<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" article-type="research-article" xml:lang="pt">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="publisher-id">Textos&#x26;Contextos</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title>Textos &#x26; Contextos (Porto Alegre)</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Textos Contextos (Porto Alegre)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="epub">1677-9509</issn>
<publisher>
<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul, Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;ao em Servi&#xE7;o Social</publisher-name></publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="publisher-id">1677-9509.2017.1.27635</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1677-9509.2017.1.27635</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Direitos Humanos, Envelhecimento e Rualiza&#xE7;&#xE3;o</subject></subj-group></article-categories>
<title-group>
<article-title>O Envelhecimento e as Reformas no Sistema de Seguridade Social no Brasil Contempor&#xE2;neo</article-title>
<trans-title-group xml:lang="en">
<trans-title>Aging and Reforms in the Social Security System in Contemporary Brazil</trans-title></trans-title-group>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name><surname>Teixeira</surname><given-names>Solange Maria</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref></contrib>
</contrib-group><aff id="aff1">
<label>*</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal do Piau&#xED;</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Piau&#xED;</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas</institution>
<addr-line>
<named-content content-type="city">Teresina</named-content>
<named-content content-type="state">PI</named-content></addr-line>
<country country="BR">Brasil</country>
<email>solangemteixeira@pq.cnpq.br</email>
<institution content-type="original">Doutorado em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas pela Universidade Federal do Maranh&#xE3;o (UFMA) e P&#xF3;s-Doutorado em Servi&#xE7;o Social pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica de S&#xE3;o Paulo (PUC-SP), docente da Gradua&#xE7;&#xE3;o em Servi&#xE7;o Social e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas da Universidade Federal do Piau&#xED; (UFPI), Teresina &#x2013; PI/Brasil. CV: http://lattes.cnpq.br/8438810880127194. E-mail: solangemteixeira@pq.cnpq.br.</institution></aff>
<!--
<pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date publication-format="electronic" date-type="collection">
-->
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>Jan-Jul</season>
<year>2018</year>
</pub-date>
<volume>17</volume>
<issue>1</issue>
<fpage>126</fpage>
<lpage>137</lpage>
<history>
<date date-type="received">
<day>15</day>
<month>05</month>
<year>2017</year></date>
<date date-type="accepted">
<day>15</day>
<month>05</month>
<year>2018</year></date>
</history>
<permissions>
<license xml:lang="en" license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR">
<license-p>Este artigo est&#xE1; licenciado sob forma de uma licen&#xE7;a Creative Commons Atribui&#xE7;&#xE3;o 4.0 Internacional, que permite uso irrestrito, distribui&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o em qualquer meio, desde que a publica&#xE7;&#xE3;o original seja corretamente citada.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>RESUMO</title>
<p>O artigo tem por objetivo problematizar os discursos generalizantes e homogeneizantes do envelhecimento humano, que desconsideram as diferen&#xE7;as e desigualdades no modo de envelhecer, viver e representar essa etapa da vida. Aponta o utilitarismo desse discurso universalizante nas propostas de reformas das pol&#xED;ticas sociais, especialmente da pol&#xED;tica de Previd&#xEA;ncia Social no Brasil. Analisa alguns pontos cr&#xED;ticos da reforma da Previd&#xEA;ncia Social e aponta os determinantes estruturais do novo modelo de acumula&#xE7;&#xE3;o capitalista e da superestrutura neoliberal como raiz dos desiquil&#xED;brios no sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social. Trata-se de um artigo te&#xF3;rico, fundamentado numa revis&#xE3;o de literatura que buscou responder aos objetivos desta investiga&#xE7;&#xE3;o.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>ABSTRACT</title>
<p>The article aims to problematize the generalizing and homogenizing discourses of human aging, which disregard the differences and inequalities in the way of aging, living and representing this stage of life. It points out the utilitarianism of this universalizing discourse in the proposals for social policy reforms, especially the social security policy in Brazil. It analyzes some critical points of social security reform and points out the structural determinants of the new model of capitalist accumulation and of the neoliberal superstructure as the root of imbalances in the social protection system. This is a theoretical article, based on a literature review, the sought to respond to the research the goals.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Envelhecimento</kwd>
<kwd>Previd&#xEA;ncia Social</kwd>
<kwd>Reformas</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords</title>
<kwd>Aging</kwd>
<kwd>Social Security</kwd>
<kwd>Reforms</kwd></kwd-group>
<counts>
<fig-count count="0"/>
<table-count count="0"/>
<equation-count count="0"/>
<ref-count count="17"/>
<page-count count="12"/></counts></article-meta></front>
<body>
<p>O envelhecimento humano &#xE9; um processo complexo e multidimensional. A geriatria e a gerontologia o definem como um processo biopsicossocial. Entretanto, muitas an&#xE1;lises n&#xE3;o conseguem abordar de forma articulada e dial&#xE9;tica os elementos biol&#xF3;gicos, psicol&#xF3;gicos e sociais que o perpassam, prevalecendo, na maioria das vezes, vis&#xF5;es biologicistas e demogr&#xE1;ficas assentadas na idade cronol&#xF3;gica. As an&#xE1;lises de outros campos, como a Sociologia, a Psicologia, o Servi&#xE7;o Social, e outros, restringem a dimens&#xE3;o social aos comportamentos, aos h&#xE1;bitos, aos valores, &#xE0;s imagens, &#xE0;s normas sociais, aos pap&#xE9;is sociais com vis&#xF5;es generalistas dessa influ&#xEA;ncia sobre os idosos. Essas tend&#xEA;ncias terminam por universalizar, generalizar o processo de envelhecimento, como se ele atingisse as pessoas da mesma forma, sem diferen&#xE7;as relevantes.</p>
<p>Por outro lado, as cr&#xED;ticas a essas tend&#xEA;ncias d&#xE3;o &#xEA;nfase ao envelhecimento como um processo multidimensional, singular e individualizado, conforme a trajet&#xF3;ria de vida dos indiv&#xED;duos. Logo, caem no extremo oposto. Criticam a homogeneiza&#xE7;&#xE3;o e a universaliza&#xE7;&#xE3;o do envelhecimento e da velhice apontando uma pluralidade de experi&#xEA;ncias individuais, que impossibilita ret&#xEA;-las em um conceito ou uma no&#xE7;&#xE3;o ao investig&#xE1;-las, pulverizando as experi&#xEA;ncias, as pr&#xE1;ticas, os modos de exist&#xEA;ncia nessa etapa da vida.</p>
<p>Na verdade, esses extremos e binarismos s&#xE3;o resultados da perspectiva te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica de investiga&#xE7;&#xE3;o do fen&#xF4;meno. Propomos neste artigo uma perspectiva que aborda o envelhecimento a partir do m&#xE9;todo cr&#xED;tico-dial&#xE9;tico ou hist&#xF3;rico-dial&#xE9;tico, que permite uma an&#xE1;lise de totalidade, n&#xE3;o como apontada na dimens&#xE3;o transdisciplinar, a qual junta a contribui&#xE7;&#xE3;o de v&#xE1;rias disciplinas articuladas para dar conta do fen&#xF4;meno nas suas m&#xFA;ltiplas determina&#xE7;&#xF5;es. Propomos uma an&#xE1;lise dial&#xE9;tica, capaz de desvendar as m&#xFA;ltiplas determina&#xE7;&#xF5;es e media&#xE7;&#xF5;es que ligam as experi&#xEA;ncias individuais &#xE0; totalidade, mediada por particularidades, uma vez que o referido m&#xE9;todo permite a passagem e as articula&#xE7;&#xF5;es entre singular/particular/totalidade.</p>
<p>O envelhecimento &#xE9; atravessado por demarcadores geradores de diferen&#xE7;as e de desigualdades, dentre eles os de classe social, de g&#xEA;nero/sexo, de etnia/ra&#xE7;a e de idade/gera&#xE7;&#xE3;o, que s&#xE3;o capazes de promover homogeneiza&#xE7;&#xE3;o e diferencia&#xE7;&#xE3;o, que denominamos de fatores socioecon&#xF4;micos e culturais, fundamentais para o entendimento do fen&#xF4;meno, juntamente com os aspectos biopsicossociais.</p>
<p>Como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B12">Motta (1999</xref>, p. 191), &#x201C;[&#x2026;] ser velho &#xE9; uma situa&#xE7;&#xE3;o vivida em parte homogeneamente e em parte diferencialmente, de acordo com o g&#xEA;nero e a classe social dos indiv&#xED;duos em um grupo de idade ou gera&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. Nessa perspectiva, a homogeneiza&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; abstrata e a-hist&#xF3;rica; ao contr&#xE1;rio, &#xE9; definida por fatores como posi&#xE7;&#xE3;o na estrutura produtiva, nas estruturas sociais e culturais geradoras de rela&#xE7;&#xF5;es assim&#xE9;tricas de poderes, opress&#xE3;o e subordina&#xE7;&#xE3;o, como a de classe, g&#xEA;nero, ra&#xE7;a e geracional.</p>
<p>A posi&#xE7;&#xE3;o de classe &#xE9; capaz de gerar, segundo Beauvoir (1980), duas esp&#xE9;cies de velhice, opostas no modo de viver e de experimentar essa etapa da vida, conforme esta ou aquela classe social. Mas &#xE9; preciso avan&#xE7;ar na no&#xE7;&#xE3;o de classes e superar, como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B12">Motta (1999</xref>, p. 193), a vis&#xE3;o delas como &#x201C;[&#x2026;] secamente estruturais, sem suas dissen&#xE7;&#xF5;es (fra&#xE7;&#xF5;es) e divis&#xF5;es internas: sem sexo, sem idade e sem cor&#x201D;, para entend&#xEA;-la como uma sinopse de viv&#xEA;ncias e de experi&#xEA;ncias, ou de pr&#xE1;ticas socializadoras (<xref ref-type="bibr" rid="B12">MOTTA, 1999</xref>, p. 195).</p>
<p>Mas as categorias classe social, g&#xEA;nero, ra&#xE7;a e gera&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o s&#xE3;o apenas geradoras de experi&#xEA;ncias e de viv&#xEA;ncias comuns, de subjetividades e de expectativas, de identidades, de representa&#xE7;&#xF5;es, de pr&#xE1;ticas e de vis&#xF5;es de mundo, mas tamb&#xE9;m s&#xE3;o demarcadores de desigualdades sociais diversas, promovendo diferen&#xE7;as e assimetrias. Ao mesmo tempo, os sujeitos coletivos e individuais n&#xE3;o s&#xE3;o passivos, mas s&#xE3;o capazes de resist&#xEA;ncias, de lutas, de contraposi&#xE7;&#xF5;es, de mudan&#xE7;as.</p>
<p>As no&#xE7;&#xF5;es homogeneizantes, em especial da demografia, da cronologia com &#xEA;nfase no prolongamento da vida pelos n&#xFA;meros estat&#xED;sticos, associados a discursos e a pr&#xE1;ticas que caracterizam a terceira idade, v&#xEA;m servindo de subs&#xED;dios n&#xE3;o para ampliar direitos sociais, mas para restringi-los e para desmontar as pol&#xED;ticas sociais protetivas aos idosos, como o prolongamento da idade para solicitar a aposentadoria, a mudan&#xE7;a no regime e no financiamento da pol&#xED;tica de previd&#xEA;ncia social, dentre outras.</p>
<p>O discurso da demografia do &#x201C;perigo&#x201D; do crescimento do n&#xFA;mero de pessoas idosas para as pol&#xED;ticas sociais, em especial para a aposentadoria e a sa&#xFA;de, ao lado do discurso da terceira idade como melhor idade, do lazer, do hedonismo, vem sendo utilizado para justificar reformas na seguridade social, apostando-se em programas individualizantes e que responsabilizam os indiv&#xED;duos pela qualidade de vida que t&#xEA;m nessa fase da vida, sendo o envelhecimento ativo um dever deles pr&#xF3;prios.</p>
<p>O objetivo deste artigo &#xE9; problematizar essa homogeneiza&#xE7;&#xE3;o e as propostas de reforma do sistema de seguridade social e situ&#xE1;-las no contexto capitalista na sua nova etapa da acumula&#xE7;&#xE3;o flex&#xED;vel e neoliberal que favorece a mercantiliza&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas sociais, a compra no mercado, redu&#xE7;&#xE3;o do Estado e o desmonte de direitos conquistados.</p>
<sec>
<title>Envelhecimento para al&#xE9;m dos aspectos biopsicossociais</title>
<p>A teoria hegem&#xF4;nica<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> na gerontologia, conforme estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B5">Debert (1992)</xref>, aponta que o crit&#xE9;rio da idade &#xE9; capaz de homogeneizar as experi&#xEA;ncias e as viv&#xEA;ncias do envelhecimento, bem como os problemas decorrentes da idade avan&#xE7;ada. Muitas cr&#xED;ticas s&#xE3;o dirigidas a essa homogeneiza&#xE7;&#xE3;o a-hist&#xF3;rica que desconsidera as condi&#xE7;&#xF5;es de vida dos indiv&#xED;duos, o modo como foram explorados, expropriados e oprimidos, ou seja, as condi&#xE7;&#xF5;es de produ&#xE7;&#xE3;o e de reprodu&#xE7;&#xE3;o social na sociedade capitalista.</p>
<p>Assim, para al&#xE9;m dos aspectos biopsicossociais, h&#xE1; de se incluir os econ&#xF4;mico-sociais e os culturais, ou seja, as diferen&#xE7;as de classe social, de g&#xEA;nero, de ra&#xE7;a e de gera&#xE7;&#xE3;o. Al&#xE9;m disso, &#xE9; preciso superar as &#xEA;nfases atribu&#xED;das ao envelhecimento biol&#xF3;gico e ao demogr&#xE1;fico/cronol&#xF3;gico com crit&#xE9;rios de homogeneiza&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>O envelhecimento biol&#xF3;gico, fisiol&#xF3;gico e f&#xED;sico &#xE9; definido como um fato org&#xE2;nico previsto em nosso c&#xF3;digo gen&#xE9;tico, que implica deteriora&#xE7;&#xE3;o, decl&#xED;nio, redu&#xE7;&#xE3;o de fun&#xE7;&#xF5;es e limita&#xE7;&#xF5;es diversas nessa etapa da vida humana.</p>
<p>A perspectiva demogr&#xE1;fica se assenta na idade cronol&#xF3;gica para definir o que se considera uma pessoa velha, tamb&#xE9;m de forma universalizante e generalizante. Mas, como destaca <xref ref-type="bibr" rid="B7">Duarte (1999</xref>, p. 41), &#x201C;[&#x2026;] n&#xE3;o se pode atribuir somente &#xE0; idade qualquer tipo de deterioro e, menos ainda, ser&#xE1; leg&#xED;timo homogeneizar todo o processo de envelhecimento, unific&#xE1;-lo como um todo&#x201D;. Ou ainda, como cita <xref ref-type="bibr" rid="B7">Duarte (1999)</xref>, &#x201C;[&#x2026;] o valor atribu&#xED;do &#xE0; idade cronol&#xF3;gica s&#xF3; representa um &#xED;ndice global e sint&#xE9;tico indiferenciado: &#xE9; aglutinante c&#xF4;modo para designar um conjunto de fatores que atuam ao longo de um transcurso temporal&#x201D; (COLL, 1979; WOHLWILL, 1983 apud <xref ref-type="bibr" rid="B7">DUARTE, 1999</xref>, p. 41).</p>
<p>Al&#xE9;m de homogeneizantes e arbitr&#xE1;rios, o envelhecimento biol&#xF3;gico e o demogr&#xE1;fico/cronol&#xF3;gico promovem vis&#xF5;es negativas da velhice fora do contexto social, do econ&#xF4;mico, do pol&#xED;tico e do cultural que incidem sobre as condi&#xE7;&#xF5;es de vida, sobre as trajet&#xF3;rias de vida e sobre o ritmo do envelhecimento biol&#xF3;gico, do aparecimento das doen&#xE7;as, da deteriora&#xE7;&#xE3;o, dentre outros fatores.</p>
<p>Ainda sobre esse aspecto, <xref ref-type="bibr" rid="B7">Duarte (1999</xref>, p. 43) afirma que:</p> <disp-quote>
<p>O envelhecimento (biol&#xF3;gico) evoca, habitualmente, mudan&#xE7;as f&#xED;sicas desagrad&#xE1;veis: perda de for&#xE7;a, diminui&#xE7;&#xE3;o da coordena&#xE7;&#xE3;o e do dom&#xED;nio do corpo, altera&#xE7;&#xE3;o da sa&#xFA;de [&#x2026;]. Omite as diferen&#xE7;as individuais, as formas como essas mudan&#xE7;as se relacionam com fatores do ambiente e do meio social em geral.</p></disp-quote>
<p>Essa perspectiva &#xE9; a que <xref ref-type="bibr" rid="B16">Siqueira et al. (2002)</xref> denominaram de biologista/comportamental; uma tend&#xEA;ncia na produ&#xE7;&#xE3;o do conhecimento sobre o envelhecimento que coloca &#xEA;nfase no processo de decrepitude f&#xED;sica, ocasionada por fen&#xF4;menos degenerativos naturais do organismo, em que os idosos aparecem como portadores de m&#xFA;ltiplas doen&#xE7;as limitantes ou incapacitantes, devendo a sociedade e o Estado atuar para diminuir os impactos de tais transtornos e proteger esses sujeitos.</p>
<p>Em outra perspectiva, que critica essa homogeneidade e acentua o car&#xE1;ter heterog&#xEA;neo e multidimensional do envelhecimento, apresenta duas tend&#xEA;ncias: I) que ressalta o envelhecimento como um processo multifacetado que implica diferentes formas de envelhecimento e de velhice, a tal ponto de afirmar que n&#xE3;o existe um &#xFA;nico processo de envelhecimento semelhante; II) que ressalta a heterogeneidade do envelhecimento, as desigualdades sociais no envelhecer e as diferen&#xE7;as conforme demarcadores sociais como classe, g&#xEA;nero, ra&#xE7;a e gera&#xE7;&#xE3;o, dentre outras, mas aceita que &#xE9; poss&#xED;vel algumas homogeneiza&#xE7;&#xF5;es criadas pela posi&#xE7;&#xE3;o dos sujeitos nas estruturas econ&#xF4;micas, sociais, pol&#xED;ticas e culturais.</p>
<p>Como destaca Arag&#xF3; (1995 apud <xref ref-type="bibr" rid="B7">DUARTE, 1999</xref>, p. 37), &#x201C;[&#x2026;] estamos entre uma modifica&#xE7;&#xE3;o gradual e universal. &#xC9; poss&#xED;vel fazer generaliza&#xE7;&#xF5;es, mas sempre estamos ante um processo diferencial&#x201D;, porque &#xE9; determinado por m&#xFA;ltiplos fatores e atravessado por diferenciadores sociais.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B16">Siqueira et al. (2002)</xref> denominaram essa tend&#xEA;ncia, nessa segunda dimens&#xE3;o, em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; produ&#xE7;&#xE3;o do conhecimento sobre o envelhecimento, como perspectiva transdisciplinar, a que n&#xE3;o deposita maior &#xEA;nfase em um determinado fator isolado, antes, ao contr&#xE1;rio, esses fatores devem ser abordados de forma articulada e integrada, pois eles (de ordem biol&#xF3;gica, econ&#xF4;mica e sociocultural) interagem uns com os outros e afetam uns aos outros de diferentes formas e combina&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Como perspectiva de supera&#xE7;&#xE3;o da singulariza&#xE7;&#xE3;o ou da universaliza&#xE7;&#xE3;o abstrata e a-hist&#xF3;rica, propomos neste artigo a an&#xE1;lise dial&#xE9;tica entre singularidade/particularidade e totalidade. Essa perspectiva metodol&#xF3;gica permite superar os essencialismos e os universalismos abstratos, pela combina&#xE7;&#xE3;o e pelo cruzamento de diversas categorias que explicam as diferen&#xE7;as, as desigualdades e as possibilidades de homogeneiza&#xE7;&#xE3;o pela viv&#xEA;ncia de situa&#xE7;&#xF5;es e de condi&#xE7;&#xF5;es de vida comuns para grupos e subgrupos.</p>
<p>Isso porque, como destacam Hirata e Kerkoat (1993 apud <xref ref-type="bibr" rid="B12">MOTTA, 1999</xref>, p. 193):</p> <disp-quote>
<p>A vida social &#xE9; estruturada em conjunto de rela&#xE7;&#xF5;es que, em interface ou articuladas dinamicamente, lhe d&#xE3;o sentido [&#x2026;]. Os mais determinantes s&#xE3;o as classes sociais, os g&#xEA;neros, as idades/gera&#xE7;&#xF5;es e as ra&#xE7;as/etnias. Cada conjunto desses constitui-se, ent&#xE3;o, numa dimens&#xE3;o b&#xE1;sica da vida social, mas nenhum deles, analisados isoladamente, d&#xE1; conta da sua complexidade. Inclusive porque s&#xE3;o aspectos coexistentes, isto &#xE9;, &#x201C;recobrem-se parcialmente um ao outro&#x201D;.</p></disp-quote>
<p>Em estudos anteriores, <xref ref-type="bibr" rid="B17">Teixeira (2009</xref>, p. 67) destaca que a constitui&#xE7;&#xE3;o do envelhecimento como problema social se deveu ao modo de envelhecer da classe trabalhadora e que, portanto, essa &#x201C;[&#x2026;] n&#xE3;o &#xE9; uma condi&#xE7;&#xE3;o inexor&#xE1;vel que atinge a todo o grupo et&#xE1;rio, indistinta e independentemente do modo como a for&#xE7;a de trabalho &#xE9; expropriada e explorada das condi&#xE7;&#xF5;es de produ&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o social&#x201D;. A generaliza&#xE7;&#xE3;o dessa problem&#xE1;tica, como comum a todos os que envelhecem, especialmente aqueles da classe trabalhadora, deu origem aos sistemas de aposentadoria e de pens&#xF5;es para garantir sua reprodu&#xE7;&#xE3;o social fora dos circuitos produtivos.</p>
<p>As mulheres apenas nas &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas do s&#xE9;culo XX, em fun&#xE7;&#xE3;o da entrada maci&#xE7;a no mercado de trabalho, tamb&#xE9;m tiveram parte nesse tipo de envelhecimento e nas respostas via sistema de aposentadoria e de pens&#xF5;es. <xref ref-type="bibr" rid="B14">Silva (2008a)</xref> destaca que os discursos dos especialistas e dos gestores do envelhecimento sobre a incapacidade, a deteriora&#xE7;&#xE3;o e a decad&#xEA;ncia f&#xED;sica ou envelhecimento/velhice como incapacidade de produzir favorecem esse tipo de resposta &#xE0; quest&#xE3;o do envelhecimento do trabalhador.</p>
<p>Isso porque, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Teixeira (2009)</xref>, &#xE9; a classe trabalhadora a protagonista da &#x201C;trag&#xE9;dia&#x201D; no envelhecimento (velhice pobre, desamparada, sem ou com baixa renda, sem bens e propriedade, doentia, sem acesso &#xE0;s pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e dependente de recursos familiares), considerando-se a impossibilidade de reprodu&#xE7;&#xE3;o social fora do mundo produtivo, da condi&#xE7;&#xE3;o de for&#xE7;a de trabalho.</p>
<p>Portanto, segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Teixeira (2009)</xref>, n&#xE3;o &#xE9; para todas as classes &#x2013; e h&#xE1; diferencia&#xE7;&#xE3;o entre as fra&#xE7;&#xF5;es de classes, al&#xE9;m do fato de esse membro de classe ser idoso ou n&#xE3;o, mulher ou homem, negro ou branco, tem tido emprego formal ou n&#xE3;o durante a trajet&#xF3;ria de vida, dentre outros &#x2013; que o envelhecimento promove efeitos imediatos de isolamento e de exclus&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es sociais, do espa&#xE7;o p&#xFA;blico, do mundo produtivo, do pol&#xED;tico, do art&#xED;stico, dentre outras express&#xF5;es fenom&#xEA;nicas dos processos produtores de desigualdades sociais.</p>
<p>As desigualdades vividas durante a trajet&#xF3;ria de vida desses indiv&#xED;duos s&#xE3;o reproduzidas e at&#xE9; ampliadas nessa etapa da velhice. Se os indicadores estat&#xED;sticos forem decompostos por classes ou grupos, por crit&#xE9;rios socioecon&#xF4;micos, podemos verificar v&#xE1;rias express&#xF5;es dessas desigualdades.</p>
<p>Assim, temos uma posi&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gica assentada na assertiva de que o envelhecimento humano &#xE9; uma experi&#xEA;ncia que se d&#xE1; de forma diversificada entre os indiv&#xED;duos, abrangendo uma multiplicidade de fatores moldados sob determinadas e espec&#xED;ficas condi&#xE7;&#xF5;es de vida, extrapolando-se o entendimento das maneiras de envelhecer apenas atreladas &#xE0;s transforma&#xE7;&#xF5;es f&#xED;sico-biol&#xF3;gicas que ocorrem no indiv&#xED;duo nessa fase da velhice.</p>
<p>Os fatores que criam as distin&#xE7;&#xF5;es no modo de envelhecer podem ser melhor compreendidos quando situamos a presente discuss&#xE3;o na realidade brasileira e, ainda, em um contexto mais amplo: a sociedade capitalista. Situar os modos de envelhecer nos contextos pol&#xED;tico, econ&#xF4;mico e social referidos solicita que fa&#xE7;amos men&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s fortes desigualdades sociais e econ&#xF4;micas e, tamb&#xE9;m, &#xE0;s diferencia&#xE7;&#xF5;es regionais e culturais engendradas pela realidade brasileira que acabam por refletir tamb&#xE9;m nos modos de vida e de exist&#xEA;ncia dos sujeitos idosos, como tamb&#xE9;m dos n&#xE3;o idosos.</p>
<p>Assim, o envelhecimento &#xE9; um processo que &#xE9; resultado da vida individual e social, profundamente marcado pelas desigualdades sociais (de classes &#x2013; e nos seus segmentos de classes &#x2013;, de g&#xEA;nero, de ra&#xE7;a, de etnia, regionais, dentre outras).</p>
<p>A t&#xED;tulo de exemplo, podemos citar a longevidade e a expectativa de vida. Esta, na realidade brasileira, &#xE9; diferenciada por g&#xEA;nero, entre regi&#xF5;es, entre cidades e entre o urbano e o rural, express&#xF5;es latentes da incid&#xEA;ncia das desigualdades. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&#xED;stica (<xref ref-type="bibr" rid="B8">IBGE, 2014</xref>), em 2013, a expectativa de vida para as mulheres foi de 78,5 anos e para os homens, de 72,2 anos. A menor diferen&#xE7;a entre homens e mulheres na esperan&#xE7;a de vida ao nascer foi em Roraima (5,4 anos), sendo nesse estado onde as mulheres apresentam a mais baixa esperan&#xE7;a de vida ao nascer (73,4 anos) do pa&#xED;s, assim como outras das regi&#xF5;es norte e nordeste.</p>
<p>Enquanto isso, em outros estados e regi&#xF5;es de maior n&#xED;vel de desenvolvimento econ&#xF4;mico e social, a m&#xE9;dia &#xE9; maior, como &#xE9; o caso de Santa Catarina, cuja esperan&#xE7;a de vida foi a mais elevada do pa&#xED;s, tanto para os homens (74,7 anos) quanto para as mulheres (81,4 anos).</p>
<p>Nesse aspecto, apesar do crescimento da expectativa de vida nos pa&#xED;ses em desenvolvimento, ela &#xE9; inferior &#xE0; dos pa&#xED;ses desenvolvidos e reproduz as desigualdades de inser&#xE7;&#xE3;o desses pa&#xED;ses na divis&#xE3;o internacional do trabalho, e com ela a manuten&#xE7;&#xE3;o e reprodu&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es econ&#xF4;micas subordinadas geradoras de pobreza. A t&#xED;tulo de exemplo, a esperan&#xE7;a de vida dos brasileiros (74,8 anos) &#xE9; bem pr&#xF3;xima da estimativa para a Am&#xE9;rica Latina e o Caribe (74,7 anos), mas bem abaixo da europeia, sendo que pa&#xED;ses como Su&#xED;&#xE7;a (82,5 anos) e Austr&#xE1;lia (82,4 anos) oferecem melhores condi&#xE7;&#xF5;es de vida para a sua popula&#xE7;&#xE3;o, o que reflete nos &#xED;ndices de expectativa de vida, conforme dados do <xref ref-type="bibr" rid="B8">IBGE (2014)</xref>.</p>
<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o ao acesso do idoso a uma renda digna, <xref ref-type="bibr" rid="B9">Faleiros (2007)</xref> utiliza os dados da pesquisa da Funda&#xE7;&#xE3;o Perseu Abramo, em parceria com o Servi&#xE7;o Social do Com&#xE9;rcio &#x2013; FPA/SESC &#x2013;, para mostrar que a renda da maioria das pessoas idosas reflete a desigualdade social da realidade brasileira, levando-se em conta que 43% t&#xEA;m rendimento de at&#xE9; dois sal&#xE1;rios m&#xED;nimos, 16% recebem at&#xE9; um sal&#xE1;rio m&#xED;nimo e somente 3% t&#xEA;m renda de at&#xE9; 10 sal&#xE1;rios m&#xED;nimos.</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] &#xE9; importante observar que a grande maioria daqueles que ganham mais de cinco sal&#xE1;rios m&#xED;nimos s&#xE3;o brancos (70%) e 6,6% s&#xE3;o pretos. [&#x2026;] Dentre os que n&#xE3;o foram &#xE0; escola, a propor&#xE7;&#xE3;o de negros (24%) &#xE9; superior &#xE0; m&#xE9;dia dos idosos (18%), sendo que 30% n&#xE3;o sabem ler e escrever, contra 23% dos idosos em geral e 17% dos idosos brancos. Dentre os de cor preta, 17% n&#xE3;o est&#xE3;o aposentados e est&#xE3;o trabalhando, o que acontece para 9% dos brancos (<xref ref-type="bibr" rid="B9">FALEIROS, 2007</xref>, p. 163).</p></disp-quote>
<p>Os dados da renda da popula&#xE7;&#xE3;o idosa indicam ainda mais as desigualdades quando associados &#xE0;s diferen&#xE7;as entre as regi&#xF5;es brasileiras, sendo que no Sudeste est&#xE3;o concentrados 62% dos idosos que recebem mais de 10 sal&#xE1;rios m&#xED;nimos.</p>
<p>As diferen&#xE7;as regionais s&#xE3;o reproduzidas nos &#xED;ndices de envelhecimento, de incid&#xEA;ncias de doen&#xE7;as, de acesso &#xE0;s pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e aos bens e servi&#xE7;os criados socialmente. O Nordeste e o Norte acumulam as mais baixas expectativas de vida, 72,2 e 71,5, respectivamente, e menores concentra&#xE7;&#xE3;o de renda.</p>
<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; escolaridade, os n&#xFA;meros tamb&#xE9;m variam entre os idosos, conforme a renda, a regi&#xE3;o em que moram, a ra&#xE7;a, o g&#xEA;nero, dentre outros aspectos. Segundo dados do <xref ref-type="bibr" rid="B8">IBGE (2014)</xref>, os idosos t&#xEA;m em m&#xE9;dia 4,7 anos de estudos, mas variando de 3,3 anos de estudo no Nordeste a 5,5 anos no Sudeste, sendo que 28,4% tinham mais de um ano de estudo, no Sudeste, enquanto no Nordeste 46,9% estavam nessa mesma condi&#xE7;&#xE3;o.</p>
</sec>
<sec>
<title>Discursos sobre a velhice e as reformas do sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social</title>
<p>Apesar da heterogeneidade no modo de se envelhecer, de se viver e de se pensar essa fase da vida, os discursos de parte consider&#xE1;vel dos especialistas ainda se fundam em universaliza&#xE7;&#xF5;es e homogeneiza&#xE7;&#xF5;es a-hist&#xF3;ricas.</p>
<p>Os discursos da velhice como uma etapa de decl&#xED;nio, de degenera&#xE7;&#xE3;o f&#xED;sica, de improdutividade e de falta de recursos foram fundamentados nas teorias do envelhecimento biol&#xF3;gico que fortaleceram as lutas pela prote&#xE7;&#xE3;o social desse grupo. O que deu origem &#xE0; compreens&#xE3;o do envelhecimento como um problema social, uma express&#xE3;o da quest&#xE3;o social, mas que foi atribu&#xED;da genericamente a todos os idosos, embora expressasse centralmente o envelhecimento dos trabalhadores pobres. As respostas a essa problem&#xE1;tica social foram dadas, inicialmente, com a cria&#xE7;&#xE3;o dos sistemas de aposentadorias e pens&#xF5;es geridos e administrados pelo Estado.</p>
<p>Como o avan&#xE7;o das an&#xE1;lises do envelhecimento pela perspectiva biopsicossocial contribuiu-se para a legitima&#xE7;&#xE3;o do direito &#xE0; aposentadoria e inclus&#xE3;o de outras necessidades no rol das pol&#xED;ticas sociais, como de educa&#xE7;&#xE3;o, lazer, cultura, sa&#xFA;de, assist&#xEA;ncia social e a difus&#xE3;o da compreens&#xE3;o do envelhecimento como um processo marcado por aspectos sociais, psicol&#xF3;gicos e culturais, ao lado do biol&#xF3;gico. As teorias baseadas nesta perspectiva fundamentaram a inclus&#xE3;o dessas necessidades no rol das reivindica&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SILVA, 2008a</xref>).</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">Silva (2008a)</xref>, a aposentadoria e sua generaliza&#xE7;&#xE3;o para os diferentes tipos de trabalho contribu&#xED;ram para a carateriza&#xE7;&#xE3;o da velhice como categoria pol&#xED;tica, ou seja, constitu&#xED;da de sujeito de direitos, detentores de privil&#xE9;gios leg&#xED;timos, e cujo reconhecimento lhe permitia reivindicar benef&#xED;cios em nome da categoria. Contraditoriamente, a aposentadoria associada a limita&#xE7;&#xF5;es f&#xED;sicas e a incapacidades gerou tamb&#xE9;m modos de viver essa etapa marcados pelo isolamento, pela restri&#xE7;&#xE3;o nos pap&#xE9;is sociais, pela solid&#xE3;o, pela reclus&#xE3;o ao espa&#xE7;o dom&#xE9;stico, como tempo de descanso e de quietude, gerando sentimentos amb&#xED;guos na aposentadoria.</p>
<p>Na contemporaneidade, os discursos da terceira idade, tamb&#xE9;m generalistas, mascaram o envelhecimento de determinados grupos que tiveram uma trajet&#xF3;ria marcada pela pobreza, reproduzida nessa etapa da vida. Esse discurso e essas pr&#xE1;ticas decorrentes passam a ressignificar as imagens e os estere&#xF3;tipos em torno da velhice, que &#x201C;[&#x2026;] passa a significar momento de lazer, de realiza&#xE7;&#xE3;o pessoal, cria&#xE7;&#xE3;o de novos h&#xE1;bitos, <italic>hobbies</italic>, habilidades e o cultivo de la&#xE7;os afetivos e amorosos alternativos &#xE0; fam&#xED;lia&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SILVA, 2008a</xref>, p. 156).</p>
<p>O surgimento desses discursos e dessas pr&#xE1;ticas est&#xE1; atribu&#xED;do a v&#xE1;rios fatores, dentre eles o envelhecimento de um grupo, como as classes m&#xE9;dias, na Europa e nos Estados Unidos, que tamb&#xE9;m tiveram acesso aos sistemas de aposentadoria e a outros benef&#xED;cios e servi&#xE7;os sociais que permitiram a esse grupo e aos trabalhadores oper&#xE1;rios, com o Estado de Bem-Estar Social, chegar a essa etapa da vida com sa&#xFA;de, dinheiro, poder de consumo, passando a demandar servi&#xE7;os alternativos e diversificados para o melhoramento de sua qualidade de vida, a ocupa&#xE7;&#xE3;o do tempo livre e a busca por um envelhecimento saud&#xE1;vel.</p>
<p>Um outro fator &#xE9; a pr&#xF3;pria ind&#xFA;stria do consumo, que via nesse setor que envelhecia uma fonte para ampliar seus lucros, oferecendo servi&#xE7;os de lazer, turismo, sa&#xFA;de especializada, t&#xE9;cnicas de rejuvenescimento, dentre outros. Destacam-se, ainda, os discursos de uma parte significativa dos especialistas do envelhecimento, que rejeitavam as imagens negativas e estere&#xF3;tipos da velhice e propagavam receitas do envelhecer bem e com qualidade de vida.</p>
<p>Esse conjunto de fatores contribuiu para a consolida&#xE7;&#xE3;o e a difus&#xE3;o de um estilo de vida espec&#xED;fico e de um novo repert&#xF3;rio de condutas (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SILVA, 2008a</xref>). Os agentes de gest&#xE3;o do envelhecimento, como os especialistas, profissionais que implementam os servi&#xE7;os, alternativas para idosos independentes, nos espa&#xE7;os p&#xFA;blicos e privados, difundem largamente essa nova vis&#xE3;o e as pr&#xE1;ticas a ela associadas.</p>
<p>Essa perspectiva se difunde de modo generalista, universalizante e homogeneizante e, al&#xE9;m de obscurecer a problem&#xE1;tica do envelhecimento de determinados grupos, promove o que <xref ref-type="bibr" rid="B6">Debert (1999)</xref> denomina de reprivatiza&#xE7;&#xE3;o do envelhecimento, &#xE0; medida que, ao difundir modos espec&#xED;ficos de vida, comportamentos, atitudes, modos de pensar essa etapa da vida como de prazer, de hedonismos, de realiza&#xE7;&#xE3;o de novos projetos de vida, e como sujeito ativo e participativo, deixa expl&#xED;cito que o seu envelhecimento bem-sucedido &#xE9; uma op&#xE7;&#xE3;o individual, &#x201C;[&#x2026;] depende do engajamento e disciplina de cada indiv&#xED;duo em fazer de sua velhice um momento de atividade e recria&#xE7;&#xE3;o, seguindo os preceitos m&#xE9;dicos e os modelos sociais, est&#xE9;ticos e afetivos [&#x2026;]&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B15">SILVA, 2008b</xref>, p. 806).</p>
<p>A ideia amplamente difundida &#xE9; a de que o pr&#xF3;prio indiv&#xED;duo tem parte da responsabilidade pela sua situa&#xE7;&#xE3;o, pelo envelhecimento positivo, e expressa bem a no&#xE7;&#xE3;o, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B15">Silva (2008b</xref>, p. 807), &#x201C;fa&#xE7;am de sua velhice uma terceira idade&#x201D;, desconsiderando as desigualdades no modo de envelhecer, ocultando-as, bem como a decad&#xEA;ncia fisiol&#xF3;gica e cognitiva, as experi&#xEA;ncias de solid&#xE3;o, o isolamento e a depend&#xEA;ncia que atingem mais os setores da classe trabalhadora, as mulheres pobres e as vi&#xFA;vas, as pessoas idosas doentes, as abandonadas, as desprotegidas, as exclu&#xED;das, dentre outras.</p>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B15">Silva (2008b)</xref>, a exclus&#xE3;o da no&#xE7;&#xE3;o de envelhecimento como problema social para um grupo, um coletivo grande de idosos, acaba por enfraquecer as responsabilidades sociais para com o enfrentamento desse problema e o reconhecimento da pessoa idosa como sujeito de direitos.</p>
<p>A no&#xE7;&#xE3;o de terceira idade e, como ela, a ideia de nega&#xE7;&#xE3;o da velhice e de suas limita&#xE7;&#xF5;es, al&#xE9;m das receitas gerontol&#xF3;gicas e geri&#xE1;tricas para um envelhecimento positivo, ativo, participativo e com qualidade de vida, saud&#xE1;vel, promovem uma responsabiliza&#xE7;&#xE3;o no indiv&#xED;duo pelas condi&#xE7;&#xF5;es com as quais ele envelhece.</p> <disp-quote>
<p>No contexto em que o envelhecimento se transforma em um novo mercado de consumo, n&#xE3;o h&#xE1; lugar para a velhice, que tende a ser vista como consequ&#xEA;ncia do descuido pessoal, da falta de envolvimento em atividades motivadoras, de ado&#xE7;&#xE3;o de formas de consumo e estilos de vida inadequados (<xref ref-type="bibr" rid="B6">DEBERT, 1999</xref>, p. 227).</p></disp-quote>
<p>Embora essa nova imagem tenha permitido fugir dos estigmas negativos atribu&#xED;dos &#xE0; velhice, legitimando outras formas de vivenciar o envelhecimento e outros discursos sobre essa etapa da vida, n&#xE3;o se pode homogeneizar realidades diversas e desiguais e os variados modos de vida postos por uma realidade estrutural, desigual e excludente, como a realidade brasileira, impactando durante toda a trajet&#xF3;ria dos indiv&#xED;duos.</p>
<p>Esse discurso e os discursos pol&#xED;ticos dos reformadores dos sistemas de seguridade social em todo o mundo, bem como os dos dem&#xF3;grafos que mostram o crescimento dessa faixa et&#xE1;ria e os riscos para os sistemas de aposentadoria e de sa&#xFA;de, em fun&#xE7;&#xE3;o da amplia&#xE7;&#xE3;o das demandas por apoio e recursos em meio a uma realidade de crise econ&#xF4;mica, fiscal e das pol&#xED;ticas sociais p&#xFA;blicas, s&#xE3;o utilizados para justificar as necessidades de moderniza&#xE7;&#xE3;o do sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social. Conforme <xref ref-type="bibr" rid="B4">Daniel (2006)</xref>, a solu&#xE7;&#xE3;o apontada por alguns pol&#xED;ticos &#xE9; a mudan&#xE7;a no sistema de financiamento da previd&#xEA;ncia social, o aumento da idade para aposentadoria, as limita&#xE7;&#xF5;es a tetos ao valor m&#xE1;ximo auferido pelo aposentado, dentre outras quest&#xF5;es.</p>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B4">Daniel (2006)</xref> cita as propostas de mudan&#xE7;a de regime de reparti&#xE7;&#xE3;o simples &#x2013; marcado pela solidariedade de classe, uma vez que a atual gera&#xE7;&#xE3;o de trabalhadores paga as aposentadorias das gera&#xE7;&#xF5;es anteriores na esperan&#xE7;a de que no futuro tenha suas aposentadorias pagas pelos novos trabalhadores &#x2013; do atual sistema de previd&#xEA;ncia social para o de capitaliza&#xE7;&#xE3;o, especialmente privado e compuls&#xF3;rio, como sa&#xED;da neoliberal para a seara entre o aumento das demandas e do tempo de vida, a necessidade de prote&#xE7;&#xE3;o social e as restri&#xE7;&#xF5;es no gasto p&#xFA;blico.</p>
<p>Essa sa&#xED;da mascara a real determina&#xE7;&#xE3;o da crise dos sistemas de aposentadoria e pens&#xF5;es, que &#xE9; a crise e reestrutura&#xE7;&#xE3;o do modelo de acumula&#xE7;&#xE3;o capitalista, e com ele o desemprego estrutural, a redu&#xE7;&#xE3;o de postos de trabalho, a diminui&#xE7;&#xE3;o do trabalho vivo, a desterritorializa&#xE7;&#xE3;o/desnacionaliza&#xE7;&#xE3;o dos capitais e suas fugas para os pa&#xED;ses emergentes, as ren&#xFA;ncias fiscais das empresas, as d&#xED;vidas empresariais com a previd&#xEA;ncia n&#xE3;o cobradas, dentre outros fatores, ou seja, que impacta na redu&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de contribuintes e amea&#xE7;a a solidez, o crescimento e a expans&#xE3;o do sistema.</p>
<p>Todavia, na apar&#xEA;ncia, a crise &#xE9; atribu&#xED;da ao crescimento dos idosos/aposentados e a sua expectativa de vida, a longevidade, que gera <italic>d&#xE9;ficits</italic>. Ao envelhecimento demogr&#xE1;fico &#xE9; atribu&#xED;da a express&#xE3;o de &#x201C;futuro em perigo&#x201D;, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B4">Daniel (2006)</xref>. A sa&#xED;da &#xE9; mais uma vez a responsabiliza&#xE7;&#xE3;o dos indiv&#xED;duos, que agora s&#xE3;o mais saud&#xE1;veis, ativos, participativos, criativos e, logo, capazes de permanecer mais tempo no trabalho, devendo eles poupar e capitalizar seus rendimentos, principalmente na previd&#xEA;ncia privada. O novo regime proposto &#xE9; o de capitaliza&#xE7;&#xE3;o, uma esp&#xE9;cie de poupan&#xE7;a individualizada, comprada no mercado. Ou seja, cabe aos indiv&#xED;duos &#x201C;[&#x2026;] prever e assegurar a sua pr&#xF3;pria velhice&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SILVA, 2008a</xref>, p. 116). Aos que permanecem no sistema p&#xFA;blico, reduzido e precarizado, h&#xE1; necessidade de complementa&#xE7;&#xE3;o da renda com planos privados de previd&#xEA;ncia ou fundos de pens&#xE3;o.</p>
<p>Assim, mercantiliza&#xE7;&#xE3;o, individualiza&#xE7;&#xE3;o e responsabiliza&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o partes do mesmo processo que avan&#xE7;a na reprivatiza&#xE7;&#xE3;o das formas de enfrentamento dessa express&#xE3;o da quest&#xE3;o social que &#xE9; o envelhecimento dos trabalhadores, especialmente dos mais pobres e exclu&#xED;dos do mercado formal ao longo da sua trajet&#xF3;ria de vida.</p>
<p>No Brasil, h&#xE1; um debate e proposta de &#x201C;reforma&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> da previd&#xEA;ncia social, proposta de emenda constitucional - PEC 287, de 05 de dezembro de 2016, enviada ao Congresso pelo Governo de Michel Temer, que visa ampliar o tempo para se requerer a aposentadoria e equiparar o tempo de contribui&#xE7;&#xE3;o e a idade para homens e mulheres, entre trabalhadores urbanos e rurais, baseados nos dados demogr&#xE1;ficos de que a mulher vive mais que o homem e na expectativa de vida.</p>
<p>Na pol&#xED;tica de assist&#xEA;ncia social, a referida PEC 287/2016 prop&#xF5;e a amplia&#xE7;&#xE3;o do tempo para requerer o Benef&#xED;cio de Presta&#xE7;&#xE3;o Continuada (BPC) de 65 para 70 anos e a redu&#xE7;&#xE3;o do valor do benef&#xED;cio de 1 para &#xBD; sal&#xE1;rio m&#xED;nimo, o que enfraquece a l&#xF3;gica n&#xE3;o contributiva do benef&#xED;cio de seguridade social e sua capacidade de garantir a dignidade humana dos segmentos que v&#xE3;o requer&#xEA;-lo, conforme expressa o texto de reforma enviado pelo governo Michel Temer para o Congresso.</p>
<p>Essas &#x201C;reformas&#x201D; partem de vis&#xF5;es universalizantes e homogeneizantes, que desconsideram as diferen&#xE7;as entre as fra&#xE7;&#xF5;es de classe e as desigualdades de g&#xEA;nero e regionais. Como observamos, a expectativa de vida e de longevidade s&#xE3;o diferenciadas entre as regi&#xF5;es, revelando outras desigualdades de desenvolvimento e de oportunidades do pa&#xED;s. H&#xE1; mais desgaste e envelhecimento precoce entre os trabalhadores rurais do que entre os urbanos, e as mulheres trabalhadoras t&#xEA;m dupla jornada de trabalho, no emprego e no lar, o que soma mais horas trabalhadas. A falta de equidade nessas propostas vai reproduzir as desigualdades.</p>
<p>Na pol&#xED;tica de sa&#xFA;de, o envelhecimento ativo &#xE9; a sa&#xED;da para prevenir a deteriora&#xE7;&#xE3;o f&#xED;sica do idoso, o aparecimento de doen&#xE7;as, ou para ampliar o controle delas. Quando n&#xE3;o &#xE9; mais poss&#xED;vel retardar os problemas, e com as sequelas das doen&#xE7;as cr&#xF4;nicas e degenerativas, o Programa Melhor em Casa acompanha os idosos, nos seus domic&#xED;lios, mas os cuidados cotidianos s&#xE3;o de responsabilidade das fam&#xED;lias. Reproduz-se o bin&#xF4;mio individualiza&#xE7;&#xE3;o e responsabiliza&#xE7;&#xE3;o/culpabiliza&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Com o avan&#xE7;o das reformas neoliberais no Brasil e com o ajuste fiscal, os gastos sociais s&#xE3;o congelados visando diminuir os custos e flexibilizar or&#xE7;amentos, e o Estado se desregulamenta repassando suas fun&#xE7;&#xF5;es de reprodu&#xE7;&#xE3;o social para a fam&#xED;lia, as ONGs, o mercado e os indiv&#xED;duos. Mesmo dirigindo-se aos mais pobres, o Estado ainda s&#xF3; age de forma subsidi&#xE1;ria, quando esgotadas as sa&#xED;das nos agentes &#x201C;naturais&#x201D; de prote&#xE7;&#xE3;o social.</p>
<p>Associada aos processos de restrutura&#xE7;&#xE3;o produtiva, de financeiriza&#xE7;&#xE3;o e de globaliza&#xE7;&#xE3;o, tem-se a superestrutura pol&#xED;tico-ideol&#xF3;gica e jur&#xED;dica do Estado, rearticulada em moldes neoliberais, para garantir a plena expans&#xE3;o do capitalismo na sua nova etapa. Para garantir as condi&#xE7;&#xF5;es do livre desenvolvimento do capital, exigem-se &#x201C;reformas&#x201D; nos sistemas de prote&#xE7;&#xE3;o social, legisla&#xE7;&#xE3;o trabalhista, parcerias p&#xFA;blico/privadas, novas estrat&#xE9;gias de desenvolvimento, redu&#xE7;&#xE3;o de gasto social, desregulamenta&#xE7;&#xE3;o do Estado, dentre outras.</p>
<p>Nessa perspectiva, as &#x201C;reformas&#x201D; atendem &#xE0;s novas exig&#xEA;ncias do capital na l&#xF3;gica da redu&#xE7;&#xE3;o de custos de produ&#xE7;&#xE3;o e da cria&#xE7;&#xE3;o de condi&#xE7;&#xF5;es de livre circula&#xE7;&#xE3;o sem barreiras, nem amarras e amea&#xE7;as, impostas por ag&#xEA;ncias multilaterais internacionais como parte do ajuste &#xE0; nova ordem mundial (<xref ref-type="bibr" rid="B13">SANTOS, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B11">MARQUES; UGINO, 2017</xref>).</p>
<p>No Brasil, as &#x201C;reformas&#x201D; mant&#xEA;m o sistema p&#xFA;blico de previd&#xEA;ncia social, o regime atuarial simples, mas, desde a d&#xE9;cada de 1990, as sucessivas reformas v&#xEA;m diminuindo direitos, introduzindo crit&#xE9;rios r&#xED;gidos de seletividade, precarizando o sistema p&#xFA;blico para for&#xE7;ar os trabalhadores (do regime geral e do regime p&#xFA;blico) a complementar as aposentadorias p&#xFA;blicas com o sistema de capitaliza&#xE7;&#xE3;o privado. Dentre as estrat&#xE9;gias est&#xE1; a fixa&#xE7;&#xE3;o de tetos em ambos os regimes, restringir as aposentadorias especiais, dificultar o acesso aos benef&#xED;cios, ampliar o tempo de aposentadoria, definir uma idade m&#xED;nima para a aposentadoria, taxar os aposentados com contribui&#xE7;&#xF5;es, diminui&#xE7;&#xE3;o dos valores das pens&#xF5;es, impedir os ac&#xFA;mulos de pens&#xF5;es e de aposentadorias, dentre outras quest&#xF5;es.</p>
<p>A atual proposta de &#x201C;reforma&#x201D; amplia o tempo m&#xED;nimo para poder requerer a aposentadoria e amplia tamb&#xE9;m a quantidade de anos de contribui&#xE7;&#xE3;o, ao mesmo tempo em que prop&#xF5;e a lei da terceiriza&#xE7;&#xE3;o para atividades meios e fins e a reforma trabalhista. Exigir mais anos de trabalho representa uma contradi&#xE7;&#xE3;o, em um mercado que exige flexibilidade e com tend&#xEA;ncias ao desemprego de longa dura&#xE7;&#xE3;o ou &#xE0; inclus&#xE3;o de formas tempor&#xE1;rias, o que poder&#xE1; inviabilizar as aposentadorias de muitos trabalhadores com dificuldade para obter e permanecer no trabalho formal por 40 ou 50 anos. O capitalismo exclui os mais velhos, com prefer&#xEA;ncia pela for&#xE7;a de trabalho jovem, no vigor das suas fun&#xE7;&#xF5;es f&#xED;sicas e mentais e a baixo pre&#xE7;o.</p>
<p>Com a crise do capitalismo que vem afetando o sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social, muitos pa&#xED;ses europeus ampliaram o tempo para os trabalhadores poderem requerer a aposentadoria; todavia, permite-se uma contagem que prev&#xEA; 20 anos de sobrevida. No Brasil, a expectativa de vida atual &#xE9; de 72 anos, e regi&#xF5;es como Norte e Nordeste t&#xEA;m uma expectativa menor. Assim, na melhor das hip&#xF3;teses, teremos uma sobrevida (p&#xF3;s-aposentadoria aos 65 anos) em m&#xE9;dia de 07 anos, e em algumas regi&#xF5;es e alguns estados os trabalhadores idosos nunca se aposentar&#xE3;o.</p>
<p>A proposta de exigir contribui&#xE7;&#xE3;o ao trabalhador rural &#xE9; o fim do car&#xE1;ter redistributivo da previd&#xEA;ncia social, de um benef&#xED;cio de seguridade social. Em algumas regi&#xF5;es do pa&#xED;s, o trabalho de economia familiar n&#xE3;o consegue produzir para venda/comercializa&#xE7;&#xE3;o, e os sujeitos n&#xE3;o t&#xEA;m recursos para contribuir, especialmente as mulheres que trabalham no campo e que t&#xEA;m nessas atividades agr&#xED;colas familiares a &#xFA;nica forma de sobreviv&#xEA;ncia, pois os homens ainda conseguem vender suas for&#xE7;as de trabalho para os grandes produtores, enquanto que elas t&#xEA;m as atividades dom&#xE9;sticas e a cria&#xE7;&#xE3;o de filhos que as impedem de vender essa for&#xE7;a de trabalho.</p>
<p>Assim, o que as trabalhadoras rurais conquistaram, como o direito a se aposentar, v&#xEA;-se amea&#xE7;ado, com tend&#xEA;ncias a reproduzir e a ampliar as desigualdades sociais.</p>
<p>Nessa perspectiva, pode-se dizer que a nova l&#xF3;gica do capitalismo acentua a barb&#xE1;rie, a destrui&#xE7;&#xE3;o dos direitos conquistados pela classe trabalhadora, o corporativismo de suas lutas e as fragmenta&#xE7;&#xF5;es no interior delas.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Conclus&#xE3;o</title>
<p>A generaliza&#xE7;&#xE3;o do acesso &#xE0;s pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, especialmente as de seguridade social, possibilitou o fen&#xF4;meno da longevidade, o aumento da expectativa de vida, a redu&#xE7;&#xE3;o dos n&#xED;veis de pobreza entre idosos, a melhoria da qualidade de vida, a independ&#xEA;ncia dos idosos, as mudan&#xE7;as nos pap&#xE9;is familiares, dentre outros fatores.</p>
<p>O conjunto dessas pol&#xED;ticas sociais, que visam ao bem-estar social e &#xE0; garantia de direitos, denominado de sistemas de prote&#xE7;&#xE3;o social, decorrentes das press&#xF5;es dos trabalhadores e do projeto de hegemonia da burguesia, variou muito de pa&#xED;s a pa&#xED;s, mas tinha em comum o Estado como gestor, administrador e principal ofertante de servi&#xE7;os desse sistema.</p>
<p>Na atual fase do capitalismo, esses direitos sociais conquistados entram em colis&#xE3;o com as necessidades de reprodu&#xE7;&#xE3;o ampliada do capital, especialmente as de redu&#xE7;&#xE3;o de custos, de redu&#xE7;&#xE3;o do poder de luta dos sindicatos, de livre circula&#xE7;&#xE3;o sem amarras, de crescimento econ&#xF4;mico irrestrito, dentre outros aspectos.</p>
<p>No Brasil, desde os anos de 1990, esses ajustes fiscais neoliberais v&#xEA;m colidindo com as conquistas constitucionais e redirecionando o sistema de prote&#xE7;&#xE3;o social para um processo de focaliza&#xE7;&#xE3;o e de seletividade nos mais pobres. Atualmente, no governo de Michel Temer retorna-se &#xE0; pol&#xED;tica de ajuste fiscal em moldes neoliberais, sob a justificativa da necessidade de retirada do pa&#xED;s da crise econ&#xF4;mica, uma ret&#xF3;rica, considerando os interesses dominantes impostos pelas ag&#xEA;ncias multilaterais internacionais, como Banco Mundial e Fundo Monet&#xE1;rio Internacional, conforme explicita <xref ref-type="bibr" rid="B13">Santos (2017)</xref> em estudos recentes, que visam limitar a previd&#xEA;ncia social p&#xFA;blica para criar uma necessidade pela previd&#xEA;ncia privada.</p>
<p>Por outro lado, os atuais discursos sobre o envelhecimento, universalizantes e homogeneizadores &#x2013; como o da terceira idade como sin&#xF4;nimo de melhor idade, como idade do lazer e do hedonismo, e o de que, segundo os dem&#xF3;grafos, vive-se mais e melhor, mascarando-se as desigualdades e a heterogeneidade nas formas de envelhecer &#x2013;, v&#xEA;m fundamentando os discursos dos reformistas da seguridade social, que querem justificar a amplia&#xE7;&#xE3;o do tempo para requerer aposentadorias, a equipara&#xE7;&#xE3;o de tempo para homens e mulheres se aposentarem e para trabalhadores urbanos e rurais ou o investimento no envelhecimento ativo na sa&#xFA;de de modo a dividir as responsabilidades pelo envelhecimento bem-sucedido, com o pr&#xF3;prio idoso, com a fam&#xED;lia cuidadora, dentre outros sujeitos envolvidos.</p>
<p>Entretanto, essas mudan&#xE7;as no sistema de seguridade social poder&#xE3;o ter implica&#xE7;&#xF5;es no envelhecimento das futuras gera&#xE7;&#xF5;es e da atual gera&#xE7;&#xE3;o de idosos, como empobrecimento, exclus&#xE3;o das formas de prote&#xE7;&#xE3;o social, adoecimento no trabalho, exclus&#xE3;o precoce do mundo do trabalho formal, responsabiliza&#xE7;&#xE3;o familiar por esses idosos, tanto no cuidado quanto na garantia da sobreviv&#xEA;ncia, dentre outras consequ&#xEA;ncias.</p>
<p>Como apontam os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B11">Marques e Ugino (2017)</xref>, resultados semelhantes aos encontrados por esta pesquisa, caso seja aprovada a PEC 287/2016, umas das implica&#xE7;&#xF5;es ser&#xE1; o aumento do n&#xED;vel de exclus&#xE3;o e o empobrecimento relativo dos futuros aposentados e benefici&#xE1;rios do BPC. Um retrocesso e desmonte de direitos conquistados, mas compat&#xED;vel com a l&#xF3;gica de redu&#xE7;&#xE3;o de gasto p&#xFA;blico e apropria&#xE7;&#xE3;o cada vez maior do fundo p&#xFA;blico para garantir a reprodu&#xE7;&#xE3;o ampliada do capital.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p><xref ref-type="bibr" rid="B5">Debert (1992)</xref>, em um estudo que realizou sobre pesquisas acerca do envelhecimento, na Europa e Estados Unidos, detectou tr&#xEA;s tend&#xEA;ncias contradit&#xF3;rias que polarizam os debates: a primeira considera a etnicidade um fator que daria formas espec&#xED;ficas &#xE0;s experi&#xEA;ncias de envelhecimento nas sociedades ocidentais. A segunda privilegia o diferencial de renda em detrimento das diferen&#xE7;as &#xE9;tnicas e de idade cronol&#xF3;gica. E, na terceira tend&#xEA;ncia, a velhice &#xE9; considerada um problema enquanto tal, capaz de sobrepor-se &#xE0;s diferen&#xE7;as socioecon&#xF4;micas e &#xE9;tnicas, homogeneizando as experi&#xEA;ncias de envelhecimento. Sendo esta &#xFA;ltima tese aquela que fundou a Gerontologia como campo espec&#xED;fico de estudo, e ainda atual nas pesquisas mais recentes.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>As aspas se explicam porque, conforme <xref ref-type="bibr" rid="B2">Bering (2003)</xref>, reforma &#xE9; um termo progressista, utilizado para caracterizar as medidas de inclus&#xE3;o dos trabalhadores e da popula&#xE7;&#xE3;o, de um modo geral, nos sistemas de prote&#xE7;&#xE3;o social p&#xFA;blicos geridos pelo Estado, garantindo direitos na ordem capitalista. As atuais &#x201C;reformas&#x201D; s&#xE3;o excludentes, visam restringir acesso e desmantelar direitos conquistados, logo, contrarreformas conservadoras.</p></fn></fn-group>
<ref-list>
<title>Refer&#xEA;ncias</title>
<ref id="B1">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>BEAUVOIR</surname> <given-names>Simone</given-names></name></person-group>
<source>A velhice</source>
<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
<publisher-name>Nova Fronteira</publisher-name>
<year>1990</year></element-citation>
<mixed-citation>BEAUVOIR, Simone. <bold>A velhice</bold>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.</mixed-citation></ref>
<ref id="B2">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>BEHRING</surname> <given-names>E. R</given-names></name></person-group>
<source><bold>Brasil em contrarreforma</bold>: desestrutura&#xE7;&#xE3;o do estado e perda de direitos</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Cortez</publisher-name>
<year>2003</year></element-citation>
<mixed-citation>BEHRING, E. R. <bold>Brasil em contrarreforma</bold>: desestrutura&#xE7;&#xE3;o do estado e perda de direitos. S&#xE3;o Paulo: Cortez, 2003.</mixed-citation></ref>
<ref id="B3">
<element-citation publication-type="webpage">
<person-group person-group-type="author">
<collab>BRASIL</collab></person-group>
<source>Proposta de Emenda Constitucional n. 287</source>
<year>2016</year>
<comment>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1527338&#x26;filename=EMC+3/2017+PEC28716+%3D%3E+PEC+287/2016">https://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1527338&#x26;filename=EMC+3/2017+PEC28716+%3D%3E+PEC+287/2016</ext-link></comment>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 01 maio 2017</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>BRASIL. <bold>Proposta de Emenda Constitucional n. 287</bold>, 2016. Dispon&#xED;vel em: https://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1527338&#x26;filename=EMC+3/2017+PEC28716+%3D%3E+PEC+287/2016. Acesso em: 01 maio 2017.</mixed-citation></ref>
<ref id="B4">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>DANIEL</surname> <given-names>Fernanda</given-names></name></person-group>
<article-title>O conceito de velhice em transforma&#xE7;&#xE3;o</article-title>
<source>Intera&#xE7;&#xF5;es</source>
<comment>Campo Grande</comment>
<issue>10</issue>
<fpage>113</fpage>
<lpage>122</lpage>
<year>2006</year> <comment>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://repositorio.ismt.pt/bitstream/123456789/88/1/179-551-1-PB.pdf">http://repositorio.ismt.pt/bitstream/123456789/88/1/179-551-1-PB.pdf</ext-link></comment>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 27 maio 2016</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>DANIEL, Fernanda. O conceito de velhice em transforma&#xE7;&#xE3;o. <bold>Intera&#xE7;&#xF5;es</bold>, Campo Grande, n. 10, p.113-122, 2006. Dispon&#xED;vel em: http://repositorio.ismt.pt/bitstream/123456789/88/1/179-551-1-PB.pdf. Acesso em: 27 maio 2016.</mixed-citation></ref>
<ref id="B5">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>DEBERT</surname> <given-names>G. G.</given-names></name></person-group>
<article-title>Fam&#xED;lia, classe social e etnicidade: um balan&#xE7;o sobre a bibliografia sobre a experi&#xEA;ncia de envelhecimento</article-title>
<source>BIB &#x2013; Boletim Informativo Bibliogr&#xE1;fico de Ci&#xEA;ncias Sociais</source>
<comment>Rio de Janeiro</comment>
<volume>12</volume>
<issue>33</issue>
<fpage>33</fpage>
<lpage>49</lpage>
<year>1992</year></element-citation>
<mixed-citation>DEBERT, G. G. Fam&#xED;lia, classe social e etnicidade: um balan&#xE7;o sobre a bibliografia sobre a experi&#xEA;ncia de envelhecimento. <bold>BIB &#x2013; Boletim Informativo Bibliogr&#xE1;fico de Ci&#xEA;ncias Sociais,</bold> Rio de Janeiro, v.12, n. 33, p. 33-49, 1992.</mixed-citation></ref>
<ref id="B6">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>DEBERT</surname> <given-names>G. G.</given-names></name></person-group>
<article-title>Velhice e o curso da vida p&#xF3;s-moderno</article-title>
<source>Revista USP</source>
<comment>S&#xE3;o Paulo</comment>
<issue>42</issue>
<fpage>70</fpage>
<lpage>83</lpage>
<season>junho/agosto</season>
<year>1999</year>
<pub-id pub-id-type="doi">10.11606/issn.2316-9036.v0i42p70-83</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>DEBERT, G. G. Velhice e o curso da vida p&#xF3;s-moderno. <bold>Revista USP</bold>, S&#xE3;o Paulo, n.42, p. 70-83, junho/agosto 1999. DOI: 10.11606/issn.2316-9036.v0i42p70-83.</mixed-citation></ref>
<ref id="B7">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>DUARTE</surname> <given-names>L&#xFA;cia Regina Severo</given-names></name></person-group>
<article-title>Idade cronol&#xF3;gica: mera quest&#xE3;o referencial no processo de envelhecimento</article-title>
<source>Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento</source>
<comment>Porto Alegre</comment>
<volume>2</volume>
<fpage>35</fpage>
<lpage>47</lpage>
<year>1999</year> <comment>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.seer.ufrgs.br/RevEnvelhecer/article/viewFile/5473/3109">http://www.seer.ufrgs.br/RevEnvelhecer/article/viewFile/5473/3109</ext-link></comment>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 27 maio 2016</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>DUARTE, L&#xFA;cia Regina Severo. Idade cronol&#xF3;gica: mera quest&#xE3;o referencial no processo de envelhecimento. <bold>Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento</bold>, Porto Alegre, v. 2, p.35-47, 1999. Dispon&#xED;vel em: http://www.seer.ufrgs.br/RevEnvelhecer/article/viewFile/5473/3109. Acesso em: 27 maio 2016.</mixed-citation></ref>
<ref id="B8">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<collab>IBGE</collab></person-group>
<source>S&#xED;nteses de Indicadores Sociais</source>
<publisher-name>IBGE</publisher-name>
<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
<year>2014</year></element-citation>
<mixed-citation>IBGE. <bold>S&#xED;nteses de Indicadores Sociais</bold>. IBGE: Bras&#xED;lia, 2014.</mixed-citation></ref>
<ref id="B9">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>FALEIROS</surname> <given-names>Vicente de Paula</given-names></name></person-group>
<chapter-title>Cidadania: os idosos e a garantia de seus direitos</chapter-title>
<source><bold>Idosos no Brasil</bold>: vivencias, desafios e expectativas na terceira idade</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Funda&#xE7;&#xE3;o Perseu Abramo</publisher-name>
<year>2007</year></element-citation>
<mixed-citation>FALEIROS, Vicente de Paula. Cidadania: os idosos e a garantia de seus direitos. In: <bold>Idosos no Brasil</bold>: vivencias, desafios e expectativas na terceira idade. S&#xE3;o Paulo: Funda&#xE7;&#xE3;o Perseu Abramo, 2007.</mixed-citation></ref>
<ref id="B10">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>FALEIROS</surname> <given-names>Vicente de Paula</given-names></name></person-group>
<article-title>Envelhecimento no Brasil do s&#xE9;culo XXI: transi&#xE7;&#xF5;es e desafios</article-title>
<source>Argumentum</source>
<comment>Vit&#xF3;ria-ES</comment>
<volume>6</volume>
<issue>1</issue>
<year>2014</year>
<fpage>6</fpage>
<lpage>21</lpage></element-citation>
<mixed-citation>FALEIROS, Vicente de Paula. Envelhecimento no Brasil do s&#xE9;culo XXI: transi&#xE7;&#xF5;es e desafios. <bold>Argumentum</bold>, Vit&#xF3;ria-ES, v. 6, n.1, 2014, p. 6-21.</mixed-citation></ref>
<ref id="B11">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>MARQUES</surname> <given-names>R. M</given-names></name> <name><surname>UGINO</surname> <given-names>C. K.</given-names></name></person-group>
<article-title>O Brasil &#xE9; chamado &#xE0; ordem</article-title>
<source>Argumentum</source>
<comment>Vit&#xF3;ria-ES</comment>
<volume>9</volume>
<issue>3</issue>
<fpage>8</fpage>
<lpage>23</lpage>
<year>2017</year></element-citation>
<mixed-citation>MARQUES, R. M; UGINO, C. K. O Brasil &#xE9; chamado &#xE0; ordem. <bold>Argumentum</bold>, Vit&#xF3;ria-ES, v. 9. n.3, p.8-23, 2017.</mixed-citation></ref>
<ref id="B12">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>MOTTA</surname> <given-names>Alda Britto da</given-names></name></person-group>
<article-title>As dimens&#xF5;es de g&#xEA;nero e classe social na an&#xE1;lise do envelhecimento</article-title>
<source>Cadernos Pagu</source>
<comment>Campinas</comment>
<issue>13</issue>
<fpage>191</fpage>
<lpage>221</lpage>
<year>1999</year> <comment>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?down=51317">www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?down=51317</ext-link></comment>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 27 maio 2016</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>MOTTA, Alda Britto da. As dimens&#xF5;es de g&#xEA;nero e classe social na an&#xE1;lise do envelhecimento. <bold>Cadernos Pagu</bold>, Campinas, n. 13, p.191-221, 1999. Dispon&#xED;vel em: www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?down=51317. Acesso em: 27 maio 2016.</mixed-citation></ref>
<ref id="B13">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SANTOS</surname> <given-names>M. da S.</given-names></name></person-group>
<article-title>As influ&#xEA;ncias das ag&#xEA;ncias multilaterais nas &#x201C;reformas&#x201D; da previd&#xEA;ncia social brasileira</article-title>
<source>Ser Social</source>
<comment>Bras&#xED;lia</comment>
<volume>19</volume>
<issue>40</issue>
<fpage>13</fpage>
<lpage>30</lpage>
<year>2017</year></element-citation>
<mixed-citation>SANTOS, M. da S. As influ&#xEA;ncias das ag&#xEA;ncias multilaterais nas &#x201C;reformas&#x201D; da previd&#xEA;ncia social brasileira. <bold>Ser Social</bold>, Bras&#xED;lia, v.19, n.40, p.13-30, 2017.</mixed-citation></ref>
<ref id="B14">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SILVA</surname> <given-names>Luna Rodrigues Freitas</given-names></name></person-group>
<article-title>Da velhice &#xE0; terceira idade: o percurso hist&#xF3;rico das identidades atreladas ao processo de envelhecimento</article-title>
<source>Hist&#xF3;ria, Ci&#xEA;ncias, Sa&#xFA;de-Manguinhos</source>
<comment>Rio de Janeiro</comment>
<volume>15</volume>
<issue>1</issue>
<fpage>155</fpage>
<lpage>168</lpage>
<month>03</month>
<year>2008</year></element-citation>
<mixed-citation>SILVA, Luna Rodrigues Freitas. Da velhice &#xE0; terceira idade: o percurso hist&#xF3;rico das identidades atreladas ao processo de envelhecimento. <bold>Hist&#xF3;ria, Ci&#xEA;ncias, Sa&#xFA;de-Manguinhos</bold>, Rio de Janeiro, v. 15, n. 1, p. 155-168, mar. 2008a.</mixed-citation></ref>
<ref id="B15">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SILVA</surname> <given-names>Luna Rodrigues Freitas</given-names></name></person-group>
<article-title>Terceira idade: nova identidade, reinven&#xE7;&#xE3;o da velhice ou experi&#xEA;ncia geracional?</article-title>
<source>Physis</source>
<comment>Rio de Janeiro</comment>
<volume>18</volume>
<issue>4</issue>
<fpage>801</fpage>
<lpage>815</lpage>
<year>2008</year> <comment>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312008000400011">http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312008000400011</ext-link></comment>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 27 maio 2016</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>SILVA, Luna Rodrigues Freitas. Terceira idade: nova identidade, reinven&#xE7;&#xE3;o da velhice ou experi&#xEA;ncia geracional? <bold>Physis,</bold> Rio de Janeiro, v. 18, n. 4, p. 801-815, 2008b. Dispon&#xED;vel em: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-73312008000400011. Acesso em: 27 maio 2016.</mixed-citation></ref>
<ref id="B16">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SIQUEIRA</surname> <given-names>Renata Lopes de</given-names></name> <name><surname>BOTELHO</surname> <given-names>Maria Izabel Vieira</given-names></name> <name><surname>COELHO</surname> <given-names>France Maria Gontijo</given-names></name></person-group>
<article-title>A velhice: algumas considera&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas e conceituais</article-title>
<source>Ci&#xEA;ncia e Sa&#xFA;de Coletiva</source>
<comment>Rio de Janeiro</comment>
<volume>7</volume>
<issue>4</issue>
<fpage>899</fpage>
<lpage>906</lpage>
<year>2002</year> <comment>Dispon&#xED;vel em: DOI:</comment>
<pub-id pub-id-type="doi">10.1590/S1413-81232002000400021</pub-id>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 27 mai.2016</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>SIQUEIRA, Renata Lopes de; BOTELHO, Maria Izabel Vieira; COELHO, France Maria Gontijo. A velhice: algumas considera&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas e conceituais. <bold>Ci&#xEA;ncia e Sa&#xFA;de Coletiva</bold>, Rio de Janeiro, v. 7, n. 4, p. 899-906, 2002. Dispon&#xED;vel em: DOI: 10.1590/S1413-81232002000400021. Acesso em: 27 mai.2016.</mixed-citation></ref>
<ref id="B17">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>TEIXEIRA</surname> <given-names>Solange Maria</given-names></name></person-group>
<article-title>Envelhecimento do trabalhador e as tend&#xEA;ncias das formas de prote&#xE7;&#xE3;o social na sociedade brasileira</article-title>
<source>Argumentum</source>
<volume>1</volume>
<issue>1</issue>
<comment>Vit&#xF3;ria-ES</comment>
<fpage>63</fpage>
<lpage>77</lpage>
<season>jul./dez.</season>
<year>2009</year></element-citation>
<mixed-citation>TEIXEIRA, Solange Maria. Envelhecimento do trabalhador e as tend&#xEA;ncias das formas de prote&#xE7;&#xE3;o social na sociedade brasileira. <bold>Argumentum</bold> v. 1, n. 1, Vit&#xF3;ria-ES, p. 63-77, jul./dez. 2009.</mixed-citation></ref></ref-list>
</back>
</article>
