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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.1.26444</article-id>
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					<subject>Processos Sociais, Forma&#xE7;&#xE3;o e Trabalho</subject>
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				<article-title>A Interdisciplinaridade e o Servi&#xE7;o Social: estudo das rela&#xE7;&#xF5;es entre profiss&#xF5;es</article-title>
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					<trans-title>Interdisciplinarity and Social Work: study of relations between professions</trans-title>
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					<email>edianemj@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Assistente Social. Mestre em Servi&#xE7;o Social pelo Programa de Mestrado em Servi&#xE7;o Social pela Universidade Federal do Par&#xE1; (UFPA), Bel&#xE9;m - PA/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/3709468617811436. E-mail: edianemj@gmail.com.</institution>
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					<email>rpontes@ufpa.br</email>
					<institution content-type="original">Doutor em Sociologia pela Universidade Complutense de Madri - Espanha. Professor adjunto da Universidade Federal do Par&#xE1; (UFPA), Bel&#xE9;m - PA/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/8577276734482884. E-mail: rpontes@ufpa.br.</institution>
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				<season>Jan-Jul</season>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente artigo trata das rela&#xE7;&#xF5;es profissionais entre Assistente Social, Pedagogo e Psic&#xF3;logo e estuda como se d&#xE1; o di&#xE1;logo entre esses sujeitos profissionais, no processo de interven&#xE7;&#xE3;o da realidade comum no Centro de Refer&#xEA;ncia Especializado da Assist&#xEA;ncia Social-CREAS em Bel&#xE9;m. Analisam-se se nesse espa&#xE7;o de trabalho as rela&#xE7;&#xF5;es entre os profissionais alcan&#xE7;am ou n&#xE3;o o n&#xED;vel da interdisciplinaridade. A metodologia utilizada baseia-se em pesquisa qualitativa fundamentada no m&#xE9;todo dial&#xE9;tico-cr&#xED;tico. Encontram-se aproxima&#xE7;&#xF5;es de pr&#xE1;ticas interdisciplinares, mostrando ser poss&#xED;vel adotar a perspectiva de interdisciplinaridade quando se constroem condi&#xE7;&#xF5;es objetivas para seu exerc&#xED;cio.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article deals with the professional relations between Social Worker, Pedagogue and Psychologist and studies how the dialogue between these professional subjects takes place in the process of intervention in the common reality in the Specialized Reference Center for Social Assistance - CREAS in Bel&#xE9;m. Estudy if this relations between professionals reach or not the level of interdisciplinarity. The methodology used is based on qualitative research grounded on the dialectical-critical method. We find approximations of interdisciplinary practices showing that it is possible to adopt the perspective of interdisciplinarity when constructing objective conditions for its exercise.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Interdisciplinaridade</kwd>
				<kwd>Servi&#xE7;o Social</kwd>
				<kwd>Assist&#xEA;ncia Social</kwd>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Interdisciplinarity</kwd>
				<kwd>Social Work</kwd>
				<kwd>Social assistance</kwd>
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	<body>
		<p>Este artigo &#xE9; resultado de uma Disserta&#xE7;&#xE3;o de Mestrado que trata de analisar e compreender a rela&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social como profiss&#xE3;o mediatizada pela interven&#xE7;&#xE3;o profissional do assistente social, durante a atua&#xE7;&#xE3;o conjunta com outros profissionais da &#xE1;rea social, em uma perspectiva de interdisciplinaridade no espa&#xE7;o de trabalho do Centro de Refer&#xEA;ncia Especializado da Assist&#xEA;ncia Social-CREAS, em Bel&#xE9;m-Par&#xE1;/Brasil, sendo este um espa&#xE7;o de Pol&#xED;tica P&#xFA;blica do Estado, que, para sua operacionaliza&#xE7;&#xE3;o, requer conhecimentos e a&#xE7;&#xF5;es profissionais em face de obriga&#xE7;&#xF5;es &#xE9;tico-pol&#xED;ticas, considerando o campo das forma&#xE7;&#xF5;es profissionais dos conhecimentos disciplinares.</p>
		<p>Diferentes disciplinas em intera&#xE7;&#xE3;o em um espa&#xE7;o de trabalho podem trocar experi&#xEA;ncias atrav&#xE9;s de um encontro e tecer di&#xE1;logos que possam proporcionar diferentes formas de enxergar e abordar uma realidade de trabalho. Consideramos, ent&#xE3;o, a Interdisciplinaridade como um conceito de an&#xE1;lise porque trata de como o assistente social utiliza ou incorpora esse conhecimento &#xE0; sua pr&#xE1;tica profissional, e como acontece a rela&#xE7;&#xE3;o e encontro com outros sujeitos profissionais. A proposta deste texto &#xE9; apresentar como os profissionais do Servi&#xE7;o Social, da Psicologia e da Pedagogia, em interven&#xE7;&#xE3;o conjunta no CREAS de Bel&#xE9;m-Par&#xE1;, vem experenciando a interven&#xE7;&#xE3;o interdisciplinar e como s&#xE3;o superadas as dificuldades e contradi&#xE7;&#xF5;es das abordagens espec&#xED;ficas dos conhecimentos disciplinares pelos profissionais de diferentes &#xE1;reas.</p>
		<p>Considerando, assim, que o conhecimento dessas profiss&#xF5;es est&#xE1; ligado a uma a&#xE7;&#xE3;o sobre a realidade, este trabalho prop&#xF5;e discutir as diferentes a&#xE7;&#xF5;es que podem surgir em um espa&#xE7;o f&#xED;sico, social e institucional com sujeitos diferenciados agindo sobre determinada realidade. A dire&#xE7;&#xE3;o desse trabalho profissional pode pressupor consenso entre os diferentes sujeitos, todavia, no terreno das Ci&#xEA;ncias Sociais, torna-se complexo analisar estes trabalhos profissionais, t&#xE3;o distintas em suas formas de conhecer e intervir sobre a realidade.</p>
		<p>Portanto, a reuni&#xE3;o de profissionais especializados para intervir na realidade revela uma necessidade de pensar e executar a&#xE7;&#xF5;es coletivas, e, assim, na dimens&#xE3;o da pr&#xE1;tica profissional, este encontro entre conhecimentos profissionais &#xE9; colocado para investiga&#xE7;&#xE3;o, pois pressupondo que o mesmo exige uma abertura e atitude na dire&#xE7;&#xE3;o do di&#xE1;logo, do inter, do fazer-com-o-outro, &#xE9; este encontro ou rela&#xE7;&#xE3;o que nos faz indagar sobre as interven&#xE7;&#xF5;es na realidade social e sobre esse conhecimento da interdisciplinaridade aplicado a um espa&#xE7;o p&#xFA;blico.</p>
		<p>Desta maneira, a presente reflex&#xE3;o apresenta-se organizada em tr&#xEA;s partes: uma que traz alguns fundamentos te&#xF3;ricos e referenciais acerca dos conceitos de multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade relacionados e transversalizados como produ&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos no campo das Ci&#xEA;ncias Sociais; uma segunda que apresenta alguns dados resultantes da pesquisa de campo que originou este artigo, e que mostram os diferentes profissionais em intera&#xE7;&#xE3;o e di&#xE1;logo, trazendo uma an&#xE1;lise sobre a exist&#xEA;ncia de um espa&#xE7;o de trabalho com a perspectiva da Interdisciplinaridade. Encerramos as reflex&#xF5;es com algumas considera&#xE7;&#xF5;es finais sobre a possibilidade de trabalho na perspectiva de Interdisciplinaridade pelos profissionais, para atender as demandas da Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social.</p>
		<sec>
			<title>A interdisciplinaridade nas ci&#xEA;ncias sociais</title>
			<p>Pensar a Interdisciplinaridade em um espa&#xE7;o p&#xFA;blico municipal de uma Pol&#xED;tica Social, em um contexto de correla&#xE7;&#xF5;es de for&#xE7;as entre classes e contradi&#xE7;&#xF5;es sociais na sociedade capitalista, nos permitir&#xE1; explorar um campo te&#xF3;rico da rela&#xE7;&#xE3;o entre sociedade e conhecimento. Assim, apresentaremos uma breve hist&#xF3;ria da origem dos debates sobre a Interdisciplinaridade e as discuss&#xF5;es sobre a fragmenta&#xE7;&#xE3;o das Ci&#xEA;ncias.</p>
			<p>A Interdisciplinaridade como debate filos&#xF3;fico-cient&#xED;fico surge num per&#xED;odo de crise de paradigmas das Ci&#xEA;ncias (
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">SANTOS, 1988</xref>), um per&#xED;odo de cr&#xED;ticas &#xE0; Ci&#xEA;ncia Moderna. Portanto, temos que considerar o movimento e a evolu&#xE7;&#xE3;o na hist&#xF3;ria do desenvolvimento do conhecimento humano sobre a natureza, e que &#x201C;toda ci&#xEA;ncia da sociedade n&#xE3;o &#xE9; sen&#xE3;o elemento de uma vis&#xE3;o de conjunto, uma filosofia, uma concep&#xE7;&#xE3;o do mundo, portanto, n&#xE3;o &#xE9; uma descri&#xE7;&#xE3;o puramente objetiva, factual da realidade&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">LOWY, 2010</xref>, p. 31).
			</p>
			<p>Assim, pensar a Ci&#xEA;ncia exige analis&#xE1;-la em seu processo hist&#xF3;rico, o desenvolvimento de sua legalidade e sua hegemonia sobre o conhecimento e sobre a sociedade, espec&#xED;ficamente o movimento hist&#xF3;rico do s&#xE9;culo XIX, no qual se deu o crescimento das Ci&#xEA;ncias junto com o avan&#xE7;o do capitalismo, para identificar o crescimento das disciplinas profissionais e discorrer sobre a Interdisciplinaridade.</p>
			<p>Iniciamos pelos gregos, com as suas ideias sobre o Cosmos, ou seja, uma ordem estabelecida, um princ&#xED;pio ordenador e regulador das coisas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">CHAU&#xCD;, 2002</xref>, p. 504); criaram a 
				<italic>enk&#xFA;klios paid&#xE9;a</italic> (do latim, 
				<italic>orbis doctrinai</italic>), um tipo de ensino geral sobre gram&#xE1;tica, dial&#xE9;tica, ret&#xF3;rica, aritm&#xE9;tica, geometria, m&#xFA;sica, astronomia, segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">Japiassu (1976)</xref>, um tipo de ensino total sobre cultura geral:
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] O saber s&#xF3; podia exercer-se no &#xE2;mbito da totalidade. O conhecimento do particular s&#xF3; tinha sentido na medida em que remetia ao todo. A esse esquema epistemol&#xF3;gico global corresponde uma 
					<italic>pedagogia unit&#xE1;ria.</italic> Os mestres gregos, particularmente os sofistas, foram os criadores da &#x201C;cultura geral&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B12">JAPIASSU, 1976</xref>, p. 46-47).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A cultura geral da educa&#xE7;&#xE3;o grega, pelos sofistas, era um saber de totalidade, um tipo de conhecimento universal, uma pedagogia democr&#xE1;tica, sendo os sofistas considerados os primeiros professores que recebiam pagamentos pelo ensino no campo da educa&#xE7;&#xE3;o. Esse uno foi fragmentado, tornou-se m&#xFA;ltiplo. Her&#xE1;clito dizia que &#x201C;tudo &#xE9; um&#x201D;, acreditava que a multiplicidade era uno e o uno tamb&#xE9;m era m&#xFA;ltiplo; esse pensamento, base de alguns dos ensinamentos dos sofistas, diziam da totalidade do saber, que considerava que a unidade dava origem &#xE0; multiplicidade das coisas e esse saber uno e m&#xFA;ltiplo passaria a ser visto, posteriormente, pela multiplicidade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">CHAU&#xCD;, 2002</xref>).
			</p>
			<p>O s&#xE9;culo XVI trouxe a revolu&#xE7;&#xE3;o cient&#xED;fica de Cop&#xE9;rnico, Galileu e Newton e as Ci&#xEA;ncias Naturais. O s&#xE9;culo XIX trouxe a emerg&#xEA;ncia das Ci&#xEA;ncias Sociais - e tamb&#xE9;m institucionalizou uma variedade de disciplinas do conhecimento considerado cient&#xED;fico. Dessa forma, na transi&#xE7;&#xE3;o do feudalismo ao capitalismo, aparecem as possibilidades das especifica&#xE7;&#xF5;es da Ci&#xEA;ncia (
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">JANTSCH; BIANCHETTI, 1995</xref>). Institucionalizava-se a Ci&#xEA;ncia Moderna, trazendo novas vis&#xF5;es de mundo e mudan&#xE7;as de paradigmas. E com ela a multiplica&#xE7;&#xE3;o de disciplinas e especializa&#xE7;&#xF5;es sobre o conhecimento das distintas realidades e a&#xE7;&#xF5;es correspondentes.
			</p>
			<p>Todavia, &#xE9; v&#xE1;lido refletir que essa fragmenta&#xE7;&#xE3;o teve um processo hist&#xF3;rico que evoluiu de acordo com a evolu&#xE7;&#xE3;o da sociedade capitalista. Antes, a realidade que era considerada um todo racional, passou a ser esfacelada em pequenos fragmentos do conhecimento do real, limitando o papel da raz&#xE3;o humana e da sua pr&#xE1;xis com o surgimento das rela&#xE7;&#xF5;es capitalistas. O conhecimento do todo, considerado verdadeiro, foi limitado em ci&#xEA;ncias particulares. Dessa maneira, consideramos que a r&#xE1;pida evolu&#xE7;&#xE3;o do processo de especializa&#xE7;&#xF5;es da Ci&#xEA;ncia tamb&#xE9;m mascarou a compreens&#xE3;o das contradi&#xE7;&#xF5;es que surgiam com a positividade da sociedade capitalista (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">COUTINHO, 2010</xref>).
			</p>
			<p>Na pesquisa acad&#xEA;mica, a Interdisciplinaridade vai apresentar-se como uma necessidade de se opor a um tipo &#x201C;tradicional do saber&#x201D;, que compartimentaliza os conhecimentos cient&#xED;ficos fazendo com que a mesma se afirme como uma &#x201C;reflex&#xE3;o epistemol&#xF3;gica sobre a divis&#xE3;o do saber em disciplinas, para extrair suas rela&#xE7;&#xF5;es de interdepend&#xEA;ncias e de conex&#xF5;es rec&#xED;procas&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">JAPIASSU, 1976</xref>, p. 54). Assim, a Interdisciplinaridade se apresentaria como uma necessidade de trocas entre as especificidades e como uma integra&#xE7;&#xE3;o entre disciplinas.
			</p>
			<p>Propomos trabalhar alguns conceitos do que se compreende por Interdisciplinaridade e a sua rela&#xE7;&#xE3;o com a Multidisciplinaridade ou Pluridisciplinaridade e Transdisciplinaridade. Alguns conceitos ligados &#xE0; filosofia do sujeito e ao campo da p&#xF3;s-modernidade
				<xref ref-type="fn" rid="fn1">
					<sup>1</sup>
				</xref> consideram a Interdisciplinaridade como uma ponte entre as fronteiras das disciplinas, pontes que proporcionam intera&#xE7;&#xF5;es, incorporam conhecimentos de outras disciplinas absorvendo outros instrumentos e m&#xE9;todos, que levam os conhecimentos espec&#xED;ficos a integrar-se e convergir, resultando na Interdisciplinaridade.
			</p>
			<p>Nosso enfoque sobre Interdisciplinaridade ser&#xE1; de que a mesma precisa ser pensada a partir de uma totalidade hist&#xF3;rica (cr&#xED;tica hist&#xF3;rico-dial&#xE9;tica), onde s&#xE3;o necess&#xE1;rias condi&#xE7;&#xF5;es objetivas, sociais e hist&#xF3;ricas para o seu desenvolvimento. N&#xE3;o h&#xE1; como determinar uma forma do interdisciplinar, visto que ela se desenvolve em particularidades da hist&#xF3;ria social, na materialidade, n&#xE3;o &#xE9; conhecimento absoluto, mas princ&#xED;pio norteador a uma realidade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">JANTSCH; BIANCHETTI, 1995</xref>).
			</p>
			<p>N&#xE3;o h&#xE1; como determinar uma forma do interdisciplinar, visto que ela se desenvolve em particularidades da hist&#xF3;ria social, na materialidade, n&#xE3;o &#xE9; conhecimento absoluto, mas princ&#xED;pio norteador a uma realidade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">JANTSCH; BIANCHETTI, 1995</xref>).
			</p>
			<p>Portanto, s&#xE3;o v&#xE1;rias as an&#xE1;lises sobre o conceito de Interdisciplinaridade; estud&#xE1;-la exige trabalhar algumas outras concep&#xE7;&#xF5;es importantes, exige discorrer sobre algumas formas de apreens&#xE3;o de outras perspectivas vinculadas a ela, como a Multidisciplinaridade ou Pluridisciplinaridade e a Transdisciplinaridade. O exame de tais concep&#xE7;&#xF5;es ser&#xE1; necess&#xE1;rio para chegar ao que seria uma introdut&#xF3;ria aproxima&#xE7;&#xE3;o sobre a Interdisciplinaridade.</p>
			<p>&#xC9; importante registrar que a concep&#xE7;&#xE3;o de Interdisciplinaridade &#xE9; produzida no seio de um movimento hist&#xF3;rico de crise de paradigmas das ci&#xEA;ncias sociais que: criticava as excessivas especializa&#xE7;&#xF5;es da produ&#xE7;&#xE3;o do conhecimento; procurava responder a uma exig&#xEA;ncia do mundo da produ&#xE7;&#xE3;o que buscava fazer avan&#xE7;ar as ind&#xFA;strias, unindo profissionais e cientistas de diferentes especialidades no objetivo comum do aumento da produ&#xE7;&#xE3;o e eleva&#xE7;&#xE3;o da efici&#xEA;ncia, do lucro e, por suposto, aumento da mais valia relativa (
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">JANTSCH; BIANCHETTI, 1995</xref>); e que, a partir da d&#xE9;cada de 1970, a crise impulsionou novas reflex&#xF5;es te&#xF3;ricas de interpreta&#xE7;&#xE3;o do real, a exemplo do que chamou-se de &#x201C;crise do marxismo&#x201D; e a fal&#xEA;ncia do &#x201C;socialismo real&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">NETTO, 1991</xref>).
			</p>
			<p>Refletimos, assim, que discutir a Interdisciplinaridade passa por diferentes vis&#xF5;es sociais de mundo, ideologias que respondem a interesses de classes e determinadas realidades sociais. Incluindo-se a reflex&#xE3;o de que a Interdisciplinaridade, tamb&#xE9;m, relaciona-se a um processo de divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho que possui poder ideol&#xF3;gico.</p>
			<p>Primeiro, podemos dizer &#x201C;eu n&#xE3;o sei como se faz interdisciplinaridade&#x201D;. Queremos apenas &#x201C;desenvolver perante v&#xF3;s um esfor&#xE7;o explicativo capaz de permitir compreender alguma coisa daquilo que se pensa sobre a interdisciplinaridade&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">POMBO, 2004</xref>, p.1). Uma tarefa que ainda &#xE9; inacabada no campo da epistemolog&#xED;a, ensino e pesquisa; conclu&#xED;mos que no campo da a&#xE7;&#xE3;o e pr&#xE1;tica profissional constitui um desafio constante.
			</p>
			<p>Existe uma grande dificuldade de estabilidade sobre a defini&#xE7;&#xE3;o e conceito da Interdisciplinaridade, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Pombo (2008)</xref>, ao investigar sobre a epistemologia da interdisciplinaridade, discorre sobre o que chama de fen&#xF4;meno do emprego da palavra e seu uso em variados contextos,
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] um 
					<italic>contexto epistemol&#xF3;gico,</italic> relativo &#xE0;s pr&#xE1;ticas de transfer&#xEA;ncia de conhecimentos entre disciplinas e seus pares. [&#x2026;] 
					<italic>Contexto pedag&#xF3;gico,</italic> ligado &#xE0;s quest&#xF5;es do ensino, &#xE0;s pr&#xE1;ticas escolares, &#xE0;s transfer&#xEA;ncias de conhecimentos entre professores e alunos que tem lugar no interior dos curr&#xED;culos escolares, dos m&#xE9;todos de trabalho, [&#x2026;] um 
					<italic>contexto medi&#xE1;tico.</italic> A palavra interdisciplinaridade &#xE9; constantemente resgatada pelos novos meios de comunica&#xE7;&#xE3;o que fazem dela uma utiliza&#xE7;&#xE3;o selvagem, abusiva, caricatural (
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">POMBO, 2008</xref>, p. 10-11) (grifos do autor).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A grande dificuldade apresenta-se no uso abusivo da categoria como palavra que traduz algum tipo de rela&#xE7;&#xE3;o mais pr&#xF3;xima; e a equivocada interpreta&#xE7;&#xE3;o emp&#xED;rica de que basta um grupo de diferentes profissionais para se formar um trabalho interdisciplinar, ou de que basta formar um grupo de pesquisa com diferentes &#xE1;reas do conhecimento para se fazer interdisciplinaridade, levando-nos a uma n&#xE3;o compreens&#xE3;o do que seja, exatamente, essa Interdisciplinaridade, a qual pode tamb&#xE9;m ser entendida como &#x201C;uma tend&#xEA;ncia &#xE0; horizontaliza&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es de poder entre os campos implicados&#x201D; e que exige &#x201C;a identifica&#xE7;&#xE3;o de uma problem&#xE1;tica comum, com levantamento de uma axiom&#xE1;tica te&#xF3;rica ou pol&#xED;tica b&#xE1;sica e de uma plataforma de trabalho conjunto&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">VASCONCELOS, 2002</xref>, p. 47).
			</p>
			<p>Assim, refletida no campo da pr&#xE1;tica, significa dizer que pr&#xE1;ticas interdisciplinares sugerem uma democratiza&#xE7;&#xE3;o do conhecimento, que cria novos campos te&#xF3;ricos e at&#xE9; mesmo novas disciplinas como a psicopedagogia, por exemplo.</p>
			<p>Temos ainda outra an&#xE1;lise permeada de contradi&#xE7;&#xF5;es, a perspectiva de Interdisciplinaridade est&#xE1; associada, entrela&#xE7;ada a outras tr&#xEA;s perspectivas: a 
				<italic>multidisciplinaridade</italic> ou 
				<italic>pluridisciplinaridade</italic> e a 
				<italic>transdisciplinaridade.</italic> Torna-se improv&#xE1;vel tecer concep&#xE7;&#xF5;es ou limites &#xE0;s suas interpreta&#xE7;&#xF5;es, para tentar explicit&#xE1;-las apresentamos a proposta de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Pombo (2008)</xref> a partir da an&#xE1;lise da etimologia dos prefixos multi ou pluri, inter e trans; assim, temos em sua proposta terminol&#xF3;gica princ&#xED;pios que apresentam-se como um paralelismo entre as v&#xE1;rias disciplinas, uma justaposi&#xE7;&#xE3;o que as colocam lado a lado; para, ent&#xE3;o, seguir evoluindo para uma comunica&#xE7;&#xE3;o maior entre as disciplinas, nas quais elas se confrontam, discutem, aproximam seus conhecimentos disciplinares por meio de uma intera&#xE7;&#xE3;o m&#xFA;tua; e por fim chegar a uma ultrapassagem de barreiras que ir&#xE1; fundir as disciplinas em algo que transcende a todas, uma fus&#xE3;o.
			</p>
			<p>Seria, portanto, uma proposta de definir as tr&#xEA;s palavras num continuum de desenvolvimento, sendo que a interdisciplinaridade seria o interm&#xE9;dio, o intercalar dessa evolu&#xE7;&#xE3;o do conhecimento - &#x201C;o lugar onde se pensa hoje a condi&#xE7;&#xE3;o fragmentada das ci&#xEA;ncias e onde, simultaneamente, se exprime a nossa nostalgia de um saber unificado&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">POMBO, 2004</xref>, p. 15).
			</p>
			<p>Vejamos outra an&#xE1;lise sobre os conceitos de Multidisciplinaridade ou Pluridisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade. Utilizando outra concep&#xE7;&#xE3;o de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">Vasconcelos (2002)</xref>, temos a multidisciplinaridade como uma multiprofissinalidade onde profissionais de diferentes disciplinas atuam separadamente; temos a interdisciplinaridade como horizontaliza&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es entre as disciplinas; e a transdisciplnaridade como a cria&#xE7;&#xE3;o de um novo campo te&#xF3;rico de disciplinas mais amplas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">VASCONCELOS, 2002</xref>).
			</p>
			<p>Sobre a 
				<italic>multidisciplinaridade/pluridisciplinaridade,</italic> temos que as concep&#xE7;&#xF5;es nos parecem as mesmas, n&#xE3;o h&#xE1; avan&#xE7;o de fronteiras disciplinares, cada disciplina permanece isolada, sem coopera&#xE7;&#xE3;o e troca de informa&#xE7;&#xF5;es profundas. S&#xE3;o intera&#xE7;&#xF5;es superficiais para o desenvolvimento de um objetivo ou finalidade.
			</p>
			<p>Abrimos um par&#xEA;ntese para discorrer sobre a 
				<italic>transdisciplinaridade</italic>, considerando a &#x201C;Carta da Transdisciplinaridade&#x201D;
				<xref ref-type="fn" rid="fn2">
					<sup>2</sup>
				</xref> com uma perspectiva - que para alguns significa a evolu&#xE7;&#xE3;o da multidisciplinaridade/pluridisciplinaridade e interdisciplinaridade - que nasce no campo da p&#xF3;s-modernidade e prop&#xF5;e novos valores &#xE0; humanidade.
			</p>
			<p>No que se refere &#xE0; Interdisciplinaridade, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Fazenda (1996)</xref> apresenta algumas caracter&#xED;sticas como a intensidade das trocas entre os especialistas pelo grau de integra&#xE7;&#xE3;o real das disciplinas, o que nos faz refletir sobre a import&#xE2;ncia dos sujeitos na intensidade dessa troca e integra&#xE7;&#xE3;o das disciplinas. Os sujeitos adquirem protagonismo na constru&#xE7;&#xE3;o da Interdisciplinaridade - &#xE9; o estar em disponibilidade e aberto &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o de algo novo.
			</p>
			<p>Dessa forma, ser sujeito protagonista requer incorporar o conhecimento de Interdisciplinaridade a uma pr&#xE1;xis profissional, e isso nos levar&#xE1; a uma breve reflex&#xE3;o sobre Pr&#xE1;xis3. &#x201C;Referimo-nos, portanto, &#xE0; atividade pr&#xE1;tica social, transformadora, que responde a necessidades pr&#xE1;ticas e implica certo grau de conhecimento da realidade que transforma e das necessidades que satisfaz&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">V&#xC1;ZQUEZ, 2011</xref>, p. 260). Desta maneira, nossa reflex&#xE3;o &#xE9; sobre um tipo de pr&#xE1;xis pol&#xED;tica em que o homem &#xE9; sujeito e objeto de sua pr&#xE1;xis, atuando sobre si mesmo e transformando-se como ser social, &#x201C;por isso destinado a mudar suas rela&#xE7;&#xF5;es econ&#xF4;micas, pol&#xED;ticas e sociais&#x201D;; e sendo transformadora, age sobre a plena emancipa&#xE7;&#xE3;o humana por meio de uma participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica na sociedade. Uma pr&#xE1;tica emancipat&#xF3;ria de um homem consciente de si que &#x201C;humaniza os objetos e humaniza a si mesmo&#x201D; libertando-se de opress&#xF5;es (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">V&#xC1;ZQUEZ, 2011</xref>, p. 232-234).
			</p>
			<p>Refletida a pr&#xE1;xis como emancipa&#xE7;&#xE3;o humana, temos um exerc&#xED;cio profissional que por meio da Interdisciplinaridade aproxima diferentes conhecimentos disciplinares separados pelas especializa&#xE7;&#xF5;es das ci&#xEA;ncias. Implica dizer, ent&#xE3;o, que h&#xE1; uma intencionalidade e uma finalidade &#xE0;s pr&#xE1;ticas interdisciplinares, e isso nos leva ao campo da &#xC9;tica; e acrescentando a reflex&#xE3;o de uma finalidade &#xE9;tica e pol&#xED;tica para a Interdisciplinaridade por meio da pr&#xE1;xis profissional caminhamos por uma concep&#xE7;&#xE3;o de que:</p>
			<disp-quote>
				<p>Projetar a&#xE7;&#xF5;es, orientando-as para a objetiva&#xE7;&#xE3;o de valores e finalidades, &#xE9; parte da pr&#xE1;xis. Afirmar que essa proje&#xE7;&#xE3;o &#xE9; &#xE9;tica e pol&#xED;tica significa considerar que a teleolog&#xED;a implica valores e que sua objetiva&#xE7;&#xE3;o sup&#xF5;e a pol&#xED;tica como espa&#xE7;o de luta entre projetos diferentes (
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">BARROCO, 2007</xref>, p. 65).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Significa que a finalidade da &#x201C;pr&#xE1;xis&#x201D; dever&#xE1; ser o car&#xE1;ter coletivo que atenda necessidades sociais com &#x201C;desdobramentos &#xE9;ticos e pol&#xED;ticos&#x201D; para o coletivo, ou seja, Interdisciplinaridade, consenso e coes&#xE3;o s&#xE3;o necess&#xE1;rios para unir profissionais em torno de valores e finalidades comuns no atendimento de necessidades humanas e sociais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">BARROCO, 2007</xref>).
			</p>
			<p>Assim, aproxima&#xE7;&#xE3;o e intera&#xE7;&#xE3;o entre profiss&#xF5;es ou disciplinas cient&#xED;ficas visam alcan&#xE7;ar e atender as demandas de necessidades humanas geradas pelas express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, fundadas nas desigualdades e divis&#xE3;o de classes sociais em disputa no modo de produ&#xE7;&#xE3;o capitalista.</p>
			<p>Portanto, ao atender demandas sociais de um espa&#xE7;o de trabalho, os profissionais atendem necessidades de indiv&#xED;duos, fam&#xED;lias e comunidades, esse atendimento tem a finalidade de satisfazer uma necessidade humana, em se tratando do espa&#xE7;o de trabalho de uma Pol&#xED;tica P&#xFA;blica de Assist&#xEA;ncia Social.</p>
			<p>Esse atendimento &#xE9; referenciado por concep&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gicas e ideol&#xF3;gicas que podem levar ou n&#xE3;o &#xE0; ess&#xEA;ncia da realidade que se apresenta como demanda aos profissionais. Assim, caminhamos para uma reflex&#xE3;o de que o exerc&#xED;cio da Interdisciplinaridade requer uma converg&#xEA;ncia comum na dire&#xE7;&#xE3;o de um homem, uma mulher e uma sociedade emancipados, com plenos direitos em todas as esferas da vida humana, seja sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o, alimenta&#xE7;&#xE3;o, assist&#xEA;ncia social, etc.</p>
			<p>Consideramos, ent&#xE3;o, que as profiss&#xF5;es em pr&#xE1;ticas interdisciplinares adquirem uma finalidade &#xE9;tico-pol&#xED;tica, &#xE9; a 
				<italic>emancipa&#xE7;&#xE3;o humana</italic> como uma finalidade da Interdisciplinaridade. Significa dizer que disciplinas cient&#xED;ficas exercem papel ou protagonismo fundamental na &#x201C;constru&#xE7;&#xE3;o de uma concep&#xE7;&#xE3;o do mundo&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">COUTINHO, 2010</xref>, p. 96) que leva a uma pr&#xE1;xis pol&#xED;tica.
			</p>
			<p>Implica dizer que inferimos uma Interdisciplinaridade como possibilidade de pr&#xE1;tica social que pode responder as demandas pr&#xE1;ticas do trabalho, por meio de uma perspectiva de totalidade que se move num meio e ambiente contradit&#xF3;rio, complexo e hist&#xF3;rico, como o CREAS.</p>
			<p>A rela&#xE7;&#xE3;o entre diferentes profiss&#xF5;es requer uma pr&#xE1;tica que possibilita o exerc&#xED;cio de Interdisciplinaridade no espa&#xE7;o de trabalho e que proporcione aos seus sujeitos profissionais apreenderem que s&#xE3;o sujeitos trabalhadores, que exercem suas profiss&#xF5;es numa divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho numa sociedade de rela&#xE7;&#xF5;es capitalistas, e que ao se apropriarem da perspectiva de Interdisciplinaridade na sua pr&#xE1;xis profissional buscam uma forma de emancipa&#xE7;&#xE3;o para as necessidades de outros sujeitos, p&#xFA;blico de seu exerc&#xED;cio de trabalho.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Olhares plurais da interdisciplinaridade: an&#xE1;lise dos dados da pesquisa</title>
			<p>A Assist&#xEA;ncia Social p&#xFA;blica em &#xE2;mbito nacional foi se constituindo, no Brasil, como um instrumento do Estado de enfrentamento &#xE0;s express&#xF5;es da quest&#xE3;o social brasileira. Instituindo-se com uma apar&#xEA;ncia de a&#xE7;&#xF5;es compensat&#xF3;rias da pobreza e das desigualdades sociais, &#x201C;cria organismos respons&#xE1;veis pela presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os destinados aos trabalhadores identificados como pobres, carentes, desamparados&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B22">SPOSATI, 1998</xref>, p. 28).
			</p>
			<p>Assim, no ano de 2004, a Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social-PNAS vai organizar a assist&#xEA;ncia social na dire&#xE7;&#xE3;o da implementa&#xE7;&#xE3;o do Sistema &#xDA;nico da Assist&#xEA;ncia Social-SUAS, um sistema descentralizado e participativo inserido no Minist&#xE9;rio do Desenvolvimento Social e Combate &#xE0; Fome-MDS (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">PNAS, 2004</xref>) para todo o territ&#xF3;rio nacional. Institu&#xED;do o SUAS, a sua l&#xF3;gica de gest&#xE3;o governamental visa garantir seguran&#xE7;as de sobreviv&#xEA;ncia, acolhida e conviv&#xEA;ncia familiar; ele passa a regular e organizar as a&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais. Cria-se a Prote&#xE7;&#xE3;o Social Especial-PSE de M&#xE9;dia Complexidade que desenvolve um trabalho espec&#xED;fico, onde sua prote&#xE7;&#xE3;o &#xE9; dirigida &#xE0;s fam&#xED;lias e indiv&#xED;duos em situa&#xE7;&#xE3;o de direitos violados - relacionados &#xE0; viv&#xEA;ncia de viol&#xEA;ncia. Os servi&#xE7;os dessa prote&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o executados pelo Centro de Refer&#xEA;ncia Especializado da Assist&#xEA;ncia Social-CREAS, que &#xE9; uma unidade p&#xFA;blica de abrang&#xEA;ncia municipal ou regional onde s&#xE3;o oferecidos os servi&#xE7;os especializados, ou melhor, o CREAS &#xE9; a oferta p&#xFA;blica dos servi&#xE7;os de m&#xE9;dia complexidade.
			</p>
			<p>Esta prote&#xE7;&#xE3;o desenvolve servi&#xE7;os normatizados como especializados, e, conforme a Tipifica&#xE7;&#xE3;o Nacional de Servi&#xE7;os Socioassistenciais, na Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 109 do CNAS de 2009, s&#xE3;o ofertados: Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o e Atendimento Especializado a Fam&#xED;lias e Indiv&#xED;duos (PAEFI); Servi&#xE7;o Especializado em Abordagem Social; Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o Social a Adolescentes em Cumprimento de Medida Socioeducativa de Liberdade Assistida (LA), e de Presta&#xE7;&#xE3;o de Servi&#xE7;os &#xE0; Comunidade (PSC); Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o Social Especial para Pessoas com Defici&#xEA;ncia, Idosas e suas Fam&#xED;lias; e Servi&#xE7;o Especializado para Pessoas em Situa&#xE7;&#xE3;o de Rua.</p>
			<p>No caso dos CREAS pesquisados, CREAS Marco e CREAS Com&#xE9;rcio, os mesmos possuem abrang&#xEA;ncia municipal de Bel&#xE9;m e oferecem todos os servi&#xE7;os que configuram a Prote&#xE7;&#xE3;o Social Especial de M&#xE9;dia Complexidade. Segundo a Norma Operacional B&#xE1;sica de Recursos Humanos do SUAS NOB-RH/SUAS, os munic&#xED;pios em gest&#xE3;o considerada plena, que oferecem todos os servi&#xE7;os, devem ter capacidade de atendimento de 80 pessoas. Bel&#xE9;m, de acordo com seu porte por n&#xFA;mero de habitantes, grande porte e metr&#xF3;pole, deveria ter a cada 200.000 habitantes 01 CREAS (
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2011</xref>). A estimativa seria de 07 CREAS para Bel&#xE9;m, por&#xE9;m, hoje s&#xF3; existem 05 CREAS.
			</p>
			<p>Quanto aos recursos humanos, a equipe de refer&#xEA;ncia para munic&#xED;pios de grande porte, o caso de Bel&#xE9;m, deve ser: 01 coordenador, 02 assistentes sociais, 02 psic&#xF3;logos, 01 advogado, 04 profissionais de n&#xED;vel superior ou m&#xE9;dio e 02 auxiliares administrativos.</p>
			<p>Segundo a Resolu&#xE7;&#xE3;o CNAS n&#xBA; 17/2011, os profissionais reconhecidos normativamente para compor a equipe de refer&#xEA;ncia do CREAS s&#xE3;o: Assistente Social, Psic&#xF3;logo e Advogado. Todavia, outras profiss&#xF5;es podem compor a equipe objetivando o aprimoramento e qualifica&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os chamados pela pol&#xED;tica de socioassistenciais, s&#xE3;o eles: Antrop&#xF3;logo, Economista Dom&#xE9;stico, Pedagogo, Soci&#xF3;logo, Terapeuta Ocupacional e Musicoterapeuta. Na realidade do munic&#xED;pio de Bel&#xE9;m, as profiss&#xF5;es de refer&#xEA;ncia, com forma&#xE7;&#xE3;o no ensino superior, nos CREAS pesquisados, s&#xE3;o 02 assistentes sociais, 02 psic&#xF3;logas e 02 pedagogas.</p>
			<p>Apresentamos, assim, o lugar desta pesquisa qualitativa que foi realizada nos espa&#xE7;os p&#xFA;blicos da Prefeitura Municipal de Bel&#xE9;m no Estado do Par&#xE1;-Brasil, nos Centros de Refer&#xEA;ncia Especializados da Assist&#xEA;ncia Social-CREAS. Segundo dados cadastrados no Censo SUAS (Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social) de 20164, est&#xE3;o registrados cinco CREAS em Bel&#xE9;m. Definimos para amostragem dois CREAS: CREAS Manoel Pignat&#xE1;rio, no bairro do Marco, e o CREAS Com&#xE9;rcio, no bairro da Cidade Velha.</p>
			<p>Buscamos compreender os sujeitos profissionais em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s particularidades e potencialidades desse encontro entre diferentes profiss&#xF5;es no espa&#xE7;o do CREAS, a guia da orienta&#xE7;&#xE3;o da teoria social cr&#xED;tica, compreendendo o objeto no seu pr&#xF3;prio movimento hist&#xF3;rico, com suas determina&#xE7;&#xF5;es internas e externas. Portanto, o m&#xE9;todo propiciou uma aproxima&#xE7;&#xE3;o preliminar ao conhecimento ontol&#xF3;gico sobre a ess&#xEA;ncia do objeto, ao capturarmos uma estrutura e din&#xE2;mica, por meio de procedimentos anal&#xED;ticos, e operarmos a sua s&#xED;ntese, a reproduzindo no plano do pensamento. Reproduzimos, no plano ideal, a ess&#xEA;ncia do objeto que investigamos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">NETTO, 2011</xref>), ou pelo menos conseguimos uma aproxima&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>Foram usadas as t&#xE9;cnicas de pesquisa documental, pesquisa bibliogr&#xE1;fica e as t&#xE9;cnicas de entrevistas semiestruturadas para a coleta de dados e an&#xE1;lise de conte&#xFA;do para sistematiza&#xE7;&#xE3;o e an&#xE1;lise dos dados.</p>
			<p>Importante destacar, nesta metodologia, a escolha dos sujeitos significantes para a pesquisa, que foi realizada por uma amostragem de assistentes sociais, psic&#xF3;logas e pedagogas, que comp&#xF5;em a equipe de trabalho de dois CREAS em Bel&#xE9;m. Os sujeitos pesquisados s&#xE3;o profissionais mulheres formadas em institui&#xE7;&#xF5;es de ensino localizadas em Bel&#xE9;m-Par&#xE1;, em sua maioria vem do ensino privado presencial, de uma metr&#xF3;pole da Amaz&#xF4;nia. Essas vozes refletem a singularidade dos CREAS no Par&#xE1;, e, tamb&#xE9;m, expressam um conhecimento de suas forma&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas, Servi&#xE7;o Social, Pedagogia e Psicologia que ir&#xE3;o encontrar-se em um servi&#xE7;o p&#xFA;blico da Prefeitura Municipal de Bel&#xE9;m-PMB, compondo a Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social no espa&#xE7;o f&#xED;sico dos CREAS. S&#xE3;o mulheres concursadas e com longo tempo de experi&#xEA;ncia profissional e de diferentes profiss&#xF5;es, que possuem seus referenciais te&#xF3;ricos e metodol&#xF3;gicos espec&#xED;ficos.</p>
			<p>Esta intera&#xE7;&#xE3;o entre profiss&#xF5;es, que comp&#xF5;em uma equipe interdisciplinar para atender a miss&#xE3;o do Estado, apresenta algumas dificuldades ou obst&#xE1;culos que foram apontadas pelas profissionais e traduzimos como algumas categorias que a seguir apresentamos:</p>
			<p>&#x27A2; 
				<bold>Precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho</bold>: analisar a categoria emp&#xED;rica que foi unanimidade nos relatos e que traduzimos como a precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho nos CREAS pesquisados nos leva &#xE0; compreens&#xE3;o de que esta precariza&#xE7;&#xE3;o:
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] n&#xE3;o se restringe &#xE0;s determina&#xE7;&#xF5;es imediatas do local de trabalho e do estatuto salarial propriamente dito. Precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho implica determina&#xE7;&#xF5;es mediatas da vida cotidiana, direta ou indiretamente ligadas ao mundo do trabalho e que est&#xE3;o enredadas na vida pessoal de cada um (
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">ALVES, 2009</xref>, p. 145).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>As profissionais revelam as condi&#xE7;&#xF5;es de precariza&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os oferecidos devido &#xE0; grande demanda de atendimentos, sendo comum a infer&#xEA;ncia por maior n&#xFA;mero de recursos humanos, principalmente um aumento da equipe b&#xE1;sica de profissionais da Pedagogia, Servi&#xE7;o Social e Psicologia que s&#xE3;o os profissionais &#x201C;&#xE2;ncora&#x201D; dos atendimentos dos CREAS, em Bel&#xE9;m.</p>
			<p>Reproduzimos alguns dos dados comuns aos relatos sobre a precariza&#xE7;&#xE3;o no trabalho:</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] precisa ampliar o n&#xFA;mero desse recurso humano, ele &#xE9; pouco pra demanda que chega [&#x2026;] (PED 1).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] mas necessitaria de mais profissionais pra atender toda essa demanda que chega aqui entendeu? Ent&#xE3;o, n&#xF3;s somos uma equipe t&#xE9;cnica reduzida n&#xE9; [&#x2026;] (PED 2).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] a gente n&#xE3;o tem tempo pra dar essa continuidade [&#x2026;]. Aumenta a demanda, e a&#xED; essa qualidade perde, voc&#xEA; tem perda nessa qualidade [&#x2026;] (AS 1).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Desta forma, vimos reproduzidas na particularidade dos CREAS pesquisados, em Bel&#xE9;m, uma classe de mulheres5 trabalhadoras que, apesar de em sua maioria serem funcion&#xE1;rias p&#xFA;blicas efetivas - levadas a ter um segundo emprego - n&#xE3;o est&#xE3;o isentas da realidade de explora&#xE7;&#xE3;o da sua for&#xE7;a de trabalho. Quando relatam a grande demanda, poucos recursos humanos, equipe reduzida, falta de tempo, perda de qualidade, refletem a a&#xE7;&#xE3;o destrutiva contra a for&#xE7;a humana de trabalho que, segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Antunes (2011)</xref>, &#x201C;encontra-se hoje na condi&#xE7;&#xE3;o de precarizada ou exclu&#xED;da&#x201D;.
			</p>
			<p>&#x27A2; 
				<bold>A rela&#xE7;&#xE3;o entre profiss&#xF5;es</bold>: A rela&#xE7;&#xE3;o entre profiss&#xF5;es requer o trabalho em grupo, em equipe de trabalho multidisciplinar ou interdisciplinar, aqui, por tratarmos espec&#xED;ficamente da Interdisciplinaridade, estamos falando de rela&#xE7;&#xF5;es entre profiss&#xF5;es nessa perspectiva. Portanto, essa exige um di&#xE1;logo mais pr&#xF3;ximo, minucioso entre as profiss&#xF5;es; um encontro e di&#xE1;logo entre disciplinas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">FAZENDA, 1996</xref>).
			</p>
			<p>Dessa maneira, para desenvolver esse di&#xE1;logo, essa aproxima&#xE7;&#xE3;o, n&#xE3;o h&#xE1; guias de orienta&#xE7;&#xF5;es prontas, as profissionais dos CREAS absorvem o termo, a palavra interdisciplinar, por&#xE9;m os dados demonstram que nas suas interven&#xE7;&#xF5;es e na rela&#xE7;&#xE3;o entre as profiss&#xF5;es dos CREAS essa palavra n&#xE3;o &#xE9; aprofundada como termo, conceito, pr&#xE1;tica ou perspectiva.</p>
			<p>Observamos como comum aos dados, que a Interdisciplinaridade foi considerada apenas no momento em que as profissionais precisaram se reunir para algum atendimento, mas, na maioria das vezes, realizaram os atendimentos de maneira isolada, monodisciplinarmente. Assim, elas identificam os momentos que podem vir a ser um encontro e di&#xE1;logo entre disciplinas, um trabalho interdisciplinar que chamam de 
				<italic>interven&#xE7;&#xE3;o junto</italic> e 
				<italic>atendimento psicossocial.</italic>
			</p>
			<p>Podemos inferir que a &#x201C;interven&#xE7;&#xE3;o junto&#x201D; significa o atendimento em conjunto, e geralmente em dupla, ou seja, a psic&#xF3;loga e a assistente social, a pedagoga e a assistente social, ou a psic&#xF3;loga e a pedagoga. Seriam os acompanhamentos individual, familiar ou em grupo, o que as orienta&#xE7;&#xF5;es t&#xE9;cnicas chamam de acompanhamento especializado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2011</xref>).
			</p>
			<p>Nossa pesquisa buscou apreender como as profissionais identificavam a import&#xE2;ncia de seus conhecimentos espec&#xED;ficos para o desenvolvimento do trabalho no CREAS. Obtivemos o seguinte: &#x201C;[&#x2026;] olha eu estou em processo o tempo todo de aprendizado aqui [&#x2026;]&#x201D; (PSI 2, 2015);</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>Porque cada profissional vai direcionar o seu olhar e dar os encaminhamentos necess&#xE1;rios, tanto o psic&#xF3;logo como o pedagogo como o assistente social, cada um tem o seu olhar espec&#xED;fico dentro do seu atendimento e a partir dali ele d&#xE1; os encaminhamentos (PED 2, 2015);</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] n&#xF3;s estudamos todo o conhecimento, todo o conte&#xFA;do que &#xE9; disponibilizado pra n&#xF3;s, n&#xF3;s sa&#xED;mos de l&#xE1; com a certeza de que vai ser poss&#xED;vel n&#xF3;s atuarmos em qualquer &#xE1;rea, mas isso n&#xE3;o nos limita, n&#xE3;o nos impede, ao contr&#xE1;rio, seja a &#xE1;rea que n&#xF3;s formos atuar ao sairmos da academia n&#xF3;s vamos ter que estar sempre estudando, n&#xE9; [&#x2026;] (AS 1, 2015);</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] eu acredito que atrav&#xE9;s dessa jun&#xE7;&#xE3;o da procura te&#xF3;rica do conhecimento, reciclagens, eu acho, assim, que d&#xE1; um refor&#xE7;o nesse saber profissional e mais essa quest&#xE3;o do dia a dia, a pr&#xE1;tica, e quando existe alguma dificuldade quando existiu ou existe, eu procuro apoio das colegas, n&#xF3;s temos muito isto de conversarmos pra tirarmos d&#xFA;vidas [&#x2026;] (AS 2, 2015).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Algumas infer&#xEA;ncias sobre essas falas podem ser feitas, considerando o pr&#xF3;prio conhecimento das profissionais sobre a sua interven&#xE7;&#xE3;o profissional: olhar espec&#xED;fico, processo de aprendizado conhecimento, conhecimento para atuar em qualquer &#xE1;rea, procura de teoria e apoio da equipe. Identificamos que h&#xE1; uma predisposi&#xE7;&#xE3;o das profissionais para desenvolver um bom di&#xE1;logo, a fim de intervir no objeto comum de seu trabalho. Identificamos como comum nos relatos das profissionais pesquisadas a express&#xE3;o de permanente busca do conhecimento, mas tamb&#xE9;m verificamos que permanece o modelo de atendimentos multidisciplinares que se limita &#xE0; conviv&#xEA;ncia entre conhecimentos disciplinares para respostas imediatas nas demandas do trabalho.</p>
			<p>Sobre como as profissionais compreendem os seus conhecimentos disciplinares para intervir na realidade, podemos dizer que o processo de elabora&#xE7;&#xE3;o do conhecimento sobre dado objeto apresenta algumas dificuldades: primeiro, pelos limites do sujeito que busca conhecer dada realidade, e, segundo, pela complexidade desta realidade e seu car&#xE1;ter hist&#xF3;rico (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">FRIGOTTO, 2008</xref>). Pois, uma vez que esse processo de elabora&#xE7;&#xE3;o do conhecimento implica uma a&#xE7;&#xE3;o, um trabalho de constru&#xE7;&#xE3;o do sujeito, esse, tamb&#xE9;m, deve compreender que existem limites que se situam no campo da sua forma&#xE7;&#xE3;o profissional.
			</p>
			<p>Alguns dados sobre os conhecimentos disciplinares apareceram relacionados &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o profissional, exemplo disso &#xE9; visto nos relatos das profissionais da pedagogia que expuseram n&#xE3;o ter tido conhecimento sobre o campo da assist&#xEA;ncia antes de aprender com a pr&#xE1;tica do cotidiano do trabalho. Tamb&#xE9;m, resumiram a sua interven&#xE7;&#xE3;o ao acompanhamento escolar, demonstrando, assim, que alguns limites das rela&#xE7;&#xF5;es entre disciplinas passam pelo campo da sua forma&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>Considerando as respostas sobre a import&#xE2;ncia dos conhecimentos disciplinares, durante as entrevistas, apareceram alguns 
				<italic>conflitos entre profiss&#xF5;es:</italic>
			</p>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] determinadas situa&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o espec&#xED;ficas do assistente social. O papel do psic&#xF3;logo na assist&#xEA;ncia na verdade &#xE9; lidar mesmo com essas situa&#xE7;&#xF5;es mais pessoais. A quest&#xE3;o s&#xE3;o as abordagens sabe? Parece que a gente, as pessoas aqui s&#xE3;o as donas da verdade, dizem: n&#xE3;o tem que fazer, n&#xE3;o &#xE9; assim, voc&#xEA; n&#xE3;o tem que fazer isso. Como assim? N&#xE3;o tem que dizer o que ela tem que fazer, o que ela n&#xE3;o tem que fazer, eu estou falando do meu papel de psic&#xF3;loga [&#x2026;] (PSI, 2015).</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>[&#x2026;] eu estou vivenciando agora com a segunda psic&#xF3;loga e a gente tem um di&#xE1;logo profissional, mas quando voc&#xEA; vai para interven&#xE7;&#xE3;o tem um pouco de conflito, mesmo porque, eu falo: se voc&#xEA; vem de outra &#xE1;rea para essa &#xE1;rea que voc&#xEA; n&#xE3;o tem ainda experi&#xEA;ncia, voc&#xEA; precisa pesquisar e estudar [&#x2026;] (AS 1, 2015).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Dessa maneira, para aprofundar e analisar esse dado, fomos ao guia de orienta&#xE7;&#xF5;es t&#xE9;cnicas dos CREAS e verificamos que ele n&#xE3;o separa as fun&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas de cada profissional no desenvolvimento do trabalho (
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 2011</xref>). O Conselho Federal de Psicologia aponta em suas orienta&#xE7;&#xF5;es aos profissionais que atuam no campo da Assist&#xEA;ncia Social, que esta atua&#xE7;&#xE3;o ainda n&#xE3;o est&#xE1; bem delimitada e existem confus&#xF5;es sobre o papel da Psicologia (CFP, 2012), fazendo com que algumas atribui&#xE7;&#xF5;es nos CREAS se confundam entre os assistentes sociais e psic&#xF3;logos.
			</p>
			<p>Portanto, o caminho na dire&#xE7;&#xE3;o de uma perspectiva de Interdisciplinaridade exigir&#xE1; mais discuss&#xF5;es sobre as especificidades das interven&#xE7;&#xF5;es e uma das suas caracter&#xED;sticas est&#xE1; na &#x201C;intensidade das trocas entre os especialistas e pelo grau de integra&#xE7;&#xE3;o real das disciplinas&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">JAPIASSU, 1976</xref>, p. 74). Assim, os profissionais que se predisp&#xF5;em &#xE0; Interdisciplinaridade, dever&#xE3;o possuir a intencionalidade da busca, na dire&#xE7;&#xE3;o da intensidade da troca e integra&#xE7;&#xE3;o. A &#x201C;necessidade b&#xE1;sica para conhecer e modificar o mundo &#xE9; poss&#xED;vel de concretizar-se no ensino, atrav&#xE9;s da elimina&#xE7;&#xE3;o de barreiras entre disciplinas e entre pessoas&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">FAZENDA, 1996</xref>, p. 57).
			</p>
			<p>N&#xE3;o basta a intencionalidade ou a boa vontade para alcan&#xE7;ar a Interdisciplinaridade. Faz-se necess&#xE1;rio um dom&#xED;nio de conhecimentos espec&#xED;ficos da forma&#xE7;&#xE3;o disciplinar de cada profiss&#xE3;o, pois quest&#xF5;es referentes &#xE0;s compet&#xEA;ncias e atribui&#xE7;&#xF5;es profissionais podem gerar discord&#xE2;ncias profissionais que podem se tornar obst&#xE1;culos a uma interven&#xE7;&#xE3;o interdisciplinar. A seguran&#xE7;a de seus fundamentos te&#xF3;ricos e metodol&#xF3;gicos possibilita uma abertura tranquila e segura para interagir com outras disciplinas e propor uma interven&#xE7;&#xE3;o junta na realidade social.</p>
			<p>Considerando o tempo de trabalho, talvez o tempo de conviv&#xEA;ncia e experi&#xEA;ncia no trabalho proporcione que o relacionamento entre as profissionais seja mais suscet&#xED;vel ao di&#xE1;logo e intera&#xE7;&#xE3;o entre as diferentes abordagens, por&#xE9;m com car&#xE1;ter multidisciplinar. N&#xE3;o identificamos que este tempo de conviv&#xEA;ncia e experi&#xEA;ncia nos CREAS pesquisados tenham concretizado a Interdisciplinaridade, um pressuposto de trocas disciplinares &#xE9; fundamental na perspectiva de Interdisciplinaridade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">FAZENDA, 2008</xref>).
			</p>
			<p>Convergir metodologias no campo do espa&#xE7;o de trabalho que predisp&#xF5;e a Interdisciplinaridade requer algumas etapas ao processo: primeiro, constitui-se uma equipe de trabalho, um grupo com diferentes especialistas que possua uma organiza&#xE7;&#xE3;o e um objetivo comum; segundo, a equipe precisa acordar conceitos-chave que ir&#xE3;o dividir uma mesma linguagem para a a&#xE7;&#xE3;o; terceiro, se estabelece uma situa&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica sobre a qual se ir&#xE1; intervir; quarto, se dividem as tarefas, as responsabilidades que cabem a cada disciplina, suas fun&#xE7;&#xF5;es e pap&#xE9;is para intervir na situa&#xE7;&#xE3;o; e quinto, apresenta-se em conjunto os resultados do trabalho pelas disciplinas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">JAPIASSU, 1976</xref>).
			</p>
			<p>As profissionais ao serem indagadas se no CREAS existia um espa&#xE7;o para a Interdisciplinaridade informaram que existia alguns momentos de encontro para discuss&#xE3;o e conversa sobre os casos atendidos; informaram que esse espa&#xE7;o se traduz nos momentos de conversa sobre os servi&#xE7;os, discuss&#xE3;o de casos, reuni&#xF5;es de trabalho, momentos de discuss&#xE3;o sobre as dificuldades de relacionamento da equipe, atendimento psicossocial. Esses momentos foram considerados como interdisciplinares. Momentos em que as profissionais perseveram e se colocam em disponibilidade para a intera&#xE7;&#xE3;o, e que esse tempo s&#xF3; &#xE9; poss&#xED;vel com a insist&#xEA;ncia ou perseveran&#xE7;a das profissionais que se disp&#xF5;em a preservar esses momentos de &#x201C;conversa&#x201D;.</p>
			<p>O espa&#xE7;o mais citado como prop&#xED;cio para a discuss&#xE3;o em equipe &#xE9; o momento do estudo de caso. O estudo de caso &#xE9; considerado como o momento dominante de Interdisciplinaridade, momento em que as profissionais trocam experi&#xEA;ncias das suas forma&#xE7;&#xF5;es profissionais. Assim, a an&#xE1;lise das respostas nos leva a inferir que a 
				<italic>perspectiva de interdisciplinaridade</italic> &#xE9; 
				<italic>comparada</italic> com 
				<italic>conversa e discuss&#xE3;o sobre a execu&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os, discuss&#xE3;o dos acompanhamentos dos indiv&#xED;duos e fam&#xED;lias atendidos, reuni&#xF5;es de equipe de trabalho.</italic>
			</p>
			<p>Por&#xE9;m, compreendemos que existem ind&#xED;cios de aproxima&#xE7;&#xF5;es de pr&#xE1;ticas interdisciplinares, embora ainda n&#xE3;o possuam coer&#xEA;ncia e consist&#xEA;ncia te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica necess&#xE1;ria &#xE0; Interdisciplinaridade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">FRIGOTTO, 2008</xref>).
			</p>
			<p>Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Fazenda (1996)</xref>, &#xE9; necess&#xE1;rio para o exerc&#xED;cio de interdisciplinaridade uma atitude que busque a abertura de uma nova pr&#xE1;tica, uma a&#xE7;&#xE3;o intencional.
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] Penso, decido e parto para agir; isto &#xE9; atitude. Est&#xE1; relacionada, tamb&#xE9;m, aos movimentos ocorridos na hist&#xF3;ria de vida, baseada em viv&#xEA;ncias, intui&#xE7;&#xF5;es, desejos, conceitos, cren&#xE7;as e rela&#xE7;&#xF5;es estabelecidas cotidianamente, ou seja, est&#xE1; intimamente ligada a minha identidade pessoal. Ao revelarmos a interdisciplinaridade como atitude, esta nos convoca a refletir sobre as possibilidades de uma a&#xE7;&#xE3;o que promova a parceria e a integra&#xE7;&#xE3;o, e este movimento implica o dif&#xED;cil exerc&#xED;cio do conhecer-se, [&#x2026;] Necessitamos, para tanto, de um sentido de tempo e desejo, traduzindo-nos persistentes. A atitude, portanto, revela-nos uma a&#xE7;&#xE3;o onde se tem, previamente, uma consci&#xEA;ncia de si, refletida na consci&#xEA;ncia de algo; uma intencionalidade&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B15">MIRANDA, 2008</xref>, p. 119-120).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Existe a intencionalidade na domin&#xE2;ncia das falas das profissionais, todavia, bem mais do que atitude ou inten&#xE7;&#xE3;o, consideramos importante tratar a Interdisciplinaridade dentro do tecido hist&#xF3;rico que produz o conhecimento cient&#xED;fico; e a interven&#xE7;&#xE3;o na realidade com intencionalidade tamb&#xE9;m exige considerar al&#xE9;m das caracter&#xED;sticas tradicionais da Interdisciplinaridade: a capacidade de integrar diferentes conhecimentos disciplinares, reunir, fundir as dimens&#xF5;es particulares de uma interven&#xE7;&#xE3;o conjunta podem ser consideradas dentro das media&#xE7;&#xF5;es constituintes das rela&#xE7;&#xF5;es sociais e econ&#xF4;micas para o desenvolvimento de uma pr&#xE1;xis pol&#xED;tica (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">V&#xC1;ZQUEZ, 2011</xref>).
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
			<p>Temos, ent&#xE3;o, que os resultados desta disserta&#xE7;&#xE3;o demonstram que a pr&#xE1;tica profissional exercida nos CREAS &#xE9; perpassada por duas perspectivas: a multidisciplinaridade enquanto exist&#xEA;ncia real das rela&#xE7;&#xF5;es entre profiss&#xF5;es, e a interdisciplinaridade como possibilidade mais pr&#xF3;xima do alcance das converg&#xEA;ncias e integra&#xE7;&#xF5;es entre as profiss&#xF5;es no CREAS.</p>
			<p>Portanto, como reflex&#xE3;o conclusiva, consideramos que a Interdisciplinaridade necessita ser pensada a partir de uma totalidade (cr&#xED;tico-hist&#xF3;rico-dial&#xE9;tica), na qual s&#xE3;o necess&#xE1;rias condi&#xE7;&#xF5;es objetivas, sociais e hist&#xF3;ricas para a sua concretude. N&#xE3;o h&#xE1; como determinar uma forma do interdisciplinar, visto que ela se desenvolve em particularidades da hist&#xF3;ria social, na materialidade, n&#xE3;o &#xE9; conhecimento absoluto, mas princ&#xED;pio norteador a uma realidade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">JANTSCH; BIANCHETTI, 1995</xref>).
			</p>
			<p>A realidade de trabalho nos CREAS apresentou contradi&#xE7;&#xF5;es de uma disciplinariza&#xE7;&#xE3;o e fragmenta&#xE7;&#xE3;o das Ci&#xEA;ncias Sociais; alguns problemas e conflitos apareceram entre as profiss&#xF5;es que verificamos como obst&#xE1;culos &#xE0;s rela&#xE7;&#xF5;es de encontro e troca entre os conhecimentos profissionais, no dom&#xED;nio das diferentes abordagens te&#xF3;ricas.</p>
			<p>Analisar o conjunto requer compreender que estas rela&#xE7;&#xF5;es em conjunto no trabalho s&#xE3;o produtos de condi&#xE7;&#xF5;es hist&#xF3;ricas e possuem limites e determina&#xE7;&#xF5;es dentro de condi&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas, e as formas de ser determinadas nesta sociedade capitalista exigem um servi&#xE7;o p&#xFA;blico que se proponha a ser um espa&#xE7;o de interven&#xE7;&#xE3;o interdisciplinar pertencente ao Estado, portanto, n&#xE3;o podemos incluir a interdisciplinaridade numa reflex&#xE3;o sobre o contexto da pr&#xE1;tica profissional entre profiss&#xF5;es, considerando-a como um meio de passagem a uma forma evolutiva do conhecimento, mas consider&#xE1;-la como um processo hist&#xF3;rico que pode possibilitar produ&#xE7;&#xE3;o de conhecimento nas rela&#xE7;&#xF5;es entre as profiss&#xF5;es que visem transforma&#xE7;&#xF5;es sociais e que proporcionem novas pr&#xE1;ticas, por meio de uma perspectiva de Interdisciplinaridade cr&#xED;tica e com fundamento na hist&#xF3;ria.</p>
			<p>Este estudo, tamb&#xE9;m, leva-nos a uma aproxima&#xE7;&#xE3;o provis&#xF3;ria para significar que nesse contexto da pr&#xE1;tica profissional a perspectiva da interdisciplinaridade pode proporcionar aberturas entre profiss&#xF5;es que levem:</p>
			<list list-type="bullet">
				<list-item>
					<p>Ao di&#xE1;logo aprofundado entre diferentes profiss&#xF5;es que culmina para uma converg&#xEA;ncia e uma complementaridade entre as mesmas;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>A uma integra&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos espec&#xED;ficos para uma interven&#xE7;&#xE3;o na realidade;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>A uma &#x201C;pr&#xE1;xis&#x201D; compartilhada e interativa na intencionalidade do desenvolvimento do ser social, que pode ser pol&#xED;tica.</p>
				</list-item>
			</list>
			<p>Nas aproxima&#xE7;&#xF5;es de pr&#xE1;ticas interdisciplinares dos CREAS em Bel&#xE9;m, vimos que algumas condi&#xE7;&#xF5;es objetivas dificultam o processo da interdisciplinaridade. Assim, o importante &#xE9; que n&#xE3;o fragmentar os sujeitos atendidos nos CREAS, mas considerar que por meio da interdisciplinaridade &#xE9; poss&#xED;vel a intencionalidade do desenvolvimento do ser social numa dire&#xE7;&#xE3;o comum &#xE0; integra&#xE7;&#xE3;o das profiss&#xF5;es. Destarte, consideramos que existe uma abertura na dire&#xE7;&#xE3;o do di&#xE1;logo entre assistentes sociais, psic&#xF3;logas e pedagogas nos CREAS.</p>
			<p>Como assistente social, ao realizar esta pesquisa, pudemos verificar que a dificuldade de tempo no trabalho para refletir a pr&#xE1;tica profissional em conjunto com as outras profiss&#xF5;es exige, al&#xE9;m de uma disponibilidade subjetiva, uma condi&#xE7;&#xE3;o favor&#xE1;vel no trabalho que requer que a gest&#xE3;o oportunize o tempo para o encontro e di&#xE1;logo, do 
				<italic>inter,</italic> do 
				<italic>fazer-com-o-outro.</italic>
			</p>
			<p>Significa analisar a perspectiva da interdisciplinaridade como um 
				<italic>fazer-com-o-outro,</italic> uma forma de compreender e explicar o mundo. Portanto, n&#xE3;o sendo fixas as rela&#xE7;&#xF5;es homem e mundo, as rela&#xE7;&#xF5;es em um dado espa&#xE7;o profissional tamb&#xE9;m requerem um olhar m&#xFA;ltiplo e uno sobre a realidade na qual pretendemos intervir.
			</p>
			<p>E nesse mundo em movimento existe uma luta de contr&#xE1;rios, uma tens&#xE3;o entre opostos, lados diferentes:</p>
			<disp-quote>
				<p>Enganam-se, pois, os que sup&#xF5;em que a realidade &#xE9; tranquila e inerte. Ela &#xE9; inquieta e m&#xF3;vel, tensa, concordante porque discordante, e da guerra nasce a ordem ou o cosmo, equil&#xED;brio din&#xE2;mico de for&#xE7;as contr&#xE1;rias que coexistem e se sucedem sem cessar. A unidade do mundo &#xE9; sua multiplicidade. Tudo &#xE9; um porque o um &#xE9; tudo ou todas as coisas (CHAUI, 2002, p. 82).</p>
			</disp-quote>
			<p>Portanto, h&#xE1; uma coexist&#xEA;ncia entre conhecimentos sobre o mundo. E estes, mesmo sendo diferentes, contr&#xE1;rios, e mesmo contradit&#xF3;rios, poder&#xE3;o desenvolver uma unidade na multiplicidade. A interdisciplinaridade possibilita essa coexist&#xEA;ncia, sendo o lugar onde o uno se torna m&#xFA;ltiplo e o m&#xFA;ltiplo, tamb&#xE9;m, volta a ser uno.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>P&#xF3;s-modernidade: &#x201C;linha de pensamento que questiona as no&#xE7;&#xF5;es cl&#xE1;ssicas de verdade, raz&#xE3;o&#x201D;. Ver EAGLETON, Terry. As ilus&#xF5;es do p&#xF3;s-modernismo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Adotada no Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, Convento de Arr&#xE1;bida, Portugal, 1994. Comit&#xEA; de reda&#xE7;&#xE3;o: Lima de Freitas, Edgar Morin e Basarab Nicolescu.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>A pr&#xE1;xis &#xE9; conceito amplo e complexo, n&#xE3;o teremos espa&#xE7;o para explicit&#xE1;-la neste trabalho, sugerimos a leitura de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">V&#xC1;ZQUEZ (2011)</xref> em Filosofia da pr&#xE1;xis.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Cf. BRASIL. Minist&#xE9;rio de Desenvolvimento Social e Combate &#xE0; Fome - MDS. Dispon&#xED;vel em: 
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/simulacao/statuscenso2016/relatorio2016.php#">http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/simulacao/statuscenso2016/relatorio2016.php#</ext-link>. Acesso em: 25 set. 2016.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>As entrevistadas foram todas profissionais mulheres e do ensino superior.</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
			<ref id="B1">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Giovanni</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>A condi&#xE7;&#xE3;o de proletariedade</bold>: a precariedade do trabalho no capitalismo global
					</source>
					<publisher-loc>Londrina</publisher-loc>
					<publisher-name>Pr&#xE1;xis</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>ALVES, Giovanni. 
					<bold>A condi&#xE7;&#xE3;o de proletariedade</bold>: a precariedade do trabalho no capitalismo global. Londrina: Pr&#xE1;xis, 2009.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
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						</name>
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					<source>
						<bold>Adeus ao trabalho?</bold> Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho
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					<edition>15. ed.</edition>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
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					<year>2011</year>
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			<ref id="B3">
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					<edition>5. ed.</edition>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
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					<year>2007</year>
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				<mixed-citation>BARROCO, M. L. S. 
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			<ref id="B5">
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					<source>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 17</source>
					<day>20</day>
					<month>07</month>
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					<publisher-name>Minist&#xE9;rio do Desenvolvimento Social e Combate &#xE0; Fome. Conselho Nacional de Assist&#xEA;ncia Social</publisher-name>
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					<bold>Interdisciplinaridade e patologia do saber</bold>. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
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					<bold>Interdisciplinaridade</bold>: para al&#xE9;m da filosofia do sujeito. Petr&#xF3;polis/RJ: Vozes, 1995.
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					<bold>Ideologia e ci&#xEA;ncia social</bold>: elementos para uma an&#xE1;lise marxista. 19. ed. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2010.
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				<mixed-citation>MIRANDA, Raquel Gianolla. 
					<bold>Tecnologias, Educa&#xE7;&#xE3;o e seus sentidos:</bold> O movimento de um grupo de pesquisa sobre Interdisciplinaridade - GEPI. S&#xE3;o Paulo, 2008. 173 pp. Tese (Doutorado em Educa&#xE7;&#xE3;o) - Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo, 2008.
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					<bold>Revista Servi&#xE7;o Social e Sociedade</bold>, S&#xE3;o Paulo: Cortez, ano XV, n. 44, 1994.
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					<bold>Caderno ABESS</bold>, n. 4, S&#xE3;o Paulo: Cortez, 1991.
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				<mixed-citation>POMBO, O. 
					<bold>Revista do Centro de Educa&#xE7;&#xE3;o e Letras da Unioeste</bold>, Campus de Foz do Igua&#xE7;u, v. 10, n. 1, p. 9-40, 1&#xBA; sem. 2008.
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					<bold>A assist&#xEA;ncia na trajet&#xF3;ria das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas brasileiras</bold>: uma quest&#xE3;o em an&#xE1;lise. 7. ed. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 1998.
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					<bold>Servi&#xE7;o social e interdisciplinaridade</bold>: o exemplo da sa&#xFA;de mental. In: Sa&#xFA;de Mental e Servi&#xE7;o Social: o desafio da subjetividade e da interdisciplinaridade. 2. ed. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2002.
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