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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.1.27514</article-id>
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					<subject>Processos Sociais, Forma&#xE7;&#xE3;o e Trabalho</subject>
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				<article-title>Dial&#xE9;tica dos Grupos na Perspectiva da Diversidade Humana e da Sociedade de Classes</article-title>
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					<trans-title>Dialectics of Groups in the Perspective of Human Diversity and Class Society</trans-title>
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						<surname>Fernandes</surname>
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					<institution content-type="normalized">Funda&#xE7;&#xE3;o de Articula&#xE7;&#xE3;o e Desenvolvimento de Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas para Pessoas com Defici&#xEA;ncia e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul</institution>
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					<email>idilia.fernandes@pucrs.br</email>
					<institution content-type="original">Assistente Social, mestre e doutora em Servi&#xE7;o Social pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Assistente Social da Funda&#xE7;&#xE3;o de Articula&#xE7;&#xE3;o e Desenvolvimento de Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas para Pessoas com Defici&#xEA;ncia e com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (FADERS) e Professora do Curso de Servi&#xE7;o Social e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). CV: http://lattes.cnpq.br/0694990522568924. E-mail: idilia.fernandes@pucrs.br</institution>
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					<institution content-type="normalized">Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</institution>
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				<year>2017</year>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente artigo traz o conceito de diversidade humana situada no emaranhado das rela&#xE7;&#xF5;es da sociedade de classes. A multiplicidade das diferen&#xE7;as humanas se inscreve em um mundo padronizado, mediado por rela&#xE7;&#xF5;es de explora&#xE7;&#xE3;o e desigualdades, sob a &#xE9;gide da &#x201C;lei de acumula&#xE7;&#xE3;o geral do capital&#x201D;, desvendada por Marx. No capitalismo h&#xE1; espa&#xE7;o restrito para express&#xE3;o das singularidades e para constru&#xE7;&#xE3;o de uma est&#xE9;tica criativa e humanizada. A padroniza&#xE7;&#xE3;o dos comportamentos, da produtividade e da est&#xE9;tica s&#xE3;o processos sociais que precisam ser enfrentados com estrat&#xE9;gias coletivas de resist&#xEA;ncia e organiza&#xE7;&#xE3;o para que a vida humana seja plena de possibilidades. Na dial&#xE9;tica dos grupos h&#xE1; algumas alternativas para o enfrentamento das situa&#xE7;&#xF5;es de opress&#xE3;o sociais, acionando a dimens&#xE3;o coletiva dos sujeitos singulares. O conceito de grupo &#xE9; apresentado em seu duplo aspecto como processo social e como uma alternativa de dispositivo instrumental para o trabalho profissional, que poder&#xE1; levar a pr&#xE1;ticas emancipat&#xF3;rias.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The present article brings the concept of human diversity situated in the entanglement of the relations of class society. The multiplicity of human differences is inscribed in a standardized world, mediated by relations of exploitation and inequality, under the aegis of Marx&#x27;s &#x201C;general accumulation law&#x201D;. In capitalism, there is restricted space for expression of singularities and for the construction of a creative and humanized aesthetic. The standardization of behavior, productivity and aesthetics are social processes that must be faced with collective strategies of resistance and organization so that human life is full of possibilities. In the dialectic of the groups there are some alternatives for coping with situations of social oppression triggering the collective dimension of the singular subjects. The concept of group is presented in its dual aspect as a social process and as an alternative instrumental device for professional work, which may lead to emancipatory practices.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Diversidade humana</kwd>
				<kwd>Sociedade de classes</kwd>
				<kwd>Dial&#xE9;tica dos grupos</kwd>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Human diversity</kwd>
				<kwd>Class society</kwd>
				<kwd>Dialectic of groups</kwd>
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		<p>A partir de uma concep&#xE7;&#xE3;o relacional para interpretar, tanto o campo social quanto as pessoas que nesse se localizam, deparar-se-&#xE1; com conceitos que n&#xE3;o reduzem as explica&#xE7;&#xF5;es sobre os fatos da vida a uma perspectiva individual. O ser humano se constitui no mundo das rela&#xE7;&#xF5;es sociais e nelas refaz seu mundo e se reconstitui. Para analisar a quest&#xE3;o da diversidade na sociedade de classes, parte-se da convic&#xE7;&#xE3;o de que cada indiv&#xED;duo possui in&#xFA;meras caracter&#xED;sticas que o diferencia dos demais. Entende-se, tamb&#xE9;m, que a multiplicidade de express&#xF5;es singulares se inscreve em um mundo padronizado, mediado por rela&#xE7;&#xF5;es de explora&#xE7;&#xE3;o e desigualdades. Muito embora haja uma din&#xE2;mica intensa na forma como as pessoas vivem a hist&#xF3;ria, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel negar a tend&#xEA;ncia padronizante que existe na sociedade e na divis&#xE3;o entre as classes sociais.</p>
		<p>Neste artigo ser&#xE1; apresentado no item primeiro: o conceito de diversidade e sujeitos coletivos no contexto da sociedade de classe, as consequ&#xEA;ncias da divis&#xE3;o entre as classes na perspectiva marxiana e a rela&#xE7;&#xE3;o entre alguns conceitos de Marx com o conceito de diversidade proposto nesta reflex&#xE3;o. A socializa&#xE7;&#xE3;o dos indiv&#xED;duos se faz nos processos sociais e as diferencia&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o consequ&#xEA;ncias do mesmo processo. O movimento de se diferenciar e se igualar &#xE9; consolidado na din&#xE2;mica social. Os padr&#xF5;es, as normas, as regras do mundo social s&#xE3;o absorvidas pelas pessoas a fim de que elas possam se socializar, e aqui h&#xE1; uma demanda social pela padroniza&#xE7;&#xE3;o dos comportamentos e da produtividade. H&#xE1; necessidade para cada pessoa de se tornar igual ao seu grupo, de negar suas diferen&#xE7;as pessoais e se esfor&#xE7;ar para produzir de acordo com as exig&#xEA;ncias do mercado de sua &#xE9;poca hist&#xF3;rica. Nesse sentido, no item segundo reflete-se sobre as dificuldades da vida associativa, da vida dos grupos, como resultantes de processos sociais e possibilidade de constru&#xE7;&#xE3;o de media&#xE7;&#xF5;es interventivas.</p>
		<p>Na complexa teia da interdepend&#xEA;ncia humana se encontra, tamb&#xE9;m, o potencial da exist&#xEA;ncia, da transforma&#xE7;&#xE3;o, da possibilidade de ultrapassagem dos emaranhados que a vida proporciona a todos e todas. Somos seres sociais, na origem de nossa vida at&#xE9; o final produzimos para um mundo j&#xE1; posto, rodeados por outros semelhantes a n&#xF3;s e ao mesmo tempo t&#xE3;o diferentes. Criamos a n&#xF3;s mesmos criando o mundo, oferecendo a este o resultado da nossa praxis social. Nossa identidade pessoal &#xE9; transpassada pela coletividade e seu contexto hist&#xF3;rico, cultural, econ&#xF4;mico, emocional. No percurso que ser&#xE1; trilhado nas p&#xE1;ginas a seguir, o &#x201C;grupo&#x201D; se apresenta ao leitor em seu conceito, sua din&#xE2;mica, sua dial&#xE9;tica processual, seu potencial te&#xF3;rico, pr&#xE1;tico e pol&#xED;tico. Este n&#xE3;o &#xE9; uma entidade, mas tamb&#xE9;m n&#xE3;o &#xE9; soma das partes, n&#xE3;o &#xE9; o todo, nem tampouco cada pessoa sozinha e isolada.</p>
		<sec>
			<title>A diversidade da condi&#xE7;&#xE3;o humana na sociedade de classes</title>
			<p>A consequ&#xEA;ncia principal das rela&#xE7;&#xF5;es sociais, mediada pela constru&#xE7;&#xE3;o da sociedade do capital, &#xE9; justamente a quest&#xE3;o social. Isso significa dizer que a sociedade produz, em seu movimento humano e contradit&#xF3;rio o acirramento da divis&#xE3;o entre as classes. De um lado, o capitalismo concentra riquezas e informa&#xE7;&#xF5;es nas m&#xE3;os de poucos privilegiados da sociedade, ocasionando necessariamente mis&#xE9;ria para muitos outros n&#xE3;o privilegiados e que se tornam alheios aos bens produzidos socialmente. Por outro lado, esses seres humanos, apartados dos bens sociais, precisam produzir coletivamente formas estrat&#xE9;gicas de enfrentar toda a desigualdade constru&#xED;da em um sistema de expropria&#xE7;&#xF5;es singulares e coletivas, injusti&#xE7;as sociais e segrega&#xE7;&#xF5;es de determinados segmentos da sociedade.</p>
			<p>Compreender a quest&#xE3;o social, na perspectiva de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Iamamoto (2008)</xref>, como consequ&#xEA;ncia da rela&#xE7;&#xE3;o entre capital e trabalho, vai ajudar a entender os fatos numa dimens&#xE3;o social e n&#xE3;o restrita &#xE0;s possibilidades e impossibilidades dos indiv&#xED;duos na conquista dos bens para suas vidas. Vai levar, tamb&#xE9;m, a tomar como objeto de aten&#xE7;&#xE3;o, de preocupa&#xE7;&#xE3;o e de interven&#xE7;&#xE3;o profissional o movimento e o resultado da rela&#xE7;&#xE3;o capital/trabalho na vida em sociedade. Significa, de outra forma, buscar uma an&#xE1;lise que supere uma vis&#xE3;o simplificada, fragment&#xE1;ria da vida social e perceba sua totalidade, permeada por in&#xFA;meras contradi&#xE7;&#xF5;es, marcada por uma determinada historicidade, em um campo social determinado pelas rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho.
			</p>
			<p>O s&#xE9;culo XXI chegou h&#xE1; quase duas d&#xE9;cadas e podemos perceber que homens e mulheres ainda est&#xE3;o em um contexto que est&#xE1; desumanizando sua condi&#xE7;&#xE3;o humana. H&#xE1; um trabalho necess&#xE1;rio ainda a ser realizado de sensibiliza&#xE7;&#xE3;o, de conscientiza&#xE7;&#xE3;o sobre a transforma&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es sociais para compor nossa realidade humana. As institui&#xE7;&#xF5;es, as empresas, os hospitais, as universidades, a comunidade, as m&#xED;dias de massa, as equipes de trabalho est&#xE3;o permeadas pelo modelo de gest&#xE3;o de acumula&#xE7;&#xE3;o flex&#xED;vel, no qual se pode pontuar que h&#xE1; muitas individualidades exploradas e oprimidas, naufragando em um contexto de aliena&#xE7;&#xE3;o, vivenciando a realidade de classe social ou da sociedade de classes similar &#xE0; realidade social demonstrada por Marx em 1848:</p>
			<disp-quote>
				<p>Desde as &#xE9;pocas mais remotas da hist&#xF3;ria, encontramos, em praticamente toda a parte, uma complexa divis&#xE3;o da sociedade em classes diferentes, uma grada&#xE7;&#xE3;o m&#xFA;ltipla das condi&#xE7;&#xF5;es sociais. Na Roma Antiga, temos os patr&#xED;cios, os guerreiros, os plebeus, os escravos. Na Idade M&#xE9;dia, os senhores, os vassalos, os mestres, os companheiros, os aprendizes, os servos; e em quase todas essas classes, outros comandos subordinados. (
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">MARX, 1983</xref>, p. 94)
				</p>
			</disp-quote>
			<p>&#xC9; importante que nossas consci&#xEA;ncias ainda possam vislumbrar o entendimento sobre o significado da sociedade de classe ou da classe social. Esta divis&#xE3;o na estrutura de nossa sociedade esteve e ainda se faz presente se reproduzindo nas atribui&#xE7;&#xF5;es que cada trabalhadora e trabalhador constru&#xED;ram para si mesmos no processo de aliena&#xE7;&#xE3;o. Esse contexto precisa ser demonstrado em suas particularidades. O processo de aliena&#xE7;&#xE3;o e de nega&#xE7;&#xE3;o da exist&#xEA;ncia da classe social est&#xE1; na mesma engrenagem social na qual a rela&#xE7;&#xE3;o entre capital e trabalho, o ser humano, sua subjetividade e a sua for&#xE7;a f&#xED;sica continuam sendo fundamentais para que o capital possa bem desenvolver-se.</p>
			<p>N&#xE3;o existe capitalismo tardio ou desenvolvido sem o sujeito chamado de livre e explorado para coloc&#xE1;-lo em movimento, para fazer suas engrenagens se mexerem e operarem as muta&#xE7;&#xF5;es dos objetos e da natureza. Os sujeitos dos tempos modernos operavam em s&#xE9;rie e em massa, com o cron&#xF4;metro, na medida exata do tempo, faziam tudo por partes, em fragmentos, mas de seu trabalho era retirada a mais valia.</p>
			<p>
				<xref ref-type="fn" rid="fn1">
					<sup>1</sup>
				</xref>O trabalho da era da globaliza&#xE7;&#xE3;o e da acumula&#xE7;&#xE3;o flex&#xED;vel superou em parte a fragmenta&#xE7;&#xE3;o da atividade, uma vez que precisa ser m&#xFA;ltiplo e polivalente; para o trabalhador e a trabalhadora n&#xE3;o lhes basta usar os m&#xFA;sculos, precisam ceder, tamb&#xE9;m, ao benef&#xED;cio do capital, &#xE0; sua potencialidade de pensar, de gerenciar, de organizar e participar ativamente das atividades da empresa. A mais valia continua sendo retirada do trabalho, conforme j&#xE1; havia prevenido Marx, por&#xE9;m, junto com ela, al&#xE9;m do suor, vai um pouco de sua alma, de seu ser integral f&#xED;sico ps&#xED;quico e espiritual.
			</p>
			<disp-quote>
				<p>Por burguesia entende-se a classe dos capitalistas modernos, propriet&#xE1;rios dos meios de produ&#xE7;&#xE3;o social que empregam o trabalho assalariado. Por prolet&#xE1;rio, a classe dos assalariados modernos que, n&#xE3;o tendo meios pr&#xF3;prios de produ&#xE7;&#xE3;o, s&#xE3;o obrigados a vender sua for&#xE7;a de trabalho para sobreviverem. (
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">LASKI, 1982</xref>, p. 93)
				</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Marx (2011)</xref> elucida o conceito de popula&#xE7;&#xE3;o como uma categoria que &#xE9; analisada &#xE0; luz do entendimento do &#x201C;resultado concreto de m&#xFA;ltiplas determina&#xE7;&#xF5;es&#x201D;. Para que possamos apreender e analisar a realidade a partir deste conceito de popula&#xE7;&#xE3;o, necess&#xE1;ria se faz a elucida&#xE7;&#xE3;o de muitas e complexas determina&#xE7;&#xF5;es para explicar &#x201C;conceitos mais simples&#x201D; ou abstratos. N&#xE3;o se explica algo &#x201C;simples&#x201D; por si mesmo, sem imbricados contextos e determina&#xE7;&#xF5;es sociais, econ&#xF4;micas e estruturais. Para uma an&#xE1;lise marxiana, &#xE9; necess&#xE1;ria a an&#xE1;lise que mergulhe no real concreto, m&#xFA;ltiplo e complexo. O conceito de popula&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o pode ser apresentado de forma indiferenciada, sem a perspectiva da classe social que &#xE9; composta, plural. Especialmente a ideia de classe remete &#xE0;s rela&#xE7;&#xF5;es sociais, resultados de processos sociais mediados pelo sistema de expropria&#xE7;&#xE3;o da din&#xE2;mica entre capital e trabalho. Com fins de que o conceito de popula&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se reduza a uma abstra&#xE7;&#xE3;o, o mesmo &#xE9; diretamente relacionado &#xE0;s rela&#xE7;&#xF5;es sociais de explora&#xE7;&#xE3;o do sistema social do capital. Dessa forma, vamos, tamb&#xE9;m, tratar, sobre os segmentos sociais que se movem como sujeitos coletivos dos movimentos sociais, procurando demonstrar o desenrolar de alguns determinantes dos processos sociais e os sujeitos em sua diversidade humana perpassada pela materialidade de uma sociedade capitalista. No entanto, no mesmo espa&#xE7;o que h&#xE1; para os descaminhos da desumaniza&#xE7;&#xE3;o de nossa condi&#xE7;&#xE3;o humana, h&#xE1; enfrentamentos coletivos significativos que nos remeter&#xE3;o, em algum outro tempo hist&#xF3;rico, aos la&#xE7;os que at&#xE9; hoje tanto nos oprimem e subjugam.
			</p>
			<p>A diversidade &#xE9; caracter&#xED;stica da condi&#xE7;&#xE3;o humana, tanto quanto &#xE9; interditada na sociedade de classes de sociabilidade capitalista, pautada pela expropria&#xE7;&#xE3;o, lucro e padroniza&#xE7;&#xE3;o da vida. Sujeitos coletivos articulando o protagonismo, a participa&#xE7;&#xE3;o social, tecem a materialidade do enfrentamento a essa realidade. Cada ser social traz consigo as possibilidades criativas, mas precisa espa&#xE7;o para exercit&#xE1;-las e express&#xE1;-las no conv&#xED;vio entre os outros seres humanos de sua esp&#xE9;cie. A socializa&#xE7;&#xE3;o deveria ser n&#xE3;o apenas espa&#xE7;o de introje&#xE7;&#xE3;o para padroniza&#xE7;&#xE3;o de comportamentos, mas, sobretudo, espa&#xE7;o para inser&#xE7;&#xE3;o de atos criativos e diversificados de cada pessoa. A condi&#xE7;&#xE3;o real da exist&#xEA;ncia humana, ou seja, o modo de ser, a situa&#xE7;&#xE3;o peculiar aos indiv&#xED;duos &#xE9; a condi&#xE7;&#xE3;o da diversidade.</p>
			<p>As condi&#xE7;&#xF5;es materiais do contexto de vida destes mesmos indiv&#xED;duos se fazem no inverso proporcional &#xE0; sua diversidade humana. A padroniza&#xE7;&#xE3;o do social, a massifica&#xE7;&#xE3;o das culturas, a pretensa homogeneiza&#xE7;&#xE3;o dos comportamentos ferem a condi&#xE7;&#xE3;o natural, a situa&#xE7;&#xE3;o original de ser humano no mundo. Uma pessoa, em seu processo de desenvolvimento e diferencia&#xE7;&#xE3;o de outros, deveria ter a possibilidade de interagir e expressar com sua peculiar diversidade. Entretanto, a expectativa social &#xE9; de que cada um seja igual aos demais. Esse &#xE9; um paradoxo da constru&#xE7;&#xE3;o social, o que pode remeter &#xE0;quela discuss&#xE3;o filos&#xF3;fica de contraposi&#xE7;&#xE3;o entre ess&#xEA;ncia e exist&#xEA;ncia. Entretanto, esse &#xE9; um debate que n&#xE3;o ser&#xE1; aqui aprofundado, embora a relev&#xE2;ncia e a profundidade dessas prerrogativas filos&#xF3;ficas.</p>
			<p>Os preconceitos criados no social s&#xE3;o resultado de todo o processo que cria a norma e, a partir dela, o que fica fora &#xE9; desvio. Sendo assim, ser&#xE1; julgado como inadequado e indesej&#xE1;vel. Como ilustra&#xE7;&#xE3;o podemos referir a situa&#xE7;&#xE3;o das pessoas com defici&#xEA;ncia na sociedade, h&#xE1; preconceitos, discrimina&#xE7;&#xF5;es, in&#xFA;meras barreiras arquitet&#xF4;nicas e culturais, verdadeiros muros criados por parte das diversas inst&#xE2;ncias sociais &#xE0; condi&#xE7;&#xE3;o da defici&#xEA;ncia. Condi&#xE7;&#xE3;o esta que est&#xE1; situada em uma categoriza&#xE7;&#xE3;o carregada de desqualifica&#xE7;&#xE3;o e menos valia na escala social. Na condi&#xE7;&#xE3;o da defici&#xEA;ncia, por ser mais acentuada a diferen&#xE7;a, os impedimentos e as barreiras presentes no social s&#xE3;o mais dr&#xE1;sticas.</p>
			<p>Outro fato que materializa alguns aspectos desta rela&#xE7;&#xE3;o de oposi&#xE7;&#xE3;o, entre diversidade e ordem social estabelecida na sociedade de classe, pode ser percebido em estudos e pesquisas que se voltam para vencer o d&#xE9;ficit, para eliminar a defici&#xEA;ncia. A engenharia gen&#xE9;tica se empenha em superar os &#x201C;defeitos&#x201D; considerados cong&#xEA;nitos, como no caso da surdez ou do autismo, por exemplo. Entretanto, se pode objetar, conforme Wrigley: &#x201C;Paddy, um intelectual Surdo morando no Reino Unido, considera os esfor&#xE7;os m&#xE9;dicos de eliminar a Surdez como uma forma clara de genoc&#xED;dio&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">WRIGLEY, 1996</xref>, p.95). A possibilidade de eliminar a defici&#xEA;ncia antes da sua concep&#xE7;&#xE3;o remete, uma vez mais, &#xE0; normalidade enquanto um valor social, o normal e a perfei&#xE7;&#xE3;o ainda s&#xE3;o uma busca e um ideal de vida para os sujeitos. De tal forma, as defici&#xEA;ncias e diferen&#xE7;as singulares mais marcantes e marcadas no corpo s&#xE3;o percebidas enquanto falhas e n&#xE3;o s&#xE3;o reconhecidas enquanto parte da diversidade humana. De outra forma, a ideia da elimina&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o leva em conta o aspecto humano, potencial e construtivo das defici&#xEA;ncias e das diferen&#xE7;as para a riqueza do conv&#xED;vio social.
			</p>
			<p>Em contraponto &#xE0; perspectiva do exterm&#xED;nio das diferen&#xE7;as, se considera potencial o reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as.
				<xref ref-type="fn" rid="fn2">
					<sup>2</sup>
				</xref> Considerando-se a distin&#xE7;&#xE3;o de singularidades, se abriria espa&#xE7;o no campo social para as diferencia&#xE7;&#xF5;es individuais, o que poderia reduzir e/ou evitar o imenso abismo da diferencia&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es objetivas de vida entre as pessoas. Em outras palavras, se no horizonte social tivesse espa&#xE7;o aberto para considerar a diversidade como condi&#xE7;&#xE3;o humana n&#xE3;o se criariam tantos muros para separar os &#x201C;distintos&#x201D; dos &#x201C;comuns&#x201D;. A prop&#xF3;sito da distin&#xE7;&#xE3;o negativa criada historicamente entre os segmentos da sociedade, Jovchelovitch pontua que:
			</p>
			<disp-quote>
				<p>Tanto o sujeito negro como a mulher foram historicamente constru&#xED;dos por representa&#xE7;&#xF5;es marcadas pela viol&#xEA;ncia simb&#xF3;lica e por um conjunto de exclus&#xF5;es. Mas ambos (e certamente a mulher negra com mais esfor&#xE7;o) lutaram, e lutam, para n&#xE3;o serem reduzidos a essas representa&#xE7;&#xF5;es. Produzir contra- representa&#xE7;&#xF5;es, outras representa&#xE7;&#xF5;es, que n&#xE3;o reduzam a objetividade da condi&#xE7;&#xE3;o negra e feminina &#xE0;s tentativas de lhe construir enquanto negatividade tem sido parte dos movimentos negros e do movimento de mulheres (
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">JOVCHELOVITCH, 1998</xref>, p 78).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As representa&#xE7;&#xF5;es sociais e especialmente as condi&#xE7;&#xF5;es concretas de vida dos sujeitos sociais denunciam as in&#xFA;meras mutila&#xE7;&#xF5;es a que s&#xE3;o sujeitas as distin&#xE7;&#xF5;es. A negatividade dessas representa&#xE7;&#xF5;es, referida pela autora acima, bem como das condi&#xE7;&#xF5;es concretas dizem respeito &#xE0; ideia de que o outro &#xE9; o diferente. A diferen&#xE7;a n&#xE3;o &#xE9; vista como distin&#xE7;&#xE3;o e sim como desqualifica&#xE7;&#xE3;o. A diferen&#xE7;a &#xE9; percebida como a marca do desigual, como se fosse o desacordo, o desalinho ou o desvio. N&#xE3;o se considera o fato de que cada pessoa tem suas diferen&#xE7;as e que o conjunto delas constitui o mundo social se percebe o outro como o diferente. O equ&#xED;voco est&#xE1; na distin&#xE7;&#xE3;o categorial, ou seja, se faz uma linha divis&#xF3;ria entre a categoria dos &#x201C;iguais&#x201D; e a categoria dos diferentes. Nessa categoriza&#xE7;&#xE3;o recai a negatividade sobre aqueles que se diferenciam, como um estigma, uma marca. H&#xE1; uma demarca&#xE7;&#xE3;o de fronteiras que separa o que permanece e o que fica fora. Assim, o mundo social se divide em &#x201C;o n&#xF3;s e o eles&#x201D;.</p>
			<p>A vida humana tem uma dimens&#xE3;o concreta, na mesma est&#xE1; o desenvolvimento hist&#xF3;rico das condi&#xE7;&#xF5;es dos meios produtivos de vida das pessoas. O modo de vida dos sujeitos das sociedades est&#xE1; atravessado tanto por diversos fatores concretos quanto pelos fatores de ordem imaterial. A estrutura social &#xE9; composta de forma a gerar as desigualdades de condi&#xE7;&#xF5;es de vida, a come&#xE7;ar pela cl&#xE1;ssica divis&#xE3;o social entre os que possuem meios de produ&#xE7;&#xE3;o e os que vendem sua for&#xE7;a de trabalho. A sociedade n&#xE3;o &#xE9; algo abstrato, se faz na totalidade das rela&#xE7;&#xF5;es do ser social, na for&#xE7;a da conjuga&#xE7;&#xE3;o dos m&#xFA;ltiplos movimentos dos sujeitos que nela convivem e a transformam constantemente.</p>
			<p>A consequ&#xEA;ncia da divis&#xE3;o entre as classes, como um dado de realidade presente na nossa sociedade contempor&#xE2;nea, se reproduz nas estat&#xED;sticas que apontam os altos &#xED;ndices de mis&#xE9;ria, de analfabetismo, de corrup&#xE7;&#xE3;o, de descaso com as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e com o social. De outra forma, a riqueza que tem sido produzida no mundo nos &#xFA;ltimos anos de capitalismo &#xE9; imensa. A tecnologia se desenvolveu de forma espetacular desde a d&#xE9;cada de 80, a concentra&#xE7;&#xE3;o de renda se tornou cada vez mais intensa. Qual a diferen&#xE7;a que h&#xE1; do tempo em que Marx escreveu seus textos para hoje quanto &#xE0; estrutura da sociedade do capital? Est&#xE1; presente na materialidade da vida social a marca da divis&#xE3;o do acesso aos bens sociais, como caracter&#xED;stica da organiza&#xE7;&#xE3;o desta sociedade e do seu modo de produ&#xE7;&#xE3;o das riquezas e das mis&#xE9;rias. Com esta cl&#xE1;ssica realidade estrutural, o que se pode dizer sobre a possibilidade do conv&#xED;vio com as diferen&#xE7;as singulares e a diversidade da condi&#xE7;&#xE3;o humana no conjunto das rela&#xE7;&#xF5;es sociais mediadas pelo capital?</p>
			<p>Diversidade &#xE9; o conjunto das diferen&#xE7;as e peculiaridades individuais. Algo em cada ser humano que &#xE9; imposs&#xED;vel padronizar, por mais que a sociedade deseje unificar. &#xC9; peculiar a cada pessoa uma s&#xE9;rie de diferencia&#xE7;&#xF5;es que fazem parte de suas caracter&#xED;sticas, enquanto indiv&#xED;duo &#xFA;nico, a singularidade pr&#xF3;pria dos seres humanos pressup&#xF5;e diferencia&#xE7;&#xF5;es. H&#xE1;, aproximadamente, 7.000.000. 000 (sete bilh&#xF5;es) de seres humanos no mundo at&#xE9; o presente ano de 2017 e nenhum repete outro. Nenhuma pessoa se iguala a outra neste imenso n&#xFA;mero. Somos todos diferentes e por mais seres humanos que possam habitar o planeta n&#xE3;o podemos imaginar uma situa&#xE7;&#xE3;o na qual v&#xE1; nascer uma crian&#xE7;a igual as que j&#xE1; existem. N&#xE3;o nos repetimos enquanto esp&#xE9;cie humana e, portanto, a diversidade &#xE9; nossa caracter&#xED;stica universal.</p>
			<p>A partir deste conceito de diversidade humana podemos concluir: um mundo verdadeiramente humano deveria ser constru&#xED;do considerando a diversidade como fundamental &#xE0; vida social. Recorrendo ao 
				<italic>Dicion&#xE1;rio do pensamento social do s&#xE9;culo XX</italic>, encontramos um conceito de &#x201C;diferencia&#xE7;&#xE3;o social&#x201D; no qual a diferen&#xE7;a entre grupos ou categorias individuais &#xE9; um fato social sempre presente: &#x201C;A diferencia&#xE7;&#xE3;o acontece em fun&#xE7;&#xE3;o de diversos modos em diferentes sociedades, por vezes codificados por lei, entre grupos et&#xE1;rios, sexo, grupos &#xE9;tnicos e lingu&#xED;sticos, entre grupos profissionais, classes e grupos de status&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">BOTTOMORE; OUTHWAITE, 1996</xref>, p. 206-207).
			</p>
			<p>Ocorrem v&#xE1;rias distin&#xE7;&#xF5;es entre os diferentes grupos. O fundamental nessa abordagem &#xE9; entender o fato de a diferencia&#xE7;&#xE3;o social estar associada &#xE0; &#x201C;estratifica&#xE7;&#xE3;o social&#x201D;. O que significa dizer que as desigualdades de poder, riqueza e prest&#xED;gio social, em suas variadas formas, s&#xE3;o as caracter&#xED;sticas principais do processo de diferencia&#xE7;&#xE3;o. As qualidades pessoais dos indiv&#xED;duos ocupam lugares determinados dentro da sociedade e seus compartimentos. Cada indiv&#xED;duo surge dentro de algum distinto grupo que j&#xE1; tem estabelecido determinado lugar no social. A partir desse lugar se estruturam diferentes condi&#xE7;&#xF5;es de acesso ao mundo social. A &#x201C;diferencia&#xE7;&#xE3;o social&#x201D;, assim entendida, est&#xE1; na perspectiva inversa do entendimento de que a diversidade da condi&#xE7;&#xE3;o humana deve compor o mundo social. Essa diferencia&#xE7;&#xE3;o se d&#xE1; por uma estrutura j&#xE1; culturalmente formada e n&#xE3;o em respeito &#xE0; din&#xE2;mica peculiar em que a vida humana se apresenta. A sociedade cria e reproduz a &#x201C;diferencia&#xE7;&#xE3;o social&#x201D; sem absorver o conjunto das diferen&#xE7;as singulares como parte de seu movimento.</p>
			<p>A socializa&#xE7;&#xE3;o dos indiv&#xED;duos se faz nos processos sociais e as diferencia&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o consequ&#xEA;ncias do mesmo processo. O movimento de se diferenciar e se igualar s&#xE3;o consolidados na din&#xE2;mica social. Os padr&#xF5;es, as normas, as regras do mundo social s&#xE3;o absorvidas pelas pessoas, a fim de que elas possam se socializar e aqui h&#xE1; uma demanda social pela padroniza&#xE7;&#xE3;o dos comportamentos e da produtividade. H&#xE1; necessidade para cada pessoa de se tornar igual ao seu grupo, de negar suas diferen&#xE7;as pessoais e se esfor&#xE7;ar para produzir de acordo as exig&#xEA;ncias do mercado de sua &#xE9;poca hist&#xF3;rica. A apreens&#xE3;o das formas relacionais, os modelos que ser&#xE3;o internalizados desde a inf&#xE2;ncia v&#xE3;o constituindo esse processo de socializa&#xE7;&#xE3;o. A diferencia&#xE7;&#xE3;o acontece entre os grupos distintos, na medida em que a socializa&#xE7;&#xE3;o seja feita com determinada introje&#xE7;&#xE3;o de costumes e padr&#xF5;es, diferenciados padr&#xF5;es e normas se tornam estranhos &#xE0;quela socializa&#xE7;&#xE3;o. Se a crian&#xE7;a teve um processo de socializa&#xE7;&#xE3;o em uma cultura basicamente urbano- industrial, ela responder&#xE1; com os demais em um modelo rural agr&#xE1;rio, por exemplo.</p>
			<p>A teoria marxiana esclarece que as rela&#xE7;&#xF5;es sociais est&#xE3;o permeadas pela estrutura social, que gera desigualdades gritantes, ou seja, a injusti&#xE7;a social, a exclus&#xE3;o social, o abandono dos sujeitos desta sociedade &#xE0; sua pr&#xF3;pria sorte. O individualismo massacrando as individualidades em uma coletividade que desconsidera os sujeitos, em sua maioria, oportunizando apenas a uma restrita minoria qualidade de vida. Todos estes aspectos dizem respeito a uma determinada organiza&#xE7;&#xE3;o social e n&#xE3;o &#xE9; um fato da natureza, portanto, poder&#xE1; ser alterado historicamente pela organiza&#xE7;&#xE3;o e interven&#xE7;&#xE3;o do conjunto dos sujeitos sociais. Os indicativos sinalizados por Marx, no s&#xE9;culo XIX, parecem ainda iluminar o caminho que trilhamos. Infelizmente, ainda temos uma sociedade cruel, com in&#xFA;meras pessoas submetidas a um cotidiano de fome e restritas expectativas para o futuro.</p>
			<disp-quote>
				<p>A mercadoria &#xE9; de in&#xED;cio um objeto externo, uma coisa que satisfaz para seus propriet&#xE1;rios uma necessidade humana qualquer. Toda a coisa &#xFA;til, tal como o ferro, o papel, etc., deve ser considerada sob duplo aspecto: a qualidade e a quantidade. [&#x2026;]&#xC9; a utilidade de uma coisa que lhe d&#xE1; um valor de uso. Mas essa utilidade n&#xE3;o surge no ar. &#xC9; determinada pelas propriedades f&#xED;sicas das mercadorias e n&#xE3;o existe sem isso. A mercadoria em si, tal como o ferro, o trigo, o diamante, etc., &#xE9;, pois, um valor de uso, um bem (
					<xref ref-type="bibr" rid="B18">MARX, 1975</xref>, p.24).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Demonstrando as pr&#xF3;prias contradi&#xE7;&#xF5;es na constitui&#xE7;&#xE3;o do poder do capital, vai se chegar &#xE0;s estruturas contradit&#xF3;rias do capital, conforme indica Marx e, portanto, tamb&#xE9;m a&#xED; se pode encontrar em que lugar o sujeito est&#xE1; situado nesta estrutura. Vislumbrar as deformidades que o sistema do capital vai configurando a realidade concreta dos sujeitos &#xE9; uma forma de denunci&#xE1;-lo e buscar sua supera&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica. A realidade estruturada e concreta inclui rela&#xE7;&#xF5;es ocultas e invis&#xED;veis entre elementos do todo, considerando-se a transitoriedade da hist&#xF3;ria. O que &#xE9; dado ou oculto n&#xE3;o significa uma forma eterna de exist&#xEA;ncia. O que &#xE9; pode deixar de ser na fase posterior, a hist&#xF3;ria humana difere da hist&#xF3;ria natural, pois a primeira &#xE9; realizada por sujeitos humanos.</p>
			<p>A conex&#xE3;o entre os indiv&#xED;duos sociais e sociedade pode ser encontrada enfaticamente, na obra de Marx. Para esse pensador, atr&#xE1;s da realidade reificada da economia capitalista est&#xE3;o as rela&#xE7;&#xF5;es entre os homens e mulheres da sociedade. Esse contexto humano e relacional deve ser desvendado atrav&#xE9;s de uma investiga&#xE7;&#xE3;o que se proponha conhecer para poder transformar. Para compreender a sociedade, Marx parte da forma como as pessoas organizam os meios de produzir o necess&#xE1;rio para suas vidas.</p>
			<p>A divis&#xE3;o do trabalho, sal&#xE1;rios, valor e pre&#xE7;o, infla&#xE7;&#xE3;o, lucro, esses elementos est&#xE3;o ligados &#xE0; complexa constitui&#xE7;&#xE3;o da sociedade. Os meninos que est&#xE3;o nas ruas, fam&#xED;lias inteiras que t&#xEA;m como moradia as pontes da cidade, os hospitais p&#xFA;blicos sucateados, pessoas com defici&#xEA;ncia sem acesso &#xE0; escola, &#xE0; cultura, ao trabalho, ao lazer, processos discriminat&#xF3;rios com pessoas idosas, homossexuais sendo agredidos e at&#xE9; mesmo assassinados, todos estes aspectos n&#xE3;o s&#xE3;o fatos isolados. Tudo isso faz parte do mesmo contexto; a m&#xED;dia atrav&#xE9;s dos meios de comunica&#xE7;&#xE3;o, por exemplo, anuncia as desgra&#xE7;as p&#xFA;blicas, por&#xE9;m sem relacion&#xE1;-las com a sua origem, com a causa das mesmas, com os porqu&#xEA;s.</p>
			<disp-quote>
				<p>A sociedade capitalista se caracteriza pela divis&#xE3;o da sociedade em duas classes fundamentais: uma propriet&#xE1;ria dos meios de produ&#xE7;&#xE3;o, cujos integrantes concentram riqueza e poder e outra, trabalhadora assalariada, cujos integrantes s&#xE3;o considerados trabalhadores &#x201C;livres&#x201D;, mas s&#xE3;o despojados de seu objeto e meio de trabalho, e estruturalmente separado das rela&#xE7;&#xF5;es de propriedade e de posse (
					<xref ref-type="bibr" rid="B2">BRUEL, 2010</xref>, p. 15).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As rela&#xE7;&#xF5;es sociais s&#xE3;o mediadas pela lei da concentra&#xE7;&#xE3;o da terra, do capital de giro e atualmente da informatiza&#xE7;&#xE3;o, nas m&#xE3;os de uma restrita minoria. O radicalismo da proposta metodol&#xF3;gica de Marx demonstrou um entendimento profundo e concatenado sobre a infelicidade p&#xFA;blica. O sistema capitalista foi denunciado por ele, em suas particularidades.</p>
			<disp-quote>
				<p>Essa an&#xE1;lise desemboca evidentemente sobre uma condena&#xE7;&#xE3;o apaixonada do capitalismo como sistema de dilapida&#xE7;&#xE3;o sem escr&#xFA;pulos da vida humana e de sua alquimia da explora&#xE7;&#xE3;o, que n&#xE3;o visa sen&#xE3;o transformar o suor e o sangue humano em mercadoria (
					<xref ref-type="bibr" rid="B14">LOWY, 1978</xref>, p. 69).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A teoria marxiana acentua o valor do homem que faz a hist&#xF3;ria, a assertiva de Marx de que existe uma &#x201C;pr&#xE1;tica revolucion&#xE1;ria&#x201D; passa pelo entendimento de que &#x201C;toda a vida social &#xE9; essencialmente pr&#xE1;tica&#x201D; e de que as circunst&#xE2;ncias se modificam &#x201C;com a atividade humana ou altera&#xE7;&#xE3;o de si pr&#xF3;prio&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">MARX, 1993</xref>, p. 12). A atividade humana sens&#xED;vel, pr&#xE1;tica, enfatizada por Marx, demonstra o car&#xE1;ter ativo como real e objetivo, o autor demonstra a import&#xE2;ncia da atividade revolucion&#xE1;ria da pr&#xE1;tica cr&#xED;tica. No desenvolver dos processos sociais, os grupos humanos aparecem como agrega&#xE7;&#xF5;es necess&#xE1;rias &#xE0; pr&#xF3;pria vida individual, &#xE9; preciso agregar-se para suportar os embates da vida. &#xC9; significativa a import&#xE2;ncia da vida grupal para dar um tom criativo e potencial ao desenvolvimento do sujeito singular na vida em sociedade.
			</p>
			<p>Os grupos sociais v&#xE3;o se configurando de acordo com o movimento dos seus indiv&#xED;duos dentro deles, ao mesmo tempo esses indiv&#xED;duos se movimentam num espa&#xE7;o prefigurado, no qual ter&#xE3;o menor ou maior dificuldade em transformar. Somos seres sociais, predestinados a comungar com todos os outros e todas as outras a nossa exist&#xEA;ncia, pelo menos em alguns aspectos. As rela&#xE7;&#xF5;es humanas est&#xE3;o permeadas pelas contradi&#xE7;&#xF5;es sociais e individuais, assim, se imbricam em constantes conflitos que, por vezes, n&#xE3;o se resolvem de forma imediata. H&#xE1; uma necess&#xE1;ria reconstru&#xE7;&#xE3;o da forma de viver em grupo que se precisar&#xE1; aprender. Talvez um desmonte radical da forma geral da vida em grupo seja o caminho para novas perspectivas de constru&#xE7;&#xE3;o de novas formas relacionais e de sociabilidade. Sobre o assunto dos grupos como processos sociais, que, ao mesmo tempo, tamb&#xE9;m, podem ser instrumentais de articula&#xE7;&#xE3;o profissional, para propiciar a participa&#xE7;&#xE3;o social rumo a processos emancipat&#xF3;rios, segue o pr&#xF3;ximo item.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A dial&#xE9;tica dos grupos como processos sociais e instrumental de articula&#xE7;&#xE3;o profissional</title>
			<p>A individualidade humana se encontra atravessada por uma diversidade de vetores externos &#xE0; interioridade, esses permeiam a consci&#xEA;ncia individual do ser social. Os diversos vetores s&#xE3;o constru&#xED;dos historicamente, em contextos culturais espec&#xED;ficos a cada &#xE9;poca e a cada povo. N&#xE3;o h&#xE1; dicotomia entre indiv&#xED;duo e sociedade, entre sujeito e objeto, singular e universal. H&#xE1; uma interdepend&#xEA;ncia entre o sujeito e seu contexto natural e social. Existe uma forte conex&#xE3;o entre as partes e o todo, ou seja, entre o ser que &#xE9; uma parte do universo e todo este conjunto que consolida a vida humana situada no universo natural, pol&#xED;tico, ideol&#xF3;gico, cultural, social, econ&#xF4;mico e, mais uma vez, humano. O indiv&#xED;duo &#xE9; &#xFA;nico e indivis&#xED;vel, se constitui enquanto tal na trama das m&#xFA;ltiplas rela&#xE7;&#xF5;es da sociedade.</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] Embora o homem seja um indiv&#xED;duo &#xFA;nico - e &#xE9; justamente esta particularidade que o torna um indiv&#xED;duo, um ser comunal realmente individual - ele &#xE9; igualmente o todo, o todo ideal, a exist&#xEA;ncia subjetiva da sociedade como &#xE9; pensada e vivenciada (
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">MARX, 1983</xref>, p. 119).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>O pensamento filos&#xF3;fico acima de Marx ainda intriga no nosso tempo presente em sua dimens&#xE3;o complexa, situando-nos diante de uma ambiguidade existencial. Somos indiv&#xED;duos, mas tamb&#xE9;m somos o social, como podemos enfrentar tal perman&#xEA;ncia de dois aspectos complementares e quase opostos? O enfrentamento poss&#xED;vel a cada pessoa humana &#xE0;s dificuldades da realidade social nas tramas relacionais dar&#xE1; o tom ao conjunto da sociedade, ao tipo de sociabilidade que se poder&#xE1; ter. Se o conjunto das pessoas de uma determinada sociedade estiver constitu&#xED;do por pessoas que tiveram acesso &#xE0; informa&#xE7;&#xE3;o, &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica, &#xE0; consci&#xEA;ncia cr&#xED;tica tender&#xE1; a formar um conjunto social de rela&#xE7;&#xF5;es democr&#xE1;ticas; onde o grupo social tende a poder exigir cidadania pelo exerc&#xED;cio da participa&#xE7;&#xE3;o. Ao contr&#xE1;rio, se uma minoria det&#xE9;m o conhecer e a maioria desconhece a forma como se organizam os meios essenciais da vida social de seu contexto, esta sociedade tender&#xE1; a ser autorit&#xE1;ria, monolista, subalternizante e violadora de direitos.</p>
			<p>O sujeito se objetiva em suas atividades criativas e materializa sua subjetividade em atos, no meandro de suas rela&#xE7;&#xF5;es sociais. A cria&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os e recursos para o desenvolvimento da vida humana &#xE9; uma conquista hist&#xF3;rica de indiv&#xED;duos que constroem a hist&#xF3;ria, portanto, em reconhecimento da diversidade da condi&#xE7;&#xE3;o humana, deveria ser universal o acesso de todas as pessoas, neste espa&#xE7;o constru&#xED;do e conquistado. O social se transforma constantemente, em conformidade com a inten&#xE7;&#xE3;o e a&#xE7;&#xE3;o de seus protagonistas, os sujeitos. O social &#xE9; campo da express&#xE3;o de cada um e de todos os sujeitos que nele v&#xE3;o organizando sua forma de viver, o modo de vida e os meios de produzi-la no conjunto de sua imensa din&#xE2;mica humana e coletiva. Em uma vis&#xE3;o marxiana sobre a realidade humana, o indiv&#xED;duo concreto &#xE9; uma s&#xED;ntese das in&#xFA;meras rela&#xE7;&#xF5;es sociais.</p>
			<p>Tendo em vista o entendimento da quest&#xE3;o social e suas consequ&#xEA;ncias, n&#xE3;o se pode perder, na leitura da diversidade, o horizonte de toda a estrutura da sociedade. Necess&#xE1;rio se faz considerar a cultura, a diversidade, as singularidades e todas as particularidades no conjunto do social. Existe uma especificidade dos sujeitos quanto &#xE0; ra&#xE7;a, etnia, g&#xEA;nero, quest&#xF5;es referentes &#xE0; defici&#xEA;ncia, sexualidades, faixa et&#xE1;ria e tantas outras formas peculiares de os sujeitos se situarem no social. As pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas nem sempre est&#xE3;o atentas a esta diversidade e tratam todas as quest&#xF5;es de forma homog&#xEA;nea.</p>
			<p>O espet&#xE1;culo da diversidade n&#xE3;o deve limitar nossa percep&#xE7;&#xE3;o sobre o contexto social e material da vida social e sobre as causas que unificam toda a consequ&#xEA;ncia das opress&#xF5;es e das desigualdades estruturadas da sociedade, conforme j&#xE1; alertava 
				<xref ref-type="bibr" rid="B22">Thompson (1995</xref>, p.426). &#xC9; preciso vislumbrar como a parte se localiza no todo, superar o risco da fragmenta&#xE7;&#xE3;o, perceber as partes e as diferen&#xE7;as sem deixar de considerar a raiz de toda injusti&#xE7;a social pela qual todos e todas est&#xE3;o subjugadas, buscando encontrar alternativas de enfrentamento como coletividade. N&#xE3;o se pode perder de vista, na particularidade, a visibilidade de um contexto onde cada situa&#xE7;&#xE3;o se localiza de alguma forma em conex&#xE3;o com as demais situa&#xE7;&#xF5;es e com o todo articulado que cria determinadas estruturas. Estruturas, essas, que mesmo tendo sido criadas na hist&#xF3;ria por sujeitos, em sua atividade pr&#xE1;tica, por isso mesmo, podem ser transformadas, uma vez identificadas e trabalhadas no sentido de sua supera&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>Por atividade pr&#xE1;tica, entendemos todas as a&#xE7;&#xF5;es, cria&#xE7;&#xF5;es resultantes da rela&#xE7;&#xE3;o sujeito-sujeito e sujeito-objeto. Os objetos s&#xE3;o transformados pelo contato humano, n&#xE3;o apenas pelo projeto que se possa ter daquilo que se quer mudar, mas de uma determina&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica do sujeito sobre o objeto e dos sujeitos entre os sujeitos concomitantemente. Assim crescemos e transformamos o mundo. Neste tr&#xE2;mite se encontra o aspecto cognitivo e pr&#xE1;tico do mundo das rela&#xE7;&#xF5;es. Marx, em seu pensamento secular, alertava para o car&#xE1;ter de pr&#xE1;xis social
				<xref ref-type="fn" rid="fn3">
					<sup>3</sup>
				</xref> que permeia as rela&#xE7;&#xF5;es entre os indiv&#xED;duos, vejamos em sua assertiva:
			</p>
			<disp-quote>
				<p>Os animais s&#xF3; constroem de acordo com os padr&#xF5;es e necessidades da esp&#xE9;cie a que pertencem, enquanto o homem sabe produzir de acordo com os padr&#xF5;es de todas as esp&#xE9;cies e como aplicar o padr&#xE3;o adequado ao objeto. Assim, o homem constr&#xF3;i tamb&#xE9;m em conformidade com as leis do belo (
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">MARX, 1983</xref>, p. 96).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Seguindo este racioc&#xED;nio, encontramos o ser social como ser da pr&#xE1;xis social, aquele que transforma o mundo com suas a&#xE7;&#xF5;es e ao mesmo tempo se transforma com ele. O indiv&#xED;duo da pr&#xE1;tica &#xE9; o indiv&#xED;duo das rela&#xE7;&#xF5;es, nosso trabalho humano &#xE9; para o mundo, com os outros, a partir dos outros e para al&#xE9;m de cada um e cada uma. Nascemos e vivemos a partir dos grupos de origem para continuar a grande obra da vida humana. Essa grande obra, por&#xE9;m, se consolida em pequenas a&#xE7;&#xF5;es de cada qual para o seu meio e nos liames da possibilidade do aprendizado que o indiv&#xED;duo faz em seu contexto, tanto quanto na possibilidade de transposi&#xE7;&#xE3;o deste. No desaprender, nas rupturas com o que est&#xE1; estabelecido na sociedade, poder&#xE1; estar contido o potencial de supera&#xE7;&#xF5;es qualitativas e hist&#xF3;ricas das culturas e sistemas econ&#xF4;micos. As transforma&#xE7;&#xF5;es v&#xE3;o se dando na pr&#xE1;xis social dos sujeitos, esse processo vai consolidando a possibilidade de express&#xE3;o do ser, enquanto parte integrante, pertencente ao seu contexto.</p>
			<p>O sujeito transita por uma contextualidade que lhe &#xE9; externa tanto quanto o constitui como sujeito, se tornando parte dele. Nesse sentido, a arte de se relacionar com os demais &#xE9; tamb&#xE9;m a arte de se encontrar em um mundo humano, feito por quem o vive e ao mesmo tempo submetido a determinantes extrassubjetivos, que ultrapassam a sua possibilidade de escolha. A subjetividade humana se produz em um contexto de totalidade. A constru&#xE7;&#xE3;o social da subjetividade n&#xE3;o significa um engessamento do indiv&#xED;duo ao seu meio, mas da possibilidade do mesmo se diferenciar, se individualizar a partir da interdepend&#xEA;ncia entre todos os seres humanos. A consci&#xEA;ncia l&#xFA;cida e cr&#xED;tica sobre os determinismos sociais ser&#xE1; o fio condutor de uma vida sem determinismos. Escolhemos a nossa hist&#xF3;ria ao faz&#xEA;-la, repetimos a hist&#xF3;ria alheia ao reproduzirmos o que j&#xE1; est&#xE1; consolidado no tempo e no espa&#xE7;o. Reconstru&#xED;mos a vida social quando a colocamos em quest&#xE3;o e resistimos ao que est&#xE1; posto nas padroniza&#xE7;&#xF5;es do meio, de modo a realizar rupturas com o tempo e a hist&#xF3;ria. Tal possibilidade, por&#xE9;m, encontraremos em um caminho conjugado em coletivos e n&#xE3;o no isolamento ou na fragmenta&#xE7;&#xE3;o de atividades solit&#xE1;rias. Com diferentes grupos consolidamos a romaria do se tornar humano, especialmente a partir daquele lugar da subjetividade que n&#xE3;o se contenta com o que est&#xE1; pronto e posto nos contextos de sociabilidade.</p>
			<p>O espa&#xE7;o cotidiano poder&#xE1; ser reconstru&#xED;do num movimento dial&#xE9;tico dos grupos, onde se fazem sempre novas rela&#xE7;&#xF5;es sociais, na teia relacional do cotidiano dos grupos. A participa&#xE7;&#xE3;o social &#xE9; uma necessidade humana, o mundo que se encontra ao redor das pessoas &#xE9; um mundo para ser explorado, por onde todos e todas deveriam poder circular e ter acesso &#xE0; sua constitui&#xE7;&#xE3;o e transforma&#xE7;&#xE3;o constante. Os processos que consolidam a cria&#xE7;&#xE3;o de in&#xFA;meras barreiras impeditivas da express&#xE3;o de seus sujeitos s&#xE3;o processos que desumanizam a vida social. Nesse sentido, se pode objetar at&#xE9; que ponto o mundo que criamos hist&#xF3;rica e cotidianamente &#xE9; um mundo acess&#xED;vel a toda esta diversidade caracter&#xED;stica da humanidade. A participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um processo social necess&#xE1;rio para todas as pessoas. Constitui-se, a participa&#xE7;&#xE3;o, em: &#x201C;[&#x2026;] requisito de realiza&#xE7;&#xE3;o do pr&#xF3;prio ser humano [&#x2026;]. O desenvolvimento social do homem requer participa&#xE7;&#xE3;o nas defini&#xE7;&#xF5;es e decis&#xF5;es da vida social&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">SOUZA, 1993</xref>, p. 83). Justamente esse requisito t&#xE3;o fundamental foi interditado pelo imperativo da normalidade, n&#xE3;o viabilizando o acesso das diferen&#xE7;as na participa&#xE7;&#xE3;o do mundo social ou dificultando muito este acesso.
			</p>
			<p>Para o enfrentamento do processo de alijamento das singularidades &#xE9; necess&#xE1;rio que a escola, os professores e professoras, os profissionais das diversas &#xE1;reas, os trabalhadores e trabalhadoras, os pais e m&#xE3;es, os familiares, as institui&#xE7;&#xF5;es em geral, os diversos setores da sociedade possam aprender a se comunicar com as diferen&#xE7;as que s&#xE3;o constituidoras de sua pr&#xF3;pria natureza humana. Isso significa, em &#xFA;ltima an&#xE1;lise, aprender a se comunicar com a sua pr&#xF3;pria condi&#xE7;&#xE3;o de pessoa, ou seja, com a caracter&#xED;stica da diversidade que &#xE9; peculiar &#xE0; esp&#xE9;cie humana. A mudan&#xE7;a que dever&#xE1; ocorrer &#xE9; cultural e estrutural, no que diz respeito ao reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as. Uma nova percep&#xE7;&#xE3;o e uma nova pr&#xE1;tica social que desenvolvam novos processos sociais, nos quais pertencer a seu pr&#xF3;prio grupo humano n&#xE3;o seja mais uma quest&#xE3;o para o debate e sim uma pr&#xE1;tica comum &#xE0; viv&#xEA;ncia humana.</p>
			<disp-quote>
				<p>&#xC9; certo que as diferen&#xE7;as e a pluralidade da vida n&#xE3;o t&#xEA;m encontrado lugar na escola: &#xE9; como se as crian&#xE7;as, jovens e adultos, ao desfrutarem das atividades escolares, tivessem de se despir de suas singularidades, peculiaridades e mesmo suas semelhan&#xE7;as para compor um todo homog&#xEA;neo, est&#xE1;vel, previs&#xED;vel e qui&#xE7;&#xE1;, imut&#xE1;vel (
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">BRIZOLA, 2000</xref>, p. 123).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>N&#xE3;o se aprende desde crian&#xE7;a a valorizar a vida em sua plenitude natural e singular. Aprende-se a adorar o belo, e o belo &#xE9; o imediato produtivo do momento atual. &#xC9; uma quest&#xE3;o sociocultural n&#xE3;o saber valorizar as conquistas pessoais que ser&#xE3;o sempre particularizadas e diferenciadas. O que se aprende &#xE9; cultuar um padr&#xE3;o de exig&#xEA;ncia de uma supercompet&#xEA;ncia para acompanhar o ritmo de uma sociedade que n&#xE3;o para de se desenvolver, do ponto de vista da tecnologia, de seu aprimoramento e da acumula&#xE7;&#xE3;o do capital. Entretanto, do ponto de vista da humanidade das rela&#xE7;&#xF5;es sociais, h&#xE1; muito que se aprender e avan&#xE7;ar quanto aos conceitos e pr&#xE1;ticas sociais, referentes &#xE0; quest&#xE3;o da diversidade humana e constru&#xE7;&#xE3;o de sua plena participa&#xE7;&#xE3;o na vida em sociedade.</p>
			<p>Os pressupostos do reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as deveriam ser apreendidos desde o in&#xED;cio da vida em sociedade. O ensino b&#xE1;sico (infantil, fundamental e m&#xE9;dio) e o chamado ensino superior &#xE9; um espa&#xE7;o potencial para esta aprendizagem. Infelizmente, na sociedade marcada pela diferencia&#xE7;&#xE3;o entre as classes sociais, os valores que aprendemos a cultuar s&#xE3;o os valores do mercado, onde tudo se coisifica e tem um valor comercial. Aprendemos a nos esfor&#xE7;ar para nos situar no enquadre da normalidade, da produtividade, de uma est&#xE9;tica e comportamentos em sintonia com um padr&#xE3;o social permeado pelos valores do capitalismo. Os valores da sociedade do capital atravessam os costumes e a cultura entre as pessoas e entre as na&#xE7;&#xF5;es, se reproduzindo com base na explora&#xE7;&#xE3;o e no afastamento entres as pessoas. Quando superarmos esta estrutura de forma material e por dentro de nossas subjetividades capturadas por processos de aliena&#xE7;&#xE3;o e de fetichiza&#xE7;&#xE3;o capitalista, poderemos, ent&#xE3;o, apreender novas formas de sociabilidade e de intera&#xE7;&#xE3;o com a nossa pr&#xF3;pria condi&#xE7;&#xE3;o humana. A vida em grupo &#xE9; um processo social, mas os grupos, ao mesmo tempo, t&#xEA;m imenso potencial instrumental para o reverso de situa&#xE7;&#xF5;es de subalterniza&#xE7;&#xE3;o e para rupturas com o 
				<italic>status quo</italic> da constru&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica da sociabilidade.
			</p>
			<p>Situamos a import&#xE2;ncia social dos grupos, na complexa arte das rela&#xE7;&#xF5;es, mas afinal o que &#xE9; um grupo, como se constituem? Como podem ser um espa&#xE7;o social de reconstru&#xE7;&#xE3;o da cidadania e de (re) significa&#xE7;&#xE3;o do cotidiano? Ao caracterizar os grupos, somos levados a encontrar seu significado social para a express&#xE3;o das individualidades e para al&#xE9;m disso, seu sentido libert&#xE1;rio, a possibilidade, por interm&#xE9;dio do grupo, de consolidar uma estrat&#xE9;gia de articula&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e participa&#xE7;&#xE3;o do ser social em seu contexto.</p>
			<disp-quote>
				<p>O ser humano &#xE9; greg&#xE1;rio, e ele s&#xF3; existe, ou subsiste, em fun&#xE7;&#xE3;o de seus inter-relacionamentos grupais. Sempre, desde o nascimento, ele participa de diferentes grupos, numa constante dial&#xE9;tica entre a busca de sua identidade individual e a necessidade de uma identidade grupal e social (
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">ZIMERMAN, 1993</xref>, p. 51).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Muito embora esta caracter&#xED;stica &#x201C;greg&#xE1;ria&#x201D; do que &#xE9; humano, um conjunto de pessoas por si s&#xF3; n&#xE3;o constitui um grupo, no sentido que estamos dando ao mesmo. O aspecto fundante da congrega&#xE7;&#xE3;o grupal vai ser definido por algo que se denomina v&#xED;nculo, no qual o n&#xFA;mero de pessoas presentes em um determinado contexto se conecta por objetivos em comum. A caracter&#xED;stica vincular dos grupos se manifesta numa rede, emaranhada pela complexidade das subjetividades objetivadas de diferentes pessoas que se ocupam do mesmo espa&#xE7;o. Isso n&#xE3;o ser&#xE1; definido por um n&#xFA;mero de indiv&#xED;duos, nem pela soma total destes. &#xC9; um emaranhado complexo, din&#xE2;mico, de integra&#xE7;&#xE3;o de interesses, mas que ao mesmo tempo n&#xE3;o significa homogeneiza&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos. Os grupos que se constituem enquanto grupo desenvolvem um processo inclusivo de subjetividade, objetividade e coletividade, o comum da congrega&#xE7;&#xE3;o vai al&#xE9;m de cada um, a partir de cada um com o todo. Cada pessoa permanece com sua singularidade como indiv&#xED;duo, por&#xE9;m, esta singularidade estar&#xE1; mediada pelo grupo, em suas tarefas, nas atividades pr&#xE1;ticas a que se prop&#xF5;e.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Lapassade (1983)</xref> enfatiza a pr&#xE1;tica dos grupos como aquilo que d&#xE1; unidade a eles. O n&#xF3;s &#xE9; a&#xE7;&#xE3;o coletiva e n&#xE3;o o substancial do individual. O grupo tem uma pr&#xE1;xis em comum e se constitui enquanto ato e n&#xE3;o enquanto ser. Este ato n&#xE3;o &#xE9; necessariamente uma a&#xE7;&#xE3;o concreta, absolutamente vis&#xED;vel, expl&#xED;cita. Em muitos casos, a tarefa dos grupos est&#xE1; impl&#xED;cita, subentendida, latente, n&#xE3;o aparente, mas existente de fato em atos concretos. Vejamos um exemplo: suponhamos que um grupo de mulheres se re&#xFA;na semanalmente em um determinado espa&#xE7;o institucional, a discuss&#xE3;o habitual fica em torno de quest&#xF5;es do cotidiano, suas dificuldades em comum com os filhos, com o marido, no trabalho, nas institui&#xE7;&#xF5;es em que utilizam os servi&#xE7;os e outras quest&#xF5;es que apare&#xE7;am e este grupo questionando suas dificuldades em rela&#xE7;&#xE3;o ao que foi levantado, e em rela&#xE7;&#xE3;o aos impedimentos que o contexto apresenta para sua realiza&#xE7;&#xE3;o pessoal. Neste caso, as situa&#xE7;&#xF5;es e a forma de enfrent&#xE1;-las s&#xE3;o expl&#xED;citas, as pessoas compartilham sua forma particular de entender suas situa&#xE7;&#xF5;es concretas, bem como sua maneira de responder a tudo isso. O que poder&#xE1; estar impl&#xED;cito &#xE9; justamente a tarefa do grupo, que ser&#xE1; em conjunto encontrar novas maneiras coletivas para o enfrentamento de tais quest&#xF5;es, de transformar aquela realidade, de se articular enquanto sujeito de sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria, de politizar seu entendimento e enfrentamento das rela&#xE7;&#xF5;es cotidianas.
			</p>
			<p>Com esta ilustra&#xE7;&#xE3;o, percebemos a dimens&#xE3;o pr&#xE1;tica e de um grupo, como o mesmo enquanto instrumental, recurso profissional ou comunidades locais podendo estar num constante trabalho de elabora&#xE7;&#xE3;o das barreiras do cotidiano e, ao mesmo tempo, de constru&#xE7;&#xE3;o de uma nova forma de inscri&#xE7;&#xE3;o no social. Assim, se pode repetir o que afirma 
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Lapassade (1983</xref>, p. 232): &#x201C;Todos os membros s&#xE3;o &#x201C;terceiras pessoas&#x201D; ao mesmo tempo em que s&#xE3;o todos s&#xF3;cios em pares de reciprocidade; como terceira pessoa, cada um totaliza as reciprocidades de outrem. &#xC9; isso uma das media&#xE7;&#xF5;es que constituem o grupo&#x201D;.
			</p>
			<p>Na rela&#xE7;&#xE3;o de reciprocidade que vai consolidando os grupos acontece um fen&#xF4;meno denominado &#x201C;resson&#xE2;ncia&#x201D;
				<xref ref-type="fn" rid="fn4">
					<sup>4</sup>
				</xref>, este indica a troca de sentimentos entre as pessoas, o compartilhar emo&#xE7;&#xF5;es comuns. Isso acontece quando a fala de um rebate nos outros e os demais v&#xE3;o interagindo a partir daquele significado exposto por algu&#xE9;m. Algu&#xE9;m fala dos preconceitos experienciados em determinado per&#xED;odo de sua vida, cada um e cada uma &#xE9; levado(a) a pensar nos preconceitos que j&#xE1; sofreu ou j&#xE1; teve em rela&#xE7;&#xE3;o a algu&#xE9;m. A tem&#xE1;tica passa a ser &#x201C;preconceito&#x201D;, todos e todas se envolvem nela e numa tarefa de super&#xE1;-la de alguma forma. De uma situa&#xE7;&#xE3;o singular se passa &#xE0;s diversificadas viv&#xEA;ncias e a um contexto onde estas acontecem - seu meio social. Quem coordena e articula um grupo deve ter a habilidade de perceber a tem&#xE1;tica em comum e propiciar a express&#xE3;o destas viv&#xEA;ncias neste coletivo.
			</p>
			<p>A prop&#xF3;sito do emaranhado que se imbrica no v&#xED;nculo grupal, Fern&#xE1;ndez (1989) considera o &#x201C;la&#xE7;o&#x201D; como constituinte do grupo. H&#xE1; uma complexidade e multiplicidade nas inscri&#xE7;&#xF5;es grupais. Cada singularidade se inscreve no contexto grupal de uma determinada forma. O conjunto destas inscri&#xE7;&#xF5;es &#xE9; permeado pelo v&#xED;nculo que vai dinamizar a rela&#xE7;&#xE3;o entre as pessoas. &#x201C;Algo faz la&#xE7;o&#x201D;, liga os sujeitos entre si e d&#xE1; ao grupo uma caracter&#xED;stica peculiar, pr&#xF3;pria a ele mesmo.</p>
			<p>Para ilustrar o aspecto singular de cada grupo, pensemos conforme induz 
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Lapassade (1983)</xref> em um batizado, por exemplo. Na cerim&#xF4;nia, os participantes do grupo s&#xE3;o os pais, a crian&#xE7;a, os padrinhos, os amigos, o padre. Todos formam os personagens fundamentais para que ocorra o batismo. Mas, al&#xE9;m de tudo, o conjunto deste grupo forma o &#x201C;batismo&#x201D; que n&#xE3;o &#xE9; nem cada um em si, nem a simples soma de todos. &#xC9; algo que acontece, se realiza, portanto, vai al&#xE9;m da participa&#xE7;&#xE3;o dos seus integrantes, por&#xE9;m s&#xF3; se realiza com sua participa&#xE7;&#xE3;o. Este acontecer &#xE9; quase que um novo sujeito, n&#xE3;o humano - o grupo -constitu&#xED;do ele &#xE9; a realiza&#xE7;&#xE3;o de uma coletividade que toma uma forma peculiar, pr&#xF3;pria, a partir de um determinado la&#xE7;o. Observando a for&#xE7;a das congrega&#xE7;&#xF5;es, se pode considerar o grupo como espa&#xE7;o privilegiado para a articula&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica dos sujeitos e para o exerc&#xED;cio da cidadania, da autonomia, que &#xE9; a participa&#xE7;&#xE3;o. &#xC9;, tamb&#xE9;m, um dispositivo articulador importante como instrumental profissional.
			</p>
			<p>H&#xE1; certa tend&#xEA;ncia a cristalizarmos por determinado tempo, mais ou menos longo, algumas situa&#xE7;&#xF5;es de opress&#xE3;o, de aprisionamento. Como se o nosso ser estivesse alheio, estranho a n&#xF3;s mesmos, nele n&#xE3;o nos reconhecemos e repetimos a hist&#xF3;ria at&#xE9; que um dia tenhamos consci&#xEA;ncia da possibilidade de transformar as condi&#xE7;&#xF5;es que nos aprisionam; in&#xFA;meros s&#xE3;o os exemplos do cotidiano que demonstram este fato. Em psican&#xE1;lise, isso foi chamado de &#x201C;repeti&#xE7;&#xE3;o neur&#xF3;tica&#x201D;, para Marx foi denominado, a partir do mundo do trabalho, de processo de &#x201C;aliena&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, um estranhamento do sujeito na rela&#xE7;&#xE3;o com a sociedade, com sua produ&#xE7;&#xE3;o social e consigo mesmo
				<xref ref-type="fn" rid="fn5">
					<sup>5</sup>
				</xref>.
			</p>
			<p>Ilustraremos o tempo contempor&#xE2;neo recorrendo a uma figura da mitologia grega, o PAN, conhecido no Ocidente pelo nome de diabo:</p>
			<disp-quote>
				<p>A figura do diabo nos mostra um s&#xE1;tiro - criatura metade homem, metade bode -dan&#xE7;ando ao som da gaita que est&#xE1; segurando com a m&#xE3;o esquerda. Na m&#xE3;o direita segura dois fios, amarrados ao pesco&#xE7;o de duas pessoas de tamanho menor. Essas pessoas - um homem e uma mulher - tamb&#xE9;m t&#xEA;m chifres como os do s&#xE1;tiro e, embora tenham as m&#xE3;os e os p&#xE9;s livres para dan&#xE7;ar, est&#xE3;o presos &#xE0;s cadeias do medo e do fasc&#xED;nio pela m&#xFA;sica. A cena tem lugar dentro de uma gruta escura. As figuras que dan&#xE7;am, na realidade s&#xE3;o livres se desejarem, pois, as m&#xE3;os est&#xE3;o soltas para retirar as correntes a qualquer momento. A servid&#xE3;o ao diabo &#xE9; uma quest&#xE3;o que o consciente pode resolver (
					<xref ref-type="bibr" rid="B4">BURKE; GREENE, 1988</xref>, p. 66).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A hist&#xF3;ria deste mito grego se aproxima da viv&#xEA;ncia de muitas pessoas e da sociedade em geral. H&#xE1; um aprisionamento subjetivo, objetivo e social que nos impomos ou ao qual nos rendemos, quando n&#xE3;o nos &#xE9; poss&#xED;vel vislumbrar as possibilidades do ser humano em transformar sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria a favor de si mesmo. Pan &#xE9; um grande fetiche, assim como a realidade da sociedade do capital, mas n&#xE3;o &#xE9; absoluto, dele se pode afastar se a embriaguez de sua m&#xFA;sica n&#xE3;o mais exercer fasc&#xED;nio sobre n&#xF3;s. Em nossa sociedade s&#xE3;o muitos os fetiches que nos afastam da consci&#xEA;ncia, que nos levam &#xE0; reprodu&#xE7;&#xE3;o de padr&#xF5;es pr&#xE9;-fixados. Que nos levam a supor que a sociedade mediada pela rela&#xE7;&#xE3;o capital e trabalho possa se eternizar e n&#xE3;o tenhamos nenhuma alternativa para nossa sociabilidade.</p>
			<p>O cotidiano, tomado em sua imediaticidade, &#xE9; o lugar do &#x201C;fragment&#xE1;rio, do microsc&#xF3;pico, do ef&#xEA;mero, do imagin&#xE1;rio&#x201D;, conforme Iamamoto (1997, p. 60). No grande fetiche do dia-a-dia, na embriaguez que nos afasta da consci&#xEA;ncia e de uma vis&#xE3;o de totalidade da vida social, nos aprisionamos a diversas situa&#xE7;&#xF5;es que se repetem em nossa hist&#xF3;ria, como se estagnasse a vida. O movimento natural dos acontecimentos que devem mover a hist&#xF3;ria, nestas circunst&#xE2;ncias, parecem se congelar na rotina de uma vida fetichizada pela promessa do capitalismo em nos fazer felizes como &#xFA;nica sa&#xED;da para essa felicidade, a despeito de todas as consequ&#xEA;ncias perversas que o desenvolvimento do capital tem proporcionado &#xE0;s pessoas, ao meio ambiente e a toda a sociedade. H&#xE1; uma forte diferen&#xE7;a entre a ess&#xEA;ncia e a apar&#xEA;ncia dos fen&#xF4;menos produzida nos processos sociais.</p>
			<disp-quote>
				<p>Todo modo de exist&#xEA;ncia humana ou de existir no mundo possui sua pr&#xF3;pria cotidianidade. [&#x2026;]Se a cotidianidade &#xE9; a caracter&#xED;stica fenom&#xEA;nica da realidade, a supera&#xE7;&#xE3;o da cotidianidade reificada n&#xE3;o se processa como salto da cotidianidade &#xE0; autenticidade, mas como destrui&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica do fetichismo da cotidianidade e da hist&#xF3;ria; isto &#xE9;, como elimina&#xE7;&#xE3;o pr&#xE1;tica da realidade reificada, tanto nos seus aspectos fenom&#xEA;nicos como na sua ess&#xEA;ncia real (KOSIK, 1995, p. 73).</p>
			</disp-quote>
			<p>A &#x201C;cotidianidade reificada&#x201D;, ou seja, uma realidade coisificada, poder&#xE1; levar sujeitos e subjetividades a experi&#xEA;ncias na qual os mesmos se perdem de si mesmo, se tornam objeto e n&#xE3;o protagonistas de sua hist&#xF3;ria. Fato esse que n&#xE3;o significa que no cotidiano s&#xF3; haja espa&#xE7;o para a necessidade e a aliena&#xE7;&#xE3;o, mas que este &#xE9; um espa&#xE7;o onde a reifica&#xE7;&#xE3;o se faz presente. Entretanto, o cotidiano &#xE9; espa&#xE7;o rico de significados e viv&#xEA;ncias concretas, no qual se pode aprofundar a busca dos desvendamentos de seus enredos. Trabalhar com a finalidade de abrir um espa&#xE7;o humano para a reconstru&#xE7;&#xE3;o de uma efetiva participa&#xE7;&#xE3;o na vida social e para o (re) significar do cotidiano &#xE9; uma forma de enfrentamento da dimens&#xE3;o da necessidade e da aliena&#xE7;&#xE3;o. A articula&#xE7;&#xE3;o do espa&#xE7;o grupal poder&#xE1; se tornar um importante instrumental profissional para construir interlocu&#xE7;&#xF5;es coletivas potenciais de reconstru&#xE7;&#xE3;o da an&#xE1;lise, interpreta&#xE7;&#xE3;o e novas interven&#xE7;&#xF5;es sobre cotidiano e na vida social. Pessoas reunidas em grupos de reflex&#xE3;o, debate, t&#xEA;m a possibilidade de encontrar alternativas coletivas para o enfrentamento de situa&#xE7;&#xF5;es que, mesmo particulares, t&#xEA;m sua raiz em comum a forma de organiza&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es e dos modos de vida.</p>
			<p>Neste sentido, o dispositivo grupal pode ser um recurso significativo. Justamente pelo fato de poder se ter, nos grupos, um dos momentos de trabalho e arte que propicia a visibilidade de processos sociais que foram (in)visibilizados na cotidianidade, por severos processos sociais do mundo do trabalho que imp&#xF5;em condi&#xE7;&#xF5;es de produtividade acelerada, prec&#xE1;rias condi&#xE7;&#xF5;es materiais de vida a muitas pessoas. O recurso grupal, atrav&#xE9;s de um processo de reflex&#xE3;o, di&#xE1;logo, congrega&#xE7;&#xE3;o, poder&#xE1; ser o momento de uma abertura para o processo de conscientiza&#xE7;&#xE3;o do potencial do sujeito. De se redescobrir, de perceber &#x201C;que as m&#xE3;os est&#xE3;o livres&#x201D;, conforme o Pan da mitologia grega, mencionado nas p&#xE1;ginas anteriores, que &#xE9; poss&#xED;vel sair, romper com os processos de aliena&#xE7;&#xE3;o e com a &#x201C;repeti&#xE7;&#xE3;o neur&#xF3;tica&#x201D;, tamb&#xE9;m j&#xE1; aqui mencionada. A hist&#xF3;ria de cada indiv&#xED;duo e a hist&#xF3;ria da sociedade, em geral, estagnou naquele processo; tomar&#xE1; novo dinamismo com a sa&#xED;da do sujeito de seu casulo, no retorno a seu aspecto natural, o de um ser social e caracterizado pela diversidade humana.</p>
			<p>O coordenador ou articulador de um grupo poder&#xE1; contribuir com o processo grupal, na medida em que propicia o espa&#xE7;o para a reflex&#xE3;o e, tamb&#xE9;m, quando exerce a fun&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;continente&#x201D; e desenvolve uma &#x201C;atividade interpretativa&#x201D;, assim denominados, por 
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Zimerman (1993)</xref>
				<xref ref-type="fn" rid="fn6">
					<sup>6</sup>
				</xref>. &#xC9; uma dispers&#xE3;o geral, a marca inicial de qualquer grupo que, aos poucos, se encaminha para uma coes&#xE3;o, unidade. O coordenador vai articular a jun&#xE7;&#xE3;o das partes fragmentadas, sustentando e dando contin&#xEA;ncia ao contexto dos indiv&#xED;duos que se agrupam, isso se faz, tamb&#xE9;m, com a &#x201C;atividade interpretativa&#x201D;.
			</p>
			<p>O grupo precisa de um sustent&#xE1;culo, especialmente no in&#xED;cio, algu&#xE9;m que o &#x201C;segure&#x201D;, que possa ter uma vis&#xE3;o de conjunto, e, ao mesmo tempo, localize as singularidades dos sujeitos nesse conjunto. Nesta fun&#xE7;&#xE3;o de agente grupal, considera-se a possibilidade de que, a partir de uma base de sustenta&#xE7;&#xE3;o, o grupo possa se desenvolver para um processo de politiza&#xE7;&#xE3;o do cotidiano quando a finalidade &#xE9; repensar coletivamente as viv&#xEA;ncias e situa&#xE7;&#xF5;es concretas das pessoas em um determinado grupo. Na contin&#xEA;ncia est&#xE1;, tamb&#xE9;m, a necess&#xE1;ria &#x201C;atividade interpretativa&#x201D;, na qual se tem uma interven&#xE7;&#xE3;o mais direta do coordenador ou terapeuta; esta atividade vai se estendendo aos demais membros do grupo, com o desenrolar do processo grupal. Mas, em que consiste tal &#x201C;atividade interpretativa&#x201D;? Essa atividade &#xE9; uma interven&#xE7;&#xE3;o dialogal, onde aspectos significativos do que j&#xE1; foi falado s&#xE3;o pontuados e ressaltados para o grupo, com o objetivo de dar visibilidade a determinadas quest&#xF5;es que v&#xE3;o surgindo. Nesta interven&#xE7;&#xE3;o, os participantes devem ser levados a novas perguntas e reflex&#xF5;es que os fa&#xE7;am se inscrever no processo do qual fazem parte. A finalidade desta atividade &#xE9; propiciar a participa&#xE7;&#xE3;o e a reelabora&#xE7;&#xE3;o das quest&#xF5;es iniciais, para uma supera&#xE7;&#xE3;o dial&#xE9;tica do momento anterior ao processo grupal.</p>
			<p>No trabalho com grupos, os profissionais desta &#xE1;rea se aproximam do cotidiano das pessoas, do seu modo de viver e das dificuldades e possibilidades de suas condi&#xE7;&#xF5;es de vida. O cotidiano aparece em seu imediatismo, num primeiro momento, para que se possa ultrapassar esta esfera imediata. O viver de cada um est&#xE1; impregnado pela cultura, pela hist&#xF3;ria, pela economia, pela m&#xFA;sica, pela m&#xED;dia, por amores e desamores. A din&#xE2;mica grupal traz o cen&#xE1;rio humano com toda sua express&#xE3;o, em suas diversas facetas, na qual h&#xE1; presen&#xE7;a da aliena&#xE7;&#xE3;o, da criatividade, onde convivem todas as contradi&#xE7;&#xF5;es humano-sociais. &#xC9; um rico espa&#xE7;o de conte&#xFA;do ontol&#xF3;gico e tamb&#xE9;m de pr&#xE1;xis social. Cada singularidade poder&#xE1; se expressar num contexto grupal, que no principiar &#xE9; novo, portanto, uma alternativa de recome&#xE7;ar uma nova forma relacional. O espa&#xE7;o do grupo faz o acolhimento do sujeito e o reconhecimento dos pontos em comum entre seus membros.</p>
			<p>A tem&#xE1;tica que emerge da discuss&#xE3;o grupal &#xE9; o ponto convergente sob o qual a din&#xE2;mica grupal vai se processar. Os sujeitos a partir desta din&#xE2;mica v&#xE3;o se inteirando, se aproximando uns dos outros, se diferenciando. &#xC9; um processo de entrega ao grupo, de parte da subjetividade de cada qual a um processo de intera&#xE7;&#xE3;o. Este espa&#xE7;o &#xE9; mediado pela comunica&#xE7;&#xE3;o, pelo significativo desenvolver da linguagem, da inter-rela&#xE7;&#xE3;o dos significantes pessoais de cada individualidade e de suas experi&#xEA;ncias concretas de vida, se encontrando com as demais pessoas. &#xC9; um momento em que uma pequena coletividade poder&#xE1; se perceber em coletividades ainda maiores, como parte de um todo.</p>
			<p>O potencial dos sentidos, dos significados dos outros e outras &#xE9; visto na linguagem e na narrativa sobre o cotidiano. O estilo de vida do outro, sua cultura, sua forma de viver, modo de vida e condi&#xE7;&#xF5;es de vida se transformam em uma grande indaga&#xE7;&#xE3;o para o pr&#xF3;prio grupo; a an&#xE1;lise e interpreta&#xE7;&#xE3;o das vidas dos sujeitos entre si, no interc&#xE2;mbio dialogal, no qual se permite questionar o (a) outro (a) sobre os significados que ele (a) atribui &#xE0; sua maneira de se localizar no mundo, a maneira como o outro sujeito encara sua vida e seu contexto social. Existe um tipo peculiar a cada grupo que &#xE9; adquirido na conviv&#xEA;ncia entre seus componentes. O fato &#xE9; que os grupos t&#xEA;m sua forma particular de se comunicar, que n&#xE3;o se confunde com outros grupos, caracterizando-os de um jeito espec&#xED;fico. O di&#xE1;logo &#xE9; um instrumento para favorecer a emancipa&#xE7;&#xE3;o, vejamos nas palavras de Souza:</p>
			<disp-quote>
				<p>Entre os diversos mecanismos pedag&#xF3;gicos de a&#xE7;&#xE3;o a serem utilizados pelo profissional est&#xE1; o di&#xE1;logo. Este sup&#xF5;e um processo de troca, atrav&#xE9;s do qual elementos de globalidade e de particularidade v&#xE3;o se confrontando e construindo como processo cr&#xED;tico de pensar e transformar a realidade (
					<xref ref-type="bibr" rid="B21">SOUZA, 1993</xref>, p.92).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Na possibilidade de articular o grupo como um instrumental profissional emancipat&#xF3;rio, numa perspectiva de politiza&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es sociais, nos orientamos por uma &#xE9;tica libert&#xE1;ria. Uma &#xE9;tica que n&#xE3;o se conforma com uma determinada ordem social, que naufraga os sujeitos em seu oposto, ou seja, &#xE0; condi&#xE7;&#xE3;o de sujeitado; &#xE9;tica que sugere desnaturalizar as rela&#xE7;&#xF5;es de poder, de opress&#xE3;o, de desigualdade, de submiss&#xE3;o, de conformismo. O que conduz a orienta&#xE7;&#xE3;o deste sentido &#xE9; uma &#xE9;tica que enalte&#xE7;a a possibilidade de o sujeito superar seu tempo hist&#xF3;rico, bem como superando a si mesmo na rela&#xE7;&#xE3;o com os seus contempor&#xE2;neos. Nos percursos de nossa caminhada profissional, como trabalhadoras e trabalhadores do social, encontramos pessoas fragilizadas pelas dificuldades e pelos dramas de suas hist&#xF3;rias de vida, bem como pessoas que est&#xE3;o ativamente no embate e enfrentamento de situa&#xE7;&#xF5;es muito adversas. O dispositivo grupal &#xE9; um potencial espa&#xE7;o para constituir como um tecido a todo um conte&#xFA;do humano e dram&#xE1;tico de subalterniza&#xE7;&#xF5;es e resist&#xEA;ncias, contradi&#xE7;&#xE3;o presente nas rela&#xE7;&#xF5;es sociais. H&#xE1; um drama real na hist&#xF3;ria de vida de cada sujeito hist&#xF3;rico. Cada mulher e cada homem, cada crian&#xE7;a, jovem, idoso, pessoas de orienta&#xE7;&#xE3;o sexual LGBT, negros e negras, ind&#xED;genas, pessoas com defici&#xEA;ncia; seja qual for a singularidade humana tem sua forma particular de ser. Entretanto, h&#xE1; tamb&#xE9;m in&#xFA;meros pontos em comum na realidade concreta e simb&#xF3;lica das pessoas, enquanto sujeitos coletivos, para serem articulados e organizados com a for&#xE7;a das coletividades.</p>
			<p>O grupo que n&#xE3;o &#xE9; a soma de todos se torna um sustent&#xE1;culo, um lugar onde v&#xE1;rias individualidades v&#xE3;o compartilhar seu drama, mas, para al&#xE9;m disso, aos poucos v&#xE3;o encontrar os nexos que ligam os fatos entre si. J&#xE1; n&#xE3;o ser&#xE3;o mais solit&#xE1;rias em um cen&#xE1;rio sombrio, fazem parte de um conjunto, de um todo, se redescobrir&#xE3;o mais conscientizadas e organizadas no processo. Na dial&#xE9;tica dos grupos, o movimento decorrente de sua din&#xE2;mica &#xE9; constante e inacabado. N&#xE3;o se poder&#xE1; pensar que o grupo atinge um momento ideal que estar&#xE1; pronto, preparado para a vida. &#xC9; uma dial&#xE9;tica do inacabamento, no qual as pessoas envolvidas estar&#xE3;o em constante aprendizado e cria&#xE7;&#xE3;o, criando e recriando o mundo e a si mesmos - sempre &#xE9; tempo para recome&#xE7;ar. O recome&#xE7;o &#xE9; fim e in&#xED;cio, n&#xE3;o h&#xE1; acabamento, supera&#xE7;&#xF5;es acontecem para propiciar outras supera&#xE7;&#xF5;es.</p>
			<p>Os interesses em comum entre um determinado grupo podem ser superados. Entretanto, o que foi consolidado no processo permanece, tanto quanto permanece a necessidade de apreender as rela&#xE7;&#xF5;es grupais. A din&#xE2;mica relacional que registram os grupos proporciona aos seus associados a possibilidade de uma diferenciada inscri&#xE7;&#xE3;o contextual, quando foi poss&#xED;vel ser sujeito de sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria. Um grupo &#xE9; a supera&#xE7;&#xE3;o daquilo que Lapassade (1993, p. 232) chamou de &#x201C;serialidade&#x201D;, nesta os indiv&#xED;duos est&#xE3;o em quantidade, por&#xE9;m n&#xE3;o estabelecem uma rela&#xE7;&#xE3;o qualitativa, n&#xE3;o se comunicam substancialmente, n&#xE3;o h&#xE1; interesses em comum, n&#xE3;o h&#xE1; unidade. A &#x201C;serialidade&#x201D; &#xE9; a dispers&#xE3;o inicial que poder&#xE1; formar o grupo no momento posterior, e tamb&#xE9;m o lugar para onde o grupo poder&#xE1; voltar se n&#xE3;o estiver em uma constante dispers&#xE3;o, se n&#xE3;o desenvolver uma pr&#xE1;xis comum a todos e todas.</p>
			<p>O processo inacabado dos grupos &#xE9; uma alternativa de politizar o cotidiano. No exerc&#xED;cio do debate e da reflex&#xE3;o, o dia-a-dia comum de cada um poder&#xE1; ser localizado na conjuntura contempor&#xE2;nea do tempo hist&#xF3;rico das pessoas. A vis&#xE3;o de conjuntura leva a um entendimento estrutural da organiza&#xE7;&#xE3;o da sociedade - se come&#xE7;a a vislumbrar suas leis. Quando se conhece o funcionamento das leis que organizam uma coletividade, se pode descobrir, tamb&#xE9;m, a forma de superar aquilo que j&#xE1; est&#xE1; ultrapassado, que est&#xE1; em desacordo com as necessidades dos sujeitos desta sociedade. Uma vis&#xE3;o de contexto, de conjunto, ser&#xE1; prop&#xED;cia para n&#xE3;o localizar no sujeito a culpabilidade absoluta pelo seu &#x201C;fracasso&#x201D; escolar, no trabalho, no n&#xE3;o trabalho, na fam&#xED;lia, com os grupos da sociedade. Enfim, o sujeito faz parte de uma conjuntura e de uma estrutura social, seu cotidiano, sua hist&#xF3;ria de vida est&#xE1; imersa nestes meandros institucionais, sociais, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel uma vis&#xE3;o fragment&#xE1;ria. Necess&#xE1;rio se faz uma leitura de realidade e interpreta&#xE7;&#xE3;o da mesma que relacione entre si essa tr&#xED;ade: cotidiano, conjuntura e estrutura da vida singular e humana no conjunto emaranhado das rela&#xE7;&#xF5;es sociais. H&#xE1; uma tend&#xEA;ncia, nas rela&#xE7;&#xF5;es sociais, de individualizar os problemas que dizem respeito &#xE0; coletividade, sobrecarregando o indiv&#xED;duo e relegando a este o lugar da impossibilidade e do fracasso. Nesse sentido, alerta 
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Souza (1993</xref>, p. 88) sobre a consci&#xEA;ncia individual, em contraponto a uma consci&#xEA;ncia social: &#x201C;Consci&#xEA;ncia individual &#xE9; aquela que se concretiza pelo fato do homem ter personalizado, em si mesmo, os motivos e causalidades das necessidades e frustra&#xE7;&#xF5;es que requerem enfrentamentos coletivo.
			</p>
			<p>Desnaturalizar esta tend&#xEA;ncia poder&#xE1; estar impl&#xED;cito nas fun&#xE7;&#xF5;es do grupo, tanto como processo social de organiza&#xE7;&#xE3;o dos povos em seus movimentos, quanto na utiliza&#xE7;&#xE3;o da ferramenta grupal como instrumental de trabalho profissional emancipat&#xF3;rio. O dispositivo grupal servir&#xE1; como campo para um trabalho que desenvolva o processo social da participa&#xE7;&#xE3;o. O imediatismo que aparece nas rela&#xE7;&#xF5;es cotidianas pode ser mat&#xE9;ria-prima para o desenrolar de um trabalho de politiza&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es. A ultrapassagem das condi&#xE7;&#xF5;es imediatas requer o engajamento dos sujeitos em sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria, como part&#xED;cipes, ativos e criativos. A participa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um processo social e ao mesmo tempo uma quest&#xE3;o existencial. O ser humano, para se desenvolver, precisa se inserir em seu meio, fazer parte do todo; uma vis&#xE3;o ampla da realidade social, que estabele&#xE7;a as conex&#xF5;es entre ser e contexto &#xE9; um elemento constitutivo da participa&#xE7;&#xE3;o. A articula&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es entre os membros do grupo organiza uma coletividade de a&#xE7;&#xF5;es, a articula&#xE7;&#xE3;o dessas pode tornar o grupo espa&#xE7;o potencial para o enfrentamento de quest&#xF5;es vivenciadas pelas pessoas participantes do mesmo. Conforme 
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Souza (1993)</xref> a &#x201C;conscientiza&#xE7;&#xE3;o, a organiza&#xE7;&#xE3;o e a capacita&#xE7;&#xE3;o&#x201D; s&#xE3;o elementos pedag&#xF3;gicos da participa&#xE7;&#xE3;o que os grupos podem ser levados a processualizar e a concretizar.
			</p>
			<p>S&#xE3;o sempre necess&#xE1;rias novas interpreta&#xE7;&#xF5;es sobre as possibilidades do sujeito. Por vezes, a realidade &#xE9; esmagadora, especialmente no trabalho institucional, o drama humano que se apresenta tem caracteres dolorosos, no qual as pessoas sobrevivem &#xE0;s tempestades da vida: situa&#xE7;&#xF5;es de abandono, de perda de trabalho, de fam&#xED;lia, de casa, de amor; a doen&#xE7;a, a morte, as separa&#xE7;&#xF5;es dos filhos de suas m&#xE3;es, o impedimento de fazer parte do seu contexto, por limita&#xE7;&#xF5;es f&#xED;sicas, econ&#xF4;micas, culturais, &#xE9;tnicas, ps&#xED;quicas, pela dificuldade de se &#x201C;enquadrar&#x201D; em um mundo padronizado. S&#xE3;o tantos os dramas humanos e todos nos dizem respeito, afinal somos humanos! Os profissionais desta sociedade que est&#xE3;o alinhados a uma &#xE9;tica profissional, que buscam ir ao encontro de demandas concretas dos sujeitos sociais, t&#xEA;m um compromisso com a revers&#xE3;o dos processos severos de interdi&#xE7;&#xF5;es sociais com os quais se deparam. Se n&#xE3;o puderem encontrar alternativas para constru&#xE7;&#xF5;es emancipat&#xF3;rias no m&#xED;nimo precisam ter isso em seu horizonte profissional, constituindo assim o aspecto teleol&#xF3;gico de seu trabalho.</p>
			<p>O compromisso de revers&#xE3;o, que diz respeito aos profissionais do social, se expressa nas estrat&#xE9;gias lan&#xE7;adas para analisar, interpretar e intervir profissionalmente diante da ordem estabelecida na hist&#xF3;ria. O retorno a um caminho de possibilidades e reconstru&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es humanas s&#xF3; poder&#xE1; ser trilhado pelos seus autores e autoras, aqueles(as) que a escrevem. A hist&#xF3;ria de nossa sociedade ser&#xE1; escrita por cada pessoa, na medida em que a consci&#xEA;ncia do ser singular &#xE9; a consci&#xEA;ncia do ser com o mundo, no mundo e para um mundo mutante, inacabado. Consci&#xEA;ncia de que, o tom das rela&#xE7;&#xF5;es sociais &#xE9; dado por cada uma e cada um de n&#xF3;s. Nascemos numa sociedade j&#xE1; organizada em seus padr&#xF5;es, com uma cultura pr&#xF3;pria, que j&#xE1; cristalizou algumas rela&#xE7;&#xF5;es de poder, de discrimina&#xE7;&#xF5;es, de desigualdades, com suas leis, sua ordem, com uma determinada forma de organizar seus meios materiais e produtivos. Muito embora tudo esteja em seu lugar, h&#xE1; um dinamismo profundo nas rela&#xE7;&#xF5;es que se d&#xE1; na sociedade social e, conforme 
				<xref ref-type="bibr" rid="B16">Marx (1983)</xref>, &#x201C;tudo que &#xE9; s&#xF3;lido se desmancha no ar&#x201D;. No dinamismo de um tempo que n&#xE3;o para, de constantes e profundas transforma&#xE7;&#xF5;es &#xE9; o mundo em que nos movemos. Somos, igualmente, mutantes, seres em movimento. Na dial&#xE9;tica da vida &#xE9; preciso apostar no ser social e, como o poeta e cantor 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Nascimento (1978)</xref>, poder fazer da &#x201C;estranha mania de ter f&#xE9; na vida&#x201D; o norte para superar nosso tempo hist&#xF3;rico e n&#xE3;o perder o trem da exist&#xEA;ncia humana.
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
			<p>O artigo que aqui apresentamos se prop&#xF4;s a propiciar uma reflex&#xE3;o sobre a complexa arte das rela&#xE7;&#xF5;es humanas, pois mesmo que seja quase natural &#x201C;o ter que estar com as pessoas&#x201D;, isso por si s&#xF3; n&#xE3;o garante que essas sejam satisfat&#xF3;rias para quem delas depende. H&#xE1; uma dial&#xE9;tica de opostos entre a necessidade de estar com o outro e a possibilidade de este &#x201C;estar&#x201D; ser algo agrad&#xE1;vel, justo, equ&#xE2;nime, algo humanamente significativo para ser vivido concretamente. A hist&#xF3;ria da humanidade j&#xE1; demonstrou que a vida associativa &#xE9; elementar. Desde que nascemos convivemos com a emerg&#xEA;ncia da presen&#xE7;a do (a) outro (a) em nossa vida. Os animais at&#xE9; conseguem, quando s&#xE3;o abandonados pelas suas progenitoras, sair alguns passos e se desenvolver. Seres humanos, no entanto, s&#xE3;o absolutamente dependentes uns dos outros.</p>
			<p>Os grupos, entendidos como possibilidade da interliga&#xE7;&#xE3;o entre seres singulares entre si por alguma coisa em comum, podem constituir espa&#xE7;os de reconstru&#xE7;&#xE3;o da capacidade relacional das pessoas que ali compartilham alguma experi&#xEA;ncia. O dia-a-dia da vida de cada pessoa produz espec&#xED;ficas experi&#xEA;ncias de singulares maneiras. Embora essas viv&#xEA;ncias sejam &#xFA;nicas para cada indiv&#xED;duo em seu cotidiano, elas podem ser compartilhadas entre diferentes pessoas. As pessoas s&#xE3;o diferentes, as experi&#xEA;ncias s&#xE3;o vividas particularmente, mas o que h&#xE1; em comum &#xE9; o fato de a cotidianidade, ou seja, tudo aquilo que &#xE9; humano &#xE9; vivido e sentido objetivamente e subjetivamente.</p>
			<p>As experi&#xEA;ncias s&#xE3;o processos em muta&#xE7;&#xE3;o, dialeticamente transform&#xE1;veis. Considerando o cotidiano ponto crucial para o desenvolvimento dos processos sociais e ponto alto para a supera&#xE7;&#xE3;o da imediaticidade e supera&#xE7;&#xE3;o da reifica&#xE7;&#xE3;o do real e a transforma&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es de opress&#xE3;o, que subjugam as subjetividades e imp&#xF5;em um ritmo desumano ao cotidiano das pessoas, uma vez que a cotidianidade possa ser processada por reflex&#xF5;es, interpreta&#xE7;&#xF5;es e interven&#xE7;&#xF5;es da dimens&#xE3;o coletiva dos sujeitos singulares. A vida associativa poder&#xE1; ter um percurso significativo para desenvolver uma sociabilidade que rompa com processos de aliena&#xE7;&#xE3;o criados no fetichismo da sociedade capitalista, e de uma nova consci&#xEA;ncia que tenha a for&#xE7;a no coletivo para enfrentar as severas consequ&#xEA;ncias com as quais lidamos e que foram criadas na rela&#xE7;&#xE3;o entre o capital e o trabalho.</p>
			<p>No ensaio que aqui apresentamos, transitamos pelos caminhos que nos levaram aos grupos j&#xE1; constitu&#xED;dos ou aqueles que pretendemos formar. Neste tr&#xE2;nsito, situamos o grupo como espa&#xE7;o de possibilidades para o sujeito reconhecer sua identidade, entender melhor a si mesmo e aos outros, reconstruir sua viv&#xEA;ncia cotidiana atrav&#xE9;s do espa&#xE7;o reflexivo que sugere esta atividade. Partimos de uma concep&#xE7;&#xE3;o da realidade humana caracterizada pela diversidade, situada num mundo de rela&#xE7;&#xF5;es sociais de organiza&#xE7;&#xE3;o capitalista, que tem como consequ&#xEA;ncia a sociedade de classes ou a divis&#xE3;o dos grupos de pessoas em classes sociais distintas de interesses contradit&#xF3;rios e marcadas diferen&#xE7;as de acesso aos bens sociais. A organiza&#xE7;&#xE3;o social mediada pela &#x201C;lei geral da acumula&#xE7;&#xE3;o capitalista&#x201D;, t&#xE3;o bem explicitada por Marx, precisa ser enfrentada em coletivos conscientes e organizados, porque causa segrega&#xE7;&#xF5;es e muitas restri&#xE7;&#xF5;es a grande parcela das popula&#xE7;&#xF5;es.</p>
			<p>Toda busca hist&#xF3;rica por direitos e por pertencimento se fez no sentido da preserva&#xE7;&#xE3;o de dignidade e da diversidade humana e vai poder se materializar num contexto de coletividade e de processo criativo e organizativo. H&#xE1; processos sociais severos de segrega&#xE7;&#xE3;o e aniquilamento das diferen&#xE7;as singulares. Necess&#xE1;rio o enfrentamento pelo reverso deste processo, para a supera&#xE7;&#xE3;o de barreiras hist&#xF3;ricas e fronteiras que separam os seres humanos uns dos outros em fun&#xE7;&#xE3;o da sua pr&#xF3;pria condi&#xE7;&#xE3;o humana, caracterizada pela diversidade em uma realidade de sociedade marcada pela divis&#xE3;o das classes.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Quanto ao conte&#xFA;do referente a mais valia ver MARX, Karl. 
					<bold>O capital</bold>: cr&#xED;tica da economia pol&#xED;tica: livro I. Tradu&#xE7;&#xE3;o Reginaldo Sant&#x2019;Anna. 30. ed. Rio de Janeiro: Civiliza&#xE7;&#xE3;o Brasileira, 2012.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Para maiores conhecimentos sobre o conceito de reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as, consultar: LIPPO, Humberto (Org.). 
					<bold>Sociologia da acessibilidade e reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as</bold>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Para aprofundar o entendimento de pr&#xE1;xis, ver a obra 
					<bold>A ideologia alem&#xE3;</bold>, de Marx, e do mesmo autor, 
					<bold>Manuscritos econ&#xF4;micos e filos&#xF3;ficos</bold>, de 1844. Ver tamb&#xE9;m: V&#xE1;zquez; S&#xE1;nchez. 
					<bold>Filosofia da pr&#xE1;xis</bold>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Sobre o &#x201C;fen&#xF4;meno da resson&#xE2;ncia&#x201D; ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">Zimerman (1993</xref>, p. 94-95).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Para aprofundar o entendimento sobre &#x201C;repeti&#xE7;&#xE3;o neur&#xF3;tica&#x201D;, ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">Zimerman (1993)</xref>. Sobre &#x201C;aliena&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, ver Marx, K. 
					<bold>Manuscritos econ&#xF4;micos e filos&#xF3;ficos</bold>, de 1844, I, II e III Manuscrito.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Sobre a &#x201C;fun&#xE7;&#xE3;o de continente do grupo&#x201D; e sobre a &#x201C;atividade interpretativa&#x201D;, ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">Zimerman (1993)</xref>, cap. XVII e XX.
				</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
			<ref id="B1">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BRIZOLA</surname>
							<given-names>Franc&#xE9;li</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Educa&#xE7;&#xE3;o especial no Rio Grande do Sul</bold>: an&#xE1;lise de um recorte no campo das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado)
					</source>
					<publisher-name>POA: Universidade Federal do RS - Faculdade de Educa&#xE7;&#xE3;o</publisher-name>
					<year>2000</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRIZOLA, Franc&#xE9;li. 
					<bold>Educa&#xE7;&#xE3;o especial no Rio Grande do Sul</bold>: an&#xE1;lise de um recorte no campo das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado). POA: Universidade Federal do RS - Faculdade de Educa&#xE7;&#xE3;o, 2000.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BRUEL</surname>
							<given-names>Ana Lorena de Oliveira</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>A escola no contexto da sociedade capitalista moderna</bold>. In: Pol&#xED;ticas e Legisla&#xE7;&#xE3;o da Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica no Brasil
					</source>
					<publisher-loc>Curitiba</publisher-loc>
					<publisher-name>Ibpex</publisher-name>
					<year>2010</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRUEL, Ana Lorena de Oliveira. 
					<bold>A escola no contexto da sociedade capitalista moderna</bold>. In: Pol&#xED;ticas e Legisla&#xE7;&#xE3;o da Educa&#xE7;&#xE3;o B&#xE1;sica no Brasil. Curitiba: Ibpex, 2010.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOTTOMORE</surname>
							<given-names>Tom</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>OUTHWAITE</surname>
							<given-names>William</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Dicion&#xE1;rio do pensamento social do s&#xE9;culo XX</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Jorge Zahar</publisher-name>
					<year>1996</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BOTTOMORE, Tom; OUTHWAITE, William. 
					<bold>Dicion&#xE1;rio do pensamento social do s&#xE9;culo XX</bold>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996.
				</mixed-citation>
			</ref>
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BURKE</surname>
							<given-names>Juliet Sharman</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>GREENE</surname>
							<given-names>Liz</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>O Tar&#xF4; Mitol&#xF3;gico: uma nova abordagem para leitura do tar&#xF4;</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Editorial Siciliano</publisher-name>
					<year>1988</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BURKE, Juliet Sharman y GREENE, Liz. O Tar&#xF4; Mitol&#xF3;gico: uma nova abordagem para leitura do tar&#xF4;. S&#xE3;o Paulo: Editorial Siciliano, 1988.</mixed-citation>
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>FERN&#xC1;NDEZ</surname>
							<given-names>A. M.</given-names>
						</name>
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					<source>
						<bold>El campo grupal</bold>: notas para uma genealogia
					</source>
					<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
					<publisher-name>Paid&#xF3;s</publisher-name>
					<year>1993</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>FERN&#xC1;NDEZ, A. M. 
					<bold>El campo grupal</bold>: notas para uma genealogia. Buenos Aires: Paid&#xF3;s, 1993.
				</mixed-citation>
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>KOSIK</surname>
							<given-names>Karel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Dial&#xE9;tica do concreto</source>
					<edition>6.ed.</edition>
					<comment>Tradu&#xE7;&#xE3;o C&#xE9;lia Neves e Alderico Tor&#xED;bio</comment>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Paz e Terra</publisher-name>
					<year>1995</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>KOSIK, Karel. 
					<bold>Dial&#xE9;tica do concreto</bold>. 6.ed. Tradu&#xE7;&#xE3;o C&#xE9;lia Neves e Alderico Tor&#xED;bio. S&#xE3;o Paulo: Paz e Terra, 1995.
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							<surname>IAMAMOTO</surname>
							<given-names>Marilda V.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>O servi&#xE7;o social em tempos de capital fetiche</bold>: capital financeiro, trabalho e quest&#xE3;o social
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					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>IAMAMOTO, Marilda V. 
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				<element-citation publication-type="journal">
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							<surname>IAMAMATO</surname>
							<given-names>O. H.</given-names>
						</name>
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					<article-title>&#xC9; o cotidiano uma quest&#xE3;o para o marxismo?</article-title>
					<source>Revista de Servi&#xE7;o Social e Sociedade</source>
					<volume>XVIII</volume>
					<issue>54</issue>
					<month>07</month>
					<year>1997</year>
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					<bold>Revista de Servi&#xE7;o Social e Sociedade</bold>, ano XVIII, n. 54, jul. 1997.
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			<ref id="B9">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>JOVCHELOVITCH</surname>
							<given-names>Sandra</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Re(des) cobrindo o outro: para um entendimento da alteridade na teoria das representa&#xE7;&#xF5;es sociais</chapter-title>
					<source>Representando a alteridade</source>
					<publisher-loc>Petr&#xF3;polis, RJ</publisher-loc>
					<publisher-name>Vozes</publisher-name>
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							<surname>LAPASSADE</surname>
							<given-names>Georges</given-names>
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						<bold>Grupos, organiza&#xE7;&#xF5;es e institui&#xE7;&#xF5;es</bold>. Tradu&#xE7;&#xE3;o Henrique A. de A. Mesquita
					</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>F. Alves</publisher-name>
					<year>1983</year>
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				<mixed-citation>LAPASSADE, Georges. 
					<bold>Grupos, organiza&#xE7;&#xF5;es e institui&#xE7;&#xF5;es</bold>. Tradu&#xE7;&#xE3;o Henrique A. de A. Mesquita. Rio de Janeiro: F. Alves, 1983.
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							<surname>LASKI</surname>
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					<source>O manifesto comunista de Marx e Engels</source>
					<edition>3.ed.</edition>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Zahar</publisher-name>
					<year>1982</year>
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				<mixed-citation>LASKI. Harold J. 
					<bold>O manifesto comunista de Marx e Engels</bold>. 3.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982.
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				<mixed-citation>LEF&#xC8;BVRE, Henri. 
					<bold>Critique de la vie quotidienne</bold>. Paris: L&#x2019;Arche, 1968.
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					<source>Sociologia da acessibilidade e reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as.</source>
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				<mixed-citation>LIPPO, Humberto (Org.). 
					<bold>Sociologia da acessibilidade e reconhecimento pol&#xED;tico das diferen&#xE7;as.</bold> Canoas: Ed. ULBRA, 2012.
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				<mixed-citation>LOWY, Michael. 
					<bold>M&#xE9;todo dial&#xE9;tico e teoria pol&#xED;tica</bold>. 2.ed. Tradu&#xE7;&#xE3;o Reginaldo Di Piero. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
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						<bold>A ideologia alem&#xE3;</bold>. Tradu&#xE7;&#xE3;o Jos&#xE9; Carlos Bruni e Marco A. Nogueira
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					<edition>9.ed.</edition>
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					<comment>Tradu&#xE7;&#xE3;o Oct&#xE1;vio A. Velho</comment>
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						<bold>Grundrisse:</bold> manuscritos econ&#xF4;micos de 1857-1858 esbo&#xE7;os da cr&#xED;tica da economia pol&#xED;tica. Tradu&#xE7;&#xE3;o Mario Duaryer e N&#xE9;lio Schneider
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					<bold>Grundrisse:</bold> manuscritos econ&#xF4;micos de 1857-1858 esbo&#xE7;os da cr&#xED;tica da economia pol&#xED;tica. Tradu&#xE7;&#xE3;o Mario Duaryer e N&#xE9;lio Schneider. S&#xE3;o Paulo: Boitempo, 2011.
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					<bold>O capital</bold>. 4. ed. Tradu&#xE7;&#xE3;o de Ronaldo Alves Schmidt. Rio de Janeiro: Zahar,1975.
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						<bold>O capital</bold>: cr&#xED;tica da economia pol&#xED;tica: livro I. Tradu&#xE7;&#xE3;o Reginaldo Sant&#x2019;Anna
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					<bold>O capital</bold>: cr&#xED;tica da economia pol&#xED;tica: livro I. Tradu&#xE7;&#xE3;o Reginaldo Sant&#x2019;Anna. 30. ed. Rio de Janeiro: Civiliza&#xE7;&#xE3;o Brasileira, 2012.
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				<mixed-citation>NASCIMENTO, Milton. 
					<bold>M&#xFA;sica Maria Maria</bold>. Clube da Esquina. &#xC1;lbum v. 2. Disco do Brasil: gravadora EMI, 1978.
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					<bold>Desenvolvimento de comunidade e participa&#xE7;&#xE3;o</bold>. 4. ed. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 1993.
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				<mixed-citation>THOMPSON, John B. 
					<bold>Ideologia e cultura moderna</bold>: teoria social cr&#xED;tica na era da comunica&#xE7;&#xE3;o de massa. Rio de Janeiro, Vozes, 1995.
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					<bold>Filosofia da pr&#xE1;xis.</bold> Tradu&#xE7;&#xE3;o de Luiz F. Cardoso. 4. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
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				<mixed-citation>WRIGLEY, Owen. 
					<bold>The politics of deafness.</bold> Gallauder University Press, 1996.
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