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<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name></publisher>
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<subject>Prote&#xE7;&#xE3;o Social, Estado de Bem-Estar e Direitos Sociais</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Direitos Sociais, Trabalho e Crise Social no Brasil</article-title>
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<trans-title>Social Rights, Work and Social Crisis in Brazil</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Lara</surname><given-names>Ricardo</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref></contrib>
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<name><surname>Silva</surname><given-names>Mauri Ant&#xF4;nio</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff2">**</xref></contrib>
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<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Santa Catarina</institution>
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<email>ricardolarauf@gmail.com</email>
<institution content-type="original">Doutor em Servi&#xE7;o Social e P&#xF3;s-doutor em Hist&#xF3;ria; Professor do Departamento de Servi&#xE7;o Social da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florian&#xF3;polis - SC/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/4258606293149889. E-mail: ricardolarauf@gmail.com.</institution>
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<institution content-type="orgname">N&#xFA;cleo de Estudos e Pesquisas Trabalho, Quest&#xE3;o Social e Am&#xE9;rica Latina</institution>
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<email>mauri.silva19@gmail.com</email>
<institution content-type="original">Doutor em Servi&#xE7;o Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Pesquisador do N&#xFA;cleo de Estudos e Pesquisas Trabalho, Quest&#xE3;o Social e Am&#xE9;rica Latina (NEPTQSAL). Florian&#xF3;polis - SC/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/4705670006293568. E-mail: mauri.silva19@gmail.com.</institution>
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<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>RESUMO</title>
<p>O artigo tem como objetivo desenvolver abordagem s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica das principais ofensivas aos direitos dos trabalhadores brasileiros, no per&#xED;odo de 2010 a 2016 e, simultaneamente, apresentar dados das principais greves e pautas da luta sindical. A <italic>crise social</italic> que atinge o Brasil agrava-se com a pol&#xED;tica de ajuste fiscal e ofensiva aos direitos sociais, principalmente pela redu&#xE7;&#xE3;o de investimento do governo federal em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e, por conseguinte, pela manuten&#xE7;&#xE3;o do pagamento de juros e amortiza&#xE7;&#xE3;o da d&#xED;vida p&#xFA;blica. Diante dessa situa&#xE7;&#xE3;o, as articula&#xE7;&#xF5;es e atua&#xE7;&#xF5;es conjuntas entre o movimento social e sindical s&#xE3;o extremamente necess&#xE1;rias para potencializar as lutas contra os ataques aos direitos sociais e a possibilidade de constru&#xE7;&#xE3;o de genu&#xED;nas alternativas para o conjunto da sociedade brasileira.</p></abstract>
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<title>ABSTRACT</title>
<p>The article aims to develop socio-historical approach of the main offensive to the rights of the Brazilian workers and, simultaneously, to present of the main strikes and patterns of the union struggle. The social crisis that affects Brazil tends to be aggravated by the policy of fiscal adjustment and offensive to social rights, mainly by reducing the federal government&#x27;s investment in public policies and, therefore, maintaining interest payments and public debt amortization. Faced with this situation, the articulations and joint actions between the social and labor movement are extremely necessary to strengthen the struggles against attacks on social rights and the possibility of building genuine alternatives for the whole of Brazilian society.</p></trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Direitos sociais</kwd>
<kwd>Trabalho</kwd>
<kwd>Brasil</kwd></kwd-group>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Social rights</kwd>
<kwd>Work</kwd>
<kwd>Brazil</kwd></kwd-group>
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<p>A crise social, que se manifesta desde os anos 1970, chega aos nossos dias como crise estrutural do sistema do capital e est&#xE1; destinada a se agravar consideravelmente no sentido de &#x201C;invadir n&#xE3;o apenas o mundo das finan&#xE7;as globais mais ou menos parasit&#xE1;rias&#x201D;, mas tamb&#xE9;m todos os dom&#xED;nios de nossa vida social, econ&#xF3;mica e cultural, &#x201C;afetando cada aspecto da vida, desde as dimens&#xF5;es reprodutivas diretamente materiais &#xE0;s mais mediadas dimens&#xF5;es intelectuais e culturais&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B33">M&#xC9;SZ&#xC1;ROS, 2009</xref>, p. 17).</p>
<p>As regress&#xF5;es nos direitos sociais, inclusive trabalhistas, visam &#xE0; manuten&#xE7;&#xE3;o da reprodu&#xE7;&#xE3;o ampliada do capital, que se intensifica com a destrui&#xE7;&#xE3;o da natureza e da humanidade e se expressam mais radicalmente por meio do desemprego, da precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, das migra&#xE7;&#xF5;es for&#xE7;adas em busca de emprego ou fugindo das regi&#xF5;es em guerra. O desemprego tem gerado inseguran&#xE7;a nos trabalhadores e debilita suas for&#xE7;as para lutar coletivamente pelos seus direitos. Estudo recente da Organiza&#xE7;&#xE3;o Internacional do Trabalho estima em 192,3 milh&#xF5;es o n&#xFA;mero de pessoas desempregadas no mundo em 2018, 23 milh&#xF5;es a mais do que antes do in&#xED;cio da crise capitalista de 2008. No Brasil, a taxa de desemprego foi de 6,5% em 2013, subiu para 11,3% em junho de 2016 e chegou a 12,2% em janeiro de 2018.</p>
<p>A crise social que atinge o Brasil agrava-se com a pol&#xED;tica de ajuste fiscal e contrarreformas em curso, orientadas pelo governo federal, principalmente pela redu&#xE7;&#xE3;o de investimentos do Or&#xE7;amento Geral da Uni&#xE3;o em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e, em contrapartida, a manuten&#xE7;&#xE3;o do pagamento de juros e amortiza&#xE7;&#xE3;o da d&#xED;vida p&#xFA;blica. Como bem alertam os documentos da Auditoria Cidad&#xE3;o, o Brasil continua praticando as pol&#xED;ticas recomendadas pelo Fundo Monet&#xE1;rio Internacional (FMI), tais como o &#x201C;super&#xE1;vit prim&#xE1;rio&#x201D; (corte de gastos sociais para o pagamento da d&#xED;vida), as reformas da previd&#xEA;ncia e trabalhistas, as privatiza&#xE7;&#xF5;es e os pacatos de pol&#xED;ticas de austeridade.</p>
<p>Portanto, os fatos e dados indicam que a crise social vem se acirrando na sociedade brasileira e a conjuntura nacional colocar&#xE1; em prova, mais uma vez, as for&#xE7;as de resist&#xEA;ncia do trabalho contra as ofensivas do capital em todas as dimens&#xF5;es da vida social.</p>
<sec>
<title>Ascenso conservador e regress&#xF5;es de direitos trabalhistas</title>
<p>O desgaste do &#x201C;modelo econ&#xF3;mico neoliberal&#x201D; do presidente Fernando Henrique Cardoso resultou em baixas taxas de crescimento econ&#xF4;mico, destrui&#xE7;&#xE3;o do patrim&#xF4;nio p&#xFA;blico por meio das privatiza&#xE7;&#xF5;es, aumento da pobreza, altas taxas de desemprego e intensa flexibiliza&#xE7;&#xE3;o de direitos trabalhistas. Nas elei&#xE7;&#xF5;es de 2002, elegeu-se o presidente Luiz In&#xE1;cio Lula da Silva, despertando a esperan&#xE7;a do povo brasileiro para mudan&#xE7;as sociais, mas para a infelicidade da classe trabalhadora estas foram em doses homeop&#xE1;ticas, na maioria dos casos atingiram contingentes miser&#xE1;veis da sociedade brasileira, sendo que a pol&#xED;tica de ataque aos direitos dos trabalhadores teve continuidade e pouco foi feito para refrear as contrarreformas nas pol&#xED;ticas sociais.</p>
<p>No primeiro mandato de Lula da Silva, uma de suas medidas iniciais de governo, com o apoio da maioria do Congresso Nacional, foi a retirada de direitos previdenci&#xE1;rios dos servidores p&#xFA;blicos, instituindo a cobran&#xE7;a de contribui&#xE7;&#xE3;o para servidores aposentados, estabelecendo o teto do Regime Geral da Previd&#xEA;ncia Social (RGPS) para as aposentadorias e autorizando a cria&#xE7;&#xE3;o de fundo privado de pens&#xE3;o para os futuros servidores que almejassem complementar sua aposentadoria que seria concedida pelo Regime Pr&#xF3;prio de Previd&#xEA;ncia Social (RPPS).<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> Na economia, o Ministro da Fazenda, Palocci, deu continuidade &#xE0; pol&#xED;tica macroecon&#xF4;mica conservadora com base nos mesmos pressupostos de Collor, Franco e Cardoso. J&#xE1; na posse foi dado indicativo da dire&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica econ&#xF4;mica ao ser nomeado Henrique de Campos Meirelles como presidente do Banco Central, ex-gerente geral do Banco <italic>Fleet Boston,</italic> s&#xE9;timo Banco em import&#xE2;ncia nos Estados Unidos e segundo no que se refere &#xE0; hierarquia dos credores brasileiros (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BOR&#xD3;N, 2010</xref>).</p>
<p>A retomada c&#xED;clica do crescimento da economia mundial, a partir de 2004, possibilitou ao Brasil a expans&#xE3;o do Produto Interno Bruto (PIB) com melhoria na distribui&#xE7;&#xE3;o de renda, incremento real do sal&#xE1;rio m&#xED;nimo e amplia&#xE7;&#xE3;o de empregos, dando, assim, s&#xF3;lida base de apoio social para a reelei&#xE7;&#xE3;o de Lula da Silva em 2006. Isto manteve a continuidade da pol&#xED;tica que combinou rigoroso equil&#xED;brio fiscal, nos moldes preconizados pelo FMI, com pol&#xED;ticas sociais compensat&#xF3;rias para aliviar a pobreza.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref></p>
<p>No que se refere &#xE0; distribui&#xE7;&#xE3;o de renda, houve queda no &#xED;ndice de Gini de 0,596 em 2001, para 0,543 em 2009. A partir de 2003, a melhoria da distribui&#xE7;&#xE3;o de renda foi acompanhada de eleva&#xE7;&#xE3;o da renda m&#xE9;dia dos brasileiros, por&#xE9;m o Brasil ainda continua a ter alta concentra&#xE7;&#xE3;o de renda. Em 2009, os 10% mais ricos se apropriavam de 42,8% da renda identificada pela PNAD (<xref ref-type="bibr" rid="B17">DIEESE, 2012b</xref>).</p>
<p>De acordo com Antunes, &#x201C;o governo Lula, que poderia ter ao menos iniciado o primeiro embate contra o neoliberalismo no Brasil (&#x2026;) se tornou dele prisioneiro&#x201D;, convertendo-se em &#x201C;uma variante social- liberal que <italic>fortaleceu</italic> ao inv&#xE9;s de <italic>desestruturar</italic> os pilares da domina&#xE7;&#xE3;o burguesa no pa&#xED;s&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B2">ANTUNES, 2011</xref>, p.148, grifos do autor). A gest&#xE3;o de Lula da Silva atenuou a primazia dos financistas em favor de maior equil&#xED;brio com o agroneg&#xF3;cio e os exportadores industriais, e &#x201C;com esta variante de social- liberalismo, os principais grupos econ&#xF4;micos mantiveram altas taxas de rentabilidade&#x201D; &#xE0;s custas da maioria da popula&#xE7;&#xE3;o pobre trabalhadora (KATZ, 2012, p. 89).</p>
<p>Dilma Rousseff, eleita no ano de 2011, continuou a governar priorizando a destina&#xE7;&#xE3;o de recursos para o grande capital em preju&#xED;zo dos direitos sociais universais, fortalecendo, assim, a forma&#xE7;&#xE3;o de novos megaconglomerados brasileiros e a internacionaliza&#xE7;&#xE3;o da economia. Os governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff praticaram um &#x201C;desenvolvimentismo&#x201D; &#xE0;s avessas, mantendo o car&#xE1;ter dependente da economia brasileira.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B29">Gon&#xE7;alves (2013)</xref>, o <italic>Modelo Liberal Perif&#xE9;rico</italic><xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>, que teve in&#xED;cio com o Governo Collor, progrediu significativamente no Governo Cardoso e se consolidou no Governo Lula e Dilma, quando n&#xE3;o houve &#x201C;grandes transforma&#xE7;&#xF5;es estruturais&#x201D;. Para Gon&#xE7;alves, os eixos do nacional-desenvolvimentismo foram invertidos. O que se constata &#xE9;:</p> <disp-quote>
<p>desindustrializa&#xE7;&#xE3;o, dessubstitui&#xE7;&#xE3;o de importa&#xE7;&#xF5;es; reprimariza&#xE7;&#xE3;o das exporta&#xE7;&#xF5;es; maior depend&#xEA;ncia tecnol&#xF3;gica; maior desnacionaliza&#xE7;&#xE3;o; perda de competitividade internacional, crescente vulnerabilidade externa estrutural na esfera financeira, que expressa a subordina&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica de desenvolvimento &#xE0; pol&#xED;tica monet&#xE1;ria focada no controle &#xE0; infla&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B29">GON&#xC7;ALVES, 2013</xref>, p.169).</p></disp-quote>
<p>Durante o ano de 2014, os sinais de colapso j&#xE1; estavam presentes, a economia cresceu pouco e a tend&#xEA;ncia de agravamento da <italic>crise econ&#xF3;mica</italic> levou os empres&#xE1;rios a pressionar o governo e os candidatos &#xE0; presid&#xEA;ncia para assumir a retomada da ofensiva neoliberal no pa&#xED;s, buscando com isso colocar na agenda pol&#xED;tica a flexibiliza&#xE7;&#xE3;o de direitos trabalhistas, a redu&#xE7;&#xE3;o da carga tribut&#xE1;ria e a amplia&#xE7;&#xE3;o das privatiza&#xE7;&#xF5;es. No segundo turno das elei&#xE7;&#xF5;es presidenciais de 2014, Dilma foi reeleita por uma apertada margem de votos e o ano de 2015 iniciou com manifesta&#xE7;&#xF5;es de milhares de pessoas que foram &#xE0;s ruas, seguidas por amea&#xE7;as de <italic>impeachment</italic> animadas por setores de direita e da grande m&#xED;dia reacion&#xE1;ria. O objetivo da burguesia, com a <italic>crise social</italic> e sua face de &#x201C;crise pol&#xED;tica&#x201D; apresentada por meio das manifesta&#xE7;&#xF5;es, seria de for&#xE7;ar o governo e o Congresso Nacional a atender as pautas de reivindica&#xE7;&#xF5;es do grande capital. Em contraponto, as centrais sindicais e movimentos sociais, que se manifestaram contra as tentativas de desestabiliza&#xE7;&#xE3;o da democracia, realizaram Ato Nacional em defesa da Petrobr&#xE1;s, dos direitos trabalhistas e do Plebiscito Popular por uma Constituinte para a reforma do Sistema Pol&#xED;tico.</p>
<p>No final de 2014, ainda durante a campanha para a presid&#xEA;ncia da Rep&#xFA;blica, prenunciava que o eleito, fosse da situa&#xE7;&#xE3;o ou da oposi&#xE7;&#xE3;o, realizaria ajuste fiscal na economia brasileira. Nos primeiros meses de 2015, a candidata do Partido dos Trabalhadores apresentou pacote que reduziu direitos trabalhistas e previdenci&#xE1;rios com objetivo de economizar 18 bilh&#xF5;es de reais. As medidas provis&#xF3;rias 664 e 665, aprovadas no Congresso Nacional, implicaram redu&#xE7;&#xF5;es no pagamento do abono salarial do PIS, no seguro desemprego, nas pens&#xF5;es por morte, no aux&#xED;lio-doen&#xE7;a e no seguro defeso. Depois de enviadas ao Congresso Nacional, as medidas provis&#xF3;rias sofreram rejei&#xE7;&#xE3;o un&#xE2;nime das centrais sindicais em declara&#xE7;&#xF5;es oficiais, manifesta&#xE7;&#xF5;es de rua e protestos que se estenderam por todo o pa&#xED;s no dia 1&#xB0;. de maio de 2015, sem, no entanto, alcan&#xE7;arem o objetivo de impedir a sua aprova&#xE7;&#xE3;o pelos deputados federais e senadores.</p>
<p>Os empres&#xE1;rios, ainda em 2012, apresentaram ao governo federal o documento <italic>101 propostas de moderniza&#xE7;&#xE3;o trabalhista.</italic> Entre estas propostas se encontra a terceiriza&#xE7;&#xE3;o das atividades-fim das empresas. A redu&#xE7;&#xE3;o dos direitos trabalhistas &#xE9; defendida pela Confedera&#xE7;&#xE3;o Nacional da Ind&#xFA;stria (CNI) como &#x201C;fator necess&#xE1;rio para aumentar a competitividade da ind&#xFA;stria brasileira&#x201D;. (<xref ref-type="bibr" rid="B8">CNI, 2012</xref>). Em conson&#xE2;ncia com esta ofensiva empresarial, a C&#xE2;mara dos Deputados aprovou, em abril de 2015, o projeto de lei que amplia as terceiriza&#xE7;&#xF5;es no Brasil (PL 4.330/2004), permitindo que as atividades-fim tamb&#xE9;m sejam terceirizadas e enviou este PL para an&#xE1;lise do Senado. A amplia&#xE7;&#xE3;o das possibilidades de terceiriza&#xE7;&#xE3;o desejada pelos capitalistas significar&#xE1; principalmente o crescimento da precariza&#xE7;&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho, com o aumento da rotatividade no trabalho e de acidentes nos locais de trabalho. Atualmente, o tempo de perman&#xEA;ncia no trabalho &#xE9; de 5,8 anos para os trabalhadores diretamente contratados, em m&#xE9;dia. Para os terceirizados, &#xE9; de 2,7 anos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">CUT; DIEESE, 2014</xref>).</p>
<p>O movimento de amplia&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o no Brasil ganhou impulso a partir dos anos 1990, coincidindo com o movimento de abertura da economia, a desregulamenta&#xE7;&#xE3;o das leis trabalhistas e a &#x201C;estabiliza&#xE7;&#xE3;o&#x201D; da moeda por meio do Plano Real, em 1994 (<xref ref-type="bibr" rid="B37">POCHMANN, 2012</xref>). A amplia&#xE7;&#xE3;o da terceiriza&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; associada &#xE0; busca de redu&#xE7;&#xE3;o de custos com a for&#xE7;a de trabalho, o que corresponde &#xE0; l&#xF3;gica empresarial de que, em momentos de baixas taxas de crescimento econ&#xF3;mico e condi&#xE7;&#xE3;o desfavor&#xE1;vel de competi&#xE7;&#xE3;o em rela&#xE7;&#xE3;o ao exterior, a sa&#xED;da &#xE9; baratear ao m&#xE1;ximo o custo da for&#xE7;a de trabalho. Deste modo, explica-se a voracidade dos capitalistas em buscar uma amplia&#xE7;&#xE3;o das possibilidades de terceiriza&#xE7;&#xE3;o no momento em que as taxas do PIB apontam para uma poss&#xED;vel recess&#xE3;o econ&#xF3;mica no pa&#xED;s.</p>
<p>De acordo com o dossi&#xEA; &#x201C;Terceiriza&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento: uma conta que n&#xE3;o fecha&#x201D;, produzido pela CUT em parceria com o Dieese, 26,8% dos trabalhadores assalariados no Brasil j&#xE1; s&#xE3;o terceirizados. Os terceirizados ganham menos, trabalham mais e correm mais risco de sofrer acidentes. Em dezembro de 2013, os trabalhadores terceirizados recebiam 24,7% a menos do que aqueles que tinham contrato direto com as empresas e trabalhavam tr&#xEA;s horas a mais semanalmente, sem considerar o total de horas extras ou banco de horas, que n&#xE3;o s&#xE3;o objeto de levantamento estat&#xED;stico do Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego.</p>
<p>Para piorar a situa&#xE7;&#xE3;o do trabalhador brasileiro, em julho de 2015 as duas maiores centrais sindicais do pa&#xED;s, CUT e For&#xE7;a Sindical, deram aval para a medida provis&#xF3;ria que autoriza a redu&#xE7;&#xE3;o de jornada com redu&#xE7;&#xE3;o de sal&#xE1;rios, em empresas com comprovada dificuldade financeira. A Medida Provis&#xF3;ria 680, que institui o PPE - Programa de Prote&#xE7;&#xE3;o ao Emprego, permitir&#xE1; &#xE0;s empresas, que alegarem dificuldades financeiras tempor&#xE1;rias, a diminu&#xED;rem em at&#xE9; 30% a jornada de trabalho com a redu&#xE7;&#xE3;o proporcional do sal&#xE1;rio do trabalhador, desde que aprovado em acordo coletivo com os sindicatos e mediante delibera&#xE7;&#xE3;o em assembleias dos trabalhadores<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>.</p>
<p>No Brasil, a idade m&#xED;nima para o trabalho &#xE9; 16 anos e entre 14 e 16 anos os menores podem ser contratados como aprendizes. Por&#xE9;m, outra regress&#xE3;o social em curso no Congresso Nacional &#xE9; a tentativa de redu&#xE7;&#xE3;o da idade m&#xED;nima para o trabalho infantil no Brasil. Em julho de 2015, as Propostas de Emenda &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal n&#xBA; 35/11, 18/11 e 274/13, que reduzem para 14 anos a idade m&#xED;nima para o trabalho infantil, aguardavam vota&#xE7;&#xE3;o na Comiss&#xE3;o de Constitui&#xE7;&#xE3;o e Justi&#xE7;a e de Cidadania da C&#xE2;mara dos Deputados.</p>
<p>Ap&#xF3;s o duro golpe na democracia brasileira e a consolida&#xE7;&#xE3;o do impeachment, os empres&#xE1;rios avan&#xE7;am com o objetivo de flexibilizar direitos trabalhistas e consolidar as contrarreformas, evidenciando de forma expl&#xED;cita as pr&#xE1;ticas superexploradoras da burguesia industrial brasileira. Os documentos da Confedera&#xE7;&#xE3;o Nacional da Ind&#xFA;stria (CNI) radicalizam na dire&#xE7;&#xE3;o da privatiza&#xE7;&#xE3;o, redu&#xE7;&#xE3;o de direitos sociais e trabalhistas e, por conseguinte, desconsideram qualquer perspectiva de soberania nacional. Do documento intitulado &#x201C;101 Propostas de Moderniza&#xE7;&#xE3;o Trabalhista&#x201D; se evolui para a constru&#xE7;&#xE3;o do &#x201C;Mapa Estrat&#xE9;gico para a Ind&#xFA;stria 2013/2022&#x201D;, em seguida este se desdobra nas &#x201C;42 Propostas para os Presidenci&#xE1;veis&#x201D;. Logo no in&#xED;cio do governo de Michel Temer, o F&#xF3;rum Nacional da Ind&#xFA;stria e a CNI apresentam outro documento, &#x201C;119 propostas para a competitividade&#x201D;, ao governo federal pela media&#xE7;&#xE3;o do Minist&#xE9;rio da Fazenda, agora com Henrique Meirelles. A burguesia nacional pressiona a administra&#xE7;&#xE3;o federal e esta acelera as pol&#xED;ticas de ajustes fiscais e &#x201C;moderniza&#xE7;&#xE3;o trabalhista&#x201D;, com projetos de leis e medidas provis&#xF3;rias que objetivam congelar investimentos nas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Por fim, mas n&#xE3;o menos importante, existe uma identidade de proposi&#xE7;&#xF5;es no documento do PMDB, &#x201C;Ponte para o Futuro&#x201D;, com as propostas da burguesia, em especial com os documentos da CNI, ou seja, um verdadeiro &#x201C;pacot&#xE3;o&#x201D; de documentos que orientam as medidas impopulares em curso.</p>
</sec>
<sec>
<title>Sindicalismo, ofensivas ao trabalho e greves</title>
<p>O conjunto de transforma&#xE7;&#xF5;es nas rela&#xE7;&#xF5;es laborais ocorridas nas &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas implicaram uma crise sindical decorrente de sua incapacidade de enfrentar os efeitos do projeto neoliberal e das novas estrat&#xE9;gias de organiza&#xE7;&#xE3;o e gest&#xE3;o do trabalho. O sindicalismo de participa&#xE7;&#xE3;o surge como estrat&#xE9;gia da maior central sindical brasileira, a CUT, em detrimento de um sindicalismo de classe, de confronto com o capitalismo e defesa dos direitos dos trabalhadores.</p>
<p>A reconfigura&#xE7;&#xE3;o do movimento sindical brasileiro se estabelece pela maior pulveriza&#xE7;&#xE3;o das centrais sindicais. Em termos organizacionais, o momento central desse processo talvez seja a integra&#xE7;&#xE3;o das centrais sindicais &#xE0; estrutura sindical corporativa de Estado, com anu&#xEA;ncia e apoio da CUT<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. Com a Lei n&#xBA; 11.648/2008, que aprovou seu reconhecimento legal e pertencimento &#xE0; estrutura, a pulveriza&#xE7;&#xE3;o e fragmenta&#xE7;&#xE3;o de centrais sindicais passaram &#xE0; ordem do dia. Neste contexto, de um lado est&#xE3;o as centrais que romperam com a CUT, tecendo cr&#xED;ticas ao consenso com as pol&#xED;ticas regressivas do governo, dentre elas a CSP-CONLUTAS, a Intersindical e mais recentemente a Intersindical - Central da Classe Trabalhadora. Enquanto do outro lado encontraram-se as centrais que est&#xE3;o atentas aos vultosos montantes de recursos cedidos pelo governo atrav&#xE9;s da contribui&#xE7;&#xE3;o obrigat&#xF3;ria do imposto sindical<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>, sendo que algumas romperam com a CUT, outras com a FS<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>, ou mesmo aquelas que se aglutinaram para conter o m&#xED;nimo requisitado para serem reconhecidas<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>.</p>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B27">Galv&#xE3;o (2012</xref>, p. 187-188), esse processo de reconfigura&#xE7;&#xE3;o do movimento sindical pode ter sido causado por tr&#xEA;s fatores. O primeiro deles &#xE9; a manuten&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica macroecon&#xF4;mica conservadora da &#xE9;poca do governo Fernando Henrique Cardoso, al&#xE9;m da s&#xE9;rie de <italic>contrarreformas</italic> que reduziram direitos trabalhistas, como a &#x201C;reforma da previd&#xEA;ncia&#x201D; de 2003, que levou &#xE0; retirada de direitos dos servidores p&#xFA;blicos. Esse primeiro fator levou ao processo de cis&#xE3;o que resultou na cria&#xE7;&#xE3;o de novas organiza&#xE7;&#xF5;es: a Coordena&#xE7;&#xE3;o Nacional de Lutas (Conlutas), em 2004, e a Intersindical, em 2006. Uma segunda reconfigura&#xE7;&#xE3;o foi a aproxima&#xE7;&#xE3;o da CUT e For&#xE7;a Sindical (FS) na base de apoio ao governo Lula, com a participa&#xE7;&#xE3;o de dirigentes da FS no Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego. Em terceiro lugar, destaca-se a cria&#xE7;&#xE3;o dos &#xF3;rg&#xE3;os consultivos por parte do governo Lula para envolver o movimento sindical numa estrat&#xE9;gia de negocia&#xE7;&#xF5;es tripartites com o empresariado (o Conselho de Desenvolvimento Econ&#xF3;mico e Social - CDES - e o F&#xF3;rum Nacional do Trabalho - FNT), para discutir as &#x201C;reformas&#x201D; previdenci&#xE1;ria, tribut&#xE1;ria, trabalhista e sindical. Esses fatores est&#xE3;o presente no movimento sindical brasileiro, os quais indicam uma crise permanente nas tradicionais formas de organiza&#xE7;&#xE3;o classista e defesa dos interesses dos trabalhadores. <xref ref-type="bibr" rid="B27">Galv&#xE3;o (2012)</xref> indica ainda que, por um lado, pode estar ocorrendo uma revitaliza&#xE7;&#xE3;o de parcela do movimento sindical quando se busca a cria&#xE7;&#xE3;o de novas reorganiza&#xE7;&#xF5;es, em face do descontentamento com as pol&#xED;ticas do governo PT e com as centrais sindicais mais pr&#xF3;ximas a ele, ou, por outro lado, pode ser um indicativo de acomoda&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica &#xE0; nova legisla&#xE7;&#xE3;o sindical de Estado para auferir benef&#xED;cios por ela introduzidos.</p>
<p>Diante desse quadro do movimento sindical, o que temos concretamente s&#xE3;o os ataques aos direitos sociais e a crescente precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, mesmo que em alguns momentos os dados ofere&#xE7;am indicativos de melhores condi&#xE7;&#xF5;es sociais para as classes populares. Nas conjunturas de recupera&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica que ocorrem a partir de 2004 at&#xE9; 2008, houve conquista de ganhos salariais acima da infla&#xE7;&#xE3;o para parte significativa das categorias, embora na maior parte do per&#xED;odo analisado os indicadores sejam bastante modestos: de 0,01 a 1% acima do INPC-IBGE (<xref ref-type="bibr" rid="B17">DIEESE, 2012b</xref>, p. 294). Uma an&#xE1;lise sobre as negocia&#xE7;&#xF5;es de 2011 registra aumento real m&#xE9;dio de 1,68%, em 2010, e 1,38%, em 2011 (<xref ref-type="bibr" rid="B16">DIEESE, 2012a</xref>, p. 26).</p>
<p>Contudo, a instabilidade no trabalho permanece como tra&#xE7;o estrutural da realidade brasileira, como mostra a alta taxa de rotatividade no mercado de trabalho que impede a estabilidade dos trabalhadores. Na primeira d&#xE9;cada deste s&#xE9;culo, a rotatividade apresentou taxas que variaram entre 43,6%, em 2004 e 52,5%, em 2008, chegando em 2010 a 53,8% (<xref ref-type="bibr" rid="B17">DIEESE, 2012b</xref>, p. 284).</p>
<p>O aumento da gera&#xE7;&#xE3;o de empregos foi um fato positivo que manteve a base social de Lula e Dilma, mas cabe ressaltar que o maior saldo l&#xED;quido das novas ocupa&#xE7;&#xF5;es abertas se concentram na faixa dos 1,5 sal&#xE1;rios m&#xED;nimos: &#x201C;Dos 2,1 milh&#xF5;es de vagas abertas anualmente, em m&#xE9;dia 2 milh&#xF5;es encontram-se na faixa de at&#xE9; 1,5 sal&#xE1;rio m&#xED;nimo mensal&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B37">POCHMANN, 2012</xref>, p. 22).</p>
<p>A inquieta&#xE7;&#xE3;o social dos trabalhadores, por meio das greves, ressurge como resposta a essa realidade adversa do mercado de trabalho: funcion&#xE1;rios p&#xFA;blicos lutando por melhores sal&#xE1;rios e planos de carreira; trabalhadores da iniciativa privada reivindicando mais direitos, por garantia de manuten&#xE7;&#xE3;o das cl&#xE1;usulas dos acordos coletivos e contra a retirada de direitos, somaram 518 greves em 2009 e 446 em 2010 (<xref ref-type="bibr" rid="B18">DIEESE, 2012c</xref>). Nos anos seguintes, h&#xE1; aumento das greves que se correlaciona com uma conjuntura mais favor&#xE1;vel para as reivindica&#xE7;&#xF5;es em face do aumento da formaliza&#xE7;&#xE3;o de empregos. Por&#xE9;m, os ganhos salariais ainda n&#xE3;o s&#xE3;o suficientes para recompor as perdas salariais de anos anteriores. Em diversas categorias existe a percep&#xE7;&#xE3;o de que as m&#xE1;s condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho e o descumprimento de leis trabalhistas persistem, o que leva os trabalhadores a recorrerem &#xE0;s novas mobiliza&#xE7;&#xF5;es para reverter a situa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>De acordo com o <xref ref-type="bibr" rid="B10">Dieese (2015)</xref>, entre 2010 e 2012, o n&#xFA;mero de greves passou de 445, no primeiro ano deste intervalo, para 554 em 2011, chegando, no ano seguinte, a 873, registrando um aumento de 96%.</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>Total de greves por esfera no Brasil - 2010 a 2012</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb1.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="center" valign="middle">Esfera</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2010</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2011</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2012</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Varia&#xE7;&#xE3;o 2010-12</th></tr>
<tr>
<th align="center" valign="middle"/>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">%</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Esfera P&#xFA;blica</bold></td>
<td align="center" valign="top">268</td>
<td align="center" valign="top">325</td>
<td align="center" valign="top">409</td>
<td align="center" valign="top">53</td></tr>
<tr style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Esfera Privada</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">176</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">227</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">461</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">162</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top">Total</td>
<td align="center" valign="top"><bold>445</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>554</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>873</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>96</bold></td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: DIEESE- Sistema de acompanhamento de greve - SAG.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o ao n&#xFA;mero de horas paradas, nas greves de 2010 foram 44.894 horas n&#xE3;o trabalhadas e em 2011 houve um aumento para 63.332, at&#xE9; atingirem 86.864 horas n&#xE3;o trabalhadas em 2012, configurando-se um aumento de 93% em rela&#xE7;&#xE3;o ao ano de 2010.</p>
<table-wrap id="t2">
<label>Tabela 2</label>
<caption>
<title>Total de horas paradas por esfera no Brasil - 2010 a 2012</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb2.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th rowspan="2" align="center" valign="middle">Esfera</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2010</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2011</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2012</th>
<th align="center" valign="middle" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Varia&#xE7;&#xE3;o 2010-12</th></tr>
<tr>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">%</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Esfera P&#xFA;blica</bold></td>
<td align="center" valign="top">38.077</td>
<td align="center" valign="top">52.735</td>
<td align="center" valign="top">65.393</td>
<td align="center" valign="top">72</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Esfera Privada</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">6.641</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">10.269</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">21.229</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">220</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Total</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>44.894</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>63.332</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>86.864</bold></td>
<td align="center" valign="top"><bold>93</bold></td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: DIEESE- Sistema de acompanhamento de greve - SAG.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>As greves na esfera p&#xFA;blica registraram um crescimento de 53%, enquanto na esfera privada chegam a expressivos 162%. Em 2012, as greves da esfera p&#xFA;blica deixam de ser predominantes em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s ocorridas na esfera privada, diferente do que ocorria nos anos de 2010 e 2011. Quanto ao car&#xE1;ter das reivindica&#xE7;&#xF5;es, os estudos do Dieese sobre as cl&#xE1;usulas reivindicadas mostram que h&#xE1; predom&#xED;nio de greves defensivas (luta pela manuten&#xE7;&#xE3;o de direitos) em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s greves propositivas (luta por novos direitos).<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref></p>
<table-wrap id="t3">
<label>Tabela 3</label>
<caption>
<title>Car&#xE1;ter das Reivindica&#xE7;&#xF5;es das Greves, por Esfera no Brasil - 2010 a 2012</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb3.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="16%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th rowspan="2" align="center" valign="top">Esfera</th>
<th rowspan="2" align="center" valign="top">Car&#xE1;ter</th>
<th align="center" valign="top" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2010</th>
<th align="center" valign="top" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2011</th>
<th align="center" valign="top" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">2012</th>
<th align="center" valign="top" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Varia&#xE7;&#xE3;o 2010-2012</th></tr>
<tr>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">n&#xB0;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">%</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" valign="top" rowspan="2"><bold>Esfera P&#xFA;blica</bold></td>
<td align="center" valign="top">Propositivas</td>
<td align="center" valign="top">224</td>
<td align="center" valign="top">264</td>
<td align="center" valign="top">270</td>
<td align="center" valign="top">21</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">Defensivas</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">117</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">214</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">289</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">147</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" rowspan="2"><bold>Esfera Privada</bold></td>
<td align="center" valign="top">Propositivas</td>
<td align="center" valign="top">127</td>
<td align="center" valign="top">159</td>
<td align="center" valign="top">289</td>
<td align="center" valign="top">128</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">Defensivas</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">84</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">227</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">285</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">239</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" rowspan="2"><bold>Total</bold></td>
<td align="center" valign="top">Propositivas</td>
<td align="center" valign="top">352</td>
<td align="center" valign="top">425</td>
<td align="center" valign="top">561</td>
<td align="center" valign="top">59</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">Defensivas</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">202</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">343</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">589</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">192</td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: DIEESE - Sistema de acompanhamento de greve - SAG<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Em 2013, as greves seguem numa espiral crescente. Levantamento de <italic>Informa&#xE7;&#xF5;es preliminares</italic> do <xref ref-type="bibr" rid="B10">Dieese (2015)</xref> registrou 1901 greves ocorridas com a hegemonia daquelas de car&#xE1;ter defensivo (74,6%), contra as de car&#xE1;ter propositivo (57,7%). Este &#xE9; o maior registro da s&#xE9;rie hist&#xF3;rica do Sistema de Acompanhamento de Greve - SAG do DIEESE. Ocorreu eleva&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de greves no setor privado, sendo que o tempo de dura&#xE7;&#xE3;o das greves no setor p&#xFA;blico &#xE9; maior. No setor privado, as greves atingem o n&#xFA;cleo do capitalismo, a produ&#xE7;&#xE3;o da mais-valia, por isso a tend&#xEA;ncia &#xE9; de que elas se resolvam mais rapidamente por meio de negocia&#xE7;&#xF5;es ou atua&#xE7;&#xE3;o da Justi&#xE7;a do Trabalho. Quanto &#xE0;s principais reivindica&#xE7;&#xF5;es, destacam-se nas greves dos servidores p&#xFA;blicos: reajuste salarial (46%), Plano de Cargos e Sal&#xE1;rios - PCS (38,5%), condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho (36, 2%), piso salarial (17,7%), contrata&#xE7;&#xE3;o (17,1%). J&#xE1; no setor privado, em espec&#xED;fico, as principais reivindica&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o: alimenta&#xE7;&#xE3;o (37,8%), reajuste salarial (28,5%), atrasos de sal&#xE1;rio (26,1%), participa&#xE7;&#xE3;o nos lucros e resultado - PLR (21,6%) e assist&#xEA;ncia m&#xE9;dica (14,4%).</p>
<table-wrap id="t4">
<label>Tabela 4</label>
<caption>
<title>Total de greves e horas paradas nas esferas p&#xFA;blica e privada por setor da atividade no Brasil - 2013</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="tb4.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th rowspan="2" align="center" valign="top">Esfera/Setor</th>
<th colspan="2" align="center" valign="top" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Greves</th>
<th align="center" valign="top" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Horas Paradas</th></tr>
<tr>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xBA;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">%</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">n&#xBA;</th>
<th align="center" valign="middle" style="background-color:#CCCCCC">%</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Esfera P&#xFA;blica</bold></td>
<td align="center" valign="top">855</td>
<td align="center" valign="top">45</td>
<td align="center" valign="top">71545</td>
<td align="center" valign="top">68,7</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Funcionalismo P&#xFA;blico</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">729</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">38,3</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">67652</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">65</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Federal</bold></td>
<td align="center" valign="top">30</td>
<td align="center" valign="top">1,6</td>
<td align="center" valign="top">1069</td>
<td align="center" valign="top">1</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Estadual</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">241</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">12,7</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">24732</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">23,7</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Municipal</bold></td>
<td align="center" valign="top">449</td>
<td align="center" valign="top">23,6</td>
<td align="center" valign="top">41747</td>
<td align="center" valign="top">40,1</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Multin&#xED;veis <sup>(1)</sup></bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">9</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">0,5</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">104</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">0,1</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Empresas Estatais</bold></td>
<td align="center" valign="top">126</td>
<td align="center" valign="top">6,6</td>
<td align="center" valign="top">3893</td>
<td align="center" valign="top">3,7</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Esfera Privada</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">1039</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">54,7</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">32354</td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC">31,1</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top"><bold>Esfera P&#xFA;blica e Privada <sup>(2)</sup></bold></td>
<td align="center" valign="top">7</td>
<td align="center" valign="top">0,4</td>
<td align="center" valign="top">256</td>
<td align="center" valign="top">0,2</td></tr>
<tr>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>Total</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>1901</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>100</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>104155</bold></td>
<td align="center" valign="top" style="background-color:#CCCCCC"><bold>100</bold></td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: Sistema de Acompanhamento de Greves - SAG-DIEESE</attrib>
<fn id="TFN1">
<p>Nota: (1) Multin&#xED;veis: greves empreendidas conjuntamente por funcion&#xE1;rios p&#xFA;blicos de diferentes n&#xED;veis da administra&#xE7;&#xE3;o; (2) Esfera P&#xFA;blica e Privada: greves empreendidas conjuntamente por trabalhadores das esferas p&#xFA;blica e privada.</p></fn>
<fn id="TFN2">
<p>Obs.: As horas paradas s&#xE3;o a somat&#xF3;ria da dura&#xE7;&#xE3;o, em horas, de cada greve - com limite m&#xE1;ximo de oito horas para cada dia de cada paralisa&#xE7;&#xE3;o.</p></fn></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Em 2014, o Dieese realizou an&#xE1;lise dos resultados das negocia&#xE7;&#xF5;es coletivas de 716 unidades de negocia&#xE7;&#xE3;o da ind&#xFA;stria, do com&#xE9;rcio e dos servi&#xE7;os, em todo o territ&#xF3;rio nacional, e a grande maioria dos reajustes conquistados ao longo deste ano conseguiu ganhos reais. &#x201C;Do total dos reajustes examinados, 92% apresentaram aumento real, enquanto 6% igualaram-se ao &#xED;ndice inflacion&#xE1;rio e 2% n&#xE3;o alcan&#xE7;aram a recomposi&#xE7;&#xE3;o salarial. O aumento real m&#xE9;dio equivaleu a 1,39%&#x201D;. (<xref ref-type="bibr" rid="B10">DIEESE, 2015</xref>, p. 2). Segundo o DIEESE, o bom resultado das negocia&#xE7;&#xF5;es em 2014, superando as conquistas de 2013, num contexto de baixo crescimento econ&#xF3;mico e alta da infla&#xE7;&#xE3;o, refletiu uma trajet&#xF3;ria de &#x201C;resultados positivos para a classe trabalhadora&#x201D;.</p>
<p>A hegemonia de muitas greves defensivas demonstra que h&#xE1; grande descumprimento da legisla&#xE7;&#xE3;o trabalhista por parte dos empregadores e descontentamento dos trabalhadores com os padr&#xF5;es salariais, que est&#xE3;o muito distantes do sal&#xE1;rio m&#xED;nimo efetivamente necess&#xE1;rio para manter uma fam&#xED;lia de dois adultos e duas crian&#xE7;as, que, conforme os c&#xE1;lculos do DIEESE, o sal&#xE1;rio m&#xED;nimo real deveria ser de R$ 3.992,75, em julho de 2016.</p>
<p>As greves, em sua maioria, est&#xE3;o centradas na busca de melhores condi&#xE7;&#xF5;es de sal&#xE1;rio e trabalho. Durante os anos de 2010 e 2015, o movimento sindical n&#xE3;o conseguiu canalizar as insatisfa&#xE7;&#xF5;es dos trabalhadores do setor p&#xFA;blico e privado para greves gerais contra a pol&#xED;tica de austeridade fiscal e a retirada de direitos. V&#xE1;rias mobiliza&#xE7;&#xF5;es e dias nacionais de luta v&#xEA;m sendo convocadas pelas centrais sindicais, por&#xE9;m sem grande ades&#xE3;o.</p>
<p>O agravamento do desemprego, resultante da crise econ&#xF4;mica e ajuste fiscal em curso, &#xE9; fator que pode contribuir para a desmobiliza&#xE7;&#xE3;o sindical. O aperto do ajuste fiscal vem sendo depositado sobre as costas dos trabalhadores, seja no setor privado ou p&#xFA;blico, piorando suas condi&#xE7;&#xF5;es de vida.</p>
<p>O aumento das greves nos anos 2012 e 2015 evidencia breve retomada da disposi&#xE7;&#xE3;o de lutas da classe trabalhadora, em contratend&#xEA;ncia ao decl&#xED;nio que vinha sendo experimentado desde o in&#xED;cio dos anos 1990<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>. As 873 greves registradas no ano de 2012, &#xE9; o maior n&#xFA;mero desde 1996 e s&#xE3;o reveladoras de um crescimento significativo nos &#xFA;ltimos anos do recurso &#xE0; paralisa&#xE7;&#xE3;o do trabalho, como instrumento m&#xE1;ximo de luta contra os baixos sal&#xE1;rios, a perda de direitos e as p&#xE9;ssimas condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho, geradoras de uma crescente onda de acidentes de trabalho, especialmente em setores como o da Constru&#xE7;&#xE3;o Civil (<xref ref-type="bibr" rid="B32">MATTOS, 2014</xref>).</p>
<p>Lutas sindicais por mais verbas e qualidade para a sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica, por exemplo, ocorreram por meio de sindicatos do setor p&#xFA;blico, mantendo acesa a chama da luta de enfrentamento &#xE0;s restri&#xE7;&#xF5;es or&#xE7;ament&#xE1;rias derivadas da pol&#xED;tica macroecon&#xF4;mica. As manifesta&#xE7;&#xF5;es de 2013 impulsionaram greves e t&#xE1;ticas dos sindicatos mais combativos. Em muitos estados do pa&#xED;s, sindicatos de profissionais da esfera da educa&#xE7;&#xE3;o fizeram greves no segundo semestre de 2013.</p>
<p>No primeiro semestre de 2014, ocorreu a grande greve dos garis no Rio de Janeiro que obteve ganhos significativos para os trabalhadores. A base dos trabalhadores passou por cima da dire&#xE7;&#xE3;o sindical conciliadora, a qual anunciou acordos com a municipalidade jamais aprovados em assembleia. Para <xref ref-type="bibr" rid="B32">Mattos (2014)</xref>, o recente ciclo grevista apresenta a exist&#xEA;ncia de um setor combativo do movimento sindical que convoca e mobiliza os trabalhadores para as greves. Por vezes, at&#xE9; as burocracias acomodadas s&#xE3;o obrigadas a convocar paralisa&#xE7;&#xF5;es do trabalho. O que chama a aten&#xE7;&#xE3;o dos movimentos grevistas recentes, em alguns casos, &#xE9; que eles se fazem &#xE0; margem das dire&#xE7;&#xF5;es sindicais e at&#xE9; mesmo contra estas.</p>
<p>Historicamente, o aprofundamento das <italic>crises sociais</italic> obrigam os trabalhadores a organizar-se sindicalmente para defender seus direitos. Torna-se necess&#xE1;rio aprofundar as discuss&#xF5;es sobre a retomada do sindicalismo classista, para revitalizar a luta dos trabalhadores no cen&#xE1;rio nacional e mundial, sem ilus&#xF5;es com o Estado burgu&#xEA;s. Greves e protestos de massas t&#xEA;m ocorrido em todo o mundo, como a recente greve nacional da educa&#xE7;&#xE3;o federal (2015) no Brasil que une professores e trabalhadores t&#xE9;cnico- administrativos, pressionando o governo e o Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o a atender sua pauta de reivindica&#xE7;&#xF5;es; longas greves de professores estaduais duramente reprimidas pelas policias militares dos estados; greves de metal&#xFA;rgicos contra demiss&#xF5;es e a paralisa&#xE7;&#xE3;o nacional dos petroleiros em julho de 2015, para defesa da manuten&#xE7;&#xE3;o da empresa p&#xFA;blica, do patrimonio nacional Pr&#xE9;-Sal e contra a desativa&#xE7;&#xE3;o de investimentos anunciada pela dire&#xE7;&#xE3;o da empresa petroleira<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref>. Em outubro de 2016, as escolas e universidades p&#xFA;blicas de todo pa&#xED;s foram ocupadas pelos jovens que lutam contra a Proposta de Emenda &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o (PEC) 55, que estabelece limite para os gastos p&#xFA;blicos, e a Medida Provis&#xF3;ria 746, que objetiva &#x201C;reformar&#x201D; o ensino m&#xE9;dio<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>.</p>
<p>A retomada do ciclo grevista e sua continuidade depender&#xE3;o do fortalecimento da a&#xE7;&#xE3;o sindical combativa, unindo os setores formalizados e terceirizados, em defesa de seus direitos trabalhistas e o conjunto dos movimentos sociais que lutam pelos direitos sociais. Diante desse contexto, entendemos que o rebaixamento das taxas de crescimento da economia brasileira em 2014 e 2015, a recess&#xE3;o e crise em 2016 e 2017 apontam para a necessidade de fortalecer a luta pela garantia dos direitos dos trabalhadores e pela sua amplia&#xE7;&#xE3;o. Al&#xE9;m disso, as centrais sindicais est&#xE3;o desafiadas a lutar contra uma s&#xE9;rie de medidas legislativas, que buscam retirar ou reduzir os direitos sociais conquistados durante d&#xE9;cadas de lutas.</p>
<p>No entanto, o maior desafio &#xE9; buscar a cria&#xE7;&#xE3;o de um polo social e pol&#xED;tico de base que procure oferecer ao pa&#xED;s um programa de mudan&#xE7;as anticapitalistas significativas, combatendo as causas reais e hist&#xF3;ricas que mant&#xEA;m a estrutura social e pol&#xED;tica da domina&#xE7;&#xE3;o burguesa no Brasil, para isso, a articula&#xE7;&#xE3;o genu&#xED;na entre o sindicalismo e os movimentos sociais &#xE9; uma tarefa urgente e necess&#xE1;ria para as batalhas que est&#xE3;o na arena da luta de classes na sociedade brasileira.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>O sindicalismo mundial e brasileiro sofreram os impactos da reestrutura&#xE7;&#xE3;o da produ&#xE7;&#xE3;o e do Estado a partir de 1970, quando se iniciou a <italic>crise estrutural do capital,</italic> passando da postura ofensiva para a defensiva. No Brasil, o fato de as organiza&#xE7;&#xF5;es sindicais e partid&#xE1;rias de esquerda terem adotado a linha de menor resist&#xEA;ncia, durante a &#x201C;&#xE9;poca neoliberal&#x201D;, significou derrotas importantes para os direitos sociais da classe trabalhadora.</p>
<p>Uma onda conservadora em defesa das regress&#xF5;es sociais no plano laboral e societ&#xE1;rio vem crescendo no pa&#xED;s, exigindo do movimento sindical combativo, junto aos seus aliados dos movimentos sociais, uma luta unit&#xE1;ria contra o ajuste fiscal e em defesa da democracia, dos direitos sociais, da soberania nacional, da reforma agr&#xE1;ria, da reforma urbana, da democratiza&#xE7;&#xE3;o dos meios de comunica&#xE7;&#xE3;o, da redu&#xE7;&#xE3;o da jornada de trabalho para 40 horas sem redu&#xE7;&#xE3;o salarial, dos reajustes autom&#xE1;ticos de sal&#xE1;rios de acordo com a infla&#xE7;&#xE3;o, da taxa&#xE7;&#xE3;o das grandes fortunas atrav&#xE9;s de uma reforma tribut&#xE1;ria progressiva, da auditoria da d&#xED;vida p&#xFA;blica, entre outras medidas de <italic>justi&#xE7;a social</italic> que possam melhorar as condi&#xE7;&#xF5;es de vida da classe trabalhadora.</p>
<p>As articula&#xE7;&#xF5;es entre o movimento social e sindical s&#xE3;o extremamente necess&#xE1;rias para potencializar as lutas contra os ataques aos direitos sociais e a possibilidade de constru&#xE7;&#xF5;es de genu&#xED;nas alternativas para o conjunto da sociedade. O car&#xE1;ter cada vez mais mundializado da produ&#xE7;&#xE3;o capitalista e da resist&#xEA;ncia dos trabalhadores imp&#xF4;s, j&#xE1; no s&#xE9;culo XIX, a constitui&#xE7;&#xE3;o da Associa&#xE7;&#xE3;o Internacional dos Trabalhadores (AIT), tendo em vista a necessidade de dar ao movimento da classe trabalhadora a orienta&#xE7;&#xE3;o de uma estrat&#xE9;gia socialista internacional, visando reconhecer as contradi&#xE7;&#xF5;es sociais e a supera&#xE7;&#xE3;o do sistema do capital em sua totalidade, atrav&#xE9;s da unidade entre todos aqueles que constroem a sociedade. Portanto, diante dos ataques do capital que se articula em escala internacional e nacional, cabe aos trabalhadores conjugarem as lutas de <italic>resist&#xEA;ncia do trabalho</italic> em escala global.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Para os detalhes dessa &#x201C;reforma previdenci&#xE1;ria&#x201D;, bem como a cria&#xE7;&#xE3;o da Funda&#xE7;&#xE3;o de Previd&#xEA;ncia Complementar do Servidor P&#xFA;blico Federal do Poder Executivo (Funpresp-Exe), por meio do Decreto 7.808/2012, ver <xref ref-type="bibr" rid="B3">ANDES (2013)</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>Depois da completa fal&#xEA;ncia do programa social Fome Zero, Lula ampliou o Programa Bolsa Fam&#xED;lia, pol&#xED;tica focalizada e assistencialista de grande amplitude, que atingiu, em 2009, aproximadamente 12 milh&#xF5;es de fam&#xED;lias pobres - cerca de 40 milh&#xF5;es de pessoas com renda familiar baixa - que receberam em m&#xE9;dia o equivalente mensal a U$ 30.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Para oferecer ao leitor uma perspectiva hist&#xF3;rica da economia brasileira, Gon&#xE7;alves dividiu a forma&#xE7;&#xE3;o econ&#xF4;mica do pa&#xED;s nas seguintes fases: sistema colonial (1500-1822); economia agroexportadora escravista (1822-1889); expans&#xE3;o cafeeira e prim&#xF3;rdios da industrializa&#xE7;&#xE3;o (1889-1930); desenvolvimentismo, substitui&#xE7;&#xE3;o de importa&#xE7;&#xF5;es e industrializa&#xE7;&#xE3;o (1930-1979); crise, instabilidade e transi&#xE7;&#xE3;o (1980-1994); e Modelo Liberal Perif&#xE9;rico, de 1995 em diante.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn4">
<label>4</label>
<p>Um exemplo do impacto da medida na vida dos trabalhadores foi apresentado pela Central Sindical e Popular - Conlutas. &#x201C;Um funcion&#xE1;rio que receba hoje R$ 3 mil e tenha sua jornada reduzida em 30%, por exemplo, passaria a receber R$ 2.550,00, sendo R$ 2.100,00 custeados pela empresa e o restante (R$ 450,00) pelo governo, gerando uma perda salarial de 15%. Importante ressaltar ainda que a quantia complementada pelo Governo j&#xE1; sai do bolso de todos os empregados, uma vez que ser&#xE1; retirado do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Dispon&#xED;vel em: &#x3C;<ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://cspconlutas.org.br/2015/07/com-apoio-da-cut-e-forca-sindical-dilma-assina-mp-que-reduz-jornada-e-salario-dos-trabalhadores/">http://cspconlutas.org.br/2015/07/com-apoio-da-cut-e-forca-sindical-dilma-assina-mp-que-reduz-jornada-e-salario-dos-trabalhadores/</ext-link>&#x3E;. Acesso em: 03 ago. 2015.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
<label>5</label>
<p>&#x201C;O movimento sindical ocupou a C&#xE2;mara dos Deputados no dia 11 de mar&#xE7;o e acompanhou a vota&#xE7;&#xE3;o e aprova&#xE7;&#xE3;o do Projeto de Lei n&#xBA; 1.990/07, enviado pelo presidente Lula, que reconhece as centrais sindicais de trabalhadores. O projeto deu origem &#xE0; Lei n&#xBA; 11.648/2008, sancionada no dia 31 de mar&#xE7;o. O reconhecimento das centrais sindicais atendeu a uma reivindica&#xE7;&#xE3;o t&#xE3;o antiga quanto &#xE0; pr&#xF3;pria CUT&#x201D;. Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.cut.org.br/institucional/68/cronologia-de-lutas">http://www.cut.org.br/institucional/68/cronologia-de-lutas</ext-link>. Acesso em: 05 out. 2011.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn6">
<label>6</label>
<p>Um dia do sal&#xE1;rio ao ano de todos os trabalhadores das empresas privadas &#xE9; recolhido compulsoriamente pelo Estado e repassado aos sindicatos, &#xE0;s federa&#xE7;&#xF5;es, &#xE0;s confedera&#xE7;&#xF5;es e agora tamb&#xE9;m para as centrais, al&#xE9;m da parte que fica para o Estado.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn7">
<label>7</label>
<p>Para um melhor entendimento desse processo de pulveriza&#xE7;&#xE3;o das centrais, consultar <xref ref-type="bibr" rid="B2">Antunes (2011</xref>, p. 148-150) e <xref ref-type="bibr" rid="B27">Galv&#xE3;o (2012)</xref>. No site do Minist&#xE9;rio do Trabalho e Emprego (MTE) est&#xE3;o publicadas as centrais sindicais &#x201C;oficializadas&#x201D; e o n&#xFA;mero de sindicatos a elas filiados. Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www3.mte.gov.br/sistemas/cnes/relatorios/painel/GraficoFiliadosCS.asp">http://www3.mte.gov.br/sistemas/cnes/relatorios/painel/GraficoFiliadosCS.asp</ext-link>). Acesso em: 10 out. 2014.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
<label>8</label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B27">Galv&#xE3;o (2012</xref>, p. 202) apresentou resumo da origem e trajet&#xF3;ria das centrais: 1983: Central &#xDA;nica dos Trabalhadores (CUT); 1986: Central Geral dos Trabalhadores (CGT); 1989: CGT/ Central e a CGT/Confedera&#xE7;&#xE3;o; 1991: For&#xE7;a Sindical (FS) como dissid&#xEA;ncia da CGT/Confedera&#xE7;&#xE3;o; 1997: Social Democracia Sindical (SDS), dissid&#xEA;ncia da For&#xE7;a Sindical (FS); 2001: Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB); 2004: Conlutas formada por dissid&#xEA;ncias com a CUT; 2005: Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST); 2006: Intersindical fundada pelo Sindicato dos metal&#xFA;rgicos de Campinas, juntamente com o de Limeira, de S&#xE3;o Jos&#xE9; dos Campos e Santos em S&#xE3;o Paulo e outros sindicatos; 2007: Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), constitu&#xED;da fundamentalmente pela Corrente Sindical Classista (CSC); 2007: Uni&#xE3;o Geral dos Trabalhadores (UGT), oriunda da CGT/ Central com a Central Aut&#xF3;noma dos Trabalhadores (CAT) e da SDS; <italic>2008; Central dos Sindicatos Brasileiros</italic> (CSB); <italic>2014; Intersindical - Central da Classe Trabalhadora, fundada em 2014, devido</italic> &#xE0; <italic>dissid&#xEA;ncia com a</italic> Intersindical.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn9">
<label>9</label>
<p>Para cada greve, durante seu cadastramento no SAG-DIEESE, o conjunto de exig&#xEA;ncias dos trabalhadores &#xE9; examinado e classificado de acordo com os prop&#xF3;sitos entre greves propositivas e greves defensivas: greves propositivas - aquelas que prop&#xF5;em novas conquistas ou amplia&#xE7;&#xE3;o daquelas que j&#xE1; est&#xE3;o asseguradas; greves defensivas - s&#xE3;o as que se caracterizam pela defesa de condi&#xE7;&#xF5;es de trabalho vigentes, pelo respeito a condi&#xE7;&#xF5;es m&#xED;nimas de trabalho ou contra o descumprimento de direitos estabelecidos em acordo ou legisla&#xE7;&#xE3;o.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn10">
<label>10</label>
<p>A soma das parcelas &#xE9; superior ao total de greves, dado que uma mesma paralisa&#xE7;&#xE3;o pode conter diversas e distintas motiva&#xE7;&#xF5;es.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label>
<p>De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B32">Mattos (2014)</xref>: &#x201C;Em 1989, no auge do ciclo de lutas sociais que marcou o fim da ditadura empresarial-militar instalada em 1964, ocorreram cerca de 4000 greves no Brasil. Nos anos seguintes este n&#xFA;mero foi caindo, at&#xE9; atingir 1228 greves em 1996, 525 em 2000 e 299, em 2005, num dos pontos mais baixos da curva (o menor n&#xFA;mero foi de 298 em 2002)&#x201D;. As raz&#xF5;es do decl&#xED;nio grevista s&#xE3;o v&#xE1;rias: o desemprego, a precariza&#xE7;&#xE3;o do trabalho, o apassivamento da maioria da dire&#xE7;&#xE3;o sindical mais combativa (reunida em torno da Central &#xDA;nica dos Trabalhadores), entre outras.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn12">
<label>12</label>
<p>Uma greve nacional de 24 horas foi realizada pelos petroleiros no dia 24 de julho de 2015, contra o novo plano de Gest&#xE3;o e Neg&#xF3;cios aprovado pelo Conselho Administra&#xE7;&#xE3;o da Petrobr&#xE1;s. Este novo plano prev&#xEA; cortes de 89 bilh&#xF5;es de d&#xF3;lares nos investimentos da empresa e, se seguir adiante, colocar&#xE1; em risco empregos, direitos e conquistas sociais dos empregados e da sociedade brasileira. Al&#xE9;m de ser uma greve pol&#xED;tica contra o plano de gest&#xE3;o da dire&#xE7;&#xE3;o da empresa, os petroleiros - contratados e terceirizados - se manifestaram contra o Projeto de Lei do Senador Jos&#xE9; Serra (PLS 131) que pretende alterar a Lei do Pr&#xE9;-Sal, tirando da estatal a fun&#xE7;&#xE3;o de operadora &#xFA;nica do Pr&#xE9;-Sal e acabando com a participa&#xE7;&#xE3;o m&#xED;nima de 30% que a Petrobr&#xE1;s legalmente tem sobre os campos de petr&#xF3;leo.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn13">
<label>13</label>
<p>O artigo foi elaborado em 2016, muitas propostas de retirada de direitos sociais citadas j&#xE1; foram aprovadas e, por conseguinte, os movimentos sociais foram derrotados, mas mantivemos os dados e informa&#xE7;&#xF5;es para respeitar a an&#xE1;lise s&#xF3;cio-hist&#xF3;rica que vai at&#xE9; 2016.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<source>Direito de se conformar</source>
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<mixed-citation>PAVAN, Bruno. <bold>Desemprego continuar&#xE1; cr&#xED;tico enquanto austeridade n&#xE3;o for revertida, dizem economistas</bold>. Publicado em: 23 jul. 2015. Dispon&#xED;vel em: http://www.brasildefato.com.br/node/32488. Acesso em: 2 ago. 2015.</mixed-citation></ref>
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