudan&#xE7;as na trajet&#xF3;ria das mulheres seja na percep&#xE7;&#xE3;o que tem de si, na indaga&#xE7;&#xE3;o da sujei&#xE7;&#xE3;o a relacionamentos n&#xE3;o mais desejados, na liberdade de fazer escolhas, seja na capacidade de poder aturar no mundo p&#xFA;blico.
			</p>
			<p>Em que pese os avan&#xE7;os em termos de prote&#xE7;&#xE3;o social ocasionados pelo Bolsa Fam&#xED;lia, a perspectiva feminista suscita cr&#xED;ticas ao programa por julgar que, a despeito das mulheres serem as titulares preferenciais, n&#xE3;o h&#xE1; uma ader&#xEA;ncia &#xE0; agenda de g&#xEA;nero.</p>
			<p>Para a perspectiva feminista, a ader&#xEA;ncia do Bolsa Fam&#xED;lia &#xE0; agenda de g&#xEA;nero prescindiria de uma concep&#xE7;&#xE3;o sobre o papel social da mulher, distinta da ideia estereotipada que relega as mulheres &#xE0; provis&#xE3;o de cuidados e bem-estar da fam&#xED;lia, consequentemente menor participa&#xE7;&#xE3;o social, pol&#xED;tica e econ&#xF4;mica.</p>
			<p>O feminismo de longa data delata que nas sociedades ocidentais h&#xE1; uma divis&#xE3;o entre dom&#xED;nio p&#xFA;blico e privado, na qual os homens est&#xE3;o destinados &#xE0; esfera p&#xFA;blica e as mulheres est&#xE3;o designadas &#xE0; esfera privada. Nessa dicotomia entre o p&#xFA;blico e o privado se consubstanciou a divis&#xE3;o sexual do trabalho, na qual os homens exerceriam o papel de provedores e as mulheres a atividade de cuidadoras. Essa divis&#xE3;o de pap&#xE9;is, conforme os sexos, orientou, por muito tempo, de forma praticamente exclusiva, as rela&#xE7;&#xF5;es sociais perpetuando uma divis&#xE3;o sexual do trabalho desfavor&#xE1;vel &#xE0;s mulheres.</p>
			<p>Essa divis&#xE3;o sexual do trabalho, para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B16">Hirata e Kergoat (2007)</xref>, se assenta na divis&#xE3;o social estabelecida entre os sexos, divis&#xE3;o que historicamente possibilita a manuten&#xE7;&#xE3;o da rela&#xE7;&#xE3;o social entre os sexos. A divis&#xE3;o sexual do trabalho elucida a desigualdade entre homens e mulheres e o modo pelo qual a sociedade se apropria da diferencia&#xE7;&#xE3;o para hierarquizar as atividades de acordo com o sexo (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">KERGOAT, 2009</xref>).
			</p>
			<p>&#xC9; o paradigma da divis&#xE3;o sexual do trabalho que retira da invisibilidade a reprodu&#xE7;&#xE3;o social executada gratuitamente pelas mulheres, dando destaque &#xE0; massa de trabalho executada por elas em seus lares. Esse paradigma, que desnuda a exist&#xEA;ncia de uma divis&#xE3;o sexual do trabalho, concede novo f&#xF4;lego ao debate sobre o trabalho da mulher nos espa&#xE7;os p&#xFA;blicos e privados (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Castro, 1992</xref>), colocando em relevo o papel social das mulheres.
			</p>
			<p>A divis&#xE3;o sexual do trabalho finca-se na domina&#xE7;&#xE3;o de g&#xEA;nero, ou seja, no patriarcado. O patriarcado enquanto um sistema pol&#xED;tico ampara-se em uma rela&#xE7;&#xE3;o de explora&#xE7;&#xE3;o do trabalho feminino, a qual, para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Biroli (2016)</xref>, se apresenta no mundo capitalista na diferencia&#xE7;&#xE3;o entre trabalho remunerado e n&#xE3;o remunerado.
			</p>
			<p>Cabe real&#xE7;ar que a desigual divis&#xE3;o sexual do trabalho constrange a atua&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica e social das mulheres, dado que o avan&#xE7;o feminino nas atividades remuneradas n&#xE3;o &#xE9; acompanhado pelo retrocesso na execu&#xE7;&#xE3;o de tarefas n&#xE3;o remuneradas. Por isso, o movimento feminista tem sido enf&#xE1;tico em sua defesa pela socializa&#xE7;&#xE3;o dos cuidados, em especial pelo aparato p&#xFA;blico, uma vez que as pol&#xED;ticas de concilia&#xE7;&#xE3;o entre trabalho e fam&#xED;lia prestam uma contribui&#xE7;&#xE3;o fundamental para o equacionamento dos conflitos que marcam a desigual divis&#xE3;o sexual do trabalho.</p>
			<p>Debru&#xE7;ar-se sobre o Bolsa Fam&#xED;lia &#xE0; luz do pensamento feminista demanda, portanto, aten&#xE7;&#xE3;o aos polos da desigual divis&#xE3;o sexual do trabalho e os mecanismos que podem ser acessados para acomod&#xE1;-la, tais como as pol&#xED;ticas de concilia&#xE7;&#xE3;o entre trabalho e fam&#xED;lia.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Metodologia e an&#xE1;lise dos dados</title>
			<p>Essa pesquisa se vale da estat&#xED;stica descritiva para investigar a dimens&#xE3;o g&#xEA;nero do Bolsa Fam&#xED;lia. A An&#xE1;lise Descritiva possibilita tanto organizar, sintetizar e descrever elementos relevantes de um conjunto de caracter&#xED;sticas observadas, como cotejar tais caracter&#xED;sticas entre dois ou mais conjuntos de dados. Nessa pesquisa, as an&#xE1;lises ser&#xE3;o realizadas com base nas caracter&#xED;sticas observadas de dois grupos, os benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia e os n&#xE3;o benefici&#xE1;rios.</p>
			<p>&#xC9; considerado como grupo de n&#xE3;o benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia as pessoas cujo domic&#xED;lio tem rendimento do trabalho inferior ou igual a tr&#xEA;s sal&#xE1;rios m&#xED;nimos, referentes ao ano de 2006, e n&#xE3;o participaram do programa. E como grupo de benefici&#xE1;rios aquele domic&#xED;lio que declarou receber o Bolsa Fam&#xED;lia.</p>
			<p>Cada vez de forma mais veemente os pesquisadores ancoram-se na descri&#xE7;&#xE3;o de dados para referendar ou refutar uma tese. Nesse artigo, s&#xE3;o cotejadas as vari&#xE1;veis de tempo de afazeres dom&#xE9;sticos, horas de trabalho remunerado, taxa de escolariza&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as, motivos das crian&#xE7;as n&#xE3;o frequentarem escola ou creche, tempo das crian&#xE7;as na escola ou creche, entre o grupo de benefici&#xE1;rios e n&#xE3;o benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia, de forma a elucidar a ader&#xEA;ncia do programa &#xE0; dimens&#xE3;o g&#xEA;nero.</p>
			<p>A an&#xE1;lise descritiva dos dados &#xE9; composta por diversas ferramentas, dentre as quais destacam-se gr&#xE1;ficos, tabelas e medidas de s&#xED;ntese como porcentagens, &#xED;ndices e m&#xE9;dias. Neste artigo ser&#xE3;o utilizadas tabelas e medidas de s&#xED;ntese num&#xE9;rica, uma vez que as vari&#xE1;veis usadas s&#xE3;o do tipo quantitativa. Cabe frisar que o processo de sintetiza&#xE7;&#xE3;o dos dados, aqui empreendido, pode ocasionar perda de informa&#xE7;&#xE3;o, por&#xE9;m a perda &#xE9; aceit&#xE1;vel perante o ganho de clareza na interpreta&#xE7;&#xE3;o proporcionada pela s&#xED;ntese das observa&#xE7;&#xF5;es.</p>
			<p>Um modo corriqueiro de resumir informa&#xE7;&#xF5;es contidas nos dados &#xE9; se valer da tend&#xEA;ncia central da distribui&#xE7;&#xE3;o de frequ&#xEA;ncias. A tend&#xEA;ncia central de uma vari&#xE1;vel consiste no valor t&#xED;pico dessa vari&#xE1;vel e pode ser realizado por meio de tr&#xEA;s medidas, s&#xE3;o elas: a m&#xE9;dia, a mediana e a moda. Essa pesquisa utilizar&#xE1; a m&#xE9;dia.</p>
			<p>A m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica simples &#xE9; a medida de tend&#xEA;ncia central mais popular e mais usada na sumariza&#xE7;&#xE3;o de dados. A facilidade de c&#xE1;lculo e de interpreta&#xE7;&#xE3;o, certamente, concede &#xE0; m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica relevo nas pesquisas. No entanto, a m&#xE9;dia &#xE9; uma medida em que a presen&#xE7;a de valores extremos no conjunto de dados (valores muito grandes ou muito pequenos em rela&#xE7;&#xE3;o aos demais) pode exercer forte influ&#xEA;ncia no resultado. Tentou-se amenizar o problema de a m&#xE9;dia ser influenciada por valores extremos restringindo a an&#xE1;lise aos pobres, o que tende a homogeneizar um pouco mais os dados, uma vez que a popula&#xE7;&#xE3;o pobre em geral vivencia vulnerabilidades similares.</p>
			<p>A an&#xE1;lise descritiva de dados valeu-se de informa&#xE7;&#xF5;es provenientes da PNAD de 2006, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#xED;stica (IBGE). N&#xE3;o foi utilizada uma base de dados mais recente porque a PNAD 2006 cont&#xE9;m suplemento sobre transfer&#xEA;ncia de renda e educa&#xE7;&#xE3;o, o que possibilita saber os domic&#xED;lios que possuem rendimentos advindos de programas sociais, como o Bolsa Fam&#xED;lia, al&#xE9;m de apresentar informa&#xE7;&#xF5;es detalhadas sobre a educa&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as e caracter&#xED;sticas gerais do domic&#xED;lio e das pessoas que o comp&#xF5;em. A seguir, os resultados.</p>
			<p>Como pode ser visto na 
				<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref>, as mulheres benefici&#xE1;rias
				<xref ref-type="fn" rid="fn5">
					<sup>4</sup>
				</xref> do Bolsa Fam&#xED;lia, sejam c&#xF4;njuges ou pessoas de refer&#xEA;ncia, realizaram em m&#xE9;dia 1,5 horas a mais de atividades dom&#xE9;sticas do que as n&#xE3;o benefici&#xE1;rias pobres, em 2006. Quando comparada &#xE0; posi&#xE7;&#xE3;o na fam&#xED;lia &#xE9; confirmado o que j&#xE1; &#xE9; sabido para as mulheres de forma geral: as c&#xF4;njuges dedicaram 6 horas a mais na semana ao trabalho dom&#xE9;stico que o grupo de pessoa de refer&#xEA;ncia.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t4">
				<label>Tabela 4</label>
				<caption>
					<title>
						<xref ref-type="fn" rid="fn6">
							<sup>5</sup>
						</xref>N&#xFA;mero m&#xE9;dio de horas gastas em afazeres dom&#xE9;sticos pelas mulheres e homens benefici&#xE1;rios e n&#xE3;o benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia &#x2013; 2006
					</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t4.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="20%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left" valign="top" rowspan="2"/>
							<th align="center" valign="top" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-top: thin solid; border-left: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rios</th>
							<th align="center" valign="top" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-top: thin solid; border-left: thin solid; border-color: #000000">N&#xE3;o Benefici&#xE1;rios</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">Mulher</th>
							<th align="center" valign="top">Homem</th>
							<th align="center" valign="top">Mulher</th>
							<th align="center" valign="top">Homem</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Pessoa de refer&#xEA;ncia</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">28</td>
							<td align="center" valign="top">10</td>
							<td align="center" valign="top">26</td>
							<td align="center" valign="top">12</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">C&#xF4;njuge</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">34</td>
							<td align="center" valign="top">11</td>
							<td align="center" valign="top">33</td>
							<td align="center" valign="top">12</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>As mulheres benefici&#xE1;rias exerceram mais afazeres dom&#xE9;sticos do que os homens benefici&#xE1;rios ou n&#xE3;o. Na m&#xE9;dia, as mulheres benefici&#xE1;rias gastaram 20,5 horas semanais a mais que os homens benefici&#xE1;rios em cuidados dom&#xE9;sticos. Quando se comparam as pr&#xF3;prias mulheres, percebe-se que as benefici&#xE1;rias s&#xE3;o mais penalizadas com servi&#xE7;os dom&#xE9;sticos do que as n&#xE3;o benefici&#xE1;rias, o que sugere o refor&#xE7;o para as receptoras do benef&#xED;cio do estere&#xF3;tipo de cuidadora do lar, socialmente atribu&#xED;do &#xE0;s mulheres.</p>
			<p>Chama a aten&#xE7;&#xE3;o o maior tempo gasto com deveres dom&#xE9;sticos para as mulheres benefici&#xE1;rias frente a n&#xE3;o benefici&#xE1;rias, e o menor tempo dos homens benefici&#xE1;rios contraposto a n&#xE3;o benefici&#xE1;rios. A perspectiva feminista tem delatado que as condicionalidades geram sobrecarga de trabalho para as mulheres, o que poderia explicar essa diferencia&#xE7;&#xE3;o. Mas isso &#xE9; apenas uma hip&#xF3;tese que carece de investiga&#xE7;&#xF5;es emp&#xED;ricas. 
				<xref ref-type="bibr" rid="B37">Passos e Walternberg (2016)</xref> confirmam, atrav&#xE9;s de um modelo econom&#xE9;trico, essa diferencia&#xE7;&#xE3;o de tempo dom&#xE9;stico entre benefici&#xE1;rios e n&#xE3;o benefici&#xE1;rios, por&#xE9;m a an&#xE1;lise feita pelos autores n&#xE3;o permite concluir que sejam as condicionalidades a causa da distin&#xE7;&#xE3;o nos tempos.
			</p>
			<p>Considerando a baixa jornada de trabalho remunerado das mulheres que participam do PBF, e o menor n&#xFA;mero de horas trabalhadas por esse grupo em rela&#xE7;&#xE3;o aos homens benefici&#xE1;rios ou n&#xE3;o e as mulheres n&#xE3;o benefici&#xE1;rias, mostrados na 
				<xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 5</xref>, aventa-se tanto que o programa pode est&#xE1; refor&#xE7;ando pap&#xE9;is tradicionais, como pode ter ampliado o leque de escolhas das mulheres possibilitando a recusa de trabalho prec&#xE1;rio e mal remunerado.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t5">
				<label>Tabela 5</label>
				<caption>
					<title>N&#xFA;mero m&#xE9;dio de horas trabalhadas pelos benefici&#xE1;rios e n&#xE3;o benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia ocupados &#x2013; 2006</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t5.jpg"/>
				<table frame="box" rules="cols">
					<colgroup width="20%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left" valign="top" rowspan="2"/>
							<th align="center" valign="top" colspan="2" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rios</th>
							<th align="center" valign="top" colspan="2" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">N&#xE3;o Benefici&#xE1;rios</th>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<th align="center" valign="top">Mulher</th>
							<th align="center" valign="top">Homem</th>
							<th align="center" valign="top">Mulher</th>
							<th align="center" valign="top">Homem</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">Pessoa de refer&#xEA;ncia</td>
							<td align="center" valign="top">32</td>
							<td align="center" valign="top">43</td>
							<td align="center" valign="top">35</td>
							<td align="center" valign="top">44</td>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">C&#xF4;njuge</td>
							<td align="center" valign="top">23</td>
							<td align="center" valign="top">43</td>
							<td align="center" valign="top">27</td>
							<td align="center" valign="top">43</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>As mulheres benefici&#xE1;rias do Bolsa Fam&#xED;lia, c&#xF4;njuge ou pessoa de refer&#xEA;ncia, em 2006, tiveram uma jornada de trabalho m&#xE9;dia de 3,5 horas a menos do que as n&#xE3;o benefici&#xE1;rias. Se comparado com os homens benefici&#xE1;rios ou n&#xE3;o, as mulheres benefici&#xE1;rias exerceram em m&#xE9;dia 16 horas semanais a menos em trabalho pago. Olhando pela situa&#xE7;&#xE3;o na fam&#xED;lia, as benefici&#xE1;rias c&#xF4;njuges realizaram 9 horas a menos do que a pessoa de refer&#xEA;ncia, enquanto para os homens a diferen&#xE7;a entre o tempo gasto pelo c&#xF4;njuge e a pessoa de refer&#xEA;ncia &#xE9; nula.</p>
			<p>A conclus&#xE3;o a que se chega &#xE9; que as normas de g&#xEA;nero prevalecem para as benefici&#xE1;rias do programa, com as mulheres dedicando menos tempo ao trabalho remunerado do que os homens e as c&#xF4;njuges menos do que a pessoa de refer&#xEA;ncia, e maior tempo no trabalho dom&#xE9;stico.</p>
			<p>Cabe sublinhar que a libera&#xE7;&#xE3;o do trabalho dom&#xE9;stico feminino para o trabalho remunerado tem depend&#xEA;ncia com o provimento de escola em tempo integral, creche de qualidade e acesso garantido de 
				<italic>care</italic> para os idosos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">LAVINAS et al., 2012</xref>). Se a provis&#xE3;o desses servi&#xE7;os &#xE9; deficiente para as mulheres de forma geral, quem dir&#xE1; para esse grupo vulner&#xE1;vel de mulheres que comp&#xF5;em o Bolsa Fam&#xED;lia.
			</p>
			<p>A 
				<xref ref-type="table" rid="t6">Tabela 6</xref> mostra o pouco atendimento &#xE0; creche e &#xE0; pr&#xE9;-escola, institui&#xE7;&#xF5;es fundamentais para maior e melhor participa&#xE7;&#xE3;o das mulheres no mercado de trabalho, com cobertura de 11%, em 2006, das crian&#xE7;as de 0-3 anos e 62%, em 2006, das crian&#xE7;as de 4-5 anos das fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias. Notadamente, as mulheres pobres ainda carecem das pol&#xED;ticas de concilia&#xE7;&#xE3;o entre trabalho e fam&#xED;lia, que, embora n&#xE3;o esteja circunscrita aos objetivos do PBF, poderiam ter seu acesso facilitado por meio dele.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t6">
				<label>Tabela 6</label>
				<caption>
					<title>Taxa de escolariza&#xE7;&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o b&#xE1;sica das crian&#xE7;as das fam&#xED;lias beneficiadas e n&#xE3;o beneficiadas pelo PBF &#x2013; 2006</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t6.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<colgroup width="33%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="center" valign="top">Faixa et&#xE1;ria</th>
							<th align="center" valign="top">Fam&#xED;lias beneficiadas</th>
							<th align="center" valign="top">Fam&#xED;lias n&#xE3;o beneficiadas</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="center" valign="top">0-3 anos</td>
							<td align="center" valign="top">11%</td>
							<td align="center" valign="top">10%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">4-5 anos</td>
							<td align="center" valign="top">62%</td>
							<td align="center" valign="top">56%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">6-15 anos</td>
							<td align="center" valign="top">96%</td>
							<td align="center" valign="top">94%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">16-19 anos</td>
							<td align="center" valign="top">63%</td>
							<td align="center" valign="top">51%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Com o Brasil sem Mis&#xE9;ria foi empreendido esfor&#xE7;os para promo&#xE7;&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o infantil para as fam&#xED;lias pobres. Em 2011, 258.957 crian&#xE7;as do PBF estavam matriculadas em creche, passando para 636.711, em 2014, o que representa 17,7 % do total de crian&#xE7;as PBF de at&#xE9; 4 anos no referido ano
				<xref ref-type="fn" rid="fn7">
					<sup>6</sup>
				</xref>.
			</p>
			<p>Apesar de o programa incentivar e ao mesmo tempo tornar compulsoria a frequ&#xEA;ncia &#xE0; escola, das crian&#xE7;as de 6-15 e jovens de16-17 das fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias, a porcentagem dessas na escola ainda n&#xE3;o atinge cobertura integral. Como mostra a 
				<xref ref-type="table" rid="t6">Tabela 6</xref>, a porcentagem de crian&#xE7;as de 6-15 anos na escola, em 2006, foi de 96% e de jovens 16-19 anos de 63%. O grupo de benefici&#xE1;rios teve uma maior presen&#xE7;a nas institui&#xE7;&#xF5;es de ensino do que as fam&#xED;lias pobres n&#xE3;o benefici&#xE1;rias, mostrando certo cumprimento do objetivo do programa de aumentar o acesso aos servi&#xE7;os de educa&#xE7;&#xE3;o por esse grupo.
			</p>
			<p>Em tese, os motivos para as crian&#xE7;as das fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias n&#xE3;o estarem na creche ou escola s&#xE3;o variados, e v&#xE3;o desde a n&#xE3;o exist&#xEA;ncia do servi&#xE7;o at&#xE9; a falta de desejo dos pais de colocarem seus filhos na escola e das crian&#xE7;as de irem &#xE0; escola.</p>
			<p>A 
				<xref ref-type="table" rid="t7">Tabela 7</xref> mostra que, no ano de 2006, 18% das crian&#xE7;as de 0-3 anos n&#xE3;o estavam na creche por aus&#xEA;ncia ou dificuldade de acesso ao servi&#xE7;o; 33% porque os respons&#xE1;veis n&#xE3;o quiseram; das de 4-5 anos, 28% n&#xE3;o frequentavam pela aus&#xEA;ncia ou dificuldade de acesso ao servi&#xE7;o e 27% porque os respons&#xE1;veis n&#xE3;o quiseram. A falta do servi&#xE7;o j&#xE1; &#xE9; um motivo h&#xE1; muito tempo conhecido e reconhecido, o que chama a aten&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a alta propor&#xE7;&#xE3;o dos pais que n&#xE3;o desejam que os filhos frequentem creche e pr&#xE9;-escola. Certamente, o n&#xE3;o desejo dos pais para faixa et&#xE1;ria onde as crian&#xE7;as s&#xE3;o pequenas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">ARA&#xDA;JO; SCALON, 2005</xref>) baseia-se na concep&#xE7;&#xE3;o de que as crian&#xE7;as devem ser cuidadas pelas m&#xE3;es.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t7">
				<label>Tabela 7</label>
				<caption>
					<title>Motivos de as crian&#xE7;as de fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias do PBF n&#xE3;o frequentarem escola ou creche &#x2013; 2006</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t7.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="20%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="center" valign="middle" rowspan="2">Motivos para n&#xE3;o frequentar escola ou creche</th>
							<th align="center" valign="middle" colspan="4" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Faixa et&#xE1;ria</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">0-3 anos</th>
							<th align="center" valign="top">4-5 anos</th>
							<th align="center" valign="top">6-15 anos</th>
							<th align="center" valign="top">16-19 anos</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Trabalhar ou procurar emprego</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">&#x2013;</td>
							<td align="center" valign="top">&#x2013;</td>
							<td align="center" valign="top">5%</td>
							<td align="center" valign="top">18%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">N&#xE3;o existir escola ou creche</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">12%</td>
							<td align="center" valign="top">16%</td>
							<td align="center" valign="top">8%</td>
							<td align="center" valign="top">2%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Falta de vaga na escola ou creche</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">6%</td>
							<td align="center" valign="top">12%</td>
							<td align="center" valign="top">8%</td>
							<td align="center" valign="top">2%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">N&#xE3;o quis frequentar escola ou creche</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">0,50%</td>
							<td align="center" valign="top">2%</td>
							<td align="center" valign="top">21%</td>
							<td align="center" valign="top">33%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Os respons&#xE1;veis n&#xE3;o quiseram que frequentasse</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">33%</td>
							<td align="center" valign="top">27%</td>
							<td align="center" valign="top">8%</td>
							<td align="center" valign="top">2%</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Outros motivos</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">48,50%</td>
							<td align="center" valign="top">43%</td>
							<td align="center" valign="top">50%</td>
							<td align="center" valign="top">45%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Para a faixa et&#xE1;ria de adolescentes e jovens, o mais comum &#xE9; o abandono dos estudos para realizar trabalho remunerado e o pr&#xF3;prio desinteresse dessa categoria pelo ensino. No ano de 2006, para as faixas et&#xE1;rias de 6-15 anos e 16-19 anos, o que se destacou como motivo para n&#xE3;o presen&#xE7;a nas institui&#xE7;&#xF5;es de ensino foi, respectivamente: aus&#xEA;ncia ou dificuldade de acesso ao servi&#xE7;o, 16% e 4%, busca de trabalho, 5% e 18%, e o n&#xE3;o desejo de frequentar a escola, 21% e 33%.</p>
			<p>O tempo de perman&#xEA;ncia na escola ou creche tamb&#xE9;m &#xE9; um fator determinante para inser&#xE7;&#xE3;o da mulher no mercado de trabalho. Escola e creche em tempo integral s&#xE3;o um facilitador da concilia&#xE7;&#xE3;o entre trabalho e fam&#xED;lia e fator contributivo para uma maior e melhor inser&#xE7;&#xE3;o das mulheres no mundo do trabalho pago, uma vez que as libera da provis&#xE3;o prim&#xE1;ria de cuidado aos filhos. A 
				<xref ref-type="table" rid="t8">Tabela 8</xref> mostra que escola e creche em tempo integral, no ano de 2006, eram algo diminuto: para as fam&#xED;lias benefici&#xE1;rias, a porcentagem de quem tem mais de 6 horas de ensino foi de 24% na faixa et&#xE1;ria de 0-3 anos, e 6% na faixa et&#xE1;ria de 4-5 anos.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t8">
				<label>Tabela 8</label>
				<caption>
					<title>Porcentagem de frequ&#xEA;ncia &#xE0; creche ou escola por horas de perman&#xEA;ncia &#x2013; 2006</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t8.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="none">
					<colgroup width="14%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="center" valign="top" rowspan="2"/>
							<th align="center" valign="top" colspan="6" style="border-top: thin solid; border-color: #000000">N&#xFA;mero de horas na escola ou creche</th>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<th align="center" valign="top" colspan="2">At&#xE9; 4 horas</th>
							<th align="center" valign="top" colspan="2" style="border-left: thin solid; border-right: thin solid; border-color: #000000">Mais de 4 at&#xE9; 6 horas</th>
							<th align="center" valign="top" colspan="2">Mais de 6 horas</th>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<th align="center" valign="top">Faixa et&#xE1;ria</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rio</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">N&#xE3;o benefici&#xE1;rio</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rio</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">N&#xE3;o benefici&#xE1;rio</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">Benefici&#xE1;rio</th>
							<th align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">N&#xE3;o benefici&#xE1;rio</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">0-3 anos</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">62%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">46%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">14%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">16%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">24%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">38%</td>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">4-5 anos</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">77%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">71%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">16%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">19%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">6%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">10%</td>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">6-15 anos</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">69%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">61%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">29%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">37%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">2%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">2%</td>
						</tr>
						<tr style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
							<td align="center" valign="top">16-19 anos</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">67%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">50%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">32%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">41%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">1%</td>
							<td align="center" valign="top" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">1%</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>A escola em tempo integral pode ser compreendida e justificada de tr&#xEA;s formas: i) jornadas integrais como forma de alcan&#xE7;ar melhores resultados escolares, devido &#xE0; maior exposi&#xE7;&#xE3;o dos alunos &#xE0;s pr&#xE1;ticas e rotinas escolares; ii) amplia&#xE7;&#xE3;o do tempo escolar como forma de adequar as escolas &#xE0;s novas condi&#xE7;&#xF5;es da vida urbana, das fam&#xED;lias e em especial das mulheres; iii) jornadas mais longas como componente da mudan&#xE7;a na pr&#xF3;pria concep&#xE7;&#xE3;o de educa&#xE7;&#xE3;o escolar (
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">CAVALIERE, 2007</xref>). Por&#xE9;m, o que prevalece no Brasil para todas as categorias &#xE9; um ensino de temo parcial, pouco contributivo para inclus&#xE3;o produtiva das mulheres e debilitado para o desenvolvimento cognitivo das crian&#xE7;as.
			</p>
			<p>Cabe sublinhar que, no &#xE2;mbito do Brasil Sem Mis&#xE9;ria, o programa Mais Educa&#xE7;&#xE3;o
				<xref ref-type="fn" rid="fn8">
					<sup>7</sup>
				</xref> ampliou a oferta de educa&#xE7;&#xE3;o em tempo integral nas escolas p&#xFA;blicas onde a maioria dos alunos (mais de 50%) &#xE9; benefici&#xE1;ria do Programa Bolsa Fam&#xED;lia. A expans&#xE3;o das escolas &#x201C;maioria PBF&#x201D; no Mais Educa&#xE7;&#xE3;o saiu de um patamar de 35% do total de escolas com Mais Educa&#xE7;&#xE3;o, em 2011, para 61% em 2014 (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">IPEA, 2016</xref>).
			</p>
			<p>Embora de fato haja ganho de bem-estar para as fam&#xED;lias das titulares, o Bolsa Fam&#xED;lia n&#xE3;o impacta positivamente nas rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero e n&#xE3;o tem efeito direto sobre o empoderamento feminino (
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">LAVINAS et al., 2012</xref>). O empoderamento das mulheres s&#xF3; seria poss&#xED;vel se os recursos fossem empregados de forma a elevar as capacidades das mulheres, assegurando sua independ&#xEA;ncia econ&#xF4;mica e seu bem-estar f&#xED;sico e mental (
				<xref ref-type="bibr" rid="B32">MOLYNEUX, 2008</xref>). Todavia, o acesso &#xE0; renda regular por parte das mulheres pode estar contribuindo para fragilizar um dos polos da divis&#xE3;o sexual do trabalho, dado que a provis&#xE3;o financeira &#xE9; tida como atributo masculino (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BARTHOLO; PASSOS; FONTOURA, 2017</xref>).
			</p>
			<p>Por fim, cabe sublinhar a quest&#xE3;o racial que circunda o PBF. A maioria das benefici&#xE1;rias do Bolsa Fam&#xED;lia s&#xE3;o pretas e pardas, 73%, em 2006, contra 28% de brancas. O grupo das mulheres pretas e pardas vivencia uma dupla discrimina&#xE7;&#xE3;o - sexo e cor - sendo as mais pobres, inseridas em situa&#xE7;&#xF5;es de trabalho mais prec&#xE1;rias e informais, tendo os menores rendimentos e as mais altas taxas de desemprego (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">ESTUDOS E PESQUISAS, 2005</xref>), o que claramente justifica a presen&#xE7;a marcante em um programa de renda m&#xED;nima.
			</p>
			<p>Quando desagregado o tempo gasto em afazeres dom&#xE9;sticos das benefici&#xE1;rias por cor, a situa&#xE7;&#xE3;o das mulheres negras n&#xE3;o &#xE9; pior do que a das mulheres brancas, o que &#xE9; ind&#xED;cio de pouca desigualdade racial no &#xE2;mbito dos cuidados privados para as mulheres pobres, e de forma an&#xE1;loga para os homens benefici&#xE1;rios, como mostrado na 
				<xref ref-type="table" rid="t9">Tabela 9</xref>. O que se pode inferir &#xE9; que a cor n&#xE3;o &#xE9; determinante no tempo gasto em tarefas dom&#xE9;sticas para as pobres, diferentemente do sexo que continuou marcando uma desigual e desfavor&#xE1;vel divis&#xE3;o do trabalho dom&#xE9;stico &#xE0;s mulheres.
			</p>
			<p>
			<table-wrap id="t9">
				<label>Tabela 9</label>
				<caption>
					<title>N&#xFA;mero m&#xE9;dio de horas gastas em afazeres dom&#xE9;sticos pelos benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia por cor &#x2013; 2006</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t9.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<colgroup width="33%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="center" valign="top">Cor</th>
							<th align="center" valign="top">Mulher</th>
							<th align="center" valign="top">Homem</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Branca</td>
							<td align="center" valign="top">27</td>
							<td align="center" valign="top">10</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Parda</td>
							<td align="center" valign="top">27</td>
							<td align="center" valign="top">10</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Preta</td>
							<td align="center" valign="top">27</td>
							<td align="center" valign="top">10</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
		<p>
			<table-wrap id="t10">
				<label>Tabela 10</label>
				<caption>
					<title>N&#xFA;mero m&#xE9;dio de horas trabalhadas pelos benefici&#xE1;rios do Bolsa Fam&#xED;lia ocupados, por cor &#x2013; 2006</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="t10.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="all">
					<colgroup width="33%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="center" valign="top">Cor</th>
							<th align="center" valign="top">Mulher</th>
							<th align="center" valign="top">Homem</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Branca</td>
							<td align="center" valign="top">35</td>
							<td align="center" valign="top">44</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Parda</td>
							<td align="center" valign="top">35</td>
							<td align="center" valign="top">45</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="center" valign="top">Preta</td>
							<td align="center" valign="top">34</td>
							<td align="center" valign="top">44</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
					<attrib>Fonte: Pesquisa Nacional Por Amostra de Domic&#xED;lio - PNAD (2006). Elabora&#xE7;&#xE3;o do autor.</attrib>
			</table-wrap>
		</p>
			<p>Quando desagregado o tempo gasto em trabalho remunerado por cor, percebe-se uma sobreposi&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es assim&#xE9;tricas de g&#xEA;nero em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s assimetrias raciais. As desigualdades entre homens e mulheres nas horas trabalhadas foram elevadas, em m&#xE9;dia, 10 horas a menos trabalhadas para as mulheres. J&#xE1; as diferen&#xE7;as de trabalho por cor entre as mulheres foram menos expressivas, das brancas para as pardas n&#xE3;o houve diferen&#xE7;a e das brancas para as pretas e das pardas para as pretas foi de uma hora a menos para as &#xFA;ltimas.</p>
			<p>O Bolsa Fam&#xED;lia alcan&#xE7;a um grupo de pessoas historicamente vulner&#xE1;veis, contribuindo para uma melhoria de vida de um grupo que se encontra em pior situa&#xE7;&#xE3;o quando comparada aos demais grupos populacionais - homens negros e n&#xE3;o-negros e mulheres n&#xE3;o-negras. No entanto, assim como os impactos positivos do programa s&#xE3;o mais fortes para as afrodescendentes por que s&#xE3;o a maioria das benefici&#xE1;rias, todas as conclus&#xF5;es sobre a dimens&#xE3;o de g&#xEA;nero atingem mais essas mulheres.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
			<p>Apesar de uma Constitui&#xE7;&#xE3;o pautada em direitos sociais universais, algumas pol&#xED;ticas sociais brasileiras, em especial as de combate &#xE0; pobreza, t&#xEA;m sido baseadas em princ&#xED;pios focalizados. Ressalvas devem ser feitas aos programas sociais focalizados, no sentido de que eles possam comprometer o sistema universalista de direitos e a prote&#xE7;&#xE3;o social de forma mais ampla. Esse n&#xE3;o &#xE9; o caso do Bolsa Fam&#xED;lia, uma vez que o programa incentiva o acesso aos direitos sociais universais, mesmo que a forma como &#xE9; concebido (condicionalidades) n&#xE3;o seja a mais adequada.</p>
			<p>Observou-se nos &#xFA;ltimos anos a queda da pobreza monet&#xE1;ria e a desigualdade de renda concomitantemente ao maior acesso da popula&#xE7;&#xE3;o pobre aos servi&#xE7;os de sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o e assist&#xEA;ncia, tendo o PBF uma grande contribui&#xE7;&#xE3;o para isso. Ao afian&#xE7;ar uma renda m&#xED;nima, para aqueles com insufici&#xEA;ncia de rendimento dado a precariedade do mercado de trabalho, o Bolsa Fam&#xED;lia fortaleceu o Estado de Bem-Estar brasileiro favorecendo a constru&#xE7;&#xE3;o de um pa&#xED;s mais justo e civilizado.</p>
			<p>A despeito da not&#xF3;ria concretiza&#xE7;&#xE3;o da cidadania inclusiva da popula&#xE7;&#xE3;o mais pobre atrav&#xE9;s do PBF, as an&#xE1;lises realizadas neste trabalho levam a pondera&#xE7;&#xF5;es sobre o efeito do programa nas rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero. Apesar de atribuir prioritariamente a titularidade &#xE0;s mulheres, ao que parece, o Bolsa Fam&#xED;lia n&#xE3;o aderiu &#xE0; agenda de g&#xEA;nero na perspectiva feminista. O programa refor&#xE7;a os pap&#xE9;is socialmente institu&#xED;dos &#xE0; mulher de cuidadora e respons&#xE1;vel pela fam&#xED;lia, ocorrendo para as benefici&#xE1;rias do programa um refor&#xE7;o do tempo gasto com cuidados dom&#xE9;sticos e redu&#xE7;&#xE3;o da jornada de trabalho fora do lar.</p>
			<p>Embora n&#xE3;o esteja circunscrito aos objetivos do programa o enfrentamento &#xE0;s desigualdades de g&#xEA;nero, este deveria estar atento a outras vulnerabilidades que marcam a vida das mulheres pobres, em especial os servi&#xE7;os de creche, pr&#xE9;-escola e escola de tempo integral, institui&#xE7;&#xF5;es imprescind&#xED;veis para a participa&#xE7;&#xE3;o da mulher no mercado de trabalho e para o salutar equil&#xED;brio entre a vida dom&#xE9;stica e a vida p&#xFA;blica. Essa demanda passou a ser atendida no per&#xED;odo do Brasil Sem Mis&#xE9;ria, em que houve um claro esfor&#xE7;o governamental para promo&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas infantis para a popula&#xE7;&#xE3;o pobre.</p>
			<p>A an&#xE1;lise das estat&#xED;sticas descritivas sugere que o programa pode estar refor&#xE7;ando a posi&#xE7;&#xE3;o assim&#xE9;trica das mulheres no &#xE2;mbito das rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero, o que n&#xE3;o significa que o PBF n&#xE3;o tenha possibilitado avan&#xE7;os na inclus&#xE3;o social e econ&#xF4;mica das mulheres mais pobres. As priva&#xE7;&#xF5;es vividas por essas mulheres revelam o tamanho do desafio e como &#xE9; preciso investir em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas que se coadunem ao PBF, de forma a promover a cidadania inclusiva para as mulheres.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>*</label>
				<p>A autora agradece os coment&#xE1;rios de Lena Lavinas, F&#xE1;bio Waltenberg e Andreia Andrade e os exime de qualquer responsabilidade pelos resultados.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>1</label>
				<p>Informa&#xE7;&#xF5;es extra&#xED;das do Relat&#xF3;rio de Informa&#xE7;&#xE3;o Social. Dispon&#xED;vel em: 
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/RIv3/geral/relatorioform.php?pibge=&#x26;area=0&#x26;anopesquisa=&#x26;mespesquisa=&#x26;saida=pdf&#x26;relatorio=153&#x26;ms=623.460.587.589.450.448.1237">http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/RIv3/geral/relatorioform.php?pibge=&#x26;area=0&#x26;anopesquisa=&#x26;mespesquisa=&#x26;saida=pdf&#x26;relatorio=153&#x26;ms=623.460.587.589.450.448.1237</ext-link>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>2</label>
				<p>O IGD &#xE9; um indicador sint&#xE9;tico, criado por meio da Portaria GM/MDS n&#xB0; 148, de 2006, com o objetivo de apoiar financeiramente os munic&#xED;pios do PBF, com base na qualidade da gest&#xE3;o do programa. O &#xED;ndice &#xE9; composto pela m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica do indicador do Cad&#xDA;nico e do indicador de condicionalidades. Quanto maior o valor do IGD, maior ser&#xE1; o valor do recurso transferido ao munic&#xED;pio.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>3</label>
				<p>Dados extra&#xED;dos do Relat&#xF3;rio de Informa&#xE7;&#xE3;o Social de 2017.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>4</label>
				<p>Ser&#xE1; considerado como benefici&#xE1;rio as pessoas que estavam em domic&#xED;lios que receberam o PBF.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>5</label>
				<p>Devido &#xE0; aus&#xEA;ncia de suplementos mais recentes da PNAD sobre as quest&#xF5;es de transfer&#xEA;ncia de renda, foram utilizados nessa pesquisa dados referentes ao ano de 2006. A POF e o Censo apresentam informa&#xE7;&#xF5;es sobre PBF e t&#xEA;m dados mais recentes, no entanto, n&#xE3;o foram utilizadas no &#xE2;mbito dessa pesquisa porque n&#xE3;o possuem algumas vari&#xE1;veis que s&#xE3;o importantes para esse estudo. O CAD&#xDA;nico que seria outra op&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o foi utilizado porque n&#xE3;o &#xE9; uma base dispon&#xED;vel em sites oficiais, necessitando liberaliza&#xE7;&#xE3;o do MDS.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>6</label>
				<p>Informa&#xE7;&#xE3;o extra&#xED;da do Relat&#xF3;rio de Gest&#xE3;o da Senarc/MDS 2013 e 2014.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>7</label>
				<p>O Programa proporciona a amplia&#xE7;&#xE3;o da jornada nas escolas p&#xFA;blicas para, no m&#xED;nimo, sete horas di&#xE1;rias.</p>
			</fn>
		</fn-group>
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			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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				<element-citation publication-type="book">
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						<name>
							<surname>SCALON</surname>
							<given-names>C.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Percep&#xE7;&#xF5;es e atitudes de mulheres e homens sobre a concilia&#xE7;&#xE3;o entre fam&#xED;lia e trabalho pago no Brasil</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
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							<surname>ARA&#xDA;JO</surname>
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						</name>
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					<chapter-title>El Programa Bolsa Familia y la participaci&#xF3;n ciudadana: idas y vueltas</chapter-title>
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					<publisher-name>Universidad Externado de Colombia</publisher-name>
					<issue>10</issue>
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					<lpage>82</lpage>
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					<source>Economics of the welfare state</source>
					<edition>5th ed.</edition>
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					<sup>th</sup> ed. Oxford: Oxford Univ. Press, 2012.
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					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
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						</name>
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					<article-title>O Bolsa Fam&#xED;lia na berlinda? Os desafios atuais dos programas de transfer&#xEA;ncia de renda</article-title>
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					<volume>2</volume>
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					<fpage>115</fpage>
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					<year>2010</year>
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					</comment>
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					<bold>A pol&#xED;tica social brasileira no s&#xE9;culo XXI</bold>: a preval&#xEA;ncia dos programas de transfer&#xEA;ncia de renda. 4.ed. rev. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2008.
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					<bold>Social policy</bold>: an introduction. Nova York: Pantheon Books, 1974.
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