<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!DOCTYPE article
  PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article article-type="research-article" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" xml:lang="pt" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink">
	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">Textos&#x26;Contextos</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
			</publisher>
		</journal-meta>
		<article-meta>
			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.1.24612</article-id>
			<article-id pub-id-type="publisher-id">00012</article-id>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Processos Sociais, Forma&#xE7;&#xE3;o e Trabalho</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o na Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social: ouvindo os trabalhadores</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="en">
					<trans-title>Outsourcing in Social Assistance Policy: listening to the workers</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Pereira</surname>
						<given-names>Maria Erica Ribeiro</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
				</contrib>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Frota</surname>
						<given-names>Maria Helena de Paula</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref>
				</contrib>
				</contrib-group>
				<aff id="aff1">
					<label>*</label>
					<institution content-type="normalized">Universidade Estadual do Cear&#xE1;</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Cear&#xE1;</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Fortaleza</named-content>
						<named-content content-type="state">CE</named-content>
					</addr-line>
					<country country="BR">Brasil</country>
					<email>maria.erica@uece.br</email>
					<institution content-type="original">Mestra em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas e Sociedade pela Universidade Estadual do Cear&#xE1; (UECE). Professora no Curso de Servi&#xE7;o Social da Universidade Estadual do Cear&#xE1; (UECE), Fortaleza - CE/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/7149021513719309. E-mail: maria.erica@uece.br.</institution>
				</aff>
				<aff id="aff2">
					<label>**</label>
					<institution content-type="normalized">Universidade Estadual do Cear&#xE1;</institution>
					<institution content-type="orgname">Universidade Estadual do Cear&#xE1;</institution>
					<addr-line>
						<named-content content-type="city">Fortaleza</named-content>
						<named-content content-type="state">CE</named-content>
					</addr-line>
					<country country="BR">Brasil</country>
					<email>helenapfrota@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Doutora pela Universidade de Salamanca-Espanha. Professora da Universidade Estadual do Cear&#xE1; (UECE). L&#xED;der do Grupo CNPq: G&#xEA;nero, Fam&#xED;lia e Gera&#xE7;&#xE3;o nas Pol&#xED;ticas Sociais, Fortaleza - CE/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/6939566870510025. E-mail: helenapfrota@gmail.com.</institution>
				</aff>
			<!--<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
				<day>03</day>
				<month>05</month>
				<year>2019</year>
			</pub-date>
			<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">-->
				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Jul</season>
				<year>2017</year>
			</pub-date>
			<volume>16</volume>
			<issue>1</issue>
			<fpage>188</fpage>
			<lpage>204</lpage>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>15</day>
					<month>07</month>
					<year>2016</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>15</day>
					<month>04</month>
					<year>2017</year>
				</date>
			</history>
			<permissions>
				<license xml:lang="en" license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR">
					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Os trabalhadores da Assist&#xEA;ncia Social, ao mediar servi&#xE7;os socioassistenciais, s&#xE3;o eles pr&#xF3;prios sujeitos de direitos. Assim, analisa-se a terceiriza&#xE7;&#xE3;o na Assist&#xEA;ncia Social atrav&#xE9;s da experi&#xEA;ncia de trabalhadores de um CREAS cearense. O percurso investigativo contemplou pesquisa bibliogr&#xE1;fica, documental e de campo, observa&#xE7;&#xE3;o simples, question&#xE1;rio e entrevista semiestruturada. Constatou-se que a terceiriza&#xE7;&#xE3;o via organiza&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o governamental se mostra funcional &#xE0;s pr&#xE1;ticas conservadoras, por fragmentar demandas, descentralizar a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o pela qualidade dos servi&#xE7;os, do trabalho e do trabalhador - realidade contrastante com os ganhos legais nessa pol&#xED;tica. Este cen&#xE1;rio requer prote&#xE7;&#xE3;o aos seus viabilizadores, como um devir e uma condi&#xE7;&#xE3;o-chave na conforma&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica p&#xFA;blica, gratuita, de qualidade, cuja responsabilidade se reporta ao Estado.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The Social Assistance&#x27;s Workers, right&#x27;s mediators, are subjects of rights. Thus, this article analyzes the outsourcing in Social Assistance through the worker&#x27;s experience in a cearense CREAS. The investigation route included bibliography, documentary and field researches, simple observation, questionnaire and semistructured interview. Outsourcing through non-governmental organization shows the functional conservative practices by fragmenting demands, decentralizing accountability for the quality of services, labor and worker - contrasting reality with legal gains in this policy contemporaneously. This scenario requires protection to their workers, as a becoming and a key condition in shaping public policy, free, quality, responsibility for which reports to the State.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Trabalho</kwd>
				<kwd>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o</kwd>
				<kwd>Assist&#xEA;ncia Social</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>Keywords</title>
				<kwd>Work</kwd>
				<kwd>Outsourcing</kwd>
				<kwd>Social Assistance</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
				<fig-count count="0"/>
				<table-count count="0"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="29"/>
				<page-count count="17"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<p>As rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho contempor&#xE2;neas s&#xE3;o resultado da necess&#xE1;ria mudan&#xE7;a nas formas de estrutura&#xE7;&#xE3;o do capitalismo, no contexto dos ciclos de expans&#xE3;o e crise, na busca incessante pela eleva&#xE7;&#xE3;o ou manuten&#xE7;&#xE3;o dos lucros. A precariedade social da for&#xE7;a de trabalho apresenta-se de modo mais agudo ao trabalhador, dadas as formas assumidas na rela&#xE7;&#xE3;o capital/trabalho no &#xE2;mbito da precariza&#xE7;&#xE3;o. Trata-se de um processo formatado no setor privado e estrategicamente adotado pelo Estado.</p>
		<p>Assim, analisa-se a terceiriza&#xE7;&#xE3;o na Assist&#xEA;ncia Social atrav&#xE9;s da experi&#xEA;ncia de trabalhadores de um Centro de Refer&#xEA;ncia Especializado da Assist&#xEA;ncia Social (CREAS) cearense. Toma-se como refer&#xEA;ncia a conjuntura atual, que busca a efetiva&#xE7;&#xE3;o desta pol&#xED;tica como direito de cidadania e dever do Estado, cuja media&#xE7;&#xE3;o &#xE9; garantida pelo seu corpo profissional.</p>
		<p>Inicialmente, busca-se entender a terceiriza&#xE7;&#xE3;o na pol&#xED;tica por ser, dentre as de seguridade social, a mais recentemente regulamentada e ter sua configura&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica como n&#xE3;o direito; portanto, torna-se alvo dos efeitos da precariza&#xE7;&#xE3;o de modo mais agudo, enfrentando dificuldades no &#xE2;mbito do financiamento e estrutura&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os. Ademais, a maior parte de seu p&#xFA;blico se caracteriza por ser uma popula&#xE7;&#xE3;o miser&#xE1;vel e pobre, ou v&#xED;tima de graves viol&#xEA;ncias; pessoas que chegam aos servi&#xE7;os fragilizadas e, muitas vezes, sem reconhecer seus direitos sociais e a necessidade de participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica, solicitando um corpo profissional capacitado t&#xE9;cnica, te&#xF3;rica, metodol&#xF3;gica e eticamente para atend&#xEA;-los.</p>
		<p>A rela&#xE7;&#xE3;o de trabalho sob o signo da terceiriza&#xE7;&#xE3;o, por&#xE9;m, mostra-se, 
			<italic>a priori,</italic> limitadora da capacidade de atendimento adequado dos usu&#xE1;rios, pois ela no Brasil &#xE9; utilizada, sobretudo, para auferir lucros ou reduzir custos em detrimento dos direitos trabalhistas dos profissionais, comprometendo a qualidade dos servi&#xE7;os operados.
		</p>
		<p>No desvelar dessa problem&#xE1;tica, empreendeu-se pesquisa de natureza quali-quantitativa em um CREAS Regional Cearense
			<xref ref-type="fn" rid="fn1">
				<sup>1</sup>
			</xref>. O equipamento tem sede em Fortaleza, Cear&#xE1;, ent&#xE3;o referenciando parte da demanda desta capital, e mais quatro munic&#xED;pios de pequeno Porte I no interior, quais sejam: Chorozinho, Barreira, Pindoretama e Acarape. Os 116 profissionais, terceirizados ou estatut&#xE1;rios, t&#xEA;m como 
			<italic>l&#xF3;cus</italic> de atua&#xE7;&#xE3;o a sede e/ou os munic&#xED;pios referenciados, trabalhando como assistentes sociais, psic&#xF3;logos, advogados, pedagogos ou educadores sociais.
		</p>
		<p>As investiga&#xE7;&#xF5;es bibliogr&#xE1;fica e documental lan&#xE7;aram luz aos dados coletados, observada a heterogeneidade da amostra, atrav&#xE9;s de observa&#xE7;&#xE3;o simples, question&#xE1;rio (aplicado com 50,86% do universo) e oito entrevistas semiestruturadas v&#xE1;lidas, as quais foram analisadas a partir do conceito de experi&#xEA;ncia de 
			<xref ref-type="bibr" rid="B29">Thompson (1987)</xref>.
		</p>
		<p>Releva-se que foram respeitadas as normas da Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 466, de dezembro de 2012, do Minist&#xE9;rio da Sa&#xFA;de, em todo o desenvolvimento da pesquisa - iniciada em dezembro de 2013 e conclu&#xED;da em janeiro de 2015
			<xref ref-type="fn" rid="fn2">
				<sup>2</sup>
			</xref>.
		</p>
		<sec>
			<title>O que &#xE9; a terceiriza&#xE7;&#xE3;o?</title>
			<p>Tradicionalmente, a terceiriza&#xE7;&#xE3;o ocorre quando uma empresa-m&#xE3;e transfere para uma terceira a responsabilidade por suas atividades-meio, concentrando seus esfor&#xE7;os em suas atividades-fim, visando alcan&#xE7;ar mais produtividade, redu&#xE7;&#xE3;o de custos e aumento de qualidade. Entende-se por atividade-fim o neg&#xF3;cio que justifica a raz&#xE3;o social da empresa-m&#xE3;e e por atividade-meio todas as demais que fazem parte desta empresa, mas n&#xE3;o s&#xE3;o o seu neg&#xF3;cio principal (
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">DRUCK; TH&#xC8;BAUD-MONY, 2007</xref>).
			</p>
			<p>H&#xE1; controv&#xE9;rsias em rela&#xE7;&#xE3;o ao surgimento da terceiriza&#xE7;&#xE3;o. Corrobora-se o pensamento de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Druck e Th&#xE8;baud-Mony (2007)</xref> para quem este &#xE9; um processo velho e ao mesmo tempo novo. Para essas autoras, &#xE9; uma forma peculiar de subcontrata&#xE7;&#xE3;o e inser&#xE7;&#xE3;o prec&#xE1;ria no mercado de trabalho: velha porque tem bases ainda no in&#xED;cio do capitalismo, e nova porque assume lugar central nas chamadas novas formas da gest&#xE3;o e organiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, inspiradas no modelo japon&#xEA;s de produ&#xE7;&#xE3;o nos anos 1970. &#xC9; uma estrat&#xE9;gia de descentraliza&#xE7;&#xE3;o da produ&#xE7;&#xE3;o, cujos rebatimentos negativos ecoam, sobretudo, no trabalho.
			</p>
			<p>A flexibiliza&#xE7;&#xE3;o promove a expans&#xE3;o desse mecanismo de ger&#xEA;ncia e produ&#xE7;&#xE3;o, que deixa de ser usado de forma marginal ou perif&#xE9;rica e se torna pr&#xE1;tica-chave na/para a modifica&#xE7;&#xE3;o nas rela&#xE7;&#xF5;es produtivas, contrata&#xE7;&#xE3;o, processos, condi&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho. Nesse bojo, surge um processo chamado &#x201C;quarteiriza&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, marcado pela delega&#xE7;&#xE3;o a terceiros da gest&#xE3;o de contratos entre contratantes e contratadas em uma rela&#xE7;&#xE3;o de terceiriza&#xE7;&#xE3;o. Entende-se aqui que este processo nada mais &#xE9; do que uma forma de terceiriza&#xE7;&#xE3;o. Trata-se de uma nomenclatura a mais dentro do emaranhado delas que, na pr&#xE1;tica, significam reduzir custos, descentralizar riscos, potencializar ganhos e onerar o trabalhador (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">PEREIRA, 2015</xref>).
			</p>
			<p>A terceiriza&#xE7;&#xE3;o se expressa tamb&#xE9;m como rela&#xE7;&#xE3;o de emprego 
				<italic>triangular,</italic> ou seja, h&#xE1; a aloca&#xE7;&#xE3;o de m&#xE3;o de obra por meio de empresa aluguel. O contrato tempor&#xE1;rio &#xE9; prestado por meio de empresa interposta, que seleciona e remunera trabalhadores com a finalidade de prestar servi&#xE7;os provis&#xF3;rios junto &#xE0;s empresas-clientes. Nisso, &#xE9; estabelecida uma rela&#xE7;&#xE3;o triangular, em que o local de trabalho n&#xE3;o tem rela&#xE7;&#xE3;o direta com o empregador, mas com a ag&#xEA;ncia de emprego (
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">ALVES, 2014</xref>).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m das empresas, h&#xE1; a forma&#xE7;&#xE3;o de cooperativas de trabalho terceirizadas. Neste caso, a precariza&#xE7;&#xE3;o pode ser aprofundada, pois, no caso das empresas, a rela&#xE7;&#xE3;o de contrato pode ocorrer respeitando as determina&#xE7;&#xF5;es e direitos da Consolida&#xE7;&#xE3;o das Leis do Trabalho (CLT). Dado o seu car&#xE1;ter de autonomia e autogest&#xE3;o, os cooperados assumem a responsabilidade por todos os encargos trabalhistas e riscos do processo de produ&#xE7;&#xE3;o. Estes, geralmente, se inserem nos mesmos espa&#xE7;os e atividades produtivas que os n&#xE3;o terceirizados, por&#xE9;m sem os contratos de trabalho e os direitos com eles garantidos.</p>
			<p>Hodiernamente, assiste-se &#xE0; emers&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o por interm&#xE9;dio das institui&#xE7;&#xF5;es que comp&#xF5;em o chamado terceiro setor. Complexo por si s&#xF3;, este espa&#xE7;o assume variadas formas na estrutura&#xE7;&#xE3;o dos processos de trabalho e contrata&#xE7;&#xE3;o de m&#xE3;o de obra, sendo um elemento a mais nesta engrenagem representativa do mundo do trabalho atual. Sua atua&#xE7;&#xE3;o em &#x201C;parceria&#x201D; com o Estado, especialmente na execu&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os sociais, &#xE9; uma express&#xE3;o crescente, podendo ser um espa&#xE7;o de atua&#xE7;&#xE3;o pela via do assalariamento ou subassalariamento, como alternativa aos processos de voluntariado - uma quest&#xE3;o que requer mais estudos, debates e esclarecimentos.</p>
			<p>Cabe ressaltar que, para seus idealizadores, &#x201C;o que &#xE9; terceirizado &#xE9; a atividade e n&#xE3;o a empresa ou o trabalhador. A empresa terceira contrata o trabalhador, que n&#xE3;o &#xE9; terceirizado, mas faz parte do processo de terceiriza&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">DIEESE, 2007</xref>, p. 06). A terceira tem rela&#xE7;&#xE3;o direta com o trabalhador com quem firma contrato; por&#xE9;m, a realiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho &#xE9; condicionada a determina&#xE7;&#xF5;es do ente contratante da terceira, conforme contrato firmado entre ambos. Nesta perspectiva, n&#xE3;o h&#xE1; rela&#xE7;&#xE3;o direta entre o trabalhador da terceirizada e a contratante. Quando isso ocorre, sem a figura da terceirizada, temporariamente, fala-se de contrato tempor&#xE1;rio. Estas caracter&#xED;sticas n&#xE3;o se fazem formalmente entre a contratante da terceirizada e o terceirizado, pois o que os une &#xE9; apenas a presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;o, regulamentado pelo contrato entre empresas/entes envolvidos na terceiriza&#xE7;&#xE3;o do trabalhador. Contrato este que retira a figura do trabalhador da rela&#xE7;&#xE3;o de trabalho com a tomadora de servi&#xE7;os da contratante.
			</p>
			<p>Tais recursos visam desvincular o ato de produzir do seu car&#xE1;ter humano, visto que este processo de trabalho n&#xE3;o pode ser realizado sem que haja a intermedia&#xE7;&#xE3;o humana. Insere-se, portanto, em uma forma de compreender os trabalhadores submetidos ao mercado e &#xE0; l&#xF3;gica de produ&#xE7;&#xE3;o, destituindo o seu car&#xE1;ter de humanidade, reduzindo-o aos objetos produzidos e dele alienado.</p>
			<p>Embora seja o gerador de valor, o fator humano no trabalho &#xE9; subvalorizado diante dos processos de crises do capital. Destarte, o conceito tradicional da terceiriza&#xE7;&#xE3;o vem sendo questionado desde os anos 1990 pelos setores empresariais, os quais buscavam a regulamenta&#xE7;&#xE3;o irrestrita da terceiriza&#xE7;&#xE3;o, ou seja, a possibilidade de terceirizar as atividades-meio e as atividades-fim. Dada a configura&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica de ado&#xE7;&#xE3;o deste processo no Brasil, as organiza&#xE7;&#xF5;es da classe trabalhadora empreenderam esfor&#xE7;os no sentido de barrar a legitima&#xE7;&#xE3;o da precariza&#xE7;&#xE3;o posta pela terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Pa&#xED;s.</p>
			<p>Contudo, as reviravoltas s&#xF3;cio-hist&#xF3;ricas, marcadamente impelidas pela retomada de propostas (neo)conservadoras na ca&#xF3;tica tessitura pol&#xED;tica, econ&#xF3;mica e social brasileira, implicaram a vit&#xF3;ria dos setores empresariais, que aprovaram a Lei n&#xBA; 13.429, de 31 de mar&#xE7;o de 2017, que trata do trabalho tempor&#xE1;rio em empresas urbanas e disp&#xF5;e sobre as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho nas empresas de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os a terceiros. As determina&#xE7;&#xF5;es desta lei apontam para a legitima&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es prec&#xE1;rias sob as quais os trabalhadores terceirizados vinham trabalhando.</p>
			<p>Dada a recente aprova&#xE7;&#xE3;o dessa lei, sua centralidade no debate e a (re)configura&#xE7;&#xE3;o da quest&#xE3;o no Brasil, deter-se-&#xE3;o suas poss&#xED;veis implica&#xE7;&#xF5;es ao trabalhador.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As engrenagens da terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Brasil</title>
			<p>A terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Brasil tem suas protoformas no in&#xED;cio do s&#xE9;culo XX, quando o C&#xF3;digo Civil de 1916 previa a aloca&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os (
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">CARELLI, 2007</xref>). Todavia, o marco referencial mais amplamente aceito &#xE9; o Decreto-Lei n&#xBA; 200, de 25 de fevereiro de 1967, em plena Ditadura Militar, que implanta uma nova regulamenta&#xE7;&#xE3;o e contrata&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;o pela Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica Federal. A esta lei somou-se o contrato tempor&#xE1;rio, estabelecido pela Lei n&#xBA; 6.019, de 1974
				<xref ref-type="fn" rid="fn3">
					<sup>3</sup>
				</xref>, uma das primeiras iniciativas de permiss&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o para o setor privado no pa&#xED;s, considerando que esse tipo de contrata&#xE7;&#xE3;o deve ocorrer por meio de empresa prestadora de servi&#xE7;os que tenha como finalidade disponibilizar m&#xE3;o de obra tempor&#xE1;ria (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">DIEESE, 2017</xref>).
			</p>
			<p>Estas formas de rela&#xE7;&#xE3;o de trabalho evolu&#xED;ram nos anos 1980 e se expandiram em 1990, em uma realidade de recess&#xE3;o econ&#xF3;mica e ado&#xE7;&#xE3;o, por parte das empresas e do Estado, de novos modelos de gest&#xE3;o que reestruturavam sua forma de produzir e gerir o trabalho.</p>
			<p>A d&#xE9;cada de 1990 &#xE9; favor&#xE1;vel &#xE0; terceiriza&#xE7;&#xE3;o devido &#xE0; conjuntura presente no pa&#xED;s: mudan&#xE7;as no padr&#xE3;o de desenvolvimento, formas e mecanismos de trabalho; uma economia com elevados n&#xED;veis de regula&#xE7;&#xE3;o e planejamento estatal substitu&#xED;dos por uma economia desregulamentada sob a l&#xF3;gica do mercado; necessidade de moderniza&#xE7;&#xE3;o para a competitividade internacional, dentre outros. Este per&#xED;odo demarca a inser&#xE7;&#xE3;o do Brasil nas formas flex&#xED;veis de produ&#xE7;&#xE3;o e a ado&#xE7;&#xE3;o do neoliberalismo, via reforma gerencial.</p>
			<p>At&#xE9; 2017, no Brasil, a terceiriza&#xE7;&#xE3;o estava adstrita a atividades-meio, portanto, sendo ilegal quando usada em atividades-fim. Essa determina&#xE7;&#xE3;o estava presente no &#xFA;nico mecanismo legal que tratava do tema no pa&#xED;s: o Enunciado 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), de 1994.</p>
			<p>Assim, a terceiriza&#xE7;&#xE3;o deixa de ser uma pr&#xE1;tica acess&#xF3;ria ou complementar e passa a ser um elemento central das estrat&#xE9;gias empresariais e do Estado, com vistas &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o de encargos sociais e trabalhistas e maior flexibilidade da gest&#xE3;o da for&#xE7;a de trabalho em termos de contrata&#xE7;&#xE3;o e demiss&#xE3;o. Aos trabalhadores equivale a redu&#xE7;&#xE3;o de direitos, maior instabilidade e condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho, de modo geral, adversas.</p>
			<p>No Brasil, firmou-se como a principal estrat&#xE9;gia de redu&#xE7;&#xE3;o de custos com pessoal, sob um rol de justificativas fr&#xE1;geis. Volta-se &#xE0; desobriga&#xE7;&#xE3;o com a gest&#xE3;o, os custos da for&#xE7;a de trabalho, as garantias previdenci&#xE1;rias, ao passo que utiliza os contratos flex&#xED;veis, tempor&#xE1;rios, parciais, por tarefa, dentre outros (
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">POCHMANN, 2012</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">DRUCK; FRANCO, 2007</xref>).
			</p>
			<p>Na Gest&#xE3;o P&#xFA;blica, atinge, sobretudo, as pol&#xED;ticas sociais. Ressalta-se que tal situa&#xE7;&#xE3;o tem duas faces contradit&#xF3;rias fundamentais: a) a necessidade de expans&#xE3;o da a&#xE7;&#xE3;o estatal em pol&#xED;ticas sociais p&#xFA;blicas para regulamentar as conquistas de 1988; e b) a orienta&#xE7;&#xE3;o neoliberal de restri&#xE7;&#xE3;o do Estado, especialmente no &#xE2;mbito destas pol&#xED;ticas, ao se posicionar contra as conquistas sociais constitucionais. Esse embate deu t&#xF3;nica &#xE0;s a&#xE7;&#xF5;es sociais nos anos 1990, cuja repercuss&#xE3;o mostra-se &#xE0; &#xE1;rea ainda hoje.</p>
			<p>A aprova&#xE7;&#xE3;o da Lei 13.429 de 2017, que se prop&#xF5;e a regulamentar a terceiriza&#xE7;&#xE3;o, &#x201C;n&#xE3;o deixa claro se as regras [por ela anunciadas] se estendem ou n&#xE3;o ao setor p&#xFA;blico&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">DIEESE, 2017</xref>, p. 8). Assim, utilizar-se-&#xE1; a divis&#xE3;o do Departamento Intersindical de Estat&#xED;stica e Estudos Socioecon&#xF4;micos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">DIEESE, 2007</xref>) sobre a terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Estado, a qual pode ocorrer por meio de: concess&#xE3;o, permiss&#xE3;o, parcerias e aloca&#xE7;&#xE3;o de m&#xE3;o de obra e subcontrata&#xE7;&#xE3;o
				<xref ref-type="fn" rid="fn4">
					<sup>4</sup>
				</xref>. Estas podem ser transferidas ou delegadas para empresas privadas, nacionais ou multinacionais, cooperativas de trabalho, organiza&#xE7;&#xF5;es sociais (OSs), organiza&#xE7;&#xF5;es sociais civis de interesse p&#xFA;blico (OSCIPs) e institui&#xE7;&#xF5;es sem fins lucrativos. A depender da modalidade de contrata&#xE7;&#xE3;o, encontram-se limites a este ou &#xE0;quele contratante.
			</p>
			<p>Ap&#xF3;s uma s&#xE9;rie de irregularidades na rela&#xE7;&#xE3;o entre as organiza&#xE7;&#xF5;es da sociedade civil e a Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica, aprovou-se a Lei 1.3019, de 31 de julho de 2014, atualizada em 2015, que dirime sobre a &#x201C;coopera&#xE7;&#xE3;o&#x201D; entre estes entes. Destacam-se alguns elementos regulamentadores destas &#x201C;parcerias&#x201D;: a constitui&#xE7;&#xE3;o dos termos de colabora&#xE7;&#xE3;o, termos de fomento e &#x201C;chamamento p&#xFA;blico&#x201D; como meio de sele&#xE7;&#xE3;o destas institui&#xE7;&#xF5;es. Portanto, a rela&#xE7;&#xE3;o entre os entes n&#xE3;o ocorre via contrato e, por conseguinte, n&#xE3;o se aplica &#xE0; Lei 8.666/93 (que trata sobre as licita&#xE7;&#xF5;es e contratos estatais). Isso leva &#xE0; flexibiliza&#xE7;&#xE3;o e agilidade na contrata&#xE7;&#xE3;o das OSs pelo ente p&#xFA;blico, considerada engessada.</p>
			<p>Trata-se de um avan&#xE7;o no processo de afastamento do Estado na concretiza&#xE7;&#xE3;o dos seus deveres, transferindo parte do fundo p&#xFA;blico para o fomento de outros setores, fortalecendo-os. &#xC9;, al&#xE9;m disso, a dualiza&#xE7;&#xE3;o da efetiva&#xE7;&#xE3;o de direitos, formulados pela burocracia e executados por terceiros, em condi&#xE7;&#xF5;es por vezes ignoradas, redundando em fragiliza&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es.</p>
			<p>Como fen&#xF4;meno que domina o mercado de trabalho, dados do DIEESE e da Central &#xDA;nica dos Trabalhadores (DIEESE/CUT) de 2014 demonstram que os terceirizados representavam, em 2013, 26,8%, do mercado formal (12,7 milh&#xF5;es de assalariados), cuja concentra&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; nas faixas de at&#xE9; tr&#xEA;s sal&#xE1;rios-m&#xED;nimos. Estes n&#xFA;meros, todavia, s&#xE3;o subestimados, pois muitos dos inseridos nesse setor est&#xE3;o fora do mercado formal de emprego.</p>
			<p>Exercendo suas fun&#xE7;&#xF5;es tr&#xEA;s horas a mais que os diretamente contratados (excetuadas as horas extras e os bancos de horas), em 2013, se houvesse uma equipara&#xE7;&#xE3;o no n&#xFA;mero de horas trabalhadas entre terceiros e diretamente contratados, seriam geradas 882.959 vagas a mais no mercado (sem contar as horas extras, os bancos de horas e o ritmo de trabalho), conforme pesquisa do 
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">DIEESE-CUT (2014)</xref>.
			</p>
			<p>Esses trabalhadores t&#xEA;m suas rela&#xE7;&#xF5;es laborais marcadas pela rotatividade, a qual &#xE9; 3,1% maior que a dos diretamente contratados. Isso traz consequ&#xEA;ncias tanto para indiv&#xED;duo quanto para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), porque os terceirizados elevam os gastos com o seguro-desemprego (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">DIEESE-CUT, 2014)</xref>. Esta rotatividade dificulta a organiza&#xE7;&#xE3;o e resist&#xEA;ncia pol&#xED;tica e a capacita&#xE7;&#xE3;o profissional, dada a fragilidade da rela&#xE7;&#xE3;o entre o trabalhador e seu 
				<italic>l&#xF3;cus</italic> de trabalho.
			</p>
			<p>Ademais, a terceiriza&#xE7;&#xE3;o pode comprometer os servi&#xE7;os e os produtos prestados. Isso porque nem sempre as empresas que prestam os servi&#xE7;os t&#xEA;m a especializa&#xE7;&#xE3;o requerida e propalada para executar tal servi&#xE7;o ou produto. Ainda, dada a flexibiliza&#xE7;&#xE3;o dos contratos entre contratantes e terceirizadas, que pode ser rescindido mais facilmente, e na busca por mercados, a terceira pode assumir atividades que n&#xE3;o est&#xE3;o na sua complei&#xE7;&#xE3;o inicial como meio de sobreviver no mercado ao findar um contrato, comprometendo a qualidade do servi&#xE7;o e com consequ&#xEA;ncias para o usu&#xE1;rio final.</p>
			<p>Neste cen&#xE1;rio, h&#xE1; luta e resist&#xEA;ncia relacionada &#xE0; terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Brasil, tanto no setor p&#xFA;blico quando no privado, o que colabora para forjar cotidianamente uma correla&#xE7;&#xE3;o de for&#xE7;as favor&#xE1;vel ao trabalhador. Diante disso, pautou-se nos &#xFA;ltimos anos a necessidade de uma legisla&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica para proteger os terceirizados, posto que o Enunciado 331 do TST n&#xE3;o era suficiente.</p>
			<p>Assim, houve dois projetos contradit&#xF3;rios em disputa, um ligado &#xE0;s organiza&#xE7;&#xF5;es da classe trabalhadora e outro aos setores empresariais. A CUT formulou o Projeto de Lei (PL) 1.621/2007, cujas principais linhas previam: I) direito &#xE0; informa&#xE7;&#xE3;o pr&#xE9;via; II) proibi&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o na atividade-fim; II) responsabilidade solid&#xE1;ria da empresa contratante pelas obriga&#xE7;&#xF5;es trabalhistas; IV) igualdade de direitos e de condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho; e V) penaliza&#xE7;&#xE3;o das empresas infratoras. Al&#xE9;m desse projeto, havia outro com premissas id&#xEA;nticas ao PL 1.621/07 elaborado pelas centrais e pelo Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego (MTE) (
				<xref ref-type="bibr" rid="B16">CUT, 2009</xref>).
			</p>
			<p>Os setores empresariais defenderam dois projetos. O PL 4.302/1998
				<xref ref-type="fn" rid="fn5">
					<sup>5</sup>
				</xref> propunha a regulamenta&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o, usando como artif&#xED;cio a amplia&#xE7;&#xE3;o do tempo contratual do trabalho tempor&#xE1;rio, transformando-o em padr&#xE3;o rebaixado de contrata&#xE7;&#xE3;o com direitos reduzidos. Desde 2011, o Congresso buscava regulamentar a terceiriza&#xE7;&#xE3;o atrav&#xE9;s do PL 4.330/2004, que procurava descaracterizar a rela&#xE7;&#xE3;o de emprego e normatizava a terceiriza&#xE7;&#xE3;o em &#x201C;atividades-fim&#x201D; ou atividades inerentes, acess&#xF3;rias ou complementares &#xE0; atividade econ&#xF4;mica da contratante. No momento, esse projeto aprovado na C&#xE2;mara encontra-se no Senado, sob a denomina&#xE7;&#xE3;o de Projeto de Lei Complementar n&#xBA; 30/2015.
			</p>
			<p>Em 2016, sob o discurso da moderniza&#xE7;&#xE3;o, amplia&#xE7;&#xE3;o de empregos e retomada do crescimento econ&#xF4;mico, ressurge a proposta de regulamenta&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o irrestrita &#xE0; revelia dos interesses da classe trabalhadora. O PL n&#xBA; 4.302/1998 foi desarquivado, sendo base da Lei n&#xBA; 13.429, aprovada pela C&#xE2;mara Federal, em 23 de mar&#xE7;o de 2017, e sancionada em 31 de mar&#xE7;o do mesmo ano. A referida lei faz altera&#xE7;&#xF5;es na Lei n&#xBA; 6.019, de 1974, que trata do trabalho tempor&#xE1;rio em empresas urbanas e disp&#xF5;e sobre as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho nas empresas de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os a terceiros (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">DIEESE, 2017</xref>).
			</p>
			<p>O primeiro aspecto a ser destacado sobre a Lei n&#xBA; 13.429, de 2017, &#xE9; a jun&#xE7;&#xE3;o em um &#xFA;nico dispositivo de duas quest&#xF5;es complexas: o trabalho tempor&#xE1;rio e a terceiriza&#xE7;&#xE3;o. Entende-se que a regulamenta&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o deveria ser amplamente discutida com os interessados, especialmente os trabalhadores, os quais possuem menor poder de negocia&#xE7;&#xE3;o com as terceiras e as contratantes, requerendo dispositivos legais claros sobre seus direitos e as possibilidades de t&#xEA;-los efetivados. O debate travado em torno da aprova&#xE7;&#xE3;o desta lei considerou preponderantemente as requisi&#xE7;&#xF5;es das contratadas e terceirizadas, silenciando as requisi&#xE7;&#xF5;es do trabalhador. Demonstrando sua conex&#xE3;o aos interesses empresariais, a implica&#xE7;&#xE3;o primeira desta lei ao terceirizado &#xE9; a amplia&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s atividades-fim, algo antes proibido pelo Enunciado 331 do TST. Assim, informa a lei: &#x201C;O contrato de trabalho tempor&#xE1;rio pode versar sobre o desenvolvimento de atividades-meio e atividades-fim a serem executadas na empresa tomadora de servi&#xE7;os&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">BRASIL, 2017</xref>, p. 2). Esta regulamenta&#xE7;&#xE3;o retira as barreiras impostas ao contrato de pessoal para as atividades que s&#xE3;o a raz&#xE3;o social da empresa. Assim, a tend&#xEA;ncia &#xE9; a amplia&#xE7;&#xE3;o deste tipo de contrato no Pa&#xED;s.
			</p>
			<p>Chama aten&#xE7;&#xE3;o a defini&#xE7;&#xE3;o de empresa prestadora e empresa contratante de servi&#xE7;os presentes na referida lei. A primeira definida como &#x201C;a pessoa jur&#xED;dica de direito privado destinada a prestar &#xE0; contratante servi&#xE7;os determinados e espec&#xED;ficos&#x201D;. Esta &#x201C;contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realiza&#xE7;&#xE3;o desses servi&#xE7;os&#x201D;. A segunda define-se por ser a &#x201C;pessoa f&#xED;sica ou jur&#xED;dica que celebra contrato com empresa de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os determinados e espec&#xED;ficos&#x201D;. Ademais, &#xE9; feito o alerta: &#x201C;N&#xE3;o se configura v&#xED;nculo empregat&#xED;cio entre os trabalhadores, ou s&#xF3;cios das empresas prestadoras de servi&#xE7;os, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">BRASIL, 2017</xref>, p.1).
			</p>
			<p>A partir destes elementos, legitima-se a &#x201C;quarteiriza&#xE7;&#xE3;o&#x201D; - quando a empresa terceira pode subcontratar outras para realizar servi&#xE7;os contratados - e a possibilidade de a contratante ser pessoa jur&#xED;dica (PJ), podendo redundar em empresas de uma &#xFA;nica pessoa, a conhecida &#x201C;pejotiza&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. Para o 
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">DIEESE (2017)</xref>, esta dupla rela&#xE7;&#xE3;o pode intensificar o risco de fragmenta&#xE7;&#xE3;o excessiva dos processos produtivos, facilitando o acometimento de fraudes, sonega&#xE7;&#xE3;o e queda na qualidade dos produtos e servi&#xE7;os, al&#xE9;m de dificultar a fiscaliza&#xE7;&#xE3;o no cumprimento de legisla&#xE7;&#xE3;o fiscal, trabalhista e previdenci&#xE1;ria, o que pode elevar conflitos e judicializa&#xE7;&#xE3;o destas formas de contrata&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>Quanto &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho, tem-se a regulamenta&#xE7;&#xE3;o das diferencia&#xE7;&#xF5;es entre diretamente contratados e terceirizados, algo j&#xE1; efetivado no cotidiano da terceiriza&#xE7;&#xE3;o. Isso expressa-se no fato de a contratante ter somente a responsabilidade de &#x201C;garantir as condi&#xE7;&#xF5;es de seguran&#xE7;a, higiene e salubridade dos trabalhadores, quando o trabalho for realizado em suas depend&#xEA;ncias ou local previamente convencionado em contrato&#x201D;; sendo facultativo &#x201C;estender ao trabalhador da empresa de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os o mesmo atendimento m&#xE9;dico, ambulatorial e de refei&#xE7;&#xE3;o destinado aos seus empregados, existente nas depend&#xEA;ncias da contratante, ou local por ela designado&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">BRASIL, 2017</xref>, p 3).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, no caso de causas trabalhistas, a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o da contratante &#xE9; subsidi&#xE1;ria, ou seja, ela s&#xF3; atuar&#xE1; na falta da terceira para arcar com os direitos devidos ao terceirizado, em caso de condena&#xE7;&#xE3;o desta. A defesa dos setores ligados &#xE0; classe trabalhadora era de regulamentar a responsabilidade solid&#xE1;ria, na qual o trabalhador poderia recorrer a qualquer uma das empresas/entes em casos como esse.</p>
			<p>A rotatividade profissional marcante nos contratos tempor&#xE1;rios &#xE9; corroborada &#xE0; medida que a lei prev&#xEA; a contrata&#xE7;&#xE3;o por at&#xE9; 180 dias, prorrogada por mais 90 dias quando comprovadas as condi&#xE7;&#xF5;es que o ensejaram, ambos prazos computados consecutivamente ou n&#xE3;o, ao fim dos quais um novo contrato com a mesma tomadora s&#xF3; poder&#xE1; ser firmado decorridos 90 dias do fim do primeiro contrato. A contrata&#xE7;&#xE3;o do terceirizado em prazo inferior a este configurar&#xE1; o v&#xED;nculo empregat&#xED;cio com a tomadora.</p>
			<p>Ademais, a lei deixa algumas lacunas importantes, que abrem margem a interpreta&#xE7;&#xF5;es variadas caso n&#xE3;o sejam esclarecidas. Destacam-se: a indefini&#xE7;&#xE3;o quanto &#xE0; aplicabilidade da lei ao setor p&#xFA;blico e ao trabalho dom&#xE9;stico; os requisitos para as empresas prestadoras de servi&#xE7;os e as cl&#xE1;usulas nos contratos de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os s&#xE3;o amplas e insuficientes para sanar as d&#xFA;vidas, criar par&#xE2;metros avaliativos e fiscalizadores eficientes e seguros. Por sua vez, h&#xE1; o esclarecimento de que as empresas de vigil&#xE2;ncia e transporte de valores n&#xE3;o s&#xE3;o contempladas por esta lei, e que os contratos entre contratantes e contratadas vigentes podem ser adequados a esta lei, caso haja acordo entre as partes.</p>
			<p>Quanto ao descumprimento das normas presentes na referida lei, &#xE9; previsto apenas o pagamento de multas. Claramente, n&#xE3;o se tem previs&#xE3;o adequada &#xE0; prote&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores inseridos na &#xF3;rbita da terceiriza&#xE7;&#xE3;o, o que refor&#xE7;a a indica&#xE7;&#xE3;o de que a realidade apresentada pelo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">DIEESE/CUT, 2014</xref>, at&#xE9; pode ser alterada em favor do trabalhador, mas n&#xE3;o o ser&#xE1; pelas garantias presentes nesta norma.
			</p>
			<p>Assim, percebe-se que a Lei n&#xBA; 13.429, de 2017, amplia a terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Pa&#xED;s, cuja regulamenta&#xE7;&#xE3;o institucionaliza perdas aos trabalhadores e quebra limites jur&#xED;dicos ainda vigentes. Deve-se pontuar que esta lei se soma a um conjunto de retrocessos sociais, pol&#xED;ticos e econ&#xF4;micos na hist&#xF3;ria recente do Pa&#xED;s, cujas express&#xF5;es est&#xE3;o em ebuli&#xE7;&#xE3;o dadas as articula&#xE7;&#xF5;es para promo&#xE7;&#xE3;o de mudan&#xE7;as na CLT e nas regras da previd&#xEA;ncia. Esse conjunto mostra-se precarizador e flexibilizador das condi&#xE7;&#xF5;es e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho - o alvo preferencial para pagar as d&#xED;vidas das crises econ&#xF3;micas. Isso redunda em inseguran&#xE7;a e desregulamenta&#xE7;&#xE3;o de direitos da classe trabalhadora, cuja realidade tende a ter como regra geral a instabilidade.</p>
			<p>A disputa em torno do tema &#xE9; constante, exigindo organiza&#xE7;&#xE3;o e conscientiza&#xE7;&#xE3;o por parte dos setores ligados ao trabalho, posto o desafio de fazer frente a regulamenta&#xE7;&#xE3;o jur&#xED;dica da fragiliza&#xE7;&#xE3;o dos processos de trabalho, e, em especial, ao terceirizado, cujo horizonte analisado atrav&#xE9;s de dados do passado e do presente mostra-se sedento por organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e luta para fazer frente a esta realidade. Alerta-se que, dada a base ontol&#xF3;gica do trabalho para o ser social, as condi&#xE7;&#xF5;es gerais de precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho aprofundam as desigualdades e as express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, as quais, paralelamente, colaboraram para a degrada&#xE7;&#xE3;o geral do tecido social brasileiro.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>A terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Cear&#xE1; sob o discurso da moderniza&#xE7;&#xE3;o estatal</title>
			<p>A terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Cear&#xE1; tem sua amplia&#xE7;&#xE3;o no processo de estrutura&#xE7;&#xE3;o e consolida&#xE7;&#xE3;o da moderniza&#xE7;&#xE3;o da estrutura econ&#xF3;mica e da Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica no contexto de queda dos coron&#xE9;is no final dos anos 1980 - ent&#xE3;o detentores do poder pol&#xED;tico e econ&#xF3;mico no Estado. Nesse per&#xED;odo, ascende ao poder um grupo empresarial que se tornou hegem&#xF3;nico tendo como expoente m&#xE1;ximo o atual senador Tasso Jereissati. Com forte uso do discurso pol&#xED;tico e do 
				<italic>marketing,</italic> essa ascens&#xE3;o ocorreu gra&#xE7;as &#xE0;s cr&#xED;ticas ao modelo tradicional e clientelista de fazer pol&#xED;tica, o que lhes concedeu amplo apoio popular; e ao discurso da moderniza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tico-administrativa nesse Estado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">NOBRE, 2008</xref>).
			</p>
			<p>Nesse contexto, propugnou-se a reforma, cujos ideais eram os mesmos que levaram, posteriormente, &#xE0; reforma nacional: moderniza&#xE7;&#xE3;o, participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica, descentraliza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tico-administrativa, racionaliza&#xE7;&#xE3;o da m&#xE1;quina estatal, dentre outras. A reforma ocorreu em duas fases: inicialmente, esse projeto voltou-se &#xE0; recupera&#xE7;&#xE3;o financeira (ent&#xE3;o havia limites jur&#xED;dicos a reformas mais profundas - problema sanado com a reforma empreendida pelo Congresso Nacional), e, posteriormente, &#xE0; moraliza&#xE7;&#xE3;o da administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica cearense (
				<xref ref-type="bibr" rid="B22">GONDIM, 1995</xref>).
			</p>
			<p>As consequ&#xEA;ncias desta pol&#xED;tica foram, por um lado, a consolida&#xE7;&#xE3;o da industrializa&#xE7;&#xE3;o cearense, ent&#xE3;o pouco diversificada, e, por outro, a busca em suplantar os padr&#xF5;es produtivos da agricultura e da pecu&#xE1;ria - tradicionais dependentes das condi&#xE7;&#xF5;es geogr&#xE1;ficas e clim&#xE1;ticas da regi&#xE3;o. Para tanto, alteraram-se as rela&#xE7;&#xF5;es ente o Estado e os diversos setores da sociedade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">NOBRE, 2008</xref>).
			</p>
			<p>No Estado, uma das principais estrat&#xE9;gias de conten&#xE7;&#xE3;o de gastos foi a diminui&#xE7;&#xE3;o dos disp&#xEA;ndios com pessoal, por meio de diminui&#xE7;&#xE3;o de sal&#xE1;rios e remo&#xE7;&#xE3;o de gratifica&#xE7;&#xF5;es. Nesse per&#xED;odo, a terceiriza&#xE7;&#xE3;o ganhou intensa express&#xE3;o como pol&#xED;tica de pessoal no Gest&#xE3;o P&#xFA;blica cearense.</p>
			<p>Nesse processo, o governo estadual buscou suporte no modelo desenvolvimentista do Leste Asi&#xE1;tico. Assim, aqui, defendeu-se a flexibiliza&#xE7;&#xE3;o do Estado e um planejamento compartilhado com o setor privado, a converg&#xEA;ncia entre a&#xE7;&#xF5;es governamentais e os investimentos privados, visando &#xE0; melhoria da competitividade internacional e &#xE0; eleva&#xE7;&#xE3;o da produtividade. O Cear&#xE1; era o pioneiro, no Brasil, nessa reforma gerencial (
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">ABUL-EL-HAJ, 2003</xref>).
			</p>
			<p>Ao longo dos anos 1990, o Estado aprofundou os preceitos reformistas, mas n&#xE3;o sem resist&#xEA;ncias. Um exemplo &#xE9; o Sindicato dos Trabalhadores no Servi&#xE7;o P&#xFA;blico Estadual do Cear&#xE1; (Mova-se), que se posicionou na defesa de direitos sociais e trabalhistas, hist&#xF3;rico este que se mant&#xE9;m ainda hoje.</p>
			<p>De modo geral, o Cear&#xE1; ocupa o segundo lugar em n&#xFA;mero de terceirizados no Brasil, conformando um percentual de 29,0% do total de trabalhadores formais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">DIEESE/CUT, 2014</xref>). Na Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica, segundo relat&#xF3;rio do Tribunal de Contas do Cear&#xE1; (TCE), no per&#xED;odo de 2007 a 2012, houve um aumento de 25,10% dos terceirizados em atividades n&#xE3;o terceiriz&#xE1;veis nesse setor (2012). As pol&#xED;ticas de recorte social s&#xE3;o as mais afetadas por inflex&#xF5;es pr&#xE1;tico-pol&#xED;ticas neste cen&#xE1;rio e limitadas como direito.
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O paradoxo de garantir direitos sem ter os seus direitos respeitados</title>
			<p>A Assist&#xEA;ncia Social &#xE9; &#x201C;um campo concreto de acesso a bens e servi&#xE7;os pela popula&#xE7;&#xE3;o pauperizada&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B28">SPOSATI, 2014</xref>, p. 31). &#xC9; pol&#xED;tica p&#xFA;blica n&#xE3;o contributiva, portanto, direito do cidad&#xE3;o e dever do Estado, que prov&#xEA; os m&#xED;nimos sociais, sendo realizada atrav&#xE9;s de a&#xE7;&#xF5;es de iniciativa p&#xFA;blica e da sociedade, para garantir o atendimento &#xE0;s necessidades b&#xE1;sicas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2011</xref>).
			</p>
			<p>O SUAS consolida uma forma de gest&#xE3;o para atender aos objetivos da pol&#xED;tica, quais sejam: prote&#xE7;&#xE3;o, vigil&#xE2;ncia e garantia e defesa de direitos sociais aos que se encontram em situa&#xE7;&#xE3;o de vulnerabilidade e riscos sociais, pessoais e familiares, independentemente da situa&#xE7;&#xE3;o financeira - muito embora este ainda seja o principal demandante da pol&#xED;tica.</p>
			<p>A vigil&#xE2;ncia socioassistencial compreende a produ&#xE7;&#xE3;o, sistematiza&#xE7;&#xE3;o, an&#xE1;lise e dissemina&#xE7;&#xE3;o de informa&#xE7;&#xF5;es territorializadas visando ao desenvolvimento da prote&#xE7;&#xE3;o aos sujeitos. A defesa de direitos se refere ao pleno acesso aos direitos no conjunto das provis&#xF5;es socioassistenciais, mediante a divulga&#xE7;&#xE3;o e a defesa da efetiva&#xE7;&#xE3;o e da amplia&#xE7;&#xE3;o dos direitos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2011</xref>).
			</p>
			<p>A prote&#xE7;&#xE3;o social possui dois n&#xED;veis: a Prote&#xE7;&#xE3;o Social B&#xE1;sica (PSB), com car&#xE1;ter preventivo, e a Prote&#xE7;&#xE3;o Social Especial (PSE) de M&#xE9;dia e Alta Complexidade, atuando junto aos que est&#xE3;o vivenciando algum tipo de viola&#xE7;&#xE3;o de direitos, mas mant&#xEA;m os v&#xED;nculos familiares e/ou comunit&#xE1;rios e aos que precisam de atendimento integral, respectivamente. As a&#xE7;&#xF5;es protetivas podem ser realizadas nas institui&#xE7;&#xF5;es e organiza&#xE7;&#xF5;es de assist&#xEA;ncia social privadas conveniadas ao SUAS e/ou nos equipamentos estatais.</p>
			<p>Os Centros de Refer&#xEA;ncia de Assist&#xEA;ncia Social (CRAS), os CREAS, os Centros de Refer&#xEA;ncia Especializados para Popula&#xE7;&#xE3;o em Situa&#xE7;&#xE3;o de Rua (CREAS POP), al&#xE9;m de institui&#xE7;&#xF5;es de atendimento integral (Casas-Lares, Asilos, Albergues, dentre outros) s&#xE3;o os espa&#xE7;os estatais de refer&#xEA;ncia na PSB e na PSE, respectivamente.</p>
			<p>Os CREAS s&#xE3;o equipamentos p&#xFA;blicos municipais, territorializados, localizados em &#xE1;rea com elevados &#xED;ndices de vulnerabilidade e risco social. Trata-se de uma unidade p&#xFA;blica de abrang&#xEA;ncia e gest&#xE3;o municipal, estadual ou regional, destinada &#xE0; presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os aos que se encontram em situa&#xE7;&#xE3;o de risco pessoal ou social, por viola&#xE7;&#xF5;es, que demandam interven&#xE7;&#xF5;es especializadas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2011</xref>).
			</p>
			<p>Esta configura&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica demandou mais profissionais e exigiu dos mesmos o dom&#xED;nio das peculiaridades da pol&#xED;tica, dos usu&#xE1;rios e das especificidades do seu trabalho. Logo, buscaram-se estrat&#xE9;gias para profissionalizar, capacitar e promover a carreira dos trabalhadores desta pol&#xED;tica visando romper com os resqu&#xED;cios do perfil tradicional dos que atuam por voli&#xE7;&#xE3;o e princ&#xED;pios religiosos, benemerentes, socialmente louv&#xE1;veis, mas com um desprest&#xED;gio na divis&#xE3;o sociot&#xE9;cnica do trabalho. Isso se reflete nos sal&#xE1;rios e condi&#xE7;&#xF5;es prec&#xE1;rias de trabalho.</p>
			<p>Destarte, conquistaram-se normas aos trabalhadores, asseverando direitos e condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho adequadas ao necess&#xE1;rio desenvolvimento das a&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais. Destacam-se: a Norma Operacional B&#xE1;sica de Recursos Humanos (NOB/RH/SUAS), de 2006; a Tipifica&#xE7;&#xE3;o Nacional dos Servi&#xE7;os Socioassistenciais, de 2009, que definiu os servi&#xE7;os, as a&#xE7;&#xF5;es e as condi&#xE7;&#xF5;es ambientais, materiais e socioeducativas de desenvolvimento das a&#xE7;&#xF5;es, as Resolu&#xE7;&#xF5;es do Conselho Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (CNAS) n&#xBA; 9, de 2014, e n.&#xBA; 17, de 2011, que referendam e ampliam os trabalhadores das equipes de refer&#xEA;ncia; a Lei n&#xBA; 12.435/2011, que afirma a gest&#xE3;o do trabalho como estrat&#xE9;gica na condu&#xE7;&#xE3;o dos direitos socioassistenciais; a Norma Operacional B&#xE1;sica (NOB/SUAS), de 2012, que diz sobre a gest&#xE3;o do trabalho em condi&#xE7;&#xF5;es dignas; e a Pol&#xED;tica Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o Permanente (PNEP/SUAS) de 2013.</p>
			<p>Apesar do avan&#xE7;o legal, os contratos de trabalho se d&#xE3;o sob o signo da precariza&#xE7;&#xE3;o. Em 2015, dos 91.965 trabalhadores do CRAS, 51,5% foram contratados por v&#xED;nculos n&#xE3;o permanentes. Dos 22.288 profissionais do CREAS, em 2015, 46% encontram-se nesta situa&#xE7;&#xE3;o. Os Centros POP empregavam 3.108 profissionais, dos quais 55,2% trabalham com v&#xED;nculos n&#xE3;o permanentes, conforme dados do Censo SUAS 2015 (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">BRASIL, 2016</xref>).
			</p>
			<p>Acrescenta-se a essa realidade a prec&#xE1;ria estrutura institucional com condi&#xE7;&#xF5;es m&#xED;nimas de trabalho e problemas de gest&#xE3;o. A caracter&#xED;stica dos munic&#xED;pios, especialmente aqueles de pequeno porte, &#xE9; de pouca estrutura institucional e de gest&#xE3;o com rotinas t&#xE9;cnicas e administrativas fr&#xE1;geis e pouco qualificadas. Al&#xE9;m disso, &#xE9; preciso que se entenda haver uma rela&#xE7;&#xE3;o entre o p&#xFA;blico e o p&#xFA;blico n&#xE3;o estatal (privado) dentro da pol&#xED;tica que condiciona o seu desenvolvimento e rebate tamb&#xE9;m na ideia da gest&#xE3;o do trabalho social no SUAS (
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">COUTO; YAZBEK; RAICHELIS, 2012</xref>).
			</p>
			<p>Esse campo &#xE9; permeado pela fragilidade protetiva no mundo do trabalho, cujas notas se particularizam em um espa&#xE7;o historicamente visto como 
				<italic>l&#xF3;cus</italic> privilegiado do n&#xE3;o trabalho. Assim, o trabalhador da Assist&#xEA;ncia Social convive com a flexibiliza&#xE7;&#xE3;o dos direitos trabalhistas; a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o do profissional com os custos de capacita&#xE7;&#xE3;o em n&#xED;veis mais elevados de ensino; condi&#xE7;&#xF5;es ineficientes e prec&#xE1;rias de trabalho, dentre outros. Tudo isso &#xE9; perpassado pelos conflitos de concep&#xE7;&#xF5;es sobre a pol&#xED;tica, as quais s&#xE3;o tensionadas por uma perspectiva progressista que a entende como campo de viabiliza&#xE7;&#xE3;o de garantia de parte das necessidades humanas, compreendidas como um direito; e outra que a concebe como um campo de continuidade de conservadorismo e de estigmatiza&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es e dos sujeitos por ela atendidos, a qual desconsidera os determinantes s&#xF3;cio-hist&#xF3;ricos que implicam a imperatividade da Assist&#xEA;ncia Social p&#xFA;blica.
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Requisitos &#xE0; gest&#xE3;o do trabalho na Assist&#xEA;ncia Social</title>
			<p>A Assist&#xEA;ncia Social &#xE9; uma &#xE1;rea de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os, cuja media&#xE7;&#xE3;o principal &#xE9; o pr&#xF3;prio profissional (
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">SPOSATI, 2006</xref>), o qual realiza um trabalho apoiado no seu conhecimento e na sua forma&#xE7;&#xE3;o &#xE9;tica, te&#xF3;rica, t&#xE9;cnica e pol&#xED;tica e nas condi&#xE7;&#xF5;es institucionais para efetivar sua interven&#xE7;&#xE3;o (
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">SILVEIRA, 2011</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">COUTO; YAZBEK; RAICHELIS, 2012</xref>).
			</p>
			<p>A gest&#xE3;o do trabalho no SUAS compreende o planejamento, a organiza&#xE7;&#xE3;o e a execu&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es relativas &#xE0; valoriza&#xE7;&#xE3;o do trabalhador e &#xE0; estrutura&#xE7;&#xE3;o do processo de trabalho institucional, no &#xE2;mbito dos entes federativos. Cada um desses &#xE9; respons&#xE1;vel pela constitui&#xE7;&#xE3;o de &#xF3;rg&#xE3;o espec&#xED;fico em sua esfera para a gest&#xE3;o do SUAS, expressando o or&#xE7;amento a ele vinculado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">BRASIL, 2012</xref>).
			</p>
			<p>Neste aspecto, o marco fundamental foi a regulamenta&#xE7;&#xE3;o da NOB/RH/SUAS, que define como trabalhadores da Assist&#xEA;ncia Social todos os inseridos nas Secretarias de Assist&#xEA;ncia Social, nas secretarias executivas dos Conselhos de Assist&#xEA;ncia Social, nas unidades p&#xFA;blicas estatais, nas entidades e organiza&#xE7;&#xF5;es de Assist&#xEA;ncia Social, respons&#xE1;veis pelas fun&#xE7;&#xF5;es da gest&#xE3;o e pelo provimento dos servi&#xE7;os, programas, projetos e benef&#xED;cios socioassistenciais da rede socioassistencial (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2011</xref>).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m dessa defini&#xE7;&#xE3;o, uma das maiores conquistas previstas nessa norma &#xE9; a constitui&#xE7;&#xE3;o das equipes de refer&#xEA;ncia por servidores efetivos. Estes s&#xE3;o os respons&#xE1;veis pela organiza&#xE7;&#xE3;o e oferta de servi&#xE7;os, programas, projetos e benef&#xED;cios de prote&#xE7;&#xE3;o social b&#xE1;sica e especial, considerando o n&#xFA;mero de fam&#xED;lias e indiv&#xED;duos referenciados, o tipo de atendimento e as aquisi&#xE7;&#xF5;es que devem ser garantidas aos usu&#xE1;rios (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2011</xref>).
			</p>
			<p>As equipes foram referendadas nas Resolu&#xE7;&#xF5;es CNAS n&#xBA; 17, de 2011, e n&#xBA; 9, de 2014. A primeira ratifica e amplia as categorias profissionais de n&#xED;vel superior que atuam obrigat&#xF3;ria e/ou preferencialmente nas equipes de refer&#xEA;ncia. A segunda reconhece as ocupa&#xE7;&#xF5;es e as &#xE1;reas de ocupa&#xE7;&#xF5;es de profissionais de ensino m&#xE9;dio e fundamental que comp&#xF5;em as equipes de refer&#xEA;ncia do SUAS (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">BRASIL, 2011</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">2014</xref>).
			</p>
			<p>Assim, reconhece-se a responsabilidade de todos os envolvidos, direta ou indiretamente no atendimento dos usu&#xE1;rios, na qualidade das a&#xE7;&#xF5;es ofertadas. Destarte, reconhecer os profissionais de n&#xED;vel fundamental e m&#xE9;dio significa reconhecer o car&#xE1;ter global de referenciamento que o aparelho social como um todo possui. Diz-se sobre um acesso ao direito que come&#xE7;a com o porteiro at&#xE9; os mais especializados profissionais. Trata-se de um meio de legitimar esse quadro profissional, pois, &#xE0; medida que s&#xE3;o regulamentadas, al&#xE7;am &#xE0; condi&#xE7;&#xE3;o de direito reivindic&#xE1;vel.</p>
			<p>Para qualificar a a&#xE7;&#xE3;o deste quadro profissional, &#xE9; fundamental o dom&#xED;nio de arsenal t&#xE9;cnico-operativo, &#xE9;tico-pol&#xED;tico e te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gico referente &#xE0; Assist&#xEA;ncia Social e sua especificidade nas tramas sociais, buscando romper com vis&#xF5;es e posturas tradicionalistas, culpabilizadoras, moralizantes, negadoras de direito ainda presentes nos operadores dos servi&#xE7;os socioassistenciais. Requisita-se, assim, a efetiva&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o Permanente, de 2013, que visa &#xE0; problematiza&#xE7;&#xE3;o e ao desenvolvimento de compet&#xEA;ncias conectadas aos novos rumos da pol&#xED;tica. Refor&#xE7;a esta perspectiva a Lei n&#xBA; 12.435/11, que situa como um dos objetivos do SUAS implementar a gest&#xE3;o permanente do trabalho e a educa&#xE7;&#xE3;o permanente, bem como garantir que recursos do cofinanciamento do sistema possam ser utilizados para o pagamento dos profissionais das equipes de refer&#xEA;ncia, estimulando a estabilidade, a valoriza&#xE7;&#xE3;o profissional no sistema e a constru&#xE7;&#xE3;o de perfis profissionais identificados com a pol&#xED;tica.</p>
			<p>Releva-se que o trabalho social desenvolvido atende usu&#xE1;rios que hoje t&#xEA;m sua base n&#xE3;o apenas em pessoas incapazes para o trabalho, mas trabalhadores que, dadas as condi&#xE7;&#xF5;es de emprego e subemprego, est&#xE3;o alijados das condi&#xE7;&#xF5;es de prover, por meio da sua for&#xE7;a laborativa, suas necessidades e de sua fam&#xED;lia. Isso constrange o trabalhador social &#xE0; medida que, na l&#xF3;gica da precariza&#xE7;&#xE3;o, ele tamb&#xE9;m se sujeita &#xE0; inseguran&#xE7;a de conseguir sobreviver pelo seu pr&#xF3;prio trabalho. Ent&#xE3;o, recorre a duplas jornadas de emprego que o esgotam f&#xED;sica e psicologicamente, comprometendo os servi&#xE7;os prestados e a pr&#xF3;pria capacidade laborativa.</p>
			<p>Como membro da classe trabalhadora, este laborador tamb&#xE9;m est&#xE1; imerso na realidade de precariza&#xE7;&#xE3;o, terceiriza&#xE7;&#xE3;o, contrato tempor&#xE1;rio e subemprego. Esta conjuntura somada &#xE0;s pr&#xE9;-no&#xE7;&#xF5;es estigmatizantes do ser trabalhador da pol&#xED;tica exigem a efetiva&#xE7;&#xE3;o da legisla&#xE7;&#xE3;o protetiva ao trabalhador, rompendo com o paradoxo de promo&#xE7;&#xE3;o de prote&#xE7;&#xE3;o social com a 
				<italic>desprote&#xE7;&#xE3;o</italic> dos que a viabilizam.
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Ouvindo os trabalhadores de um CREAS cearense</title>
			<p>A Assist&#xEA;ncia Social &#xE9; operada mediante um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es realizadas com suporte em pactua&#xE7;&#xF5;es, visando &#xE0; efetividade dos servi&#xE7;os socioassistenciais via gest&#xE3;o compartilhada das responsabilidades. Neste bojo, os CREAS regionais s&#xE3;o mecanismos de materializa&#xE7;&#xE3;o da regionaliza&#xE7;&#xE3;o no SUAS visando &#xE0; universaliza&#xE7;&#xE3;o do acesso aos servi&#xE7;os socioassistenciais, aos direitos e seguran&#xE7;as afian&#xE7;adas e aliada &#xE0; territorializa&#xE7;&#xE3;o da PSB. Estes equipamentos s&#xE3;o recomendados para munic&#xED;pios de at&#xE9; 20 mil habitantes, quando a demanda n&#xE3;o justificar ou houver a impossibilidade destes em prover os servi&#xE7;os socioassistenciais em seu &#xE2;mbito. A regionaliza&#xE7;&#xE3;o no SUAS efetiva, sobretudo, o Servi&#xE7;o de Prote&#xE7;&#xE3;o e Atendimento Especializado de Indiv&#xED;duos e Fam&#xED;lias (PAEFI).</p>
			<p>A oferta regionalizada do PAEFI pode ocorrer por duas vias: 1) a Uni&#xE3;o e o Estado o cofinanciam em Unidade de CREAS Municipal, cuja gest&#xE3;o, coordena&#xE7;&#xE3;o e execu&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o &#xE9; de responsabilidade do munic&#xED;pio; ou 2) a implanta&#xE7;&#xE3;o de unidade de CREAS regional, gerida, organizada, coordenada pelo Estado, cuja oferta do servi&#xE7;o &#xE9; feita por equipe t&#xE9;cnica contratada pelo Estado em uma unidade regional e que circula pelo territ&#xF3;rio dos munic&#xED;pios vinculados - sendo este o caso do centro pesquisado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">BRASIL, 2013</xref>).
			</p>
			<p>O CREAS em an&#xE1;lise tem sede em Fortaleza e referencia quatro munic&#xED;pios de pequeno porte, com elevado n&#xED;vel de pobreza e baixos &#xED;ndices de desenvolvimento humano. Possui quatro equipes com profissionais de ensino superior para atend&#xEA;-los, com a participa&#xE7;&#xE3;o de profissionais de n&#xED;vel m&#xE9;dio cedidos pelos munic&#xED;pios. Al&#xE9;m de possuir uma equipe com profissionais de ensino superior e fundamental para atender a demanda do munic&#xED;pio de Fortaleza, que ainda implementava os CREAS em seu territ&#xF3;rio.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>As percep&#xE7;&#xF5;es sobre o trabalho social efetivado e seus dilemas</title>
			<p>A vis&#xE3;o estabelecida sobre a pol&#xED;tica e o trabalho social predominante no CREAS regional os vincula ao exerc&#xED;cio de direitos de cidadania via trabalho assalariado, em um cotidiano permeado por contradi&#xE7;&#xF5;es e possibilidades. Destarte, compreendem-se como elo entre o direito legalmente assegurado e o usu&#xE1;rio. Conhecem-no como aquele a ser orientado pela &#xE9;tica e pelo compromisso com o usu&#xE1;rio, buscando a capacita&#xE7;&#xE3;o permanente e continuada como meio de atuar eficientemente.</p>
			<p>Durante a pesquisa, foram encontrados entre os profissionais vis&#xF5;es que atrelam as a&#xE7;&#xF5;es por eles desenvolvidas como uma forma de ajudar as pessoas, de fazer o bem ao pr&#xF3;ximo, discurso e percep&#xE7;&#xE3;o contrastante com sua inser&#xE7;&#xE3;o enquanto assalariado na institui&#xE7;&#xE3;o, cuja media&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a rela&#xE7;&#xE3;o de trabalho, pautada pela compra e venda da for&#xE7;a de trabalho e n&#xE3;o por uma a&#xE7;&#xE3;o volitiva de ajuda ao pr&#xF3;ximo.</p>
			<p>A sistem&#xE1;tica do trabalho destes nos munic&#xED;pios do interior &#xE9; o atendimento generalizado a todos os casos ligados &#xE0; Prote&#xE7;&#xE3;o Social Especial de M&#xE9;dia Complexidade uma vez na semana. Esta frequ&#xEA;ncia &#xE9; justificada por s&#xF3; haver um carro para atender a demanda de quatro munic&#xED;pios, o qual todo dia est&#xE1; em um munic&#xED;pio diferente; estabelecendo somente um dia por semana para atendimentos emergenciais requeridos pela equipe de um dos munic&#xED;pios referenciados.</p>
			<p>As equipes de profissionais de ensino superior da sede do CREAS em Fortaleza atuam em plant&#xF5;es ou em regime de seis ou oito horas por dia, conforme a jornada de trabalho espec&#xED;fica de cada profiss&#xE3;o. Trabalhando em tr&#xEA;s plant&#xF5;es semanais, por estarem s&#xF3; um dia nos munic&#xED;pios referenciados, as equipes ficam dois dias na sede do Centro: um para resolver quest&#xF5;es ligadas &#xE0; demanda do munic&#xED;pio, especialmente, a realiza&#xE7;&#xE3;o de atividades burocr&#xE1;ticas, planejamento, contatos institucionais, atualiza&#xE7;&#xE3;o de dados dos usu&#xE1;rios, dentre outros; e outro para atender &#xE0; demanda da sede.</p>
			<p>Esta estrutura&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os se mostra prejudicial ao usu&#xE1;rio e ao trabalhador. No primeiro caso, atenta-se para o car&#xE1;ter de refer&#xEA;ncia a ser exercido pelos profissionais que atuam nos centros, cujo processo requer a presen&#xE7;a sistem&#xE1;tica destes segundo a necessidade dos usu&#xE1;rios. A realidade configurada nos munic&#xED;pios &#xE9; de car&#xEA;ncia, pobreza e &#xED;ndices consider&#xE1;veis de vulnerabilidades e riscos sociais. Logo, &#xE9; fundamental que a equipe esteja no equipamento social quando este usu&#xE1;rio chega, bem como se faz necess&#xE1;rio pensar os sistemas que possibilitem o contato direto e sistem&#xE1;tico, especialmente com a popula&#xE7;&#xE3;o rural, mediante vale-transporte, idas frequentes aos s&#xED;tios, por exemplo.</p>
			<p>Os educadores sociais contratados para atuar na sede de Fortaleza realizam o Servi&#xE7;o de Abordagem Social. Os educadores sociais que atuam em cada um dos munic&#xED;pios referenciados est&#xE3;o ligados ao respectivo munic&#xED;pio, dando o suporte &#xE0; equipe t&#xE9;cnica de n&#xED;vel superior; entretanto, na maioria dos casos, n&#xE3;o realizam as fun&#xE7;&#xF5;es que competem ao educador, muitas vezes exercendo a fun&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os gerais.</p>
			<p>&#xC9; preciso que o equipamento esteja efetivamente referenciando estes usu&#xE1;rios, algo que somente &#xE9; poss&#xED;vel com o servi&#xE7;o funcionando. Um pr&#xE9;dio por si s&#xF3; e profissionais n&#xE3;o capacitados s&#xE3;o incapazes de faz&#xEA;-lo. N&#xE3;o h&#xE1; justificativa para manter um educador social dentro de um equipamento atuando como servi&#xE7;os gerais. Neste sentido, &#xE9; preciso delimitar os campos de a&#xE7;&#xE3;o e capacit&#xE1;-los sistem&#xE1;tica e permanentemente sobre o trabalho e as fun&#xE7;&#xF5;es a serem desempenhados, favorecendo a a&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica voltada &#xE0; qualidade dos servi&#xE7;os socioassistenciais.</p>
			<p>Ainda como situa&#xE7;&#xE3;o observada durante a pesquisa, destaca-se a simultaneidade e contradi&#xE7;&#xE3;o de uso dos espa&#xE7;os f&#xED;sicos e da infraestrutura pelos profissionais. A sede do CREAS, como 
				<italic>l&#xF3;cus</italic> de atendimento de demandas dos usu&#xE1;rios de Fortaleza e como espa&#xE7;o de referenciamento, salvo exce&#xE7;&#xF5;es, se mostra adequado ao desenvolvimento das a&#xE7;&#xF5;es. Diferentemente dos espa&#xE7;os destinados aos CREAS dos munic&#xED;pios referenciados, que se caracterizam, em menor ou maior grau, pelo improviso, sem o resguardo do sigilo, da seguran&#xE7;a, de meios de comunica&#xE7;&#xE3;o, de transporte para visitar os s&#xED;tios, dentre outros - carecendo, pois, de infraestrutura.
			</p>
			<p>Para os educadores sociais, a atua&#xE7;&#xE3;o &#xE9; complexa nos postos espalhados pela cidade, os quais n&#xE3;o disp&#xF5;em de infraestrutura m&#xED;nima para realizarem seu trabalho como protetor solar, &#xE1;gua para beber, dentre outros.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Recursos humanos: instrumento privilegiado na realiza&#xE7;&#xE3;o do trabalho social</title>
			<p>O CREAS em an&#xE1;lise possu&#xED;a, durante a pesquisa, seu quadro de pessoal composto por 142 pessoas, segundo dados colhidos na institui&#xE7;&#xE3;o, em novembro de 2014. Destes, 14 encontravam-se &#xE0; disposi&#xE7;&#xE3;o de outros &#xF3;rg&#xE3;os, sete gozavam licen&#xE7;a e cinco eram estagi&#xE1;rios. Deste modo, havia 116 profissionais ativos, terceirizados ou estatut&#xE1;rios. Estes s&#xE3;o os dois v&#xED;nculos empregat&#xED;cios no Centro.</p>
			<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o ao tipo de vincula&#xE7;&#xE3;o profissional, dos 116 profissionais ativos, apenas oito, percentual de 6,89%, s&#xE3;o estatu&#xE1;rios, e 108, ou seja, 93,10%, s&#xE3;o terceirizados. Analisando o quadro geral de pessoal, dos 137 profissionais, apenas 14 s&#xE3;o estatut&#xE1;rios, equivalente a 10,21%, e 89,78% s&#xE3;o terceirizados.</p>
			<p>Os terceirizados est&#xE3;o vinculados a uma organiza&#xE7;&#xE3;o social. Pensadas como um espa&#xE7;o fora do Estado, estas institui&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o progressivamente legitimadas a atuar como uma extens&#xE3;o deste, mediante financiamento, configurando um processo amplo de terceiriza&#xE7;&#xE3;o via organiza&#xE7;&#xF5;es sociais, alternativa &#xE0;s empresas privadas e cooperativas. Os terceirizados via OSs t&#xEA;m perdas ou restri&#xE7;&#xE3;o de direitos trabalhistas, dada a natureza pr&#xF3;pria e as formas de capta&#xE7;&#xE3;o de recursos e projetos, os quais s&#xE3;o geralmente adstritos ao curto e m&#xE9;dio prazo, o que leva &#xE0; dificuldade de constitui&#xE7;&#xE3;o de carreira e consolida&#xE7;&#xE3;o de uma vida laboral protegida nestes espa&#xE7;os.</p>
			<p>Assim, algumas dessas organiza&#xE7;&#xF5;es atuam como empresas terceirizadas ou intermediadoras de m&#xE3;o de obra 
				<italic>stricto sensu,</italic> mudando apenas a sua identidade social, dado o fato de n&#xE3;o estarem presente no cotidiano de trabalho dos profissionais, funcionando apenas na intermedia&#xE7;&#xE3;o da contrata&#xE7;&#xE3;o. Este &#xE9; o caso observado no Centro.
			</p>
			<p>Dentre os terceirizados, a maioria ingressou no sistema via indica&#xE7;&#xF5;es; contudo, passaram por algum tipo de sele&#xE7;&#xE3;o como meio de burocratiz&#xE1;-la ou dot&#xE1;-la de car&#xE1;ter formal. Geralmente, ap&#xF3;s an&#xE1;lise de curr&#xED;culo e/ou entrevista, os profissionais foram submetidos a uma esp&#xE9;cie de est&#xE1;gio probat&#xF3;rio 
				<italic>fast food</italic> de tr&#xEA;s dias ou uma semana, per&#xED;odo insuficiente para o profissional ser testado em suas habilidades e conhecimentos t&#xE9;cnico-operativos, &#xE9;tico-pol&#xED;ticos e te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gicos necess&#xE1;rios ao desenvolvimento competente das atividades ligadas ao cargo ou fun&#xE7;&#xE3;o. Ademais, essas modalidades de sele&#xE7;&#xE3;o abrem espa&#xE7;o para a pessoaliza&#xE7;&#xE3;o das contrata&#xE7;&#xF5;es, sob a &#xF3;tica do favor, do clientelismo e, por conseguinte, com preju&#xED;zo ao servi&#xE7;o e aos usu&#xE1;rios.
			</p>
			<p>Esses profissionais ingressaram no sistema sem experi&#xEA;ncia de trabalho com as quest&#xF5;es de viola&#xE7;&#xE3;o de direitos ou com o trabalho a ser realizado. Assim, o CREAS realiza capacita&#xE7;&#xF5;es sistem&#xE1;ticas, ainda que com conte&#xFA;do de explica&#xE7;&#xF5;es de rotinas do trabalho. A realidade verificada &#xE9; que, &#xE0; medida que o profissional sai da institui&#xE7;&#xE3;o prestadora de servi&#xE7;o, leva consigo a experi&#xEA;ncia acumulada, gerando a necessidade da capacita&#xE7;&#xE3;o de novos quadros em 
				<italic>continuum,</italic> sem conseguir romper as bases da forma&#xE7;&#xE3;o inicial. Isso dificulta a elabora&#xE7;&#xE3;o de estrat&#xE9;gias a longo prazo de qualifica&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os e da gest&#xE3;o do trabalho. No caso das organiza&#xE7;&#xF5;es sociais terceirizadas, &#xE9; uma realidade corrente, dado o seu car&#xE1;ter rotativo nos processos de chamamento p&#xFA;blico.
			</p>
			<p>Nesse sentido, reafirma-se o concurso p&#xFA;blico na composi&#xE7;&#xE3;o das equipes de refer&#xEA;ncia de que trata a NOB/RH/SUAS 2006, submetendo os concorrentes &#xE0;s mesmas condi&#xE7;&#xF5;es de competi&#xE7;&#xE3;o e evitando o uso pol&#xED;tico de cargos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>(Des) Entendimentos, luta e resist&#xEA;ncia</title>
			<p>A terceiriza&#xE7;&#xE3;o em um espa&#xE7;o p&#xFA;blico estatal se apresenta aos profissionais como uma realidade complexa. Assim, foram identificadas duas perspectivas opostas e contradit&#xF3;rias: por um lado, a desresponsabiliza&#xE7;&#xE3;o e, por outro, uma forma de adi&#xE7;&#xE3;o de efetividade &#xE0; execu&#xE7;&#xE3;o das atividades profissionais diante da fragilidade dos v&#xED;nculos empregat&#xED;cios, com real possibilidade de perda do emprego.</p>
			<p>Estas perspectivas assentam-se na problematiza&#xE7;&#xE3;o da realidade do trabalhador ante sua condi&#xE7;&#xE3;o de assalariado em um espa&#xE7;o p&#xFA;blico estatal, sua interface com o mercado de trabalho e a rela&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blico-privado - delicada no caso brasileiro. Assim, al&#xE9;m da pouca consci&#xEA;ncia desta rela&#xE7;&#xE3;o e da falta de estrat&#xE9;gias de como enfrent&#xE1;-la coletivamente, h&#xE1; pouco conhecimento sobre as normas da Assist&#xEA;ncia Social que tratam sobre a contrata&#xE7;&#xE3;o de recursos humanos, fatos afinados com a contradi&#xE7;&#xE3;o nas perspectivas de entendimento socioprofissionais sobre a pol&#xED;tica, os quais refor&#xE7;am preconceitos e estigmas e limitam as lutas de apropria&#xE7;&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social como campo de trabalho que efetiva direitos sociais.</p>
			<p>Certamente, concorreu para isso a realidade do mercado de trabalho, marcado pelo est&#xED;mulo ao empreendedorismo e ao associativismo, pelos contratos pessoais, pela eleva&#xE7;&#xE3;o no n&#xFA;mero de empregos gerados no mercado informal, os quais prescindem de prote&#xE7;&#xE3;o trabalhista, previdenci&#xE1;ria e social - cen&#xE1;rio contrastante com a realidade dos profissionais que t&#xEA;m empregos &#x201C;com carteira assinada&#x201D;, portanto, com as garantias inerentes &#xE0; CLT, caso dos terceirizados no Centro.</p>
			<p>A rela&#xE7;&#xE3;o entre os profissionais terceirizados e os profissionais efetivos &#xE9; percebida como n&#xE3;o hierarquizada em termos de conv&#xED;vio no ambiente de trabalho; realidade esta favorecida pelo baixo n&#xFA;mero de trabalhadores efetivos. Contudo, nos pequenos gestos do cotidiano e nas divis&#xF5;es de tarefas, as contradi&#xE7;&#xF5;es se evidenciam em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; fala dos trabalhadores.</p>
			<p>A inseguran&#xE7;a decorrente das formas de contrata&#xE7;&#xE3;o dentro de um espa&#xE7;o p&#xFA;blico estatal traz dois fatores agravantes quando comparados a outros setores: as poss&#xED;veis trocas ao final das gest&#xF5;es e n&#xE3;o recontrata&#xE7;&#xE3;o das terceirizadas ao final dos contratos ou termos de parceria. &#xC9; uma realidade cujas dimens&#xF5;es s&#xE3;o diferenciadas, mas se apresentam ao profissional como momento de tens&#xE3;o e de desconforto em rela&#xE7;&#xE3;o a sua manuten&#xE7;&#xE3;o ou n&#xE3;o no emprego formal.</p>
			<p>O primeiro caso retrata as descontinuidades dentro da Gest&#xE3;o P&#xFA;blica brasileira, quando h&#xE1; trocas de grupos pol&#xED;ticos na dire&#xE7;&#xE3;o do Governo. &#xC9; um problema que demonstra o quanto ainda se precisa avan&#xE7;ar em termos de planejamento em longo prazo dos projetos e na vis&#xE3;o sobre o papel do governante e seus direcionamentos quanto &#xE0; manuten&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos. O segundo caso demonstra que o tipo de contrata&#xE7;&#xE3;o via OSs terceiras est&#xE1; condicionado aos projetos que elas desenvolvem, portanto n&#xE3;o h&#xE1; a constitui&#xE7;&#xE3;o de um corpo profissional destes entes de fato. O que se tem &#xE9; a forma&#xE7;&#xE3;o de grupos de trabalhadores para atender a demanda das contratantes em rela&#xE7;&#xE3;o a estes projetos, os quais, findados, representam demiss&#xE3;o.</p>
			<p>Ao final de cada contrato entre a terceira e a secretaria, os profissionais s&#xE3;o demitidos e recebem todos os direitos trabalhistas. Por&#xE9;m, como os servi&#xE7;os n&#xE3;o podem deixar de ser prestados &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o, no per&#xED;odo de novo chamamento, os profissionais continuam trabalhando, ainda que sem o v&#xED;nculo funcional, at&#xE9; serem novamente contratados findado o tr&#xE2;mite que regula a parceria p&#xFA;blico-privada. Depreende-se que h&#xE1; uma explora&#xE7;&#xE3;o, uma rela&#xE7;&#xE3;o de mais valia absoluta ao extrair os direitos trabalhistas como per&#xED;odo de f&#xE9;rias dentre outros.</p>
			<p>Constatou-se uma rotatividade seletiva, ou seja, a manuten&#xE7;&#xE3;o de um n&#xFA;cleo est&#xE1;vel e outro rotativo na institui&#xE7;&#xE3;o. O primeiro grupo &#xE9;, em sua maioria, beneficiado por rela&#xE7;&#xE3;o pessoal, paternal, amig&#xE1;vel entre os contratantes e seus contratados (protegidos) ou aqueles com amplo arsenal de conhecimento e experi&#xEA;ncia na &#xE1;rea; ao passo que o n&#xFA;cleo rotativo &#xE9; selecionado ou demitido conforme a necessidade ou n&#xE3;o de pessoal (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">PEREIRA, 2015</xref>).
			</p>
			<p>A remunera&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores (incluindo os que informaram ter mais de um emprego ou ocupa&#xE7;&#xE3;o) &#xE9; baixa: 33,89% recebem de um a um sal&#xE1;rio m&#xED;nimo e meio; 28,81% de um e meio a dois sal&#xE1;rios; 13,55% recebem de dois a dois sal&#xE1;rios m&#xED;nimos e meio; 5,08% recebem de dois e meio a tr&#xEA;s sal&#xE1;rios m&#xED;nimos; 1,69% recebem de tr&#xEA;s a tr&#xEA;s sal&#xE1;rios e meio; 5,08% auferem de tr&#xEA;s e meio a quatro sal&#xE1;rios m&#xED;nimos e 3,38% n&#xE3;o souberam ou se abstiveram em responder &#xE0; pergunta.</p>
			<p>Trata-se, pois, de valores incompat&#xED;veis com a garantia das necessidades sociais b&#xE1;sicas destes trabalhadores, especialmente quando se recorre &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 a qual garante aos trabalhadores urbanos e rurais:</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] sal&#xE1;rio m&#xED;nimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender &#xE0;s suas necessidades vitais b&#xE1;sicas e &#xE0;s de sua fam&#xED;lia com moradia, alimenta&#xE7;&#xE3;o, educa&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, lazer, vestu&#xE1;rio, higiene, transporte e previd&#xEA;ncia social, com reajustes peri&#xF3;dicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vincula&#xE7;&#xE3;o para qualquer fim (
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 2015</xref>, p.26).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Esta quest&#xE3;o referenda a posi&#xE7;&#xE3;o fr&#xE1;gil destes trabalhadores em rela&#xE7;&#xE3;o ao mundo do trabalho e de sua capacidade de sobreviver dignamente atrav&#xE9;s deste emprego. A precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho &#xE9; uma situa&#xE7;&#xE3;o que afeta os trabalhadores do mundo inteiro e n&#xE3;o somente os trabalhadores da Assist&#xEA;ncia Social no Brasil. Tal fato leva os profissionais a n&#xE3;o buscarem construir uma carreira nesta pol&#xED;tica, tendo-a como transit&#xF3;ria em sua vida profissional.</p>
			<p>Al&#xE9;m dos problemas profissionais, outros s&#xE3;o relatados: epis&#xF3;dios de ass&#xE9;dio moral e &#x201C;convites&#x201D; &#x201C;n&#xE3;o obrigat&#xF3;rios&#x201D; para a participa&#xE7;&#xE3;o em eventos pol&#xED;tico-partid&#xE1;rios e desordens psicol&#xF3;gicas. Isso conforma uma perda pol&#xED;tica, um processo de sofrimento, desmotiva&#xE7;&#xE3;o, desvaloriza&#xE7;&#xE3;o e desrespeito ao profissional, aprofundando o desejo do trabalhador de buscar outros postos de atua&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>O medo de perder o emprego leva-os a n&#xE3;o buscar ou evitar o confronto direto diante das reivindica&#xE7;&#xF5;es! Com tal postura, minimizam a participa&#xE7;&#xE3;o ou retiram-se da arena da disputa pol&#xED;tica por seus direitos. 76,27% dos trabalhadores n&#xE3;o exercem qualquer tipo de participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica. Os motivos alegados s&#xE3;o, sobretudo, a falta de interesse ou de tempo. Tal postura corrobora a fragmenta&#xE7;&#xE3;o, desmobiliza&#xE7;&#xE3;o e enfraquecimento das lutas coletivas.</p>
			<p>Quanto ao futuro, acreditam: dias melhores vir&#xE3;o. Contudo, h&#xE1; uma fragilidade nos meios de constru&#xE7;&#xE3;o deste devir, os quais ficam adstritos ao pensar a problem&#xE1;tica do ponto de vista individual, demonstrando o n&#xED;vel de fragmenta&#xE7;&#xE3;o no reconhecimento do trabalhador como classe e nas possibilidades de constitui&#xE7;&#xE3;o de dias melhores coletivamente.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Conclus&#xE3;o</title>
			<p>Verificou-se um paradoxo quanto &#xE0; ideia da pol&#xED;tica pelos trabalhadores: avaliada por alguns como um direito de cidadania e por outros como uma a&#xE7;&#xE3;o ligada ao amor ao pr&#xF3;ximo e a uma forma de ser socialmente &#xFA;til. Al&#xE9;m disso, demonstrou-se um amplo desconhecimento sobre as normas que tratam da contrata&#xE7;&#xE3;o profissional no SUAS, bem como pouco debate cr&#xED;tico sobre as formas e condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho prec&#xE1;rias na esfera estatal e, especialmente, no &#xE2;mbito da Assist&#xEA;ncia Social.</p>
			<p>Neste processo, a terceiriza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; uma das engrenagens que limitam a pol&#xED;tica, &#xE0; medida que os servi&#xE7;os chegam aos usu&#xE1;rios de modo fragmentado, focalizados ao m&#xED;nimo, permeados pela rotatividade profissional. &#xC9; um processo que fragiliza os v&#xED;nculos entre equipe profissional e usu&#xE1;rio - um empecilho aos objetivos almejados. Dada a aprova&#xE7;&#xE3;o da Lei n&#xBA; 13.429, de 2017, marcada pela aliena&#xE7;&#xE3;o e poucos esclarecimentos quanto ao uso ou n&#xE3;o deste processo na esfera do Estado, entende-se que h&#xE1; uma possibilidade de retomada dos processos de terceiriza&#xE7;&#xE3;o 
				<italic>strictu senso,</italic> posto que a terceiriza&#xE7;&#xE3;o por via de parcerias com as organiza&#xE7;&#xF5;es sociais &#xE9; uma tend&#xEA;ncia hist&#xF3;rica na pol&#xED;tica. Certamente, os desdobramentos da aprova&#xE7;&#xE3;o desta lei depender&#xE1; da capacidade de organiza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica da classe trabalhadora em criar formas de resist&#xEA;ncia a este mecanismo precarizante e negador da satisfa&#xE7;&#xE3;o de suas necessidades materiais e espirituais como ser humano atrav&#xE9;s do trabalho.
			</p>
			<p>H&#xE1; duas vis&#xF5;es sobre a terceiriza&#xE7;&#xE3;o dentro da esfera p&#xFA;blica e da Assist&#xEA;ncia Social: a) uma forma de precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho e dos servi&#xE7;os prestados pelo Ente p&#xFA;blico e b) um meio de qualifica&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os, exatamente pelo afinco profissional, em decorr&#xEA;ncia da possibilidade do desemprego. Esta vis&#xE3;o traz embutida em si a desconfian&#xE7;a e a legitima&#xE7;&#xE3;o do discurso que denuncia os servidores estatut&#xE1;rios como relapsos e pouco afeitos ao trabalho; discurso legitimador das formas prec&#xE1;rias de inser&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores nas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, em especial, as de recorte social, al&#xE9;m de demonstrar fragilidade no conhecimento sobre as implica&#xE7;&#xF5;es do uso da terceiriza&#xE7;&#xE3;o pela Gest&#xE3;o P&#xFA;blica.</p>
			<p>As vis&#xF5;es contr&#xE1;rias coexistem no espa&#xE7;o profissional, moldando as possibilidades de ruptura ou continu&#xED;smos, avan&#xE7;os ou retrocessos. Logo, percebe-se fragmenta&#xE7;&#xF5;es profissionais por n&#xED;vel de escolaridade, por tipo de v&#xED;nculo profissional, por local de atua&#xE7;&#xE3;o, por fun&#xE7;&#xF5;es, dentre outras. Realidade que dificulta a organiza&#xE7;&#xE3;o profissional em prol de direitos e conquistas trabalhistas.</p>
			<p>Conclui-se, pois, que a terceiriza&#xE7;&#xE3;o em um espa&#xE7;o estatal vai de encontro ao estabelecimento dos direitos tanto para usu&#xE1;rios como para trabalhadores na efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos trabalhistas e sociais. Exige-se, portanto, a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o direta do Estado na efetiva&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es, um quadro profissional protegido e com condi&#xE7;&#xF5;es dignas de trabalho e efetiva&#xE7;&#xE3;o de direitos.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Durante a coleta de dados, o Centro estava transferindo a demanda do munic&#xED;pio de Fortaleza aos CREAS ativos na capital; bem como vislumbrava redirecionar sua sede para um dos munic&#xED;pios referenciados, aproximando demanda e equipe de refer&#xEA;ncia. Isso levou alguns profissionais a desistir de participar da pesquisa, embora esclarecidos sobre o sigilo das informa&#xE7;&#xF5;es.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>O presente artigo discute dados obtidos em pesquisa empreendida no Programa de Mestrado Acad&#xEA;mico em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas e Sociedade da Universidade Estadual do Cear&#xE1;.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Esta lei &#xE9; alterada pela Lei n&#xBA; 13.429, de 2017, a &#x201C;Lei da terceiriza&#xE7;&#xE3;o&#x201D;.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>A concess&#xE3;o &#xE9; a transfer&#xEA;ncia de um servi&#xE7;o do Estado para uma empresa, para que ela o execute com inteira responsabilidade. A permiss&#xE3;o &#xE9; um ato administrativo unilateral, discricion&#xE1;rio e prec&#xE1;rio que pode ser gratuito ou oneroso, pelo qual &#xE9; conferido ao particular dado servi&#xE7;o p&#xFA;blico ou sua utiliza&#xE7;&#xE3;o. As parcerias s&#xE3;o firmadas via acordos com outras entidades por meio de conv&#xEA;nios e contratos em gest&#xE3;o. A subcontrata&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a aloca&#xE7;&#xE3;o/subcontrata&#xE7;&#xE3;o de horas de trabalho via empreitadas (
					<xref ref-type="bibr" rid="B17">DIEESE, 2007</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Esse projeto, enviado &#xE0; C&#xE2;mara dos Deputados em 1998, tratava inicialmente da amplia&#xE7;&#xE3;o do Contrato de Trabalho Tempor&#xE1;rio, mas, posteriormente, foi modificado para regular as empresas que intermedeiam a contrata&#xE7;&#xE3;o de trabalhadores tempor&#xE1;rios. Em 2003, o Executivo, a pedido das Centrais Sindicais, encaminhou solicita&#xE7;&#xE3;o &#xE0; C&#xE2;mara dos Deputados para retirada do PL n&#xBA; 4.302, que n&#xE3;o foi colocado em vota&#xE7;&#xE3;o (
					<xref ref-type="bibr" rid="B18">DIEESE, 2017</xref>).
				</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
			<ref id="B1">
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABUL-EL-HAJ</surname>
							<given-names>Jawdat</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Cear&#xE1; e o dilema desenvolvimentista brasileiro</article-title>
					<source>Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas e Sociedade</source>
					<comment>Fortaleza</comment>
					<issue>6</issue>
					<fpage>11</fpage>
					<lpage>22</lpage>
					<season>jul/dez.</season>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>ABUL-EL-HAJ, Jawdat. Cear&#xE1; e o dilema desenvolvimentista brasileiro. 
					<bold>Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas e Sociedade</bold>. Fortaleza, n. 6, p. 11-22, jul/dez. 2003.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ALVES</surname>
							<given-names>Giovanni</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<article-title>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e capitalismo no Brasil: um par perfeito</article-title>
					<source>Revista TST</source>
					<comment>Bras&#xED;lia</comment>
					<volume>ano 80</volume>
					<issue>3</issue>
					<season>jul/set.</season>
					<year>2014</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>ALVES, Giovanni. Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e capitalismo no Brasil: um par perfeito. 
					<bold>Revista TST</bold>, Bras&#xED;lia, ano 80, n. 3, jul/set. 2014.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<source>Constitui&#xE7;&#xE3;o da Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil de 1988</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>DF</publisher-name>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. 
					<bold>Constitui&#xE7;&#xE3;o da Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil de 1988</bold>. Bras&#xED;lia: DF, 2015.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>MDS</chapter-title>
					<source>Norma Operacional B&#xE1;sica de Recursos Humanos do Suas - NOB/RH/SUAS</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. MDS. 
					<bold>Norma Operacional B&#xE1;sica de Recursos Humanos do Suas - NOB/RH/SUAS</bold>. Bras&#xED;lia: MDS, 2011.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<source>Lei Org&#xE2;nica da Assist&#xEA;ncia Social</source>
					<year>2011</year>
					<comment>Dispon&#xED;vel em: 
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil03/leis/L8742compilado.htm">www.planalto.gov.br/ccivil03/leis/L8742compilado.htm</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 20 jun. 2016</date-in-citation>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. 
					<bold>Lei Org&#xE2;nica da Assist&#xEA;ncia Social</bold> (2011). Dispon&#xED;vel em: www.planalto.gov.br/ccivil03/leis/L8742compilado.htm. Acesso em: 20 jun. 2016.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>CNAS</chapter-title>
					<source>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 17</source>
					<day>20</day>
					<month>06</month>
					<year>2011</year>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<comment>2011</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. CNAS. 
					<bold>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 17</bold>, de 20 de junho de 2011. Bras&#xED;lia: MDS, 2011.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B7">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>MDS</chapter-title>
					<source>Norma Operacional B&#xE1;sica do Suas - NOB/SUAS</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. MDS. 
					<bold>Norma Operacional B&#xE1;sica do Suas - NOB/SUAS</bold>. Bras&#xED;lia: MDS, 2012.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B8">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>CNAS</chapter-title>
					<source>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 31</source>
					<day>31</day>
					<month>10</month>
					<year>2013</year>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<comment>2013</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. CNAS. 
					<bold>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 31</bold>, de 31 de outubro de 2013. Bras&#xED;lia: MDS, 2013.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B9">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>CNAS</chapter-title>
					<source>Pol&#xED;tica Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o Permanente do SUAS</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<year>2013</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. CNAS. 
					<bold>Pol&#xED;tica Nacional de Educa&#xE7;&#xE3;o Permanente do SUAS</bold>. Bras&#xED;lia: MDS, 2013.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>CNAS</chapter-title>
					<source>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 09</source>
					<day>15</day>
					<month>04</month>
					<year>2014</year>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<comment>2014</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. CNAS. 
					<bold>Resolu&#xE7;&#xE3;o n&#xBA; 09</bold>, de 15 de abril de 2014. Bras&#xED;lia: MDS, 2014.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B11">
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<source>Censo SUAS 2015</source>
					<year>2016</year>
					<comment>Dispon&#xED;vel em: 
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/snas/vigilancia/index2.php">http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/snas/vigilancia/index2.php</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 15 abr. 2016</date-in-citation>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. C
					<bold>enso SUAS 2015</bold> (2016). Dispon&#xED;vel em: http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/snas/vigilancia/index2.php. Acesso em: 15 abr. 2016.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B12">
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Lei n&#xBA; 13.429</bold>, de 31 de mar&#xE7;o de 2017: Altera dispositivos da Lei n&#xBA; 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que disp&#xF5;e sobre o trabalho tempor&#xE1;rio nas empresas urbanas e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias; e disp&#xF5;e sobre as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho na empresa de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os a terceiros
					</source>
					<comment>Dispon&#xED;vel em: 
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil03/ato2015-2018/2017/lei/L13429.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil03/ato2015-2018/2017/lei/L13429.htm</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 01 maio 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. 
					<bold>Lei n&#xBA; 13.429</bold>, de 31 de mar&#xE7;o de 2017: Altera dispositivos da Lei n&#xBA; 6.019, de 3 de janeiro de 1974, que disp&#xF5;e sobre o trabalho tempor&#xE1;rio nas empresas urbanas e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias; e disp&#xF5;e sobre as rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho na empresa de presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os a terceiros. Dispon&#xED;vel em: http://www.planalto.gov.br/ccivil03/ato2015-2018/2017/lei/L13429.htm. Acesso em: 01 maio 2017.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B13">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<chapter-title>Tribunal de Contas do Cear&#xE1;</chapter-title>
					<source>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o il&#xED;cita</source>
					<publisher-loc>Fortaleza</publisher-loc>
					<publisher-name>TCE</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. Tribunal de Contas do Cear&#xE1;. 
					<bold>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o il&#xED;cita</bold>. Fortaleza: TCE, 2012.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B14">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>CARELLI</surname>
							<given-names>Rodrigo</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e direitos trabalhistas no Brasil</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>DRUCK</surname>
							<given-names>G</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FRANCO</surname>
							<given-names>T.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<comment>(Orgs)</comment>
					<source>
						<bold>A perda da raz&#xE3;o social do trabalho</bold>: terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Boitempo</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>CARELLI, Rodrigo. Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e direitos trabalhistas no Brasil. In: DRUCK, G; FRANCO, T. (Orgs). 
					<bold>A perda da raz&#xE3;o social do trabalho</bold>: terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o Paulo: Boitempo, 2007.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B15">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COUTO</surname>
							<given-names>Berenice R.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>YAZBEK</surname>
							<given-names>Maria C.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>RAICHELIS</surname>
							<given-names>Raquel</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>A pol&#xED;tica nacional de assist&#xEA;ncia social e o SUAS: apresentando e problematizando fundamentos e conceitos</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>COUTO</surname>
							<given-names>Berenice R.</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<comment>(Orgs)</comment>
					<source>
						<bold>O Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social no Brasil</bold>: uma realidade em movimento
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>COUTO, Berenice R.; YAZBEK, Maria C.; RAICHELIS, Raquel. A pol&#xED;tica nacional de assist&#xEA;ncia social e o SUAS: apresentando e problematizando fundamentos e conceitos. In: COUTO, Berenice R. et al (Orgs). 
					<bold>O Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social no Brasil</bold>: uma realidade em movimento. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2012.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B16">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>CUT</collab>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Campanha de Combate &#xE0; Terceiriza&#xE7;&#xE3;o</bold>: n&#xE3;o &#xE0; precariza&#xE7;&#xE3;o
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>CUT</publisher-name>
					<year>2009</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>CUT. 
					<bold>Campanha de Combate &#xE0; Terceiriza&#xE7;&#xE3;o</bold>: n&#xE3;o &#xE0; precariza&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o Paulo: CUT, 2009.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B17">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>DIEESE</collab>
					</person-group>
					<source>O processo de terceiriza&#xE7;&#xE3;o e seus efeitos sobre os trabalhadores no Brasil</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>DIEESE</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>DIEESE. 
					<bold>O processo de terceiriza&#xE7;&#xE3;o e seus efeitos sobre os trabalhadores no Brasil</bold>. S&#xE3;o Paulo: DIEESE, 2007.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B18">
				<element-citation publication-type="webpage">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>DIEESE</collab>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Impactos da Lei n&#xBA; 13.429/2017 (antigo PL 4.302/1998) para os trabalhadores</bold>: contrato de trabalho tempor&#xE1;rio e terceiriza&#xE7;&#xE3;o
					</source>
					<comment>Dispon&#xED;vel em: 
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.dieese.org.br/notatecnica/2017/notaTec175TerceirizacaoTrabalhoTemporario.pdf">https://www.dieese.org.br/notatecnica/2017/notaTec175TerceirizacaoTrabalhoTemporario.pdf</ext-link>
					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 04 maio 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
				<mixed-citation>DIEESE. 
					<bold>Impactos da Lei n&#xBA; 13.429/2017 (antigo PL 4.302/1998) para os trabalhadores</bold>: contrato de trabalho tempor&#xE1;rio e terceiriza&#xE7;&#xE3;o. Dispon&#xED;vel em: https://www.dieese.org.br/notatecnica/2017/notaTec175TerceirizacaoTrabalhoTemporario.pdf. Acesso em: 04 maio 2017.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B19">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>DIEESE/CUT</collab>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento</bold>: uma conta que n&#xE3;o fecha. Dossi&#xEA; acerca do impacto da terceiriza&#xE7;&#xE3;o sobre os trabalhadores e propostas para garantir a igualdade de direitos
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>CUT/DIEESE</publisher-name>
					<year>2014</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>DIEESE/CUT. 
					<bold>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento</bold>: uma conta que n&#xE3;o fecha. Dossi&#xEA; acerca do impacto da terceiriza&#xE7;&#xE3;o sobre os trabalhadores e propostas para garantir a igualdade de direitos. S&#xE3;o Paulo: CUT/DIEESE, 2014.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B20">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DRUCK</surname>
							<given-names>Gra&#xE7;a</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>TH&#xC9;BAUD-MONY</surname>
							<given-names>Anne</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o: a eros&#xE3;o dos direitos dos trabalhadores na Fran&#xE7;a e no Brasil</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>DRUCK</surname>
							<given-names>Gra&#xE7;a</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FRANCO</surname>
							<given-names>T&#xE2;nia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<comment>(Orgs)</comment>
					<source>
						<bold>A perda da raz&#xE3;o social do trabalho</bold>: terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Boitempo</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>DRUCK, Gra&#xE7;a; TH&#xC9;BAUD-MONY, Anne. Terceiriza&#xE7;&#xE3;o: a eros&#xE3;o dos direitos dos trabalhadores na Fran&#xE7;a e no Brasil. In: DRUCK, Gra&#xE7;a; FRANCO, T&#xE2;nia. (Orgs). 
					<bold>A perda da raz&#xE3;o social do trabalho</bold>: terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o Paulo: Boitempo, 2007.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B21">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>DRUCK</surname>
							<given-names>Gra&#xE7;a</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FRANCO</surname>
							<given-names>T&#xE2;nia</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o: o bin&#xF4;mio anti-social em industrias</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<name>
							<surname>DRUCK</surname>
							<given-names>Gra&#xE7;a</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>FRANCO</surname>
							<given-names>Tania</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<comment>(Orgs)</comment>
					<source>
						<bold>A perda da raz&#xE3;o social do trabalho</bold>: terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Boitempo</publisher-name>
					<year>2007</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>DRUCK, Gra&#xE7;a; FRANCO, T&#xE2;nia. Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o: o bin&#xF4;mio anti-social em industrias. In: DRUCK, Gra&#xE7;a; FRANCO, Tania. (Orgs). 
					<bold>A perda da raz&#xE3;o social do trabalho</bold>: terceiriza&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o Paulo: Boitempo, 2007.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B22">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>GONDIM</surname>
							<given-names>Linda M. P.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Os governos das mudan&#xE7;as no Cear&#xE1;</bold>: um populismo weberiano?
					</source>
					<publisher-loc>Caxambu</publisher-loc>
					<publisher-name>ANPOCS</publisher-name>
					<year>1995</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>GONDIM, Linda M. P. 
					<bold>Os governos das mudan&#xE7;as no Cear&#xE1;</bold>: um populismo weberiano? Caxambu: ANPOCS, 1995.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B23">
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>NOBRE</surname>
							<given-names>Maria C. Q.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Moderniza&#xE7;&#xE3;o do atraso</bold>: a hegemonia burguesa do CIC e as alian&#xE7;as eleitorais da &#x201C;Era Tasso&#x201D;
					</source>
					<publisher-name>Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade Federal do Cear&#xE1;</publisher-name>
					<publisher-loc>Fortaleza</publisher-loc>
					<year>2008</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>NOBRE, Maria C. Q. 
					<bold>Moderniza&#xE7;&#xE3;o do atraso</bold>: a hegemonia burguesa do CIC e as alian&#xE7;as eleitorais da &#x201C;Era Tasso&#x201D;. Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade Federal do Cear&#xE1;, Fortaleza, 2008.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B24">
				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>PEREIRA</surname>
							<given-names>Maria Erica R.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>As engrenagens da terceiriza&#xE7;&#xE3;o na Assist&#xEA;ncia Social</bold>: estudo com trabalhadores do Centro de Refer&#xEA;ncia Especializado da Assist&#xEA;ncia Social (CREAS) - Regional de Fortaleza-Cear&#xE1;
					</source>
					<publisher-name>Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas) - Universidade Estadual do Cear&#xE1;</publisher-name>
					<publisher-loc>Fortaleza</publisher-loc>
					<year>2015</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>PEREIRA, Maria Erica R. 
					<bold>As engrenagens da terceiriza&#xE7;&#xE3;o na Assist&#xEA;ncia Social</bold>: estudo com trabalhadores do Centro de Refer&#xEA;ncia Especializado da Assist&#xEA;ncia Social (CREAS) - Regional de Fortaleza-Cear&#xE1;. Disserta&#xE7;&#xE3;o (Mestrado em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas) - Universidade Estadual do Cear&#xE1;, Fortaleza, 2015.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B25">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>POCHMANN</surname>
							<given-names>M&#xE1;rcio</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Nova classe m&#xE9;dia?</bold> O trabalho na base da pir&#xE2;mide social brasileira
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Boitempo</publisher-name>
					<year>2012</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>POCHMANN, M&#xE1;rcio. 
					<bold>Nova classe m&#xE9;dia?</bold> O trabalho na base da pir&#xE2;mide social brasileira. S&#xE3;o Paulo: Boitempo, 2012.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B26">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SILVEIRA</surname>
							<given-names>Jucimeiri I.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>
						<bold>Gest&#xE3;o do trabalho:</bold> concep&#xE7;&#xE3;o e significado para o SUAS
					</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<collab>BRASIL. MDS</collab>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Gest&#xE3;o do trabalho no &#xE2;mbito do SUAS</bold>: uma contribui&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria para ressignificar as ofertas e consolidar o direito socioassistencial
					</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<year>2011</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>SILVEIRA, Jucimeiri I. 
					<bold>Gest&#xE3;o do trabalho:</bold> concep&#xE7;&#xE3;o e significado para o SUAS. In: BRASIL. MDS. 
					<bold>Gest&#xE3;o do trabalho no &#xE2;mbito do SUAS</bold>: uma contribui&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria para ressignificar as ofertas e consolidar o direito socioassistencial. Bras&#xED;lia: MDS, 2011.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B27">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SPOSATI</surname>
							<given-names>Alda&#xED;za</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>O primeiro ano do Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social</chapter-title>
					<source>Servi&#xE7;o Social e Sociedade</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<issue>87</issue>
					<year>2006</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>SPOSATI, Alda&#xED;za. O primeiro ano do Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social. 
					<bold>Servi&#xE7;o Social e Sociedade</bold>, S&#xE3;o Paulo, n.87, 2006.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B28">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>SPOSATI</surname>
							<given-names>Alda&#xED;za</given-names>
						</name>
						<etal/>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Assist&#xEA;ncia na trajet&#xF3;ria das pol&#xED;ticas sociais brasileiras</bold>: uma quest&#xE3;o em an&#xE1;lise
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>2014</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>SPOSATI, Alda&#xED;za et al. 
					<bold>Assist&#xEA;ncia na trajet&#xF3;ria das pol&#xED;ticas sociais brasileiras</bold>: uma quest&#xE3;o em an&#xE1;lise. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2014.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B29">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>THOMPSON</surname>
							<given-names>Edward</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Senhores e ca&#xE7;adores</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Paz e Terra</publisher-name>
					<year>1987</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>THOMPSON, Edward. 
					<bold>Senhores e ca&#xE7;adores</bold>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
				</mixed-citation>
			</ref>
		</ref-list>
	</back>
</article>
