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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.2.27538</article-id>
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					<subject>Prote&#xE7;&#xE3;o Social e Direitos Sociais</subject>
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				<article-title>A Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social brasileira e a amea&#xE7;a temer&#xE1;ria aos direitos sociais</article-title>
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					<trans-title>The Brazilian Social Assistance Policy and the reckless threat to social rights</trans-title>
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						<surname>Veroneze</surname>
						<given-names>Renato Tadeu</given-names>
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					<email>rtveroneze@hotmail.com</email>
					<institution content-type="original">Assistente Social, p&#xF3;s-graduado em Educa&#xE7;&#xE3;o, Did&#xE1;tica e Metodologia do Ensino Superior, p&#xF3;s-graduado em Filosofia Contempor&#xE2;nea, Mestre e Doutorando em Servi&#xE7;o Social pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC-SP). S&#xE3;o Paulo - SP/Brasil. CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/7199738796552398. E-mail: rtveroneze@hotmail.com.</institution>
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				<year>2019</year>
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				<season>Aug-Dec</season>
				<year>2017</year>
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			<issue>2</issue>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O objetivo deste artigo &#xE9; oferecer subs&#xED;dios para a compreens&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social brasileira enquanto pol&#xED;tica p&#xFA;blica de prote&#xE7;&#xE3;o social, apresentando os marcos hist&#xF3;ricos para a implementa&#xE7;&#xE3;o do Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social, sinalizando a passagem de uma pr&#xE1;tica arcaica, tradicional e conservadora, para a pr&#xE1;tica inovadora no campo do direito e no fortalecimento de um sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social descentralizada, participativa e de prote&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o-contributiva. Com o advento da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 foi institu&#xED;do oficialmente o sistema de seguridade social, configurado em um trip&#xE9; entre a Sa&#xFA;de, a Previd&#xEA;ncia Social e a Assist&#xEA;ncia Social, definida como uma pol&#xED;tica de prote&#xE7;&#xE3;o social inclusiva e n&#xE3;o-contributiva. Ressaltamos, tamb&#xE9;m, a import&#xE2;ncia da Assist&#xEA;ncia Social nos marcos da crise pol&#xED;tica que atinge o Brasil nos &#xFA;ltimos anos, que prev&#xEA; o desmantelamento das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e direitos sociais no governo de Michel Temer.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>The purpose of this article is to provide subsidies for the understanding of Brazilian social assistance as a public policy of social protection, with the sights for the implementation of uniform social assistance, signaling the transition from an archaic, traditional and conservative practice to innovative practice in the right field and strengthening of a decentralized, participatory and non-contributory social security system. With the advent of 1988&#x27;s Federal Constitution was officially established the social security system, built on a tripod between Health, Social Security and Social Assistance, defined as an inclusive and non-contributory social protection policy. We also emphasize the importance of Social Assistance in the political crisis that has hit Brazil over the last few years, which provides the dismantling of public policies and social rights in Michel Temer&#x27;s government.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Servi&#xE7;o social</kwd>
				<kwd>Pol&#xED;tica p&#xFA;blica</kwd>
				<kwd>Assist&#xEA;ncia social</kwd>
				<kwd>Amea&#xE7;a neoliberal</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Social work</kwd>
				<kwd>Public politics</kwd>
				<kwd>Social assistance</kwd>
				<kwd>Neoliberal threat</kwd>
			</kwd-group>
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	<body>
		<p>A pobreza, as desigualdades sociais e a exclus&#xE3;o social ainda s&#xE3;o uma realidade no Brasil e em grande parte do mundo. Nesta realidade, pessoas de &#x201C;boa vontade&#x201D; tentam de alguma forma minimizar o sofrimento atrav&#xE9;s de ajuda humanit&#xE1;ria, que carregam, em si, um sentimento de caridade, benemer&#xEA;ncia, solidariedade, fraternidade, enfim, uma assist&#xEA;ncia ao outro (
			<xref ref-type="bibr" rid="B20">VERONEZE, 2011</xref>).
		</p>
		<p>Apesar dos Programas de Transfer&#xEA;ncia de Renda e dos diversos programas governamentais na &#xE1;rea da assist&#xEA;ncia social, ainda &#xE9; poss&#xED;vel observar grandes bols&#xF5;es de pobreza no pa&#xED;s. Assim, a pobreza &#xE9; um fato n&#xE3;o s&#xF3; observado nos grandes centros urbanos, mas tamb&#xE9;m nas pequenas localidades espalhadas pelo pa&#xED;s.</p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B15">Soares (2003</xref>, p. 43):
		</p>
		<disp-quote>
			<p>[&#x2026;] define como pobres aqueles que recebem abaixo de um valor [&#x2026;] suficiente para pagar um conjunto de necessidades definidas como b&#xE1;sicas (alimenta&#xE7;&#xE3;o, vestu&#xE1;rio, habita&#xE7;&#xE3;o, transporte, etc.) e como indigentes (ou miser&#xE1;veis) aqueles que recebem abaixo de um valor [&#x2026;] suficiente para comprar apenas uma cesta b&#xE1;sica de alimentos.</p>
		</disp-quote>
		<p>Historicamente, a pobreza j&#xE1; foi representada por v&#xE1;rios estere&#xF3;tipos sociais. 
			<xref ref-type="bibr" rid="B10">Iamamoto (2005)</xref> refere que nos anos de 1950, no Brasil, ela foi representada pela imagem do 
			<italic>Jeca Tatu</italic>, um personagem de muitas hist&#xF3;rias em quadrinhos da &#xE9;poca, que representava um sujeito pregui&#xE7;oso, indolente e sem ambi&#xE7;&#xE3;o. J&#xE1; nos anos de 1960, esta imagem passou a ser representada pela figura do 
			<italic>malandro</italic>, um camarada que n&#xE3;o trabalhava, mas vivia espertamente explorando os outros e que acaba sendo objeto de desprezo e indiferen&#xE7;a (
			<xref ref-type="bibr" rid="B20">VERONEZE, 2011</xref>).
		</p>
		<p>Nos anos de 1980, a pobreza era sin&#xF4;nimo de exclu&#xED;do e marginalizado (aquele que estava &#xE0; margem da sociedade). Hoje, essa imagem &#xE9; radicalizada: &#xE9; o perigoso, o transgressor, o que rouba e que n&#xE3;o trabalha, sujeito &#xE0; repress&#xE3;o e &#xE0; extin&#xE7;&#xE3;o, ou at&#xE9; mesmo aqueles que vivem nos submundos, nas ruas, os indigentes, etc. S&#xE3;o as chamadas &#x201C;classes perigosas&#x201D;, e n&#xE3;o mais laboriosas, destinat&#xE1;rias da repress&#xE3;o. &#x201C;[&#x2026;] Refor&#xE7;a-se, assim, a viol&#xEA;ncia institucionalizada colocando-se em risco o direito &#xE0; pr&#xF3;pria vida&#x201D; (
			<xref ref-type="bibr" rid="B10">IAMAMOTO, 2005</xref>, p. 42).
		</p>
		<p>No campo social, as consequ&#xEA;ncias dessa desvaloriza&#xE7;&#xE3;o da vida humana est&#xE3;o estampadas nas grandes desigualdades visivelmente observadas: no aumento da mis&#xE9;ria, do desemprego, nas condi&#xE7;&#xF5;es prec&#xE1;rias de trabalho e de vida, na falta de assist&#xEA;ncia &#xE0; sa&#xFA;de, no baixo n&#xED;vel educacional e cultural, no preconceito e na discrimina&#xE7;&#xE3;o, na falta de moradia, enfim, na falta de aten&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s vulnerabilidades e riscos sociais gerados pelo capitalismo.</p>
		<p>N&#xE3;o obstante a quest&#xE3;o social, entendida como a disputa de conflitos decorrentes da opress&#xE3;o e da explora&#xE7;&#xE3;o entre capital e trabalho, ou seja, com o aumento da riqueza socialmente produzida e centralizada nas m&#xE3;os de poucos, h&#xE1; um n&#xFA;mero cada vez maior de indiv&#xED;duos sociais que vivem em condi&#xE7;&#xF5;es prec&#xE1;rias, gerando, assim, grandes conflitos sociais e aumento das desigualdades sociais e da viol&#xEA;ncia.</p>
		<p>Deste modo, a pr&#xE1;tica profissional do Servi&#xE7;o Social precisa ser cr&#xED;tica, consciente, propositiva e participativa, baseada num amplo conhecimento da realidade social que sup&#xF5;e determinados pressupostos te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gicos, &#xE9;tico-pol&#xED;ticos e t&#xE9;cnico-operativos fundamentais e que implicam o conhecimento da realidade em sua totalidade, das leis de movimento da sociedade e suas contradi&#xE7;&#xF5;es e nega&#xE7;&#xF5;es, de uma vis&#xE3;o de mundo cr&#xED;tica e dial&#xE9;tica e de uma percep&#xE7;&#xE3;o de ser social fundamentada na ontologia do ser social, capaz de entender os complexos categoriais de homens e mulheres que vivem em sociedade.</p>
		<p>As fun&#xE7;&#xF5;es do assistente social s&#xE3;o, portanto, predominantemente vinculadas &#xE0; presta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os, &#xE0; efetiva&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e &#xE0; regula&#xE7;&#xE3;o e oferta de benef&#xED;cios. Essas fun&#xE7;&#xF5;es acabam se alienando no interior das institui&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas ou privadas, onde o assistente social desempenha seu trabalho, em decorr&#xEA;ncia dos diversos problemas enfrentados no cotidiano profissional, dentre eles, pode- se destacar: a falta de condi&#xE7;&#xF5;es dignas de trabalho, a falta de conscientiza&#xE7;&#xE3;o, organiza&#xE7;&#xE3;o e mobiliza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica e do reconhecimento do exerc&#xED;cio profissional na efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos humanos e sociais.</p>
		<p>Contudo, nem sempre a pr&#xE1;tica profissional do Servi&#xE7;o Social brasileiro esteve vinculada a estes pressupostos. Historicamente, a ajuda, a caridade, o cuidado, a benesse, a filantropia e o voluntariado estiveram impregnados enquanto valores humanit&#xE1;rios e benemerentes da atua&#xE7;&#xE3;o profissional.</p>
		<p>A ajuda &#xE9; uma pr&#xE1;tica antiga na humanidade. Desde os tempos mais remotos, h&#xE1; relatos dessa assist&#xEA;ncia aos desamparados e desvalidos de toda ordem. Por&#xE9;m, com o desenvolvimento do capitalismo, surgiu a necessidade de criar meios, institui&#xE7;&#xF5;es e pol&#xED;ticas para atender a demanda gerada pela quest&#xE3;o social.</p>
		<p>Assim, em meados do s&#xE9;culo XIX, na Inglaterra, surge a necessidade de uma nova proposta de reformula&#xE7;&#xE3;o das bases da assist&#xEA;ncia, visando &#xE0; profissionaliza&#xE7;&#xE3;o de um &#x201C;servi&#xE7;o&#x201D; que tivesse embasamento te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gico para atender &#xE0;s express&#xF5;es da quest&#xE3;o social. As primeiras Agentes Sociais, senhoras abnegadas que se especializaram para atender as diversas necessidades, ofereciam uma assist&#xEA;ncia, principalmente, preocupada com a higieniza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o que, geralmente, estava direcionada &#xE0;s fam&#xED;lias dos oper&#xE1;rios da grande ind&#xFA;stria.</p>
		<p>Inicialmente, este trabalho era realizado por pessoas ligadas aos diversos credos religiosos e alimentadas pelo sentimento de &#x201C;amor ao pr&#xF3;ximo&#x201D;; realizavam, assim, a&#xE7;&#xF5;es que visavam minimizar a situa&#xE7;&#xE3;o de pen&#xFA;ria que muitas fam&#xED;lias estavam vivenciando. Posteriormente, o Estado assumiu para si a fun&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;cuidar dos pobres&#x201D;. Essa especializa&#xE7;&#xE3;o foi o primeiro passo para o desenvolvimento do Servi&#xE7;o Social enquanto profiss&#xE3;o. No Brasil, a partir dos anos de 1936, chegaram as primeiras escolas para a forma&#xE7;&#xE3;o de assistentes sociais, sob forte inspira&#xE7;&#xE3;o franco-belga e neotomista.</p>
		<p>A pr&#xE1;tica profissional do Servi&#xE7;o Social brasileiro, em sua origem hist&#xF3;rica, foi fundamentada, principalmente, na caridade, na benemer&#xEA;ncia, na solidariedade e na filantropia. Em meados da d&#xE9;cada de 1940, o Estado assume para si a tarefa de atender, inicialmente, as fam&#xED;lias dos pracinhas, combatentes durante a Segunda Guerra Mundial, e cria a Legi&#xE3;o Brasileira de Assist&#xEA;ncia (LBA).</p>
		<p>No princ&#xED;pio, o trabalho desenvolvido por esta inst&#xE2;ncia governamental estava direcionado ao atendimento materno-infantil e, posteriormente, acompanhou o desenvolvimento econ&#xF4;mico-social do pa&#xED;s, de modo a atender as demandas da popula&#xE7;&#xE3;o em estado de vulnerabilidade e risco social. &#xC9; importante destacar que a LBA era gerenciada pelas primeiras-damas de Estado, possuindo, de tal modo, um car&#xE1;ter paternalista, clientelista e assistencialista, o que gerou o denominado primeiro-damismo
			<xref ref-type="fn" rid="fn1">
				<sup>1</sup>
			</xref> enquanto pr&#xE1;tica conservadora e tradicionalista.
		</p>
		<p>Estas pr&#xE1;ticas, que tinham como significado a &#x201C;ajuda aos pobres&#x201D;, naturalizou a pobreza, as desigualdades sociais e as fragilidades da vida, conduzindo para um entendimento de que sempre haveria os mais fr&#xE1;geis, os doentes, os incapazes, enfim, aqueles que, por algum motivo, foram &#x201C;marcados&#x201D; e &#x201C;condenados&#x201D; a viverem desta forma, carecendo, assim, de ajuda daqueles &#x201C;mais afortunados&#x201D; ou &#x201C;marcados pela sorte&#x201D;. Em outras palavras, veiculava a ideia de que &#x201C;[&#x2026;] o homem &#xE9;, naturalmente um ser dependente, pleno de necessidades e carecimentos&#x201D; (
			<xref ref-type="bibr" rid="B16">SPOSATI et. al., 2003</xref>, p. 40). Por outro lado, a quest&#xE3;o social era tratada como &#x201C;caso de pol&#xED;cia&#x201D;, implicando uma moraliza&#xE7;&#xE3;o das suas express&#xF5;es.
		</p>
		<p>Em meados dos anos de 1970 &#xE9; criado o Minist&#xE9;rio da Previd&#xEA;ncia Social e a assist&#xEA;ncia social vincula-se ao sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social, mas, ainda, com forte express&#xE3;o conservadora e tecnicista.</p>
		<p>Os vinte anos de regime militar significou um retrocesso pol&#xED;tico que implicou um modelo econ&#xF4;mico voltado para atender aos ditames externos de acumula&#xE7;&#xE3;o do capital, caracterizado por um crescente monop&#xF3;lio da produ&#xE7;&#xE3;o, com o concurso do Estado e das multinacionais que implementaram uma moderniza&#xE7;&#xE3;o tecnol&#xF3;gica conservadora.</p>
		<p>Nesse per&#xED;odo, a quest&#xE3;o social &#xE9; controlada pelo economicismo e pela coer&#xE7;&#xE3;o e viol&#xEA;ncia, aumenta o conflito social, a organiza&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores &#xE9; reprimida e as pol&#xED;ticas sociais assumem o car&#xE1;ter de acumula&#xE7;&#xE3;o, combinando assist&#xEA;ncia e repress&#xE3;o. Cria-se um racionalismo t&#xE9;cnico que oculta a situa&#xE7;&#xE3;o de opress&#xE3;o e explora&#xE7;&#xE3;o social (
			<xref ref-type="bibr" rid="B13">MESTRINER, 2001</xref>).
		</p>
		<p>A passagem da assist&#xEA;ncia social enquanto uma pr&#xE1;tica arcaica, tradicional, conservadora, para uma pr&#xE1;tica inovadora, inserida no campo do direito e concebida como pol&#xED;tica p&#xFA;blica aconteceu somente com o advento da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988.</p>
		<p>Os anos de 1980 foram um per&#xED;odo de grande efervesc&#xEA;ncia no Brasil, que passava por um amplo processo pela redemocratiza&#xE7;&#xE3;o depois dos vinte anos de Ditadura Militar. Tamb&#xE9;m foi nessa d&#xE9;cada que, ap&#xF3;s de um longo per&#xED;odo de discuss&#xF5;es e debates, o Servi&#xE7;o Social brasileiro passou por uma nova reformula&#xE7;&#xE3;o de sua identidade e de suas bases. Nesse per&#xED;odo, profundas mudan&#xE7;as ocorrem no cen&#xE1;rio nacional, j&#xE1; que os diversos planos de a&#xE7;&#xE3;o governamental institu&#xED;dos nos marcos do Estado Democr&#xE1;tico de Direito priorizam o resgate da 
			<italic>d&#xED;vida social</italic>, principalmente com o movimento para a promulga&#xE7;&#xE3;o da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 (
			<xref ref-type="bibr" rid="B12">MEDEIROS, 2001</xref>).
		</p>
		<p>Em 1985 uma nova realidade nacional come&#xE7;ava a se constituir. Com o fim da Ditadura Militar, a transi&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica ocorreu num clima de efervesc&#xEA;ncia nacional, tendo como principais atores diversos grupos e movimentos sociais (sindicatos, partidos pol&#xED;ticos, trabalhadores, intelectuais, artistas, profissionais liberais das diversas &#xE1;reas, organiza&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas, movimentos ligados &#xE0; Igreja Cat&#xF3;lica, dentre outros). Estes atores sociais constru&#xED;ram as bases para uma Assembleia Constituinte que inspiraria a nova Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988.</p>
		<p>Assim, j&#xE1; nos anos de 1986, os assistentes sociais, inserido no processo constituinte, conjuntamente com os diversos movimentos sociais que lutavam para a renova&#xE7;&#xE3;o dos princ&#xED;pios constitucionais e pelo processo de redemocratiza&#xE7;&#xE3;o do Brasil, conseguiram, na forma da Lei, alterar o 
			<italic>status quo</italic> da concep&#xE7;&#xE3;o de assist&#xEA;ncia social, fazendo, assim, parte na Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988 da &#xE1;rea de cobertura da Seguridade Social, juntamente com a Sa&#xFA;de e Previd&#xEA;ncia Social, e norteada pelos artigos 203 e 204 da Carta Magna do pa&#xED;s. Deste modo, a Assist&#xEA;ncia Social assume o car&#xE1;ter de pol&#xED;tica p&#xFA;bica de direito (
			<xref ref-type="bibr" rid="B2">BOSCHETTI, 2009</xref>).
		</p>
		<p>Foi necess&#xE1;rio um longo processo de constru&#xE7;&#xE3;o social, atravessado por constantes lutas e press&#xF5;es dos diversos Movimentos Sociais e de profissionais compromissados com os interesses da classe oper&#xE1;ria, para que a Assist&#xEA;ncia Social pudesse ser considerada 
			<italic>dever do Estado</italic> e 
			<italic>direito do cidad&#xE3;o</italic>
			<xref ref-type="fn" rid="fn2">
				<sup>2</sup>
			</xref>, ou seja, enquanto pol&#xED;tica de Seguridade Social (
			<xref ref-type="bibr" rid="B2">BOSCHETTI, 2009</xref>).
		</p>
		<p>A Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 &#xE9; o marco legal para a compreens&#xE3;o das transforma&#xE7;&#xF5;es e redefini&#xE7;&#xF5;es do perfil hist&#xF3;rico-pol&#xED;tico brasileiro, principalmente na aten&#xE7;&#xE3;o aos direitos sociais, aos direitos trabalhistas e ao sistema de Seguridade Social. Desse modo, surge a necessidade de repensar mais uma vez as pr&#xE1;ticas de interven&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social, juntamente com a forma&#xE7;&#xE3;o de uma nova cultura sobre a Assist&#xEA;ncia Social enquanto pol&#xED;tica p&#xFA;blica e de Seguridade Social.</p>
		<p>O movimento constituinte foi um processo bastante participativo, onde ocorreram movimentos em todos os Estados do pa&#xED;s. Muitas pessoas, grupos sociais e movimentos sociais foram para Bras&#xED;lia, capital federal do Brasil, e fizeram o que ficou conhecido como o 
			<italic>lobby do bem</italic>, pressionando os deputados para aprovarem os princ&#xED;pios constitucionais nos artigos da Carta Magna, de modo a contemplar os anseios da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira.
		</p>
		<p>Com base nesse processo e valorizando a necessidade de uma maior compreens&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social, enquanto pol&#xED;tica p&#xFA;blica, e o processo hist&#xF3;rico da constru&#xE7;&#xE3;o de um novo sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o-contributiva &#xE9; que propomos discutir neste artigo o desenvolvimento da Assist&#xEA;ncia Social no Brasil a partir da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988.</p>
		<p>Na forma de revis&#xE3;o bibliogr&#xE1;fica, inspirado pela metodologia do legado marxiano e da tradi&#xE7;&#xE3;o marxista, propomos compreender o processo de rompimento com o conservadorismo e o assistencialismo na consolida&#xE7;&#xE3;o de um Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social (SUAS) brasileiro, bem como analisar o desmonte dos direitos sociais nos marcos de um governo ileg&#xED;timo e TEMER&#xC1;RIO.</p>
		<sec>
			<title>A Assist&#xEA;ncia Social brasileira na era dos direitos</title>
			<p>A partir de 1988, com a promulga&#xE7;&#xE3;o da Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal Brasileira, iniciou-se o tr&#xE2;nsito para a amplia&#xE7;&#xE3;o da garantia de direitos, da universaliza&#xE7;&#xE3;o dos acessos e da efetiva responsabilidade estatal pela prote&#xE7;&#xE3;o social.</p>
			<p>Com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; assist&#xEA;ncia social, a Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 inovou ao incluir a Assist&#xEA;ncia Social no rol da Seguridade Social, juntamente com a Sa&#xFA;de e a Previd&#xEA;ncia Social. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Sposati (2009</xref>, p. 14), a
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] inclus&#xE3;o da assist&#xEA;ncia social na Seguridade Social foi uma decis&#xE3;o plenamente inovadora. Primeiro por tratar esse campo de conte&#xFA;do da pol&#xED;tica p&#xFA;blica, de responsabilidade estatal, e n&#xE3;o como uma inova&#xE7;&#xE3;o, com atividades e atendimentos eventuais. Segundo, por desnaturalizar o princ&#xED;pio da subsidiariedade, pelo qual a a&#xE7;&#xE3;o da fam&#xED;lia e da sociedade antecedia a do Estado.</p>
			</disp-quote>
			<p>Com a promulga&#xE7;&#xE3;o da nova Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal, uma s&#xE9;rie de medidas ampliaram o acesso aos direitos sociais. Na Sa&#xFA;de houve a possibilidade de ter uma lei para regulament&#xE1;-la, atrav&#xE9;s de um Sistema &#xDA;nico de Sa&#xFA;de (SUS), o que possibilitou a promo&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sa&#xFA;de enquanto direito de todos os cidad&#xE3;os brasileiros. At&#xE9; ent&#xE3;o, o modelo de atendimento dividia os brasileiros em tr&#xEA;s categorias: os que podiam pagar por servi&#xE7;os de sa&#xFA;de privados; os que tinham direito &#xE0; sa&#xFA;de p&#xFA;blica, por serem segurados pela previd&#xEA;ncia social, ou seja, somente os trabalhadores com carteira assinada e seus familiares tinham acesso aos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos de sa&#xFA;de; e os que n&#xE3;o possu&#xED;am direito algum.</p>
			<p>Logo em seguida ocorreu um movimento para a aprova&#xE7;&#xE3;o da Lei n&#xBA; 8.069/1990, que instituiu o Estatuto da Crian&#xE7;a e do Adolescente (ECA), reconhecido internacionalmente como um dos mais avan&#xE7;ados Diplomas Legais dedicados &#xE0; garantia dos direitos da popula&#xE7;&#xE3;o infanto-juvenil, abrindo espa&#xE7;o para as discuss&#xF5;es sobre a situa&#xE7;&#xE3;o das crian&#xE7;as e dos adolescentes no pa&#xED;s n&#xE3;o entendidos mais como tutelados, mas sim enquanto pessoas detentoras de direitos.</p>
			<p>As primeiras mudan&#xE7;as na &#xE1;rea social ocorreram em 1993, com a promulga&#xE7;&#xE3;o da Lei Org&#xE2;nica da Assist&#xEA;ncia Social (LOAS), criando, assim, uma nova matriz para a Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social, reafirmando, em seu artigo 6&#xBA;, que as a&#xE7;&#xF5;es na &#xE1;rea da Assist&#xEA;ncia Social deveriam ser organizadas em um sistema descentralizado e participativo enquanto garantia de direitos e que desse conta da realidade contradit&#xF3;ria contempor&#xE2;nea, na garantia dos direitos dos cidad&#xE3;os e dever do Estado.</p>
			<p>Estes par&#xE2;metros mostram que a garantia dos direitos foi um processo que envolveu o esfor&#xE7;o da popula&#xE7;&#xE3;o e dos movimentos sociais na efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos absorvidos para uma pol&#xED;tica que contemplasse a Declara&#xE7;&#xE3;o Universal dos Direitos Humanos, colocando a dignidade da pessoa humana no centro das discuss&#xF5;es.</p>
			<p>O artigo 6&#xBA; da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 expunha os direitos sociais (educa&#xE7;&#xE3;o, sa&#xFA;de, alimenta&#xE7;&#xE3;o, trabalho, moradia, lazer, seguran&#xE7;a, previd&#xEA;ncia social, prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0; maternidade, &#xE0; inf&#xE2;ncia e assist&#xEA;ncia aos desamparados) e o artigo 7&#xBA; contemplava os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, al&#xE9;m de outros que visassem &#xE0; melhoria da condi&#xE7;&#xE3;o social dos mesmos.</p>
			<p>Os direitos sociais s&#xE3;o aqueles que t&#xEA;m por objetivo garantir aos indiv&#xED;duos sociais condi&#xE7;&#xF5;es materiais tidas como imprescind&#xED;veis para o pleno gozo dos seus direitos, por isso tendem a exigir do Estado uma interven&#xE7;&#xE3;o na ordem social que assegure os crit&#xE9;rios de equidade e justi&#xE7;a distributiva. Assim, diferentemente dos direitos &#xE0; liberdade, se realizam por meio de atua&#xE7;&#xE3;o estatal com a finalidade de diminuir as desigualdades sociais.</p>
			<p>Para que os direitos sociais fossem mantidos em seu aspecto mais amplo, ou seja, na garantia dos direitos econ&#xF4;micos, pol&#xED;ticos, civis e sociais, a Assist&#xEA;ncia Social tem um papel fundamental. Todos os programas que surgiram a partir de ent&#xE3;o buscaram definir as pol&#xED;ticas de inclus&#xE3;o social, atrav&#xE9;s da perspectiva do direito, da democracia, da igualdade, da equidade e da justi&#xE7;a social, de modo a atender um grupo de pessoas e fam&#xED;lias que est&#xE3;o desprovidas dos seus direitos e que ainda necessitam que a Assist&#xEA;ncia Social fa&#xE7;a a mobilidade dessas pessoas naquilo em que ainda est&#xE3;o desprovidas de cobertura (onde n&#xE3;o h&#xE1; direito &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o, &#xE0; sa&#xFA;de, &#xE0; alimenta&#xE7;&#xE3;o, &#xE0; previd&#xEA;ncia, etc.).</p>
			<p>A Assist&#xEA;ncia Social n&#xE3;o s&#xF3; prov&#xEA; os bens materiais, mas tamb&#xE9;m articula com os outros setores da sociedade civil e com as outras pol&#xED;ticas sociais para que os indiv&#xED;duos sociais e as fam&#xED;lias sejam tratados com dignidade e fa&#xE7;am valer os seus direitos. A Assist&#xEA;ncia Social configura-se, assim, como possibilidade de reconhecimento p&#xFA;blico da legitimidade das demandas sociais de seus usu&#xE1;rios e dos espa&#xE7;os de amplia&#xE7;&#xE3;o de seu protagonismo. A prote&#xE7;&#xE3;o social oferecida pelo Estado deve garantir a seguran&#xE7;a de sobreviv&#xEA;ncia (de rendimento e de autonomia), de acolhida e de conv&#xED;vio ou viv&#xEA;ncia familiar e direito &#xE0; vida.</p>
			<p>Entende-se, aqui, por seguran&#xE7;a de rendimento n&#xE3;o t&#xE3;o somente uma compensa&#xE7;&#xE3;o ao valor do sal&#xE1;rio-m&#xED;nimo inadequado, mas a garantia de que todos tenham uma estabilidade monet&#xE1;ria que garanta a sobreviv&#xEA;ncia dos sujeitos sociais, independente de suas limita&#xE7;&#xF5;es para o trabalho ou do n&#xE3;o trabalho; e por seguran&#xE7;a da acolhida &#xE0;s seguran&#xE7;as primordiais da Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social, ou seja, deve operar como capacidade protetiva e proativa &#xE0;s necessidades humanas que come&#xE7;am com o direito &#xE0; alimenta&#xE7;&#xE3;o, ao vestu&#xE1;rio, ao abrigo, ao transporte, ao saneamento b&#xE1;sico, enfim, condi&#xE7;&#xF5;es pr&#xF3;prias para a vida humana em sociedade.</p>
			<p>Quanto &#xE0; seguran&#xE7;a da viv&#xEA;ncia familiar ou &#xE0; seguran&#xE7;a do conv&#xED;vio, ou seja, princ&#xED;pio da matricialidade sociofamiliar incorporado &#xE0; Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (PNAS), em 2004, e normatizada pela Norma Operacional B&#xE1;sica (NOB/SUAS), em 2005, sup&#xF5;e a n&#xE3;o aceita&#xE7;&#xE3;o de situa&#xE7;&#xF5;es de reclus&#xE3;o, de perda dos v&#xED;nculos familiares e das rela&#xE7;&#xF5;es sociais.</p>
			<p>A dimens&#xE3;o societ&#xE1;ria da vida se desenvolve, sobretudo, nas potencialidades, subjetividades coletivas, constru&#xE7;&#xF5;es culturais, pol&#xED;ticas, econ&#xF4;micas e sociais. As barreiras relacionais criadas por quest&#xF5;es individuais, grupais, sociais pelo preconceito, pela discrimina&#xE7;&#xE3;o, pelas inaceita&#xE7;&#xF5;es ou por intoler&#xE2;ncias devem ser combatidas e buscar formas de resgatar os v&#xED;nculos e o conv&#xED;vio social, fundamentadas no respeito &#xE0; dignidade humana.</p>
			<p>Com uma a&#xE7;&#xE3;o protetiva mais especializada na &#xE1;rea da assist&#xEA;ncia social, um grande avan&#xE7;o ocorreu no pa&#xED;s na efetiva&#xE7;&#xE3;o de uma sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o contributivo, direito de todos e dever do Estado. No entanto, para a sua operacionaliza&#xE7;&#xE3;o, outras regulamenta&#xE7;&#xF5;es se faziam necess&#xE1;rias e, ap&#xF3;s um amplo debate, especialmente nas Confer&#xEA;ncias
				<xref ref-type="fn" rid="fn3">
					<sup>3</sup>
				</xref> de Assist&#xEA;ncia Social e nos Conselhos
				<xref ref-type="fn" rid="fn4">
					<sup>4</sup>
				</xref> Deliberativos, o Conselho Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (CNAS) aprovou, em 2004, a Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (PNAS) que criava um regime pr&#xF3;prio de gest&#xE3;o (Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social - SUAS), regulamentado pela Norma Operacional B&#xE1;sica (NOB/SUAS) aprovada em 2005.
			</p>
			<p>O SUAS &#xE9; aprovado enquanto Projeto de Lei que institui um novo sistema pol&#xED;tico, n&#xE3;o contributivo, descentralizado e participativo, que tem por fun&#xE7;&#xE3;o a gest&#xE3;o do conte&#xFA;do espec&#xED;fico da Assist&#xEA;ncias Social no campo da prote&#xE7;&#xE3;o social brasileira e objetiva regular e organizar os servi&#xE7;os programas, projetos, benef&#xED;cios e a&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais na l&#xF3;gica de um sistema, que hoje atende, em sua totalidade, todo o territ&#xF3;rio nacional, o que significa planejar a pol&#xED;tica de forma articulada entre os entes federativos (Uni&#xE3;o, Estados, Distrito Federal e Munic&#xED;pios).</p>
			<p>A organiza&#xE7;&#xE3;o, na perspectiva de um sistema, buscou romper com a forte tend&#xEA;ncia de ofertar servi&#xE7;os socioassistenciais segmentados e desarticulados, sem defini&#xE7;&#xE3;o de refer&#xEA;ncias e contrarrefer&#xEA;ncias, fluxos e procedimentos de recep&#xE7;&#xE3;o, de interven&#xE7;&#xE3;o social, gerados, sobremaneira, pela superposi&#xE7;&#xE3;o e paralelismo de servi&#xE7;os.</p>
			<p>A Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social (PNAS/04) instrumentalizou e normatizou as a&#xE7;&#xF5;es de assist&#xEA;ncia social expressas na LOAS, definiu diretrizes, princ&#xED;pios, estrat&#xE9;gias e formas de gest&#xE3;o da assist&#xEA;ncia social. Por outro lado, a Norma Operacional B&#xE1;sica de 2005 (NOB/SUAS/05) instrumentalizou e explicitou os procedimentos e definiu estrat&#xE9;gias e fluxos operacionais do processo descentralizado e participativo da Assist&#xEA;ncia Social. Foi mais um passo na consolida&#xE7;&#xE3;o desse sistema, de forma transparente e &#xE1;gil.</p>
			<p>Em 2006, a Norma Operacional B&#xE1;sica (NOB/RH/SUAS/06) constituiu uma estrat&#xE9;gia fundamental para a gest&#xE3;o do trabalho no SUAS. Contudo, somente em 2011 foi sancionada a Lei n&#xBA; 12.435, que alterou a Lei n&#xBA; 8.742/93 (LOAS), dispondo sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social, materializando o Sistema &#xDA;nico de Assist&#xEA;ncia Social (SUAS) enquanto pol&#xED;tica de Estado. Esta lei reconhece a Assist&#xEA;ncia Social como parte constitutiva da rede de prote&#xE7;&#xE3;o socioassistencial, vinculada, hoje, ao Minist&#xE9;rio de Desenvolvimento Social e Combate &#xE0; Fome.</p>
			<p>Contudo, em que pese os enormes avan&#xE7;os, algumas a&#xE7;&#xF5;es de assist&#xEA;ncia social permanecem bastante vinculadas ao modelo de doa&#xE7;&#xE3;o e de tutela que refor&#xE7;am a ideia de dependentes e fr&#xE1;geis, e o descompromisso de algumas autoridades governamentais, principalmente nos pequenos munic&#xED;pios.</p>
			<p>O SUAS possibilitou realizar a prote&#xE7;&#xE3;o social atrav&#xE9;s de um conjunto integrado de iniciativas p&#xFA;blicas e da sociedade, buscando garantir os m&#xED;nimos sociais &#xE0;s fam&#xED;lias e na garantia das necessidades b&#xE1;sicas. A assist&#xEA;ncia social perde, sobremaneira, o car&#xE1;ter emergencial, compensat&#xF3;rio, focalizado e imediato, passando a buscar a afirma&#xE7;&#xE3;o da qualidade de vida da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria.</p>
			<p>A organiza&#xE7;&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social tem como base as seguintes diretrizes: descentraliza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tico-administrativa, participa&#xE7;&#xE3;o popular e primazia da responsabilidade do Estado na condu&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social em cada esfera de governo; al&#xE9;m do mais, na perspectiva da descentraliza&#xE7;&#xE3;o, propicia condi&#xE7;&#xF5;es para que a assist&#xEA;ncia social seja organizada e habilitada pelos Munic&#xED;pios, em n&#xED;veis de gest&#xE3;o, com repasse de recursos financeiros diretamente do Estado e da Uni&#xE3;o para os cofres p&#xFA;blicos municipais.</p>
			<p>Contudo, para que isso fosse poss&#xED;vel, foi necess&#xE1;ria a cria&#xE7;&#xE3;o de Conselhos Estaduais e Municipais de Assist&#xEA;ncia Social, em car&#xE1;ter permanente e de composi&#xE7;&#xE3;o parit&#xE1;ria entre governo e sociedade civil, tendo como principal fun&#xE7;&#xE3;o o controle social democr&#xE1;tico, o acompanhamento da gest&#xE3;o e avalia&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica, a aprova&#xE7;&#xE3;o do Plano Plurianual de Assist&#xEA;ncia Social
				<xref ref-type="fn" rid="fn5">
					<sup>5</sup>
				</xref> e dos recursos financeiros destinados &#xE0; sua implementa&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>Tamb&#xE9;m foi necess&#xE1;ria a cria&#xE7;&#xE3;o de Fundos Nacional, Estadual e Municipal de Assist&#xEA;ncia Social, um importante instrumento de gest&#xE3;o de aloca&#xE7;&#xE3;o de recursos destinados ao financiamento das a&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais, al&#xE9;m do Plano de Assist&#xEA;ncia Social, instrumento de planejamento estrat&#xE9;gico que organiza, regula e norteia a execu&#xE7;&#xE3;o da PNAS nos Estados, Distrito Federal e Munic&#xED;pios. Sua elabora&#xE7;&#xE3;o &#xE9; de responsabilidade do &#xF3;rg&#xE3;o gestor da pol&#xED;tica, que o submete &#xE0; aprova&#xE7;&#xE3;o do Conselho de Assist&#xEA;ncia Social.</p>
			<p>Estas pe&#xE7;as gerenciais (Conselho, Plano e Fundo &#x2013; CPF) s&#xE3;o inst&#xE2;ncias de gest&#xE3;o; negocia&#xE7;&#xE3;o, pactua&#xE7;&#xE3;o, delibera&#xE7;&#xE3;o, controle social e financiamento que est&#xE3;o articulados a uma rede de servi&#xE7;os governamentais e n&#xE3;o governamentais de Assist&#xEA;ncia Social, cujos agentes s&#xE3;o os atores envolvidos com a pol&#xED;tica (gestores, servidores p&#xFA;blicos, trabalhadores das entidades e organiza&#xE7;&#xF5;es sem fins lucrativos, conselheiros, dentre outros) e cujo p&#xFA;blico-alvo principal s&#xE3;o os destinat&#xE1;rios/usu&#xE1;rios da Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social, o que permite que as a&#xE7;&#xF5;es socioassistenciais tenham maior clareza, financiamento pr&#xF3;prio, controle social, continuidade na oferta de servi&#xE7;os, maior abrang&#xEA;ncia na cobertura das vulnerabilidades e riscos sociais, enfim, uma a&#xE7;&#xE3;o planejada, organizada, descentralizada e proativa.</p>
			<p>Este modelo de gest&#xE3;o sup&#xF5;e um Estado forte na regula&#xE7;&#xE3;o, coordena&#xE7;&#xE3;o e execu&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica, um pacto federativo, com defini&#xE7;&#xE3;o de compet&#xEA;ncias dos entes e das esferas de governo, nova l&#xF3;gica de organiza&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es que est&#xE3;o divididas em n&#xED;veis de complexidade e por territ&#xF3;rio, considerando regi&#xF5;es e portes de munic&#xED;pios, constru&#xE7;&#xE3;o e consolida&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os, mecanismos e instrumentos institucionais de participa&#xE7;&#xE3;o e controle social, sociedade civil organizada, mobilizada em defesa de interesses p&#xFA;blicos e em redes socioassistenciais
				<xref ref-type="fn" rid="fn6">
					<sup>6</sup>
				</xref>.
			</p>
			<p>Nesse sistema, homens e mulheres, crian&#xE7;as, jovens, idosos e pessoas com defici&#xEA;ncia devem ser reconhecidos enquanto sujeitos sociais, e n&#xE3;o como objeto &#x2013; carentes, necessitados, vulner&#xE1;veis, etc.</p>
			<p>Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Sposati (2009)</xref>, esta amplia&#xE7;&#xE3;o no campo dos direitos humanos e sociais teve como consequ&#xEA;ncia a exig&#xEA;ncia de a Assist&#xEA;ncia Social ser entendida como pol&#xED;tica p&#xFA;blica, capaz de formular com objetividade o conte&#xFA;do dos direitos do cidad&#xE3;o em seu raio de a&#xE7;&#xE3;o, tarefa ainda em constru&#xE7;&#xE3;o. Por conseguinte, esta especificidade &#x201C;[&#x2026;] significa romper com a hegem&#xF4;nica concep&#xE7;&#xE3;o de que &#xE9; uma pol&#xED;tica de aten&#xE7;&#xE3;o aos pobres, aos necessitados sociais, aos fr&#xE1;geis e carentes&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>, p. 14).
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Assist&#xEA;ncia Social como pol&#xED;tica p&#xFA;blica: na dire&#xE7;&#xE3;o da separa&#xE7;&#xE3;o com o assistencialismo</title>
			<p>Superar o assistencialismo s&#xF3; tem sido poss&#xED;vel por meio de um amplo processo de educa&#xE7;&#xE3;o e conscientiza&#xE7;&#xE3;o social p&#xF3;s-Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, uma s&#xE9;rie de modifica&#xE7;&#xF5;es profundas no campo social e da cidadania inovou em aspectos essenciais, especialmente no que concerne &#xE0; descentraliza&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tico-administrativa, alterando normas e regras centralizadoras e distribuindo melhor as compet&#xEA;ncias entre os entes federados. Tamb&#xE9;m, com a descentraliza&#xE7;&#xE3;o, aumentou o est&#xED;mulo &#xE0; maior participa&#xE7;&#xE3;o das coletividades locais &#x2013; sociedade civil organizada &#x2013; ampliando o controle social.</p>
			<p>O assistencialismo reproduzido nas pol&#xED;ticas governamentais de corte social, ao contr&#xE1;rio de caminhar na dire&#xE7;&#xE3;o da consolida&#xE7;&#xE3;o de um direito, refor&#xE7;a os mecanismos seletivos e meritocr&#xE1;ticos que acentuam o car&#xE1;ter eventual e fragmentado das respostas dadas &#xE0;s vulnerabilidades e risco social.</p>
			<p>As pol&#xED;ticas sociais governamentais s&#xE3;o entendidas como um movimento multidirecional, resultante do confronto de interesses contradit&#xF3;rios e, tamb&#xE9;m, enquanto mecanismo de enfrentamento da quest&#xE3;o social, resultante do agravamento da crise socioecon&#xF4;mica e pol&#xED;tica, das desigualdades sociais, da concentra&#xE7;&#xE3;o de renda e da agudiza&#xE7;&#xE3;o da pauperiza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira.</p>
			<p>A Assist&#xEA;ncia Social enquanto pol&#xED;tica social &#xE9; um campo de for&#xE7;as entre concep&#xE7;&#xF5;es, interesses, perspectivas e tradi&#xE7;&#xF5;es, de modo que, em seu processo de efetiva&#xE7;&#xE3;o de direitos, n&#xE3;o escapa do movimento hist&#xF3;rico-social brasileiro. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Sposati (2009</xref>, p. 16), &#x201C;[&#x2026;] desconstruir/reconstruir o modelo social p&#xFA;blico brasileiro de prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o-contributiva, em bases cr&#xED;tico-conceituais, sup&#xF5;e introduzir m&#xFA;ltiplos recortes em seus elementos constitutivos, mas, tamb&#xE9;m, alertar quanto &#xE0; perspectiva hist&#xF3;rica contida na concep&#xE7;&#xE3;o de modelo&#x201D;.
			</p>
			<p>Todo modelo implica um norte, uma dire&#xE7;&#xE3;o, um caminho, o que n&#xE3;o quer dizer que este esteja pronto. No caso brasileiro, este modelo est&#xE1; em constru&#xE7;&#xE3;o e exige muito esfor&#xE7;o de mudan&#xE7;as (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>, p. 17).
			</p>
			<p>Em 2005, ocorreu, de fato, a 1&#xAA; Confer&#xEA;ncia depois da aprova&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica Nacional da NOB/SUAS; houve, nessa &#xE9;poca, um 
				<bold>movimento</bold> e uma 
				<bold>palavra de ordem</bold>, ou seja, &#x201C;[&#x2026;] em dez anos n&#xF3;s vamos construir o SUAS no Brasil&#x201D;, isso foi representado na express&#xE3;o: 
				<bold>SUAS + 10</bold> (SPOSATI, 2015). Este movimento implicou um pacto republicano ou federativo, firmado entre a Uni&#xE3;o e os entes federados que estabeleceu as fun&#xE7;&#xF5;es, direitos e deveres da Uni&#xE3;o, dos Estados e Munic&#xED;pios na constru&#xE7;&#xE3;o de um Plano Decenal 2005-2015, ou seja, um acordo firmado entre os entes federados para a constru&#xE7;&#xE3;o e implanta&#xE7;&#xE3;o do SUAS em dez anos.
			</p>
			<p>Desde os anos de 1980, h&#xE1; uma luta pela universaliza&#xE7;&#xE3;o do acesso da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira aos direitos socioassistenciais, que correspondem &#xE0; equidade rural-urbana na prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o contributiva, de equidade social e de manifesta&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica, &#xE0; igualdade de acesso &#xE0; rede socioassistencial, direito em ter garantia &#xE0; conviv&#xEA;ncia familiar, comunit&#xE1;ria e social, direito &#xE0; prote&#xE7;&#xE3;o social por meio da intersetorialidade das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, dentre outras medidas e pela supera&#xE7;&#xE3;o do legado assistencialista, num esfor&#xE7;o conjunto da sociedade civil organizada, usu&#xE1;rios, trabalhadores e governos comprometidos com o novo ordenamento jur&#xED;dico-institucional e pol&#xED;tico da &#xE1;rea da assist&#xEA;ncia social (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">CNAS, 2017</xref>).
			</p>
			<p>O ano de 2005 &#xE9; o marco da estrutura&#xE7;&#xE3;o do aparato legal e normativo e da implementa&#xE7;&#xE3;o de uma rede de prote&#xE7;&#xE3;o social com significativa capilaridade. Atrav&#xE9;s de um sistema descentralizado e participativo, o SUAS assegura acesso aos direitos sociais com dignidade aos usu&#xE1;rios do Sistema de Prote&#xE7;&#xE3;o Social brasileiro.</p>
			<p>Em 2015, ano em que se fez uma avalia&#xE7;&#xE3;o dos dez anos de implanta&#xE7;&#xE3;o desse Sistema de Prote&#xE7;&#xE3;o Social, verificou-se que as iniciativas de implanta&#xE7;&#xE3;o do SUAS conseguiram reduzir a pobreza e elevar a renda e o acesso a servi&#xE7;os, programas e projetos socioassistenciais, de modo que houve uma mudan&#xE7;a significativa no trato e na concep&#xE7;&#xE3;o do que &#xE9; assist&#xEA;ncia social com a ado&#xE7;&#xE3;o do paradigma da prote&#xE7;&#xE3;o social, ao afirmar o direito do cidad&#xE3;o &#xE0; prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o contributiva, atrav&#xE9;s do enfrentamento das desigualdades sociais e promo&#xE7;&#xE3;o da inclus&#xE3;o social. Hoje, se sabe quem s&#xE3;o, onde est&#xE3;o, quais as expectativas e situa&#xE7;&#xF5;es em que os usu&#xE1;rios da assist&#xEA;ncia social vivem e quais aten&#xE7;&#xF5;es requerem; de outro modo, os usu&#xE1;rios sa&#xED;ram da condi&#xE7;&#xE3;o de invisibilidade para ocupar o centro da agenda da pol&#xED;tica.</p>
			<p>As Confer&#xEA;ncias de Assist&#xEA;ncia Social tiveram um papel determinante nesse processo, enquanto espa&#xE7;os coletivos e pol&#xED;ticos de mobiliza&#xE7;&#xE3;o, engajamento, debates e constru&#xE7;&#xE3;o de novas propostas para o direcionamento da pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social, preservando seu car&#xE1;ter deliberativo e participativo.</p>
			<p>A mem&#xF3;ria e os registros das nove confer&#xEA;ncias passadas, cada qual nos seus pr&#xF3;prios temas, identificaram, at&#xE9; 2015, os acertos e erros na execu&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica Nacional de Assist&#xEA;ncia Social brasileira, em todos os aspectos e dimens&#xF5;es intr&#xED;nsecos &#xE0; gest&#xE3;o de uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica, o que resultou no ac&#xFA;mulo de centenas de delibera&#xE7;&#xF5;es nestes dez anos. Os resultados efetivos somente se concretizaram em virtude do protagonismo da presen&#xE7;a estatal, a atua&#xE7;&#xE3;o qualificada da rede socioassistencial n&#xE3;o governamental e a ado&#xE7;&#xE3;o de mecanismos de indu&#xE7;&#xE3;o e de responsabilidade.</p>
			<p>O trabalho coletivo no enfrentamento das situa&#xE7;&#xF5;es de desprote&#xE7;&#xF5;es sociais e a cobertura dos servi&#xE7;os, programas, projetos, benef&#xED;cios e transfer&#xEA;ncia de renda, no territ&#xF3;rio brasileiro, apontou para o fortalecimento da participa&#xE7;&#xE3;o e do controle social para a gest&#xE3;o democr&#xE1;tica.</p>
			<p>O artigo 203 da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 afirma que a Assist&#xEA;ncia Social ser&#xE1; prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribui&#xE7;&#xE3;o social, e tem por objetivos a prote&#xE7;&#xE3;o &#xE0; fam&#xED;lia, &#xE0; maternidade, &#xE0; inf&#xE2;ncia, &#xE0; adolesc&#xEA;ncia e &#xE0; velhice, o amparo &#xE0;s crian&#xE7;as e adolescentes, a promo&#xE7;&#xE3;o da integra&#xE7;&#xE3;o ao mercado de trabalho, a habilita&#xE7;&#xE3;o e reabilita&#xE7;&#xE3;o das pessoas com defici&#xEA;ncia e a promo&#xE7;&#xE3;o de sua integra&#xE7;&#xE3;o &#xE0; vida comunit&#xE1;ria e a garantia de um sal&#xE1;rio m&#xED;nimo de benef&#xED;cio mensal &#xE0; pessoa com defici&#xEA;ncia e ao idoso que comprove n&#xE3;o possuir meios de prover a pr&#xF3;pria manuten&#xE7;&#xE3;o ou de t&#xEA;-la provida por sua fam&#xED;lia (
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">BRASIL, 1988</xref>).
			</p>
			<p>O artigo 1&#xBA; da LOAS estabelece que a Assist&#xEA;ncia Social &#xE9; direito do cidad&#xE3;o e dever do Estado, &#xE9; Pol&#xED;tica de Seguridade Social n&#xE3;o contributiva, que prov&#xEA; os m&#xED;nimos sociais, realizada atrav&#xE9;s de um conjunto integrado de a&#xE7;&#xF5;es de iniciativa p&#xFA;blica e da sociedade, para garantir o atendimento &#xE0;s necessidades b&#xE1;sicas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">BRASIL, 1993</xref>).
			</p>
			<p>O SUAS recoloca a centralidade do Estado na garantia da exist&#xEA;ncia de servi&#xE7;os estatais como articuladores de servi&#xE7;os socioassistenciais, institui unidades p&#xFA;blicas estatais de refer&#xEA;ncia, concebe a Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social em todo o territ&#xF3;rio nacional (Unidade da Pol&#xED;tica), universaliza o acesso &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o aos direitos socioassistenciais, busca superar o assistencialismo e tem um car&#xE1;ter democr&#xE1;tico, descentralizado, participativo e coletivo.</p>
			<p>Apesar desses avan&#xE7;os, ainda h&#xE1; hoje uma grande demanda municipal, estadual e federal em todo o pa&#xED;s para o planejamento, a gest&#xE3;o e a formula&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas nos marcos jur&#xED;dico-pol&#xED;ticos da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988. No que diz respeito a direitos em outros campos, a exemplo dos conquistados pelas diversidades, etnias, sexuais pelas mulheres, pelas pessoas com defici&#xEA;ncia, dentre outras &#x201C;minorias&#x201D;, na medida em que essa mesma Constitui&#xE7;&#xE3;o inovou e inaugurou um pluralismo jur&#xED;dico para a atua&#xE7;&#xE3;o com diferentes forma&#xE7;&#xF5;es sociais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">TEIXEIRA, 2009</xref>).
			</p>
			<p>Esta ressignifica&#xE7;&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social como dever do Estado e direito do cidad&#xE3;o indica que a pobreza &#xE9; resultante das a&#xE7;&#xF5;es pr&#xF3;prias da quest&#xE3;o social no capitalismo e n&#xE3;o de uma determina&#xE7;&#xE3;o divina, individual ou do acaso (o que significaria a naturaliza&#xE7;&#xE3;o da pobreza).</p>
			<p>Nessa nova perspectiva, a pobreza &#xE9; vista como resultado das formas de organiza&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica, pol&#xED;tica, social e cultural do pa&#xED;s, que marcam as rela&#xE7;&#xF5;es estabelecidas internamente e com outras na&#xE7;&#xF5;es.</p>
			<p>A PNAS (2004) afirma que a prote&#xE7;&#xE3;o social deve afian&#xE7;ar a seguran&#xE7;a de sobreviv&#xEA;ncia, rendimento, autonomia, acolhida, conv&#xED;vio social, viv&#xEA;ncia familiar, exigindo que a prote&#xE7;&#xE3;o se desenvolva em a&#xE7;&#xF5;es preventivas, tendo como fun&#xE7;&#xE3;o a prote&#xE7;&#xE3;o social, a vigil&#xE2;ncia social e a defesa de direitos socioassistenciais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>).
			</p>
			<p>A prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o-contributiva distingue-se da previd&#xEA;ncia social e do seguro social, que s&#xE3;o prote&#xE7;&#xF5;es contributivas pr&#xE9;-pagas e s&#xF3; se destinam aos filiados &#xE0; Previd&#xEA;ncia Social e n&#xE3;o a toda a popula&#xE7;&#xE3;o. A no&#xE7;&#xE3;o de seguridade social busca gerar garantias que a sociedade brasileira afian&#xE7;a a todos os seus cidad&#xE3;os. A caracter&#xED;stica de n&#xE3;o contributiva quer dizer que n&#xE3;o &#xE9; exigido pagamento espec&#xED;fico para oferecer a aten&#xE7;&#xE3;o de um servi&#xE7;o, e &#xE9; financiado pelas taxas e arrecada&#xE7;&#xE3;o de impostos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>).
			</p>
			<p>Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Sposati (2009</xref>, p. 24-25), &#xE9; uma pol&#xED;tica alinhada com a pol&#xED;tica de Direitos Humanos, em defesa da vida, independente de quaisquer caracter&#xED;sticas do sujeito, como &#xE9; o caso da sa&#xFA;de, e tem preceitos que a orienta, de modo a evitar as formas de agress&#xE3;o &#xE0; vida, portanto, tem um sentido social e &#xE9;tico.
			</p>
			<p>Busca proteger os cidad&#xE3;os de direitos do isolamento, ou seja, da ruptura de v&#xED;nculos sociais e familiares, da desfilia&#xE7;&#xE3;o, da solid&#xE3;o, da aparta&#xE7;&#xE3;o, da exclus&#xE3;o e do abandono, de modo a construir e reconstruir a reciprocidade de afetos, cuidados, valores, culturas e at&#xE9; espa&#xE7;os socializantes e socializadores. Busca, ainda, proteger estes cidad&#xE3;os de direitos das desprote&#xE7;&#xF5;es sociais, como a viol&#xEA;ncia, a aus&#xEA;ncia de cuidados, a desagrega&#xE7;&#xE3;o, etc., assim como da resist&#xEA;ncia &#xE0; subordina&#xE7;&#xE3;o (express&#xF5;es de coer&#xE7;&#xE3;o, medo, viol&#xEA;ncia, aus&#xEA;ncia de liberdade, aus&#xEA;ncia de autonomia, restri&#xE7;&#xF5;es &#xE0; dignidade, dentre outras), na dire&#xE7;&#xE3;o da emancipa&#xE7;&#xE3;o como direito humano &#xE0; liberdade, &#xE0; felicidade e ao exerc&#xED;cio democr&#xE1;tico de opini&#xF5;es, bem como a resist&#xEA;ncia &#xE0; exclus&#xE3;o social, express&#xF5;es de aparta&#xE7;&#xE3;o, discrimina&#xE7;&#xE3;o, estigma aos princ&#xED;pios da igualdade, equidade nas rela&#xE7;&#xF5;es (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>, p. 25).
			</p>
			<p>A emancipa&#xE7;&#xE3;o social implica a participa&#xE7;&#xE3;o ativa e protagonista dos sujeitos na constru&#xE7;&#xE3;o de projetos de vida pessoal, familiar, comunit&#xE1;rio e social, e no processo de desenvolvimento e exerc&#xED;cio da autonomia e da participa&#xE7;&#xE3;o social, com liberdade de escolha e capacidade para a tomada de decis&#xF5;es de forma aut&#xF4;noma (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">CNAS, 2017</xref>).
			</p>
			<p>Cabe &#xE0; Assist&#xEA;ncia Social prover a rede de aten&#xE7;&#xF5;es para que a dignidade humana seja assegurada e respeitada, a inclus&#xE3;o social, as possibilidades de acesso aos servi&#xE7;os socioassistenciais e &#xE0; informa&#xE7;&#xE3;o, ao pertencimento, &#xE0; igualdade e &#xE0; equidade.</p>
			<p>Ainda, os eixos de prote&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o a vigil&#xE2;ncia social, ou seja, conhecer onde, quantos e a capacidade de prote&#xE7;&#xE3;o, em outras palavras, &#xE9; a capacidade de detectar, monitorar e avaliar as ocorr&#xEA;ncias de vulnerabilidades e fragilidades que possam causar as desprote&#xE7;&#xF5;es; a defesa de direitos, que trata de uma preocupa&#xE7;&#xE3;o com os procedimentos dos servi&#xE7;os no alcance de direitos socioassistenciais e na cria&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os de defesa para al&#xE9;m dos Conselhos de gest&#xE3;o da pol&#xED;tica; a prote&#xE7;&#xE3;o social que inclui uma rede hierarquizada de servi&#xE7;o
				<xref ref-type="fn" rid="fn7">
					<sup>7</sup>
				</xref> e benef&#xED;cios
				<xref ref-type="fn" rid="fn8">
					<sup>8</sup>
				</xref>, de modo a proteger as fragilidades/vulnerabilidades pr&#xF3;prias ao ciclo de vida, as fragilidades da conviv&#xEA;ncia familiar, a dignidade humana e combater as suas viola&#xE7;&#xF5;es (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>, p. 41-42).
			</p>
			<p>Assim, a prote&#xE7;&#xE3;o social n&#xE3;o contributiva est&#xE1; firmada no princ&#xED;pio da universalidade (acesso a quem dela necessitar), na matricialidade sociofamiliar (que parte da concep&#xE7;&#xE3;o de que a fam&#xED;lia &#xE9; o n&#xFA;cleo protetivo intergeracional que pode ser constitu&#xED;do de adultos, crian&#xE7;as, adolescentes, idosos e pessoas com defici&#xEA;ncia e n&#xE3;o a concep&#xE7;&#xE3;o tradicional burguesa de fam&#xED;lia), na descentraliza&#xE7;&#xE3;o compartilhada (que supera o conceito de municipaliza&#xE7;&#xE3;o como de prefeituriza&#xE7;&#xE3;o &#x2013; federalismo cooperativo), na territorializa&#xE7;&#xE3;o (que &#xE9; o reconhecimento da heterogeneidade dos espa&#xE7;os sociais, e na intersetorialidade, ou seja, a Assist&#xEA;ncia Social enquanto porta de entrada para as outras pol&#xED;ticas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">SPOSATI, 2009</xref>, p. 42-45).
			</p>
			<p>Deste modo, os desafios para os pr&#xF3;ximos dez anos apontam para a constitui&#xE7;&#xE3;o: da prote&#xE7;&#xE3;o social plenamente aplicada &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o da dificuldade de constru&#xE7;&#xE3;o da intersetorialidade, entre as demais pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas; da capacidade de alterar a cultura de entendimento da Assist&#xEA;ncia Social enquanto caridade, favor, benesse, assistencialismo, da desconstru&#xE7;&#xE3;o/constru&#xE7;&#xE3;o de um novo modelo de assist&#xEA;ncia social; da implanta&#xE7;&#xE3;o da matricialidade sociofamiliar; da obten&#xE7;&#xE3;o de uma simetria entre servi&#xE7;os e benef&#xED;cios; do aprimoramento da gest&#xE3;o e qualifica&#xE7;&#xE3;o na oferta dos servi&#xE7;os de prote&#xE7;&#xE3;o social; do reconhecimento do ser humano como bem maior da sociedade; do reconhecimento da responsabilidade do Estado na oferta de prote&#xE7;&#xE3;o social (justi&#xE7;a social); e da incorpora&#xE7;&#xE3;o dos direitos socioassistenciais no cotidiano da pol&#xED;tica brasileira.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais: os direitos sociais em tempos TEMER&#xC1;RIOS</title>
			<p>Nestes &#xFA;ltimos anos, assim como as demais pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, a Assist&#xEA;ncia Social tamb&#xE9;m tem sofrido com os ataques neoliberais e neoconservadores de pol&#xED;ticos descomprometidos com a realidade da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira, valorizando os setores econ&#xF4;micos em detrimento do social.</p>
			<p>Conforme visto no decurso dessa exposi&#xE7;&#xE3;o, ap&#xF3;s a promulga&#xE7;&#xE3;o da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, houve avan&#xE7;os significativos na &#xE1;rea dos direitos socioassistenciais, bem como na ruptura da Assist&#xEA;ncia Social enquanto pol&#xED;tica p&#xFA;blica das pr&#xE1;ticas assistencialistas, clientelistas e parternalistas.</p>
			<p>Al&#xE9;m do mais, os Programas de Transfer&#xEA;ncia de Renda, de combate &#xE0; fome e de redu&#xE7;&#xE3;o da pobreza extrema s&#xE3;o uma realidade desde os anos de 1990. Hoje, estes programas ganham a cada dia mais destaque no cen&#xE1;rio internacional como uma iniciativa que tem dado certo.</p>
			<p>O Instituto de Pesquisa Econ&#xF4;mica Aplicada (IPEA) publicou, na Revista Desafios do Desenvolvimento (2013), alguns dados importantes nessa dire&#xE7;&#xE3;o. Os n&#xFA;meros s&#xE3;o positivos com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o da pobreza extrema, somados com iniciativas mundiais para a erradica&#xE7;&#xE3;o da fome. O Brasil tem ocupado lugar de destaque no ranque mundial. Nos &#xFA;ltimos 20 anos, um conjunto de iniciativas desenvolvidas no pa&#xED;s tem sido exemplo de a&#xE7;&#xF5;es que buscam melhorar a qualidade de vida das pessoas, tirando-as da situa&#xE7;&#xE3;o de vulnerabilidade extrema e risco social. Al&#xE9;m disso, t&#xEA;m contribu&#xED;do as iniciativas que est&#xE3;o sendo implantadas em outros pa&#xED;ses ao redor do mundo.</p>
			<p>Aos poucos, a mis&#xE9;ria absoluta vem caindo satisfatoriamente em v&#xE1;rias partes do pa&#xED;s. Um enorme contingente humano tem sido resgatado da condi&#xE7;&#xE3;o de mis&#xE9;ria extrema e ascendido &#xE0; condi&#xE7;&#xE3;o de dignidade e cidadania. Pa&#xED;ses como o Brasil, a China e a &#xCD;ndia s&#xE3;o destaque nesta estimativa. Estes pa&#xED;ses, segundo o IPEA, est&#xE3;o conseguindo reduzir os &#xED;ndices de mis&#xE9;ria absoluta, melhorando o &#xCD;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) e, ainda, inserindo uma grande popula&#xE7;&#xE3;o no mercado de consumo que estavam exclu&#xED;dos.</p>
			<p>Esta realidade &#xE9; muitas vezes constatada por n&#xF3;s, Assistentes Sociais, que estamos diretamente vinculados &#xE0; popula&#xE7;&#xE3;o mais vulner&#xE1;vel. No Brasil, o Programa Bolsa Fam&#xED;lia, criticado por muitos e defendido por outros, juntamente com o Benef&#xED;cio de Presta&#xE7;&#xE3;o Continuada (BPC) foram respons&#xE1;veis, nos &#xFA;ltimos anos, em salvar da seca milhares de beneficiados nas regi&#xF5;es mais &#xE1;ridas do pa&#xED;s. Em contrapartida, animais e plantas n&#xE3;o tiveram a mesma sorte.</p>
			<p>Os gastos com o Programa Bolsa Fam&#xED;lia no Brasil t&#xEA;m sido demonstrados pelas pesquisas como irris&#xF3;rios. Entretanto, os benef&#xED;cios gerados pelos m&#xED;seros valores pagos pelo programa somam-se nas vidas de seus benefici&#xE1;rios. As irregularidades s&#xE3;o m&#xED;nimas, por&#xE9;m, acredita-se que as condicionalidades para o ingresso dessas fam&#xED;lias s&#xE3;o humilhantes.</p>
			<p>As pesquisas revelam que 129 milh&#xF5;es de pessoas, nos 18 pa&#xED;ses latino-americanos, recebem apoio de programas governamentais, portanto, esta n&#xE3;o &#xE9; uma situa&#xE7;&#xE3;o exclusiva do Brasil, muito menos de alguns governos, mas sim uma necessidade e um direito conquistado. Por&#xE9;m, estas iniciativas n&#xE3;o devem ser consideradas como apoio ou &#x201C;ajuda&#x201D; por parte dos governos ou governantes, mas um direito social que proporciona condi&#xE7;&#xF5;es m&#xED;nimas de sobreviv&#xEA;ncia.</p>
			<p>&#xC9; importante destacar que o Programa Bolsa Fam&#xED;lia n&#xE3;o &#xE9; respons&#xE1;vel sozinho pela redu&#xE7;&#xE3;o da pobreza extrema e da fome no pa&#xED;s, mas um conjunto de medidas e combina&#xE7;&#xF5;es dos demais programas e de fatores macroecon&#xF4;micos. Isso demonstra que quando se quer fazer &#xE9; poss&#xED;vel, e que as a&#xE7;&#xF5;es ultrapassem as disputas e os limites partid&#xE1;rios. Os governos devem se preocupar com a real situa&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o e o que se pode fazer para dar dignidade e cidadania &#xE0;s pessoas.</p>
			<p>A experi&#xEA;ncia brasileira tem se tornado refer&#xEA;ncia mundial no cen&#xE1;rio internacional segundo as pesquisas mais recentes. Representantes dos pa&#xED;ses ao redor do mundo v&#xEA;m ao Brasil em busca de informa&#xE7;&#xF5;es e tecnologias para o combate &#xE0; fome e favor&#xE1;veis &#xE0; inclus&#xE3;o social.</p>
			<p>O Programa Bolsa Fam&#xED;lia retira milh&#xF5;es de fam&#xED;lias da situa&#xE7;&#xE3;o de mis&#xE9;ria extrema ou absoluta. Nos &#xFA;ltimos 20 anos, 13,3 milh&#xF5;es de brasileiros sa&#xED;ram da linha da mis&#xE9;ria extrema, o que levou o Brasil a ser recordista mundial, apresentando uma queda de 64%. Em 1990 eram 24,6 milh&#xF5;es de pessoas abaixo da linha da pobreza; em 2010 o n&#xFA;mero caiu para 11,3 milh&#xF5;es. Resultados positivos nessa &#xE1;rea, por&#xE9;m, em algumas outras, os resultados n&#xE3;o s&#xE3;o t&#xE3;o animadores (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">IPEA, 2013</xref>).
			</p>
			<p>Os n&#xFA;meros s&#xE3;o favor&#xE1;veis, contudo &#xE9; preciso entender que para a erradica&#xE7;&#xE3;o da fome e da pobreza, tanto absoluta quanto n&#xE3;o absoluta, &#xE9; necess&#xE1;rio sair da esfera quantitativa para a esfera qualitativa e, para isso, &#xE9; preciso conjugar vontade pol&#xED;tica, desejo da comunidade, integra&#xE7;&#xE3;o a um conjunto de a&#xE7;&#xF5;es que visem efetivar os direitos sociais, de forma descentralizada e intersetorial, aumentar o n&#xFA;mero de emprego e efetivar uma pol&#xED;tica de ajuste fiscal, al&#xE9;m, &#xE9; claro, de ter uma s&#xF3;lida e eficaz pol&#xED;tica contra a corrup&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>Nesse sentido, o Brasil tem vivido tempos de crise pol&#xED;tica que implicam uma 
				<italic>devassa</italic>
				<xref ref-type="fn" rid="fn9">
					<sup>9</sup>
				</xref> de 
				<bold>investiga&#xE7;&#xF5;es para apurar crimes de pol&#xED;ticos corruptos</bold> que desviaram bilh&#xF5;es dos cofres p&#xFA;blicos.
			</p>
			<p>No que diz respeito ao momento atual, o Partido dos Trabalhadores (PT) sangrou n&#xE3;o somente pelos seus erros, mas pelas alian&#xE7;as que fez para chegar ao poder, se afastando basicamente daquilo que foi ou o que se propunha quando assumiu o poder. Por mais que o governo petista tenha ampliado o acesso aos direitos sociais, ficou muito distante de suas bases militantes mais sofridas: os trabalhadores. Suas bases continuam no ch&#xE3;o de f&#xE1;brica, nas ruas, inseridas no mundo do trabalho e na milit&#xE2;ncia pol&#xED;tica, e n&#xE3;o se coadunam com os quadros pol&#xED;ticos que foram para os gabinetes.</p>
			<p>Quanto ao Partido do Movimento Democr&#xE1;tico Brasileiro (PMDB), partido do atual presidente da Rep&#xFA;blica, mostrou a sua cara como partido coadjuvante, mesquinho, interesseiro e ego&#xED;sta, como sempre foi. Comportou-se como covarde ao se retirar do governo num momento cr&#xED;tico. Ao ver o barco afundar, preferiu pular fora do navio para assistir de camarote a queda de seu aliado.</p>
			<p>No mundo da pol&#xED;tica o que rege s&#xE3;o os interesses, e, na maioria das vezes, os interesses s&#xE3;o econ&#xF4;micos ou de poder. Ainda, com as acusa&#xE7;&#xF5;es de corrup&#xE7;&#xE3;o do ent&#xE3;o presidente e do seu advers&#xE1;rio, A&#xE9;cio Neves (filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira &#x2013; PSDB), o Brasil acaba de ficar numa situa&#xE7;&#xE3;o muito complicada, pois, em meio &#xE0; avalanche da opera&#xE7;&#xE3;o Lava Jato, que visa apurar os crimes cometidos dos &#xFA;ltimos governos, h&#xE1; verdadeiro desmantelamento e instabilidade no governo federal, gerando, assim, um clima de inseguran&#xE7;a generalizada.</p>
			<p>Enquanto o pa&#xED;s assiste a este caos, a sa&#xFA;de, a educa&#xE7;&#xE3;o, o trabalhador, o meio ambiente, a economia, a popula&#xE7;&#xE3;o, enfim, a pol&#xED;tica de modo geral fica a merc&#xEA; da pr&#xF3;pria sorte e do descaso pol&#xED;tico. Tudo isso implica um cen&#xE1;rio desafiador, que vai exigir muita energia e vontade pol&#xED;tica para sair desse empasse.</p>
			<p>Tudo conspira para um golpe pol&#xED;tico muito bem arquitetado e que &#xE9; desvelado a cada dia. Al&#xE9;m disso, h&#xE1; uma maioria no Congresso Nacional de ultraconservadores que em nenhum momento se mostram interessados no povo brasileiro. Infelizmente, o pa&#xED;s n&#xE3;o tem uma esquerda organizada e uma cultura pol&#xED;tica que d&#xEA; conta desse processo. Mas, apesar de alguns avan&#xE7;os nessa dire&#xE7;&#xE3;o, hoje o povo brasileiro &#xE9; mais empoderado e tem reagido ao desmonte das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e dos direitos arduamente conquistados.</p>
			<p>Ainda, cresce a criminaliza&#xE7;&#xE3;o do direito de protestar. Pessoas e movimentos sociais est&#xE3;o sendo enquadradas em leis que n&#xE3;o deveriam ser aplicadas, como, por exemplo, forma&#xE7;&#xE3;o de quadrilha, organiza&#xE7;&#xE3;o criminosa, entre v&#xE1;rias outras quest&#xF5;es. Os protestos, as greves e as ocupa&#xE7;&#xF5;es t&#xEA;m revelado que o povo brasileiro n&#xE3;o quer e n&#xE3;o reconhece o atual governo, pol&#xED;ticos e partidos que est&#xE3;o desacreditados.</p>
			<p>O presidente Michel Temer tem desqualificado os protestos, chamando-os de &#x201C;grupos pequenos&#x201D;, &#x201C;depredadores&#x201D;, enfim, s&#xE3;o rea&#xE7;&#xF5;es de viol&#xEA;ncias &#xE0;s manifesta&#xE7;&#xF5;es e aos movimentos sociais que t&#xEA;m sofrido perante as a&#xE7;&#xF5;es truculentas dos policiais. Al&#xE9;m disso, a grande imprensa do pa&#xED;s n&#xE3;o tem dado destaque &#xE0;s manifesta&#xE7;&#xF5;es populares e sociais contr&#xE1;rias ao desmonte dos direitos sociais historicamente conquistados.</p>
			<p>De certo modo, n&#xE3;o se v&#xEA; nenhuma a&#xE7;&#xE3;o dos governantes brasileiros em taxar as grandes fortunas, na cassa&#xE7;&#xE3;o de governantes corruptos, devolu&#xE7;&#xE3;o de dinheiro aos cofres p&#xFA;blicos, enfim, o que se v&#xEA; &#xE9; um retrocesso hist&#xF3;rico. At&#xE9; mesmo a Confer&#xEA;ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem se manifestado contr&#xE1;ria &#xE0; Reforma da Previd&#xEA;ncia Social, em tr&#xE2;mite no Congresso Nacional, e tem se preocupado com o cen&#xE1;rio de retrocessos dos direitos sociais em curso no Brasil. Segundo o relat&#xF3;rio emitido pela Comiss&#xE3;o Episcopal Pastoral da Justi&#xE7;a e Paz, a igreja refere que &#x201C;[&#x2026;] n&#xE3;o se pode equilibrar as contas cortando os investimentos nos servi&#xE7;os p&#xFA;blicos que atendem aos mais pobres de nossa na&#xE7;&#xE3;o. N&#xE3;o &#xE9; justo que os pobres paguem a conta, enquanto setores continuam lucrando com a crise&#x201D;
				<xref ref-type="fn" rid="fn10">
					<sup>10</sup>
				</xref>.
			</p>
			<p>A imagem de Temer nas Redes Sociais continua em queda e a reinvindica&#xE7;&#xE3;o mais contingente &#xE9; por &#x201C;Diretas J&#xE1;&#x201D;, como dizem &#x201C;Fora Todos&#x201D;: &#x201C;[&#x2026;] o que existe na verdade &#xE9; uma vis&#xE3;o muito cr&#xED;tica com rela&#xE7;&#xE3;o a este governo, e n&#xE3;o s&#xF3; por parte da esquerda&#x201D;, diz F&#xE1;bio Malini, coordenador do Laborat&#xF3;rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Universidade do Esp&#xED;rito Santos.</p>
			<p>2016 foi um ano muito dif&#xED;cil para grande parte dos brasileiros. Por outro lado, foi um ano muito bom para os pol&#xED;ticos corruptos, as empreiteiras e empres&#xE1;rios beneficiados pelas propinas e desvio do dinheiro p&#xFA;blico. O ano iniciou com ajustes fiscais no limite e reformas que desgastaram o governo de Dilma Rousseff. As ruas foram o palco da press&#xE3;o popular, s&#xF3; que desta vez foi a direita que mostrou sua cara. Na berlinda, a ca&#xE7;a ao governo PT demonstrou o esgotamento das inst&#xE2;ncias representativas e o descr&#xE9;dito da popula&#xE7;&#xE3;o para com os seus representantes.</p>
			<p>Literalmente, a pol&#xED;tica brasileira foi dirigida por pol&#xED;ticos corruptos e conservadores do planalto central. O Brasil assistiu em 2016 uma verdadeira guerra entre o juiz S&#xE9;rgio Mouro e a condu&#xE7;&#xE3;o da Opera&#xE7;&#xE3;o Lava Jato, que escancarou a lama da corru&#xE7;&#xE3;o no pa&#xED;s. Persegui&#xE7;&#xE3;o ao PT, show de dela&#xE7;&#xF5;es premiadas, polariza&#xE7;&#xE3;o entre &#x201C;direita&#x201D; e &#x201C;esquerdistas&#x201D;, crise pol&#xED;tica e econ&#xF4;mica, enfim, um per&#xED;odo de recess&#xE3;o se arrastou, fazendo com que os brasileiros apertassem os cintos, e, enquanto isso, os banqueiros nadavam em lucros e investimentos em empresas fragilizadas pela Lava Jato.</p>
			<p>Dilma ficou ref&#xE9;m do grande capital e enfrentou a trai&#xE7;&#xE3;o do vice-presidente Michel Temer. Foi crucificada, massacrada e, finalmente, retirada do poder. O golpe, maquiavelicamente arquitetado, culminou com a ascens&#xE3;o de um governo que vem derrubando direitos sociais e aplicando medidas impopulares.</p>
			<p>O &#xF3;dio da nova direita mostrou a sua cara, engordou os movimentos conservadores, de perfil agressivo, pedindo a interven&#xE7;&#xE3;o militar, maioridade penal, doutrina&#xE7;&#xE3;o, moraliza&#xE7;&#xE3;o da quest&#xE3;o social, revelando um ultraconservadorismo nefasto e caduco, mas, ao mesmo tempo, perigoso.</p>
			<p>Para o professor Ant&#xF4;nio Carlos Mazzeo, &#x201C;[&#x2026;] a explica&#xE7;&#xE3;o para a presen&#xE7;a de um significativo contingente conservador e reacion&#xE1;rio no parlamento se deve ao baixo debate pol&#xED;tico. Isso acabou sendo o mote do processo eleitoral, que elegeu um conjunto de deputados d&#xE9;beis do ponto de vista cidad&#xE3;o e pol&#xED;tico&#x201D;.</p>
			<p>O cen&#xE1;rio p&#xF3;s
				<italic>-impeachment</italic> foi de uma democracia grampeada, de adeus &#xE0; vida privada para todas as pessoas. A liberdade foi maculada pelos dedos-duros, fan&#xE1;ticos e terroristas da escuta. A lei legitimou a opress&#xE3;o, as cortes jur&#xED;dicas e os tribunais estiveram profundamente imbu&#xED;dos pela teologia em sua linguagem e vis&#xE3;o de mundo de uma rep&#xFA;blica plutocr&#xE1;tica e pastoral. O PT, durante doze anos no poder, n&#xE3;o enfrentou a hegemonia midi&#xE1;tica da burguesia e acabou pagando um pre&#xE7;o alto. Al&#xE9;m do mais, legitimou a corrup&#xE7;&#xE3;o e desmantelou os Estados.
			</p>
			<p>Deste modo, o Brasil descobriu subitamente que n&#xE3;o era t&#xE3;o rico quanto pensava. Em outras palavras, descobriu que a maior parte da riqueza nacional ia parar nas m&#xE3;os de 1 % das fam&#xED;lias mais ricas do pa&#xED;s, ao passo que a imensa maioria da popula&#xE7;&#xE3;o s&#xF3; acumulou d&#xED;vidas impag&#xE1;veis.</p>
			<p>O projeto de Temer, que se dizia salvador da p&#xE1;tria, gerou mais instabilidade pol&#xED;tica e desmonte das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Ainda, o poder da Justi&#xE7;a definiu os contornos do golpe e deu capa de legalidade com omiss&#xF5;es, protela&#xE7;&#xF5;es e permissividades. Contra as medidas impopulares os estudantes e alguns movimentos sociais ainda resistem assombrados pela ditadura de Michel Temer, contudo, t&#xEA;m sido reprimidos com extrema viol&#xEA;ncia e trucul&#xEA;ncia policial e pelo avan&#xE7;o do neoliberalismo ultraconservador.</p>
			<p>Desse modo, este governo ileg&#xED;timo, acabou com todos os minist&#xE9;rios ligados &#xE0; &#xE1;rea dos direitos humanos, sinalizando que estes n&#xE3;o s&#xE3;o prioridade para o governo. A atividade repressiva &#x201C;tem sido uma prioridade e as medidas neoliberais e de desconstru&#xE7;&#xE3;o das conquistas sociais t&#xEA;m colocado o pa&#xED;s em risco de afundamento pelos pr&#xF3;ximos vinte anos&#x201D;, conforme afirma 
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Rodrigues (2016</xref>, p. 24).
			</p>
			<p>A ideia &#xE9; de investimentos m&#xED;nimos em pol&#xED;ticas sociais, congelar os gastos do governo a partir de 2017 pelos pr&#xF3;ximos vinte anos. Esta medida inviabilizaria qualquer avan&#xE7;o significativo em &#xE1;reas estruturais da sociedade. &#xC9; consenso que as pol&#xED;ticas de sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o favorecem parcela significativa da popula&#xE7;&#xE3;o pobre da sociedade que n&#xE3;o tem acesso a planos de sa&#xFA;de e escolas privadas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">RODRIGUES, 2016</xref>, p. 25).
			</p>
			<p>Por outro lado, enquanto o atual governo privilegia algumas pol&#xED;ticas em detrimento de outras, est&#xE1; beneficiando mais uma classe que outra e o grande capital. A Reforma da Previd&#xEA;ncia contida na agenda de Temer, e que tem como pilar a fixa&#xE7;&#xE3;o de outra idade m&#xED;nima de aposentadoria e diminui&#xE7;&#xE3;o da idade de aposentadoria entre homens e mulheres, &#xE9; um retrocesso nos direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores (Ibidem, p. 26).</p>
			<p>Na &#xE1;rea das pol&#xED;ticas habitacionais, o atual governo tem diminu&#xED;do os gastos p&#xFA;blicos, levando o temor aos movimentos de moradia que suspeitam que este governo queira acabar com o programa Minha Casa, Minha Vida, j&#xE1; que este leva a chancela do governo PT.</p>
			<p>Enfim, o que a atual conjuntura representa para a classe trabalhadora &#xE9; um retrocesso aos diretos historicamente conquistados e garantidos pela Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal de 1988. Em nome de um suposto combate ao d&#xE9;ficit p&#xFA;blico, este governo antidemocr&#xE1;tico vem decretando medidas duras aos trabalhadores.</p>
			<p>Desde os anos de 1990, as medidas neoliberais e as sucessivas contrarreformas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">BEHRING, 2003</xref>), t&#xEA;m implementado a mercantiliza&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de e da previd&#xEA;ncia social. Na &#xE1;rea da assist&#xEA;ncia social, o atual governo, ao restringir os gastos p&#xFA;blicos com a pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia social, sinaliza um esfacelamento das conquistas e avan&#xE7;os dessa pol&#xED;tica, tais como: a maior socializa&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica por meio de institui&#xE7;&#xF5;es dos espa&#xE7;os de controle social democr&#xE1;tico, a diversidade da base de financiamento, que apontou para a aloca&#xE7;&#xE3;o mais democr&#xE1;tica de recursos p&#xFA;blicos, com a previs&#xE3;o de um or&#xE7;amento para a Seguridade Social, apontou para uma perspectiva de amplia&#xE7;&#xE3;o da cobertura e do acesso aos direitos legalmente definidos.
			</p>
			<p>A pol&#xED;tica de congelamento de gastos do atual governo prev&#xEA; reduzir gastos com pessoal, proibi&#xE7;&#xE3;o de reajustes, redu&#xE7;&#xE3;o dos gastos com cargos comissionados em 10%, suspens&#xE3;o dos concursos p&#xFA;blicos, congelamento de sal&#xE1;rios, o n&#xE3;o pagamento de progress&#xF5;es e outras vantagens, altera&#xE7;&#xE3;o nos regimes previdenci&#xE1;rios e jur&#xED;dicos dos servidores, entre outras medidas. O claro an&#xFA;ncio do desmonte da Seguridade Social brasileira demonstra a dire&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica desse governo.</p>
			<p>Em tempos TEMER&#xC1;RIOS, os assistentes sociais t&#xEA;m reafirmado a luta por uma Seguridade Social estatal, ampliada e universal. A reforma que o Servi&#xE7;o Social brasileiro defende &#xE9; a revis&#xE3;o radical da pol&#xED;tica de isen&#xE7;&#xF5;es fiscais para setores econ&#xF4;micos e fam&#xED;lias de alta renda, o combate &#xE0; corrup&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; sonega&#xE7;&#xE3;o de impostos, a promo&#xE7;&#xE3;o da reforma tribut&#xE1;ria, ou seja, a taxa&#xE7;&#xE3;o das grandes fortunas e a recupera&#xE7;&#xE3;o dos montantes inscritos na d&#xED;vida p&#xFA;blica.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Para maiores informa&#xE7;&#xF5;es sobre o primeiro-damismo, consultar: TORRES, Iraildes Caldas. 
					<bold>As primeiras-damas e a assist&#xEA;ncia social</bold>: rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero e poder. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2002.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Art. 203 da Constitui&#xE7;&#xE3;o da Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil de 1988.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>As Confer&#xEA;ncias de Assist&#xEA;ncia Social s&#xE3;o espa&#xE7;os de car&#xE1;ter propositivo e deliberativo que oportunizam o debate e avalia&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia social e a proposi&#xE7;&#xE3;o de novas diretrizes, no sentido de consolidar e ampliar os direitos socioassistenciais dos seus usu&#xE1;rios. Constituem ainda espa&#xE7;os de debate coletivo, que devem oportunizar uma participa&#xE7;&#xE3;o social mais representativa, assegurando momentos para discuss&#xE3;o e avalia&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es governamentais desenvolvidas e, tamb&#xE9;m, para a elei&#xE7;&#xE3;o de prioridades pol&#xED;ticas para os respectivos n&#xED;veis de governo e para as diferentes organiza&#xE7;&#xF5;es da sociedade civil que representam os usu&#xE1;rios, os trabalhadores e as entidades de assist&#xEA;ncia social.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Os Conselhos s&#xE3;o uma conquista da sociedade civil, canais importantes de participa&#xE7;&#xE3;o coletiva e de cria&#xE7;&#xE3;o de novas rela&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas entre governos e cidad&#xE3;os, &#x201C;escola de cidadania&#x201D; para a constru&#xE7;&#xE3;o de um processo continuado de interlocu&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica e de fortalecimento do poder local e de composi&#xE7;&#xE3;o parit&#xE1;ria (50% do poder p&#xFA;blico e 50% da sociedade civil).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>&#xC9; um instrumento de planejamento estrat&#xE9;gico que organiza, regula e norteia a execu&#xE7;&#xE3;o da Pol&#xED;tica de Assist&#xEA;ncia Social. Sua elabora&#xE7;&#xE3;o &#xE9; de responsabilidade do &#xF3;rg&#xE3;o gestor da pol&#xED;tica que deve submet&#xEA;-lo &#xE0; aprova&#xE7;&#xE3;o do respectivo Conselho de Assist&#xEA;ncia Social. Estados, Distrito Federal e Munic&#xED;pios devem elaborar os seus respectivos Planos de Assist&#xEA;ncia Social a cada quatro anos (
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">CNAS, 2017</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Rede Socioassistencial &#xE9; um conjunto integrado de a&#xE7;&#xF5;es de iniciativa p&#xFA;blica e da sociedade, que ofertam e operam benef&#xED;cios, servi&#xE7;os, programas e projetos sociais (
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">CNAS, 2017</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Conjunto de atividades prestadas em um determinado local de trabalho que se destinam a prover determinadas aten&#xE7;&#xF5;es sociais.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Transfer&#xEA;ncia em esp&#xE9;cie fora da rela&#xE7;&#xE3;o de trabalho ou da legisla&#xE7;&#xE3;o social do trabalho.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Devassa &#xE9; um termo jur&#xED;dico que implica a pesquisa de provas, a observa&#xE7;&#xE3;o, a inquiri&#xE7;&#xE3;o de testemunhas e a sindic&#xE2;ncia para averigua&#xE7;&#xE3;o de ato criminoso. Ou mesmo pode ser utilizado para indicar uma mulher vulgar, que se corrompeu ou se prostituiu, em outras palavras, que n&#xE3;o tem moral. Ambas as defini&#xE7;&#xF5;es se encaixam na crise pol&#xED;tica brasileira dos &#xFA;ltimos anos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>VIOMUNDO. Dispon&#xED;vel em: &#x3C;
					<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/cnbb-nao-e-iusto-que-os-pobres-paguem-a-conta-enquanto-outros-setores-lucram.html">http://www.viomundo.com.br/denuncias/cnbb-nao-e-iusto-que-os-pobres-paguem-a-conta-enquanto-outros-setores-lucram.html</ext-link>&#x3E;. Acesso em: 15 maio 2017.
				</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
			<ref id="B1">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BEHRING</surname>
							<given-names>Elain</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Brasil em contra-reforma</bold>: destrui&#xE7;&#xE3;o do estado e perda de direitos
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>2003</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BEHRING, Elain. 
					<bold>Brasil em contra-reforma</bold>: destrui&#xE7;&#xE3;o do estado e perda de direitos. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2003.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>BOSCHETTI</surname>
							<given-names>Ivonete</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<chapter-title>A pol&#xED;tica da seguridade social no Brasil</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
						<collab>CFESS</collab>
					</person-group>
					<source>
						<bold>Servi&#xE7;o social</bold>: direitos sociais e compet&#xEA;ncias profissionais
					</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>CFESS</publisher-name>
					<year>2009</year>
					<fpage>323</fpage>
					<lpage>338</lpage>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BOSCHETTI, Ivonete. A pol&#xED;tica da seguridade social no Brasil. In: CFESS. 
					<bold>Servi&#xE7;o social</bold>: direitos sociais e compet&#xEA;ncias profissionais. Bras&#xED;lia: CFESS, 2009, p. 323-338.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL. Constitui&#xE7;&#xE3;o (1988)</collab>
					</person-group>
					<source>Constitui&#xE7;&#xE3;o da Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>Senado Federal</publisher-name>
					<year>1988</year>
				</element-citation>
				<mixed-citation>BRASIL. Constitui&#xE7;&#xE3;o (1988). 
					<bold>Constitui&#xE7;&#xE3;o da Rep&#xFA;blica Federativa do Brasil</bold>. Bras&#xED;lia: Senado Federal, 1988.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<element-citation publication-type="legal-doc">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<comment>
						<bold>Lei n&#xBA; 8.069</bold>
					</comment>
					<day>13</day>
					<month>07</month>
					<year>1990</year>
					<source>Disp&#xF5;e sobre o Estatuto da Crian&#xE7;a e do Adolescente e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias</source>
					<comment>Dispon&#xED;vel em: &#x3C;
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm</ext-link>&#x3E;
					</comment>
				</element-citation>
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					<bold>Lei n&#xBA; 8.069</bold>, de 13 de julho de 1990. Disp&#xF5;e sobre o Estatuto da Crian&#xE7;a e do Adolescente e d&#xE1; outras provid&#xEA;ncias. Dispon&#xED;vel em: &#x3C;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm&#x3E;.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<element-citation publication-type="legal-doc">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<comment>
						<bold>Lei n&#xBA; 8.742</bold>
					</comment>
					<day>07</day>
					<month>12</month>
					<year>1993</year>
					<source>Lei Org&#xE2;nica de Assist&#xEA;ncia Social &#x2013; LOAS. Minist&#xE9;rio do Desenvolvimento Social e Combate &#xE0; Fome. Secretaria Nacional de Assist&#xEA;ncia Social</source>
					<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
					<publisher-name>MDS</publisher-name>
					<comment>1993</comment>
				</element-citation>
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				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B6">
				<element-citation publication-type="legal-doc">
					<person-group person-group-type="author">
						<collab>BRASIL</collab>
					</person-group>
					<comment>
						<bold>Lei n&#xBA; 12.435</bold>
					</comment>
					<day>06</day>
					<month>07</month>
					<year>2011</year>
					<source>Altera a Lei n&#xBA; 8.742, de 7 de dezembro de 1993, que disp&#xF5;e sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o da Assist&#xEA;ncia Social</source>
					<comment>Dispon&#xED;vel em: &#x3C;
						<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12435.htm">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12435.htm</ext-link>&#x3E;
					</comment>
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				</mixed-citation>
			</ref>
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						<bold>Norma Operacional B&#xE1;sica de Recursos Humanos do SUAS - NOB-RH/SUAS</bold>. Minist&#xE9;rio do Desenvolvimento Social e Combate &#xE0; Fome. Secretaria Nacional de Assist&#xEA;ncia Social
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					</comment>
					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 21 maio 2017</date-in-citation>
				</element-citation>
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					<bold>Gloss&#xE1;rio do Informe CNAS n&#xBA; 02/2017</bold>. Dispon&#xED;vel em: &#x3C;https://central3.to.gov.br/arquivo/339480/&#x3E;. Acesso em: 21 maio 2017.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B10">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>IAMAMOTO</surname>
							<given-names>Marilda V.</given-names>
						</name>
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					<source>
						<bold>O servi&#xE7;o social na contemporaneidade</bold>: trabalho e forma&#xE7;&#xE3;o profissional
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				</element-citation>
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					<bold>O servi&#xE7;o social na contemporaneidade</bold>: trabalho e forma&#xE7;&#xE3;o profissional. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2005.
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			</ref>
			<ref id="B11">
				<element-citation publication-type="webpage">
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						<bold>Desafios ao desenvolvimento brasileiro</bold>: uma abordagem social-desenvolvimentista
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