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				<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.2.27920</article-id>
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					<subject>Servi&#xE7;o Social, Trabalho e Forma&#xE7;&#xE3;o</subject>
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				<article-title>Dimens&#xE3;o Socioeducativa do Trabalho do Assistente Social no Judici&#xE1;rio: contradi&#xE7;&#xF5;es e perspectivas</article-title>
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					<trans-title>Socio-educational Dimension of Social Assistant&#x27;s Work in the Judiciary: contradictions and perspectives</trans-title>
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					<email>bruna.bonalume@hotmail.com</email>
					<institution content-type="original">Assistente social, doutoranda em Servi&#xE7;o Social pela Universidade Estadual J&#xFA;lio Mesquita Filho (UNESP), Campus de Franca. Mestre em Sa&#xFA;de Coletiva pela Universidade Estadual J&#xFA;lio Mesquita Filho - UNESP, Campus de Botucatu, Assistente Social do Tribunal de Justi&#xE7;a do Estado de S&#xE3;o Paulo, docente da Unifac &#x2013; Fib&#xB4;s Botucatu. S&#xE3;o Manuel-SP/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/9027325114618287. E-mail: bruna.bonalume@hotmail.com.</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade Estadual J&#xFA;lio Mesquita Filho</institution>
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					<institution content-type="normalized">Universidade Estadual Paulista</institution>
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					<institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Ci&#xEA;ncias Humanas e Sociais</institution>
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					<email>drigiaqueto@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Doutora em Servi&#xE7;o Social pela Universidade Estadual Paulista J&#xFA;lio Mesquita Filho &#x2013; (UNESP), Campus de Franca. Docente da gradua&#xE7;&#xE3;o e p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social na Faculdade de Ci&#xEA;ncias Humanas e Sociais (FCHS) da UNESP/Franca, L&#xED;der do GEDUCAS (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre a Dimens&#xE3;o Educativa no Trabalho Social), Franca &#x2013; SP/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/4041167773252557. E-mail: drigiaqueto@gmail.com.</institution>
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				<month>05</month>
				<year>2019</year>
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				<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Aug-Dec</season>
				<year>2017</year>
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			<volume>16</volume>
			<issue>2</issue>
			<fpage>414</fpage>
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					<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O presente artigo tem como objetivo propor uma reflex&#xE3;o te&#xF3;rica sobre a dimens&#xE3;o socioeducativa do trabalho do assistente social no &#xE2;mbito do judici&#xE1;rio, face &#xE0;s requisi&#xE7;&#xF5;es institucionais postas ao Servi&#xE7;o Social nesse espa&#xE7;o s&#xF3;cio-ocupacional. Requisi&#xE7;&#xF5;es essas que revelam a necessidade de produzir pr&#xE1;ticas punitivas, tendendo &#xE0; criminaliza&#xE7;&#xE3;o da pobreza e &#xE0; sustenta&#xE7;&#xE3;o do perverso modelo da ordem vigente do capital. Discutir a dimens&#xE3;o socioeducativa, em um cen&#xE1;rio t&#xE3;o complexo e contradit&#xF3;rio, implica trazer &#xE0; tona o compromisso profissional com a efetiva&#xE7;&#xE3;o de um trabalho alicer&#xE7;ado na perspectiva cr&#xED;tica e no enfrentamento dos modelos tradicionais de vi&#xE9;s conservador/moralizante.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article proposes a theoretical reflection on the socio-educational dimension importance of social assistant&#x27;s work within the judiciary, in view of the institutional demands placed on Social Service in this socio-occupational space. These demands reveal the need to produce punitive practices tending to criminalize poverty and support the prevailing order of capital perverse model. Thus discussing the socio-educational dimension in such complex and contradictory scenario, seeks to illuminate the professional commitment to the practice based on critical perspective and confrontation of the traditional models of conservative/moralizing bias.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave</title>
				<kwd>Quest&#xE3;o social</kwd>
				<kwd>Judici&#xE1;rio</kwd>
				<kwd>Dimens&#xE3;o socioeducativa</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>Keywords</title>
				<kwd>Social issue</kwd>
				<kwd>Judiciary</kwd>
				<kwd>Socio-educational dimension</kwd>
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	<body>
		<disp-quote>
			<p>O momento em que vivemos &#xE9; um momento pleno de desafios. Mais do que nunca &#xE9; preciso ter coragem, &#xE9; preciso ter esperan&#xE7;as para enfrentar o presente. &#xC9; preciso resistir e sonhar (IAMAMOTO).</p>
		</disp-quote>
		<p>O Servi&#xE7;o Social &#xE9; permeado por in&#xFA;meros desafios que atravessam o cotidiano profissional nos diversos espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais, em um tempo presente marcado pelo retrocesso dos direitos sociais, o avan&#xE7;o do controle social regido pela ordem burguesa e que atinge &#x201C;visceralmente a vida dos sujeitos numa &#x2018;luta aberta e surda pela cidadania&#x2019; (
			<xref ref-type="bibr" rid="B17">IANNI, 1992</xref>), no embate pelo respeito aos direitos civis, sociais e pol&#xED;ticos e aos direitos humanos&#x201D; (
			<xref ref-type="bibr" rid="B12">IAMAMOTO, 2005</xref>, p. 19).
		</p>
		<p>Como se n&#xE3;o bastasse, estamos assistindo &#x201C;bestializados, na contemporaneidade, a reedi&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas conservadoras no trato dos sujeitos que vivenciam as mais diversas express&#xF5;es da quest&#xE3;o social&#x201D;. (
			<xref ref-type="bibr" rid="B5">BARISON, 2014</xref>, p. 16)
		</p>
		<p>Para 
			<xref ref-type="bibr" rid="B16">Iamamoto (2001)</xref> a quest&#xE3;o social diz respeito ao conjunto das express&#xF5;es das desigualdades sociais engendradas na sociedade capitalista, onde a classe trabalhadora, por meio da sua for&#xE7;a de trabalho, produz riquezas e bens que ser&#xE3;o apropriados e acumulados por uma dada classe dominante, em um contexto em que acumula&#xE7;&#xE3;o de capital n&#xE3;o equivale &#xE0; igualdade, ainda que esta &#xFA;ltima esteja garantida juridicamente a todos os cidad&#xE3;os.
		</p>
		<p>A autora destaca ainda que:</p>
		<disp-quote>
			<p>[&#x2026;] a quest&#xE3;o social n&#xE3;o &#xE9; sen&#xE3;o as express&#xF5;es do processo de forma&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento da classe oper&#xE1;ria e de seu ingresso no cen&#xE1;rio pol&#xED;tico da sociedade, exigindo seu reconhecimento como classe por parte do empresariado e do Estado. &#xC9; a manifesta&#xE7;&#xE3;o, no cotidiano da vida social, da contradi&#xE7;&#xE3;o entre o proletariado e a burguesia, a qual passa a exigir outros tipos de interven&#xE7;&#xE3;o, mais al&#xE9;m da caridade e repress&#xE3;o. O Estado passa a intervir diretamente nas rela&#xE7;&#xF5;es entre empresariado e classe trabalhadora, estabelecendo n&#xE3;o s&#xF3; uma regulamenta&#xE7;&#xE3;o jur&#xED;dica do mercado de trabalho, atrav&#xE9;s da legisla&#xE7;&#xE3;o social e trabalhista espec&#xED;ficas, mas gerindo a organiza&#xE7;&#xE3;o e presta&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os sociais, como um novo tipo de enfrentamento da quest&#xE3;o social. Assim, as condi&#xE7;&#xF5;es de vida e trabalho dos trabalhadores j&#xE1; n&#xE3;o podem ser desconsideradas inteiramente na formula&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas sociais, como garantia de bases de sustenta&#xE7;&#xE3;o do poder de classe sobre o conjunto da sociedade. O Estado busca enfrentar, tamb&#xE9;m, atrav&#xE9;s de medidas previstas nessas pol&#xED;ticas e concretizadas na aplica&#xE7;&#xE3;o da legisla&#xE7;&#xE3;o e na implementa&#xE7;&#xE3;o dos servi&#xE7;os sociais, o processo de pauperiza&#xE7;&#xE3;o absoluta ou relativa do crescente contingente da classe trabalhadora urbana, engrossando com a expans&#xE3;o industrial, como elemento necess&#xE1;rio &#xE0; garantia dos n&#xED;veis de produtividade do trabalho exigidos nesse est&#xE1;gio de expans&#xE3;o do capital (
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">IAMAMOTO, 2014</xref>, p. 84).
			</p>
		</disp-quote>
		<p>As mudan&#xE7;as no modo de produ&#xE7;&#xE3;o, nos modelos fordismo, taylorismo e toyotismo, que s&#xE3;o destacados por autores como 
			<xref ref-type="bibr" rid="B24">Netto (2011)</xref>, Antunes (2011), 
			<xref ref-type="bibr" rid="B4">Alves (2011)</xref>, Iamamoto (2008), entre outros, v&#xE3;o afetar diretamente n&#xE3;o s&#xF3; as rela&#xE7;&#xF5;es de produ&#xE7;&#xE3;o como tamb&#xE9;m de reprodu&#xE7;&#xE3;o social. &#xC9; a chamada reestrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva, que passa a exigir um trabalhador polivalente, o qual executa trabalhos mecanicistas, repetitivos, al&#xE9;m de cumprir longas jornadas acrescidas de horas extras, em um cen&#xE1;rio de precariza&#xE7;&#xE3;o e intenso processo de explora&#xE7;&#xE3;o da sua m&#xE3;o de obra, e, ao t&#xE9;rmino desse ciclo, acaba por receber m&#xED;seros sal&#xE1;rios. Mas o que est&#xE1; no centro dessa discuss&#xE3;o &#xE9; de que maneira isso atravessa a vida do trabalhador? Quais as consequ&#xEA;ncias desse modo de produ&#xE7;&#xE3;o capitalista e suas repercuss&#xF5;es na cena contempor&#xE2;nea? &#xC9; v&#xE1;lido frisar que com a expans&#xE3;o da ideologia neoliberal, em meados dos anos 1980, tem-se o agravamento das express&#xF5;es da quest&#xE3;o social.
		</p>
		<p>Para 
			<xref ref-type="bibr" rid="B22">Netto (2013</xref>, p. 25):
		</p>
		<disp-quote>
			<p>O desenvolvimento capitalista engendra, compulsoriamente, a quest&#xE3;o social &#x2013; diferentes est&#xE1;gios capitalistas produzem diferentes manifesta&#xE7;&#xF5;es da quest&#xE3;o social; esta &#xE9; sequela adjetiva ou transit&#xF3;ria do regime do capital: sua exist&#xEA;ncia e suas manifesta&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o indissoci&#xE1;veis da din&#xE2;mica espec&#xED;fica do capital tornado pot&#xEA;ncia social dominante. A quest&#xE3;o social &#xE9; constitutiva do desenvolvimento do capitalismo. N&#xE3;o se soluciona a primeira conservando-se o segundo.</p>
		</disp-quote>
		<p>Nessa perspectiva, 
			<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pastorini (2010</xref>, p.111) afirma que a quest&#xE3;o social possui tr&#xEA;s pilares: o primeiro refere que est&#xE1; intimamente ligada &#xE0; &#x201C;rela&#xE7;&#xE3;o capital versus trabalho&#x201D; de explora&#xE7;&#xE3;o. J&#xE1; o segundo, vincula-a com os problemas e grupos sociais que podem &#x201C;colocar em xeque a ordem socialmente estabelecida&#x201D; e, por fim, o terceiro trata que &#xE9; express&#xE3;o das manifesta&#xE7;&#xF5;es das &#x201C;desigualdades e antagonismos&#x201D; das pr&#xF3;prias contradi&#xE7;&#xF5;es da sociedade capitalista.
		</p>
		<p>Nessas contradi&#xE7;&#xF5;es encontra-se o Estado, que estabelece uma rela&#xE7;&#xE3;o de conveni&#xEA;ncia com o mercado e opta por encolher sua &#x201C;a&#xE7;&#xE3;o reguladora&#x201D;. Portanto, tem-se um novo papel, o chamado &#x201C;Estado M&#xED;nimo&#x201D; que, nos estudos de 
			<xref ref-type="bibr" rid="B23">Netto (2012)</xref>, pode ser identificado como &#x201C;m&#xED;nimo para o social e m&#xE1;ximo para o capital&#x201D;, ou seja, um Estado que limita suas interven&#xE7;&#xF5;es com base na defesa do capital, do processo econ&#xF4;mico do pa&#xED;s e do seu desenvolvimento, mesmo que para isso tenha que colocar em risco a vida do trabalhador.
		</p>
		<p>Ao mesmo passo, cria pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas sociais que n&#xE3;o superam sua abordagem fragmentada e reparat&#xF3;ria, ao contr&#xE1;rio, s&#xE3;o concebidas na l&#xF3;gica do favor, da ajuda, na &#xF3;tica de um governo paternalista com a&#xE7;&#xF5;es de cunho filantr&#xF3;pico. Prevalece um Estado pautado num sistema opressor que visa ao crescimento do mercado, com uma popula&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s margens da subalternidade, mascarado, ainda, por um discurso de democracia e participa&#xE7;&#xE3;o social.</p>
		<p>No referencial gramsciano, citado por 
			<xref ref-type="bibr" rid="B27">Simionatto (2009)</xref>,
		</p>
		<disp-quote>
			<p>[&#x2026;] o Estado anula muitas autonomias das classes subalternas, pois a ditadura moderna ou contempor&#xE2;nea, ao mesmo tempo em que suprime algumas formas de autonomia de classe, empenha-se em incorpor&#xE1;-las na atividade estatal: isto &#xE9;, centralidade de toda a vida nacional nas m&#xE3;os das classes dominantes torna-se fren&#xE9;tica e absorvente (GRAMSCI, 1977, p.303 apud SIMINONATTO, 2009 p. 42).</p>
		</disp-quote>
		<p>Ainda, na linguagem gramsciana, pode-se dizer que o Estado</p>
		<disp-quote>
			<p>[&#x2026;] &#x201C;educa para o consenso&#x201D; atrav&#xE9;s dos aparelhos privados de hegemonia, especialmente atrav&#xE9;s dos meios televisivos e dos grandes monop&#xF3;lios privados da m&#xED;dia, mecanismos fortalecedores da fragmenta&#xE7;&#xE3;o social das classes subalternas, criando um novo senso comum&#x201D;, do qual s&#xE3;o expelidos a pol&#xED;tica, a participa&#xE7;&#xE3;o, a vida em rela&#xE7;&#xE3;o aos outros, o sentido de comunidade (LIGUORI, 2003, p. 186).</p>
		</disp-quote>
		<p>Tal fato aprofunda o processo de aliena&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos, fazendo com que n&#xE3;o tenham o despertar cr&#xED;tico em rela&#xE7;&#xE3;o ao meio social em que est&#xE3;o inseridos, consequentemente, a explora&#xE7;&#xE3;o vivenciada, a precariza&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es vida e trabalho, o pagamento por altos impostos e juros infind&#xE1;veis acabam naturalizando-se na luta di&#xE1;ria pela sobreviv&#xEA;ncia. Isso sem contar o controle do governo, que ganha refor&#xE7;o com a perversa manipula&#xE7;&#xE3;o midi&#xE1;tica. Desse modo, o processo de aliena&#xE7;&#xE3;o pode ser considerado dominante &#xE0; medida que uma classe se apropria da outra. Para Scherer (2013, p.97), esse movimento tem como finalidade 
			<italic>&#x201C;</italic>separar a dimens&#xE3;o humana do homem, para melhor domin&#xE1;-lo, sempre tendo como finalidade o lucro, a gera&#xE7;&#xE3;o de excedentes&#x201D;.
		</p>
		<p>
			<xref ref-type="bibr" rid="B24">Netto (2011)</xref> ressalta que h&#xE1; uma emerg&#xEA;ncia de se entender e decifrar as express&#xF5;es da quest&#xE3;o social que se apresentam no mundo contempor&#xE2;neo, para que se possa pensar em estrat&#xE9;gias de enfrentamento e constru&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas capazes de ampliar o acesso aos direitos e redesenhar a l&#xF3;gica da justi&#xE7;a social.
		</p>
		<p>&#xC9; nessa trama, nesse cen&#xE1;rio t&#xE3;o complexo e contradit&#xF3;rio, que se insere o assistente social. Para 
			<xref ref-type="bibr" rid="B14">Iamamoto (2009)</xref>, os espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais da categoria profissional t&#xEA;m lugar no Estado &#x2013; nas esferas do poder executivo, legislativo e no judici&#xE1;rio, assim como nas empresas capitalistas e no terceiro setor. A autora destaca que &#x201C;esses distintos espa&#xE7;os s&#xE3;o dotados de racionalidades e fun&#xE7;&#xF5;es distintas na divis&#xE3;o social e t&#xE9;cnica do trabalho, porquanto implicam rela&#xE7;&#xF5;es sociais de natureza particular, capitaneadas por diferentes sujeitos sociais&#x201D; (2009, p. 5)
		</p>
		<p>Assim, as requisi&#xE7;&#xF5;es postas nesses diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais exigem dos assistentes sociais um agir profissional pautado nos preceitos estabelecidos pelo C&#xF3;digo de &#xC9;tica, na Lei de Regulamenta&#xE7;&#xE3;o da profiss&#xE3;o, com base no seu Projeto &#xC9;tico Pol&#xED;tico, em defesa do aprofundamento da democracia e da participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade civil nas decis&#xF5;es p&#xFA;blicas, em favor da equidade e justi&#xE7;a social, com posicionamento cr&#xED;tico que assegure a universalidade de acesso aos bens e servi&#xE7;os relativos aos programas e pol&#xED;ticas sociais, bem como sua gest&#xE3;o democr&#xE1;tica.</p>
		<p>Para tanto, 
			<xref ref-type="bibr" rid="B15">Iamamoto (2007)</xref> ressalta a necessidade de um novo perfil profissional que tenha por base a compet&#xEA;ncia cr&#xED;tica e afirma que:
		</p>
		<disp-quote>
			<p>Exige-se um profissional qualificado, que reforce e amplie a sua compet&#xEA;ncia cr&#xED;tica; n&#xE3;o s&#xF3; executivo, mas que pensa, analisa, pesquisa e decifra a realidade. Alimentado por uma atitude investigativa, o exerc&#xED;cio profissional cotidiano tem ampliadas as possibilidades de vislumbrar novas alternativas de trabalho, nesse momento de profundas altera&#xE7;&#xF5;es na vida em sociedade. O novo perfil que busca construir &#xE9; de um profissional afinado com a an&#xE1;lise dos processos sociais, tanto em dimens&#xF5;es macrosc&#xF3;picas quanto em suas manifesta&#xE7;&#xF5;es quotidianas; um profissional criativo e inventivo, capaz de entender o &#x201C;tempo presente, os homens presentes, a vida presente&#x201D; e nele atuar contribuindo, tamb&#xE9;m, para moldar os rumos de sua hist&#xF3;ria (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">IAMAMOTTO, 2005</xref>, p. 49).
			</p>
		</disp-quote>
		<p>Outro aspecto apontado por 
			<xref ref-type="bibr" rid="B19">Martinelli e Koumrouyan (1994</xref>, p.13) refere-se a que &#x201C;[&#x2026;] as a&#xE7;&#xF5;es profissionais por serem tecidas no cotidiano, n&#xE3;o podem ser repetitivas, rotineiras e esvaziadas de sentido, ao contr&#xE1;rio &#xE9; justamente da&#xED; que adv&#xE9;m a sua preciosidade&#x201D;, ou seja, por se darem exatamente na trama do cotidiano &#xE9; que a pr&#xE1;tica profissional se constr&#xF3;i nas &#x201C;tramas do real&#x201D;. Cotidiano esse que se constitui em um momento pleno de desafios e remete &#xE0; luta no campo democr&#xE1;tico-popular por direitos que acumulem for&#xE7;as pol&#xED;ticas, bases organizativas e conquistas materiais e sociais capazes de dinamizar a luta contra-hegem&#xF4;nica no horizonte de uma nova ordem societ&#xE1;ria (
			<xref ref-type="bibr" rid="B15">IAMAMOTO, 2007</xref>).
		</p>
		<p>Com base nessas discuss&#xF5;es introdut&#xF3;rias, o presente artigo tem por objetivo propor reflex&#xF5;es que pretendem elucidar o trabalho profissional no &#xE2;mbito do judici&#xE1;rio e, a partir desse conte&#xFA;do, destacar a import&#xE2;ncia da dimens&#xE3;o socioeducativa, face &#xE0;s requisi&#xE7;&#xF5;es institucionais postas ao Servi&#xE7;o Social nesse espa&#xE7;o s&#xF3;cio-ocupacional.</p>
		<sec>
			<title>Judicializa&#xE7;&#xE3;o e criminaliza&#xE7;&#xE3;o da pobreza: a perversa face de um estado burgu&#xEA;s</title>
			<disp-quote>
				<p>A maior de todas as viol&#xEA;ncias do Estado &#xE9; o pr&#xF3;prio Estado. Ele &#xE9;, antes de tudo, uma for&#xE7;a que sai da sociedade e se volta contra ela como um poder estranho que a subjuga, um poder que &#xE9; obrigado a se revestir de aparatos armados, de pris&#xF5;es e de um ordenamento jur&#xED;dico que legitime a opress&#xE3;o de uma classe sobre outra (MAURO IASI).</p>
			</disp-quote>
			<p>Contextualizar o debate cr&#xED;tico frente ao agravamento da quest&#xE3;o social, nos marcos do modo de produ&#xE7;&#xE3;o capitalista, sinaliza que estamos diante de uma sociedade que legitima a explora&#xE7;&#xE3;o de uma classe sobre a outra e coloca a classe trabalhadora em condi&#xE7;&#xE3;o de subalternidade, controla e reproduz a desigualdade social, naturaliza e criminaliza o processo da pobreza.</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">Simionatto (2009</xref>, p. 42), amparada no referencial gramsciano, destaca que
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] a categoria &#x2018;subalterno&#x2019; e o conceito de &#x2018;subalternidade&#x2019; t&#xEA;m sido utilizados, contemporaneamente, na an&#xE1;lise de fen&#xF4;menos sociopol&#xED;ticos e culturais, normalmente para descrever as condi&#xE7;&#xF5;es de vida de grupos e camadas de classe em situa&#xE7;&#xF5;es de explora&#xE7;&#xE3;o ou destitu&#xED;dos dos meios suficientes para uma vida digna.</p>
			</disp-quote>
			<p>Com base nessa discuss&#xE3;o, a autora enfatiza &#x201C;que um dos espa&#xE7;os de express&#xE3;o da domina&#xE7;&#xE3;o constitui-se, sem d&#xFA;vida, no pr&#xF3;prio Estado&#x201D;, que se configura como &#x201C;unidade hist&#xF3;rica das classes dirigentes&#x201D;, constru&#xED;do e consolidado na l&#xF3;gica burguesa, impondo, de forma soberana, o seu projeto ideol&#xF3;gico para o conjunto da sociedade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B27">SIMIONATTO, 2009</xref>, p. 42). A vida estatal &#xE9; concebida por Gramsci
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] de modo din&#xE2;mico e processual, &#x201C;como cont&#xED;nua forma&#xE7;&#xE3;o e supera&#xE7;&#xE3;o de equil&#xED;brios inst&#xE1;veis [&#x2026;] entre os interesses do grupo fundamental e os interesses dos grupos subordinados.&#x201D; Isso significa que os interesses do grupo dominante e os dos grupos dominados &#x201C;implicam-se reciprocamente [&#x2026;] horizontal e verticalmente&#x201D;, de acordo com a organiza&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica e pol&#xED;tica de cada Estado-na&#xE7;&#xE3;o. O Estado consiste, ainda, em &#x201C;todo o complexo de atividades pr&#xE1;ticas e te&#xF3;ricas com os quais a classe dirigente n&#xE3;o s&#xF3; justifica e mant&#xE9;m o seu dom&#xED;nio, mas consegue obter o consenso ativo dos governados&#x201D; (GRAMSCI, 2000, p. 331 apud 
					<xref ref-type="bibr" rid="B27">SIMINONATTO, 2009</xref> p. 42).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Neste contexto, tem-se um Estado voltado &#xE0; administra&#xE7;&#xE3;o da ordem estabelecida pelos ditames do capital, acentuando, portanto, o seu papel de controle e repress&#xE3;o na busca de legitimar o consenso entre as classes sociais. 
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">M&#xE9;z&#xE1;ros (2011</xref>, p. 106) enfatiza o papel complementar e insepar&#xE1;vel desempenhado pelo Estado na l&#xF3;gica da produ&#xE7;&#xE3;o. Para o autor, &#x201C;o Estado moderno imensamente poderoso &#x2013; e igualmente totalizador &#x2013; se ergue sobre a base desse metabolismo socioecon&#xF4;mico que tudo engole&#x201D;, complementa, ainda, que &#x201C;a forma&#xE7;&#xE3;o do Estado Moderno &#xE9; uma exig&#xEA;ncia absoluta para assegurar e proteger permanentemente a produtividade do sistema&#x201D;.
			</p>
			<p>Estar&#xED;amos, portanto, imersos em um complexo campo de contradi&#xE7;&#xF5;es frente a um Estado Burgu&#xEA;s que favorece o modo de produ&#xE7;&#xE3;o capitalista, a divis&#xE3;o da sociedade em classes e a manuten&#xE7;&#xE3;o da pobreza, sob a perversa l&#xF3;gica de garantir a ordem j&#xE1; estabelecida. Sobre esse car&#xE1;ter contradit&#xF3;rio, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Ianni (1992)</xref> acrescenta que, embora o Estado represente os ditames da classe dominante, ao mesmo tempo, aproxima-se e incorpora tamb&#xE9;m os interesses das classes dominadas, como estrat&#xE9;gia para impedi-las de ascender ao poder, o que evidencia um descarado jogo de interesse e controle.
			</p>
			<p>Sobre esse jogo de poder, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">Poulantzas (1985</xref>, p. 41) identifica-o como desenvolvimento das rela&#xE7;&#xF5;es sociais de produ&#xE7;&#xE3;o e do Estado, cujo processo econ&#xF4;mico evidencia a luta de classes que abrange tamb&#xE9;m poderes &#x201C;pol&#xED;tico-ideol&#xF3;gicos&#x201D;, que se relacionam com o lugar ocupado pelas classes conforme a divis&#xE3;o social do trabalho. Portanto, para o autor,
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] essas rela&#xE7;&#xF5;es de poder, lastreadas na produ&#xE7;&#xE3;o da mais-valia e na liga&#xE7;&#xE3;o aos poderes pol&#xED;tico-ideol&#xF3;gicos, materializam-se nas institui&#xE7;&#xF5;es &#x2013; aparelhos espec&#xED;ficos que s&#xE3;o as empresas-f&#xE1;bricas, unidades de produ&#xE7;&#xE3;o, lugares de extra&#xE7;&#xE3;o da mais-valia e de exerc&#xED;cio desses poderes.</p>
			</disp-quote>
			<p>Dessa forma, &#x201C;os aparelhos de Estado consagram e reproduzem a hegemonia ao estabelecer um jogo (vari&#xE1;vel) de compromisso provis&#xF3;rio entre o bloco no poder e fra&#xE7;&#xE3;o de determinadas classes dominadas&#x201D; Neste sentido, o autor, pautado na concep&#xE7;&#xE3;o gramsciana, afirma que a pol&#xED;tica, a economia e a ideologia s&#xE3;o imprescind&#xED;veis para o estabelecimento da hegemonia, no contexto das contradi&#xE7;&#xF5;es socioecon&#xF4;micas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">POULANTZAS, 1985</xref>, p. 161).
			</p>
			<p>Esses processos contradit&#xF3;rios revelam um Estado revestido de mecanismos coercitivos, que incidem diretamente, sobretudo, na classe trabalhadora, trazendo para a cena contempor&#xE2;nea profundas desigualdades sociais, bem como a reedi&#xE7;&#xE3;o de pr&#xE1;ticas conservadoras numa tentativa frustrada de enfrentamento da quest&#xE3;o social, que, nesse contexto, tem sido brutalmente naturalizada de modo a atribuir ao indiv&#xED;duo a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o e a culpabiliza&#xE7;&#xE3;o frente a sua incapacidade de se adaptar &#xE0; sociabilidade e demandas do capital, desconsiderando, portanto, as tramas e rela&#xE7;&#xF5;es sociais que a produzem (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">LEAL, MACEDO, 2017</xref>).
			</p>
			<p>Essas rela&#xE7;&#xF5;es sociais tendem a ser perpassadas pela l&#xF3;gica da conveni&#xEA;ncia do poder, que se instala tamb&#xE9;m no modo como a classe dominante atua na deslegitima&#xE7;&#xE3;o dos impactos da explora&#xE7;&#xE3;o do capital na vida dos sujeitos sociais, tendo como pano de fundo uma violenta propaga&#xE7;&#xE3;o, fortalecida pela grande m&#xED;dia, de que o processo de criminaliza&#xE7;&#xE3;o da mis&#xE9;ria constitui-se em uma proposta infal&#xED;vel de interven&#xE7;&#xE3;o estatal na atualidade. Nessa conjuntura, tem-se uma s&#xF3;rdida naturaliza&#xE7;&#xE3;o da quest&#xE3;o social, assumindo-se a propens&#xE3;o de criminalizar grupos e classes subalternas e um Estado travestido de interven&#xE7;&#xF5;es punitivas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">IANNI, 1992</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B30">WACQUANT, 2001</xref>).
			</p>
			<p>Cabe aqui destacar que, diante de um Estado que reduz sua interven&#xE7;&#xE3;o e se coloca inerte frente ao compromisso da efetiva&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, bem como da prote&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais conquistados em um contexto de lutas travadas em uma perspectiva s&#xF3;cio hist&#xF3;rica, tem-se na cena contempor&#xE2;nea um judici&#xE1;rio que passa a ser acionado cada vez mais para atuar nessa conjuntura, trazendo &#xE0; tona um evidente processo de banaliza&#xE7;&#xE3;o e naturaliza&#xE7;&#xE3;o do que podemos chamar de judicializa&#xE7;&#xE3;o. Fen&#xF4;meno esse que se &#x201C;caracteriza pela transfer&#xEA;ncia, para o Poder Judici&#xE1;rio, da responsabilidade de promover o enfrentamento &#xE0; quest&#xE3;o social, na perspectiva de efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos humanos&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">AGUINSKY; ALENCASTRO 2006</xref>, p.21).
			</p>
			<p>Contudo, devemos considerar que estamos nos remetendo a uma estrutura cultural e organizacional fortemente marcada por sua trajet&#xF3;ria hierarquizada, que se reveste de pr&#xE1;ticas com significativo cunho autorit&#xE1;rio.</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">Aguinsky e Alencastro (2006</xref>, p.22) destacam que esse processo de judicializa&#xE7;&#xE3;o da quest&#xE3;o social acaba colocando as responsabilidades do Judici&#xE1;rio em uma situa&#xE7;&#xE3;o de sobreposi&#xE7;&#xE3;o frente &#xE0;s inst&#xE2;ncias do Poder Executivo e da sociedade civil. Corroborando com o pensamento das autoras, &#xE9; evidente que diante de qualquer desrespeito aos direitos que est&#xE3;o legitimados em todo aparato legal na conjuntura brasileira e que s&#xE3;o inerentes aos sujeitos sociais, &#x201C;o Poder Judici&#xE1;rio tem n&#xE3;o somente a atribui&#xE7;&#xE3;o legal, mas a obriga&#xE7;&#xE3;o &#xE9;tica de interpelar a institui&#xE7;&#xE3;o que for para que a lei seja cumprida&#x201D;.
			</p>
			<p>Todavia, &#xE9; importante considerarmos que a supremacia do Poder Judici&#xE1;rio revela tamb&#xE9;m um Estado que, ao n&#xE3;o cumprir com o compromisso de assegurar direitos, acaba por se constituir em mais um agente que caminha na contram&#xE3;o da verdadeira luta pela efetiva&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, mostrando-se eficaz na manuten&#xE7;&#xE3;o da ordem burguesa e de seu controle, sobretudo em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; classe trabalhadora.</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B3">Aguinsky e Alencatro (2006</xref>, p. 22), ao analisarem a obra de Lima Junior (2002), destacam,
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] falar em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas &#xE9; falar em movimento maior que aquele operado pelos tr&#xEA;s poderes que comp&#xF5;em o Estado. Pressup&#xF5;e falar de sociedade civil organizada, em atores sociopol&#xED;ticos, que, na condi&#xE7;&#xE3;o de sujeitos hist&#xF3;ricos, buscam, atrav&#xE9;s de um processo de luta, a constru&#xE7;&#xE3;o de uma nova hist&#xF3;ria, de uma nova sociedade, com justi&#xE7;a.</p>
			</disp-quote>
			<p>&#xC9; dif&#xED;cil falarmos em justi&#xE7;a, quando nos deparamos com o crescente e desenfreado processo de viola&#xE7;&#xE3;o dos direitos, quando o sil&#xEA;ncio das vozes das classes subalternizadas ecoa pelas ruas, quando a perspectiva de transforma&#xE7;&#xE3;o &#xE9; posta no Poder Judici&#xE1;rio, sem nos atentarmos que isso n&#xE3;o representa garantia de Justi&#xE7;a. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Melo (2017</xref>, p.2), &#x201C;justi&#xE7;a n&#xE3;o pode ser monop&#xF3;lio dos juristas, principalmente dos &#x2018;pr&#xE1;ticos judicialistas&#x2019;. Justi&#xE7;a &#xE9; democracia, e onde houver democracia haver&#xE1; justi&#xE7;a, mas esta n&#xE3;o &#xE9; rom&#xE2;ntica, pois democracia &#xE9; confronto&#x201D;.
			</p>
			<p>Esse confronto, por sua vez, pode representar a possibilidade, sobretudo, de as classes exploradas e criminalizadas pela soberania do capital, adentrar na cena contempor&#xE2;nea e ocupar o seu espa&#xE7;o de luta em busca da legitima&#xE7;&#xE3;o da defesa dos direitos que lhes s&#xE3;o inerentes, bem como resistir aos processos de controle e reconstruir os espa&#xE7;os de debates que ampliem a perspectiva de uma sociedade justa e igualit&#xE1;ria.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O trabalho do assistente social no judici&#xE1;rio: desafios e contradi&#xE7;&#xF5;es</title>
			<disp-quote>
				<p>Que o pessimismo da raz&#xE3;o n&#xE3;o seja maior que o otimismo de nossas vontades (GRAMSCI).</p>
			</disp-quote>
			<p>Os debates acerca do trabalho do assistente social na &#xE1;rea sociojur&#xED;dica, e mais especificamente no judici&#xE1;rio, objeto de discuss&#xE3;o do presente artigo, t&#xEA;m se tornado cada vez mais not&#xF3;rios, principalmente por constituir uma &#xE1;rea s&#xF3;cio-ocupacional plena de desafios e contradi&#xE7;&#xF5;es, evidenciando um contexto marcado pela judicializa&#xE7;&#xE3;o da vida social e crescente criminaliza&#xE7;&#xE3;o das express&#xF5;es da quest&#xE3;o social.</p>
			<p>Contudo, antes de avan&#xE7;armos nessas reflex&#xF5;es, cabe entendermos que cen&#xE1;rio &#xE9; esse quando tratamos da &#xE1;rea sociojur&#xED;dica. Essa terminologia &#xE9; considerada recente no &#xE2;mbito do Servi&#xE7;o Social e, segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">F&#xE1;vero (2012)</xref>, essa express&#xE3;o passou a ter maior relev&#xE2;ncia no ano de 2001, a partir do Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), com o lan&#xE7;amento de um painel para a discuss&#xE3;o da tem&#xE1;tica. Nos anos seguintes, eventos como o Primeiro Semin&#xE1;rio Nacional do Servi&#xE7;o Social no campo sociojur&#xED;dico ampliam as possibilidades de debate, bem como buscam sistematizar compet&#xEA;ncias e aspectos &#xE9;tico-pol&#xED;ticos que envolvem esse campo s&#xF3;cio-ocupacional.
			</p>
			<p>A denomina&#xE7;&#xE3;o &#x201C;sociojur&#xED;dico&#x201D; passa, ent&#xE3;o,</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] a ser disseminada no Servi&#xE7;o Social como &#x201C;s&#xED;ntese de trabalhos di&#xE1;rios, efetuados nas &#xE1;reas judici&#xE1;ria, prisional, seguran&#xE7;a, Minist&#xE9;rio P&#xFA;blico, Defensoria e mesmo nos sistemas de prote&#xE7;&#xE3;o e de acolhimento, ou seja, organiza&#xE7;&#xF5;es que desenvolvem a&#xE7;&#xF5;es, por meio das quais se aplicam, sobretudo, as medidas decorrentes de aparatos legais, civil e penal, e onde se executam determina&#xE7;&#xF5;es deles derivadas (FAVERO, 2013, p.123).</p>
			</disp-quote>
			<p>A autora alerta para o fato de que a atua&#xE7;&#xE3;o nessa &#xE1;rea nos remete direta ou indiretamente ao trabalho com base normativa legal e em suas interpreta&#xE7;&#xF5;es pelos operadores jur&#xED;dicos e afirma:</p>
			<disp-quote>
				<p>A Lei, bem sabemos, &#x2018;tem um poder formal de gerir e de ordenar a vida, implicando direitos e deveres&#x2019;. Na sociedade em que vivemos, em que a lei &#xE9; extremamente positivista, de acordo com Fran&#xE7;ois Ewald (1993, p. 41), &#x201C;um espa&#xE7;o de liberdade, tra&#xE7;a-lhes os limites (&#x2026;); ela define uma partilha simples e imperfeita entre o permitido e o proibido; estabelece uma igualdade entre os cidad&#xE3;os, que deixa na sua indistin&#xE7;&#xE3;o, pois &#xE9; indiferente &#xE0; sua exist&#xEA;ncia singular.&#x201D; Portanto, ela generaliza e estabelece formalmente a igualdade, ainda que opere com desigualdades, e as legitima. &#xC9; o caso especialmente de uma sociedade como a brasileira, que &#xE9; regrada por uma minoria que det&#xE9;m o poder econ&#xF4;mico, a concentra&#xE7;&#xE3;o de renda e o poder pol&#xED;tico, o qual &#xE9; reproduzido e disseminado pelas institui&#xE7;&#xF5;es desse campo (FAVERO, 2013 p.123).</p>
			</disp-quote>
			<p>Desta forma, o trabalho profissional se d&#xE1; diante de um Estado que constr&#xF3;i estruturas fortemente hierarquizadas, as quais resultam, n&#xE3;o raramente, em pr&#xE1;ticas de cunho autorit&#xE1;rio e que caminham, portanto, na contram&#xE3;o da defesa do Projeto &#xC9;tico Pol&#xED;tico da profiss&#xE3;o. Esses mecanismos coercitivos s&#xE3;o apontados pelo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">CFESS (2014</xref>, p. 15) como necess&#xE1;rios &#xE0; &#x201C;manuten&#xE7;&#xE3;o da ordem social &#x2013; marcada pelas contradi&#xE7;&#xF5;es de classes&#x201D; e ressalta:
			</p>
			<disp-quote>
				<p>&#x2018;Arbitrariedades&#x2019; fazem parte da dimens&#xE3;o do &#x2018;&#xE1;rbitro&#x2019;, de quem disp&#xF5;e de poder legitimado para exerc&#xEA;-lo &#x2018;em nome de &#x2018;bens maiores&#x2019;: a ordem e a justi&#xE7;a. O poder de interferir e decidir sobre a vida das pessoas, de outras institui&#xE7;&#xF5;es, de popula&#xE7;&#xF5;es ou at&#xE9; mesmo de pa&#xED;ses, a partir do uso da for&#xE7;a f&#xED;sica ou da lei, confere a tais institui&#xE7;&#xF5;es caracter&#xED;sticas extremamente violadoras de direitos &#x2013; mesmo quando o discurso que as legitima &#xE9; o da garantia dos direitos (
					<xref ref-type="bibr" rid="B8">CFESS, 2014</xref>, p. 16).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Como exemplo, podemos citar as discuss&#xF5;es relacionadas &#xE0; redu&#xE7;&#xE3;o da maioridade penal. Nunca se falou tanto do envolvimento de adolescentes com o tr&#xE1;fico de drogas, homic&#xED;dios, roubos e outros delitos, sendo esse segmento et&#xE1;rio apontado, principalmente pela m&#xED;dia, como protagonista. A resposta do Estado a esse cen&#xE1;rio pauta-se na ado&#xE7;&#xE3;o de medidas coercitivas e na falsa promessa de uma cultura de paz em defesa de uma sociedade que tamb&#xE9;m clama por justi&#xE7;a, a partir de um discurso incorporado pela veicula&#xE7;&#xE3;o da grande m&#xED;dia e da manipula&#xE7;&#xE3;o estatal, ignorando o fato de que estamos diante de um complexo cen&#xE1;rio social.</p>
			<p>O exemplo anteriormente exposto refere-se a apenas uma, entre as in&#xFA;meras quest&#xF5;es que poderiam ilustrar o quanto essas institui&#xE7;&#xF5;es est&#xE3;o atravessadas pelas contradi&#xE7;&#xF5;es produzidas na sociedade capitalista, que valoriza a criminaliza&#xE7;&#xE3;o dos pobres e converte as mesmas em uma das principais formas de controle da quest&#xE3;o social, diante do cen&#xE1;rio socioecon&#xF4;mico contempor&#xE2;neo.</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, no judici&#xE1;rio nos deparamos continuamente com as formas mais perversas da viola&#xE7;&#xE3;o de direitos, podendo citar o acolhimento institucional de crian&#xE7;as e adolescentes, que traz como pano de fundo as m&#xFA;ltiplas faces da viol&#xEA;ncia vivenciada por esses sujeitos e tamb&#xE9;m pelo grupo familiar; a perversidade da destitui&#xE7;&#xE3;o do poder familiar que, n&#xE3;o raras vezes, se pautam na criminaliza&#xE7;&#xE3;o desenfreada da pobreza; disputas litigiosas de guarda e regulamenta&#xE7;&#xE3;o de visitas, que revelam a judicializa&#xE7;&#xE3;o da vida social e familiar; crescente encarceramento dos adolescentes; viol&#xEA;ncia contra a mulher; maus-tratos contra a crian&#xE7;a, o adolescente e o idoso;</p>
			<p>Cada uma dessas situa&#xE7;&#xF5;es evidencia sujeitos que vivenciam de forma muito pr&#xF3;xima a viola&#xE7;&#xE3;o de seus direitos, e para sobreviv&#xEA;ncia estabelecem formas de luta e de resist&#xEA;ncia, tanto no &#xE2;mbito de suas realidades particulares, como de modos coletivos, os quais, muitas vezes, desafiam as normas que validam a &#x201C;ordem social&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">CFESS, 2014</xref>).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, Iamamoto (2010, p. 238) chama a aten&#xE7;&#xE3;o para as situa&#xE7;&#xF5;es-limite que, de maneira geral, abrigam os processos judiciais nos quais &#xE9; requisitada a atua&#xE7;&#xE3;o dos especialistas, atentando para o fato de que &#x201C;a busca da prote&#xE7;&#xE3;o judicial tem lugar quando todos os demais recursos s&#xE3;o exauridos&#x201D;.</p>
			<p>Nessa perspectiva, a autora ainda destaca</p>
			<disp-quote>
				<p>O assistente social atua na intermedia&#xE7;&#xE3;o das demandas da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria aos servi&#xE7;os sociais e jur&#xED;dicos, o que o coloca na intermedia&#xE7;&#xE3;o das demandas da popula&#xE7;&#xE3;o usu&#xE1;ria e do acesso aos servi&#xE7;os sociais e jur&#xED;dicos, o que o coloca na linha de intersec&#xE7;&#xE3;o das esferas p&#xFA;blicas e privadas. Por exemplo, nas Varas de Fam&#xED;lia e Inf&#xE2;ncia e Juventude, esse profissional &#xE9; um dos agentes por meio dos quais o Estado interv&#xE9;m no espa&#xE7;o dom&#xE9;stico dos conflitos, presentes no cotidiano das rela&#xE7;&#xF5;es sociais. Tem-se a&#xED; uma dupla possibilidade. De um lado, a atua&#xE7;&#xE3;o pode representar uma invas&#xE3;o da privacidade, atrav&#xE9;s de condutas autorit&#xE1;rias e burocr&#xE1;ticas, como extens&#xE3;o do bra&#xE7;o coercitivo do Estado. De outro lado, ao desvelar a vida dos indiv&#xED;duos, pode, em contrapartida, oferecer ao juiz importantes subs&#xED;dios &#xE0;s decis&#xF5;es que lhe s&#xE3;o privativas, no sentido de abrir possibilidades para o acesso das fam&#xED;lias aos seus direitos, al&#xE9;m de acumular um conjunto de informa&#xE7;&#xF5;es sobre as express&#xF5;es contempor&#xE2;neas da quest&#xE3;o social pela via do estudo social. Salientam-se as implica&#xE7;&#xF5;es de ordem &#xE9;tica na conduta dos profissionais, afirmando e materializando nas a&#xE7;&#xF5;es profissionais cotidianas os princ&#xED;pios que norteiam o C&#xF3;digo de &#xC9;tica do Assistente Social (IAMAMOTO, 2010, p. 284).</p>
			</disp-quote>
			<p>Diante disso, temos o nosso cotidiano atravessado por tens&#xF5;es que impulsionam questionamentos a respeito de como consolidar o Projeto &#xC9;tico Pol&#xED;tico do Servi&#xE7;o Social, em um cen&#xE1;rio cujo autoritarismo e a hierarquiza&#xE7;&#xE3;o do poder se fazem t&#xE3;o presentes? Como enfrentar cotidianamente as express&#xF5;es da quest&#xE3;o social, quando estamos diante de um aparelho estatal regido por uma ordem burguesa? Como falarmos em direitos em uma sociedade regida por normas capitalistas? E como poder&#xED;amos falar em democracia se esta se mant&#xE9;m revestida com a roupagem controladora do Estado?</p>
			<p>Tais questionamentos n&#xE3;o ser&#xE3;o findados nessa reflex&#xE3;o te&#xF3;rica e exigem o constante debate profissional, a resist&#xEA;ncia e a capacidade de enfrentamento coletivo, afinal, os desafios postos ao exerc&#xED;cio profissional s&#xE3;o complexos, especialmente em espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais vinculados &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es, em que muitos de seus agentes primam pelo apego a ritos, normas e burocracias. Tudo isso se faz em meio a uma conjuntura em que se percebem avan&#xE7;os conservadores em v&#xE1;rias frentes, os quais buscam, dentre outros, fortalecer a&#xE7;&#xF5;es pontuais e ineficazes para garantir os direitos, arriscando importantes conquistas das lutas sociais (FAVERO, 2009).</p>
			<p>Essas reflex&#xF5;es apontam para o compromisso profissional, conforme sinaliza 
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Borgianni (2012</xref>, p. 64).
			</p>
			<disp-quote>
				<p>Cabe aos/&#xE0;s assistentes sociais, detentores de um poder profissional conferido pelo saber te&#xF3;rico-pr&#xE1;tico, questionar a axiologia da lei, sua rela&#xE7;&#xE3;o de classe, e mais, os complexos que a determinam, que remetem o/a profissional a armadilhas singulares. O posicionamento t&#xE9;cnico tem a pot&#xEA;ncia de influir na tomada de decis&#xE3;o pelas figuras de autoridade, nesse contexto, nosso papel n&#xE3;o &#xE9; o de &#x2018;decidir&#x2019;, mas o de criar conhecimentos desalienantes sobre a realidade a ser analisada para se deliberar sobre a vida das pessoas com as quais estabelecemos compromissos &#xE9;ticos e pol&#xED;ticos.</p>
			</disp-quote>
			<p>Pensar o trabalho profissional no Judici&#xE1;rio pressup&#xF5;e reconhecer que as diversas situa&#xE7;&#xF5;es de viola&#xE7;&#xE3;o de direitos, que atravessam o cotidiano profissional, revelam sujeitos sociais que vivenciam experi&#xEA;ncias &#x201C;de viol&#xEA;ncia social e interpessoal, que est&#xE3;o, por vezes, em situa&#xE7;&#xF5;es-limite de degrada&#xE7;&#xE3;o humana, com v&#xED;nculos sociais e familiares rompidos ou fragilizados, que vivenciam o sofrimento social decorrente dessas rupturas e da aus&#xEA;ncia de acesso a direitos&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">F&#xC1;VERO, 2012</xref>, p.521); s&#xE3;o express&#xF5;es da quest&#xE3;o social e, portanto, engendradas na conjuntura e na ordem do capital. Por este motivo, exige o compromisso do profissional atuando em defesa e na garantia de direitos, em meio &#xE0; barb&#xE1;rie que permeia essa realidade social, caso contr&#xE1;rio, o profissional est&#xE1; fadado a reproduzir a vigil&#xE2;ncia, o controle e o autoritarismo que criminalizam e segregam a vida social.
			</p>
			<p>Para tanto, destacamos que, diante da complexidade desse cen&#xE1;rio, torna-se imprescind&#xED;vel a reflex&#xE3;o sobre a import&#xE2;ncia do reconhecimento da dimens&#xE3;o educativa do trabalho profissional, j&#xE1; que essa perspectiva pode contribuir com a constru&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os de informa&#xE7;&#xE3;o, de di&#xE1;logo e de escuta, bem como estimular a reflex&#xE3;o cr&#xED;tica, envolvendo esses sujeitos como protagonistas no processo de luta e milit&#xE2;ncia para efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O trabalho profissional do assistente social no judici&#xE1;rio e sua dimens&#xE3;o socioeducativa: compromisso com os sujeitos sociais?</title>
			<disp-quote>
				<p>
					<italic>A educa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o transforma o mundo</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>Educa&#xE7;&#xE3;o muda as pessoas</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>As pessoas mudam o mundo</italic>
				</p>
				<p>
					<italic>(PAULO FREIRE).</italic>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Discutir a dimens&#xE3;o socioeducativa do trabalho profissional no judici&#xE1;rio &#xE9; desafiador &#xE0; medida que, embora esse espa&#xE7;o s&#xF3;cio-ocupacional venha ganhando maior visibilidade, principalmente com produ&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas, frutos de pesquisas, disserta&#xE7;&#xF5;es de mestrado e teses de doutorado, as reflex&#xF5;es te&#xF3;ricas em torno da dimens&#xE3;o socioeducativa nesse cen&#xE1;rio s&#xE3;o quase inexistentes. Assim, a premissa de iniciar esse di&#xE1;logo pauta-se no reconhecimento, j&#xE1; apontado por autores como 
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Iamamoto (2009)</xref>, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu (2002)</xref>, de que qualquer que seja o espa&#xE7;o de atua&#xE7;&#xE3;o do assistente social, ele &#xE9; um profissional que tem um papel essencial visto que exerce uma fun&#xE7;&#xE3;o eminentemente educativa, atuando com as classes trabalhadoras.
			</p>
			<p>O trabalho desenvolvido pelo assistente social, atrav&#xE9;s dos instrumentais &#x2013; visitas domiciliares, entrevistas, reuni&#xF5;es, entre outros &#x2013; na perspectiva da media&#xE7;&#xE3;o, tem uma interfer&#xEA;ncia n&#xE3;o apenas sobre as condi&#xE7;&#xF5;es materiais de exist&#xEA;ncia dos usu&#xE1;rios atendidos, mas, principalmente, &#x201C;[&#x2026;] no campo do conhecimento, dos valores, dos comportamentos, da cultura&#x201D; (IAMAMOTO, 2003, p. 68), ou seja, &#xE9; essencialmente educativo.</p>
			<p>A atua&#xE7;&#xE3;o profissional do assistente social no judici&#xE1;rio tamb&#xE9;m ocorre atrav&#xE9;s de uma interven&#xE7;&#xE3;o no campo pol&#xED;tico, ideol&#xF3;gico, cultural, como apontado pela autora, portanto, podemos reconhecer que a dimens&#xE3;o socioeducativa perpassa todo o fazer profissional e qualquer a&#xE7;&#xE3;o do cotidiano, podendo isso se dar de formas diferenciadas.</p>
			<p>Podemos compreender, ainda, que esta dimens&#xE3;o tem estreito v&#xED;nculo com a organiza&#xE7;&#xE3;o da cultura, visto que as rela&#xE7;&#xF5;es profissionais que se estabelecem na atua&#xE7;&#xE3;o profissional dos assistentes sociais</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] concretizam-se sob a forma de a&#xE7;&#xE3;o material e ideol&#xF3;gica, nos espa&#xE7;os cotidianos de vida e de trabalho de segmentos das classes subalternas diretamente envolvidas na pr&#xE1;tica profissional, interferindo na reprodu&#xE7;&#xE3;o f&#xED;sica e subjetiva desses segmentos e da pr&#xF3;pria constitui&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social como profiss&#xE3;o [&#x2026;] (
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">ABREU, 2002</xref>, p.17).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Nesse sentido, ao discutir o Servi&#xE7;o Social como profiss&#xE3;o estruturada e reestruturada no sistema capitalista, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Abreu (2004)</xref> compreende que o Servi&#xE7;o Social se encontra no campo das atividades que mobilizam os processos pol&#xED;ticos de forma&#xE7;&#xE3;o da cultura humana. Sendo assim, como um elemento importante nas rela&#xE7;&#xF5;es de sociabilidade, culturalmente reestruturadas em uma hegemonia dominante, o Servi&#xE7;o Social &#xE9; uma
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] profiss&#xE3;o de cunho educativo, inscrita, predominantemente, nos processos de organiza&#xE7;&#xE3;o/reorganiza&#xE7;&#xE3;o/afirma&#xE7;&#xE3;o da cultura dominante &#x2013; subalternizante e mistificadora das rela&#xE7;&#xF5;es sociais &#x2013; contribuindo para o estabelecimento de media&#xE7;&#xF5;es entre o padr&#xE3;o de satisfa&#xE7;&#xE3;o das necessidades sociais, definido a partir dos interesses do capital, e o controle social sobre a classe trabalhadora. Todavia, cabe ressaltar que, nas tr&#xEA;s &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas, em contraposi&#xE7;&#xE3;o a essa tend&#xEA;ncia dominante, registra-se, no &#xE2;mbito do amplo movimento de reconceitua&#xE7;&#xE3;o do Servi&#xE7;o Social na sociedade brasileira, o avan&#xE7;o do processo de vincula&#xE7;&#xE3;o do projeto profissional que se consolida, nos anos 1980, &#xE0;s lutas sociais da classe trabalhadora e de outros segmentos sociais [&#x2026;.] (
					<xref ref-type="bibr" rid="B2">ABREU, 2004</xref>, p. 44).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Remetendo-nos especificamente ao judici&#xE1;rio, historicamente, os assistentes sociais s&#xE3;o convocados a refor&#xE7;ar dimens&#xF5;es disciplinadoras e moralizantes, investidos nesse campo, na prerrogativa de peritos, ou seja, de especialistas que versam, a partir de um exame de car&#xE1;ter t&#xE9;cnico, conte&#xFA;dos relacionados &#xE0;s suas respectivas &#xE1;reas de forma&#xE7;&#xE3;o (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">F&#xC1;VERO, 2007</xref>).
			</p>
			<p>Para a autora, a sistematiza&#xE7;&#xE3;o desses conte&#xFA;dos na produ&#xE7;&#xE3;o de documentos, como relat&#xF3;rios, laudos e pareceres, constr&#xF3;i um saber que abriga, potencialmente, a constru&#xE7;&#xE3;o de uma verdade, na medida em que &#x201C;[&#x2026;] pessoas s&#xE3;o examinadas, avaliadas, suas vidas e condutas interpretadas e registradas, construindo-se, assim, uma verdade a respeito delas&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B11">F&#xC1;VERO, 2007</xref>, p. 28).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, como j&#xE1; destacado anteriormente, na atual conjuntura, torna-se comum a formula&#xE7;&#xE3;o de requisi&#xE7;&#xF5;es aos profissionais do Servi&#xE7;o Social, inscritos nesse &#xE2;mbito de atua&#xE7;&#xE3;o, em favor de atua&#xE7;&#xF5;es de cunho tecnicista e cientificista que possibilitem a compreens&#xE3;o da realidade, frequentemente auferida pelo direito a partir de avalia&#xE7;&#xF5;es e interven&#xE7;&#xF5;es guiadas por modelos idealizados pela sociedade burguesa e, portanto, pautadas na expectativa por pr&#xE1;ticas punitivas, centradas em vieses moralizantes e disciplinadores.</p>
			<p>Com base nisso, compreender a dimens&#xE3;o socioeducativa no cotidiano de trabalho nesse espa&#xE7;o s&#xF3;cio-ocupacional e reconhec&#xEA;-la como intr&#xED;nseca ao exerc&#xED;cio profissional, pode contribuir para o enfrentamento e a supera&#xE7;&#xE3;o das pr&#xE1;ticas descritas; trata-se de favorecer a reflex&#xE3;o cr&#xED;tica frente &#xE0;s demandas postas &#xE0; interven&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; correla&#xE7;&#xE3;o de for&#xE7;as existente nesse cotidiano e, principalmente, reconhecer o indiv&#xED;duo como protagonista de sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria, capaz de intervir na mesma, ou seja, reconhecendo-o como sujeito pol&#xED;tico.</p>
			<p>O trabalho nessa perspectiva requer do assistente social, segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B29">Torres (2009)</xref>
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] uma leitura fundamentada do projeto &#xE9;tico pol&#xED;tico, da realidade social constitutiva do exerc&#xED;cio profissional. Demarca uma dire&#xE7;&#xE3;o social para o exerc&#xED;cio profissional, qual seja, a de consolidar o projeto &#xE9;tico pol&#xED;tico. Essa abordagem estabelece a necessidade de o assistente social reconhecer as demandas postas para o atendimento social e a formula&#xE7;&#xE3;o e a constru&#xE7;&#xE3;o das respostas profissionais de car&#xE1;ter cr&#xED;tico-anal&#xED;tico, articuladas &#xE0;s condi&#xE7;&#xF5;es objetivas de vida do usu&#xE1;rio e a realidade social (
					<xref ref-type="bibr" rid="B29">TORRES, 2009</xref>, p. 224).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Cardoso e Maciel (2009</xref>, p.144), a fun&#xE7;&#xE3;o educativa dos assistentes sociais, contida em seu projeto &#xE9;tico-pol&#xED;tico-profissional,
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] concretiza-se fundamentalmente, atrav&#xE9;s do estabelecimento de novas rela&#xE7;&#xF5;es pedag&#xF3;gicas entre o assistente social e os usu&#xE1;rios de seus servi&#xE7;os. Rela&#xE7;&#xF5;es estas favorecedoras de um processo de participa&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos envolvidos, numa dupla dimens&#xE3;o: de conhecimento cr&#xED;tico sobre a realidade e recursos institucionais, tendo em vista a constru&#xE7;&#xE3;o de estrat&#xE9;gias coletivas em atendimento &#xE0;s necessidades e interesses das classes subalternas; e de mobiliza&#xE7;&#xE3;o desses sujeitos, instrumentaliza&#xE7;&#xE3;o de suas lutas e manifesta&#xE7;&#xF5;es coletivas, na perspectiva do fortalecimento e avan&#xE7;o da organiza&#xE7;&#xE3;o das referidas classes como classe hegem&#xF4;nica.</p>
			</disp-quote>
			<p>Contudo, essa interfer&#xEA;ncia profissional tanto pode contribuir com os interesses das classes subalternas quanto pode vincular com os interesses dominantes, servindo como poderoso instrumento de legitima&#xE7;&#xE3;o da desigualdade social e de aprofundamento das rela&#xE7;&#xF5;es de subalterniza&#xE7;&#xE3;o. Nesta linha de racioc&#xED;nio, 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Elias e Oliveira (2005)</xref> destacam que um desafio para o assistente social &#xE9; o fortalecimento dos indiv&#xED;duos para que se reconhe&#xE7;am como classe, indo contra o que &#xE9; imposto pelo ide&#xE1;rio neoliberal e pelo capitalismo. Muitas vezes, &#xE9; exigida dos profissionais a utiliza&#xE7;&#xE3;o da dimens&#xE3;o educativa, mas a favor do capital e da manuten&#xE7;&#xE3;o da classe dominante.
			</p>
			<disp-quote>
				<p>Assim, cabe ao assistente social enquadrar institucionalmente os usu&#xE1;rios, adequar as necessidades aos limites dos programas assistenciais estatais e privados, inculcar na popula&#xE7;&#xE3;o os valores que interessam ao capital, administrar as lacunas e defasagem da institui&#xE7;&#xE3;o para garantir minimamente o atendimento das demandas por servi&#xE7;os sociais (mistifica&#xE7;&#xE3;o da realidade dos citados servi&#xE7;os). Tais posturas profissionais s&#xE3;o totalmente contr&#xE1;rias ao projeto &#xE9;tico-pol&#xED;tico do Servi&#xE7;o Social (
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">ELIAS; OLIVEIRA, 2005</xref>, p.10).
				</p>
			</disp-quote>
			<p>Al&#xE9;m disso, no &#xE2;mbito do judici&#xE1;rio, &#xE9; necess&#xE1;rio um fazer profissional que n&#xE3;o incorpore verdades jur&#xED;dicas, as quais representam, na maior parte das vezes, interesses pol&#xED;ticos incompat&#xED;veis com os compromissos &#xE9;ticos e pol&#xED;ticos da categoria profissional. Como exemplo, podemos destacar laudos e pareceres fundamentados no senso comum ou na l&#xF3;gica positiva do direito, que culpabilizam os sujeitos sociais e desconsideram o contexto pol&#xED;tico, econ&#xF4;mico e social que os forjam. Nessa perspectiva, ainda nos deparamos com a constante necessidade, atribu&#xED;da aos profissionais, de disciplinamento de comportamentos de crian&#xE7;as e adolescentes, de pais que lutam contra o processo de institucionaliza&#xE7;&#xE3;o dos filhos, quando n&#xE3;o somos ainda chamados a atender determina&#xE7;&#xF5;es higienistas, aspectos esses que contrariam os direitos sociais e favorecem a judicializa&#xE7;&#xE3;o da quest&#xE3;o social.</p>
			<p>Corroboramos as reflex&#xF5;es de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Elias e Oliveira (2005)</xref> de que se o projeto &#xE9;tico-pol&#xED;tico preconiza a autonomia, emancipa&#xE7;&#xE3;o e plena expans&#xE3;o dos indiv&#xED;duos sociais, a dimens&#xE3;o socioeducativa deve se pautar em a&#xE7;&#xF5;es que possibilitem a efetiva&#xE7;&#xE3;o desses princ&#xED;pios. Com base nisso, as autoras atribuem quatro caracter&#xED;sticas que consideram fundamentais na perspectiva emancipat&#xF3;ria: (in)formativas, reflexivas, participativas e organizativas.
			</p>
			<p>A informativa refere-se ao est&#xED;mulo, ao processo de comunica&#xE7;&#xE3;o, &#xE0; dialogicidade e &#xE0;s orienta&#xE7;&#xF5;es sociais e de direitos de cidadania; nesta linha de racioc&#xED;nio, compete ao profissional que det&#xE9;m o conhecimento socializar as informa&#xE7;&#xF5;es acerca dos servi&#xE7;os e recursos sociais; contudo, as autoras destacam que somente a informa&#xE7;&#xE3;o em si n&#xE3;o basta, havendo, portanto, a necessidade de possibilitar a reflex&#xE3;o a partir da problematiza&#xE7;&#xE3;o das situa&#xE7;&#xF5;es do cotidiano e do mundo social que envolvem os sujeitos, tendo em vista que a informa&#xE7;&#xE3;o associada &#xE0; reflex&#xE3;o &#xE9; o que pode, de fato, resultar em um processo de conscientiza&#xE7;&#xE3;o (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">ELIAS; OLIVEIRA, 2005</xref>).
			</p>
			<p>A perspectiva da participa&#xE7;&#xE3;o desenvolve-se em dois vieses: intr&#xED;nseco, o qual faz parte de todo processo socioeducativo, e extr&#xED;nseco, que se d&#xE1; no sentido de fortalecer a popula&#xE7;&#xE3;o para a participa&#xE7;&#xE3;o e interven&#xE7;&#xE3;o junto &#xE0;s v&#xE1;rias esferas da sociedade, na luta pelos anseios e interesses de sua classe social. E, por fim, as autoras trazem a caracter&#xED;stica referente &#xE0; organiza&#xE7;&#xE3;o da popula&#xE7;&#xE3;o, a qual diz respeito a estabelecer uma alian&#xE7;a comprometida com as lutas e reivindica&#xE7;&#xF5;es das camadas populares, na qual os sujeitos adquirem voz e vez, visto que o coletivo se sobressai ao individual, tendo mais poder de influ&#xEA;ncia sobre as situa&#xE7;&#xF5;es e o Estado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">ELIAS; OLIVEIRA, 2005</xref>).
			</p>
			<p>A partir das caracter&#xED;sticas descritas pelas autoras, podemos considerar que a dimens&#xE3;o socioeducativa pode permitir uma interven&#xE7;&#xE3;o profissional que privilegie o reconhecimento dos sujeitos sociais em sua totalidade, protagonistas de sua pr&#xF3;pria hist&#xF3;ria e agentes de transforma&#xE7;&#xE3;o, podendo romper com o que est&#xE1; posto e estabelecido nessa sociedade capitalista contempor&#xE2;nea.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
			<p>O trabalho profissional do assistente social &#xE9; pleno de desafios, nos diferentes espa&#xE7;os s&#xF3;cio-ocupacionais que a categoria ocupa, principalmente diante de todas as transforma&#xE7;&#xF5;es decorrentes do cen&#xE1;rio econ&#xF4;mico, pol&#xED;tico e social contempor&#xE2;neo, que tem afetado diretamente a classe trabalhadora e, consequentemente, tem colocado novas requisi&#xE7;&#xF5;es no cotidiano profissional.</p>
			<p>No judici&#xE1;rio isso n&#xE3;o se d&#xE1; de forma diferente; &#xE9; preciso superar e enfrentar as requisi&#xE7;&#xF5;es postas de cunho tradicional, conservador e moralizante e, para isso, &#xE9; necess&#xE1;rio o posicionamento cr&#xED;tico alicer&#xE7;ado no Projeto &#xC9;tico Pol&#xED;tico profissional e no compromisso com os sujeitos sociais para que possamos, de fato, realizar um trabalho socioeducativo de car&#xE1;ter emancipat&#xF3;rio.</p>
			<p>Nesse sentido, podemos considerar que a dimens&#xE3;o socioeducativa &#xE9; parte indissoci&#xE1;vel do fazer profissional dos assistentes sociais, sendo exercida cotidianamente pelos mesmos. A sua import&#xE2;ncia se expressa na maneira como pode contribuir para a organiza&#xE7;&#xE3;o da cultura das classes subalternas, bem como para a forma&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;tica por parte destas, do agir e pensar dos sujeitos sociais, podendo auxiliar na constru&#xE7;&#xE3;o de uma contra-hegemonia pela classe trabalhadora, desvelando os processos de aliena&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>Em todos os momentos de atua&#xE7;&#xE3;o, o assistente social tem a oportunidade de conhecer e desvelar a realidade permeada pela necess&#xE1;ria busca da efetiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais. Neste processo, assistente social e usu&#xE1;rio s&#xE3;o sujeitos que potencializam seus saberes de forma conjunta e coletiva.</p>
			<p>As considera&#xE7;&#xF5;es tecidas nos remetem &#xE0;s palavras de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">Prates (2007</xref>, p.147):
			</p>
			<disp-quote>
				<p>[&#x2026;] que n&#xE3;o nos contentemos com a reprodu&#xE7;&#xE3;o do j&#xE1; produzido, com o fazer sem clareza de finalidade, com o fazer assim porque sempre foi feito assim. Precisamos, portanto, provocar o extraordin&#xE1;rio que est&#xE1; contido no ordin&#xE1;rio (&#x2026;) nosso cotidiano pode ser banalizado por n&#xF3;s mesmos, mas tamb&#xE9;m pode ser revolucion&#xE1;rio.</p>
			</disp-quote>
			<p>&#xC9; preciso reconhecer que esse &#x201C;extraordin&#xE1;rio&#x201D; pode estar contido na trama do cotidiano profissional, na capacidade cr&#xED;tica, nas formas de enfrentamento e resist&#xEA;ncia frente &#xE0;quilo que est&#xE1; posto, &#xE0; barb&#xE1;rie que vivemos dia a dia e que atravessa a vida dos sujeitos sociais, dizimando, nas mais perversas formas, o direito, as lutas e conquistas legitimadas em um processo hist&#xF3;rico. &#xC9; preciso provocar o extraordin&#xE1;rio e buscar incessantemente reescrever uma nova hist&#xF3;ria e que n&#xE3;o haja espa&#xE7;o para pr&#xE1;ticas conservadoras, que protagonizem a criminaliza&#xE7;&#xE3;o da pobreza e a judicializa&#xE7;&#xE3;o da vida social, tendo como base a leg&#xED;tima defesa dos direitos sociais e de uma nova ordem societ&#xE1;ria.</p>
		</sec>
	</body>
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			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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							<given-names>M. M.</given-names>
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					</person-group>
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						<bold>Servi&#xE7;o social e a organiza&#xE7;&#xE3;o da cultura</bold>: perfis pedag&#xF3;gicos da pr&#xE1;tica profissional
					</source>
					<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
					<publisher-name>Cortez</publisher-name>
					<year>2002</year>
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					<source>Servi&#xE7;o Social e Sociedade</source>
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					<fpage>43</fpage>
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					<month>09</month>
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					<bold>Servi&#xE7;o Social em Revista</bold>, Londrina, v. 12, n.1, p. 202-227, jul./dez. 2009. &#x3C; https://doi.org/10.5433/1679-4842.2009v12n1p202&#x3E;.
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					<bold>As pris&#xF5;es da mis&#xE9;ria</bold>. Tradu&#xE7;&#xE3;o Andr&#xE9; Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
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