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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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					<subject>Editorial</subject>
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				<article-title>A conjuntura brasileira e os impasses aos processos democr&#xE1;ticos</article-title>
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					<trans-title>The Brazilian conjuncture and the impasses to democratic processes</trans-title>
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						<surname>Prates</surname>
						<given-names>Jane Cruz</given-names>
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					<institution content-type="normalized">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&#xED;fico e Tecnol&#xF3;gico</institution>
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					<email>jprates@pucrs.br</email>
					<institution content-type="original">Bacharel, mestre, doutora em Servi&#xE7;o Social pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e p&#xF3;s-doutora em Servi&#xE7;o Social pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUCSP). Pesquisadora produtividade do CNPq, coordenadora do PPGSS e professora dos Cursos de Gradua&#xE7;&#xE3;o e P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social da Escola de Humanidades da PUCRS. Porto Alegre - RS/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/1901733198724508. E-mail: jprates@pucrs.br.</institution>
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					<institution content-type="normalized">Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</institution>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
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		<p>A brimos o n&#xFA;mero da revista que encerra o ano de 2017 com os conte&#xFA;dos de uma exposi&#xE7;&#xE3;o efetivada na Universidade de Caxias do Sul (UCS), no Semin&#xE1;rio intitulado Conjuntura Brasileira e a Ocupa&#xE7;&#xE3;o dos Espa&#xE7;os P&#xFA;blicos pelas Mulheres, realizado pelo Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Direito daquela Universidade, em que fomos convidadas a realizar uma an&#xE1;lise da conjuntura nacional que aqui buscamos sintetizar.</p>
		<p>Inicialmente, &#xE9; importante destacar a dificuldade de dar conta do desafio de falar da conjuntura atual brasileira, em primeiro lugar, pelo volume de informa&#xE7;&#xF5;es de toda ordem que chegam diariamente sem necessariamente nos informar, e, em segundo lugar, pela complexidade e adversidade do momento presente marcado pelo avan&#xE7;o avassalador do conservadorismo, do retrocesso no que concerne &#xE0; garantia de direitos que deixa a todos perplexos, desencantados, sem f&#xF4;lego.</p>
		<p>Mesmo assim precisamos enfrentar o desafio e falamos sempre a partir de um lugar que nos condiciona. No meu caso, falo a partir de um lugar de classe trabalhadora, de mulher, assistente social, professora e militante, que tem o compromisso com a luta pela garantia de direitos e, mais, com as lutas anticapitalistas, pois, como afirma o Prof. 
			<xref ref-type="bibr" rid="B2">Carlos Nelson Coutinho (1997)</xref>, qualquer vit&#xF3;ria do trabalho sobre o capital precisa ser saudada.
		</p>
		<p>Sofremos profundamente com esse contexto de desmonte, de intoler&#xE2;ncia &#xE0; diversidade e avan&#xE7;o desmedido do capital sobre o trabalho, especialmente se temos a clareza das profundas sequelas sociais subjacentes a esses processos, cujas repercuss&#xF5;es se far&#xE3;o sentir por longa data.</p>
		<p>Construir &#xE9; bem mais demorado e trabalhoso do que destruir, um terremoto destr&#xF3;i em segundos o que uma comunidade levou anos para construir. A destrui&#xE7;&#xE3;o ocasionada no caso de Mariana, levar&#xE1; muitas gera&#xE7;&#xF5;es para recupera-se - n&#xE3;o h&#xE1; recursos que deem conta de tamanho preju&#xED;zo.</p>
		<p>Vivemos no Brasil uma esp&#xE9;cie de terremoto neoliberal radical, que nos retira conquistas duramente alcan&#xE7;adas, especialmente espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o para nos contrapormos a esse desmonte e, ainda, fragmenta for&#xE7;as, destitui espa&#xE7;os organizativos, naturaliza processos de desigualdade, banaliza a viol&#xEA;ncia e criminaliza toda a forma de mobiliza&#xE7;&#xE3;o que se coloque contr&#xE1;ria a esse processo. Reduzem-se os espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o e amplia-se o estado penal.</p>
		<p>Contudo, Marx, na obra &#x201C;A guerra civil na Fran&#xE7;a&#x201D;, ao analisar a derrocada sangrenta da Comuna de Paris, massacrada por lideran&#xE7;as corruptas que falavam em nome da &#x201C;ordem, da justi&#xE7;a e da civiliza&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, apoiadas por burguesias nacionais e a m&#xED;dia burguesa que manipulava o imagin&#xE1;rio social, tachando os insurgentes de baderneiros e incendi&#xE1;rios, argumenta que:</p>
		<disp-quote>
			<p>A civiliza&#xE7;&#xE3;o e a justi&#xE7;a da ordem burguesa aparecem em todo o seu sinistro esplendor, onde quer que os escravos e os p&#xE1;rias dessa ordem ousem rebelar-se contra os seus senhores. Em tais momentos, essa civiliza&#xE7;&#xE3;o e essa justi&#xE7;a mostram o que s&#xE3;o: selvageria sem m&#xE1;scara e vingan&#xE7;a sem lei. Cada nova crise que se produz na luta de classes entre os produtores e os apropriadores faz ressaltar esse fato com maior clareza (
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">MARX, 1986</xref>, p 106).
			</p>
		</disp-quote>
		<p>Esse pa&#xED;s de dimens&#xF5;es continentais historicamente foi espoliado por colonizadores, viveu longos processos de escravid&#xE3;o, patrimonialismo, coronelismo, ditadura, constituiu um capitalismo tardio e dependente e, muito recentemente, vem construindo uma jovem, mas ainda fr&#xE1;gil, democracia. A Constitui&#xE7;&#xE3;o de 88 foi um marco nesse processo, resultado das lutas dos anos 80, per&#xED;odo de abertura, a chamada d&#xE9;cada perdida para a economia, mas um momento de efervesc&#xEA;ncia dos movimentos sociais que tensionavam por direitos. Alguns importantes avan&#xE7;os foram gravados na Carta Magna, frutos dessa luta, resultados de muitas disputas, e o trip&#xE9; da seguridade social &#xE9; um deles. Mas, para haver pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas que sejam realmente efetivas &#xE9; preciso recursos, estrutura, pessoal capacitado e controle da sociedade.</p>
		<p>No entanto, ap&#xF3;s a promulga&#xE7;&#xE3;o da CF de 88, segue-se a d&#xE9;cada de 90 marcada pela implanta&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas de recorte neoliberal no Brasil - um projeto que se contrapunha &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o Cidad&#xE3; - pois, para dar conta do trip&#xE9; da seguridade, era necess&#xE1;rio um estado forte, compromissado com o social, e o neoliberalismo apregoa exatamente o contr&#xE1;rio, um estado m&#xED;nimo para o social e intensos processos de privatiza&#xE7;&#xE3;o, inclusive de servi&#xE7;os essenciais.</p>
		<p>Esse projeto, capitaneado por FHC, que intensificava o processo de privatiza&#xE7;&#xF5;es e desconsiderava os avan&#xE7;os constitucionais, foi interrompido pela vit&#xF3;ria de Lula. Radicalmente? Infelizmente n&#xE3;o, mesmo porque os governos Lula e Dilma, embora de car&#xE1;ter popular, eram governos de coalis&#xE3;o, ou seja, tinham na sua composi&#xE7;&#xE3;o uma forte participa&#xE7;&#xE3;o do PMDB, um partido camale&#xE3;o, que, embora sem lideran&#xE7;as mais significativas eleitas pelo voto popular, vem mantendo-se em todos os governos, com posturas h&#xED;bridas, mas sempre pendendo para a predomin&#xE2;ncia dos interesses do capital sobre o trabalho.</p>
		<p>N&#xE3;o sejamos ing&#xEA;nuos, numa sociedade capitalista, no &#xE2;mbito da social democracia, nada que se confronte diretamente com a l&#xF3;gica e os interesses do capital ser&#xE1; implementado, a n&#xE3;o ser por via revolucion&#xE1;ria. As conquistas parciais e restritas que logramos como trabalhadores, assim como as pol&#xED;ticas, s&#xE3;o contradit&#xF3;rias; no caso das primeiras s&#xE3;o fruto da luta, mas tamb&#xE9;m de concess&#xF5;es, as &#xFA;ltimas s&#xE3;o espa&#xE7;os de resist&#xEA;ncia, mas tamb&#xE9;m de conforma&#xE7;&#xE3;o. Reconhecer a exist&#xEA;ncia da contradi&#xE7;&#xE3;o como nega&#xE7;&#xE3;o inclusiva e parte dos processos &#xE9; fundamental para que tenhamos clareza do que est&#xE1; em disputa sistematicamente.</p>
		<p>Entretanto, &#xE9; importante reconhecer que os governos Lula e Dilma, em que pese serem tamb&#xE9;m compostos por grupos de centro-direita, tinham a clara op&#xE7;&#xE3;o e inten&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica de incidir sobre a desigualdade, sobre a pobreza, sobre a fome, sobre a renda dos mais pobres, sobre a prote&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as, adolescentes e das juventudes. Tinham o compromisso de equacionar direitos das mulheres, da popula&#xE7;&#xE3;o LGBT, da popula&#xE7;&#xE3;o negra, da popula&#xE7;&#xE3;o ind&#xED;gena, respeitando as suas particularidades - projeto que exigia um Estado Social forte. Como contraponto, &#xE9; preciso tamb&#xE9;m reconhecer que este governo n&#xE3;o realizou as necess&#xE1;rias reformas estruturais, manteve intacto o oligop&#xF3;lio da m&#xED;dia nacional e n&#xE3;o investiu na politiza&#xE7;&#xE3;o e organiza&#xE7;&#xE3;o da classe trabalhadora (
			<xref ref-type="bibr" rid="B7">SINGER; LOUREIRO, 2016</xref>).
		</p>
		<p>As propostas capitaneadas pelos governos Lula e Dilma iam ao &#xE2;mago da quest&#xE3;o social? Evidentemente que n&#xE3;o, porque sua estrutura n&#xE3;o era atingida, as oligarquias presentes no pr&#xF3;prio governo e no legislativo n&#xE3;o permitiriam, mas, mesmo de modo restrito, incidiam sobre algumas condi&#xE7;&#xF5;es materiais de exist&#xEA;ncia da classe trabalhadora, criavam espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o e valorizavam o trabalho com processos sociais que poderiam ter cunho emancipat&#xF3;rio, dependendo do modo como fossem direcionados.</p>
		<p>Como toda a pol&#xED;tica social, num Estado Social Democrata, atendia aos interesses do capital e tamb&#xE9;m aos interesses do povo trabalhador, mas n&#xE3;o oprimia o poder de press&#xE3;o das massas, for&#xE7;a fundamental para que as demandas da classe trabalhadora se constitu&#xED;ssem como quest&#xE3;o social, ou seja, para que tivessem a for&#xE7;a necess&#xE1;ria para problematizar necessidades coletivas, ampliando direitos. E tivemos avan&#xE7;os ineg&#xE1;veis nesse per&#xED;odo em termos de garantia de direitos em diversas &#xE1;reas, mas em especial na &#xE1;rea da prote&#xE7;&#xE3;o social, em que pesem todas essas contradi&#xE7;&#xF5;es que estamos aqui reconhecendo e tantas outras que no espa&#xE7;o de um artigo n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel esgotar.</p>
		<p>Nas &#xFA;ltimas elei&#xE7;&#xF5;es, o pa&#xED;s j&#xE1; vivia um momento delicado de esgotamento das pol&#xED;ticas antic&#xED;clicas implementadas pelos governos Lula e Dilma, para enfrentamento da brutal crise internacional que impactava todos os pa&#xED;ses do mundo. Tivemos uma elei&#xE7;&#xE3;o apertada no Brasil, com vit&#xF3;ria do campo popular por pouca diferen&#xE7;a, o que deixou inconformada a oposi&#xE7;&#xE3;o; e com a desvaloriza&#xE7;&#xE3;o das 
			<italic>commodities</italic> no mercado internacional a situa&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica se agrava, intensificada pela busca incessante da oposi&#xE7;&#xE3;o associada a uma m&#xED;dia burguesa conservadora e manipuladora, de desvalorizar, minar as a&#xE7;&#xF5;es de governo, cumprindo um papel ideol&#xF3;gico de desestabilizar o governo rec&#xE9;m-eleito pelo povo, para retomar o projeto neoliberal radical que n&#xE3;o fora conclu&#xED;do na era FHC e que perdera as elei&#xE7;&#xF5;es (
			<xref ref-type="bibr" rid="B5">PRATES, 2016</xref>)
		</p>
		<p>O antipetismo fazia parte dessa receita, algo totalmente nocivo a uma jovem democracia, o que se expressou de modo contundente nas elei&#xE7;&#xF5;es que ocorreram logo a seguir com absten&#xE7;&#xF5;es elevad&#xED;ssimas e um avan&#xE7;o nefasto da direita no &#xE2;mbito dos munic&#xED;pios. &#xC9; nesse contexto de manipula&#xE7;&#xE3;o midi&#xE1;tica, desestabiliza&#xE7;&#xE3;o, crise pol&#xED;tica e econ&#xF4;mica que o ent&#xE3;o vice-presidente Temer apresenta o &#x201C;Plano Ponte para o Futuro&#x201D;.</p>
		<p>O Grupo de Estudos sobre Teoria Marxiana, Ensino e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas (GTEMPP), do PPGSS da PUCRS se debru&#xE7;ou sobre &#x201C;isso&#x201D; que chamaram de plano, embora n&#xE3;o partisse de diagn&#xF3;sticos, dados, etc., o que seria comum a qualquer plano, mas de pressupostos. Realizamos um processo de an&#xE1;lise documental e a primeira coisa que nos saltou aos olhos foi a total aus&#xEA;ncia da participa&#xE7;&#xE3;o popular no referido plano: nenhuma refer&#xEA;ncia &#xE0; gest&#xE3;o conjunta entre governo e sociedade &#xE9; mencionada, ao contr&#xE1;rio, o plano menciona, isto sim, uma comiss&#xE3;o de not&#xE1;veis para decidir sobre a continuidade ou n&#xE3;o de projetos, sobre a avalia&#xE7;&#xE3;o do financiamento, sem considerar qualquer inst&#xE2;ncia de controle social ou cogest&#xE3;o, conforme estabelecido pela Constitui&#xE7;&#xE3;o; e mais, criticava contundentemente os percentuais garantidos &#xE0; Educa&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; Sa&#xFA;de constitucionalmente, e que n&#xF3;s tamb&#xE9;m almej&#xE1;vamos para a Pol&#xED;tica P&#xFA;blica de Assist&#xEA;ncia Social, porque n&#xE3;o se faz pol&#xED;tica p&#xFA;blica sem recursos, sem estrutura f&#xED;sica e sem trabalhadores e trabalhadoras (
			<xref ref-type="bibr" rid="B5">PRATES, 2016</xref>).
		</p>
		<p>Conselhos setoriais, de direitos, confer&#xEA;ncias, inst&#xE2;ncias importantes de participa&#xE7;&#xE3;o popular n&#xE3;o s&#xE3;o sequer mencionadas no &#x201C;Plano Ponte para o Futuro&#x201D;: &#xE9; como se n&#xE3;o existissem, inst&#xE2;ncias de suma import&#xE2;ncia para a participa&#xE7;&#xE3;o popular e o controle social. Al&#xE9;m disso, o Plano j&#xE1; destacava a necessidade da primazia do pol&#xED;tico sobre o jur&#xED;dico, abrindo a porta para romper com os avan&#xE7;os institu&#xED;dos legalmente, com as conquistas gravadas na Constitui&#xE7;&#xE3;o, com os direitos garantidos, criando as bases para o retrocesso que hoje infelizmente vemos materializar-se.</p>
		<p>As brutais reformas que est&#xE3;o a&#xED;, usurpando os nossos direitos, aprovadas na calada da noite &#xE0; revelia da popula&#xE7;&#xE3;o, s&#xE3;o parte do resultado dessa verdadeira morte anunciada. As negociatas que envolvem milh&#xF5;es para a compra de votos de deputados, a fim de que apoiem medidas antipopulares, t&#xEA;m feito parte de nosso cotidiano em 2017, com impactos na m&#xED;dia internacional.</p>
		<p>O Plano foi disponibilizado no site de v&#xE1;rias federa&#xE7;&#xF5;es industriais estaduais brasileiras ao meio empresarial, enquanto Dilma ainda ocupava a presid&#xEA;ncia e Temer era seu vice, portanto, a nova pol&#xED;tica fiscal que hoje congela os investimentos federais para os pr&#xF3;ximos 20 anos, que desmonta as universidades p&#xFA;blicas, que inviabiliza progressivamente a manuten&#xE7;&#xE3;o de sistemas como o SUS e o SUAS, que corta bolsas de pesquisa reduzindo a produ&#xE7;&#xE3;o intelectual do pa&#xED;s, e as nefastas reformas trabalhista e previdenci&#xE1;ria j&#xE1; estavam anunciadas, sob o falso discurso de serem todas necess&#xE1;rias ao desenvolvimento do pa&#xED;s (
			<xref ref-type="bibr" rid="B5">PRATES, 2016</xref>).
		</p>
		<p>Sem d&#xFA;vida, medidas como estas interessavam ao meio empresarial, porque os n&#xED;veis de flexibiliza&#xE7;&#xE3;o que perpassam o plano e a falsa austeridade assumida para atrair os mercados t&#xEA;m o lucro como elemento central, portanto falam a mesma linguagem e colocam o social em posi&#xE7;&#xE3;o caudat&#xE1;ria. Mas, contraditoriamente, esse mesmo governo, que justifica atrav&#xE9;s da crise o fato de reduzir drasticamente os investimentos nas Pol&#xED;ticas de Assist&#xEA;ncia, Sa&#xFA;de ou Educa&#xE7;&#xE3;o, gasta milh&#xF5;es para comprar votos de parlamentares atrav&#xE9;s da libera&#xE7;&#xE3;o de emendas para impedir que o presidente ileg&#xED;timo seja investigado por crime de corrup&#xE7;&#xE3;o como requer o Minist&#xE9;rio P&#xFA;blico; se protege, portanto, vergonhosamente, usando dinheiro p&#xFA;blico.</p>
		<p>Importante lembrar que durante as crises precisamos de mais prote&#xE7;&#xE3;o social, n&#xE3;o do corte de recursos exatamente nessa &#xE1;rea quando a popula&#xE7;&#xE3;o mais precisa do Estado. At&#xE9; o FMI reconhece que estas medidas de extrema austeridade, como as adotadas na Gr&#xE9;cia, em 2008, n&#xE3;o geraram bons resultados, porque ampliaram a desigualdade, a viol&#xEA;ncia e o desemprego, o que n&#xE3;o &#xE9; bom para a economia, mesmo se colocarmos o acento apenas no econ&#xF4;mico, o que j&#xE1; &#xE9; uma an&#xE1;lise restrita.</p>
		<p>Segundo a Nota T&#xE9;cnica n&#xFA;mero 2, do Centro de Estudos de Conjuntura e Pol&#xED;tica Econ&#xF4;mica da UNICAMP - Cecon, (
			<xref ref-type="bibr" rid="B1">BASTO; WELLE; OLIVEIRA, 2017</xref>), a partir dos dados do IBGE, n&#xE3;o se verifica nenhum impacto positivo na economia da austeridade adotada no Brasil, mas, apesar da pol&#xED;tica econ&#xF4;mica, houve, em 2017, uma supersafra e o crescimento acentuado das exporta&#xE7;&#xF5;es, por&#xE9;m o consumo das fam&#xED;lias continuou em decl&#xED;nio.
		</p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B1">Basto, Welle e Oliveira (2017)</xref>, autores da nota, alertam que a oferta agr&#xED;cola e as exporta&#xE7;&#xF5;es geram expans&#xE3;o de renda, por&#xE9;m, se o investimento &#xE9; determinado pela confian&#xE7;a na pol&#xED;tica econ&#xF4;mica, este aspecto pode ser considerado negativo, visto que o investimento continua caindo. Para os autores, a recupera&#xE7;&#xE3;o do consumo das fam&#xED;lias &#xE9; retardada em fun&#xE7;&#xE3;o do alto desemprego, da lenta recupera&#xE7;&#xE3;o do rendimento m&#xE9;dio real, do medo provocado pela reforma trabalhista e do comprometimento da renda familiar com o endividamento. Por fim, destacam que, mesmo havendo a retomada do crescimento nesse contexto de reformas, ser&#xE1; muito lento em raz&#xE3;o do novo regime fiscal e do aprofundamento da desigualdade. Quanto &#xE0;s exporta&#xE7;&#xF5;es, salientam ainda que a diminui&#xE7;&#xE3;o de investimentos em infraestrutura e forma&#xE7;&#xE3;o educacional, em raz&#xE3;o da austeridade, reduz significativamente a capacidade de competitividade.
		</p>
		<p>Para 
			<xref ref-type="bibr" rid="B6">Rossi e Dweck (2016</xref>, p. 1): &#x201C;no c&#xED;rculo vicioso da austeridade, cortes do gasto p&#xFA;blico induzem &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o do crescimento que provoca novas quedas da arrecada&#xE7;&#xE3;o e exige novos cortes de gastos&#x201D;.
		</p>
		<p>Ademais, n&#xE3;o podemos falar em desenvolvimento sem a inclus&#xE3;o de mulheres, negros, &#xED;ndios, LGBTS; n&#xE3;o podemos falar em desenvolvimento se oprimimos as manifesta&#xE7;&#xF5;es populares, se criminalizamos as lutas sociais, se n&#xE3;o escutamos a popula&#xE7;&#xE3;o, se n&#xE3;o garantirmos o atendimento de suas necessidades fundamentais. Estamos diante da retomada de um modelo de gest&#xE3;o autorit&#xE1;ria e concentradora que caminha para um profundo retrocesso nos n&#xED;veis de sociabilidade - o que n&#xE3;o podemos aceitar passivamente.</p>
		<p>A prote&#xE7;&#xE3;o social precisa ser parte da concep&#xE7;&#xE3;o de desenvolvimento e, portanto, prioridade no planejamento nacional, precisa ser garantida para todos, mas, especialmente, para aqueles que mais precisam do Estado por sua condi&#xE7;&#xE3;o de ciclo vital, por sua hist&#xF3;rica discrimina&#xE7;&#xE3;o, aparta&#xE7;&#xE3;o e n&#xE3;o reconhecimento do seu lugar na sociedade, como aqueles e aquelas cuja inclus&#xE3;o na sociedade se deu historicamente de modo subalterno e prec&#xE1;rio, como &#xE9; o caso das mulheres. Pol&#xED;ticas efetivamente inclusivas, que ampliem espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o, s&#xE3;o absolutamente necess&#xE1;rias. N&#xE3;o h&#xE1; prote&#xE7;&#xE3;o social sem protagonismo, sem participa&#xE7;&#xE3;o, sem que o povo seja ouvido, consultado, sem que seja parte integrante do processo decis&#xF3;rio. O di&#xE1;logo permanente entre o executivo, os movimentos sociais e os f&#xF3;runs populares &#xE9; fundamental.</p>
		<p>Estamos vivendo tempos muito adversos. O avan&#xE7;o do conservadorismo, da intoler&#xE2;ncia, da nega&#xE7;&#xE3;o do direito &#xE0; livre express&#xE3;o da diversidade humana, da crescente viola&#xE7;&#xE3;o de direitos &#xE9; simplesmente assustador e vem sendo cada vez mais naturalizada, banalizada. Por outro lado, as acusa&#xE7;&#xF5;es moralizadoras, desmedidas, sem a necess&#xE1;ria materialidade de provas e sem a possibilidade do direito de defesa, conforme previsto na Constitui&#xE7;&#xE3;o, mostram o qu&#xE3;o complexo &#xE9; o equacionamento desses processos.</p>
		<p>E nesse sentido a prote&#xE7;&#xE3;o social tamb&#xE9;m atua, porque trabalha com processos sociais auxiliando no seu desocultamento, numa an&#xE1;lise que n&#xE3;o privilegie o fragmento, mas considere a conex&#xE3;o de m&#xFA;ltiplas determina&#xE7;&#xF5;es e reconhe&#xE7;a a presen&#xE7;a da contradi&#xE7;&#xE3;o como parte inclusiva dos mesmos.</p>
		<p>As manifesta&#xE7;&#xF5;es em prol do 
			<italic>impeachment</italic> de Dilma explicitaram esse conservadorismo de forma muito clara, e que aflora e cresce tamb&#xE9;m na sociedade civil de modo preocupante. A elei&#xE7;&#xE3;o de 
			<italic>Trump</italic> nos EUA fortalece o crescimento pol&#xED;tico de sujeitos homof&#xF3;bicos, antifeministas, autorit&#xE1;rios e fascistas, como Bolsonaro, no Brasil, que tem um n&#xFA;mero de seguidores significativo, especialmente entre a juventude, o que &#xE9; mais grave. Essas desgra&#xE7;as precisam ser barradas no seu nascedouro: 
			<italic>Trump,</italic> para n&#xF3;s, precisa ser um alerta; os americanos est&#xE3;o l&#xE1; amargando com 
			<italic>Trump</italic> porque desconsideraram o seu crescimento ao longo do processo. Retrocessos como a redu&#xE7;&#xE3;o da maioridade penal, o armamento da popula&#xE7;&#xE3;o, est&#xE3;o na pauta de sujeitos como esse, est&#xE3;o tamb&#xE9;m na pauta do DEM, partido do presidente da C&#xE2;mara. Pautas que v&#xE3;o totalmente na contram&#xE3;o do que defendemos.
		</p>
		<p>A elite brasileira e sua pequena burguesia &#xE9; extremamente conservadora e se incomoda de ver o avan&#xE7;o no &#xE2;mbito dos direitos para todos os trabalhadores. Se incomodam porque, caso a subservi&#xEA;ncia seja reduzida nesse pa&#xED;s, fica mais dif&#xED;cil encontrar quem se sujeite a qualquer rela&#xE7;&#xE3;o e condi&#xE7;&#xE3;o de trabalho, que se sujeite ao sobretrabalho avassalador que causa adoecimento f&#xED;sico e mental ao trabalhador, que se sujeite a desmandos e aviltamentos. Querem, portanto, de volta os direitos como moeda de troca, como favor que concedem ao povo trabalhador, como benesse que pode ser ofertada de qualquer forma, com qualquer qualidade, por qualquer pessoa n&#xE3;o qualificada e que tem como resposta o &#x201C;eterno agradecimento&#x201D; das massas. Soma-se a isso o interesse do capital por algumas dessas pol&#xED;ticas, como sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o, por exemplo, que s&#xE3;o &#xF3;timos nichos de mercado, e, privatizadas, de olho nos vultuosos lucros que podem render ao capital.</p>
		<p>Somente na &#xE1;rea da Assist&#xEA;ncia Social, que tomamos como exemplo para avaliar o impacto assustador da Lei n&#xBA; 55/2016 ou Lei do congelamento, temos, segundo estudos do IPEA que, em 20 anos amargaremos uma perda da ordem de 54% para a Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social, cujos recursos hoje j&#xE1; s&#xE3;o parcos para dar conta do que o Brasil necessita em termos de prote&#xE7;&#xE3;o social. Esse estudo faz uma proje&#xE7;&#xE3;o com base nos valores de setembro de 2016 e, ao final de duas d&#xE9;cadas, as perdas seriam da ordem de 868 bilh&#xF5;es para financiamento da Pol&#xED;tica e essas s&#xE3;o estimativas conservadoras, o que &#xE9; reconhecido pelos pr&#xF3;prios pesquisadores do IPEA, uma vez que nessa estimativa n&#xE3;o foi prevista a necess&#xE1;ria expans&#xE3;o de servi&#xE7;os e programas.</p>
		<p>Se tomarmos apenas o or&#xE7;amento da CAPES, para perceber um pouquinho desse impacto na educa&#xE7;&#xE3;o, podemos afirmar que as perdas p&#xF5;em em risco bolsas de pesquisa de mestrado, doutorado e produtividade, apoio ao financiamento de pesquisas e eventos cient&#xED;ficos, pois, desde 2015, a CAPES vem perdendo 1 milh&#xE3;o por ano de seu or&#xE7;amento, somam-se 3 milh&#xF5;es de redu&#xE7;&#xE3;o nos 3 &#xFA;ltimos anos e a previs&#xE3;o para o or&#xE7;amento de 2018 &#xE9; de aproximadamente uma redu&#xE7;&#xE3;o da ordem de 40% do or&#xE7;ado em 2017.</p>
		<p>A reforma trabalhista, aprovada em julho de 2017, que entrou em vigor em novembro do corrente ano, alterou mais de 100 pontos da CLT, entre os quais: a preval&#xEA;ncia do acordado sobre o legislado, a possibilidade de que mulheres gr&#xE1;vidas e lactentes trabalhem em locais insalubres, a regulamenta&#xE7;&#xE3;o do trabalho intermitente, al&#xE9;m de incidir sobre f&#xE9;rias, plano de carreira, trabalho em casa e jornada de trabalho. Os trabalhadores de n&#xED;vel superior, que percebem mais do que duas vezes o piso da previd&#xEA;ncia, perdem o direito &#xE0; representa&#xE7;&#xE3;o sindical nas negocia&#xE7;&#xF5;es e passam a tratar de seus acordos individualmente. Em s&#xED;ntese, agravam-se as condi&#xE7;&#xF5;es e amplia-se a precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho a partir da flexibiliza&#xE7;&#xE3;o.</p>
		<p>No que se refere &#xE0;s mulheres, que s&#xE3;o maioria no emprego prec&#xE1;rio, na informalidade e que ganham menos, a partir do governo Temer, h&#xE1; um discurso ideol&#xF3;gico quanto &#xE0; necessidade da perman&#xEA;ncia da mulher em casa, o que acaba corroborando para justificar pagamentos inferiores de sal&#xE1;rio e trabalho ainda mais prec&#xE1;rios. Desde o in&#xED;cio desse governo ileg&#xED;timo, a aus&#xEA;ncia de mulheres nos Minist&#xE9;rios j&#xE1; mostrava o lugar que ocuparia a mulher nessa gest&#xE3;o, ou seja, um n&#xE3;o lugar. Os recursos para mulheres v&#xED;timas de viol&#xEA;ncia sofrem dr&#xE1;sticos cortes, da ordem de 61%, passando de 42,9 milh&#xF5;es para 16,7 milh&#xF5;es e s&#xE3;o reduzidos de 11,5 milh&#xF5;es para 5,3 milh&#xF5;es os recursos destinados a incentivos para a autonomia das mulheres (
			<xref ref-type="bibr" rid="B4">MONTEIRO, 2017</xref>).
		</p>
		<p>Essa fragiliza&#xE7;&#xE3;o imposta pela austeridade amplia as possibilidades de transfer&#xEA;ncia de valor e de mais valia da periferia para os centros capitalistas, conforme esclarece a teoria da depend&#xEA;ncia, reproduzindo o processo de subalterniza&#xE7;&#xE3;o.</p>
		<p>Ao perder as elei&#xE7;&#xF5;es nas urnas, a oposi&#xE7;&#xE3;o decidiu retomar o poder a qualquer custo, porque os resultados para o capital j&#xE1; n&#xE3;o estavam mais a contento, queriam explorar mais, queriam a implanta&#xE7;&#xE3;o mais radical das pol&#xED;ticas de recorte neoliberal, ent&#xE3;o n&#xE3;o era mais suficiente utilizar a concilia&#xE7;&#xE3;o barganhada com o governo popular a seu servi&#xE7;o, queriam administrar diretamente seus interesses.</p>
		<p>Mas, &#x201C;apesar de voc&#xEA;&#x201D;, como diz Chico Buarque, muitos de n&#xF3;s, nos mais diversos espa&#xE7;os, tecemos teias de resist&#xEA;ncia, na expectativa de que amanh&#xE3; &#x201C;seja outro dia&#x201D;, constru&#xED;das atrav&#xE9;s de nossos debates, de nossas pesquisas, de ocupa&#xE7;&#xF5;es, de mobiliza&#xE7;&#xF5;es e lutas. Reconhecemos que o momento &#xE9; dif&#xED;cil e perigoso, mais uma raz&#xE3;o para estarmos unidos e unidas, em especial as mulheres, e que, embora muitas vezes ocultadas por uma cultura machista, sempre estiveram presentes de modo marcante nas subleva&#xE7;&#xF5;es oper&#xE1;rias, nos processos revolucion&#xE1;rios e n&#xE3;o ser&#xE1; nesse momento adverso que esmorecer&#xE3;o.</p>
		<p>Os artigos encaminhados &#xE0; Revista Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre) s&#xE3;o origin&#xE1;rios de 8 estados brasileiros, entre os quais SP, ES, RJ, SC, DF, RN, PB e RS, al&#xE9;m de dois artigos estrangeiros enviados por pesquisadores do Chile e do Uruguai. Avaliada como A2 pela CAPES no &#xFA;ltimo quadri&#xEA;nio, a revista vem recebendo um n&#xFA;mero crescente de acessos que hoje montam em torno de 1.884.000, desde sua institui&#xE7;&#xE3;o em 2002 at&#xE9; hoje, com publica&#xE7;&#xF5;es ininterruptas ao longo desses 15 anos.</p>
		<p>O n&#xFA;mero 2 da Revista &#xE9; subdividido em 5 eixos a saber: Eixo 1 - Trabalho, Conjuntura e Luta de Classes; Eixo 2 - Prote&#xE7;&#xE3;o Social e Direitos Sociais; o Eixo 3 - Servi&#xE7;o Social, trabalho e Forma&#xE7;&#xE3;o; o Eixo 4 - Forma&#xE7;&#xE3;o P&#xF3;s-Graduada e Estrat&#xE9;gias de Gest&#xE3;o; e, por fim, o Eixo 5 - Economia, Desenvolvimento e Fundo P&#xFA;blico.</p>
		<p>
			<bold>O Eixo 1 - Trabalho, Conjuntura e Luta de Classes</bold>, &#xE9; composto por 3 artigos incluindo o que abre a Revista, tamb&#xE9;m traduzido para l&#xED;ngua inglesa, intitulado &#x201C;Aprendendo com a hist&#xF3;ria: t&#xE1;ticas sindicais que contribu&#xED;ram para a contrarreforma trabalhista&#x201D;, que aborda as t&#xE1;ticas utilizadas pelo movimento sindical brasileiro na &#xFA;ltima d&#xE9;cada para enfrentar os conflitos resultantes da rela&#xE7;&#xE3;o capital-trabalho. Dando prosseguimento, apresenta-se o artigo &#x201C;Pol&#xED;ticas de &#x2018;concilia&#xE7;&#xE3;o&#x2019; entre trabalho e responsabilidade familiar: o debate em curso na Europa e na Am&#xE9;rica Latina&#x201D;, que busca apresentar um quadro acerca das produ&#xE7;&#xF5;es sobre pol&#xED;ticas conciliat&#xF3;rias em dois distintos universos, contemplando aspectos conceituais, rela&#xE7;&#xF5;es, din&#xE2;micas e contradi&#xE7;&#xF5;es que marcam cada um desses universos. O terceiro artigo que comp&#xF5;e esse eixo intitula-se &#x201C;Leituras de realidade: ferramentas de apreens&#xE3;o da vida social e seus impactos e para identificar possibilidades para al&#xE9;m do capital&#x201D; e aporta reflex&#xF5;es e possibilidades de an&#xE1;lise para desocultar rela&#xE7;&#xF5;es, contradi&#xE7;&#xF5;es, mascaramentos que legitimam a ordem do capital.
		</p>
		<p>
			<bold>O Eixo 2 - Prote&#xE7;&#xE3;o Social e Direitos Sociais</bold> &#xE9; composto por 4 artigos, o primeiro intitulado &#x201C;A Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social e a amea&#xE7;a temer&#xE1;ria aos direitos sociais&#x201D;, que faz uma recupera&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica acerca da pol&#xED;tica e sua institui&#xE7;&#xE3;o como p&#xFA;blica e n&#xE3;o contributiva e traz reflex&#xF5;es sobre o desmantelamento em curso no atual (des)governo Temer. O segundo artigo que conforma esse eixo intitula-se &#x201C;Asistir y castigar: nuevos usos de viejos dispositivos de gobierno&#x201D;, que debate algumas das pol&#xED;ticas dirigidas &#xE0; extrema pobreza no Uruguai e seus tra&#xE7;os conservadores. O terceiro artigo apresentado versa sobre &#x201C;A Territorializa&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social das pessoas idosas benefici&#xE1;rias do BPC no Corede do Vale do Rio Pardo/RS&#x201D;, buscando desocultar, a partir de pesquisa emp&#xED;rica com trabalhadores e usu&#xE1;rios, os desafios da articula&#xE7;&#xE3;o com os demais agentes no territ&#xF3;rio, as dificuldades de acesso, entre outros aspectos. O quarto artigo, que encerra esse eixo, intitula-se &#x201C;O circuito familista na Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social&#x201D; aborda o compartilhamento das responsabilidades de provis&#xE3;o das necessidades b&#xE1;sicas dos indiv&#xED;duos e de combate &#xE0;s priva&#xE7;&#xF5;es, vulnerabilidades e riscos sociais.
		</p>
		<p>
			<bold>O Eixo 3 - Servi&#xE7;o Social, Trabalho e Forma&#xE7;&#xE3;o -</bold> &#xE9; composto por 4 artigos. O primeiro aborda &#x201C;A relativa autonomia na literatura profissional do Servi&#xE7;o Social, um estudo realizado a partir de pesquisa bibliogr&#xE1;fica&#x201D;. O segundo artigo, que comp&#xF5;e o eixo 3 intitula-se &#x201C;Dimens&#xE3;o socioeducativa do trabalho do assistente social no judici&#xE1;rio, contradi&#xE7;&#xF5;es e perspectivas&#x201D;, trata do tensionamento frente &#xE0;s requisi&#xE7;&#xF5;es que s&#xE3;o postas ao Assistente Social nesse espa&#xE7;o s&#xF3;cio-ocupacional de car&#xE1;ter punitivo. O terceiro artigo apresentado nesse eixo discute o &#x201C;Est&#xE1;gio em Servi&#xE7;o Social: reflex&#xF5;es a partir da realidade da supervis&#xE3;o de campo&#x201D;, buscando aportar as caracter&#xED;sticas dos Assistentes Sociais na supervis&#xE3;o direta de campo a partir de Survey. O artigo que complementa o eixo 3 intitula-se &#x201C;O processo de institucionaliza&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social em uma empresa de energia: hist&#xF3;ria e eixos de interven&#xE7;&#xE3;o&#x201D; e versa sobre a interven&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social numa empresa p&#xFA;blica estatal complexa, com m&#xFA;ltiplas filiais, hierarquizada e segmentada.
		</p>
		<p>
			<bold>O Eixo 4 - Forma&#xE7;&#xE3;o P&#xF3;s-Graduada e Estrat&#xE9;gias de Gest&#xE3;o -</bold> &#xE9; formado por dois artigos, o primeiro &#x201C;Forma&#xE7;&#xE3;o profissional da equipe multiprofissional em sa&#xFA;de: a compreens&#xE3;o da intersetorialidade no contexto do SUS&#x201D;, fruto de pesquisa documental e emp&#xED;rica, apresenta uma an&#xE1;lise da proposta de forma&#xE7;&#xE3;o profissional da resid&#xEA;ncia multiprofissional em sa&#xFA;de (RMS), atribuindo centralidade &#xE0; intersetorialidade, promo&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de, integralidade e forma&#xE7;&#xE3;o continuada. O segundo artigo que complementa esse eixo, &#x201C;Acompanhamento de egressos como instrumento de gest&#xE3;o&#x201D;, apresenta pesquisa realizada com egressos de um Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o como estrat&#xE9;gia para mobiliza&#xE7;&#xE3;o e atendimento a demandas do processo avaliativo junto &#xE0; CAPES.
		</p>
		<p>
			<bold>O Eixo 5 - Economia, Desenvolvimento e Fundo P&#xFA;blico -</bold> apresenta dois excelentes artigos que fecham esse n&#xFA;mero da Revista. O primeiro sob o t&#xED;tulo &#x201C;El fin del superciclo del cobre e las reformas sociales em Chile&#x201D;; e o &#xFA;ltimo versa sobre a &#x201C;Disputa pelo Fundo P&#xFA;blico Municipal: as pol&#xED;ticas sociais na trajet&#xF3;ria de duas d&#xE9;cadas no Noroeste do RS&#x201D;, evidencia o acirramento da disputa pelo fundo p&#xFA;blico em tempos de reestrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva.
		</p>
		<p>Esperamos que os estudos e reflex&#xF5;es apresentados subsidiem debates e instiguem novas problematiza&#xE7;&#xF5;es. Desejamos a todos e todas boa leitura!</p>
		<p>
			<italic>A Editora</italic>
		</p>
		<p>Porto Alegre, ver&#xE3;o de 2017.</p>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
			<ref id="B1">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BASTOS</surname>
							<given-names>Pedro P</given-names>
						</name>
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							<surname>WELLE</surname>
							<given-names>Arhur</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>OLIVEIRA</surname>
							<given-names>Ana Luiza de</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>Nota T&#xE9;cnica n&#xFA;mero 2 do CECON</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>UNICAMP</publisher-name>
					<year>2017</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BASTOS, Pedro P; WELLE, Arhur; OLIVEIRA, Ana Luiza de. 
					<bold>Nota T&#xE9;cnica n&#xFA;mero 2 do CECON</bold>. S&#xE3;o Paulo: UNICAMP, 2017.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>COUTINHO</surname>
							<given-names>Carlos N</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>Notas sobre democracia e cidadania</chapter-title>
					<source>Revista Praia Vermelha - Estudos de Pol&#xED;tica e Teoria Social</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>UFRJ/ PPGESS</publisher-name>
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					<fpage>145</fpage>
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					<season>jan./jul.</season>
					<year>1997</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>COUTINHO, Carlos N. Notas sobre democracia e cidadania. 
					<bold>Revista Praia Vermelha - Estudos de Pol&#xED;tica e Teoria Social</bold>, Rio de Janeiro, UFRJ/ PPGESS, v. 1, n. 1, p. 145, jan./jul. 1997.
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			</ref>
			<ref id="B3">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>MARX</surname>
							<given-names>K.</given-names>
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					</person-group>
					<source>A guerra civil na Fran&#xE7;a</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Global</publisher-name>
					<year>1986</year>
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				<mixed-citation>MARX, K. 
					<bold>A guerra civil na Fran&#xE7;a</bold>. S&#xE3;o Paulo: Global, 1986.
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>MONTEIRO</surname>
							<given-names>Maria Julia</given-names>
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					<chapter-title>Governo Temer, um ano de retrocesso para as mulheres</chapter-title>
					<source>O Professor</source>
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					<issue>405</issue>
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						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.simpro-abc.org.br">www.simpro-abc.org.br</ext-link>&#x3E;
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				<mixed-citation>MONTEIRO, Maria Julia. Governo Temer, um ano de retrocesso para as mulheres. 
					<bold>O Professor</bold>, SP: SIMPRO-ABC, n. 405, 2017. Dispon&#xED;vel em: &#x3C;www.simpro-abc.org.br&#x3E;
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				<element-citation publication-type="journal">
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							<surname>PRATES</surname>
							<given-names>Jane Cruz</given-names>
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					<article-title>Editorial. As amea&#xE7;as do tempo presente aos direitos conquistados: uma morte anunciada</article-title>
					<source>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</source>
					<comment>Porto Alegre</comment>
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					<fpage>225</fpage>
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					<year>2016</year>
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						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://dx.doi.org/10.15448/1677-9509.2016.2.26234">http://dx.doi.org/10.15448/1677-9509.2016.2.26234</ext-link>&#x3E;
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				</element-citation>
				<mixed-citation>PRATES, Jane Cruz. Editorial. As amea&#xE7;as do tempo presente aos direitos conquistados: uma morte anunciada. 
					<bold>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</bold>, Porto Alegre, v. 15, n. 2, p. 225-233, ago./dez. 2016. &#x3C;http://dx.doi.org/10.15448/1677-9509.2016.2.26234&#x3E;.
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				<element-citation publication-type="book">
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					<chapter-title>Impactos no novo regime fiscal na sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o</chapter-title>
					<source>Cadernos de Sa&#xFA;de P&#xFA;blica</source>
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					<source>As contradi&#xE7;&#xF5;es do lulismo, a que ponto chegamos?</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
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				<mixed-citation>SINGER, Andr&#xE9;; LOUREIRO, Isabel (Orgs.) As contradi&#xE7;&#xF5;es do lulismo, a que ponto chegamos? S&#xE3;o Paulo: Boitempo, 2016.</mixed-citation>
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