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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.2.26658</article-id>
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					<subject>Servi&#xE7;o Social, Trabalho e Forma&#xE7;&#xE3;o</subject>
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				<article-title>A Relativa Autonomia na Literatura Profissional do Servi&#xE7;o Social: elementos constitutivos do debate</article-title>
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					<trans-title>The Relative Autonomy in Social Work Professional Literature: constituent elements of debate</trans-title>
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						<given-names>Moema Am&#xE9;lia Serpa Lopes de</given-names>
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					<email>juliana_juss@hotmail.com</email>
					<institution content-type="original">Mestre em Servi&#xE7;o Social pela Universidade Estadual da Para&#xED;ba/UEPB, funcion&#xE1;ria p&#xFA;blica na Prefeitura Municipal de Campina Grande, Campina Grande - PB/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/7484937291290124. E-mail: juliana_juss@hotmail.com.</institution>
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					<institution content-type="normalized">Universidade Estadual da Para&#xED;ba</institution>
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					<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Servi&#xE7;o Social</institution>
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					<email>serpamoema@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Doutora em Servi&#xE7;o Social pela UFPE, Docente do Departamento de Servi&#xE7;o Social e da P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social/UEPB, Campina Grande - Para&#xED;ba/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/2781009304496825. E-mail: serpamoema@gmail.com.</institution>
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				<year>2019</year>
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				<season>Aug-Dec</season>
				<year>2017</year>
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			<volume>16</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>403</fpage>
			<lpage>413</lpage>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
				</license>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>Este breve ensaio busca apresentar um debate da relativa autonomia profissional a partir da produ&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rica do Servi&#xE7;o Social. Adota a pesquisa bibliogr&#xE1;fica como procedimento metodol&#xF3;gico como possibilidade de identificar e problematizar a concep&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rica dos autores do Servi&#xE7;o Social sobre a tem&#xE1;tica em tela. Em s&#xED;ntese, aponta que o exerc&#xED;cio da relativa autonomia &#xE9; mediado tridimensionalmente, dado que sua sistematiza&#xE7;&#xE3;o prescinde da proje&#xE7;&#xE3;o &#xE9;tico-pol&#xED;tica da profiss&#xE3;o, da dire&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica que orienta a forma&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica e a interven&#xE7;&#xE3;o profissional. Afirma que a relativa autonomia &#xE9; um componente de resist&#xEA;ncia do Servi&#xE7;o Social frente ao cen&#xE1;rio da ofensiva neoconservadora do capital.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This brief essay tries to present a debate about relative professional autonomy from the theoretical production of Social Work. It adopts bibliographical research as a methodological procedure as a possibility to identify and problematize the theoretical conception of Social Work authors on the subject matter. In summary, it points out that the exercise of relative autonomy is mediated three-dimensionally, since its systematization dispenses with the ethical-political projection of the profession, the theoretical-methodological direction that guides critical formation and professional intervention. It asserts that relative autonomy is a resistance component of Social Work, against the backdrop of capital neoconservative offensive.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Autonomia intelectual e t&#xE9;cnico-pol&#xED;tica</kwd>
				<kwd>Relativa Autonomia</kwd>
				<kwd>Servi&#xE7;o Social</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Intellectual and technical-political autonomy</kwd>
				<kwd>Relative Autonomy</kwd>
				<kwd>Social Work</kwd>
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		<p>O debate sistematizado neste artigo traz uma reflex&#xE3;o iniciada nos estudos da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social, e tem como eixo central o debate sobre a relativa autonomia profissional do/a assistente social a partir da literatura especializada do Servi&#xE7;o Social.</p>
		<p>Embora a relativa autonomia n&#xE3;o seja amplamente discutida pela literatura profissional, sua problematiza&#xE7;&#xE3;o encontra legitimidade em meio a um cen&#xE1;rio de grandes retrocessos para a classe trabalhadora. A pretens&#xE3;o deste breve ensaio &#xE9;, justamente, apresentar o debate da relativa autonomia presente no &#xE2;mbito da profiss&#xE3;o e identificar e problematizar as concep&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas dos autores/as do Servi&#xE7;o Social.</p>
		<p>A dire&#xE7;&#xE3;o de nossas reflex&#xF5;es tem como refer&#xEA;ncia que vivemos tempos desafiadores para o Servi&#xE7;o Social, dado o acirramento da contraditoriedade que permeia as atuais rela&#xE7;&#xF5;es sociais capitalistas, cujas peculiaridades assentadas na ofensiva neoliberal atingem, cada vez mais, o exerc&#xED;cio profissional do/a assistente social e, consequentemente, as suas estrat&#xE9;gias pol&#xED;tico-profissionais em defesa das demandas reais da classe trabalhadora. De modo que pensar a relativa autonomia sob esta assertiva implica refletir sobre o n&#xED;tido car&#xE1;ter de classe que permeia seu exerc&#xED;cio.</p>
		<p>Esta discuss&#xE3;o &#xE9; fruto da disserta&#xE7;&#xE3;o de mestrado intitulada &#x201C;A relativa autonomia profissional do/a assistente social: media&#xE7;&#xF5;es subjetivas e objetivas para seu exerc&#xED;cio&#x201D;, que foi apresentada ao Programa de P&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social da Universidade Estadual da Para&#xED;ba.</p>
		<p>Trata-se de uma discuss&#xE3;o relevante para a categoria profissional, uma vez que se faz oportuno e necess&#xE1;rio apreender como o Servi&#xE7;o Social vem respondendo, ao longo de seu amadurecimento te&#xF3;rico-pol&#xED;tico, aos desafios que se colocam, tanto no cotidiano de trabalho de seus agentes como tamb&#xE9;m no interior do processo de forma&#xE7;&#xE3;o profissional. Desafios que s&#xE3;o retroalimentados, mediante uma conjuntura social e pol&#xED;tica omissa para com os direitos dos cidad&#xE3;os e, afeita &#xE0; precariza&#xE7;&#xE3;o e explora&#xE7;&#xE3;o demasiada da classe trabalhadora, o que exige uma releitura do cen&#xE1;rio atual, com vistas a tra&#xE7;ar estrat&#xE9;gias pol&#xED;tico-profissionais que subsidiem o exerc&#xED;cio profissional do/a assistente social.</p>
		<p>Na base desta reflex&#xE3;o, entendemos que a relativa autonomia &#xE9; um tra&#xE7;o constitutivo da profiss&#xE3;o, apresentando-se como uma ferramenta que possibilita ao/a assistente social construir sua interven&#xE7;&#xE3;o profissional, tendo como refer&#xEA;ncia a compreens&#xE3;o de seu papel profissional na reprodu&#xE7;&#xE3;o contradit&#xF3;ria das rela&#xE7;&#xF5;es sociais.</p>
		<p>Na exposi&#xE7;&#xE3;o deste artigo, nossa inten&#xE7;&#xE3;o &#xE9; enfatizar que o exerc&#xED;cio da relativa autonomia se d&#xE1; mediante a articula&#xE7;&#xE3;o da dimens&#xE3;o te&#xF3;rica, t&#xE9;cnica e pol&#xED;tica do Servi&#xE7;o Social e que apenas desta forma poder&#xE1; fortalecer o projeto profissional cr&#xED;tico, ao aproximar os/as assistentes sociais do compromisso com as demandas da classe trabalhadora.</p>
		<sec>
			<title>A relativa autonomia na literatura profissional do Servi&#xE7;o Social</title>
			<p>Ao debru&#xE7;ar-se sobre a literatura especializada do Servi&#xE7;o Social, que trata dos fundamentos s&#xF3;cio-hist&#xF3;ricos da profiss&#xE3;o, &#xE9; poss&#xED;vel afirmar que a discuss&#xE3;o desta tem&#xE1;tica &#xE9; colocada em cena a partir do processo de renova&#xE7;&#xE3;o da profiss&#xE3;o no Brasil. &#xC9; por meio do aprofundamento te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gico do Servi&#xE7;o Social que se inicia o debate da relativa autonomia profissional, tendo como principal fundamento a discuss&#xE3;o do/a assistente social como trabalhador inserido na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho e a constru&#xE7;&#xE3;o da interven&#xE7;&#xE3;o profissional, a partir da perspectiva ideopol&#xED;tica que a orienta.</p>
			<p>&#xC9; not&#xF3;rio que a produ&#xE7;&#xE3;o e o ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico do Servi&#xE7;o Social s&#xE3;o indiscut&#xED;veis na atualidade; a literatura profissional de grande express&#xE3;o vem discutindo diversos temas, em diferentes linhas de pesquisa, por&#xE9;m observamos em nosso estudo que o debate espec&#xED;fico da relativa autonomia n&#xE3;o constitui um objeto de estudo central nas pesquisas e estudos desenvolvidos pelos pesquisadores do Servi&#xE7;o Social. Contudo, nota-se que a abordagem sobre este tema &#xE9; transversal a essas discuss&#xF5;es de maior expoente.</p>
			<p>No conjunto dos autores da literatura especializada do Servi&#xE7;o Social que abordam a tem&#xE1;tica da relativa autonomia, identificamos 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Iamamoto; Carvalho (1998)</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">Iamamoto, (2009</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">2014</xref>), 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Raichelis (2011)</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Mota (2014)</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Nanci Sim&#xF5;es (2012)</xref> e 
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Carlos Sim&#xF5;es (2009)</xref>.
			</p>
			<p>Em que pesem as reflex&#xF5;es de cada autor/a, no geral, eles/as trazem perspectivas similares. Ao tratar da nossa tem&#xE1;tica de estudo, constroem importantes reflex&#xF5;es sobre a concep&#xE7;&#xE3;o da relativa autonomia profissional, bem como sobre a possibilidade de o/a assistente social exerc&#xEA;-la no seu cotidiano de trabalho.</p>
			<p>Como ponto de partida para desenvolver o debate da relativa autonomia, destacamos a obra emblem&#xE1;tica de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Iamamoto e Carvalho (1998)</xref> que, ao discutir os fundamentos s&#xF3;cio-hist&#xF3;ricos da profiss&#xE3;o, com &#xEA;nfase na inser&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social na din&#xE2;mica socioinstitucional a partir da venda de sua for&#xE7;a de trabalho, traz &#xE0; tona a tem&#xE1;tica da relativa autonomia profissional.
			</p>
			<p>Nessa obra, os autores iniciam o debate sobre a relativa autonomia tendo como refer&#xEA;ncia a denomina&#xE7;&#xE3;o da profiss&#xE3;o como de car&#xE1;ter liberal. Argumentam que o/a assistente social n&#xE3;o assume a caracteriza&#xE7;&#xE3;o devida de um profissional liberal, na acep&#xE7;&#xE3;o real do termo descrito, pois n&#xE3;o disp&#xF5;e &#x201C;[&#x2026;] das condi&#xE7;&#xF5;es materiais e t&#xE9;cnicas para o exerc&#xED;cio de seu trabalho e do completo controle sobre o mesmo [&#x2026;]&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">IAMAMOTO; CARVALHO, 1998</xref>, p.80), pelo contr&#xE1;rio, est&#xE1; inserido na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho subordinado ao peso do poder institucional. Contudo, pontuam que o fato de o assistente social n&#xE3;o ter a tradi&#xE7;&#xE3;o de exercer a profiss&#xE3;o como aut&#xF4;nomo, n&#xE3;o exclui integralmente do Servi&#xE7;o Social os tra&#xE7;os de uma profiss&#xE3;o liberal. Assim, consideram que este car&#xE1;ter de profiss&#xE3;o liberal estaria presente no Servi&#xE7;o Social devido a algumas caracter&#xED;sticas, a saber:
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] a reivindica&#xE7;&#xE3;o de uma deontologia (C&#xF3;digo de &#xC9;tica), o car&#xE1;ter n&#xE3;o-rotineiro da interven&#xE7;&#xE3;o [&#x2026;]. Outra caracter&#xED;stica a ser ressaltada &#xE9; a exist&#xEA;ncia de uma rela&#xE7;&#xE3;o singular no contato direto com os usu&#xE1;rios &#x2013; &#x201C;os clientes&#x201D; &#x2013; o que refor&#xE7;a um certo espa&#xE7;o para a atua&#xE7;&#xE3;o t&#xE9;cnica, abrindo a possibilidade de se reorientar a forma de interven&#xE7;&#xE3;o, conforme a maneira de se interpretar o papel profissional. A isso se acresce outro tra&#xE7;o peculiar ao Servi&#xE7;o Social: a indefini&#xE7;&#xE3;o ou fluidez do &#x201C;que &#xE9;&#x201D; ou do &#x201C;que faz&#x201D; o Servi&#xE7;o Social, abrindo ao Assistente social a possibilidade de apresentar propostas de trabalho que ultrapassem meramente a demanda institucional (
					<xref ref-type="bibr" rid="B2">IAMAMOTO; CARVALHO 1998</xref>, p. 80).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Esses aspectos indicados pelos autores &#xE9; que fundamentam a compreens&#xE3;o sobre a relativa autonomia profissional do/a assistente social; com base nisso, refletem sobre a possibilidade que o/a assistente social possui para ampliar seu campo de autonomia, uma vez que eles podem ser vistos como uma margem de manobra e de liberdade na condu&#xE7;&#xE3;o de suas respostas profissionais, tendo estatutos legais e &#xE9;ticos para a regulamenta&#xE7;&#xE3;o de sua atividade.</p>
			<p>Assim, forja-se uma nova realidade para a din&#xE2;mica profissional, abrindo espa&#xE7;o para que a categoria possa se inserir em processos de trabalho, n&#xE3;o s&#xF3; realizando as atividades rotineiras e emergenciais, mas ampliando seu leque de interven&#xE7;&#xF5;es, com base nos princ&#xED;pios do C&#xF3;digo de &#xC9;tica Profissional.</p>
			<p>Dessa forma, a possibilidade de a categoria de assistentes sociais reivindicar uma deontologia se constitui como base &#xE9;tico-normativa que d&#xE1; sustentabilidade ao exerc&#xED;cio da relativa autonomia, pois o C&#xF3;digo de &#xC9;tica expressa o novo posicionamento do Servi&#xE7;o Social mediante seu papel profissional, que o conduz a pensar seu trabalho tendo como refer&#xEA;ncia a dire&#xE7;&#xE3;o social estrat&#xE9;gica da profiss&#xE3;o.</p>
			<p>Outra caracter&#xED;stica que fundamenta a relativa autonomia apontada por 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Iamamoto e Carvalho (1998)</xref> refere-se &#xE0; indefini&#xE7;&#xE3;o ou fluidez do que &#xE9; ou do que faz o Servi&#xE7;o Social. Segundo os autores, esta indefini&#xE7;&#xE3;o do trabalho profissional no interior das institui&#xE7;&#xF5;es d&#xE1; possibilidades de o/a assistente social apresentar propostas de trabalho para al&#xE9;m daquilo que lhe &#xE9; requisitado. Assim sendo, o profissional pode ampliar seu campo de atua&#xE7;&#xE3;o de acordo com as suas compet&#xEA;ncias e atribui&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas, legitimando seu espa&#xE7;o na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho.
			</p>
			<p>A nosso ver, esses aspectos fazem refer&#xEA;ncia &#xE0; dimens&#xE3;o educativa e pol&#xED;tica do Servi&#xE7;o Social, dado que, ao indicar os espa&#xE7;os efetivos que ampliam a relativa autonomia, demarcam a media&#xE7;&#xE3;o subjetiva para seu exerc&#xED;cio.</p>
			<p>Nesta dire&#xE7;&#xE3;o, cabe problematizarmos que o projeto de profiss&#xE3;o assumido pelos profissionais constitui uma media&#xE7;&#xE3;o para o exerc&#xED;cio da relativa autonomia. N&#xE3;o esque&#xE7;amos que, embora prevale&#xE7;a uma dire&#xE7;&#xE3;o social para a profiss&#xE3;o, o corpo profissional n&#xE3;o &#xE9; homog&#xEA;neo, o que implica dizer que as respostas profissionais podem vincular-se ou n&#xE3;o ao projeto profissional hegem&#xF4;nico. Portanto, devemos dar a devida import&#xE2;ncia &#xE0; cada media&#xE7;&#xE3;o que se coloca &#xE0; relativa autonomia, analisando com cautela os condicionantes e determinantes &#xE9;ticos, culturais e objetivos que dinamizam o seu exerc&#xED;cio.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">Iamamoto (2009</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">2014</xref>) agregando novas reflex&#xF5;es na sua abordagem sobre a relativa autonomia, analisa a inser&#xE7;&#xE3;o dos profissionais em processos de trabalho dando &#xEA;nfase &#xE0; media&#xE7;&#xE3;o objetiva para seu exerc&#xED;cio cotidiano. Ela adverte que,
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] ainda que dispondo de relativa autonomia na efetiva&#xE7;&#xE3;o de seu trabalho, o assistente social depende, na organiza&#xE7;&#xE3;o da atividade, do Estado, da empresa, entidades n&#xE3;o-governamentais que viabilizam aos usu&#xE1;rios o acesso a seus servi&#xE7;os, fornecem meios e recursos para sua realiza&#xE7;&#xE3;o, estabelecem prioridades a serem cumpridas, interferem na defini&#xE7;&#xE3;o de pap&#xE9;is e fun&#xE7;&#xF5;es que comp&#xF5;em o cotidiano de trabalho institucional. Ora, se assim &#xE9;, a institui&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; um condicionante a mais do trabalho do assistente social. Ela organiza o processo de trabalho do qual ele participa (
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">IAMAMOTO, 2009</xref>, p. 63).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Aqui a autora reflete ainda sobre as implica&#xE7;&#xF5;es do estatuto de assalariado para com o desenvolvimento do trabalho do/a assistente social, que, muito embora disponha de relativa autonomia na condu&#xE7;&#xE3;o de sua interven&#xE7;&#xE3;o profissional, ele est&#xE1; sujeito &#xE0; determina&#xE7;&#xE3;o institucional sobre seu processo de trabalho. 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Iamamoto (2014</xref>, p. 424) afirma que, existe &#x201C;[&#x2026;] uma tens&#xE3;o entre o trabalho controlado e submetido ao poder do empregador, as demandas dos sujeitos de direitos e a relativa autonomia profissional para perfilar o seu trabalho&#x201D;.
			</p>
			<p>Ao problematizar esta tens&#xE3;o, a autora assevera que o trabalho profissional do/a assistente social encontra-se historicamente mediatizado por interesses particulares e interesses coletivos, e sofre com os dilemas de aliena&#xE7;&#xE3;o indissoci&#xE1;veis do trabalho assalariado, configurando o cotidiano do exerc&#xED;cio profissional e impondo barreiras espec&#xED;ficas ao exerc&#xED;cio da relativa autonomia profissional, em cada espa&#xE7;o s&#xF3;cio-ocupacional.</p>
			<p>Segundo as reflex&#xF5;es de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Iamamoto (2014</xref>, p. 219),
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] resguardar a relativa autonomia profissional na condu&#xE7;&#xE3;o do exerc&#xED;cio profissional sup&#xF5;e potenci&#xE1;-la mediante um projeto profissional coletivo impregnado de hist&#xF3;ria e embasado em princ&#xED;pios e valores radicalmente humanistas, com sustenta&#xE7;&#xE3;o em for&#xE7;as sociais reais que partilhem de um projeto comum para a sociedade.</p>
			</disp-quote>
			<p>Em outras palavras, pode-se afirmar que h&#xE1; uma estreita rela&#xE7;&#xE3;o entre a relativa autonomia profissional e a dire&#xE7;&#xE3;o social estrat&#xE9;gica assumida pelo Servi&#xE7;o Social, que est&#xE1; expressa no C&#xF3;digo de &#xC9;tica, na Lei de Regulamenta&#xE7;&#xE3;o, nas Diretrizes Curriculares que entram em vigor nos anos 1990, bem como no debate profissional e na produ&#xE7;&#xE3;o de conhecimento do Servi&#xE7;o Social. Esta vincula&#xE7;&#xE3;o sociopol&#xED;tica inclina o/a assistente social a construir suas respostas profissionais, tendo como suporte sua pr&#xF3;pria concep&#xE7;&#xE3;o ideopol&#xED;tica associada ou n&#xE3;o aos princ&#xED;pios e valores do projeto profissional cr&#xED;tico. Mas n&#xE3;o o faz da maneira que anseia, pois o processamento do trabalho profissional &#xE9; atravessado pela din&#xE2;mica da realidade objetiva, que pode alargar ou retrair o campo da autonomia profissional, de acordo com o movimento das bases sociais que legitimam e sustentam a dire&#xE7;&#xE3;o social projetada pela categoria (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">IAMAMOTO, 2014</xref>).
			</p>
			<p>Sabemos que o exerc&#xED;cio profissional do/a assistente social &#xE9; tensionado pelo elenco de determina&#xE7;&#xF5;es sociais, cujo conjunto expressa as principais media&#xE7;&#xF5;es para o exerc&#xED;cio da relativa autonomia. Os limites que incidem sobre o trabalho profissional podem ser visualizados atrav&#xE9;s das determina&#xE7;&#xF5;es estruturais como: a desregulamenta&#xE7;&#xE3;o e precariza&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas sociais, a redu&#xE7;&#xE3;o dos gastos p&#xFA;blicos para custeio dos servi&#xE7;os sociais, a perda regressiva dos direitos e a aus&#xEA;ncia de condi&#xE7;&#xF5;es &#xE9;ticas e t&#xE9;cnicas que qualifiquem o exerc&#xED;cio profissional, precarizando-o duplamente.</p>
			<p>Assim, consideramos que a fluidez do trabalho do/a assistente social &#xE9; tamb&#xE9;m condicionada por elementos externos &#xE0; profiss&#xE3;o e encontra desafios pol&#xED;tico-operacionais, uma vez que a program&#xE1;tica institucional, muitas vezes, restringe o exerc&#xED;cio profissional &#xE0; interven&#xE7;&#xF5;es e a&#xE7;&#xF5;es imediatistas, pragm&#xE1;ticas e despolitizadas, confrontando diretamente as finalidades da profiss&#xE3;o.</p>
			<p>De fato, esta conjuntura social e pol&#xED;tica &#xE9; contr&#xE1;ria aos objetivos profissionais e &#xE0; pr&#xF3;pria luta coletiva por uma abertura democr&#xE1;tica &#xE0;s demandas do trabalho, isto &#xE9; absolutamente reflexo da sociedade capitalista, mas n&#xE3;o podemos trat&#xE1;-la como intranspon&#xED;vel, pois estar&#xED;amos alimentando o fatalismo que tanto mutila a busca por mudan&#xE7;as radicais e fortalece o conservadorismo. Esta perspectiva muito condiz com a ideia de exercer a relativa autonomia, pois faz men&#xE7;&#xE3;o &#xE0; busca por uma aproxima&#xE7;&#xE3;o com a demanda do trabalho a partir da apreens&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es sociopol&#xED;ticas que sustentam a realidade atual.</p>
			<p>Conforme as contribui&#xE7;&#xF5;es e reflex&#xF5;es de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Iamamoto (2014)</xref>, a defesa da relativa autonomia profissional passa pela qualifica&#xE7;&#xE3;o da forma&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mico-profissional especializada, pela legisla&#xE7;&#xE3;o (referimo-nos &#xE0; Lei de Regulamenta&#xE7;&#xE3;o da Profiss&#xE3;o de 1993 e o C&#xF3;digo de &#xC9;tica de 1993) que regula as fun&#xE7;&#xF5;es privativas e compet&#xEA;ncias do/a assistente social e pelo respaldo coletivo, tanto no &#xE2;mbito profissional quanto associado &#xE0;s for&#xE7;as sociais que comungam da proje&#xE7;&#xE3;o &#xE9;tico-pol&#xED;tica do Servi&#xE7;o Social cr&#xED;tico. A autora enfatiza que &#x201C;este respaldo pol&#xED;tico-profissional mostra-se, no cotidiano, como uma importante estrat&#xE9;gia de alargamento da relativa autonomia do assistente social, contra a aliena&#xE7;&#xE3;o do trabalho assalariado&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">IAMAMOTO, 2014</xref>, p. 422).
			</p>
			<p>Este respaldo &#xE9; leg&#xED;timo e necess&#xE1;rio para que os/as profissionais possam realmente direcionar suas a&#xE7;&#xF5;es a partir da proje&#xE7;&#xE3;o social e pol&#xED;tica que orienta, hegemonicamente, a profiss&#xE3;o, associando o exerc&#xED;cio da relativa autonomia ao sentido a ele impregnado, isto &#xE9;, ao compromisso com os interesses da coletividade.</p>
			<p>Para finalizar a exposi&#xE7;&#xE3;o de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Iamamoto (2014)</xref>, importa dizer que a mesma, ao trazer reflex&#xF5;es consistentes ao debate da relativa autonomia profissional, em nenhum momento desconecta seu exerc&#xED;cio dos determinantes sociais que dinamizam o trabalho profissional deste agente, certificando que o pr&#xF3;prio car&#xE1;ter contradit&#xF3;rio das rela&#xE7;&#xF5;es sociais se constitui na base social que lhe d&#xE1; sustenta&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>Destacamos outra contribui&#xE7;&#xE3;o importante no debate da relativa autonomia profissional apresentada por 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Raichelis (2011)</xref>, que problematiza o processo de precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho do/a assistente social. Em suas an&#xE1;lises, a autora evidencia as altera&#xE7;&#xF5;es e redefini&#xE7;&#xF5;es do mundo do trabalho na contemporaneidade, articulada &#xE0;s novas configura&#xE7;&#xF5;es e demandas que se expressam nos espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais, bem como a viola&#xE7;&#xE3;o de direitos a que est&#xE1; submetido o assistente social na condi&#xE7;&#xE3;o de trabalhador assalariado.
			</p>
			<p>Seu estudo recupera a discuss&#xE3;o de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Iamamoto e Carvalho (1998)</xref> para tematizar sobre o exerc&#xED;cio da relativa autonomia a partir do processo de assalariamento do assistente social, ressaltando sua inser&#xE7;&#xE3;o na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho.
			</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Raichelis (2011)</xref> aborda a relativa autonomia como autonomia t&#xE9;cnica, remetendo &#xE0; possibilidade de exercit&#xE1;-la no cotidiano profissional a partir do conjunto de atribui&#xE7;&#xF5;es intelectuais que o trabalho profissional, na cena contempor&#xE2;nea, vem exigindo dos assistentes sociais para que os mesmos, ao se debru&#xE7;arem sobre a an&#xE1;lise cr&#xED;tica da realidade social, pautem suas interven&#xE7;&#xF5;es profissionais nos valores e princ&#xED;pios elegidos pelo projeto profissional.
			</p>
			<p>Para a autora, o trabalho profissional expressa um movimento que envolve conhecimento e luta, &#x201C;[&#x2026;] sup&#xF5;e muito mais do que apenas a realiza&#xE7;&#xE3;o de rotinas institucionais, cumprimento de tarefas burocr&#xE1;ticas ou a simples reitera&#xE7;&#xE3;o do institu&#xED;do (
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">RAICHELIS, 2011</xref>, p. 428)&#x201D;. Ela afirma que, para al&#xE9;m das dimens&#xF5;es objetivas que conferem materialidade ao fazer profissional e que caracterizam a ger&#xEA;ncia do empregador sobre o trabalho do assistente social, &#xE9; preciso considerar tamb&#xE9;m as dimens&#xF5;es subjetivas que marcam a processualidade do cotidiano de trabalho, ou seja, identificar
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] o modo pelo qual o profissional incorpora na sua consci&#xEA;ncia o significado do seu trabalho, as representa&#xE7;&#xF5;es que faz da profiss&#xE3;o, as justificativas que elabora para legitimar a sua atividade &#x2014; que orientam a dire&#xE7;&#xE3;o social que imprime ao seu exerc&#xED;cio profissional (
					<xref ref-type="bibr" rid="B7">RAICHELIS, 2011</xref>, p. 429).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Raichelis (2011)</xref> trata a autonomia como uma quest&#xE3;o t&#xE9;cnica, mas que prescinde de amplo conhecimento, de an&#xE1;lises concretas do real, de um rigor te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gico que encaminhe o profissional a fazer leituras cr&#xED;ticas da realidade objetiva, a qual determina seu cotidiano profissional. A autora enfatiza que os conhecimentos e habilidades t&#xE9;cnicas se constituem nos meios para exercer a relativa autonomia profissional e, embora sejam propriedades dos/as assistentes sociais, suas possibilidades de pleno desenvolvimento tamb&#xE9;m s&#xE3;o condicionadas por um conjunto de determina&#xE7;&#xF5;es que tensionam o projeto profissional hegem&#xF4;nico, refletindo o conservadorismo profissional ainda existente e que vem sendo retomado na contemporaneidade.
			</p>
			<p>A nosso ver, as contribui&#xE7;&#xF5;es de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Raichelis (2011)</xref> s&#xE3;o imprescind&#xED;veis para o debate da relativa autonomia profissional, pois sua abordagem nos auxilia na compreens&#xE3;o sobre o significado da relativa autonomia no e para o trabalho do/a assistente social. Ao relacion&#xE1;-la &#xE0; dimens&#xE3;o te&#xF3;rico-pol&#xED;tica da profiss&#xE3;o, problematiza a inser&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social na divis&#xE3;o social do trabalho e os desafios que s&#xE3;o postos &#xE0; categoria profissional na contemporaneidade.
			</p>
			<p>Ao falarmos de conhecimento cr&#xED;tico que instrumentaliza para a an&#xE1;lise do real, falamos na articula&#xE7;&#xE3;o entre as tr&#xEA;s dimens&#xF5;es que fundamentam a forma&#xE7;&#xE3;o e o exerc&#xED;cio profissional do Servi&#xE7;o Social, ou seja, a dimens&#xE3;o te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica, a t&#xE9;cnico-operativa e a &#xE9;tico-pol&#xED;tica. De fato, estas s&#xE3;o as media&#xE7;&#xF5;es fundamentais para a apreens&#xE3;o dos n&#xFA;cleos dos processos sociais, os quais determinam a constru&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es concretas da categoria, que, mediadas pela polariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho profissional, revelam as marcas da dimens&#xE3;o pol&#xED;tica da atua&#xE7;&#xE3;o profissional cotidiana.</p>
			<p>Observa-se que o fio condutor que atravessa a abordagem da relativa autonomia evidencia que n&#xE3;o h&#xE1; como desvincul&#xE1;-la da instrumentalidade do exerc&#xED;cio profissional do/a assistente social. Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">GUERRA (2000)</xref>, a instrumentalidade articula e sintetiza as dimens&#xF5;es &#xE9;tico-pol&#xED;tica, te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica e t&#xE9;cnico-operativa da profiss&#xE3;o, referenciando o trabalho profissional. Dado que,
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] a instrumentalidade &#xE9; uma propriedade e/ou capacidade que a profiss&#xE3;o vai adquirindo na medida em que concretiza objetivos. Ela possibilita que os profissionais objetivem sua intencionalidade em respostas profissionais. &#xC9; por meio desta capacidade, adquirida no exerc&#xED;cio profissional, que os assistentes sociais modificam, transformam, alteram as condi&#xE7;&#xF5;es objetivas e subjetivas e as rela&#xE7;&#xF5;es interpessoais e sociais existentes num determinado n&#xED;vel da realidade social: no n&#xED;vel do cotidiano (
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">GUERRA, 2000</xref>, p. 2).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Assim sendo, a instrumentalidade n&#xE3;o se confunde com a instrumentaliza&#xE7;&#xE3;o t&#xE9;cnica, com os meios e instrumentos operacionais de trabalho, ela &#xE9; inerente ao trabalho social do/a assistente social, exprime um determinado modo de ser e atuar na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho, que particularmente o Servi&#xE7;o Social construiu e reconstr&#xF3;i cotidianamente no interior da reprodu&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es sociais capitalistas.</p>
			<p>Considerar a instrumentalidade nesta perspectiva significa tom&#xE1;-la como media&#xE7;&#xE3;o para a constru&#xE7;&#xE3;o e qualifica&#xE7;&#xE3;o das respostas profissionais, pois ela possibilita aos assistentes sociais perceberem criticamente o modo como operam sua utilidade social, problematizado-a, a ponto de fundamentar o exerc&#xED;cio da relativa autonomia. A instrumentalidade, ao articular os componentes da cultura profissional, os par&#xE2;metros &#xE9;ticos, a carga valorativa, o segmento pol&#xED;tico que atravessa o exerc&#xED;cio profissional permite transformar estes referenciais em instrumentos necess&#xE1;rios para a concretiza&#xE7;&#xE3;o de suas intencionalidades profissionais. Segundo Guerra,</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] tratar-se-&#xE1; aqui da instrumentalidade como uma media&#xE7;&#xE3;o que permite a passagem das a&#xE7;&#xF5;es meramente instrumentais para o exerc&#xED;cio profissional cr&#xED;tico e competente. Como media&#xE7;&#xE3;o, a instrumentalidade permite tamb&#xE9;m o movimento contr&#xE1;rio: que as refer&#xEA;ncias te&#xF3;ricas, explicativas da l&#xF3;gica e da din&#xE2;mica da sociedade, possam ser remetidas &#xE0; compreens&#xE3;o das particularidades do exerc&#xED;cio profissional e das singularidades do cotidiano. Aqui, a instrumentalidade sendo uma particularidade e, como tal, campo de media&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; o espa&#xE7;o no qual a cultura profissional se movimenta. Da cultura profissional os assistentes sociais recolhem e na instrumentalidade constroem os indicativos te&#xF3;rico-pr&#xE1;ticos de interven&#xE7;&#xE3;o imediata, o chamado instrumental-t&#xE9;cnico ou as ditas metodologias de a&#xE7;&#xE3;o (
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">GUERRA, 2000</xref>, p.12).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A nosso ver, esta compreens&#xE3;o &#xE9; t&#xE3;o indispens&#xE1;vel ao debate da relativa autonomia que n&#xE3;o podemos torn&#xE1;-la residual em nossa discuss&#xE3;o, &#xE9; preciso que a tenhamos como pano de fundo de nossas an&#xE1;lises.</p>
			<p>Seguindo esta linha de argumenta&#xE7;&#xE3;o temos o estudo de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Mota (2014)</xref>, que tematiza sobre as mudan&#xE7;as que v&#xEA;m ocorrendo nos espa&#xE7;os ocupacionais tradicionais e emergentes do Servi&#xE7;o Social, afirmando que o/a assistente social precisa captar as express&#xF5;es cotidianas e imediatas da nova realidade que se apresenta ao seu cotidiano de trabalho, como possibilidade de exercitar a sua relativa autonomia intelectual e t&#xE9;cnico-pol&#xED;tica sob a dire&#xE7;&#xE3;o do projeto &#xE9;tico-pol&#xED;tico profissional.
			</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Mota (2014)</xref> identifica que &#xE9; preciso tra&#xE7;ar estrat&#xE9;gias para que os avan&#xE7;os te&#xF3;rico-pol&#xED;ticos e acad&#xEA;micos do Servi&#xE7;o Social brasileiro, oriundos do processo de amadurecimento profissional, mantenham e fortale&#xE7;am a rela&#xE7;&#xE3;o de unidade com o exerc&#xED;cio e a forma&#xE7;&#xE3;o profissional. Isto deve ser a maior tarefa da categoria, em que pese o movimento do real expressar a n&#xED;tida contradi&#xE7;&#xE3;o entre a cultura profissional, cr&#xED;tica e de esquerda, com a din&#xE2;mica econ&#xF4;mico-pol&#xED;tica e institucional pr&#xF3;pria da sociabilidade do capital.
			</p>
			<p>A autora adverte que</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] o exerc&#xED;cio da sempre relativa autonomia profissional [&#x2026;] &#xE9; um esfor&#xE7;o cont&#xED;nuo que evidencia os limites e as possibilidades da interven&#xE7;&#xE3;o. Se do ponto de vista da inser&#xE7;&#xE3;o do profissional nos processos e rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho temos o estabelecimento da rela&#xE7;&#xE3;o de controle e subordina&#xE7;&#xE3;o, a natureza da relativa autonomia t&#xE9;cnica e te&#xF3;rico-pol&#xED;tica do profissional requer outras media&#xE7;&#xF5;es, afora a das rela&#xE7;&#xF5;es de trabalho (
					<xref ref-type="bibr" rid="B5">MOTA, 2014</xref>, p. 700).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Mota (2014)</xref> define a autonomia profissional como relativa autonomia t&#xE9;cnica e te&#xF3;rico-pol&#xED;tica, englobando, em seu exerc&#xED;cio, as tr&#xEA;s dimens&#xF5;es da profiss&#xE3;o a que j&#xE1; nos referimos. Para ela, &#xE9; necess&#xE1;rio que o sujeito profissional domine as categorias ontol&#xF3;gicas e reflexivas explicativas dos fen&#xF4;menos, possua conhecimento das suas manifesta&#xE7;&#xF5;es objetivas, e, ainda, acrescenta que o/a assistente social, sem sombra de d&#xFA;vidas, precisa ter o dom&#xED;nio institucional-legal das pol&#xED;ticas e dos processos a elas imbricados.
			</p>
			<p>Conforme a autora, o exerc&#xED;cio da relativa autonomia profissional traz ao/a assistente social a possibilidade de agir te&#xF3;rica e operativamente a partir de suas compet&#xEA;ncias profissionais, por meio de embasamento em s&#xED;nteses do real concreto, o agente profissional pode e deve problematizar as express&#xF5;es cotidianas e imediatas da realidade objetiva, que se constituem em demandas &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es e ao Servi&#xE7;o Social estabelecendo os nexos, rela&#xE7;&#xF5;es e media&#xE7;&#xF5;es entre o imediato e o mediato.</p>
			<p>A autora defende a necessidade de o/a assistente social exercitar sua capacidade de an&#xE1;lise sobre a experi&#xEA;ncia profissional cotidiana, para que o mesmo possa identificar e problematizar quais os aspectos da produ&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o da realidade s&#xE3;o ou podem ser tensionados pela a&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social.</p>
			<p>Em suas palavras:</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] &#xE9; preciso apanhar criticamente a imediaticidade dos fen&#xF4;menos, identificando as determina&#xE7;&#xF5;es subjacentes &#xE0;s demandas, desconstruindo-as e promovendo a produ&#xE7;&#xE3;o de conhecimentos e de refer&#xEA;ncias que balizem a interven&#xE7;&#xE3;o profissional. S&#xF3; com o fortalecimento da articula&#xE7;&#xE3;o entre o espa&#xE7;o acad&#xEA;mico e o profissional, preservando os limites e possibilidades de ambos, &#xE9; que os problemas cotidianos vividos pelos profissionais nas institui&#xE7;&#xF5;es podem redundar em ricas tem&#xE1;ticas de investiga&#xE7;&#xE3;o e pesquisa e retornar &#xE0; forma&#xE7;&#xE3;o e ao exerc&#xED;cio profissionais, superando o cotidiano ca&#xF3;tico e reificado dos espa&#xE7;os ocupacionais (
					<xref ref-type="bibr" rid="B5">MOTA, 2014</xref>, p. 703).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Ao fazer esta reflex&#xE3;o, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Mota (2014)</xref> contribui decisivamente para a problematiza&#xE7;&#xE3;o de nosso estudo, pois compartilhamos do pensamento da autora quando a mesma enfatiza que o exerc&#xED;cio da relativa autonomia profissional est&#xE1; ligado diretamente &#xE0; compet&#xEA;ncia intelectual dos profissionais do Servi&#xE7;o Social. Exercer a relativa autonomia profissional implica apreender os determinantes da realidade objetiva, que circunscrevem o trabalho do/a assistente social, para que a insufici&#xEA;ncia dessas reflex&#xF5;es n&#xE3;o promova a ofensiva neoconservadora no Servi&#xE7;o Social (
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">MOTA, 2014</xref>).
			</p>
			<p>Ainda avan&#xE7;ando na discuss&#xE3;o da relativa autonomia, no conjunto das obras selecionadas, destaca-se a pesquisa de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Nanci Sim&#xF5;es (2012)</xref>. Seu estudo tem como tem&#xE1;tica central a autonomia t&#xE9;cnica do/a assistente social. A autora conceitua inicialmente a autonomia t&#xE9;cnica no &#xE2;mbito da sociologia das profiss&#xF5;es, estabelecendo uma rela&#xE7;&#xE3;o com os par&#xE2;metros &#xE9;tico-normativos do Servi&#xE7;o Social, bem como recupera a concep&#xE7;&#xE3;o de autores do Servi&#xE7;o Social, os quais tamb&#xE9;m abordamos em nosso estudo.
			</p>
			<p>Em seu estudo, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Sim&#xF5;es (2012)</xref> recorre aos instrumentos normativos do Servi&#xE7;o Social: o C&#xF3;digo de &#xC9;tica de 1993, a Lei de Regulamenta&#xE7;&#xE3;o da Profiss&#xE3;o de 1993 e as Resolu&#xE7;&#xF5;es do conjunto CFESS/CRESS, tomando-os como aportes legais para a defesa, por parte dos/das assistentes sociais, de sua autonomia t&#xE9;cnica.
			</p>
			<p>Segundo suas an&#xE1;lises, a autonomia profissional, conceituada como autonomia t&#xE9;cnica, n&#xE3;o se restringe ao direito do profissional de exercer com liberdade a sua atividade profissional, mas ao dom&#xED;nio do conhecimento especializado que o assistente social adquire ao longo de sua forma&#xE7;&#xE3;o profissional, que envolve as tr&#xEA;s dimens&#xF5;es do exerc&#xED;cio profissional, isto &#xE9;: a te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica, a &#xE9;tico-pol&#xED;tica e a t&#xE9;cnico-operativa, particularizando a interven&#xE7;&#xE3;o do/a assistente social na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho.</p>
			<p>Em sua apreens&#xE3;o sobre a relativa autonomia, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Sim&#xF5;es (2012</xref>, p 23) afirma que
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] &#xE9; exatamente a autonomia t&#xE9;cnica que caracteriza a autonomia como relativa, pois se ela n&#xE3;o existisse poderia se afirmar que a autonomia do profissional &#xE9; nula, posto que ele n&#xE3;o disp&#xF5;e das condi&#xE7;&#xF5;es e meios necess&#xE1;rios para realizar a sua atividade profissional, dada a sua condi&#xE7;&#xE3;o de trabalhador assalariado.</p>
			</disp-quote>
			<p>A autora, ao reiterar a problematiza&#xE7;&#xE3;o da condi&#xE7;&#xE3;o de trabalhador assalariado do/a assistente social, bem como as implica&#xE7;&#xF5;es das redefini&#xE7;&#xF5;es atuais do mercado de trabalho profissional que alteram substancialmente as demandas e criam novos espa&#xE7;os de interven&#xE7;&#xE3;o, afirma que a condi&#xE7;&#xE3;o de assalariado do/a assistente social tensiona a sua autonomia, mas n&#xE3;o &#xE9; um impeditivo que inviabiliza o direito de exercer seu trabalho tomando como refer&#xEA;ncia seu conhecimento especializado. Por&#xE9;m, a autora adverte que a inviabiliza&#xE7;&#xE3;o da autonomia t&#xE9;cnica, ou sua redu&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; causada pelo processo de precariza&#xE7;&#xE3;o da forma&#xE7;&#xE3;o profissional e do trabalho do assistente social.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Sim&#xF5;es (2012)</xref> reconhece a autonomia t&#xE9;cnica do/a assistente social como uma via fundamental para que os valores profissionais expressos no Projeto &#xC9;tico-Pol&#xED;tico do Servi&#xE7;o Social sejam flagrados no cotidiano da atividade profissional.
			</p>
			<p>As interpreta&#xE7;&#xF5;es relacionadas &#xE0; relativa autonomia profissional, apresentadas at&#xE9; o momento, tomam como refer&#xEA;ncia o estudo de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Iamamoto e Carvalho (1998)</xref> e, apesar de trazerem elementos diferenciados, mant&#xEA;m em comum a necessidade de apreender o/a assistente social como trabalhador assalariado e indicar as implica&#xE7;&#xF5;es do processo de compra e venda de sua for&#xE7;a de trabalho.
			</p>
			<p>Ainda no universo do debate sobre a relativa autonomia, encontramos os estudos do advogado e professor Carlos Sim&#xF5;es, o qual desde 1980 leciona a disciplina de Direito e Legisla&#xE7;&#xE3;o Social do Departamento de Fundamentos da Faculdade de Servi&#xE7;o Social da PUC/SP (2009, 2010), cujas discuss&#xF5;es tamb&#xE9;m se encontram ligadas ao Servi&#xE7;o Social. Embora este autor n&#xE3;o seja propriamente um estudioso dos fundamentos s&#xF3;cio-hist&#xF3;ricos da profiss&#xE3;o, e n&#xE3;o fa&#xE7;a refer&#xEA;ncia, por exemplo, &#xE0; condi&#xE7;&#xE3;o de assalariamento, elementos que consideramos relevantes nesta discuss&#xE3;o, auxilia na problematiza&#xE7;&#xE3;o do nosso tema de estudo.</p>
			<p>Em suas exposi&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas, Sim&#xF5;es n&#xE3;o usa o termo relativa autonomia, mas sim autonomia profissional. Isto requer o devido cuidado para que n&#xE3;o se deixe deduzir que o/a assistente social possui, de fato, autonomia, desconsiderando sua inser&#xE7;&#xE3;o na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho. Nesse sentido, o autor compreende que &#x201C;a autonomia profissional &#xE9; uma prerrogativa, assegurada aos profissionais de n&#xED;vel superior que tendem &#xE0; especializa&#xE7;&#xE3;o, de exercerem suas compet&#xEA;ncias e atribui&#xE7;&#xF5;es privativas&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">SIM&#xD5;ES, 2009</xref>, p.406). Para ele, &#x201C;a autonomia no exerc&#xED;cio profissional do assistente social &#xE9; um direito e um dever, que por isso, nesse limite, sobrep&#xF5;e ao referido poder diretivo&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">SIM&#xD5;ES, 2009</xref>, p.406).
			</p>
			<p>Ainda afirma que, embora a institui&#xE7;&#xE3;o tente reduzir o campo da autonomia profissional a atividades meramente t&#xE9;cnicas, o/a profissional, para al&#xE9;m das requisi&#xE7;&#xF5;es t&#xE9;cnicas-profissionais, disp&#xF5;e da possibilidade de imprimir seu discernimento pessoal na condu&#xE7;&#xE3;o de seu exerc&#xED;cio profissional, exercendo seu direito de fundamentar sua interven&#xE7;&#xE3;o sob os princ&#xED;pios &#xE9;tico-pol&#xED;ticos que balizam o Servi&#xE7;o Social. Isto &#xE9;, o empregador pode at&#xE9; definir a &#xE1;rea de interven&#xE7;&#xE3;o ou a demanda a ser trabalhada, mas n&#xE3;o pode interferir no trabalho profissional propriamente dito; sua execu&#xE7;&#xE3;o, no que tange aos par&#xE2;metros de an&#xE1;lise, ju&#xED;zo de valor e discernimento do objeto de sua interven&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; facultada ao/a profissional (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">SIM&#xD5;ES, 2009</xref>).
			</p>
			<p>Na compreens&#xE3;o do autor, a autonomia profissional tamb&#xE9;m &#xE9; um dever do/a assistente social, &#xE0; medida que deve exprimir sua rela&#xE7;&#xE3;o para com o interesse da coletividade. Assim sendo, autonomia tamb&#xE9;m &#xE9; apreendida como dever, mantendo liga&#xE7;&#xE3;o direta com os princ&#xED;pios &#xE9;ticos que regem a dire&#xE7;&#xE3;o social estrat&#xE9;gica da profiss&#xE3;o.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Sim&#xF5;es (2009)</xref> argumenta que a autonomia profissional n&#xE3;o pode favorecer quaisquer condutas que se distanciem do papel social da profiss&#xE3;o, ou, ainda, que evidenciem interesses pessoais do profissional ou da institui&#xE7;&#xE3;o a qual representa, pois essa autonomia est&#xE1; voltada para garantir a defesa dos direitos sociais, dos interesses da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria, a fim de fortalecer o projeto profissional do Servi&#xE7;o Social.
			</p>
			<p>Para o autor, na atualidade, a autonomia profissional vem sendo tomada de forma despolitizada, desvinculada do compromisso com o interesse coletivo. Com as novas exig&#xEA;ncias do mercado de trabalho, a autonomia profissional tem sido confundida com o papel proativo do profissional, diante de sua capacidade individual e criativa de apontar solu&#xE7;&#xF5;es aos problemas existentes, demonstrando autogest&#xE3;o pessoal e liberdade privativa.</p>
			<p>A autonomia profissional, neste caso, n&#xE3;o se refere a um papel proativo do assistente social, mas deve ser apreendida como uma ferramenta que permite aos profissionais da &#xE1;rea exercerem suas compet&#xEA;ncias e atribui&#xE7;&#xF5;es privativas. Desse modo, para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Sim&#xF5;es (2009)</xref>, ela est&#xE1; resguardada pelo aparato legal da profiss&#xE3;o e est&#xE1; voltada &#xE0; perspectiva profissional de somar for&#xE7;as contr&#xE1;rias &#xE0; hegemonia dominante, imprimindo legitimidade ao trabalho profissional mediante o compromisso com a dire&#xE7;&#xE3;o social estrat&#xE9;gica do Servi&#xE7;o Social.
			</p>
			<p>A abordagem de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Sim&#xF5;es (2009)</xref> a nosso ver, ao n&#xE3;o fazer uso do termo relativa para caracterizar a autonomia profissional do/a assistente social, aparentemente, parte de uma vis&#xE3;o pragm&#xE1;tica que prega que o aparato jur&#xED;dico, por si s&#xF3;, garante o exerc&#xED;cio da autonomia, como se ela j&#xE1; estivesse pronta, acabada e assegurada independentemente das determina&#xE7;&#xF5;es da realidade objetiva.
			</p>
			<p>Do nosso ponto de vista, &#xE9; fundamental a apreens&#xE3;o da dimens&#xE3;o hist&#xF3;rica que permeia o exerc&#xED;cio da relativa autonomia. A Teoria Social Cr&#xED;tica afirma que o sujeito faz a hist&#xF3;ria, mas a faz mediante as condi&#xE7;&#xF5;es dadas, n&#xE3;o conforme suas intencionalidades e planejamentos inerentes &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o de seus objetivos.</p>
			<p>Ao longo de nossa discuss&#xE3;o, j&#xE1; afirmamos que, para al&#xE9;m do respaldo legal, a relativa autonomia pressup&#xF5;e um conjunto de media&#xE7;&#xF5;es que articula a dimens&#xE3;o pol&#xED;tico-organizativa da profiss&#xE3;o com as condi&#xE7;&#xF5;es objetivas que dinamizam o trabalho profissional. Evidenciamos, dessa forma, que o exerc&#xED;cio da relativa autonomia est&#xE1; assentado sob a contraditoriedade das rela&#xE7;&#xF5;es sociais capitalistas e seu exerc&#xED;cio pressup&#xF5;e muito mais que suporte normativo, discutido por 
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Sim&#xF5;es (2009)</xref>.
			</p>
			<p>Identificamos que o enfoque do autor aparece deslocado da totalidade social. Sabemos que a divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho estabelece pap&#xE9;is a serem desempenhados por cada profiss&#xE3;o, com um &#xFA;nico objetivo: reproduzir as rela&#xE7;&#xF5;es sociais capitalistas, mantendo intacta sua l&#xF3;gica acumulativa. Logo, neste quadro s&#xF3;cio-hist&#xF3;rico, nenhuma profiss&#xE3;o, mesmo que possua uma lei que preveja a autonomia profissional, como &#xE9; o caso do Servi&#xE7;o Social, tem a possibilidade efetiva de realizar concretamente suas perspectivas profissionais, sem que sejam tensionadas pelas exig&#xEA;ncias dos requisitos t&#xE9;cnico-profissionais impostos pela program&#xE1;tica institucional.</p>
			<p>Reconhecemos que o que est&#xE1; posto na Lei &#xE9; o previsto, n&#xE3;o o real. H&#xE1; uma dist&#xE2;ncia efetiva entre aquilo que no plano formal est&#xE1; consolidado e o que as condi&#xE7;&#xF5;es da realidade objetiva permitem realizar.</p>
			<p>Considerando esta assertiva, entendemos que o exerc&#xED;cio da relativa autonomia &#xE9; dinamizado por um processo contradit&#xF3;rio, que encerra em si a ess&#xEA;ncia da sociabilidade capitalista, refletindo um contexto cada vez mais alienante, antidemocr&#xE1;tico e que onera o trabalho demasiadamente, desconstruindo sua hist&#xF3;ria de resist&#xEA;ncias e conquistas. Por isso, o debate sobre a relativa autonomia constitui uma oportunidade indispens&#xE1;vel para que a categoria profissional possa refletir sobre os desafios colocados ao Servi&#xE7;o Social, que, na contemporaneidade, v&#xEA;m sendo retroalimentados ou elevados a patamares ainda mais ofensivos aos interesses da coletividade.</p>
			<p>&#xC9; exatamente o modo como a categoria profissional incorpora e analisa os n&#xFA;cleos processuais da realidade objetiva, refletindo sobre o alcance do trabalho profissional e sobre o papel que a profiss&#xE3;o desempenha na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho, que se pode construir, coletivamente, respostas e estrat&#xE9;gias profissionais que subsidiem o exerc&#xED;cio profissional, compreendendo, sobretudo, que o mesmo &#xE9; determinado e condicionado justamente, pelo movimento da realidade objetiva.</p>
			<p>&#xC9; not&#xF3;rio que o debate acerca da relativa autonomia profissional, na literatura especializada do Servi&#xE7;o Social, esbo&#xE7;a que seu exerc&#xED;cio transita pelo &#xE2;mbito da forma&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica, do respaldo t&#xE9;cnico-profissional, da media&#xE7;&#xE3;o &#xE9;tico-pol&#xED;tica, estando, de modo geral, conectado &#xE0; instrumentalidade do Servi&#xE7;o Social, isto &#xE9;, ao modo como a categoria atua na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho, potencializando a relativa autonomia mediante um projeto profissional coletivo, que reflete criticamente sobre os determinantes sociais que repousam sobre o exerc&#xED;cio profissional.</p>
			<p>Vemos que este direcionamento que permeia a problematiza&#xE7;&#xE3;o da relativa autonomia indica, sobretudo, a complementaridade das dimens&#xF5;es que fundamentam a forma&#xE7;&#xE3;o e o exerc&#xED;cio do profissional do Servi&#xE7;o Social. Este debate, t&#xE3;o rico de reflex&#xF5;es, aponta, ainda, que a relativa autonomia &#xE9; tensionada pelas condi&#xE7;&#xF5;es materiais que dinamizam o exerc&#xED;cio profissional do/a assistente social.</p>
			<p>O limite deste espa&#xE7;o discursivo n&#xE3;o nos permite aprofundar estes elementos que aqui expomos sumariamente. Cabe-nos apenas reafirmar que a atual conjuntura p&#xF5;e e rep&#xF5;e muitos desafios ao exerc&#xED;cio profissional do/a assistente social e &#xE9; preciso que o mesmo esteja preparado te&#xF3;rica e politicamente para enfrent&#xE1;-los. O exerc&#xED;cio profissional, na atualidade, est&#xE1; amplamente tensionado pelas determina&#xE7;&#xF5;es sociais e pol&#xED;ticas do capital mundializado; nesse sentido, afirmamos que a relativa autonomia n&#xE3;o &#xE9; suprimida do exerc&#xED;cio profissional, mas &#xE9; preciso referenci&#xE1;-la no debate profissional para que os/as profissionais possam encontrar respaldo t&#xE9;cnico-profissional e pol&#xED;tico necess&#xE1;rios para seu exerc&#xED;cio.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Aproxima&#xE7;&#xF5;es conclusivas</title>
			<p>As reflex&#xF5;es sintetizadas neste ensaio, sobre o tema da relativa autonomia, revelam as primeiras aproxima&#xE7;&#xF5;es de um tema bastante complexo e exige um estudo aprofundado sobre os elementos que circunscrevem as possibilidades de seu exerc&#xED;cio, para que os mesmos sejam devidamente apreendidos e problematizados. Foi a partir dessa compreens&#xE3;o que constru&#xED;mos nosso estudo de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o que abre espa&#xE7;o para estudos posteriores.</p>
			<p>As reflex&#xF5;es dos estudos aqui apontados constroem importantes reflex&#xF5;es sobre a conceitua&#xE7;&#xE3;o da relativa autonomia profissional, bem como sobre a possibilidade de o/a assistente social exerc&#xEA;-la no seu cotidiano de trabalho.</p>
			<p>Os aspectos por eles destacados nos permitem afirmar que o exerc&#xED;cio da relativa autonomia implica uma interven&#xE7;&#xE3;o profissional orientada pelas dimens&#xF5;es te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica, &#xE9;tico-pol&#xED;tica e t&#xE9;cnico-operativa que balizam o projeto profissional cr&#xED;tico. Em linhas gerais, pressup&#xF5;e a identifica&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es de vida dos sujeitos e as respostas do Estado para o enfrentamento das situa&#xE7;&#xF5;es sociais; requer, tamb&#xE9;m, o reconhecimento e o fortalecimento dos espa&#xE7;os e formas de luta e organiza&#xE7;&#xE3;o dos trabalhadores em defesa de seus direitos, formulando estrat&#xE9;gias coletivas para pressionar o Estado, com vistas a garantir os recursos financeiros materiais, t&#xE9;cnicos e humanos necess&#xE1;rios ao atendimento das demandas reais e potenciais da popula&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>Com isso, &#xE9; importante reafirmar que o exerc&#xED;cio da sempre relativa autonomia implica que o trabalho profissional seja pautado sob a dire&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica e ideopol&#xED;tica do Servi&#xE7;o Social, n&#xE3;o se desvencilhando do ide&#xE1;rio da profiss&#xE3;o que p&#xF5;e em cheque a vis&#xE3;o messi&#xE2;nica e fatalista que ainda hoje impregna a profiss&#xE3;o. Este suporte dota o/a profissional de uma percep&#xE7;&#xE3;o diferenciada sobre a din&#xE2;mica s&#xF3;cio-ocupacional, fazendo com que ele acolha e enfrente as novas compet&#xEA;ncias e demandas postas pela ofensiva capitalista, sem perder de vista sua capacidade de proposi&#xE7;&#xE3;o e a an&#xE1;lise cr&#xED;tica do real.</p>
			<p>Nesse sentido, o exerc&#xED;cio de aproxima&#xE7;&#xF5;es sucessivas nos permitiu compreender que a relativa autonomia pressup&#xF5;e a articula&#xE7;&#xE3;o de alguns elementos indissoci&#xE1;veis: a proje&#xE7;&#xE3;o &#xE9;tico-pol&#xED;tica da profiss&#xE3;o, que exprime, sobretudo, o compromisso com os interesses da classe trabalhadora; a forma&#xE7;&#xE3;o profissional cr&#xED;tica, que estimula o car&#xE1;ter investigativo da profiss&#xE3;o e que direciona os/as profissionais a apreenderem a complexidade da realidade objetiva; e o conjunto de a&#xE7;&#xF5;es constru&#xED;das coletivamente, que apontam os caminhos e estrat&#xE9;gias para que, no cotidiano de trabalho, os/as assistentes sociais possam visualizar respostas que captem as demandas reais e potenciais da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria.</p>
			<p>Esta postura expressa nitidamente que, para fortalecer o exerc&#xED;cio da relativa autonomia profissional, &#xE9; preciso avan&#xE7;ar na problematiza&#xE7;&#xE3;o das compet&#xEA;ncias e atribui&#xE7;&#xF5;es profissionais, considerando as manifesta&#xE7;&#xF5;es contempor&#xE2;neas da quest&#xE3;o social e as respostas que o Estado d&#xE1; frente ao redimensionamento e aprofundamento de suas contradi&#xE7;&#xF5;es que retroalimentam o projeto conservador e alienante do capital. Nesta dire&#xE7;&#xE3;o, a leitura cr&#xED;tica da realidade &#xE9; fundamental e precisa ser transversal ao exerc&#xED;cio profissional, expressando, sobretudo, a relativa autonomia t&#xE9;cnica, te&#xF3;rica e intelectual da profiss&#xE3;o.</p>
			<p>Consideramos que a relativa autonomia est&#xE1; em cont&#xED;nua constru&#xE7;&#xE3;o e que seu exerc&#xED;cio &#xE9; obstaculizado pela din&#xE2;mica contradit&#xF3;ria do capital. Com isso, insistimos que &#xE9; preciso, problematiz&#xE1;-la e t&#xEA;-la como ferramenta de trabalho, que a orienta partir da dire&#xE7;&#xE3;o social estrat&#xE9;gica da profiss&#xE3;o.</p>
			<p>Isso n&#xE3;o significa considerar que a relativa autonomia esteja acima das determina&#xE7;&#xF5;es socioinstitucionais, a relativa autonomia &#xE9; permeada, diametralmente, pela dimens&#xE3;o subjetiva e objetiva, ambas apresentando-se como partes de um todo indissoci&#xE1;vel.</p>
			<p>Para efeitos conclusivos, reafirmamos que a relativa autonomia constitui um componente de resist&#xEA;ncia da profiss&#xE3;o, que, a partir da forma&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica, propicia a problematiza&#xE7;&#xE3;o dos dilemas sociopol&#xED;ticos da atual conjuntura, articulando a dire&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rico-pol&#xED;tica e t&#xE9;cnico-instrumental como suporte ao exerc&#xED;cio profissional, mesmo em meio a uma realidade adversa ao projeto emancipat&#xF3;rio do trabalho.</p>
			<p>&#xC9; neste ambiente contradit&#xF3;rio que se reivindica a necessidade de fortalecimento do debate da relativa autonomia, particularmente no que tange &#xE0; sua rela&#xE7;&#xE3;o com a instrumentalidade do Servi&#xE7;o Social. Como adverte, categoricamente, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Mota (2012</xref>, p. 38), &#xE9; necess&#xE1;rio
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] fortalecer o n&#xFA;cleo te&#xF3;rico, estrat&#xE9;gico e pol&#xED;tico do Servi&#xE7;o Social, n&#xE3;o restringindo sua a&#xE7;&#xE3;o profissional e intelectual aos limites da interven&#xE7;&#xE3;o poss&#xED;vel. Se em determinadas conjunturas n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel avan&#xE7;ar no plano pr&#xE1;tico operativo, certamente o ser&#xE1; no plano intelectivo, de modo a se constru&#xED;rem aportes te&#xF3;ricos e propostas estrat&#xE9;gicas e t&#xE1;ticas que fortale&#xE7;am as pr&#xE1;ticas sociais e profissionais.</p>
			</disp-quote>
			<p>Tratar-se-ia de uma busca constante por uma a&#xE7;&#xE3;o profissional politizada, compromissada com as bandeiras de luta da classe trabalhadora e que procure desmitificar a realidade objetiva, n&#xE3;o reproduzindo acriticamente as demandas e requisi&#xE7;&#xF5;es que s&#xE3;o impostas no &#xE2;mbito dos espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais, questionando inclusive as condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho &#xE0;s quais a categoria &#xE9; submetida.</p>
			<p>N&#xE3;o esque&#xE7;amos que o mesmo cen&#xE1;rio que se apresenta como uma arena aberta ao movimento antag&#xF4;nico entre os interesses do capital e o projeto de emancipa&#xE7;&#xE3;o da classe trabalhadora, configura-se como um campo de resist&#xEA;ncias que permite &#xE0; categoria de assistentes sociais continuar a perseguir seu ide&#xE1;rio de profiss&#xE3;o.</p>
		</sec>
	</body>
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			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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					<article-title>A instrumentalidade no trabalho do assistente social</article-title>
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						<bold>Cadernos do CEAD</bold> - Curso de Especializa&#xE7;&#xE3;o &#xE0; Dist&#xE2;ncia em Pol&#xED;ticas Sociais, UNB, ABEPSS/CFESS
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					<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 20 jul. 2015</date-in-citation>
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